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Modelos de Ensino/ Formação

Modelos de Ensino/ Formação

Manual de apoio

Formadora: Ana Correia

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Ana Correia/ 2008

Modelos de Ensino/ Formação

Índice

Os modelos de ensino/ formação enquadramento teórico

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I. Os modelos de formação de Ferry

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1.1. Modelo de formação centrado nas aquisições

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1.2. Modelo de formação centrado no processo

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1.3. Modelo de formação centrado na análise

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II. Modelos de organização de sistemas de formação de Correia

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2.1. Sistemas pré-programados de formação

7

2.2. Sistemas de formação centrados no desenvolvimento individual/ pessoal

7

2.3. Sistemas de formação centrados na análise e transformação das práticas

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III. Modos de trabalho pedagógico de Lesne

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3.1. MTP1 tipo transmissivo com orientação normativa

9

3.2. MTP2 tipo incitativo com orientação pessoal

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3.3. MTP3 tipo apropriativo centrado na inserção social

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IV. Modelos de formação de Deweley

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4.1. Trajectórias de formação

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4.2. Processos de formação

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4.3. Modos de formação

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V. Modelos de formação de Joice e Weill

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5.1. Modelos de processamento de informação ou cognitivos

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5.2. Modelos pessoais ou humanistas

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5.3. Modelos de interacção social ou sociais

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5.4. Modelos condutivistas ou comportamentais

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Modelos de Ensino/ Formação

Os modelos de ensino/ formação enquadramento teórico

Um modelo é uma representação funcional e simplificada de uma classe de objectos ou de fenómenos organizados de um modo mais ou menos estruturado, cuja exploração e manipulação, efectuadas de um modo concreto ou abstracto, conduzem a uma compreensão acrescida e permitem a enunciação de hipóteses de investigação/ acção.

Campo teórico
Campo teórico

Modelo

hipóteses de investigação/ acção. Campo teórico Modelo Mediador Funções Definição Descrição

Mediador

de investigação/ acção. Campo teórico Modelo Mediador Funções Definição Descrição Explicação

Funções

Definição

Descrição

Explicação

Interpretação

Predição

Prescrição

Campo empírico
Campo empírico

Um modelo de ensino/ formação é um conjunto de orientações educativas e princípios teóricos de actuação pedagógica, a representação de uma prescrição de estratégias pedagógicas que corresponde a metas específicas e adaptada às condições particulares de uma situação pedagógica. Nas páginas seguintes, irão ser expostos os principais modelos de ensino/ formação, como estes foram conceptualizados pelos seus autores.

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I. Os modelos de formação de Ferry

Ferry (1987) definiu três modelos de formação, baseados na dinâmica de formação, ou seja, no modo como a formação se desenvolve, na lógica que se imprime ao processo de formação e no modo como determinada formação é operacionalizada com sucesso. Os modelos de formação definidos por Ferry são os seguintes:

Centrado nas aquisições

Centrado no processo

Centrado na análise

1.1. Modelo de formação centrado nas aquisições

Neste modelo, são enfatizados os conteúdos de formação, sendo toda a formação pensada a partir desses conteúdos. Nesta acepção formar significa adquirir e aperfeiçoar um saber, uma técnica ou uma competência. Se toda a formação gira em torno dos conteúdos da formação, este é um modelo de formação predeterminado e preconcebido, já que os conteúdos são predeterminados pela instituição e muitas vezes aparecem traduzidos em objectivos comportamentais, observáveis e mensuráveis. Este modelo traduz a chamada formação tradicional, devido aos seguintes factores:

Os conteúdos e objectivos de formação são exteriores ao formando.

O que caracteriza esta dinâmica de formação é a passividade dos formandos, a importância dos conteúdos e objectivos e a centralidade do formando no processo de formação.

O formando é encarado como objecto de formação

Palavras-chave: Conteúdos de formação; dinâmica/ lógica transmissiva de formação; passividade do formando

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1.2. Modelo de formação centrado no processo

Neste modelo, o aspecto central é o processo de formação, o modo como cada formando se formam, as estratégias e as experiências que o formador propõe e desenvolve durante um processo de formação. O formador não é um especialista ou distribuidor de conhecimentos, mas um facilitador, um desencadeador do processo de formação, do sujeito que se forma. Compete ao formador criar situações para que o formando se forme efectivamente, com métodos activos centrados no formando (como workshops, por exemplo). No modelo de formação centrado no processo, a relação teoria/ prática não é da ordem de aplicação mas da ordem da transferência. O momento de formação é um lugar de reflexão sobre as práticas da teoria, onde também se modificam as práticas. Assim, nesta acepção da formação, o formando é encarado como sujeito da sua própria formação

Palavras-chave: Experiência de trabalho/ formação; desenvolvimento do sujeito; centralidade do sujeito em formação considerado individualmente

1.3. Modelo de formação centrado na análise

Neste modelo, a formação é vista como um espaço onde o formando desenvolve um trabalho sobre si próprio em função das situações que enfrenta e do seu contexto de trabalho, questionando e problematizando as suas práticas e desenvolvendo um processo de reestruturação do conhecimento da realidade. Nesta acepção, a relação teoria/ prática é uma relação de regulação, ou seja, a teoria regula a prática e a prática a teoria, numa relação dialéctica. Este modelo de formação concede liberdade ao formando, mas não a nível individual, pois é encarado como observador analista

Palavras-chave: Contacto/ contextualização; dinâmica/ lógica de reflexão e questionamento das práticas; interacção sujeito/ sujeito e sujeito/ contexto

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Quadros síntese dos modelos de formação de Ferry

Traços

Modelo centrado na aquisição

Modelo centrado no processo

Modelo centrado na análise

distintivos

Concepção

Aquisição ou aperfeiçoamento de um saber técnico ou competências para o exercício de uma função. Exterioridade ao sujeito

Processo de desenvolvimento do individuo psico socialmente. Orientado para a exterioridade e experiências do individuo.

Processo de desenvolvimento com vista

da

formação

transformação de práticas. Orientado para a interioridade.

à

Relação

Aplicação (hierarquia, uma sobrepõe-se à outra)

Transferência (ou

Dialéctica e de regulação

teoria/

alternância)

prática

 

Concepção

Como processo finalizado (quantificáveis, pré - estabelecidos, observáveis, comportamentais)

Como processo aberto (podem ser reformulados, objectivos expressivos ou heurísticos)

Como principio de procedimentos

de

objectivos

 

Natureza de

Conhecimento cientifico, conteúdo disciplinar

Reportam-se à experiência humana

Reportam-se à experiência

conteúdos

à análise dessas experiências.

e

Metodologia

Tradicional, transmissiva, expositiva, centrada no formador. Metodologia directiva

Métodos activos centrados no formando, individualmente considerados (workshops)

Metodologias activas centradas na interacção de grupo.

privilegiada

Papel de

Formador como professor tradicional (transmissor de saberes). Formando como objecto de formação

Formador como orientador. Formando como sujeito da sua própria formação

Formador como facilitador e elemento do grupo. Formando como observador analista.

formador e

formando

Concepção

Currículo como programa, plano, produto, resultado a obter. Teoria técnica. Concepção tecnicista, racional e fechada do currículo.

Currículo como processo ou como projecto. Teoria prática. Deixa de existir separação entre quem concebe e quem executa. Formador e formando são parte activa da formação.

Currículo como processo de reflexão, análise e transformação. Teoria critica. Currículo como construção dos formandos e dos formadores e como acção argumentativa que visa a emancipação dos sujeitos. Constroem o currículo de formação com vista a transformar as suas prática e o contexto de trabalho.

do currículo

e da

formação

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II. Modelos de organização de sistemas de formação de Correia

Tendo como pressuposto o modo de encarar o funcionamento das organizações, Correia (1999) definiu três modelos de formação, Os modelos de formação conceptualizados por Correia, assentes em lógicas distintas, são os seguintes:

Sistemas pré-programados de formação (lógica de reprodução)

Sistemas de formação centrados no desenvolvimento individual/ pessoal (lógica de

adaptação à estrutura social)

Sistemas de formação centrados na análise e transformação de práticas (lógica de

mudança social)

2.1. Sistemas pré-programados de formação

Este modelo, inserido numa lógica de reprodução do funcionamento das organizações, funciona através de uma predeterminação dos conteúdos, objectivos e contextos de formação. As principais características deste modelo são as seguintes:

Aquisição de um saber-fazer (formar para sobressai a componente profissional e não pessoal da formação)

Formação de carácter cientifico e didáctico (formar em formação mais centrada no ensino do que na aprendizagem)

Lógica da eficácia e da acumulação de saberes, enfatizando a teoria em detrimento da prática, uma lógica sumativa de formação

Conteúdos e objectivos explicitados pela instituição através de catálogos de formação

Formador como especialista, como aquele que possui um saber que legitima a sua acção, sendo o método privilegiado o transmissivo.

Lógica certificadora da avaliação (avaliação no fim do processo, quantificadora, centrada no produto)

2.2. Sistemas de formação centrados no desenvolvimento individual/ pessoal

Este modelo insere-se na lógica de adaptação à estrutura social, enfatizando a função psico- sociológica da formação. Nesta perspectiva, os objectivos da formação derivam das expectativas e desejos dos formandos que assumem o papel central da sua lógica de formação. A instituição responsável pela formação organiza-a com base nas expectativas dos formandos.

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Principais características deste modelo:

Baseada nas necessidades individuais sentidas pelos formandos, sendo assim essencial

a

avaliação das necessidades, a análise ou expressão das experiências dos indivíduos,

que poderão ser de trabalho ou formação

Não existe um objectivo predeterminado de formação, já que se reconhecem necessidades e percursos individuais de formação. Existem intenções e propósitos que serão desenvolvidos no decorrer do processo de formação

A

formação é individualizada, sendo as estratégias de formação flexíveis e diversificadas

Os conteúdos emergem das necessidades de formação, vão surgindo durante o processo de formação

O formador é encarado como animador da formação

A avaliação é contínua, formativa e centrada nos processos de formação. O formando

avalia a sua própria formação

2.3. Sistemas de formação centrados na análise e transformação de práticas

Este modelo de formação insere-se na lógica da mudança social, a formação aparece ligada à investigação e à mudança, muito centrada no contacto e nas práticas. Principais características deste modelo:

A

formação não se restringe à sala de aula, existe uma análise dos contextos e das

práticas dos formandos, no sentido de transformação dessas mesmas práticas

A

formulação dos objectivos de formação é um processo inacabado, pois vão surgindo no

desenvolvimento e avaliação da formação, são provisórios e funcionam como referente

para organizar a formação

Formação como espaço de apropriação de saberes/ atitudes/ disposições/ competências, com uma dimensão transformadora e emancipadora dos sujeitos

A

finalidade da formação é a transformação de práticas e das representações dessas

mesmas práticas, que são experiências de trabalho e de formação

São privilegiadas estratégias/ modalidades de formação em contexto real que enfatizem a

dinâmica de grupo, a interacção entre indivíduos e o seu contexto de trabalho e formação, pois o grupo de formação é visto como espaço de confrontação e partilha de práticas

A

avaliação é centrada no efeito da formação, é uma avaliação formativa mas sobretudo

transformativa, espaço no qual os sujeitos da formação avaliam tendo em conta a sua

prática, o contexto de formação e a sua relação com o local de trabalho

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III. Modos de trabalho pedagógico de Lesne

Lesne (1977) faz uma associação significativa entre formação e socialização, encarando a formação como um espaço ou um modelo instituído de socialização, na medida em que é na formação que os indivíduos vão adquirindo ou se vão apropriando das normas, regras, valores, comportamentos e atitudes associadas a uma determinada profissão, a uma determinada organização ou a determinada estrutura social. Os indivíduos na formação adquirem estes valores através de três modos de trabalho pedagógico, sendo a base desta tipologia a análise do processo de socialização do indivíduo.

3.1. MTP1 TIPO TRANSMISSIVO COM ORIENTAÇÃO NORMATIVA

Neste modo de trabalho pedagógico (MTP), a pessoa em formação é sobretudo considerada como objecto de socialização, determinada socialmente, produto social e objecto de socialização formação. O formando assimila através da inculcação ou imposição de normas sociais.

Nesta perspectiva, transmitem-se saberes, valores ou normas, modos de pensamento de uma organização social, uma perspectiva funcionalista da socialização devido à aceitação passiva das normas. Este modo de trabalho pedagógico é o garante da continuidade social, impondo-se esquemas de pensamento, valores instituídos e saberes propostos pelo formador. Assim, o formando é encarado como objecto de formação, uma formação do tipo didáctico e autoritário

3.2. MTP2 tipo incitativo com orientação pessoal

Neste modo de trabalho pedagógico, a pessoa em formação é considerada sujeito da sua própria socialização, actor social, determinando-se e adaptando-se de forma activa aos papeis sociais e às exigências de funcionamento social. O formando é visto como sujeito da sua própria socialização formação. Esta perspectiva opera ao nível das intenções, dos motivos e das disposições dos indivíduos, procurando promover uma aprendizagem pessoal dos saberes existindo também uma apropriação de saberes e do património sócio-cultural do grupo social Este modelo centra-se no formando enquanto agente de formação, correspondendo a um processo de adaptação activa às condições de funcionamento de uma dada instituição

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3.3. MTP3 tipo apropriativo centrado na inserção social

Neste modo de trabalho pedagógico, a pessoa em formação é sobretudo considerada como um agente de socialização, agente determinado mas também determinante, agindo, ao mesmo tempo, em e sobre as condições estruturais do processo, em e sobre o próprio processo. O formando é encarado como agente social e agente de socialização formação através de outras pessoas. Assim, o desenvolvimento das capacidades do formando depende da sua inserção social, existindo uma descentralização do acto de formar visando a inserção real e concreta da pessoa. A acção é centrada na relação entre a inserção social das pessoas em formação e o sistema de esquemas de percepção e de raciocínio. O formando é considerado como agente social capaz de intervir na sociedade de que faz parte, um agente de socialização dos outros no contexto de trabalho

Quadro comparativo dos MTP

 

MTP1

MTP2

 

MTP3

Concepção da

Espaço social isolado da prática (desvio técnico). Teoria como matriz unificadora. Processo de inculcação e de imposição

Processo de apropriação pessoal de conhecimentos. Desenvolvimento de capacidades de iniciativa na condução/ gestão do processo de formação. Supressão ou atenuação da imposição modelizante do conhecimento

Inserção social como ponto de partida, de chegada e referente teórico e pratico de todo o acto de formação. Incide na pessoa em formação enquanto agente social. Relação dialéctica entre prática e teoria

formação

Finalidade

Formação tecnológica e cultural dos adultos (visão tecnocrática). Diploma, qualificação

Auto-formação, autonomia pessoal (especificidade do adulto em formação). Auto-gestão da formação.

Aumentar a possibilidade geral de acção

dos sujeitos sobre orientação da sociedade

a

que pertencem (agentes sociais

   

concretos em estruturas sociais concretas)

Concepção do

Acumulativo e objectivo (estatuto cientifico). Ênfase concedida aos contextos - determinados em função dos objectivos (+ do que as necessidades das pessoas em formação). Fragmentação racional e organização linear (lógica disciplinar)

Questionamento do estatuto objectivo e neutro do saber (construção pessoal). Acção sobre as motivações. Minimização do papel dos conteúdos. Utilização dos saberes em grupo (co-formação)

Saber como instrumento de emancipação. Saber como construção e ruptura com a realidade exterior. Privilegio dos instrumentos científicos (+ do que as informações cientificas).

saber

Métodos

Afirmativos. Interrogativos. Activos (determinados e controlados pelo formador com o objectivo de os formandos interiorizarem e assimilarem os conteúdos)

Activos. Dinâmica de grupos.

Trabalho colectivo de análise de situações concretas.

Processo (s)

Inculcação e imposição (modelo linear, rígido e determinado à priori, decide-se tendo em conta os modelos de formação)

Apropriação a partir de aquisições precedentes de uma parte do património sócio-cultural do grupo social ou da sociedade.

De inserção social e concreta das pessoas em formação (descentralização do acto de formação).

de formação

Lógica

Conformista (carácter normativo) e impositivo

Do sujeito (carácter idiossincrático)

Dinâmica social (construção, transformação do contexto)

dominante

Pedagogia

De modelo e do desvio em relação ao modelo. Modeloformador e desvioformando. Os formandos devem-se aproximar do modelo.

De “educando-se” ou de “formando-se”

De ruptura e mutação, centrado nos efeitos das relações sociais em todos os aspectos

predominante

e

modelos de formação

Relação

Dissimétrica (saber vs n saber). Formador c/ especialista. Formando c/ objecto de formação

Acção de formador exerce-se sobre motivações da pessoa em formação. Diversificação das funções do formando. Formando enquanto sujeito da sua própria formação

Formando adquire 1 papel activo em todo

formador

o

processo. Trabalho comum de

formando

apropriação do real. Acção comum de reconstruções pessoais dos modos de organização do real.

Procedimento

Quantitativos (controlo de aquisições). Referente -modelo teórico

Qualitativos. Ênfase nos processos de formação

Definição de referenciais progressivamente conferidos à pessoa em formação

s avaliativos

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IV. Modelos de formação de Deweley

A conceptualização de Deweley baseia-se na articulação entre saberes teóricos e saberes práticos, entre o saber do formador e o saber do formando, na articulação entre formação profissional e formação ao nível do desenvolvimento pessoal, a formação psicológica. Assim, Deweley identifica três pressupostos:

Trajectória de formação

Processo de formação

Modo de formação

4.1. Trajectórias de formação

As trajectórias de formação podem se encaradas como uma visão global de formação, a linha de evolução do formando que possui uma determinada representação da acção, da formação, dos comportamentos modelo implícito do formando. Por seu lado, o formador possui um quadro de referência para as suas práticas modelo pedagógico de referência do formador

Modelo pedagógico implícito do formando Modelo pedagógico de referência do formador Modelo pedagógico
Modelo pedagógico
implícito do formando
Modelo pedagógico de
referência do formador
Modelo pedagógico
personalizado do formando

Qualquer modalidade de formação deveria considerar estas representações.

4.2. Processos de formação

Os processos de formação são formas de apropriação do saber e do saber-fazer, existindo 5 formas diferentes:

Formação pela instrução (lógica escolarizada) recepção de informação por parte dos formandos

Formação pela documentação acesso às fontes, aos materiais ou documentos de natureza diversa

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Formação pela observação observação da realidade (colocar os formandos em contacto com a realidade onde vão trabalhar)

Formação pela experimentação ou retroacção experimentação e análise de situações

Formação pela simulação possibilidade de operacionalizar situações vividas ou aprendidas

Formação pela investigação rigor e criatividade; capacidade de análise e síntese

4.3. Modos de formação

Os modos de formação podem ser descritos como o modo como é organizado o grupo de formandos durante a formação, existindo quatro formas de o fazer:

Formação Colectiva

Objectivos e itinerários de formação fixados externamente pela instituição ou pelo formador

Formador como transmissor de conhecimentos

Mesmo itinerário para todos os formandos

Formação Diferenciada

Objectivos e modalidades de formação determinados pelo centro de formação e pelo formando

Existência, durante um curto tempo, de itinerários e modalidades de formação adaptados às necessidades dos formandos

Tempos diferenciados

Formador como alguém capaz de articular dinâmicas de grupo e caminhos individuais

Itinerários idênticos mas com intervalos diferentes adaptados às necessidades dos formandos

Formação Individualizada

Necessita de um referencial de formação

Avaliação diagnostica

Módulos de formação

Os formandos negoceiam com os formadores o seu itinerário de formação

Formador com alguém que fornece assistência técnica aos formandos

Itinerário especifico para cada formando

Formação personalizada

É uma formação individualizada no sentido de um auto formação, com um itinerário individual

O formador técnico dá lugar ao formador - acompanhante

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V. Modelos de formação de Joyce e Weil

A classificação proposta por Joyce e Weil (1980) distingue quatro grupos:

5.1. Modelos de processamento da informação ou cognitivos

Nestes modelos, o ponto de partida são os conteúdos da formação, visando a capacidade dos formandos processarem informação e o modo de melhorar essa capacidade, privilegiando a função cognitiva

São privilegiados métodos que se centram nos conteúdos, como a exposição, sendo a teoria curricular centrada nos conteúdos. Nesta perspectiva o formador é um organizador logocêntrico e expositivo da aprendizagem, tendo o formando a função de assimilador e reprodutor dessa mesma linguagem

As principais características destes modelos são as seguintes:

Recepção, integração e exploração optimizada da informação

Aquisição e estruturação constantes e continuas de novos dados

Aquisição de habilidades necessárias para a utilização dos conceitos, bem como de capacidades e técnicas úteis para a resolução de problemas (pluralidade de situações

5.2. Modelos pessoais ou humanistas

Estes modelos orientam-se para o desenvolvimento individual e para a realização autónoma do educando, ultrapassando a lógica utilitarista da formação.

A teoria curricular presente nestes modelos é centrada no formando, que é visto como

organizador da sua própria aprendizagem, sendo o formador encarado como conselheiro e facilitador do desenvolvimento pessoal do aluno. São caracterizados pela não directividade e pela promoção do desenvolvimento intelectual,

afectivo e social do aluno, existindo flexibilidade no processo de formação.

As principais características destes modelos são as seguintes:

Desenvolvimento integral do sujeito

Respeito pelo ritmo e estilo de aprendizagem

Óptica da não directividade

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5.3. Modelos de interacção social ou sociais

Nestes modelos promove-se a relação do formando com os outros formandos, num contexto de interacção social, valorizando as relações interpessoais e a formação como um processo social. São

assim privilegiadas as técnicas como o círculo de estudo, pois favorece-se o trabalho de pesquisa e solução de problemas em grupo.

O currículo possui uma vertente de reconstrução social, em função da própria realidade social,

sendo o motor de transformação e emancipação do sujeito.

O formador é encarado como líder social que favorece a participação dos formandos no

desenvolvimento de relações interpessoais no contexto de uma comunidade. As principais características destes modelos são as seguintes:

Interacção e qualidade das relações

Desenvolvimento da criatividade e do sentido de responsabilidade (cidadão responsável)

Pluralidade dos modos de funcionamento democrático (processo de ensino/ aprendizagem)

5.4. Modelos condutivistas ou comportamentais

Nestes modelos a formação é encarada como oportunidade para os formandos desenvolverem

competências, sendo a formação orientada para o controlo e estímulo da aprendizagem, identificados nas condutas formais (comportamentos) que os formandos assimilam no decurso do processo de ensino/ aprendizagem

A base teórica destes modelos é a psicologia behaviorista, sendo o seu pressuposto curricular

a teoria técnica de modificação de comportamento de aprendizagem do formando, visando um

resultado, não traduzido em conteúdos, mas em comportamentos

O formador é o condutor e organizador do processo deformação, mediante esquemas formais

e altamente organizativos, onde os elementos didácticos obedecem à seguinte linearidade e

normatividade: Formulação de objectivos; Escolha de metodologia e recursos; Selecção de formas de

avaliação

As principais características destes modelos são as seguintes:

Teorias psicológicas/ estimulo resposta

Postulado: o comportamento humano pode ser explicado também por variáveis exteriores ao organismo

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Aquisição de comportamentos considerados positivos e valorizadores para o sujeito e o meio (latu sensu)

Óptica de directividade e de contextos educativos fortemente estruturados (objectivos, meios, avaliações, reforços e retroacções predeterminados)

Bibliografia de apoio:

BERTRAND, Yves. (2001). Teorias Contemporâneas de Educação. Lisboa: Instituto Piaget.

CORREIA, José Alberto. (org.). (1999). Formação de professores. Da racionalidade instrumental à acção comunicacional. Porto. Edições Asa.

DE KETELE, Jean-Marie, et al. (1998). Guia do formador. Lisboa: Instituto Piaget.

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