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J.T.PARREIRA

NO MÁXIMO, SEIS VERSOS
Poemas Breves, Bíblicos & Outros

Edição de Sammis Reachers, 2014

Foto de capa: “Running with the seagulls” – Ed Schipul/Flickr (CC)

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Índice
Uma breve introdução ............................................................... 04
Oração Matinal ............................................................................. 05
A Tentação ..................................................................................... 06
A Mulher Negra ........................................................................... 07
O Meteoro e o Orvalho ............................................................. 08
Morar ao Lado .............................................................................. 09
O Que Disse Jesus ........................................................................ 10
O Ponto Final ................................................................................ 11
Um Poema ...................................................................................... 12
Poema Para a Não Metáfora ................................................... 13
David ................................................................................................ 14
Aos 90 .............................................................................................. 15
Há Dias Assim ............................................................................... 16
Eclesiastes, 2 ................................................................................. 17
David e Bate-Seba ....................................................................... 18
A Túnica .......................................................................................... 19
Os Pobres Quixotes .................................................................... 20
Veneza ............................................................................................. 21
A 9ª ................................................................................................... 22
Manhã de Domingo .................................................................... 23
O Cardume ..................................................................................... 24
Cântico Breve dos Exilados .................................................... 25
Reportagem no Japão Séc. XIX .............................................. 26
Oriente ............................................................................................ 27
Jardim das Oliveiras .................................................................. 28
O Natal ............................................................................................. 29
Cansaço no Museu ...................................................................... 30
O Pecado ......................................................................................... 31
Poema Para Um Evolucionista .............................................. 32
Os Mineiros ................................................................................... 33
O Músico Suicida ......................................................................... 34
Um Prodígio Moderno .............................................................. 35
Parque Infantil ............................................................................. 36
Amazónia ....................................................................................... 37
Os Discípulos de Emaús ........................................................... 38
Regresso a Casa ........................................................................... 39
Para Um Estudo Psicológico da Personagem ................. 40
O Retrato ........................................................................................ 41
Naufrágio ....................................................................................... 42
Desembarque na Normandia ................................................ 43
Fadiga .............................................................................................. 44
“Le Déjeuner Sur L’Herbe” de Manet ................................. 45
As Descobertas ............................................................................ 46
Marylin Monroe ........................................................................... 47
O autor ........................................................................................... 48
Outros e-books do autor ....................................................... 49
3

Uma breve introdução
De todas as chamadas nove artes, é na Poesia que mais
justificadamente se pode asseverar que menos é mais. A concisão, a
precisão do corte e do entalhe, só fazem amplificar o poder
comunicante do texto, só podem elevá-lo.
Nos versos aqui coligidos, versos irmanados pela brevidade, João
Tomaz Parreira dá vazão ao seu caudal de metáforas condensadas, à
tecitura precisa, que em seu rigor vezes lembra o Hermetismo italiano
no que ele tinha de melhor, a explosão/maximização das cargas
expressivas do poema ao nível microscópico. E em tal labor engendra a
quase perfeição poética, como neste fulgurante A Tentação, onde o
Cristo jejuante é tentado no deserto pelo Adversário, que lhe oferece as
nações da terra:
Na ponta do precipício, no gume
do ar, nos seus olhos Ele guardou
antes o azul do que os reinos
ao fundo do mundo.
E assim sucedem-se, ao longo de todo este breve volume, as
pequenas cápsulas de alumbramento, lances minimalistas de poesia
não apenas cristã mas variada em sua temática, em suas cores, porém
fulcralmente uma poesia imantada, que aponta de maneira indelével
para o norte, para o Cordeiro.
A boa poesia é como a alta culinária, onde a pequena porção
concentra uma profusão de surpreendentes sabores, um buquê de
amoráveis aromas que podem fascinar até no prato (e tema) mais
prosaico. É assim a poesia de JTP: culinária d’alma, capaz de envolver,
satisfazer e elevar os paladares mais exigentes e experimentados.
A todos os leitores, bon appetit!
Sammis Reachers

4

ORAÇÃO MATINAL
Pai Celestial, sou o teu vizinho importuno
perdoa-me as mãos nos bolsos,
e a repetição como o sol que se espreguiça
na linha do oriente, nesta nova manhã
dá-me o pão sem remorsos e a água
nos meus olhos quando choro.

5

A TENTAÇÃO
Na ponta do precipício, no gume
do ar, nos seus olhos Ele guardou
antes o azul do que os reinos
ao fundo do mundo.

6

A MULHER NEGRA
“Jorro de sangue jovem / sob um pedaço de pele fresca”
Nicolás Guillén
A mulher negra na alvura
dos seus dentes traz as palavras,
a cascata do seu riso, a manhã esperada
que ilumina a sua pele, a nova mulher
negra é uma noite em festa.

7

O METEORO E O ORVALHO
O orvalho está sobre a folha, sobre a noite
o meteoro não descansa, passa
como o silêncio, aqui em baixo
a gota não treme, é uma parte macia
do céu.

8

MORAR AO LADO
Do outro lado da parede
também se vive
e há
uma razão qualquer
para fazerem
o silêncio.

9

O QUE DISSE JESUS
João, 15, 7
Se estiverdes em mim
as minhas palavras
estão em vós, o que pedirdes
não será preciso, porque está feito.

10

O PONTO FINAL
O que vai ficar antes deste ponto
final
parágrafo. O que vier a seguir
é já a marcha do desconhecido.

11

UM POEMA
Um poema que seja para nós
que seja nós.

12

POEMA PARA A NÃO METÁFORA
Não dizer que aqueles olhos
são como a noite, a cor
fica melhor
dizer a noite é os teus olhos
com um eclipse de sol
no meio.

13

DAVID
Nenhum homem esteve mais perto
de Deus do que David
por razão da música e seus salmos
Quando tocava
a harpa, era Deus que respirava
Deus desfazia o silêncio nos dedos de David.

14

AOS 90
(para a minha mãe)
Olhou para dentro dos olhos, os olhos da mãe,
agora mais alquebrados, há pouca coisa para ver.

15

HÁ DIAS ASSIM
Hoje é o silêncio que vem sentar-se na soleira, à boca
a poesia virá quando puder.

16

ECLESIASTES, 2
Empreendi grandes obras
edifiquei a alegria nas casas, plantei
vinhas, fiz jardins de todas as cores
os pomares são altos relevos no vento
Tudo é vaidade, mesmo a morte
não é nova debaixo do solo.

17

DAVID E BATE-SEBA
Quem sou eu para condenar-te, David?
Não soubeste segurar os teus olhos
e como duas aves em busca da cor
os lançaste? Desceram da tua varanda
ao encontro da nudez
do amor.

18

A TÚNICA
Conservaste a tua túnica
de linho inteiro, dulcificado
com o pó dos caminhos e o toque
envergonhado pela orla dos dedos
até que as mãos alheias, entre altas lanças
lançaram os dados desfiaram o teu corpo.

19

OS POBRES QUIXOTES
Pobres Quixotes que afiastes
as lanças no fogo da poesia
para os moinhos de vento
cuidastes que o mundo
ficaria livre dos gigantes
de largas mãos.

20

VENEZA
O que é que tenho em Veneza? Águas
nos olhos, os olhos de Canaletto
parte de mim não conhece Veneza
a outra parte nada
numa água ancestral, gôndolas
rasgam o que outrora foi seda.

21

A 9ª
Beethoven é um querubim surdo
Beethoven como o vento
não se escuta a si próprio
tem música nas mãos
onde toca, tira a poeira
do mais pobre dos silêncios.

22

MANHÃ DE DOMINGO
No primeiro dia da semana, com os perfumes
guardados para o Santo Sepulcro
quando do oriente o sol começasse
iam as mulheres preservar a beleza
só do corpo mortal.

23

O CARDUME
Criaturas luminosas deslizam.
No veludo escuro as águas abrem-se
em figuras esguias,
o cardume,
como um coração que bate
no oceano, respira.

24

CÂNTICO BREVE DOS EXILADOS
Os salgueiros inundavam as margens do rio
e neles, as nossas harpas
com lágrimas, molhavam
o silêncio.

25

REPORTAGEM NO JAPÃO SÉC.XIX
As famílias japonesas corriam distâncias
para ver jardins floridos, pelas manhãs
os jornais
abriam com botões de flor.

26

ORIENTE
Está o sol nos galhos
desta árvore do lado
leste do jardim.

27

JARDIM DAS OLIVEIRAS
A lua nos galhos observa, por entre as folhas
das oliveiras, os ramos a dançar
as folhas fatigadas
presas no vento
que inunda o ar, desconhecem
que estão perto da angústia de Deus.

28

O NATAL
Árvores a iluminar as janelas
por detrás do gelo
nos vidros, os espíritos
de natal com filamentos de lâmpada.

29

CANSAÇO NO MUSEU
Foi gastando os olhos nas paredes
onde se debatiam quadros
de beleza duvidosa
quando chegou à Dança de Matisse
os seus olhos eram dois vidros
já cansados e sem luz.

30

O PECADO
Ouvi a tua voz rasgar as folhas
estava nua
tive medo e escondi-me
da tristeza dos teus olhos.

31

POEMA PARA UM EVOLUCIONISTA
“Soyez patients./ Je descendrai de l'arbre / pour vos faire un monde”
Slobodan Jovalekic
A paciência
é uma árvore a redesenhar as folhas
no seu tempo, a vida chegará
e o macaco há-de descer da árvore
para te fazer um mundo.

32

OS MINEIROS
As mãos
como archotes ocupadas em devorar a treva
trazem à superfície o que ficou
a dar substância à esfera.

33

O MÚSICO SUÍCIDA
O silêncio do pentagrama foi
encerrado num armário, o compositor
depois suicidou-se.

34

UM PRÓDIGO MODERNO
Depois de sair de casa
lançou a chave à passagem do primeiro
mercadorias, retalhando a vida
no aço resistente dos carris.

35

PARQUE INFANTIL
Nos meus olhos, alguma vez
recordo
a baloiçar quase no céu
a loucura sã de uma criança.

36

AMAZÓNIA
“Ah! Povo desarmado! / Suas estradas cortam / As linhas do meu
corpo”
Ricardo G.Ramos, no poema “ Eu, Índio”
As estradas por dentro
dos índios, cortaram
as linhas
da seiva da amazónia.

37

OS DISCÍPULOS DE EMAÚS
Estávamos sentados. Os olhos
convertidos às suas mãos
quando partia o pão
no escuro
abrindo-nos a luz.

38

REGRESSO A CASA
“E se eu implorar (...) que me liberteis,
devereis amarrar-me com mais cordas ainda”
Odisseia
O doce canto desnudando o coração
o desejo nu, bem amarrado ao mastro
Ulisses não podia
atirar às ondas de Sereias
os seus braços.

39

PARA UM ESTUDO PSICOLÓGICO DA PERSONAGEM
Hoje esteve calmo,
como o Grand Canyon.

40

O RETRATO
A erosão das rochas
nos píncaros
é o retrato mais antigo, que se conhece
do vento.

41

NAUFRÁGIO
Desabitado, o convés ao largo
aguarda a visita das marés e dos olhos
que vêm à praia, rasos de água
ninguém espera mais nada
senão os apetrechos do barco
lentamente repartidos.

42

DESEMBARQUE NA NORMANDIA
Alguns
morreram, muitos
morreram, quase todos
como um poema rasgado
que não viu a luz ao fundo
da última palavra.

43

FADIGA
Exausta de blandícias, a minha voz
agora verte em vernáculo antigo
a raiva contra a faca injusta, não
apenas a que guarda os celeiros
mas aquela que corta desigual
o pão de todos, o pão de cada dia.

44

“LE DÉJEUNER SUR L’HERBE” DE MANET
Não é um almoço, é uma tela
desenrolando-se na relva
os impressionistas
criaram a tendência dos almoços
a cores, não havia
almoços brancos.

45

AS DESCOBERTAS
Do alto da gávea,
hora de abrir o sol:
o marinheiro vê a cor do mar,
a mover-se com o vento.

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MARYLIN MONROE
A sua nudez não foi suficiente
não surpreendeu
a morte, os seus olhos
não penetraram nada
adormeceu, ou foi
adormecendo.

47

O autor
João Tomaz (do Nascimento) Parreira, Lisboa,
1947.
Poeta. 6 livros de poesia (Este Rosto do Exílio, 1973; Pedra Debruçada
no Céu, 1975; Pássaros Aprendendo para Sempre, 1993; Contagem de
Estrelas, 1996; Os Sapatos de Auschwitz, 2008; e Encomenda a
Stravinsky, 2011) Um ensaio teológico (O Quarto Evangelho Aproximação ao Prólogo, 1988), diversos e-books e participação em
Antologias. Escreve na revista evangélica «Novas deAlegria» desde
1964 e no Portal
da Aliança Evangélica Portuguesa.
Na juventude escreveu poesia e artigos no suplemento juvenil do
"República", entre 1970-1972, sob a direcção de Raul Rego. Tendo
começado em 1965 também no Juvenil do "Diário de Lisboa", de Mário
Castrim. Está representado no Projecto Vercial, a maior base de dados
da literatura portuguesa.
Edita os blogs Poeta Salutor e Papéis na Gaveta
e colabora em Confeitaria Cristã , Mar Ocidental e Liricoletivo.

48

Outros e-books do autor

Aquele de Cuja Mão Fugiu o Anjo - Este e-book reúne 30 poemas de inspiração
cristã, plena substanciação da fina literatura que tem consagrado o autor
(J.T.Parreira) como um dos maiores poetas evangélicos de nossa língua.
Para os apreciadores da dita poesia evangélica, desnecessárias são as
apresentações à obra de J.T.Parreira. Mas para proveito de todos, devemos prestar
os devidos esclarecimentos. Poeta evangélico lusitano, com já mais de quatro
décadas dedicadas à poesia, JTP é autor de seis livros de poesia e tem participação
em diversas antologias; poemas vertidos para o inglês, italiano, espanhol e turco.
Foi um dos deflagradores, juntamente com o poeta e pastor brasileiro Joanyr de
Oliveira, do movimento pela Nova Poesia Evangélica, que a partir das décadas de
sessenta e setenta do século passado insuflou um benfazejo espírito de renovação
e atualização em nossas letras. Faço minhas as palavras do economista e escritor
João Pedro Martins: “João Tomaz Parreira é um autor incontornável no escasso
universo da literatura feita por evangélicos. A sua poesia é Poesia Gourmet.”
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49

FALANDO ENTRE VÓS COM SALMOS - O mote para este trabalho poético-literário
sobre os Salmos, foi-me dado por essa recomendação paulina aos crentes da Igreja
em Éfeso, que lemos na Epístola 5, 19.
Partindo do estilo interno tradicional dos Salmos, usando um discurso poético
contemporâneo, sem perda do lirismo e da linguagem que devem compor uma
peça literária como um salmo, procuro num acto de pura poiética construir um
poema-salmo. O alvo é tentar re-escrever do ponto de vista estético do poeta, a
valia espiritual de uma substantiva parte do saltério.
Assim, este primeiro volume , dedica-se a 25 cânticos davídicos, de 1 a 25; e o 2º
volume, ainda em processo de escrita, tratará dos cânticos suplicantes, que
englobará alguns salmos entre o 44 a 106. - O Autor
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50

Na Ilha Chamada Triste - Nos 16 poemas que compõem este opúsculo, iniciado no
Recife (Brasil),“defronte do mar”, em Abril de 1995, e concluído em Aveiro
(Portugal) pelo mesmo ano, o poeta evangélico lusitano J. T. Parreira enfeixa as
vozes de uma Patmos do Exílio e sua companheira sequaz, seu quase duplo que é a
Solidão. Ilha (e ilha interior) da pura contemplação do profeta (apóstolo João) e do
poeta (JTP) que produzem num a Revelação (Apocalipse), que com seu tesouro de
ora literalidade, ora alegoria, nos traz a Advertência e a Esperança; e noutro a
poesia que re-conta, re-vive, re-vigora e trans-vigora com a verve de sua voz
poética as vivências do Apóstolo em seu exílio insular.
Eis-nos Patmos, (uma) estranha ilha (chamada) Triste, mas de uma “tristeza
segundo Deus” (2Co 7.10), que opera em seu fim a salvação.
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51

Quando eu era menino lia o Salmo oitavo - A poesia de J.T.Parreira é poesia
maior. É poesia que, ao ser lida, inevitavelmente produz a libertadora (e
infelizmente rara) sensação de uma lufada de ar que nos eleva e, de roldão,
transmigra-nos de nosso dia-a-dia corrido e muitas vezes repleto de sensaboria,
para a dimensão poiética, de enlevo, fascinação e gozo auferidos pelas palavras ao
serem laboriosamentere-alinhadas para que ofereçam o seu melhor.
Nesses 29 poemas, escritos entre fins de 2011 e início de 2012, o vate português dá
provas de seu dom de ampliar, ou melhor dito, alar as palavras, trabalhando os
temas bíblicos, reafirmando poeticamente sua transcendência divina, ao recapturar e re-vestir o que eu chamaria de seu élan (ímpeto, vigor) devocional.
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Piquenique no Éden - ...Parreira é o poeta das finas texturas e da metáfora de
ouro, a voz incessante e incensória de nossa melhor poesia cristã, que, de sua
Aveiro atlântica, é como um Davi(d) que dispara tesouros de sua rica aljava, tendo
por arco a lira, e por seta a palavra.
Neste Piquenique no Éden, o leitor faceará palavras esmeradas que, em sua
morfologia de pedestal, de câmara sacra, de pluma e lâmina, rodopiam em suave
dança, em círculos concêntricos em torno à Palavra, o Cristo, o Verbo Encarnado:
aqui podemos palmilhar com Ele rompendo as brumas em direção a Emaús, ou
melhor, em direção a Ele mesmo; e receber de Suas mãos o pão que sacia a alma, e
receber de Seu coração o sacrifício que nos traz a paz.
Em muitos dos poemas que compõem este singelo opúsculo, somos ainda
convidados/constrangidos a lamentar, na dor de Jó, nos muitos abismos de Jonas,
na dura sina do indivíduo judeu e da nação Israel, a tristeza de termos deixado um
dia o Jardim, como se fossemos membros amputados do corpo da infância,
abortados-quando-prestes, quando prestes a nos firmarmos na instância/estação
da Felicidade. Aquela Felicidade sempiterna que a redentora Palavra, que subiu e
desceu daquela cruz, nos assegura que será novamente, e será para sempre.
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