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OBJETIVO

Verificar lâminas pelo

microscópio para identificação das células pertencentes ao

colo do útero; Identificar alterações colpocitopatológicas e anatomopatológicas da citologia

clínica.

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2 INTRODUÇÃO

O útero é o receptáculo para o óvulo fecundado. Em sua cavidade, este encontra as condições necessárias e propícias ao seu desenvolvimento¹. É um órgão único, de paredes espessas e contráteis, e normalmente está situado na parte anterior da cavidade pélvica¹. Tem dimensões variáveis de acordo com a idade e gravidez¹. Quando visto de frente, tem o formato de uma pêra invertida, achatada no sentido ântero-posterior¹. Sua porção superior, volumosa, arredondada, é o corpo, e a sua porção inferior, cilíndrica, é a cérvix ou o colo uterino¹. A cavidade uterina é de formato triangular, ao nível do corpo, enquanto no colo se apresenta como um canal, o canal cervical ou endocérvice limitado por dois orifícios¹. Um, superior, contínuo com a cavidade do corpo, o óstio interno do colo do

útero; o outro, inferior, abre-se no canal vaginal, é o óstio externo do colo do útero¹. A porção do colo situada para fora do orifício externo,na cavidade vaginal, denomina-se ectocérvice¹. Na arquitetura do útero identificam-se três camadas que, da cavidade pélvica para a sua, são: túnica serosa (perimétrio), túnica muscular (miométrio) e túnica mucosa (endométrio) (Figura 1)¹.

Figura 1

Corte frontal do útero e tubas uterinas expondo a cavidade uterina dividida nas porções cervical e
Corte frontal do útero
e tubas uterinas
expondo a cavidade
uterina dividida nas
porções cervical e
corporal; a trompa e
seus segmentos
anatômicos.
3 2 INTRODUÇÃO O útero é o receptáculo para o óvulo fecundado. Em sua cavidade, este

A ectocérvice, por sua vez, é revestida por epitélio escamoso, semelhante ao da vagina. A transição entre os epitélios cilídrico da endocérvice e escamoso da ectocérvice ocorre, no colo considerado padrão, ao nível do orifício externo formando uma linha na sua circunferência, denominada junção escamo-colunar (JEC) (Figura 2)¹.

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Figura 2

4 Figura 2 Representação esquemática dos epitélios de revestimento do colo do útero: (1) epitélio escamoso

Representação esquemática dos epitélios de revestimento do colo do útero: (1) epitélio escamoso do ectocérvice, (3) epitélio colunar do endocérvice, (2) junção dos dois epitélios, junção escamo-colunar (JEC), (4) estroma conjuntivo do colo do útero.

Os esfregaços de citologia cervico-vaginal são constituídos por células epiteliais pavimentosas e células epiteliais glandulares. As células superficiais, intermediárias, naviculares, parabasais e basais fazem parte das células epiteliais pavimentosas 4 . As células endocervicais e endometriais fazem parte das células epiteliais glandulares 4 . As células superficiais podem surgir em diversas condições, nomeadamente na 1ª fase do ciclo (pré-ovulação), após terapêutica estrogénica ou como resultado de um tumor do ovário. São células da camada superficial, são poliédricas com aproximadamente 40 a 60 micra, têm um citoplasma vasto, homogêneo, translúcido, eosinófilo por vezes cianófilo (com a coloração de papanicolaou), outras vezes com granulações querato-hialinas 4 . O núcleo das células superficiais é central, picnótico, redondo a oval, sem padrão de cromatina visível com membrana nuclear regular 4 . As células intermediárias surgem geralmente na 2ª fase do ciclo (pós- ovulação) na gravidez, na menopausa e na terapêutica com progesterona. São células da camada média, com glicogênio abundante e podem aparecer isoladas (esfoliação fisiológica) ou agrupadas (esfoliação traumática). Têm citoplasma vasto, translúcido, cianófilo, por vezes eosinófilo (com a coloração de papanicolaou), podem apresentar os bordos enrolados, com grânulos querato-hialinos ou com vacúolos 4 . O núcleo pode ser redondo ou oval, maior que o das células superficiais e a cromatina bem definida 4 . Na camada profunda do epitélio encontram-se as células parabasais. São menores que as naviculares, com os núcleos maiores, são redondas e regulares com 15 a 20 micra 4 . Possui relação núcleo / citoplasma aumentada, o citoplasma é denso, acidófilo ou (cianófilo), com a membrana citoplasmática bem definida e com vacúolos 4 . O núcleo é central, a cromatina é fina e granular de distribuição uniforme 4 .

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Podem ser encontradas na pré-puberdade, pós-parto, pós-menopausa, pós- irradiação ou por insuficiência de estrogénio 4 . As células basais têm origem na camada basal do epitélio. Raramente são

observadas, excepto se existir uma esfoliação traumática (erosão ou ulceração da mucosa), atrofia severa ou uma infecção. São células pequenas com 15 micra, ovais ou redondas com uma elevada relação núcleo / citoplasma 4 . Podemos encontrar também elementos não epiteliais no esfregaço cérvico- vaginal como:

Neutrófilo: São células pequenas de aproximadamente 7 micra, com núcleo segmentado de até 5 lobulações³. Nos processos inflamatórios estão presentes em grande número, transformando, por vezes, os esfregaços em esfregaços purulentos³. Hemácias: São normalmente encontradas no período menstrual. Fora desta fase indicam traumatismo da colheita, erosão ou ulceração e, ainda, neoplasia cervical. No sangramento intermenstrual (ovulatório) o seu encontro pode ser uma observação normal³.

Flora bacteriana do tipo lactobacilar

: A flora vaginal normal é constituída,

principalmente, por bacilos de Döderlein. Os lactobacilos utilizam o glicogênio celular transformando-o em ácido láctico, principal guardião da cavidade vaginal contra as infecções. Às vezes determinam um fenômeno chamado de citólise³. A citólise é a destruição do citoplasma de células da camada intermediária pelo efeito do baixo pH. Este fenômeno é normal quando discreto³. Podemos ter alterações citomorfológicas na cérvice uterina por agentes biológicos capazes de determinar processos inflamatórios vaginais, como por exemplo o HPV¹. O HPV (Human Papiloma Virus) é um DNA vírus do grupo papovavirus, com tropismo epitelial, cuja infecção tornou-se problema de saúde pública devido à sua

alta prevalência e possível relação com o câncer do colo do útero. Até o momento,

mais de 120 tipos de HPV já foram

identificados e acredita-se que o sistema genital

possa ser infectado por mais de 45 deles; o HPV 16 parece ser o mais

frequente¹.

De acordo com o potencial oncogênico, o HPV pode ser classificado como:

• HPV de baixo risco oncogênico: 6, 11, 42, 43, 44. • HPV de alto risco oncogênico: 16, 18, 26, 31, 33, 35, 45, 56 etc. O tempo médio

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de infecção varia de oito a 13 meses. Nos casos de infecção persistente por HPV de alto risco, há maior possibilidade de evolução para o câncer do colo do útero¹. A citologia oncótica cérvico-vaginal é o melhor método de rastreio. O diagnóstico pode ser definido pelo exame colposcópico ou pela simples inspeção, nos casos em que o condiloma estiver presente¹. A biópsia está recomendada na vulva nas seguintes situações: casos de dúvida ou suspeita de neoplasia (lesões pigmentadas, endurecidas, fixas ou ulceradas), se as lesões não responderem ao tratamento, se as lesões aumentarem de tamanho durante ou após o tratamento ou se a paciente é imunodeficiente¹. No caso das lesões cervicais a biópsia se faz necessária quando há suspeita de transformação maligna¹. Embora se considere que a infecção pelo HPV seja indispensável à carcinogênese, há necessidade de outros cofatores, destacando-se o tabagismo e a imunodepressão¹. A transformação maligna exige também que o genoma do HPV se integre ao genoma da célula infectada¹. Existem duas vacinas profiláticas contra HPV aprovadas e registradas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e que estão comercialmente disponíveis². As vacinas são preventivas, tendo como objetivo evitar a infecção pelos tipos de HPV nelas contidos. O Ministério da Saúde recomenda que a primeira dose (de um total de três) seja aplicada nas escolas públicas e privadas que aderiram à estratégia. A segunda será aplicada com intervalo de seis meses e a terceira, de reforço, cinco anos após a primeira dose². O Ministério da Saúde preparou uma campanha informativa para orientar a população sobre a importância da prevenção contra o câncer do colo de útero². Com tema: “Cada menina é de um jeito, mas todas precisam de proteção", as peças convocam as meninas para se vacinar. Na campanha, as mulheres também são alertadas de que a prevenção do câncer do colo do útero deve ser permanente². O câncer do colo do útero é caracterizado pela replicação desordenada do epitélio de revestimento do órgão, comprometendo o tecido subjacente (estroma) e podendo invadir estruturas e órgãos contíguos ou à distância. Há duas principais categorias de carcinomas invasores do colo do útero, dependendo da origem do epitélio comprometido: o carcinoma epidermoide, tipo mais incidente e que acomete o epitélio escamoso (representa cerca de 80% dos casos), e o adenocarcinoma, tipo mais raro e que acomete o epitélio glandular (10% dos casos)².

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É uma doença de desenvolvimento lento, que pode cursar sem sintomas em fase inicial e evoluir para quadros de sangramento vaginal intermitente ou após a relação sexual, secreção vaginal anormal e dor abdominal associada com queixas urinárias ou intestinais nos casos mais avançados². As taxas de incidência estimada e de mortalidade no Brasil apresentam valores intermediários em relação aos países em desenvolvimento, porém são elevadas quando comparadas às de países desenvolvidos com programas de detecção precoce bem estruturado². Países europeus, Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália apresentam as menores taxas, enquanto países da América Latina e, sobretudo, de regiões mais pobres da África, apresentam valores bastante elevados². Segundo o Globocan, cerca de 85% dos casos de câncer do colo do útero ocorrem nos países menos desenvolvidos e a mortalidade por este câncer varia de 18 vezes entre as diferentes regiões do mundo, com taxas de menos de 2 por 100.000 na Ásia Ocidental e de 27,6 na África oriental². Na análise regional no Brasil, o câncer do colo do útero se destaca como o primeiro mais incidente na região Norte, com 23,6 casos por 100.000 mulheres². Nas regiões Centro-Oeste e Nordeste ocupa a segunda posição, com taxas de 22,2/100 mil e 18,8/100 mil, respectivamente, e é o quarto mais incidente na região Sudeste (10,15/100 mil) e quinto na Sul (15,9/100 mil)². Quanto à mortalidade, é também a região Norte que apresenta os maiores valores do país, com taxa padronizada pela população mundial de 10,0 mortes por 100.000 mulheres, em 2011². Em seguida estão, neste mesmo ano, as regiões Nordeste (5,63/100 mil), Centro-Oeste (5,29/100 mil), Sul (4,19/100 mil) e Sudeste (3,55/100 mil)². As diferenças regionais se expressam de forma semelhante na mortalidade proporcional². Em 2011, na região Norte, as mortes por câncer do colo do útero representaram cerca 17% de todos os óbitos por câncer em mulheres, ocupando a primeira posição². No Nordeste ocuparam a segunda posição (9%) e no Centro- Oeste, a terceira (8,7%). No Sul e no Sudeste o câncer do colo do útero foi responsável por 4,6% e 4,4% dos óbitos por câncer respectivamente, percentuais correspondentes à sexta posição em ambas as regiões². O câncer do colo do útero é raro em mulheres até 30 anos e sua incidência aumenta progressivamente até ter seu pico na faixa de 45 a 50 anos. A mortalidade

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aumenta progressivamente a partir da quarta década de vida, com expressivas diferenças regionais². Estimativas para o ano de 2014, no Brasil, são esperadas 15.590 casos novos de câncer do colo do útero, com um risco estimado de 15,33 casos a cada 100 mil mulheres². Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do colo do útero é o mais incidente na região Norte (23,57/ 100 mil)². Nas regiões Centro-Oeste (22,19/ 100 mil) e Nordeste (18,79/ 100 mil), é o segundo mais frequente. Na região Sudeste (10,15/100 mil), o quarto e, na região Sul (15,87 /100 mil), o quinto mais frequente². De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as estratégias para a detecção precoce são o diagnóstico precoce (abordagem de pessoas com sinais e/ou sintomas da doença) e o rastreamento (aplicação de um teste ou exame numa população assintomática, aparentemente saudável, com objetivo de identificar lesões sugestivas de câncer e encaminhá-la para investigação e tratamento)². O método de rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil é o exame citopatológico (exame de Papanicolaou)². A detecção das NIC é assegurada pela realização de exame citológico, popularmente conhecido como “exame preventivo”¹. É método simples, eficaz, de baixo custo, que consiste no estudo das células dos epitélios que recobrem a superfície do colo do útero¹. O exame colpocitológico tem o papel de identificar as pacientes que possam ser portadoras de lesões pré- neoplásicas e invasoras, e que, por isso, deverão complementar a investigação com colposcopia e biópsia¹. Assim sendo, o diagnóstico citológico nunca é o definitivo; mesmo que o esfregaço diagnostique lesões invasoras, obriga-se a prosseguir a propedêutica em busca de confirmação histopatológica, que identifica a invasão do estroma, o tipo histológico do tumor e seu grau de diferenciação¹. Para atender ao objetivo de rastreio, preconiza-se a realização rotineira do exame citológico em todas as mulheres que tenham iniciado a vida sexual, independente de idade¹. A periodicidade com que o exame deve ser repetido está em função do resultado do último exame realizado¹. Assim, pacientes que apresentem citologia normal ou negativa devem repetir o exame anualmente¹. No acompanhamento de pacientes com alterações citológicas indicativas de lesão neoplásica, este intervalo passa para quatro a seis meses¹.

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  • 3 MATERIAL E MÉTODOS 3.1 Equipamentos, Vidrarias e material utilizado

Microscópio; Lâmina identificada com o número CV 77879; Óleo de imersão para lâmina.

3.2 Procedimento experimental

Foi observado no microscópio o material que estava na lâmina, usando a objetiva de 10x e em seguida a de 40x, foi girado vagarosamente o micrométrico para obter o melhor foco; Anotamos todos os tipos celulares encontrados e observamos as alterações reativas; Foram desenhadas na folha do laudo as células observadas.

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  • 4 RESULTADOS

LAUDO CITOMORFOLÓGICO

ALUNA: MILENA DE CAMPOS GOMES IDENTIFICAÇÃO DA LÂMINA: CV 77879

Tipos Celulares

 

Presente

Ausente

Alterações Reativas

Presente

Ausente

Céls.Sup Eosinófilas

 

X

Hipertrofia nuclear

 

X

Céls. Sup Cianófilas

 

X

Queratinização citoplas.

 

X

Céls. Inter Cianófilas

 

X

Metacromasia

X

Céls.Parab Cianófilas

 

X

Hipercromasia

 

X

Céls. Endocervicais

 

X

Binucleação

X

Céls. Metaplásicas

 

X

Multinucleação

 

X

Neutrofilo

X

Vacúolos nucleares

 

X

Hemácias

X

Vacúolos citoplas.

 

X

Lactobacilos

 

X

Halo perinuclear

 

X

Flora Microbiológica

 

X

Pseudo-eosinofilia

X

Agente

inflamatório

/

 

X

Alteração

membrana

 

X

Identificação

nuclear

OBSERVAÇÕES

 

Nível Hormonal

2ª Fase: Progestacional

CONCLUSÃO DO LAUDO SEGUNDO BETHESDA 2001:

 

Células observadas:

 

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Conclui-se a importância do método de esfregaço também conhecido como exame de Papanicolaou, ainda considerado o método mais confiável na prevenção do câncer do colo de útero. Diante das incidências e estimativas do INCA os números são alarmantes, considerando que a doença pode ser prevenida, uma vez que se conhece bem sua história natural, as suas lesões precursoras e o tempo, normalmente longo, para evolução do epitélio normal até a neoplasia maligna. Além disso, os fatores de risco estão bem estabelecidos, o que torna fácil identificar a população vulnerável. Todos esses dados espelham a deficiência do sistema de saúde, incapaz de tornar acessível o método citológico de rastreio, relativamente simples e barato, até mesmo para a população feminina de alto risco. A reversão desse quadro exige a existência de um programa que envolva várias ações e que se caracterize pela constância e continuidade. Campanhas esporádicas são ineficazes. Dentre as diversas ações, destacam-se a capacitação profissional em todas as áreas de atuação, desde a coleta de material para colpocitologia, até o colposcopista, passando por citotécnicos, patologistas. A verdadeira prevenção deve incluir orientação à população sobre atividade sexual, doenças sexualmente transmissíveis e conscientização da necessidade de exames periódicos.

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  • 1 CONCEIÇÃO, José Carlos de Jesus. Ginecologia fundamental. São Paulo:

Atheneu, 2006.

  • 2 Câncer do colo de útero Disponível em: <http:// www.inca.gov.br> Acesso em: 17 set. 2014.

  • 3 Células epiteliais Disponível em: < http://www.pro-celula.com.br >Acesso em: 17 set. 2014.

  • 4 Células epiteliais Disponível em: < http://www.pathologika.com> em: 17 set. 2014.

Acesso

12 1 CONCEIÇÃO, José Carlos de Jesus . Ginecologia fundamental . São Paulo: Atheneu, 2006. 2www.inca.gov.br > Acesso em: 17 set. 2014. 3 Células epiteliais Disponível em: < http://www.pro-celula.com.br >Acesso em: 17 set. 2014. 4 Células epiteliais Disponível em: < http://www.pathologika.com> em: 17 set. 2014. Acesso " id="pdf-obj-10-27" src="pdf-obj-10-27.jpg">