Edição N.

01 - Novembro/Dezembro 2014

Jogos Vorazes,
Divergente, O Hobbit...
Boom de livros que
viram filmes:
está faltando
criatividade em
Hollywood?
Quero ser escritor,
e agora? Assista
as dicas da autora
Samanta Holtz

Confira as histórias de fãs
que já fizeram “loucuras”
pelos seus livros favoritos

Carina Rissi bateu um
papo com a gente e
contou as novidades
que vem por aí

sumário

Para quem
Ler,
Leitores
Famosos
Rapidinhas
gosta de
assistir e
We <3
sobre
#ficaadica
ler...
criticar
Books
Literatura
A rainha
Quero ser
Ser escritor
do chicklit
escritor, e
Vale tudo!
no Brasil
nacional
agora?
Resenhas:
Tela ou
Bienal de
Ler é muito
Especial
papel: qual
Sucesso
legal!
Distopias
a sua opção?
Livros e Reflexões:
Mais
Agente literário.
A repaginação da
vendidos
Você conhece?
autoajuda
pelo mundo
A minha, a
Vieram
Mentes
Leitores de
sua, a nossa
para ficar
Perigosas
Opinião
estante virtual

Para quem gosta de ler...

Editorial

D

izem que quem é apaixonado por livros e gosta de ler, lê qualquer coisa que estiver na frente: jornais, panfletos, embalagem
de shampoo, receita de bolo e, claro, revista. Então, por que não juntar o amor pelos livros com a paixão de ler?
Foi pensando nisso que a revista digital Entrelivros foi criada!
Nós queremos que vocês, amantes da leitura, tenham uma outra opção de fonte de informação para que possam sair da
zona “mais do mesmo”. Com matérias especiais e entrevistas diferenciadas, na Entrelivros você vai conhecer mais a fundo diversos
assuntos do universo da literatura jovem.
O formato digital foi escolhido pensando no nosso público, que é uma galera que vive conectada, seja em casa, ou na rua com o
celular e o tablet. Assim você pode carregá-la para todo o lugar e, através do nosso site, compartilhá-la com os amigos.
E o melhor de tudo: ela é gratuita. Assim, ninguém fica de fora, só precisa entrar no nosso site em um computador ou baixar a revista
na App Store (infelizmente ainda não estamos no Google Play, mas vamos chegar lá). Vocês terão uma edição novinha a cada dois
meses!
Mas isso não é tudo. Na nossa página também teremos um blog com notícias fresquinhas atualizadas diariamente, então não deixe
de nos acompanhar para ficar por dentro de tudo o que está rolando. E porque somos conectadas como vocês, não podia faltar a
nossa fan page no Facebook e no Twitter. É só curtir e nos seguir para não perder nenhuma postagem.
Nessa primeira edição batemos um papo com a autora Carina Rissi (super fofa), que nos contou sobre sua trajetória e seus próximos
projetos! Também temos alguns fãs contando o que já fizeram pelos seus livros favoritos, uma áudio-reportagem sobre como é ser
escritor no Brasil e falando nisso, a escritora Samanta Holtz vai dar dicas para quem quer começar a escrever e publicar um livro.
Esperamos que vocês curtam a nossa revista tanto quanto nós curtimos prepará-la!

Karina Schiassinatti
Sumário

Karoline Teixeira

Você, leitor

We

ossi
R
a
uard s/MG
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E
a
ada
r
d
Mari
n
A

books

Esse espaço é feito por vocês... Queremos saber o que você
está lendo, ou qual o seu livro ou série favorita!
Quer aparecer por aqui? Mande sua foto, nome completo
e cidade para contato@revistaentrelivros.com

Aline Paz
São Paulo/SP

Gi Gouvea
São Paulo/SP

Sumário

Joy M
o
São P retti
aulo/
SP

Luciana Silva
São Paulo/SP

#ficaadica
QUARTO DOS SONHOS
Foto: The Georgian House/Wizard’s Chambers/Divulgação

Atenção fãs da saga Harry Potter! O Hotel Georgian
House, em Londres, lançou quartos temáticos para
“transportar” o hóspede dentro da história de
J.K.Rowling . Isso mesmo! Os aposentos têm cama
com dossel, caldeirões com “poções”, baús e livros de
feitiços. A hospedagem ainda garante café e ingressos
para dois tours temáticos: o “Muggle Walking Tour”
e o “Harry Potter
Tour”. O pacote para
duas pessoas custa 363
libras, cerca de R$ 1.400
e parece que já tem até
fila de espera. Não tem
como não pirar!

Sumário

AFOGANDO NO LIVRO

Foto: Karoline Teixeira

Rapidinhas

Fofos e práticos, esses marcadores
de mãozinha chamados “Me Ajude”
são ótimos para marcar a página
do que você estiver lendo. Eles
contém 4 em cada pacote (rosa,
azul, amarelo e roxo) e são feitos
de plástico. Você também pode
optar por presentear os amigos
literários. Com certeza eles vão
amar! O produto está disponível
no site DX (Dealextreme), www.
dx.com por US$
2,48, cerca de
testado e
6,15. A página é internacional e
aprovado pela R$
o tempo estimado da entrega é de 1
redação!
a 3 meses.

UAU! Eu
Os livros precisam de muito amor, então, nada prec
iso...
BEM ORGANIZADO

como um Aparador de Livros para deixar seus
títulos em ordem na estante . Eles são fofos, práticos e o
melhor: se encaixa dos dois lados. Feito de chapa de aço
e pintura epóxi, eles custam
R$ 32. Você poderá encontrálos na loja online www.
trekosecacarekos.com.br. Este
modelo se chama “Love”, mas
lá, têm de Londres, Mãozinhas,
Rio de Janeiro e muito mais.

Tela ou Papel:
qual a sua opção?

Foto: Shutterstock

Tecnologia

Os e-books conquistaram o Brasil,
mas ainda não são a preferência
nacional
Livros físicos versus livros digitais, ou e-books,
uma eterna briga no universo dos amantes da
leitura. Mas será que nessa batalha existe um
único vencedor?
A história dos livros digitais é mais antiga do
que se pode imaginar e começa lá em 1971, quando Michael Hart iniciou o projeto Gutenberg com o intuito
de digitalizar livros de domínio público e oferecê-los gratuitamente, mas foi apenas em 1993 que o primeiro
e-book foi lançado. Anos se passaram e o grande advento veio com o lançamento do Kindle pela Amazon,
em 2007. A partir daí, outras fabricantes começaram a investir nos leitores digitais dedicados (equipamento
com a tecnologia e-ink, exclusivo para leitura de e-books) e essa nova forma de ler tornou-se cada vez mais
popular nos Estados Unidos e Europa.
No Brasil, esse formato ficou mais conhecido quando a Amazon iniciou a venda do Kindle em território
nacional, no final de 2012, enquanto a Livraria Cultura lançava seu maior concorrente, o Kobo. Desde então,
as vendas de e-books só tem crescido a cada ano no país, porém esse número ainda é pífio.
“Eles deveriam abaixar o preço, e-book barato eu só vi na Amazon. A diferença de preço entre o físico e
digital é tão pouca, que eu prefiro o físico. No site da Saraiva eu vou comprar livro físico, não digital”, declara
Valéria Sousa, 21 anos, estudante de Engenharia e dona de um iPad para ler seus e-books.

Sumário

Tecnologia

Foto: Shutterstock

Priscila Brito, 27 anos, tradutora, tem seus próprios
motivos para optar pelo e-reader, mas são razões
compartilhadas por muitas pessoas também. “Desde
que comprei os dispositivos [Kindle e Tablet], passei
a ler mais e-books do que livros de papel. O que me
motiva mais para comprá-los é a falta de espaço para
guardar os físicos, além da praticidade de ter tudo ao
alcance em apenas uma tela”.
Seguindo a lógica da evolução tecnológica, as
versões digitais são o futuro e irão destruir os seus
“colegas” impressos. Porém, na cabeça do leitor não
é dessa forma que acontece. É mais do que economia
e facilidade, é uma questão de tato, sentimento e
realização pessoal.
“É ter o prazer de estar deitada na minha cama, olhar
pra minha estante e falar ‘Nossa, que legal!’. Para

Sumário

quem gosta de livros, eu acho que essa transição
de livro físico para e-book é mais complicada”, diz
Caroline Moreira, 26 anos, analista de suprimentos e
proprietária de um Kobo desde o início do ano. “Vai
fazer dez meses que comprei o Kobo e só li dois livros
nele”.
Caroline não está sozinha nessa, em 2012 a empresa
americana CouponCodes4u.com fez uma pesquisa
com 1.983 consumidores e donos de leitor digital, o
resultado mostrou que 35% dessas pessoas usaram o
aparelho apenas uma vez, 17% disseram usá-lo uma
vez por semana e 29%, diariamente. Foi perguntado
para os que usaram uma única vez, o motivo e 57%
responderam que não tinham tempo, 22% ganharam
de presente e não precisavam. E os outros 25%,
porque eles ainda tinham preferência pelos livros
impressos.

E-books no Brasil, streaming e pirataria

Em 2013, o mercado editorial fechou o ano com os
e-books representando até 3% do seu total de vendas.
Apesar desse número parecer baixo para alguns,
ele é muito parecido com a quantidade alcançada
nos Estados Unidos em 2008, um ano depois do
lançamento do Kindle por lá. Hoje em dia, os e-books
representam 20% das vendas e passa por um período
de estagnação.

Tecnologia

Ainda não existe um estudo que explique o porquê
dessa paralisação, mas ao que tudo indica isso
acontece devido a popularização dos serviços de
leitura por streaming. Nos Estados Unidos eles já
contam com o Scribd, Oyster e o mais novo Amazon
Unlimited, onde o cliente paga por volta de US$ 9,90
e tem acesso ilimitado ao acervo de livros desse site.
No Brasil, ainda não temos nenhum serviço como
esse, mas se você tem um cartão internacional e lê
em inglês, pode utilizar o americano.
Outro fator que pode ter impacto na venda de e-books
é a pirataria. Rafaela Gomes faz downloads de livros
há pelo menos dez anos, antes mesmo dos e-readers
ou smartphones. Considerando que uma das maiores
reclamações dos livros digitais são os preços, a
possibilidade de baixá-los gratuitamente é tentadora,
além de servir como test-drive. “Dependendo do
livro, se eu gostar muito, eu compro mesmo já tendo
baixado e lido, caso contrário, não. Um exemplo são
os livros da J.R. Ward, eles são caros, mas mesmo
assim eu compro”, diz Rafaela.
Se os e-books fossem bem mais baratos, esse
quadro poderia mudar, mas não se extinguir. “Acho
que a situação mudaria se os preços fossem mais
acessíveis, mas também não acho que acabaria com
a pirataria. Pegamos os exemplos de filmes piratas
que vemos por aí: você consegue comprar dvds por

Sumário

R$ 9,90, mas nem por isso a pirataria acabou, muito
pelo contrário, está aí firme e forte”, arrisca Rafaela.

Como tudo o que existe, ambos os
formatos - digital e impresso - tem os
seus prós e contras. Cabe a você leitor
decidir qual é a melhor opção para
o seu gosto e bolso. Para te ajudar
na escolha, a Entrelivros montou
algumas tabelas de comparação.

Valores dos e-readers e tablets

Kindle (Amazon): de R$ 299 a R$ 699
Lev (Saraiva): de R$ 299 a R$ 469
Kobo (Cultura): de R$ 299 a R$ 799
Tablets diversos: de R$ 299 a R$ 2.299

Fotos: Divulgação (Amazon/Saraiva/Liv. Cultura/Apple)

Tecnologia

V

antagens: não ocupam espaço, não pesam, às vezes são mais
baratos, podem ser lidos no escuro, dicionários embutidos,
ecologicamente correto, pode grifar sem estragar e é mais fácil de
localizar as marcações, a entrega do livro é imediata.

D
si
Foto: Karina Schias

natti

esvantagens: pode acabar a bateria no meio da leitura, não
podem ser emprestados, capa em preto-e-branco, não ter o
livro físico.

versus

V

D

esvantagens: podem ser pesados e volumosos, gasta papel,
ocupa espaço, não é dinâmico, pode estragar no transporte,
dó de fazer marcação e difícil de encontrá-las, geralmente é
mais caro, não é ecologicamente correto.

Sumário

Foto: Karina Schiassinatti

antagens: ter o livro em si, curtir a diagramação, podem ser
emprestados, cheiro de livro novo, ter o prazer de vê-lo na
estante.

Tecnologia

A Entrelivros pesquisou os preços dos livros de ficção mais vendidos no Brasil nas três maiores livrarias onlines nacionais e na Amazon americana, e comparou o valor da edição física e digital. (O
preço da internet pode diferir do preço na loja física, no caso da Saraiva e Livraria Cultura). *Preços

verificados em 30/10/2014

Sumário

Tecnologia

Sumário

Entrevista

Amante da Arte

Foto: arquivo pessoal (Facebook)

Além de dividir o mundo dos livros em físico e digital,
nós podemos dividir as pessoas em amantes dos
livros e amantes da leitura. Sim, existe uma diferença,
mas você pode ser os dois, sem problemas. Amantes
dos livros, são apaixonados pelo objeto em si, sua
forma, seu cheiro, a história dele desde sua criação
até aquele momento em que ele se encontra em suas
mãos. Esses jamais abandonarão os livros físicos.
Já os amantes da leitura gostam de ler, não importa
se é um livro, um e-reader ou um computador, o
importante é que ele tenha uma história para ler. E
claro, aqueles que são a junção dos dois amam ter

Sumário

uma estante recheada de livros, mas se ele tiver a
versão digital daquele livro de 600 páginas, vai ser
tão mais fácil de carregar.
A Entrelivros entrevistou o artista plástico Luiz
Roberto Rodrigues Lopreto, um verdadeiro amante
dos livros, com uma coleção de 3.800 livros, e da
arte em todas as suas formas. Confira o resultado
dessa entrevista!
Entrelivros: Quantos livros você tem na sua casa?
Luiz Roberto: Eu tenho três e oitocentos e poucos
livros.
EL: Você já leu todos eles?
LR: Eu não tenho nada que eu não tenha lido.
EL: Quais gêneros dominam sua estante?
LR: Todos em arte, tudo. Dramaturgia, poesia, tudo
de literatura, arquitetura, música, dança, cinema,
teatro, escultura, desenho, tudo. Todas as áreas da
arte, filosofia tem bastante coisa importante.
EL: E na parte de literatura, romance, o que você
gosta de ler?
LR: Eu leio toda literatura. Essa coisa de “eu gosto
mais” eu acredito que seja mais para o público
comum. Para um artista é fundamental que ele
tenha uma formação com abrangência que o
desenvolvimento de poética, como artista, pede.
EL: Você empresta seus livros?
LR: Em hipótese nenhuma. Nem para a minha mãe.

Entrevista

EL: Por quê?
LR: É uma questão de cultura. Quando eu emprestava
livros, eu nunca tinha a devolução, ou eram rasurados.
E livro é uma obra, é uma publicação. Não é uma
revista de consultório de dentista. As pessoas lidam
com livros no Brasil dessa maneira, só que comigo
não.
EL: Onde você compra seus livros?
LR: Onde estiver vendendo e eu ganho também.
Eu herdei do meu mestre, o artista neo concreto
brasileiro Ilio de Castro, publicações alemãs do
século XIX de textos importantes, filosóficos, de
literatura. A primeira edição da Mary Stuart, do
Schiller, traduzida pelo Manuel Bandeira, dada pelo
Bandeira pra ele, ele me deu. Eu tenho coisas que
são preciosidades, então não dá pra comparar com
qualquer outro tipo de publicação porque são coisas
que também guardam esse valor afetivo. Se você
abrir qualquer livro na minha biblioteca vai sair de
dentro dele o registro do ano, tem fotos, tem poemas
guardados, tem guardanapos, tickets de ópera, de
espetáculos de dança, tem um pouco da memória
da minha vida. O livro pra mim faz parte da minha
formação de verdade nesse sentido.
EL: Você tem um leitor digital?
LR: Tenho um iPad.
EL: Como você sente a diferença entre o físico e

Sumário

o digital?
LR: Ah, são dois canais diferentes. Eu tenho pela
praticidade dessa tecnologia e é diferente porque
nele eu jamais vou ver a qualidade gráfica, a não
ser a reprodução dela. Eu tenho livro de duzentas
edições, tenho A Paixão Medida que são seiscentas
edições assinadas pelo Drummond.
EL: O que você lê no digital?
LR: não é muita coisa, mas eu leio. Porque eu tenho
os livros, então é algum texto que eventualmente
não tenho, que eu vejo a referência na obra ou na
documentação bibliográfica de algum trabalho e
que eu preciso checar o conteúdo. Nisso eu acho
ele muito prático quando eu não estiver na minha
biblioteca.
EL: Você acha que vai chegar o tempo em que
os livros digitais vão eliminar os físicos?
LR: Eu acho que sempre tem essa discussão, na
arte também. O livro físico é um livro que tem artes
nele, não só de conteúdo, são coisas que nunca
terão no e-book, que é apenas uma reprodução.
Queira a gente, ou não, ele é um traslado. Pode
ser original, pensado única e exclusivamente, mas
dentro de um veículo que tem ferramentas que não
são as do livro comum. São outras. As duas são
importantes. Acredito que isso deva aumentar, mas
não elimina o livro físico. Principalmente o livro

Entrevista

de arte. Eu acho essa discussão uma burrice. Não
há que eliminar. Eu acho que precisam assegurar
uma tecnologia no livro físico de não-depredação
da natureza. Isso já existe, tem milhares de outras
maneiras de você configurar o livro físico sem destruir
florestas e tudo mais.
EL: O que você acha da literatura de massa, como
Cinquenta tons de cinza?
LR: Olha, pode ser um meio de inserção dessas
pessoas, porque decididamente é uma literatura
“fast-food” para o consumo, desde que ela não seja
vendida como uma literatura que seja capaz de
transformar o indivíduo.
EL: Qual o significado que os livros tem para
você?
LR: São obras de arte. Eu tenho livros que são obras
de arte, são livros com raras edições, que tem um
cuidado gráfico espetacular. São obras, artes gráficas
tem ali no meio, além de um conteúdo precioso. Eu
não tenho um livro qualquer, não tenho livro por
ter, para ocupar espaço. Eu tenho livros desde que
eu sou criança na minha biblioteca e são coisas
fundamentais, importantes. Aquilo é uma referência
direta, inclusive manual para mim de atualização e
orientação nas diversas escolas, universidades e
museus que eu dou aula, porque eu também sou
professor, além de poeta e artista plástico. Eles são

Sumário

fundamentais e um livro tem essa qualidade e dá
a possibilidade de você sentir as outras artes nele
e não só, por exemplo, como nas publicações
virtuais.
EL: Você tem alguma coisa publicada como
poeta?
LR: Eu tenho. Eu participei em 1981 de uma
exposição internacional de poesias chamada Livros
de Artista na Cooperativa de Artistas Plásticos de
Lisboa, foi o Haroldo de Campos e eu do Brasil,
eu era moleque com um livro-instalação. Eu não
publico os meus livros, eu trabalho com recitais
no Brasil desde os anos 80, já tive alguns grupos
de teatro e de poesia. O meu trabalho de artista
que é interdisciplinar é com poesia. É poesia, é
dança, pintura, música, vídeo, fotografia, tudo num
espetáculo só. Então eu não trabalho com a ideia
de publicação ou de mercado de publicação. Mas
eu tenho alguns poemas publicados, tenho uma
citação sobre a minha obra na tese de livre docência
da Dirce Ceribelli, uma das maiores professoras de
literatura do Brasil, da PUC-SP, que abre os anos
80 com um poema meu.

literatura nacional

Ser escritor no Brasil

Jo Lima
Sumário

Foto:
arqui
vo p

essoa

Ouça pelo SoundCloud!
Clique aqui

Foto: arquivo pessoal

afael

ivo pess
Foto: arqu

A Entrelivros conversou com leitores e os autores Enderson Rafael,
Vanessa Marine e Josiane Lima sobre o assunto. Confira, a seguir,
um documentário de rádio incrível que preparamos para vocês!

Ende
rson
R

oal

O mercado editorial brasileiro está produzindo e imprimindo cada
vez mais. E agora a grande aposta das editoras são os autores
nacionais, que vem conquistando o público jovem com suas histórias.
Mas afinal, como surge o interesse do autor em escrever um livro?
Como funciona o processo de publicação? Existem beneficios em
ser um escritor nacional? Ainda há diferença do universo editorial
estrangeiro?

l

Entenda como esse mercado funciona, saiba quais as
dificuldades e os pontos positivos

Vanessa S. Marine

A rainha do chicklit
nacional

Considerada uma das melhores autoras
nacionais do gênero pelo público, Carina
conquista a todos com sua simplicidade,
simpatia e histórias irresistíveis
Era uma vez, uma bela jovem que vivia em Ariranha, seu
nome era Carina. Um certo dia, enquanto se preparava para
colocar a lasanha no micro-ondas, ela teve uma surpresa:
acabou a energia. Carina sentou-se e ficou olhando para
aquele aparelho do qual era tão dependente, afinal como
eles comeriam agora?
A resposta para essa pergunta ela não sabe até hoje, mas
sabe que foi naquele momento que as coisas começaram
a mudar, pois a história de Sofia tomava forma em sua
cabeça.
Foi assim que essa jovem se tornou Carina Rissi, autora
nacional bestseller com três livros publicados: Perdida,
Encontrada e Procura-se um marido. Com histórias
envolventes e surpreendentes, heroínas independentes,
divertidas e atrapalhadas, e mocinhos que fazem mulheres
de todas as idades suspirarem, ela conquistou o público e
provou que no Brasil tem chicklit de qualidade, sim senhor!

Sumário

Foto: arquivo pessoal (Facebook)

Literatura nacional

Com seu jeito tímido e sempre muito simpática e
atenciosa, Carina conversou com a Entrelivros
sobre suas obras, personagens, seus gostos
literários e o que podemos aguardar.
Começamos com uma conversa informal. Ela
estava me contando como faz quando surge
uma ideia.
Carina Rissi: Ah! Normalmente eu anoto no
celular, porque as vezes você está na rua e
depois pode não lembrar mais da cena. E é
incrível como comigo as ideias sempre surgem
quando estou no banho.
Entrelivros: Como surgiu a ideia de escrever
Perdida?
Carina Rissi: [risos] Estou rindo porque alguém

Literatura nacional

sempre tem uma historia muito bonita para contar
sobre o livro que escreveu. A minha é o seguinte: eu
tinha uma lasanha na geladeira e precisava esquentar
no micro-ondas. Mas acabou a força e aí eu fiquei
pensando como as pessoas faziam para esquentar
comida sem o eletrodoméstico. Foi quando pensei
na primeira cena da Sofia. Ela na cozinha com o
fogão de lenha e “desesperada”. Todos os meu
livros começam dessa maneira: minha curiosidade
aguçada de algum jeito.
E para escrever Perdida foi assim. Comecei a fazer
pesquisas, da casinha, por exemplo. Mas eu só criei
coragem mesmo para escrever quando eu vi uma
entrevista da autora Stephenie Meyer. Acho que
todo mundo precisa de uma inspiração e a minha
foi ouvir ela contar como foi pra ela. Porque é muito
assustador você simplesmente sentar na frente do
computador e escrever um livro. Até hoje é assim
e por isso esse empurrãozinho ajudou. Tem muito
“eu” nas minhas obras. E ela falou na entrevista que
também tinha um “mundo imaginário”. E depois
que desliguei a TV, peguei o celular e comecei a
escrever sobre a Sofia. Que depois do episódio do
micro-ondas, já estava na minha cabeça há uns dois
anos.
EL: E o Ian?
CR: O Ian veio prontinho. Ele já tinha nome, rosto

Sumário

e personalidade. Eu suponho que ele seja uma
mistura de todos os mocinhos da Jane Austen,
sabe? E assim, eu tenho um príncipe em casa, né?
[se referindo ao marido] Ele finge que é ogro, mas
não é. Minha inspiração!
O Clarke foi proposital, mas o Ian, não. Tudo tive
que fazer pesquisa, incluindo o nome. Mas eu fui
pesquisar o dele no final. Eu já tinha o livro pronto
porque eu achei que se eu trocasse não ia conseguir
desenvolver a história com ele. Depois eu descobri
que no período de 1800 a 1850, 35 mil Ians nasceram
na Europa.
EL: E o terceiro livro da série? Você já tem alguma
coisa em mente?
CR: Eu já! Quem vai contar a história vai ser o Ian.
Mas vai ter muito Sofia também. Ainda não comecei
a escrever, estou finalizando o segundo de Procurase um Marido. E terminando, eu engato no terceiro
de Perdida. Eu planejei quatro para a série. Mas
pode ser que tenha cinco... [risos]. Eu tenho muita
vontade de encerrar a série com algo em formato de
cartas, algo assim. Mas quatro, eu prometo! Nele
será a história da Elisa.
EL: Algumas coisas no livro Encontrada como
a alface, o algodão... Como foi pesquisá-los no
século 19?
CR: Foi muito legal! É uma das coisas que mais

Literatura nacional

gosto de fazer: pesquisas. Às vezes você vai no meu
computador e tem várias abas abertas. Porque às
vezes um assunto me leva para outro e assim vai.
Então, pesquisa de fotos e informações me ajudam
muito nas descrições.
EL: E o filme?
CR: Eles estão em Los Angeles fechando a coprodução para dar início a pré-produção, onde vão
começar a prospectar os personagens. Eu faço
questão de acompanhar! Uma página de roteiro é o
que vale a um minuto de tela. Então preciso saber o
que vai ou não ser cortado.
EL: E No Mundo da Luna?
CR: Esse sai logo depois do Carnaval. Estou muito
animada. Não posso dizer que é o meu preferido,
mas tenho um amor muito especial por ele. Sabe
por quê? Eu planejei uma coisa para esse livro, aí
tinha um personagem secundário que a função dele
era ser chato. Mas deu tudo errado! Mudou tudo!
Mas não posso falar se não vou contar tudo [risos].
O que posso adiantar é que vai ter umas coisinhas
de horóscopo entre capítulos, por exemplo.
EL: Quais seus livros preferidos?
CR: Todos da Jane Austen. E agora estou lendo
Outlander, da Diana Gabaldon. Estou amando e
até encontrei semelhanças com Perdida. Tem uma
viagem no tempo. É fantástico. Meu livro amorzinho

Sumário

é Fiquei com o seu número, da Sophie Kinsella.
[No meio da entrevista o assessor do Grupo Record
comentou: “E se eu te disser que a Sophie Kinsella
vem para a Bienal do Rio?” A Carina parou a
entrevista na hora e deu uma “surtadinha”. Disse
ser a fã número um da autora.]
EL: Como foi a experiência na Bienal deste ano?
CR: Acho que ainda não caiu a ficha. Foi maravilhoso
e além do meu maior sonho. Recebi muito carinho.
Estava moída, mas foi lindo. Sinto muito, mas eu
acho que a Bienal deste ano foi dos nacionais.
Nós arrebentamos! Acho que o preconceito com
a literatura nacional está acabando. Antes o Brasil
só tinha essas coisas de crônicas e a galera está
gostando do entretenimento que está surgindo. Com
os meu livros, da Paula Pimenta, Bruna Vieira, entre
outros.
EL: O que mais você escuta dos fãs?
CR: Se eu tenho telefone da mulher da loja do celular
[risos], quando vai sair o próximo livro, se vai sair
uma versão do Ian, se ele existe. Tudo depende do
evento.
EL: Para finalizar, quem quer começar a ler Carina
Rissi, qual você indicaria primeiro?
CR: Ah! Vamos na ordem. Comece com Perdida,
meu primeiro filho. A Sofia é muito especial e minha
primeira heroína.

Literatura nacional

Capas e sinopses: Verus Editora

Confira as capas e sinopses dos livros da Carina
Rissi!
Sofia vive em uma metrópole e está acostumada com a modernidade e as facilidades que ela traz. Ela é independente e tem pavor à
mera menção da palavra casamento. Os únicos romances em sua vida são aqueles que os livros proporcionam.
Após comprar um celular novo, algo misterioso acontece e Sofia descobre que está perdida no século dezenove, sem ter ideia de
como voltar para casa – ou se isso sequer é possível. Enquanto tenta desesperadamente encontrar um meio de retornar ao tempo
presente, ela é acolhida pela família Clarke. Com a ajuda do prestativo – e lindo – Ian Clarke, Sofia embarca numa busca frenética e
acaba encontrando pistas que talvez possam ajudá-la a resolver esse mistério e voltar para sua tão amada vida moderna. O que ela
não sabia era que seu coração tinha outros planos...

Sofia está de volta ao século dezenove e mais que animada para começar a viver o seu final feliz ao lado de Ian Clarke. No entanto, em
meio à loucura dos preparativos para o casamento, ela percebe que se tornar a sra. Clarke não vai ser tão simples quanto imaginava.
As confusões encontram a garota antes mesmo de ela chegar ao altar — e uma tia intrometida que quer atrapalhar o relacionamento
é apenas uma delas. Além disso, coisas estranhas estão acontecendo na vila. Ian parece estar enfrentando alguns problemas que
prefere não dividir com a noiva.
Decidida, Sofia fará o que estiver ao seu alcance para ajudar o homem que ama. Ela não está disposta a permitir que nada nem
ninguém atrapalhe seu futuro. Porém suas ações podem pôr tudo a perder, e Sofia descobre que a única pessoa capaz de destruir seu
felizes para sempre é ela própria.

Alicia sabe curtir a vida. Já viajou o mundo, é inconsequente, adora uma balada e é louca pelo avô, um rico empresário, dono de
um patrimônio incalculável e sua única família. Após a morte do avô, ela vê sua vida ruir com a abertura do testamento. Vô Narciso
a excluiu da herança, alegando que a neta não tem maturidade suficiente para assumir seu império – a não ser, é claro, que esteja
devidamente casada.
Alicia se recusa a casar, está muito bem solteira e assim pretende permanecer. Então, decide burlar o testamento com um plano
maluco e audacioso, colocando um anúncio no jornal em busca de um marido de aluguel. Diversos candidatos respondem ao anúncio,
mas apenas um deles será capaz de fazer o coração de Alicia bater mais rápido, transformando sua vida de maneiras que ela jamais
imaginou.
Cheio de humor, aventura, paixão e emoções intensas, Procura-se um marido vai fisgar você até a última linha.

Sumário

eventos

Bienal de sucesso

720

Sumário

Foto: AgNews

Carina Rissi em sessão de autógrafo
Foto: divulgação (Intrínseca)

mil. Esse foi o número de pessoas
que passaram durante os dez dias
no evento. É claro que os leitores não
duvidam o quanto livros são apaixonantes, mas com
esses dados, aqueles que ainda desacreditam na
cultura vão mudar de ideia, principalmente sobre o
nosso país. Isso porque, de acordo com a lista de
mais vendidos da VEJA, o destaque ficou com quatro
escritoras brasileiras, que conseguiram desbancar
alguns dos maiores best-sellers internacionais do
momento. São elas: Isabela Freitas, Carina Rissi,
Carolina Munhóz e Sophia Abrahão.
Isabela fez muito sucesso com o livro de autoajuda
juvenil inspirado em seu próprio blog, Não Se
Apega, Não, da Editora Intrínseca, fala sobre como
superar o fim de um relacionamento. Agora, o sicklit internacional Extraordinário, de R. J. Palacio
apareceu em terceiro lugar. A editora faturou 116%
a mais do que na última Bienal de São Paulo.
Carina Rissi, por sua vez, aparece na lista dos

Foto: divulgação (Ed. Record)

Quem compareceu ao maior evento de livros em São Paulo este ano, conferiu uma
galera apaixonada por literatura. Mas qual autor fez mais sucesso? A Entrelivros
levantou alguns números

Isabela Freita na Bienal do Livro 2014

Carolina Munhóz e Sophia Abrahão

mais vendidos do Grupo Editorial Record com o livro
Encontrada, selo da Verus Editora, deixando para
trás dois títulos da série de sucesso Os Instrumentos
Mortais. O faturamento deles cresceu 60%. Já a
editora Rocco bombou com a literatura fantástica de
Carolina Munhóz e Sophia Abrahão, O Reino das
Vozes que Não Se Calam.

eventos
Foto: Waléria Gimenes

O u t r o
destaque foi
a
presença
das
autoras
internacionais
Cassandra
Clare e Kiera
Cass,
de
A
Seleção.
Quem compareceu na Bienal nesses dias conferiu
centenas de fãs lutando por senhas que garantiam
autógrafos. Rolou até desmaios e brigas! Apesar de
muitos reclamarem da falta de organização e outros
não conseguirem, muitos jovens saíram felizes e
agradecidos só pelo fato de conferir o bate-papo
de cada uma.

Parceria efetiva

Além de conferir as principais editoras, livrarias
e sessões de autógrafos, o visitante foi o
grande protagonista da experiência que a Bienal
Internacional do Livro proporcionou. “A cultura e,
especialmente a literatura, permitiu a reunião de
todas as idades e faixas sociais e econômicas,
todos juntos e misturados, nessa grande celebração
do prazer pela leitura”, comenta Karine Pansa,

Sumário

presidente da Câmara Brasileira do Livro.
Nesta edição, o Sesc São Paulo consolidou sua
parceria ao assumir o compromisso de realizar uma
programação cultural recheada, com palestras,
shows, bate-papo, peças teatrais e muito mais.
“A Bienal do Livro cumpre mais uma vez o papel de
protagonizar o livro como o grande personagem da
cultura e reforça mais uma vez que o evento trouxe
crescimento de vendas para as editoras, discussões
sobre momentos importantes da literatura no país,
e principalmente, o contato do fã com seu autor
favorito”, finaliza Karine Pansa.

Você sabia?

A Bienal do Livro
acontece um ano em São
Paulo e o outro no Rio de Janeiro. Por
isso, em 2015 a cidade carioca sediará
a próxima edição. E o site oficial já esta
no ar: www.bienaldolivro.com.br. Basta
esperar, ansiosamente, a divulgação
da programação e dos nomes de quem
virão ao Brasil. A Entrelivros ficará
de olho!

Ler é muito legal!

Ainda mais quando existem programas
sociais que incentivam a leitura. Conheça
alguns projetos que dão uma mãozinha
para quem ama ler e não têm acesso ou
condições financeiras
Nada como chegar em uma hamburgueria e ter
livros disponíveis que você pode levar embora ou,
melhor ainda, ir para casa, ter apenas R$ 2 no bolso
e conseguir comprar um título em uma máquina.
Essas opções são reais, pois, diferente do que muitos
pensam, espalhados por aí, existem programas
que se preocupam em criar o hábito de leitura e
proporcionam acesso à leitura. A Entrelivros, que
apoia 100% esse tipo de iniciativa, resolveu pesquisar
e conversar com os responsáveis de alguns projetos
incríveis. Olha só!

livro”.
Ela fica na hamburgueria Rock’n’roll, da rua Augusta,
centro de São Paulo. A ideia principal é incentivar o
hábito de leitura e deixar o momento de comer ainda
mais relaxante. Quem quiser é só chegar e pegar
um exemplar. Só não esqueça de levar um também
e compartilhar a cultura.
O coordenador de marketing, Felipe Brandão, foi
quem teve a ideia. Ele começou a esquecer diversos
livros em pontos específicos da cidade e, hoje, conta
com 25 mil membros em sua página do projeto. “Uma
vez recebi uma coleção enorme de obras. Então,
Foto: Talita Facchini

projetos

Desapego literário

No meio de hambúrgueres, batatas fritas e
refrigerantes, também é possível fazer parte de um
projeto incrível. Para isso, basta você esquecer um
livro na primeira estante fixa do projeto “Esqueça um

Sumário

Felipe Brandão

Foto: Felipe Brandão

em 2013 resolvi esquecêlos por aí para pregar o
desapego e a troca de
conhecimento”, comenta.
Já implantar a estante
partiu de um dos donos
do restaurante, Gabriel
Gaiarsa, que convidou
Felipe e ele aceitou. “O
legal é que as pessoas
tragam livros bons para
que outras se interessem
em lê-los. O objetivo é
expandir para outros locais também”, finaliza Felipe.
Para ficar por dentro do projeto e saber quando o
Felipe esquece algum livro, acesse a página no
facebook: Esqueça um livro.

Viagem sem estresse

Você já se deparou com aquelas máquinas no metrô:
pague quanto acha que vale, a partir de R$ 2? Se
sim, essa ideia com certeza tem o intuito de agradar,
e muito, quem pega o transporte todos os dias. Afinal,
nada melhor que passar aquelas horas esperando
o vagão escolhendo um livro e ainda pagando um
valor tão acessível.
A máquina foi implantada com o objetivo de vender

Sumário

mais livros e saber quanto as pessoas valorizam,
podem ou querem pagar. O espaço é alugado pela
empresa 24x7 e criada por Fabio Bueno Netto,
implantada pela primeira vez em 2003. A ideia surgiu
enquanto o empreendedor passava em frente a uma
máquina de café, muito comum nas empresas. Como
não havia nada parecido no mercado, ele adaptou
os livros.
Hoje, a empresa possui
máquinas em várias
estações do metrô
paulista e uma no metrô
carioca. “Rejeitamos
pornografia, violência
e político partidário e
doutrinário. O restante
é
analisado
por
assunto e condições
comerciais”,
explica
Fabio.
Ele ainda
conta que assim que
começarem a aceitar
cartões de crédito
e débito, a ideia é
espalhar máquinas em
outras plataformas.
Confira no mapa as estações que, atualmente,
possuem a máquina Pague quanto acha que vale!

Foto: Karoline Cortez

projetos

projetos

Sumário

Foto: divulgação

projetos

Pegue emprestado!

Com o intuito de incentivar a leitura gratuitamente
emprestando livros, a Bibliosesc resolveu colocar em
um caminhão clássicos da literatura, gibis, contos de
fadas, literatura brasileira e estrangeira, biografias e
muito mais. A unidade móvel percorre um circuito
de dez bairros, cumprindo o mesmo roteiro por no
mínimo seis meses. Cada bairro recebe duas visitas
mensais, possibilitando um prazo de empréstimo
das obras de 15 dias.
“Atualmente, são 57 caminhões distribuídos por
25 estados brasileiros. O número de veículos varia
de estado para estado. A Administração de cada
regional do Sesc determina o número de acordo
com os projetos e com os bairros onde não existam
bibliotecas. Já em relação aos livros, não recebemos
doações. Entendemos que há outras instituições que
possuem menos recursos e portanto mais elegíveis
a doações”, comenta a coordenadora de educação
e cultura, Elisabete Veras da Silva.
Para o cadastro do empréstimo, basta apresentar
documento de identidade junto com um comprovante
de residência. E para descobrir o número de
caminhões em cada estado e onde eles estão
circulando, basta acessar: www.sesc.com.br/portal/
cultura/biblioteca/BiblioSesc.

Sumário

“Na maioria dos lugares em que chega, é a única
oportunidade de acesso a um livro” – Ariano
Suassuna, sobre o BiblioSesc.

Conte para nós!

Se na sua cidade também existe um
programa social de incentivo a leitura
superbacana como estes, nos envie um
e-mail para contato@revistaentrelivros.
com, ou um recado em nossa página do
facebook Entrelivros.

capa

Ler, assistir e
criticar

Ver a sua história favorita adaptada para
os cinemas é o sonho de todo fã, mas
quando realizado, pode virar um pesadelo
Um livro é mais que um simples objeto para um leitor
voraz. Não. Para eles, o livro é algo sagrado e cada
palavra transcrita naquelas páginas, de preferência
amareladas, o impacta de uma forma única e nada
será como antes. Ao final da leitura se cria um divisor
de águas: a vida antes e após esse livro.
Claro que não são todos os livros que conseguem
alcançar tal proeza, mas também não é apenas
um. Muitos são os títulos que marcaram e ainda
marcam gerações. Autores que foram rejeitados por
diversas editoras e hoje vendem milhões, histórias
que amadureceram e se desenvolveram com seus
leitores.
Porém, quando um livro tem um significado tão grande
assim para alguém, qualquer coisa que envolva o seu
nome surte dois efeitos simultaneamente: euforia e
apreensão.

Sumário

Pode parecer engraçado, e até exagerado, para quem
está de fora, mas para o fã do livro são meses, ou
anos, de espera, agonia, ansiedade e antecipação até
a apresentação do primeiro teaser e trailer, e depois
o grande lançamento, aquele que ele vai assistir a
meia-noite na pré-estreia.
Após todo o sofrimento e mais três horas na sala de
cinema, vem a conclusão: “É bom, mas não como
eu imaginava”, “Eles não podiam ter cortado aquela
parte”. Essas são as frases mais comuns, seguidas
de “Um lixo. Não tem nada a ver, acabaram com o
meu livro”. Em raras exceções ouve-se exclamações
como: “Perfeito! Capturaram direitinho a essência e
não deixaram nada relevante de fora. E aquela parte?
Ficou melhor do que eu imaginava”.
Para Vivian Oliveira, 24 anos, o filme não substitui a

capa

leitura do livro, mas é um complemento interessante,
principalmente se o elenco foi bem escolhido. Sendo
fã de livros e filmes, Vivi já viu alguns dos seus
favoritos da telona, entre eles: A culpa é das estrelas,
Nick e Norah, Percy Jackson, Para Sempre, O diário
da princesa, Um dia, Jogos Vorazes e Divergente.
“Eu particularmente gostei de todas as adaptações,
mas às vezes a gente cria expectativas em coisas
que consideramos importantes durante a leitura, mas
é algo esperado, então não fico mais frustrada com
isso”, conta Vivian.

E os roteiros originais?

O problema é que, aparentemente, está faltando
criatividade entre os roteiristas de cinema de
Hollywood, pois a maioria dos blockbusters lançados
nos últimos anos é baseada em livros. Sendo assim, o
leitor voraz ou já vai ter lido, ou vai ler antes de assistir,
claro, porque o livro, para o leitor, é sempre melhor
que o filme. “Eu prefiro ler primeiro e depois assistir,
principalmente porque quando assisto primeiro e
vou ler, acabo imaginando os personagens como os
atores e para mim é muito importante ter uma visão
particular deles, que não some quando leio primeiro
e assisto depois”, diz Vivian.
Porém, o que é um problema para os fãs é uma

Sumário

máquina de dinheiro para os estúdios e editoras.
Quando a história de um livro vai parar nas telonas,
as vendas dele aumentam. Ponto para o mercado
editorial. Se o livro já é um best-seller mundial,
quando ele vai para cinema, você já tem a garantia
de um público grande e fiel que vai querer conferir
como ficou a adaptação, por pior que ela seja.
Analisando a lista dos livros de ficção mais vendidos
da Veja, doze entre os 20 que ali estão já foram
adaptados para o cinema, ou estão em alguma fase
de produção.
Para Franthiesco Ballerini, professor e coordenador
da Academia Internacional de Cinema, isso é fruto da
crise econômica, que enxuga a verba para produções
mais “arriscadas”. “Está faltando criatividade e
dinheiro, e quando falta dinheiro, eles apostam no
que há mais chances de dar certo, adaptações de
livros. O problema é que isso vai mediocrizando a
qualidade do cinema com roteiros originais”, diz
Ballerini.
Independente do motivo, a verdade é que os fãs
adoram correr para o cinema, mesmo que saiam de lá
se perguntando se o roteirista leu o mesmo livro que
eles. Ballerini afirma que o público sofreria menos se
eles tivessem consciência de que o cinema nunca
vai ser literatura e vice-versa, “É impossível ser fiel
em adaptações, pois a plataforma é diferente. A

adaptação requer escolhas do pouco que se dá para
levar para o cinema de um livro, que é um grande
universo”.
Vivian se enquadra no grupo que tem essa
consciência, “Meu único ritual para assistir os filmes
é repetir para mim mesma que filmes são diferentes
de livros, certas coisas que eu, como leitora, posso
considerar importantes, podem não ficar tão boas no
vídeo, por isso podem ser cortadas”.
Gabriel AlvMatts, cinéfilo e cineasta amador, explica
que o processo de adaptação é algo que requer
muito estudo e trabalho duro e pode ser influenciado
e comprometido de várias formas, por diferentes
motivos. “Mudanças e cortes podem acontecer por
vários motivos: um roteiro mal escrito, uma direção
ruim, visual muito diferente ou até mesmo falta de
visão de um estúdio e da produção em querer adaptar
algum livro que não deveria virar filme, por conta de
um visual muito complexo, orçamento limitado, falta
de tecnologia disponível ou falha e despreparo da
equipe envolvida”, diz.
Ele acredita que a maior dificuldade seja transformar
um livro que demorou dias, ou até meses, para ser lido
em um, dois ou três filmes de duas horas cada. Em
sua opinião, o pior que pode acontecer é mudarem
o foco da história. “Decepciona e muito quando você
lê um livro e acha a história excepcional e o filme

Sumário

tem uma história distorcida e muito diferente do que
aquela que te conquistou no papel”, afirma.

Adaptações que valem
Vivian, Franthiesco e Gabriel dão suas dicas de
livros que foram bem adaptados para as telonas.
Anote aí na sua lista de livros para ler e filmes
para assistir!
Vivian: “A culpa é das
estrelas. Essa é uma
história que me tocou
muito, acho que de todos
os livros que viraram filmes,
esse foi o que teve menos
adaptações/cortes. Apesar
do livro ser muito mais
intenso, o filme também
ajuda a visualizar melhor
pontos muito importantes,
como o processo de aceitar
outra pessoa em sua
vida mesmo quando você
não se acha preparada pra tal, como é importante
aproveitar cada momento com as pessoas que
gostam da gente e estar ciente de que um dia elas

Foto: divulgação

capa

capa

Sumário

carismáticos. Se preferir
um drama, diria que
Coração Louco, Sete anos
no Tibet e O Pianista são
muito bem dirigidos e com
elencos excepcionalmente
talentosos e competentes.
Já se você gosta mais
de mistério vale conferir
algumas adaptações de
livros do Stephen King
como À espera de um
milagre, Apanhador de
sonhos e O Iluminado que
é um clássico do cinema. Tem também adaptações
de quadrinhos muito boas como Sin City – A Cidade
do Pecado e a trilogia mais recente do Batman.
Livros mais antigos também foram adaptados com
sucesso recentemente, como foi o caso de Sherlock
Holmes e Os Miseráveis. Já produções nacionais
me agradam bastante O Tempo e o Vento e Meu
Nome Não é Johnny”.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

vão partir. Mas o livro foi muito mais importante, além
disso, me inspirou a fazer uma tatuagem com uma
das passagens do livro: “Pain demands to be felt” (A
dor precisa ser sentida)”.
Franthiesco: “O Iluminado,
de Stanley Kubrick, é um
dos raros casos de filme
que superam infinitamente
o livro original”.
Gabriel: “Para aqueles que
gostam de fantasia acho
que as trilogias Senhor
dos Anéis e O Hobbit, que
acaba agora no final do ano,
ambas demonstram bem o
que é uma adaptação bem
feita, pois além de manter
basicamente a mesma
equipe de produção de uma para a outra, elas foram
feitas da melhor forma possível para passar a sensação
de estar no mundo mágico que é a Terra-Média. E se
quiser você não precisa ler os livros que muitos acham
maçantes e complexos. Outros filmes bons de fantasia
que não são tão compridos é Stardust – O Mistério da
Estrela com um mundo e personagens extremamente

Literatura estrangeira

Mais vendidos pelo mundo

Se você gosta de ficar ligado no que a galera do estrangeiro está lendo para se inspirar
nas próximas leituras, ou aumentar a wishlists, a Entrelivros dá a dica dos mais
vendidos na Amazon ao redor do mundo. (*Verificado em 03/11/2014)
Físico: Diary of a Wimpy Kid: The
Long Haul, Jeff Kinney; Make it
Ahead, Ina Garten; Yes Please, Amy
Poehler.
Digital: End of Secrets, Ryan Quinn;
Ticker, Lisa Mantchev; Shadow
Boys, Harry Hunsicker.

Alemanha

Sumário

Físico: Bürgerliches Gesetzbuch
BGB, Helmut Kohler; Passagier
23: Psychothriller, Sebastian
Fitze; Darm mit Charme, Giulia
Enders.
Digital:
Begegnungen
mit
Folgen, Hellen May; Wahre
Lugen, Andreas Adlon; Tod im
Netz, Andreas Adlon.

Físico: Avant j’avais une vie,
maintenant j’ai des enfants, Candice
Anzel; Le Suicide français, Eric
Zemmour; Sauvage par nature,
Sarah Marquis.
Digital: Mortelle bienfaitrice, Michel
Tarou; L’ange gardien, John La
Galite; Une surpernante proposition,
Jackie Lynn Neely.

França

Reino Unido

Físico: Awful Auntie, David
Wallians; Diary of a Wimpy Kid:
The Long Haul, Jeff Kinney; There’s
Something I’ve Been Dying to Tell
You, Lynda Bellingham.
Digital: Look Behind You, Sibel
Hodge; Gone Girl, Gillian Flynn;
Dead Simple, Peter James.

Imagens: Amazon

Estados Unidos

Foto: Karina Schiassinatti

blogs

Leitores de Opinião

Muitos jovens utilizam a internet para falar
sobre os livros que leem e com isso colaboram
para a disseminação da leitura
“Qual a sua segunda principal fonte de informação sobre
livros, depois da Entrelivros?” Faça essa pergunta a
qualquer leitor e a resposta será: blogs literários.
Os blogs começaram a se popularizar no ano 2000. De
início, ele nada mais era que que um diário digital, onde
as pessoas mantinham registros sobre seus dias, suas
vidas. Mas, com o tempo, eles foram se transformando e
ganhando temas específicos. De repente, você encontrava
blogs sobre qualquer assunto, inclusive livros.
Hoje, o número de blogs literários cresce a cada dia e a
grande questão é por quê? A demanda não está suprindo
a procura? Muita gente sentindo a necessidade de
compartilhar o seu amor por livros, ou querendo incentivar
a leitura? Ou eles só querem ganhar livros das editoras?
A Entrelivros bateu um papo com alguns blogueiros
para saber o que eles tem a dizer. Confira a opinião de
Aione Simões (Minha Vida Literária), Jaira Costa (Livros
e Versos), Guilherme Cepeda (Burn Book), Raquel
Braido (Garotas entre Livros) e Maria Salles (Jardim de
Borboletas).

Sumário

Raquel Brais, Maria Salles e Guilherme Cepeda na Martins Fontes Paulista

Motivação

Cada pessoa tem a capacidade de se sentir motivado
de diferentes formas. Na hora de começar um projeto
como um blog, sempre tem aquele momento que o
impulsionou a tomar a decisão e colocar o desejo em
prática. Em termos de blogs literários, na maioria das
vezes a motivação vem da vontade de falar para o
mundo o que você achou do livro que leu.
Aione Simões: “Conheci a blogosfera literária em
2011 e passei a acompanhar diversos blogs como
leitora, mas em pouco mais de um mês eu já tinha
em mim a vontade de expor minhas opiniões, não
como leitora apenas comentando nos blogs, mas sim
como blogueira. Dessa vontade surgiu o Minha Vida
Literária”.

blogs
Jaira Costa: “Desde pequena sentia falta de ter alguém para
conversar sobre livros e criando o blog pude ter isso: fiz amizades
e essa é uma parte muito importante. Queria compartilhar meu
amor pelos livros com as pessoas e é o mesmo amor que me faz
continuar com blog, mesmo quando está tudo tão complicado e
difícil”.
Maria Salles: “Eu sempre fiz blogs, muitas e muitas vezes,
desde que eu tinha 11 anos, mas nunca mantinha por mais de
um mês. Aí em 2012 eu resolvi fazer um blog só para postar
coisas que aconteciam comigo, mas então comecei a focar mais
no literário. E sem querer assim virou um blog literário, tanto
que o nome nem combina mais com o objetivo do blog. Eu me
encontrei e é muito legal compartilhar minhas leituras”.

A ideia do blog é apenas
o incentivo a leitura?

Pode parecer óbvia a resposta positiva, mas a verdade é que
nem todos eles tem como foco principal incentivar a leitura. Os
blogueiros consideram esse um fator a mais, uma consequência.
Aione Simões: “Embora pareça uma ideia estranha, o incentivo
à leitura nunca foi o motivo para eu fazer e manter o blog,mas
sim a consequência do trabalho realizado. Como mencionei,
comecei o blog por uma vontade de compartilhar minhas
opiniões. O incentivo à leitura surge como um resultado - que,
aliás, me deixa extremamente feliz! Hoje, acaba sendo também
um dos meus motivadores a continuar com o blog, mas não é o
principal motivo”.
Raquel Braido: “Eu acho que qualquer blog que tenha um bom

Sumário

argumento sobre os livros pode fazer uma pessoa
querer ler. E esse é basicamente o objetivo”.

Hobby ou dá pra viver
disso?

Para alguns ser, blogueiro é profissão, para outros é
apenas uma forma de passar o tempo, relaxar e fazer
algo que gosta. E ainda existem os que ficam no meiotermo: faço porque gosto, não vivo disso, mas consigo
cobrir alguns gastos.
Jaira Costa: “Eu sei que tem blogueiros que vivem
disso, coisa que eu não consigo. Já trabalho, estudo,
tenho vida de doida. Infelizmente ainda não cheguei
na parte de viver disso”.
Aione Simões: “Hoje em dia consigo ter um retorno
financeiro com o blog, mas está longe de ser suficiente
para meu sustento. Se um dia será, não posso
responder, porque depende e muito do crescimento
do blog - algo imprevisível. De qualquer maneira,
esse também nunca foi meu objetivo, comecei o blog
por puro hobby, e as conquistas financeiras foram
consequências muito bem vindas”.
Guilherme Cepeda: “Você começa como um hobby,
mas no meu caso estou tentando levar pro caminho
profissional. Dá pra tirar uma grana, mas não consigo
viver disso porque blog literário não dá tanto dinheiro
quanto blog de moda.”

blogs

Como se destacar entre
milhares?

Foto: Karina Schiassinatti

Os blogs literários se multiplicam diariamente como Gremlins
em contato com a água. Com a concorrência aumentando desse
forma, os blogs que já estão por aí precisam se dedicar para
manterem a audiência e se destacarem entre os demais.
Raquel Braido: “É difícil de destacar. A gente tenta ser a gente
mesmo. Talvez fazer algo de diferente, colunas diferentes.
A gente criou uma sobre primeiros beijos dos livros com as
histórias mais bonitas que mexeram com a gente. Inovar para
não ficar mais do mesmo.”
Maria Salles: “Fazer um canal do blog no Youtube com resenhas,
brincadeiras, tags… Isso acaba chamando atenção pro blog,
uma divulgação diferente”.

Sumário

Aione Simões: “Não existe uma fórmula para
se destacar. Garantir seu espaço, novamente, é
consequência do trabalho realizado. Faça algo com
dedicação, comprometimento, responsabilidade, seja
gentil e atencioso com seus leitores e estabeleça um
relacionamento com eles, faça posts com frequência e
com qualidade, e mais dia menos dia você conseguirá
se destacar”.
Guileherme Cepeda: “Acho que é apostar em
conteúdo diferenciado. Inovar. Você precisa se
destacar sem ficar imitando os outros”.

Leia você também!
A pedido da Entrelivros, os amigos blogueiros
fizeram o que fazem de melhor: indicaram alguns
livros bem bacanas para vocês. Aproveitem as
dicas! Clique na imagem e assista o vídeo no
Youtube.

capa

Vale tudo!

Leitores não se importam em declarar seu amor por um livro ou escritor. Selecionamos
algumas histórias e fotos de tatuagens que, com certeza, você vai acabar se identificando
Há quem diga que fazer tatuagem de um livro que gosta
muito, ficar horas em filas para conseguir autógrafo do
escritor favorito ou até gastar todo o salário do mês, seja
loucura. Até pode parecer, mas para quem ama esse
universo isso é apenas mais uma demonstração de
carinho. Seja por uma história que o marcou ou por aquela
pessoa que a escreveu. Independente da “loucura” ou
paixão, alguns fãs não medem esforços. Como é o caso
da Tania Bueno, de São Paulo, que é apaixonada por livros
e consumista literária assumida. “Na Bienal deste ano,
mesmo desempregada, sai comprando diversos títulos,
contando que arrumaria um “bico” para pagar a conta do
cartão de crédito, que ficou em R$ 850,00”, conta. Porém,
antes de acabar o evento ela viu que o estande da editora
Gente/Única tinha um Concurso Cultural: quem fizesse a
melhor frase ganhava uma moto. Tania não pensou duas
vezes e lançou a sorte grande! E não é que a danada
conseguiu? “Parece que o santo dos leitores estava
realmente do meu lado. No final deu tudo certo e fique
feliz da vida com meus trinta livros na mão. Além de não

Sumário

levar bronca do meu marido”. E não foi só essa
história que a Entrelivros descobriu. Outros
leitores também fizeram questão de contar e
nos enviar suas demonstrações de carinho.
Já na Bienal, a Entrelivros encontrou as fãs da Kiera Cass que
estavam há muito tempo na fila para conseguir uma senha e
garantir um autógrafo. Elas resolveram contar um pouquinho do
porquê desse amor pela autora e ainda aproveitaram para revelar se são team Maxon ou Aspen. Confira! Clique na imagem
para assistir no Youtube.

Fiz um acordo com minha mãe: ela ficava na fila para conseguir
a senha da Kiera Cass, porque precisava trabalhar e em troca,
eu faria o que ela quisesse durante um mês. Ela chegou no
local por volta das 4h da manhã. Fiquei com a consciência
um pouco pesada, mas depois vi que ela adorou a “troca” de
favores. No fim, ver meus livros autografados compensou e
muito, e acredito que a minha felicidade também a deixou
satisfeita!” - Raquel Rocha, São Paulo.

Foto: Paulo Guimarães

Ano passado, descobri que o Nicholas Sparks retornaria ao
Brasil então, não pensei duas vezes, e fui tentar o autógrafo.
Cheguei cedo no local e já tinham 100 pessoas. No começo achei
que não conseguiria, mas depois de 14 horas na filha deu tudo
certo. Posso dizer que os poucos minutos ao lado dele foram
incríveis.” - Fernanda Messias, São Paulo.

Sumário

ha - Folhapre
ss

Eu e minhas amigas chegamos na Bienal as 2h30 da manhã para
garantir nossos lugares e conseguir o autógrafo da Cassandra
Clare. Ficamos duas horas em pé, passamos aperto na hora que os
portões abriram, mas tudo foi válido. A maior loucura que já fiz,
mas voltei para casa feliz realizada.” - Camila Lopes, São Paulo.

Foto: Raque
l Cun

Foto: Elielson Souza

capa

capa

E é claro que as tatuagens não vão ficar de fora. Selecionamos algumas fofas e estilosas para você
se inspirar. Clique aqui para ver a galeria!

Tattoos da redação

Sim! Nós também registramos nosso amor pelos livros...

Karina Schiassinatti - Harry Potter

Karina Schiassinatti - A Culpa é das Estrelas

Karina Schiassinatti - Jogos
Vorazes/Divergente e A
Bela e a Fera

Karoline Teixeira - A Culpa é das Estrelas

Sumário

Nossa colunista Nádia Tamanaha - São Paulo-SP Uma demonstração do seu amor pelas histórias

Profissão

Não se preocupe! A escritora Samanta Holtz te ensina desde
colocar a ideia no papel até o momento certo de procurar uma
editora

Já aconteceu de você ter aquela ideia incrível e querer transformar em
um livro? A Entrelivros conversou com alguns leitores que têm essa
vontade, mas não sabem qual o primeiro passo. A maioria disse que a maior
preocupação é entender como desenvolver aquela história emocionante.
Pensando nisso, a Entrelivros resolveu pedir uma mãozinha para a escritora
fofa e super-talentosa, Samanta Holtz, e fazer alguns vídeos para tirar todas
as suas dúvidas.
A seguir, confira o primeiro episódio da série: quero ser escritor, e agora? A
autora te ajudará a desmembrar sua ideia inicial e seus personagens com
muitas dicas. Está imperdível!

a
n
e
u
q
i
l
C
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m
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g
a
im
o
n
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s
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ss
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!
e
b
u
t
u
o
Y
Sumário

SAMANTA HOLTZ nasceu no Dia
Mundial do Livro e aprendeu a ler
sozinha aos cinco anos, tamanha
era a vontade de entender as
histórias. É da cidade de Porto
Feliz, interior de São Paulo. Em
2012 publicou o romance O
Pássaro, premiado no “Destaques
Literários 2012”. Também é
autora de Quero ser Beth Levitt
e Renascer de um Outono, todos
pela editora Novo Século.

Foto: Divulgação

Quero ser escritor,
e agora?

redes sociais

A minha, a sua, a nossa
estante virtual
O leitor deseja, a internet ajuda: você pode
vasculhar a estante de pessoas do mundo
inteiro

Sumário

Facebook, Myspace, Orkut (RIP), Instagram...
Fato: você já fez parte de alguma ou todas
redes sociais que estão espalhadas por aí. Um
lugar para encontrar os amigos, compartilhar
momentos, histórias, gostos, indignações e
claro, suas leituras.
Porém, não são todas as pessoas de suas redes
que compartilham dos mesmos interesses
que você, ainda mais se tratando de livros.
Mas não se preocupe, para isso já existem as
redes sociais literárias: um ponto de encontro
para quem ama ler. Nelas você pode criar sua
estante virtual, marcar o que está lendo, o que
já leu, o que vai ler, os livros que deseja, os
que abandonou, fazer reviews e bisbilhotar a
estante dos seus amigos e pessoas com gostos
parecidos com os seus.
O pioneiro nessa categoria é o site americano
Goodreads, criado em 2007 por Otis Chandler.
A ideia surgiu enquanto Chandler “passeava”
pela estante de um amigo em busca de uma
indicação de leitura. “Percebi que quando quero
uma dica de leitura recorro a um amigo e não a
um desconhecido em uma lista de bestsellers”,
disse Chandler ao blog Link do Estadão. Foi
assim que ele criou um site para poder ver as
estantes de todos os seus amigos.

redes sociais

Hoje, sete anos após sua criação, o Goodreads
possui 30 milhões de membros cadastrados no
mundo todo, já foram adicionados 900 milhões de
livros e publicadas 34 milhões de reviews.
A missão da rede está clara no site: Nossa missão é
ajudar as pessoas a encontrarem e compartilharem
os livros que amam.”

Brasileirinho

No time brasileiro , tem o Skoob (books escrito de
trás para frente). Criado em 2009, por Lindemberg
Moreira, para que um grupo de amigos pudesse
trocar informações sobre seus livros, a rede acabou
alcançando 2.500 membros em apenas alguns dias.
Hoje o site conta com mais de 1 milhão de skoobers,
como são chamadas as pessoas cadastradas na
rede.
Os principais diferenciais do Skoob são as cortesias
e o sistema de troca. Além de fazer sorteios especiais
em parceria com editoras no Facebook, Instagram
e Twitter, o Skoob tem uma área dedicada apenas
as cortesias em seu site. Sempre tem muitos livros
disponíveis e tudo o que o usuário deve fazer é clicar
em “Participar” ao lado do livro que deseja concorrer.
A concorrência é grande e a quantidade sorteada é
pequena, então, para um leitor voraz, ganhar uma
cortesia no Skoob é como ganhar na loteria e a

Sumário

internet está cheia de memes que representam a
esperança e frustração daqueles que estão sempre
participando.
Karolyne Oliveira, 28 anos, promotora de vendas e
leitora compulsiva, pode se considerar uma sortuda,
pois já ganhou uma das cortesias em agosto deste
ano. Porém, o que ela gosta mesmo no Skoob é
o sistema de trocas. “Minha primeira solicitação
recebida foi em setembro de 2012. Para trocar pelo
Plus [cadastro gratuito dentro do próprio Skoob] é
preciso começar enviando um livro, depois recebo o
crédito para solicitar. Nunca tive problemas, sempre
conversei antes com a pessoa, pedi fotos do livro e
todos foram atenciosos”, conta Karolyne.
O Skoob não interfere nas trocas feitas pelo usuário,
tudo acontece de leitor para leitor e é totalmente
gratuito, quem deseja fazer uma troca só precisará
arcar com os gastos do envio.
A maioria das negociações são feitas por créditos
e funciona assim: você marca um dos seus livros
que não deseja mais como “disponível para troca”
e estipula um valor (um ou dois créditos); espera
até que alguém entre em contato e então acerta os
detalhes do envio; quando o usuário receber o livro,
ele entra no site, avisa que recebeu, libera o crédito,
ou os créditos, e avalia a troca. Simples.
Alguns membros optam pela troca livro por livro,
sendo assim se você quiser um livro dele, precisa

redes sociais

ter um que ele queira também. Karolyne já fez das
duas maneiras, ”Já enviei dez livros e recebi onze
pelo sistema do Plus. Mas já troquei livro por livro
com mais ou menos seis usuários.”
A dica é sempre verificar a reputação do usuário e
ver como ele foi avaliado nas trocas anteriores. Além
disso, não deixe de pedir fotos para não se frustrar
com o estado do livro quando ele chegar.

Test-drive
Eu já sou usuária do Skoob e Goodreads há pelo
menos quatro anos, mas fui atrás de outras redes
sociais e encontrei mais uma nacional e outra gringa. Fiz um test-drive e vou contar o que achei para
vocês, inclusive sobre as duas já citadas
Prós: interface amigável, totalmente em
português, sistema de trocas, cortesias,
paginômetro, meta de leitura, usuário
pode cadastrar os livros, diversas
opções de marcadores (tenho, desejo,
quero trocar, emprestado,vou ler, estou
lendo, lido, relendo, abandonei), status de leitura.
Contras: o site às vezes é bem lento, não é amigável
para dispositivos móveis, não possui aplicativo para
celular (ainda), há muitos livros duplicados.

Sumário

Prós: interface simples
com visual moderno, além
de ter uma versão do site
para dispositivos móveis,
tem um aplicativo bem
completo com leitor de código de barras, área
para você colocar suas citações favoritas, reading
challenge (você estipula uma meta no começo do
ano e ele começa a contar, mostra a porcentagem,
se você está adiantado, ou atrasado, e você pode
ver a dos seus amigos também), status de leitura,
cadastro de livro pelo usuário, bate-papo com
autores, votação para escolher os melhores do ano
e diversas formas de interatividade com o usuário.
Contras: apenas em inglês, não são todos os livros
que estão cadastrados com a versão brasileira, assim
como é difícil encontrar livros de autores nacionais
(mas você pode sempre adicioná-lo!).
Prós: totalmente em português,
cadastro de livro pelo usuário.
Contras:
extremamente
lento,
não gostei da forma como é o
compartilhamento no Facebook,
o cadastro tem que ser feito
obrigatoriamente através do Facebook, tem poucos
usuários entre meus amigos, menos ainda os que
efetivamente usam o site, o feed é geral e não

redes sociais

apenas com os meus amigos.
Prós: parcialmente em português,
catálogo completo com informações da
Biblioteca do Congresso dos Estados
Unidos, Amazon e 690 bibliotecas ao
redor do mundo, muitos títulos em
português, grupos de interação entre
os membros, diversas formas de editar
o livro na sua biblioteca, estatísticas
interessantes sobre a sua coleção.
Contras: não são todas as páginas que estão
traduzidas para o português, ele é mais uma forma
de catalogar os seus livros do que uma rede social
propriamente dita, no cadastro gratuito você pode
catalogar apenas 200 livros, mas para a versão paga
(US$ 10/ano ou US$ 25/vitalício) não tem limites.

Sumário

Muitos não sabem, mas essa profissão vem conquistando cada
vez mais os amantes de livros e beneficiando os que desejam
publicar uma história. Entenda como funciona essa área e
parceria
O que se nota no Brasil, mesmo
que aos poucos, é que editoras
estão dando mais chances para
novos autores nacionais, dividindo
o espaço tão concorrido com a
famosa literatura estrangeira. E
ao procurar uma que realmente se
interesse por sua história, muitos
escritores, principalmente os que
não tem tanta experiência, acaba
tendo dúvidas. Afinal, como saber
quem atenderá seu público-alvo,
quais são as leis de direitos autorais,
da produção, distribuição? E é
nessa hora que o agente literário

Sumário

entre em ação!
O primeiro passo é o autor apresentar
sua ideia e o profissional analisar
se enquadra no seu perfil. Após ler
o original e perceber que se sente
seguro em apostar naquele título,
as duas partes fazem um contrato.
Depois, o agente seleciona a melhor
editora para apresentar o conteúdo
e acompanha toda a negociação,
desde o processo editorial até o
lançamento. Sempre defendendo
os interesses do autor.
“O pagamento envolve uma
porcentagem negociada sobre o

Foto: Open
4D

Agente literário.
Você conhece?

ownloads.c
om

Profissão

valor
dos direitos autorais
ganhos, numa escala de 10 a
40%”, comenta a agente literária
Gui Liaga, do Rio de Janeiro.
Algumas editoras possuem dentro
da própria empresa agentes
especializados. Há ainda agências
que procuram escritores e prestam
consultoria, apenas opinando e
dando alguns conselhos. E existem
profissionais
autônomos,
os
agentes literários, que trabalham

Profissão

agente precisa ser uma
ponte confiável entre o autor e a empresa. Já o escritor precisa ouvir sugestões
e estar aberto a criticas

Sumário

Foi em 2010, durante sua pós em
mercado editorial que ela descobriu
a carreira e se interessou. Já tinha
participado do processo de edição
do livro independente de uma
grande amiga e, então, começou a
se especializar e estudar. Hoje, ela
agencia autores que se interessam
por histórias para jovens adultos.
Foto: Babi Dewet

sozinhos e com experiência no área, tem alguns online para quem
setor.
não mora nas grandes capitais”,
aconselha Gui.
Ok. Quero ser um agente! Outra dica importante é ir a eventos,
O grande triunfo desse profissional se apresentar para editores,
é conhecer muito bem o mercado livreiros, autores e gráficas.
editorial, que, diga-se de passagem, Lembre-se de ter o compromisso
é um mundo complexo e repleto ético de não assumir autores e
de concorrência. Por isso, sempre títulos demais que sobrecarregue
que possível investigue o perfil, o trabalho. “Seja profissional,
estude os catálogos, pesquise mantenha contato sem
informações de vendas e entenda ansiedade e insistência.
como cada editora trabalha. “Leia Tente ter bom faro
muito. Tem diversos sites e colunas para encontrar novos
de especialistas sobre o assunto. sucessos e procure
Se possível, procure cursos na saber o que o mercado
editorial nacional e até
Lembre-se que cada caso internacional necessita”,
finaliza.
é diferente do outro. O

Inspire-se!

Formada
em
Jornalismo, Gui Liaga
não conhecia a profissão, como
a maioria das pessoas no Brasil.

André Vianco, Gui Liaga e Babi Dewet na Bienal
do Livro de 2010.

Gêneros literários

Vieram pra ficar

A literatura fantástica está fazendo cada
vez mais sucesso. A seguir, descubra
como esse universo funciona e confira
quem são os autores que escrevem essas
histórias incríveis do gênero
O ano de 2014 foi espetacular para a literatura
fantástica. E não pense que estamos falando das
obras estrangeiras. Em nosso país, surgiram novos
autores e, com eles, uma legião de fãs. Já os escritores
antigos, que até então eram “desconhecidos”, também
estão lotando eventos e sessão de autógrafos.
Mas como surgiu o gênero? A expressão fantástico
provém do latim phantasticus, que têm o sentido
de fantasia. Sua narrativa é definida e elaborada
pelo imaginário, por uma dimensão supostamente
inexistente da realidade que estamos acostumados.
Nestas obras é possível encontrar seres heróicos,
bruxos, aparições, animais fabulosos, magia, criaturas
elementais: as ninfas, elfos, duendes e gnomos,
que normalmente habitam o ar, a água, a terra ou
o fogo. Pequenos detalhes que instiga ainda mais a

Sumário

imaginação de quem está lendo.
Muitos autores englobam as narrativas góticas, os
relatos de terror, a ficção científica e os enredos de
fantasia. Há ainda os sub-gêneros denominados RPGs
- Role-Playing Games, ou seja, jogos que envolvem
encenações. no qual cada participante interpreta um
determinado papel, tendo como cenários o mundo
da imaginação.
A Bienal do Livro de São Paulo deste ano, foi mais
uma prova de que este universo da fantasia realmente
esta caindo no gosto dos jovens. Tanto que o evento
promoveu um bate-papo com o assunto: “Literatura
Fantástica – a fantasia ganhando espaço”, com os
escritores mais pops do momento, Affonso Solano,
Carolina Munhóz e Raphael Draccon.
“A Bienal é o evento de literatura mais popular do
país. Por essa característica, atrai o público que ama
a cultura pop, onde nós incluímos a maioria do público
jovem, principal consumidor da literatura fantástica”,
comentou Draccon para o site Uol Entretenimento.
Internacionalmente, as obras mais conhecidas deste
universo são: As Crônicas de Nárnia, a saga Harry
Potter, As Crônicas de Gelo e Fogo, Senhor dos
Anéis e O Hobbit, que foi implantado nas escolas
estrangeiras como leitura obrigatória. Não é demais?
Os alunos devem adorar!

Foto: AgNews

Foto: arquivo pessoal (Facebook)

Top 4

Sumário

Eduardo Spohr
é
jornalista,
escritor,
professor, blogueiro e
podcaster brasileiro.
Escreveu A Batalha do
Apocalipse, livro entre
os mais vendidos em
2013 e a trilogia Filhos
do Éden, que faz muito
sucesso entre os jovens.

Carolina Munhóz, já publicou
A Fada, O Inverno das Fadas
e Feérica. Seu mais recente
trabalho foi escrito com Sophia
Abrahão, O Reino das Vozes que
Não Se Calam, que está batendo
recorde de vendas.

Foto: arquivo pessoal (Facebook)

Para te deixar por dentro de tudo que está acontecendo
na literatura fantástica, a Entrelivros selecionou os
escritores mais falados no momento. Confira a seguir!

Raphael Draccon, publicou
a trilogia Dragões de Éter,
Espíritos de Gelo e Fios de Prata.
O autor também conseguiu
realizar o sonho de ganhar
um selo para virar editor.
Vale lembrar que Draccon foi
o responsável por trazer os
livros de Game of Thrones
para o Brasil. Recentemente
ele publicou Cemitérios de
Dragões, que está fazendo o maior sucesso.

Foto: arquivo pessoal (Facebook)

Gêneros literários

André Vianco é um dos
autores mais antigos da
literatura fantástica Entre
suas obras mais famosas
estão a saga Os Sete, O Senhor
da Chuva, O Turno da Noite
(volumes 1, 2 e 3), Bento Vampiro Rei (volumes 1 e 2),
Crônicas Do Fim Do Mundo e
A Casa.

livros

Você sabe realmente com quem é casado?
Essa é uma das dúvidas levantadas em Garota
Exemplar, um livro repleto de segredos,
acontecimentos eletrizantes e inesperados
Uma das histórias mais intrigantes do momento, escrita
por Gillian Flynn, compõe sua obra mais ousada se
aventurando na loucura da mente humana. Com 4 milhões
de exemplares vendidos em todo o mundo, esse sucesso
editorial traz uma dose de humor negro misturado com
uma narrativa cheia de surpresas, intercalados pelos dois
personagens principais.
E esse sucesso todo não é pra menos! A história
começa na manhã do quinto aniversário de casamento
de Amy e Nick. Sua esposa linda e perfeita desaparece
misteriosamente. Aparentemente trata-se de um crime,
porém, pressionado pela polícia e opinião pública, Nick
conta uma série interminável de mentiras e meias verdades.
Seu comportamento chega a ser frio e amargo. Com sua
irmã gêmea Margo ao seu lado, ele afirma ser inocente
a todo o momento. O problema é que se não foi Nick,
quem foi? E por que todas as pistas apontam para ele? E
o principal: onde está o corpo de Amy?
Com essas perguntas, a escritora “brinca” com o leitor,

Sumário

que se vê constantemente enganado pelos
personagens. É possível você se sentir em
um jogo de manipulação constante, que tenta
convencer você a ficar de um lado e mudar
de uma hora para outra. Sem dúvida, cada
capítulo faz com que sua curiosidade aumente.
Lá fora, a obra ganhou ainda mais destaque
quando desbancou a trilogia Cinquenta Tons
de Cinza, sendo o mais vendido no site Amazon
e entrando para o topo da lista de bestsellers
do New York Times. Lançado em junho de
2012 nos Estados Unidos, o livro vendeu, em
37 semanas, três milhões de exemplares. Não
tinha como não levar essa história para as
telonas, não é mesmo? Recentemente a obra
foi adaptada e vista por milhões de pessoas
no cinema.
Foto: Divulgação

Mentes
perigosas

Imagem de divulgação do filme Garota Exemplar

livros

Capas: Editora Intrínseca
Sinopses: Skoob

A seguir, a Entrelivros separou outras três obras que têm “a mesma pegada psicopata”.
Todos da Editora Intrínseca.
O autor não apresenta apenas mais uma história de crime, castigo e pesadelos americanos.
Ele arquiteta um romance epistolar em que Eva, a mãe de um assassino, escreve cartas
ao marido ausente. Nelas, ela constrói uma reflexão sobre a maldade. Precisamos falar
sobre o Kevin discute casamento e carreira; maternidade e família; sinceridade e alienação.
Denuncia o que há de errado com culturas e sociedades contemporâneas que produzem
assassinos mirins em série. Psicanalítico, a obra não indaga quem matou, mas o que morreu.
Após uma horrível tragédia que deixou sua família, antes perfeita, devastada, Katherine
Patterson se muda para uma nova cidade. Mas seu plano de viver discretamente se torna
difícil quando ela conhece a linda e sociável Alice Parrie. Incapaz de resistir à atenção que
Alice lhe dedica, Katherine fica encantada e logo as duas começam uma intensa amizade.
No entanto, quando Katherine passa a conhecê-la melhor, percebe que a amiga também
tem um lado sombrio. E, por vezes, cruel. E para piorar ela ainda descobre que Alice é o tipo
de pessoa que não gosta de ser rejeitada...OMG!
Jodi e Todd estão juntos há 20 anos e, aparentemente, levam uma vida invejável. Os dois
levam um casamento de fachada. Isso porque Todd é um adúltero incurável, e Jodi sabe
disso. Ela é a esposa silenciosa, preparada para tolerar as traições do marido com o intuito
de manter as aparências. Um belo dia ele resolve sair de casa para viver com uma mulher
com metade da idade dela, filha de seu melhor amigo. Magoada, Jodi começa a contemplar
o assassinato como uma opção razoável. Uma obra psicológica sofisticada, que seduz o
leitor desde a primeira página. Vale a pena ler!

Sumário

especial

Famosos sobre Literatura

Ouça a dica de Arnaldo Antunes*!

Foto: JStone / Shutterstock.com

Clique aqui para ouvir
via SoundCloud

Sumário

“Eu adorei o livro “Comer, Rezar,
Amar”, de Elizabeth Gilbert.
Já comprei e indiquei este livro
para várias amigas. É totalmente
transformador, palavras de todas
nós! Vale a pena conferir.” Fernanda Souza para Revista Crescer

“Meus filhos terão computadores,
sim, mas antes terão livros.
Sem livros... nossos filhos serão
incapazes de escrever, inclusive a
sua própria história” - Bill Gates

“Um país se faz com
homens e livros” Monteiro Lobato

Foto: Imprensa Globo

Foto: AgNews

*Áudio fornecido por Karina Andrade

No dia 29 de outubro foi comemorado o Dia Nacional do Livro. Para celebrar a data, a
Entrelivros separou algumas frases e indicações literárias de algumas celebridades

resenhas

Especial Distopias
Trilogia Delírio

Num futuro distópico,
os Estados Unidos
vive
isolado,
o
governo decide a vida
da população, com
quem eles se casam, qual profissão irão exercer, e o amor é
considerado uma doença. Ao completarem 18 anos, os jovens
devem passar por um procedimento que retira o amor deles.
Até isso acontecer, garotas e garotos não podem interagir
entre si. Existe um toque de recolher e qualquer demonstração
de amor ou emoção, mesmo entre pais e filhos, é condenado
e pode levar o indivíduo para cadeia.
Lena sempre seguiu as regras direitinho, nunca questionou
a forma de governo, porque ela sempre teve medo de que
o passado de sua família pudesse se repetir com ela. Mas
então, ela conhece Alex e tudo começa a mudar: o que ela
sente, como ela pensa.
O começo do livro é meio devagar, mas depois que o enredo
engrena, é impossível largar até chegar o final. E quando isso
acontece, você deseja desesperadamente colocar as mãos
em Pandemônio, o segundo livro da série, e o mesmo ocorre
no final do segundo para o terceiro, Requiem. Lauren Oliver
consegue te envolver profundamente em toda a ação, os
perigos, as inseguranças e os questionamentos que existem
ou surgem na vida de Lena.

Sumário

Trilogia Jogos Vorazes

Escrito pela americana
Suzanne Collins, a série
possui
uma
história
inteligente e crítica, com
reflexões que envolvem
poder,
submissão,
desigualdades
social,
romance, estratégia de jogo, política e muito mais. O primeiro livro da
saga chama-se Jogos Vorazes, o segundo Em Chamas e, por último, A
esperança.
A história se passa em Panem, composta por treze distritos e a poderosa
Capital. Após um período crítico chamado “Dias Escuros”, doze deles
foram derrotados e o último, o 13, dizimado. Então, a Capital passou a
governá-los. Para relembrar esses dias e mostrar o poder que possui,
eles lançam os Jogos Vorazes, um “reality show” no qual duas pessoas
de cada distrito, uma do sexo masculino e outra do feminino, são
sorteados e colocados em uma arena para lutar até a morte.
No distrito 12, Katniss Everdeen se voluntariou no lugar da irmã, Prim, e
Peeta Mellark foi o (não) sortudo dos homens. No primeiro livro da série
eles vivem dias de luta, angústia, desespero e esperança na arena. Já
no segundo, há uma dose mais acentuada de romance e o início de
uma rebelião contra a Capital e o presidente Snow. Por fim, no último
título, o leitor é envolvido em cenas de adrenalina e surpresas em cada
página. E claro, não vamos revelar tudo aqui.
Ao longo de uma trilogia instigante e, de certa forma, realista em alguns
pontos, o leitor é convidado a participar de acontecimento imprevisíveis
a todo momento e refletir sobre pontos determinantes. Os personagens
principais, Katniss e Peeta, tornam a história ainda mais apaixonante.
De forma que quando se está lendo, você pensa em ler só mais um
capítulo antes de dormir e quando vê já esta terminando o livro. Uma
trilogia aprovadíssima em todos os sentidos!

resenhas

Especial Distopias
Trilogia Divergente

Onde um dia já esteve a cidade
de Chicago, no futuro vive uma
sociedade dividida em cinco
facções: Audácia, Franqueza,
Abnegação, Amizade e Erudição.
Cada facção é marcada por uma
característica principal e tem o seu papel na organização da cidade (Audácia:
coragem - segurança; Franqueza: sinceridade - justiça; Abnegação: altruísmo
- governo; Amizade: bondade - plantação/medicina; Erudição: conhecimento ciência/tecnologia).
Ao completarem 16 anos, os jovens passam por um teste de aptidão para
saberem em qual facção se encaixam, e no dia da cerimônia de escolha eles
podem decidir se ficam onde nasceram ou se mudarão suas vidas. Independente
de sua escolha, o lema é “Facção antes do sangue”. Mas e se você não se
encaixa em apenas um lugar? E se você for Divergente?
A série conta a história de Beatrice Prior e todas as escolhas e decisões que
ela deve enfrentar, pois ela é Abnegação de nascimento, mas Divergente no
seu teste. E ser Divergente pode ser mais perigoso do que ela pensa.
Considerando os três livros da série, Divergente recebe críticas tanto positivas
quanto negativas. Eu sou do time que amou do começou ao fim, independente
de qualquer escolha que a Veronica Roth tenha feito durante o caminho. Todo
o enredo é bem desenvolvido com uma narrativa envolvente.
Porém, o que me conquistou mesmo em Divergente foram os personagens.
Tris e Four (ou Quatro, em português) fogem aos estereótipos de mocinha
e mocinho que costumam aparecer nos livros e é por isso que eles são tão
apaixonantes. Além de todos os outros personagens secundários que passam
longe de serem rasos.
Leitura recomendada para quem gosta de distopias, mas vá com a mente
aberta para reviravoltas inesperados.

Sumário

Battle Royale
Na República da Grande Ásia
Oriental, num futuro não muito
distante de quando a história foi
escrita, o país vive uma ditadura
disfarçada. Pessoas que se opõem
ao governo desaparecem, são
enviadas aos campos de trabalho
ou simplesmente assassinadas em
plena luz do dia, sem a menor cerimônia. Além disso,
quase todo ano, uma turma de alunos da 9ª série do
ensino fundamental, que inclui alunos de 15 e 16 anos,
é sorteada para participar do Battle Royale. Sem terem
conhecimento do que realmente irá acontecer, eles saem
para um passeio da escola, mas aos chegarem lá são
informados de que foram os escolhidos para participar
do programa secreto do governo. No que consiste o
programa? Que eles matem uns aos outros até que reste
apenas um sobrevivente.
Considerado a grande inspiração de Jogos Vorazes, Battle
Royale envolve e prende o leitor em todas as suas 668
páginas. A história é eletrizante e não permite que você
relaxe nem por um segundo. A tensão segue do começo
ao fim. Bem descritivo, ele pode ser pesado para pessoas
sensíveis e com estômago fraco.
Recomendado? Com certeza. Um dos melhores do ano e
da vida, na minha opinião.

Livros e reflexões

A repaginação da autoajuda

Foto: Karina Schiassinatti

Quantas vezes você foi à livraria e passou pela seção de
autoajuda como quem não quer nada - afinal, você não
precisa disso -, mas deu aquela espiada de canto de olho
nos títulos e, eventualmente - apenas eventualmente -,
ficou curioso para saber qual o segredo do pensamento
positivo, como é possível ser feliz sozinho ou quis
aprender não se apegar aos outros? Tudo bem, não
precisa confessar em voz alta. No entanto, se sua resposta
interna for “pelo menos uma vez”, talvez, você seja um
ótimo candidato à literatura interativa.

por Nádia Tamanaha

Em 2013, a editora Intrínseca apostou na publicação de
Destrua este diário, de Keri Smith, que se transformou
em um dos lançamentos mais comentados do ano.
Como o título já diz, o livro propõe a própria destruição
com atividades lúdicas e que exercitam a criatividade e a
subjetividade, como listar pensamentos felizes e levar o
diário para o banho. Depois, foi a vez da editora Paralela entrar na onda e lançar 1 Página de Cada Vez, de
Adam J. Kurtz, que, por meio de perguntas, listas e até desenhos, busca o autoconhecimento.
Mas é claro que o mercado editorial não parou por aí. Após o sucesso de Destrua este diário, a Intrínseca
publicou Termine este livro, também de Keri Smith, que ainda assina outras obras do gênero, como This is not
a book e The Pocket Scavenger. Termine este livro tem um tom de mistério e investigação e não apresenta

Sumário

Livros e reflexões

uma proposta tão autoajuda quanto Destrua este
diário e 1 Página de Cada Vez. No entanto, também
provoca reflexões no leitor, já que propõe atividades
que, de tão simples, se revelam difíceis de realizar.
Agora, a Intrínseca se prepara para lançar, ainda
este ano, o Listografia, de Lisa Nola e Nathaniel
Russell, que, por meio de listas, propõe uma jornada
nostálgica pelo universo das memórias.
Agora você me pergunta: o que a autoajuda tem a
ver com a literatura interativa? Bem, os dois gêneros
buscam o autoconhecimento e provocam a reflexão,
mas de maneiras distintas. Enquanto a autoajuda
dita os possíveis caminhos para a compreensão de
si mesmo, os livros interativos propõem uma jornada
em que o leitor não apenas concorda ou se identifica
com o que lê, mas estabelece suas próprias regras
e faz as descobertas por si mesmo. Ou seja, sem
respostas e conclusões pré-estabelecidas, chega
a verdades genuínas, extremamente pessoais e
surpreendentes. Mais do que autoajuda, os livros
interativos são uma jornada terapêutica, que
incentiva não apenas a criatividade, a descontração
e a libertação da rotina, mas também o resgate
de memórias e a (re)descoberta de traços de
personalidade de uma forma leve e bem-humorada,
mas verdadeira e consistente.

Sumário

Mas os livros interativos e de autoajuda não
deveriam ser os únicos a incentivar a busca pelo
autoconhecimento. E a maioria das obras de ficção
também têm, e cada vez mais, esse poder, se não
por literalmente refletir o leitor, por incentivá-lo a
se colocar em situações que talvez nunca venha
a viver, mas que podem trazer, de alguma forma,
respostas para as questões que são reais para ele.
A verdade é que a autoajuda deveria ser tudo o que
gera reflexão e proporciona as ferramentas para se
descobrir e se transformar, por simplesmente saber
tirar o melhor que cada coisa tem a oferecer.

NÁDIA
TAMANAHA
é
jornalista e apaixonada por
literatura. Sabe que os livros
não podem mudar o mundo,
mas acredita que possam
transformar a forma de enxergá-lo. Autora do
blog Além do Livro.

Até a próxima edição!

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