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ALUNO: THIAGO DE ARAUJO PINHO ESTÁGIO: ODORICO TAVARES TURMA: 1M2 (MATUTINO) PROFESSORA: FÁTIMA BIAZZI DISCIPLINAS: SOCIOLOGIA/FILOSOFIA

ALUNO: THIAGO DE ARAUJO PINHO ESTÁGIO: ODORICO TAVARES TURMA: 1M2 (MATUTINO) PROFESSORA: FÁTIMA BIAZZI DISCIPLINAS: SOCIOLOGIA/FILOSOFIA HORÁRIOS: QUINTA-FEIRA: 1º HORÁRIO/SEXTA-FEIRA: 4º HORÁRIO

EDC168- METODOLOGIA E PRATICA DO ENSINO EM CIÊNCIAS SOCIAIS DEPARTAMENTO DE SOCIOLOGIA

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS - FFCH

PROFº: GUSTAVO ROQUE DE ALMEIDA SEMESTRE 2014.2

RELATÓRIO DO ESTÁGIO

SALVADOR, 2014

CONTEÚDO

Os temas propostos pela professora Fátima Biazzi na sua disciplina de

sociologia (Ver anexo), foram basicamente três: “desigualdade social”, “ideologia” e “trabalho”, além, claro, de uma introdução a respeito de como a sociologia é construída e como seu estudo pode contribuir para a vida dos estudantes. Esses temas são os mais amplos, já que internamente a cada um deles existem várias discussões mais acentuadas, como o de “movimentos sociais”, “direitos humanos”, etc.

O material didático, ao menos durante a 3ª unidade que venho acompanhando, se restringe ao livro da Editora Saraiva (“sociologia para o ensino médio”, de Nelson Dacio Tomazi). O livro é bem dividido, com temas distribuídos por áreas de interesse, revelando assim um campo sociológico diverso e dinâmico. Seus textos são mesclados com muitas gravuras e várias passagens literais de grandes nomes do pensamento social. Graças ao seu tamanho reduzido e sua concisão, o fragmento não compromete a leitura, muito menos se apresenta como um obstáculo para o aluno iniciante, criando uma boa harmonia entre os elementos no interior da página. Mesmo quando autores com uma altíssima sofisticação retorica aparecem, a exemplo de Bourdieu, suas passagens são condessadas ao máximo, auxiliadas por uma introdução clara e precisa do tema a ser trabalhado.

O livro de Nelson Dacio serve de base para as três séries do ensino médio, o que acaba criando uma dificuldade na hora de subdividir quais temas vão ser trabalhados e com qual série. De modo geral, não há uma hierarquia de complexidade entre os temas, o que nos leva a concluir que as unidades teriam o mesmo peso e quase a mesma “exigência cognitiva”. Em disciplinas como a matemática é evidente sua gradação e o quanto, com o passar do tempo, o estudo vai demandando um maior esforço por parte do estudante, estimulando uma instrumentalização cada vez mais complexa; característica que não enxerguei no modo como o livro de sociologia é organizado.

METODOLOGIA

As aulas expositivas predominam na turma de Fátima, ao menos assim foi minha impressão nessa terceira unidade. Além disso, ela cobrava algumas pesquisas feitas em casa e também alguns seminários que deviam complementar o assunto do dia. As pesquisas eram confeccionadas ás pressas pelos alunos e a própria correção de Fatima acompanhava esse ritmo. Sem duvida, para alguém com 10 turmas, uma correção pormenorizada é inviável, embora isso não justifique aqueles estudantes não terem nenhum retorno mais detalhado dos seus escritos, a não ser alguns comentários técnicos a respeito da forma que uma redação deveria ter. É obvio que a responsabilidade não deve ser despejada nos ombros de uma única pessoa; Fatima não tem culpa de toda essa situação. A maneira como o ensino da sociologia é organizado no

Odorico, com as séries de 1º ano com apenas uma disciplina semanal, realmente força os professores a ter várias turmas ao mesmo tempo, aumentando tanto o trabalho quanto a responsabilidade, a fim de dar conta das 20 h semanais. Os alunos que acabam sofrendo, já que o ensino sociológico não se torna um pensamento e um exercício. As coisas são feitas na medida do possível e não do necessário. A formação do estudante é lançada pela janela, junto com suas possibilidades de futuro.

O seminário é uma estratégia para contornar o baixo entusiasmo que as disciplinas mais jovens, como a sociologia e a filosofia, apresentam nos corredores do ensino médio. Na terceira unidade Fátima articulou uma serie de apresentações entre os estudantes, tentando tratar do tema cultura e diversidade”. Digo “tentando” porque o resultado final ficou algo muito mais próximo da geografia, com alunos preocupados com “densidade populacional”, “comidas típicas” e “tamanho de território”, do que de um exame sociológico mais aprofundado. O raciocínio foi substituído pela exposição automática de dados e estatísticas, como se a sociologia não fosse uma analise critica, mas sim uma constatação do que simplesmente está dado no mundo.

Várias vezes as atividades não eram cumpridas e o seu prazo acabava por ser prorrogado. Isso implicava uma desordem no calendário, atrasando todo o conteúdo que precisava ser discutido. No inicio da IV unidade, a qual fiquei responsável, haviam ainda temas que não tinham sido considerados por falta de tempo, um deles era sobre “movimentos sociais”, que foi iniciado hoje (30/10) e que vai ser estendido para a próxima aula também.

Vendo o pouco progresso da disciplina ao usar aulas expositivas, provas e seminários, propus aos alunos que as atividades e mesmo as avaliações, seriam feitas através de uma página criada no facebook, cuja intenção é apenas discutir os conteúdos da semana. Nessa pagina serão “postados” imagens, charges e vídeos, que devem ser compartilhados entre todos os alunos. Essa estratégia nunca foi usada, não que eu saiba, e por isso não tenho chance de antecipar as consequências dessa empreitada. Espero que tudo ocorra bem e que os estudantes não apenas “passem de ano”, mas aprendam alguma coisa útil para utilizar no dia-a-dia deles.

COMENTÁRIOS

As primeiras aulas foram de observação, mas ainda assim, logo de inicio, fiquei responsável por fazer a chamada e avaliar uns seminários. Foi desconfortável demais ficar na frente de uma turma enorme, sem qualquer preparo, a não ser uma caderneta nas mãos e uma autoridade que parecia só virtual. A dispersão não era coisa rara, mas como culpar alguém, quando os próprios alunos não tinham entusiasmo para aprender; não eram seduzidos a nada. A reflexão parecia um peso que se esforçavam logo para retirar das costas. Era uma tarefa chata e sem proposito, como se não houvesse uma exigência pratica

para tudo aquilo. Tão acostumados que eram de absorver, decorar e reproduzir o que ouviam, a análise era uma novidade custosa.

Minha primeira aula foi hoje e embora não tenha me saído tão bem quanto gostaria, acredito que o encaminhamento dela foi agradável. Deixei claro minhas intenções e minha linha de raciocionio, sem esconder nada. Que eles saibam que a transparência é uma virtude e que deve ser exercida por cada um, não apenas pelo politico em tempos de eleição. Esclareci que a sociedade é um complexo de lutas e que nenhum interesse prevalece sobre o outro por alguma propriedade sobrenatural, mas em função justamente desses conflitos. Expus que é desse ponto de partida que eu analiso a sociedade, o que não exclui outras maneiras de enxergar as coisas. O critério de minha escolha acaba recaindo de novo no poder e no interesse, e ainda que queira dar privilegio aos meus argumentos, só tenho minhas justificações para usar.

O tema “movimentos sociais” foi simples de ser discutido, até pela proposta de trabalhar com uma sociologia do poder, não importando aqui as origens desse conceito, o que é sempre variável. Quis trazer para a vida concreta daqueles estudantes essa discussão, o que não foi difícil, já que havia uma facilidade de autoidentificação no próprio tema. Próxima aula, será feito uma roda de discussões a respeito de experiências de discriminação, criando uma boa chance de fechar o tema.

CONCLUSÃO

A sociologia no ensino médio, de um modo geral, é reduzida a um exercício mecânico de pensamento, esquecendo que sua principal motivação, desde o inicio, foi a critica e a análise. Os alunos perdem a chance de ter em mãos uma excelente ferramenta para lidar com o mundo e com seus problemas; ao invés disso, abraçam os conteúdos e os critérios da maneira mais imediata que se possa imaginar. Isso não se deve a um tipo de falha coginitiva dos alunos, mas apenas uma falta de demanda externa, um vazio de possibilidades quando o assunto é a aplicação pratica desse ensino. Eles não precisam de inteligência, o que sem duvida eles tem de sobra; eles precisam de motivação e de uma certeza de que não será inútil uma empreitada sociológica. Caso contrário, por que perder tempo? Por que focar a atenção em algo abstrato, sem sentido, quando existe de maneira mais imediata sejam cursos técnicos, seja um emprego informal no comercio.

ANEXO: