Bernardino de Matos: É hora de partir
Marco Fontolan: A voz de um rio
Marco Fontolan: A poesia
Marco Fontolan: Haicais
Luis Filipe: Retalhos de uma aldeia
Luis Filipe: Mais uma esquina de rua
Luis Filipe: Teu jeito
Luis Filipe: Naturalidades
José Geraldo Martinez: Você é linda
José Geraldo Martinez: Ilusão
José Geraldo Martinez: Dê-me Senhor
Mercília Rodrigues: Amante
Mercília Rodrigues: Ainda o sonho
Márcia Possar - Arritmia
Vera Mussi – Ontem, tanta felicidade
Carmo Vasconcelos – Pudesse eu ser...
Gui Oliva – Responde coração
Carmo Vasconcelos – O último grito
Vera Mussi – O toque de Deus
Carmo Vasconcelos – Fogo preso
José Geraldo Martinez - Sábio
José Geraldo Martinez – Minha bandeirante
Alceu Sebastião Costa – O poeta, a ética e o fingimento
Gui Oliva – Sou o mar
Vera Mussi – Nas mãos de Deus
Lêda Mello – O toque das mãos (Prece de uma Reikiana)
Vera Mussi – Coisas da vida, onde a morte jamais alcança
Rose Mori - Procura
Lêda Mello – Mirante
Alceu Sebastião Costa – Contemplando o Redentor
Jenny Londoño – Reencarnações
Armando Ribeiro – J’aime les roses
Lêda Mello - Madrugada
Alceu Sebastião Costa – Bem-Vinda Estação Outono
Mercília Rodrigues - Outono
Lêda Mello – Estação Alegria
Isabel Machado – Benditos – (Bons amigos (vulgo)
Vera Mussi – Doce morrer a cada dia (reflexão)
Lêda Mello – Cantos da Alma
Alceu Sebastião Costa – A minha rosa amarela
Carmo Vasconcelos - Amigo
Eugênio de Sá – Carta Poética
Vera Mussi – Eterno Amanhecer
Lêda Mello – Eu Sou
Johayna Soares Merlin – Os sons da cidade
Manoel de Barros – O menino que carregava água na peneira
Manoel de Barros – Coletânea escolhida – 9 (nove) poemas
Sylvia Cohin – Um breve suspiro
Eliane Trisca – Sonhos de maçã
Gui Oliva – Regendo a vida
Delasnieve Miranda Daspet de Souza – Poemas escolhidos
Delasnieve Daspet - O suicida não quer se matar - quer matar a sua dor
Lady Foppa (poeta goiana) – Poeta peregrina
Sylvia Cohin - Rastros
Mercília Rodrigues – Doce Amor
Alceu Sebastião Costa – Pimenteira Ornamental
Sylvia Cohin – A qualquer preço
Vera Mussi – Resquícios d’alma

















Cleide Canton – Canto sem lua
Cleide Canton – Deixa na paz os versos meus
Dalva Algne Lynch – Separação de bens
Alberto Peyrano - Espada y corazón
Vera Mussi – Um minuto
Alfredo Cuerco Barrero – Fica proibido (Queda prohibido)
Alceu Sebastião Costa – Que pena!
Ferdinando Fernandes – Hino da indiferença
Sylvia Cohin – Vamos voar...
Lêda Mello – Sim, eu posso
Suely Nassif – A dança das flores
Suely Nassif – Tua ausência – Para Pedro Elias
Sylvia Cohin – Esse dardo inserto
João Coelho dos Santos – Não importa
Ferdinando Fernandes – Porta da saudade
Suely Nassif – A meu pai (in memorian)
Carmo Vasconcelos – Ruma à incerteza

Alceu Sebastião Costa – O refluir da primavera
Alceu Sebastião Costa – Vínculos e Vibrações

É HORA DE PARTIR!
Bernardino Matos

Uns partindo, outros chegando,
é a vida em movimento,
mas quando chega o momento,
de a mala ir arrumando.
a gente fica escutando,
a canção de um lamento,
que açoita o sentimento,
encabresta aquele afeto,
que aqueceu nosso teto,
e deixa a alma chorando.
A gente arruma as lembranças,
deixa o adeus num cantinho,
cuida pra que o carinho,
tão presente nas andanças,
eivadas de esperanças,
não se amasse com a tristeza,
não amarrote a leveza,
de um amor outrora infindo,,
que aos poucos foi sumindo,
no trotear das nuanças..
A gente deixa um espaço,
onde se guarda a ternura,
bem longe da amargura,
que deixa aquele mormaço,

que, o tempo, passo a passo,
com sua sabedoria,
com o dom de sua magia,,
o amor vai restaurar,
um amanhã vai raiar,
longe desse embaraço.
E depois de tudo pronto,
resta somente a partida,
uma triste despedida,
onde não vale o confronto,
dá-se à saudade um desconto,
que se supunha sem fim,
que não terminasse assim,
mas se não há mais carinho,
resta somente um caminho,
sair sem bater o ponto.
Se o amor é verdadeiro,
há uma nesga de ternura,
não há nódoa de amargura,
e a chama de um candeeiro,
qual a vela de um veleiro,
traz um clima de aconchego,
e a réstia de um apego,
mantém-se frágil e serena,
o que torna mais amena,
o acorde do violeiro.

Fortaleza, 19/05/11

Título

A voz de um rio
Marco Fontolan*

Eu nasci numa fonte
Escondida embaixo de árvores
Frondosas e sombrias
Ao pé de um morro
Dentro de uma mata densa
Escura e fria
Sou este rio que corre
Sou este rio que desce
Sou este rio que avança
Este rio que passa...
Este rio que canta.
Este rio que se alarga
como parte de um mundo
falo a voz do tempo
não penso, não ouço
Não tenho respostas a dar
ou perguntas a fazer
Sou um rio, apenas
um rio que corre
um rio que desce.;..
Um rio,

que some entre a espessa
Mata virgem
e depois reaparece!

*Marco Antonio Benassi Fontolan é formado em Direito na USP, pós-graduação em Literatura
Brasileira na PUC e Mackensie. Nasceu na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo, SP.
Tem participado de várias antologias, inclusive foi premiado numa antologia de contos, editada
pela Fundação Cassiano Ricardo, de São José Campos.
Obras publicadas: Viajante do Tempo (poemas) e Pedaços de verão e outras histórias (contos).

Título

A poesia
Marco Fontolan
A poesia está em tudo
Nos instantes do dia
Na chuva que cai
Na ventania.
Em jardins inacessíveis
Em brejos lamacentos
Em toda as coisas
A poesia está no ar
A poesia está no mar
E mesmo que um dia.,
Nem venha a ser mais escrita
Ainda assim, sempre existirá.
A poesia é invisível

Título

Haicais
Marco Fontolan
Luzes na neblina
da estrada que cruza a serra
num dia de maio
Colheita de frutos
de um cajueiro em flor...
- imagem tropical
Dezembro chegando
dias contagiantes, alegres
- festas e presentes
Dezembro chegando
chuvas de verão, intensas
- Natal se aproxima
Cesta com várias frutas
sobre a mesa da família
- no final do ano
Tempo de colheita
de certas frutas tropicais,
- caminho entre os pés
Mangas caem pelo chão
num dezembro radiante
- muitas festas virão

No final do ano
frutas, frutas... muitas frutas
trabalho, colheita
em uma esquina
grande ipê, deslumbrante
- embeleza tudo...
Na mata fechada
uma embaúba surge...
- folhas prateadas...
a lua caminha
sobre uma rodovia
- onde tudo corre
no jardim, um jasmim
perfuma a noite no verão
- intenso aroma...
Maracujá em flor
lá no meio do quintal
- aroma e sabor
Num canto do quintal
mangas despencam do pé
- sobre o gramado
canta o sabiá
entre as árvores do quintal
como antigamente.

Título

RETALHOS DE UMA ALDEIA
Luis da Mota Filipe*

Aqui…
Onde o bom dia baila de boca em boca numa dança natural, as manhãs brindam-nos com
a pureza das gotas de orvalho.
Há cheiro a campos viçosos e a perfumes que vivem nos estendais de roupa sempre que
se encontram povoados.
Os beirais acolhem sinfonias, anunciando a estação dos amores.
O toque do sino na torre é o orientador fiel para os que andam mimando as suas
fazendas.
Diariamente, em cada morada, fumegam iguarias saloias compondo buchas, merendas e
ceias.
Postigos gastos são enfeitados com a brancura da arte rendilhada.
O rossio, o mirante, a sociedade, o chafariz, o rio e o poço, são os padrinhos briosos de
algumas ruas e largos.
Enquanto os pátios namoram com as travessas e os becos cobiçam as ladeiras, bancos
improvisados, aquecidos pelo sol, servem de palco aos temas da vida alheia.
Agosto é mês de branquear casas e muros, para que possam combinar com a pureza dos
jardins de fé que se carregam aos ombros.

Neste canto saboreia-se a tranquilidade, respirando-se das marcas seculares.
Nesta terra que beija o céu, os dias morrem mais depressa e as noites nascem mais
cedo.
Na aldeia, todos são primos e primas. Os sorrisos e as lágrimas são comunitários,
partilham-se dores e alegrias.
Não se fantasiam sentimentos. Tudo é mais autêntico e a vida brota… ao sabor dos
versos apinhados de rimas de verdades.

* (Anços – Montelavar – Sintra - Portugal)
In:geoGRAFIA do Silêncio, Edium Editores, 2010.

Título

MAIS UMA ESQUINA DE RUA
Luis da Mota Filipe*
No palco turvado das madrugadas enganosas, o cenário é avesso à cor da esperança.
Naquela esquina de rua, passos de provocação abafam o medo.
As bonecas trajam vestes enaltecendo os seus contornos,
há movimentos ensaiados que adivinham a acção relâmpago.
Os pássaros surgem agrestes num cântico de devaneio,
pousando impacientes seus venenos poluidores.
Há vestígios que o líquido mais puro não branqueia nem apaga.
Quando as manhãs surgem sombrias nos corpos exaustos,
lacrimosos rios fluem pelo deserto.
A sede de amar é maior que a vergonha.

Só este desejo,
vai suavizando o seu divórcio da felicidade.

*(Anços – Montelavar – Sintra – Portugal)
In “geoGRAFIA do Silêncio”, Ed.Edium Editores, 2010.

Título

TEU JEITO
Teu falar cativante,
Teu cheiro agradável,
Teu olhar ternurento,
Teu toque delicado,
Teu abraço envolvente,
Teu beijo doce,
Teu amar encantador,
Teu ser maravilhoso,
Tua presença… desejada
ambicionada
amada

Luis da Mota Filipe
(Anços – Montelavar – Sintra – Portugal)

Título

NATURALIDADES
Meus versos são os gritos de esperança
Percorrendo um mundo de magia
Frases que se embalam numa dança
Lembrando o valor da ecologia
Rimas são natureza em alvorada
Cores da vida mais bela e sã
Gotas de um orvalho à chegada
Dum dia que começa na manhã
Tantas palavras que eu invento
São as inspirações do momento
Com as quais me apetece brincar
Histórias mil, feitas ao vento
Entre alegria e o lamento
Onde o ambiente eu vou amar

Luis da Mota Filipe

Título

VOCÊ É LINDA!
José Geraldo Martinez

Tu és tão linda senhora...
Não consegues enxergar?
A doçura que tens quando sorris,
a meiguice que transborda em teu olhar...
Tu és incrivelmente linda!
Ainda que sem te arrumares...
E nem te percebes, senhora,
quando no espelho a te contemplares?
Traços que mostram uma vida
marcada de lutas vencidas?
Os sonhos que eu te entrego no colo,
que me foram de eterna guarida...
Quando te vestes...
Arrancas-me ainda arrepio!
E teu cheiro de absinto...
Apura-me o instinto esta loba no cio!
Tuas mãos quando me tocam...
Meus pecados invocam, amada minha!
E, ao teu gozo, entrego-te ao céu, mulher que amo...
Com minha alma inteirinha!

Não percebes a tua sensualidade?
O poder que ainda tens nas mãos?
Quando me vês, ainda submisso a teus encantos,
resignado e tal qual um cão?
Não confias em ti?
Na leveza que carregas no coração.
Teu corpo, nem me lembro, esqueci...
Vejo além da carne que me entregas com paixão!
Mulher, tu és linda!
Tanto, tanto, tanto...
A mim seja sempre bem-vinda, que o tempo
ainda
não conseguiu roubar teu encanto!
09/05/2011

Título

ILUSÃO....
José Geraldo Martinez

Espera-me que não demoro!
Sou uma ilusão qualquer...
Destas que não buscam um rosto ou colo,
de quem na verdade as quiser!
Desde que não me percam, um dia chego...
Com vestes de sua imaginação!
Por favor, não me cobrem realidade,
sou apenas ilusão!
Deixarei meu rosto vocês esculpirem...
E até meus lábios beijarem!
Terei a cor dos olhos como quiserem,
os cabelos como gostarem...
Serei alto, baixo, mediano, não importa!
Gordo, magro, careca...
Um tipo que as agradam com certeza
e suas fantasias emprestam!
Serei poeta, bombeiro, policial,
um super herói...
Um personagem casual
que, no virtual, seu libido constrói!

Levarei-as nos braços gentilmente...
E dançaremos o quanto desejarem!
Cantaremos noite a dentro alegremente,
melodias com lindos luares...
Faremos amor a bel prazer,
onde nossas mentes nos levarem!
No carro, no mar, no rio, no banheiro...
Em todos os lugares!
Sou a fantasia amiga do(as) sonhadores...
Não me cobrem a realidade!
Sou pueril, efêmera...
Tenho o corpo da irrealidade!
Sou de alguns as lágrimas e
de outros a saudade...
Vento nas mãos que me apertam,
daqueles que buscam a verdade!

12/5/2011

Sou nada, sou tudo ao mesmo tempo...
Sem mim? Morreriam os sonhos!
( Martinez)
martinez.ata@terra.com.br

Título

DÊ-ME, SENHOR...
José Geraldo Martinez

Dê-me, Senhor, uma mulher
cuja fé consiga transformar-me inteiramente!
E que me faça levantar dos tombos e, com meus próprios pés, no aprendizado seguir em
frente.
Uma mulher de Deus...
Com resignação e sentimentos puros!
Que eu farei com ela levantarem os ateus,
incrédulos, ao Pai, tão obscuros...
Dê-me, Senhor, uma mulher bendita!
Eu gritarei ao mundo teus ensinamentos e de
minha fé, também contrita...
Levantarei os pecadores num só momento!
Dê-me, Senhor, uma mulher de verdade,
que as bainhas não terão mais espadas!
Os conflitos estarão terminados,
na força viva desta mulher amada...
Dê-me, Senhor, uma mulher à Tua imagem e
deste espelho serei cópia fiel!
Quando nesta terra em pueril passagem
possa nos receber ao teu lado, com glória ao céu...
Dê-me, Senhor, uma mulher companheira,
uma profeta poderosa!
Serei capaz de enfrentar os canhões,
tombar os soldados com buquês de rosas...
Hei de edificar os teus santuários destruídos,
o nosso mundo perdido!
Dê-me, Senhor, uma mulher que eu ame o suficiente,

para me deixar mais perto de Ti.
19/5/2011
"Inspirado no belíssimo texto de Oswald Chambers. "

Leia o texto a seguir que o Poeta citou e se inspirou...
é belo demais....
(colaboração da poeta Vera Mussi)

"Dê-me um homem de Deus - um homem,
Cuja fé seja mestre de sua mente,
E eu removerei todas as transgressões
E abençoarei toda a humanidade.
Dê-me um homem de Deus - um homem,
Cuja língua seja tocada com fogo do céu,
E eu incendiarei os corações mais impuros,
Com grande determinação e desejos puros.
Dê-me um homem de Deus - um homem,
Um profeta poderoso do Senhor,
E eu lhe darei paz na Terra,
Conquistada com oração e não com espada.
Dê-me um homem de Deus - um homem,
fiel à visão recebida,
E eu edificarei seus santuários quebrados,
E conduzirei as nações aos seus joelhos."
(Oswald Chambers)

Título

AMANTE
Mercília Rodrigues

Cubro meu pudor com teu abraço,
em noite de sensatez tão pouca!
Encontro ainda calor no teu abraço...
Sinto teus beijos atrevidos em minha boca.
Meu corpo responde a teu carinho,
no aconchego sedutor de teus cabelos.
Deixo fluir a chama de mansinho,
evoluindo no ardor de teus apelos!
Loucos! Loucos de paixão em desatino!
Param as horas... Silencia o mundo .
Dois corpos enlaçados no carinho
inebriados de prazer profundo.
Somos um no vivido desvario.
Abandono, então todo pudor.
Entrego-me completa, corpo em cio
meu ser que responde ao teu calor!
Arranca de mim esta entrega!
Nada sei, pois a paixão me cega.
Toma-me o corpo que te quer...
Neste momento sou amante, sou mulher!

Owner: Eme Paiva
Moderadoras: Anna Peralva, Marilda Ternura, Eliana (Shir)

Midi: Aranjuez Mon Amour
Tube: Nikita e Site Laumidia
Arte e formatação Marilda Ternura

Mercília Rodrigues nasceu no mês de junho em Monte Alto (São Paulo).
Sendo a pequenina de uma família de cinco filhos cresceu na vila, no campo. Rodeada
pela simplicidade das pessoas e o carinho dos seus. Sonhadora, conheceu José casou e
com ele teve um casal de filhos.
A menina ficou nas lembranças do passado... Nascia uma nova mulher, ave mãe
protegendo e educando as crias num ninho de amor e ternura.
Atualmente reside em Araçatuba. Licenciada em Português exerceu o magistério por
aproximadamente trinta anos. Hoje se dedica à poesia almejando a ampliação cultural e
troca de conhecimento entre amigos.
Seus poetas preferidos: Drummond, Fernando Pessoa, Cecília Meirelles e Ferreira Gullar.
Mercília é a essência pura da poesia, tem o dom de fazer com a gente embarque em seus
versos e voe ao encontro dos seus sonhos...
Tal encontro só é possível pelo lirismo poético, pela sensibilidade exposta em seu estilo
singular de poetar.
Ela conhece profundamente as variações e movimentos de cada palavra, pois escreve
com a alma!

Anna Peralva

Título

AINDA O SONHO
Mercília Rodrigues

Fujo de conflito e inutilidades.
Teimosa sou com a vida e acredito
no hoje pleno de possibilidades,
num amanhã abrindo portas, bendito!

Abraço o tempo sem qualquer tristeza
e arrumo em sonhos a mala de viagem.
Olho pra o futuro com a certeza
de levar esperança na bagagem.

Se me veem como maluca? Beleza!
Quero olhar até o universo com coragem
e ter gratidão pela sua grandeza!

Sei que, no final de sonhos em viagem,
haveremos de ver, com sutileza,
os que puseram sonhos na bagagem!

mercilia.rodrigues@terra.com.br

Título

Arritmia
Márcia Possar*

E foi assim, com um pé na estrela.
Foi querendo sê-la
que entreguei-me à sua parecença.
Deixei-me cintilar de seu brilho trepidante,
para, quem sabe, ou até que pudesse,
me ver volível desse acaso,
que foi dos meus acasos
o maior e mais excedível.
Quis-me pauta
para conter-te em dó maior.
Quis-me versos e odes.
Quis-me leve, solta,
para que, ainda que em prelúdio,
pudesses ouvir-me dos teus acordes.
Fiz-me brilho e calor,
fiz-me música e fiz-me musa
para ouvir-te em declaração de amor!
E ouvi teu canto... Meu encanto...
Recanto de insensatez em noite de lua,
onde me quiseste nua e eu... Quis-me tua!

Rua escura cheia de madrugadas,
cheia de loucura,
para sempre e inteira das tuas baladas.
Chamadas...
Foram as marcas da falta de ritmo
daquela minha estrela louca.
Centelha falta de mim,
que me fazia cismar.
Que me fazia pouca,
para tanto desvairar,
como se o que de anuência em mim,
não me fosse bastar.
E foi assim que eu parti.
Foi nessa trama,
que o meu drama virou poesia.
Foi nessa arritmia
que chamei e ainda chamo por ti...

*****************************

*Nasceu em Santo André (Grande ABC Paulista) - SP no dia 30 de
setembro de 1957, atualmente mora na Cidade de Uberaba - MG.

Título

Ontem, tanta felicidade
Vera Mussi

Tudo muda em função do passado,
tão recente !
O inesperado, a cada dia,
alavanca nossas escolhas do presente
Repleto de magia...
O ontem não nos pertence
É a presença da "vontade ausente"
É nuvem passageira...
transformando o momento em
pensamento "sem eira nem beira..."
O sentimento ignora
( joga fora)
as lembranças de outrora...
Agora, a emoção é estrangeira!
Da razão, é simples a consequência
Fala-se de um Amor - ominisciente!!
Na cor azul da transparência...
O coração continua reluzente
As escolhas entre o Eu e o Tu, imanentes
repelem o "Nós"- em contradição...
Uma "vontade ausente"
é o fruto do adeus consciente,
à voz da ilusão amante.

A divergência entre o segredo e os fatos
É gritante!
Vence o enredo dos boatos...
Impertinentes!
Foram sonhos inadimplentes
Verdades incoerentes.
Ontem, tanta felicidade!
Hoje, nos caminhos distantes,
morre a saudade de antes...

"Bem que eu quis te ofertar meu destino, meu sonho,
minha vida, e até mesmo esta efêmera glória
que desperdiço a cantar nos versos que componho...
Nada quiseste...E assim, os sonhos que viviam,
se ontem, puderam ser um começo de história,
hoje, são dois caminhos que se distanciam..."
J.G.de Araujo Jorge

Título

PUDESSE EU SER...
Carmo Vasconcelos
Pudesse eu ser...
A concha onde abrigas
pérolas de palavras inúteis
O cofre onde ocultas
jóias de pensamentos calados
A ânfora onde derramas
cristais de lágrimas antigas
Pudesse eu ser...
Faísca e fogo
na lenha húmida dos teus olhos
Sol e Lua
na sombra difusa do teu corpo
Verde e água
na aridez do teu deserto
Pudesse eu dizer...
Pertenço-te!

***
(In "Geometrias Intemporais" - publicado em Maio/2000)
Publicado no Recanto das Letras em 08/04/2005
Código do texto: T10392

Título

RESPONDE CORAÇÃO
Gui Oliva
Diga coração...responde neste curto espaço,
explique para mim, nesse entrelaço do amor
o que significa e o que se sente num abraço?
mas não o disfarce em calor de amizade, por favor.
É bem verdade que, para bater,
o amor tem de ser um grande amigo,
mas ele às vezes pulsa um sofrer tão dolorido,
e nem sempre um amigo é um amor antigo
então, diga coração sem mais demora,
um abraço é como um amasso prévio da massa?
é verdade que no seu descanso não cumpre hora,
pois é requisitado a embalar beijos, enquanto abraça?
Confirme coração, se o amor continua a privilegiar
entre os corpos, o enredo desse fio que não dá nó,
quando os amantes sob os lençóis vão se amar
e braços, pernas e sexos se realizam sendo um só.
Conte para mim coração se os gemidos bradados
quando explodem chegam solitários
ou de um retesado abraço vêm acompanhados?
Finalmente coração me segrede agora, no cansaço,
após o gozo final quando o silêncio ronda os olhares,
o até breve ou o adeus se faz, cada um vai embora
ou permanecem por instantes, que parecem séculos,
quentes e unidos em um novo e renovado abraço?
concluo coração...tanta indagação só causa embaraço!
março/2007
www.vidaemcaminho.com.br

Título

O último Grito!
Carmo Vasconcelos

Hoje apetece-me gritar!
O tempo já se vai fazendo curto para soltar os meus ecos
Limitado para esvaziar tantos gestos recalcados
Exíguo para extravasar tanto amor
Urgente para toda me entregar
Não tentem sufocar-me, senhores!
Não mais calarei os meus ardores
Direi "amo-te" a quem amo, direi "quero-te" a quem quero
Beijarei a boca que me chama
Enlaçarei o corpo que me inflama
Preguem-me os letreiros que quiserem
Apelidem-me de tonta, idiota, ridícula se preferirem
Estou-me nas tintas!
Recuso-me a vestir essa farpela
Não condiz com a genética da minha pele
Já abortei muitos abraços, embalsamei o corpo
Deixei morrer à fome filhos-beijos
Congelei cios e desejos
E matei à nascença inocentes palavras de amor
Basta! Mais assassinatos, não!
Pouco me importam os epítetos!
Tenho as costas largas, um peito imenso
Dilatado de tantas emoções contidas
Não posso protelar tudo para outra encarnação
A minha alma está em fim de gestação
Placenta a rebentar de nados-mortos. Sonhos que calei

Passos que não dei, amores que não vivi
Corre-me nas veias um rio de desafectos
Não me enjeitem os beijos, não me amarrem as mãos
Não me devolvam carícias
Não aceito devoluções!
Deitem no lixo se vos forem de sobra
Haverá sempre os subalimentados que catarão delícias
Nos contentores dos rejeitados
Não me impeçam de gritar o amor
Enquanto a matéria vibre e tenha sangue e tenha voz
Porque o amanhã pode não passar de hoje
E ser chegado o tempo de me levar de vós
***
Janeiro/2007
ninita.casa@netcabo.pt

Título

O Toque de Deus
Vera Mussi
Reflexão
"Quando as cordas de minha vida se afinarem,
a cada toque Seu soará a música do amor."
Rabindranath Tagore, O Coração de Deus

Caminhei pelas veredas de tantas verdades!
Busquei Deus em todas as esquinas...
Encantadas poesias, peregrinas,
Foram escritas
Na alegria do amor, sem rimas...
Entre as ídas e vindas...
Tantas portas abertas ao léu...
Quantas graças recebidas
Milagres do céu!
Nas manhãs frias de abril
A saudade febril
Da felicidade espiritual!
Meditei ... Meditei...
Sobre as bençãos das dores
Meditei...Presenciei...
Um arco-íris de mil cores...
Nas cordas deste coração...Soará
A música do Amor divino

Em sentimento...Ouvirá
A voz do destino...
O toque de Deus...Reinará
Sem julgamento!
No âmago da minh'alma
Há de restaurar a calma
E... Além ....Muito além...
A Paz do Supremo Bem!

Vera Mussi
1ºde Julho / 2011
http://www.veramussi.com.br/
Poesias Especiais

Título

FOGO-PRESO
Carmo Vasconcelos

Tenho um poema atado na garganta,
Como uma espinha aguda atravessada,
Cingido ao fogo-preso que o não canta,
Hirta a língua, pla verve não largada.
E a mágoa que bebi, por não ser pouca,
Pela afronta, de fel envenenada,
Traz ressaca de gelo à minha boca,
Pela amarga revolta não gritada.
Porém, se ao rubro a mágoa se agiganta,
Deitada ao gelo, breve é desmanchada,
E porque lisa… a pena já não espanta.
E liquefeito o mote, então sustido,
Corre a mágoa na verve deslaçada,
Vai-se a espinha, e o poema é engolido!

***
Lisboa/Portugal
Setº/13/2010
***
http://carmovasconcelos.spaces.live.com
http://carmovasconcelosf.spaces.live.com
http://eisfluencias.ecosdapoesia.org/

Título

SÁBIO!
José Geraldo Martinez

Hoje eu lhe entrego a minha alegria...
Somente agora a descobri!
Foram tantas buscas mundo afora,
na ilusão inútil que nos devora e
você esteve sempre aqui...
Hoje eu lhe entrego meu sorriso livre...
Tal qual dos homens aliviados!
Um abraço que em minha busca eu nunca tive,
que me deixasse feliz e confortado...
Hoje, este que corre com você na chuva,
é o menino que habita em todo homem...
Feliz simplesmente!
Ainda que a vida o tivesse reservado tantas surras!
Nada a estranhar quando se passa
dos cinquenta, tudo se reinventa...
São poucas as coisas que nos parecem
absurdas...
Uma delas é amá-la só agora,
quando o tempo é tão pequeno!
É que o amor este fato ignora,
quando sublime, o sabemos...

Ah! Meu amor, se o mundo
meu grito ouvisse:
Feliz eu fui em minha juventude
e lhe encontrando...
Sábio eu fui em minha velhice!
01/6/2011

Título

MINHA BANDEIRANTE!
José Geraldo Martinez
Hoje sou todo entrega...
O melhor de mim está a tua frente!
Com os braços abertos minha alma te espera...
Entra!
E te apossas de tudo que nela tem...
Das infinitas noites estelares,
onde abrigam os mansos luares,
com praias intocadas e mares
jamais visitados por alguém!
É toda tua...
Com céu azul nas alturas,
onde voam os mandarins...
Com manhãs completamente nuas,
a mostrarem a dança dos jasmins!
Entra!
E te apossas de tudo:
Deste amor sublime a te esperar,
livre, solto e leve...
Coberto de entrega somente
a esta mulher que acabou de chegar!

Tem frutos pendidos nos pés
dos infinitos pomares esparramados...
Com relva fresca a nos banhar os pés,
por caminhos serpenteados!
Hoje sou todo entrega...
Faze de mim o teu banquete,
o teu café matinal!
Cobre-me com flores em ramalhetes,
de meu corpo o teu quintal...
Sou aquele que mais te amou
sobre esta mísera terra!
Onde a alma te entregou
virgem, pura e bela...
És minha bandeirante!
Faze de minha alma teu recanto hospedeiro...
Eterniza em ti este sublime instante,
marcado por um amor d'antes,
desbrava-me inteiro!
12/6/2011

"É dentro de cada um que todas as perguntas são respondidas e todos os sonhos se
realizam...
Existe aí uma luz que lhe mostra o caminho e que
faz acontecer o melhor."
(A.D)

Título

O POETA, A ÉTICA E O FINGIMENTO
POETA ALCEU SEBASTIÃO COSTA
São Paulo, 16 de janeiro de 2002

Finjo que sou fingidor,
Como o falso poeta
Se faz arauto do amor.
Assim, até oculto a dor
Do cotidiano, da vida,
Qual máscara colorida.
Fazer poesia fingida,
Por mero fingimento frio,
Me fere, me constrange,
Pois, da ética, ao arrepio.
Se me chamam poeta,
Apenas fingindo louvor,
É aval que me atesta
Ser poeta e fingidor.
Se, por conta do original,
Eu já nasci em pecado
E, do amor, fui perdoado,
Por fingimento culposo,
Como seria eu onerado?
Fingir que sou fingidor,
Confesso, não me afeta,
Só quero manter “in albis”
A minh`alma de poeta.

Título

SOU MAR
Gui Oliva
Sou como ele já cantado em poesia,
selvagem, insubmisso,rebelde e calmo,
brumas nesse vem e vai,voltas da vida
e ondas que se desmancham em espumas.

Sou seu mergulho fundo a recitar um salmo,
à margem tento encontrar os pés descalços,
com força bato nos costões e sigo no encalço
das marés mansas,a encontrar quem beijo e salgo.

Sou as águas espelho dos voejos de gaivotas,
sou parte de um porto que espera ser seguro,
e quero sempre ser um mar do amor que clamo,

se insano lançar tempestade em minhas grotas,
sou maré dos desenganos,no tempo escuro
viro um oceano de perdas...um mar profano.
Santos/SP 01/07/07
Versos revisados em 2010
http://www.guioliva.com.br

Título

Nas mãos de Deus
Vera Mussi
Reflexão
Eu segurei muitas coisas em minhas mãos, e perdi tudo;
mas, tudo que eu coloquei nas mãos de Deus, eu ainda possuo.
Martin Luther King

No passado conquistei afetos queridos
Dividi anseios amadurecidos
Sonhei sonhos, já esquecidos...
Tantos amores rejuvenescidos
foram mantidos por tanto tempo...
Segurei em minhas mãos
frágeis e pueris...
Pensei ...
Em horas inúteis...
Pensava...
Pensava ter conservado
eternos os antigos valores...
Grande aprendizado
De todas as cores...
Estavam todos em meu poder
Eram todos passageiros,
bem distantes do verdadeiro Ser!
Em pleno viver terreno

Eternamente sereno...
Sem qualquer compromisso
Por isso...
Perdi tudo!
Até o imenso "silêncio"
fez parte desse "tudo"
que eu não consegui
colocar nas mãos de Deus...
Não entendi o porquê!
Mudei a rotina, mais uma vez!
Aos poucos me convenci
de que somente
a essência purificada,
colocada nas mãos de Deus,
tornar-se-ia a joia preciosa,
lapidada por Ele,
cujo brilho incomparável
haveria de iluminar a vida
de todos aqueles que se envolveram
em minha vida,
de valor inestimável!
Agora, tudo possuo!
Nada mais desejo!

Vera Mussi
03.08.2011
18:00 hs

http://veramussi.com.br/

Título

O TOQUE DAS MÃOS
(Prece de uma Reikiana)
Lêda Mello
Pai,
sou parte de um todo,
mergulhada na imensidão cósmica,
no lugar em que é preciso que eu esteja.
Que eu permaneça ao Teu serviço,
em comunhão com todas as criaturas.
Ilumina a minha mente e o meu espírito,
para que eu trilhe os caminhos
da serenidade e do discernimento.
Purifica o meu coração
para que a energia que passe através dele,
em direção às minhas mãos,
continue repleta do Teu Amor.

Pai,
abençoa as minhas mãos
para que elas sejam mensageiras
da Tua Paz e do Teu Bem.
Que elas sejam suaves e acolhedoras
na distribuição dos Teus dons.

Que elas levem a luz da Tua harmonia
aos seres por elas tocados.
Que elas conduzam até meus irmãos
a Tua amorosa energia de cura.
Que as minhas mãos sejam instrumentos
da manifestação do Teu infinito Amor.
Assim seja!

Arapiraca (AL) - Brasil

Título

Coisas da Vida...
Onde a Morte jamais alcança!
Vera Mussi
21.08.2011
Em momentos de esperança musicada
Entrego tudo nas mãos do destino...
Faço das horas...
A meditação predestinada
Tudo o que foi outrora
Se repete nesse momento divino!
Um amor que não morre
Renasce a cada instante...
Nos espaços siderais...
Sempre cantante!
O sonho...
Nunca fenece
Desde o amanhecer...
De outra forma, acontece...
Deseja sobreviver!
Coisas da Vida... Bem vivida
Pensamentos...Espirituais
Virtudes celestiais
Sentimentos de esperança...
Sublimando a Boa Sorte
Onde a Morte...
Jamais alcança!
****

Título

Procura
Rose Mori
Mergulhei fundo no passado
à procura do meu eu mais profundo,
numa tentativa de resgatar
os sonhos e as ilusões
que a vida arrebatou...
Procurei inutilmente
Por minha auto confiança,
Por meu amor próprio
Por minha fé perdida...
Remexi lembranças
no fundo da mente...
vasculhei recordações
no imenso emaranhado
de minhas emoções
e não encontrei nenhum vestígio
do que sou hoje.
A única sombra que me acompanhou
nesta jornada interior,
foi a nossa história
que ainda hoje faz história
na insensatez de meu coração.

Título

MIRANTE
Lêda Mello

Assento-me no topo
do mirante do tempo.
Meus sonhos foram barco
singrando o teu mar
de marés oscilantes.
Sorvo o ar impregnado
do mistério que existe
no vaivém das ondas,
entre o luar e a aurora
dos teus caprichos.
A esteira de espuma
é o que resta do teu barco
rasgando as águas,
no oceano insondável
dos teus desejos.
Deixo que a brisa suave
que movia as minhas ilusões
reconduza-me, mansamente,
para as águas tranquilas
do meu porto e remanso.
Arapiraca (AL) – Brasil

Título

CONTEMPLANDO O REDENTOR
Alceu Sebastião Costa

Procuro entre as árvores o responsável,
O iluminado, o arquiteto amável,
Que me deu a visão e o objeto desejado,
O prazer do tato mesmo sem tê-lo tocado,
Distribuiu as cores pelos campos e colinas,
Fez do verde a esperança de quem sonha,
( De azul revestiu o firmamento )
De branco Sua imagem no alto da montanha,
Na moldura, contrastando com a mata,
Tufos de algodão, nuvens alvas, cena rara,
Privilegiado contemplo de perto esse quadro,
Não sei se choro, se rio, se estou mesmo acordado,
De dia ou de noite, não importa a hora,
Como o cuco, embora mudo, me ponho lá fora,
Na sacada, ergo os olhos, agradeço em oração
Ser sensível, poder captar tanta vibração,
Em sintonia com essa força que emana lá de cima,
Faço versos retratando a aura desse clima,
Ousado, peço inspiração para brindá-Lo com rima.
Prezada Amiga Michèle,
Encantado com suas fotos do Redentor, lembrei-me deste poema, que fiz há bastante tempo, inspirado na réplica, muito
menor que o original, existente em Serra Negra-SP.
Estava guardada para você, não acha?
Bjs.
Alceu

Título

Reencarnações
Jenny Londoño*
"Eu venho desde ontem,
do escuro passado e esquecido
com as mãos amarradas pelo tempo,
e a boca selada das épocas remotas.
Venho carregada das dores antigas,
Guardadas por séculos,
arrastando correntes longas e indestrutíveis…
Eu venho da obscuridade,
do poço do esquecimento,
com o silêncio nas costas,
do medo ancestral que tem corroído a minha alma
desde o princípio dos tempos…
Venho de ser escrava por milênios,
escrava de maneiras diferentes:
submetida ao desejo de meu raptor na Pérsia,
escravizada na Grécia pelo poder romano,
convertida em vestal nas terras do Egito,
oferecida aos deuses em ritos milenares,
vendida no deserto
ou avaliada como uma mercadoria…
Eu venho de ser apedrejada por adúltera nas ruas de Jerusalém,
por uma multidão dos hipócritas,
pecadores de todas as espécies,
que clamavam aos céus pela minha punição…

Tenho sido mutilada em muitos povos
para privar o meu corpo dos prazeres
e convertida em animal de carga
trabalhadora e parideira da espécie…
Têm-me violado sem limites,
em todos os cantos do planeta,
sem levarem em consideração a minha idade madura
ou juventude , minha cor ou estatura…
Tive que servir ontem aos senhores,
submeter-me aos seus desejos,
entregar-me,doar-me, destruir-me
para esquecer-se de ser uma entre milhares.
Fui cortesã de um senhor em Castilha,
Esposa de um marquês
E concubina de um comerciante grego,
Prostituta em Bombaim e nas Filipinas
E esse tratamento foi sempre igual….
De um e de outros sempre fui escrava,
De um e de outros sempre fui dependente,
menor de idade em todos os assuntos,
Invisível na História mais antiga
e esquecida na História mais recente
Não tive a luz do alfabeto…
Durante muitos séculos,
reguei com as minhas lágrimas a terra
que devia cultivar desde a infância….
Tenho percorrido o mundo em milhares das vidas
que me têm sido entregues uma a uma
e tenho conhecido todos os homens do planeta:
Os grandes, os pequenos, os bravos e cobardes,
Os vis, os honestos, os bons e os terríveis
Mas quase todos levam a marca do tempo…
Uns manejam vidas como patrões e senhores,
Asfixiam, aprisionam e aniquilam
Outros subjugam almas,
comercializam com ideias
assustam ou seduzem
manipulam ou oprimem…
Conheço-os a todos.
Estive perto de uns e de outros
Servindo cada dia,
Recolhendo migalhas,
Humilhando-me a cada passo,
cumprindo o meu karma…

Tenho percorrido todos os caminhos
arranhando paredes, ensaiando silêncios
tratando de cumprir as ordens de ser
como eles querem,
mas não tenho conseguido…
Jamais foi permitido que eu escolhesse
O rumo da minha vida.
Tenho caminhado sempre em disjunção
entre o ser santa ou prostitua…
Tenho conhecido o ódio e os inquisidores
que em nome da santa madre igreja
condenam o meu corpo ao seu serviço
às infames chamas da fogueira.
Têm-me chamado de múltiplas maneiras:
Bruxa, louca, adivinha, pervertida, aliada de Satã,
escrava da carne, sedutora ninfomaníaca
culpada de todos os males da Terra…
Mas segui vivendo,
arando, colhendo, costurando, construindo,
cozinhando, tecendo, curando, protegendo,
parindo, criando, amamentando, cuidando
e, sobretudo, amando…
Tenho povoado a Terra de senhores e escravos,
de ricos e mendigos, de gênios e idiotas,
mas todos tiveram o calor do meu ventre,
meu sangue e seu alimento
e levaram com eles um pouco da minha vida…
Consegui sobreviver à conquista brutal e sem piedade
de Castilha nas terras da América.
Mas perdi meus deuses e a minha terra
e meu ventre pariu gente mestiça
depois que o meu patrão me tomou à força…
E neste continente mestiço prossegui a minha existência
carregada de dores quotidiana negra e escrava .
No meio da fazenda me vi obrigada
A receber o patrão quantas vezes ele quisesse
Sem poder expressar nenhuma queixa…
Depois fui costureira,
camponesa , servente , agricultora
Mãe de muitos filhos miseráveis,
vendedora ambulante, curandeira,
babá,cuidadora de velhos,
artesã de mãos prodigiosas, tecelã bordadeira,

operária, professora, secretária, enfermeira….
Sempre servindo a todos
convertida em abelha ou semeadeira,
fazendo as tarefas mais ingratas,
moldada como uma jarra por mãos alheias…
Vieram milhões de mulheres juntas escutar a minhas queixas.
Falou-se de dores milenares,
dos enormes grilhões que os séculos
nos fizeram carregar nas costas
e formamos com todos os nossos lamentos
um caudaloso rio
que começou a percorrer o Universo,
afogando a injustiça e os esquecimento…
O mundo ficou paralisado,
os homens e mulheres não caminharam.
Pararam as máquinas, os tornos,
os grandes edifícios e as fábricas,
ministérios e hotéis, oficinas, hospitais,
e lojas e lares e cozinhas…
Nós mulheres finalmente descobrimos:
Somos tão poderosas quanto eles
E somos muito mais numerosas sobre a Terra!
Mais que o silêncio, mais que o sofrimento,
Mais que a infância e mais que a miséria!
Que este cântico ressoe
nas longínquas terras da Indochina
nas cálidas areias de África,
no Alasca e na América Latina
Proclamando a igualdade entre os gêneros
Para construir um mundo solidário
-diferente, horizontal, sem poderes a conjugar a ternura, a paz e a vida
a beber da ciência sem distinção.
A derrotar o ódio e os preconceitos,
O poder de uns poucos, as mesquinhas fronteiras,
a amassar com as mãos de ambos os sexos,
o pão da existência… "·.
*Este poema obteve o 1º premio em 1992 no concurso de poesia “Gabriela Mistral”, em
Quito Equador. A autora, Jenny del Pilar Londoño López, nasceu em 1952 em
Guaiaquil no Equador. É professora, socióloga, ativista na luta pelos direitos e igualdade
entre homens e mulheres.

Título

J’aime les roses
Armando Ribeiro
J’aime les roses pour leur élégance
Leur sourire dans tes yeux
J’aime les roses pour leur fragrance
Et pour ton sourire heureux
Je ne voudrais ni couleur ni parfum
Ce qu’elles sont me suffit
Et ce bonheur me convient
Comme le jour à la nuit
Et puis tant pis si elles blessent
Qu’on puisse pleurer de chagrin
Quand leurs épines on caresse
On ne pense qu’a leur bien
Et on s’enfuit peut-être ailleurs
Seul l’indifférence nous blessure
Puis le cœur chagrin en pleure
Au point de solitude on suture
Mais je les aime pour leur beauté
Puis pour bien des mots et choses
Mais surtout pour leur fragilité
De n’être que des roses…
Photo: Michèle

Título

MADRUGADA
Lêda Mello

Como falar da estrada percorrida,
Se o nada é chegada vã do agora?
Este cansaço que esmaece a vida
É velho porto onde meu barco ancora.
Te via em tudo, através do nada,
Um sonho amado de cada momento.
À luz do sol, na noite enluarada,
Presente estavas no meu pensamento.
Distante vai o tempo em que a esperança
Luzia o coração e, na lembrança,
Suave encanto, cuidado como a flor.
Só saudades são as fiéis companhias
Das noites solitárias e vazias.
O que restaram de um sonho de amor.
Arapiraca (AL) - Brasil

Título

BEM-VINDA ESTAÇÃO OUTONO
Alceu Sebastião Costa
Outono,
Horizonte clareando.
No meu jardim,
Pássaros e flores,
Muita alegria para mim.
Quaresma,
Sexta da Paixão.
Na roseira,
Bela e faceira,
A flor em botão.
Feriado,
Ao descanso guardado.
Na hera sobre o portão,
A passarinhada, engalanada,
Solta o canto em oração.
Natureza,
Encanto e mistério.
No firmamento,
Movem-se as nuvens em desalinho,
Fustigadas pelo vento daninho.

Amizade,
Paz e Amor.
Na Poesia,
Homens e pássaros, em harmonia,
Unem suas preces ao canto da Ave Maria.
Outono,
Folhas mortas pelo chão.
No calendário,
A paixão, a morte e a ressurreição,
Cenário outonal da Renovação.

Título

OUTONO
Mercília Rodrigues

Sempre as estações se repetem ...
Vai-se a primavera florida .
Os ventos então se arrefecem
Hibernam-se a natureza e a vida .
Assinalam as árvores em descanso,
Deixam cair a folhagem no leito,
têm a caule nu e desfeito
aquietam-se no sono em remanso .
Da janela espio o tempo ...
Perfeita a mãe natureza ,
Dá-lhe na vigília um momento ..
A ramagem toda em nudez
aduba o solo em riqueza
dorme a vida esperando a vez !
mercilia.rodrigues@terra.com.br

Título

Estação alegria!
Autora: Lêda Yara Motta Mello

Esquece espinhos, há jardins floridos!
Os tons da vida, festejando o amor!
Sementes mortas geram coloridos
Que, irreverentes, banham cada flor.
Escuta do riacho o suave rumor,
Qual melodia deleitando ouvidos.
Esquece espinhos, há jardins floridos!
Os tons da vida, festejando o amor!
Fé renovada, males esquecidos,
Entoa um hino, um canto de louvor,
Um brinde à vida, em tons agradecidos.
Um novo tempo, doce e aquecedor.
Esquece espinhos, há jardins floridos!
Foto original: Maria Teresa Mathieu (Paris)

Título

BONS AMIGOS (vulgo)
Título: Benditos
por Isabel Machado*

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a
realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

*Isabel Machado
Nota:
a) Esta frase final no poema de Isabel Machado nada tem a ver com o estilo
de Machado de Assis, procure ler: As Rosas/Crisálidas
b) vem sendo atribuída a Confúcio: "There are people who cry knowing roses have
thorns. Others smile because thorns have roses”. (Confucius) e ao personagem de Tom
Wilson o "Ziggy"

NÃO CONSTA em: Obras Completas - Machado De Assis
Editora Nova Aguilar
"Não é amigo aquele que alardeia a amizade: é traficante; a amizade sente-se,
não se diz...” (Machado de Assis)
In: Joias do Pensamento Brasileiro
Ed. Tecnoprint S.A
p. 38
Fonte: http://www.recantodasletras.com.br/

Título

Doce morrer em cada dia...
Vera Mussi
Reflexão

"Quando aprendi todas as respostas da vida, mudaram as perguntas."
Charles Chaplin

Meditei, fechei os olhos e abri o coração...
Quantas vezes pensei
Ter alcançado a maturidade da sabedoria.
Nunca imaginei que teria algo mais a aprender.
Segui em frente ...Sem receios nem recusas
Para continuar a viver intensamente
Doce morrer em cada dia...
Tão somente!
Conhecidas as "respostas da vida"
Novas propostas!
Das utopias a vencer
Tantas mais ...a conhecer...
Em meio a tantas ilusões, todas juntas,
... "mudaram as perguntas"
Renascidas as alegrias
Mudaram as fantasias...
Na estranha fuga da emoção tardia
Doce morrer em cada noite vazia...

A cada momento...
A felicidade exigia mais conhecimento
O pensamento seguia atento!
Foi preciso responder àquelas perguntas
Em cada escolha havia vida, muita vida
Doce morrer em cada história vivida...
Em busca de tanto sentimento, em ação,
Nada foi em vão...
- Havia retribuição de um coração encantado
Mero sonho, ainda não sonhado...
Raro sentimento guardado
Um afeto enamorado
De repente, somente para sobreviver,
Um amor inusitado!
Doce morrer em cada sonho apaixonado
Sublime aprendizado!
Enquanto desejarmos viver
O eterno bem querer
Seremos o que almejamos ser
Para alguém...Suave alegria...
Num instante... deveras amante
- Doce morrer em cada dia...
Tão somente!

Vera Mussi
28.05.2012

Fotos de imagem: Michèle Christine – Praça da Liberdade/BH/MG

Título

Cantos da Alma
Lêda Mello
Os versos tornam reais as ilusões,
em sutil confronto às mágoas vividas.
Abrandam as dores das desilusões,
Transformam em rimas as lágrimas contidas.
Canto dorido, às vezes de saudade,
Versos voejam ao sabor da ilusão,
O pensamento, em cumplicidade,
Constrói seu mundo, lava o coração.
Navega em águas onde a dor se esvai,
Lavando a alma em quimeras distantes,
Invade trilhas e caminhando vai
Cobrindo os rasgos das mágoas de antes.
Arapiraca (AL) - Brasil

Título

A MINHA ROSA AMARELA
Alceu Sebastião Costa
Pela janela, contemplo a rosa amarela.
Meu Deus, que criatura mais bela!
Até a borboleta faz reverência para ela!
Acariciada pela leve corrente do vento,
Que lhe imprime delicado movimento,
No meu jardim, prima-dona do momento.
Obrigado, Senhor, por esta oportunidade
De poder estar próximo de tal preciosidade,
Rastro de sedução no caminho da felicidade.
Na verdade, amo flores de todas as cores,
Assim como poeto com rimas multicoloridas,
Pois o Criador não nos concebeu pecadores,
Tampouco detratores de nossas próprias vidas.
Aquela bela rosa amarela, que olho com admiração,
Amanhã pode estar murcha, pétalas pelo chão,
Mas é a imagem presente que guardo no coração.
Fevereiro/ 2009

Título

"Amigo é quem te dá um pedaço de chão,
quando é de terra firme que precisas;
Ou um pedacinho de céu,
se é o sonho que te faz falta... "
(Marcelo Batalha)

AMIGO
Carmo Vasconcelos

Amigo, as minhas mãos são tuas,
Cavalgam no luar das tuas luas,
Aquecem no sol que te bafeja...
Navegam no mar das tuas mágoas,
Remam contigo por marés e fráguas,
Unem-se para orar a Deus que te proteja.

E o meu maior desejo é estar contigo,
És tu que me dás consolo e abrigo,
Quando dos meus olhos corre o choro...
Que me aconchegas suave no teu peito,
Se de tristeza e amor insatisfeito,
Sofro... E na tristeza me demoro.

Por isso te dou as minhas mãos,
Façamos a viagem como irmãos,
De mãos dadas nas pedras do caminho...
E quando a nossa mente desnorteia,
Que seja o meu amor tua candeia,
Que seja a minha luz o teu carinho!
***
Lisboa/Portugal
http://carmovasconcelos.spaces.live.com

Título

CARTA POÉTICA
Eugénio de Sá
A ti, mulher, que a tua vida abriste
Pra consolares est’alma amargurada,
A ti, que no meu peito já dormiste
E ali te sentes calma e sossegada;
A ti, amante querida e desvelada
Que me velas o sono de poeta
E cuidas que na ascética morada
Residam as memórias mais provectas;
A ti, que me deslumbras os recantos
Onde a poesia em meu ser se esparsa,
Quero dizer que me nutres de encantos;
Com a tua ternura os males me apartas
Que d’óutros horizontes são quebrantos
Volatizados no amor com que me fartas

Título

Eterno Amanhecer
Vera Mussi
Nesse belo amanhecer
Dei voltas ao meu ser
E descobri como viver
A última recordação...
Sem revoltas nem paixão!
Este coração, tão amado,
Herdou do lindo passado
A solidão, sem desejos,
Todas lembranças
Demoradas esperanças
Encantadas poesias,
Tantas alegrias!
E...
Sob o olhar de um dia feliz
Ousou amar novamente,
Replantar a nova raiz
Sinceramente...
E com razão,
Deu vida à emoção
Decidiu... Ouvir o coração
Simplesmente...

O futuro,
Quando vier a ser vivido
Tudo será bem-vindo
Enquanto amor houver
No eterno amanhecer!
Vera Mussi
20.07.2012
____________________________________________________
"Nossa vida é uma sequência de eventos
e não um desenrolar de desejos..."
Luiz Felipe Pondé

Título

EU SOU

Lêda Mello
Eu sou o que sou.
Hoje, o que não fui ontem
e o que não serei amanhã.
Um ser mutante
em contínua viagem
pelas avenidas do tempo,
no roteiro das descobertas,
buscando, em cada agora,
as respostas que sinalizem
para o que vim e para onde irei.
Eu sou
a obra inacabada
burilando, continuamente,
os traços que a completem.
A luz e a sombra,
o acre e o doce
o oásis e o deserto,
o ser e o não ser
o erro e o acerto,
a causa e o efeito
das minhas escolhas.
Eu sou
o sentimento que arrisco,
a emoção que me permito,
a palavra que profiro,
o silêncio que guardo,
a idéia que transmito,
o pensamento comprometido
com a história que escrevo.
Arapiraca (AL) - Brasil

Título

OS SONS DA CIDADE
Johayna Soares Merlin
Ruídos me embalam ao anoitecer.
Outros me chamam, antes do amanhecer.
Sons coloridos, doloridos,
de uma cidade perdida à beira do deserto
e invadida pela areia em cada nesga do seu ser!
Ao longe, o trânsito reclama, se zanga, grita e buzina!
Mais perto sussurra o vento,
levantando das palmeiras os trepidantes braços,
e derrubando tâmaras que se espalham, gemendo,
entre pedras duras como aço!
A voz do “Imãn” onipresente, convoca, imperiosa,
a cada dia, quase a cada hora, seus fiéis à prece.
Mantos e túnicas obedecem e se prostram, louvando seu profeta!
Gritos ecoam, cidade afora e nós,
Que para eles não passamos de “impuros infiéis”,
À força de ouvi-los, nos vemos obrigados a pensar
num deus que não é o nosso, e a pedir perdão pelos pecados de outros!
O mar, em sua verde pureza, é violado por frágeis barcas coloridas,
e protesta, em repetidos brados, a tortura das criaturas
que aos milhares são extirpados de seu bojo
e deixam, nas águas agitadas, a essência de uma vida abandonada!

Rebanhos atravessam o coração da cidade,
e seus balidos tristes anunciam o desejo de estar longe, e livres,
perdidos no verde dos campos, e não empurrados
nessa mistura seca e incongruente, de asfalto, conchas e areia ardente!
Gemidos indecifráveis expressam sua angústia, cortando a noite,
e toda a dor de infantes ou felinos maltratados e famintos neles se reflete
e em pedaços se quebra provocando em mim estilhaços de dor,
face à derrota de saber não poder amenizar a pena,
e diminuir o sofrimento daqueles que ouço gemer!
Enquanto esses múltiplos ruídos se recortam,
maltratando uma cidade dolorida, que não ousa esperar,
a lua se esconde e grita, aflita,
pela cidade que não se sabe se maldita ou bendita!
Nouakchott, Maio 2012

Título

O Menino Que Carregava Água Na Peneira
Manoel de Barros*
Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e sair
correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que
catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio
do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores
e até infinitos.
Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira

Com o tempo descobriu que escrever seria
o mesmo que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu
que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo
ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de interromper o voo de um pássaro
botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou:
Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os
vazios com as suas
peraltagens
e algumas pessoas
vão te amar por seus
despropósitos.

*Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu em Cuiabá (MT) no dia 19 de
dezembro de 1916. Atualmente mora em Campo Grande (MS). É advogado,
fazendeiro e poeta.

Título

Manoel de Barros
COLETÂNEA ESCOLHIDA – Nove poemas
Vento
Manoel de Barros, em “Poemas Rupestres”
Se a gente jogar uma pedra no vento
Ele nem olha para trás.
Se a gente atacar o vento com enxada
Ele nem sai sangue da bunda.
Ele não dói nada.
Vento não tem tripa.
Se a gente enfiar uma faca no vento
Ele nem faz ui.
A gente estudou no Colégio que vento
é o ar em movimento.
E que o ar em movimento é vento.
Eu quis uma vez implantar um costela
no vento.
A costela não parava nem.
Hoje eu tasquei uma pedra no organismo
do vento.
Depois me ensinaram que vento não tem
organismo.
Fiquei estudado.

No aspro
Manoel de Barros, em “Poemas Rupestres”

Queria a palavra sem alamares, sem
chatilenas, sem suspensórios, sem
talabartes, sem paramentos, sem diademas,
sem ademanes, sem colarinho.
Eu queria a palavra limpa de solene.
Limpa de soberba, limpa de melenas.
Eu queria ficar mais porcaria nas palavras.
Eu não queria colher nenhum pendão com elas.
Queria ser apenas relativo de águas.
Queria ser admirado pelos pássaros.
Eu queria sempre a palavra no áspero dela
.

A maior riqueza do homem é a sua incompl...
Manoel de Barros
A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como
sou - eu não aceito.
Não aguento ser apenas um
sujeito que abre
portas, que puxa válvulas,
que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora,
que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem
usando borboletas.

Experimentando a manhã dos galos
Manoel de Barros
... poesias, a poesia é
- é como a boca
dos ventos
na harpa
nuvem
a comer na árvore
vazia que
desfolha a noite
raíz entrando
em orvalhos...
floresta que oculta
quem aparece
como quem fala
desaparece na boca
cigarra que estoura o
crepúsculo
que a contém
o beijo dos rios
aberto nos campos
espalmando em álacres
os pássaros
- e é livre
como um rumo
nem desconfiado...

Poesias rupestres
Manoel de Barros
Um passarinho pediu a meu irmão para ser sua árvore.
Meu irmão aceitou de ser a árvore daquele passarinho.
No estágio de ser essa árvore, meu irmão aprendeu de
sol, de céu e de lua mais do que na escola.
No estágio de ser árvore meu irmão aprendeu para santo
mais do que os padres lhes ensinavam no internato.
Aprendeu com a natureza o perfume de Deus
seu olho no estágio de ser árvore aprendeu melhor o azul.
E descobriu que uma casa vazia de cigarra esquecida
no tronco das árvores só serve pra poesia.
No estágio de ser árvore meu irmão descobriu que as árvores são vaidosas.
Que justamente aquela árvore na qual meu irmão se transformara,
envaidecia-se quando era nomeada para o entardecer dos pássaros
e tinha ciúmes da brancura que os lírios deixavam nos brejos.
Meu irmão agradecia a Deus aquela permanência em árvore
porque fez amizade com muitas borboletas."

O copo
Manoel de Barros, em “Poemas Rupestres”

Estava o jacaré na beira do brejo
tomando um copo de sol.
Foi o menino
E tascou um pedra
No olho do jacaré.
O bicho soltou três urros
E quebrou o silêncio do lugar.
Os cacos do silêncio ficaram espalhados
na praia.
O copo de sol não rachou nem.

Poesias rupestres
Manoel de Barros
Queria a palavra sem alamares, sem
chatilenas, sem suspensórios, sem
talabartes, sem paramentos, sem diademas,
sem ademanes, sem colarinho.
Eu queria a palavra limpa de solene.
Limpa de soberba, limpa de melenas.
Eu queria ficar mais porcaria nas palavras.
Eu não queria colher nenhum pendão com elas.
Queria ser apenas relativo de águas.
Queria ser admirado pelos pássaros.
Eu queria sempre a palavra no áspero dela.

Canção do ver – 5
Manoel de Barros, em “Poemas Rupestres”
“E com o seu olhar furado de nascentes
O menino podia ver até a cor das vogais como o poeta Rimbaud viu.
Contou que viu a tarde latejar de andorinhas.
E viu a garça pousada na solidão de uma pedra.
E viu outro lagarto que lambia o lado azul do
silêncio.”

Manoel de Barros
Escrever nem uma coisa
Nem outra A fim de dizer todas Ou, pelo menos, nenhumas.
Assim,
Ao poeta faz bem
Desexplicar Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes.

Título

Um breve suspiro
Sylvia Cohin
Tão sábio o Tempo que não se repete,
guarda consigo o ciclo dos encantos
que de vividos,
fazem-se tantos,
sem que com isso a alma se aquiete.

É que no peito há sempre bem guardado
algum amor que já se fez passado
e de tão forte,
mesmo embaçado,
mantém-se vivo até depois da morte.

Tão sábio o Tempo, não lhe dá ouvido.
Caminha alheio, tão despercebido
que sem aparte,
sem alarido,
é mero palco, onde destarte,

Tudo é apenas um breve suspiro
dum Tempo que ofegante, eu transpiro.
E não importa
se descortino
quanto é fugaz, e sigo, quase absorta,
enquanto o Tempo escreve meu destino.

Brasil, 17 de maio de 2010
http://chavedapoesia.blogspot.com

Título

Sonhos de Maçã
Eliane Triska
Na madrugada dos Noturnos de Chopin
Valsando nas esferas uterinas,
Cintilâncias são meus sonhos de maçã,
Reentrâncias, minhas formas femininas.

Me embriago ... É o pulsar da lamparina
Que balança este fogo colorido.
Se penetras meu recato de menina
Me enlaço nos teus braços, onde fico!

Misturando, a esse amor todas as ervas
Que, à noite nos transporta com seu cheiro.
Meus desejos que atendes, sem reservas,
São meus beijos no teu corpo por inteiro.

Nessa noite em que a brisa faz, calada,
Nossos versos de amor em combustão,
Quando beijo, é tua alma apaixonada;
Se tu beijas, é o meu próprio coração.
Do Livro *Os tempos e sua voz*

Canoas, /RS - BRASIL

Título

Regendo a Vida
Gui Oliva
Isso... faz assim... não é sonata,
não adota só o requinte da pausa,
do silêncio...
troca pela cadência alegre e leve,
pela semibreve dessa pauta.
Aproveita um minuto do minueto
e, em alegro sostenuto rege,
dessa relação, um staccato,
conta, canta, toca e dança as horas,
comemora... o tempo emerge.
Apressa o compasso quaternário.
Presto!... logo o adiante e não discorde,
só com plácida aparente harmonia
não se faz melodia imortal.
Segue num allegro saltitante e radiante,
já entusiasmado com o desfecho
num molto vivace... brilhante,

mas não se adiante,
falta ainda do tempo um resquício
quem sabe... para um retorno
a um início abissal.
Toma a batuta ao seu alvedrio,
sai perseguindo um sereno adágio
e logo mais um espressivo andante
mas logo retoma o ponteio ascensional.
Agora apenas uns segundos
em allegro vibrante
não seja prudente...Vivacissimamente
só resta então... pomposo... o acorde final!
Santos 28/09/06
www.vidaemcaminho.com.br

Título

Poemas escolhidos
Delasnieve Miranda Daspet de Souza*

Melhor quebrar o espelho ...
Há sempre um senão.
Um porquê.
Um talvez, ou um quem sabe.
Pode-se ser qualquer coisa
para desvendar a guerra,
furar a ferida,
e não há remédio que cure!
É mais fácil culpar os outros
pela nossa infelicidade
e desesperança.
O outro é nosso algoz ... sempre!
É difícil saber-se menos .
... Menos qualquer coisa.
É a nossa imperfeição
que nos cria dor e raiva ....
Duro admitir o erro,
melhor quebrar o espelho!

Há tanta beleza!
A beleza da existência
Esta na dinâmica da vida...
É como o rio que, embora no mesmo lugar,
Nunca é o mesmo!
Renova-se a cada segundo,
Caminhando ao infinito!
A beleza da existência
Está no voo das gaivotas e
No pousar suave nas praias...
A marca dos passos n´areia
Permanecerá até a próxima onda.
Há tanta beleza no mundo...
Há tanta beleza no vento que leva a folha...
Há tanta beleza na chuva que cai,
Na flor que se abre pela manhã,
No sol que nasce todos os dias,
No luar que ilumina a noite escura,
No dia que chega e que se vai.
Há tanta beleza na mão estendida
Que acolhe e que doa,
Na solidariedade que abraça irmãos...
Há tanta beleza na vida
Que meu coração parece que vai explodir
De tanta gratidão!
DD-junho-09

Tigre
Enfrento um tigre que todos os dias.
Acorda comigo...
Tenho de domar sua ferocidade
E viver de maneira saudável.
Competir todos os dias, todas as horas,
Em todos os campos,
Faz a angustia nascer em nós.
Como reagir a insegurança
E ao medo que nos atordoa?
Abraço-me ao meu medo
Envolvo-me com minhas inseguranças
Encaro-os com coragem,

Solto o corpo rijo,
Abandono os sofrimentos,
Sinto a dor até o fim...
Vou ao encontro da liberdade!
DD _Campo Grande-MS 21.-05.10

Ser Mulher...
Tudo é mulher!
Um sopro de vida.
Um sorriso.
Um barco sem rumo.
O texto e o contexto.
O nexo e o conexo.
Andar na chuva
Deixando que a água
Molhe a alma e
Caindo dos olhos
Faça a folha brotar
( em nova vida )
À procura do sol,
Assim é a mulher!
Modificando-se a cada segundo.
Adaptando-se conforme a estação,
Florindo, dando frutos,
Caindo como folha seca
no outono da vida,
É a mulher!
Não é fácil se mulher,
Viver à beira do precipício
Com tantas imposições
Condicionada a sentir,
Carregando na mão
O traçado do contradito,
Os mistérios sem raízes
dos sonhos que não cabem
No seu oceano interior!
Ser mulher é carregar o mundo no ventre,
O coração nos lábios,
A saudade n'alma,
E na metade que mundo conhece
A grandeza invisível da metade que não se vê!
29-12-2001 - 02,00 hs
Campo Grande MS

Verdades
Roubo do hoje a força
Fazendo nascer o amanhã.
Da janela acompanho com olhar
As nuvens do céu.
De novo a sombra sinistra
Tolda tristemente meus sonhos.
Tua imagem me acompanha
Por todos os lugares por onde ando.
E em todos os momentos
É a tua presença que espanta
As brumas do desconhecido.
Não faço perguntas.
Tenho medo das respostas que já sei.
Liberta do invólucro físico
Devolverei a matéria ao pó de que fora feito.
Vivi meus três caminhos na terra.
Purgatório. Inferno. Céu.
Tudo de acordo com meus projetos,
Minhas atitudes,
Procurando não reincidir nos mesmos erros.
Agora - vago e espero
Entre ápodos e flagelos
O ressurgir da verdade.
16,20 hs - 09-04-2002
Campo Grande MS

A cada nascer do sol
A cada nascer do sol
Espero que em seus raios nasçam
O fim das desigualdades, das dores, dos sofrimentos.
A cada nascer do sol
Espero que os sonhos das pessoas
Se fortaleçam, nasçam e cresçam e se
Façam presentes, sempre.
A cada nascer do sol
Acalento um sonho fugaz de igualdade.
Pois sei que a letra é morta
E que a palavra é vida.
A cada nascer do sol
Sei que o mundo, para mim, fica menor,
Que, no meu horário, já se faz tarde,
E que a passos lentos caminho,
O caminhar final...

A cada nascer do sol me questiono:
Aonde quero chegar?
Onde quero ir?
Quando vê, não viu, não chegou, nem saiu...
A cada nascer do sol me respondo,
Porque, embora embace e trapaceie, sei a resposta,
Que, do caminho que busco, encontro
Todos os sinais no percurso...
A cada nascer do sol
Está, dentro de mim, a certeza
Dos indicativos para chegar com segurança...
A cada nascer de sol me cabe decidir.
Discernir com sabedoria e equilíbrio
Cada passo a seguir.
A cada nascer do sol
Sei que tenho de caminhar,
Sei que tenho de decidir,
Sei que tenho de buscar,
Sei que tenho de fazer,
Sei que tenho de conhecer!
_____________________
31-05-05
Campo Grande MS

*Advogada e ativista das causas da Paz, Sociais, Humanas, Ambientais e Culturais Delasnieve
Miranda Daspet de Souza é sul-mato-grossense de Porto Murtinho, onde nasceu e cresceu em
meio a exuberante natureza que é o Pantanal do Mato Grosso do Sul, Brasil, residindo em Campo
Grande-MS. Casada, tem dois filhos. É poeta. Ativista da Biopoesia. Cronista, ensaísta, palestrante,
professora, educadora, faz trabalho social com menores carentes, pertence e representa várias
associações e academias literárias e culturais nacionais e internacionais.

Título

O suicida não quer se matar - quer matar a sua dor.
- Elegia ao Povo Guarani Delasnieve Daspet*
Trago, hoje, meu canto triste, doloroso, de luto, de mágoa,
Num sentimento que me corta a alma...
Nênias para quem não entendeu que não existem mais fronteiras,
que tudo acontece numa fração de segundo e reverbera por todo o universo.
Uma grande máquina, desumana, caminha entre os homens,
mata os indefesos de fome, de frio, de falta de dignidade,
de vergonha, por usurpação de direitos.
Ao contemplar a realidade vemos que a eternidade
é apenas uma palavra obscura...
E o Guarani-Kaiowa agoniza,
Sangra, e entrega seu sangue pela terra!
Quantos assassinatos cometemos em nome da justiça?
Porque cada índio que morre deixa em nossas mãos
o sangue de seu cruel e covarde assassinato!
“Decretem nossa extinção e nos enterrem aqui”
Brada o bravo guerreiro guarani-kaiowa,
ainda dentro de sua terra usurpada e ocupada
Um processo de invasão
Num longo caminho de opressão
Para não se reconhecer o direito coletivo
Do povo indígena.

“Pedimos ao Governo e à Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/
expulsão, mas decretar nossa morte coletiva e enterrar nós todos aqui.
Pedimos, de uma vez por todas, para decretar nossa extinção
dizimação total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco
para jogar e enterrar nossos corpos. Este é o nosso pedido aos juízes federais”
O direito à vida não pode se
Subordinar ao direito da propriedade,
A vitima fatal quase sempre é o índio,
Morte consentida!
Recuso-me a ser cúmplice deste genocídio...
Os índios e os brancos são iguais em muitas maneiras,
Foi um só criador que fez todos os humanos,
Bebem das mesmas águas, corpo e espírito dos
Mesmos oceanos!
Recuso-me a ser cúmplice de mais este assassinato...
Se somos diferentes, diferentes, também, são os
Pássaros em suas cores, nos seus cantos, nos seus modos.
Somos distintos - temos as nossas línguas, nossos sonhos,
Nossas cores e compressão diferente...
Recuso-me a compactuar com esta violência...
Os índios preservaram e nos entregaram a nós e aos
nossos filhos a herança da criação.
Ocupamos a sua terra mãe.
Terra que eles cuidaram ciclos após ciclos...
E que agora, afirmam "Não terem e nem terão perspectiva de vida digna
e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui”
Antes que tudo desapareça da face da terra
vamos parar e ouvir o canto da criação
com a mente e o coração...
Como podemos entender o desespero de uma decisão de morte coletiva?
Como aceitar que alguém vai morrer por ação ou omissão nossa?
Parem. Pensem. Cheirem este ar puro que ainda resta... ouçam as montanhas ela chora de dor,
Ouçam os rios – suas lágrimas morrem nas ranhaduras da terra seca...
ouça o gemido da árvore que se contorce no fogo e na serra...
Ouçam... o espírito da terra esta coberto de cicatrizes e clama pela prudência do homem...
Sintam a mãe terra e pensem um pouco nestes irmãos diferentes...
Pensem nos quantos que já desapareceram para sempre...
Vamos reconhecer esses irmãos que chamam a sabedoria milenar de sua gente
E nos respondem a cada violência com prudência e um pedido de paz...
Enquanto o Guarani-Kaiowá agoniza, seu corpo, seu sangue, sua sina
de extermínio silencioso, numa desvalia extrema, a
auto-imolação é a última forma de ainda sobreviver.

Pensem, sintam... todos nós olhamos o mesmo céu,
o mesmo sol, a mesma lua e compartilhamos as cores dos quatro ventos
Não podemos condená-los a vagar e vagar sem rumo e sem destino...
Estamos falando de gente, o que houve - o que há com a Constituição Cidadã?
Lembremos que já andamos por todos os lugares, por todos os caminhos,
O horizonte sempre se esconde na terra, e,
O suicida não quer se matar - quer matar a sua dor,
Pachamama está encharcada com o sangue guarani
“Co ivi oguereco iara" - "Esta terra tem dono!”
Assim falou nhanderu Nísio Gomes, agora,
vento que anda pelas trilhas deixadas pela ausência...
DD_DelasnieveDaspet - Campo Grande – MS – 25.10.12

*Delasnieve Daspet - advogada e ativista das causas da Paz, Sociais, Humanas, Ambientais e
Culturais, Conselheira Estadual de Cultura,
Embaixadora Universal da Paz, preside a Associação Internacional Poetas Del Mundo, e, é Poeta,
essencialmente.
Duo Almada Ovelar - Nde Mbaera Che Reseda ( Para voce minha flor - guarani)

Uma indicação da poeta e amiga:
Abraços fraternos
Vera Mussi
"Pensem, sintam... todos nós olhamos o mesmo céu,
o mesmo sol, a mesma lua e compartilhamos as cores dos quatro ventos
Não podemos condená-los a vagar e vagar sem rumo e sem destino...
Estamos falando de gente, o que houve - o que há com a Constituição Cidadã?"
Delasnieve Daspet

Título

POETA PEREGRINA
Lady Foppa – Poeta Goiana
Onde está o amor que acreditei seria para sempre?
Do que é feito os meus delicados sonhos e devaneios?
Tudo acabou... O barco do amor está solto, a deriva.
E minha alma sem rumo, da dor já não se esquiva...
Meus caminhos se perderam alhures, em outras plagas.
O contorno dos meus passos já não fixa sobre a terra!
As runas não previram nenhum tropeço na estrada
Nem o destino alertou-me reveses em minha saga!
Onde estarão os outonos perfumados a dois vividos?
E as folhas esmaecidas sobre as quais eu caminhei...
O vento frio do desengano levou-me as quimeras
As mentes dos meus versos e todas as primaveras!
Já não mais persigo a trilha que leva ao horizonte
E desisti das surpresas que as curvas ocultavam...
O céu cinzento nenhuma luz ao meu olhar revela
E o arco íris desapareceu da vista da janela...
Já não visualizo as setas que segui com alegria...
E a certeza que chegaria ao recanto de ser feliz
O que fiz para meu canto se transformar em pranto?
E porque tive que aprender sobre desencanto?
Não queria um visto pra onde o sofrimento nasce
Nem uma bússola que apontasse um norte infeliz...
Bastava-me ser em seu céu uma estrela pequenina
E ser na terra tão somente sua poeta peregrina...

Foto de Lady Foppa feita no Caminho de Santiago
Espanha, outono de 2012.
ladyfoppa@gmail.com

Título

RASTROS

Sylvia Cohin
A vida é mar de sargaço
- De seu embalo sei eu –
Se não levou, devolveu...
O caminho que perfaço
Colhendo o que o tempo deu,
Em fel ou mel se estendeu...
Só sei que por onde passo
Nasce ou morre um sonho meu
Que o velho tempo escreveu...
É uma queda-de-braço:
— A vida ou eu, quem venceu?
É a pergunta que faço.
Sylvia Cohin
Brasil, 06.01.2013

Título

DOCE AMOR...
Boa noite, doce amor! O sonho aguarda
esta hora em que sou eu mesma pra vivê-lo.
...E então, as estrelas não retardam
para poder eu, melhor, compreendê-lo!
Brilham os sóis, astros, em céu de festa
e a luz da rua se apaga calmamente,
com réstia esplendorosa, numa fresta,
ilumino meu sonho persistente!
Vê? Crio asas, corto espaço, aparo aresta
ungindo-me do perfume existente,
na nuvem brumosa que me empresta!
É noite, meu amor! A fantasia consistente,
dá-me asas e, de cometa em oferta,
veste os sonhos de estrela incandescente!
Mercília Rodrigues
mercilia.rodrigues@terra.com.br

Título

PIMENTEIRA ORNAMENTAL
Meu jardim, em Serra Negra, é pequeno e limitado em espécies de flores,
Mas me empolga versejar debruçado sobre o viço divino das suas cores.
Assim, já poetei inúmeros versos inspirados nesse apêndice da Mãe Natureza,
Parte do meu pequeno oásis, singelo recanto de paz num cenário de rara beleza.
Cantei o charme instigante da Rosa Amarela, dentre outras tantas a mais bela;
Exaltei os pendores do Príncipe Negro, lindo ao sol, fazendo singular par com ela.
Desta feita, reservo minhas loas para a viçosa e multicor Pimenteira Ornamental,
Que tenta ser discreta, porém não escapa aos olhos do poeta, pós tríduo de carnaval.

Alceu Sebastião Costa
SERRA NEGRA, 17 de fevereiro de 2013
Foto de Alceu Sebastião Costa

Título

« A QUALQUER PREÇO »
Só por hoje, resistirei à tentação de me sentir
deprimida e não terei pena de mim.
Só por hoje, aceitarei sem questionar o que fui
e o que sou, sem me martirizar.
Só por hoje, e por ti, que quero saber feliz,
farei de minha vida uma festa!
Só por hoje, e valendo a Eternidade, beberei à Alegria.
Só por hoje, deixarei escapar a criança que mora
em mim e brincarei com ela sem parar.
Só por hoje, vou me liberar, rir de minhas fantasias
e farei inveja à mais linda Colombina...
Só por hoje, mostrarei a magia do sorriso
mascarando minha face.
Só por hoje, não permitirei nada que altere o meu humor,
darei aos contratempos o valor que merecem
e encontrarei graça em tudo à minha volta!
Só por hoje, não sentirei falta de nada... nem da saudade...

Só por hoje, não admitirei pensamentos negativos
e serei apenas serenidade.
Só por hoje, esquecerei lágrimas sombrias,
e medos tolos...
Só por hoje, viverei por toda a vida!
E porque te amo hoje, decreto que não mais haverá
Ontem ou Amanhã,
e Hoje quero ser feliz a qualquer preço!
© SYLVIA COHIN
(Porto - Pt)

Título

Resquícios d'alma
Vera Mussi
31.07.2008

Resquícios d'alma
em pleno sonho
ouve-se o gemido
de um coração aguerrido
Toda a calma...
Nada mais suponho!
Da inspiração ao martírio...
Profunda meditação...
Em sacrifício!
Único prazer d'alma
Divina revelação !
Mero suplício
transcende o real...
Em oração, para sobreviver...
Silente, vai vencer!
Encontra no astral
o sonho cristalizado
Prestes a morrer...

Nas sombras...
Descansa a emoção amante,
por vezes abandonada
pela razão agonizante.
Nos escombros...
Pressente novo caminho
Difuso, incipiente...
Da quimera irrealizada
Restou o ninho...
Eternizado!

Título

CANTO SEM LUA
Cleide Canton
Onde estás, minha amiga e companheira?
Em que vão do infinito tu te escondes
e meus gritos em ecos não respondes
por detrás dessa nuvem passageira?
Onde estás? Faz-me falta a luz prateada!
Faz-me falta um ouvido ao meu clamor
que deixavas todinho ao meu dispor
qualquer fosse o desdém da madrugada.
Debruçaste o teu rosto pra não ver
minhas asas partidas pelo vento,
os meus sonhos jogados, ao relento,
esperando um eterno amanhecer...
Onde estás? Quão perdida fico então
ao sabor deste sal que não tem fim,
ao calor deste sol que mata em mim
a sede que habitou um coração.
Foi-se toda a manhã tão perfumada,
pelas rosas, por cravos, por jasmins...
Foi-se o canto dos poucos serafins
que sumiram também da minha estrada.

Já nem chove nas terras que arejei
e as plantinhas ao longo feneceram.
Os matizes das cores se perderam...
Que será das sementes que plantei?!

São Carlos, 09 de junho de 2013
08:50 horas

Título

DEIXE NA PAZ OS VERSOS MEUS
Cleide Canton
Deixe na paz os versos meus
contados, cantados,
simples ou rebuscados,
tortos, enviesados,
lineares ou quadriculados.
Não dizem sempre o que sinto
mas dizem daquilo que penso
sem fugir do consenso.
Não exploram verves alheias
nem expressões cuspideiras.
Passeiam no clarão da lua
sem buscar do sol o dourado.
Caminham soltos
com preceitos sem preconceitos
e sem noção de pecado.
É minh'alma que canta
as ilusões que ainda sonho,
os desejos que abraço
e embalo no meu regaço.
São palavras que encaixo
na magia de mil compassos
da melodia que eu mesma traço.

Meus versos vestidos
de luto ou de festa
percorrem caminhos quaisquer
ou se debruçam nas sombras do nada.
Mas são versos paridos
sem luta e sem dor
que pedem, que imploram
por um pouco de amor.
São Carlos, 05/08/2013
15:20 horas

Título

Separação de bens
Dalva Agne Lynch
VOCÊ FICA COM A RAZÃO.
Eu fico com os dias ensandecidos
Com o vento nos seus cabelos
Com o canto final do sol
No dourado da sua pele.
VOCÊ FICA COM A VERDADE.
Eu fico com os raios da lua
Com os sussurros sem nexo
Os beijos loucos, dementes
Com a obsessão dos corpos.
VOCÊ FICA COM O DIREITO.
Eu fico com as horas de gozo
Com o ruído das folhas das árvores
Com seus dedos tecendo anseios
Na brancura do meu corpo.

VOCÊ FICA COM O QUE É CERTO.
Eu fico com a incerteza
Com a beleza do instante sem continuidade
Com o momento perdido entre as horas
Com a eternidade perdida no momento.
Você fica, meu amor.
EU SIGO.

(Poema premiado com medalha de prata em concurso na Inglaterra)

Título

ESPADA Y CORAZÓN
© Alberto Peyrano*
Quiero
tomar del sol toda su esencia de una vez,
robar la luna de sus sábanas de añil,
juntar estrellas de esmeralda y de marfil,
y derramarlas sobre tu piel.
Quiero
poner los versos que me inspiras en tu voz,
mojar con lágrimas de alondra mi pincel,
pasar tus rasgos al cantar de mi cincel,
y darte vida con mi pasión.
Quiero
pedirle al fuego su misterio y su pasión,
sembrar mis venas con sus lenguas carmesí,
oír del tiempo sus lecciones de vivir,
y darte en versos mi gran amor.
Quiero
tomar del aire la vital respiración,
llenar tu oído con palabras hecha luz.
Voy a acercar ese horizonte tan azul
abriendo rumbos hacia tu amor.

Quiero
con este verso ser un rezo en tu oración,
sólo una nota de tu mágica canción.
Quiero en tu aliento
permanecer.
Eres
todas las cosas tan soñadas a la vez,
eres la roca para mi ola de emoción.
Tú eres la espada,
yo el corazón.

*É psicanalista, terapeuta floral, astrólogo, professor, cantor de tango e letrista, poeta. Nasceu em Peyrano,
Santa Fe, Argentina, em 14 de junho de 1945.

Título

Dedico a todos aqueles que acreditam
haver "um minuto de felicidade"...
para ser vivido durante
o passar do inefável tempo...
reservado somente a nós
e sempre a sós!
Não é egoísmo... Não!
Puro altruísmo!

UM MINUTO...
Vera Mussi
Vive-se uma vida inteira...
em um minuto apenas...
Referência de um filme
... um livro...
Seja lá o que for...
Existe em nossas lembranças
algo assim!
Quiçá, seja esse minuto
só para mim!
É demais passageira
a afirmativa,

um tanto estrangeira...
Pretensiosa até!
Mas ...
Se o começo busca um fim...
o tempo se interpõe,
no interregno entre o céu e a terra!
Haverá sempre o meio,
que se contrapõe...
Mas...
o mesmo tempo supre
todas as esperanças demoradas,
nos últimos minutos
alimentadas!
Quero crer que no futuro
sejam as mesmas
Alcançadas!

16.03.2005

Título

Fica Proibido
Alfredo Cuervo Barrero*

Fica proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.
Fica proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade.
Fica proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau humor.
É proibido deixar os amigos.
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
Fica proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
Fica proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
Fica proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
Fica proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
Fica proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
Fica proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

Queda prohibido
Alfredo Cuervo Barrero*

Queda prohibido llorar sin aprender
levantarte un día sin saber qué hacer,
tener miedo a tus recuerdos.
Queda prohibido no sonreír a los problemas,
no luchar por lo que quieres,
abandonarlo todo por miedo,
no convertir en realidad tus sueños.
Queda prohibido no demostrar tu amor,
hacer que alguien pague tus deudas y mal humor.
Queda prohibido dejar a tus amigos,
no comprender lo que vivieron juntos,
llamarles sólo cuando los necesitas.
Queda prohibido no ser tú ante la gente,
fingir ante las personas que no te importan,
hacerte el gracioso con tal de que te recuerden,
olvidar a toda la gente que te quiere.

Queda prohibido no hacer las cosas por ti mismo
cuando puedes,
tener miedo a la vida y a lo que implica
no vivir cada día como si fuera el último suspiro.
Queda prohibido echar a alguien de menos
sin alegrarte, olvidad sus ojos y su risa
todo por que sus caminos han dejado de abrazarse,
olvidar su pasado y pagarlo con su presente.
Queda prohibido no intentar comprender a las personas
pensar que sus vidas valen más que la tuya,
no saber que cada uno tiene su camino y su dicha,
no tener un momento para la gente que te necesita,
no comprender que lo que la vida te da,
también te lo quita.
Queda prohibido no buscar tu felicidad,
no vivir tu vida con una actitud positiva,
no pensar en que podemos ser mejores,
queda prohibido no pensar que sin ti este mundo no sería igual.

* Alfredo Cuervo Barrero é um jovem poeta espanhol que escreve ensaios e pensamentos poéticos de
grande qualidade, clareza e profundidade.
"Fica Proibido" é o poema "Queda Prohibido" de Alfredo Cuervo Barrero, com registro de
propriedade/vizcaya: Número de inscripción BI -13- 03, publicado pela primeira vez na internet em 23 de
julho 2001 ( http://www.recantodasletras.com.br)

Título

Quem acalenta os sonhos e não se descuida dos pesadelos
merece e recebe o justo prêmio das mãos do Criador.
Parabéns, Michèle, pelas lindas flores.
Bjs.
Alceu

QUE PENA!
Deus é o único dono de tudo.
De um só verso
Ao todo do Universo,
De uma única rima
Ao controle do clima,
De nosso corpo finito
Ao nosso espírito infinito.
Por sua divina deferência,
Dotou o homem de inteligência
E deu-lhe o Orbe para cuidar.
Com a premissa de multiplicar,
O homem, obediente, prudente e
Consciente,
Assumiu de pronto a missão,
Mas, acalentou os sonhos e
Descuidou-se dos pesadelos,
Que devoraram os sonhos do sonhador
E despertaram a voracidade do predador.
Alceu Sebastião Costa
05 de março de 08

Título

HINO DA INDIFERENÇA
Ferdinando©
De que valem anseios sem calor
Vestir as palavras sem verdade,
Esconder o amor e a bondade
No recanto sem sol, feito de dor
Esta seara se penteia já sem cor
Onde se queima o pão da caridade,
Num gesto convertido de saudade
Tremulam meus lábios de pudor...
Queria ser o luar em brilho louco
Abraçar o infinito mais um pouco
Com a crença branca da realidade!
Os meus olhos a pedir nascentes
Na fusão dos corações contentes,
Onde germine a raiz da amizade...
Germany 21-11-13
SEARA DE CULTURA
www.fersi.de

Título

Vamos Voar...
Sylvia Cohin
Rumo ao Imo, rumo ao Outro
nesse mundo torto...
Rumo à Esperança
a porfiar coragem,
ânimo e bonança...
Mãos nas mãos,
dividir afetos e somando gestos,
saber ser irmãos...
Alongar os braços
a plantar ternura
onde o Amor é lasso,
e em qualquer lonjura
Plenos de empatia, como a levitar,
saber ser Poesia
entre a Terra e o Ar...
E saber que a Dor

do caminho incerto
tem o seu Pudor
quando a Céu Aberto.
Amar a mãos-cheias
e nada cobrar,
acender candeias
e ser Luminar...

E ao fim do caminho
saber que essa estrada
ninguém faz sozinho...
Que d'alma um bom ninho
é ser alentada
por sentir-se Amada!
Dezembro 2008
Bahia - Brasil

Título

Sim, eu posso
Lêda Mello
Sim, eu posso:
quando tomo consciência
de que sou única e insubstituível;
de que meu passado, presente e futuro
são o resultado das minhas escolhas;
de que o acaso não existe
e que cada acontecimento
é mensageiro de uma resposta.
Eu posso:
quando me questiono
e tenho a coragem de me assumir
com minhas virtudes e defeitos,
para me tornar melhor;
quando priorizo o amor
e percebo que eu sou a
minha primeira experiência
- " Ama o teu próximo como a ti mesmo" -;

Eu posso:
quando estou atenta às minhas culpas e medos
e deles retiro os benefícios equivalentes,
para então libertá-los e libertar-me;
quando me dou conta de que a vida
não é um vale de lágrimas,
mas uma maravilhosa experiência
de progresso para o meu espírito.
Eu posso:
quando, apesar de tudo, me decido
pelo Amor, pela Paz e pela Felicidade
que me foram destinados
e que nascem a partir de mim mesma.
Percebo, então,
que Ele e eu, juntos, somos invencíveis
e que minha vida, então transformada,
já me mostra que
sim, eu posso!
Título: SIM, EU POSSO!
(Texto extraído do Livro Meus Sonhos, da Autora)
Autoria: Lêda Yara Motta Mello

Título

A dança das flores
Por Suely Nassif

Quando na primavera as flores desabrocham,
Fico a admirá-las nos campos e jardins,
Sentindo o suave perfume que elas exalam,
Acaricio margaridas, violetas e jasmins.
Então percebo que a natureza se exalta,
E exulta para receber tão belas filhas,
Todas com seu perfume e encanto especial,
Enfeitam praças, jardins e distantes ilhas.
É no desabrochar para a vida,
Que as flores exalam perfume nupcial,
Violeta, hortênsia e margarida,
Ostentam atrativa graça virginal.
No começo argucioso de cada amanhecer,
Elas preparam a chegada do príncipe encantado,

No final melodioso de todo entardecer,
Elas esperam a presença de Jasmim sonhado.
E a mãe natureza toda orgulhosa,
O noivado das filhas fica a apreciar…
Coisas de mãe dedicada e vaidosa,
Os jardins da vida, ficam a acariciar…
Hortênsias, violetas, margaridas…
Antúrios, lírios, jasmins…
Flores que enfeitam a vida,
Flores que perfumam os jardins.
suelyp.nassif@gmail.com

Título

Tua ausência
Para Pedro Elias
Os dias que passo sem te ver
São como tardes vazias, infinitas.
As noites são longas, inquietas,
Os pensamentos, insanos, não consigo reter.
Os abraços mansamente sentidos,
Os beijos longamente trocados,
São carícias intensamente lembradas,
Aqueles momentos docemente vividos.
Sussurros e amabilidades trocadas,
Palavras com imenso amor pronunciadas,
No meu coração de mulher, são gravadas.
E a saudade chega, em lágrimas roladas.
Nos teus braços, pequenina, sou embalada,
Sentindo teu cheiro sonho acordada,
Esperando ansiosamente a tua chegada,
No teu corpo, eu mulher, ser tatuada.
E assim passo os meus dias longe de ti,
Sonhando, lembrando, ouvindo-te,
Na minha saudosa imaginação, vivendo-te!
E na tua sonhada chegada, sentindo-te!

Suely Passos Nassif
Título

ESSE DARDO INSERTO...
Sylvia Cohin
Onde estão teus olhos,
Céu de doce azul?
Remanso e mistério
Além... Ao Sul...
Olhar sem escolhos
Tão longe e tão perto!
Azul espelhado,
Vitrificado,
Dardo no meu peito,
Inserto!
Rasgando o Horizonte
Chega pra ficar,
E em gotas serenas
Faz-se um Oceano,
Chora tanto mar!
O teu olhar manso,
Netuniano,
Faz-me afoita, avanço,
E tanto me acenas
Que me resta apenas,
Nele me afogar.
Salvador, 19.11.2013 - 1:35AM
Imagem da ilustração: Sylvia Cohin

Título

NÃO IMPORTA
João Coelho dos Santos
Não importa que sejam de fogo os teus medos,
Que não entendas a melodia do desfolhar da flor.
Uma a uma o mal-me-quer soltou
Suas pétalas ao vento
E, no ar, pairou uma sinfonia sem voz.
Não importa se descobriste no olhar
A renovada promessa da primavera,
Se sentiste no peito o calor do verão
Se ouviste o vento e o seu lamento…
Tu sabes que o teu e o meu destino
São encontros no divino.
Não importa se no labirinto de meus pensamentos
Me perdi desde criança,
Nem se ficaram cada vez mais longe
Os horizontes da esperança.
Cansado, o desencanto sentou-se em pranto
Ali no fundo, ali no canto.
Talvez seja só uma sombra fugidia
Que abriu o ventre de sua Mãe, um dia.
Trago desperto na paixão
E na saudade, meu coração;
Por isso te suplico e te peço:
Aceita a ternura da minha afeição.
Foi no trinar de uma guitarra apaixonada
Que o sol espreitou e acordou a madrugada.

Do livro SETENTA
lançado em junho de 2014
na Câmara Municipal de Lisboa

Título

PORTA DA SAUDADE
Ferdinando©
Bati um dia à porta da saudade
Para ver os amores que guardava
Olhou- me, e vi que era verdade,
A face que eu tanto imaginava!
Acedeu-me em gesto de bondade...
Ridente como o modo que falava,
Só o cintilar do sol a namorava
Ante o calado tempo sem idade!...
Embora velhinha, nunca és distante...
Sei que chegas alegre a cada instante
Como o sol de um sonho de criança.
És o futuro acenando para a vida,
A crença de uma aurora prometida
Que aquece os dias da esperança!
Germany 02-08-14
SEARA DE CULTURA
www.fersi.de

Título

A meu pai
– in memorian
Suely Passos Nassif
I
Como nuvem cinzenta que se dissipa,
Minha vida solitária vai passando,
Como chuva de inverno que cai,
As lágrimas, no meu rosto vão rolando.
Lembranças boas de você, pai querido!
Que na minha memória nunca se apagará
Os conselhos, as brincadeiras dos tempos idos
Ficaram comigo e o tempo, jamais voltará!
Saudades de tudo de você, pai querido!
Do seu caráter, da sua honestidade,
Das conversas sobre maior idade.
Que a mulher não deve esquecer:
Preservar a moral para ter boa reputação,
Viver com dignidade e amor no coração.
II
Lembro-me das músicas que eu tocava,
E você ficava paciente e alegre ao ouvir…

Adeus Sarita, era a que mais gostava
Ao finalizar, pedia para eu repetir.
E nos acordes do meu acordeão,
Valsas, tangos e boleros tocados,
Você ouvia cheio de satisfação,
Conversávamos, e sorríamos abraçados.
Sofrido coração agora chora de saudades,
De você, pai querido, pedindo para eu tocar,
Danúbio Azul, La Cumparcita, La Paloma…
Só não sabia que ia machucar,
Essas lembranças bonitas um dia,
O coração de filha a murmurar.

Título

Rumo à incerteza
por Carmo Vasconcelos (Lisboa / Portugal)
Tu és a minha aventura
aonde rumo insegura
caminhando sobre brasas...
Não sei se és anjo ou carne
se me angelize ou se encarne
se vá com pés ou com asas.
Angustiante incerteza!
Não sei se és cama ou mesa
se és corpo inteiro ou só mão...
Se és paraíso ou inferno
ou se em ambos me interno
perdida sem remissão.
Só sei que és minha aventura
meu oásis de ternura
num deserto de castigo...
Sobre nuvens ou calhaus
rumando aos céus ou ao caos
só sei que nela prossigo!
Carmo Vasconcelos
Lisboa/Portugal
http://www.carmovasconcelos-fenix.org

Título

O REFLUIR DA PRIMAVERA
Por que (algumas) TANTAS pessoas insistem em transformar pássaros em arame farpado ?

CÁLICE DA PURIFICAÇÃO
Há uma lagarta de fogo percorrendo meu corpo,
Uma taturana comum querendo ir a lugar algum,
Apenas me torturar, me entristecer, fazer chorar,
Testar meu pudor de poeta diante da própria dor,
Roubar o meu sono, relegando-me ao abandono,
À sensação estranha do vetusto boi de piranha,
Que, na falta de melhor sorte, entrega-se à morte,
Depois vira herói da canção do violeiro beberrão,
Cantada junto às fogueiras nas rodas da sexta feira,
Ah! essa lagarta atrevida,que adentrou a minha vida,
Tudo faz para me contrariar,
E eu, atarantado, resisto,
Miro o exemplo do Cristo,
O suor, o açoite, o espinho,
O sangue pelo caminho,
A paixão, a morte, o perdão,
O triunfo da ressurreição,
O legado da remissão,
Independente
De lagarta
Ou víbora,
O aval da salvação.

Título

Procuro ser um Poeta desengajado de movimentos de massa, livre como os
pássaros que eu adoro, mas não alienado da realidade a ponto de transformá-los
em arame farpado, símbolo cruel do aprisionamento do corpo e da alma.
Não sou dono da Verdade, mas tenho senso crítico. Busco não ser omisso diante
da voracidade insana dos “donos do poder”, alicerçados na mentira e na
corrupção, sem azo às perspectivas de mudanças depuradoras.
Daí a lambança de nossa governança, respaldada pela impunidade. Para o
desconforto da Sociedade, que não distingue o vilão da “otoridade”.
Como poeta e cidadão, lamento tanta atrocidade, mas, com perdão do saudoso
Rui, jamais me envergonharei da minha honestidade.
À Lei e à Ordem, reitero a minha lealdade.
Na Primavera nem tudo são flores... também latejam as dores.

Alceu Sebastião Costa

Título

Vínculos e Vibrações
Do outro lado, no espaço etéreo,
O foco de luz, o novo e o velho,
O leito do rio, limpo e sereno,
A carícia do vento, o sopro ameno,
Os anjos de guarda, milícia celeste,
Mãos desarmadas, postas em prece,
Músicas sacras, cantos edificantes,
Cenário de paz, energias vibrantes,
Almas seletas, campo sacro de oração,
Reduto da Caridade, do Amor e do Perdão.
A fé nos faz enxergar esta paisagem,
Que não nos parece uma simples miragem,
Estamos certos de que esta cadeira vazia
Não reflete solidão, apenas sintonia;
Vemos você feliz naquela moradia,
Apesar da saudade, juntos na sua alegria.
ALCEU SEBASTIÃO COSTA

Título

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