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Treinamento antidistresse

José Hermógenes
Administrando a realidade
O estresse não é uma doença, e sim um mecanismo de defesa da vida. Se mal administrado,
ele pode tornar-se distresse, gerando enfermidades. Em artigo exclusivo, o professor
Hermógenes nos ensina a preservar a saúde, nos conectando com a dimensão sátvica.

Poucos desconhecem que, mais que os vírus, micróbios, tóxicos e acidentes, o estresse está
dizimando vidas e trazendo infelicidade. Não é no entanto propriamente o estresse, o qual é um
mecanismo de defesa da vida, mas, sem dúvida, o distresse, ou seja, a perturbação gerada
pelo estresse mal administrado, que produz doenças reconhecidamente letais como
cardiopatias, coronariopatias, hipertensão, câncer e outras menos graves como impotência,
asma, diabetes...

Uma variedade enorme de síndromes são também manifestações de distresse. Acidente-


propensão, neuroses, alcoolismo, e tantas outras formas de instabilidades e inabilidades
psíquicas e até sociais podem igualmente ser manifestações de distresse.

Dados estatísticos americanos recentes denunciam que anualmente ocorrem de 1 a 1,5 milhão
de ataques cardíacos, sendo que 0,5 milhão são fatais; 8 milhões de americanos sofrem de
úlcera; 12 milhões são alcoólatras; 27 milhões são hipertensos; e mais de 230 milhões de
receitas médicas são prescrições de psicotrópicos... Tudo isso denuncia que o grande
desenvolvimento econômico não assegura boa qualidade de vida.

Muito mais inteligente, mais fácil e eficaz que combater uma a uma, tão variadas enfermidades
específicas (físicas, psíquicas e sociais), é atuar preventivamente sobre a causa comum de
todas elas, isto é, sobre o distresse. Assim, o tratamento antidistresse promete ser uma das
buscas mais promissoras a serem empreendidas pela Medicina do futuro, pois, tratando-se da
causa, evitam-se ou suprimem-se os efeitos. Com isso serão minimizadas ou eliminadas
centenas de doenças que ainda hoje estão castigando a Humanidade, não obstante os
avanços e enormes esforços da Medicina.

Baseamo-nos em experiência bem-sucedida para afirmar que um treinamento é preferível a um


tratamento. Neste, há um que trata e outro que é tratado, sendo este último reduzido à
condição de paciente, isto é, alguém que passivamente recebe a ação terapêutica do outro. No
Treinamento, desaparece a figura do paciente, o qual é solicitado a tornar-se atuante no
processo terapêutico.

O treinamento, além disso, evita dois conhecidos males que alguns tratamentos produzem:
dependência e intoxicação.

Venho propondo um método de treinamento antidistresse, confiante nos resultados de mais de


30 anos de observação e experiência com milhares de casos, nos quais lidei com pessoas
doentes e infelizes e durante as quais formei minha visão sobre a Medicina Holística. Constatei
que inúmeras pessoas, mediante o autotreinamento, conseguiram a remissão de sintomas e
síndromes e mesmo a superação de severas e prolongadas patologias, que lhes roubava o
sabor de viver.

Elas aprenderam a controlar a SGA, isto é, a “Síndrome Geral de Adaptação”, conforme


descreveu o autor da tese do estresse, o Dr. Selye, mostrando como o corpo reage procurando
responder aptamente às situações estressantes, a fim de reequilibrar e defender a própria vida.

Multifrontalidade

São características do Método de Treinamento Antidistresse:

1) Naturopatia, por mobilizar as energias de auto-recuperação da vida, mediante harmonização


do indivíduo com a natureza externa e interna;

2) Independência, porque visa a levar o praticante a libertar-se de condicionamentos,


dependências, velhos hábitos obsessivos e maléficos e de sua irresponsável passividade
quanto à saúde;

3) Desintoxicação, porque, enquanto ensina a minimizar a ingestão, ativa a eliminação de


substâncias tóxicas, reduzindo, assim, a “normal” toxemia gerada por alimentos, medicamentos
e outros agentes;

4) Autoterapia, porque o indivíduo se treina para sadiamente se recondicionar, assumindo a


direção de sua conduta e, conseqüentemente, a responsabilidade por tudo que daí resulta. Ele
deixa de ser um paciente, e se torna um agente na obtenção e preservação da saúde;

5) Etiologia: essa é a característica que indica atuação terapêutica mais sobre as causas reais
e profundas, do que sobre os efeitos (as doenças particulares);

6) Base científica, desde que o método se fundamenta em princípios, não meramente


psicossomáticos, mas holístico-sistêmicos, de acordo com as conquistas mais recentes da
comunidade científica internacional. Ele é igualmente baseado nos antigos ensinos dos sábios
vêdicos (Yoga e Vedánta), de validade perene;

7) Eficiência inespecífica, isto é, tem a capacidade de recuperação de casos hoje tratados nas
diversas especialidades médicas (cardiologia, psiquiatria, ortopedia, reumatologia,...);

8) Baixo custo – Diferente das outras propostas de tratamento antiestresse, que requerem
instalações, equipamentos e medicações sofisticadas e onerosas, o treinamento antidistresse
praticamente nada custa, pois não depende de recursos tecnológicos e laboratoriais, e, sendo
auto-aplicado, dispensa mesmo a presença de alguém que o administre;

9) Praticamente isento de riscos iatrogênicos (efeitos colaterais), pois se caracterizando como


um processo de auto-educação para a condução de uma vida mais significativa, valiosa, sábia
e sadia, o treinamento não utiliza meios e recursos capazes de produzir intoxicação;

10) Multifrontalidade – essa é talvez a característica mais fecunda do método. Admiráveis curas
são obtidas por terapias diversas (psicoterapia, cinesioterapia, terapias energéticas e outras)
aplicadas isoladamente. Muito mais admiráveis são os resultados quando aplicadas simultânea
e sinergicamente. O método que temos utilizado como treinamento antidistresse recorre a
diversas frentes de ação terapêutica (psicoterapia, somaterapia, pranoterapia, eticoterapia,
esteticoterapia e logoterapia), todas em si mesmas eficientes na recuperação e manutenção da
saúde, atuando ao mesmo tempo, umas reforçando as outras, promovendo controle sobre o
estresse, evitando que este degenere em distresse, isto é, em enfermidade ou má qualidade de
vida;

11) Busca da perfeição – O método há décadas é praticado, já tendo o reconhecimento e


aprovação de congressos científicos, sendo apoiado em acervo considerável de casos
comprobatórios de eficiência. Mesmo assim, seu criador busca alcançar um grau maior de
perfeição;

12) Acessibilidade – Praticamente é aplicável a todos que dele necessitem. Em casos de


limitações por doença, carência ou idade, sempre há algo acessível a quem se dispõe a treinar-
se, pois são quase nulos os riscos iatrogênicos, e a multifrontalidade faculta recorrer a uma ou
mais das “frentes terapêuticas”. Quem não puder, por exemplo, praticar exercícios com o
corpo, por uma limitação qualquer, que pratique as demais “frentes” que lhe são viáveis e o
poderão ajudar.

Energia-de-adaptação

Na multifrontalidade do método, as diversas frentes, atuando em diferentes níveis e facetas do


homem holístico, se combinam sinergicamente, isto é, uma reforçando o efeito da outra, e o
resultado não fica apenas na soma das partes, mas em algo mais. As diferentes frentes são:

a) Somática – atuação no corpo com a ajuda de diversas técnicas e disciplinas higiênicas;

b) Energética – agindo para melhorar quantitativa e qualitativamente o “corpo energético” e,


conseqüentemente, o organismo;

c) Psicoterápica – fazendo correções nos pensamentos;

d) Eticoterápica – guiando o comportamento no sentido de convivência harmônica e eficaz com


a sociedade;

e) Esteticoterápica – visando a disciplinar sentimentos, emoções e paixões, dirigindo-os para a


saúde e a paz;

f) Logoterápica – espiritualização da vida.

Estresse não é uma doença a ser combatida ou um bandido a ser destruído. É a reação pela
qual o organismo procura defender-se, adaptar-se e sobreviver, que se, bem administrada,
cumpre o importante papel de preservador da vida. Somente quando inabilmente enfrentado, o
estresse é entrópico, isto é, danoso à vida. O Dr. Selye diz: “Estresse não é mais do que a
intensidade com que vivemos cada momento...”.

Outro engano é supor que somente a perda de uma pessoa amada, a dispensa do emprego,
um assalto que sofremos, um casamento desfeito, a prisão de um filho, a notícia “você está
canceroso”..., coisas assim dramáticas, desagradáveis e desgraçadas, provocam o alarme e o
esforço de adaptação, isto é, o estresse. Nas palavras do Dr. Selye: “Para os efeitos do
estresse, um beijo apaixonado é equivalente a um golpe doloroso”.

Um homem rico, poderoso, vivendo no luxo e na abundância, pode ser mais estressado que
um pobretão lutando pelo pão de cada dia. A vida, principalmente numa sociedade injusta,
insegura e neurótica, igual a esta em que estamos inseridos, a vida em si mesma é um
permanente estresse.

Além do corpo feito de matéria, o homem holístico é integrado por uma configuração
energética, que os yogis chamam de corpo pránico; os teosofistas, corpo etérico; e os
cientistas russos, corpo bioplásmico. Os grandes sucessos alcançados pela acupuntura e as
fotos Kirlian não deixam dúvidas sobre a existência desse “corpo” que é coexistente e co-
espacial com o físico e, além disso, é ele que propicia ao corpo físico a energia que o mantém
vivo.

O descobridor do estresse – Dr. Selye – menciona a energia-de-adaptação, a qual não é outra


coisa que o bioplasma ou prána. Esse corpo feito de energia comanda as estruturas e funções
do corpo físico. A saúde e a doença vêm dele ao físico.

Em grau de sutibilidade crescente, outros “corpos” (se assim podemos dizer) integram o
homem holístico: o “corpo” das emoções; o dos pensamentos; e, finalmente, no maior grau de
sutibilidade, o Espírito (Nous para os gregos; Átman, para os hindus; Cristo em nós, dos
cristãos...). Todos esses níveis que configuram o homem holístico integram os diferentes
“universos” dos quais eles fazem parte.

Se um homem estressado meditar, pode melhorar, mas melhorará muito mais se, além de
meditar, cuidar de seu relacionamento (ético) com os demais e de seu relacionamento (místico)
com Deus. Um homem que pratique uns bons relaxes alcançará melhoras, e poderá reduzir
sua tensão sangüínea que estava elevada, mas, se além disso, diminuir a dose de sal em sua
dieta, ainda melhores resultados observará.

Por quê um mesmo fato, ocorrido numa família, produz variados graus de estresse em pessoas
diferentes? Minha experiência me faz inferir um conceito, que proponho a todos os que lidam
com o estresse. Refiro-me à “estressibilidade” pessoal. Pessoas que têm em si como que um
“amplificador” de emoções.

Vivem tensas, engatilhadas, predispostas à hiper-atividade. Os yogis as denominam pessoas


rajásicas. Os cardiologistas Meyer Friedman e Ray Rosenman (de São Francisco, Estados
Unidos) chegaram a caracterizá-las. Propuseram o nome “pessoas-do-tipo-A”. Os institutos
médicos mais respeitáveis têm concluído que tais pessoas (tipo A) são tremendamente mais
suscetíveis a um ataque cardíaco ou outras moléstias relacionadas com o distresse.

Diferentes são as “pessoas-do-tipo-B”, que, mais tranqüilas e menos responsivas, absorvem os


golpes, e, portanto, estão mais protegidas contra as doenças do distresse. Nestes, a
“estressibilidade” é bastante reduzida.

As pessoas menos estressáveis, por sua vez, segundo os yogis, são de dois tipos: algumas
são pouco atingidas ou não são atingidas pelos acontecimentos estressantes por sua própria
incapacidade, podendo essa ser biológica ou psicológica. Os cretinos representam a forma
extrema desse tipo de pessoa. A imperturbabilidade dos sábios, por outro lado, também
expressa um grau reduzido de “estressibilidade”.

Os incapazes de se estressarem são aquelas personalidades que os sábios (rishis) da Índia


mencionam como tamásicas (personalidades apáticas, sombrias, ignorantes, insensíveis,
estagnadas...). Aos que, graças a uma visão mais profunda da vida, não se deixam afetar, isto
é, estressar, os filósofos hindus chamam de personalidades sátvicas.
Dimensão sátvica

Os métodos antiestresse em voga nos EUA vêm trabalhando no sentido de reduzir a hiper-
atividade das pessoas do tipo A. E fazendo somente isso, já estão prestando um grandioso
bem. Mas, ficando apenas nisso, isto é, ignorando o grupo das pessoas do tipo B, as que o são
por carência ou doença, não estão realizando um serviço completo.

Minha proposta de atuação é no sentido de reduzir a “estressibilidade” do tipo A, inclusive


mediante provocar um insight filosófico, um aprofundamento de consciência. Em linguagem do
Yoga, diríamos: reduzir a dimensão rajásica para aumentar a dimensão sátvica. E isso não é
coisa que medicamentos, e mesmo biofeedback, medicação ou auto-hipnose possam realizar.
Por outro lado, a ajuda às personalidades tamásicas igualmente também deve ser tentada,
visando a aumentar-lhes a dimensão de rajasidade e satividade. Esse é outro ponto em que o
treinamento antidistresse que proponho diverge dos programas antiestresse em outros países.

Embora estando em experiência há tantos anos e já reconhecido em congressos médicos, o


método ainda terá de aperfeiçoar-se.

RESPIRAÇÃO COMPLETA ou YOGUI


Sentado em uma posição confortável, coluna ereta, expire esvaziando todo o pulmão,
mantendo-o vazio por alguns segundos. Com consciência completa na respiração ou no
movimento do pulmão, inspire, levando o ar até sua base, projetando levemente o abdômen
para a frente, cuidando para não desalinhar a coluna(*).
Mantendo uma inspiração contínua, preencha agora a parte média, na altura das costelas,
expandindo-as.
Leve o ar ao ápice do pulmão, projetando levemente o peito, sempre cuidando para não
desalinhar a coluna(*).
Expire soltando o ar de cima para baixo, esvaziando primeiro o ápice do pulmão (peitorais),
depois a parte média (intercostais)(*) e, por último, sua base (diafragma)(*).

(*)Os movimentos para esta respiração limitam-se ao pulmão e aos músculos que
auxiliam o processo respiratório e não da coluna, que deverá permanecer reta e sem
movimento durante o processo.

Os músculos que irão auxiliar são:


1- Diafragma, localizado na altura do abdômen (parte baixa do pulmão)
2- Intercostais - na altura das costelas (parte média dos pulmões)
3- peitorais (parte alta, ou ápice do pulmão), estes músculos abrem espaço para a expansão
dos pulmões e auxiliam na sua compressão para saída de ar e movimentação do ar residual.

Lembre-se:
Tanto a inspiração como a expiração devem manter um movimento contínuo. Observando a
respiração de um bebê dormindo, poderemos ter uma idéia de como a respiração deve se dar
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MEDITAÇÃO
Professor Hermógenes
Algumas das posturas da Hatha Yoga facilitam a prática da meditação. São as sentadas, com a
coluna alinhada de forma natural, pois contribuem para uma melhor canalização da circulação
energética e proporcionam a estabilidade física e o conforto necessários para uma
harmonização psíquico-espiritual.
Eis algumas delas:

• Sukhâsana ou postura fácil:


Sente-se com as pernas unidas e esticadas. Utilizando as mãos, flexione a perna
esquerda e leve o pé desta para baixo da perna direita. Em seguida flexione a outra
perna e leve o pé direito para baixo da perna esquerda. Conserve o tronco na vertical.

• Padmâsana ou postura de lótus:


Sente-se com as pernas unidas e estendidas. Leve o peito do pé direito a pousar sobre
a coxa esquerda, de forma que a sola do pé fique voltada para cima. Depois, faça o pé
esquerdo pousar sobre a coxa direita. Ambos os joelhos tocam o solo e apontam para
frente. Os calcanhares pressionam o abdômen logo acima da região pubiana.

• Varjrâsana ou pose do diamante:


Ajoelhe-se conservando os joelhos juntos e os pés esticados, de forma que a pernas se
apóiem no solo. Os dedos dos pés ficam apontados para dentro e quase se tocam.
Sente-se sobre as pernas, mantendo a cabeça alinhada e a coluna ereta, sem rigidez.
SILÊNCIO NATURAL E FECUNDO
Não é uma tarefa simples afirmar o que é meditação. As pessoas "compram" a idéia de
que a meditação é uma técnica que as libertará de seus pesares e dores, executando
uma entre tantas outras formas de meditação. Dirão que o praticante deverá sentar-se
em uma posição fácil e confortável e com a coluna ereta, relaxar o corpo, respirar em
determinada freqüência, concentrar-se em um ponto, pensamento, imagem ou mantra e
procurar, com esforço de sua vontade, criar um estado de atenção tal que a mente não
fuja do objeto sob foco da atenção. Assim tantos fracassam, desanimando-se após
algumas tentativas. Abandonam, decepcionados, a grande via para a compreensão da
realidade, acreditando-se incapazes para tal tarefa.
Certamente que a meditação não é isto que apregoam. A meditação é um estado
natural da mente, ao qual se chega sem esforço da vontade, mas trabalhando com
ternura e seriedade por estágios preliminares onde se estabelecem as condições
necessárias para a maturidade de uma percepção e ação retas. Devemos observar o
verdadeiro problema que não é a conquista da atenção a qualquer preço, mas
simplesmente fazer desaparecer a desatenção. Podemos estabelecer uma nova relação
entre a periferia da mente, onde ocorrem as distrações e o centro focal da mente.
A mente das pessoas comuns divaga pela periferia, saltando de um pensamento para
outro, obedecendo às leis de associação, sempre perdendo rapidamente o objeto focal,
distanciando-se do centro de seu interesse produzido por um estímulo externo ou
interno.
A mente de algumas pessoas bem treinadas na arte da concentração, foca sobre um
objeto qualquer e exclui todo o qualquer objeto da periferia, consumindo para tal
prodígio grande quanto quantidade de energia; cria uma zona de grande conflito entre
centro e periferia e, portanto, tensão. Ora, sempre que damos as costas à margem, ao
periférico, para olharmos para o centro, acabamos por olhar o periférico por outro
ângulo; afinal o centro é um ponto, uma singularidade. Criamos, em verdade, uma
dualidade centro-periferia, mente superior-mente inferior, mantendo-nos no jogo eterno
da mente, que fraciona a realidade.
O ESTADO MEDITATIVO
A nova relação é um prestar atenção total às distrações da mente, perceber seu
movimento do centro para a periferia e deste para o centro, sem conflitos, sem esforço,
não há intenção nos movimentos. Neste estado há um total relaxamento da mente e a
atenção acontece, dá-se por si mesma.
Quando não há resistência à mente e a seus conteúdos, estes se esgotam por si
mesmos, não é possível esvaziar a mente, a mente esvazia-se a si mesma.
Surge um silêncio natural e fecundo. Neste estado a percepção acontece sem
deformações produzidas pelos conteúdos da mente, não há reações nascidas dos
condicionamentos adquiridos; pode-se agir retamente, pois a realidade é percebida em
sua inteireza. Cada olhar é um novo olhar, nada é velho, tudo é sempre novo para uma
mente inocente. é possível que você já tenha estado nesta condições, ainda que por
uma fração de segundo.. talvez olhando uma flor orvalhada pela manhã, ou ao ver uma
criança sorrindo, um crepúsculo, ou quem sabe o seu próprio rosto ao espelho; neste
instante atemporal não havia feio ou belo, certo ou errado, espiritual ou material,
passado ou futuro, havia apenas Vida... Vida em abundância.

Prof. Hermógenes é autor do livro


Auto Perfeição com Hatha-Yoga
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Viver é fácil; saber viver, no entanto, não é para qualquer um. Ainda mais quando se chega aos
80 anos de idade com a saúde perfeita, o corpo ágil, a mente funcionando a pleno vapor e o
coração repleto de amor e alegria. Exemplo vivo de que o corpo e mente são feitos para durar,
e não para adoecer, professor Hermógenes, descobriu na yoga a fonte da juventude. Ou
melhor: a fonte para prolongar a juventude e envelhecer bem.
O dia de Hermógenes após 5 horas de sono; inclui meditação, sempre em jejum antes dos sol
raiar; caminhadas de uma hora e meia ao som de mantras e orações; práticas de yoga (até
durante o banho); alimentação vegetariana que inclui, no café da manhã, iogurte caseiro com
granola, torradas e pão integral com queijo sem gordura e chá. Muita fruta, verdura, legume,
raiz, cereais integrais e as vezes peixe nas refeições; relaxamento profundo de no máximo 10
minutos, após o almoço. Além de muito entusiasmo para viver e vontade de continuar
produzindo.