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Processos de tratamento e reuso de esgotos Guia do profissional em treinamento Nível 2

Processos de tratamento e reuso de esgotos

Guia do profissional em treinamento

Nível 2

Promoção Rede Nacional de Capacitação e Extensão Tecnológica em Saneamento Ambiental – ReCESA

Realização Núcleo Regional Nordeste – NURENE

Instituições integrantes do NURENE Universidade Federal da Bahia (líder) | Universidade Federal do Ceará | Universidade Federal da Paraíba | Universidade Federal de Pernambuco

Financiamento Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência e Tecnologia I Fundação Nacional de Saúde do Ministério da Saúde I Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades

Apoio organizacional Programa de Modernização do Setor de Saneamento – PMSS

Comitê gestor da ReCESA

- Ministério das Cidades;

- Ministério da Ciência e Tecnologia;

- Ministério do Meio Ambiente;

- Ministério da Educação;

- Ministério da Integração Nacional;

- Ministério da Saúde;

- Banco Nacional de Desenvolvimento

Econômico Social (BNDES);

- Caixa Econômica Federal (CAIXA).

Parceiros do NURENE

Comitê consultivo da ReCESA

- Associação Brasileira de Captação e Manejo de Água de Chuva – ABCMAC

- Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES

- Associação Brasileira de Recursos Hídricos – ABRH

- Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública – ABLP

- Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais – AESBE

- Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento – ASSEMAE

- Conselho de Dirigentes dos Centros Federais de Educação Tecnológica – CONCEFET

- Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CONFEA

- Federação de Órgão para a Assistência Social e Educacional – FASE

- Federação Nacional dos Urbanitários – FNU

- Fórum Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas – FNCBHS

- Fórum Nacional de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras

– FORPROEX

- Fórum Nacional Lixo e Cidadania – LeP

- Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental – FNSA

- Instituto Brasileiro de Administração Municipal – IBAM

- Organização Pan-Americana de Saúde – OPAS

- Programa Nacional de Conservação de Energia – PROCEL

- Rede Brasileira de Capacitação em Recursos Hídricos – Cap-Net Brasil

- ARCE – Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará

- Cagece – Companhia de Água e Esgoto do Ceará

- Cagepa – Companhia de Água e Esgotos da Paraíba

- CEFET Cariri – Centro Federal de Educação Tecnológica do Cariri/CE

- CENTEC Cariri – Faculdade de Tecnologia CENTEC do Cariri/CE

- Cerb – Companhia de Engenharia Rural da Bahia

- Compesa – Companhia Pernambucana de Saneamento

- Conder – Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia

- EMASA – Empresa Municipal de Águas e Saneamento de Itabuna/BA

- Embasa – Empresa Baiana de Águas e Saneamento

- Emlur – Empresa Municipal de Limpeza Urbana de João Pessoa

- Emlurb / Fortaleza – Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização de Fortaleza

- Emlurb / Recife – Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife

- Limpurb – Empresa de Limpeza Urbana de Salvador

- SAAE – Serviço Autônomo de Água e Esgoto do Município de Alagoinhas/BA

- SANEAR – Autarquia de Saneamento do Recife

- SECTMA – Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Estado de Pernambuco

- SEDUR – Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Bahia

- SEINF – Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Infra-Estrutura de Fortaleza

- SEMAM / Fortaleza – Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Controle Urbano

- SEMAM / João Pessoa – Secretaria Executiva de Meio Ambiente

- SENAC / PE – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial de Pernambuco

- SENAI / CE – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Ceará

- SENAI / PE – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Pernambuco

- SEPLAN – Secretaria de Planejamento de João Pessoa

- SUDEMA – Superintendência de Administração do Meio Ambiente do Estado da Paraíba

- UECE – Universidade Estadual do Ceará

- UFMA – Universidade Federal do Maranhão

- UNICAP – Universidade Católica de Pernambuco

- UPE – Universidade de Pernambuco

Processos de tratamento e reuso de esgotos Guia do profissional em treinamento Nível 2

Processos de tratamento e reuso de esgotos

Guia do profissional em treinamento

Nível 2

EXX Esgotamento sanitário: processos de tratamento e reuso de esgotos: guia do profissional em treinamento: nível 2 / Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (org). – Salvador: ReCESA, 2008. 179 p.

Nota: Realização do NURENE – Núcleo Regional Nordeste; coordenação de Viviana Maria Zanta, José Fernando Thomé Jucá, Heber Pimentel Gomes e Marco Aurélio Holanda de Castro.

1. Saneamento e saúde. 2. Qualidade da água – fundamentos. 3.

Tecnologias de tratamento – operações, processos e graus. 4. Soluções individuais para destino e tratamento de esgotos domésticos. 5. Estações de tratamento de esgotos – concepção e arranjos. 6. Tratamento preliminar. 7. Tratamento primário. 8. Tratamento anaeróbio. 9. Lagoas de estabilização. 10. Tratamento aeróbio – noções. 11. Águas servidas e lodo – manejo e reuso. 12. Legislação aplicada. I. Brasil. Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental. II. Núcleo Regional Nordeste.

CDD – XXX.X

Catalogação da Fonte:

Coordenação Geral do NURENE Profª. Drª. Viviana Maria Zanta

Organização do guia Professor André Bezerra dos Santos

Créditos André Macedo Faço | Elisângela Maria Rodrigues Rocha Fernando José da Silva Araújo | Gilson Barbosa Athayde Júnior Marcos Erick Rodrigues da Silva | Neyliane Costa de Souza Paula Loureiro Paulo | Renato Carrhá Leitão Sandra Tédde Santaella | Soraia Tavares de Souza Gradvohl Suetônio Mota Marcos von Sperling | Silvio Roberto Magalhães Orrico Hugo Vítor Dourado de Almeida

Central de Produção de Material Didático Patrícia Campos Borja | Alessandra Gomes Lopes Sampaio Silva

Projeto Gráfico Marco Severo | Rachel Barreto | Romero Ronconi

Impressão

Fast Design

É permitida a reprodução total ou parcial desta publicação, desde que citada a fonte.

ApresentaçãoApresentaçãoApresentaçãoApresentação dadadada ReCESAReCESAReCESAReCESA

A criação do MinistérioMinistérioMinistérioMinistério dasdasdasdas CidadesCidadesCidadesCidades no Governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, permitiu que os imensos desafios urbanos passassem a ser encarados como política de Estado. Nesse contexto, a SecretariaSecretariaSecretariaSecretaria NacionalNacionalNacionalNacional dededede SaneamentoSaneamentoSaneamentoSaneamento AmbientalAmbientalAmbientalAmbiental (SNSA) inaugurou

um paradigma que inscreve o saneamento

como política pública, com dimensão urbana e ambiental, promotora de desenvolvimento e redução das desigualdades sociais. Uma concepção de saneamento em que a técnica e a tecnologia são colocadas a favor da prestação de um serviço público e essencial.

A missão da SNSA ganhou maior

relevância e efetividade com a agenda do saneamento para o quadriênio 2007- 2010, haja vista a decisão do Governo Federal de destinar, dos recursos reservados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), 40 bilhões de reais para investimentos em saneamento.

Nesse novo cenário, a SNSA conduz ações de capacitação como um dos instrumentos estratégicos para a modificação de paradigmas, o alcance de melhorias de desempenho e da qualidade na prestação dos serviços e a integração de políticas setoriais. O projeto de estruturação da RedeRedeRedeRede dededede CapacitaçãoCapacitaçãoCapacitaçãoCapacitação eeee ExtensãoExtensãoExtensãoExtensão TecnológicaTecnológicaTecnológicaTecnológica emememem SaneamentoSaneamentoSaneamentoSaneamento AmbientalAmbientalAmbientalAmbiental –––– ReCESAReCESAReCESAReCESA constitui importante iniciativa nessa direção.

A ReCESA tem o propósito de reunir um conjunto de instituições e entidades com

o objetivo de coordenar o

desenvolvimento de propostas

pedagógicas e de material didático, bem

como promover ações de intercâmbio e de

extensão tecnológica que levem em consideração as peculiaridades regionais e as diferentes políticas, técnicas e tecnologias visando capacitar profissionais para a operação, manutenção e gestão dos sistemas e serviços de saneamento. Para a estruturação da ReCESA foram formados Núcleos Regionais e um Comitê Gestor, em nível nacional.

Por fim, cabe destacar que este projeto tem sido bastante desafiador para todos nós: um grupo predominantemente formado por profissionais da área de engenharia que compreendeu a necessidade de agregar outros olhares e saberes, ainda que para isso tenha sido necessário "contornar todos os meandros do rio, antes de chegar ao seu curso principal".

ComitêComitêComitêComitê GeGestorGeGestorstorstor dadadada ReCESAReCESAReCESAReCESA

NURENENURENENURENENURENE

O Núcleo Regional Nordeste (NURENE) tem

por objetivo o desenvolvimento de

atividades de capacitação de profissionais da área de saneamento, em quatro estados da região Nordeste do Brasil:

Bahia, Ceará, Paraíba e Pernambuco.

O NURENE é coordenado pela

Universidade Federal da Bahia (UFBA), tendo como instituições co-executoras a Universidade Federal do Ceará (UFC), a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

O NURENE espera que suas atividades possam contribuir para a alteração do quadro sanitário do Nordeste e, consequentemente, para a melhoria da qualidade de vida da população dessa região marcada pela desigualdade social.

CoordenadoresCoordenadoresCoordenadoresCoordenadores InstitucionaisInstitucionaisInstitucionaisInstitucionais dodododo NURENENURENENURENENURENE

OsOsOsOs GuiasGuiasGuiasGuias

A coletânea de materiais didáticos

produzidos pelo NURENE é composta de

19 guias que serão utilizados nas Oficinas

de Capacitação para profissionais que

atuam na área de saneamento. Quatro guias tratam de temas transversais, quatro abordam o manejo das águas pluviais, três estão relacionados aos sistemas de abastecimento de água, três são sobre esgotamento sanitário e cinco versam sobre o manejo dos resíduos

sólidos e limpeza pública.

O público alvo do NURENE envolve

profissionais que atuam na área dos serviços de saneamento e que possuem um grau de escolaridade que varia do semi-alfabetizado ao terceiro grau.

Os guias representam um esforço do

NURENE no sentido de abordar as

temáticas de saneamento segundo uma proposta pedagógica pautada no reconhecimento das práticas atuais e em uma reflexão crítica sobre essas ações para a produção de uma nova prática capaz de contribuir para a promoção de

um saneamento de qualidade para todos.

EquipeEquipeEquipeEquipe dadadada CentralCentralCentralCentral dededede ProduçãoProduçãoProduçãoProdução dededede MaterialMaterialMaterialMaterial DidáticoDidáticoDidáticoDidático –––– CPMDCPMDCPMDCPMD

ApresentaçãoApresentaçãoApresentaçãoApresentação dadadada áreaáreaáreaárea temáticatemáticatemáticatemática

EsgotamentoEsgotamentoEsgotamentoEsgotamento sanitáriosanitáriosanitáriosanitário

O tema esgoto foi dividido em duas

grandes áreas: esgotamento sanitário e tratamento de esgotos. Na parte de

esgotamento sanitário, consideraram-se os aspectos relacionados aos fundamentos de projeto, operação e manutenção das diversas partes que compõem o sistema,

de forma a proporcionar à audiência uma

visão macro do assunto. Na parte do

tratamento de esgotos, procurou-se, além de abordar os aspectos de projeto, operação e manutenção de ETEs, atentar sobre a importância do mesmo na questão

da saúde pública, além de formas de reuso

de esgotos e lodo em irrigação. Finalmente, abordou-se o assunto qualidade de água e controle de poluição de uma maneira simples e objetiva, tentando assim mostrar a enorme importância do assunto aos dois públicos alvos do NURENE.

ConselhoConselhoConselhoConselho EditorialEditorialEditorialEditorial dededede EsgotamentoEsgotamentoEsgotamentoEsgotamento SanitárioSanitárioSanitárioSanitário

Sumário

Saneamento e saúde

09

Fundamentos de qualidade da água

19

Processos, níveis e tecnologias de tratamento

36

Destino e tratamento dos esgotos domésticos através de soluções individuais

48

Concepção e arranjos de estações de tratamento de esgotos

63

Tratamento preliminar de esgotos

73

Tratamento primário de esgotos

85

Tratamento anaeróbio de esgotos

92

Lagoas de estabilização

109

Noções de tratamento aeróbio de esgotos

124

Manejo e reuso de águas servidas

140

Legislação aplicada ao descarte de esgotos em corpos d’água e reuso de esgotos em irrigação

158

Referências

172

Saneamento e saúde

Autores: Suetônio Mota e Márcio Botto

Condições de saneamento básico e saúde

As ações de saneamento básico compreendem, principalmente, o abastecimento de água potável, o esgotamento sanitário e o manejo adequado das águas pluviais e dos resíduos sólidos. Essas ações integradas são indispensáveis para que várias enfermidades não ocorram em uma comunidade.

Muitas doenças são veiculadas a partir de fezes humanas e podem ser transmitidas de uma pessoa doente para uma sadia por meio da água ou pelo contato com o ambiente contaminado por dejetos.

O Brasil é um país com profunda desigualdade social, que torna um desafio as ações de promoção da saúde. Infelizmente, ainda é precário, no Brasil, o atendimento à população, por serviços de saneamento básico, especialmente o esgotamento sanitário.

Devido ao lançamento de efluentes de esgoto sem tratamento, com elevada carga de poluição, nos recursos hídricos e suas proximidades, a população está sujeita a captar água de poços ou mananciais superficiais, imprópria sanitariamente para consumo humano.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2005, 67% da população da região Nordeste contava com abastecimento de água por rede geral, enquanto este índice alcançava 79% para o Brasil. Essa disparidade regional é mostrada na Figura 1.

Fonte: IBGE Estatcart (2004), sistematizados por Botto (2006).
Fonte: IBGE Estatcart (2004), sistematizados
por Botto (2006).
IBGE Estatcart (2004), sistematizados por Botto (2006). F i g u r a F i g

FiguraFiguraFiguraFigura 1.1.1.1. Domicílios sem abastecimento de água por rede geral no Brasil. 2000.

Existe também, uma enorme disparidade nas condições de precariedade de saneamento entres as zonas rurais e urbanas. No Brasil, em 2000, 90% dos domicílios situados na área urbana eram abastecidos por rede geral, no entanto, somente 18% na área rural possuíam esse benefício.

Quanto ao esgotamento sanitário, os dados são mais alarmantes. De acordo com os dados levantados pelo IBGE, em 2005, somente 27% da população do Nordeste e 48 % da população do Brasil contavam com esgotamento sanitário por rede geral. A Figura 2 apresenta as condições de esgotamento sanitário para cada estado do Brasil. Esgotamento sanitário adequado nesse mapa significa a destinação dos efluentes para rede coletora pública ou para fossa séptica corretamente executada.

Não obstante, o indicador que mais impressiona é a falta de banheiros ou sanitários. Uma em cada quatro casas na região Nordeste não dispõe de um sanitário ou um banheiro, condição básica para destinar adequadamente os resíduos fecais (BOTTO, 2006).

Fonte: IBGE Estatcart (2004), sistematizados por Botto (2006).
Fonte: IBGE Estatcart (2004), sistematizados
por Botto (2006).
IBGE Estatcart (2004), sistematizados por Botto (2006). F i g u r a F i g

FiguraFiguraFiguraFigura 2.2.2.2. Domicílios sem esgotamento sanitário adequado no Brasil. 2000.

A inexistência de sistemas adequados para a destinação dos dejetos pode resultar no contato do homem com os mesmos, ocasionando a transmissão de várias doenças. Muitos microrganismos patogênicos estão presentes nas fezes humanas e podem alcançar outras pessoas por diversas maneiras, causando-lhe doenças.

A falta de sistemas de coleta, tratamento e destinação final dos esgotos sanitários resulta em formas inadequadas para sua disposição, tais como: lançamento em corpos de água; disposição em terrenos; infiltração no solo e conseqüente poluição da água subterrânea. Com isso, favorece-se o contato, de forma indireta, das pessoas com os dejetos, ocasionando a proliferação de doenças.

No Brasil, 17,4% das crianças e adolescentes vivem sem abastecimento de água interna no domicílio. Como conseqüência direta da falta de água tratada, a incidência de doenças relacionadas com a água se torna elevada, ocasionando um excessivo número de óbitos, principalmente de crianças de 0 a 5 anos, por diarréia aguda (OPS/OMS, 2002).

Isso ressalta a necessidade da adoção de sistemas adequados para destinação dos resíduos líquidos, especialmente a execução de serviços coletivos de coleta, tratamento e destinação final de esgotos domésticos.

O destino adequado dos dejetos humanos do ponto de vista sanitário visa,

fundamentalmente, a evitar a poluição do solo e dos mananciais e o contato de moscas e baratas (vetores) com as fezes, controlando e prevenindo as doenças a eles relacionadas. Do ponto de vista econômico, condições adequadas de saneamento propiciam uma diminuição das despesas com o tratamento de doenças evitáveis, redução do custo do tratamento da água de abastecimento, pela prevenção da poluição dos mananciais e o controle da poluição

das praias e dos locais de recreação, com o objetivo de promover o turismo e a preservação

da fauna aquática (FUNASA, 2006).

Mecanismos de contato com dejetos

Várias são as formas das pessoas terem contato com dejetos, como mostrado na Figura 3.

As principais destinações dos esgotos domésticos, tratados ou não, são os corpos de água.

O lançamento de esgotos na água geralmente contribui para a ocorrência de várias doenças,

seja pela sua ingestão, por contato com a pele e mucosas, ou quando a mesma é usada na

irrigação ou preparação de alimentos.

A disposição não controlada de esgotos no solo pode ser causa de doenças, adquiridas pelo

contato das mãos, dos pés ou de outras partes do corpo com o terreno contaminado.

A falta de higiene pessoal pode levar à transmissão de doenças pelo contato de pessoa a

pessoa (mão x mão) e à contaminação de alimentos por meio da manipulação feita por

pessoas que não lavam as mãos após o uso da privada.

As moscas e baratas encontram nos dejetos locais para reprodução e para alimentação,

podendo causar a contaminação de alimentos e do ambiente, resultando na transmissão de doenças. A carne de animais que se alimentam de fezes pode, também, causar doenças ao

ser humano, como, por exemplo, a teníase.

Para que as doenças veiculadas a partir de dejetos não ocorram é necessário evitar-se essas diversas vias de transmissão. Muitas doenças são evitadas com a execução de sistemas adequados de coleta, tratamento e destinação para os esgotos sanitários, seja por meio de soluções individuais (fossas), mais indicadas para edificações isoladas, ou seja, áreas de baixa densidade, ou pela implantação de serviços públicos de esgotamento sanitário, soluções mais recomendadas para as áreas urbanas.

Além disso, é importante a educação sanitária da população, para que, com a adoção de hábitos higiênicos, evite a contaminação de outras pessoas, dos alimentos e do ambiente.

Fonte: Adaptado de Mota (2006a).

Dejetos de p essoa doente   Ingestão     Água Irrigação   C ontato  
Dejetos de p essoa doente   Ingestão     Água Irrigação   C ontato  

Dejetos de

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doente

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Água

Irrigação

 
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C ontato

 
  Mãos

Mãos

Solo

 
Pés

Pés

 

descalços

Mãos

Mãos Mãos

Mãos

Alimentos

Alimentos

Moscas

Ambiente

Baratas

Baratas
 

Alimentos

 

Carne de

 
   

Animais

Animais Ingestão

Ingestão

FiguraFiguraFiguraFigura 3.3.3.3. Mecanismos de transmissão de doenças a partir dos dejetos.

Dejetos e doenças

Várias doenças podem ser transmitidas a partir dos dejetos humanos, por diversos mecanismos de veiculação, como mostrado na Figura 3.

O Quadro 1 relaciona algumas doenças veiculadas a partir de dejetos humanos, indicando os seus modos de transmissão. Como se pode constatar nesse quadro, os mecanismos de transmissão de doenças a partir de dejetos são: água, alimentos, mãos sujas, solo, moscas e baratas, carne de animais doentes.

A giardíase, por exemplo, tem sua transmissão pela ingestão de cistos maduros, por meio de águas e alimentos poluídos por fezes humanas, os quais podem ser contaminados, também, por cistos veiculados por moscas e baratas; de pessoa a pessoa, por meio de mãos sujas, em locais de aglomeração humana e onde há má higiene das mãos ao alimentar-se. Essa infecção é com facilidade adquirida quando crianças defecam no chão e, brincando com outras crianças, levam as mãos à boca (NEVES, 2000).

QuadroQuadroQuadroQuadro 1.1.1.1. Doenças transmitidas a partir de dejetos humanos e seus modos de transmissão

DOENÇADOENÇADOENÇADOENÇA

MODOSMODOSMODOSMODOS DEDEDEDE TRANSMISSÃOTRANSMISSÃOTRANSMISSÃOTRANSMISSÃO

Amebíase

Ingestão de água ou de alimentos contaminados, moscas, mãos sujas

Ancilostomíase

Contato com o solo contaminado

Ascaridíase

Ingestão de ovos contidos no solo e nos alimentos

Cólera

Ingestão de água ou de alimentos contaminados, mãos sujas, moscas

Diarréias infecciosas

Ingestão de água ou de alimentos contaminados, mãos sujas, moscas

Esquistossomose

Contato da pele ou mucosas com água contaminada

 

Febre tifóide

Ingestão de água ou de alimentos contaminados, mãos sujas

Febre paratifóide

Ingestão de água ou de alimentos contaminados, mãos sujas

Giardíase

Mãos contaminadas por fezes contendo cistos; água e alimentos na transmissão indireta

Hepatite infecciosa

Contaminação

feco-oral;

ingestão

de

água

e

alimentos

contaminados

Poliomelite

Indiretamente, por meio da ingestão de água contaminada; as moscas podem funcionar como vetores mecânicos

Teníase

Carne de animais doentes (que se alimentaram de fezes);

transferência direta da mão alimentos contaminados

à boca; ingestão

de

água ou

de

Fonte: Mota (2006a)

Moraes (2000) indica que a prevalência de Ascaris lumbricoides e Trichuris trichiura é maior em crianças moradoras de bairros sem esgotamento sanitário.

Segundo Marques (2003), citando outros autores, vários estudos mostram risco aumentado da diarréia e parasitoses em domicílios sem disposição adequada de dejetos, seja por rede pública ou fossa séptica.

A cólera é uma doença que tem nos dejetos a sua origem, sendo uma infecção intestinal aguda causada pelo Vibrio cholerae, que é uma bactéria capaz de produzir uma enterotoxina que causa diarréia. O V. cholerae penetra no organismo humano por ingestão de água ou de alimentos contaminados (transmissão fecal-oral). Uma pessoa infectada elimina o V. cholerae nas fezes por, em média, 7 a 14 dias. A água e os alimentos podem ser contaminados, principalmente, por fezes de pessoas infectadas, com ou sem sintomas. Nos anos de 1996 a 2000 ocorreram 12.284 casos confirmados de cólera no Brasil. A forma mais efetiva de impedir a instalação da cólera em uma localidade é a existência de infra-estrutura de saneamento básico adequada (PEDRO et al., 2007).

Outra enfermidade veiculada a partir de dejetos é a febre tifóide, enfermidade infecciosa

potencialmente grave, causada por uma bactéria, a Salmonella typhi. A principal forma de

transmissão é a ingestão de água ou de alimentos contaminados com fezes humanas ou,

menos freqüentemente, com urina contendo a S. typhi. Mais raramente, pode ser transmitida

pelo contato direto (mão-boca) com fezes, urina, secreção respiratória, vômito ou pus

provenientes de um indivíduo infectado. De 1996 a 2006 foram confirmados 12.303 casos

de febre tifóide no Brasil (CASTIÑEIRA et al., 2007).

Nos países em desenvolvimento, a doença diarréica está entre as principais causas de

morbi-mortalidade em crianças, sendo ocasionada, predominantemente, pela transmissão

feco-oral, veiculada por água e alimentos contaminados por dejetos, devido à falta de um

adequado esgotamento sanitário.

Um estudo apresentado na Rio+10 pelo Pacific Institute of Oakland, indicou que o número

de mortes em decorrência do uso de água de baixa qualidade pode ultrapassar o de mortes

causadas pela pandemia global de Aids nas próximas duas décadas. Mesmo se os atuais

objetivos das Nações Unidas forem alcançados, ainda assim, 76 milhões de pessoas, a

maioria crianças, poderão morrer devido a doenças evitáveis relacionadas com a água, até

2020 (SAÚDE e TECNOLOGIA, 2002).

VocêVocêVocêVocê sabia sabia sabia sabia A falta de acesso à água e saneamento, mata uma
VocêVocêVocêVocê sabia
sabia
sabia
sabia
A falta de acesso à água e saneamento, mata uma criança a cada 19 segundos,
em decorrência de diarréia?
Infecções parasitárias transmitidas pela água ou pelas más condições de
saneamento atrasam a aprendizagem de 150 milhões de crianças. Em razão
dessas doenças, são registradas 443 milhões de faltas escolares por ano?
Fonte: http://www.undp.org
Você já relacionava a existência de alguma dessas Debate doenças com as deficiências dos sistemas
Você já relacionava a existência de alguma dessas
Debate
doenças com as deficiências dos sistemas de
esgotamento sanitário? Qual delas?

Controle de doenças veiculadas a partir de dejetos

De acordo com Heller (1997), é possível afirmar, com segurança, que intervenções em

abastecimento de água e em esgotamento sanitário provocam impactos positivos em

diversos indicadores de saúde. É necessário, no entanto, o aprofundamento dessa

compreensão para situações particularizadas, em termos da natureza da intervenção, do

indicador medido, das características sócio-econômicas e culturais da população beneficiada

e do efeito interativo das intervenções em saneamento e destas com outras medidas

relacionadas à saúde.

http://www.educarede.org.br/educa/index.cfm?pg=oassu

Heller (1997) ressalta, também, a grande importância da adoção de hábitos higiênicos para a melhoria das condições de saúde, como medida complementar a implantação das instalações de saneamento.

A seguir, são comentadas as diversas medidas preventivas a serem adotadas no controle de doenças veiculadas a partir dos dejetos.

DestinaçãoDestinaçãoDestinaçãoDestinação adequadaadequadaadequadaadequada paraparaparapara osososos esgotosesgotosesgotosesgotos sanitáriossanitários:sanitáriossanitários A melhor maneira de evitar o contato de pessoas com dejetos é a execução de sistemas adequados de coleta, tratamento e destinação final para os esgotos sanitários. Em regiões isoladas, podem ser usadas as fossas: fossa seca ou ecológica, onde não há água encanada; e fossa séptica, composta de tanque séptico e sumidouro, onde as privadas são providas com descarga de água. Nos centros urbanos com elevada densidade demográfica, a solução mais indicada é a rede coletora pública de esgoto seguida de estação de tratamento de esgoto, onde o mesmo tem suas cargas poluidoras reduzidas antes de ser lançado em algum corpo receptor. No entanto, muitas cidades ou partes delas ainda não dispõem de eficientes sistemas públicos coletores de esgoto, sendo indicado o uso de fossas sépticas, as quais, quando não dimensionadas e executadas de forma adequada podem resultar em problemas de contaminação ambiental (do solo e da água). Em ocupações urbanas ou rurais com baixas densidades populacionais, podem ser executadas soluções individuais para os esgotos, como as fossas sépticas, adotando-se os necessários cuidados para evitar a poluição ambiental.

SistemasSistemasSistemasSistemas dededede abastecimentoabastecimentoabastecimentoabastecimento dededede
SistemasSistemasSistemasSistemas dededede abastecimentoabastecimentoabastecimentoabastecimento dededede ááguaááguagua:gua Como
demonstrado, muitas doenças estão
relacionadas com a água, seja por ingestão
ou contato com a mesma. Assim, um
sistema de distribuição de água potável à
população constitui uma das medidas mais
eficazes de controle da transmissão de
doenças. A água a ser consumida pela
população deve ser, preferencialmente,
tratada em estações de tratamento, na
qual haja a desinfecção para a eliminação
de microrganismos patogênicos. Na
ausência de distribuição de água potável
pelo serviço público, devem ser adotadas
medidas simplificadas, caseiras, de
tratamento da água, como o uso de
hipoclorito de sódio, a fervura, a
desinfecção solar dentre outras
ntoe.internaeid_tema=6eid_subtema=5ecd_area_atv=5

FiguraFiguraFiguraFigura 4.4.4.4. Sistema de abastecimento de água.

VocVocêVocVocêêê sabia sabia sabia sabia No mundo, as estimativas apontam para 1,1 bilhão de pessoas
VocVocêVocVocêêê sabia
sabia
sabia
sabia
No mundo, as estimativas apontam para 1,1 bilhão de pessoas sem acesso a
água limpa, sendo que, dessas, cerca de duas em cada três vivem com menos de
dois dólares por dia?
Fonte: http://www.undp.org

ProteçãoProteçãoProteçãoProteção dosdosdosdos alimentosalimentos:alimentosalimentos Alimentos ingeridos crus não devem ser irrigados com água que recebeu esgotos. Na preparação de alimentos deve ser usada água de qualidade adequada. Quando houver dúvidas sobre a procedência dos alimentos, os mesmos devem ser bem lavados em água limpa, antes de sua ingestão. Os alimentos devem ser protegidos do acesso de vetores transmissores de doenças, como as moscas e as baratas.

EducaçãoEducaçãoEducaçãoEducação SanitáriaSanitária:SanitáriaSanitária O impacto das ações de saneamento básico na incidência de doenças pode variar, dependendo do comportamento da população quanto aos hábitos de higiene. Segundo Marques (2003), para se avançar na redução da morbi-mortalidade por diarréia e da prevalência de parasitoses intestinais, poderão ser necessárias mudanças comportamentais somadas aos investimentos em saneamento básico. Não há dúvidas que uma população que conta com serviços adequados de abastecimento de água e de esgotamento sanitário tem menor risco de adquirir alguns tipos de doenças. No entanto, a implantação desses serviços deve ser acompanhada da educação da população para a adoção de práticas higiênicas, tais como: higiene corporal, incluindo a lavagem das mãos após o uso da privada; evitar o contato do solo com as mãos ou com pés descalços; controle do manuseio dos alimentos; combate a insetos vetores de doenças. O Quadro 2 relaciona a redução de casos de doenças diarréicas com intervenções realizadas na comunidade.

QuadroQuadroQuadroQuadro 2.2.2.2. Redução de doenças diarréicas a partir de intervenções na comunidade

INTINTERVENÇÃOINTINTERVENÇÃOERVENÇÃOERVENÇÃO

REDUÇÃOREDUÇÃOREDUÇÃOREDUÇÃO DEDEDEDE DOENÇASDOENÇASDOENÇASDOENÇAS DIARRÉICASDIARRÉICASDIARRÉICASDIARRÉICAS

Higiene (educação sanitária)

45%

Qualidade de água melhorada

39%

Saneamento melhorado

32%

Quantidade de água melhorada

21%

Fonte: OMS (2004)

Fonte: http://www.undp.org

Considerações finais

Pode-se afirmar que o controle da transmissão de doenças a partir de esgotos sanitários depende, basicamente, das ações constantes do trinômio indicado na Figura 5.

ESGOTAMENTOESGOTAMENTOESGOTAMENTOESGOTAMENTO SANITÁRIOSANITÁRIOSANITÁRIOSANITÁRIO

ESGOTAMENTOESGOTAMENTOESGOTAMENTOESGOTAMENTO

SANITÁRIOSANITÁRIOSANITÁRIOSANITÁRIO

ABASTECIMENTOABASTECIMENTOABASTECIMENTOABASTECIMENTO DEDEDEDE ÁGUAÁGUAÁGUAÁGUA POTÁVPOTÁVELPOTÁVPOTÁVELELEL

ÁGUAÁGUAÁGUAÁGUA POTÁVPOTÁVELPOTÁVPOTÁVELELEL EDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃO
ÁGUAÁGUAÁGUAÁGUA POTÁVPOTÁVELPOTÁVPOTÁVELELEL EDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃO

EDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃOEDUCAÇÃO

SANITÁRIASANITÁRIASANITÁRIASANITÁRIA

FiguraFiguraFiguraFigura 5.5.5.5. Ações para o controle de doenças veiculadas a partir de dejetos

Para que não ocorram doenças transmissíveis por microrganismos patogênicos presentes em esgotos sanitários (nas fezes humanas), em uma comunidade, são indispensáveis as seguintes ações:

implantação de sistema de abastecimento de água potável.

execução de rede coletora e de estação de tratamento de esgoto sanitário.

educação da população para a adoção de hábitos de higiene pessoal e do ambiente.

Para refletir Você consegue compreender as relações entre o nível de atendimento dos serviços de
Para refletir
Você consegue compreender as relações entre o nível de atendimento dos serviços de
saneamento e a qualidade de vida das pessoas?
De quais maneiras você imagina que a falta de um sistema adequado de coleta e
tratamento de esgoto sanitário pode afetar a qualidade de vida das pessoas?

Exercícios propostos

1. Explique a relação existente entre saneamento e saúde pública.

2. Enumere as principais formas que um agente patogênico pode chegar ao homem.

3. Descreva as principais medidas de controle de doenças.

4.

Pesquise sobre a situação do saneamento em sua cidade, em termos de abastecimento

de água, esgotamento sanitário e resíduos sólidos.

Fundamentos de qualidade da água

Autores: Soraia Tavares de Souza Gradvohl, Neyliane Costa de Souza e André Bezerra dos Santos

Poluição e contaminação das águas

A poluição das águas é principalmente resultante da adição de substâncias que alteram a natureza do corpo hídrico e prejudicam os usos subseqüentes (VON SPERLING, 2005). Esse conceito é relativo, já que indica que a água pode ser considerada poluída para certo uso e, ao mesmo tempo, não poluída para outra finalidade. Tal fato decorre das próprias características apresentadas pela água, que são definidas conforme o uso a que será dado, por exemplo: a água para abastecimento humano deve apresentar características bem mais restritivas do que para a atividade de navegação. As finalidades, bem como suas características inerentes, são definidas e regulamentadas conforme as classes de enquadramento dos corpos hídricos, que atualmente seguem a Resolução N o 357/2005 do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

O homem contribui direta e indiretamente para a poluição e lançamento de poluentes através de emissões pontuais (carga poluidora de forma concentrada) ou difusas (carga poluidora dispersa, de forma distribuída). As principais fontes de poluição encontram-se listadas no Quadro 3.

QuadroQuadroQuadroQuadro 3.3.3.3. Principais fontes de poluição da água.

De

superficiais

águas

Esgotos domésticos e industriais. Águas pluviais (carreamento de impurezas no solo, esgotos lançados nas galerias e precipitação de poluentes atmosféricos). Resíduos sólidos. Erosão nas margens de mananciais (carreamento do solo) Pesticidas, fertilizantes, detergentes, etc. Infiltração de esgotos (sumidouros, valas de infiltração, fossas sépticas, sistemas de tratamento de esgotos e sistemas de irrigação, quando há reuso). Percolação de chorume (depósitos de resíduos sólidos). Infiltração de águas poluídas com impurezas, pesticidas, fertilizantes, detergentes, poluentes atmosféricos, etc. Vazamentos de tubulações e depósitos subterrâneos. Injeção de esgotos no subsolo. Intrusão salina (próximo ao mar). Outras fontes: cemitérios, minas, depósitos de materiais radioativos, etc.

De

subterrâneas

águas

Fonte: Adaptado de Mota (2006a).

Alguns poluentes estão associados diretamente à transmissão de doenças relacionadas com a água, gerando, portanto, uma preocupação sob o ponto de vista de saúde pública. Quando a poluição existente ocasiona prejuízos à saúde humana diz-se que a água está contaminada. Logo, toda água contaminada é poluída, mas a recíproca não é verdadeira. O grau de poluição de um dado ambiente é avaliado mediante a análise dos parâmetros físico- químicos e biológicos de qualidade de águas, os quais serão detalhados no presente capítulo.

Principais parâmetros de qualidade da água

ParâmetrosParâmetrosParâmetrosParâmetros FísicosFísicosFísicosFísicos

Os parâmetros de qualidade de água são de suma importância para verificação de atendimento aos padrões de potabilidade, balneabilidade, lançamento de esgoto tratado em corpos d’água, reuso de águas em irrigação, piscicultura, indústria, etc. A água pode ser avaliada tanto com relação aos aspectos físico-químicos quanto aos aspectos biológicos. Dentre as características físicas de qualidade da água, são de fácil percepção a cor, turbidez, sólidos, temperatura e odor, os quais são comentados a seguir, baseados em APHA (1998), Metcalf e Eddy (2003), Jordão e Pessoa (2005) e Von Sperling (2005).

CorCorCorCor

A presença de cor na água pode ser resultado de resíduos de origem mineral ou
A presença de cor na água pode ser resultado de resíduos de origem
mineral ou vegetal, causada por substâncias como ferro ou manganês,
matérias húmicas, taninos, algas, plantas aquáticas e protozoários, ou por
resíduos orgânicos ou inorgânicos de indústrias, tais como produtos de
mineração, polpa, papel, etc. Nas estações de tratamento de água e esgoto
(que possuam efluentes coloridos), a determinação da cor é imprescindível,
por ser um parâmetro operacional de controle da qualidade da água nas
diversas etapas do tratamento, servindo como base para a obtenção dos
valores ideais das dosagens de produtos químicos quando são utilizados
processos de tratamento físico-químicos. A cor pode ser dita verdadeira ou
aparente, em que a cor verdadeira é obtida pela centrifugação ou filtração
da amostra.

TurbidezTurbidezTurbidezTurbidez

Causada por sólidos em suspensão, tais como partículas inorgânicas como areia, silte e argila, e
Causada por sólidos em suspensão, tais como partículas inorgânicas como
areia, silte e argila, e partículas orgânicas como algas, bactérias, plâncton
em geral, etc. Há uma preocupação adicional no que se refere à presença
de turbidez nas águas submetidas à desinfecção, já que os sólidos
presentes podem abrigar microrganismos, protegendo-os contra a ação do
agente desinfetante.

SólidosSólidosSólidosSólidos

No âmbito do saneamento ambiental, sólidos nas águas correspondem a toda matéria que permanece como
No âmbito do saneamento ambiental, sólidos nas águas correspondem a
toda matéria que permanece como resíduo, após evaporação, secagem ou
calcinação da amostra a uma temperatura pré-estabelecida durante um
tempo fixado. Em linhas gerais, as operações de secagem, calcinação e
filtração são as que definem as diversas frações de sólidos presentes na
água (sólidos totais, em suspensão, dissolvidos, fixos e voláteis). Têm
importância nos estudos de controle de poluição das águas naturais e,
principalmente, nos estudos de caracterização de esgotos sanitários e de
efluentes industriais. As determinações dos níveis de concentração das
diversas frações de sólidos resultam em um quadro geral da distribuição
das partículas com relação ao tamanho (sólidos em suspensão e
dissolvidos) e à natureza (fixos ou minerais e voláteis ou orgânicos).

Frações

a) Sólidos Totais (ST): resíduo que resta na cápsula após a evaporação em banho-maria de

uma porção de amostra e sua posterior secagem em estufa a 103-105°C até peso constante. Também denominado resíduo total.

b) Sólidos em Suspensão (ou sólidos suspensos) (SS): porção dos sólidos totais que fica

retida em um filtro que propicia a retenção de partículas de diâmetro maior ou igual a 1,2 µm. Também denominado resíduo não filtrável. c) Sólidos Dissolvidos (SD): porção dos sólidos totais que passa pelo filtro, Também

denominado resíduo filtrável. É obtido pela diferença entre ST e SS.

d) Sólidos Voláteis (SV): porção dos sólidos (sólidos totais, suspensos ou dissolvidos) que se

perde após a ignição ou calcinação da amostra a 550-600°C, durante uma hora para sólidos totais ou dissolvidos voláteis ou 15 minutos para sólidos em suspensão voláteis, em forno

mufla. Também denominado resíduo volátil.

e) Sólidos Fixos (SF): porção dos sólidos (totais, suspensos ou dissolvidos) que resta após a

ignição ou calcinação a 550-600°C após uma hora (para sólidos totais ou dissolvidos fixos)

ou 15 minutos (para sólidos em suspensão fixos) em forno-mufla. Também denominado resíduo fixo.

f) Sólidos Sedimentáveis (SSed): porção dos sólidos em suspensão que se sedimenta sob a

ação da gravidade durante um período de uma hora, a partir de um litro de amostra mantida em repouso em um cone Imhoff.

A temperatura é uma condição ambiental muito importante em diversos estudos relacionados ao monitoramento da qualidade de águas e no tratamento de esgotos, já que interfere diretamente nas taxas de reprodução da biota aquática e nos microrganismos envolvidos no tratamento de esgotos. O aumento da temperatura provoca o aumento da velocidade das reações, em particular as de natureza bioquímica de decomposição de compostos orgânicos. Entretanto, o incremento da temperatura diminui a solubilidade de gases dissolvidos na água, em particular o oxigênio, base para a decomposição aeróbia.

TemperaturaTemperaturaTemperaturaTemperatura

Guia do profissional em treinamento - ReCESAReCESAReCESAReCESA 21

A água pura não produz sensação de odor nos sentidos humanos. Uma das principais fontes de odor nas águas naturais é a decomposição biológica da matéria orgânica. No meio anaeróbio, isto é, no lodo de fundo de rios e de represas e, em situações críticas, em toda a massa líquida, ocorre a formação do gás sulfídrico, H2S, que apresenta odor típico de ovo podre, de mercaptanas e amônia, esta última ocorrendo também em meio aeróbio. Águas eutrofizadas, isto é, águas em que ocorre a floração excessiva de algas devido à presença de grandes concentrações de nutrientes liberados de compostos orgânicos biodegradados, podem também manifestar odor. Em tratamento de esgotos, compostos odoríferos podem ser gerados em ETEs (Estações de Tratamento de Esgotos) que possuam tratamento anaeróbio como lagoas de estabilização, digestores anaeróbios de fluxo ascendente (DAFAs), fossas sépticas, filtros anaeróbios, etc., sendo algumas vezes o limitante da seleção do tipo de tratamento de esgotos adotado.

OdorOdorOdorOdor

ParâmetrosParâmetrosParâmetrosParâmetros QuímicosQuímicosQuímicosQuímicos São relacionados tanto com os agentes químicos do ar e solo durante o ciclo biogeoquímico, quanto provenientes da poluição antrópica, podendo ser de natureza orgânica ou inorgânica. Os principais parâmetros químicos de qualidade de água são: matéria orgânica (DBO e DQO), pH, alcalinidade, cloretos, amônia, nitrato, nitrito, fósforo total, ortofosfato, sulfato e sulfeto, os quais serão discutidos a seguir, baseados em APHA (1998), Jordão e Pessoa (2005) e Von Sperling (2005).

MatériaMatériaMatériaMatéria orgânicaorgânicaorgânicaorgânica Nas águas residuárias, encontra-se presente uma grande variedade de compostos orgânicos, que podem estar suspensos ou dissolvidos. Estes compostos são constituídos de matériamatériamatériamatéria orgânicaorgânicaorgânicaorgânica carbonáceacarbonáceacarbonáceacarbonácea (que tem como base o carbono orgânico) e microrganismos (vivos ou mortos).

MatériaMatériaMatériaMatéria orgânicaorgânicaorgânicaorgânica carbonácea:carbonácea:carbonácea:carbonácea:
MatériaMatériaMatériaMatéria orgânicaorgânicaorgânicaorgânica carbonácea:carbonácea:carbonácea:carbonácea: Corresponde à matéria presente
no esgoto que pode ser consumida pelos microorganismos em
seus processos metabólicos. As principais categorias de
matéria orgânica encontrada nos esgotos sanitários são
proteínas, carboidratos, gorduras e óleos, além de uréia,
fenóis, pesticidas, entre outros (COSSICH, 2006).

Dentre os métodos de laboratório mais empregados para quantificar a matéria orgânica num corpo d’água, destacam-se os testes da Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) e Demanda Química de Oxigênio (DQO), ambos baseados na oxidação do material orgânico. Em ambos, a concentração do material orgânico está relacionada ao consumo de oxidante para a oxidação. As diferenças essenciais entre os testes estão no oxidante utilizado e nas condições operacionais de cada teste. É fundamental salientar que os compostos orgânicos avaliados no teste podem ser divididos em dois grupos:

1. Biodegradáveis: compostos que podem ser oxidados biologicamente pelos microrganismos presentes no meio; 2. Não-biodegradáveis: compostos que não podem ser degradados biologicamente, como alguns tipos de detergentes e de derivados de petróleo, por exemplo.

No teste da DBO, detecta-se somente a fração biodegradável, ou seja, a fração não biodegradável não interfere no teste. Já no teste da DQO, são detectadas ambas as frações biodegradáveis e não biodegradáveis. Assim, para a mesma amostra de esgoto, sempre a DQO será superior à DBO.

Considerando-se a importância desses dois testes na análise de qualidade de água, a DQO em função da simplicidade do teste e a DBO por melhor traduzir a possibilidade ou não de processos biológicos de tratamento de esgotos, eles serão mais detalhados a seguir:

Demanda Bioquímica de Oxigênio

É definida como a quantidade de oxigênio dissolvido (OD) necessária para estabilizar a

matéria orgânica através da ação de bactérias aeróbias. Em outras palavras, a DBO é a diferença de OD no início do teste e após um tempo de incubação de cinco dias a 20 ºC.

A DBO é expressa em mgO 2 /L.

A DBO possui a capacidade de definir a quantidade de matéria orgânica presente que, por

sua vez, determina o grau de poluição de uma água residuária.

Atenção!!!Atenção!!!Atenção!!!Atenção!!!

Note que: quanto maior é a DBO do esgoto, maior será o dano que o mesmo pode causar no ambiente.

Demanda Química de Oxigênio Este parâmetro mede a concentração da matéria orgânica indiretamente pela oxidação da mesma por um agente químico oxidante, em meio ácido. Uma das grandes vantagens sobre

a DBO é o tempo de resposta (apenas 2 horas). Além disso, consegue envolver tudo o que é

susceptível a demandas de oxigênio, como sais minerais oxidáveis e não somente a demanda satisfeita biologicamente. Outra vantagem é que não está sujeito à interferência da nitrificação, como na DBO.

A DQO é também expressa em mgO 2 /L.

Atenção!!!Atenção!!!Atenção!!!Atenção!!!

Note que: quanto maior é a DQO do esgoto, maior será o consumo de oxigênio nos corpos d’água e maior o potencial de dano no meio ambiente.

pHpHpHpH eeee alcalinidadealcalinidadealcalinidadealcalinidade

O termo pH expressa a intensidade da condição ácida ou básica de um certo meio.
O termo pH expressa a intensidade da condição ácida ou básica de
um certo meio. Os esgotos sanitários apresentam-se, de um modo
geral, neutros ou ligeiramente alcalinos (pH de 6,7 a 7,5).
A determinação do pH é uma das mais comuns e importantes no
contexto do tratamento de águas residuárias por processos
químicos ou biológicos. Nestas circunstâncias, o pH deve ser
mantido em faixas adequadas ao desenvolvimento das reações
químicas ou bioquímicas do processo. No tratamento de lodos de
ETE’s, especificamente através da digestão anaeróbia, o pH
representa um dos principais parâmetros de controle do processo.
Alcalinidade é a medida da capacidade do líquido em neutralizar
ácidos. Ela é um importante parâmetro físico-químico devido à
capacidade de atuar no tamponamento do sistema e evitar a queda
do pH que pode levar o processo de tratamento ao colapso
Definida como a medida de sua capacidade de conduzir corrente elétrica sendo dependente do número
Definida como a medida de sua capacidade de conduzir corrente
elétrica sendo dependente do número e do tipo de espécies
iônicas nela dispersas. Este parâmetro é geralmente expresso
em mhos/cm ou S/cm. Águas de abastecimento e águas
residuárias domésticas têm geralmente valores de condutividade
entre 50 e 1500 S/cm, sendo a condutividade do esgoto 2-4
vezes superior a da água. Medidas de condutividade são
importantes na prática da irrigação, aqüicultura e prevenção de
corrosão, especialmente na área do reuso de águas.

CondutividadeCondutividadeCondutividadeCondutividade

NitrogênioNitrogênioNitrogênioNitrogênio

Dentre os componentes inorgânicos presentes no esgoto, o nitrogênio em sua forma orgânica merece especial
Dentre os componentes inorgânicos presentes no esgoto, o nitrogênio
em sua forma orgânica merece especial atenção nas análises de
qualidade de água, não somente por ser um nutriente indispensável para
o crescimento dos microrganismos envolvidos no tratamento biológico de
esgotos, como também por possibilitar o desenvolvimento de algas e
plantas aquáticas (eutrofização) e subseqüente comprometimento da
qualidade dos corpos receptores.
No meio aquático, o nitrogênio pode-se encontrar nas formas molecular
(gasosa), orgânica (dissolvida ou em suspensão), amoniacal como amônia
livre (NH3) ou ionizada (NH4+), de nitritos (NO2-) e de nitratos (NO32-).

Um resumo das principais formas de nitrogênio é apresentado no Quadro 4.

QuadroQuadroQuadroQuadro 4.4.4.4. Principais formas de nitrogênio presentes nos esgotos.

FormasFormasFormasFormas dededede nitrogênionitrogênionitrogênionitrogênio

AbreviaçãoAbreviaçãoAbreviaçãoAbreviação

DefiniçãoDefiniçãoDefiniçãoDefinição

Amônia livre

NH3

NH3

Amônia ionizada

NH4 +

NH4 +

Nitrogênio total amoniacal

NTA

NH3 + NH4 +

Nitrito

NO2 -

NO2 -

Nitrato

NO3 -

NO3 -

Nitrogênio total inorgânico

NTI

NH3 + NH4 + + NO2 - + NO3 -

Nitrogênio total Kjeldahl

NTK

N orgânico + NH3 + NH4 +

Nitrogênio orgânico

N orgânico

NTK – (NH3 + NH4 + )

Nitrogênio Total

NT

N orgânico + NH3 + NH4 + + NO2 - + NO3 -

Fonte: Metcalf e Eddy (2003).

Pelo fato de o nitrogênio ser um constituinte natural de proteínas, clorofila e muitos outros compostos biológicos, ele é um componente sempre presente nos esgotos sanitários. Nesses, as formas predominantes são o orgânico e o amoniacal (cerca de 99% do nitrogênio total). Para o nitrogênio amoniacal, a forma NH 3 (amônia livre) é predominante em valores de pH superiores a 11, sendo a forma ionizada NH 4 + predominante em pH inferior a 8. Deve-se salientar que a presença de amônia livre, mesmo em pequenas concentrações, é prejudicial aos peixes.

O nitrito e nitrato podem ser formados através da oxidação da amônia, em um processo chamado nitrificação, o qual é realizado por bactérias autotróficas (não necessitam de carbono presente na matéria orgânica carbonácea para o seu crescimento, mas o adquire a partir do CO 2 ) na presença de oxigênio. Em outro processo chamado de desnitrificação, o nitrato formado é convertido em gás nitrogênio, o qual é realizado por bactérias heterotróficas (necessitam de carbono presente na matéria orgânica carbonácea) na ausência de oxigênio. A nitrificação, que ocorre em alguns processos de tratamento, consome oxigênio dissolvido e alcalinidade, provocando subseqüente redução do pH, o que, se não for controlado, pode trazer sérios problemas de eficiência da estação.

Atenção!!!Atenção!!!Atenção!!!Atenção!!!

Amônia Nitrito Nitrato (Nitrificação)

Nitrato Gás nitrogênio (Desnitrificação)

Nos cursos d’água, a presença de compostos de nitrogênio pode ser um indicador de despejos de esgotos a montante e da “idade” destas ocorrências. Por exemplo, a presença excessiva de nitrogênio amoniacal indicará poluição recente e a predominância de nitratos é um indício de uma descarga mais antiga ou mais distante.

O fósforo, assim como o nitrogênio, é um nutriente essencial para os microrganismos responsáveis pela
O fósforo, assim como o nitrogênio, é um nutriente essencial
para os microrganismos responsáveis pela degradação da
matéria orgânica, além de também contribuir para o processo
de eutrofização. O fósforo presente nos esgotos sanitários tem
origem principalmente da urina humana e do emprego de
detergentes, apresentando-se, sobretudo, nas formas
inorgânicas de ortofosfato, poli ou pirofosfatos e fósforo
orgânico. Os ortofosfatos são diretamente disponíveis para o
metabolismo biológico sem necessidade de conversões a
formas mais simples.

FósforoFósforoFósforoFósforo TotalTotalTotalTotal eeee OrtofosfatoOrtofosfatoOrtofosfatoOrtofosfato

A presença de sulfeto em águas residuárias se deve, principalmente, à redução do sulfato presente
A presença de sulfeto em águas residuárias se deve,
principalmente, à redução do sulfato presente pelas bactérias
que atuam nesse processo (BRS – bactérias redutoras de
sulfato). Em estações de tratamento de esgotos, a produção e
emissão de sulfeto de hidrogênio (H2S) causam odor repulsivo.
Em redes coletoras de esgoto construídas em concreto, o
sulfeto pode causar corrosão nas paredes devido a sua
conversão a ácido sulfúrico (H2SO4).

SulfatoSulfatoSulfatoSulfato eeee SulfetoSulfetoSulfetoSulfeto

O oxigênio dissolvido (OD) é de essencial importância para os organismos aeróbios. Durante a estabilização
O oxigênio dissolvido (OD) é de essencial importância
para os organismos aeróbios. Durante a estabilização da
matéria orgânica, as bactérias fazem uso do oxigênio
nos seus processos respiratórios, podendo vir a causar
uma redução de sua concentração no meio.

OxigênioOxigênioOxigênioOxigênio DissolvidoDissolvidoDissolvidoDissolvido (OD)(OD)(OD)(OD)

CloretosCloretosCloretosCloretos

Geralmente estão presentes em águas brutas e tratadas em concentração que podem variar de pequenos
Geralmente estão presentes em águas brutas e tratadas em
concentração que podem variar de pequenos traços até altas
concentrações, encontrando-se principalmente nas formas de
cloretos de sódio, cálcio e magnésio. Concentrações altas de cloretos
em esgotos podem restringir o descarte de efluentes em corpos
d’água e reuso de águas em irrigação, piscicultura e industrial. Os
métodos convencionais de tratamento de água e esgoto não removem
cloretos.

Os principais parâmetros químicos de qualidade de água são resumidos no Quadro 5.

QuadroQuadroQuadroQuadro 5.5.5.5. Principais parâmetros químicos de qualidade de água.

Matéria Orgânica

Proteínas, carboidratos, óleos e graxas, uréia, moléculas orgânicas

naturais ou sintéticas.

Quantificação realizada em laboratório:

DBO5 - Demanda Bioquímica de Oxigênio

DQO - Demanda Química de Oxigênio

COT - Carbono Orgânico Total

Matéria

N e P são nutrientes que podem levar à eutrofização dos corpos

inorgânica

receptores;

Sais salinização de solos e água;

Chumbo, arsênio, cromo, mercúrio, cianeto, zinco etc. diferentes

níveis tóxicos aos organismos dos ecossistemas.

pH e Alcalinidade

Gases N2, O2, CO2, H2S, CH4 (mais freqüentes)

Fonte: Adaptado de Metcalf e Eddy (2003).

Debate Dos parâmetros físicos e químicos apresentados até agora, qual (ou quais) você acredita ser

Debate

Dos parâmetros físicos e químicos apresentados até agora, qual (ou quais) você acredita ser o
Dos parâmetros físicos e químicos apresentados
até agora, qual (ou quais) você acredita ser o
mais importante na operação de um sistema de
tratamento de esgotos?

CaracterísticasCaracterísticasCaracterísticasCaracterísticas BiológicasBiológicasBiológicasBiológicas Nos esgotos sanitários, há uma imensa variedade de microrganismos, a citar as bactérias, archaea, protozoários, fungos e leveduras, algas, helmintos, etc., cada um com um papel diferente tanto no tratamento de esgotos, quanto nos ciclos biogeoquímicos que se desenvolvem nos corpos d’água em decorrência da chegada de esgotos. Por exemplo, um grupo de microrganismos é responsável pela estabilização da matéria orgânica, outro é responsável pela eliminação de nitrogênio, outro do fósforo e assim sucessivamente.

Uma parte desses microrganismos, denominados de aeróbiosaeróbios,aeraeróbiosóbios somente desempenha as suas

funções na presença de oxigênio, em que a outra parte, denominados de anaeróbiosanaeróbios,anaeróbiosanaeróbios somente realiza trabalho na ausência (ou baixíssimas concentrações) de oxigênio. Existe ainda um terceiro grupo de microrganismos, denominados de facultativosfacultativos,facultativosfacultativos que conseguem realizar metabolismo tanto na presença como na ausência de oxigênio. Quando existe uma condição anaeróbia, mas existe nitrato, depara-se com uma condição anóxica. Os principais grupos de microrganismos envolvidos no tratamento de esgotos são detalhados no Quadro

6.

Outro aspecto de grande relevância em termos da qualidade biológica da água refere-se à possibilidade da transmissão de doenças, sendo os principais patogênicos as bactérias, vírus, protozoários e helmintos. A origem desses patogênicos nos esgotos é predominantemente humana.

A detecção de patógenos específicos em corpos d'água seria uma tarefa extremamente difícil, com vista na grande diversidade desses microrganismos e sua baixa concentração na amostra de água. Visando superar tal obstáculo, foi criado o conceito de organismos indicadores de contaminação fecal. Apesar de os organismos indicadores serem predominantemente não patogênicos, eles dão uma satisfatória indicação de quando uma água apresenta contaminação por fezes humanas ou de animais e, por conseguinte, da sua potencialidade para transmitir doenças. Os organismos mais comuns utilizados para tal finalidade são as bactérias do grupo coliforme, podendo ser classificadas como fecais ou termotolerantes e totais.

QuadroQuadroQuadroQuadro 6.6.6.6. Principais grupos de microrganismos envolvidos no tratamento biológico de esgotos.

MicrorganismoMicrorganismoMicrorganismoMicrorganismo

DescriçãoDescriçãoDescriçãoDescrição

Bactérias

Procariotos unicelulares

Apresentam-se em várias formas e tamanhos

São os principais responsáveis pela estabilização da matéria

orgânica

Algumas bactérias são patogênicas, causando principalmente

doenças intestinais

Archaea

Procariotos unicelulares

Similares às bactérias em formas e tamanho

Parede celular, material celular e composição do RNA são diferentes

Importantes para os processos anaeróbios (produção de metano)

Em condições extremas de temperatura, pH, etc., são normalmente os microrganismos predominantes

Fungos

e

Eucariotos multicelulares, não fotossintéticos Eucariotos heterotróficos Maioria é estritamente aeróbio

 

Leveduras

Possuem também grande importância na estabilização da matéria

orgânica, podendo crescer em condições de baixa concentração de nitrogênio e baixos valores de pH

Protozoários

Leveduras são fungos unicelulares Eucariotos unicelulares Seres aeróbios ou facultativos Alimentam-se de bactérias, algas e outros microrganismos

São essenciais ao tratamento biológico para a manutenção de um

equilíbrio entre os diversos grupos

 

Alguns são patogênicos Eucariotos unicelulares ou multicelulares Autotróficos que realizam fotossíntese

 

Algas

 

Importantes para o processo de tratamento de esgotos por lagoas

Vírus

de estabilização São obrigatoriamente parasitas intracelulares que contêm material genético (DNA ou RNA necessários para sua replicação). São incapazes de sintetizar compostos, invadindo células (hospedeiros), onde se apossam e redirecionam as atividades celulares para produzir novas partículas virais à custa das células dos hospedeiros

Helmintos

Animais superiores

 

Ovos de helmintos presentes nos esgotos podem causar doenças

Fonte: Adaptado de Metcalf e Eddy (2003) e Von Sperling (2005).

Conforme Von Sperling (2005), os coliformes termotolerantes (CTer) são um grupo de bactérias presentes no trato intestinal de humanos e animais, compreendendo principalmente o gênero Escherichia. O teste para CTer é feito a uma elevada temperatura, objetivando a supressão de bactérias de origem não fecal. No entanto, mesmo nessas condições, algumas bactérias não fecais ainda conseguem resistir ao aquecimento, o que levou recentemente a se preferir substituir o termo coliforme fecal por coliforme termotolerante, pelo fato de serem bactérias que resistem à elevada temperatura do teste, mas não serem necessariamente fecais. Durante todas as etapas do tratamento há um decaimento, mas a remoção completa dos CTer é muito difícil por processos físicos de sedimentação, necessitando de tratamentos específicos de desinfecção como a cloração, ultravioleta, ozônio etc. A Escherichia Coli é a principal bactéria do grupo coliformes fecais, desenvolvendo-se apenas na flora intestinal dos animais de sangue quente, garantindo, portanto, uma contaminação exclusivamente fecal. Dessa forma, funciona como um indicador de contaminação fecal. Possui grande significância, mas não garante que a

contaminação seja de origem humana, já que também pode ser encontrado em outros animais de sangue quente.

Para helmintos, como não há indicadores que possam substituí-lo, a presença de seus ovos é determinada diretamente na análise laboratorial através de contagem. Esse parâmetro é importante ao se avaliar o uso da água ou esgotos para irrigação, na qual os trabalhadores podem ter contato direto com água contaminada e os consumidores podem ingerir vegetais crus ou com casca. Tais ovos podem ser removidos pelo processo físico de sedimentação, que ocorre, por exemplo, em lagoas de estabilização, e por filtração.

Conseqüências da poluição

O lançamento de esgotos em corpos de água ocasiona diversas conseqüências que vão do

caráter sanitário e ecológico ao social e econômico, englobando, entre outras coisas:

prejuízos aos usos da água (abastecimento humano, indústria, irrigação, pesca, recreação, etc.); transmissão de doenças; desequilíbrios ecológicos com prejuízos aos peixes e outros organismos aquáticos; proliferação excessiva de algas e vegetação aquática; elevação do custo de tratamento da água; degradação da paisagem; desvalorização das propriedades localizadas às margens e impactos diversos na qualidade de vida da população usuária.

O Quadro 7 indica algumas conseqüências da poluição, relacionando-as com as alterações e

os parâmetros existentes.

QuadroQuadroQuadroQuadro 7.7.7.7. Principais agentes poluidores e suas conseqüências.

PoluentePoluentePoluentePoluente (alteração)(alteração)(alteração)(alteração)

ConseqüênciasConseqüênciasConseqüênciasConseqüências

 

Elevação

da

Alterações nas reações químicas e biológicas Elevação da ação tóxica de elementos e compostos químicos Redução de teor de OD (ruim para a vida aquática aeróbia) Diminuição da viscosidade da água (afundamento de organismos) Corrosão Efeitos sobre flora e fauna Prejuízos para uso na agricultura Aumento da toxidez de alguns compostos

temperatura

Mudanças no pH

Sólidos

Influência nos processos de tratamento Soterramento de animais e ovos de peixes Aumento da turbidez da água (diminuição da atividade

fotossintética)

 

Adsorção de poluentes (proteção de patogênicos) Depósitos de lodo Problemas estéticos Salinidade (inorgânicos dissolvidos) Toxicidade (inorgânicos dissolvidos)

 

Matéria

orgânica

Redução de OD Mortandade de peixes

 

biodegradável

 

Matéria

orgânica

Maus odores (decomposição anaeróbia) Toxicidade (vários)

 

não-biodegradável

 

Espumas (detergentes) Redução da transferência de oxigênio (detergentes)

 

 

Não-biodegradabilidade

 

Maus odores (fenóis) Redução da tensão superficial Redução da viscosidade Danos à fauna Sabor

Nutrientes

 

Crescimento excessivo de algas (eutrofização: sabor, odor, toxidez, corrosão, redução da penetração da luz solar, redução de OD, danos à vida aquática, prejuízos à recreação e à navegação, entupimentos, danos às bombas e turbinas, aspecto estético ruim)

 

Toxicidade aos peixes (amônia) Doença em recém-nascidos (nitratos)

 

Poluição de águas subterrâneas Doenças ao ser humano

 

Microrganismos

 

 

patogênicos

 

Metais

pesados

e

Toxicidade Inibição do tratamento biológico Problemas de disposição de lodo para a agricultura Contaminação da água subterrânea

 

outros

compostos

tóxicos

Corantes

 

Danos à saúde humana e aos organismos aquáticos Cor Redução da transparência (diminuição da atividade fotossintética) Prejuízos aos usos (manchas) Danos à saúde humana Danos aos animais

 

Substâncias

 

radioativas

Fonte: Adaptado de Von Sperling (2005).

Depuração em corpos d’água

Todo corpo d’água possui condições de recuperar-se naturalmente após o recebimento de uma carga poluidora orgânica, fenômeno este denominado de autodepuraçãoautodepuração.autodepuraçãoautodepuração A autodepuração desenvolve-se ao longo do tempo, podendo ser dividida em zonas de acordo com a dimensão longitudinal do curso d’água que recebe a matéria orgânica, sejam elas:

zona de degradação, zona de decomposição ativa, zona de recuperação e, por fim, zona de águas limpas. Cada zona apresenta características e comportamentos distintos com relação à matéria orgânica, ao OD, ao nitrogênio, aos organismos presentes e até mesmo ao aspecto estético. O Quadro 8 ilustra as várias zonas de autodepuração e suas principais características.

A forma mais comum de analisar a autodepuração é através da Curva de Depleção de Oxigênio. A Figura 6 indica o comportamento do OD, da DBO e das bactérias aeróbias em um curso d’água qualquer durante o processo de autodepuração.

Mota (2006a) apresenta alguns fenômenos físicos, químicos e biológicos que podem contribuir para a autodepuração em um curso d’água, e aqui encontram-se detalhados, tais como:

Fenômenos físicos:

- diluição: um dos mais importantes já que quanto maior a vazão do curso d’água em

relação à vazão do esgoto, maior será a sua capacidade em autodepurar-se, ou seja, de recuperar-se. Para regiões semi-áridas, que possuem muitos rios intermitentes, esse fenômeno é de pouca importância;

- turbulência: a absorção de oxigênio da atmosfera cresce com o aumento da turbulência;

- sedimentação: faz com que a demanda de oxigênio seja menor devido à maior deposição de matéria orgânica no fundo;

- temperatura: influencia na concentração de saturação do oxigênio dissolvido e nas

atividades biológicas;

-

luz solar: possui ação germicida e é fonte de energia no processo de fotossíntese;

Fenômenos químicos:

-

reações de oxidação: respiração e nitrificação;

-

reações de redução: fotossíntese e desnitrificação;

Fenômenos biológicos:

-

predatismo: destruição de organismos patogênicos por outros organismos;

-

aglutinação: junção de partículas arrastadas para o fundo;

- produção de antibióticos e toxinas: substâncias produzidas por microrganismos que têm esse tipo de ação sobre bactérias patogênicas.

QuadroQuadroQuadroQuadro 8.8.8.8. Zonas da autodepuração e suas características.

ZonaZonaZonaZona

CaracterísticasCaracterísticasCaracterísticasCaracterísticas

 

Zona

de

Tem início logo após o lançamento de esgotos Alta concentração de matéria orgânica em estágio complexo

degradação

Estética: aparência turva com formação de bancos de lodo (condições anaeróbias e geração de gás sulfídrico que causa odor desagradável)

Elevado consumo de oxigênio para estabilizar a matéria orgânica Início da proliferação bacteriana com predominância de formas aeróbias

Aumento no teor de gás carbônico (subroduto da respiração) Diminuição do pH (formação de ácido carbônico) Compostos nitrogenados em teores elevados

Sensível diminuição do número de espécies de seres vivos, mas com

espécies mais adaptadas com mais indivíduos

 

Grande quantidade de patogênicos se o esgoto for doméstico

Há protozoários (alimentam-se de bactérias) e fungos (alimentam-se de matéria orgânica)

Presença rara de algas e elevada turbidez

 

Zona

de

Evasão de crustáceos, moluscos, peixes, etc. Início de reorganização do ecossistema

decomposição

Microrganismos atuando na decomposição da matéria orgânica

ativa

Estado mais deteriorado da qualidade da água

Coloração acentuada e depósitos de lodo no fundo

Menor concentração de OD (condições de anaerobiose)

Vida anaeróbia predomina sobre a aeróbia

Bactérias reduzem-se (falta de alimento, luz, floculação, adsorção e precipitação) Maior parte do nitrogênio na forma de amônia (oxidando a nitrito no final desta zona) Número de patogênicos diminui (não resistentes às novas condições ambientais)

 

Número de protozoários cresce

 

Zona

de

Macrofauna ainda com espécies restritas Água mais clara e aparência melhor

recuperação

Lodo sedimentado com aparência granular (diminuição na emissão de gases)

Matéria orgânica bem estabilizada (compostos inertes)

Consumo de oxigênio mais reduzido

Aumento no teor de oxigênio (reaeração atmosférica > consumo de OD)

Condições anaeróbias não ocorrem mais

Amônia é convertida a nitritos e nitratos

Fósforo convertido a fosfatos

Desenvolvimento das algas (nutrientes e luz)

Aumento da atividade fotossintética (aumento no teor de oxigênio)

Bactérias e protozoários em número reduzido

Aparecem microcrustáceos, vermes, dinoflagelados, esponjas, musgos e larvas de insetos Surgem os primeiros peixes, mais tolerantes (cadeia alimentar mais diversificada)

Zona

águas limpas

de

Condições normais de teores de oxigênio, de matéria orgânica e de bactérias (patógenos, provavelmente também)

Aparência semelhante à anterior no ponto de vista da poluição

Restabelecimento da cadeia alimentar (grandes crustáceos e vários peixes)

Predominância dos compostos minerais em formas oxidadas e estáveis

Concentração de OD próxima a de saturação

Maior riqueza em nutrientes

Maior produção de algas

Grande diversidade de espécies

Ecossistema estável (clímax da comunidade)

Fonte: Adaptado de Mota (2006) e Von Sperling (2005).

Esgoto (matéria orgânica)

Esgoto (matéria orgânica)

Fonte: Adaptado de Mota (2006)

Rio

(matéria orgânica) Fonte: Adaptado de Mota (2006) Rio OD DBO Bact. Aeró- bias Distância

OD

DBO

OD DBO Bact. Aeró- bias

Bact.

Aeró-

bias

de Mota (2006) Rio OD DBO Bact. Aeró- bias Distância Distância Zona de Degradação Zona de

Distância

Rio OD DBO Bact. Aeró- bias Distância Distância Zona de Degradação Zona de Decomposição
Rio OD DBO Bact. Aeró- bias Distância Distância Zona de Degradação Zona de Decomposição

Distância

Zona de

Degradação

Zona de

Decomposição Ativa

Zona de

Recuperação

Zona de

Águas Limpas

FiguraFiguraFiguraFigura 6.6.6.6. OD, DBO e Bactérias Aeróbias nas zonas da autodepuração.

A queda dos níveis de oxigênio dissolvido, por conseqüência do processo de respiração dos microrganismos envolvidos na depuraçãodepuraçãodepuraçãodepuração dos esgotos, corresponde à resposta mais nociva da poluição de um corpo d’água em termos ecológicos, cujo impacto estende-se a toda comunidade aquática, onde certas espécies são naturalmente selecionadas em função da redução dos teores de oxigênio. Diante desse fato, o oxigênio dissolvido tem sido tradicionalmente utilizado para a verificação do grau de poluiçãopoluiçãopoluiçãopoluição e de autodepuraçãoautodepuraçãoautodepuraçãoautodepuração em corpos d’água, onde ocorre, na verdade, um balanço entre as fontes de consumo e as fontes de produção de oxigênio. Os principais fenômenos que interagem no balanço de oxigênio dissolvido em um corpo d’água são mostrados no Quadro 9.

Assim, o conhecimento da autodepuração possui grande importância para que seja mantida

a capacidade de tratamento natural de esgotos lançados por parte dos mananciais, de forma

a garantir a qualidade destes para os usos a que se destinam.

QuadroQuadroQuadroQuadro 9.9.9.9. Principais fenômenos que interagem no balanço de oxigênio dissolvido em um corpo

d’água.

ProcessoProcessoProcessoProcesso

ImpImpactoImpImpactoactoacto nononono BalançoBalançoBalançoBalanço dededede ODODODOD

Respiração aeróbia

Decréscimo

Digestão anaeróbia

Nenhum

Fotossíntese

Acréscimo

Nitrificação

Decréscimo

Reaeração atmosférica

Acréscimo

Atenção!!!Atenção!!!Atenção!!!Atenção!!!

Note que: Se consumo > produção concentração de oxigênio decresce Se consumo < produção concentração de oxigênio aumenta

LembreLembre-LembreLembre--se,-se,se,se, suasuasuasua participaçãoparticipaçãoparticipaçãoparticipação éééé muitomuitomuitomuito importante.importante.importante.importante.

CasoCasoCasoCaso vocêvocêvocêvocê tenhatenhatenhatenha dúvidasdúvidasdúvidasdúvidas ouououou comentárioscomentárioscomentárioscomentários aaaa fazerfazerfazerfazer

sobresobresobresobre osososos assuntosassuntosassuntosassuntos abordados,abordados,abordados,abordados, exponhaexponha-exponhaexponha--os-ososos aaaa todostodostodostodos

osososos particparticipantes!!!!particparticipantes!!!!ipantes!!!!ipantes!!!!

Exercícios propostos

1. Qual a diferença entre poluição e contaminação das águas?

2. Qual a importância dos parâmetros de qualidade de água para a conservação do meio

ambiente e uso das águas?

3.

Relacione os principais parâmetros físicos, químicos e biológicos de qualidade de águas

a

serem avaliados.

4.

Liste as principais diferenças entre a DBO e DQO.

5.

Quais os principais danos causados aos reservatórios superficiais pela emissão de

matéria orgânica e nutrientes?

da

indicadores de contaminação biológica.

6. Cite

as

principais

vantagens

utilização

dos

coliformes

termotolerantes

como

7. Discorra

principais características das zonas de depuração ao longo do curso d´água.

sobre

o

fenômeno

da

autodepuração

descrevendo

de

forma

sucinta

as

8. Liste os principais problemas associados à eutrofização de águas superficiais.

Processos, níveis e tecnologias de tratamento

Autores: André Bezerra dos Santos e Gilson Barbosa Athayde Júnior

Operações unitárias

Várias operaçõesoperaçõesoperaçõesoperações unitáriasunitáriasunitáriasunitárias podem estar presentes nos diversos processos de tratamento de esgotos, as quais objetivam a remoção de compostos ou redução das concentrações a níveis aceitáveis.

OperaçõesOperaçõesOperaçõesOperações Unitárias:Unitárias:Unitárias:Unitárias: “operações onde ocorrem transformações

físicas e/ou físico-químicas, realizadas em equipamentos

específicos, tanto em escala piloto como industrial, que por meio

da aplicação dos fenômenos de transporte permitem e

complementam: a) a otimização e interação das conversões

químicas nos processos industriais; b) a preparação das

matérias-primas a serem processadas; c) a otimização e

racionalização energética dos processos; d) a separação e/ou

purificação dos produtos intermediários e/ou finais dos

processos; e) o controle e tratamento de efluentes sólidos, líquidos e gasosos” (DICIONÁRIO ROSSETI DE QUÍMICA, 2008).

As principais operações unitárias empregadas nos sistemas de tratamento são apresentadas no Quadro 10.

QuadroQuadroQuadroQuadro 10.10.10.10. Principais operações unitárias do tratamento de esgotos.

OperaçãoOperaçãoOperaçãoOperação

DescriçãoDescriçãoDescriçãoDescrição

ExemploExemploExemploExemplo

UnitáriaUnitáriaUnitáriaUnitária

Gradeamento Remoção do material que fica retido nas grades. Grade de barras, peneiras, etc.

Sedimentação Retirada do material pela ação da força da

Retirada

de

areia

nos

gravidade.

desarenadores,

alguns

sólidos

em suspensão nos decantadores

uma

etapa posterior ao processo de

coagulação-floculação ou a um

primários,

etc.

Pode

ser

processo

biológico,

como

no

caso

das

lagoas

de

sedimentação

colocadas

a

 

jusante de

lagoas

aeradas de

mistura completa.

 

Flotação Operação de retirada de contaminantes no sentido

Remoção

de

gordura

e

óleo,

 

inverso ao da sedimentação, conseguida pela

com uso

ou

não

de

aeração;

adição de produtos químicos, seguida ou não de

remoção

de

partículas

em

injeção de bolhas de ar pressurizado no líquido.

suspensão

pela

ação

de

 

No final é feita a remoção do material flotado,

coagulantes seguidos de aeração. Adição de hidróxi-cloreto de alumínio, sulfato de alumínio, cloreto férrico, auxiliares de coagulação, etc.

Coagulação

normalmente pelo uso de raspadores superficiais. Adição de agentes coagulantes no esgoto com a propriedade de atuar no material em suspensão

química

com baixa capacidade de sedimentação, além da matéria coloidal, de modo a se formarem flocos que podem ser removidos, quer por sedimentação

quer por flotação. Filtração Remoção de poluentes pela retenção dos mesmos em um leito filtrante ou membranas.

Filtros de areia localizados após

Desinfecção Inativação de patógenos presentes por um agente desinfetante.

decantadores, membranas, etc. Ozonização, ultravioleta (UV), cloração, etc. Sistemas biológicos de tratamento como lodos ativados, lagoas de estabilização,

Oxidação

Remoção de poluentes ricos em matéria orgânica, nutrientes, etc., pelos microrganismos aeróbios e anaeróbios presentes nos esgotos.

biológica

tratamento anaeróbio, etc. Troca de gás Operação de adição de gases ao esgoto. Adição de oxigênio para os processos aeróbios, cloro gasoso em alguns processos de desinfecção, etc.

Precipitação

Reação de precipitação entre substâncias

Adição de cal a um esgoto rico

química

selecionadas e as substâncias dissolvidas presentes no esgoto.

em ferro, produzindo flocos que sedimentam.

Fonte: Adaptado de Jordão e Pessoa (2005).

Processos e níveis de tratamento

Os processos de tratamento de esgotos podem ser classificados em físicos, químicos ou biológicos. Devido a estes não atuarem de forma isolada, a classificação final será função da predominância de um determinado processo, como enumerados nos tópicos abaixo, adaptados de Jordão e Pessoa (2005) e Von Sperling (2005):

1. ProcessosProcessosProcessosProcessos físifísicosfísifísicoscos:cos remoção de substâncias fisicamente separáveis dos líquidos ou que

não se encontram dissolvidas, como a remoção de sólidos grosseiros, sedimentáveis (inclusive remoção de areia) e remoção de sólidos flutuantes. Ex: gradeamento, mistura, floculação, sedimentação, flotação e filtração.

2. ProcessosProcessosProcessosProcessos químicosquímicos:químicosquímicos há a utilização de um produto químico, sendo estes processos

raramente utilizados de forma isolada e, por via de regra, são selecionados quando apenas

os processos físicos e biológicos não atendem aos padrões a serem alcançados com o tratamento. Podem-se mencionar as etapas de: coagulação e floculação, precipitação e oxidação química, adsorção, desinfecção e neutralização.

3. ProcessosProcessosProcessosProcessos biológicosbiológicos:biológicosbiológicos há a participação de microrganismos, quer sejam facultativos,

aeróbios ou anaeróbios na remoção de contaminantes ricos em matéria orgânica, nutrientes, detergentes, etc. Ex: remoção da matéria orgânica, nitrificação, desnitrificação, remoção de fósforo, redução de sulfato, remoção de metais pesados, etc.

Debate Baseado na sua própria experiência, qual dos tipos de processos apresentados acima você acha

Debate

Baseado na sua própria experiência, qual dos tipos de processos apresentados acima você acha que
Baseado na sua própria experiência, qual dos tipos de
processos apresentados acima você acha que está mais
presente nas principais tecnologias de tratamento de
esgotos?

Os processos de tratamento de esgotos podem ser classificados em função da remoção do poluente na ETE em:

Sólidos grosseiros: crivos, grades ou peneiras.

Sólidos sedimentáveis: desarenadores, centrifugadores, decantadores, flotadores etc.

Óleos, graxas e sólidos flutuantes: tanques de retenção de gorduras (caixa de gordura),

flotadores, decantadores com removedores de escuma. Matéria orgânica: tratamento anaeróbio (tanque séptico, UASB, etc.), lodos ativados (convencional, aeração prolongada, batelada seqüencial), filtros biológicos (baixa e alta taxa), disposição no solo, lagoas de estabilização, etc. Microrganismos patogênicos: técnicas de desinfecção artificiais como ozônio, ultravioleta, cloração, etc., ou naturais como disposição no solo e lagoas de estabilização. Nutrientes na forma de nitrogênio: remoção biológica através do processo de nitrificação/desnitrificação, ANAMOX, disposição no solo, processos físico-químicos.

Nutrientes na forma de fósforo: remoção biológica ou por processos físico-químicos.

Odor: Gás stripping, adsorção em carvão, biofiltros etc.

Visando simplificar tal classificação, além de se tentar explicitar de forma clara o objetivo do tratamento, foi criado o conceito de nível de tratamento, que se divide em: Preliminar,Preliminar,Preliminar,Preliminar,

PrimáPrimário,PrimáPrimário,rio,rio, Secundário,Secundário,Secundário,Secundário, TerciárioTerciárioTerciárioTerciário eeee AvançadoAvançadoAvançadoAvançado (METCALF e EDDY, 2003). Os dois últimos níveis

de tratamento são realizados apenas em algumas ETEs do Brasil. Entretanto, com limites de descarte de esgotos cada vez mais restritivos, que forçam operadoras de saneamento e indústrias a adotarem políticas de reuso de águas, a tendência é de se ter mais estações realizando tratamento a nível terciário e avançado.

O tratamento preliminar objetiva a remoção de sólidos grosseiros, areia, óleo e gordura, enquanto o tratamento primário visa à remoção de sólidos suspensos (removendo indiretamente parte da matéria orgânica). Em ambos os níveis, predominam os mecanismos físicos de remoção de poluentes. O tratamento secundário visa, principalmente, à remoção de matéria orgânica, podendo, eventualmente, remover nutrientes (nitrogênio e fósforo). O tratamento terciário objetiva a remoção de poluentes específicos como nutrientes, metais, compostos não-biodegradáveis, etc., ou ainda a remoção complementar de poluentes não removidos nas outras unidades de tratamento (VON SPERLING, 2005). O tratamento avançado é realizado para remover material suspenso e dissolvido, remanescentes, visando à reutilização da água (METCALF e EDDY, 2003). Esse ainda é bastante raro no Brasil, apesar de existirem algumas experiências de sucesso em indústrias têxteis, de papel etc. O Quadro

11 sumariza os níveis de tratamento e os principais poluentes removidos. Os diferentes níveis de tratamento são representados na Figura 7.

QuadroQuadroQuadroQuadro 11.11.11.11. Níveis de tratamento e os principais poluentes removidos.

NívelNívelNívelNível

RemoçãoRemoçãoRemoçãoRemoção

Preliminar Sólidos em suspensão grosseiros que ficam retidos nas grades, areia que fica retida na unidade de desarenação e, eventualmente, gordura e óleo (caixas de gordura).

Primário

Sólidos em suspensão. Podem ser removidos pelo uso de decantadores,

Primário

flotadores e processos físico-químicos de coagulação-floculação. Remoção acelerada de sólidos pela adição de químicos ou através de filtração.

avançado

Secundário

DBO em suspensão não removida no tratamento primário ou DBO solúvel

Secundário com

(sólidos dissolvidos) Remoção de compostos orgânicos biodegradáveis, sólidos suspensos e nutrientes (nitrogênio, fósforo ou ambos)

remoção de

nutrientes

 

Terciário

Nutrientes

Patogênicos Compostos não-biodegradáveis Metais pesados Sólidos inorgânicos dissolvidos Sólidos em suspensão remanescentes Avançado Remoção de material suspenso e dissolvido remanescentes visando o reuso da água. Ex: Adsorção por carvão, eletrodiálise, troca iônica, membranas, etc.

Fonte: Adaptado de von Sperling (2005) e Metcalf e Eddy (2003). PreliminarPreliminarPreliminarPreliminar
Fonte: Adaptado de von Sperling (2005) e Metcalf e Eddy (2003).
PreliminarPreliminarPreliminarPreliminar
PrimárioPrimárioPrimárioPrimário
SecundárioSecundárioSecundárioSecundário
TerciárioTerciárioTerciárioTerciário
Remoção de
Remoção de
Remoção de
Degradação
Remoção
nutrientes de
sólidos
sólidos, flutuantes
de
de lodo
materiais não
grosseiros,
e sedimentáveis.
biológico.
compostos
areia.
carbonáceos
biodegradáveis e do
lodo.
Adensamento, digestão,
condicionamento,
desidratação, secagem,
etc.
Disposição
adequada.
Desinfecção.
Desinfecção.

FiguraFiguraFiguraFigura 7.7.7.7. Níveis de tratamento de esgoto sanitário.

Assim, através das análises físico-químicas e microbiológicas obtidas durante o monitoramento de ETEs no esgoto bruto e tratado, e em alguns casos em cada etapa do tratamento, pode-se estimar a eficiência unitária e global do tratamento, além de verificar se o esgoto tratado encontra-se dentro dos limites de descarte regulamentados pelo órgão ambiental. Caso a concentração esteja acima, dever-se-á investigar as causas do comportamento e propor soluções técnicas para a correção do problema.

Tratamento biológico de esgotos

SuaSuaSuaSua participaçãoparticipaçãoparticipaçãoparticipação éééé muitomuitomuitomuito importante.importante.importante.importante. CasoCasoCasoCaso vocêvocêvocêvocê tenhatenhatenhatenha dúvidasdúvidasdúvidasdúvidas ouououou comentárioscomentárioscomentárioscomentários aaaa fazerfazerfazerfazer sobresobresobresobre osososos assuntosassuntosassuntosassuntos abordados,abordados,abordados,abordados, exponhaexponha-exponhaexponha--os-ososos aaaa todostodostodostodos osososos participantes!!!!participantes!!!!participantes!!!!participantes!!!!

IntroduçãoIntroduçãoIntroduçãoIntrodução Os processos biológicos de tratamento de esgotos são aceitos como os de menor custo quando comparados com os demais tipos de tratamento. Para esgotos sanitários eles sempre estarão presentes, motivo pelo qual serão detalhados no presente item. Devido à vasta quantidade de informação para o detalhamento dos processos biológicos existentes, serão descritos apenas aqueles mais utilizados no Brasil.

Os sistemas de tratamento biológico podem ser classificados como aeróbios (presença de O 2 ), anaeróbios (ausência de O 2 e nitrato) e anóxicos (ausência de O 2 e presença de nitrato). Os microrganismos podem crescer tanto em suspensão como aderidos em um meio suporte, onde o reator biológico pode ser configurado para a remoção de DBO, remoção de nutrientes, patógenos etc., ou uma combinação destes. Um resumo dos principais processos biológicos e suas finalidades é mostrado no Quadro 12.

QuadQuadroQuadQuadrororo 12.12.12.12. Principais processos biológicos de tratamento de esgotos aeróbios, anóxicos, anaeróbios e facultativos.

TipoTipoTipoTipo

NomeNomeNomeNome comumcomumcomumcomum

UsoUsoUsoUso

ProcessosProcessosProcessosProcessos aeróbiosaeróbiosaeróbiosaeróbios

Crescimento suspenso

Crescimento aderido

Lodos ativados Lagoas aeradas Digestão aeróbia Lagoas aeróbias Lagoas de maturação Filtros biológicos Reatores de contato (biodiscos) Reatores com leito fixo Filtro biológico/lodos ativados

Híbridos (combinados)

Remoção DBO, nitrificação Remoção DBO, nitrificação Estabilização, remoção DBO Remoção DBO Remoção de nutrientes e patógenos Remoção DBO, nitrificação Remoção DBO, nitrificação Remoção DBO, nitrificação Remoção DBO, nitrificação

ProcessosProcessosProcessosProcessos anóxicosanóxicosanóxicosanóxicos

Crescimento suspenso

Desnitrificação de

crescimento

Desnitrificação

 

suspenso

 

Crescimento aderido

Desnitrificação de

crescimento

Desnitrificação

 

aderido

 
 

ProcessosProcessosProcessosProcessos anaeróbiosanaeróbiosanaeróbiosanaeróbios

 

Crescimento suspenso

Reatores de contato anaeróbios (biodiscos) Digestão anaeróbia

Remoção DBO

 

Estabilização, destruição de sólidos, remoção de patógenos Remoção DBO Remoção DBO, desnitrificação

 

Lagoas anaeróbias

 

Crescimento aderido

Reatores

 

com

leito

fixo

e

fluidizado

 

Manto de lodo

UASB (upflow anaerobic sludge blanket)

Remoção DBO

Híbrido

UASB/crescimento aderido

Remoção DBO

 

ProcessosProcessosProcessosProcessos FacultativosFacultativosFacultativosFacultativos

Crescimento suspenso

Lagoas facultativas

Remoção de DBO

Fonte: Adaptado de Metcalf e Eddy (2003).

TratamentoTratamentoTratamentoTratamento AnaeróbioAnaeróbioAnaeróbioAnaeróbio

Nesse processo, parte da matéria orgânica presente no esgoto vai ser convertida em metano (CH 4 ) e gás carbônico (CO 2 ) na ausência de oxigênio, sendo que o primeiro tem um enorme potencial energético, podendo ser convertido em energia elétrica, usado para alimentar motores de combustão interna etc. (CHERNICHARO, 2007).

São sistemas que removem cerca de 50-70% da DBO presente no esgoto em um curto tempo de detenção hidráulica, motivo pelo qual demandam pouca área. Em relação ao lodo gerado, tais processos produzem cerca de 5-10 vezes menos lodo do que os processos aeróbios, além dos mesmos não requisitarem da etapa de estabilização antes de serem encaminhados a um destino final (LETTINGA et al., 1998). O material não convertido em biogás, ou em biomassa, deixa o reator como material não degradado.

As diversas aplicações de tratamento anaeróbios, assim como suas principais vantagens e desvantagens em relação aos sistemas aeróbios, serão detalhadas no ccapítuloccapítuloapítuloapítulo 0080088.8

LagoasLagoasLagoasLagoas dededede EstabilizaçãoEstabilizaçãoEstabilizaçãoEstabilização

Vários sistemas de lagoas de estabilização foram construídos no Brasil para o tratamento de esgoto sanitário, tendo-se observado resultados satisfatórios em termos da qualidade do efluente, sempre quando o projeto é tecnicamente adequado e existe um mínimo de operação e manutenção. Como principal desvantagem do sistema pode-se citar o requerimento de grandes áreas e um efluente que pode conter uma alta concentração de algas (VON SPERLING, 1996).

Como o próprio nome diz, o objetivo principal de lagoas de estabilização é estabilizar, ou seja, transformar em produtos mineralizados o material orgânico presente na água residuária a ser tratada. De uma maneira geral, as lagoas de estabilização podem ser classificadas, quanto ao suprimento de oxigênio, em convencional (O 2 é fornecido pelas algas) e aeradas artificialmente (O 2 é fornecido pelo uso de aeradores). Existem ainda as lagoas anaeróbias, as quais são desprovidas de O 2 .

As tipologias de lagoas de estabilização e suas principais características serão detalhadas no ccapítuloccapítuloapítuloapítulo 0909.0909

LodosLodosLodosLodos AtivadosAtivadosAtivadosAtivados

O sistema de lodos ativados é amplamente utilizado, em nível mundial, para o tratamento de águas residuárias domésticas e industriais, em situações em que uma elevada qualidade do efluente é necessária e a disponibilidade de área é limitada (elevadas vazões). No entanto, o sistema de lodos ativados inclui um índice de mecanização superior ao de outros sistemas de tratamento, implicando em operação mais sofisticada. Outras desvantagens são o consumo de energia elétrica para aeração e a maior produção de lodo.

Conforme Von Sperling (1997), um sistema de lodos ativados pode ser classificado de diversas formas, como:

Quanto a Idade do Lodo (θ): Convencional (valores de θ entre 4 e 10 dias) ou aeração prolongada (valores de θ entre 18 e 30 dias).

intermitente, quando é função de tempos operacionais pré-estabelecidos.

Quanto ao fluxo: Contínuo, quando é função do espaço nas diversas unidades da ETE ou

Quanto aos objetivos do tratamento: Remoção de carbono (DBO), ou Remoção de nutrientes e qual tipo (N, P ou ambos), ou Remoção de DBO e nutrientes, etc.

A classificação dos sistemas de lodos ativados, bem como suas aplicações, serão detalhadas no capítulocapítulocapítulocapítulo 1010.1010

OutrasOutrasOutrasOutras TecnologiasTecnologiasTecnologiasTecnologias UtilUtilizadasUtilUtilizadasizadasizadas nononono BrasilBrasilBrasilBrasil

Como outras tecnologias da tratamento de esgotos pode-se citar os sistemas aeróbios com biofilmes, ou os vários sistemas de disposição controlada no solo, muitos deles com excelentes perspectiva de implantação no Nordeste do Brasil. A descrição aprofundada de cada sistema descrito a seguir, bem como as devidas ilustrações, podem ser encontradas em Von Sperling (2005).

SistemasSistemasSistemasSistemas aeróbiosaeróbiosaeróbiosaeróbios comcomcomcom biofilmesbiofilmesbiofilmesbiofilmes FiltroFiltroFiltroFiltro dededede baixabaixabaixabaixa carga:carga:carga:carga: são sistemas de crescimento microbiano aderido a um meio suporte, na presença de oxigênio proveniente de compressores de ar, em que o esgoto é aplicado na superfície do tanque pelo uso de distribuidores rotativos e percola o leito filtrante no sentido

descendente. O termo baixa carga se refere a pouca disponibilidade de DBO para os microrganismos, que sofrem assim uma autodigestão. Devido a esse fato, o lodo descartado do sistema já sai estabilizado. Fazem parte do sistema um decantador primário, que remove parte dos sólidos sedimentáveis e evita colmatação excessiva do leito filtrante, e um decantador secundário, com a função principal de remover os sólidos biológicos (placas microbianas) que se desprendem do leito filtrante e deterioram a qualidade do efluente.

FiltroFiltroFiltroFiltro dededede altaaltaaltaalta carga:carga:carga:carga: são sistemas em que a carga de matéria orgânica aplicada é bem superior ao sistema de baixa carga, o que faz com que o lodo gerado e descartado necessite de posterior estabilização. Os demais itens são similares ao sistema de baixa carga.

BiofiltroBiofiltroBiofiltroBiofiltro aeradoaeradoaeradoaerado submersosubmersosubmersosubmerso (BAS):(BAS):(BAS):(BAS): são reatores preenchidos com material poroso, com fluxo de ar ascendente, fluxo do esgoto ascendente ou descendente, porém sempre deixando o meio suporte submerso (afogado). Em alguns BAS, vem se utilizando um decantador lamelar para retenção da biomassa no sistema. A remoção do lodo se dá através de descarga de fundo.

Biodisco:Biodisco:Biodisco:Biodisco: O meio suporte gira através de um eixo, que submete o mesmo a fases alternadas de imersão no esgoto e subseqüente exposição ao ar. Esses discos rotatórios são projetados para operarem em baixas rotações, para permitirem que o biofilme formado remova satisfatoriamente a matéria orgânica, além de diminuírem os custos de implantação e operação do sistema.

DisposiçãoDisposiçãoDisposiçãoDisposição nononono solosolosolosolo InfiltraçãoInfiltraçãoInfiltraçãoInfiltração lenta:lenta:lenta:lenta: como o próprio nome sugere, os esgotos são aplicados em baixas taxas. Devido a isso, a maior parte da água e nutrientes nele contidos são absorvidos pelas plantas, sendo o restante evaporado ou percolado. Os métodos mais comuns de aplicação são através de aspersão, alagamento e da crista e vala.

InfiltraçãoInfiltraçãoInfiltraçãoInfiltração rápirápida:rápirápida:da:da: neste método, as taxas de aplicação dos esgotos são mais elevadas, feitas de forma intermitente para proporcionar um período de descanso para o solo. A perda por evaporação é menor e a água que atinge o lençol freático é maior. Os tipos mais comuns são através de percolação para a água subterrânea, recuperação por drenagem subsuperficial e recuperação por poços freáticos.

InfiltraçãoInfiltraçãoInfiltraçãoInfiltração subsuperficial:subsuperficial:subsuperficial:subsuperficial: o esgoto é aplicado abaixo do nível do solo, com os locais de infiltração preenchidos com um meio poroso. Para evitar a colmatação do leito filtrante, o esgoto precisa ter baixa concentração de sólidos em suspensão, necessitando, portanto de uma decantação prévia. Os tipos mais comuns são as valas de infiltração e os sumidouros.

EscoamentoEscoamentoEscoamentoEscoamento superficial:superficial:superficial:superficial: a distribuição dos esgotos é feita na parte mais elevada do terreno, a partir de onde o mesmo escoa até ser coletado em valas construídas na parte inferior. Como no método de infiltração rápida, a aplicação é intermitente. Os métodos mais comuns de aplicação são através de aspersores de alta e baixa pressão, ou por tubulações ou canais de distribuição com aberturas intervaladas.

TerrasTerrasTerrasTerras úmidasúmidasúmidasúmidas construídas:construídas:construídas:construídas: também denominados de banhados artificiais ou alagados artificiais. Consistem de lagoas ou canais rasos, que abrigam plantas aquáticas que removem os poluentes presentes no esgoto. O fluxo pode ser tanto no sentido horizontal quanto no sentido vertical.

O Quadro 13 sumariza as concentrações médias efluentes e eficiências típicas de remoção dos principais poluentes de interesse nos esgotos domésticos.

QuadroQuadroQuadroQuadro 13.13.13.13. Concentrações médias efluentes e eficiências típicas de remoção dos principais poluentes de interesse nos esgotos domésticos

Qualidade média do efluente

Eficiência média de remoção (%)

Sistema

Amô-

N

Ovos

Amo-

N

CF

 

DBO5

DQO

SS

nia-N

total

P total

CF

helm.

DBO5

DQO

SS

nia-N

total

P total

(unid.

log)

Tratamento primário

200-

100-

250

400-450

150

>20

>30

>4

10 7 -10

8

>1

30-35

25-35

55-65

<30

<30

<35

<1

L. facultativa L. anaeróbia – facultativa L. aerada facultativa L. aerada mistura completa – L. sedimentação L. anaeróbia + L. facult. + L. maturação Infiltração lenta Infiltração rápida Escoamento superficial Terras úmidas construídas (Wetlands) Tanque séptico + filtro anaeróbio Reator UASB

50-80

120-200

60-90

>15

>20

>4

10 6 -10 10 6 -10 10 6 -10

7

<1

75-85

65-80

70-80

<50

<60

<35

1-2

50-80

120-200

60-90

>15

>20

>4

7

<1

75-85

65-80

70-80

<50

<60

<35

1-2

50-80

120-200

60-90

>20

>30

>4

7

>1

75-85

65-80

70-80

<30

<30

<35

1-2

50-80

120-200

40-60

>20

>30

>4

10 6 -10

7

>1

75-85

65-80

80-87

<30

<30

<35

1-2

 

50-

40-70

100-180

50-80

10-15

15-20

<4

10 2 -10

4

<1

80-85

70-83

73-83

50-65

>50

3-5

 

65

<20

<80

<20

<5

<10

<1

10 2 -10 10 3 -10 10 4 -10

4

<1

90-99

85-95

>93

>80

>75

>85

3-5

<20

<80

<20

<10

<15

<4

4

<1

85-98

80-93

>93

>65

>65

>50

4-5

30-70

100-150

20-60

10-20

>15

>4

6

<1

80-90

75-85

80-93

35-65

<65

<35

2-3

30-70

100-150

20-40

>15

>20

>4

10 4 -10

5

<1

80-90

75-85

87-93

<50

<60

<35

3-4

40-80

100-200

30-60

>15

>20

>4

10 6 -10

7

>1

80-85

70-80

80-90

<45

<60

<35

1-2

70-100

180-270

60-100

>15

>20

>4

10 6 -10 10 6 -10

7

>1

60-75

55-70

65-80

<50

<60

<35

1

UASB + lodos ativados 20-50

60-150

20-40

5-15

>20

>4

7

>1

83-93

75-88

87-93

50-85

<60

<35

1-2

UASB + biofiltro aerado submerso UASB + filtro biológico percolador de alta carga UASB + lagoas de polimento

20-50

60-150

20-40

5-15

>20

>4

10 6 -10

7

>1

83-93

75-88

87-93

50-85

<60

<35

1-2

20-60

70-180

20-40

>15

>20

>4

10 6 -10

7

>1

80-93

73-88

87-93

<50

<60

<35

1-2

 

50-

40-70

100-180

50-80

10-15

15-20

<4

10 2