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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

Aluno: Ulisses Júnior Profº.: Anderson Marinho Disciplina: Teoria e Técnica da Pintura

Pesquisa estético-teórica final

Salvador, 04 de Fevereiro de 2014.

Disputa entre cosmógrafos (Alegoria ao Novo Mundo). José Antônio da Cunha Couto. 1892. Óleo sobre

Disputa entre cosmógrafos (Alegoria ao Novo Mundo). José Antônio da Cunha Couto. 1892. Óleo sobre Tela, 65x54 cm. Museu de Arte da Bahia

O presente quadro foi pintado no ano de 1892 para comemorar o quarto centenário do

descobrimento das Américas. Na representação, podemos ver ajoelhado, e com uma espécie de caderno nas mãos, Pedro Álvares Cabral, líder da segunda viagem partindo da Europa à Índia, que gerou o descobrimento do Brasil. Atrás dele, o senhor de óculos e compasso nas mãos, pode ser Luca Pacioli, considerado o pai da contabilidade moderna. Mais ao fundo, da esquerda para a direita, Cristóvão Colombo (explorador italiano), Vasco da Gama (explorador Português, mais bem sucedido na época das descobertas) e Américo Vespúcio (explorador italiano).

Pertencente à segunda metade do século XIX, a obra ainda apresenta-se muito carregada de princípios barrocos, seja na sua arrumação cenográfica quase teatral, assim como as poses dos presentes, todas muito calculadas, precisas, simétricas. Um fundo também preenchido e racional, não dando precedentes para a idealização de um lugar aberto, paisagístico, e sim, fechado e controlado, quase como em um estúdio. Tudo isto contribuindo para o fato em si que a pintura demonstra, não dando suporte para triviais interpretações e sim, deixando real importância aos indivíduos presentes. À época, existe grande presença de quadros-retrato, sejam eles dotados de teor histórico (como este) ou de grandes burgueses.

Esteticamente, se mostra mais preenchido de tons terrosos, quentes, conferindo certo contentamento e dramaticidade à cena. As pinceladas são suaves e não aparentes, com camadas de base bastante esticadas. O quadro parece ter sido concebido de trás para a frente, sendo o plano de fundo pintado antes dos personagens, que, em alguns pontos, parecem misturar-se a este plano. A luz, também quente e direta, provoca um jogo de claro-escuro, que também é decorrência dos padrões de influências barrocas e

rococós. Existe maestria nas aplicações de pontos de luz direta, sombra e tons médios.

O Panejamento também é bastante característico e presente no academicismo da

época.

Entrada do Exército Libertador Fragmento. Presciliano Silva. 1930. Óleo sobre tela, 300x150 cm. Câmara Municipal

Entrada do Exército Libertador Fragmento. Presciliano Silva. 1930. Óleo sobre tela, 300x150 cm. Câmara Municipal de Salvador

Encomendado pelo então prefeito soteropolitano Francisco de Souza, A obra foi concebida em 1930 e é a maior do artista baiano referido. Trata do momento final das lutas pela independência da Bahia, com a entrada das tropas brasileiras na cidade do Salvador em 2 de julho de 1823. A luta pela independência foi custosa, iniciando-se antes da dita independência do Brasil, mas só concretizada quase um ano depois. Dotada de milhares de mortos e demais lutas, deve-se imaginar a alegria que permeava o povo neste dia glorioso, de vitória. E, parece que Presciliano conseguiu captar tal aprazimento, retratando-o de igual modo.

O momento é de fervoroso nascimento, concepção e firmamento de ideias e vanguardas de todos os tipos: simbolismo, romantismo, impressionismo etc. Presciliano parece ser influenciado por tudo isto. O ambiente retratado é aberto, contempla a natureza, mas não deixa de escanteio o fato que está acontecendo. Nele, a vitória e alegria estão discretamente expostas, mas é impossível não nota-la.

Com cores vivas, mais quentes, entretanto também frias, numa harmonia singular, Presciliano nos revela uma atmosfera quase onírica, que nos remete às obras enevoadas do romântico Turner, repetindo suas pinceladas marcantes e visíveis e um domínio na representação da luz natural que nos mostra claramente o avanço do estudo da luz já realizado por artistas nesta época para além da fotografia.

Comparação

Na obra de Cunha Couto, há uma limitação do espaço e uma pequena quantidade de planos. Há racionalidade e comedimento em cada traço, cada posição das alegorias dispostas. O academicismo e culto às proporções impera o domínio do pincel, causando um suavidade tão presente que não se pode notar as marcas dele. Em aspectos gerais, a pintura acaba parecendo impessoal, perfeita, não sendo realizada por uma pessoa. Contudo, analogamente, se faz bastante pessoal ao mostrar cada personalidade representada com nome, sobrenome, e um papel importante na história e obra em si.

Já Presciliano, influenciado pelo impressionismo tem um traçado muito mais livre, expressivo, notado e até relevado, visando mais mostrar (através do uso da luz) a massa e o volume dos corpos presentes do que sua personalidade. Os planos são muitos e se confundem entre si.

A natureza na obra de Couto se limita ao pássaro do primeiro plano, e a algumas ervas

que se põem atrás. No período que está pautada sua influencia, a natureza não se caracterizava como tema. O fato em si era o importante, a dramaticidade, a cena.

Criando toda uma atmosfera teatral que causa certa limitação ao observador, parecendo se tratar de um lugar fechado e abafado.

A natureza vira tema quase que central no romantismo, e, Presciliano a retrata tímida,

mas bastante atrelada à obra que concebe. Nela, o fato histórico é marcante e presente, mas sem limitá-lo, ou aprisioná-lo em uma caixa fechada como se fazia no

barroco.

A luz também é um aspecto muito importante em ambas. Sendo também medida,

quente, vindo de um foco principal no primeiro quadro, contribuindo para todo o espetáculo montado, e conferindo um claro-escuro típico desta época. Percebida no interior das igrejas, nas pinturas sacras etc. O segundo, por sua vez, regado à luz natural, em uma hora do dia que não aparenta ser tão fria nem tão quente. Luz difusa, presente, que perpassa por todos.

Ambas trazem historicidade à tona. Em momentos tão diversos quanto singulares. Uma celebra a descoberta, a outra, à vitória. As duas, a um momento novo.

Referências Bibliográficas

Marta Simões. Presciliano: Sua Vida. Fundação Cultural do estado da Bahia FUNCEB.

http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/index.cfm?fuseactio

n=artistas_biografia&cd_verbete=3079&cd_idioma=28555

http://pt.wikipedia.org/wiki/Entrada_do_Ex%C3%A9rcito_Libertador

< Acesso em 03.02.14 >