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(Artigo publicado na Revista InformationWeek Brasil, nº 219, 2009)

Prof M.Sc. Gustavo Santos

BR DISTRIBUIDORA AUTOMATIZA ABASTECIMENTO DE AVIÕES COM TECNOLOGIA

MÓVEL. PROCESSO REDUZ INADIMPLÊNCIA E AUMENTA CAPACIDADE DE

ATENDIMENTO

O avião chega ao aeroporto precisando abastecer. Um caminhão da BR Distribuidora se aproxima da aeronave e o piloto informa o volume de combustível necessário. O operador identifica companhia (cliente) e em um dispositivo móvel insere os dados do processo. Com o tanque cheio, o motorista imprime um comprovante de entrega ao responsável da companhia aérea. No final do

abastecimento (ou no fim do dia para dados capturados ao longo da jornada de trabalho), o operador da distribuidora descarrega as informações do PDA (personal digital assistant) em um computador de coleta. As informações vão para um servidor central e, em seguida, para o sistema de gestão empresarial (ERP), que processa o faturamento em tempo real. Mas nem sempre foi simples assim. Durante muito tempo, o processo de venda de combustível

de aviação era manual – da litragem à identificação

das aeronaves. Os comprovantes eram digitados um a um no computador e enviados, via disquete, para a agência da operação. Naquele contexto, consolidar informações e fazer o faturamento demorava até 15 dias. Ruim? Nem tanto. Sergio Alves, consultor de

projetos da BR Distribuidora, recorda que este era o procedimento adotado apenas nos quatro maiores aeroportos do Brasil. “Nos outros 90, os comprovantes eram mandados via malote e processados em 17 gerências da BR”, relembra o profissional. O processo, com sorte, levava 20 dias

e o modelo, entre outros percalços, acarretava

elevado índice de inadimplência. A mudança no sistema começou por volta do ano de 2001, quando a distribuidora começou um

primeiro movimento para automatizar o processo de venda de combustíveis suportado por uma solução

de mobilidade. A iniciativa pensada na ocasião não

foi levada adiante por falta de aderência. “Utilizávamos uma tecnologia de smart card com arquivos binários. Naquela época, também não tínhamos equipamentos robustos para a aplicação desejada”, recorda Alves. Mesmo não evoluindo, a incursão não foi descartada totalmente e serviu como embrião para uma nova tentativa três anos mais tarde. Assim, em 2004, a empresa retomou a ideia de substituir a caneta e o papel por um sistema mais automático e eficiente. Mas, desta vez, o projeto foi desenhado de uma outra forma, englobando desde a

captura de dados até o servidor central. Para o consultor, este novo foco permitiu encontrar a chave de sucesso. A distribuidora partiu para uma solução dentro da plataforma Windows Mobile num PDA de características industriais. Com isto, o operador de caminhão para abastecimento consegue validar a transação por meio deste dispositivo móvel, que transmite as informações para o servidor de banco de dados Microsoft SQL-Server, responsável por unificar as informações e enviá-las para a solução de faturamento. Em seguida é realizado o abastecimento da aeronave e emitido – ainda na pista – o comprovante da operação que tem valor fiscal. Após um ano de elaboração, a iniciativa entrou em fase de piloto durante três meses no aeroporto de Brasília (DF). Passada esta fase, entre novembro de 2005 e novembro de 2006, a BR Distribuidora estendeu a solução a outros 93 aeroportos brasileiros. Pelas contas do consultor, a iniciativa consumiu investimentos de cerca de R$ 7 milhões e, além dos softwares da Microsoft, contemplou 328 coletores da Intermec e 56 computadores – chamados subconcentradores. Os caminhões de abastecimento receberam, ainda, uma mesa metálica com a impressora do comprovante de entrega, um berço para o PDA, um painel de alimentação de energia elétrica e o registrador. O computador central tem conexões seriais com a sede da estatal, no Rio de Janeiro, onde as informações são consolidadas para então, ficarem disponíveis via internet para consulta das companhias aéreas. “Com o sistema, tudo ficou muito mais padrão, pois a tecnologia ajuda na operação”, avalia Alves, ao detalhar o processo linear que abre esse texto. A solução garantiu precisão no controle de estoque de combustível, que reflete melhor controle financeiro uma vez que o operador sabe os clientes inadimplentes antes do início do abastecimento. Outro benefício foi uma redução de 30% a 40% (atualmente, 30 minutos em média para o abastecimento) no tempo gasto em relação ao processo anterior. Com isso, a companhia consegue ampliar a quantidade de aeronaves atendidas. Segundo a BR Distribuidora, o retorno sobre investimento ocorreu em 12 meses.