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A História da Educação brasileira está muito marcada pelo processo de

colonização implementado por Portugal a partir do descobrimento de nosso


território em 1500. Inserindo-se dentro da lógica mercantilista, que reservou ao
Brasil o papel de economia complementar à da Metrópole, se constituindo
como fornecedor de produtos primários e consumidor de produtos
manufaturados portugueses ao nosso futuro país pouco ou quase nada
sobravam em termos decisórios com relação ao seu futuro, seja no campo
econômico, político, social e educacional. O Brasil era uma oportunidade de
enriquecimento para os portugueses, e se a educação não tinha um papel de
destaque em nossa Metrópole, isso se reproduzirá de forma mais intensa aqui
na colônia. O Estado não demonstrava uma preocupação em disseminar as
escolas pelo reino, sendo que esta atividade acabou sendo incorporada pela
Igreja Católica. É neste contexto que se dá a atuação dos jesuítas nas diversas
colônias portuguesas e espanholas.
Devesse ressaltar que as relações entre Igreja e Estado português eram
intermediadas pelo regime do Padroado, em que ao membros da Igreja são
indicados e mantidos como funcionários do Estado português. Em troca, é o
Estado que recebe os dízimos pagos pelos fiéis. O Padroado foi uma das
principais políticas de aproximação entre Portugal e o Vaticano e significou a
ratificação do reconhecimento das descobertas e propriedade dos novos
territórios do Estado português. No caso da Companhia de Jesus, entretanto,
tal acordo não prevalecia, uma vez que a mesma foi criada e apoiada dentro do
espírito da contra-reforma católica defendida a partir do Concílio de Trento, que
buscava reposicionar a Igreja Católica frente à atuação da Reforma Protestante
e suas críticas ao papado e aos membros da Igreja.
Os jesuítas assumiram o papel de atores principais na conversão dos
indígenas aos valores e ao Cristianismo europeu. Em que pese o fato de eles
terem enriquecido ou não a partir de sua atuação, forma grandes defensores
da liberdade dos indígenas, apesar do controle jesuítico sobre os índios.
Os jesuítas foram expulsos do Brasil em 1759, pelo primeiro-ministro
português Marquês de Pombal, preocupado com o crescimento da ordem e sua
lógica de atuação contrária aos interesses do Estado Português. O período
pombalino deve ser analisado dentro daquilo que se costumou chamar de
“despotismo esclarecido”, ou seja, a adaptação de algumas idéias iluministas
na “modernização” de um Estado eminentemente centralizador e autoritário.
Buscava-se adaptar um Estado esclerosado à uma nova realidade sócio-
econômica sem abrir mão da centralização política e do absolutismo
monárquico.
A chegada da família real portuguesa ao Brasil,em 1808,significou a
abertura dos primeiros cursos universitários em solo brasileiro, mas de forma
geral o enfoque escolar se manteve elitista, voltada para uma minoria
privilegiada. Com a independência do Brasil, a partir de 1822, o sistema de
Ensino se expande de forma muito modesta, aliando níveis educacionais
diferentes para grupos sociais divergentes, sendo portanto uma educação
excludente e hierarquizadora.
No período republicano, novas demandas vão se constituindo, obrigando
o sistema de ensino nacional a, lentamente, se adaptar às novas realidades
que se apresentam. O movimento escola novista insere-se neste contexto,
onde novas políticas são buscadas para um mundo voltado à preparação
profissional e ao trabalho. Ao longo do período republicano e nas suas diversas
fases, as leis vão correndo atrás da realidade, ora voltando a educação em um
sentido, ora em outro. Entretanto, fica muito claro o processo de “valorização
parcial” da educação e de seus valores, ou seja, tem-se atualmente um
discurso midiático dos benefícios da educação, mas a constituição de toda a
nossa sociedade, aponta em sentido diverso, ou seja, atualmente em nossa
sociedade contemporânea capitalista o bem mais valorizado é o poder
econômico, é o dinheiro, é o ter, e não o ser. Assim, em que pese a legislação
e seus discursos oficiais, os valores eminentemente educacionais estão em
baixa em nossa sociedade e a escola pouco pode contra ela.
É importante estudarmos a História da Educação para entendermos a
historicidade de um fenômeno que se constituiu ao longo de nossa formação,
ou seja, a Educação e a escola atual são de jeito que são atualmente porque
carregam em sua formação práticas atitudes constituídas historicamente.
Concluindo,