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Capítulo 4 Operadores lineares

Neste capítulo vamos introduzir os primeiros conceitos sobre operadores em es- paços normados. De interesse especial são os operadores que preservam as duas operações algébricas dos espaços vectoriais. No caso do espaço de chegada ser R ou C então o operador é chamado um funcional. Os operadores limitados ou funcionais limitados formam uma classe muito importante visto que estes podem tirar partido da estrutura vectorial. O resultado mais importante é aquele que esta- belece que um operador é limitado se e só s e é contínuo. Também de importância básica é o espaço formado pelos operadores limitados o qual forma um espaço normado B( X, Y ). Em particular o conjunto dos funcionais lineares contínuos so- bre um espaço normado X denotado por X forma um espaço de Banach.

4.1 De nições e exemplos

De nição 4.1 (Operador linear) Sejam X, Y dois espaços vectoriais sobre o mesmo corpo K . Uma aplicação T : D ( T ) X −→ Y diz-se um operador linear se

1. D ( T ) é u m espaço vectorial e a image m R(T ) Y ,

2. para quaisquer x, y D ( T ) e escalares α, β K temos

T ( α x + β y) = αT x + β T y .

Vamos usar a seguinte notação:

D (T ) denota o domínio de T ,

99

R( T ) denota o conjunto das imagens de T e

N ( T ) denota o núcleo de T , isto é, N ( T ) = { x D ( T ) | T

x = 0 } .

Note que a propriedade 2. na denição de operador linear diz que T preserva as duas operações do espaço vectorial.

Exemplo 4.2 Sejam X e Y dois espaços vectoriais dados.

Operador identidade O operador I X : X −→ X denido por I X x := x para qualquer x X chama-se operador identidade. Temos D ( I X ) = X e é claro que I X é linear.

0 x := 0 para qualquer x X é

Operador nulo O operador 0 : X −→ Y , x chamado operador nulo o qual é linear.

Operador diferenciação Seja X = P ([0 , 1]) o espaço vectorial dos polinómios denidos em [0, 1] e o operador T : X −→ X ,

T : X −→ X, p

( T p )( t ) := p ( t ),

onde p ( t ) designa a derivada do polinómio p . O operador T é linear e, atendendo a que a derivada de um polinómio ainda é u m polinómio, então R( T ) X .

Operador integração Seja X = C ([0, 1]) o espaço vectorial das funções reais contínuas denidas em [0, 1]. Denimos

T : C ([0, 1]) −→ C ([0 , 1]) , x ( T x )( t ) := t x( s )d s .

0

Como o integral é uma operação linear, então o operador T também é linear.

Operador multiplicação Seja ainda X = C ([0 , 1]) e consideremos o operador

T

: C ([0 , 1]) −→ C ([0 , 1]) , x

( T x )( t ) := t x( t ) .

Este operador é usado na física quântica como sendo o operador posição.

100

Operador matriz Consideremos uma matriz real n × m A = ( a i j ) podemos denir um operador T como

i= 1 , ,n

j= 1 ,

,m . Então

T : R m −→ R n , x

T x := A x.

É claro que T é linear porque a multiplicação por uma matriz é uma opera-

ção linear. S e T x = y = ( y 1 ,

, y n ) e x = ( x 1 ,

a

a

a

11

21

.

.

.

n 1

a

a

a

12

22

.

.

.

n 2

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

a 1 m  

          

a 2 m   

  

a

.

nm

, x m ), então temos

 

y 2

y

y

1

.

.

.

n

x 2

x

x

1

.

.

.

m

=

onde

y i =

n

j=1

a i j x j ,

i = 1 ,

m

.

Operador integral No espaço C ([0 , 1]) consideremos o operador

(T

x )( t ) := 1 K (t , s ) x( s )d s ,

0

onde K é uma função contínua denida em [0, 1] 2 e chamada o núcleo do operador integral T . É claro que T é um operador linear.

Teorema 4.3 (Imagem e núcleo) Seja T : X Y u m operador linear dado. Então

1. o núcleo de T , N ( T ) , é um espaço vectorial,

2 . a i m agem d e T , R(T ), é u m espaço vectorial,

3. se dim D (T ) = n < , então dim R( T ) n.

Em particular na prova do ponto 3. do teorema anterior é importante notar que os operadores lineares preservam a dependência linear.

101

Exercícios

Exercício 4.1 Mostre o Teorema 4.3.

Exercício 4.2 Considere os operadores T i : R 2 −→ R 2 , i = 1, 2 , 3 d enidos por

:= ( x, 0) (y, x) (α x, αy) ,

:=

:=

T 1 ( x, y) T 2 ( x, y)

T 2 (

x,

y)

α R.

1. Mostre que estes operadores são lineares.

2. Calcule D (T i ) e N (T i ), i = 1, 2, 3.

3. Escreva os operadores T i , i = 1 , 2 , 3 usando matrizes 2 × 2.

4.2 Operadores lineares limitados e contínuos

Vamos agora analisar uma classe muito importante de operadores lineares, os ope- radores lineares limitados.

De nição 4.4 (Operador limitado) Sejam X, Y espaços normados e T : D ( T ) X −→ Y u m operador linear. Então T diz-se limitado se existe uma constante M tal que para todos x D (T ) temos

(4.1)

Note que, a presente denição de operador limitado difere da de função li- mitada da análise, pois, uma função limitada é aquela cujo conjunto imagem é limitado no caso dos operadores lineares só o operador nulo tem o conjunto ima- gem limitado. Qual será a menor constante M tal que ( 4.1) seja verdadeira para qualquer

| T x | M | x| .

x D ( T ) \ { 0 } ? Podemos deixar x = 0 D (T ) d e forma, pois, T 0 = 0. Temos

| T x|

| x|

M

tomando o supremo em ambos os lados obtemos

sup

xD ( T ) \{ 0}

| T x |

| x|

102

M

assim, este supremo é a constante mais pequena tal que ( 4.1) s e verica. Esta constante é denotada por T e é chamada norma de T , isto é,

T =

sup

xD ( T ) \{ 0 }

| T x|

| x|

Por de nição se D ( T ) = { 0 } pomos T = 0. Note que com M = T a desigual- dade (4.1) d á lugar

| T x | T | x|

a qual será aplicada frequentemente no que se segue.

Lema 4.5 (Norma) Seja T um operador linear limitado.

1. Então a norma de T é dada por

T = sup{ | T x | x D ( T ) , | x| = 1 } .

(4.2)

2. A aplicação · verica as propriedades (N1)-(N3) de norma.

x

Prova . 1. Seja x D (T ) \ { 0 } e y := | x| tal que | y| = 1. Como T é linear temos

T =

sup

xD ( T )\{ 0 }

| T x| | x| =

sup

xD ( T ) \{ 0 }

T

| x x| = sup | T y |

yD ( T )

| y| = 1

pelo que (4.2) está mostrado.

2. (N1) Condição necessária. Suponhamos que T = 0 com vista a mostrar que

T = 0. Assim, de T = 0 resulta que T x = 0 para qualquer x D ( T ), logo T = 0.

Condição suciente. Se T = 0, então T = 0, pois T = sup x D ( T )\{ 0 } (N2) Para qualquer α K temos

|T x |

| x|

= 0.

αT

=

sup{ | αT x | x D ( T ) , | x| = 1 }

=

sup{ | α| | T x | x D ( T ) , | x| = 1 }

=

| α| sup{ | T x | x D ( T ) , | x| = 1 }

=

| α| T .

(N3) Sejam T , U dois operadores limitados. Então temos

T + U

=

sup { | ( T + U ) x| x D ( T ) D ( U ), | x| = 1 }

sup

{ | T

x| + | U x | x D ( T )

D ( U ) , | x| = 1}

sup { | T x| x D ( T ) , | x| = 1 } + sup { | U x | x D (U ) , | x| = 1}

=

T + U

.

103

A interpretação geométrica do número T é a s eguinte: T é o supremo da

A interpretação geométrica do número T é a s eguinte: T é o supremo da deformação dos vectores x D ( T ) tais que | x| = 1 pela acção de T .

Exemplo 4.6 Sejam X, Y espaços normados.

Operador identidade O operador I X é limitado e I X = 1, pois,

I X = sup{ | I X x| x X, | x| = 1 } = 1 .

Operador nulo Por de nição o operador nulo 0 é limitado e 0 = 0.

Operador diferenciação O operador de diferenciação

T : X −→ X, x ( T x )(t ) := x ( t )

não é limitado. X = P ([0, 1]) é o conjunto dos polinómios denidos em [0 , 1]. Com efeito, consideremos a sucessão de polinómios x n ( t ) := t n , n N 0 . Temos

e então

| x n | := max{ | x n ( t ) | , t [0 , 1] } = 1 ,

n N 0

| ( T x n )( t ) |

| x n |

= n max{ | t n1 | t [0, 1] } = n.

Assim, não existe M tal que para todos n N tenhamos

logo T não é limitado.

| ( T x n )( t ) |

| x n |

M

Operador integração Consideremos o operador

T : C ([0 , 1]) −→ C ([0, 1]), x ( T x)( t ) := t x( s ) d s

0

104

é limitado e T = 1. De facto, por um lado temos

| T x | = max 1] | (T x )(t ) | = max

t

[0 ,

t

[0 , 1]

t

0

x( s ) d s

t [0 , 1] t

0

max

t [0 , 1] t s [0 ,

0

| x( s ) | d s max

max 1] | x( s ) | d s

t [0 , 1] t

0

= max 1] | x( s ) | max

s

[0 ,

= max 1] | x( s ) | = | x| .

s [0 ,

d s = max 1] | x( s )| max

s

[0 ,

t [0 , 1] t

Assim, | T x | | x| pelo que tomado o supremo em ambos os lados nesta desigualdade sobre todos os x C ([0 , 1]) com norma 1 obtemos

T = sup { | T x | , x C ([0 , 1]) , | x| = 1 } sup { | x| , x C ([0 , 1]) , | x| = 1 } = 1

pelo que T 1. Por outro lado, a aplicação x 0 : [ 0, 1] −→ R, t x 0 ( t ) := 1 é tal que x 0 C ([0 , 1]), | x 0 | = 1 e

| T x 0 | = max 1] | ( T x 0 )( t ) | = max

t

[0,

t

[0 , 1]

t

0

d s = 1 .

Como 1 = | T x 0 | T | x 0 | = T , logo também T 1. Das duas desi- gualdades concluímos que T = 1 e T é limitado.

Operador multiplicação Consideremos o operador de multiplicação

T : C ([0 , 1]) −→ C ([0 , 1]) , x (T x)(t ) = t x(t ).

Então T é limitado e T = 1. Temos

| T x| = | t x| = max 1] | t x(t )| max 1] | x(t )| = | x|

t

[0,

t

[0 ,

pelo que passando ao supremo em ambos os lados sobre todos x C ([0 , 1]) com | x| = 1 obtemos

T 1 .

Mas para x 0 ( t ) = 1 temos | x 0 | = 1, x 0 C ([0 , 1]) e

| T x 0 |

| x 0 | = max 1] | (T x 0 )( t ) | = max 1] | t | = 1.

t

[0,

t

[0 ,

Como

então resulta T = 1.

T | T x 0 | = 1,

|

x 0 |

105

Operador matriz Dada uma matriz real A = ( a i j )

i= 1 , ,n

j= 1 ,

,m e o operador

T : R m −→ R n , x T x = A x,

então T é limitado e T M , onde

M 2 :=

n m

a

2

i

j .

i=1 j=1

De facto, denotando T x = y = (y 1 ,

, y n ) temos

logo

| y| 2 =

n

i=1

y i =

m

j=1

a i j x j

| y i | 2 =

n

i=1

m

j=1

a i j x j

2

.

Aplicando a desigualdade de Cauchy-Schwarz obtemos

e, assim

| y| 2

n

m

a

2

i j

i=1 j=1

| T x | 2 M 2 | x| 2 ,

m

j=1

x 2 =

j

| x| 2

n

m

a

i=1 j=1

M 2 =

n m

i=1 j=1

2 j | x| 2

i

a

2

i j ,

logo | T x| M | x| de onde resulta T M .

Operador integral Dada a função contínua K : [ 0, 1] × [0 , 1] −→ R de- nimos o operador

T : C ([0 , 1]) −→ C ([0 , 1]) , x ( T x)( t ) = 1 K ( t , s ) x( s )d s .

0

1

Então T é limitado e T = max t [0 , 1] | K ( t , s ) | d s . D e facto, temos

0

| x( t ) | max 1] | x( t ) | = | x| ,

t

[0 ,

106

logo

t [0 , 1] 1

0

| T x | = max 1] | ( T x)( t ) | max

t

[0 ,

t [0 , 1] 1

0

| K ( t , s ) x( s ) | d s | x| max

| K ( t , s ) | d s .

Passando ao supremo na desigualdade anterior sobre todos x C ([0 , 1]) com | x| = 1 obtemos

t [0 , 1] 1

0

T = sup{ | T x | , x C ([0, 1]) , | x| = 1 } max

| K ( t , s ) | d s ,

logo T é limitado. Note que, como K é contínua nas duas variáveis, então | K ( t , s )| k . É possível mostrar que

t [0 , 1] 1

0

T = max

| K ( t , s ) | d s .

Teorema 4.7 Seja X u m espaço normado de dimensão nita. Então todo o ope- rador linear em X é limitado.

Prova . Seja { e 1 ,

n

, e n } uma base em X de tal forma que se x X temos

x =

x

i e i .

i=1

Como T é um operador linear denido em X , então

| T x | =

n

i=1

| x i | | T e i | max | T e i |

1

in

n

i=1

|

x i | .

Aplicando o Lema 2.20 obtemos

de tal forma que

n

i=1

| x i |

| T x | M | x| ,

C

1

n

i=1

x

i e i

= C | x|

1

1

M := C max | T e i | .

1

in

Daqui resulta que T M , logo T é limitado.

n Daqui resulta que T ≤ M , logo T é limitado. Vamos de seguida investigar

Vamos de seguida investigar a relação entre operadores lineares limitados e operadores lineares contínuos.

107

De nição 4.8 (Operador contínuo) Sejam X, Y espaços normados e T : D (T )

X −→ Y u m operador linear dado. Então T é contínuo em x 0 D ( T ) se para

qualquer ε > 0 existe δ > 0 tal que

x D ( T )

| x x 0 | δ

=

| T x T x 0 | < ε .

T diz-se contínuo se for contínuo em todos os pontos x D ( T ).

Teorema 4.9 Seja T : D ( T ) X −→ Y u m operador linear entre espaços nor- mados. Então

1. T é contínuo se e só s e T é limitado.

2. Se T é contínuo num ponto, então é contínuo .

Prova . O caso T = 0 não tem interesse. Assim, supomos que T 0 pelo que

T 0. 1. Condição suciente. Suponhamos que T é limitado com vista a mostrar que

T é contínuo. Seja ε > 0 dado e x 0 D ( T ) u m elemento arbitrário. Escolhendo

δ = T e para qualquer x D (T ) tal que

ε

| x x 0 | δ

temos

| T x T x 0 | = | T ( x x 0 ) | T | x x 0 | < T δ = ε .

Logo T é contínuo em x 0 ; da arbitrariedade de x 0 D ( T ) resulta que T é contínuo. Condição necessária. Suponhamos agora que T é contínuo com vista a mostrar que T é limitado. Assim, para qualquer x 0 D ( T ) e qualquer ε > 0 existe δ > 0 e para todo os x D (T ) com | x x 0 | < δ temos

| T x T x 0 | < ε .

Para y 0 e m D ( T ) d enimos

Logo

x := x 0 +

δ

| y| y

δ

⇐⇒ x x 0 = | y| y

| T x T x 0 | = | T ( x x 0 ) | =

108

T

| y| y =

δ

=| x x 0 | = δ.

δ

| y| | T y | < ε

ou ainda

| T y |

|

y|

< ε δ .

Passando ao supremo em ambos os lados sobre todos os y D ( T ) tal que | y| = 1 obtemos T < ε , isto é, T é limitado.

δ

2. Se T é contínuo num ponto, então pela segunda parte da prova de 1. T é limitado, logo por 1. T é contínuo.

prova de 1. T é limitado, logo por 1. T é contínuo. Corolário 4.10 Seja T

Corolário 4.10 Seja T : D (T ) X −→ Y um operador linear limitado.

1. Se ( x n ) =1 D ( T ) é uma sucessão tal que x n −→ x, n → ∞ e x D ( T ) , então T x n −→ T x .

2. O núcleo de T N (T ) é u m espaço fechado.

n

P rova . 1. Como T é linear limitado, temos

| T x n T x | = | T ( x n x) | T | x n

x| −→ 0 , n → ∞ .

2. Seja x N (T ) dado com vista a mostrar que x N ( T ). Assim, existe uma sucessão ( x n ) =1 N (T ) tal que x n −→ x, n → ∞ . Pela alínea anterior temos T x n −→ T x . Como para cada n N temos T x n = 0, então T x = 0, logo x N ( T ).

n

= 0, então T x = 0, logo x ∈ N ( T ). ∞ n

De nição 4.11 (Igualdade, restrição, extensão)

1. Dois operadores T 1 e T 2

dizem-se iguais, denotado T 1 = T 2 , s e têm o mesmo domínio D (T 1 ) = D (T 2 ) e s e T 1 x = T 2 x para qualquer x D (T 1 ) = D ( T 2 ) .

2. A restrição do operador T : D ( T ) X −→ Y a um subconjunto B D ( T ) ,

denotada por T | B , é o operador T | B : B −→ Y tal que T | B x = qualquer x B.

T x para

3. A extensão do operador T : D ( T ) X −→ Y a um conjunto M D ( T ),

˜

denotada por T , é o operador T

˜

˜

: M −→ Y tal que T | D ( T ) = T , isto é,

˜

T x = T x para qualquer x D ( T ) . Assim, T é a restrição de T

˜

a D ( T ) .

109

Teorema 4.12 (Extensão linear limitada) Seja T : D ( T ) X −→ Y u m ope- rador linear limitado, sendo X um espaço normado e Y um espaço de Banach.

˜

Então T admite uma extensão T : D (T ) −→ Y , onde T é linear limitado com

˜

T = T .

˜

˜

Prova. 1. De nição de T . Seja x D ( T ) dado, então existe uma sucessão

( x n ) =1 D ( T ) tal que x n −→ x, n → ∞ . Temos

n

| T x n T x m | = | T ( x n x m ) | T | x n x m |

o que mostra o facto de (T x n ) =1 ser uma sucessão de Cauchy em Y . Como Y é

n

˜

completo, então existe y Y tal que T x n −→ y. D enimos T x := y.

É claro que a d enição de T não depende da escolha da sucessão ( x n ) =1 . De

˜

n

facto, se (z n ) =1 é outra sucessão em D ( T ) tal que z n −→ x, n → ∞ , então

n

| T x n T z n | T | x n z n | T ( | x n x| + | z n x| ) −→ 0, n → ∞ ,

logo as sucessões ( T x n ) =1 e (T z n ) =1 têm o mesmo limite. Isto mostra que T está

bem denido.

˜

n

n

2. É claro que T é uma extensão de T , pois, T x = T x para qualquer x D (T ).

˜

˜

˜

3. Norma de T . Temos

| T x n | T | x n |

pelo que passando ao limite n → ∞ , usando a continuidade da norma, obtemos

˜

| T x | T | x| .

Passando ao supremo sobre todos os x D ( T ) tais que | x| = 1 obtemos T T .

Por outro lado, é claro que

T = sup{ | T x | , x D (T ), | x| = 1} sup{ | T x | , x D ( T ) , | x| = 1 } = T .

˜

˜

˜

Assim, temos T = T .

˜

{ | T x | , x ∈ D ( T ) , | x |

110

Exercícios

Exercício 4.3 (Operador multiplicação por uma função) Considere o espaço nor- mado das funções contínuas C ([0 , 1]) e a C ([0 , 1]) um elemento dado. Deni- mos T por

T : C ([0, 1]) −→ C ([0 , 1]) , x ( T x )( t ) := a ( t ) x( t ) .

1. Mostre que T é linear.

2. Prove que T é limitado.

3. Calcule a norma de T .

Exercício 4.4 Mostre que o operador T denido por

T : ( C) −→ ( C) , z

T z := z n

n

n

=1

é linear e limitado. Calcule a norma de T .

Exercício 4.5 Seja X = C ([0 , 1]) o espaço das funções contínuas e T i , i = 1 , 2 denidos em X por

( T 1 x)(t ) := 1 e t s x( s ) d s

0

(

T 2 x)(t ) :=

1 t n s m x( s ) d s ,

0

Calcule T 1 e T 2 .

n, m N .

4.3 Espaço de operadores lineares

Nesta secção vamos investigar o conjunto formado pelos operadores lineares li- mitados entre dois espaços normados B( X, Y ) com o objectivo de mostrar que B( X, Y ) é ele mesmo também um espaço normado. Para tal precisamos introduzir uma estrutura de espaço vectorial em B( X, Y ). Sejam T , U B( X, Y ) e α, β K dados. De nimos

T +