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Aiatolá convoca jovens para lutar - Caderno de Internacional do Jornal

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Aiatolá convoca jovens para lutar

Forças do governo do país do Golfo Pérsico se armam para blindar Bagdá e impedir o avanço de jihadistas e insurgentes rumo à capital

Publicação: 15/06/2014 04:00

insurgentes rumo à capital Publicação: 15/06/2014 04:00 Milhares de voluntários vão se juntar ao Exército

Milhares de voluntários vão se juntar ao Exército iraquiano para combater os insurgentes sunitas

Bagdá – As forças de segurança iraquianas retomaram ontem três cidades próximas de Bagdá e se preparam para contra-atacar os jihadistas no Norte do país, após a conquista nesta semana de grandes áreas pelos insurgentes. Sinal da crescente preocupação no exterior frente a esta rápida ofensiva, o Irã, cujas relações com os Estados Unidos melhoraram após décadas de congelamento, declarou que não descarta uma cooperação com Washington para parar os jihadistas que visam criar um Estado islâmico na fronteira entre o Iraque e a Síria. O presidente norte-americano, Barack Obama, indicou na sexta-feira que seu governo analisa “todas as opções”, exceto o envio de tropas terrestres, mas admitiu que os EUA não iriam ficar de braços cruzados.

Em três dias, os jihadistas do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL) e os insurgentes conquistaram Mossul e sua província de Nínive (Norte), Tikrit, e outras áreas da província de Saladino, assim como parte das províncias de Diyala (Leste) e Kirkuk (Norte), encontrando pouca resistência por parte das forças de segurança. Seu objetivo agora é a capital Bagdá, onde as ruas estavam quase desertas e as lojas fechadas ontem, por medo de um ataque iminente.

Centenas de jovens iraquianos se lançaram às ruas de Bagdá para lutar contra o avanço dos milicianos islâmicos, que na última semana ocuparam importantes cidades no Norte do país. A avalanche de voluntários chega em resposta a um apelo público de Ali al-Sistani, o clérigo máximo xiita do Iraque, conhecido oponente do avanço sunita dos partidários do EIIL, que nos últimos dias tomaram controle de Mossul, a segunda maior cidade do país, e Tikrit – cidade natal de Saddam Hussein, deposto e morto em 2003. Os extremistas do EIIL, de posições simpatizantes com a Al-Qaeda, tomaram o controle ontem de mais duas cidades localizadas a noroeste de Bagdá, forçando a saída de governistas.

O chamamento do aiatolá Al-Sistani, nascido no Irã, foi feito por meio de seu representante, o xeque Abdul-Mahdi Al-Karbalaie, e, a julgar pela massiva resposta dos jovens de Bagdá, poderia agravar as tensões separatistas entre sunitas e xiitas, conflitos étnicos que estiveram a ponto de dividir o país entre 2006 e 2007. “Qualquer cidadão que saiba atirar e queira lutar contra os terroristas na defesa de seu país e de seus lugares sagrados deve se oferecer como voluntário e inscrever-se nas forças de segurança”, disse Al-Karbalaie no sermão de sexta-feira na cidade sagrada xiita de Karbala. Ele foi ouvido e milhares de jovens já se apresentaram ao governo.

CONFLITO REGIONAL Esta potente ofensiva dos insurgentes ameaça desestabilizar a região e provocar um conflito regional que extrapole as fronteiras, como já ocorreu com o caos causado pela guerra civil da vizinha Síria. A rapidez da rebelião extremista, que também conta com o apoio dos partidários do ex-ditador Saddam Hussein, se converteu na maior ameaça desestabilizadora do Iraque desde a saída das tropas dos EUA, em 2011. Há a possibilidade de empurrar o país em um precipício que terminaria com a sua divisão em três zonas: a xiita, a sunita a curda.

Para complicar ainda mais a situação, ontem, o Departamento de Contraterrorismo do Iraque anunciou que Izzat Ibrahim Al-Douri, o filho do vice-presidente de Saddam Hussein, foi morto em um ataque aéreo sobre Tikrit. Al-Douri teria morrido junto a outros 50 partidários sunitas na sexta-feira. Não há trégua: homens armados atacaram ontem um comboio que transportava o chefe do escritório anticorrupção do Iraque no Norte de Bagdá, matando nove policiais. O ataque ocorreu em uma estrada entre a capital e Samarra, em

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meio a um contra-ataque das forças de segurança para recuperar o controle de áreas ao norte de Bagdá tomadas há quatro dias pelos jihadistas.