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Não Fique Mais Sozinho; Uma analise da sociedade moderna e

contemporânea e suas relações com o coletivo.

Pare por alguns segundos e pense, nos últimos dias quais foram os
estímulos que você recebeu para se preocupar com alguém do seu meio
social?. Mas e quantos aos estímulos você recebeu para se preocupar consigo
mesmo?, com certeza este segundo estimulo foi bem maior. Este artigo
pretende problematizar estimulo ao “espelho fosco” que a sociedade capitalista
coloca em nossa frente, mas não vamos apenas nos centralizar em uma
discussão política e econômica até porque deixaria lacunas, mas vamos tratar
do comportamento humano na sociedade moderna.

O culto ao individualismo muito tem sido debatido no meio cientifico


autores como Gilles Deleuze e Zygmunt Bauman que partilham da idéia de
que o que vigora é a ascensão de um objetivo individual, em declínio dessas
instituições, analogamente, sólidas e tradicionalistas. Essa mudança de
parâmetros teria provocado, então, uma quebra dos moldes, as molduras de
classe, etnia, linhagem etc., alguns dos já históricos pontos de orientação.
Esses padrões já não estigmatizam o indivíduo, pelo contrário, seria do
indivíduo que partiria, se chocando com os multifacetados novos padrões, cada
vez mais micros, de convívio social e, por isso, com sucinta fluidez, normas que
vão e estão se maleando em curtíssimo espaço de tempo.

Comunidades de carnaval’ parece ser outro nome adequado


para as comunidades em discussão. Tais comunidades, afinal,
dão um alívio temporário às agonias de solitárias lutas
cotidianas, à cansativa condição de indivíduos de jure
persuadidos ou forçados a puxar a si mesmos pelos próprios
cabelos. Comunidades explosivas são eventos que quebram a
monotonia da solidão, cotidiana, e como todos os eventos de
carnaval liberam a pressão e permitem que os foliões suportem
melhor a rotina que devem retornar no momento em que a
brincadeira terminar. E, como a filosofia, nas melancólicas
meditações de Wittgenstein, ‘deixam tudo como estava’ (sem
contar os feridos e as cicatrizes morais dos que escaparam ao
destino de ‘baixas marginais’). (BAUMAN, 2001, p. 229)
Cada vez mais individualizados e por conseqüência mais solitários, tudo que
nos remete ao sólido nos é mostrado como atrasado e carrega em si um tom
nostálgico , mais como seres essencialmente sociais, precisamos estar em
coletividade ai passamos para a comunidades que o autor chama de
comunidades de carnaval, para que possamos suportar a solidão de uma
sociedade de fluidez, de coisas passageiras.

Dentro da perspectiva moderna fomos nós fomos condicionados á ter


uma vida muito acelerada, o tempo parece curto para tudo que queremos fazer
e ter, entretanto estamos cada vez mais sozinhos em esferas individuais,
porque na verdade nossas buscas por preenchimento é o que nos faz correr
tanto em direção de algo muitas das vezes idealizado. O sistema econômico
deu o ponta pé por esta busca desenfreada, buscamos de forma individual,
justiça, segurança, educação e saúde. Por não acreditarmos mais na força do
coletivo somos tentados pelas fáceis e rápidas respostas do mundo moderno,
estamos sozinhos em nosso condomínio fechado, estamos salvos pelo plano
de saúde privado, garantimos educação de qualidade aos nossos filhos e
quando se pode paga-se pelo que chamamos de justiça.

È dentro deste aspecto que encontramos o sistema capitalista como


grande germe da individualização, entretanto, seus contrastes seria suficientes
para desconstruir esse padrão, afinal não estamos seguros em nossos
condomínios fechados, nossos filhos não estão tão protegidos como
pensávamos dentro da escolas particulares, nem sempre estamos á salvo nos
planos de saúde privado e quanto a justiça....só o dinheiro não basta para
garanti-la. A sociedade identificada por Gilles Deleuze (1992) como de controle.
Hoje, nós encontramo-nos num momento de transição entre um modelo e
outro. Estamos a sair de uma forma de encarceramento completo para uma
espécie de controle aberto e contínuo.

A chamada sociedade de controle é um passo à frente da sociedade


disciplinar. Não que esta tenha deixado de existir, mas foi expandida para
ocampo social de produção. Segundo Foucault, a disciplina é interiorizada.
Esta é exercida fundamentalmente por três meios globais absolutos: o medo, o
julgamento e a destruição. Logo, com o colapso das antigas instituições
imperialistas, os dispositivos disciplinares tornaram-se menos limitados. As
instituições sociais modernas produzem indivíduos sociais muito mais moveis e
flexíveis que antes. Essa transição para a sociedade de controle envolve uma
subjetividade que não está fixada na individualidade. O indivíduo não pertence
a nenhuma identidade e pertence a todas. Mesmo fora do seu local de
trabalho, continua a ser intensamente governado pela lógica disciplinar. Deste
modo percebemos que existe mais que a força de um controle social por um
sistema econômico, mas a forma como nós nos comportamos dentro dele.

Não exercemos controle sobre nós, sobre nossas vontades, o descontrole


aparece latente na forma como agimos no tecido social, nossas vontades,
ímpetos cada vez mais maiores, não pensamos pelo lado coletivo agimos
usando a nossa razão para um fim particular e cada vez mais sofremos pelas
conseqüências deste tipo de organização social, entretanto os estímulos não
param, e não conseguimos resolver nossos problemas de ordem social e
individual, não somos levados a pensar no outro de uma forma desinteressada,
muitas das vezes os projetos levados as pós graduações dentro dos centros
científicos não passam de um discurso repetitivo que busca afagar o ego do
seu orientador, afinal muita coisa mudou menos o desejo da imortalidade, e se
perpetuar nos trabalhos dos orientandos tornou-se a função de muitos
programas d pós graduação em nosso pais. As matérias nos telejornais não
são medidos por sua real importância, pois o meio de comunicação é o mais
impregnado pelo individualismo e o culto do próprio eu. As campanhas que tem
fundo de caridade, na verdade busca auto promoção, então quem realmente
preocupa-se com o outro?

O grande dilema da sociedade mais contraditoriamente solitária esta


muito longe do fim, porque não existem espaços para se dedicar á algo tão vital
para nosso bom funcionamento social que é o convívio em grupo, as saídas
individualizadas apenas causam um tipo de amortecimento, mas ao passar
aquela sensação estamos sozinhos e incompletos.Criamos companhias de
plásticos, robôs, amigos virtuais, paixões virtuais, fazemos das pessoas um
objeto sem vida mas nada consegue preencher.

Nossa geração esta sendo criado para continuar acelerada e sozinha,


porque estamos diante de uma educação que prioriza o eu, nossa relação com
o trabalho já muito distante de ser a satisfação das necessidades, em meio a
tanta exploração física e psíquica, consegue ser o espaço onde estamos em
coletividade e excitamos este tipo de convívio, é onde temos visibilidade social,
não que este seja o paraíso das relações mas ainda resiste como um forte
articulador social. Não existe formula para se resolver o grande dilema social o
que existem são possibilidades de uma melhor convivência buscando-se a
nosso modo viver o hoje ainda com preceitos que não são antigos ou
atrasados, mas clássicos e vitais para uma sociedade mais harmoniosa com
nossa própria natureza que é o estar em sociedade.

Referencia bibliográfica

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