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GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO SECRETARIA DE ESTADO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA FUNDAÇÃO DE APOIO À ESCOLA TÉCNICA - FAETEC

Curso Técnico de Mecânica Tec Mecânica I

ETEFEV

ESCOLA TÉCNICA ESTADUAL FERREIRA VIANA

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Curso Técnico de Mecânica Tecnologia dos Materiais I

PROPRIEDADES DOS MATERIAIS

Os materiais apresentam diversas propriedades, das quais pode-se destacar:

- propriedades mecânicas;

- propriedades térmicas;

- propriedades elétricas.

INTRODUÇÃO

Os materiais utilizados pela indústria mecânica fornecem a matéria prima que é utilizada para a fabricação de máquinas, peças e utensílios necessários para a vida moderna. Estes materiais devem resistir a esforços mecânicos (solicitações mecânicas) que podem ser de vários tipos:

a) esforços estáticos: neste caso a carga não

varia com o tempo, a carga permanece constante

ao longo do tempo.

com o tempo, a carga permanece constante ao longo do tempo. Fig.01: Esforço estático b) esforços

Fig.01: Esforço estático

b) esforços dinâmicos: neste caso o valor da

carga varia em relação ao tempo, podendo a carga ser aplicada de modo repentino, como em um choque.

a carga ser aplicada de modo repentino, como em um choque. Fig.02: Esforço dinâmico c) esforços

Fig.02: Esforço dinâmico

c) esforços cíclicos: neste caso o valor da carga varia em relação ao tempo, podendo ser intermitente (ex. dentes de engrenagens), alternado (ex. eixos) ou mesmo de forma aleatória.

dentes de engrenagens), alternado (ex. eixos) ou mesmo de forma aleatória. Fig.03: Tipos de carregamentos intermitentes
dentes de engrenagens), alternado (ex. eixos) ou mesmo de forma aleatória. Fig.03: Tipos de carregamentos intermitentes

Fig.03: Tipos de carregamentos intermitentes

dentes de engrenagens), alternado (ex. eixos) ou mesmo de forma aleatória. Fig.03: Tipos de carregamentos intermitentes

Propriedades dos Materiais

2

Propriedades dos Materiais 2 Fig.04: Tipos de carregamentos mecânicos Quando se considera a forma que os

Fig.04: Tipos de carregamentos mecânicos

Quando se considera a forma que os esforços mecânicos (solicitações mecânicas) são aplicados tem-se os seguintes tipos de esforços:

- tração;

- compressão;

- flexão;

- torção;

- flambagem;

- cisalhamento.

- flexão; - torção; - flambagem; - cisalhamento. Fig.05: Tipos de esforços/solicitações mecânicas

Fig.05: Tipos de esforços/solicitações mecânicas

Tração: a força atuante tende a provocar um alongamento do elemento na direção da mesma. Flexão: a força atuante provoca uma deformação do eixo perpendicular à mesma. Compressão: a força atuante tende a produzir uma redução do elemento na direção da mesma. Compressão: a força atuante tende a produzir uma redução do elemento na direção da mesma. Torção: forças atuam em um plano perpendicular ao eixo e cada seção transversal tende a girar em relação às outras Cisalhamento: forças atuantes tendem a produzir um efeito de corte, isto é, um deslocamento linear entre seções transversais. Flambagem: é um esforço de compressão em uma barra de seção transversal pequena em relação ao comprimento, que tende a produzir uma curvatura na barra. A diferença entre a flambagem e a compressão, reside no fato de que durante a aplicação do esforço mecânico de flambagem o material tende a se curvar, o que não ocorre durante a compressão.

Em muitas situações práticas ocorre uma combinação de dois ou mais tipos de esforços. Em alguns casos há um tipo predominante e os demais podem ser desprezados, mas há outros casos em que eles precisam ser considerados conjuntamente.

OBS: Em nosso curso estudaremos os esforços de tração, compressão e cisalhamento.

Os esforços mecânicos geram dois efeitos nos materiais:

- tensão;

- deformação.

A tensão é a razão entre a carga aplicada e a sua seção transversal reta, existem 03 tipos de tensões:

a) Tensão de tração: tendência de separação do material em relação ao plano de tensões.

Propriedades dos Materiais

3

b) Tensão de compressão: é o inverso da tensão de tração, as partes adjacentes ao plano de tensões tendem a se unir (serem comprimidas) uma contra a outra.

c) Tensão de cisalhamento: as partes adjacentes ao plano de tensões tendem a escorregar uma sobre a outra.

ao plano de tensões tendem a escorregar uma sobre a outra. Fig.06: Tipos de tensões mecânicas

Fig.06: Tipos de tensões mecânicas

Representação das tensões:

- tração ( + σ )

- compressão ( - σ )

- cisalhamento ( τ )

σ (sigma) e τ (tau) são letras gregas.

Exemplos:

1) Uma barra de aço com Ø (Letra grega Fí, significa diâmetro) 6 mm está submetida a uma força de tração de 400 kgf. Calcular a tensão na barra.

400 kgf 6 mm 400 kgf Força de Tração Tensão de = Tração Área da
400 kgf
6 mm
400 kgf
Força de Tração
Tensão de
=
Tração
Área da Seção Reta Transversal da Barra

Tensão de

Tração

=

400 kgf

r

2

2

mm

=

3,1415 400 3

2

Tensão de

Tração

= 14,15 kgf / mm 2

2) As chapas da figura abaixo estão submetidas a uma força de cisalhamento de 6000 kgf. Determinar o valor da tensão de cisalhamento do material. Tensão de Tração

da tensão de cisalhamento do material. Tensão de Tração Tensão de Cisalhamento = Força de Tração

Tensão de

Cisalhamento

=

Força de Tração

Área submetida ao esforço de cisalhamento

Tensão de

Cisalhamento

= 6000 kgf

60

70 mm

2

1,43

kgf

/

2

mm

OBS: Unidades de Tensão

- Newton / metro 2 = Pascal (Pa)

(Unidade do Sistema Internacional (SI), uso

preferencial)

- Mega Pascal (MPa) = Newton / milímetro 2

(N/mm 2 )

- Quilograma força / centímetro 2 = (kgf / cm 2 )

- Quilograma força / milímetro 2 = (kgf / mm 2 )

- Libra força / polegada 2 = lbf /pol 2 (PSI)

Propriedades dos Materiais

4

   

Pa

MPa (N/mm 2 )

kgf/cm 2

kgf/mm 2

PSI

1

Pa

 

1

 

1

1,02

 

1,02

 

1,45

   

x

10

-

6

x 10 - 5

x

10 - 7

x 10

-

4

1 MPa (N/mm 2 )

 

1

 

1

10,2

 

1,02

 

145

x

10

6

 
 

1

0,98

 

9,81

 

1

 

1

14,2

 

kgf/cm 2

x 10 5

x

10

-

2

x

10

-

2

 

1

0,98

 

9,8

 

100

 

1

1422,3

 

kgf/mm 2

x

10

7

 

1

PSI

6,89

 

6,89

 

0,07

7x10 - 4

1

 

x

10

3

x

10

-

3

A deformação (ε letra grega épsilon) é a mudança dimensional que se verifica no material em função de carga aplicada. A deformação pode se elástica ou plástica. A deformação elástica é reversível e desaparece quando a tensão é removida. A deformação plástica é permanente e não desaparece quando a tensão é removida.

Normalmente

a

deformação

é

expressa

em

porcentagem.

Exemplos:

1) Uma peça de alumínio de 40 mm de comprimento, é submetida a uma força de tração de tal modo que o comprimento final da peça é de 42,3 mm. Calcular a deformação da peça.

Deformação =

Variação na Dimensão

(alongamento)

Dimensão

Original

Deformação =

42,3

40 2,3

40

40

0,0575

Deformação = 0,0575 x 100 = 5,75 %

PROPRIEDADES MECÂNICAS

As propriedades mecânicas definem o comportamento de um material quando submetido a esforços mecânicos (solicitações mecânicas) e correspondem às propriedades que determinam a capacidade de o material resistir aos esforços que lhe são aplicados. Resistir aos esforços significa dizer que o material não

apresentará falhas quando estiver submetido a esforços mecânicos.

A determinação das propriedades mecânicas de um material é feita por intermédio de ensaios

mecânicos. Os ensaios mecânicos permitem não só medir as propriedades do material, mas também comparar essas propriedades em

diversos materiais.

Ensaio Mecânico

Propriedade Mecânica

 

- Limite de Elasticidade;

- Módulo de Elasticidade;

- Limite de Resistência;

Tração

- Ductilidade;

- Tenacidade;

- Resiliência.

Dureza

- Dureza.

Tab. 01: Propriedades Mecânicas

Existem outros ensaios mecânicos que definem outras propriedades mecânicas, estes ensaios e estas propriedades serão estudadas em Tecnologia dos Materiais II.

LIMITE DE ELASTICIDADE e )

Define a máxima tensão que o material suporta sem apresentar deformação plástica.

 

kgf/mm 2

MPa

Aço Carbono com 0,20 % de C (recozido)

25,0

245,0

Aço Carbono com 0,40 % de C (recozido)

31,0

303,8

Aço Carbono com 1,00 % de C (recozido)

36,5

357,7

Aços Liga

45 - 160

441 - 1568

Ferros Fundidos

20

- 70

196 - 686

Alumínio puro

9

- 20

88,2 - 196

Ligas de alumínio

10

- 30

98 - 294

Cobre puro e ligas de cobre

7

30

68,6 - 294

Tab. 02: Limite de Elasticidade

Valores de tensão superiores ao limite de elasticidade produzem deformações plásticas, da

Propriedades dos Materiais

5

mesma forma que valores de tensão inferiores ao limite de elasticidade produzem deformações elásticas.

ao limite de elasticidade produzem deformações elásticas. Exemplo: 200 mm 3000 kgf 25 mm 40 mm
Exemplo: 200 mm 3000 kgf 25 mm 40 mm 3000 kgf
Exemplo:
200 mm
3000 kgf
25 mm
40 mm
3000 kgf

A peça da figura acima é de aço carbono com 0,20 % de carbono. Determinar que tipo de deformação a peça experimenta.

Tensão =

3000 kgf

40

25 mm

2

3 kgf/mm 2

Limite de Elasticidade e ) = 25 kgf/mm 2

Resp.: Deformação elástica.

MÓDULO DE ELASTICIDADE (E)

OBS:

Young,

Thomas Young.

Também

em

conhecido

homenagem

como

ao

Módulo

de

inglês

cientista

THOMAS YOUNG Cientista Inglês (1773 - 1829)

Físico, médico e egiptólogo inglês, Thomas Young é famoso pelo experimento da dupla

fenda, que possibilitou a determinação do caráter

ondulatório da luz

durante toda a sua vida (primeiros trabalhos sobre o cristalino com 26 anos de idade), mas ficou conhecido por seus trabalhos em Óptica, onde ele explica o fenômeno da interferência e

Young exerceu a Medicina

em Mecânica, pela definição Young. Ele se interessou Egiptologia, participando arqueológicos.

do

de

de

também pela

estudos

Módulo

O Módulo de Elasticidade define a resistência que o material oferece para ser deformado elasticamente. O Módulo de Elasticidade é definido pela fórmula:

σ

=

E

x

ε

Onde:

σ = Tensão ao qual o material está submetido

ε

= Deformação elástica

E

= Módulo de Elasticidade. É uma propriedade

intrínseca de cada material e representa a medida da rigidez do material; quanto maior o Módulo de Elasticidade, menor será a deformação elástica resultante da aplicação de uma tensão e mais rígido será o material.

A unidade do Módulo de Elasticidade é a mesma unidade da tensão.

 

kgf/mm 2

MPa

Aços carbono

 

186.000

e

aços

liga

19.000

22.000

215.500

em

geral

 

Cobre puro

12.000

117.500

Ligas

de

7.000 14.000

68.500

cobre

137.000

Alumínio

   

68.500

puro

7.000

Ligas

de

7.000 7.500

68.500

alumínio

73.500

Ferros

   

117.500

fundidos

12.000

15.000

147.000

Tab. 03: Módulo de Elasticidade na temperatura ambiente

Deve-se considerar que o Módulo de Elasticidade sofre influência da temperatura, sendo inversamente proporcional à temperatura, isto é, aumentando-se a temperatura, decresce o valor de E.

OBS: A fórmula σ = E x ε é conhecida como Lei de Hooke, em homenagem ao físico inglês Robert Hooke.

Propriedades dos Materiais

6

ROBERT HOOKE Físico Inglês (1635-1703)

Embora tenha estudado na famosa Universidade de Oxford, Robert Hooke possui origem em uma família sem grandes posses e precisou trabalhar no refeitório da escola para se manter, o que, aos olhos da sociedade da época, era considerado depreciativo. Sua habilidade para construir aparelhos mecânicos, no entanto, levou-o a ser convidado para trabalhar com Boyle e para ocupar o cargo de "administrador das experiências" na Royal Society, a mais importante sociedade científica inglesa. Ao longo de toda a sua vida, porém, seus contemporâneos o descreveram como briguento, anti-social e provocador de polêmicas. Sua paixão em participar de debates ferrenhos (especialmente contra Newton, sua vítima favorita) também passaria à história, juntamente com seu trabalho. Hooke estudou o comportamento das molas, descobrindo inicialmente que um corpo preso a uma mola espiral, ao receber a ação de uma força, passa a oscilar com períodos de tempo sempre iguais, não importando a amplitude do movimento. Essa descoberta levaria à utilização de molas espirais em relógios, permitindo não só a eliminação dos pêndulos, até então obrigatórios, mas também o aumento da precisão desses instrumentos.

A seguir, esse estudioso deduziu, em 1678, a lei física até hoje conhecida como Lei de Hooke, segundo a qual a força que faz uma mola (ou qualquer sistema elástico) retomar à sua posição de equilíbrio é proporcional ao afastamento em relação a essa posição.

Hooke ainda realizou estudos em outras áreas, como a Astronomia, chegando a descobrir uma estrela dupla. Esboçou uma teoria ondulatória da luz (só formulada mais satisfatoriamente por Huygens, mais tarde) e tentou desenvolver uma teoria da gravitação (tarefa na qual só Newton teria sucesso).

Hooke também foi responsável pela introdução da palavra “célula” na Biologia. Ele descobriu que, vista ao microscópio, a cortiça se mostrava constituída de uma série de pequenos espaços ocos, retangulares e alinhados. Como esses espaços lembravam pequenos cômodos, deu-Ihes

o nome de células (ou seja, 'pequenas celas', em latim). Curiosamente, aqueles vãos eram de fato os

remanescentes das células do vegetal quando vivo. Mais tarde, outros pesquisadores passariam a utilizar esse termo para designar as estruturas elementares dos seres vivos.

Exemplos:

a) Qual o Módulo de Elasticidade de um aço quando se sabe que um fio de Ø 0,25 cm e comprimento de 3 m, possui uma deformação de 0,48 % quando tracionado por uma força de 500 kgf ?

Tensão =

500 kgf

kgf

2

2

101,8

2,5

2

mm mm

4

Deformação de 0,48 % =

0,48

100

0,0048

Módulo de

Elasticidade

=

0,0048 101,86

21.220

kgf

2

mm

O Módulo de Elasticidade também pode ser definido pela fórmula

E

Q

L

o

S

o 

L

Onde:

Q = carga/força sobre o material;

S o = área que suporta a ação da carga/força;

L o = comprimento inicial do material, antes da

ação da carga/força;

ΔL = variação na dimensão do material

(alongamento).

Δ (delta) é uma letra grega.

b) Determinar o alongamento de uma barra prismática de comprimento L o , seção transversal de área S o e Módulo de Elasticidade E, submetida à força de tração Q.

Propriedades dos Materiais

7

Q Q L o ΔL  Q  L E   o  S
Q
Q
L o
ΔL
 Q
 L
E 
o
 S
o 
L

c) Uma barra de 3 m de comprimento tem seção transversal retangular de 3 cm por 1 cm. Determinar o alongamento produzido pela força axial de 600 kgf, sabendo-se que E = 21.000 kgf /

mm 2 .

L

600 3.000

21.000 300

0,285mm

LIMITE DE RESISTÊNCIA r )

Representa a máxima tensão que o material suporta sem iniciar um processo de ruptura. O Limite de Resistência é caracterizado pela máxima carga obtida durante um ensaio de tração.

 

kgf/mm 2

MPa

Aço Carbono com 0,20 % de C (recozido)

35,0

340

Aço Carbono com 1,00 % de C (recozido)

85,0

830

Aços Liga

70

- 190

685

- 1860

Ferros Fundidos

20

- 80

195

785

Alumínio puro

10

- 20

100

- 195

Ligas de alumínio

20

- 40

195

390

Cobre puro

20

45

195

- 440

Ligas de cobre

25

- 60

245

585

Tab. 04: Limite de Resistência

Exemplo:

Calcular a força necessária para romper um arame de aço com 0,20 % de carbono e que possui as seguintes dimensões:

- Ø 2,0 mm;

- comprimento de 1,5 m.

σ r = 35,0 kgf /mm 2

S =

2 2

4

= 3,14 mm 2

F = 35,0 x 3,14 = 110 kgf

DUCTILIDADE

A ductilidade ou ductibilidade é a propriedade

física dos materiais de suportar a deformação

plástica, sob a ação de cargas, sem se romper ou fraturar. Em metalurgia a ductilidade é a propriedade que apresentam alguns metais e ligas metálicas quando estão sob a ação de uma força de alongar-se sem romper-se, transformando-se num fio. Os metais que apresentam esta propriedade são denominados dúcteis. O oposto de dúctil é frágil, quando o material se rompe sem sofrer grande deformação.

Do ponto de vista tecnológico, à margem de considerações econômicas, o emprego de materiais dúcteis apresenta vantagens:

Na fabricação: já que são aptos para os métodos de fabricação por deformação plástica.

No uso: já que apresentam deformação antes de romper-se. Com efeito, o maior problema que apresentam os materiais frágeis é que se rompem sem aviso prévio, por outro lado, os materiais dúcteis sofrem primeiro uma determinada deformação antes de se romperem.

A ductilidade pode ser avaliada pelo ensaio de tração, por meio do ensaio de dobramento ou pelo ensaio de impacto.

Propriedades dos Materiais

8

TENACIDADE E RESILIÊNCIA

Através do diagrama tensão x deformação, o ensaio de tração permite a definição de duas características importantes dos materiais:

Resiliência e Tenacidade. Entende-se por Resiliência a capacidade de um material absorver energia quando deformado elasticamente e liberar a energia de deformação quando for descarregado, retornando à sua forma original. Entende-se por Tenacidade a capacidade de um material absorver energia quando deformado plasticamente. O material não retorna à forma original, pois está deformado plasticamente. O diagrama tensão x deformação permite uma indicação da resiliência e da tenacidade de um material.

indicação da resiliência e da tenacidade de um material. Fig. 07: Representação de Resiliência e Tenacidade

Fig. 07: Representação de Resiliência e Tenacidade no gráfico Tensão x Deformação

Resiliência e Tenacidade no gráfico Tensão x Deformação Fig. 08: Comparação de resiliência e tenacidade de

Fig. 08: Comparação de resiliência e tenacidade de dois tipos de aço

O

aço de alto C apresenta limite de elasticidade

e

de resistência à tração mais elevados. O aço

de baixo C é mais dúctil. A área sob a curva

tensão - deformação é maior para o aço estrutural, de baixo C, de modo que ele é mais tenaz.

De outro lado, o aço de alto C apresenta um

limite de elasticidade mais elevado que o de baixo C; assim, a área sob o diagrama tensão -

deformação é maior; em conseqüência, ele é mais resiliente que o aço de baixo carbono.

INFLUÊNCIA DA TEMPERATURA SOBRE A TENACIDADE E A RESISTÊNCIA MECÂNICA

Módulo de

Diminui com o aumento de temperatura

Elasticidade

Limite de

Diminui com o aumento de temperatura

Elasticidade

Limite de

Diminui com o aumento de temperatura

Resistência

Ductilidade,

 

Resiliência e

Aumentam com o aumento de temperatura

Tenacidade

Tab. 05: Influência da temperatura sobre as propriedades mecânicas

DUREZA

Dentro do ambiente profissional de um técnico mecânico, dureza pode ser definida como sendo

a resistência que um material oferece à

penetração. O método mais comum de obtenção

do valor de dureza é medir a profundidade ou

área deixada por um instrumento de endentação

de

formato específico sobre o material, usando-

se

para tal uma força definida, aplicada durante

um tempo específico. É a determinação da

dureza por penetração.

Existem 03 ensaios mecânicos, diferentes entre

si,

que possibilitam a determinação da dureza de

um

material metálico:

Propriedades dos Materiais

9

- ensaio de dureza Brinell;

- ensaio de dureza Rockwell; e

- ensaio de dureza Vickers.

Alguns fatores devem ser considerados na

seleção do melhor método para a medição de dureza de um material. São destacados abaixo os principais fatores a considerar:

- O tipo de material a ensaiar: metal, borracha, aspectos de tamanho de grão, etc;

- A forma: dimensões, espessura do corpo, etc;

- A dureza estimada: aço endurecido, plástico ou borracha, ou seja, a categoria do material; - O tratamento térmico: profundo, superficial, localizado, recozido, etc;

- O acabamento superficial da superfície a ser ensaiada.

- O acabamento superficial da superfície a ser ensaiada. Fig. 09 : Medição da resistência à

Fig. 09 : Medição da resistência à penetração

Os ensaios de dureza possuem diferenças:

 

Brinell

Rockwell

Vickers

   

Esfera de

 

Esfera de

aço

Pirâmide

aço

temperado

de

Penetrador

temperado

ou

diamante

de alta

pirâmide

de base

dureza

de

quadrada

diamante

Carga

Varia de 3.000 kgf a 15,6 kgf

Varia de 150 kgf a 15 kgf

Varia de 1 a 120 kgf

 

Não

Possui

Não

Escalas

possui

diversas

possui

escalas

escalas

escalas

Tab. 06: Ensaio de dureza características básicas.

EXERCÍCIOS:

1) Uma barra de diâmetro igual a 1,25 cm, suporta uma carga de 6.500 kgf. Qual a tensão a qual a barra está submetida ? Se o material da barra possui um Módulo de Elasticidade de 21.000 kgf/mm 2 , qual a deformação que a barra sofre ao ser solicitada pela carga de 6.500 kgf ?

2) Uma liga de cobre possui um Módulo de

Elasticidade de 11.000 kgf/mm 2 . Calcular a força necessária para alongar de 1 mm um fio desta liga com 2 m de comprimento e diâmetro de 4

mm.

3) Calcular a tensão de trabalho no elo da figura

abaixo.

3) Calcular a tensão de trabalho no elo da figura abaixo. 4) Calcular o encurtamento dos

4) Calcular o encurtamento dos pés da mesa, abaixo desenhada. Considere os pés de aço carbono com E = 21.000 kgf/mm².

Considere os pés de aço carbono com E = 21.000 kgf/mm². 5) Sabe-se que o material

5) Sabe-se que o material da barra abaixo

desenhada, possui Limite de Resistência σ r = 35 kgf/mm² . Qual deverá ser a força de tração F necessária para romper a barra ?

Propriedades dos Materiais

10

Propriedades dos Materiais 10 6) Um cabo de aço carbono (E = 21.000 kgf/mm²) possui seção

6) Um cabo de aço carbono (E = 21.000 kgf/mm²) possui seção transversal de área igual a 78,5 mm² e suporta uma força de 2.500 kgf. Qual deverá ser o comprimento do cabo de aço que garanta um aumenta em 8 mm no seu comprimento final ?

7) Considerando a tabela abaixo, determine o Módulo de Elasticidade do material.

 

Deformação

Deformação

Elástica

Plástica

Tensão

2,3 kgf/mm²

18 kgf/mm²

Deformação

0,011 %

0,05 %

8) Uma barra de aço que possui Ø 1,0 cm e comprimento de 250 mm é submetida a uma força de 1500 kgf. Sabe-se que o material desta barra possui E = 21.500 kgf/mm 2 e Limite de Elasticidade de 23 kgf/mm². Qual a tensão do material ? A deformação do material é elástica ou plástica ?

9) Uma peça de alumínio apresenta Ø12,5 mm e 150 mm de comprimento. Esta peça é submetida a uma força de tração de 500 kgf e apresenta um comprimento final de 163 mm. Determinar a deformação e o alongamento da peça.

10) Faça a correspondência

(1) - tração;

(2) - compressão;

(3) - flexão;

(4) - torção;

(5) - flambagem;

(6) - cisalhamento.

(4) - torção; (5) - flambagem; (6) - cisalhamento. 11) Um fio metálico de 75 cm

11) Um fio metálico de 75 cm de comprimento e 0,50 cm de diâmetro alonga-se de 0,5 cm quando uma carga de 8,0 kgf é pendurada em sua ponta. Calcule a tensão, a deformação e o Módulo de Elasticidade do material do fio.

12) Entende-se como sendo a TENACIDADE de um material metálico:

(a)

a capacidade de o material absorver energia quando deformado elasticamente

(b)

a solução sólida de carbono no ferro alfa

(c)

a capacidade de o material absorver energia quando deformado plasticamente

Propriedades dos Materiais

11

(d)

a resistência que o material metálico oferece para ser cortado

(e)

a resistência que o material metálico oferece para ser penetrado.

13) Determinar o diâmetro de um fio de aço que

possui 3,0 metros de comprimento e é submetido

a uma tensão de 13 kgf/mm 2 quando suporta um

peso de 5.000 kgf. Sabe-se que o aço do arame possui Limite de Elasticidade de 25 kgf/mm 2 .

14) Um corpo de provas de cobre de seção retangular de 25,4 mm x 25,4 mm é tracionada por uma força de 44.500 N. Calcular a deformação resultante e dizer se esta é elástica ou plástica. E = 90.000 MPa, σ e = 56 MPa. (1 kgf = 9,8 N)

15) Uma barra de alumínio de 127 mm de comprimento, possui uma seção quadrada de 16.5 mm de lado. Esta barra é tracionada por uma força de 6.67 x 10 4 N e experimenta um alongamento de 0.43 mm. Supondo a deformação elástica, determinar o Módulo de elasticidade do alumínio da barra. (1 kgf = 9,8 N)

16) Uma barra cilíndrica de aço (E = 20.7 x 10 4 MPa) com um Limite de Elasticidade de 310 MPa,

é submetida a uma carga de 11.000 N. Se o

comprimento da barra é de 510 mm, qual deverá

ser o diâmetro da barra para permitir um alongamento de 0.38 mm ? (1 kgf = 9,8 N)

17)

Qual

a

diferença

entre

Módulo

de

Elasticidade e Limite de Elasticidade ?

18) Qual a diferença entre deformação elástica e deformação plástica ?

19) Considere um pino de aço de 3/8 pol de diâmetro, sujeito à força axial de tração de 1.000 kgf, tal como indicado na figura abaixo. Calcular a tensão de cisalhamento, na cabeça do pino, admitindo que a seção resistente seja uma superfície cilíndrica de mesmo diâmetro que o pino, como se indica na figura, em tracejado. (1 pol = 25,4 mm)

como se indica na figura, em tracejado. (1 pol = 25,4 mm) 20) Calcular a carga

20) Calcular a carga de corte P da chapa da figura abaixo. Material da chapa: aço liga com limite de resistência de 100 kgf/mm 2 .

carga de corte P da chapa da figura abaixo. Material da chapa: aço liga com limite

Propriedades dos Materiais

12

GABARITO 1) Ø = 1,25 cm P = 6.500 kgf 5) 6) 7) o módulo
GABARITO
1)
Ø = 1,25 cm
P = 6.500 kgf
5)
6)
7) o módulo de elasticidade é definido somente
para deformações elásticas.
2)
8)
9)
3)
4)
10)
(1) - tração;
(2) - compressão;
(3) - flexão;
(4) - torção;
(5) - flambagem;
(6) - cisalhamento.

Propriedades dos Materiais

13

14) Como 15) 11) 16) 12) (C) 13)
14)
Como
15)
11)
16)
12) (C)
13)

Propriedades dos Materiais

14

17)

Módulo de elasticidade = Representa a medida da rigidez do material, isto é, a resistência que o material oferece para ser deformado. Limite de elasticidade = Define a máxima tensão que o material suporta sem apresentar deformação plástica.

18)

Deformação elástica = não é permanente. Deformação plástica = é permanente.

19)

20)

Para que ocorra o corte, a tensão deverá ser superior ao Limite de resistência do aço inoxidável.

, no mínimo.