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Título do Texto do Fichamento: Capítulo 1 - História da ergonomia. Autor do Texto do Fichamento: Júlia Abrahão. Título do Livro onde se encontra o texto do fichamento: Introdução à Ergonomia: da prática à teoria. Autores do Livro: Júlia Abrahão; Laerte Sznelwar; Alexandre Silvino; Maurício Sarmet; Diana Pinho. Referência Bibliográfica Completa: ABRAHÃO, J.; SZNELWAR, L.; SILVINO, A.; SARMET, M.; PINHO, D Introdução à ergonomia: da prática à teoria. Cap. 1. São Paulo: Blucher, 2009.

1. Palavras-chaves do texto: ergonomia; ergonomista; análise; ergonômica; história.

2. Principais conceitos e passagens apresentados no texto:

"A Ergonomia (ou Fatores Humanos) é uma disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre os seres humanos e outros elementos ou sistemas, e à aplicação de teorias, princípios, dados e métodos a projetos a fim de otimizar o bem-estar humano e o desempenho global do sistema." (p.18)

"Os ergonomistas contribuem para o planejamento, projeto e a avaliação de tarefas, postos de trabalho, produtos, ambientes e sistemas de modo a torná-los compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas." (p.18)

"A ergonomia supera a concepção taylorista de “Homo Economicus”, mostra os limites do ponto de vista reducionista em que apenas o “trabalho físico” é considerado, revelando a complexidade do trabalhar e a multiplicidade de fatores que o compõem." (p.19)

"Apoiada em métodos e técnicas de análise própria, a ação ergonômica busca respostas aos problemas resultantes da inadequação dos artefatos, da organização do trabalho e dos ambientes ao modo de funcionamento humano" (p.21)

"Se apresenta na forma de soluções de natureza tecnológica ou organizacional efetiva para as mais diversas situações de trabalho, e visam ajudar a transformar a ação dos homens apoiada em critérios de conforto, qualidade, eficiência e eficácia." (p.21)

"Nos primórdios de sua história a ergonomia preocupou-se em desenvolver pesquisas e projetos voltados para a aplicação de conhecimentos já disponíveis em fisiologia e psicologia e também para o estudo do dimensionamento humano, custo energético, visando à concepção e definição de controles, painéis, arranjo do espaço físico e dos ambientes de trabalho." (p.22)

"As demandas em ergonomia se voltam então para a busca de critérios e definições para a concepção das salas de controle (p. ex: os manejos e os mostradores) e para a compreensão da percepção humana, da cognição situada e da cognição distribuída." (p.23)

"Os ergonomistas atuam, cada vez mais, contribuindo na concepção de sistemas de trabalho que favoreçam o desenvolvimento das competências e que assegurem a saúde dos trabalhadores e a segurança operacional." (p.23)

"Diferentes áreas de atuação reforçam o potencial da ergonomia para ajudar na concepção do trabalho, na medida em que as suas ferramentas de análise evoluem também em paralelo com as mudanças tecnológicas, organizacionais e sociais." (p.24)

"A análise ergonômica do trabalho ajuda a compreender as formas ou as estratégias utilizadas pelos trabalhadores no confronto com o trabalho, para minimizar ou limitar as suas condições patogênicas." (p.25)

"Quanto mais se evolui em termos de tecnologia, da velocidade e das possibilidades criadas com programas mais potentes, mais desafios encontramos para manter a facilidade de uso e para adequar os sistemas às necessidades dos usuários." (p.26)

"Compreender como os indivíduos usam os sistemas informatizados para os mais diversos fins é um grande desafio para os ergonomistas. A importância de adequar essas interfaces à população com características tão diferenciadas fez emergir a necessidade de se definir parâmetros a serem utilizados pelos desenvolvedores de sistemas" (p.27) "A história da ergonomia se consolidou a partir das demandas sociais. E é a partir delas que são construídas e aprimoradas suas ferramentas e técnicas de análise." (p.27)

"Busca resgatar o ser humano da condição de “variável de ajustamento” atribuindo-lhe um papel de coconstrutor do seu fazer." (p.29)

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"Para abranger essa variabilidade de demanda, os ergonomistas propõem denominações para as diferentes formas de intervenção. Ergonomia física: interessa-se pelas características da anatomia humana, antropometria, fisiologia e biomecânica e sua relação com a atividade física. Ergonomia cognitiva: refere-se aos processos mentais, tais como percepção, memória, raciocínio e resposta motora, e seus efeitos nas interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema." (p.30)

"Ergonomia organizacional: concerne à otimização dos sistemas sociotécnicos, incluindo suas estruturas organizacionais, regras e processos." (p.31)

"Para responder às demandas, muitas vezes, precisa dirigir seu olhar sobre diferentes dimensões da situação. Ao analisá-las, ele apreende o contexto no qual a organização se insere e os elementos que condicionam o seu processo de produção. Para tanto, ele deve identificar dois tipos de conhecimento: sobre o homem e sobre a ação, e ao fazê-lo deve atribuir-lhes o mesmo grau de importância." (p.31)

"No Brasil, a ergonomia surgiu vinculada às áreas de Engenharia de produção e Desenho Industrial, e o seu âmbito de atuação foi voltado à aplicação dos conhecimentos produzidos sobre as medidas humanas e a produção de normas e padrões para a população brasileira.” (p.33)

"Entre as normas regulamentadoras brasileiras dispomos da NR 17 que é especificamente dedicada à ergonomia, resultado da articulação entre os sindicatos e ergonomistas e patrocinada pelo Ministério do Trabalho. A criação desta norma, após o adoecimento de muitos trabalhadores, reflete o quanto a produtividade é prioridade nas relações de produção, sendo a saúde uma preocupação secundária." (p.34)

"São três os pressupostos que norteiam a ação em ergonomia: a interdisciplinaridade, a análise de situações reais e o envolvimento dos sujeitos." (p.34)

"A interdisciplinaridade sobre a qual se fundamenta a ergonomia, como área do conhecimento, resulta da importância de se analisar o fenômeno do trabalho humano de diferentes perspectivas." (p.35)

"Na ação ergonômica, a exigência científica fundamental reside na observação sistemática das situações reais de trabalho. Essa característica a diferencia de forma substancial da conotação de pesquisa existente nas áreas de ciências sociais." (p.36)

"Uma ação ergonômica é, em última análise, um processo de construção coletiva entre a equipe de ergonomistas e o corpo de atores sociais envolvidos. Ela fornece elementos para transformar as situações de trabalho e para produzir conhecimentos, por meio da explicitação dos mecanismos pelos quais o ser humano consegue atingir os objetivos da produção." (p.39)

3.

Resumo das idéias do autor por tópicos:

1.1 Introdução

O

autor inicia o capítulo discutindo como o conhecimento diário das pessoas sobre o trabalho influencia no

nosso desejo de opinar a cerca de problemas e soluções. Apresenta como a obra vai justificar o por quê de não podermos nos basear apenas em nosso julgamento para tal. Assim se introduz a ergonomia como um campo de conhecimento do trabalho e um sistema conjunto de procedimentos de análise.

1.2 O que é ergonomia?

A origem grega da palavra ergonomia é mencionada, assim como a primeira menção à ergonomia na

história científica. Temos aqui a definição da ergonomia pelo entendimento mútuo de diferentes sociedades científicas internacionais (IEA, SELF e Abergo).

A ergonomia nada mais é do que uma disciplina científica que estuda a relação entre as interações

humanas e os elementos do sistema afim de otimizar ambas as partes com o uso de suas ferramentas. Ela pode contribuir, por exemplo, para o planejamento de tarefas, ambientes de trabalho e produtos, equilibrando as necessidades.

1.3 Os domínios da ergonomia

Esse disciplina de aspecto humano é orientada para uma abordagem sistêmica. Visto que a amplitude é muito grande nas atividades de trabalho, é necessário para os ergonomistas incorporar aspectos físicos, cognitivos, sociais, organizacionais, entre outros. É ressaltado que o objetivo maior da ergonomia é transformar o trabalho, nas suas diferentes dimensões, adaptando-o às particularidades dos processos produtivos e limites humanos (contrastando a concepção do taylorismo).

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1.4 O desenvolvimento da ergonomia

Há relatos desde os primórdios da humanidade nos quais se buscava adaptar as condições do ambiente afim de favorecer o trabalho humano. O que demonstra como o aprimoramento das técnicas presentes desde o princípio da ergonomia traz consigo aplicações práticas. Apesar do questionamento entre a ergonomia ser uma disciplina aplicada ou ciência, fica claro que ela vai além de uma necessidade somente teórica.

A ergonomia procura as soluções (organizacionais ou tecnológicas) em cima da inadequação dos artefatos

do ambiente de trabalho, ajudando a melhorar a atuação do homem em termos de eficiência e eficácia.

A ergonomia moderna nasce no período histórico pós segunda guerra mundial quando a força aérea tentava

compreender os problemas operacionais de equipamentos modernos com equipes formadas por engenheiros, fisiologistas e psicólogos. Mais adiante com a necessidade das fábricas e indústrias pela busca em elevar a produção com preocupações em desenvolver “coisas" ergonômicas para aperfeiçoar a usabilidade dos artefatos. Atualmente, na sociedade da informação o foco voltou-se para a informática em rede, na qual o ser humano passou a ser o controlador do processo.

A grande abrangência de área de atuação da ergonomia fazem com que suas ferramentas de análise

evoluam em paralelo com as inovações tecnológicas, organizacionais e, inclusive, sociais.

1.5 Concepção e projeto

A ergonomia possui um importante papel no processo que vai da concepção do produto até a sua utilização.

Um exemplo é dado a partir dos computadores: as aplicações hoje em dia são extensas em diversos

sistemas de produção além de na vida pessoal. A evolução dessa ferramenta foi exponencial. Quanto maior

o avanço da tecnologia (hardware e software), maior serão as possibilidades para adequá-la às necessidades.

Devido a essa necessidade (demanda social) de adequação das interfaces, emergiram-se parâmetros ligados ao desenvolvimento de sistemas como também de produtos de informática pelos ergonomistas.

1.6 A abrangência de atuação e desenvolvimento da ergonomia

Nos diferentes cenários nos quais o trabalho humanado ocorre como ou sem a presença de equipamentos funcionais pode haver a atuação da ergonomia. O tipo de ação será sempre determinado pela demanda específica de uma determinada problemática.

Existem três áreas de especialização onde os ergonomistas propõem intervenções: a ergonomia física (relacionada com a anatomia humana), a ergonomia cognitiva (relacionada aos processos mentais) e a ergonomia organizacional (relacionada ã otimização dos sistemas sociais e técnicos).

Ao redor da análise ergonômica do trabalho podemos identificar seis principais dimensões utilizadas pelos ergonomistas para compreender o ambiente em que está envolvido: dimensão social e demográfica, leis e regulamentação, ambiente geográfico da companhia, dimensão técnica, produção e sua organização e a dimensão econômica e comercial.

1.7 A ergonomia no Brasil

Em nosso país, a ergonomia veio ligadas às áreas de Engenharia de Produção e de Desenho Industrial. Especialmente para a população brasileira, houveram produções de normas regulamentadoras e padrões. Entre elas, por exemplo, há a NR 17 dedicada especificamente à ergonomia, que após sua criação deixou claro como as empresas brasileiras davam prioridade à produtividade da produção em decadência da saúde dos funcionários.

Hoje o Brasil conta com a Associação Brasileira de Ergonomia (Abergo), que reúne os núcleos de ergonomia do país em ternos de conhecimento e normalizações, assim como certifica profissionais que pretendem trabalhar na área.

1.8 Principais pressupostos da ergonomia

Interdisciplinaridade, análise de situações reais e envolvimento dos sujeitos são os três pressupostos com o objetivo de nortear a ação na ergonomia.

Para a sua sobrevivência a ergonomia precisa nutrir conhecimento de várias disciplinas e assimilá-las. Ela também deve se basear em situações reais de trabalho para elaborar os seus modelos, sendo essa a

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característica que mais a diferencia das pesquisas existentes nas áreas de ciências sociais. Entretanto, sem

o envolvimento dos trabalhadores nada disso será possível. Eles tem forte papel no processo de análise e concepção das soluções dos problemas, pois o trabalhador é o indivíduo que possui as competências do trabalho e torna possível a compreensão das atividades.

4. Crítica ao texto:

No meu ponto de vista o texto foi muito bem elaborado em cima de uma linha de raciocínio de fácil entendimento, passando por conceitos iniciais, histórico, links com temas atuais e uso de exemplos práticos para contextualizar as ideias. A introdução ao tema nesse primeiro capítulo pode abrir muito o horizonte das pessoas que estão iniciando seus estudos da ergonomia.

Ficou claro como é ergonomia é uma ciência que analisa o trabalho e os fatores humanos, em suma, todos os elementos do sistema para adequá-los ao trabalhador, assim, fazendo com que a tarefa se adapte as condições dele e não forçar o trabalhador a adaptar-se.

A importância da ergonomia é constantemente destacada, mostrando como no mundo do trabalho a

qualidade de vida dos funcionários é fundamental. Ao se proporcionar conforto e segurança os resultados serão aumentos de produtividade na produção. É notório como as novas tecnologias e seu acesso global aumenta a competitividade de mercado e a necessidade de melhoria das práticas das atividades com eficácia, qualidade e segurança, gerando demandas para a ergonomia.

O texto está apoiado em definições de termos reconhecidas oficialmente por instituições da área, como a

International Ergonomics Association e a Associação Brasileira de Ergonomia, o que passa credibilidade e segurança nas informações.

Além disso, as passagens sobre a atuação da ergonomia estão de acordo com o raciocínio de importantes autores como Pierre Falzon que diz que “a ergonomia reside entre dois objetivos: um centrado na organização que pode ser apreendida sob diferentes dimensões: eficiência, produtividade, confiabilidade, qualidade; o outro é voltado para as pessoas e preocupa-se com a segurança, saúde, conforto, facilidade de uso, satisfação”. Esses objetivos precisam interagir sempre para que os objetivos da ergonomia sejam cumpridos.

Por fim, num cotidiano onde há constante busca por melhoria contínua das organizações e a preocupação com a qualidade do exército do trabalho cresce a ergonomia encontra seu espaço e a partir do texto é possível identificar tal fato.

5.

Formulação de questões:

Que tipo de problemas podem ocorrer quando não existe um estudo ergonômico no ambiente de trabalho?

Enquanto não há um estudo ergonômico, quais medidas preventivas uma empresa pode utilizar?

Caso a empresa forneça as condições corretas de segurança ergonômica, como ela pode fazer a fiscalização?

Como analisar o custo e benefício na ergonomia?

6.

Glossário:

Análise: Exame minucioso de algo em cada uma das suas partes.

Artefatos: Aparelho ou engenho construído para determinado fim.

Cognitivo: Relativo ao conhecimento

Demanda: Determinado produto ou serviço que uma coletividade está necessitando ou procurando.

Ergonomia: Estudos da organização do trabalho em função do fim proposto e das condições de adaptação

do trabalho humano.

Ergonômico: Algo construído segundo as regras da ergonomia.

Ergonomista: Que ou quem é especialista em ergonomia.

Interdisciplinaridade: Associação de disciplinas.

Interfaces: Conexão entre dois dispositivos em um sistema de computação.

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Norma: Princípio que serve de regra.

Organização: Combinação de esforços individuais que tem por finalidade realizar propósitos coletivos.

Sistema: Conjunto de partes organizadas que operam em um ambiente com um objetivo em comum.

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