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ACÚSTICA ARQUITETÔNICA

Hoje existe uma crescente preocupação e interesse com a qualidade do conforto acústico dentro das igrejas.
Há alguns anos, o enfoque era com a aparência externa, o impacto visual que a edificação causaria, e a
acústica era relegada ao último plano ou totalmente esquecida. Em Romanos 10.17, lemos: “De sorte que a fé
é pelo ouvir, e o ouvir a palavra de Deus.” Mas como ouvirão se não há inteligibilidade nas palavras devido à
má qualidade acústica de alguns templos? A acústica tem vários segmentos, e um deles é a acústica arquite-
tônica, que trata sobre a qualidade sonora nos ambientes construídos, como teatros, templos, auditórios,
cinemas, salas de espetáculos e outros prédios. A acústica arquitetônica ocupa-se de duas áreas específicas:
defesa contra o ruído e controle de som dentro do ambiente. Defesa contra o ruído é o isolamento dos sons
indesejáveis, que devem ser eliminados; são ruídos externos que interferem no ambiente. O controle de som
dentro do recinto tem como objetivo uma boa audição; neste caso, a preocupação é com a absorção, e isto
está ligado ao uso de materiais, à forma e às dimensões do local. O som é uma sensação particular captada
pelo ouvido humano através de uma vibração. A maneira normal deste som chegar ao nosso ouvido é pelo ar.
Em ambiente onde a acústica não se encontra adequada, a pessoa pode sentir algum desconforto, como perda
de concentração, dor de cabeça e outros distúrbios físicos. Um ambiente acusticamente tratado fará com que a
pessoa tenha o mínimo de esforço fisiológico em relação ao som. Isto proporciona sensações agradáveis e de
bem-estar, além de maior concentração na atividade que se está desempenhando. Todo e qualquer ambiente
fechado destinado à transmissão de mensagens através da voz ou da música é chamado “sala acústica”. O
templo se enquadra dentro desta categoria, podendo ter boa acústica ou ser deficiente neste aspecto. Durante
a elaboração do projeto arquitetô-nico, a acústica é um elemento que precisa ser levado em consideração, pois
a geometria do espaço, a posição do palco e os materiais de acabamento influirão no bom desempenho
acústico. A intervenção na obra concluída para solucionar os problemas acústicos, além de não permitir
soluções eficazes, aumenta consideravelmente o orçamento da obra. Vale ressaltar que se costuma confundir
sistema de amplificação sonora com acústica arquitetônica. É um erro. O primeiro é um complemento, e não
um substituto da acústica. Deste modo, o conforto acústico só pode ser obtido graças a uma atenção constante
do profissional envolvido no projeto, que levará em conta as propriedades acústicas dos materiais empregados,
a forma e o tamanho do local. Na próxima edição continuaremos a tratar sobre acústica arquitetônica.

Shileon Ferreira Martins Junior Arquiteto - Especialista em templos e acústica. Membro da 1º Igreja
Presbiteriana Independente de Londrina - PR shileon@sercomtel.com.br

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