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FUMEP – Fundação Municipal de Ensino de Piracicaba

EEP – Escola de Engenharia de Piracicaba


COTIP – Colégio Técnico Industrial de Piracicaba

PLANEJAMENTO E CONTROLE DE
PROJETOS

Prof. Msc. Marcelo Eurípedes da Silva

Piracicaba, 10 de Fevereiro de 2007


Capítulo 1 – Introdução

O desenvolvimento de novos produtos é vital para a manutenção de uma empresa,


consistindo em uma das bases para sua diferenciação e sobrevivência no mercado atual,
onde as estratégias são agressivas, e as exigências dos clientes por preço e qualidade são
cada vez maiores.
O advento da globalização aumentou mais ainda a pressão inovadora, pois a
competição vem do exterior, não somente através das multinacionais, mas também de
pequenas e médias empresas.
Além disso, novas tecnologias como o “Computer Aided Design” e o “Computer
Aided Engineering”, mais conhecidas como CAD e CAE, estão acelerando o
desenvolvimento e o lançamento de novos produtos. As empresas que não se adaptarem,
fatalmente estarão fora do mercado.
Segundo Baxter (1995), a participação nos lucros agregada pelos novos produtos, é
cada vez maior, como mostra a tabela 1.1, a seguir.

Tabela 1.1 – Participação dos novos produtos nos lucros das empresas (Fonte: Baxter –
1995)
Ano % das vendas totais % dos lucros
1976-1980 33 22
1981-1986 40 33
1985-1990 42 --
Projeção 1995 52 46

Apesar das vantagens de um novo produto, o desenvolvimento do mesmo traz


consigo riscos que, se não forem bem gerenciados, podem causar o completo fracasso de
mercado, e com ele prejuízos não somente financeiros, quanto de imagem da empresa
perante o consumidor. Por este motivo foram desenvolvidas as técnicas de gerenciamento
de Projetos, que é uma área da Engenharia Mecânica afim da Administração de Empresas.
Segundo Chiavenato (2000), a preocupação com a Administração remonta aos
tempos da antiguidade, como o filósofo grego Sócrates (470 a.C. – 399 a.C.).
Posteriormente recebeu influências da Igreja Católica, com o advento da “Hierarquia”, e da
Organização Militar, com o “Princípio da Direção”, por meio do qual todo soldado deve saber
o que se espera dele, e o que ele deve fazer.
Somente a partir do século XX é que a Administração surgiu como uma disciplina
independente, com um desenvolvimento de notável pujança e o aparecimento de diversos

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 2-2


teóricos sobre o assunto, tais como Taylor. Seguindo o mesmo desenvolvimento histórico, o
planejamento e controle de projetos, surgiu na mesma época, tendo um grande salto com a
indústria bélica, principalmente com a marinha Americana.
Parafraseando Tom Peters, um dos gurus da administração: “Atualmente o trabalho
se resume a duas coisas: Talentos e Projetos”. Assim para desenvolver um projeto de
sucesso, deve-se não somente conhecer a parte técnica do produto, mas também a técnica
necessária para obtê-lo dentro de um determinado prazo, e com um orçamento adequado.
O objetivo deste texto é o de oferecer, de forma resumida, o conhecimento de técnicas
de controle de projetos, contribuindo assim para o sucesso dos profissionais que se
empenhem dentro desta área.

1.1 – Definição de Projeto

Quando se fala em “projeto”, os engenheiros pensam instintivamente em cálculos e


desenhos de elementos de máquinas. Entretanto esta palavra tem um conceito mais amplo.
Um exemplo é a definição dada por Woiler & Mathias (1985), que foca a parte de financeira:
“Entendemos por projeto o conjunto de informações internas e/ou externas à empresa,
coletadas e processadas com o objetivo de analisar-se (e, eventualmente, implantar-se)
uma decisão de investimento”.
Atualmente entende-se o projeto como sendo um conjunto de atividades, dentro de
uma organização, que envolvem qualquer atividade de mudança, ou geração de produtos e
serviços, como por exemplo: a implantação de um sistema de código de barras no
recebimento de uma empresa, o desenvolvimento de um motor, a implantação de um
sistema informatizado na oficina de uma concessionária, e assim por diante.
Segundo Dinsmore (2000): “projetos podem envolver desde uma única pessoa a
milhares e ter a duração de alguns dias ou vários anos”.
Um projeto é caracterizado por ser:

• Temporário: tem início e fim bem definidos, terminando quando os


objetivos para o qual foi criado são atingidos;
• Único: envolvem a realização de alguma coisa que jamais tenha sido
realizada anteriormente dentro da organização;
• Progressivo: quando aumenta a sua compreensão, também aumenta o
seu nível de detalhamento.

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1.2 – Requisitos para o sucesso de um projeto

Existem vários indicadores para se medir o sucesso de um projeto, alguns deles são:

• Satisfação dos clientes e investidores;


• Cumprimento das restrições de tempo e custo;
• Os produtos devem ter qualidade;
• Preocupação com as relações harmoniosas entre os envolvidos;
• Contribuição para o aprendizado da organização.

Inicialmente parece fácil cumprir estas prerrogativas, mas não se deve esquecer que
existem paradoxos, ou fatores conflitantes, a serem resolvidos, com por exemplo:

 Clientes X Investidores
 Tempo X Custo
 Qualidade X Custo
 Funcionalidade X Produção X Montagem
 Normalização X Agilidade

A satisfação dos clientes é obtida com o máximo de qualidade e com o menor preço
possível para o produto. Entretanto, a satisfação dos investidores está na maximização do
lucro, e no retorno de seu capital aplicado, e isso pode pressionar para um aumento de
preços.
Outro conflito está na redução dos tempos de fabricação que exige a compra de
novas máquinas, dispositivos, instrumentos e a contratação de funcionários, aumentando os
custos do produto.
A qualidade, por sua vez, é conseguida com materiais mais caros e fornecedores
qualificados, o que também influencia nos custos.
Para obter a funcionalidade deve-se muitas vezes utilizar tolerâncias apertadas e
aumentar o número de peças, fazendo com que o produto fique complexo, isso dificulta a
fabricação das peças e a sua posterior montagem.
Atualmente, também se exigem das grandes empresas certificações de que os seus
processos são desenvolvidos com qualidade, assim elas devem ser qualificadas pela ISO
9000, QS 9000, devem ter processos de 6 sigma e Kaisen inseridos no contexto fabril. Tudo
isso requer que uma grande quantidade de documentos seja gerada, tomando tempo de
produção dos seus colaboradores.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 4-4


A flexibilidade é o requisito mais importante, assim os negócios mudaram da era do
“Projeto de Fábrica” para o “Projeto do Negócio”, onde foram introduzidas diversas outras
variáveis que devem ser planejadas e posteriormente controladas. Para entender a
diferença entre estes dois conceitos é feita uma análise comparativa, mostrada na figura 1.1
a seguir.

PROJETO DE FÁBRICA X PROJETO DO NEGÓCIO


Mercado Mercado
Produção Estratégia competitiva
Localização Marca
Administração Parcerias com fornecedores
Equacionamento Clientes e concorrentes
Econômico - Financeiro Terceirização
Franquias
Fabricação
Logística
Gestão
Equacionamento
Econômico-Financeiro

Figura 1.1 – Comparação entre os tipos de negócio no mercado atual

O desafio portanto está em “navegar-se” por todo este mar de conflitos, realizando a
confecção de novos produtos de forma a atingir todos objetivos citados. Sim, é possível se
fazer isso, mas o preço para tanto é outra história, como será visto nos próximos capítulos
desta apostila.

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Dinâmica de Grupo

Reunindo um grupo de no máximo 5 colegas, discuta o texto abaixo, respondendo as


questões propostas.

Texto extraído do livro: “Feitas para Durar” (ver referências bibliográficas)

Coloque-se no lugar da equipe de gerenciamento da Boing em 1952. Seus


engenheiros têm a idéia de construir um grande avião a jato para o mercado comercial. A
sua empresa não tem praticamente nenhuma presença no mercado comercial e suas
tentativas comerciais anteriores não deram certo. As aeronaves construídas pela empresa
destinam-se principalmente ao setor militar (B-17 Flying Fortress, B-29 Superfortress, lança
bombas B-52) e quatro quintos dos seus negócios vêm de um cliente – a Força Aérea.
Além disso, a sua força de vendas informa que as empresas aéreas comerciais dos
Estados Unidos e da Europa demonstraram pouco interesse pela idéia do jato comercial da
Boeing. As empresas aéreas têm um grande preconceito contra a Boeing – “eles fazem
ótimos lança-bombas e só”. Nenhuma outra empresa de aviação provou que há um
mercado comercial para aviões a jato. A empresa rival Douglas Aircraft acha que os aviões
a hélice vão continuar dominando o mercado comercial. A sua empresa ainda se lembra da
penosa redução de uma equipe de 51.000 funcionários para 7.500, após o fim da Segunda
Guerra Mundial. E o argumento mais forte é a estimativa de que o desenvolvimento de um
protótipo do jato custará cerca de três vezes o seu lucro medi anual depois dos impostos
dos últimos cinco anos – praticamente um quarto do patrimônio líquido da empresa.
Felizmente você acha que também poderia oferecer este avião a jato para o setor militar
como avião de abastecimento, mas ainda assim precisa apostar US$ 15 milhões no
desenvolvimento do protótipo.
O que fazer?
Se você for a gerência da Boeing.... você constrói o jato. Você chama ele de 707. E
coloca o mundo comercial na era do jato.
Em contraste, a Douglas Aircraft (que mais tarde viria a se tornar a McDonnell-
Douglas...) decidiu ficar com os motores a pistão e esperar para ver o avião a jato comercial.
A Douglas esperou e viu a Boeing deixá-la para trás, assumindo o domínio do mercado
comercial. Em 1957 – ano em que, segundo a Business Week, as empresas aéreas
“estavam se atropelando na pressa de trocar seus aviões com motores a pistão”- a Douglas
ainda não tinha um jato pronto para colocar no mercado. Por fim, em 1958, a Doulgas
introduziu o DC-8, mas não conseguiu se igualar a Boeing.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 6-6


A) Quais foram, em sua opinião os principais requisitos que tornaram o Boeing 707 um
projeto de sucesso, apesar de todas as adversidades?
B) Qual o principal concorrente de sua empresa? A sua empresa se antecipa no
lançamento de novos produtos, ou procura produzir o que a concorrência já
comprovou ser um bom negócio? Discuta com exemplos.
C) Observando a figura 1.1 quais os fatores de negócio vivenciados por sua empresa?
Discuta os que considerarem principais.
D) A Airbus vive na atualidade um momento parecido com o vivido pela Boeing para
lançar o A380. Em sua opinião este será um projeto de sucesso? Sim ou não e por
que?

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 7-7


Capítulo 2 – Requisitos do Produto

No capítulo anterior foram discutidos os principais requisitos para um projeto de


sucesso, todavia este não é possível, se o produto gerado pelo mesmo não tiver os
requisitos necessários. Uma discussão interessante é a de que hoje em dia o produto não
consiste apenas do bem-material palpável em si, mas de uma série de outros fatores, como
foi mostrado por Garvin (1997) em suas oito dimensões da qualidade. Na teoria clássica, os
principais requisitos de um novo produto são:

A) Necessidade: O novo produto deve ser uma solução para necessidades individuais
ou coletivas. Um bom levantamento das necessidades começa com a “Pesquisa de
Mercado”.
B) Exeqüibilidade física: O processo de obtenção deve ser factível, assim como o
produto em si.
C) Viabilidade Econômica: A utilidade para o cliente deve ser igual ou superior ao
preço de venda. O custo deve trazer lucro para o fabricante.
D) Viabilidade Financeira: Os investimentos iniciais para desenvolvimento do projeto,
produção e distribuição devem ser suportados pela instituição executora.
E) Otimização: Escolha da melhor entre várias alternativas.
F) Critérios de Projeto: Equilíbrio entre os diversos requisitos conflitantes.
G) Sub-Projetos: Problemas novos que aparecem durante o desenvolvimento, devem
ser sub-divididos.
H) Aumento da Confiança: Em cada etapa a confiança no sucesso deve aumentar,
senão o projeto deve ser interrompido.
I) Apresentação: Confiabilidade nos documentos de projeto, tais como desenhos,
relatórios, maquetes e/ou protótipos.
J) Requisitos Ambientais: Um bom projeto não deve conter elementos agressivos ao
homem, ou ao meio ambiente.

Para completar esta primeira discussão, apresenta-se outro requisito importante a


ser considerado que é o ciclo de produção e consumo de um produto. Este consiste nos
ciclos de produção, distribuição, consumo e recuperação, conforme mostra a figura 2.1.
Todo produto deve satisfazer aos quatro ciclos, sem exceção para que possa ser
implementado. A falta de um deles inviabiliza todo o projeto. Como exemplo pode-se citar o
novo conceito das células de combustíveis. A produção, o consumo e a recuperação estão

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bem resolvidos, mas não há consenso com relação à distribuição do combustível. O sistema
mais eficiente utiliza o Hidrogênio líquido. Entretanto este elemento é altamente inflamável,
o que exige uma total reformulação dos atuais postos de combustíveis.

Figura 2.1 – Ciclo de produção e consumo

2.1 - Produtos Evolutivos x Inovadores

O novo mercado criou o conceito do “Produto Inovador”, trazendo consigo elevados


riscos e incerteza quanto ao sucesso dos Empreendimentos. O resultado foi o
desenvolvimento de diversas técnicas para tentar minimizar estes riscos. Dessa forma,
também o projeto passou de evolutivo a inovador, como pode ser observado na comparação
a seguir:

• Projeto Evolutivo: Modificações lentas acompanhando a evolução do


mercado e desenvolvimento a partir de conhecimentos empíricos.

• Projeto Inovador: Soluções expressivamente novas, utilização das últimas


descobertas técnico-científicas, altos riscos e alta responsabilidade no
desenvolvimento do mesmo.

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2.2 - As oito dimensões da Qualidade

Todas as etapas de um projeto visam única e exclusivamente o alcance de um


objetivo maior que é a satisfação do cliente. Mas como obter de forma efetiva esta
“satisfação?”. A resposta que vem a mente imediatamente é: “basta ter produtos com
QUALIDADE”. O processo para obtenção da mesma é motivo de vários livros, pesquisas e
freqüentemente é tema de diversos seminários. Quando se fala em qualidade associa-se
imediatamente a produtos japoneses. Esta associação é tão forte que criticar a qualidade de
um aparelho eletrônico SONY, ou um automóvel Toyota é quase uma heresia. O modelo de
produção utilizado pela Toyota se tornou um paradigma para as empresas de manufatura,
de tal forma que se ensina atualmente o consagrado “Sistema Toyota de Produção”.
Entretanto, nem sempre foi assim. Antes da década de 50, o produto japonês era
sinônimo de cópia de baixa qualidade. O que mudou após esta década foram os primeiros
resultados dos princípios plantados após a segunda guerra mundial. Após a guerra o Japão
era um país destruído e desmoralizado, com fraca economia interna o resultado era buscar
novos mercados, entretanto havia o estigma da baixa qualidade de seus produtos. Para
contornar tal problema foram convidados dois professores americanos com objetivo de
ensinar as técnicas estatísticas às empresas japonesas. Os professores Deming e Juran
ficaram assim conhecidos como os principais mentores, os pais do que se conhece hoje
como gestão da qualidade industrial.
Enfim, o que é Qualidade? As definições conhecidas são tão numerosas quanto os
“gurus” que as propõem. As mais conhecidas são: “Qualidade é adequação ao uso”,
denotando que um produto de qualidade deve atender à necessidade do cliente; “Qualidade
é conformidade às especificações”, pois o produto deve atender aos requisitos de projeto.
Mas para o consumidor final , aquele que vai lidar como o produto dia-a-dia, o que é um
produto de qualidade? Reina ainda hoje para a maioria dos consumidores, o conceito:
produtos de qualidade são aqueles que não falham. Em uma visão mais ampla, além do
aspecto corriqueiro de um produto funcionar sem falhar, a qualidade envolve também uma
série de outras dimensões nem sempre evidentes para o consumidor final, mas igualmente
importantes na hora de competir e ganhar a sua preferência. Visando o esclarecimento
destas dimensões, Garvin, em 1987, propôs o que se conhece atualmente como as oito
dimensões da qualidade. O conhecimento destas oito dimensões ajuda a avaliação da
qualidade de um determinado produto, auxiliando também a quantificação da mesma,
quando se está desenvolvendo “novos produtos”. Como resultado final, o coceito de
qualidade pode ser “quebrado” para facilitar a análise estratégica.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 10-10


As oito dimensões da qualidade são:

A) Desempenho:

A dimensão “desempenho” diz respeito às características relativas à


finalidade principal do produto. Espera-se que um automóvel se
movimente, um avião voe, uma lavadora lave, etc.

B) Recursos:

Esta relacionada a características não essenciais ao desempenho da


máquina, mas podem ser utilizadas para diferenciar e agregar valor ao
produto. Como por exemplo podem ser citados os serviços de bordo em vôos
comerciais, os itens de maior conforto nos automóveis, etc.

É importante notar que nesta dimensão alguns itens considerados como


“recursos” em um determinado momento podem vir a se tornar características
de desempenho quando consagradas pelo mercado. Um exemplo disto é o
controle remoto de televisores. Ele não é essencial para o funcionamento do
aparelho, mas tornou-se um recurso sem o qual dificilmente um fabricante
conseguiria vender o seu produto.

C) Conformidade:

A conformidade é uma dimensão nem sempre aparente ao usuário final, mas


vital para a estratégia de produção de uma empresa. A conformidade diz
respeito a manutenção do atendimento de especificações de projeto.

O atendimento a especificação de tolerâncias dimensionais em peças


utilizadas na montagem de um produto é o exemplo clássico de
conformidade. As ferramentas de controle estatístico de processo estão
relacionadas a esta dimensão da qualidade. Tais controles são feitos
normalmente utilizando-se de diversos instrumentos de medição, que por sua
vez tem um controle rigoroso, e assim por diante.

D) Confiabilidade:

A confiabilidade reflete a chance de um produto funcionar sem falhas dentro


de um certo período de tempo trabalhando sob as condições de uso para as
quais foi projetado.

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Esta é uma das dimensões que os usuários de produtos mais associam ao
conceito de qualidade. Esta associação entre qualidade e confiabilidade é
muito forte pois geralmente diz-se “um produto de qualidade é um produto
que não quebra”.

O domínio do conhecimento da confiabilidade pelos fabricantes de produtos


de consumo é um fator importante de estratégia competitiva, principalmente
quando se compete com prazos de garantia.

Um fabricante que domina a confiabilidade do produto fornecido sabe de


forma quase exata o índice de retorno do mesmo. Isso permite o
gerenciamento adequado dos custos de garantia, permitindo a satisfação do
consumidor sem prejuízos. Não é a toa que fabricantes de eletroeletrônicos
aumentam ano a ano o prazo de garantia, visando aumentar o seu mercado.
Este tipo de competição acontece também em outros tipos de empresas,
como o caso de fabricantes de automóveis importados oferecendo cinco anos
de garantia aos seus produtos.

E) Durabilidade:

A durabilidade é definida como a quantidade de uso que se consegue obter


de um produto antes que ele tenha de ser substituído. É uma medida da vida
útil do produto.

Existem dois aspectos da durabilidade que são normalmente avaliados pelas


empresas. O primeiro é técnico e está fortemente relacionado a
confiabilidade. Para produtos não-reparáveis, a durabilidade é a própria
confiabiliade. Para os reparáveis, a qualidade da manutenção vai determinar
a sua deterioração, de modo que os produtos mais confiáveis têm
durabilidade maior.

O segundo aspecto é o econômico e determina o ponto de vida do produto,


onde é mais econômico desativar o equipamento, ao invés de repará-lo.

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F) Estética:

A dimensão estética da qualidade, apesar de muito subjetiva, é de estrema


importância na estratégia competitiva dos fabricantes de produtos. O visual
aparente de um produto é a primeira dimensão na atração ou rejeição dos
clientes pelo produto.

Aqui também há dois aspectos técnicos que podem ser avaliados. O primeiro
deles diz respeito ao estilo do produto, e sofre grande influência de
tendências ao longo dos tempos. Formas arredondadas ou retas, alongadas
ou achatadas, cores quentes ou mais discretas, vão e voltam dependendo da
tendência do momento. Estilos de automóveis que até pouco tempo pareciam
ultrapassados volta a ser tendência em outras épocas, como exemplo o Fiat
Uno e o Ford Ka quando lançados foram até um pouco rejeitados.

O segundo aspecto da estética independe do estilo e não muda ao longo do


tempo. Trata-se do cuidado, construtivo dos produtos. Cores manchadas,
acabamento mal-feito, desalinhamento de carenagens, dão uma impressão
muito forte de produto de baixa qualidade.

G) Atendimento:

Um grande diferencial competitivo para os fabricantes de produtos é o


atendimento ao cliente. Para fabricantes que não fornecem diretamente para
o consumidor final, mas sim para revendedores, é muito comum a
preocupação como o treinamento dos seus distribuidores de forma a evitar
erros e desleixos no atendimento do usuário final.

O cliente é que mantém as operações de uma empresa, seja ela industrial,


comercial ou de serviços. Ao procurar um produto ou serviço o cliente vai ser
atraído pó r um atendimento adequado e vai certamente rejeitar atendimentos
que não lhe agradem. Atendimento adequado significa estar pronto para
oferecer ao cliente o que ele precisa, na hora em que ele procurar. Assim
rapidez, cortesia, facilidade de contato, domínio do negócio, disponibilidade
de serviços, preços acessíveis, são aspectos da dimensão atendimento que
podem fazer a diferença na preferência do consumidor.

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H) Qualidade percebida:

Refere-se a reputação que um fabricante goza junto ao mercado. Esta


reputação reflete os ideais e a mentalidade da empresa, seja em termos de
competição de mercado, seja em sua dimensão social.

A reputação é conseguida por meio de reconhecimento do mercado pela


experiência e competência da empresa, e pode ser medida por meio de
pesquisas de opinião de marcas. O cliente procura produtos destas marcas
por perceber a liderança que a empresa detêm de um determinado negócio.
Assim, adquire os produtos com critérios de escolha menos rigorosos que os
produtos de marca menos conhecida.

Exemplos de qualidade percebida são a Nestlé para produtos alimentícios, a


Johnson & Johnson para produtos de higiene, a Caterpillar para tratores, etc.

Concluindo, o bom planejamento não trata apenas de etapas e datas, mas sim e
fundamentalmente em sempre pensar no cliente, e pensar assim é respeitar também as
dimensões da qualidade. Fazendo isso certamente o projeto alcança o status de “projeto de
sucesso”.

Dinâmica de Grupo

1 - Texto extraído e traduzido do livro “The 75 greatest management decisions ever made…
and some of the worst” (ver referências bibliográficas).

”A decisão de Henry Ford de fundar a sua própria empresa em 1903 levou a primeira linha
de produção em massa, criou um mercado em massa de automóveis, ergueu um gigante
corporativo, mudou os conceitos de viagem, deu margem ao surgimento de uma série de
outras indústrias, e propiciou uma referência para a produção industrial”.
A decisão de Henry Ford de estabelecer uma produção em massa é uma das mais
freqüentes decisões gerenciais citadas durante a minha pesquisa. Não é difícil de
argumentar que nenhuma outra decisão teve repercussões tão grandes.
Primeiramente a história. Henry Ford (1863-1947) foi originalmente um garoto de
corridas. Após passar um tempo como aprendiz de mecânico, um consertador de relógios e
um mecânico, ele construiu seu primeiro carro em 1896. Ele rapidamente se convenceu do
potencial de começar sua própria companhia em 1903. (Não havia nada de mais nisso, pois

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entre 1900 e 1908 mais de 500 empresas americanas foram criadas para fabricar carros). O
primeiro carro de Ford foi o modelo A. Após um ano, ele estava vendendo 600 por ano. Em
1908 nasceu o modelo T. Através de um uso inovador das técnicas de produção em massa,
Ford produziu 15 milhões deste modelo entre 1908 e 1927. Neste tempo a fabrica da Ford
em Highland Park, Michigan era a maior do mundo, mais de 57.000 pessoas trabalhavam
em uma área de 57 acres. E foi o mundo que Ford estava buscando. Ele foi rápido em
estabelecer operações internacionais. A primeira filial de vendas da Ford foi aberta na
França em 1908 e, em 1911, Ford começou a fabricar carros na Inglaterra.
Em 1919 Ford se aposentou como presidente da empresa e seu filho, Edsel, o
substituiu. Desde então a companhia tem Feito um carro por minuto. Em 1923, as vendas
anuais chegaram a 2.120.898. Naquele tempo, a participação de mercado da Ford chegou a
57%.

2 - Texto extraído e traduzido do livro “The 75 greatest management decisions ever made…
and some of the worst” (ver referências bibliográficas).

“No desolado Japão pós-guerra, a Toyota decidiu escutar um obscuro estatístico Americano,
W. Edwards Deming, que desembarcou em 1947 como um desconhecido. Deming ensinou
a Toyota as técnicas de qualidade; a Toyota conquistou o mundo.”

Durante as últimas quatro décadas do século XX, os fabricantes de carro do oeste se


sacudiam de uma crise a outra. Eles estavam sempre a um passo atrás, e a empresa que
eles estavam seguindo é a gigante japonesa Toyota.
Quando você entra na sede da Toyota no Japão, você encontra três retratos. Um é
do fundador da companhia, o próximo é o do presidente atual, e o terceiro é o do guru
Americano, W. Edwards Deming.
Em 1918 Sakichi Toyoda fundou a empresa chamada “Toyoda Spinning & Weaving
Co.”. Em 1930 o desenvolvimento de teares automáticos mostrou a empresa que o futuro
estava em outro lugar. Kiichiro Toyoda, filho do fundador, havia estudado Engenharia e
visitado a Europa e os Estados Unidos. Ele decidiu que o futuro estava na fabricação de
carros, e mudou o nome da companhia para Toyota em 1936. Ele permaneceu como
presidente da empresa até 1950, e depois ela foi conduzida por um membro da família te
1995.
O primeiro carro da Toyota foi o modelo AA. (De acordo com uma política de
seguros, a empresa também continuou seu velho negócio, os teares foram produzidos até
aproximadamente 1950). Em 1950 a Toyota estabeleceu escritórios em Taiwan e na Arábia

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 15-15


Saudita. Ela começou fabricando empilhaderas ( e agora é o número um no mundo neste
mercado) e entrou no mercado Americano em 1956 e posteriormente no mercado Inglês em
1965.
A primeira tentativa da Toyota no mercado Americano não foi bem-sucedida. Seu
principal modelo havia sido desenvolvido para o mercado Japonês e não se adaptou bem as
estradas americanas. Posteriormente a Toyota acertou. Em 1968 o sucesso do Corolla,
permitiu um grande salto à frente. Em 1975 a Toyota substituiu a Volkswagen como o
número um em carros importados. Ela foi direto ao coração do mercado Americano em
1984, quando fechou um acordo de joint venture com a General Motors para fabricar carros
nos Estados Unidos. (A joint venture ainda fabrica o modelo Prizm da GM).
... A Toyota é agora o terceiro maior fabricante de carros no mundo (atrás da GM e
da Ford1). Ela vende 5 milhões de veículos por ano (1,3 milhões na América do Norte, 2
milhões no Japão e 0,5 milhões na Europa). No Japão ela tem quase 40% do mercado. Em
1998 vendeu aproximadamente $88,5 bilhões, com um lucro de $3,5 bilhões.
Por trás do sucesso da Toyota está a presença de Deming e a aplicação prática de
sua filosofia da qualidade... No começo dos anos 80, as empresas do oeste finalmente
acordaram em começaram a implementar as técnicas de qualidade de Deming. Mas já era
tarde. A Toyota já havia avançado....
A Toyota progrediu para o que hoje é chamado de “Manufatura enxuta”, ou o
Sistema Toyota de Produção. (Dizem que o criador deste sistema é Taichi Ohno, que
escreveu um livro curto sobre o sistema e posteriormente se tornou um consultor da
empresa).....

Questões

A) Sobre o ponto de vista dos requisitos de um produto, no texto 1, em sua opinião, qual
o segredo de sucesso dos carros desenvolvidos por Henry Ford?
B) E o segredo de sucesso dos carros produzidos pela Toyota?
C) No texto 1 nota-se que o sistema da Ford foi revolucionário, assim como o sistema
da Toyota. Em sua opinião, por que a Toyota ultrapassou a Ford nos dias atuais?
D) Os carros da Ford e Toyota, cada um em seu tempo, podem ser considerados como
produtos inovadores? Sim ou não? Justifique sua resposta.

1 – As últimas notícias são de que a Toyota já ultrapassou a Ford.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 16-16


Capítulo 3 – Planejamento e Controle de Projetos

As atividades em uma empresa podem ser entendidas como um processo de


transformação de entradas (matérias-primas, energia, mão-de-obra) em saídas (produtos
e/ou serviços). Este processo de transformação é conduzido através de um processo
gerencial, que consiste em decisões. Segundo Woiler e Mathias (1996), estas podem ser
divididas em três grupos:

• Decisões estratégicas: são aquelas que estão voltadas ao relacionamento entre a


empresa e o meio ambiente.
• Decisões administrativas: são aquelas que estão relacionadas com a forma e com
a estrutura da empresa, ou seja, com a organização propriamente dita.
• Decisões operacionais: são aquelas que estabelecem os níveis operacionais da
empresa, ou seja, são as decisões associadas ao processo de transformação.

Dentre estas, as mais importantes, e que também envolvem o lançamento de novos


produtos, são as decisões estratégicas, pois elas podem explicar o desempenho da
empresa: sucesso ou fracasso. Uma firma que tenha um melhor controle operacional e /ou
melhor organização pode não ser rentável, se não estiver atuando com os componentes
certos de produto e mercado. Os administradores deveriam dedicar um maior tempo a este
tipo de pensamento, entretanto não o fazem pois dedicam mais aos assuntos emergenciais,
que vêm da parte operacional. Na maioria das indústrias, o poder também está com
executivos que vieram da operação e, por isso, eles tendem a ver com maior simpatia os
problemas que lhe são familiares. De toda essa discussão é importante ressaltar que o
planejamento de projetos consiste de decisões estratégicas.
Woiler e Mathias (1996) entendem o planejamento como sendo “um processo de
tomadas de decisões interdependentes, decisões estas que procuram conduzir a empresa
para uma situação futura desejada. Neste processo é importante que haja coerência entre
as decisões atuais e aquelas tomadas no passado e que haja realimentação entre as
decisões e os resultados”.
Casarotto et all (1999) define o planejamento como: “um processo desenvolvido pela
empresa, para o alcance de uma situação desejada, de modo mais eficiente e efetivo, com a
melhor concentração de esforços e recursos disponíveis, que pressupõe a necessidade de
um processo decisório, com ocorrência antes, durante e depois de sua elaboração e
implementação”.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 17-17


Resumidamente o planejamento pode ser entendido como: saber o que fazer,
quando fazer, como fazer e quem deve fazer.
A atividade de planejamento é complexa, pois visa o alcance de estados futuros
desejados e a avaliação de ações alternativas para o sucesso do empreendimento, dentro
de um contexto ambiental interdependente e mutável.
As mudanças de contexto exigem um novo planejamento, ou a revisão de algumas
metas, sendo assim é fundamental monitorar o sistema fazendo um controle dos desvios e
se necessário for traçar outros caminhos. Este processo todo é bem conhecido dentro do
ambiente da qualidade, e é denominado como PDCA – Plan Do Check Act, conforme pode
ser vizualizado na figura 3.1.
A administração de projetos surgiu no período de grande expansão industrial do pós-
guerra, e adquiriu sua maioridade com os projetos de grande porte da industria bélica e
aeroespacial americana, responsáveis ainda hoje pelo “estado da arte” nesta área de
conhecimento.

Figura 3.1 – Ilustração do ciclo PDCA

Conhecendo os requisitos de um projeto, deve-se também ter em mente que o mesmo é


divido em várias etapas, embora nenhum projeto se desenvolve linearmente, ou seja, cada
etapa sendo completada antes de se passar para a seguinte. Assim sendo, a imagem que
melhor define o processo de concepção de um projeto é a espiral, mostrada na figura 3.2.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 18-18


Figura 3.2 – Espiral de Projetos

Nesta espiral pode-se visualizar que o desenvolvimento de um projeto é interativo, ou


seja, cada requisito interfere no bom desempenho dos outros. Dessa maneira, nas primeiras
etapas, deve-se fazer um esboço grosseiro, passando sobre todos os requisitos. A cada
ciclo concluído, deve-se aumentar cada vez mais o nível de detalhamento, fechando assim o
caminho na espiral, com todas as variáveis amarradas de forma adequada. Pensar desta
maneira é fundamental para o sucesso de um bom planejamento.

3.1 – A Estrutura de um Projeto

Um projeto se desenvolve em fases seqüenciais, embora analisando o ciclo de


produção e consumo nota-se que deve-se dar prioridades diferenciadas conforme o tipo de
produto. Basicamente o projeto pode ser dividido em quatro grandes etapas, descritas a
seguir de forma resumida.

A) Estudo de Viabilidade: Nesta fase deve-se transformar a necessidade do produto


em esboços grosseiros que permitam a análise da viabilidade técnica, econômica e
financeira da solução.

B) Projeto Básico: Escolhe-se uma entre as diversas soluções apresentadas no estudo


de viabilidade. O resultado do projeto básico é a definição completa das
características principais do produto. A forma de apresentação é por meio de

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 19-19


relatórios, descritivos, desenhos, memorial de cálculo, maquetes físicas ou
eletrônicas, desenhos de conjunto e listas de materiais.

C) Projeto Executivo: Nesta etapa chega-se a especificação completa de um produto


testado e que pode ser produzido. Fazem-se diversos testes para aperfeiçoamento
do produto. Deve-se decidir a continuidade ou não do projeto.

D) Planejamento da Produção / Execução: Compreeende o planejamento para


fabricação do produto. Neste estágio várias decisões importantes são tomadas:
a. Planejamento de novas instalações (linhas de montangem...);
b. Determinação dos processos de fabricação e montagem;
c. Determinação dos recursos humanos necessários;
d. Projeto de dispositivos de fabricação e montagem;
e. Estudo do controle de produção;
f. Qualificação de fornecedores para obtenção de componentes;
g. Determinação de normas de segurança;
h. Estabelecimento do sistema de garantia da qualidade;
i. Planejamento do fluxo geral de informações.

As etapas descritas são ainda descritas e detalhadas através das normas de


qualidade, tais como a ISO 9000 e a QS-9000. Netas normalizações introduzem-se dois
conceitos importantes que são o da Análise crítica e o FMEA, descritos no capítulo 5, e
utilizados para tentar prever possíveis pontos de falha no projeto como um todo. Neste meio,
compilando diversas técnicas existentes, surgiu o APQP – Advanced Product Quality
Planning – ou Planejamento Avançado da Qualidade do Produto. O APQP é um “método
estruturado para definir e estabelecer as etapas necessárias para assegurar que um produto
satisfaça o cliente”. As etapas desta técnica podem ser observadas nas figuras 3.3 e 3.4.
Nota-se a semelhança com a divisão de etapas, já mencionadas nos parágrafos anteriores.
Os próximos capítulos têm por objetivo descrever com maiores detalhes os conceitos
apresentados.
Ë importante citar que o planejamento eficaz da qualidade do produto, depende não
somente de esforços individuais, mas também do comprometimento da alta administração
da empresa para com os meios requeridos ao alcance da “satisfação do cliente”.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 20-20


 A voz do cliente
 Determinar as Pesquisa de Mercado
necessidades do cliente Informação Histórica de Garantia
Informação Histórica da qualidade

Fase 1: Planejar e
definir o programa

 Metas de Projeto
Metas de Confiabilidade
Plano de Garantia do Produto
 Elaborar um plano Lista Preliminar de Materiais
de ação Cronogramas: Diagramas de Gantt, PERT,
CPM.
Listagem Preliminara das características-chave
críticas

 Desenhos de Engenharia
 Desenvolver aspectos
Especificações de Engenharia
e características do
Lista de Materiais
Projeto
Alterações de Desenhos

Fase 2: Projeto e  FMEA de Projeto


 Analisar Criticamente
Desenvolvimento do os requisitos de Projeto
Verificação de Projeto
Produto Construção de Protótipo

 Requisitos de novos equipamentos,


Ferramental, Instalações
 Elaborar um plano Características de Processo e Produto
de ação Equipamentos de medição e testes de
Viabilidade
Viabilidade do Programa

Figura 3.3 – Fases 1 e 2 do projeto segundo a APQP

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 21-21


 Análise Crítica do Sistema da
qualidade de Processo / Produto
Lay-out de fábrica
Fluxograma de Processo
 Desenvolver um
FMEA de Processo
sistema de fabricação
Instruções de Processo
abrangente e eficaz
Plano de Estudos Preliminares da
Capabilidade do Processo
Plano de Avaliação do Sistema de
Medição

Fase 3: Projeto e
Desenvolvimento
do Processo
 Assegurar que os  Padrões de Embalagem
sistemas de Matiz de Características
fabricação atendam Plano de Controle de Pré-lançamento
os requisitos do Especificações de Embalagem
cliente Apoio da Administração

 Lote Piloto de Produção


Avaliação dos Sistemas de Medição
 Validar o processo de Estudo Preliminar de Capabilidade do
fabricação Processo
Teste de validação da produção
Plano de Controle de Produção

 Avaliação da Amostra Inicial


Fase 4: Validação do  Assegurar que as
Avaliação da Embalagem
Processo e do expectativas do cliente
Encerramento do Planejamento da
Produto sejam satisfeitas
Qualidade

 Identificar
preocupações
adicionais

Figura 3.4 – Fases 3 e 4 do projeto segundo a APQP

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 22-22


É importante considerar que durante o desenvolvimento do projeto erros podem
acontecer. Um erro cometido na primeira etapa, vai se acumulando, podendo ter
conseqüências catastróficas. Isso pode ser representado através do esquema da figura 3.5.
Nota-se a responsabilidade da equipe e da alta administração na definição do novo produto,
enquanto na fase de fabricação, erros ao se “matar” uma peça, apesar de trazerem
prejuízos, não tem um forte impacto sobre todo o sistema.

Figura 3.5 – Propagação de erros durante a execução de um projeto

3.2 - Estudo da Viabilidade de um Projeto

A primeira etapa no desenvolvimento de qualquer projeto é o estabelecimento da


necessidade do novo produto e logo após determinar se a sua produção é viável ou não.
Esta etapa é muito importante e geralmente envolve a alta administração da empresa, bem
como o conselho administrativo, onde são representados os interesses de investidores. A
boa definição do produto, dos seus requisitos, da qualidade necessária, irá influenciar na
comercialização e vendas posteriores. Se o produto não vende, não se paga os
investimentos feitos, tanto no projeto, quanto na compra de novos equipamentos para
produção do mesmo. Assim um erro nesta etapa, pode custar “muito caro”, e por isso é
necessária a observação de vários critérios, que podem ser divididos em sub-etapas bem
definidas do projeto total. Estas são mostradas na figura 3.6 e discutidas nos próximos

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 23-23


parágrafos até o ponto da síntese de soluções, pois as demais etapas envolvem a parte
jurídica e financeira da empresa.

A análise jurídica e legal envolve a determinação de quais as leis vigentes ou quais


órgãos reguladores influenciam no desenvolvimento do projeto, através da imposição de
normas e procedimentos. Por exemplo no caso de vasos de pressão, existem normas de
segurança estabelecendo quais os testes devem ser feitos e os limites toleráveis para se
aprovar o produto. Outro exemplo é a concepção dos veículos de carga pesada, que devem
respeitar o peso máximo entre eixos para poder trafegar nas rodovias.

As análises econômica e financeira cabem ao departamento de controladoria da


empresa, que juntamente com o setor de vendas, faz uma análise comparativa entre o preço
ideal para venda e os possíveis custos de fabricação e distribuição do novo produto. Nesta
análise deve-se prever tanto o número total de vendas, quanto outros fatores econômicos
importantes como a flutuação cambial, instabilidade política, guerras, entre outros.

O estudo ambiental, antes ignorado pela grande maioria das empresas, agora tem
uma importância muito grande, com o advento da ISO 14000. Requisitos como o descarte
de efluentes, a coleta seletiva de lixo, o plantio de árvores para repor a vegetação tem sido o
tema nas Indústrias e fora delas. Aqui neste ponto também entra a preocupação legal, pois
com o intuito de preservar o meio ambiente o governo tem feito leis severas. Estes tópicos
serão discutidos em um capítulo posterior.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 24-24


Informações Estudo da
do meio Necessidade Válida ?

Informações Especificação Tem


técnicas técnica do projeto significado?

Talento Síntese das Possível?


criativo Soluções

Conhecimento Análise Possível?


técnico técnica e legal

Análise Provável
Fatores
econômica lucro?
econômicos

Fatores Análise
Há fundos?
financeiros financeira

Alternativas Análise Aceitável?


viáveis ambiental

Figura 3.6 – Fluxograma do Estudo de Viabilidade de um Projeto

3.2.1 - Estudo das Necessidades

Como foi dito o primeiro ponto é a definição da necessidade do produto, para que
esta tarefa seja realizada com sucesso, deve-se primeiramente conhecer quais os tipos de
“necessidades” que levam um consumidor a procurar um determinado bem de consumo.
Estas são descritas a seguir.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 25-25


A) Necessidades declaradas X Necessidades Reais
As necessidades reais são normalmente os serviços que os produtos podem
prestar. Um exemplo é a evolução das máquinas de escrever para as
impressoras. Os usuários queriam máquinas de escrever, como uma
necessidade declarada. A necessidade real era uma forma de impressão em
mídia escrita, ou seja papel. Assim quando surgiram os micro-computadores
com as impressoras, as máquinas de escrever forma sendo abandonadas
gradualmente. As empresas que não se adequaram a esta realidade
acabaram por perder o mercado.

B) Necessidades Culturais
Toda sociedade humana desenvolve um padrão de crenças, hábitos, práticas,
etc. Tais padrões fornecem à sociedade certos elementos de estabilidade:
sistema de leis, costumes, tabus, símbolos de status e assim por diante. O
sucesso de um produto também depende da obediência a essas leis culturais.
Como exemplo pode-se citar os automóveis, que além da necessidade de
locomoção promovem a satisfação de status ou não.

C) Necessidades implícitas
Neste tipo vale o espírito empreendedor da empresa, ou seja, o cliente não
tinha a necessidade pelo simples fato do produto não existir. Quem poderia
ter expressado a necessidade de um “walkman” antes de estes aparelhos
surgirem no mercado?

D) Necessidades Percebidas
A percepção que o cliente tem sobre o produto pode diferir da percepção do
fabricante. Este último pode tirar proveito disso agregando valores aos
produtos. Alguns exemplos são:
Lojas de roupas de grife: Algumas roupas tem o mesmo processo de
fabricação, ou seja, mesma qualidade. O que muda é a marca colocada no
fim da linha, agregando uma imagem que valoriza o produto.
Fabricantes de chocolate: O mesmo tipo de doce pode ser embalado em
modestas caixas de papelão, ou em caixas de madeira forradas de cetim, que
vão para as lojas de grife. Este procedimento pode resultar em uma diferença
de preços considerável.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 26-26


Após a definição clara e objetiva da(s) necessidade(s) do novo produto, deve-se
fazer uma avaliação da(s) mesma(s), e dizer se a fabricação do produto compensa ou não.

3.2.2 - Síntese das Necessidades

A viabilidade econômica da satisfação da necessidade deve ser tomada


combinando-se: os recursos financeiros, tempo disponível e conhecimentos gerais sobre a
população e o meio sócio-econômico, através de pesquisas de mercado bem elaboradas.
Vale dizer que estas atividades são de suma importância pois se houverem riscos de o
produto não ser bem aceito no mercado, todo o investimento é perdido.
Portanto, além das análises recomendadas, devem ser colocadas questões
relacionadas a estratégia global da empresa:

 O produto a ser desenvolvido é compatível com os objetivos da empresa?


 O produto é compatível com os recursos técnicos, humanos e financeiros da
empresa?
 O produto é compatível com a propaganda institucional da empresa?

Enfim, tomada a decisão de executar o projeto, os resultados devem ser resumidos


em um conjunto de exigências técnicas e quantitativas. Deve-se responder as questões:

 Qual a necessidade a ser satisfeita?


 Já existe um mercado para este tipo de produto, ou ele deve ser criado? Qual
o seu tamanho e qual a parcela dele que se pretende obter?
 As compras do produto são únicas, periódicas ou contínuas? Qual o ciclo
previsto de reposição do produto?
 Qual o nível de substituição de marcas existe neste mercado?
 Qual será a resposta esperada dos concorrentes?
 De que forma, a que custo e por quanto tempo o usuário estará satisfeito?

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 27-27


3.2.3 - Especificação Técnica da necessidade

Após a determinação da necessidade do cliente, e da viabilidade econômica da


mesma, deve-se transformar o produto em especificações técnicas, para que o projetista
possa começar a trabalhar com o problema. Estas envolvem características qualitativas
como cor, textura, odor e características quantitativas como: tamanho, peso, torque,
consumo, etc. Para direcionar esta especificação existe uma metodologia, descrita a seguir.

A) Método da Formulação das características

Considera-se o produto como uma “caixa-preta” (ver figura 3.7), que recebe entradas e
produz saídas. Esta análise permite a identificação de quais as características desejáveis e
indesejáveis no produto, ambas servem para direcionar o projeto, de forma a se gerar as
diversas alternativas.

Figura 3.7 – Análise para formulação das características

Como exemplo pode-se citar um ventilador doméstico:

• Entradas desejáveis: energia, comandos do usuário


• Saídas desejáveis: fluxo de ar
• Entradas indesejáveis: matérias estranhos na hélice, comandos inadequados,
choques físicos e exposição ao calor
• Saídas indesejáveis: ruído, vibrações, choques físicos e exposição ao calor.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 28-28


B) Especificação Técnica

O problema a ser solucionado pelo produto deve ser totalmente identificado e formulado,
antes que as etapas subseqüentes sejam iniciadas. Para isso deve-se combinar:
Tecnologia, Exigências do Projeto e Necessidades dos Clientes.
As características técnicas do projeto são um conjunto de requisitos funcionais,
operacionais e construtivos a ser atendido pelo produto (ver figura 3.8).

Figura 3.8 – Especificação Técnica do Produto

Voltando ao exemplo do ventilador doméstico, pode-se imaginar:

• Requisitos funcionais:
o Desempenho: Motor com 70 W e Max RPM 16000
o Conforto: Nível de ruído máximo de 40 dB
o Segurança: Grade de proteção, desligamento automático em caso de
curto
o Transporte: Alça localizada na direção do centro de gravidade do
aparelho

• Requisitos Operacionais:
o Voltagem: 127V ou 220V
o Durabilidade: Vida útil de mias de 3 anos com uso diário
o Confiabilidade: Nenhuma falha nos primeiros 3 anos. Este será o
período de garantia.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 29-29


• Requisitos construtivos:
o Peso máximo: 2,8 Kg
o Material: corpo e hélice em polipropileno
o Dimensões máximas: 20x30x40 cm

C) Estruturação no desenvolvimento de alternativas

As maiores falhas no desenvolvimento de um produto ocorrem por falta de um


planejamento adequado. Assim uma estrutura organizacional bem definida é fundamental,
apesar de a mesma criar mecanismos de controle que podem atrasar o ciclo de
desenvolvimento. Mesmo assim existem benefícios, são eles:

 Auxílio à eficácia humana;


 Maior participação no planejamento da qualidade;
 Banco de dados;
 Tempo potencialmente menor para execução do projeto executivo
(detalhamento);

As diferentes estruturas organizacionais, com suas vantagens e desvantagens serão


tratadas posteriormente.

D) Síntese das soluções

Após a especificação das características técnicas do produto, é necessário conceber,


inventar, adaptar, juntar e sintetizar soluções concretas de sistemas que serão o produto
final do projeto.
A criatividade é fundamental nesta etapa. Para isso deve-se combinar os princípios,
mecanismos, circuitos e processos mais convenientes para resolver o problema do projeto.
Deve-se lembrar que mesmo se os componentes de um produto não sejam inovações, a
sua combinação pode gerar um produto novo. Como exemplo pode-se citar a injeção
eletrônica, o chuveiro a cartão, o celular com câmara fotográfica digital, etc.
O melhor modo de se sintetizar as soluções, preparando o caminho para a escolha da
melhor alternativa é através de uma tabela, visualizada na tabela 3.1, para o exemplo do
ventilador.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 30-30


Tabela 3.1 – Síntese das soluções para o sistema do ventilador

TABELA – ALTERNATIVAS PARA SISTEMA VENTILADOR


DOMÉSTICO

FUNÇÕES A B C

I – Sistema de 1 – Número de 3 4 2
ventilação pás
2 – Formato das Pás elípticas Pás elípticas Pas elípticas
pás recortadas recortadas

II – Acionar sistema Motor AC Motor DC Motor AC

III – Proteção do sistema Grade fixa Grade Grade giratória


removível removível

IV – Ajustar 1 - Interruptor Interruptor Push button Seletor giratório


velocidades deslizante

2 – Número de 2 velocidades 2 velocidades 3 velocidades


marchas

Na tabela 3.1 encontra-se grifada em amarelo uma das possíveis combinações das
características técnicas, que poderiam perfeitamente ser utilizadas para compor o produto
final.
Após a síntese técnica do projeto, a próxima etapa consiste no que é chamado de
projeto básico, onde será escolhida a alternativa mais viável para compor o produto final. As
técnicas necessárias para esta escolha serão apresentadas nos próximos parágrafos.

3.3 – Projeto básico (Anteprojeto)

O projeto básico consiste nos primeiros ciclos da espiral de projetos, ou seja é o


projeto preliminar. O objetivo desta etapa é o de conceber uma forma geral do produto a ser
desenvolvido, para isso o fluxo de informações deve ser muito bem elaborado. Como não se
tem o produto final em mãos, a análise deve ser feita através de modelos. A riqueza de
detalhes contida nestes últimos é fundamental para a correta escolha da melhor alternativa
de projeto, o que leva ao sucesso do produto e conseqüentemente aos lucros, fundamentais
para a sobrevivência da organização.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 31-31


3.3.1 - Seleção da Melhor alternativa

Neste ponto deve-se avaliar a melhor dentre as alternativas desenvolvidas no Estudo


de Viabilidade.
A escolha é feita através de uma análise comparativa. Não se trata de uma tarefa
fácil pois o grau de incerteza leva a uma subjetividade na avaliação. Para fazer a análise
deve-se considerar:

• O estabelecimento dos critérios de projeto de forma quantitativa;


• Que o julgamento e o bom senso são fundamentais;
• A experiência adquirida em projetos similares.

Uma forma sistemática de classificar as alternativas é através da construção da


matriz de decisão. Nesta matriz as linhas correspondem aos critérios de projeto, e as
colunas as alternativas desenvolvidas (ver tabela 3.2).

Na tabela pode-se observar que a cada critério de projeto deve-se estabelecer um


peso. Este varia conforme o tipo de projeto, por exemplo, em um vaso de pressão a
segurança deve ser priorizada em relação a utilização de componentes padrões, o que não
acontece em um telefone.

A seleção de cada alternativa será feita através da nota obtida pela soma geral das
notas parciais multiplicadas por cada peso.

É importante ressaltar que: a utilização de um número excessivo de atributos não


melhora necessariamente o resultado da análise. Isso porque pode haver uma correlação
entre os atributos, provocando uma ponderação relativa inadequada. A utilização de
componentes padrões, juntamente com o custo de fabricação, é um exemplo clássico
destes fatores correlacionados.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 32-32


Tabela 3.2 – Exemplo de Matriz de decisão para seleção da melhor alternativa
MATRIZ DE DECISÃO

Alternativa A Alternativa B Alternativa C Alternativa D Alternativa E


ATRIBUTO PESO
nota nota x nota nota x nota nota x nota nota x nota nota x
peso peso peso peso peso

Segurança 0,12 5 0,60 9 1,08 5 0,60 8 0,96 6 0,72

Utilização de 0,08 3 0,24 10 0,80 6 0,48 10 0,80 8 0,64


componentes padrões

Simplicidade e facilidade 0,10 2 0,20 10 1,00 7 0,70 9 0,90 3 0,30


de manutenção

Durabilidade 0,10 4 0,40 8 0,80 7 0,70 8 0,80 2 0,20

Aceitação pública 0,18 9 1,62 6 1,08 8 1,44 9 1,62 6 1,08

Confiabilidade 0,20 6 1,20 7 1,40 6 1,20 7 1,40 4 0,8

Custo de fabricação 0,03 1 0,03 10 0,30 0,09 2 0,06 2 0,06

Investimento necessário 0,04 1 0,04 10 0,40 4 0,16 8 0,32 2 0,085

Performance 0,15 3 0,45 8 1,20 5 0,75 8 1,20 6 0,90

SOMA 1,00 4,78 8,06 6,12 8,06 4,78

3.3.2 – Modelos Elaborados e Desenvolvidos

Como já foi dito no projeto básico o produto deve ser representado através de
modelos. Estes podem ser classificados de diferentes maneiras:

A) Descritivos: Permitem o entendimento do sistema, como por exemplo, o desenho em


corte de um motor, ou de uma máquina, como mostra a figura 3.9.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 33-33


Figura 3.9 – Desenho em corte de uma máquina-ferramenta convencional

B) Preditivos: Podem prever o comportamento do sistema real, dentro de certas faixas


de domínio. Um exemplo é o modelo gerado através da técnica dos elementos
finitos. Outro exemplo é o modelo reduzido de um sistema de captação de água de
uma cidade.

C) Estáticos / Dinâmicos: Relacionados com a grandeza dimensional de “tempo”.

D) Determinísticos / Probabilísticos: Relacionados com modelos preditivos. Uma


grande aplicação destes modelos é nos sistemas de prevenção de falhas de
rolamentos, eixos ou outros elementos rotativos através do monitoramento de
vibrações.

Ainda pode-se classificar os modelos em:

A) Modelos Icônicos: consistem em esquemas, fluxogramas, diagramas, desenhos,


perspectivas, maquetes, protótipos obtidos através da prototipagem rápida. São
utilizados em todas as fases do projeto.
B) Modelos Analógicos: Protótipos em escala reduzida de Navios, Prédios, etc. São
utilizados para ensaios físicos.
C) Modelos Simbólicos: Relações matemáticas que descrevem as leis físicas ou
químicas que regem o funcionamento do produto.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 34-34


3.3.3 – Ferramentas Computacionais de auxílio no Desenvolvimento de Produtos

Atualmente o trabalho do Engenheiro foi facilitado pelo advento das ferramentas


computacionais, calcula-se pouca coisa “no braço”. Entretanto os softwares trabalham com
a filosofia “GIGO”, do inglês Garbage In Garbage Out, ou seja, se entra lixo sai lixo. Assim é
necessário que o Projetista tenha uma sólida base física e matemática para que possa
entender e analisar criticamente os resultados obtidos.
O desenvolvimento de modelos, de forma específica, conta com o auxílio de
softwares que podem ser classificados em três grandes grupos:

• CAD: Computer Aided Design – Desenho Auxiliado por Computador;


• CAE: Computer Aided Engineering – Projeto Auxiliado por Computador;
• CAM: Computer Aided Manufacturing – Manufatura Auxiliada por Computador.

Como o próprio nome indica, cada uma destas classes de programas destinam-se a uma
etapa diferenciada no desenvolvimento do produto. Posteriormente estudar-se-á com
maiores detalhes as ferramentas de CAD e CAE. Estas são as mais importantes no
desenvolvimento do produto que é o objetivo deste curso.

A união dos diversos recursos relacionados a automação industrial, e ao sistema de


informações forma o CIM: Computer Integrated Manufacturing, ou Sistema Integrado de
Manufatura (ver figura 3.10).

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 35-35


Figura 3.10 – Elementos constituintes do sistema integrado de manufatura

As siglas adicionais significam:

• CAT – Computer Aided Testing


• FMS – Flexible Manufacturing System
• MRP – Material Requeriment Planning
• CNC – Computer Numeric Control

3.3.4 – Análise de Sensibilidade

O sistema a ser estudado pode ser descrito como um conjunto de variáveis


denominadas de “Parâmetros de Projeto”. Estes podem ser dimensões críticas,
propriedades físicas e/ou químicas, estados do sistema, entre outros.
A análise de sensibilidade é feita através da descrição do sistema de forma simbólica
(equações matemáticas), variando os parâmetros de entrada e observando os parâmetros
de saída.
Nesta análise deve-se focar nos parâmetros que afetam criticamente o desempenho.
A simulação através de equações é mais conveniente do que a verificação experimental,
pois é mais econômica.
Os principais resultados provenientes da análise de sensibilidade são:

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 36-36


 Conhecimento mais aprofundado do produto;
 Indicação de adequabilidade das especificações adotadas;
 Avaliação preliminar quantitativa do desempenho do produto.

Na figura 3.11 pode-se observar o fluxograma da análise de sensibilidade

Figura 3.11 – Fluxograma para a análise de sensibilidade

3.3.5 - Análise de Compatibilidade

Todo produto é composto por conjuntos, cada um reúne um subconjunto que se


compõe de vários elementos. Para haver um funcionamento harmonioso é preciso uma
interação harmoniosa entre os subconjuntos e também entre os elementos de cada
subconjunto. Existem diversos tipos de compatibilidade, listadas a seguir:

A) Compatibilidade Funcional: As saídas Yi do sub-sistema Ssi devem ser aceitas


com entradas Xj do sub-sistema SSj.
B) Compatibilidade dos Materiais: Os materiais a serem utilizados devem ser
compatíveis entre si, de modo a garantir um menor desgaste ou degradação dos
mesmos.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 37-37


C) Compatibilidade Dimensional: Deve-se garantir que os diversos sub-sistemas
possam ser montados entre si, através da correta adequação das dimensões.

3.3.6 – Análise de Estabilidade

Todo produto está sujeito a alterações em suas variáveis de entrada, devido ao meio
que o circunda. Estas alterações podem ser de ordem catastrófica, tais como:

• um terremoto em um edifício;
• turbulências na asa de um avião;
• um grande buraco na pista afetando o sistema de suspensão do carro;
• um grande aquecimento, entre outros.

O objetivo da análise de estabilidade é verificar se o sistema irá responder


adequadamente a essas variações acidentais, de modo a voltar ao seu equilíbrio original,
sem que haja danos irreparáveis. Na figura 3.12 pode-se observar o fluxograma da análise
de estabilidade, o objetivo é o de definir faixas de valores para os parâmetros de modo a
assegurar um sistema estável.

Figura 3.12 – Fluxograma da análise de estabilidade

3.7 – Otimização

Consiste na escolha da melhor combinação de parâmetros para melhorar o


desempenho do produto. Como exemplo pode-se citar:

a. Maior resistência com menor peso  Vigas “I”

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 38-38


b. Maior desempenho, menor consumo de combustível  Cabeçote de
alumínio, rodas de liga-leve.

Atualmente os softwares de CAE vêm com rotinas de otimização incorporadas, com


o objetivo de tentar calcular a melhor combinação entre as variáveis de projeto. Este é um
assunto extenso, pois existem vários artigos publicados na área de otimização de sistemas
mecânicos, não é simples a “união de duas características conflitantes do projeto”.

3.8 – Ensaios Experimentais

Agregam uma maior confiabilidade às analises feitas, a desvantagem é que


demandam maior tempo e maiores custos. Assim é essencial que os ensaios e testes sejam
cuidadosamente planejados.

Exercícios propostos

Reunindo um grupo de no máximo 5 colegas, escolha um produto da empresa de um


dos integrantes do grupo e responda as questões abaixo:

A) Cite o exemplo de algum produto que tenha sido um fracasso de mercado, quais as
razões você acredita terem sido o motivo do mesmo?

B) Escolha dois produtos quaisquer identificando as necessidades reais/declaradas,


implícitas, culturais e percebidas. Justifique a sua resposta.

C) Faça a especificação técnica de uma máquina de lavar roupas, ou outro produto qualquer
de sua escolha.

D) Monte a tabela de síntese de soluções para o produto escolhido na pergunta 3.

E) Na sua empresa quais são os critérios para escolha da melhor alternativa no


desenvolvimento de um novo produto. Estabeleça uma escala de prioridades.

F) A empresa faz algum tipo de teste no produto final? E durante o desenvolvimento do


projeto? Cite quais os testes associando os mesmos com os critérios estabelecidos para o
desenvolvimento do produto.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 39-39


Capítulo 4 - Planejamento e Controle de tempo

O trabalho de Projeto de um determinado produto, seja ele inovador ou não, contém


na maioria das vezes um processo criativo, que é difícil de se mensurar. Não é possível se
prever quando uma boa idéia irá surgir. Apesar disso, como já foi dito, um dos pontos fortes
da competitividade da empresa no mercado está no lançamento de novos produtos, o que
depende basicamente de seu projeto. Assim o desenvolvimento de técnicas para prever o
tempo gasto com o desenvolvimento de um novo projeto é muito importante.
Dentre as técnicas para planejamento e controle do tempo em um projeto,
encontram-se as redes Pert/CPM e os Cronogramas mestres e parciais.
Para controlar o tempo, os procedimentos básicos são:

• Levantamento da situação: Determinar através de contatos verbais, ou


relatórios, como estão as datas de conclusão de cada atividade.
• Registro e análise da situação: Atualizar os diagramas, indicando quais
atividades foram concluídas no tempo planejado e quais ainda estão
atrasadas. Um ponto importante nesta etapa é a de levantar as possíveis
causas do atraso nas atividades. Envia-se relatórios ao gerente de projetos,
com os problemas existentes em virtude dos atrasos, suas possíveis causas e
sugestões para solução.
• Ações corretivas: O gerente identifica, com base nos relatórios, as áreas
críticas e não críticas do projeto e providências ações corretivas. Devido a
alta interdependência entre as atividades pode-se estudar um processo de
aceleração. Nesta etapa o processo de “tomada de decisão”.

Nota-se que todo o procedimento para amarrar o controle do tempo, após o seu
devido planejamento, tem um ponto nebuloso, que é o processo de “tomada de
decisões”, do qual depende o acerto ou erro de todas as etapas posteriores. Para se
ter qualidade nestes processos existem algumas técnicas comentadas
posteriormente.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 40-40


4.1 – Redes Pert / CPM

Os métodos do Pert – Program Evaluation and Review Techinque – e do CPM –


Critical Path Method – tem inúmeras publicações que tratam os assuntos com profundidade.
O objetivo neste capítulo é de apresentar os conceitos básicos para se entender a utilização
das referidas técnicas.
Historicamente, o método Pert foi elaborado em 1958 pela Marinha americana,
sendo utilizado inicialmente no projeto do míssil Polaris. O método do CPM, é atribuído a
James Kelley Jr., da Remington Rand,e a Morgan Walker, da Dupont de Nemours, sendo
desenvolvido em 1957. Ambos os métodos são considerados técnicas de redes e baseados
na teria dos Grafos. São classificados como modelos pictóricos de pesquisa operacional.
A diferença básica entre Pert e CPM está na forma como é tratado o tempo: O CPM
utiliza valores determinísticos, enquanto o Pert permite utilizar três estimativas de tempo e a
distribuição Beta para a determinação do tempo mais provável, sendo, portanto, um modelo
probabilístico. Devido a semelhança gráfica entre os dois métodos, atualmente diz-se o
diagrama Pert / CPM.
O cálculo dos tempos no método Pert é mostrado nas equações (1), (2) e (3), onde
“a” é uma estimativa otimista para a duração do trabalho, “b” é uma estimativa pessimista e
“m” é o valor mais provável. Nota-se de que se trata de uma média ponderada.

a + 4m + b
Média: X = (1)
6

b−a
2

Variância: s = 
2
 (2)
 6 
b−a
Desvio padrão: s = (3)
6

Nos próximos parágrafos explica-se, de forma resumida, sobre o desenvolvimento da


metodologia em si.
Todos projetos são compostos por diversas atividades, cada uma delas tem relações
de interdependência entre si. Determinadas ações devem ser executadas em série, ou
seqüencialmente, e outras podem ser executadas em paralelo, ou simultaneamente. Essas
relações são facilmente visualizadas nos diagramas Pert/CPM.
Utiliza-se o CPM nas empresas onde o fluxo de trabalho é bem definido, assim o
tempo e custo das atividades podem ser estimados com uma precisão razoável.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 41-41


A técnica Pert é utilizada para gerenciar atividades de pesquisa e desenvolvimento,
onde o nível de incerteza quanto a tempos e custos é elevado.
Para diagramação das redes Pert, existem dois métodos:

• Atividade na seta ADM (Activity Diagramming Method): utiliza setas para representar
as atividades e as conecta por nós que representam as dependências, conhecido
como atividade na seta (AOA - Activity on arrow), utiliza apenas relações de
dependência do tipo fim-início.
• Atividade no nó PDM (Precedence Diagramming Method): utiliza nós para
representar as atividades e as conecta por setas quer representam as dependências,
conhecidas como atividade em nó (AON – Activity on Node). Possibilita 4 relações de
precedência, sendo elas:
o FS (Finish-Start): a atividade em análise deve acabar para que a seguinte
possa começar;
o FF (Finish-Finish): a atividade em análise deve acabar para que a seguinte
possa acabar;
o SS (Start-Start): a atividade em análise deve começar para que a seguinte
possa começar;
o SF (Start-Finish): a atividade em análise deve começar para que a seguinte
possa acabar.

No anexo I mostra-se o método PDM.


Um típico diagrama de redes, do tipo ADM, é mostrado na figura 4.1. Nele pode-se
identificar alguns elementos básicos, mostrados através de uma simbologia adequada:

• Atividade: A (letra maiúscula)


• Duração: 3 (números)
• Evento inicial: 1 (números dentro dos círculos)

• Evento final: 2 (números dentro dos círculos)

• Data mais cedo do evento inicial: (0)


• Data mais tarde do evento inicial: [0]
• Data mais cedo do evento final: (3)
• Data mais tarde do evento final: [10]

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 42-42


Figura 4.1 – Exemplo de diagrama Pert/CPM

Segue a definição das principais variáveis encontradas nos Grafos de tempo:

• Atividade: É um pacote mínimo de trabalho. Na rede é representada através


de uma flecha.
• Atividade Fantasma: É uma atividade que não consome tempo nem
recursos. É utilizada apenas definir relações de interdependência.
• Evento: Marcam o início e o fim de uma atividade. São representados por
círculos.
• Evento marco: É um evento de importância maior em relação aos outros,
que deve ter a data de início ou de conclusão controlada.
• Tempo mais cedo (tk): É o tempo necessário para alcançar um determinado
evento k, se as atividades que o antecedem não atrasarem.
• Tempo mais tarde (ttk): Data limite para alcançar um evento k, além do qual
o tempo total de execução das atividades será alterado.
• Primeira data de início (PDI): É a primeira data de início de uma atividade,
ou tempo mais cedo da atividade. É igual ao cedo do evento inicial.
• Última data de início (UDI): É a última data possível para iniciar uma
atividade sem alterar a programação. É igual ao tarde do evento final menos a
duração da atividade.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 43-43


• Primeira data de término (PDT): É a primeira data possível para o término
da atividade. É igual a PDI mais a duração da atividade, ou então, ao cedo do
evento inicial mais a duração da atividade.
• Última data de término: É a última data possível para a conclusão da
atividade sem alterar a programação. É igual ao tarde do evento final.
• Folga total (FT): É o máximo atraso permitido em uma atividade sem alterar
o prazo limite para o seu término. Ë igual ao tarde do evento final menos o
cedo do evento inicial, menos a duração da atividade.
• Folga livre (FL): É o atraso máximo em uma atividade sem alterar a data
mais cedo de início da atividade seguinte. É igual ao cedo do evento final
menos o cedo do evento inicial, menos a duração da atividade.
• Caminho crítico (CC): É o caminho formado por atividades com folga nula,
entre o evento inicial e o final, e Representa o menor tempo possível para
execução do projeto.

Na figura 4.1 o caminho crítico é apresentado através das atividades com flecha
vermelha. Nota-se que nos eventos componentes do mesmo, a primeira data de término e a
última data de término são iguais.
Para calcular os “cedos” e “tardes” dos eventos mostrados na figura 4.1, adota-se o
procedimento descrito nos próximos parágrafos.
Parte-se do evento 1 para o evento 2 e calcula-se sua data mais cedo, somando-se a
duração da atividade A à data mais cedo do evento 1, no caso:
t2 = 0 + 3 = 3
Repete-se o procedimento análogo para os eventos 3 e 4.
O evento 5 é alcançado através de três atividades diferentes:
B  t5 = 3 + 4 = 7 ;
D  t 5 = 7 + 4 = 11 ;
Atividade fantasma t 5 = 7 .
Assim o evento 5 não pode ser atingido antes de 11 semanas, sendo esta portanto a
sua data mais cedo.
Os cedos, ou primeira data de início, dos eventos 6 e 7 são calculados de forma
semelhante.
Para o cálculo das datas mais tarde, faz-se o caminho inverso. Fixa-se o tarde, ou
última data de término, do evento 7 como sendo 20. O tarde do evento 6 será de:
tt 6 = 20 − 9 = 11 .

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 44-44


O tarde do evento 5 será de:
tt 5 = 20 − 6 = 14 .
Para calcular o tarde do evento 4, há dois caminhos:
Atividade fantasma  tt 4 = 14 − 0 = 14 ;
Atividade G  tt 4 = 11 − 4 = 7 .
Se o evento 4 não for atingido antes de sete semanas, o projeto irá atrasar. Assim a
data limite para o mesmo é de 7, sendo esta o “tarde” do evento 4.
De forma similar calcula-se os “tardes” para os demais eventos 3, 2 e 1.
O caminho crítico, com já foi dito, é composto pelas atividades críticas, ou seja,
aquelas onde a data mais cedo é igual a data mais tarde. Estas atividades não tem folga e
portanto não podem atrasar sob pena de o projeto ultrapassar o limite de 20 semanas.
Na tabela 4.1 são apresentadas as folgas livres e totais de cada atividade, calculadas
segundo a definição apresentada.
É importante salientar que a atividade 4  5 não possui duração, pois é apenas um
artifício para mostrar a dependência entre as atividades F e E. As atividades G e E
dependem de F, e E depende de D, mas G não depende de D. Caracteriza-se assim a
atividade fantasma. Esta também é utilizada para evitar mais de uma atividade entre dois
eventos seqüenciais, como mostra a figura 4.2.

Tabela 4.1 – Cálculo das Folgas no diagrama Pert/CPM

Atividade Folga Livre (1) Folga total (2)


A 3–0–3=0 10 – 0 – 3 = 7
B 11 – 3 – 4 = 4 14 – 3 – 4 = 7
C 7–0–7=0 10 – 0 – 7 =3
D 11 – 7 – 4 = 0 14 – 7 – 4 = 3
E 20 – 11 – 6 = 3 20 – 11 – 6 = 3
F 7–0–7=0 7–0–7=0
G 11 – 7 – 4 = 0 11 – 7 – 4 = 0
H 20 – 11 – 9 = 0 20 – 11 – 9 = 0

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 45-45


Figura 4.2 – Utilização da Atividade Fantasma

4.2 - Cronogramas

Por definição, o cronograma é uma representação gráfica do tempo planejado, ou


estimado, para que determinada atividade seja executada. O formato pode ser visualizado
na figura 4.3, onde a duração e o período de cada atividade são demonstrados através de
barras. O cronograma apresentado na Figura 4.3 é um cronograma do tipo Gantt. As setas
são colocadas no intuito de visualizar a inter-dependência entre as atividades do projeto.

Figura 4.3 – Exemplo de cronograma do tipo Gantt

Um outro tipo de cronograma, denominado de cronograma Pert-CPM, pode ser


montado através do cálculo das datas PDI, PDT, UDI e UDT. O Cálculo é demonstrado na
tabela 4.2, e diagrama resultante encontra-se na figura 4.4.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 46-46


Tabela 4.2 – Cálculo das datas para o exemplo apresentado
A) Atividade B) PDI C) PDT D) UDI E) UDT

A 0 3 7 10
B 3 7 10 14
C 0 7 3 10
D 7 11 10 14
E 11 17 14 20
F 0 7 0 7
G 7 11 7 11
H 11 20 11 20

Tempo (Semanas)
Atividade Duração
5 10 15 20
A 3
B 4
C 7
D 4
E 6
F 7
G 4
H 9

Primeira chance de realizar a atividade

Folga livre

Folga Total

Figura 4.4 – Exemplo de Cronograma Pert/CPM

Na Figura 4.4 pode-se identificar facilmente o caminho crítico, composto pelas


atividades F, G e H, cujas folgas são nulas.
Nota-se que em ambos os tipos de cronograma, apesar da fácil visualização do
andamento geral das atividades, a identificação perfeita das relações de interdependência
entre as atividades não pode ser feita. Assim geralmente utiliza-se o cronograma em
conjunto com o diagrama Pert/CPM. Essa união permite um refino maior no controle do
projeto, pois são representados também as folgas, as datas das atividades, os fins de
semana, feriados e os eventos marcos do projeto.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 47-47


Determinados tipos de projetos são mais complexos, exigindo um nível maior de
detalhamento de cada atividade. Como exemplo pode-se citar o desenvolvimento de um
automóvel, onde as atividades os sub-conjuntos do motor, câmbio, entre outros, constituem
um projeto a parte, com alto nível de complexidade. Assim sendo, é usual dividir co
cronograma em dois tipos, segundo o nível de detalhamento das atividades:

• Cronograma mestre: relaciona todos os sub-projetos, abrangendo todo o


período de desenvolvimento do projeto. A escala de tempo geralmente usada
é de meses ou anos, possibilitando uma visão geral do que deve ser feito.
• Cronogramas parciais: relacionam as atividades de terminado sub-projeto,
abrangendo apenas seu período de desenvolvimento. Cada sub-projeto deve
ter seu cronograma parcial. A escala de tempo geralmente utilizada é de dias,
semanas ou meses.

Para finalizar, deve ser enfatizado que a confecção de um bom cronograma depende
bastante da experiência do planejador. O conhecimento do projeto como um todo, da
dificuldade de cada atividade, e portanto do tempo consumido em cada uma delas tem
influência na porcentagem de acertos do tempo total do projeto, influenciando também no
cálculo dos custos do mesmo. No ambiente competitivo do mundo atual, um erro de cálculo
pode levar ou a perda do negócio, ou a prejuízos no desenvolvimento do produto, ambos
fatores são extremamente indesejáveis para a empresa.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 48-48


Exercícios propostos

1) A rede Pert/CPM, apresentada a seguir, com as respectivas durações das tarefas,


refere-se a construção de uma hidroelétrica. Calcular os cedos e tardes de cada
evento. Indicar o caminho crítico.

Eventos Atividades Duração (meses)


12 Construção de caminhos de acesso 4
13 Construção de cidade para administração 4
14 Especificação do material elétrico 12
23 Preparação de pedreiras e fundações 6
24 Construção de galerias e canais de fuga 7
34 Construção de usina 10
35 Construção da barragem e diques 24
45 Montagem da usina e condutos 10
56 Teste de funcionamento 3

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 49-49


2) Mostra-se a seguir, um fluxograma para a construção de um prédio industrial, já
acompanhado de respectiva rede Pert/CPM. Calcule: as datas mais cedo e mais
tarde de cada evento; as folgas livre e total de cada atividade; o caminho crítico; faça
o cronograma de Gantt e o cronograma Pert/CPM.

Duração das atividades ( em semanas):

Fundações: 4
Cercas : 2
Arruamentos: 3
Acabamentos: 4
Limpeza: 1

Alvenaria: 4
Instalações: 6
Estruturas: 4

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 50-50


Capítulo 5 – Análise dos Modos de Falhas e Efeitos (FMEA)

Todos os anos as grandes empresas tem de computar, além dos custos fixos, alguns
milhares de dólares com prejuízos. Além da flutuação cambial, da inflação, erros na
aplicação do capital financeiro, decisões políticas mal elaboradas por parte do governo, uma
destas fontes de prejuízo são os projetos e processos mal elaborados. Estes levam a uma
porcentagem alta de refugos e também de retorno do produto com reclamações de garantia.
Outros defeitos mais graves podem levar a riscos de segurança e para a saúde dos usuários
do produto, acarretando em longas brigas judiciais, além de uma péssima imagem da
empresa com relação aos consumidores.
Com o intuito de estes gastos e problemas foram desenvolvidas técnicas para prever
e prevenir problemas antes que os mesmos ocorram. Uma destas técnicas, muito utilizada
na indústria automobilística de uma forma geral é o FMEA – Failure Mode and Effects
Analysis – ou Análise dos Modos de Falha e Efeitos.
Segundo Palady em 1995, o FMEA é uma técnica que oferece três funções distintas:

I. O FMEA é uma ferramenta para prognóstico de problemas;


II. O FMEA é um procedimento para desenvolvimento e execução de projetos,
processos ou serviços, novos ou revisados;
III. O FMEA é o diário do projeto, processo ou serviço.

Como ferramenta, o FMEA é uma das técnicas de baixo risco mais eficientes para
prevenção de problemas e identificação das soluções mais eficazes em termos de custos, a
fim de prevenir estes problemas.
Atuando com procedimento, o FMEA oferece uma abordagem estruturada para
avaliação, condução e atualização do desenvolvimento de projetos e processos em todas as
disciplinas da organização. Pode ser utilizado para associar e manter vários outros
documentos da organização.
Como um diário, o FMEA inicia-se na concepção do projeto, processo ou serviço, e
se mantém através da vida de mercado do produto. Qualquer modificação durante esse
período, que afete a qualidade ou a confiabilidade do produto, deve ser avaliada e
documentada no FMEA.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 51-51


Ainda segundo Palady, existem dois tipos distintos de FMEA, que surgiram
desde o seu desenvolvimento, em meados da década de 60:

a. DFMEA – Design Failure Modes and Effects Analysis – consistindo no FMEA


de projetos;
b. PFMEA – Process Failure Modes and Effects Analysis – Consistindo no
FMEA de processos.

A diferença entre FMEA de projeto e processos está nos objetivos, cada um tem
finalidades diferentes que podem ser identificadas através de perguntas. No DFMEA deve-
se perguntar:

• Como este projeto pode deixar de fazer o que deve fazer?


• O que devemos fazer para prevenir essas falhas potenciais de projeto?

No PFMEA deve-se perguntar:

• Como este processo pode deixar de fazer o que deve fazer?


• O que devemos fazer para prevenir essas falhas potenciais de processo?

O objetivo deste capítulo é o de apresentar de forma sucinta quais os passos, e as


dicas para se desenvolver um DFMEA, pois o projeto do produto é o foco deste curso.
Existe uma vasta bibliografia sobre este assunto, e o aluno que se interessar deve buscar
mais informações em livros e artigos.

5.1 – Passos para construção de um formulário de FMEA

O formulário do FMEA consiste em uma planilha, apresentada na figura 5.1. Cada


coluna desta planilha será apresentada com maiores detalhes nos próximos parágrafos.
Deve-se lembrar que o desenvolvimento do formulário é específico a cada empresa,
podendo variar nos detalhes, mas sempre mantendo o núcleo que é a listagem das falhas,
identificação das causas e sugestões para solução dos problemas.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 52-52


Figura 5.1 – Exemplo de Formulário para desenvolvimento do FMEA

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 53-53


1) Cabeçalho

Para que a função do FMEA de diário seja observada, deve-se incluir no cabeçalho
do mesmo as seguintes informações:

a. Do que se trata esse FMEA?


b. Quem está envolvido no desenvolvimento deste FMEA?
c. O que será influenciado por este FMEA?
d. Quando esse FMEA foi iniciado?
e. Qual foi a última informação incluída neste FMEA?
f. Quem é o responsável pela manutenção e quem aprova as revisões desse
FMEA?

É importante ressaltar que todas as informações essenciais à qualidade e à


confiabilidade extraídas do FMEA devem ser documentadas em um plano de produção e
transferidas ao processo. Normalmente este documento é chamado de Plano de Controle
(PC). O plano de controle é um conjunto detalhado de instruções que direcionam as
operações no dia-a-dia, garantindo que a qualidade e confiabilidade do projeto sejam
preservadas durante a fabricação, embalagem e expedição.

2) As funções

Deve-se perguntar o que este projeto deve fazer para satisfazer os clientes? Essa
pergunta pode ser reformulada: Quais são todas as funções?
Os problemas na prática surgem quando:

a. Todas as funções não são identificadas;


b. A descrição da função não é concisa;
c. A descrição não é exata;
d. A descrição não usa linguagem direta.

Como exemplo pode-se citar um copo descartável: a função “tomar café” não é
única, nem concisa ou exata. Alguns exemplos de funções são:

i. Armazenar líquido;
ii. Isolar termicamente;

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 54-54


iii. Ter boa aparência;
iv. Conter o líquido;
v. Permitir o empilhamento;
vi. Resistir a derramamentos quando se está dirigindo.

A equipe responsável pelo FMEA deve ter uma sensibilidade aguçada pois em certos
casos para que a descrição da função seja mais concisa e exata deve-se subdividi-la, como
por exemplo a função “isolar termicamente” pode ser divida em:

i. Deve manter o café quente;


ii. Deve manter as mãos frias.

Esta subdivisão ajuda a preencher as colunas do FMEA posteriores pois como


pode ser observado no exemplo abaixo, levam a modos de falha, efeitos e
severidades bem diferentes entre si.

Funções Modos de Falha Efeitos Severidade (1-10)

Deve manter o café quente O café está frio Gosto ruim 3

Deve manter as mãos frias Queima as mãos Queimadura de primeiro grau 9

É obvio que uma queimadura é muito mais grave que apenas o resfriamento do café.
Esses efeitos diferentes talvez não tivessem aparecido com a função genérica de
“isolamento térmico”.
Um outro ponto que pode ser levantado é a semelhança entre as funções “conter
líquido” e “armazenar líquido”. Se a equipe não chegar a um acordo sobre este ponto deve-
se incluir as duas funções no formulário final. A justificativa pode ser feita lembrando-se o
provérbio “é melhor prevenir do que remediar”.
A equipe deve sempre lembrar de que o produto está sendo desenvolvido para o
consumidor final, portanto uma estratégia importante é “ao definir as funções para a análise
dos efeitos e modos de falha, a equipe deve sempre perguntar: de que forma os clientes
usam correta ou incorretamente esse projeto?”

3) Os modos de falha

Neste caso existem dois tipos de abordagem. A primeira é a funcional (F) onde deve-
se perguntar: como este projeto deixa de desempenhar todas as funções que se esperam

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 55-55


dele? O segundo tipo de abordagem é abordagem de Hardware, que exige a listagem e
desenho de cada componente ou peça. Normalmente estas informações não estão
disponíveis ou não existem nos estágios iniciais de desenvolvimento do FMEA. A seguir
tem-se um exemplo para diferenciar tais assertivas.

Funções Modos de Falha F) Efeitos

Armazenar café Baixa densidade do papel (H) ?

Cola insuficiente (H) ?

Não contém o café Queimadura leve ou manhas

Nota-se que a abordagem funcional dificulta a identificação posterior dos efeitos.


Duas dicas são importantes nesta etapa:

i. Não inclua todos os modos de falha concebíveis no FMEA;


ii. Restrinja a resposta apenas a pergunta correspondente do FMEA que está
sendo desenvolvida no momento.

O exemplo abaixo, apesar de ser um exagero do conceito, mostra claramente como


não devem ser incluídos todos os modos de falha no formulário do FMEA.

Funções Modos de Falha G) Efeitos

Ser segurado nas mãos Não pode ser segurado por crianças com menos de um
ano de idade

Apesar da veracidade do modo de falha, ele não seria realizável na prática. Os


modos concebíveis mas não práticos acabam congestionando esta coluna do FMEA. A
praticidade e o bom senso sempre devem estar presentes no uso da técnica.
Quando há uma certa dificuldade na tentativa de diferenciar um modo de falha, um
efeito ou uma causa, deve-se considerar os modos de falha como expressões negativas da
função.
No exemplo a seguir “vazamento” é um modo de falha, um efeito ou uma causa?

Funções Modos de Falha H) Efeitos I) Causas

Deve conter o café Vazamento? Vazamento? Vazamento?

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 56-56


Nota-se como fica “mais claro” com a expressão negativa:

Funções Modos de Falha J) Efeitos K) Causas

Deve conter o café Não contém o café

A última dica neste item é que deve-se sempre manter a simplicidade. As


ferramentas mais complexas e avançadas são utilizadas somente se a resposta não for
viável usando as mais simples, isso torna a análise menos dispendiosa.

4) Os Efeitos

A pergunta é: “qual o impacto de cada modo de falha no cliente?”. O que os clientes


sentem quando este modo de falha potencial ocorre?
Ao desenvolver a coluna de efeitos, a equipe deve solicitar ativamente a contribuição
do cliente. Essas informações podem vir do marketing, da assistência técnica, ou podem ser
encontradas em bancos de dados históricos. Pode-se utilizar:
• Pesquisas de marketing
• Estudos de benchmarking
• Estudos da função qualidade
• Relatórios de garantia
• Relatórios de reclamação dos clientes

Alguns tipos de FMEA fazem a distinção entre tipos diferentes de efeitos que se
referem a categorias como efeitos locais, efeitos globais, efeitos de nível superior, etc. Mas
esta tática somente aumenta a confusão. Para clarear é interessante que a equipe esteja
focada apenas nos efeitos globais e sistêmicos.

O exemplo abaixo mostra claramente a intensidade do efeito quando se olha o ponto


de vista do cliente. Trata-se de uma agulha para suturas cirúrgicas:

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 57-57


Funções Modos de Falha L) Efeitos M) Severidade

Penetrar no tecido Penetração reduzida / Força de 4


insuficente
Penetração
execessiva 7

6
Dor acentuada
10
Injúria

Cicatrizes

Nota-se que adotando a perspectiva do cliente, o índice de severidade aumenta


bastante, tornando o efeito de baixa para alta prioridade.

5) Severidade

Qual a gravidade do efeito do modo de falha? Essa avaliação é feita em uma escala
de 1 a 10, uma sugestão se encontra na tabela 5.1 a seguir. Um valor alto na coluna de
severidade significa que:

• A segurança dos clientes corre risco.


• O custo da falha será extremamente alto a ponto de ameaçar o bem estar
financeiro da organização.

Os modos de falha com severidade igual ou superior a 9 devem receber uma


consideração especial nos seguintes procedimentos:

• Plano de Inspeção
• Plano de Controle de Fabricação
• Planta do Projeto
• Contrato da Qualidade no Acordo de Compra

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 58-58


Tabela 5.1 – Exemplo de escala de severidade
Descrição da Escala Grau

Efeito não percebido pelo cliente. 1

Efeito Bastante insignificante, percebido pelo cliente; entretanto não faz com que o cliente 2
procure o serviço.

Efeito insignificante, que perturba o cliente, mas não faz com que procure o serviço. 3

Efeito bastante insignificante, mas perturba o cliente, fazendo com que procure o serviço. 4

Efeito menor, inconveniente para o cliente; entretanto não faz com que o mesmo procure 5
o serviço.

Efeito menor, inconveniente ao cliente, fazendo com que procure o serviço. 6

Efeito moderado, que prejudica o desempenho do projeto levando a uma falha grave que 7
pode impedir a execução das funções do projeto.

Efeito significativo, resultando em falha grave; entretanto, não coloca a segurança do 8


cliente em risco e não resulta em custo significativo da falha.

Efeito crítico que provoca a insatisfação do cliente, interrompe as funções do projeto, 9


gera custo significativo de falha e impõe leve risco de segurança (não ameaça a vida
nem provoca incapacidade permanente) ao cliente.

Perigoso, ameaça a vida ou pode provocar incapacidade permanente ou outro custo 10


significativo da falha que coloca em risco a continuidade operacional da organização.

6) As causas

Nesta etapa deve-se listar, para cada modo de falha potencial, todas as causas ou
razões possíveis que poderiam resultar nesse modo de falha.
Os erros comuns cometidos nesta etapa são:

• Limitação da pesquisa das causas através do procedimento


• Todas as causas são inseridas no formulário do FMEA

Certos procedimentos de FMEA dizem que a busca das causas deve ser limitada ao
projeto, isso pode levar a soluções ineficazes ou impedir totalmente a verdadeira solução.
Desta forma, ao se desenvolver o FMEA do projeto, a origem das causas que contribuem
para um modo de falha devem ser buscadas: no Projeto, nos Fornecedores, no Processo,
no Cliente, no Ambiente ou qualquer lugar entre o projeto e o cliente.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 59-59


Existem dois “tempos” onde se pode prevenir as causas de falhas nos projetos: nos
níveis iniciais ou posteriores. Estes últimos são revelados abordando as causas de
processos antes de implementar as mudanças no projeto, ou enrijecendo os controles nos
níveis posteriores do processo. Os níveis iniciais são controlados através da mudança ou
atualização do projeto, ou enrijecendo o controle da qualidade das causas que entram no
processo. Normalmente o controle inicial é uma estratégia mais cara.

O segundo erro mais comum cometido com freqüência ao desenvolver a coluna


causa é a inclusão de todas possíveis no formulário. Nem todas as causas contribuem
igualmente para o modo de falha potencial, somente algumas delas, denominadas de
“causas básicas”, tendem a contribuir com a maior parte do modo de falha. Utilizando o
diagrama de Pareto (ver figura 5.2), a equipe de FMEA pode quantificar ou avaliar a
contribuição de cada causa com o modo de falha.

45
40
35
Modos de Falha

30
25
20
15
10
5
0
a b c d e f g
Causa

Figura 5.2 – Diagrama de Pareto de um modo de falha imaginário

No exemplo dado na figura 5.2, as causas “a”, “b” e “c” contribuem com 80% dos
modos de falha e portanto maior atenção deve ser dada as mesmas.

Uma outra estratégia adequada, caso não se tenha o Diagrama de Pareto disponível
é dada nos passos a seguir:

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 60-60


i. Descrever por escrito o modo de falha;
ii. Analisar o diagrama de blocos apropriado (DFMEA) ou diagrama de fluxo de
processo (PFMEA);
iii. Fazer o brainstorming de todas as possíveis causas;
iv. Estruturar o resultado do brainstorming usando um diagrama em espinha de
peixe (ver figura 5.3).

Causa Causa Causa

Modo de
Falha

Causa Causa Causa

Figura 5.3 – Exemplo de diagrama Espinha de Peixe

7) A Ocorrência

Com que freqüência o modo de falha ocorre? Há duas abordagens a ser utilizadas
neste tópico:

A. Com que freqüência o modo de falha ocorre? Os esforços para tentar reduzir
este número podem levar a investigação das causas básicas.
B. Com que freqüência a causa do modo de falha ocorrerá? Nem sempre se
traduz na ocorrência estimada do modo de falha pois o defeito pode estar
distribuído em diversas causas.

A escala de ocorrência pode ser montada utilizando estatísticas do registro da


qualidade de fabricação, relatórios de garantia em campo ou testes de engenharia. Um
índice muito utilizado é o Índice de Capacidade do Processo (Cp, Cpk ou Cpm). Utilizando
estes indicadores pode-se montar a escala sugerida na tabela 5.2.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 61-61


Tabela 5.2 – Escala sugerida para ocorrência dos modos de falha
Escala de Ocorrência Percentual Grau

Extremamente remoto, altamente improvável <0,010 1

Remoto, Improvável 0,011 - 0,020 2

Pequena chance de ocorrência 0,210 – 0,600 3

Pequeno número de ocorrências 0,610 – 2,000 4

Espera-se um número ocasional de falhas 2,001 – 5,000 5

Ocorrência Moderada 5,001 – 10,000 6

Ocorrência Freqüente 10,001 – 15,000 7

Ocorrência Elevada 15,001 – 20,000 8

Ocorrência Muita Elevada 20,001 – 25,000 9

Ocorrência Certa >25,000 10

8) As formas de controle

A equipe deve avaliar a eficácia de detectar cada modo de falha, ou as causas


correspondentes. Informações sobre os tipos de controles / sistemas atualmente em vigor
dentro da organização ajudarão na avaliação da eficácia da detecção. A seguir encontram-
se alguns exemplos de formas de controle:

Controles de Projeto Controles de Processo / Serviço

Revisões de Projeto Planos de Controle

Planos de Teste Planos de Inspeção

Técnicas Estatísticas Auditorias

Controle Estatístico do Processo

Deve-se ter em mente que nem sempre é possível prever todo problema potencial no
projeto, portanto existem controles que são estrategicamente colocados nos processos de
desenvolvimento do projeto e fabricação, a fim de detectar possíveis problemas que não
foram previstos pela equipe.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 62-62


9) A Detecção

Qual é a chance de detectar o modo de falha ou das causas que resultam neste
modo de falha? Deve-se ter sempre em foco dois tipos distintos de detecção:

a. O problema é visto antes que o produto chegue ao cliente.


b. O cliente detecta o problema antes que ele provoque uma falha catastrófica.

Evidentemente que a alternativa “b” não é muito saudável para a imagem da


empresa no mercado. Se o problema não puder ser resolvido internamente, então deve-se
fornecer ao cliente advertências, ou sinais, para que o mesmo possa evitar uma falha de
grandes proporções:

• Rótulos de Advertência
• Ruídos internos de alerta para mostrar a deterioração interna do sistema
• Sistema automático que desliga a máquina antes da falha

A tabela 5.3 mostra o exemplo de uma escala de detecção. Ë importante observar


que os valores mais altos são ruins. Isso foi feito para manter a congruência com as escalas
de severidade e ocorrência. No FMEA, os valores altos são ruins e os valores baixos são
bons.
Para o correto preenchimento dos valores nesta escala seguem ainda algumas
dicas:

 Se a verificação do modo de falha/causa é barata, atribua um valor menor.


 Se o modo de falha/causa é óbvio, atribua um valor menor.
 Se a verificação do modo de falha/causa é fácil, atribua um valor menor.
 Se a verificação do modo de falha/causa é conveniente, atribua um valor
menor.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 63-63


Tabela 5.3 – Exemplo para escala de detecção
Escala de Detecção Grau

É quase certo que será detectado 1

Probabilidade muito alta de detecção 2

Alta probabilidade de detecção 3

Chance moderada de detecção 4

Chance média de detecção 5

Alguma probabilidade de detecção 6

Baixa probabilidade de detecção 7

Probabilidade muito baixa de detecção 8

Probabilidade remota de detecção 9

Detecção quase impossível 10

10) As ações recomendadas

Deve-se sugerir quais as ações recomendadas para: (1) prevenir os problemas


potenciais; (2) reduzir a severidade / conseqüências dos problemas potenciais; (3) aumentar
a probabilidade de detectar os problemas potenciais antes de chegarem ao cliente e (4)
fornecer ao cliente os mecanismos de detecção / advertência precoce no caso de problemas
com alta severidade.
Nas organizações geralmente não se consegue investigar todos os problemas
levantados no FMEA, assim recomenda-se as seguintes ações:

 Atribuir prioridade a investigação de todos os modos de falha que resultam


em um grau de severidade igual ou maior que 9.
 Modos de falha que resultam em altos índices de severidade e ocorrência
também devem receber prioridade e consideração especial quando se
definem as recomendações.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 64-64


11) A situação das recomendações

Nesta coluna deve-se descrever o que está sendo feito no momento para avaliar a
viabilidade das ações recomendadas. Freqüentemente estas ações são implementadas sem
a avaliação adequada dos custos de implementação e benefícios da qualidade e
confiabilidade resultantes das referidas ações. Seguindo a filosofia do PDCA, a toda ação
deve haver um modo de controle, sendo este o objetivo nesta etapa.

5.2 – Regras Básicas do FMEA

A eficácia do FMEA depende do correto preenchimento do formulário, assim para


concluir este capítulo algumas regras básicas são apresentadas:

I. Não considerar todos modos de falha concebíveis: este procedimento


aumenta o custo e duração da análise sem nenhum benefício real.
II. Redigir o modo de falha como a expressão negativa da função: a equipe
sempre tem dúvidas se os modos de falha são efeitos ou causas. Escrevendo
a expressão negativa ajuda a eliminar este entrave.
III. Selecionar uma abordagem para classificar os modos ou causas da falha:
devemos classificar a ocorrência e detecção do modo de falha ou das causas
individuais do mesmo? A equipe deve decidir por uma das duas estratégias.
IV. Desenvolver independentemente cada coluna do FMEA: no auge das
discussões a tendência é sempre pular a discussão para a próxima coluna do
formulário. Isso deve ser evitado de todas as formas, a discussão da próxima
coluna só deve ser feita após o término da coluna atual.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 65-65


Exercícios Propostos

1) Fazer o FMEA para um dos seguintes produtos, escolhido pelo grupo:

• Talha transportadora
• Retroprojetor
• Caldeira a lenha
• Redutor

O grupo deve eleger um responsável pela coordenação das atividades e um relator. Ambos
podem ser a mesma pessoa.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 66-66


Capítulo 6 – Projeto auxiliado por computador (CAD)

Os desenhos são documentos essenciais a manutenção das informações


necessárias a fabricação de peças, subconjuntos e conjuntos constituintes do produto final.
Quando surgiu a técnica da representação gráfica, diversos problemas relacionados às
saídas inesperadas dos funcionários que sabiam “o que deveria ser feito” foram reduzidos.
Por isso o desenho se tornou a “pedra chave” da indústria moderna. Até bem pouco tempo
atrás ele era feito “a mão” utilizando-se de pranchetas e ferramentas tais como esquadros,
compassos, transferidores, régua “T”, entre outros, como pode ser visualizado na figura 6.1.

Figura 6.1 – Principais elementos utilizados no desenho de prancheta

Apesar da importância deste tipo de representação, ele começou-se a ficar


inadequado pois nenhum produto nasce isento de falhas e as correções de desenhos são
freqüentes, tornando lento o processo da prancheta. Assim a tecnologia da computação
gráfica, na qual o CAD está inserido, nasceu da necessidade de se produzir desenhos de
forma mais rápida e eficiente. A técnica foi desenvolvida no início dos anos 60, tendo como
pioneiro o MIT (Massachusetts Institute of Technology) e a General Motors.
A representação computacional melhorou a velocidade na confecção e atualização
dos desenhos, constituindo em um grande passo para a Engenharia de Projetos. Apesar
disso os primeiros sistemas CAD permitiam a visualização dos desenhos apenas em duas
dimensões (2D), o que induzia a erros no caso de peças altamente complexas. Além disso
as interferências de peças em grandes montagens, e erros básicos como troca de
dimensões de roscas, eixos piloto e posição de furações ainda eram freqüentes. Os

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 67-67


problemas apresentados requeriam uma forma mais completa de representação gráfica. O
avanço da matemática e da tecnologia gráfica culminou finalmente com o surgimento dos
sistemas CAD tridimensionais (3D), tornando realístico o desenvolvimento de novos
produtos.
Atualmente existem diversos softwares 3D disponíveis no mercado. Um dos mais
conhecidos é o AUTOCAD, entretanto este não é o mais adequado ao desenvolvimento de
desenhos mecânicos. Os softwares mais específicos a área mecânica são:

• Mechanical Desktop
• Pro-Engineer
• SolidWorks
• SolidEdge
• CATIA
• Unigraphics

A existência de diversas marcas dificulta a seleção de qual a mais adequada a um


determinado tipo de empresa e produto. Assim alguns critérios para seleção do melhor
software devem ser estabelecidos. A análise é feita considerando:

• Complexidade do produto: blocos de motores, moldes para fundição,


matrizes, entre outros tem uma complexidade que exige robustez e mais
recursos do software.
• Exigências de Hardware: deve-se confrontar a capacidade das máquinas
existentes com as exigências mínimas exigidas pelo fabricante do software.
Investimentos em hardware devem ser computados no custo total do
software.
• Complexidade do software: a análise da facilidade de aprendizado dos
recursos é muito importante. Os funcionários da empresa estão preparados
para absorver a nova tecnologia? Investimentos em treinamento devem ser
considerados no custo total do software.
• Número e rotatividade de assentos: Quantas pessoas irão utilizar o
software? Todas utilizarão ao mesmo tempo? Deve ser considerada a
possibilidade da empresa em permitir uma rotatividade dos assentos, ou seja,
o software é instalado em várias máquinas pagando-se apenas uma licença,
com a condição de que o acesso não seja simultâneo.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 68-68


• Custo das atualizações: os softwares assim como as máquinas tornam-se
obsoletos com o tempo. Assim no ato da compra de um novo software, pode-
se optar por uma taxa atual de atualização do mesmo.

Observando estes critérios o sucesso na compra e implementação de um novo


sistema é garantido. O passo seguinte é o de quebrar os paradigmas dos usuários durante a
implantação, assim o envolvimento da alta administração da empresa é importante.

6.1 – Entendendo o funcionamento dos sistemas CAD

Os programas de CAD, utilizam vários recursos da Computação Gráfica, que se


tornou uma ciência a parte, utilizando-se de recursos matemáticos avançados na
representação de objetos na tela do computador.
A estrutura interna dos programas de CAD, assim como os de CAM, é composta por
três elementos básicos:

• Pré-processador: dados de entrada, definição e monitoramento de matrizes,


descrição dos programas auxiliares.
• Solver: Responsável pelo tratamento matemático de todas as operações
requeridas pelo programador.
• Pós-processador: Responsável pela visualização dos dados na tela e pela
“plotagem” dos dados de saída.

Os softwares atuais trabalham com sólidos paramétricos, ou seja, cada elemento do


desenho é tratado como um objeto que contém, não apenas a informação de coordenas
(x,y,z), mas também parâmetros gráficos e funcionais tais como cor, densidade, tipo de
material, texturização, entre outros. É por isso que atualmente se fala em programas
paramétricos.

Exercício proposto

Especifique, dentre os sistemas CAD disponíveis no mercado, qual seria o melhor


para sua empresa, baseando-se nas características do produto, do planejamento do projeto
e de custo-benefício.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 69-69


Capítulo 7 – Engenharia auxiliada por computador (CAE)

Um dos fundamentos da Engenharia é a previsão do comportamento de sistemas


físicos reais, de forma a dimensionar os componentes de um produto para resistir às cargas
a ele impostas. Entretanto, os modelos matemáticos estudados em resistência dos
materiais, têm diversas simplificações geométricas que impedem a sua perfeita utilização
nos casos práticos, pois nestes últimos, as geometrias são complexas, bem como a
composição de cargas, como mostra o exemplo da figura 7.1.

Figura 7.1 – Mancais de Deslizamento como exemplo de sistema real

No passado, a estratégia utilizada para evitar este inconveniente, foi a elaboração de


modelos empíricos, baseados em medições experimentais.
O advento da globalização começou a tornar proibitivo o uso de tais modelos devido
aos tempos e custos envolvidos. Era necessário buscar alternativas para otimizar os
cálculos teóricos, fazendo com que os mesmos se aproximassem ao máximo da realidade.
Uma das alternativas para isso é o uso da técnica dos elementos finitos. O principio é
simples: divide-se uma geometria complexa, onde a solução da equação é desconhecida,
em vários elementos tais como triângulos, quadrados, retângulos, onde a equação
diferencial do sistema físico pode ser resolvida.
A técnica dos elementos finitos está inserida dentro do contexto do CAE – Computer
Aided Engineering, sendo dentre outros programas uma das mais conhecidas e utilizadas,
por isso o enfoque deste texto será dado a ela.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 70-70


Os principais programas CAE existentes no mercado são: Nastran, Ansys, Cosmos,
Adina. Para a análise dinâmica, existem programas específicos: Lsdyna, Dytran, entre
outros. Na área da conformação existem os programas: Superforce, Marc, Pefor, Pan. Os
critérios para escolha de qual o melhor software são os mesmos já discutidos no capítulo 6,
onde se discorre sobre o CAD.
Independentemente do programa utilizado, o método dos elementos finitos é o
mesmo. Seu escopo de utilização é demonstrado no fluxograma da figura 7.2, a seguir.

Figura 7.2 – Modelagem de um sistema físico

Os modelos computacionais são aplicados para reduzir o número de avaliações


experimentais e com isso ganhar em custo. O melhor modelo é o mais barato possível que
atenda a necessidade especificada.

As vantagens do método dos elementos finitos são:

• Base conceitual sólida e consagrada;


• Interpretação física direta;
• Matrizes em banda  soluções numéricas otimizadas;
• Enfoque modal é direto.
As desvantagens do método dos elementos finitos são:

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 71-71


• Geração de malha cara, podendo ser complexa;
• Grande número de graus de liberdade.

Existem três tipos de abordagem para resolver problemas em elementos finitos:

I. Método Direto: Aplicado quando é conhecida a solução da equação


diferencial para os elementos simples, tais como: retângulos, quadrados,
triângulos, círculos e etc.
II. Método dos Resíduos Ponderados: Aplicado quando a solução da equação
diferencial para os elementos simples é desconhecida.
III. Método da Energia: Aplicado na solução de problemas não lineares.

A partir deste ponto é importante deixar claro que o método dos elementos finitos,
nada mais é do que uma metodologia para solução de equações diferenciais complexas,
pois estas são a base para prever o comportamento físico de todos os sistemas práticos.
No âmbito das Engenharias Mecânica e Civil, um dos métodos mais populares é o
direto, e portanto, este será exemplificado no próximo item, a fim de clarear como os
softwares comerciais trabalham.

Exercício proposto

Especifique, dentre os sistemas CAE disponíveis no mercado, qual seria o melhor


para sua empresa, baseando-se nas características do produto, do planejamento do projeto
e de custo-benefício.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 72-72


Capítulo 8 – Estruturas Organizacionais e Planejamento Estratégico

Todas as empresas têm uma forma de organização administrativa, que visa a


distribuição de autoridades e subordinações, de forma a coordenar as atividades dentro da
mesma para um fim comum. Estas estruturas influenciam em muito o desenvolvimento de
novos produtos, pois definem um fluxo de informações e responsabilidade de cargos que
podem acelerar ou tornar lento o processo. Sendo assim o objetivo deste capítulo é o de
apresentar tais estruturas e o modo como elas irão interferir no Planejamento de Projetos.
Basicamente, existem dois tipos de estruturas organizacionais dentro de uma
empresa: a funcional e a por projetos, mostradas nas figuras 8.1 e 8.2, respectivamente.

Estrutura Funcional Diretor

Gerente do departamento Gerente do departamento Gerente do departamento


de Engenharia de Processos de Controle de Produção

Especialistas em Engenharia Especialistas em Processos Especialistas em Controle


Do produto De Produção

Figura 8.1 – Estrutura Funcional de uma organização

Estrutura por Projeto Diretor

Gerente do Gerente do Gerente do Gerente do Gerente do


Projeto A Projeto B Projeto C Projeto D Projeto E

Figura 8.2 – Estrutura por projetos de uma organização

Obviamente cada sistema tem suas vantagens e desvantagens. No caso da estrutura


funcional, as principais vantagens são:

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 73-73


• Maior especialização;
• Aumento da capacitação técnica pela troca de experiências e formação de uma
memória;
• Maior preocupação com o desenvolvimento técnico dos indivíduos;
• Melhor qualidade técnica dos trabalhos;
• Melhor utilização dos recursos humanos;
• Melhor utilização dos recursos materiais;
• Administração mais fácil de cada parcela do projeto.

Para a estrutura por projeto, as principais vantagens são:

• Maior diversificação dos técnicos


• Melhor atendimento dos prazos
• Melhor atendimento do cliente
• Existência de um único responsável pelo projeto como um todo
• Administração mais fácil do projeto como um todo

Visando a combinação das vantagens de ambas estruturas foram criadas as


estruturas: Matricial Balanceada, Matricial Funcional e Matricial por Projetos,
mostradas nas figuras 8.3, 8.4 e 8.5, respectivamente.

A comparação das vantagens e desvantagens de cada uma, encontra-se na


tablea 8.1. Vale lembrar que os itens apresentados podem ser interessantes ou não
com relação a atividade da empresa.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 74-74


Tabela 8.1 – Comparação de desempenho das estruturas Matriciais

ANÁLISE COMPARATIVA DOS TIPOS DE ESTRUTURA MATRICIAL


TIPOS DE MATRIZ
FATORES
FUNCIONAL BALANCEADA PROJETOS
Cumprimento dos prazos Fraco Bom Muito bom
Qualidade técnica do projeto Muito boa Boa Fraca

Eficiência no uso dos recursos humanos e materiais Muito boa Boa Fraca

Controle do orçamento Fraco Bom Muito bom

Satisfação no trabalho para especialistas Muito boa Boa Fraca

Satisfação no trabalho para não - especialistas Fraca Boa Muito boa

Desenvolvimento da capacidade técnica da organização Muito bom Bom Fraco


Nível de conflitos Baixo Alto Baixo

Figura 8.3 – Estrutura Matricial Balanceada

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 75-75


Figura 8.4 – Estrutura Matricial Funcional

Figura 8.5 – Estrutura Matricial por projetos

O Planejamento estratégico é um conceito que vem sendo cada vez mais explorado
no mercado, os princípios do mesmo, são listados de forma resumida, a seguir:

• A micro-administração do processo de desenvolvimento levam a erros na


determinação das datas.
• Planejamento estratégico: Administração do conjunto de projetos.
• Recursos necessários: financeiros, humanos, equipamentos, etc.
• Classificação do projeto por tipos: inovador, plataforma, derivativo.
• Cronograma: controle da melhor alocação dos recursos.
• Coerência com as estratégias globais da empresa.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 76-76


• Considerar atividades indiretas ao projeto: Treinamento, assistência a produção,
assistência a vendas, etc.

Os ganhos obtidos com o planejamento estratégico, podem ser observados na


figura 8.6. A tabela 8.2 mostra como fazer o planejamento operacional para o
desenvolvimento de um novo produto.

Alteração no _
+ produto
Pesquisa
& Desenvolvimento Nova Adição de um
Produto Pequenas
geração de novo item à
inovador melhorias
produtos família

+ Processo
inovador Inovativos

Nova
geração de
Alteração do processos Plataforma
processo de
fabricação

Adição ou
subtração de
uma etapa
do processo
_
Derivativos

Pequenas
melhorias

Figura 8.6 – Características do Planejamento Estratégico

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 77-77


Tabela 8.2 – Planejamento operacional para desenvolvimento de um novo produto

Controladoria
S uprimentos
Engenharia
Com erci al

Marketing

Produção
Logística

Deci sões
Diretoria
Captação de Idéias
Análise de Idéias
Viabilidade

Analise de Viabilidade Téc nic a


Dados de merc ado
Carac terísticas técnicas do produto
Adesão ao planejamento es tratégico
Análise ec onômica/financ eira
Planejamento do desenvolvimento do produto
Desenvolvimento

Projet o do produto
Protótipo / amostras / tes tes
Desenvolviment o de fornec edores
Desenvolviment o do proc es so
Definição da embalagem
Solicitação de marc as e pat entes
Aquis iç ão dos meios de produção
Imp lantação

Try-out / lot e piloto


Validaç ão do processo
Validaç ão do produto
Es tratégia de Lançamento
Elaboraç ão da document ação ext erna
Lançamento

Definição do preço de venda


Test e de merc ado
Definição da logís tic a, dis tribuição
Validaç ão final do desenvolvimento

Setor res pons ável pela atividade

Setor envolvido com a atividade

Pontos de c ontrole no desenvolviment o do produto

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 78-78


Capítulo 9 – Conceitos Modernos em Planejamento de Projetos

Nos capítulo 3 procurou-se mostrar o que é o planejamento, e nos próximos foram


descritas as suas principais ferramentas. O conceito primordial de “planejar” é imutável,
entretanto as ferramentas e os métodos não o são.
Como foi visto nas oito dimensões da qualidade, o conceito de produto é muito mais
do que o bem-material em si, é todo um processo que engloba também o atendimento, ou o
chamado pós-venda. Antigamente vendia-se o produto e só, ninguém se preocupava com a
satisfação do cliente, se o mesmo havia quebrado ou não, se havia se adequado ao uso.
Além disso a vida útil de um produto atualmente é muito curta, e as empresas tem que
constantemente adequar o seu parque fabril às inovações tecnológicas. Desse modo, hoje
em dia não se fala mais em planejamento do produto e sim em Gerenciamento do Ciclo de
Vida do Produto (PLM – Product Lifecycle Management).
O PLM refere-se ao gerenciamento de todo o ciclo de vida do produto, desde sua
concepção, através do projeto e da manufatura, até o uso e descarte, ou seja, durante o
ciclo de produção e consumo que foi mostrado no capítulo 2 (ver figura 2.1).
É importante neste ponto distinguir o PLM do PLC (Product Life cycle Management).
O primeiro lida com o gerenciamento das descrições e propriedades do produto durante o
seu desenvolvimento e vida útil, enquanto o segundo lida com a vida do produto no mercado
no que diz respeito aos custos comerciais e a medida das vendas (ver figura 9.1).

Figura 9.1 – Ciclo de vida de um produto em termos comerciais (PLC)

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 79-79


9.1 – Gerenciamento do ciclo de vida do produto

O núcleo do PLM está na criação e no gerenciamento central de todos os dados do


produto. O PLM como uma disciplina surgiu de métodos como CAD/CAM e o
Gerenciamento dos dados do produto (PDM – Product Data Management - que será
descrito posteriormente neste capítulo), mas pode ser visto como uma integração destas
ferramentas com organização pessoas e processos ao longo de toda vida útil do produto. As
fases do PLM são bem similares às já descritas no capítulo 3, e podem ser resumidas
abaixo:

A - Concepção

As palavras chave desta etapa são: Imaginação, Especificação, Planejamento e


Inovação.
O primeiro estágio no desenvolvimento da idéia de um produto é a definição de seus
requisitos baseados nos clientes, na empresa, no mercado e nos requisitos legais. A partir
destes pode-se definir as principais características técnicas. Paralelamente também se faz o
design visual do produto, definindo aparência visual, ergonomia entre outros. Os modelos
podem ser vistos através de prototipagem rápida e/ou sólidos feitos em CAD 3D.

B – Projeto (Design)

As palavras chave desta etapa são: Descrever, Definir, Desenvolver, Testar, Analisar
e Validar.
Aqui é onde se começa a detalhar o produto com desenhos, fabricando as primeiras
peças, progredindo ao teste do protótipo, até o lote piloto, terminando com a especificação
completa da “plataforma” do produto.

C – Realizar (Fazer acontecer)

As palavras chave desta etapa são: Fabricar, fazer, construir, adquirir, vender e
entregar.
Uma vez que o projeto do produto está pronto, o método completo de fabricação é
definido. Isso inclui o projeto de ferramentas, a criação de programas CNC (Computer
Numeric Control), instruções complementares de fabricação. É importante a simulação de
processos tais como fundição, injeção de plástico, forjamento, entre outros.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 80-80


É importante a definição dos instrumentos de qualidade e os requisitos de controle
do processo.

D – Pós-Venda

As palavras chave desta etapa são: Usar, manusear, manutenção, suporte, suprimir,
retirar, reciclar e descartar.
A fase final do PLM consiste em gerenciar as informações de manutenção do
produto, fornecendo ao clientes serviços e suporte de engenharia, com informações de
reparo e manutenção, assim como o gerenciamento de desperdícios e a reciclagem de
informação.

9.2 – Gerenciamento dos dados produto

O Gerenciamento dos Dados do Produto (PDM – Product Data Management) é uma


categoria de software usado para controlar os dados relacionados ao produto tais como:
modelos sólidos, desenhos e seus documentos associados - o que significa requisitos,
especificações, planos de fabricação planos de montagem, planos de teste e procedimentos
de teste. Este difere portanto do PLM por lidar apenas com o produto em si, enquanto o
primeiro lida com todo o ciclo de vida.
Este tipo de gerenciamento é importante pois com os novos softwares de CAD, as
montagens estão amarradas com peças, que por sua vez estão amarrados com os
desenhos e estes com todos os outros documentos associados como foi descrito. Uma
alteração de desenho, afeta toda a cadeia descritiva, e esta deve ser revista em sua
totalidade. O PDM facilita esta revisão, com restrições que evitam o esquecimento de
documentos sem alteração.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 81-81


Referências Bibliográficas

[1] - Dinsmore, Paul Campbell; Cavalieri, Adriane; “Como se tornar um profissional em


Gerenciamento de Projetos”; Editora Qualitymark; Rio de Janeiro; 2003.

[2] - Baxter, Mike; “Projeto do Produto – Guia Prático para o design de novos produtos”;
Editora Edgard Blucher LTDA; São Paulo; 2003.

[3] - Kaminski, Paulo Carlos; “Desenvolvendo Produtos com Planejamento, Criatividade e


Qualidade”; Editora LTC; Rio de Janeiro; 2000.

[4] - Gasnier, Daniel G.; “Guia prático para gerenciamento de projetos – Manual de
Sobrevivência para os profissionais de projetos”; Editora IMAM; São Paulo; 2000.

[5] - Chiavenato, Idalberto; “Introdução à Teoria Geral da Administração”; Editora Campus;


Rio de Janeiro. 2000.

[6] - Filho, Nelson Casarotto; Fávero, José Severino; Escosteguy, João Ernesto; “Gerência
de Projetos / Engenharia Simultânea”; Editora Atlas; São Paulo; 1999.

[7] – Crainer, Stuart; “The 75 Greatest Management Decisions Ever Made... and Some of
The Worst”; Editora MJF Books, New York; 1999.

[8] - Palady, Paul; “FMEA – Análise dos Modos de Falha e Efeitos”; Editora IMAM; São
Paulo; 1997.

[9] – Woiler, Samsão; Mathias, Washington Franco; “Projetos – Planejamento, elaboração e


análise”; Editora Atlas; São Paulo; 1996.

[10] – Collins, James C.; Porras; Jerry I.; “Feitas para Durar – Práticas bem-sucedidas de
empresas visionárias”; Editora Rocco; Rio de Janeiro; 1995.

[11] - Garvin, D. A.; “Competing on the Eight Dimensions of Quality”; Harvard Business
Review, vol. 65, número 6, páginas 101-109; Inglaterra; 1987.

[12] - Foley, Van Dam; Feineir, Hughes; “Computer Graphics: Principles and Practice”,
Second Edition in C; Editora Addison-Wesley.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 82-82


ANEXO I – EXEMPLO DE DIAGRAMAÇÃO EM REDES COM O MÉTODO PDM

Considere os dados na tabela a seguir:

Atividade Precedência Duração


Início 0
A Início 6
B Início 2
C Início 3
D A 10
E A 3
F B 2
G C 4
H E 5
J F,G 8
K J 4
L G 6
M L 2
Término D, H, K, M 0

O diagrama Per/CPM é mostrado na figura A.1. O caminho crítico é facilmente


identificado pelas atividades que tem folga zero, ou seja: C, G, J e K.
Folga total: é o prazo que uma atividade pode atrasar sem comprometer o projeto
como um todo. É calculado como sendo a diferença entre as datas de inicio mais tarde e
inicio mais cedo, ou término mais tarde menos término mais cedo. Por exemplo para a
atividade “F” tem-se:

FT=UD–PDI=6-3= 3 ou UDT-PDT=7-4 =3

Folga livre: é o tempo em que uma atividade pode atrasar sem afetar qualquer outra
atividade sucessora à atividade em questão. Pode ser calculada como sendo a diferença
entre a data de início mais cedo da atividade sucessora, menos a dta de término mais cedo
da atividade predecessora. Para a atividade “F” tem-se:

PDI (atividade J) – PDT (atividade F) – 1 = 8 – 4 – 1 = 3

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 83-83


D 10
7 16
10 19

E 3
A 6
H 5
7 9
1 6
10 14
12 14 Término
Início 4 9
15 19
F 2 19
0 B 2
3 4 J 8 K 4 19
0 1 2
6 7 8 15 16 19
4 5
18 15 16 19
C 3
G 4
1 3 L 6 M 2
4 7
1 3 8 13 14 15
4 7
12 17 18 19

Figura A.1 – Diagram em redes do tipo PDM

Exercícios: Faça o diagrama ADM do processo proposto. Descreva as diferenças, se


houverem.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 84-84


ANEXO II – TRABALHO FINAL

O artito abaixo deve ser lida com muita atenção plo grupo. Trata-se de um conto
empresarial, escrito por Ovídio Barradas em 1974. Mas que tem muito a nos ensinar nos
dias atuais. O grupo deve escrever uma redação sobre o texto, justificando a importância do
planejamento de projetos nos dias atuais e quais as principais vantagens e desvantagens da
metodologia apresentada ao longo do curso. Algumas das perguntas que devem ser
respondidas ao longo do texto:

A – O texto, que foi escrito em 1974, tem alguma coisa parecida com a sua empresa nos
dias atuais?
B- Os requisitos para um projeto de sucesso foram preenchidos na concepção do
“empreendimento”?
C – E os requisitos para um produto de sucesso?
D – Existem especificações técnicas da arca? Foi feito algo similar ao FMEA?
E – Foi feito um cronograma? Ele foi cumprido? Sim ou não e por que? Os caminhos críticos
(se houverem) forma analisados?
E – Enfim, o papel da administração foi ou não fundamental para o sucesso / fracasso do
empreendimento?

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 85-85


A arca de Noé
(Ovídio Barradas, em 1974 dC)

Absalão era um homem que se podia conceituar como justo. Era um estudioso e, quando
repetia os sábios dizendo que os lados de um quadrado eram iguais, realmente tornava-se difícil
entendê-lo. Dos seus 60 anos de idade, a maior parte havia dedicado a arte da guerra, onde
conceitos técnicos e científicos eram mais aplicados. Particularmente, era apaixonado pela
organização de forças de combate e no uso de armas avançadas, tais como lanças de grande
alcance, setas orientadas e na ultima novidade bélica - o lançador de pedras! Era um verdadeiro
general! Com o Absalão também se preocupava com assuntos humanos, os quais, porém, o
perturbavam um pouco. O Criador já não era reverenciado como no seu tempo; os filósofos eram
ridicularizados, havia uma inversão completa na política - acreditava-se mais na energia e estultice
dos jovens, do que na ponderada orientação dos mais velhos. Um dia, Absalão andava pela ravina
imerso em seus pensamentos, quando, de repente - PUFF - uma nuvem de fumaça apareceu,
acompanhada de uma voz tonitruante: - ABSALÃO !
Absalão prostrou-se. Só podia ser o Criador! Em pessoa!

ABSALÃO - voltou a voz - NÃO ESTOU CONTENTE COM OS HOMENS, ESTÃO POLITIZADOS,
GUERREIAM ENTRE SI E SÓ DEFENDEM INTERESSES PRÓPRIOS. O TRINÔMIO ADÃO-EVA-COBRA
DEU NISTO? FAREI CHOVER POR 40 DIAS E 40 NOITES, ATÉ COBRIR A TERRA DE ÁGUA. SERÁ
CONHECIDO COM "O DILÚVIO". MAS QUERO QUE UMA NOVA HUMANIDADE NASÇA DE UM HOMEM
INTELIGENTE, PRÁTICO E OBJETIVO. VÁ E CONSTRUA UM BARCO PARA VOCÊ E SUA FAMÍLIA E
COLOQUE DENTRO UM CASAL DE CADA SER VIVO. VOCÊ TERÁ 4 MESES PARA ESTE
EMPREENDIMENTO.

MEU CONTATO COM VOCÊ SERÁ O ARCANJO GABRIEL, QUE COSTUMAM CHAMAR DE "MINISTRO
DE DEUS"

- PUFF!? e a nuvem se foi?

Absalão levantou-se lívido. O Criador elegera-o gerador da nova Humanidade! Todas as


suas idéias seriam propagadas para o futuro! Mas, Absalão nada conhecia de barcos nem de
navegação, porém não discutia para não perder a grande oportunidade dada pelo Criador. Absalão
era um sexagenário e estava difícil ganhar a vida com o status de que se achava merecedor. Mas 4
meses era muito pouco tempo! Era preciso resolver um problema técnico - construir um barco
enorme - que objetivo! Absalão provaria que era capaz de salvar a Humanidade com a sapiência
dos mais velhos, usando a energia dos mais jovens!
Absalão rebuscou a memória. Conhecia um engenheiro naval chamado Neul, não,? Noé!
Sim, era este o nome. Noé poderia construir-lhe o barco - Absalão seria o coordenador do
EMPREENDIMENTO e Noé seria o elemento técnico. Tão logo pensou, tão logo já conversava com
Noé.

- Meu caro - dizia Absalão - quero encomendar-lhe um barco e dos grandes!

- Sim, senhor, mas qual o tipo, para que carga, para qual navegação??

- Sim, sim, Noé, isto são detalhes. É um barco para grande carga e águas pesadas. Quero fazer
uma longa viagem com a família e levarei tudo.

- Está bem, senhor. Aqui mesmo temos floresta com madeira de densidade 0,8g/ cm3 em
quantidade suficiente. Se a carga é grande, faremos o centro de gravidade baixo e o centro de
empuxe alto, de modo a obter grande estabilidade.
Acho que com 10 bons carpinteiros, que consigo arranjar, e um mês de trabalho duro, estaremos
com o barco pronto?

- Perdão, caro Noé, não quero interrompe-lo, mas como pode ter certeza desta cadencidade da
madeira? Se os homens são realmente competentes? Se trabalharão com eficiência?
- Senhor, a unidade a que me referia chama-se densidade e os homens são carpinteiros, já meus
velhos conhecidos?

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 86-86


- Não, não, Noé - disse Absalão com um sorriso de condescendência - este EMPREENDIMENTO é
grande e a coordenação é minha. Serei como que um Presidente e você será o técnico.
Combinado?

- Combinado, senhor Presidente, o barco é seu e quem manda é o senhor - retrucou Noé, dando de
ombros. Levantou-se para cumprimentar Absalão e retirou-se.
Absalão pensou: puxa, não havia pensado nisso! São precisos carpinteiros para cortar árvores e
construir o barco. É necessário selecionar bem estes homens, pois o EMPREENDIMENTO não pode
fracassar.

Ah! Já me lembro. Meu auxiliar na cruzada santa de TRÊS-PEDRAS fez ótima seleção de lanceiros:
Roboão é o seu nome. Hoje está selecionando beterrabas para a indústria, mas virá trabalhar
comigo, por um salário um pouco maior.

- Mas Chefe, se o técnico disse 10 carpinteiros, precisaremos, no mínimo, de 15. O senhor sabe,
faltas, doenças, férias, "turn over"? E para selecionar bem 15 homens, temos que explorar um
universo de pelo menos 150 a 200 homens.

Levarei algum tempo para isso e precisarei de auxiliares.

- Confio em você Roboão. Já fez um bom trabalho para mim e tem grande experiência com
Pessoal. Realmente, achei Noé muito simplista. Convide quem você achar melhor para realizar o
recrutamento e seleção de homens para a tarefa.

Mantenha-me informado!

- Certo, Chefe. Obrigado pela confiança. Sairei em campo imediatamente.

À noite, Absalão dormiu satisfeito. Após a missão do Senhor, em menos de 24 horas já tinha o
técnico e o especialista em Pessoal.
Dormiu embalado ainda pela algazarra de sua família (20 membros) na festa de inauguração do
lançamento do EMPREENDIMENTO.

O 2º dia amanheceu tranqüilo e claro. O Presidente foi acordado por Roboão, com boas notícias.
- Chefe, já tenho 5 homens anunciando no povoado - é a fase do recrutamento. De acordo com o
mercado, estamos oferecendo 5 dinheiros.

- Mas Roboão, minha mulher ganha 9 dinheiros cosendo para fora? não será pouco?

- Deixe comigo, Chefe. No recrutamento da última batalha pagamos 8 dinheiros para valentes
combatentes. Estes são apenas carpinteiros, que não podem ser comparados com a sua senhora.

Temos sim 5 recrutadores e 10 examinadores para a fase de seleção - menos de 10% dos
candidatos esperados!

- E quanto ganharão?

- O salário desta equipe varia de 8 a 12 dinheiros, por serem especialistas. Chefe, um probleminha
a mais. Não quero responsabilidades com o Numerário e não sou bom em contas. O trabalho com o
pessoal já é bastante. Não acha melhor termos um homem para a gerência financeira do
EMPREENDIMENTO?

- Bem lembrado Roboão - mas não conheço nenhum e deve ser um homem de confiança!

- Chefe, se me permite, quero lembrar-lhe o Judas, que se ocupava dos dinheiros da força de
combate.

- Não, não Roboão. Este negócio de dinheiro, com o pessoal das armas, não dá certo. Pensemos
em outro: deve ser um especializado na coisa? você me compreende?

- Então, Chefe, podemos fazer uma seleção entre candidatos. Sairei em campo!

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 87-87


O EMPREENDIMENTO crescia de vento em popa. As equipes de recrutamento e seleção já estavam
em plena operação. As finanças já tinham um responsável. Mas, onde colocar este pessoal?
Absalão partiu, com seu habitual dinamismo e logo adquiriu uma grande cabana de madeira já com
divisórias e tapetes e contratou imediatamente o pessoal de zeladoria e segurança, convidando
alguns conhecidos das forças de combate. Iniciou-se, assim, a operação em grande escala.

- Senhor Presidente - falou timidamente a graciosa recepcionista - , está aqui o Dr. Noé com
alguns desenhos e...

- Minha filha, já lhe disse para não me interromper. Diga ao Dr. Noé que passe após o almoço.
Absalão continuou a entrevista com o futuro gerente de material - Jacob, seu velho conhecido de
carreira.

- Pois é, amigo Jacob, preciso cercar-me de gente de confiança, para o sucesso do


EMPREENDIMENTO. Material é uma área delicada e não tolerarei desvios de estoque!

- Certo, Chefe! Sabe que pode confiar em mim. Nunca sumiu uma flecha ou lança no meu tempo.
Mas o armazenamento de madeira necessita de um almoxarifado adequado e um bom almoxarife.
Para o controle, necessitarei de alguns arquivos, arquivos Kardex, prateleiras, o pessoal de apoio.

- Justo Jacob. Encomende as prateleiras na carpintaria do povoado e fale com o Roboão para o
recrutamento do pessoal necessário.

Neste momento, entrou Cloé, o secretario executivo do Presidente. Jacob afastou-se


discretamente.

- Senhor Presidente, acaba de chegar um relatório da Segurança, indicando certos nomes que não
devem ser contratados. Há suspeitas de que alguns não sejam bem confiáveis.

- Ótimo trabalho do Gau - jamais lhe falhou a intuição. Precisamos estar alertas!

- Ah! Outra coisa, Sr. Presidente, o Dr. Noé telefonou novamente. Parece aflito para a aprovação
de alguns desenhos.

- Ora, este Noé! Sempre querendo me confundir com cidades de madeira, centros de fluxos. Ele
sabe que não posso, sozinho, me responsabilizar pela aprovação desses desenhos. Diga-lhe que
nomearei um grupo de trabalho, o GT-BAR, grupo de trabalho do barco, para dar-me um parecer.
O rapaz é bom de projeto, mas nada entende de custos ou de administração por objetivos! Mas
teremos tudo nos eixos, tão logo chegue o meu chefe de administração - vai colocar ordem e
método nessa turma - quero ver produção!

Quinze dias se passaram e o organograma proposto já estava na mesa do Presidente. Uma


Diretoria das Coisas (DC) , uma dos Investimentos (DI), e uma do Barco (DB). O DB já havia
montado um laboratório especializado para a medida de densidade de madeira, analise de fungos e
cupins e já estavam instalados os equipamentos para medida de elasticidade e flexibilidade.

A Administração, em apenas 15 dias, já havia elaborado as provas de seleção para a seleção do


pessoal de seleção e recrutamento, pessoal de apoio, etc. Roboão, como cumprimento ao Chefe,
havia mandado comprar uma charrete, ultimo tipo, de 6 rodas e boléia separada já acompanhada
de charreteiro. Naturalmente, houve pequeno atrito com Jacob (chefe do material) mas, como
eram companheiros de batalhas, o incidente foi esquecido e contornada e auditoria.

Naquela noite, Absalão estava cansado, mas não pode esquivar-se de receber Noé em sua
residência.

- Sr. Presidente, desculpe-me interromper o seu descanso, mas o projeto já esta pronto e as
pessoas do GT-BAR ainda não foram nomeadas. O material já está especificado, porém, o
laboratório ainda não emitiu o laudo de aprovação da madeira e não consegui os carpinteiros para
o corte. Se o Sr. pudesse autorizar-me trazer os carpinteiros conhecidos do povoado?

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 88-88


- Não se preocupe Noé. Falarei amanhã com o DB e apressarei a contratação do pessoal. Você
sabe, apesar de ser o Presidente, não posso mudar as normas da organização, autorizando
diretamente seus carpinteiros. Da chefia vem o exemplo do cumprimento das normas. Não se
preocupe que o EMPREENDIMENTO está nas mãos de profissionais – os melhores! - Boa noite,
Noé?

Noé afastou-se sem entender muito bem. Havia sido convidado para construir um barco. Agora
estava as voltas com normas, instruções, exames de seleção. Balançou a cabeça - as coisas devem
ser complicadas mesmo, e o Presidente é um homem capaz, se não, não seria Presidente. Partiu
otimista para sua cabana. Se o Presidente disse, é porquetudo vai indo muito bem.

- Entre logo, meu velho, sente-se. Aceita um leite de cabra?

- Sim, chefe, obrigado. Por falar nisso, segundo a lei, mandei distribuir leite de cabra pela manhã e
pela tarde, para todos. Já está até codificado o material para o controle pelo computador. Mas,
para isso, foi necessário adquirir 200 cabras, alugar um pasto e contratar 5 pastores. Genial,
Chefe! Veja só: dá 40 cabras por pastor e só ganham 10 dinheiros!

- Você é um craque na administração de pessoal, Roboão. Falarei ao seu Diretor para propor sua
promoção na próxima vez. Como vai a sua avaliação?

- Realmente, não sei, Chefe, é confidencial.

- Darei um jeito para que seja boa, afinal já temos 500 pessoas no EMPREENDIMENTO.

- Nessas 500 pessoas, cerca de 4.000 dinheiros, Chefe! - respondeu Roboão com um sorriso de
modesta satisfação.

Talvez fosse aumentado para 30 dinheiros!

- Roboão, não quero incomodá-lo e nem por sombra desfazer do belíssimo trabalho de sua equipe,
mas Noé me disse que ainda não foram contratados os carpinteiros para o corte?

- Ora, Chefe, Noé e um sonhador. Só pensa nos seus desenhos. Já lhe expliquei a complexidade da
contratação. Por exemplo: já aumentamos a oferta para 6 dinheiros, porém, todos os carpinteiros
candidatos foram reprovados no 1 psicotécnico. Não adianta contratar pessoal sem aptidão psico-
profissional para o corte da madeira. Se não passaram nem neste exame, imagine nos outros!

- Realmente, você tem razão, Roboão. Noé desconhece o que é uma boa organização. Toque como
você achar melhor.

Se o contratei é porque tenho total confiança no seu trabalho?

40º dia - Finalmente, a primeira reunião de Diretoria.

Era o momento solene das grandes decisões de cúpula do EMPREENDIMENTO. Todos com
seu melhor terno, sentados à mesa de reuniões com suas pastas tipo 007.
O Presidente, satisfeito, relatava que o EMPREENDIMENTO era o orgulho do povoado. Havia
muito trabalho e emprego para todos.
Aproveitando o clima de satisfação, o DC informou que havia feito um convênio com a
Escola de Carpinteiros, pois a mão-de-obra necessária estava aquém do treinamento requerido.
Além disso, havia criado o Departamento de Recursos Humanos com a missão de retreinar os
carpinteiros para a técnica naval; também treinar datilógrafas, secretárias, auxiliares para
administração. Havia ainda criado um Departamento de Segurança e Higiene do Trabalho, por
força de lei. O ambulatório já atendia 20 pessoas por dia.
O DB, aproveitando uma brecha do DC, ponderou timidamente que faltava papel para
desenho e que a eficiência dos carpinteiros era baixa: havia só um, que cortou 3 arvores, sendo
duas bichadas, de acordo com o último relatório do Controle de Qualidade. Noé estava tentado
suprir a falta, desenhando em folhas de bananeiras e cortando árvores a noite, após o expediente.
Quando o DB propôs aumentar o salário de Noé para 15 dinheiros, o DC explodiu, seguido
de perto pelo DI.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 89-89


- Estes técnicos não funcionam e ainda querem aumento! Sr. Presidente, sou de opinião que
devemos aumentar a equipe de recrutamento e apertar as provas de seleção. Nossa equipe técnica
deixa muito a desejar!

- Perdão, retrucou o DB. O laboratório funciona! Veja como detectou as árvores bichadas. Acontece
que não temos o apoio necessário. O Sr. está desviando recursos para a área de Operação do
barco, recrutando timoneiros, veleiros, etc.

- Mas é lógico - interveio o Presidente -, temos que agir com antecedência no treinamento. Treinar
é investir no futuro!

80º dia - Absalão passeava na ravina. Estava orgulhoso. Era Presidente de um EMPREENDIMENTO
que já contava com 1.200 pessoas. As preocupações de Noé eram infundadas. Não passava de um
tecnocrata pessimista. Felizmente, já havia o Diretor de Barco para despachar com o Noé - menos
um aborrecimento.

Subitamente! PUFF! uma nuvem de fumaça.

- O MINISTRO DO SENHOR! Exclamou Absalão prostrando-se.

ABSALÃO, PONHA GENTE DE MAIS PESO NO TOPO, CASO CONTRÁRIO, O EMPREENDIMENTO


AFUNDARÁ - PUFF.

Absalão correu à cabana de Noé.

- Noé, Noé, ponha um convés no alto do mastro. Vou colocar as pessoas mais pesadas em cima!

- Mas Presidente, isto é impossível? Sempre o convés é embaixo e o mastro aponta para cima. Se
aumentarmos a massa no topo, o barco vai emborcar!

- Não discuta alimentação agora comigo Noé! O MINISTRO mandou colocar homens pesados no
topo, e é isto o que vou fazer! e cumpra as minhas ordens!

Noé não retrucou. O Presidente estava nervoso. Talvez Cloé pudesse faze-lo ver mais claro?

Noé correu à Secretaria Geral, mas lá encontrou o Comandante de Operação do Barco, que já
esperava há duas horas. Com ele estavam o sub-comandante nível 3, o imediato, o pré-imediato,
dois assistentes e três assessores.

Noé - disse o Comandante - o seu projeto não anda! Como vou treinar meus homens sem barco?
Vou pedir aprovação do Presidente para adquirir um simulador de barco, caso contrário, não me
responsabilizo. O DI diz que minha Razão de Operação está horrível, mas implantou custos só na
minha área! Já reparou quantas pessoas de apoio tem o Departamento de Apoio?

Noé balançou a cabeça e retirou-se vagarosamente. Realmente, o que ele conseguira? Uma meia
dúzia de desenhos e alguns em folha bananeira. Isto em 80 dias! Ele havia prometido ao
Presidente que faria o barco em 30 dias! Estava acabrunhado e sentia-se um incompetente. Mas, o
que estaria errado?

O Presidente entrou furioso, desabafando com Cloé:

- Veja só! Faltam apenas 40 dias e a divisão de importação diz que há crise de transporte e a
madeira só chegará no prazo médio de 10 dias! O pessoal de P.O. mais o de O & M, junto com o
CPD já fez tudo para diminuir o caminho crítico de um tal de PERTO - mas estou vendo tudo longe!
Quero uma reunião de emergência com os Diretores. Vou despedir o Setor de Carpintaria e
contratar outro. Se não fosse o Roboão com a equipe de recrutamento, não sei o que seria?

- Mas, Presidente - perguntou Cloé -, faltam 40 dias para o quê?


- Para o dilúvio, minha filha, para o Dilúvio! Envie o seguinte telex:

De: Absalão
Para: O SENHOR

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 90-90


SOLICITO PRORROGAÇÃO PRAZO RESTANTE 40 DIAS. DIFICULDADES INTRANSPONÍVEIS CRISE
INTERNACIONAL DE MADEIRA. PROSTRAÇÕES - ABSALÃO.

O ruído monótono da teleimpressora deixava Absalão ansioso, mas a resposta veio, finalmente.

Do: SENHOR
Para: Absalão
CONCEDIDO PRAZO MAIS CINCO DIAS IMPRORROGÁVEIS. ELEVAÇÃO DE ÁGUAS EM ANDAMENTO.
Absalão desesperou-se e partiu para a reunião. Cloé, pelotelefone interno, iniciou a telefofoca do
Dilúvio.

82º dia - Gau adentra o gabinete do Presidente.

- Chefe, tenho aqui um relatório de que há desvio de cipós de amarração do almoxarifado. A


listagem do computador não bate com a Auditoria?

- Que inferno, Gau! Coloque sua equipe em campo. Jacob está fora de suspeita por seu amigo.
Verifique o pessoal da carpintaria. Mande um memorando ao Roboão para aumentar a equipe de
segurança. Cloé, ponha o Roboão na linha?

- Roboão? Aqui é o Presidente. Já recrutou os carpinteiros?

- Infelizmente, não passam nos testes, meu Chefe. Já afrouxamos as provas, mas o exame de
reconhecimento de tipos genéticos de cupim reprova todo mundo. É por isso que a madeira do
estoque está bichada, conforme o relatório do Departamento de Material.

- Presidente! - interrompeu Cloé - é urgente: há dois pastores na ante-sala dizendo que há crise de
leite nas cabras e não haverá distribuição aos funcionários por uma semana. O Suprimento não
providenciou capim na seca do pasto? Qual a sua decisão?

100º dia - Reunião de Diretoria

- Sr. Presidente - falou o DI - dentro de uma semana, vencem nossos empréstimos internacionais,
com povoados vizinhos e o caixa não e suficiente. O EMPREENDIMENTO economicamente vai muito
bem, mas, financeiramente, estamos a beira de uma crise. Sugiro um redução de pessoal?

- Toda vez que se fala em reduções, todos olham para mim - explodiu o Comandante de Operações
- Sem meus homens, não ha operação do barco, que nem sairá do porto. E meu simulador ainda
não foi aprovado!

- Sr. Presidente ? timidamente, tentou o DB - , acho que o Comandante tem razão, mas não
prometeram ao MINISTRO que o barco estaria pronto em breve? Mas, sem material?

- Como posso fabricar madeira? - gritou o DC - seu Laboratório não acha a madeira local e há crise
de transporte! Os carpinteiros são incompetentes? e este tal de Noé? Que fez ele até agora? E
ganha 10dinheiros!

- Senhores - falou gravemente o Presidente Todos o olharam esperançosos.

- A situação do EMPREENDIMENTO é razoável, mas temos que tomar uma atitude mais seria
quanto ao projeto do barco?

- Presidente, não quero interrompe-lo, mas em nossos arquivos não constam os exames de
admissão de Noé e nem sabemos mesmo se ele é engenheiro naval?

- Sim, a culpa é minha - falou o Presidente -, mas quando convidei Noé, ainda não existiam as
normas do EMPREENDIMENTO. Sou, portanto, obrigado a despedi-lo. Queira providenciar através
do Roboão.
Noé realmente ficou furioso com a notificação. Nem exigiu a fração do 13º salário que lhe cabia.
Estava disposto a sair daquela terra, e o caminho mais fácil era pelo rio. Partiu para a floresta e
reuniu 5 companheiros.

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 91-91


- Amigos, vamos cortar estas arvores bichadas mesmo, construir um barco e sair daqui!

- Mas, Noé, nem somos carpinteiros e nem sabemos fazer barcas?

- Não importa. Ensinarei a cortar madeira e já tenho os desenhos. Faremos uma equipe motivada
com o objetivo de construir um barco para uma vida melhor em outras terras! Levaremos uns
bichos a bordo para comer na viagem! Só falta meter mãos a obra!

A madeira começou a ser cortada. Lascas voavam por todos os lados e as partes mais
bichadas eram isoladas e jogadas fora.
Em poucos dias, o casco do barco já tomava forma.

125º dia - O Presidente acordou preocupado. A madeira tinha chegado, mas só 3 carpinteiros no
Setor de Carpintaria. Sua charrete tomou o caminho mais rápido para o escritório, para evitar o
mau tempo. Nuvens pesadas cobriam os céus.

Absalão foi direto ao telex. Cloé, entretanto, só chegava às 10 horas? Correu, então, ao CPD.

- Que há aqui? Não começou o expediente? Quem é você ?

- Sou um perfuradora, senhor. Há dias não há ninguém. Dizem que pelo Plano de Classificação de
Cargos e Salários e pela política de promoções, não fica ninguém?

Absalão voltou ao escritório. No caminho, encontrou com o Gau, que lhe disse, preocupado, haver
um zum-zum acerca de um tal de Pluvio que poderia ser um terrorista, mas que sua equipe?
Absalão ficou branco e correu ao telex.

- Cloé, rápido:
De: Absalão
Para: SENHOR
DIFICULDADES COM O PROJETISTA ATRASARAM EMPREENDIMENTO. SOLICITO PRORROGAÇÃO
PRAZO.

A resposta foi imediata:


Do: SENHOR
Para: Absalão
PRORROGAÇÃO NEGADA.

E começou a chover?

Absalão correu para fora, seguido de Jacob.

A chuva era forte, mas Jacob viu algo e gritou:


- Chefe, há um barco descendo o rio. Veja, na proa,tem alguma coisa escrita.. parece que o B caiu,
acho que é... ARCA DE NOÉ

***

A história sempre nos ensinou... e ensina..., nós é que demoramos para ver o que é evidente aos
olhos... Aprenda uma grande lição com a Arca de Noé...

Planejamento e Conttrole de Projetos – Prof. Marcelo Eurípedes – Página 92-92