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Introdução às Equações Diferenciais

Um roteiro para estudo

Luiz Fernando Provenzano UFMT Versão 03/2010

Introdução às Equações Diferenciais – Um roteiro para estudos Provenzano, Luiz Fernando

Índice

Equações Diferenciais - Um Pouco de História

3

A Natureza das Equações Diferenciais

8

Definição e Notações

8

Resolução de uma Equação Diferencial

10

Tipos de Soluções de uma Equação Diferencial

11

Interpretação Geométrica da Solução de uma Equação Diferencial

12

Problemas de Valor Inicial e Problemas de Valores de Contorno

13

Teorema de Existência e Unicidade

14

Equações Diferenciais Ordinárias de 1 a Ordem e 1 o Grau

18

Classificação

18

1 o Tipo: Equações Diferenciais de Variáveis Separáveis

18

Sobre a Curva Tractriz

20

2 o Tipo: Equações Diferenciais Homogêneas

21

3 o Tipo: Equações Diferenciais Redutíveis às Homogêneas ou às de Variáveis Separáveis

25

4 o Tipo: Equações Diferenciais Exatas

27

Fator Integrante

30

Pesquisa de um Fator Integrante

30

5 o Tipo: Equações Diferenciais Lineares

32

Algumas Aplicações das Equações Diferenciais Ordinárias

35

de 1 a Ordem e 1 o Grau

35

Exercícios

Gerais de

Aplicações

39

Equações Diferenciais Ordinárias de Ordem Superior à Primeira

Método dos Coeficientes a Determinar (ou Método de Descartes)

43

Tipos Especiais de Equações Diferenciais de 2 a Ordem

43

Problema de Perseguição (Uma aplicação)

47

Equações Diferenciais Lineares de Ordem N

52

Equações Diferenciais Lineares de Ordem N, Homogêneas e de Coeficientes Constantes

53

Equações Diferenciais Lineares de Ordem N, Não-Homogêneas e de Coeficientes Constantes

57

Determinação de uma Solução Particular Experimental (y p )

58

58

Família de uma função

58

Construção de uma Solução Particular Experimental (y p )

59

Aplicações de Equações Diferenciais Lineares de Segunda Ordem com Coeficientes

Constantes

64

Vibrações Mecânicas e Elétricas

64

Sistemas de Equações Diferenciais

73

Exercícios

77

Noções de Equações Diferenciais Parciais

82

Sobre a Resolução

83

Determinação de uma Equação Diferencial Parcial a partir de uma Solução

84

O Problema de Condução de Calor e o Método de Separação de Variáveis

86

Anexos

90

Fórmulas

sicas

91

Sistemas

de Unidades

93

Bibliografia

95

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Equações Diferenciais - Um Pouco de História

De várias maneiras, as equações diferenciais são o coração da análise e do cálculo, dois dos mais importantes ramos da matemática nos últimos 300 anos. Equações diferenciais são uma parte integral ou um dos objetivos de vários cursos de graduação de cálculo. Como uma ferramenta matemática importante para ciências físicas, a equação diferencial não tem igual. Assim é amplamente aceito que equações diferenciais são importantes em ambas: a matemática pura e a aplicada. A história sobre este assunto é rica no seu desenvolvimento e é isto que estaremos olhando aqui. Os fundamentos deste assunto parecem estar dominados pelas contribuições de um homem, Leonhard Euler, que podemos dizer que a história deste assunto começa e termina com ele. Naturalmente, isto seria uma simplificação grosseira do seu desenvolvimento. Existem vários contribuintes importantes, e aqueles que vieram antes de Euler foram necessários para que ele pudesse entender o cálculo e a análise necessários para desenvolver muitas das idéias fundamentais. Os contribuintes depois de Euler refinaram seu trabalho e produziram idéias inteiramente novas, inacessíveis à perspectiva do século XVIII de Euler e sofisticadas além do entendimento de apenas uma pessoa. Esta é a história do desenvolvimento das equações diferenciais. Daremos uma pequena olhada nas pessoas, nas equações, nas técnicas, na teoria e nas aplicações. A história começa com os inventores do cálculo, Fermat, Newton, e Leibniz. A partir do momento que estes matemáticos brilhantes tiveram entendimento suficiente e notação para a derivada, esta logo apareceu em equações e o assunto nasceu. Contudo, logo descobriram que as soluções para estas equações não eram tão fáceis. As manipulações simbólicas e simplificações algébricas ajudaram apenas um pouco. A integral (antiderivada) e seu papel teórico no Teorema Fundamental do Cálculo ofereceu ajuda direta apenas quando as variáveis eram separadas, em circunstâncias muito especiais. O método de separação de variáveis foi desenvolvido por Jakob Bernoulli e generalizado por Leibniz. Assim estes pesquisadores iniciais do século 17 focalizaram estes casos especiais e deixaram um desenvolvimento mais geral das teorias e técnicas para aqueles que os seguiram. Ao redor do início do século XVIII, a próxima onda de pesquisadores de equações diferenciais começou a aplicar estes tipos de equações a problemas em astronomia e ciências físicas. Jakob Bernoulli estudou cuidadosamente e escreveu equações diferenciais para o movimento planetário, usando os princípios de gravidade e momento desenvolvidos por Newton. O trabalho de Bernoulli incluiu o desenvolvimento da catenária e o uso de coordenadas polares. Nesta época, as equações diferenciais estavam interagindo com outros tipos de matemática e ciências para resolver problemas aplicados significativos. Halley usou os mesmos princípios para analisar a trajetória de um cometa que hoje leva seu nome. O irmão de Jakob, Johann Bernoulli, foi provavelmente o primeiro matemático a entender o cálculo de Leibniz e os princípios de mecânica para modelar matematicamente fenômenos físicos usando equações diferenciais e a encontrar suas soluções. Ricatti (1676--1754) começou um estudo sério de uma equação em particular, mas foi limitado pelas teorias do seu tempo para casos especiais da equação que leva hoje seu nome. Os Bernoullis, Jakob, Johann, e Daniel, todos estudaram os casos da equação de Ricatti também. Na época, Taylor usou séries para "resolver" equações diferenciais, outros desenvolveram e usaram estas séries para

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vários propósitos. Contudo, o desenvolvimento de Taylor de diferenças finitas começou um novo ramo da matemática intimamente relacionado ao desenvolvimento das equações diferenciais. No início do século XVIII, este e muitos outros matemáticos tinham acumulado uma crescente variedade de técnicas para analisar e resolver muitas variedades de equações diferenciais. Contudo, muitas equações ainda eram desconhecidas em termos de propriedades ou métodos de resolução. Cinqüenta anos de equações diferenciais trouxeram progresso considerável, mas não uma teoria geral. O desenvolvimento das equações diferenciais precisava de um mestre para consolidar e generalizar os métodos existentes e criar novas e mais poderosas técnicas para atacar grandes famílias de equações. Muitas equações pareciam amigáveis, mas tornaram-se decepcionantemente difíceis. Em muitos casos, técnicas de soluções iludiram perseguidores por cerca de 50 anos, quando Leonhard Euler chegou à cena das equações diferenciais. Euler teve o benefício dos trabalhos anteriores, mas a chave para seu entendimento era seu conhecimento e percepção de funções. Euler entendeu o papel e a estrutura de funções, estudou suas propriedades e definições. Rapidamente achou que funções eram a chave para entender equações diferenciais e desenvolver métodos para suas resoluções. Usando seu conhecimento de funções, desenvolveu procedimentos para soluções de muitos tipos de equações. Foi o primeiro a entender as propriedades e os papéis das funções exponenciais, logarítmicas, trigonométricas e de muitas outras funções elementares. Euler também desenvolveu várias funções novas baseadas em soluções em séries de tipos especiais de equações diferenciais. Suas técnicas de conjecturar e encontrar os coeficientes indeterminados foram etapas fundamentais para desenvolver este assunto. Em 1739, desenvolveu o método de variação de parâmetros. Seu trabalho também incluiu o uso de aproximações numéricas e o desenvolvimento de métodos numéricos, os quais proveram "soluções" aproximadas para quase todas as equações. Euler então continuou aplicando o trabalho em mecânica que levou a modelos de equações diferenciais e soluções. Ele era um mestre que este assunto necessitava para se desenvolver além de seu início primitivo, tornando-se um assunto coeso e central ao desenvolvimento da matemática aplicada moderna. Depois de Euler vieram muitos especialistas que refinaram ou estenderam muitas das idéias de Euler. Em 1728, Daniel Bernoulli usou os métodos de Euler para ajudá-lo a estudar oscilações e as equações diferenciais que produzem estes tipos de soluções. O trabalho de D'Alembert em física matemática envolveu equações diferenciais parciais e explorações por soluções das formas mais elementares destas equações. Lagrange seguiu de perto os passos de Euler, desenvolvendo mais teoria e estendendo resultados em mecânica, especialmente equações de movimento (problema dos três corpos) e energia potencial. As maiores contribuições de Lagrange foram provavelmente na definição de função e propriedades, o que manteve o interesse em generalizar métodos

e analisar novas famílias de equações diferenciais. Lagrange foi provavelmente o

primeiro matemático com conhecimento teórico e ferramentas suficientes para ser um

verdadeiro analista de equações diferenciais. Em 1788, ele introduziu equações gerais de movimento para sistemas dinâmicos, hoje conhecidas como equações de Lagrange.

O trabalho de Laplace sobre a estabilidade do sistema solar levou a mais avanços,

incluindo técnicas numéricas melhores e um melhor entendimento de integração. Em 1799, introduziu as idéias de um laplaciano de uma função. Laplace claramente reconheceu as raízes de seu trabalho quando escreveu "Leia Euler, leia Euler, ele é nosso mestre". O trabalho de Legendre sobre equações diferenciais foi motivado pelo movimento de projéteis, pela primeira vez levando em conta novos fatores tais como resistência do ar e velocidades iniciais. Lacroix foi o próximo a deixar sua marca. Trabalhou em avanços nas equações diferenciais parciais e incorporou muito dos avanços, desde os tempos de Euler, ao seu livro. A contribuição principal de Lacroix foi

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resumir muitos dos resultados de Euler, Lagrange, Laplace, e Legendre. O próximo na ordem foi Fourier. Sua pesquisa matemática fez contribuições ao estudo e cálculos da difusão de calor e à solução de equações diferenciais. Muito deste trabalho aparece em The Analytical Theory of Heat (A Teoria Analítica do Calor,1822) de Fourier, no qual ele fez uso extensivo da série que leva seu nome. Este resultado foi uma ferramenta importante para o estudo de oscilações. Fourier, contudo, pouco contribuiu para a teoria matemática desta série, a qual era bem conhecida anteriormente por Euler, Daniel Bernoulli, e Lagrange. As contribuições de Charles Babbage vieram por uma rota diferente. Ele desenvolveu uma máquina de calcular chamada de Máquina de Diferença que usava diferenças finitas para aproximar soluções de equações. O próximo avanço importante neste assunto ocorreu no início do século XIX, quando as teorias e conceitos de funções de variáveis complexas se desenvolveram. Os dois contribuintes principais deste desenvolvimento foram Gauss e Cauchy. Gauss usou equações diferenciais para melhorar as teorias das órbitas planetárias e gravitação. Gauss estabeleceu a teoria do potencial como um ramo coerente da matemática. Também reconheceu que a teoria das funções de uma variável complexa era a chave para entender muitos dos resultados importantes das equações diferenciais aplicadas. Cauchy aplicou equações diferenciais para modelar a propagação de ondas sobre a superfície de um líquido. Os resultados são agora clássicos em hidrodinâmica. Inventou o método das características, o qual é importante na análise e solução de várias equações diferenciais parciais. Cauchy foi o primeiro a definir completamente as idéias de convergência e convergência absoluta de séries infinitas e iniciou uma análise rigorosa de cálculo e equações diferenciais. Também foi o primeiro a desenvolver uma teoria sistemática para números complexos e a desenvolver a transformada de Fourier para prover soluções algébricas para equações diferenciais. Depois destas grandes contribuições de Gauss e Cauchy, outros puderam refinar estas teorias poderosas e aplicá-las a vários ramos da ciência. Os trabalhos iniciais de Poisson em mecânica apareceram em Traité de mécanique em 1811. Aplicou seu conhecimento de equações diferenciais a aplicações em física e mecânica, incluindo elasticidade e vibrações. Muito de seu trabalho original foi feito na solução e análise de equações diferenciais. Outro aplicador destas teorias foi George Green. O trabalho de Green em fundamentos matemáticos de gravitação, eletricidade e magnetismo foi publicado em 1828 em An Essay on the Application of Mathematical Analysis to Electricity and Magnetism. A matemática de Green proveu a base na qual Thomson, Stokes, Rayleigh, Maxwell e outros construíram a teoria atual do magnetismo. Bessel era um amigo de Gauss e aplicou seu conhecimento sobre equações diferenciais à astronomia. Seu trabalho sobre funções de Bessel foi feito para analisar perturbações planetárias. Posteriormente estas construções foram usadas para resolver equações diferenciais. Ostrogradsky colaborou com Laplace, Legendre, Fourier, Poisson e Cauchy enquanto usava equações diferenciais para desenvolver teorias sobre a condução do calor. Joseph Liouville foi o primeiro a resolver problemas de contorno resolvendo equações integrais equivalentes, um método refinado por Fredholm e Hilbert no início da década de 1900. O trabalho de Liouville sobre a teoria de integrais de funções elementares foi uma contribuição substancial para soluções de equações diferenciais. As investigações teóricas e experimentais de Stokes cobriram hidrodinâmica, elasticidade, luz, gravitação, som, calor, meteorologia e física solar. Ele usou modelos de equações diferenciais em todos os campos de estudo. Na metade do século XIX, uma nova estrutura era necessária para atacar sistemas de mais de uma equação diferencial. Vários matemáticos vieram em socorro. Jacobi desenvolveu a teoria de determinantes e transformações em uma ferramenta poderosa para avaliar integrais múltiplas e resolver equações diferenciais. A estrutura do

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jacobiano foi desenvolvida em 1841. Como Euler, Jacobi era um calculador muito hábil e um perito numa variedade de campos aplicados. Cayley também trabalhou com determinantes e criou uma teoria para operações com matrizes em 1854. Cayley era um amigo de J. J. Sylvester e foi para os Estados Unidos para lecionar na Universidade Johns Hopkins entre 1881 e 1882. Cayley publicou mais de 900 artigos cobrindo muitas áreas da matemática, dinâmica teórica e astronomia. Cayley criou a noção de matrizes em 1858 e desenvolveu boa parte da teoria de matrizes nas décadas posteriores. Josiah Gibbs fez contribuições à termodinâmica, ao eletromagnetismo e à mecânica. Por seu trabalho nos fundamentos de sistemas de equações, Gibbs é conhecido como o pai da análise vetorial.

À medida que o final do século XIX se aproximava, os principais esforços em

equações diferenciais se moveram para um plano teórico. Em 1876, Lipschitz (1832-- 1903) desenvolveu teoremas de existência para soluções de equações diferenciais de primeira ordem. O trabalho de Hermite foi desenvolver a teoria de funções e soluções de equações. À medida que a teoria se desenvolveu, as seis funções trigonométricas básicas foram provadas transcendentais, assim como as inversas das funções trigonométricas e as funções exponenciais e logarítmicas. Hermite mostrou que a equação de quinta ordem poderia ser resolvida por funções elípticas. Enquanto seu trabalho era teórico, os polinômios de Hermite e as funções de Hermite se mostraram posteriormente muito úteis para resolver a equação de onda de Schrödinger e outras equações diferenciais. O próximo a construir fundamento teórico foi Bernhard Riemann.

Seu doutorado foi obtido, sob a orientação de Gauss, na teoria de variáveis complexas. Riemann também teve o benefício de trabalhar com o físico Wilhelm Weber. O trabalho de Riemann em equações diferenciais contribuiu para resultados em dinâmica e física. No final da década de 1890, Gibbs escreveu um artigo que descreveu a convergência e o "fenômeno de Gibbs" da série de Fourier. O próximo contribuinte teórico importante foi Kovalevsky, a maior matemática antes do século XX. Depois de vencer dificuldades consideráveis por causa da discriminação de seu gênero, ela teve oportunidade de

estudar com Weierstrass. No início de sua pesquisa, completou três artigos sobre equações diferenciais parciais. No seu estudo da forma dos anéis de Saturno, ela se apoiou no trabalho de Laplace, cujo trabalho ela generalizou. Basicamente, o trabalho de Kovalevsky era sobre a teoria de equações diferenciais parciais e um resultado central sobre a existência de soluções ainda leva seu nome. Ela publicou vários artigos sobre equações diferenciais parciais. Posteriormente, no século XX, trabalhos teóricos de Fredholm e Hilbert refinaram os resultados iniciais e desenvolveram novas classificações para o entendimento posterior de algumas das mais complicadas famílias de equações diferenciais.

O próximo impulso foi no desenvolvimento de métodos numéricos mais robustos e

eficientes. Carl Runge desenvolveu métodos numéricos para resolver as equações diferenciais que surgiram no seu estudo do espectro atômico. Estes métodos numéricos ainda são usados hoje. Ele usou tanta matemática em sua pesquisa que físicos pensaram que fosse matemático, e fez tanta física que os matemáticos pensaram que fosse físico. Hoje seu nome está associado com os métodos de Runge-Kutta para resolver equações diferenciais. Kutta, outro matemático aplicado alemão, também é lembrado por sua contribuição à teoria de Kutta-Joukowski de sustentação de aerofólios em aerodinâmica, baseada em equações diferenciais. Na última metade do século XX, muitos matemáticos e cientistas da computação implementaram métodos numéricos para equações diferenciais em computadores para dar soluções rápidas e eficientes para sistemas complicados, sobre geometrias complexas, de grande escala. Richard Courant e Garrett Birkhoff foram pioneiros bem sucedidos neste esforço.

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Equações não lineares foram o próximo grande obstáculo. Poincaré, o maior matemático de sua geração, produziu mais de 30 livros técnicos sobre física matemática e mecânica celeste. A maioria destes trabalhos envolveu o uso e análise de equações diferenciais. Em mecânica celeste, trabalhando com os resultados do astrônomo americano George Hill, conquistou a estabilidade das órbitas e iniciou a teoria qualitativa de equações diferenciais não lineares. Muitos resultados de seu trabalho foram as sementes de novas maneiras de pensar, as quais floresceram, tais como análise de séries divergentes e equações diferenciais não lineares. Poincaré entendeu e contribuiu em quatro áreas principais da matemática - análise, álgebra, geometria e teoria de números. Ele tinha um domínio criativo de toda a matemática de seu tempo e foi, provavelmente, a última pessoa a estar nesta posição. No século XX, George Birkhoff usou as idéias de Poincaré para analisar sistemas dinâmicos grandes e estabelecer uma teoria para a análise das propriedades das soluções destas equações. Na década de 1980, a teoria emergente do caos usou os princípios desenvolvidos por Poincaré e seus seguidores.

Fonte:

em setembro de 2008.

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A Natureza das Equações Diferenciais

Muitas das leis gerais da natureza, na física, na química, na biologia, na astronomia encontram a sua expressão mais natural na linguagem das equações diferenciais. Aplicações também surgem na matemática em si, especialmente na geometria, na engenharia, na economia, e em muitos outros campos da ciência aplicada. É fácil de entender as razões que estão por detrás desta grande utilização de equações diferenciais. Para tanto, é bom relembrar que se y = f (x) é uma dada função,

então a sua derivada dy dx pode ser interpretada como a taxa (ou razão) de variação de

em relação a

Em qualquer processo natural, as variáveis envolvidas e suas taxas de variação estão interligadas com uma ou outras por meio de princípios básicos científicos que governam o processo. Quando esta relação é expressa em símbolos matemáticos, o resultado é freqüentemente uma equação diferencial. Para ilustrar estas observações vejamos o exemplo que se segue.

De acordo com a Segunda Lei de Newton do movimento, a aceleração a de um

como a

corpo de massa m é proporcional à força total F agindo sobre ele, com

y

x .

1

m

constante de proporcionalidade, assim,

a =

F

m

ou

m.a = F

(1)

Suponhamos, por hipótese, que um corpo de massa m cai livremente sobre a influência da gravidade. Nesse caso a única força que age sobre ele é m.g onde g é a aceleração devido à gravidade. Se y(t) é a distância abaixo do corpo para alguma altura

fixada, então sua aceleração é

Se nós alterarmos a situação assumindo que o ar exerce uma força de resistência proporcional à velocidade, então a força total

d

2

y

dt

2

2

d

y

m

dt

2

k

dy

dt

m

as

d

2

y

, e (1) torna-se

=

m

.

g

ou

dt

2

=

g

(2)

m as d 2 y , e (1) torna-se = m . g ou dt 2

exercida sobre o corpo é

As

m

d

2

y

dt

2

=

.

m g

equações

k

(2)

dy

dt

e

(3)

.

m g

e (1) torna-se

d

2

y

dy

dt

2

dt

+ k

equações

ou

são

= m g

.

diferenciais

(3)

que

expressam as atribuições essenciais dos processos físicos considerados.

Definição e Notações

Definição: Uma equação envolvendo as derivadas (ou diferenciais) de uma ou mais

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variáveis dependentes em relação a uma ou mais variáveis independentes é chamada de equação diferencial.

Exemplos:

1.

dy

dx

= 3x 1

;

6.

y'' 3y(y')

+

5

+

y(y')

3

=

5x

;

2.

3.

4.

5.

x.dy y.dx

= 0

;

d

2

y

dx

2

5

dy

dx

+

6

y =

0

e y

d

2

y

dy  

dx

+ 2  

dx

2

2

d

2

s

3

ds

dt

2

dt

t s

=

1

+ 8.

s

;

;

2

=

0

;

Observação: A notação de Leibniz

7.

8.

9.

10.

dy

d

2

y ,

2

d

3

y ,

3

dx

,

dx

dx

dx +

dy

= 2 x +

dt

dt

'

y +

1

y

=

1

;

x

2

x

u

 

v

y

=−

x

;

2

z

2

z

x

2

+

y

2

=

0

.

 

w

2

z

,

,

2

,

x

y

y

;

, nos parece ser

mais vantajosa sobre a notação dependentes e as independentes.

y', y'', y'''

,

, pois, explicita claramente as variáveis

Ordem de uma Equação Diferencial

A ordem de uma equação diferencial é dada pela ordem da derivada de mais alta ordem que nela aparece.

Grau de uma Equação Diferencial

O grau de uma equação diferencial, admitindo-se a mesma escrita na forma racional inteira em relação às derivadas, é dado pelo grau da derivada de mais alta ordem que nela aparece, ou seja, é o maior dos expoentes a que está elevada a derivada de mais alta ordem contida na equação.

Exemplo:

d

3

y

dx

3

y

d

3

y

dx

3

= 1

d

3

dx

3

y  

2

y

=

d

3

y

dx

3

3 a ordem e 2 o grau.

Preencha o quadro abaixo, com respeito à ordem e o grau, dos dez exemplos apresentados anteriormente:

Exemplo

Ordem

Grau

Exemplo

Ordem

Grau

1

   

6

   

2

   

7

   

3

   

8

   

4

   

9

   

5

   

10

   

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Classificação das Equações Diferenciais

As equações diferenciais são classificadas em:

a) Equações Diferenciais Ordinárias: são aquelas cuja(s) função(ões) incógnita(s) depende(m) de uma única variável, e portanto, só apresentam derivadas ordinárias (os oito primeiros exemplos);

b) Equações Diferenciais Parciais: são aquelas cuja(s) função(ões) incógnita(s) depende(m) de mais uma variável, e portanto, as derivadas são parciais (os dois últimos exemplos).

Resolução de uma Equação Diferencial

Resolver ou integrar uma equação diferencial significa determinar todas as funções que substituídas conjuntamente com as suas derivadas na equação diferencial dada, a verificam identicamente. Tais funções chamam-se soluções, primitivas ou integrais da equação.

Exemplos:

c , c , são ditas constantes arbitrárias, é

1)

A função

y

=

c

1

cos x

+

c sen x , onde

2

1

2

solução da equação diferencial

d

2

y

dx

2

+ y = 0

, pois,

dy

dx

= −

c sen x

1

+

c

2

cos

x

e

d

2

y

dx

2

=−

c

1

cos

x

c sen x

2

.

Substituindo na equação diferencial dada vem,

c

1

cos

x c

2

sen x + c

1

cos

x + c

2

?

sen x =

0

0 = 0

(Verdade a igualdade se verificou).

2)

z

x

A função

= 2 x

e

z =

y

2

z = x

+ y

2

é solução da equação diferencial

y

z

z

x

x

y

= 0

2 y . Substituindo estas derivadas parciais na equação dada vem,

2

xy

2

?

xy =

0

0 = 0

(Verdade).

, pois,

3)

dy

dx

Já a função

2

y = x

não é solução da equação diferencial

dy

dx

= 2x + 3

,

pois,

= 2

x e substituindo na equação diferencial dada vem,

2x 2x + 3 . Logo, não se

verificou a igualdade.

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Tipos de Soluções de uma Equação Diferencial

Uma equação diferencial pode ser abordada de três maneiras diferentes: a analítica, a qualitativa e a numérica. A forma analítica é aquela tradicional onde a solução, uma função explícita ou implícita, é encontrada pelo uso direto do cálculo diferencial e integral. Num primeiro curso de Equações Diferenciais, geralmente, é dado prioridade a este processo analítico na busca da solução de uma equação diferencial. Aqui, já começa a ficar claro que por este processo analítico não é sempre possível encontrar a solução de todas as equações diferenciais, pois com já sabemos, existem muitas funções que não são integráveis. Já pelo processo qualitativo, discute-se o comportamento das soluções e os aspectos das curvas integrais descritos por meio de campos de direções, isto é, graficamente. Este procedimento, no estudo das equações diferenciais ordinárias de 1 a ordem, não envolve cálculos complicados e é baseado na interpretação da derivada. Finalmente, na abordagem numérica, métodos numéricos são utilizados para aproximar soluções de problemas de valor inicial de equações diferenciais de 1 a ordem. No caso das equações diferenciais ordinárias, a solução analítica pode ser dos seguintes tipos:

a) Solução Geral: É uma solução que contém tantas constantes arbitrárias essenciais quantas forem as unidades da ordem da equação considerada.

Exemplo:

diferencial

y

=

c

1

cos x

+

c sen x

2

(onde

c , c ) é solução geral da equação

1

2

d

2

y

dx

, pois, o número de constantes arbitrárias essenciais é 2, igual às unidades

da ordem da equação diferencial considerada.

b) Solução Particular: É a solução que se obtém atribuindo-se valores particulares às constantes arbitrárias, que figuram na solução geral.

Exemplo:

solução obtida da solução geral acima, quando

c) Solução Singular: É uma solução desprovida de constantes arbitrárias e que não pode ser obtida da solução geral. Também são chamadas de soluções perdidas. Sendo assim, apenas alguns tipos de equações diferenciais apresentam essa solução.

y

Exemplo:

. Ela possui solução geral

,pois, é uma

2

+ y = 0

d

2

y

dx

=

0.

y = cos x

é uma solução particular da equação

c

1

=

1

e

c

2

2

+ y =

0

=

x

dy

ln   dy

Seja a equação de Clairaut

dx

dx

= + x (verifique!). É fácil notar

dada por

que a solução singular não pode ser obtida da solução geral. No caso das equações diferenciais parciais as soluções analíticas são dos seguintes tipos:

a) Solução Geral: É uma solução que contém funções arbitrárias.

= 0 , a função arbitrária

Exemplo: Dada a equação diferencial parcial

y é solução geral da equação diferencial, pois, f é uma função de

, e derivando z em relação a

argumento

f (u) , sendo u = x

y = cx ln c e solução singular dada por

y

1

ln

y

z

z

x

x

2

+ y

2

z =

f

(

2

x

+ y

2

)

u

=

x

2

+ y 2

, isto é,

z =

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x

e

a

y,

tem-se

z =

x

f

'(

u

).2

x

diferencial dada vem,

e

z =

y

f

'(

u

).2

y . Substituindo-se na equação

 

?

y

.

f

'(

u

).2

x xf

'(

u

).2

y =

0

0

= 0

(Verdade).

b) Solução Completa: É uma solução que contém constantes arbitrárias.

Exemplo:

z

z

z

z

Dada a equação diferencial parcial

z

=

x

x

y

x

.

y

,

+

y

+

e b são constantes arbitrárias, é solução completa

a função

da equação dada (Verifique).

c) Solução Particular: É a solução obtida da solução completa, atribuindo-se valores às

constantes arbitrárias.

d) Solução Singular: É uma solução que não resulta nem da solução geral, nem da solução completa. Assim, uma das mais importantes diferenças entre as soluções das equações diferenciais ordinárias e as soluções das equações diferenciais parciais, é aquela que, enquanto a solução geral de uma equação diferencial ordinária de ordem n contém n constantes arbitrárias de integração, a solução geral de uma equação diferencial parcial contém funções arbitrárias. Outra particularidade que existe, é de que nem sempre o número de funções arbitrárias ou de constantes arbitrárias traduz a ordem da equação diferencial parcial.

z = a.x + b.y + a.b

, onde

a

Interpretação Geométrica da Solução de uma Equação Diferencial

Sob o ponto de vista geométrico a solução geral de uma equação diferencial ordinária representa uma família de curvas. Estas curvas chamam-se curvas integrais. Uma solução particular é representada por uma curva desta família.

dy = 2

dx

Exemplo: Seja a equação diferencial x , cuja solução geral é dada por

2

y = x + c .

Esta solução geral nada mais é do que uma Família de Parábolas, todas de concavidade voltada para cima e simétricas em relação ao eixo y, conforme mostra a

figura abaixo, para alguns valores de

c

,

c =−

1

1,

c

2

=

0,

c

3

=

1,

c

4

=

1,5 ,

c

5

=

3.

eixo y, conforme mostra a figura abaixo, para alguns valores de c , c =− 1

Introdução às Equações Diferenciais – Um roteiro para estudos Provenzano, Luiz Fernando

Observação: Existem infinitas parábolas nesta família, onde cada uma delas representa uma solução particular (uma para cada determinado valor de c ).

Exemplos:

1) Verifique se y

Solução:

=

(c

1

2)

Dado

y =

3 x

2

2

− +

x

c

+

c x).e

2

x

+

d

3

c

y

3

dx

3

é solução da equação diferencial

2

d

2

y

dy

dx

2

dx

+

=

0

.

determine a equação diferencial de menor ordem possível

que não contenha nenhuma constante arbitrária.

3)

Solução:

Dado

y

=

c cos 2x

1

+

c sen 2x

2

determine a equação diferencial de menor ordem

possível que não contenha nenhuma constante arbitrária.

Solução:

Problemas de Valor Inicial e Problemas de Valores de Contorno

Na resolução de equações diferenciais, estamos interessados não somente nas suas soluções gerais, mas também naquelas soluções que satisfazem certas condições. Aqui trataremos daquelas condições que são conhecidas como condições iniciais e condições de fronteira (contorno) de equações diferenciais ordinárias. Uma condição inicial é uma condição, na solução de uma equação diferencial, em um único ponto; condições de fronteira (contorno) são condições, na solução de uma equação diferencial, em dois ou mais pontos. A equação diferencial com condição inicial será chamada de um Problema de Valor Inicial; aquela que envolve suas condições de fronteira (contorno) será chamada de um Problema de Valores de Fronteira (contorno).

Introdução às Equações Diferenciais – Um roteiro para estudos Provenzano, Luiz Fernando

Exemplos de Problemas de Valor Inicial:

a)

b)

dy

dx

y(0) = 2

= ky

y '' y '

2.

0

y

y '(0) = 3

(0)

=

y

Exemplo de Problema de Valores de Fronteira (Contorno):

,

=

0




d

2

y

dx

2

+

y (0)

'

π

y

 

2

4.

y

=

= 1

 

=

2

0

Teorema de Existência e Unicidade

É sempre importante ter-se alguns teoremas básicos que nos habilitem a determinar se uma dada equação diferencial com condições iniciais tem ou não uma solução única. Afortunadamente, existem teoremas que nos ajudarão (nem sempre, contudo) a responder estas questões. Aqui nós abordaremos os Teoremas da Existência para equações diferenciais ordinárias de 1 a e 2 a ordem, sem nos preocuparmos com as demonstrações dos mesmos.

Teorema 1: Sejam as funções f e

f

y

contínuas num domínio D do plano xy contendo

o ponto (x o , y o ). Então, existe um intervalo I o :

no qual há uma solução única , y = y(x), satisfazendo a equação diferencial

x

x

0

<

h

, (h>0)

[ou

x o – h < x < x o + h ],

dy =

dx

f (x, y)

e a condição inicial y(x o ) = y o .

Exemplo: Dado o problema de valor inicial

dy

dx

y (1)

= 2. x

=

1

Seja uma região D (cinza) no plano xy que contém o

ponto (

f

y

x

0

,

y ) = (1,1)

0

. Como

f (x, y) = 2.x

e

= 0

são

.

y ) = (1,1) 0 . Como f ( x , y ) = 2. x

Fig. I

contínuas em D , existe algum intervalo I o :

x

1

− <

h

, (h>0), no qual há uma solução

única

( y = x

2

(Fig.I).

)

, satisfazendo a equação diferencial

dy

dx

=

2. x

e a condição inicial y(1) = 1

Teorema 2: Sejam as funções

f,

f

y

e

f

z

contínuas num domínio tridimensional D

contendo o ponto (x o , y o , z o ). Então, existe um intervalo I o :

x

x

0

<

h

, (h>0) , no qual

Introdução às Equações Diferenciais – Um roteiro para estudos Provenzano, Luiz Fernando

há uma solução única , y = y(x), satisfazendo a equação diferencial

condições iniciais

Note-se que os teoremas acima não se referem ao tamanho do intervalo I o . Eles meramente afirmam que existe este intervalo. Além disso, estes teoremas não nos indicam um método para encontrar esta solução única. Estes teoremas fornecem aquelas que são conhecidas como as condições suficientes para a existência de uma solução única. Isto é, se as condições estabelecidas nas hipóteses dos respectivos teoremas são satisfeitas, então, nós assumiremos que existe uma única solução para o problema de valor inicial, em algum intervalo I o . Contudo, as condições estabelecidas nas hipóteses destes teoremas não são necessárias, isto é, se estas condições não forem todas satisfeitas, poderá existir uma única solução.

e as

y''= f (x, y, y')

y(x o ) = y o e

y'(x

0

) = z

0

.

Exemplos:

1) Mostre que o problema de valor inicial

tem uma única solução no intervalo

Solução:

I o :

x

dy

dx

 

y

= ky

(1) =

e

k

1

− <

h

(h>0).

Aqui, f(x,y) = ky

e

f

(

x

,

y

)

y

= k

.

Claramente, ambas as funções f e

f

y

satisfazem a hipótese do Teorema 1 em todo

plano xy. Em particular, podemos aplicar este teorema em qualquer domínio D

, no qual

há uma única solução, y(x), satisfazendo a equação diferencial e sua condição inicial.

contendo o ponto (x o ,y o ) = (1,e k ). Assim, existe um intervalo I o :

x

x

0

= x − 1
=
x
− 1

< h

A solução geral é dada por

Desde que y = e k

do problema de valor inicial no intervalo I o :

Neste exemplo, esta única solução existe sobre o intervalo −∞ < x <

y = c.e k.x

onde c é uma constante arbitrária.

em x = 1, nós encontramos c = 1. Assim, y = e k.x é a única solução

x

1

− <

h

.

2) Mostre que o problema de valor inicial:

y

y

tem uma única solução no intervalo I o :

Solução:

x < h .

Aqui, f(x,y) = 4+ y 2 e

f

(

x

,

y

)

y

= 2 y

.

' = 4 +

(0)

=

y

0

2

, y ) ∂ y = 2 y . ' = 4 + (0) = y

As funções f(x,y) e

f

(

x

,

y

) , satisfazem a hipótese do Teorema 1 em qualquer ponto

y

do plano xy.

Para um domínio D contendo o ponto (x o ,y o ) = (0,0) asseguramos, pelo teorema, a

existência de um intervalo I o :

satisfazendo o problema de valor inicial.

A solução para este problema é

Assim, esta função é a única solução do problema de valor inicial no intervalo I o :

x

x

0

= x − 0 = x
= x − 0
= x

< h

, onde há uma única solução y(x)

y = 2.tg 2x (observe gráfico acima).

x < h .

Introdução às Equações Diferenciais – Um roteiro para estudos Provenzano, Luiz Fernando

Neste exemplo, a solução única realmente existe sobre o intervalo

Note, contudo, que esta solução única não pode ser estendida além deste intervalo,

pois, qualquer intervalo maior conteria os pontos

y = 2.tg 2x não é definida nestes pontos.

dada por

π

π

< x <

4

4

x =

.

x =−

π

4

e/ou

π

4

, e a função

y

3) Mostre que

y = e 2x – e x

é a única solução do problema de valor inicial.

 y '' − − y ' 2. y = 0   y (0)
 y
''
− −
y
'
2.
y
=
0
y
(0)
=
0
, no intervalo
I o :
x < h .
y '(0) = 3
Solução:
y' ' = f (x, y, y' )
onde
f (x, y, y' ) = 2 y + y'.
 ∂ f
(
x
,
y
,
z
)
= 2
Assim, f(x,y,z) = 2y + z e
y
∂ f
(
x
,
y
,
z
)
= 1
 
∂ z
∂ f
∂ f
Claramente, as funções
f,
e
satisfazem a hipótese do Teorema 2. Em
∂ y
∂ z

particular, podemos

(x o ,y o ,z o ) = (0,0,3). Assim, existe um intervalo I o :

aplicar o

teorema

para qualquer

x

x

0

domínio D contendo o ponto

no qual há uma

= x − 0 = x
= x − 0
= x

< h

,

única solução

y(x) satisfazendo a equação diferencial e as condições iniciais dadas

acima.

Exercícios

1) Verifique se cada uma das seguintes funções é solução da equação diferencial correspondente:

a)

b)

c)

d)

e)

Funções

y = c

1

+ 2x + c

2

x

s

=

c e

1

2

t

+

c e 3

2

y = c.(x c)

2

t

s = c

1

cos (2

y

=

a e

.

x

b

b

t + c

2

2

)

Equações Diferenciais

 

d

2

y

1

dy

+

2

=

0

;

dx

2

x dx

x

d

2

s

ds

 

6

s =

0

;

 

dt

2

dt

(

y

')

3

4

xyy + y

'

8

2

=

0

d

2

s

 

dt

2

 

+

4

s =

0

;

 

d

2

y

dy

− 

2

+

dy

=

y

dx

2

dx

dx

;

0

;

Introdução às Equações Diferenciais – Um roteiro para estudos Provenzano, Luiz Fernando

f)

y

g) x

=

=

c e

1

3

x

+

c

1

cos 3

c e

2

x

1

3

e 2

x

t

+

c sen

2

3

t

+

1

2

t.sen 3t

2) Verifique se as funções u = x 2 y 2 , u = e x .cos y

equação diferencial de Laplace

2

u

x

2

+

2

u

y

2

=

0 .

e

d

2

y

2

dy

dx

3 =

y

 

2

x

dx

2

 

e

d

2

x

dt

2

+

9

x

=

3cos 3

t

.

;

u = ln (x 2 + y 2 )

são soluções da

3) Dadas as curvas abaixo, determine para cada uma delas, a equação diferencial de menor ordem possível que não contenha nenhuma constante arbitrária.

a) + y

x

2

2

= c

b) y = ce

x

c)

d)

x

y

y

3

=

=

= c

.(

x

2

2

y

x

(c

1

+

c x)e

2

2 x

+

c e

2

e) c e

1

)

+

x

c

3

Resp.:

Resp.:

Resp.:

Resp.:

Resp.:

xdx + ydy = 0 ;

dy

dy

dx

3

y

y = 0

2

2

x

=

;

2xy

dy

dx

d

3

y

dx

3

2

d

2

y

dy

dx

2

dx

+

d

2

y

dy

dx

2 dx

2

y =

0

=

.

;

0

;

4)

Mostre que

y

=

e x+1

– 3.(x+1)

y

' = 3 +

x

y − =

(

1)

y

1

para algum intervalo I o :

x

é a única solução do problema de valor inicial

1

+ <

h

.

5) Mostre que

y

y

'

(0)

+

y

.sec

=

1

x

=

cos