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Universidade do Sul de Santa Catarina

Elaboração e Análise de Projetos

Disciplina na modalidade a distância

Palhoça

UnisulVirtual

2006

Apresentação

Este livro didático corresponde à disciplina Elaboração e Análise de Projetos.

O material foi elaborado visando a uma aprendizagem

autônoma, abordando conteúdos especialmente selecionados e adotando uma linguagem que facilite seu estudo a distância.

Por falar em distância, isso não significa que você estará sozinho. Não esqueça que sua caminhada nesta disciplina também será acompanhada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual. Entre em contato sempre que sentir necessidade, seja por correio postal, fax, telefone, e-mail ou Ambiente Virtual

de

Aprendizagem. Nossa equipe terá o maior prazer em atendê-

lo,

pois sua aprendizagem é nosso principal objetivo.

Bom estudo e sucesso!

Equipe UnisulVirtual.

Paulo César Leite Esteves

Elaboração e Análise de Projetos

Livro didático

Design instrucional Flavia Lumi Matuzawa Carolina Hoeller da Silva Boeing

Palhoça

UnisulVirtual

2006

Copyright © UnisulVirtual 2006 Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição.

658.404

E84

Esteves, Paulo César Leite Elaboração e análise de projetos : livro didático / Paulo César Leite Esteves ; design instrucional Flavia Lumi Matuzawa, Carolina Hoeller da Silva Boeing. – Palhoça : UnisulVirtual, 2006. 212 p. : il. ; 28 cm.

Inclui bibliografia. ISBN 85-60694-87-0 ISBN 978-85-60694-87-7

1. Administração de projetos. 2. Projetos - Planejamento. I. Matuzawa, Flavia Lumi. II. Boeing, Carolina Hoeller da Silva. III. Título.

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul.

Créditos

Unisul - Universidade do Sul de Santa Catarina UnisulVirtual - Educação Superior a Distância

Campus UnisulVirtual Rua João Pereira dos Santos, 303 Palhoça - SC - 88130-475

Fone/fax: (48) 3279-1541 e 3279-

1542

E-mail: cursovirtual@unisul.br

Site: www.virtual.unisul.br

Reitor Unisul Gerson Luiz Joner da Silveira

Vice-Reitor e Pró-Reitor Acadêmico Sebastião Salésio Heerdt

Pró-Reitor Administrativo Marcus Vinícius Anátoles da Silva Ferreira

Campus Tubarão e Araranguá Diretor: Valter Alves Schmitz Neto Diretora adjunta: Alexandra Orseni

Campus Grande Florianópolis e Norte da Ilha Diretor: Ailton Nazareno Soares Diretora adjunta: Cibele Schuelter

Campus UnisulVirtual Diretor: João Vianney Diretora adjunta: Jucimara Roesler

Equipe UnisulVirtual

Administração Renato André Luz Valmir Venício Inácio

Bibliotecária Soraya Arruda Waltrick

Coordenação dos Cursos Adriano Sérgio da Cunha Ana Luisa Mülbert Ana Paula Reusing Pacheco Diva Marília Flemming Elisa Flemming Luz Itamar Pedro Bevilaqua

Janete Elza Felisbino Jucimara Roesler Lauro José Ballock Luiz Guilherme Buchmann Figueiredo Luiz Otávio Botelho Lento Marcelo Cavalcanti Mauri Luiz Heerdt Mauro Faccioni Filho Nélio Herzmann Onei Tadeu Dutra Patrícia Alberton Patrícia Pozza Rafael Peteffi da Silva Raulino Jacó Brüning

Design Gráfico Cristiano Neri Gonçalves Ribeiro (coordenador) Adriana Ferreira dos Santos Alex Sandro Xavier Fernando Roberto Dias Zimmermann Higor Ghisi Luciano Pedro Paulo Alves Teixeira Rafael Pessi Vilson Martins Filho

Equipe Didático-Pedagógica Angelita Marçal Flores Carmen Maria Cipriani Pandini Carolina Hoeller da Silva Boeing Cristina Klipp de Oliveira Dalva Maria Alves Godoy Daniela Erani Monteiro Will Dênia Falcão de Bittencourt Elisa Flemming Luz Enzo de Oliveira Moreira Flávia Lumi Matuzawa Karla Leonora Dahse Nunes Márcia Loch Patrícia Meneghel Silvana Denise Guimarães Tade-Ane de Amorim Vanessa de Andrade Manuel Vanessa Francine Corrêa Viviane Bastos Viviani Poyer

 

Viviane Schalata Martins

Logística de Encontros Presenciais Caroline Batista (Coordenadora) Aracelli Araldi Juliana Costa Pinheiro Letícia Cristina Pinheiro Priscila Santos Alves

Tecnologia Osmar de Oliveira Braz Júnior (coordenador) Giorgio Massignani Rodrigo de Barcelos Martins Sidnei Rodrigo Basei

Monitoria e Suporte

Produção Industrial e Logística

Edição --- Livro Didático

Harrison Laske (coordenador) Adriana Silveira Caroline Mendonça

Professor Conteudista Paulo César Leite Esteves

Edison Rodrigo Valim Gislane Frasson de Souza Josiane Conceição Leal Rafael da Cunha Lara

Design Instrucional Flavia Lumi Matuzawa Carolina Hoeller da Silva Boeing

Vinícius Maycot Serafim

Projeto Gráfico e Capa Equipe UnisulVirtual

Arthur Emmanuel F. Silveira Eduardo Kraus Francisco Asp Jeferson Cassiano Almeida da Costa

Diagramação Sandra Martins Cristiano Neri Gonçalves Ribeiro

Projetos Corporativos Diane Dal Mago Vanderlei Brasil

Revisão Ortográfica Simone Rejane Martins

Impressão

Secretaria de Ensino a Distância Karine Augusta Zanoni (secretária de ensino) Djeime Sammer Bortolotti Carla Cristina Sbardella Grasiela Martins James Marcel Silva Ribeiro Lamuniê Souza Liana Pamplona Maira Marina Martins Godinho Marcelo Pereira Marcos Alcides Medeiros Junior Maria Isabel Aragon Olavo Lajús Priscilla Geovana Pagani Ricardo Alexandre Bianchini Silvana Henrique Silva

Postmix

Secretária Executiva

Sumário

Apresentação

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Palavras do professor

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Plano de estudo

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. UNIDADE 2: Ambiente da organização e planejamento estratégico

UNIDADE 1: O projeto

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UNIDADE

3:

Gerenciamento de projetos

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UNIDADE 4: Planejamento do projeto 1

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UNIDADE

5:

Elementos para programação

do projeto

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UNIDADE 6: Planejamento do projeto 2

UNIDADE

UNIDADE

. A execução, controle e encerramento do projeto

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7:

8:

 

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Recursos humanos e estruturas organizacionais

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Para concluir o estudo

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Referências

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Sobre o professor conteudista

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Comentários e respostas das atividades de auto-avaliação

193

Atividade de Avaliação a Distância

207

Palavras do professor

Seja bem-vindo!

Palavras do professor Seja bem-vindo! Procuramos neste curso proporcionar aos nossos alunos um conteúdo que possa

Procuramos neste curso proporcionar aos nossos alunos um conteúdo que possa ser utilizado de uma forma ampla na sua atividade profissional. Os conceitos, técnicas e ferramentas apresentados, propiciam uma base consistente de conhecimentos sobre a elaboração, gestão e avaliação de projetos.Temos uma experiência de 30 anos nessa área e podemos afirmar que os seus desafios não nos permitem rotinas à não ser aquelas de estudar e procurar, sistematicamente, manter-se atualizado com os novos requisitos que a atividade nos coloca. Trabalhar com projetos é trabalhar com a inovação, com a busca de soluções, é tentar uma aproximação do futuro para o cumprimento de nossas metas com menor incidência de riscos.

Esperamos possibilitar a geração de novos profissionais que venham contribuir para o enriquecimento da área e, dessa forma, para uma gestão mais científica e justa dos recursos necessários à construção de um projeto de sociedade melhor.

Bons estudos!

Professor Paulo César Leite Esteves

Plano de estudo

O plano de estudos visa a orientá-lo/a no desenvolvimento da

Disciplina. Nele, você encontrará elementos que esclarecerão o contexto da Disciplina e sugerirão formas de organizar o seu

tempo de estudos.

O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em

conta instrumentos que se articulam e se complementam. Assim, a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/mediação.

São elementos desse processo:

formas de ação/mediação. São elementos desse processo: o livro didático; o Ambiente Virtual de Aprendizagem -

o livro didático;

o Ambiente Virtual de Aprendizagem - AVA;

as atividades de avaliação (complementares, a distância e presenciais).

Ementa da disciplina

O projeto, Ambiente da organização e planejamento estratégico,

Gerenciamento de projetos. Planejamento do projeto, Elementos para programação do projeto;

Planejamento do projeto 2, A execução, controle e encerramento do projeto, Recursos humanos e estruturas organizacionais.

Carga horária

60 horas - 4 créditos

Universidade do Sul de Santa Catarina

Objetivos da disciplina

Promover a capacitação na área de elaboração, gestão e avaliação de projetos

Específicos

Propiciar o conhecimento de conceitos estruturantes na área de projetos.

Possibilitar o conhecimento sobre o processo de formulação e ciclo de vida de projetos.

Disponibilizar técnicas e ferramentas necessárias à formulação e gestão de projetos.

Conteúdo programático/objetivos

Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de conhecimentos que você deverá deter para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias à sua formação. Neste sentido, veja a seguir as unidades que compõem o Livro Didático desta Disciplina, bem como os seus respectivos objetivos.

Unidades de estudo: 8

Unidade 1 - O projeto

Nesta unidade você irá estudará uma breve contextualização sobre as ações por projetos. Você poderá conhecer também as diversas abordagens conceituais para projeto, conhecer os projetos no cotidiano, os conceitos principais de projetos, seus tipos e entidades nacionais e internacionais.

Unidade 2 - Ambiente da organização e planejamento estratégico

Nesta unidade você aprenderá a caracterizar o ambiente competitivo das organizações, sendo assim, você irá estudar as características do novo ambiente empresarial e como conquistar a competitividade. Neste contexto você estudará também os

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conceitos de estratégia, e a importância de realizar um planejamento estratégico.

Durante este estudo você irá compreender também o projeto como um elemento de um processo de planejamento. Você estudará temas importantes como: de que forma desdobrar o planejamento, e como os projetos se tornam importantes elementos no processo de planejamento.

Unidade 3 - Gerenciamento de projetos

Nesta unidade você aprenderá a diferenciar a ação por projeto das atividades de rotina, onde você verá primeiramente qual a verdadeira necessidade do projeto, e como diferencia-lo de uma rotina.

Você irá compreender o ciclo de vida dos projetos e as responsabilidades envolvidas, onde observará quais são os objetivos, e princípios na administração de um projeto, e quais os papéis definidos na concepção do projeto.

Para finalizar você terá subsídios para conceituar o gerenciamento de projeto.

Unidade 4 - Planejamento do projeto 1

Com o estudo desta unidade você irá conhecer os elementos envolvidos no processo de planejamento do projeto, onde conhecerá os passos de seu planejamento.

Você aprenderá a identificar também os elementos envolvidos no processo de planejamento do projeto, como: estruturar os pacotes de serviços, estabelecer a meta, conceber o cronograma, realizar orçamento,etc.

Unidade 5 - Elementos para programação do projeto

Nesta unidade você irá conhecer os elementos para programação do projeto, entre eles, você estudará temas como: de que forma preparar uma lista de atividades, como estabelecer a rede de atividades, como realizar os cálculos das datas do projeto, etc.

Universidade do Sul de Santa Catarina

Unidade 6 - Planejamento do projeto 2

Nesta unidade você irá conhecer os elementos envolvidos no processo de planejamento do projeto.Você irá compreender como analisar o risco do projeto, os quadros de riscos, e como preenche- los, e como quantificar os riscos.

Unidade 7 - A execução, controle e encerramento do projeto

Com o estudo desta unidade você irá primeiramente conhecer os elementos envolvidos no processo de execução do projeto, onde você verá principalmente como executar um projeto e quais suas ações de execução direta.

Em seguida você estudará os elementos envolvidos no processo de controle do projeto.

Para finalizar você aprenderá de que forma se encerra um projeto.

Unidade 8 - Recursos Humanos e estruturas organizacionais

Nesta unidade você aprenderá a especificar as habilidades e competências para o gerente de projeto. Inicialmente você aprenderá a importância de um gerente de projetos e como realizar a formação de equipes. Na seqüência você aprenderá a definir diversas estruturas organizacionais para execução do projeto.

estruturas organizacionais para execução do projeto. Agenda de atividades/ Cronograma Verifique com atenção o

Agenda de atividades/ Cronograma

Verifique com atenção o AVA, organize-se para acessar periodicamente o espaço da Disciplina. O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura; da realização de análises e sínteses do conteúdo; e da interação com os seus colegas e tutor.

Não perca os prazos das atividades. Registre no espaço a seguir as datas, com base no cronograma da disciplina disponibilizado no AVA.

Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da Disciplina.

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AtividadesAtividadesAtividadesAtividadesAtividades Avaliação a Distância 1 Avaliação Presencial 1 Avaliação
AtividadesAtividadesAtividadesAtividadesAtividades
Avaliação a Distância 1
Avaliação Presencial 1
Avaliação Presencial 2
(2ª chamada)
Avaliação Final
DemaisDemaisDemaisDemaisDemais atividadesatividadesatividadesatividadesatividades (registro(registro(registro(registro(registro pessoal)pessoal)pessoal)pessoal)pessoal)

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UNIDADE 1

O projeto

UNIDADE 1 O projeto Objetivos de aprendizagem Ao final desta unidade você terá subsídios para: contextualizar

Objetivos de aprendizagem

Ao final desta unidade você terá subsídios para:

contextualizar as ações por projetos;

conhecer diversas abordagens conceituais para projeto.

Seções de estudo

Acompanhe a seguir as seções que você irá estudar nesta unidade. Ao final de cada etapa de estudo, use o quadro correspondente para assinalar as seções já estudadas.

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SEÇÃO 1

Projetos no cotidiano.

SEÇÃO 2

Qual é o conceito de projeto?

SEÇÃO 3

Quais são os tipos de projeto?

SEÇÃO 3 Quais são as entidades nacionais e internacionais na área de projetos?

Universidade do Sul de Santa Catarina

Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Seja bem-vindo ao início do estudo

Para início de estudo

Seja bem-vindo ao início do estudo da disciplina de Elaboração, gestão e avaliação de projetos!

Você irá ampliar sua percepção para os inúmeros motivos que impulsionam o desenvolvimento de projetos. Verá que eles fazem parte do cotidiano tanto das grandes organizações como das pequenas empresas.

E o objetivo desta primeira unidade é construir as bases para um bom curso de elaboração de projetos. Portanto, estude o conceito de projeto, quais os principais tipos, assim como uma lista completa de entidades nacionais e internacionais na área de projetos.

Com esses estudos você poderá entender melhores os projetos que o cercam e aqueles nos quais participa!

Bons estudos!

SEÇÃO 1 – Projetos no cotidiano

Nos dias de hoje, o termo “projeto” é utilizado com uma certa freqüência por inúmeras pessoas, empresas e instituições dos mais variados tipos.

pessoas, empresas e instituições dos mais variados tipos. Você sabe o que significa projeto? Todos têm

Você sabe o que significa projeto?

Todos têm algum projeto, desde a dona de casa que intitula seus desejos e ambições em “projeto de vida” até o Governo Federal com grandes projetos em infra-estrutura, saúde e educação.

Elaboração e Análise de Projetos

Provavelmente muitos já assistiram entrevistas de atores na TV afirmando que têm muitos projetos pela frente (televisão, teatro e cinema) ou algum esportista vislumbrando no futuro, além de sua aposentadoria como atleta, a realização de vários projetos.

Como você pode perceber, a palavra “projeto”, como ocorre com outras palavras que são amplamente utilizadas, tem significados que podem variar bastante.

Na realidade, em muitos casos, o termo projeto é utilizado de maneira indevida. É claro que todos podem realizar “projetos”, entretanto, nesta disciplina só poderemos utilizar tal definição nas ações que seguirem determinadas características.

SEÇÃO 2 – Qual é o conceito de projeto?

Uma das melhores definições de projeto é da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

projeto é da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Projeto é um conjunto coerente e integral de

Projeto é um conjunto coerente e integral de atividades, destinado a alcançar objetivos específicos, que contribuem para atingir um certo desenvolvimento, num determinado período, com insumos e custos definidos.

num determinado período, com insumos e custos definidos. Assim, sua finalidade é de converter um conjunto

Assim, sua finalidade é de converter um conjunto de recursos em resultados desejados através de uma série de atividades ou processos integrados. Em um outro conceito, projeto é um conjunto de atividades ou ações planejadas para serem executadas com (CAETANO, 2003, p. 42. ):

para serem executadas com ( CAETANO , 2003, p. 42. ): Responsabilidade de execução definida, a

Responsabilidade de execução definida, a fim de alcançar determinados objetivos, dentro de uma abrangência definida, num prazo de tempo limitado e com recursos específicos para criar algo novo, ou algo que não havia sido feito antes dessa maneira.

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Universidade do Sul de Santa Catarina

A definição das responsabilidades é importante tanto para

poder nomear as pessoas com suas diversas funções dentro do projeto, quanto para conhecer as relações que o projeto tem com

a organização responsável e o comprometimento dos níveis superiores.

A definição de objetivos parece o mais óbvio para qualquer

projeto. No entanto, na prática pode-se observar que, muitas vezes, os objetivos que devem orientar as ações do projeto não são

claros porque carecem de um foco, ou não são realistas porque não correspondem aos recursos disponíveis.

A abrangência (ou o escopo) precisa ser clara para não

ultrapassar as limitações que todo projeto tem, seja em termos de competência institucional, seja pela complexidade do

empreendimento ou pelas mudanças que pretende alcançar.

O limite de duração é uma característica básica de projeto. O

fato de ele ter um início e um fim definidos facilita enormemente o seu planejamento. Essa característica é apenas uma vantagem se o planejamento for realista.

Um projeto depende, como qualquer atividade, de recursos. Para realizar um planejamento realista, a dimensão desses recursos precisa ser conhecida, para que não se corra o risco de fazer um planejamento fictício. Os recursos incluem não apenas os financeiros, mas também os humanos e materiais adequados.

E, por último, um projeto tem

características singulares e visa criar novas soluções. Isso é particularmente importante

quando se trata de um projeto demonstrativo, ou seja, um projeto que pretenda, por exemplo, demonstrar caminhos e meios para melhorar as formas

e a eficiência da gestão ambiental.

que pretenda, por exemplo, demonstrar caminhos e meios para melhorar as formas e a eficiência da

SEÇÃO 3 – Quais são os tipos de projeto?

Elaboração e Análise de Projetos

Existe uma grande variedade de projetos tanto públicos como privados. A seguir você acompanhará uma lista adaptada de Casarotto Filho (1999), que é classificada em três áreas:

prestação de serviços, indústria e infra-estrutura.

a) Quais são os projetos da área de prestações de serviços?

Assistência técnica: são projetos de serviços associados à solução de problemas de engenharia que compreendem coleta, interpretação e análise de dados e informações, seguidos de preparação de relatório com conclusões e recomendações. Compreende vistoria, laudos e pareceres, avaliações, perícias, etc.

Estudos técnicos: são projetos de serviços associados ao aperfeiçoamento e/ou desenvolvimento de tecnologias ou de outros estudos, inclusive os de natureza multidisciplinar, cuja finalidade seja a de definir a viabilidade técnica e/ou econômica de uma tecnologia ou de um empreendimento. Compreende estudos e investigações em escala semi-industrial, estudos

preliminares de engenharia, perfis industriais, estudos de pré-viabilidade e de viabilidade técnica e econômico-financeira, escolha e localização de áreas industriais, planos diretores e respectiva implementação.

industriais, planos diretores e respectiva implementação. Projetos de engenharia : são projetos de serviços

Projetos de engenharia: são projetos de serviços associados à elaboração de um conjunto de documentos, constituído de especificações, lista de materiais e desenho de detalhes. Esses indicam, esclarecem e justificam todos os critérios de dimensionamento, hipóteses de cálculos técnicos, de execução e custos de uma utilidade física (unidade ou sistema).

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Compras técnicas: são projetos que compreendem o cadastramento de fabricantes ; seleção de equipamentos, máquinas, componentes, materiais de construção, etc.; preparação de documentos de licitação (editais, critérios de seleção, carta convite, etc.); coleta e avaliação de propostas; contratação e efetivação de compras; expedição e armazenamento no canteiro; obtenção, registro e recuperação de catálogos, desenhos, dados de desempenho,etc.

Construção e montagem: são projetos de atividades associadas à execução, propriamente dita, de obras civis, instalações e montagem industrial.

Gerência de projetos: são projetos mediante planejamento e controle efetivos, permite que todas as fases de execução do empreendimento sejam realizadas de modo que sejam atingidos os objetivos quanto à qualidade, funcionalidade e segurança dos respectivos projetos, dentro do cronograma e orçamento previstos. Abrange normalmente as seguintes atividades:

supervisão dos estudos preliminares, gerência de contratos, planejamento e controle da execução do projeto, assessoria jurídica, gerência de projetos de engenharia, gerência de construção e montagem, gerência de suprimentos, gerência de pré-operação e gerência de garantia de qualidade, etc.

Serviços especiais: são os projetos de aerofotogrametria, geomorfologia e geodésia, topografia a batimetria, oceanografia, geotecnia, hidrotecnia, etc.

Desenvolvimento de software: são projetos que compreendem atividades referentes à análise, projeto (design) codificação e teste de programas e tecnologias de computador.

Pesquisa e desenvolvimento: são projetos que compreendem atividades referentes à pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, processos e tecnologias, em instituições públicas ou privadas.

Elaboração e Análise de Projetos

Pesquisas de mercado: são projetos de serviços associados

à determinação da demanda de um produto por segmentos do mercado.

Campanhas publicitárias: são projetos de serviços associados à elaboração, desenvolvimento e execução de campanhas publicitárias de lançamento de um produto ou serviço, em agências de publicidade, explorando o segmento de mercado a que se destina.

b) Quais são os projetos da área de indústria?

Implantação, reforma e ampliação: são projetos que compreendem atividades tais como projetos de engenharia, compras técnicas, construção e montagem, gerenciamentos de projetos, etc.

Manutenção de máquinas, equipamentos e sistemas:

são projetos de serviços associados à manutenção corretiva ou preventiva, efetuados de maneira programada.

Lançamento de novos produtos: são projetos que compreendem atividades de pesquisa de mercado, estudos de engenharia, projeto de produto,compras técnicas,campanha publicitária, fabricação e montagem, etc.

Produção sob encomenda: são projetos que

compreendem atividades de compras técnicas, fabricação

e montagem de produtos conforme especificações, prazo e preço previamente determinados.

Desenvolvimento e implantação de sistemas computacionais: são projetos que compreendem atividades de análise, design, codificação, testes e implantação de sistemas computacionais.

Pesquisa e desenvolvimento: são projetos que compreendem atividades de pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, processos e tecnologias, executadas em departamentos de Pesquisa e Desenvolvimento – P&D.

produtos, processos e tecnologias, executadas em departamentos de Pesquisa e Desenvolvimento – P&D. Unidade 1 23

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c) Quais são os projetos da área de infra-estrutura?

Saneamento: são projetos de redes de distribuição ou captação, estações de tratamento, estações de recalque, emissários oceânicos, etc.

Edificações: são projetos de hospitais, terminais de transporte, silos de armazenagem, conjuntos habitacionais, etc.

Transporte: são os projetos de aeroportos, portos e terminais, rodovias, ferrovias, túneis, pontes, etc.

Planejamento urbano e regional: são projetos de estudos locais, sistemas de transporte, recursos naturais, distritos industriais, núcleos habitacionais, etc.

Energia: são projetos de geração convencional (hidro, termo e nuclear); geração não convencional (biomassa, solar, eólica, etc); subestações; transmissão e distribuição, etc.

Comunicações: são projetos de sistemas de transmissão (rádio, tv, dados, etc); centrais de comutação (telefone, dados); redes telefônicas (cabos e dutos), etc.

O que são projetos recorrentes ou repetitivos?

É importante levar em consideração que o conceito de projeto é diferente do conceito de operação. Esse último caracteriza- se por realizar atividades permanentes, repetitivas ou rotineiras. Muitas vezes o término do projeto leva ao início de uma operação. Desse modo, como você já acompanhou, uma das características de um projeto é criar novas soluções (inovação).

Desse modo, como você já acompanhou, uma das características de um projeto é criar novas soluções

Elaboração e Análise de Projetos

Elaboração e Análise de Projetos Um exemplo pode ser o desenvolvimento e a implantação de um

Um exemplo pode ser o desenvolvimento e a implantação de um software financeiro em uma empresa.

Além do aspecto inovador, reúne outros requisitos de um projeto como objetivo (melhorar a gestão financeira), limite de duração (prazo para implantação) e recursos (investimento na aquisição e implantação do sistema).

Entretanto, a geração de relatórios financeiros diários e a análise do fluxo de caixa são apenas atividades repetitivas (operações) e não podem ser denominadas de projeto, pois não possuem tais requisitos.

Quais são os programas com agregação de projetos?

Você percebeu na lista com vários exemplos, que alguns projetos podem necessitar de outros agregados. Em muitos casos, um determinado programa poderá relacionar projetos de áreas distintas ou de uma mesma área.

Portanto, a construção de uma ponte (área de infra-estrutura) pode necessitar de projetos da área de prestação de serviços (projetos de engenharia), industrial (equipamentos sob encomenda) e da área ambiental (licença ambiental).

sob encomenda) e da área ambiental (licença ambiental). Outro exemplo é de um projeto de lançamento

Outro exemplo é de um projeto de lançamento de novos produtos (área industrial) que necessita projetos de pesquisa de mercado, pesquisa e desenvolvimento, campanha publicitária de lançamento entre outros, que podem ser desenvolvidos na própria indústria ou por empresas especializadas, por meio de contratos de prestação de serviços.

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SEÇÃO 4 – Quais são as entidades nacionais e internacionais na área de projetos?

Em termos gerais, acompanhe a seguir as listas com as principais categorias de fontes de fomento à pesquisa e projetos de desenvolvimento.

Fontes de âmbito nacional

Nessa categoria enquadram-se as organizações públicas federais, fundações e programas.

Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES

Fundação Banco do Brasil – FBB.

Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN.

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq.

Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP.

Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Su- perior – CAPES.

Sistema Embrapa de Planejamento – SEP.

Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA.

Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico – PADCT.

Projeto de Apoio ao Desenvolvimento de Tecnologia Agropecuária para o Brasil – PRODETAB.

Programa de Capacitação de Recursos Humanos para Atividades Estratégicas – RHAE/CNPq.

Fundo Nacional do Meio Ambiente – FNMA.

Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI.

Serviço Social da Indústria – SESI.

Instituto Euvaldo Lodi – IEL Nacional.

Serviço Brasileiro de Apoio a Pequenas e Médias Empresas – SEBRAE.

Fontes de âmbito estadual

Elaboração e Análise de Projetos

Representadas pelas fundações estaduais de amparo à pesquisa e pelos fundos estaduais de apoio à pesquisa.

Centro de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Ba- hia – CADCT.

Fundação Cearense de Amparo à Pesquisa – FUNCAP – CE.

Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco

– FACEPE.

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas – FAPEAL.

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Maranhão – FAPEMA.

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais – FAPEMIG.

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí – FAPEPI.

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro – FAPERJ.

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul FAPERGS.

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP.

Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal – FAPDF.

Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba – FAPESQ.

Fundo de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Governo do Mato Grosso do Sul – FEDECTI.

Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia de Goiás – FUNDETEG.

Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia do Pará – FUNTECI.

Fundo Estadual de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Estado de São Paulo – FUNCET.

Fundo Estadual de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Estado do Rio Grande do Norte – FUNDET.

Fundo Rotativo de Fomento à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina – FUNCITEC.

Programa de Cunho Tecnológico do Estado de São Paulo – PCT.

Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná

– SETI.

Unidade 1

27

Universidade do Sul de Santa Catarina

Fontes de âmbito regional

Desta categoria, participam as seguintes fontes:

Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste – FNE;

Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FUNDECI.

Cooperação científica, técnica e tecnológica recebida

(multilateral)

Organização das Nações Unidas para a Alimentação – FAO.

Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura – LICA.

Organização dos Estados Americanos – OEA.

Organização Internacional de Madeiras Tropicais – ITTO.

Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD.

União Européia – UE.

Comissão Econômica para a América Latina – CEPAL.

Organização Internacional do Trabalho – OIT.

Fundo de População das Nações Unidas – FNUAP.

Organização da Aviação Civil Internacional – OACI.

Organização Internacional de Meteorologia – OMM.

Organização Pan Americana de Saúde – OPAS.

Organização Mundial de Saúde – OMS.

Organização Internacional para a Educação, Ciência e Cultura – UNESCO.

Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento industrial – UNIDO.

Cooperação financeira (bilateral e multilateral)

Elaboração e Análise de Projetos

KFW (Alemanha).

Eximbank (Japão).

Overseas Economic Cooperation Fund – OECF (Japão).

Banco Mundial – BIRD.

Banco Interamericano para o Desenvolvimento – BID.

Fundo Internacional para o Desenvolvimento – FIDA.

Cooperação técnica entre países em desenvolvimento – CTPD

A cooperação técnica entre países em desenvolvimento está, geograficamente, classificada, para fins gerenciais, na Agência Brasileira de Cooperação em: a) Mercosul; b) América Cen- tral e Caribe; c) América do Sul; d) África; e) Leste Europeu; e f ) Oriente Próximo.

Fundo Brasileiro de Cooperação Técnica – FBC/OEA.

Acordo Brasil – FAO para Uso de Peritos em CTPD.

Programa Conjunto de Cooperação Técnica Brasil – BID.

Programa Conjunto de Cooperação Técnica Brasil – BID. Conhecer e levar consigo todas essas fontes poderá

Conhecer e levar consigo todas essas fontes poderá ser bem útil para o desenvolvimento de seus futuros projetos, não é mesmo?

Agora, antes de seguir para a próxima unidade, pratique os novos conhecimentos adquiridos nesta unidade ao realizar as atividades propostas.

Unidade 1

29

Universidade do Sul de Santa Catarina

Universidade do Sul de Santa Catarina Atividades de auto-avaliação Após ter realizado leitura crítica da unidade,

Atividades de auto-avaliação

Após ter realizado leitura crítica da unidade, leia com atenção os enunciados e realize as questões a seguir.

1. Identifique no seu cotidiano quais são as ações tomadas ao se desenvolver um projeto.

2. Liste a seguir os tipos de projetos que você conhece ou participa.

Elaboração e Análise de Projetos

3. Baseado no conceito de projeto apresentado, busque estruturar uma proposta de projeto, definindo responsabilidades, objetivos, abrangência, duração e recursos necessários para sua execução. Utilize, para montagem do projeto, situações que fazem parte da sua vivência.

4. Visite algumas instituições citadas neste livro didático (pro- cure sites com ferramenta de busca: <vivisimo>; <google>; <yahoo>), e procure acessar os formulários utilizados para apresentação de projetos pelas instituições.

para apresentação de projetos pelas instituições. Síntese Nesta unidade você pôde ver que o termo

Síntese

Nesta unidade você pôde ver que o termo “Projeto” é largamente utilizado no cotidiano das pessoas, das empresas e de diversas outras instituições, mas nem sempre de forma correta. E também pôde aprender que existem diversas definições para projeto que, entretanto, guardam entre si características comuns:

responsabilidade, objetivos, prazos, recursos e a idéia do novo.

Unidade 1

31

Universidade do Sul de Santa Catarina

Você estudou também o que são projetos recorrentes ou repetitivos e a noção de programas com a agregação de projetos. Além disso, conheceu os diversos tipos de projetos e, as entidades nacionais e internacionais que operam na área de projetos que serão fontes importantes para a sua formação nesta disciplina e poderão lhe ajudar em projetos futuros.

Na próxima unidade você estudará o projeto como elemento de um processo de planejamento na organização. Até lá.

de um processo de planejamento na organização. Até lá. Saiba mais Para aprofundar seu estudo sobre

Saiba mais

Para aprofundar seu estudo sobre o conteúdo desta unidade, segue algumas sugestões de livros.

CASAROTO FILHO, N.; FÁVERO, J. S.; CASTRO, J. E. E. Gerência de projetos: engenharia simultânea. 1 ed. São Paulo: Atlas, 1999. 173 p, cap. 1 e 2.

MENEZES, L. C de M. Gestão de projetos. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2003. 227 p., cap. 2.

32

UNIDADE 2

Ambiente da organização eplanejamento estratégico

2 Ambiente da organização eplanejamento estratégico Objetivos de aprendizagem Ao final desta unidade você terá

Objetivos de aprendizagem

Ao final desta unidade você terá subsídios para:

caracterizar o ambiente competitivo das organizações;

compreender o projeto como elemento de um processo de planejamento.

Seções de estudo

Acompanhe a seguir as seções que você irá estudar nesta unidade. Ao final de cada etapa de estudo, use o quadro correspondente para assinalar as seções já estudadas.

2

SEÇÃO 1 Quais são as características do novo ambiente empresarial?

SEÇÃO 2

Como conquistar competitividade?

SEÇÃO 3 Quais são as cinco forças de Porter?

SEÇÃO 4

Qual é o conceito de estratégia?

SEÇÃO 5

É importante realizar um planejamento estratégico!

SEÇÃO 6 Como desdobrar o planejamento?

SEÇÃO 7

Quais são as estratégias competitivas de Porter?

SEÇÃO 8 Os projetos são elementos do processo de planejamento.

Universidade do Sul de Santa Catarina

Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Na primeira unidade você teve a

Para início de estudo

Na primeira unidade você teve a oportunidade de aprender o conceito e os tipos de projetos. Agora, nesta segunda unidade, ao estudar a característica do novo ambiente empresarial, a competitividade, além do modelo das cinco forças de Porter, você poderá perceber que os projetos, em um ambiente empresarial com rápidas transformações, são de fundamental importância.

Ao estudar, nesta unidade, o conceito de estratégia e a metodologia utilizada no planejamento estratégico, você poderá perceber o projeto como sendo parte integrante do processo de planejamento, ou seja, vinculado aos objetivos e metas da empresa.

SEÇÃO 1 – Quais são as características do novo ambiente empresarial?

Desde as últimas décadas do século XX, o mundo passa por grandes transformações políticas, econômicas e, principalmente, tecnológicas. Tais mudanças influenciaram todos os níveis sociais e, por conseqüência, também o ambiente empresarial.

Com a globalização, as organizações passaram a se preocupar com a competitividade e com a colocação no mercado de produtos com maior qualidade e a um menor preço. As tendências mais recentes, segundo Gomes e Braga (2001), apontam no sentido de uma permanente avaliação por parte das organizações no que diz respeito ao ambiente competitivo e às informações advindas dele, bem como aos recursos de que dispõem para, através de uma postura estratégica, aproveitarem as oportunidades que lhes são colocadas e contornarem as ameaças identificadas.

postura estratégica, aproveitarem as oportunidades que lhes são colocadas e contornarem as ameaças identificadas. 34

Elaboração e Análise de Projetos

Nesse ambiente dinâmico, as organizações modernas requerem valorização das funções administrativas de planejamento e controle para seu gerenciamento eficaz, reduzindo incertezas e avaliando riscos. Acompanhe na Figura 1 uma síntese da atualidade e as características do novo ambiente.

da atualidade e as características do novo ambiente. FONTE: Adaptado de Casarotto Filho (1999) FIGURA 2.1
da atualidade e as características do novo ambiente. FONTE: Adaptado de Casarotto Filho (1999) FIGURA 2.1

FONTE: Adaptado de Casarotto Filho (1999)

FIGURA 2.1 - CARACTERÍSTICAS DO NOVO AMBIENTE.

Desse modo, Casarotto (1999, p. 15.) destaca que as empresas, para alcançar competitividade, precisam ter extrema capacidade de mudança para se adaptar a esse ambiente dinâmico: mudar produtos, mudar processos, mudar padrões administrativos, cada vez num tempo menor.

Unidade 2

35

Universidade do Sul de Santa Catarina

SEÇÃO 2 – Como conquistar competitividade?

Competitividade deve ser entendida como a capacidade que a organização deve ter de formular e implementar estratégias concorrenciais que lhes permitam conservar, de maneira duradoura, uma posição sustentável no mercado (COUTINHO apud GOMES; BRAGA, 2001).

no mercado ( COUTINHO apud GOMES; BRAGA , 2001). Dessa maneira, para uma organização reter sua

Dessa maneira, para uma organização reter sua competitividade ela necessita ser vista pelo mercado como tendo uma vantagem competitiva.

Esse atributo decorre da capacidade de ela gerar valor para o cliente através de seus produtos e serviços.

Neste contexto, para garantir uma vantagem competitiva diante dos concorrentes, apesar das mudanças constantes no ambiente de negócios, é preciso antecipar-se às mudanças, enxergar as oportunidades e observar o panorama político, social e econômico (GOMES; BRAGA, 2001, p.19.).

social e econômico ( GOMES; BRAGA , 2001, p.19.). Qual é a necessidade de vantagens competitivas?

Qual é a necessidade de vantagens competitivas?

A vantagem competitiva está no âmago do desempenho de uma

empresa em mercados competitivos. Após várias décadas de prosperidade e expansão vigorosa, contudo, muitas empresas perderam de vista a vantagem competitiva em sua luta pelo crescimento e busca de diversificação. Hoje, a importância da vantagem competitiva dificilmente poderia ser maior

(PORTER, 1989).

A vantagem competitiva surge fundamentalmente do valor que

uma empresa consegue criar para seus compradores e que ultrapassa o custo de fabricação. O valor é aquilo que os compradores estão dispostos a pagar, e o valor superior provém da oferta de preços mais baixos do que as da concorrência por benefícios equivalentes ou de fornecimento de benefícios singulares que mais do que compensam um preço mais alto (PORTER, 1989).

Elaboração e Análise de Projetos

Assim, para que uma empresa ganhe a vantagem competitiva é necessário que ela alcance um desempenho superior.

Ela deve estabelecer uma estratégia adequada, fundamentada em dois fatores: objetivos coerentes e compreensão do negócio (SERRA; TORRES, 2003, p.5. ).

As empresas estabelecem como bons objetivos não só o retorno financeiro que desejam, como também que o seu negócio seja auto-

sustentável a longo prazo. Alcançar esse objetivo pode ser uma tarefa difícil e trabalhosa e, além disso, apenas estabelecer metas de crescimento, de faturamento e de lucro não é suficiente para garantir o sucesso dos empreendimentos: a dinâmica do mercado e as evoluções tecnológicas e sociais constantemente ditam

as novas regras de concorrência (SERRA; TORRES, 2003,

p.6.).

Da mesma maneira, é preciso compreender bem a área de negócios na qual a empresa está inserida, antes de tomar medidas que afete o seu desempenho interno e a sua imagem perante a sociedade. Por isso a próxima seção propõe que você estude quais são as forças da concorrência.

que você estude quais são as forças da concorrência. SEÇÃO 3 – Quais são as cinco

SEÇÃO 3 – Quais são as cinco forças de Porter?

Michael Porter desenvolveu o seu modelo das cinco forças da concorrência (ou cinco forças de Porter) na década de 1970. Através desse modelo é possível fazer a relação qualitativa entre o potencial de lucratividade das organizações que participam de um determinado setor e as chamadas cinco forças competitivas.

O modelo das cinco forças de Porter é uma das ferramentas mais

utilizadas na elaboração da estratégia empresarial. Ele relaciona a lucratividade média dos participantes de um setor às forças

relacionadas na Figura 2.

Unidade 2

37

Universidade do Sul de Santa Catarina

Universidade do Sul de Santa Catarina FONTE: Porter (1989) FIGURA 2.2 - AS FORÇAS DE PORTER.

FONTE: Porter (1989)

FIGURA 2.2 - AS FORÇAS DE PORTER.

A seguir acompanhe como caracteriza-se cada uma destas forças.

a)

Ameaças determinadas por substitutos

O

poder dos produtos ou insumos substitutos será maior quando:

oferece vantagem de preço em relação aos existentes;

proporciona vantagens de desempenho (custo/ benefício) evidentes.

b)

Rivalidade entre os concorrentes do setor

A

rivalidade entre concorrentes pode ser considerada a mais

significativa das cinco forças. Os aspectos mais importantes são a atividade, a agressividade dos concorrentes e as ferramentas de competição para conseguir mais mercados ou

os melhores pedidos vindos de clientes. Dessa maneira, o

modelo auxilia na determinação do valor criado por uma indústria em função da concorrência direta.

c) Poder de barganha dos fornecedores

Os fornecedores têm poder se:

Elaboração e Análise de Projetos

o setor for dominado por poucas empresas fornecedoras;

os produtos forem exclusivos ou diferenciados, e se for custoso trocar de fornecedor;

o setor de negócios não for um cliente importante para os fornecedores.

d) Barreiras à entrada de novos concorrentes

A ameaça da entrada de novos participantes depende das barreiras existentes contra a sua entrada e do poder de reação dos participantes do setor. Se forem de fato difíceis de superar, as barreiras vão intimidar aqueles que pretendem entrar em determinada área de negócios.

e) Poder de barganha dos compradores

Os compradores têm poder quando:

concentram a compra de grandes volumes;

os produtos a serem comprados são padronizados e não-diferenciados;

os lucros do setor forem reduzidos;

o insumo não for fundamental para a existência, a produtividade ou a qualidade dos produtos ou serviços do comprador;

não houver benefício econômico para o comprador;

os próprios compradores podem passar a fabricar ou a executar o que compram.

Uma vez conhecida as cinco forças de Porter, agora veja com atenção quais são os determinantes que afetam essas forças.

Unidade 2

39

Universidade do Sul de Santa Catarina

Universidade do Sul de Santa Catarina FONTE: Adaptado de Serra e Torres (2003) FIGURA 3. DETERMINANTES

FONTE: Adaptado de Serra e Torres (2003)

FIGURA 3. DETERMINANTES QUE AFETAM AS CINCO FORÇAS DE PORTER.

Elaboração e Análise de Projetos

SEÇÃO 4 – Qual é o conceito de estratégia?

Esse conceito você já estudou em outras disciplinas, mas tendo em vista sua importância, nunca é demais retomá-lo.

A palavra strategia, em grego antigo, significa “a qualidade

strategia , em grego antigo, significa “a qualidade e a habilidade do general” , ou seja,

e a habilidade do general” , ou seja, a capacidade de o comandante organizar e levar a cabo as campanhas militares. Desse conceito tem origem a palavra estratégia, que, nos dicionários, quase sempre tem sua primeira acepção relacionada com situações políticas, guerras ou jogos.

relacionada com situações políticas, guerras ou jogos. Arte de coordenar a ação das forças militares,

Arte de coordenar a ação das forças militares, políticas, econômicas

e morais implicadas na condução de um conflito ou na preparação da defesa de uma nação ou comunidade de nações (Dicionário Houaiss).

Já no contexto empresarial verifique que as definições de

estratégia não deixam de manter os princípios básicos do âmbito militar (SERRA; TORRES, 2003, p.5.):

“A estratégia pode ser definida como a determinação das metas e dos objetivos básicos de longo prazo e uma empresa, bem como a adoção de cursos de ação e alocação dos recursos necessários à consecução dessas metas” (ALFRED CHANDLER Jr.).

“A estratégia corporativa é

competitiva. O único objetivo do planejamento estratégico é capacitar

a empresa a ganhar, da maneira mais eficiente possível, uma margem

sustentável sobre seus concorrentes. A estratégia corporativa, desse modo, significa uma tentativa de alterar o poder de uma empresa em relação ao dos seus concorrentes, da maneira mais eficaz” (KENICHI OHMAE).

em duas palavras, a vantagem

,

“Padrões de objetivos e principais políticas para alcançá-los, expressos de maneira a definirem que negócio a empresa está ou deverá estar e

o tipo de empresa que é ou deverá ser” (KENNETH ANDREWS).

Unidade 2

41

Universidade do Sul de Santa Catarina

“É o padrão ou plano que integra as principais metas, políticas e seqüências de ações de uma organização em um todo coerente” (JAMES BRIAN QUINN).

“A estratégia de uma corporação é o plano-mestre abrangente que estabelece como a organização alcançará a sua missão e os seus objetivos” (J. DAVID HUNGER e THOMAS L. WHEELEN).

Dessas diversas definições pode-se concluir, como afirmam Serra e Torres (2003), que a estratégia empresarial é o conjunto dos meios que uma organização utiliza para alcançar seus objetivos. Tal processo envolve as decisões que definem os produtos e os serviços para determinados clientes e mercados e a posição da empresa em relação aos seus concorrentes.

SEÇÃO 5 – É importante realizar um planejamento estratégico!

O processo decisório na empresa é um processo que se dá sob condições de informação parcial. Nessas condições, a fim de garantir que as decisões tomadas conduzam a empresa na direção desejada, é necessário um processo de coleta e seleção de informações para realimentar o processo decisório.Tal processo faz parte integrante do planejamento empresarial.

Segundo Mathias e Woiler (1996), pode-se entender planejamento como sendo um processo de tomada de decisões interdependentes, decisões essas que procuram conduzir a empresa para uma situação futura desejada.

Dentro desse contexto, para Serra et al., o planejamento estratégico tem sido uma ferramenta extensivamente utilizada pelas organizações, teve seu auge nos anos 1960 e declinou duas décadas depois por não ter sido adaptado, na época, para competir em mercados globais e recessivos.

e declinou duas décadas depois por não ter sido adaptado, na época, para competir em mercados

Elaboração e Análise de Projetos

Elaboração e Análise de Projetos Planejamento estratégico é o processo pelo qual procura-se determinar como a

Planejamento estratégico é o processo pelo qual procura-se determinar como a organização deve atuar em relação ao ambiente, definindo-se os objetivos e as estratégias para alcançá-los (SERRA; TORRES, 2003).

No entanto, poucos anos depois, o planejamento estratégico ressurgiu com toda força devido a duas razões fundamentais: as organizações retomaram o crescimento e a internet e as possibilidades de e-commerce fizeram com que as organizações refletissem sobre o modo de posicionarem-se nesse novo ambiente.

SEÇÃO 6 – Como desdobrar o planejamento?

Para termos de entendimento, lembre-se que o planejamento é o processo pelo qual os acontecimentos futuros serão antecipados, de maneira que as ações sejam implementadas para atingir os objetivos organizacionais. E desse modo, o planejamento, se bem executado, ajudará o empreendimento a concretizar sua visão, a corrigir os rumos e a encontrar oportunidades.

A elaboração do planejamento estratégico não pode ser feita como um simples exercício de planejamento. O planejamento deve decorrer do raciocínio estratégico, para poder ser flexível, para ajustar-se às modificações do meio ambiente e para orientar a implantação de ações planejadas.

e para orientar a implantação de ações planejadas. O planejamento estratégico é estruturado segundo três

O planejamento estratégico é estruturado segundo três componentes da reflexão estratégica: a análise estratégica, a formulação da estratégia e a organização e a implementação dessa (SERRA; TORRES, 2003).

Unidade 2

43

Universidade do Sul de Santa Catarina

A metodologia clássica do planejamento estratégico sugere uma metodologia que:

comece com os aspectos gerais e externos;

passe para os aspectos específicos e internos; e

fundamente-se na elaboração da missão e dos objetivos que orientarão as futuras ações.

missão e dos objetivos que orientarão as futuras ações. Quais são as etapas do planejamento estratégico?

Quais são as etapas do planejamento estratégico?

Para você que ainda não estudou ou ainda não tem bem compreendido, sugiro que a seguir acompanhe com atenção a metodologia para desenvolver um planejamento estratégico. Veja que a Figura 4 apresenta como se dá a metodologia de um planejamento estratégico.

Visão e missão

Análise do ambiente externo Análise do setor de negócios An lise interna e á os
Análise do
ambiente
externo
Análise do
setor de
negócios
An lise interna e
á
os fatores críticos
de sucesso

Determinação de objetivos e de metas

Feedback

Avaliação por indicadores de desempenho
Avaliação por
indicadores
de desempenho

Ação

Estratégias para conseguir vantagem competitiva
Estratégias
para conseguir
vantagem
competitiva

FONTE: Adaptado de Serra e Torres (2003).

FIGURA 2.4 - METODOLOGIA DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO.

Elaboração e Análise de Projetos

Para você ter claro, acompanhe em mais detalhe como se dá cada etapa.

a) Visão e missão

A visão e a missão têm sido utilizadas pelas empresas para

transmitir sua ideologia e seus valores. No entanto, é importante conhecer seus aspectos fundamentais e entender a

sua diferença, que pode, eventualmente, parecer sutil para muitos.

Leia a seguir algumas definições de visão adaptadas de Oliveira (1999):

“Articulação das aspirações de uma empresa a respeito de seu futuro” (HART);

“Algo que se vislumbre para o futuro desejado da empresa” (QUINGLEY);

“Idealização de um futuro desejado para a empresa”

(COLLINS; PORRAS).

E a declaração da missão é a explicação por escrito das

intenções e aspirações da organização.

por escrito das intenções e aspirações da organização. Declaração de missão é o texto que explica

Declaração de missão é o texto que explica as intenções e aspirações da organização e ajuda a difundir o espírito da empresa. É a razão de ser da organização (SERRA; TORRES,

2003).

O objetivo de uma missão é difundir o espírito da empresa,

que está ligado à sua visão e de todos os membros da organização, de forma a concentrar esforços para alcançar suas metas.

Unidade 2

45

Universidade do Sul de Santa Catarina

b) Análise do ambiente externo

Toda organização é um sistema aberto, sofrendo influências externas. Portanto, ao que a cerca, analisando o ambiente com freqüência, para que avalie permanentemente sua posição competitiva. Os fatores que influenciam o macroambiente da atividade empresarial são muitos, e eles podem apresentar-se como elemento significativo para identificação de oportunidades e ameaças.

c) Análise do setor de negócios

A análise setorial pode ser realizada por meio do modelo das

cinco forças da concorrência desenvolvido por Michael Porter. Por esse sistema é possível fazer a relação qualitativa entre o

potencial de lucratividade das organizações que participam de um determinado setor e as chamadas cinco forças competitivas.

Lembre-se que as cinco forças de concorrência de Porter são:

rivalidade entre os concorrentes do setor;

poder de barganha dos fornecedores;

barreiras à entrada de novos concorrentes;

poder de barganha dos compradores; e

ameaças determinadas por substitutos.

d) Análise interna e os fatores críticos de sucesso (análise SWOT)

A análise SWOT é um instrumento muito útil na

organização do planejamento estratégico. Por intermédio dela

pode-se relacionar metodicamente, em um gráfico, quais são

as forças, as fraquezas, as oportunidades e as ameaças que

rondam a empresa, ajudando a gerenciá-las para melhorar o

desempenho (observe a Figura 5).

Elaboração e Análise de Projetos

ASPECTOS A SEREM CONSIDERADOS NA ANÁLISE SWOT

FORÇAS

FRAQUEZAS

OPORTUNIDADES

AMEAÇAS

Estratégia poderosa.

Falta de estratégia.

Novos clientes.

Novos concorrentes potenciais fortes.

Forte condição

Instalações

Expansão geográfica.

financeira.

Marca (imagem ou reputação) forte.

obsoletas.

Balanço ruim.

Expansão da linha de produtos.

Perda de vendas para substitutos.

Queda de

Custos mais altos que os concorrentes.

Transferência de

crescimento do

Líder de mercado reconhecido.

habilidades para

mercado.

 

novos produtos.

Tecnologia própria.

Falta de habilidades importantes.

Integração vertical.

Mudanças nas taxas de câmbio e políticas de comércio.

Vantagens de custo.

Muita propaganda.

Lucros reduzidos.

Problemas

Tirar mercado dos concorrentes.

Regulação que aumenta os custos.

operacionais.

Aquisição de rivais.

Talento para

Crescimento do poder dos clientes ou dos fornecedores.

inovação.

Atraso em P&D.

Alianças ou parcerias para expandir a cobertura .

Bom serviço ao cliente.

Linha estreita de produtos.

Explorar novas

Necessidades reduzidas do produto para os clientes.

Melhor qualidade de produto.

Falta de talento em marketing.

tecnologias.

Alianças ou

Aberturas para extensão da marca.

Mudanças

parcerias.

demográficas.

FONTE: Adaptado de Serra e Torres (2003)

FIGURA 2.5 - ASPECTOS A SEREM CONSIDERADOS NA ANÁLISE SWOT.

A função primordial da análise SWOT, segundo Serra e Torres (2003), é possibilitar a escolha de uma estratégia adequada, para que se alcancem determinados objetivos, a partir de uma avaliação crítica dos ambientes interno e externo da empresa.

Unidade 2

47

Universidade do Sul de Santa Catarina

e)

Determinação de objetivos e metas

O

planejamento estratégico tem relação direta e estreita com o

estabelecimento de objetivos estratégicos, também denominados objetivos-chave.Tais objetivos, que visam reforçar as competências centrais da empresa nos fatores críticos de sucesso dos negócios, convertem a visão e a missão em desempenho desejado e definido, e fazem com que a empresa tenha como foco os resultados.

Para Serra e Torres (2003):

objetivos são marcos que definem o desempenho desejado em relação aos aspectos estratégicos e auxiliam a empresa a ter como foco os resultados;

meta é uma etapa para alcançar o objetivo, e tem valor e data especificados.

f) Estratégias para conseguir vantagem competitiva

A finalidade das estratégias é estabelecer quais serão os

caminhos, os cursos, os programas de ação que devem ser seguidos para serem alcançados os objetivos e desafios

estabelecidos.

g)

Ação

O

processo de implementação e execução da estratégia é

orientado para a ação e envolve a gestão de pessoas, o desenvolvimento de competências e capacidades, orçamentação, motivação, construção de cultura e liderança.

h) Avaliação por indicadores de desempenho

A utilização de indicadores mostra em que direção o

planejamento realizado está caminhando.Tais indicadores servirão não só para indicar se o caminho é correto, mas também se algum fator não previsto pode estar vindo para causar influências.

Elaboração e Análise de Projetos

Por tudo, é importante ficar claro que para poder definir um rumo preciso, as empresas devem estabelecer uma missão e ter objetivos claros. Porém, para alcançar os objetivos e continuar no rumo do sucesso, é necessário conceber estratégias que as diferenciem da concorrência. Eis que surge a próxima seção de estudo.

SEÇÃO 7 – Quais são as estratégias competitivas de Porter?

Empresas que buscam vantagem competitiva podem escolher diversos caminhos estratégicos.

competitiva podem escolher diversos caminhos estratégicos. Podem concentrar-se em um único negócio ou diversificar,

Podem concentrar-se em um único negócio ou diversificar, atender a uma grande variedade de clientes ou concentrar- se em um nicho, desenvolver uma linha de produtos ampla ou estreita ou, ainda, conseguir vantagem competitiva por intermédio de um conjunto de ações, como por exemplo, custo baixo, superioridade de produto ou capacidade organizacional única.

Realizar a implementação da estratégia, para Serra e Torres (2003), envolve ações que buscam dar continuidade à empresa e mostram o progresso mensurável em atender aos resultados e objetivos esperados.

Para Porter há quatro estratégias genéricas:

esperados. Para Porter há quatro estratégias genéricas: liderança em custo; diferenciação; foco em baixo

liderança em custo;

diferenciação;

foco em baixo custo; e

foco em diferenciação.

Veja a seguir, detalhes sobre cada uma delas:

Unidade 2

49

Universidade do Sul de Santa Catarina

a) Liderança em custo

Para manter a vantagem, implica ter a capacidade de reduzir cada vez mais os custos, continuamente e em todas as atividades.

As organizações que optam pela liderança em custo precisam não apenas ser operacional e estruturalmente mais enxutas do que os concorrentes, mas também estar capitalizadas para suportar longos períodos de baixa lucratividade.

para suportar longos períodos de baixa lucratividade. De um modo ou de outro, praticando preços mais

De um modo ou de outro, praticando preços mais baixos ou conseguindo margens maiores, a vantagem em custo deve ser direcionada para melhorar a competitividade e, com isso, aumentar a participação de mercado.

b)

Diferenciação

O

principal objetivo das empresas que escolhem estratégias de

diferenciação é dispor de bens ou serviços com características superiores ou mais atraentes, para que os clientes os percebam

como um valor maior do que outras alternativas do mercado.

As empresas que empregam a estratégia de diferenciação podem utilizar sua vantagem competitiva para cobrar um valor maior pelo que fazem ou, praticando preços similares aos dos concorrentes, aumentar sua participação de mercado e criar lealdade à marca.

Entretanto, é preciso ter cuidado para que os custos resultantes do processo de diferenciação não façam com que o preço ultrapasse os níveis aceitáveis pelos consumidores.

c) Foco em baixo custo e foco em diferenciação

A estratégia de foco consiste em concentrar a atenção da empresa

em uma parcela restrita do mercado, um nicho que ela tenha condições de atender melhor e/ou com preços mais baixos do que a concorrência faz.Tal fatia de mercado precisa conter os clientes que tenham preferências diferenciadas, requeiram características especiais ou tenham necessidades específicas.

Elaboração e Análise de Projetos

Uma estratégia de foco pode ser arriscada se os concorrentes tiveram as capacitações para atender ao nicho, se as preferências dos clientes alinharem-se com os produtos- padrão e o nicho tornar-se muito atrativo.

SEÇÃO 8 – Os projetos são elementos do processo de planejamento

O projeto é parte integrante do processo decisório, pois o projeto

atua como um realimentador desse processo. Dessa maneira, os

projetos devem ser enquadrados dentro de um processo de planejamento, ou seja, não devem estar fora ou sem nenhuma vinculação com os objetivos e metas da empresa.

Portanto, antes que as decisões estratégicas sejam operacionalizadas, tem-se o processo de elaboração e análise de projetos, como um simulador e realimentador das decisões estratégicas, principalmente das decisões de investimento.

A verificação da viabilidade é feita usando um projeto (ou seja,

um modelo da realidade). Ela é de grande importância nessa fase, porque as decisões estratégicas de investimento, em geral, envolvem grandes volumes de recursos, são de longa duração e exercem um impacto profundo na empresa.

Para finalizar o estudo desta unidade, realize as atividades a seguir e exercite os novos conhecimentos.

Para finalizar o estudo desta unidade, realize as atividades a seguir e exercite os novos conhecimentos.

Unidade 2

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Universidade do Sul de Santa Catarina Atividade de auto-avaliação Leia com atenção os enunciados e realize

Atividade de auto-avaliação

Leia com atenção os enunciados e realize as questões a seguir.

1. Explique por que as empresas precisam buscar, constantemente, um índice cada vez mais elevado de competitividade.

2. Como o planejamento estratégico pode ajudar as empresas no processo de desenvolvimento de fatores de competitividade?

3. O que são as forças de Porter? Se você trabalha, procure analisar qual delas mais ameaça a sua empresa e qual mais favorece.

Elaboração e Análise de Projetos

4. Quais são as etapas necessárias ao desenvolvimento de um processo de planejamento estratégico?

5. Faça uma reflexão considerando as estratégias genéricas desenvolvidas por Porter e busque identificar qual se aplica ao caso da sua empresa.

Unidade 2

53

Universidade do Sul de Santa Catarina

SínteseUniversidade do Sul de Santa Catarina Nesta unidade você conheceu sobre o ambiente em que operam

Nesta unidade você conheceu sobre o ambiente em que operam as empresas, a crescente preocupação com a busca incessante pela competitividade e a importância do planejamento como ferramenta de administração. O objetivo é a construção de estratégias que permitam um posicionamento sustentável e duradouro no mercado. Foi apresentado para você a necessidade

que as organizações têm de criar vantagens competitivas, e como

o modelo das cinco forças de Porter pode ajudar às empresas na formulação de suas estratégias organizacionais.

Você tomou conhecimento que o projeto é parte integrante do processo decisório das organizações e que, por isso, devem ser formulados como elementos do seu processo de planejamento estratégico. Para seu melhor entendimento, foram apresentados os conceitos de estratégia e planejamento estratégico, detalhando as diversas etapas que compõem esse processo. Por último, a unidade apresentou as estratégias competitivas de Porter, largamente utilizadas como modelo de análise e formulação de políticas organizacionais.

Na próxima unidade seu estudo será compreender como realizar

o gerenciamento do projeto. Até lá!

Saiba maiscomo realizar o gerenciamento do projeto. Até lá! Para você que quer aprofundar o estudo sobre

Para você que quer aprofundar o estudo sobre os conteúdos desta unidade são sugestões os livros:

BRAGA, F.; GOMES, E. Inteligência competitiva: como transformar informação em um negócio lucrativo. 1 ed. Rio de Janeiro: Campus, 2001. 120 p., cap. 1.

MENEZES, L. C de M. Gestão de projetos. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2003. 227 p., cap. 2.

Elaboração e Análise de Projetos

OLIVEIRA, D. de P. R. de. Planejamento estratégico: conceitos, metodologias práticas. 13 ed. São Paulo: Atlas, 1999. 303 p.

PORTER, M. E. Vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. 2 ed. Rio de Janeiro: Campus, 1989. 512 p.

SERRA, F.; TORRES, M. C. S.; TORRES, A. P. Administração estratégica: conceitos, roteiro prático e casos. 1 ed. Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso Editores, 2003. 178 p.

Unidade 2

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Universidade do Sul de Santa Catarina

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UNIDADE 3

Gerenciamento de projetos

Objetivos de aprendizagemUNIDADE 3 Gerenciamento de projetos Ao final desta unidade você terá subsídios para: 3 diferenciar ação

Ao final desta unidade você terá subsídios para:

3

diferenciar ação por projeto das atividades de rotina;

compreender o ciclo de vida dos projetos e as responsabilidades envolvidas;

conceituar gerenciamento de projeto.

Seções de estudoenvolvidas; conceituar gerenciamento de projeto. Acompanhe a seguir as seções que você irá estudar nesta

Acompanhe a seguir as seções que você irá estudar nesta unidade. Ao final de cada etapa de estudo, use o quadro correspondente para assinalar as seções já estudadas.

SEÇÃO 1 Qual é a necessidade do projeto?

SEÇÃO 2

Como diferenciar projeto da atividade de rotina?

SEÇÃO 3

Como se dá o desdobramento de um projeto?

SEÇÃO 4

Como se dá o ciclo de vida no projeto?

SEÇÃO 5 Quais são os objetivos e princípios na administração de um projeto?

SEÇÃO 6

Quais são os papéis definidos na concepção do projeto?

SEÇÃO 7

Qual é o inter-relacionamento entre os aspectos?

55555555557777777777

Universidade do Sul de Santa Catarina

Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Na Unidade 2, você verificou que

Para início de estudo

Na Unidade 2, você verificou que o planejamento estratégico é uma ferramenta indispensável nesse novo ambiente empresarial. Dessa maneira, o planejamento é uma das principais fontes de desenvolvimento de projetos, pois ele é permanentemente revisado.

A partir desta unidade, o estudo começará a focar a elaboração e

a gestão de projetos. Agora você irá analisar o ciclo de vida, ou

seja, desde a fase de concepção até seu fechamento, além dos princípios que devem ser considerados na administração de um projeto.

Além disso, você estudará o conceito de gerenciamento de projeto, bem como a inter-relação entre as fases do ciclo gerencial (planejamento, execução, controle, verificação e correção). Também conhecerá o gerenciamento técnico e os procedimentos rotineiros em que o gerente do projeto vai se envolver.

SEÇÃO 1 – Qual é a necessidade do projeto?

O atual mundo globalizado, caracterizado por

avanços tecnológicos e mercados dinâmicos, em que a competição entre as organizações industriais e de negócios, faz com que o planejamento estratégico necessite ser permanentemente revisado em ações estratégicas para estar atualizado com relação à movimentação da concorrência, aparecimento de novas tecnologias, legislação governamental, movimento de consumidores, entre outros.

aparecimento de novas tecnologias, legislação governamental, movimento de consumidores, entre outros. 58

Elaboração e Análise de Projetos

Portanto, o planejamento estratégico é uma das principais fontes de desenvolvimento de projetos.

As organizações estão cada vez mais orientadas para o melhoramento contínuo de seus processos de apoio e produtivos. Assim, é possível citar inúmeras fontes internas que demandam projetos dentro das organizações: melhoria de produtos, desenvolvimento de novos produtos, melhorias internas, mudanças organizacionais, gestão estratégica, entre outros.

organizacionais, gestão estratégica, entre outros. Como identificar um projeto? Você pode observar os

Como identificar um projeto?

Você pode observar os processos produtivos em uma organização

e a partir daí identificar se as soluções que serão implementadas são soluções-padrão ou soluções inovadoras. No caso de uma solução-padrão, recorre-se a algumas abordagens metodológicas

e ferramentas específicas para sua implantação. No caso de

soluções inovadoras (MENEZES, 2003), deve-se proceder a uma análise como se a solução a ser implementada fosse um projeto.

Veja no quadro a seguir os processos na rotina de uma organização e suas respectivas soluções.

QUADRO 3.1 - IDENTIFICAÇÃO DE PROCESSOS E PROJETOS NAS ROTINAS.

soluções. QUADRO 3.1 - IDENTIFICAÇÃO DE PROCESSOS E PROJETOS NAS ROTINAS. FONTE: Menezes (2003) Unidade 3

FONTE: Menezes (2003)

Unidade 3

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SEÇÃO 2 – Como diferenciar projeto da atividade de rotina?

Existem algumas variáveis que diferenciam e permitem identificar situações típicas de projetos (soluções inovadoras). Acompanhe a seguir o quadro adaptado de Menezes (2003) com alguns fatores importantes para diferenciar projetos de atividades rotineiras:

 

ATIVIDADES ROTINEIRAS

PROJETO

Objetivos:

sempre que atingem determinado objetivo, assumem outro objetivo e continuam seu trabalho.

termina quando seu objetivo é alcançado.

Horizonte temporal:

é contínuo, ou seja, o processo continua para sempre sofrendo pequenas modificações.

limitado, ou seja, ele tem um prazo para ser realizado e uma data de término que deve ser cumprida.

é

Segurança de

os recursos humanos possuem, teoricamente, segurança de permanência em seus respectivos postos de trabalho.

inexiste essa segurança de permanência, pois os recursos devem ser alocados, para o período de vigência do projeto.

permanência:

Cronologia:

são contínuas, sempre acontecem, dia após dia.

os projetos e suas respectivas atividades possuem datas de início e término bem definidas e que devem ser respeitadas.

Conhecimento prévio do trabalho:

já são conhecidas e dominadas, dada sua repetitividade e previsibilidade.

conteúdo do trabalho é bastante inovador, exigindo estudos específicos.

o

Abrangência:

singular, envolvendo poucas variáveis e pequenas variações, e uso de ferramentas e dispositivos específicos,

os projetos e suas respectivas atividades possuem uma abrangência muito maior.

Prazos:

admitem certa flexibilidade no âmbito dos prazos, podendo ceder seu lugar para outras atividades rotineiras mais prementes e, assim, ser executadas mais tarde ou mesmo interrompidas.

as atividades de um projeto devem seguir uma seqüência e prazos rígidos para evitar que não sejam cumpridos os prazos e eventuais marcos do projeto que foram acordados.

Orçamentação:

apresentam o mesmo tipo de orçamentação e ritmo de gastos uniforme.

apresenta tipos e ritmo de gastos muito variáveis.

Controle de

pode ser um controle estatístico de qualidade, dada sua repetitividade.

Já as atividades de um projeto devem ter o seu controle de qualidade decidido caso a caso.

qualidade:

FONTE : Menezes, p.38. 2003

Elaboração e Análise de Projetos

Ao ler o quadro você não pensou sobre suas atividades no trabalho? Interessante, não? Essa é uma boa reflexão para análise das nossas atividades no trabalho.

A próxima seção estuda como realizar o desdobramento do projeto.

SEÇÃO 3 – Como se dá o desdobramento de um projeto?

A técnica utilizada (MENEZES, 2003) é a do desdobramento do

projeto utilizando critérios e mecanismos variados. Nessa técnica, os principais instrumentos para trabalhar as
projeto utilizando critérios e mecanismos variados. Nessa
técnica, os principais instrumentos para trabalhar as incertezas
são apresentados na figura a seguir:
Entendimento
das partes
Divisão
Minimização
em fases
das incertezas
PROJETO
Melhorias do
Natureza das
controle das
diferenças
incertezas
das fases
Ligações com
Produtos
operações da
distintos em
empresa
cada fase

FONTE: Menezes (2003, p. 42)

FIGURA 3.1 - DESDOBRAMENTO DE UM PROJETO.

Unidade 3

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Para entender melhor como usar cada um desses instrumentos, leia com atenção as descrições:

divisão em fases – consiste na quebra do projeto em elementos menores que podem ser mais bem visualizados e permitem tomadas parciais de decisão, por vezes mais fáceis; entendimento das partes – é o mecanismo que procura compreender o projeto por meio de seus elementos constitutivos, com essas visões menores, procura-se tomar decisões isoladas e que poderão ser empregadas para iniciar o projeto; minimização das incertezas – consiste na aplicação da técnica de análise de potenciais riscos existentes no projeto. São avaliadas, para cada um deles, suas probabilidades de ocorrência e gravidade. Isso permite visualizar melhor o que deve ocorrer no projeto e priorizar as ações para início dos trabalhos; naturezas diferentes das fases – é a técnica que procura identificar diferentes naturezas das fases do projeto, por exemplo: criação,desenvolvimento,construção,teste etc., que permite facilitar a tomada de decisões ou estabelecer toll-gates, marcos que deverão ser atingidos e orientarão a passagem ou não para uma etapa posterior; produtos distintos em cada fase – consiste na identificação clara e precisa dos resultados que deverão ser obtidos em cada instante importante do projeto e que permitam tomar decisões sobre seu futuro; ligação com operações da empresa – é a associação do desenvolvimento do projeto ao cumprimento de determinados marcos associados às atividades rotineiras com as operações da empresa; melhoria do controle das incertezas – é a técnica empregada mediante o estabelecimento de indicadores de desempenho intermediário ao projeto e sua avaliação conjunta com riscos associados. Isso pode ser empregado quando os riscos mudam suas probabilidades e seus impactos à medida que o projeto evolui.

Isso pode ser empregado quando os riscos mudam suas probabilidades e seus impactos à medida que
Isso pode ser empregado quando os riscos mudam suas probabilidades e seus impactos à medida que
Isso pode ser empregado quando os riscos mudam suas probabilidades e seus impactos à medida que
Isso pode ser empregado quando os riscos mudam suas probabilidades e seus impactos à medida que
Isso pode ser empregado quando os riscos mudam suas probabilidades e seus impactos à medida que
Isso pode ser empregado quando os riscos mudam suas probabilidades e seus impactos à medida que

Elaboração e Análise de Projetos

É importante que você saiba que esses mecanismos podem ser empregados com o intuito de iniciar e dar continuidade ao projeto, levando-se em consideração todas as incertezas que lhe são inerentes, para que o projeto possa ser mais bem desenvolvido.

Estude na próxima seção como acontece o ciclo de vida do projeto.

SEÇÃO 4 – Como se dá o ciclo de vida no projeto?

Assim, como os produtos, os projetos também apresentam um ciclo de vida. Os projetos sempre apresentam um início e um fim determinados. Entre esse início e o final do projeto ele sofre todo um desenvolvimento, uma estruturação, uma implantação e, finalmente,uma conclusão.

Pelo ciclo de vida do projeto você pode observar, ou criar, com antecipação e macroscopicamente o que quer que aconteça com o projeto. Ao elaborar o ciclo de vida permite-se realizar um anteprojeto, um estudo de viabilidade sobre o que se pretende desenvolver. Ele é considerado um instrumento valioso para aprofundar idéias e conceitos a serem implementados.

Assim, o ciclo de vida de um projeto representa desde seu nascimento, seu desenvolvimento e consolidação até seu encerramento(MENEZES, 2003).

e consolidação até seu encerramento( MENEZES , 2003). Como é dividido o ciclo de vida de
e consolidação até seu encerramento( MENEZES , 2003). Como é dividido o ciclo de vida de

Como é dividido o ciclo de vida de um projeto?

Unidade 3

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Ele é dividido em quatro fases principais:

concepção;

planejamento;

execução; e

fechamento.

Para Menezes (2003), as etapas do ciclo de vida de um projeto podem ser representadas por suas principais atividades. São quatro.

a) Conceitual

É a fase inicial, que marca a germinação da idéia do projeto, de seu nascimento até a aprovação da proposta para sua execução. São atividades típicas dessa fase:

identificação de necessidades e/ou oportunidades;

tradução dessas necessidades e/ou oportunidades em um problema;

equacionamento e definição do problema;

determinação dos objetivos e metas a serem alcançados;

análise do ambiente do problema;

análise das potencialidades ou recursos disponíveis;

avaliação da viabilidade de atingimento dos objetivos;

estimativa dos recursos necessários;

elaboração da proposta do projeto;

apresentação da proposta e venda da idéia;

avaliação e seleção com base na proposta submetida;

decisão quanto à execução do projeto.

Elaboração e Análise de Projetos

b) Planejamento

Na segunda fase a preocupação central é com a estruturação e viabilização operacional do projeto. Nela, a proposta de trabalho, já aprovada, é detalhada por meio de um plano de execução operacional. São atividades mais comuns nessa fase:

detalhamento das metas e objetivos a serem alcançados, com base na proposta aprovada;

definição do gerente do projeto;

detalhamento das atividades e estruturação analítica do projeto;

programação das atividades no tempo disponível e/ou necessário;

determinação dos resultados tangíveis a serem alcançados durante a execução do projeto;

programação da utilização e aprovisionamento dos recursos humanos e materiais necessários ao gerenciamento e à execução do projeto;

delineamento dos procedimentos de acompanhamento e controle a serem utilizados na implantação do projeto;

estruturação do sistema de comunicação e de decisão a ser adotado;

designação e comprometimento dos técnicos que participarão do projeto;

treinamento dos envolvidos com o projeto.

c) Execução

A terceira fase do ciclo de vida do projeto é a de execução do trabalho propriamente dito. Suas atividades são próprias para cada projeto em particular, porém, genericamente, podem ser descritas como principais ocorrências nessa fase:

ativar a comunicação entre os membros da equipe do projeto;

Unidade 3

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executar as etapas previstas e programadas;

utilizar os recursos humanos e materiais, sempre que possível, dentro do que foi programado (quantidades e períodos de utilização);

efetuar reprogramações no projeto segundo seu status quo e adotando os planos e programas iniciais como diretrizes, eventualmente, mutáveis.

d) Conclusão

Essa última fase corresponde ao término do projeto. É marcada pela dificuldade na manutenção das atividades dentro do que foi planejado e pelo desligamento gradual de empresas e de técnicos do projeto. São comuns nessa fase do projeto:

aceleração das atividades que, eventualmente, não tenham sido concluídas;

realocação dos recursos humanos do projeto para outras atividades ou projetos;

elaboração da memória técnica do projeto;

elaboração de relatórios e transferência dos resultados finais do projeto;

emissão de avaliações globais sobre o desempenho da equipe do projeto e os resultados alcançados;

acompanhamento ex-post.

Ao conhecer como se dá o ciclo de vida de um projeto você está apto para estudar quais são os objetivos e princípios na administração de um projeto.

Elaboração e Análise de Projetos

SEÇÃO 5 – Quais são os objetivos e princípios na administração de um projeto?

O objetivo da administração de projetos, segundo Menezes

(2003), é alcançar o seu controle adequado, de modo a assegurar sua conclusão no prazo e no orçamento determinado, obtendo a qualidade estipulada. Veja a representação disso na figura a seguir:

estipulada. Veja a representação disso na figura a seguir: FONTE: Menezes (2003) FIGURA 3.2 - RESTRIÇÃO

FONTE: Menezes (2003)

FIGURA 3.2 - RESTRIÇÃO TRIPLA EM PROJETOS.

Dessa maneira, o projeto é um todo com início e término definido, cumprir com precisão todos os seus prazos é um dos fatores que avaliam o bom desempenho em sua condução. O cumprimento de prazo deve vir acompanhado de um controle e cumprimento do orçamento previsto originalmente. O projeto deve ser adequadamente planejado desde o seu inicio, os riscos

avaliados, explicitados e valorados. São aceitáveis renegociações

de prazo e orçamento só em casos extremos de mudança de

escopo ou contingência que não puderem ser absorvidas pela

estrutura do projeto (MENEZES, 2003, p.69).

Unidade 3

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O fator qualidade não deve ser esquecido em detrimento do cumprimento dos prazos e do orçamento do projeto. Assim, esse tríduo deve sempre caminhar junto num projeto: prazo, custo e qualidade. Isso significa que, ao se variar um desses parâmetros, estará se afetando um ou os outros dois também.

Além disso, existem dois pontos que sempre precisam estar presentes na administração de projetos:

responsabilidade unificada em um elemento;

planejamento e controle unificado.

unificada em um elemento; planejamento e controle unificado. A responsabilidade unificada em um elemento significa que

A responsabilidade unificada em um elemento significa que cada projeto deve ter um único elemento para o qual con- verge a responsabilidade pelo conjunto de atividades e sua integração. Esse elemento é o gerente do projeto, e por meio dele busca-se a responsabilização de todos pelos resultados parcial e total do projeto. O gerente do projeto passa a ser o elemento centralizador das negociações e comunicações.

Outro ponto vital é o planejamento e controle unificado. Cada projeto deve ser planejado e controlado em sua totalidade. Isso significa que o projeto deve ver o todo e abranger todas as áreas funcionais envolvidas durante o seu processo. Esse planejamento deve contar com a participação de especialistas que identifiquem suas participações específicas no projeto e comecem a comprometer-se com resultados parciais que conduzirão aos resultados globais – prazo, custo e qualidade – do projeto (MENEZES, 2003, p.70).

Elaboração e Análise de Projetos

SEÇÃO 6 – Quais são os papéis definidos na concepção do projeto?

Alguns papéis são muito importantes durante essa fase de concepção do projeto:

o patrocinador;

o gerente;

a equipe básica.

Veja na figura esses papéis e a descrição de principais funções:

Gestor do projeto

* Planejamento.

* Responsabilidade geral.

* Integração de esforços.

* Entrega.

Patrocinador

Início
Início

* Apoio político.

* Interesse no projeto.

* Viabilização.

* Recursos.

Equipe básica

* Conhecimento técnico específico. * Execução. * Qualidade.

* Escopo.

* Garantias.

FONTE: Menezes (2003)

FIGURA 3.3 - INÍCIO DO PROJETO.

Deste modo:

o patrocinador é um profissional da alta administração da empresa que está desenvolvendo o projeto e deve estar interessado em que o projeto seja bem-sucedido. Embora não tenha uma atuação direta, influi estrategicamente em sua condução; auxiliando a

Unidade 3

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manutenção da prioridade dele na organização, a dirimir conflitos de relacionamento interpessoal, facilitando e garantindo a alocação de recursos mais críticos;

o gerente do projeto deve sempre ser definido no inicio do projeto embora, normalmente, ele seja definido na etapa de planejamento. Ele será o grande condutor do projeto, o grande mae- stro que orquestrará a entrada e participação dos diversos especialistas. É ele quem responde pelos resultados positivos ou negativos, intermediários ou finais;

positivos ou negativos, intermediários ou finais; a equipe básica é formada por especialistas que possam
positivos ou negativos, intermediários ou finais; a equipe básica é formada por especialistas que possam

a equipe básica é formada por especialistas que possam auxiliar na definição do escopo do projeto. Eles auxiliam, sobremaneira, a definição sobre estimativas de prazos e recursos que devem ser alocados no projeto.

de prazos e recursos que devem ser alocados no projeto. Qual o conceito de gerenciamento de

Qual o conceito de gerenciamento de projeto?

O gerenciamento é importante durante todo o ciclo de um projeto, desde sua fase conceitual, passando pelo planejamento e execução, até a sua parte final. Dessa maneira, o conceito de gerenciamento é diferente do conceito de administração, que está mais associado à burocracia.

Elaboração e Análise de Projetos

Segundo Caetano (2003), as principais funções do gerenciamento são:

planejamento;

organização;

coordenação;

monitoramento; e

controle durante o processo de produção de algum bem ou serviço ou durante todo o ciclo de vida de um projeto.

Assim, o gerenciamento do projeto (PRADO, 2001) procura garantir que o produto do projeto (bem ou serviço) será obtido conforme o planejamento, no que diz respeito o escopo (o que será feito), prazo, custo e qualidade.

o escopo (o que será feito), prazo, custo e qualidade. Como se dá o gerenciamento técnico

Como se dá o gerenciamento técnico ou do produto?

O gerenciamento técnico procura garantir que o produto do

projeto será obtido conforme o planejamento, no que diz respeito

às suas características técnicas. Ele lida com especificações

técnicas, desenhos, programas de computador, entre outros, que definem as características físicas e de funcionamento do produto (PRADO, 2001, p.40).

São alguns exemplos:

criação de modelos, protótipos e maquetes;

especificação técnica do produto (design);

acompanhamento técnico da construção, montagem, etc;

testes de funcionamento;

atualização da documentação.

Unidade 3

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SEÇÃO 7 – Qual é o inter-relacionamento entre os aspectos?

Os componentes do ciclo do gerenciamento, ou seja, planejamento, execução, controle, verificação e correção, se inter-relacionam durante o ciclo de vida de um projeto. Assim, tanto para o gerenciamento do projeto como para o gerenciamento do produto utiliza-se o ciclo de gerenciamento.

Em alguns tipos de projetos, tais como engenharia, informática e melhorias, o gerente gasta grande parte do seu tempo tratando de aspectos técnicos. Isso fica mais acentuado em empresas que utilizam o escritório de gerenciamento de projetos, que auxilia o gerente do projeto em boa parte de aspectos de gerenciamento (PRADO, 2001, p.42).

parte de aspectos de gerenciamento ( PRADO , 2001, p.42). Quais são os conhecimentos necessários? Durante
parte de aspectos de gerenciamento ( PRADO , 2001, p.42). Quais são os conhecimentos necessários? Durante

Quais são os conhecimentos necessários?

Durante o ciclo de vida do projeto, o gerente se envolve com assuntos que requerem conhecimentos em administração e dos procedimentos administrativos da instituição onde trabalha. São citados os seguintes conhecimentos:

conhecimentos de gerenciamento de projetos;

conhecimentos de administração;

conhecimentos técnicos.

Veja a representação na figura:

Elaboração e Análise de Projetos

na figura: Elaboração e Análise de Projetos FONTE: Prado (2001). FIGURA 3.4 - CONHECIMENTOS NECESSÁRIOS

FONTE: Prado (2001).

FIGURA 3.4 - CONHECIMENTOS NECESSÁRIOS PARA GERENCIAR UM PROJETO.

Para gerenciar um projeto (PRADO, 2001) pode ser necessário interagir com a área financeiro-contábil, e, nesse momento, o gerente do projeto pode necessitar de conhecimentos de contabilidade, de fluxo de caixa, de avaliação de investimentos.

Assuntos como solicitação de contratação de mão-de-obra, interação com a área de meio ambiente, interação com a área financeira e contábil, com sindicato, requerem experiência administrativa e conhecimento de procedimentos e de fluxos de informações.

Unidade 3

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Universidade do Sul de Santa Catarina Quais são os procedimentos rotineiros? Muitos projetos exigem de seu

Quais são os procedimentos rotineiros?

Muitos projetos exigem de seu gerente um envolvimento em tarefas de procedimentos rotineiros como, por exemplo, um projeto de desenvolvimento de um novo produto. O ciclo de vida destes projeto envolve:

atividades estratégicas (estudo da concorrência, pesquisa de mercado, estudo de tendências, etc);

atividades de gerenciamento do projeto;

atividades de gerenciamento técnico ou do produto (criação do produto, criação do processo de fabricação, montagem da linha de fabricação, etc.).

No término do projeto, compete ao setor de produção fabricar o produto, atendendo todas as normas de qualidade da empresa, Entretanto, é comum a existência de dificuldades iniciais que implicam em não-atingimento das normas de qualidade ou um grande número de reclamações dos clientes.

Para corrigir esse problema, algumas empresas estão incluindo no escopo do projeto o acompanhamento da produção por um certo período, de modo a garantir que os indicadores de produtividade e de qualidade sejam atingidos. Nesse caso, o gerente do projeto envolve-se, simultaneamente, com atividades de gerenciamento do projeto, gerenciamento técnico e gerenciamento de operações rotineiras (PRADO, 2001, p.44).

Atividade de auto-avaliação Elaboração e Análise de Projetos Efetue as atividades de auto-avaliação e, em

Atividade de auto-avaliação

Elaboração e Análise de Projetos

Efetue as atividades de auto-avaliação e, em seguida, acompanhe as respostas e comentários a respeito. Para melhor aproveitamento do seu estudo, realize a conferência de suas respostas somente depois de fazer as atividades propostas.

Leia com atenção os enunciados e realize as questões a seguir.

1. Que áreas de uma empresa são maiores demandantes de

projetos?

Tente criar um objetivo de projeto para elas.

2. Que variáveis diferenciam projetos de atividades de rotina?

3. O que é e para que serve o processo de desdobramento de um projeto?