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INSTITUTO CENECISTA DE ENSINO SUPERIOR DE SANTO ÂNGELO

CURSO DE BACHARELADO EM ADMINISTRAÇÃO

ANI CRISTINA BRITES

FERNANDA BARRETO ROBALO

RONALDO ARNOLD

ÉTICA NO SISTEMA CAPITALISTA

Santo Ângelo, RS

2012

ANI CRISTINA BRITES

FERNANDA BARRETO ROBALO

RONALDO ARNOLD

ÉTICA NO SISTEMA CAPITALISTA

Trabalho Interdisciplinar contemplando as disciplinas de Filosofia, Sociologia, Língua Portuguesa I e Teoria da Administração, realizado no Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo (IESA).

Professoras: Cláudia Ilgenfritz

Santo Ângelo, RS

2012

Juliane Colpo

Marise Schadeck

Tania Tybusch

INTRODUÇÃO

Este trabalho apresentará uma análise da possibilidade da atividade ética neste mundo que é global, virtual e ao mesmo tempo desigual.

Este tema é relevante, pois se percebe que na atualidade as mudanças são tão velozes que se podem adotar padrões de comportamentos destrutivos e não se tomar consciência dos mesmos. Ainda mais como acadêmicos, devemos ter clara a noção de que um profissional do futuro deve ter a crítica e a reflexão como companheiras na tomada de decisões.

O objetivo do seguinte trabalho é observar a atual configuração da sociedade

em face às transformações provocadas pelas relações virtuais e ainda analisar a possibilidade da apropriação ética, nesta fase de desenvolvimento do capitalismo.

Este estudo dar-se-á pela leitura das bibliografias indicadas pelas professoras das disciplinas envolvidas no projeto e posterior construção de um texto retratando as reflexões produzidas pela mesma, amparados no filme “Rede Social”.

O trabalho será dividido em três partes, sendo que o primeiro tratará dos

conceitos de globalização, socialização, a segunda parte tratará de relações interpessoais e cibercultura e finalmente na terceira parte serão abordados os temas capitalismo e ética.

DESENVOLVIMENTO

GLOBALIZAÇÃO

Nos últimos anos esse termo tem sido muito empregado, principalmente em debates políticos, negócios e na mídia em geral. Ele é um processo que está intensificando a interdependência social global. Como se vivêssemos em “um único mundo”. Esse fenômeno é ao mesmo tempo global e local, pois afeta o dia a dia de todos. (Giddens, 2007)

Nosso interesse pela questão da globalização é antigo, o que pode ser evidenciado em trabalhos concluídos nos anos 70 e 80, como O Espaço Dividido (1975) e Pensando o Espaço do Homem (1982) (SANTOS, 1994, p.

2).

A “globalização” está na ordem do dia; uma palavra da moda que se transforma rapidamente em um lema, uma encantação mágica, uma senha capaz de abrir as portas de todos os mistérios presentes e futuros. Para alguns, “globalização” é o que devemos fazer se quisermos ser felizes; para outros, é a causa da nossa infelicidade. Para todos, porém, “globalização” é o destino irremediável do mundo, um processo irreversível; é também um processo que nos afeta a todos na mesma medida e da mesma maneira (Bauman, 1999, p. 7).

SOCIALIZAÇÃO

Podemos chamar de socialização ou sociabilização ao processo através do qual os indivíduos aprendem e interiorizam as normas e os valores de uma determinada sociedade e de uma cultura específica. Esta aprendizagem permite- lhes obter as capacidades necessárias para desempenharem com êxito o seu papel de interação social. (Simmel) Tanto em Simmel como em Elias, o mundo social é tido por um conjunto de relações, um todo relacional, relações em processo. É por isso que socialização é interação, e se compreende que as formas de interação são as formas de socialização (Simmel, 1917: p. 58-59). Isso significa que cada relação, por mais insignificante que pareça ser, contribui para a organização da vida em sociedade, e

a sociedade nada mais é do que o conjunto dessas interações (Waizbort, 2000b: p. 96). Portanto, socializar-se implica sempre transformação, pois se trata de processos que são móveis e dinâmicos, não fixos; são transformações tanto estruturais, como processuais e individuais.

RELAÇÕES INTERPESSOAIS

As relações interpessoais de âmbito tanto organizacional quanto pessoal podem ser compreendidas conforme Rocha 2010, citando Carvalho:

“relacionar-se é dar e receber ao mesmo tempo, é abrir-se para o novo, é aceitar e fazer-se aceito, buscar ser entendido e entender o outro. A aceitação começa pela capacidade de escutar o outro, colocar-se no lugar dele e estar preparado para aceitar o outro em seu meio” (2010, p 4).

Partindo das relações interpessoais e somando-se as tecnologias atuais com os meios informáticos produziram-se as relações virtuais. Essas relações são produzidas em um espaço específico, o ciberespaço. Na introdução de sua obra Cibercultura, Pierre Levy defini-nos ciberespaço como “novo meio de comunicação que surge da intercomunicação mundial de computadores.” (LÉVY, 1999, p17) este termo engloba tanto as informações, as tecnologias que as comportam como os seres humanos que delas se utilizam. Já a cibercultura seriam as técnicas, práticas, modos de comportamento e valores que são adotados no ciberespaço. Eles produzem inclusive um novo tipo de saber, os saberes virtuais.

Os saberes virtuais possibilitam comunidades humanas comunicar-se entre si, partilhando negociando permanentemente suas relações e seus contextos de significações comuns. (LÈVY, 2001).

CAPITALISMO

Durante a Idade Média, no sistema feudal, os cidadãos trabalhavam para garantir os seus sustentos e honrar seus compromissos perante a Igreja, obedecendo a uma "ética cristã" imposta pelo clero e a nobreza. Com o capitalismo,

as pessoas não têm, mas a influência da Igreja ou da sociedade para lhes obrigar a seguir tais regras.

O próprio sistema econômico criou uma devoção voltada para os bens materiais que torna compreensível o jeito de viver de cada indivíduo, dedicando se exclusivamente ao trabalho. Na cultura capitalista existe uma forma de ética obrigatória a todos os indivíduos, pois a partir do momento que o cidadão passa a ser capaz de produzir e consumir ele obrigatoriamente imerge num ciclo onde o "ter" passa a ser mais importante que o "ser". Marx Weber define da seguinte maneira a situação de quem for de encontro a essa equidade capitalista: "O fabricante que se opuser por longo tempo a essas normas será inevitavelmente eliminado do cenário econômico, tanto quanto um trabalhador que não possa ou não queira se adaptar às regras, que será jogado na rua, sem emprego. Assim, pois, o capitalismo atual, que veio para dominar a vida econômica, educa e seleciona os sujeitos de quem precisa, mediante o processo de sobrevivência econômica do mais apto." (A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, 21,22).

O capitalismo predomina em nosso planeta. Comprar, vender, lucrar,

acumular, produzir, investir, concorrer, empregar, competir, qualificar,

mercado

de organizar a sociedade, de produzir riqueza e distribuir os bens produzidos

são conceitos que marcam o capitalismo enquanto uma maneira

(GERHARDT, 2008, p.33).

Em um primeiro momento o capitalismo estava diretamente associado com o protestantismo, ficando isso notório em Weber:

A perda de tempo na vida social, em conversas ociosas, em luxos, e mesmo

em dormir mais que o necessário para a saúde, de seis até o máximo de oito

horas, é merecedora de absoluta condenação moral (WEBER, 2001, p.74).

Já na atualidade o capitalismo assume um caráter notavelmente hedonista como afirma Bauman:

uma cultura que promove uma estratégia de vida concentrada na busca da sensação de prazer e na aptidão física, compreendida como capacidade de absorver essas sensações e desfrutá-las de forma plena. (Bauman, 2010

p.84).

ÉTICA

A palavra ética, no sentido que empregamos na atualidade significa uma investigação geral sobre o que é bom. (Moore, 1999). Não devemos confundi-la com moral, que se trata dos costumes e valores de um povo ou cultura específica; sendo o termo ética muito mais amplo. (CHAUÍ, 2005)

A ética nasce quando, além das questões sobre costumes, também se busca compreender o caráter de cada pessoa, isto é, o senso moral e consciência moral individuais (CHAUÍ, 2005, p. 310).

Então se chega à questão: Pode-se construir uma existência ética em um sistema como o capitalismo?

CONCLUSÃO

Após observar os dados apresentados somos levados a acreditar que embora hajam profundas desigualdades geradas pelo capitalismo, ele nos trouxe, inegavelmente, um grande desenvolvimento tecnológico e inúmeros confortos, percebe-se que há possibilidade da atividade ética dentro dele, desde que se desenvolva um processo de introjeção de princípios igualitários que promovam o desenvolvimento não apenas de pequenos grupos ou nações específicas. É necessário se construir uma compreensão de soberania global, que se transcendam os princípios territoriais, étnicos, e de gênero.

REFERÊNCIAS

BAUMANN, Zygmunt. Capitalismo parasitário: e outros temas contemporâneos. Tradução Eliana Aguiar. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 2010. Globalização: as consequências humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar

Editora, 1999. CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Editora Ática, 2005. GERHARDT, Marcos. História das Sociedades. Ijuí. Editora Unijuí, 2008.

GIDDENS, Anthony. Sociologia. 4ª Edição. Porto Alegre: Artmed, 2005. LÉVY, Pierre. A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2000.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.

MOORE, George. Principia Ethica (Princípios Éticos). Lisboa. F.C.G. 1999.

ROCHA, Elizângela Bispo. Relações interpessoais: uma análise empresarial e social. Disponível em: http://www.webartigos.com/articles/26749/1/relacoes- interpessoais. Acesso em: 16/ago/2010 In CARVALHO, Adriany Relações interpessoais e desenvolvimento de equipes. Recife: Sebrae, 2010. SANTOS, Milton. Técnica espaço tempo: Globalização e meio técnicocientífico- Informacional. São Paulo, 1994.

SCHERR, A. Sozialisation, person, individuum. In: SCHÄFERS, B. (Hrsg.). Einführung in Hauptbegriffe der Soziologie. 6. erw. Aufl. Opladen: Leske und Budrich, 2002

WAIZBORT, L. Elias e Simmel. In: WAIZBORT, L. (Org.) Dossier Norbert Elias. São Paulo: EDUSP, 2000b.

WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Editorial Presença, Lisboa, 2001.