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1 Katie Maxwell – Goth Series 01– Got Fangs!

Sinopse:

Francesca Getti de dezesseis anos quer ter uma vida normal, onde ela é
uma na multidão misturando-se nela, então ninguém saberia o quanto
esquisita ela é. Arrastada pela Europa pela sua mãe para se juntar a
Feira Gótica, um grupo viajante de psíquicos, mágicos, e uma variedade
de outras esquisitices, Fran tem que lidar não só com a angústia normal
de sempre ser um peixe fora d'água, mas também com o fato de ela ser
uma vidente. Entra um Moravian Dark One (conhecido pela maioria das
pessoas como vampiro) chamado Benedikt que afirma que Fran é a
chave para a redenção de sua alma, um cavalo misterioso que parecer
ter um passado envolvido, uma amiga imortal que lembra de como
Mozart era, e um demonologista que pensa que é Elvis, e você pode
entender por que Fran se desespera tentando se encaixar.
Capítulo 1
O que você quer fazer primeiro – ter sua aura fotografada ou ir à bruxa
e ela lançar um feitiço? ”A garota perguntou.” Você sabe aquele garoto
medroso que via pessoas mortas em Sexto Sentido? Ele é o Norman P.
Normal comparado a mim. Um cara usando uma mochila respondeu a
pergunta da garota. “Eu quero ver o demonologista. Eu tenho tido má
sorte ultimamente; isso pode ser devido a demônios. Ele pode me dizer
se eu fui demonizado.” Ok, então o garoto podia ver fantasmas, eu
podia dar isso a ele, mas sua mãe era uma bruxa de boa fé? “Eu não sei
que demônios dariam a você má sorte, John,” a garota disse, franzindo
a sobrancelha. “Isso soa como uma maldição. Talvez nós devêssemos
ver a bruxa primeiro e checar você por maldições.” Ele passa seus dias
viajando pela Europa com um grupo de pessoas que sabem mais sobre
fantasmas, demônios, e vários tipos de coisas estranhas do que coisas
como caixas eletrônicos e celulares e a última gostosa no American
Idol? A voz da garota cortou através do meu desvario mental “Eu ouvi
que eles têm um vampiro que bebe sangue de um voluntário cada noite!
Eu amaria ver isso!” Ah, sim, eu esqueci os vampiros. Não que a Feira
Gótica tenha algum, mas ainda, o que eu estava pensando? “Hey,
Lindsay, dá uma olhada naquela garota. Ela parece estranha. Você acha
que ela faz parte do show?” Eu aposto que o garoto do Sexto Sentido
tinha que viver em uma casa normal, com uma mãe normal, e ir para
uma escola normal com as outras crianças normais. Eu estaria de
coração disposta a me exibir com um pouco de “Eu vejo gente morta”
em ordem para ter todo aquele normal ao redor de mim. “Shhh, ela
pode ouvir você.” Os dois pararam em frente a mim, uma garota e um
cara provavelmente uns poucos anos mais velhos do que eu,
aproveitando a oportunidade para me dar mais uma olhada. Eu tentei
parecer como se não houvesse nada de anormal em estar em frente a
uma tenda com uma grande mão vermelha pintada de um lado,
afundando minhas próprias mãos em meus bolsos só para ter certeza
que eu não toquei em nada. Não tocar, não diga que essa não é minha
política. “Tudo bem, ela provavelmente nem mesmo fala inglês. Ela com
certeza não parece normal, não com toda aquela pele branca e cabelo
preto. Talvez ela seja uma dos Góticos?”
Ou talvez só acontece que eu tenho um pai italiano e uma branquela
mãe escandinava? Você pensa? A garota riu. Eu mandei uma pequena
oração para a deusa que Imogen colocaria seu traseiro em marcha e
voltaria para seu estande então eu não teria que ficar aqui e deixar os
ignorantes de bica aberta por mim. Ignorante – que é uma daquelas
palavras que você suportava quando você viaja com um show de
horrores. Isso significa as não legais, pessoas sem estrutura para o
estilo da Feira. “Talvez ela seja um dos vampiros! Parece-se com um,
você não acha? Eu posso vê-la bebendo o seu sangue.” Eu virei minhas
costas para que eles não vissem meus olhos rolarem. Podia ser raro
encontrar americanos tão longe na Hungria, mas eu não estava tão
desesperada para ver meus compatriotas quererem que eu bebesse seu
sangue. Além do mais, todo mundo sabia que só caras eram vampiros.
“Francesca, eu lamento tanto!” Imogem apressada passando o casal,
seu longo cabelo loiro ondulando atrás dela enquanto esquivava-se
atrás de uma mesa e agarrava a placa e o cavalete que mostravam que
ela estava disponível para ler palmas e pedras de runas. Ela ignorou o
casal observando enquanto colocava o cavalete no canto da tenda,
atirando a placa sobre ela enquanto tagarelava no seu estilo registrado
Imogen – suave sotaque aspirado que era parte britânico, parte alguma
coisa que eu não podia por meu dedo nele, não que eu estivesse na
Europa tempo suficiente para aprender como dizer alguma coisa mais
do que: oi, tchau, obrigado, quanto é isso, e eu não deixaria meu
cachorro usar esse vaso; onde está o limpo? Em três diferentes línguas
(alemão, francês e húngaro, para aqueles de vocês que estão se
doendo para saber). “Muito obrigada por olhar minhas coisas. Absinthe
insistiu em me ver – evidentemente houve outro roubo. Ah, abençoada
seja, você não tocou em nada. Você sabe que eu não gosto que
ninguém toque nas pedras, e Elvis estava atrás de mim para ajudá-lo a
montar, o que é ridículo, por que você sabe que ele tem uma aura
laranja, e pessoas com auras laranja estão absolutamente mortas para
mim antes que eu suponha ler. Mas eu tenho algo excitante para contar
a você! Meu irmão está vindo me ver!” Eu me endireitei do meu
perpétuo desengonçado e dei ao casal um grande, sorriso cheio de
dentes para mostrar a eles que eu não tinha presas. Eu era tão alta
quanto o cara (um metro e oitenta e dois), e tão grande quanto, ou
maior do que ele. Ele pareceu um pouco preocupado com o fato. A
garota corou um pouco e agarrou o braço do namorado, arrastando ele
em direção a larga tenda, aquela onde a banda tocava depois dos
shows de mágica. A ironia de eu tentando provar que eu era normal não
me fugia. Eu sou assim. Eu vejo ironia demais. Você sabe o que. É uma
dor no traseiro. “Eles pensavam que eu era um vampiro,” eu disse a
Imogen enquanto ela sacudia seu pano azul estirando. Ela ergueu uma
sobrancelha dourada. “Você? Você é uma mulher.” Eu reiniciei meu
desleixo que me fazia parecer menos com um jogador de futebol
musculoso, e puxei minha camiseta em uma tentativa de me fazer
parecer menor, mais bonita, mais fina... Você sabe, como uma garota.
“Sim. Acho que eles não sabem das regras.” Ela murmurou alguma
coisa que soou como peões, e arrumou as três tigelas de cerâmica de
pedras de runa ao longo de um lado do pano estirado. “Absinthe disse
que a banda fugiu a noite com a última entrada da semana, mas Peter
disse que eles não, que só ele e Absinthe têm a combinação para o
cofre, e que ele não foi forçado. Ela foi para a Alemanha para encontrar
uma nova banda. Eu mordi a pele rachada do meu lábio inferior. Esse
era o terceiro roubo nos últimos dez dias. Embora eu odiasse
concordar com Absinthe, se a banda escapou durante a noite, isso
soava como eles fossem culpados. “O que eles vão fazer sobre hoje à
noite?” “Peter esta contratando uma banda local. Eu espero que eles
sejam bons; as últimas bandas que ele contratou tem sido do abismo
além do ponto de vista.” Eu inclinei minha cabeça para o lado, enfiando
meu cabelo atrás de minha orelha, desejando pela milionésima vez que
ele fosse qualquer coisa exceto liso, liso, liso. Outras pessoas tinham
cabelo cacheado – mesmo minha própria mãe tinha cabelo cacheado.
Por que eu não posso? “Você é a única pessoa que eu conheço que
escutou Mozart tocar em pessoa, e ainda pensa que bandas góticas são
as melhores.” Imogen me deu um de seus sorrisos matreiros “Mozart
era um pirralho. Talentoso, mas ainda um pirralho. Mas The Cure –
agora isso é música!” Vê sobre o que eu estou falando? É normal que
sua melhor amiga seja uma imortal de quatrocentos anos de idade?
“Qual o problema, Fran? Você de repente parece chateada com alguma
coisa. Elvis tem te incomodado de novo? Você gostaria que eu...” Eu
balancei minha cabeça. “Você sabe que ele não vê ninguém além de
você. E além do mais, eu sou maior do que ele. Eu acho que ele tem
medo que eu o espanque se ele tentar mexer comigo.” Imogen se
afastou das luzes perfumadas, inclinando sua cabeça enquanto me
olhava. O inclinar de sua cabeça era muito melhor do que o meu, desde
que ela tinha longo, cabelo cacheado, enquanto o meu era curto, do
comprimento do queixo, cheio de cabelo preto liso que recusava tanto
bobes ou química de permanente para dar a ele corpo. “Estou vendo.
Você está se sentindo deslocada de novo.” Eu não podia me impedir de
rir com aquilo. Legal, por que eu gosto de Imogen, mas ainda assim, eu
tinha que rir. “De novo. Sim, como quando eu sempre sou a
deslocada?” “Eu acho que a pergunta é, de preferência, por que você
se sente que é?”
Eu olhei ao redor para ter certeza que ninguém estivesse perto para nos
escutar – não que algumas pessoas ligadas a Feira Gótica1 tivesse que
estar por perto para escutar (eu apostaria com você toda minha mesada
do verão que o garoto do Sexto Sentido não tinha leitores de mente
escutando os pensamentos dele). “Você quer uma lista? Você vai ter!
Primeiro, eu sou aproximadamente do tamanho e da forma do seu
linebacker2 comum da escola. “Não seja boa; você não é. Você é uma
garota adorável, alta e escultural. Os homens vão estar caindo aos seus
pés em poucos anos.” “Sim, caindo de susto,” eu disse, então
rapidamente me movi antes que ela fosse forçada a dizer outras coisas
legais sobre mim. Você só tinha que olhar para mim e ver que eu sou
grande, monstruosamente imensa. Eu não precisava da minúscula,
pequena, delicada pena vinda da minúscula, pequena, delicada Imogen.
“Segundo, meu pai se casou novamente com uma garota que é só um
par de anos mais velha do que eu, e me disse que ele precisa de seis
meses sozinho com ela para se assentar, o que significa que quando
minha mãe conseguiu um emprego em uma feira européia, eu tinha que
ir com ela.”

1 GothFaire – feira com roupas de época (inspirada em povos


germânicos) e também há o estilo gótico. 2 Linebacker – uma posição
no futebol americano. Os jogadores que fazem linha de frente para
barrarem os oponentes.

“Eu lamento por seu pai,” ela disse, sua testa toda franzida, com se
aquilo realmente importasse para ela. Esta é uma das coisas que eu
gosto tanto em Imogen – é honesta. Se ela gosta de você, ela realmente
gosta de você, tudo em você, e se levantava por você contra quem - ou
o que quer que estivesse fazendo de sua vida um pesadelo vivo. “É
errado dele, banir você de sua vida. Ele devia saber melhor.” Eu fiz a
cara que minha mãe chamava de uma tromba. “Mamãe disse que ele
está tendo uma crise de meia idade, e que é o porquê ele ter comprado
um carro esporte e arranjado para si uma esposa troféu. Tudo bem. Eu
realmente não gostava de ficar muito com ele.” Bzzzt! Grande e enorme
mentira. Eu esperava que o detector de mentiras de Imogen não me
pegasse com essa. Eu me apressei para a próxima queixa em caso dele
ter feito. “Terceiro, a feira não é uma feira normal, do tipo com pipoca e
algodão doce e falsos cantores country. Ah, não, esta feira está repleta
de pessoas que podem falar com os mortos, fazer mágica de verdade,
ler mentes, e outras coisas esquisitas como isso. Um minuto eu tinha
uma vida relativamente normal com amigos normais e uma escola
normal, vivendo com uma quase normal mãe em Oregon, e no outro eu
sou Fran a Rainha Esquisita, passando o verão saindo com pessoas
que dariam a maioria das pessoas um caso de calafrios que duraria
para uma vida. Se isso não é algo para se parecer chateado, eu não sei
o que é.” “As pessoas daqui não são esquisitas, Fran. Você tem estado
com a gente tempo suficiente para ver isso. Elas são dotadas com raros
talentos, assim como você é.” Eu mergulhei minhas mãos mais
profundamente em meus bolsos, a suave seda das luvas de látex
roçando contra as pontas de meus dedos. Meu “talento” era algo que
eu não gostava de falar. Para ninguém, não que alguém além de Imogen
e minha mãe soubessem sobre isso. Eu acho que Absinthe suspeitava,
mas ela não podia fazer nada sobre isso. Ela tinha medo do que minha
mãe faria com ela se tentasse mexer comigo. Ok, às vezes era bom ter
uma bruxa como mãe. A maior parte do tempo, porém isso apenas
enchia. O que eu daria por uma mãe que fosse uma secretária e
soubesse como assar biscoitos... “Você não acha que eu sou uma
aberração, acha?” Os olhos azuis de Imogen ficaram pretos. Essa era
uma das espécies de coisas que podia fazer, ela me disse. Seus olhos
mudavam as cores com fortes emoções. “Não, não você, você não
podia impedir que seu pai fosse um vampiro.” “Dark One,” ela corrigiu,
agitando as velas. Elas eram as especiais que minha mãe fez, velas de
encantamento, ligadas com feitiços e ervas para melhorar a clareza da
mente e a comunicação com a deusa. Eu acenei. Uma das primeiras
coisas que Imogen tinha me dito sobre os vampiros era que eles
gostavam de ser referidos por seus nomes apropriados: Moravian Dark
Ones. Só os caras eram Dark Ones, no entanto; as mulheres eram só
chamadas de Moravian. “Você não é uma aberração só por que seu pai
foi amaldiçoado por algum lorde demônio. Não é como se você bebesse
sangue ou qualquer coisa.”
Imogen deu de ombros. “Eu tenho. Não é muito bom. Eu prefiro
Frankovka.” Esse era o vinho preferido de Imogen, a única coisa que
ela bebia. Ela tinha estojos das coisas que transportava com ela de
cidade em cidade. Ela dizia que isso a lembrava de sua casa na
República Tcheca. “Eu acho, querida Francesca, que o que você mais
precisa é de um amigo.” Eu chutei um torrão na grama, e observei pelo
canto de meu olho enquanto ela fazia uns símbolos no ar. Barreiras, ela
as chamava, artifícios de proteção com um feitiço que você tinha que
desenhar no ar. Todos os vampiros – desculpe – Moravians – podiam
desenhar barreiras. Mamãe tinha estado perturbando Imogen para
ensiná-la a como fazê-las, mas por alguma razão ela tinha recusado.
“Eu tenho amigos, muitos amigos.” Essa era outra mentira, eu não
tinha amigos de verdade em casa, mas eu percebia que eu não
precisava fazer a mim mesma soar mais patética do que eu já tinha.
“Não em Oregon, aqui. Você precisa de amigos aqui.” Ela não olhou
acima enquanto traçava outro símbolo no pano estendido. “Eu tenho
amigos aqui também. Há você.” Ela sorriu e me acenou em direção a
ela. Eu me inclinei para frente, à parte de trás do meu pescoço
formigando enquanto seus dedos dançavam no ar a algumas moléculas
de distância da minha testa. Ela tinha desenhado uma barreira de
proteção para mim uma vez antes, quando cheguei pela primeira vez e
Elvis – o mestre paquerador residente – tentou me acertar. Ter uma
barreira de proteção em você era uma sensação estranha, como se o ar
ao seu redor fosse espesso e pesado, como em um casulo. Eu nunca
tinha visto uma barreira verdadeiramente funcionar (mamãe tinha umas
poucas palavras para Elvis, palavras como “murchando a virilidade e
diminuindo se você encostar um dedo nela.”), mas ainda assim, era um
gesto legal da parte de Imogen utilizar um pouco de seu poder sobre
mim. “Estou lisonjeada, Fran, Você é, deveras, um de meus melhores
amigos.” Eu tentei não sorrir. Imogen falou algo como vindo de um
antigo filme inglês – muito rico em vogais, toda apropriada e perfeita
gramática, com um monte de palavras grandes como um professor que
namorava mamãe costumava, mas misturado no que era um punhado
de gíria que soava estranho em comparação. Ela não sabia disso,
entretanto, e eu não queria ferir seus sentimentos. “E eu gosto de Peter
também. Ele é legal, quando ele não está se rastejando ao redor de
Absinthe.” “Sim, ele é. Eles são o par mais estranho...” ela colocou uma
caixinha onde mantinha seu dinheiro debaixo da mesa, e retirou a
poeira da cadeira. “Sabia que eles são gêmeos?” Eu balancei minha
cabeça. Eles não se parecem com gêmeos. Absinthe tinha cabelo rosa,
sobrancelhas finas de lápis e um frágil sorriso, enquanto Peter era
pequeno, careca e tinha bons e gentis olhos, eu tinha ouvido que eles
tinham comprado a Feira de um grupo de pessoas que costumavam
trabalhar aqui, um grupo que se dispensou quando expulsou os
anteriores proprietários que eram assassinos psicóticos que tinham
assassinado um monte de mulheres por toda a Europa. Você se
surpreende que eu queira ir para casa? “Eles são, apesar de eles não se
parecerem um com o outro. É quase como se um tem todas as boas
qualidades, e o outro as lamentáveis.”
Eu sorri depois de uma rápida checagem para ter certeza que nenhum
estava próximo (você não é muito cuidadoso quando Absinthe está
relacionada). “E então há Soren. Ele é um amigo, também.” “Sim, tem o
Soren,” ela disse enquanto se sentava, endireitando sua camiseta de
renda franzida da Stevie Nicks retrô anos setenta. Eu podia dizer que
ela estava tentando não parecia toda entendida, do jeito que os adultos
fazem quando você fala sobre um cara de sua própria idade. A coisa é
Imogen parecia como se fosse uns poucos anos mais velha do que eu,
cerca de vinte, então algumas vezes eu esquecia que ela tinha vivido
tanto quanto ela é fazendo-a mais adulta do que qualquer adulto que eu
conhecia. “Ele é um garoto muito doce.” “Ele é legal,” eu disse,
realmente indiferente. Eu não precisava de Imogen dizendo a todos que
eu tinha uma queda por Soren. Eu não, no caso de você estar
pensando. Soren tinha quinze (um ano mais novo do que eu), tinha
cabelos cor de areia e um rosto cheio de sardas, e era sete centímetros
e meio mais baixo e provavelmente 20 quilos mais magro. Ele era,
entretanto, a única outra pessoa na Feira que era perto da minha idade,
então nós andávamos juntos. “Eu acho que talvez...” Imogen olhou para
cima e sorriu brilhantemente para três jovens mulheres que se
aproximavam de sua mesa. Elas perguntaram-na algo em húngaro, e
depois me dando um desculpado olhar, ela respondeu e acenou para as
cadeiras no lado oposto da mesa. Clientes. Eu estava uma pouco
solitária e teria gostado de ficar e papear com Imogen, mas uma das
primeiras coisas que eu tinha aprendido quando minha mãe me
arrastou para aqui há um mês era que clientes pagantes vinham
primeiro. Eu dei a Imogen um pequeno aceno e sai para ver o que Soren
estava fazendo. A Feira Gótica é geralmente posta em uma básica forma
em U, com uma grande tenda no fundo do U, e duas longas asas
contendo as barracas individuais, com todo “talento” ao longo de um
lado, e as barracas de venda ao longo da outra. As barracas não eram
barracas de camping; elas eram feitas de lona pesada, pintadas em
cores selvagens com selvagens padrões, todas elas abertas na frente,
algumas com painéis de madeira para reforçar. A maioria podia ser
rapidamente montada e desmontada, e embalada em sacos grandes de
lona. Soren principalmente ajudava com a parte do monta e desmonta,
mas ele também fazia estranhos trabalhos, coisas que seu pai (Peter)
tinha que supostamente fazer, mas nunca tinha tempo para terminar. Eu
perambulei nas linhas das barracas, tecendo o ir e vir dos
freqüentadores da feira, escutando, mas não entendendo, as diferentes
línguas ao meu redor. As grandes luzes alinhadas nos corredores
tinham sido ligadas, desde que o sol tinha apenas baixado, lançando
misteriosas sombras nas pequenas depressões e buracos do campo
gramado que marcava a feira. Sedutores aromas picantes vinham das
barracas de venda de comida, misturada com o leve cheiro prolongado
da terra aquecida pelo sol embaixo de minhas sandálias. Eu acenei para
mamãe enquanto ela aconselhava alguém com um feitiço. Davide, seu
gato, sentado parecendo um bolinho preto de carne sobre a mesa dela,
suas patas da frente debaixo de seu peito, seus bigodes brancos
retorcendo enquanto ele me observava caminhar. Davide realmente não
gostava de mim, mas eu o relevava a maior parte por que eu gosto de
gatos, mas também porque minha mãe disse que ele era muito sábio.
Um gato. Sábio. Tanto faz. Achei Soren com um monte de caras em
jaquetas combinadas jeans, descarregando caixas e equipamentos de
som, vindas de um velho caminhão batido. “Hei,” eu disse. “Hei,” Soren
disse de volta. Nós somos legais desse jeito. “Do que a banda se
chama?” Eu perguntei enquanto ele lutava com um amplificador que
era quase tão alto quanto ele era. Eu levantei um lado daquilo sobre
meu ombro e ajudei-o a tirar do caminhão e para um carrinho de mão.
“Crying Ores. Eles parecem ótimos, não é?” Ambos olhamos os caras
agrupados ao redor de uma mesa de som. Eu dei de ombros. “Eles
parecem como todas as outras bandas.” Eu morreria antes de admitir,
mas gótico não era realmente meu estilo. Eu era uma garota de balada.
Eu gostava de Loreena Mckennitt e Sarah McLachlan, mulheres como
elas. Caras cantando sobre querer retalhar os pulsos de alguém e
observar seu sangue gotejar para sempre só me deixava gelada. “Eu os
ouvi noite passada. Eles são bons. Você vai gostar deles.” Eu dei de
ombros de novo. “Leve isso para mim, por favor. Dê isso para Stefan;
ele é o homem com uma orelha.” Soren atirou uma pesada bobina de
cabo em meus braços. Eu resmunguei um pouco enquanto ele o fazia. A
maldita coisa pesava uma tonelada. Eu cuidadosamente me enfiei em
torno dos amplificadores, pilhas de equipamento de som, e caixas
sortidas, e caminhei para dentro do beco entre o caminhão e a barraca.
Direto no caminho de uma motocicleta.
Capítulo 2

“Narng.” A escuridão girou através da minha cabeça, mas ela não era a
escuridão familiar no interior de minhas pálpebras, ou mesmo o dobro
da escuridão experimentada na anestesia, mas uma realmente negra
escuridão que era preenchida com tristeza...e preocupação. Você está
ferida? Alguma coisa dói? “Gark,” eu disse. Finalmente eu acho que
essa era eu, senti meus lábios se movendo e tudo mais, mas eu não
acho que já disse a palavra “gark” antes em minha vida, então
realmente, por que estaria dizendo ela agora, para essa triste escuridão
que falava diretamente em minha cabeça? Gark. Eu não estou
familiarizada com essa palavra. Ela é algo novo? “Mmrfm” Yep, essa era
eu falando, eu reconheci o 'mmrfm'. Eu dizia isso a cada manhã quando
o rádio-relógio disparava. Eu sou uma pesada dorminhoca. Eu odeio
ser acordada. Você não parece ferida. Você bateu sua cabeça? A
motocicleta! Eu tinha sido atropelada. Eu estava provavelmente morta.
Ou morrendo. Ou delirando. Você andou diretamente em frente a mim.
Eu não tive tempo de evitá-la. Você realmente devia aprender a olhar
antes de sair por de trás de caminhões. Você não devia estar dirigindo
numa rapidez louca , eu pensei de volta para a voz que deslizava como
suave veludo contra meu cérebro, não que no mínimo surpreendesse
ou chocasse ou mesmo estranhasse que alguém pudesse falar comigo
sem utilizar palavras. Eu tinha estado com a Feira Gótica por um mês
inteiro. Eu tenho visto coisas estranhas. A voz sorriu. Eu sei que isso
soa estúpido, por que como pode uma voz sorrir, mas ela sorriu. Eu
senti o sorriso em minha cabeça tanto quanto claramente eu senti as
mãos correndo abaixo em meus braços, obviamente me checando por
algum ferimento. Eeek! Alguém estava me tocando! No segundo que
minhas mãos fossem tocadas...
Meu cérebro foi preenchido com imagens, como um show de slides de
estranhos momentos desconectados no tempo. Havia um homem em
um daqueles longos, bordados, ornamentados casacos como os caras
revolucionários vestiam. Este cara estava acenando seus braços ao
redor e parecendo realmente orgulhoso com alguma coisa, mas apenas
tão logo eu dei uma boa olhada nele, ele se dissolveu em lama e chuva,
e sangue gotejando nas roupas de um cara morto na 1º Guerra Mundial.
Ele estava estirado para trás em uma vala, seus olhos abertos, sem ver
enquanto a chuva escorria abaixo de suas bochechas e em seus
cabelos. Era noite, e o ar estava cheio do cheiro de enxofre e urina e
outras coisas que eu não queria identificar. Aquilo se dissolveu também
(graças a deusa), dessa vez uma lady com uma enorme, e quero dizer
enorme como uma cerca alta, peruca branca polvilhada e um gigante
vestido armado com seus seios quase pulando fora dele. Ela estava
levantando a parte inferior da saia, deslizando isso para trás
lentamente, expondo sua perna como se isso fosse alguma coisa
especial (ela não era), dizendo algo em francês sobre prazer. Eu
empurrei minha mão para afastar o homem me tocando ao mesmo
tempo que eu abri meus olhos. Vampiro. Moravian. Nosferatu. Dark One.
Chame ele do que você quiser; esse homem era um sanguessuga. Seus
olhos se encontraram com os meus e eu suguei minha respiração. Ele
era também o cara mais gato que eu tinha visto em toda a minha vida
inteira. Nós estamos falando de abra-sua-boca-e-deixe-a-baba-cair
gracinha. Nós estamos falando de quente. O maior gostoso. O mais
gostoso de todos os gostosos. Ele não tinha só boa aparência; ele era
de cair no chão morto de lindo. Ele tinha cabelo castanho escuro
puxado para trás em um rabo de cavalo, olhos pretos com sobrancelha
tão longas que nele pareciam como se ele usasse rímel, um moderno
monte de pelos masculinos, e ele era jovem, ou pelo menos parecia
jovem, talvez dezenove. Vinte no máximo. Brincos em ambas as
orelhas. Jaqueta preta de couro. Camiseta preta. Corrente prata com
uma cruz céltica ornamentada pendurada em seu peito. Ah, sim, esse
era um cara merecedor de se babar, curvando-se sobre mim, e só para
minha sorte, ele era um dos mortos-vivos. “Alguns dias eu apenas não
posso vencer,” eu disse, me empurrando para uma posição sentada.
“Alguns dias eu nem mesmo tento,” ele respondeu, sua voz a mesma
da que tinha roçado em minha mente. Ela era ligeiramente estrangeira,
não alemã, como Soren e Peter, mas algo mais, eslava talvez? Eu não
tinha estado na Europa Oriental a tempo suficiente de ser capaz de
discernir os sotaques muito bem, e desde que todo mundo na feira
falava inglês, eu não tinha realmente que aprender tanto. “Você está
ilesa.” “Isso foi uma pergunta ou um comentário?” Eu perguntei
ignorando a sua mão enquanto ficava em meus pés, limpando meus
jeans e testando minhas pernas para qualquer possível fratura exposta
ou desmembramento ou alguma coisa como isso. “Ambos.” Ele se
levantou e retirou a sujeira e grama de minhas costas. “Ah, sorte minha,
eu fui atropelada por um comediante,” eu rosnei. “Hei! Mãos para si
mesmo, imbecil!” Suas mãos, no ato de limpar a grama de minhas
pernas, pausaram. Ambas as sobrancelha dele, levantaram. “Minhas
desculpas.” Eu puxei para baixo minha camiseta e dei a ele um olhar
para deixá-lo saber que ele poderia ser um vampiro, mas eu estava
acima dele. Que foi quando isso me ocorreu que eu tinha olhar para ele.
Como em... Acima. “Você é mais alto do que eu.” “Estou feliz em ver
que você não está sofrendo de nenhum dano cerebral. Qual é o seu
nome?” “Fran. Uh... Francesca. Os pais de meu pai eram italianos. Eu
fui chamada por minha avó. Ela está na Itália.” Deus, eu podia soar
ainda mais estúpida? Balbuciando, eu estava positivamente
balbuciando como uma idiota, para um homem que em algum momento
em sua vida teve uma topetuda garota da revolução francesa
desnudando suas pernas para ele. Ah, brilhante, Fran. Faça-o pensar
que você é uma lunática delirante. “Este é um nome muito bonito. Eu
gosto dele.” Ele sorriu quando disse aquilo por último, mostrando os
dentes muito brancos. Dentes sem pontas. Como em sem presas. Eu
queria perguntar a ele o que tinha acontecido com suas presas, mas
Soren e alguns dos caras da banda tinham nos notado em pé com o
cabo esparramado por toda parte, e a motocicleta caída de lado. “Fran,
você está bem?” Soren perguntou, pulando do caminhão e avançando
com dificuldade em direção a mim. Uma perna era mais curta do que a
outra, mas ele é realmente muito sensível sobre ser coxo, então nós
não falávamos nada sobre isso. O vampiro olhou para Soren, então de
volta para mim. “Namorado?” Eu bufei, e então desejei não ter feito.
Quero dizer, o quanto é chato bufar em frente a um vampiro? “Não! Ele
é mais novo do que eu.” “Algum problema, Fran?” Soren disse,
mancando realmente rápido, dando ao cara de cabelo escuro um olhar
como se ele estivesse tentando pegar seu brinquedo favorito. Para te
dizer a verdade, eu estava tipo tocada pelo olhar franzido suspeito que
Soren estava dando para o cara. “Está tudo bem, eu só fui atropelada.
Embora o cabo não esteja ferido.” “Atropelada?” Dois caras da banda
se apressaram ao redor de Soren e agarraram o cabo, examinando as
extremidades dele. “Brincadeira, Soren. Eu não estou ferida. Este é o
irmão de Imogen.” O vampiro de cabelo escuro me deu um curioso
olhar antes de estender sua mão para Soren. Ele não podia negar
aquilo, então eu percebi que meu palpite estava correto. Era sem
surpresa, entretanto. Quero dizer, quantos autênticos Dark Ones
estavam vindo perambular em torno da feira na mesma noite que
Imogen estava esperando por seu irmão? “Benedikt Czerny.”
“Chairnee?” Eu perguntei. “Soletrado é C-Z-E-R-N-Y. É Czerch.” “Ah.
Está certo, Imogen disse que ela vinha da CR. Como é que o sobrenome
dela é Slovik?” “Mulheres na minha família tem o sobrenome de suas
mães,” Benedikt disse suavemente, então puxou sua moto para cima.
Ele estava falando sobre os Moravians. Eu me perguntei se alguém
mais sabia o que ele realmente era. Imogen disse que só Absinthe sabia
sobre ela – eu tinha descoberto isso por acidente uma noite quando
ambas alcançamos o mesmo pedaço de berry cobbler3 e minha mão
roçou a dela. “Eu sou Soren Sauber. Meu pai e minha tia são donos da
feira Gótica.”

3 Berry cobbler – é uma sobremesa. Um bolo recheado com amoras


silvestres.
Soren tinha se enchido, seus normalmente agradáveis olhos azuis
totalmente duros enquanto ele encarava Benedikt. Eu nunca tinha visto
ele daquele jeito; geralmente ele era todo sorriso e amigável, tipo um
gigante filhote loiro que quer ficar junto. “É um prazer conhecer você,”
Benedikt disse polidamente. Ele se virou para mim e me ofereceu sua
mão. Eu puxei a minha para minhas costas. “Desculpe, eu tenho essa
coisa sobre tocar as pessoas. É... uh... um problema de pele.” Um
problema de pele. Um problema de pele! Ótimo, agora ele vai pensar
que eu tinha lepra ou algo assim. Sua sobrancelha esquerda sacudiu
por um momento antes dela se abaixar. Ele olhou de volta para Soren.
“Tem algum lugar onde eu possa estacionar...? Sim, estou vendo.
Obrigado.” seus olhos negros piscaram sobre mim. Eu suguei minhas
bochechas e tentei parecer como se eu não fosse o tipo de
despedaçada por lepra balbuciando idiota que cruzava os braços em
frente a motocicletas. “Eu espero ver vocês novamente.” “Wow,” Eu
disse enquanto ele encaminhava sua moto para onde um trailer de
cavalos estava estacionado próximo ao ônibus de Peter e Soren. “Será
que ele é muito legal, ou o quê?” “Muito legal?” Soren olhou para
Benedikt. O cara tinha realmente um caminhar legal. Quero dizer,
leeeeegal. Claro sua estreita calças jeans não machucava nada. “Eu
suponho que sim.” Eu abracei meus olhos ao redor das minhas
costelas, vagamente surpresa que elas não doíam apesar eu ter sido
lançada no chão. Nada em mim doía. Para dizer a verdade, eu sentia
uma espécie de... Formigamento. “Você deve ficar longe dele,” Soren
disse. Eu cavei as luvas de látex para fora de meus bolsos e coloquei-
as, então puxei as rendadas luvas pretas de meus bolsos de trás. Eu
tinha comprado-as de um dos vendedores porque elas pareciam
apropriadamente Goth. Ninguém olharia duas vezes para alguém
usando luvas pretas de renda, mas a experiência me ensinou que se
você sai por ai usando roupas de látex de médico, as pessoas
começam a dar a você estranhos olhares. Soren me observou por as
luvas sem dizer nada. Eu disse a ele que eu tinha pele hipersensível
(não terrivelmente longe da verdade) no primeiro dia que nos
conhecemos, e ele nunca disse nada sobre minhas luvas desde então.
Eu acho que com seu coxear, ele percebeu que não era autêntico
comentar sobre minhas luvas. “Por quê? Ele pareceu ok para mim.” “Eu
não gosto dele. Você deve ficar longe dele. Ele pode ser... perigoso.” Eu
sorri e soquei-o no ombro em uma amigável maneira companheira.
“Yeah, certo, eu sei a verdade; você está com ciúmes.” Seus olhos
ficaram todos assustados. “O que?” “Sua moto. Você está com ciúmes,
por que ele veio rugindo em cima de uma grande Harley, ou seja, lá o
que é, e seu pai não deixa você ter uma Vespa até que você tenha
dezesseis.” Ele apenas me olhou por um segundo, então se voltou para
o caminhão. “você vai ajudar a descarregar ou não?”
“Claro.” Eu sorri para mim mesma. Caras odeiam quando você os
pressiona tão rapidamente. Eu passei a hora seguinte ajudando a banda
a colocar atrás da grande cortina preta que escondia a parte de trás do
palco da frente, onde os atos de mágica eram feitos. A Feira Gótica
tinha dois tipos básicos de clientes – pessoas comuns que ficavam
excitadas por ver feiras ambulantes vir para a cidade (e nós íamos para
algumas cidades realmente pequenas) – pessoas que precisavam de ter
suas palmas lidas e sortes ditas, e comprar alguns cristais e fotos de
aura e todas essas coisas sem valor – e os roqueiros que viajavam
vindos por ai, não importasse o país que nós estivéssemos para ouvir
as bandas. A última banda que nós tivemos vinha da Holanda e eles
eram realmente populares, trazendo um monte de pessoas para os
shows, mas como os Crying Ores eram garotos locais, eu percebi que a
multidão não seria tão grande para eles. Eu perambulei por ai um
pouco, observando os visitantes (eles eram muito mais interessantes
do que as pessoas que eles vinham ver), mais do que um pouco
entediante. Eu pensei sobre ir ver se Tallulah tinha manifestado algum
ectoplasma interessante (ultimamente tudo o que vinha na forma de
Matt Damon – ela tem uma pequena queda), quando eu percebi que
eram quinze para as onze. Eu passei o tempo no lado de fora da barraca
de minha mãe até seu cliente sair segurando uma garrafa de felicidade
(a poção mais popular da mamãe – ela realmente funcionava também.
Eu bebi um jarro grande disso quanto eu apenas aprendi a como
rastejar. Ela disse que eu ri por uma semana direto.) “Franny, você
podia olhar as coisas por alguns minutos? Eu tenho uns poucos
frascos de felicidade e sorte, mas acabou as bênçãos. Eu vou ir ao
banheiro e estarei de volta em duas balançadas de uma cauda de gato.”
Eu juro que Davide rolou seus olhos. “Claro, sem problema. Hei mãe,
você sabe alguma coisa sobre o irmão de Imogen?” “O irmão de
Imogen? Eu não sabia que ela tinha um irmão. Agora, onde eu coloquei
as chaves...?” Ela se inclinou, procurando através da enorme bolsa que
ela carregava, procurando pelas chaves do nosso trailer. A primeira
semana nós estávamos aqui, quanto eu tinha vindo através do horrível
choque de ter que me mudar de nossa bela casa fora de Portland para
um pequeno trailer no meio da Alemanha, ela me disse que eu podia
escolher o que pintar no trailer. Todos na feira tinham seus trailers
pintados com seus próprios emblemas neles. O de Imogen era dourado
e branco, com mãos vermelhas e runas. O de Absinthe era rosa e verde
(uma combinação horrível), enquanto o ônibus de Soren e Peter
tornado em uma casa sobre rodas era um suave céu azul com um
castelo e cavaleiros a cavalo estendendo-se no comprimento. Soren me
disse que a cidade na Alemanha onde ele tinha nascido tinha um
grande castelo arruinado que ele costumava adorar brincar nele.
Mamãe queria uma representação da deusa na nossa. Eu decidi por um
fundo azul meia-noite com estrelas douradas e luas crescentes nele. Ela
colocou todo tipo de significado metafísico nisso, dizendo que eu o
tinha escolhido para retratar o mistério do desconhecido, yadda yadda
yadda. Eu só pensei que era bonito. “Maldição, eu sei que eu tinha
minhas chaves quando eu sai do trailer; eu lembro de trancar depois
que eu sai. Querida?” “Eu te dei minhas chaves dois dias atrás. Mãe.
Não me diga que você perdeu aquelas também?”
“Sapos!4” Mamãe leva a sério essa coisa de bruxa. Ela não xinga, por
que a maioria dos palavrões tem suas origens em maldições, e ela não
mexeria com nada escuro como uma maldição. Ela pratica só mágica
boa. É um pouco tedioso às vezes. Quero dizer, eu podia ter realmente
usado um par de maldições de qualidade durante o meu segundo ano.
Ela levantou uma mão. “Você podia?”

4 Bullfrog – Sapo boi, tradução literal.

“Mãe!” “Por favor.”


“Eu não sou um clapper5. Você vai ter que encontrar suas próprias
chaves.” “Eu sei, querida, mas eu tenho que usar o banheiro e eu quero
trocar meu vestido de invocação. Só dessa vez, por favor?” Eu virei
minhas costas para a abertura na barraca então ninguém poderia ver
enquanto eu retirava as luvas de renda, e então as de látex por baixo
dela. “Você sabe que eu odeio fazer isso. Faz-me sentir como uma
grande e imensa aberração.” “Você não é grande ou imensa ou uma
aberração; você tem sido abençoada pela deusa.” Eu respirei fundo e
tentei limpar a minha mente, como ela disse que eu tinha que
supostamente fazer afim de abrir a mim mesmo todas as
possibilidades. “Alguém está olhando?” “Nem uma alma.” Eu segurei
sua mão na minha, e tentei ignorar a onda de pensamentos que
preencheram minha mente. Mamãe discutindo com Absinthe sobre a
banda roubar o dinheiro da feira. Suas preocupações sobre eu não
estar feliz aqui lutando com seu desejo de estar com a feira, tudo
misturado com o temor que a Feira iria se fechar se os roubos não
parassem. Sua dor sobre meu pai se casar de novo tão rapidamente
depois do divórcio. O súbito pensamento que ela não mudou a caixinha
de Davide, um rosnar de fome, um sentimento de solidão que se
assemelhava tanto com o meu próprio que eu quase larguei sua mão...
Eu apertei meus dentes e tentei focalizar minha mente para escolher
através da dela para encontrar o que eu queria saber. “Você deixou elas
caírem do lado de fora do trailer. Elas estão em uma moita alta de grama
debaixo de um papel de bala,” eu disse, soltando sua mão com um
suspiro de alivio. Mamãe era a única pessoa que eu podia tocar que não
me deixava sentir toda assustadora... Até Benedikt. Eu pisquei com
aquele pensamento, e percebia que era verdade. Tocar ele não me
assustava como quando eu tocava em alguém – ele era quente e macio,
convidativo, um pouco misterioso, mas estranhamente confortável,
considerando que eu só tinha acabado de conhecer ele. E, é claro,
havia o fato de que ele era um vampiro. “Você é um anjo,” Mamãe disse,
beijando minha testa e correndo para fora do trailer, pausando para
dizer a um grupo de pessoas se aproximando da barraca que ela estaria
de volta em dez minutos. “Se eu sou um anjo, onde estão minhas
asas?” Eu sussurrei. Era o que eu sempre dizia quando ela me chamava
de anjo, desde o momento quando eu era pequena e ela me balançava
girando e girando, e me dizia que eu era um anjo enviado para trazer o
céu para a terra. Eu olhei abaixo para minha mão. Ela não era pequena e
delicada como as dela, ou longa e graciosa como a de Imogen. Ela era
grande, e meus dedos tinham pontas rudes. As mãos de um músico,
alguém tinha me dito uma vez, mas eu tinha parado as lições de piano
quanto eu tinha doze por que eu não podia estar tocando o piano da
Srta. Stone. Muitas crianças o utilizavam para suas lições semanais –
eu ia para casa depois tremendo e próxima ás lágrimas. Foi quando
mamãe finalmente descobriu o que tinha acontecido comigo.

5 N/T:Clapper – é um dispositivo que é acionado para automaticamente


desligar a energia quando você bate palmas.

“A quanto tempo você é uma vidente6?” Eu me virei lentamente, me


perguntando se Benedikt tinha lido minha mente. “Desde que eu tinha
doze.” Ele ficou do outro lado da mesa, uma grande forma negra
bloqueando minha visão do céu se tornando índigo e preto.
“Puberdade?” Eu acenei e tentei olhar para longe, mas não pude. Era
algo nos olhos dele, brilhando com um círculo apertado enquanto eles
me observavam mexer com minhas luvas. Eu não queria falar para ele
sobre as coisas estranhas que eu podia fazer. Eu não queria que ele
soubesse que eu pertencia ao show de horrores. Você não é uma
aberração. “Pare com isso,” eu disse, dando alguns passos para trás,
como se a distância pudesse manter ele longe da minha mente. Você
está com medo de mim. Seus olhos eram da cor de um carvalho escuro,
pequenas manchas douradas contra o quente mel castanho, manchas
que eu podia ver apesar de seu rosto estar lançado em sombras. “Por
que eu deveria ter medo de você? Se alguém tem que temer, esse é
você. Eu sei seu segredo.” E eu sei o seu, ele disse em minha cabeça
enquanto ele vinha na minha direção. Eu afastei mais alguns passos,
endireitando meus ombros, tentando parecer grande, rude e malvada.
“Os seus são piores do que o meu, então se você não quer terminar no
fim do negócio de uma estaca afiada, é melhor você apenas recuar e me
deixar sozinha.” Eu não quero deixar você sozinha. “Você não sabe
com quem você está mexendo... ”Eu comecei a dizer, então gritei
quando ele se arremessou em direção a mim, agarrando meus braços e
me puxando em direção a ele. Nós ficamos juntos como que por um
segundo, me preparei pronta para ele me morder, ele olhou para mim
com olhos que tinham mudado em uma brilhante cor de ébano. “Eu não
quero mexer com você de modo algum, Fran.” Lentamente, muito
lentamente, sua mão deslizou em meu braço. Eu observei enquanto ela
guiava para minha mão descoberta, minha mão nua, minha mão que me
impedia de ser feliz como qualquer outra criança. “Não,” Eu disse
envergonhada disso ter vindo em um gemido. “Confie em mim,” ele
disse suavemente. Seus dedos traçando ao longo das costas de minha
mão nua, então curvou por baixo, empurrando meu braço para cima
então nossas palmas descansariam juntas. Eu arfei e segurei minha
respiração, esperando pela onda de imagens, esperando por tudo que
se derramaria de sua mente na minha.

6 N/T:Psychometrist : Psicometria ou psicometrista

Não houve nada. Eu estava tocando-o, mão com mão, e eu não senti
nada, nada vi. Eu olhei de nossas mãos para seu rosto. “Como você faz
isso? Como você se desliga desse jeito?” Seus dedos entrelaçados aos
meus, e tão de repente eu estava alerta era que ele era um cara e eu era
uma garota, e nós estávamos em pé juntos de mãos dadas. “Você sabe
quem eu sou.” “Eu sei o que você é, se é isso o que você quer dizer.”
Ele concordou. “O que você sabe sobre nós?” “Eu sei que você é um
vampiro...” Seus dedos se apertaram nos meus. Merda. Usei a palavra
com v... “mas que vocês preferem ser chamados de Dark Ones. Eu sei
que vocês bebem sangue das pessoas para sobreviver, e você é
provavelmente uns bons cem anos mais velho – Imogen é sua irmã
mais velha ou mais nova?” “Mais velha.” Eu não sei por que aquilo me
fez me sentir melhor, considerando que ele era provavelmente pelo
menos trezentos anos de idade, mas me fez. “E eu sei que vocês estão
realmente tristes a maior parte do tempo, mas de algum modo, você
pode bloquear sua mente de mim ao mesmo tempo em que você pode
falar dentro de minha cabeça.” “Você sabe alguma coisa de como um
Dark One é criado? Como ele pode ser redimido?” “Um... você é
criado... alguma coisa sobre um lorde demônio amaldiçoando você?”
Eu pensei que seus olhos eram negros antes, mas eles ficaram
absolutamente negros. “Meu pai foi amaldiçoado por um lorde
demônio.” “Ah, isso mesmo, Imogen disse algo sobre os pecados do
pai sendo passados para os filhos, mas não para as filhas. Eu não sei
nada sobre redenção.” Ele olhou para nossas mãos, ainda fechadas
juntas. Era estranho tocá-lo, sentido seus dedos quentes torcidos nos
meus, e não ter minha cabeça preenchida com seus pensamentos e
memórias e tudo o mais que eu podia sentir quando eu tocava pessoas.
“Para cada Dark One existe uma mulher, chamada a Amada, que pode
redimir sua alma, uma mulher que pode equilibrar sua escuridão com
sua luz, e fazer dele completo novamente.” “Ah,” eu disse. Então esta
não era a coisa mais inteligente que eu podia dizer. O cara estava
segurando minha mão – era difícil pensar sobre algo além de quão
quente sua mão era. “Você é minha Amada.” Eu arranquei a minha mão
da sua, pulando para trás direto para as hastes de metal que seguravam
a barraca. A ponta do osso do meu pulso bateu nisso, me fazendo gritar
em dor. “Você está maluco!” eu disse enquanto esfregava meu pulso.
“Você é um psicopata! Você é um total maluco! Você é algum tipo de
tarado!”
Ele andou a frente. “Eu não tenho escolha neste assunto. Dark Ones
tem só uma Amada – muitos nunca a encontram. Eu quase tinha
perdido a esperança de que iria encontrar a minha. Deixe-me ver o seu
pulso.” “Porque, para você poder morder ele? Não! Eu não quero que
você me toque. Você é algum tipo de vampiro pervertido excêntrico.
Deixe-me em paz.” “Eu juro que não vou machucá-la, e que eu não sou
um vampiro pervertido excêntrico. Deixe-me ver seu pulso.” Ele ficou
na minha frente, perto o suficiente para agarrar meu pulso, mas não me
tocar, apenas esperando que eu oferecesse meu pulso como uma boa
ovelhinha. Eu não sou tão ovelha. Eu fiz um punho com minha mão
direita ao mesmo tempo em que eu pisei em seu pé tão forte quanto eu
podia, deu uma joelhada em seu feliz saco, e enquanto ele se dobrava
para agarrar sua virilha, o golpeei no seu pomo de adão como minha
mãe me mostrou em caso de algum cara ficasse indecente comigo. Eu
só não acho que ela antecipou que esse cara seria um vampiro.
Capítulo 3

Eu sei o que você está pensando. Você está pensando, Hey, eu não
sabia que você podia deixar um vampiro de joelhos chutando ele no
saco7. Bem, você pode. Quero dizer, eles podem ser morto-vivos
ambulantes e tudo mais, mas eles são só caras, sabia? Eles têm o
mesmo encanamento quanto os outros caras não vampiros, e percebi
pela forma que Beneditkt se contorcia ao redor do chão, que ser
acertado lá feria-o tanto quanto isso machucaria uma cara normal. O
que é provavelmente o porquê eu hesitei por alguns segundos depois
que me afastei, observando-o rolar no chão agarrado à sua virilha,
claramente em dor, mas sem dizer uma única, solitária palavra. Ele
estava em absoluto silêncio. O único outro cara que eu tinha golpeado
(meu primeiro e único encontro) ficou gritando obscenidades para mim
depois que eu chutei-o, mas não Benedikt. A culpa me lavou enquanto
eu o observava, culpa e uma horrível urgência de rir. Não de Benedikt,
mas de mim, de minha vida. Tudo o que eu sempre quis foi me encaixar,
ser como qualquer outro, não ser a esquisita, a que é diferente de todas
as outras crianças, e o que acontece? Eu encontro um vampiro que me
diz que eu sou a única que pode redimir sua alma. Ah, yeah, como eu
aposto que acontece com cada outra garota que vai para a Europa. “Eu
só quero uma vida normal,” eu gritei para Benedikt. “É tão errado
assim? Eu não sou a Buffy a caça vampiros!” Um pequeno gemido
escapou enquanto ele ficava de joelhos. “Bom. Eu não estou
interpretando Angel se você vai me atacar com muita frequência.” Eu
fiquei na frente da barraca, parte de mim se retorcendo para ficar longe
dele, a outra parte querendo se desculpar. Tudo o que ele fez foi ser
legal comigo, e eu paguei a bondade chutando ele onde isso conta. Oh,
boa Fran. “Você assiste Buffy!” minha estúpida boca perguntou. Soou
como eu estivesse possessa ou algo assim. Eu deveria ter saído
correndo ou me desculpando, não em pé ali falando de TV com um
sincero-para-deusa Moravian Dark One. “Qual temporada foi a sua
favorita?” “Terceira.” Ele ficou de pé, respirando pesadamente
enquanto ele se dobrava, suas mãos em seus joelhos. “Ah. Eu gosto da
quarta. Spike manda ver.” Ele não disse nada, só lentamente se
endireitou até que estivesse mais ou menos normal. “Um. Você está
bem?” Ele acenou, sua mão agitando como se quisesse esfregar, mas
não podia por que eu estava ali. Eu me senti mais culpada do que
nunca. “Sinto muito.” Eu olhei para ele, piscando como uma idiota. “O
que?” “Eu disse que sinto muito.”

7 N/T: Noodies – é aquela esfregada com o punho que se dá na cabeça


de outra pessoa. A palavra pareceu fora do contexto já que Fran chutou
Bem

Eu pisquei ainda mais até que percebi o que eu estava fazendo. “Você
está pedindo desculpas para mim? Pelo o quê?” “Ter assustado você.
Eu não deveria ter despejado tudo em você tão cedo.” “Ah.” Minha Fran
interior, estava tão chateada que sempre me obrigava a fazer a coisa
certa, me cutucando forte. ”Um. Sinto muito também. Eu não queria
machucar você. Bem, eu fiz por que você estava ficando mandão
comigo, mas agora eu lamento o que você fez. Quero dizer, eu lamento
o que eu fiz. O que nos dois fizemos.” Grande, agora eu soava como
uma lunática. Se ele estava com alguma dúvida que eu era a rainha
esquisita de todas as aberrações antes, ele não estaria agora. Uma
aberração lunática. Você não é uma aberração, ele disse cansado, como
se fosse algo que ele dissesse muito. “Você vai parar com isso.
Ninguém entra na minha mente a menos que eu os convide.”
“Desculpe-me,” ele disse de novo, e esfregou seu pescoço. Antes que
eu soubesse o que estava fazendo, eu andei em frente e toquei a marca
vermelha em seu pescoço onde eu tinha acertado-o. Ele ficou imóvel,
suas mãos em seus lados enquanto eu gentilmente tocava em torno do
seu pomo de adão. Sua pele era quente. “Eu pensei que vampiros eram
para estar mortos. Como você é quente?” Ele colocou minha mão em
seu peito, sobre seu coração. Eu podia sentir-lo batendo lá como o
coração de qualquer outro. “Eu pareço morto?” “Não.” Eu deixei meus
dedos vaguearem na cruz de prata celta que se pendurava em seu
pescoço. “você pode usar uma cruz.” “Posso.” “Você não está morto e
você pode usar uma cruz.” eu dei a ele meu melhor olhar semicerrado.
“Você tem certeza que é um Dark One?” Certeza absoluta; Ele riu na
minha mente. “Hei!” Ele levantou sua mão e sorriu. “Desculpe. Isso não
vai acontecer novamente. Não, a menos que você me convide
primeiro.” “É melhor que não.” Eu dei um passo para trás e mordisquei
meu lábio enquanto eu olhava para ele. “Como você não está zangado
em eu ter batido em você?” “Eu a assustei. Eu não te culpo pelo o que
você fez.” “Por que não?” Seus olhos tinham se iluminado enquanto
estávamos falando, mas eles de repente ficaram escuros novamente.
Ele não disse nada. “Qualquer outra pessoa teria ficado chateado
comigo, mas você não está. Por que? Porque você acha que eu sou a
sua salvação?” Ele apenas ficou ali, uma mão no bolso de seu jeans, a
outra aberta e relaxada, seus olhos cintilaram como aquelas brilhantes
pedras pretas que minha mãe as vezes utilizava – hematita, elas são
chamadas. “Eu tenho dezesseis, Ben.” Suas sobrancelhas se
levantaram. “Ben?” “Benedikt é tipo boca cheia.” Ele sorriu. “Eu sei
quantos anos você tem.”
“Eu nem mesmo quero um namorado, muito menos me casar com você
ou seja lá o que é que vocês Moravians fazem para ter suas almas de
volta. Eu só quero ser deixada em paz. Eu só quero atravessar esse
verão, então eu posso ir viver com meu pai no outono, ir para a escola e
não ter que viajar por toda a Europa com minha mãe me ensinando,
como ela está ameaçando fazer. Além do mais, você....você...” Eu parei.
Eu preferia morrer a dizer que ele era tão deslumbrante que ele
provavelmente tinha que tocar as garotas pra fora dele com uma trave8,
enquanto eu era... Eu. Ok, as pessoas realmente não vomitavam quanto
elas me viam, mas eu não era deslumbrante. “Eu sou o quê? “Eu dei de
ombros. “Um vampiro.” Ele enfiou um lado do meu cabelo atrás de
minha orelha. Foi um gesto estranhamente íntimo, e deixou me
sentindo quente, então fria, então quente de novo. “Eu não quero nada
de você, Fran. A única razão que eu disse que você era a minha amada
é para você entender que você pode confiar em mim. Um Dark One
jamais pode ferir sua amada.” “Ah, sério? Então se eu tivesse uma
estaca e começasse a golpeá-la em seu peito, o que você faria?” Ele
franziu seus lábios enquanto ele pensava sobre isso. Ele parecia tão
engraçado, eu não pude me impedir de sorrir. “Depende. Onde você
estaria enfiando?” “Direto em seu coração.” “Então eu morreria.” Meu
sorriso desapareceu. “Sério? O negócio da estaca funciona?” “Sim, ela
funciona. E então a decapitação.” “E você me deixaria matar você?
Você apenas ficaria parado lá e me deixaria matar você?” Ele
concordou. “Se estivesse em seu coração me ver morto, sim, eu ficaria
lá e deixaria você me matar.” Wow Fale sobre viajar na maionese. Eu
decidi que eu não estava pronta para pensar sobre aquilo e empurrei
isso de lado. “E sobre a luz do sol?”

8 N/T: Two-by-four – dois por quatro ou uma trave/viga/barra

Ele fez uma careta. “Ela não me mataria, não a menos que eu esteja lá
fora nele por várias horas, mas eu faço o meu melhor para evitá-lo. Dá-
me umas queimaduras dos infernos.” “Huh.” Eu olhei para ele. Ele tinha
tirado sua jaqueta de couro mais cedo e estava agora vestindo uma
camiseta preta sem mangas. Seus braços eram bronzeados. Assim
como seu rosto. Ele tinha uma tatuagem de palavras em uma elaborada
escrita retorcida ao redor em um círculo sobre seu ombro. “Então, o
que, eles têm lâmpadas ultravioletas para Moravian para manter você
longe do visual branquelo?” Ele riu. Eu gostei disso; era uma bela
risada. Ela me fez querer rir também. “Algo como isso.” Ele olhou acima
de meu ombro, então se abaixou para pegar as luvas que eu tinha
largado entregando elas para mim enquanto ele acrescentava, “talvez
nós possamos falar sobre isso outra hora.” “Claro. Eu prometo que não
vou bater em você de novo.” Eu quis dizer isso também. Parecia ser
estúpido acreditar no que ele me disse sobre não me parar se eu
quisesse matá-lo (como se!), mas eu acreditei nele quanto ele me disse
que não me machucaria. Ele veio em minha direção na direção da saída
atrás de mim. Eu mastiguei meu lábio por uns poucos segundos antes
de botar para fora, “você me levaria para uma volta em sua moto?” Ele
estava bem perto de mim quando parou. Seus olhos estavam de volta
ao normal cor de carvalho escuro, as manchas douradas claramente
visíveis enquanto ele olhava para mim; então ele levantou o olhar além
de mim. “Se sua mãe disser que está tudo bem, sim.” Eu me virei para
ver o que ele estava olhando. Mamãe em pé na entrada da barraca,
vestida em seu vestido de invocação branco e prata, as camadas de
gaze leve flutuando ao redor atrás dela na brisa. Ela tinha uma coroa de
flores brancas no seu cabelo, fitas rastejando atrás em suas costas. Em
uma mão, sobre um pedaço de veludo escarlate, ela segurava sua tigela
de prata, e na outra havia um punhado de velas de invocação. Davide se
sentou ao lado dela, sua boca aberta em um sibilar silencioso para Ben.
Suspirei e me joguei na cadeira mais próxima. Por que eu tentaria agir
normal quando tudo ao meu redor era tão estranho? Mamãe me grelhou
sobre Ben pelo resto da noite e quase pela manhã seguinte. Quem era
ele, o que ele queria, por que eu tinha mencionado que atingi ele,
yadda, yadda,yadda. Eu respondi suas perguntas por que elas eram
primeiro as típicas coisas normal que ela tinha feito desde que eu
estava na sexta série, e que garantiu que ela não precisava lançar um
feitiço em Ben ( não que eu tivesse certeza que isso iria funcionar –
talvez os Dark Ones são resistentes a feitiços? Eu teria que perguntar a
Imogen). Então ela começou sobre as coisas que realmente me faziam
desconfortável. Foi por volta das onze da manhã. Nós tínhamos
acabado de levantar (a feira Gótica fecha as duas da manhã durante o
verão), e mamãe estava em frente ao pequenino fogão que ela as vezes
cozinhava. Quando absolutamente ela tinha. Ela podia ser uma ótima
bruxa, mas ela era uma cozinheira muito ruim. Geralmente eu fazia isso,
mas esta manhã eu tinha estado muito ocupada sendo grelhada pelo
Ben. “Eu não gosto da idéia de você estar saindo com um garoto muito
mais velho do que você,” ela disse uma vez que ela começou a se abrir.
“Eu não estou saindo com ele; nós só estávamos conversando.” Yeah,
ok, como ele esperava que eu salvasse sua alma em algum ponto, mas
hei isso não significa que nós estamos saindo nem nada, certo? “Tem
mais água quente?”
Mamãe balançou a chaleira elétrica e entregou-a para mim. Eu fiz outro
copo de chá (Earl Grey9 - eu posso ser uma aberração, mas eu sou uma
aberração civilizada) e exprimi um quarto de um limão nele. “Quantos
anos ele tem?” Eu olhei por cima do topo da minha caneca. Ela estava
em pé em frete ao fogão embutido, picando algumas frutas vindas de
uma cesta de arame. O trailer que nós dividíamos tinha um quarto (dela)
e uma segunda cama (onde eu dormia) que estava convertida em uma
minúscula mesa e sofá e eu estava sentada nela agora. Mamãe era um
bom radar de mentira. Eu percebi que ela estava suspeitando o
suficiente sem eu dizer algo que iria deixá-la esquentada. “Um... ele é
mais novo do que Imogen.” “Ele é? Então ele deve ter dezoito ou
dezenove.” Dê ou tire um par de cem anos, sim. “É ainda bastante velho
para você. Eu irei ter uma conversinha com ele. O que você diz de
torrada francesa hoje de manhã.” Agora o meu radar diminuiu. Ela
estava se oferecendo para me fazer o café da manhã? “Parece bom.
Você não tem que falar com o Ben, mãe. Eu não estou namorando com
ele nem nada.” “Mmm. Nós temos ovos?” “Na geladeira.” Eu a observei
por alguns minutos enquanto ela cantarolava uma musiquinha para si
mesma enquanto estalava um par de ovos, cheirou uma caixa de leite e
decidiu que ele não estava muito velho, adicionou uma pitada de
canela, e então começou cortando grossas fatias de pão vindas de um
pão de forma que ela tinha pego uma meia hora mais cedo. “Ok. O que
você está fazendo?” Ela se virou ao redor para olhar para mim, suas
sobrancelhas fazendo um bonito trabalho de olhar surpreso. “O que
você quer dizer?” “Você está cozinhando o café da manhã. Você nunca
cozinha o café da manhã para mim.” “Eu certamente faço! Eu cozinhei o
café da manhã para você a apenas o último... o último...” “Uh-huh. Você
não consegue se lembrar consegue? É que foi há muito tempo.”

9 Earl Grey – marca de chá 10 N/T: Egg Benedict – ovos mexidos com
vários ingredientes.

Ela acenou uma espátula melada de ovo para mim. “Eu lembro como se
fosse ontem. Foi quando você quebrou seu braço andando de bicicleta
na escola. Eu fiz ovos benedict10. Você adorou.” Eu sorri para o meu
chá. “Mãe, eu estava então na quinta série.” Ela virou de volta ao fogão
com um auto-certeiro fungar. “Eu simplesmente apontei isso que eu
tenho, além da ocasião, feito para você café da manhã.”
“Geralmente quando apenas você quer algo de mim, só pratos. O que
você quer que eu faça? Se isso envolve vestir-se como uma ninfa e
saltitar ao redor de uma correnteza como você me fez fazer no último
verão, a resposta é não. Uma rodada de poção venenosa é o suficiente
para me levar a vida toda.” Ela virou a torrada na frigideira, sem dizer
nada até que ela colocou um prato e entregou-o para mim. Para minha
surpresa, ela se sentou a mesa ao invés de fazer um prato para si
mesma. “Franny, eu estou preocupada sobre a Feira. São esses furtos –
se eles continuarem, a Feira vai à falência, e nós teremos que ir para
casa.” Casa! Ah, cara, como eu queria ir para casa! Voltar para nossa
pequena casa com as minúsculas flores do jardim, voltar para meu
quarto com os dois vazamentos quando chovia forte, voltar para tudo
familiar e normal, onde eu tinha meu lugar e ninguém me incomodava
nele. Casa soava muito bem para mim. Infelizmente, mamãe não se
sentia do mesmo jeito. Ela assinou um contrato de um ano de turnê
com a Feira, dispensando suas poções e feitiços enquanto ela entrava
em contato com a comunidade wicca européia. Ela tinha aguardado por
este ano com uma expectativa que eu nunca tinha visto nela antes. Por
três longos meses, ela gritou sobre o quanto entusiasmada estava por
ser capaz de ver a Europa, e que educação eu teria ao ir com ela. Ela
ainda tinha o distrito escolar, convencida que seu Ph.D em educação
era bom o suficiente para me tutorar por uma ano letivo enquanto eu
era arrastada por todo o leste e oeste da Europa. Não me entendam
mal; não é como se eu amasse a escola ou outra coisa, mas pelo menos
eu me encaixava nela. Relativamente. Tanto quanto eu não tocasse em
ninguém. A maioria das crianças pensava que eu era só tímida, o que
estava bem para mim. Pelo menos ninguém pensava que eu era uma
esquisita. “Eu pensei que Absinte disse que a última banda fugiu com o
dinheiro. Se eles se foram, como eles poderiam roubar mais dinheiro?”
Ela raspou sua xícara, sua colher batendo contra o lado enquanto ela a
mexia mais um zilhão de vezes. O som disso bateu meus dentes na
ponta. Eu pus minha torrada francesa e espalhei geléia de framboesa
sobre ela. “Peter disse essa manhã – isso é estritamente confidencial,
Fran; você não pode respirar uma palavra disso para ninguém, nem
mesmo para Imogen – que o cofre foi vasculhado de novo algum tempo
depois de Absinthe ter colocado os ganhos da noite nele. Ele disse que
ia ter que chamar a polícia, ma eu não vejo como isso vai fazer algum
bem. Quem quer que esteja roubando o dinheiro é muito inteligente. Ele
ou ela não seria tão estúpido quanto deixar sua impressão digital no
cofre. Especialmente não se...” Ela parou e olhou abaixo para seu chá
enquanto ela sacudia a colher e a colocava sobre a mesa. “Se o que?”
Eu perguntei ao redor de uma boca cheia de torrada. Seus luminosos
olhos cinza se levantaram para encontrar os meus. “Se alguém está
usando seus poderes especiais para roubar o dinheiro.” Eu engoli.
“Como quem?” “Eu não sei. Absinthe não sabe. Peter não sabe.
Ninguém sabe.” Eu fiz um meio dar de ombros, não querendo admitir
que eu estaria perfeitamente feliz se a Feira acabasse e nós tivéssemos
que ir para casa. “A polícia provavelmente vai descobrir quem quer que
seja que é.” “Isso está além da polícia, Fran. Há só uma pessoa que
pode possivelmente determinar quem é o ladrão.”
Eu não vi isso vindo. Eu não vi nada disso, que provaria de uma vez por
todas que eu não tenho uma única solitária célula psíquica em meu
corpo. Pelo menos não do tipo premonitória. Eu me entulhei com outro
pedaço de torrada em minha boca. “Quem é esse?” “Você.” Eu
engasguei, lágrimas correndo de meus olhos enquanto eu arfava,
tentando conseguir ar para os meus pulmões em torno do grande
caroço de torrada que estava preso na minha garganta. “Você é a única
que pode descobrir o ladrão, Fran.” “Eu não vou ser capaz de fazer
nada se eu sufocar até a morte,” eu ofeguei. Ela franziu as
sobrancelhas. “Eu estou falando sério.” “Eu também!” Ela me deu
minha caneca de chá. “Franny, você tem que fazer isso. Eu sei que você
não gosta de tocar em ninguém...” Eu limpei meus olhos escorrendo
com as costas de minha mão. “Não.” “... mas isso é uma emergência.”
Eu balancei minha cabeça, tossi, tomei um gole de chá, tossi de novo, e
limpei o nariz escorrendo que sempre vinha com um próximo engasgar.
“Não!” “Eu não pediria a você se isso não fosse muito importante.”
“Não é problema nosso! Absinthe e Peter podem lidar com isso por si
mesmos, ou a polícia pode.” “Eles não podem, querida. Se eles
pudessem, eles já teriam. Você tem que ajudá-los.” “Eu não tenho que
fazer nada,” eu murmurei para minha torrada meio comida. “Por favor,
Franny. Todo o nosso futuro está em jogo...” “Isso não é nosso futuro!”
Eu gritei, batendo minha mão sobre a mesa tanto que as canecas
chacoalharam. Eu estava subitamente tão zangada que eu não podia
ver direito. “Casa é o nosso futuro, não esse show de aberrações! Eu
não vou deixar você me tornar um monstro como eles! Eu só quero ser
normal como todo mundo. Você pode entender normal, não pode? Isso
é o que eu não sou!” Seus olhos se alargaram e eu percebi que ela
estava indo entrar na “você não é uma aberração; você tem sido
abençoada, dotada com uma habilidade que outros desejariam” lição de
moral. Eu sabia isso bem; eu ouvi isso na média de uma vez por mês, e
pelo menos nos últimos dias depois que nós chegamos à Feira, mas eu
não podia aguentar isso de novo. Não agora. Não quando eu estava tão
confusa sobre Ben e tudo o mais. “Onde você está indo?” ela gritou
enquanto eu pulava da mesa e agarrava minha bolsa. “Pra fora.”
“Francesca Marie...”
Eu bati a porta do trailer em suas palavras, pulando os degraus de
metal, segurando minha bolsa apertada através de meu peito enquanto
eu corria através do labirinto de trailers situados na extremidade final
da grande campina que mantinha a Feira. Várias das pessoas da Feira
disseram bom dia para mim, mas eu ignorei todos eles e me fixei em um
galopar constante que eu sabia que podia durar um par de milhas. Eu
corri através das árvores rodeando a campina, abaixo em uma pequena
inclinação gramada, e então em uma estrada que levava a cidade de
Kapuvár. Carros passavam em seu caminho dentro e fora da cidade,
levantando poeira que lavava sobre mim, deixando minha boca e cabelo
arenosos. Eu abrandei meu galopar para um trote, então uma
caminhada, caminhando através de campo após campo de vacas,
cavalos, cabras, e algumas ovelhas. Eu reprocessei o argumento com
minha mãe, transformando-o, então eu tive todas as boas linhas, meus
argumentos tão convincentes que ela tinha que se curvar perante meu
raciocínio superior e admitir que nós pertencêssemos de volta a casa,
não no meio da Hungria. Eu murmurei para mim mesmo enquanto eu
passei por um caminhão grande branco com laterais batidas de
madeira, do tipo que eles usam para transportar gado. Um homem
velho que conduzia um cavalo cinza sujo estava discutindo com um
cara alto e magro em sapatos caros. O cara alto olhava ao redor dele
como se ele cheirasse alguma coisa ruim. Uma garota uns poucos anos
mais nova do que eu em pé ao lado da cerca, obviamente tentando não
chorar. Eu parei por que eu gosto de cavalos, e o velho cavalo cinza
tinha adoráveis linhas, um espesso pescoço curvado, quadril
arredondado, peito profundo, e grandes, grandes olhos castanhos
cheios de sentimento. “O que está acontecendo?” Eu perguntei a
garota, esquecendo por um momento que eu não estava de volta ao lar
onde todo mundo fala inglês. Ela se virou e fungou. “Este é Tesla, meu
ópapi – o cavalo de vovô. Milos está levando ele embora. Você é
americana?” “Sim. Quem é Milos?” Ela apontou para o homem alto, que
estava agora segurando sua mão. O alto, cara magro estava discutindo
com ele enquanto ele distribuía forints (seus dólares). “Eu estudo
inglês na escola. Nós somos muito bons, sim? Milos, ele é um...” Ela
disse alguma coisa em húngaro então. “Um o que?” Eu perguntei. Ela
fungou novamente. “Ele pega cavalos velhos, sabe? E eles fazem deles
carne para cachorro.” Eu olhei em horror para o homem velho. “Meu
Deus, que horrível. Isso não é ilegal ou algo assim. Por que é que o
outro cara esta deixando ele fazer isso?” “Ele é meu tio Tarvic. Ele
disse que não tem recursos para alimentar Tesla mais, agora que ópapi
esta morto, mas isso me faz tão triste. Tesla é velho, mas ele é especial.
Meu ópapi amava ele mais do que todos os outros cavalos.” “Hei!” Eu
gritei, lutando com minha bolsa com uma mão enquanto eu corria
através do portão em direção aos dois homens e o cavalo. O velho
cavalo relinchou para mim, acenando sua cabeça para cima e para
baixo como se entendesse o que eu estava indo fazer. Eu esperava que
ele estivesse, por que eu não tinha certeza. “Hei, senhor, eu irei te dar...
uh... eu tenho duzentos e cinqüenta dólares. U.S. Dinheiro. Eu irei dar
isso a você pelo cavalo.”
A garota ficou atrás de mim, tagarelando em húngaro. Eu presumi que
ela estava traduzindo para mim, por que o homem alto se virou e fez
uma careta para mim. Eu escavei minha carteira e acenei a pensão do
ano que papai tinha me dado como um presente de despedida (ou
suborno, seja lá como você quer olhar para isso). Eu segurei o dinheiro.
“Diga para seu tio que eu darei a ele o dinheiro se ele me vender o
cavalo, em vez disso. Desse modo ele não terá que pagar o
exterminador de cavalos.” “Exterminador de cavalos?” “Milos.” Ela se
virou e disse algo para seu tio. Ele olhou meu dinheiro com um ávido
brilho em seus olhos, mas o homem velho começou a gritar comigo, me
empurrando para trás. Eu segurei o dinheiro para o tio Tarvic pelas
pontas da extremidade. “Diga a seu tio que eu estou com a Feira bem
abaixo da estrada, e que o cavalo irá ficar bem; ele será realmente bem
tratado.” A garota hesitou. “Ele não se importa; ele não gosta de
cavalos.” Eu fiz um ruído exasperado. “Olha, você pode dizer a ele o
que quiser que você queira; só o faça pegar o meu dinheiro e me dar o
cavalo.” Milos o exterminador estava de volta tentando me empurrar
para longe do campo, acenando suas mão selvagemente. Tesla colocou
suas orelhas para trás e resfolegou um alerta para os gestos. “Você vai
tratar ele bem? Você vai cuidar dele?” “Eu estaria disposta a dar toda
minha pensão do ano se eu estivesse indo ser má com ele?” Eu
perguntei. “Sim, eu vou tratá-lo muito bem. Eu sempre quis ter um
cavalo, e desde que Peter tem um reboque de cavalos para o cavalo que
ele usa em seu show de mágica, transportar Tesla por ai não será um
problema. Por favor.” A garota acenou e se virou para seu tio,
suplicando com ele. Evidentemente o sinal do meu dinheiro era demais,
por que tio Tarvic arrebatou seu dinheiro de volta de Milos, e me
entregou a guia do cavalo ao mesmo tempo em que ele agarrava o
dinheiro de minha mão. Um dedo seu roçou o meu, mas eu afastei
minha mão para trás antes que eu pudesse captar alguma coisa sobre
ele. “Köszönöm,” eu disse (“obrigada” em húngaro). “Köszönöm,” Eu
dei na guia um leve puxão e o velho cavalo começou a andar a frente.
Eu tentar lembrar de que lado Soren andava quando ele levava o cavalo
de seu pai, Bruno, mas Tesla evidentemente conhecia as cordas. Ele
marchou do meu lado direito, guiando pela estrada como se
conhecesse para onde ele estava indo. Milos gritou e gritou muito, mais
eu só sorri enquanto eu guiava Tesla para a estrada, voltando em
direção do caminho que eu tinha acabado de vir. “Qual é o seu nome?”
a garota perguntou. Tesla parou e olhou de volta para ela. “Fran. Qual é
o seu?” “Panna.” Ela se aproximou de Tesla, colocando as mãos ao
redor de seu focinho castanho. Ele bufou em suas mãos. Seus olhos
estavam todos lacrimejantes novamente, como se ela estivesse indo
chorar. “Ele será um cavalo muito bom, sim?” “Sim, ele será um cavalo
muito bom. Se você quiser, você pode vir visitá-lo enquanto nós
estamos na cidade. Nós estaremos indo ficar aqui mais três dias; então
nós voltamos para Budapeste.” Ela me deu um sorriso choroso. “Eu
vou gostar disso. Obrigada, Fran. Você é minha amiga.” “Com certeza.
Bem, vamos lá, Tesla; é melhor nós voltarmos então eu posso começar
a trabalhar para mamãe.” “Trabalhar para mamãe?” Panna perguntou.
“Nada. Eu vou te ver mais tarde?” “Tão breve quanto eu sou capaz.”
“Ok. Tchau.” Eu puxei a guia e Tesla começou a andar amigável o
suficiente. Eu olhei para trás uma vez. Panna estava entrando no carro
com seu tio. Milos estava ligando as engrenagens do seu caminhão,
dirigindo na direção oposta. Eu olhei para Tesla. Seus longos cílios
brancos escondendo seus olhos enquanto ele caminhava ao meu lado,
periodicamente parando para pastar um parecendo particularmente
suculento pedaço de grama. Eu tinha um cavalo. Um cavalo velho. No
meio da Europa, onde eu não tinha casa, mas um trailer, eu comprei um
cavalo. Eu tentei pensar em uma razão para que mamãe não devesse
despejar um chilique no final de tudo quando ela visse Tesla, mas eu
sabia que era uma causa perdida. Eu só tinha uma coisa que eu poderia
usar como poder de barganha. Eu suspirei. Tesla cochilou enquanto
nós passeávamos juntos com o calor da manhã, balançou sua cabeça e
rolou um olho para olhar para mim. “Você vai me custar muito mais do
que dinheiro, cavalo. Uma porção inteira a mais.” Nós caminhamos o
resto do caminho para a Feira em silêncio. Tesla pensando os tipos de
pensamento de cavalo e prestando nenhuma atenção aos carros
enquanto eles zuniam por nós, eu temendo o negócio que eu estava
indo ter que romper. Eu teria que fazer o que mamãe queria que eu
fizesse. Eu teria que descobri quem era o ladrão.
Capítulo 4
“Hei” Soren disse e colocou um balde de água abaixo ao meu lado
antes de cair subitamente no chão. “Hei” eu disse de volta. “Obrigada
pela água. Eu tenho certeza que Tesla irá apreciá-la quando ele encher
sua cara.” Nós nos sentamos em um banco na beira distante da
campina, além da área que os carros costumavam estacionar. Tesla
estava pastando feliz ao longo das sombras lançadas pelo sol enquanto
ele começava a mergulhar abaixo das árvores. Eu tinha passado a
maior parte do dia sentada ali, olhando para ele. Ele se moveu rígido e
lentamente, mas eu não via nenhum sinal de que estava mortalmente
doente ou pronto para capotar a qualquer segundo, ambos o que minha
mãe tinha sugerido, uma vez que ela saiu do choque da minha chegada
de volta ao trailer com um cavalo no reboque. “Como sua mãe reagiu?”
Eu dei de ombros e arranquei um pedaço de grama alto do banco. “Ela
soltou um sibilo” O nariz sardento de Soren se enrugou. “Um sibilo?”
“Um ataque de sibilo. Ela tinha gatos. Uma ameaça, Você sabe, ela
soltou os cachorros.” “Ah, soltar os cachorros, sim, eu estou
familiarizado com soltar os cachorros. Meu pai solta os cachorros
sempre.” “Yeah, bem, quando seu pai solta os cachorros, eu aposto
que as flores não murcham e o leite não azeda.” Esta não foi o pior
disso. Uma vez, quando ela ficou realmente brava comigo por que eu fui
a um clube que ela disse que eu não podia, cada espelho da casa
estilhaçou. Eu fiquei de castigo por um mês depois daquilo. Fale sobre
os sete anos de azar. “Não,” Soren disse pensativamente. “Embora uma
vez todos os pombos morreram.” Peter era um dos três mágicos que
praticavam magia. Ele era o único dos três que podia fazer mágica real,
o tipo que você quase nunca vê. Seu grand finale era virar uma caixa de
pombos dentro de Bruno, seu cavalo, o que era só uma ilusão, não
magia de verdade. A mágica de verdade... Bem, ela daria a você
arrepios de assistir. “Suponho que leite azedo é melhor do que
pássaros mortos.” Soren selecionou um grande pedaço de grama,
dividindo ao meio para fazer uma palheta dele. Ele assoprou. Ela soou
molhada e babenta. Eu dobrei minha folha de grama cuidadosamente, a
pus em meus lábios, e enviei uma corrente de ar através da abertura
estreita. Um alto, acentuado guincho silenciou a tagarelice dos
pássaros próximos por um momento. Tesla levantou sua cabeça e
olhou para mim. Eu bati o balde de água com meus dedos. Ele vagueou
e mergulhou seu focinho cinza escuro dentro dele, bebendo e
resfolegando para si mesmo. “Miranda disse a você pode mantê-lo?”
Eu pensei na longa hora de discussão que nós tivemos uma vez que eu
retornei. “Bem... ela disse que eu teria que conseguir um emprego na
Feira para pagar pela comida dele e contas do veterinário. E ela disse
que seu pai tinha dado ok para ele viajar com Bruno quando nós
estivéssemos na estrada, e que um veterinário teria que olhar ele para
ter certeza que não tem uma doença de cavalo horrível. E eu tenho que
encontrar uma casa para ele quanto for à hora de nós voltarmos para
Oregon. Mas sim, ela disse que eu podia mantê-lo.” Houve, é claro, uma
outra condição, a mais importante condição, a que garantiu o acordo
para mim. Eu concordei em me tornar a senhorita toque e sinta em um
esforço para descobrir quem dos empregados na Feira (se algum)
estava roubando Absinthe e Peter. Eu fiz uma careta para Tesla,
tentando decidir se ele era a pior de todas as agonias que estava indo
me custar. Ele puxou seu nariz do balde, aspirou meu pé, então
levantou sua cabeça e soprou meleca de cavalo e água tudo por cima
de minhas pernas. “Você teria sido um jantar de cachorro sem mim,
Tesla. É só você lembrar um pouquinho desse fato!” eu agarrei uma
mão cheia de grama, limpei a meleca e água de minha perna direita
Soren sentou descansando seus braços em seus joelhos. “Eu vi
Imogen esta manhã.” Eu joguei fora meu punhado de grama e peguei
outra, olhando para Tesla enquanto eu limpava minha outra perna.
“Yeah. Eu também. Ela estava pegando um bronzeado.” Soren tentou
fazer um apito com outro pedaço de grama, mas ele caiu de lado. Ele o
jogou para Tesla, que prontamente o comeu. “Ela disse que seu irmão
está ficando com ela por alguns dias.” Eu sabia disso. Imogen tinha
mencionado isso para mim na noite anterior. Parecia que eles não
tinham visto um ao outro a um longo tempo. Eu me perguntei quantas
muitas centenas de anos “um longo tempo” era para um vampiro? Eu
joguei fora minha grama e fiquei em pé, dando tapinhas sobre o
pescoço de Tesla. “Yeah, eu sei.” Soren deslizou um olhar de lado para
mim. “Eu não gosto dele. Ele é tão...” Ele disse algo em alemão. “O
que?” Ele acenou suas mãos ao redor. “Evasivo. Escorregadio.
Rápido.” Eu não acho que ele é legal.” “Sério?” Eu segurei o cabresto
de Tesla e alisei minha mão na curva adorável de seu peito. Ele era
espesso com músculos, mesmo para sua idade. Ele virou sua cabeça e
tocou com o nariz minha mão. Eu cocei suas orelhas por um minuto,
então deslizei minha mão embaixo de sua crina e corri para baixo de
seu pescoço, curtindo a sensação de cavalo quente sob as pontas de
meus dedos. “Eu gosto dele. Ele é... O que diabos?” Eu empurrei de
lado um sujo pedaço de crina e olhei para o local onde o ombro de
Tesla encontrava seu pescoço. Nada parecia diferente – era tudo crina
suja de cavalo cinza – mas correndo meus dedos levemente ao longo
acima de seu ombro esquerdo, eu senti algo, um espessamento, como
uma grande cicatriz. “Ele deve ter machucado a si mesmo há muito
tempo atrás, “eu disse para mim mesma.” “Quem, Benedikt?” “Não,
Tesla. Toque ele ali. O que você sente?” Soren mancou e correu sua
mão sobre o ombro do cavalo. “Cavalo.” “Tente novamente.” Soren fez
uma careta, limpou sua mão em seu short. “Cavalo suado. Sobre
Benedikt...” Eu entornei a água com meu pé. Soren pulou pra trás fora
do caminho da poça rastejante. Eu despejei o balde e o entreguei para
ele, juntando a guia ao cabresto de Tesla. “Vamos lá, eu quero te dar um
banho. Você pode ajudar antes do corre-corre da noite começar. O
veterinário está vindo vê-lo amanhã, então ele tem que parecer
saudável.” Soren franziu a sobrancelha, mas me seguiu enquanto eu
guiava Tesla através da área de estacionamento gramada. “Você está
evitando o assunto.” “Yeah, eu sei. Eu estou ficando muito boa nisso
também, huh? Ele suspirou um dos seus dramáticos suspiros que os
caras que tem quinze suspiram. “Eu avisei a você. Quando você vier
chorando para mim que ele fez algo terrível com você, não me diga que
eu não a avisei.” Eu sorri e cutuquei ele com meu cotovelo.
“Combinado.” Eu vou dizer isso a Soren – ele podia estar com ciúmes
da moto muito legal de Ben (e trabalhar para mamãe me deixar ir em
uma volta nela era a próxima da minha lista), mas ele estava disposto a
ir a fim de me mostrar como cuidar de um cavalo. Bruno, o andaluz
impressionante de Peter, parecia positivamente branco cintilante
comparado ao sujo cinza de Tesla, mas uma hora depois, depois de ter
ensaboado e enxaguado ele (muito para o prazer de Tesla – eu juro que
o cavalo positivamente gemeu de felicidade quando Soren apresentou
um pente de escovar), ele pareceu menos cinza e mais como um branco
verdadeiro. Eu gastei outra meia hora penteando sua crina e cauda,
então ele estava parecendo lindamente bem apresentado no momento
em que Peter parou para checar as patas e a boca de Tesla. “Ele é
velho,” Peter disse enquanto espreitava dentro da boca aberta de Tesla.
“Provavelmente vinte, vinte e cinco anos. Mas ele parece claramente em
boa forma.” Ele soltou os lábios do cavalo e deu tapinha no seu
pescoço. Tesla o arqueou e fez um teimoso pequeno empinar em lugar
de se mover. Peter riu. “Bom velho garoto. Ele não vai nos causar
nenhum problema. Sua mãe disse que você irá trabalhar para pagar
pela alimentação dele, verdade?” “Verdade.” Eu concordei, sentindo
todo calor e maciez por que Tesla estava se mostrando. O grande
desajeitado. “Eu posso fazer concessões, ou bilhetes, ou mover coisas,
ou...” Peter balançou sua cabeça. “Você irá aprender a ler palmas com
Imogen. Sua mãe me disse que você vai ser boa nisso, e Imogen deseja
só ler runas. Você irá aprender com ela. Eu vou paga-la em alimentação
para Tesla enquanto você aprende; então você ira ganhar salários de
verdade, sim?” Meu estômago torceu em uma pequena bola com o
pensamento de ler a palma das pessoas. O que significaria que eu ia ter
que tocar nelas! Mãe má, má. Ela tinha tentando pelos últimos anos me
fazer leituras das pessoas. Agora ela me tinha exatamente onde me
queria.
Cara, você compra um cavalo e de repente tudo em sua vida fica
complicado! Dei tapinhas em Tesla, pensando que antes daquela
manhã, tudo era claramente cristalino para mim – mais do que qualquer
coisa, eu queria voltar para casa. É claro, havia Ben... Mas não havia
nada que o impedisse de ir para Oregon, havia?” Tesla, entretanto, era
outro assunto. Eu tinha certeza que eu não podia levá-lo para casa
comigo; o que seria muito caro. Então o que queria dizer que eu tinha
que ficar e me entregar ao plano diabólico de minha mãe para me fazer
um deles, ou eu podia ficar e apenas recusar a fazer qualquer coisa, e
ficar atrapalhada e azeda até que todo mundo ficasse cansado de mim e
me enviasse de volta para viver com meu pai (que, para ser honesta,
não estava parecendo bom, com a sua nova esposa troféu na foto), ou
eu podia desistir de Tesla e fazer a melhor das coisas. Eu olhei para
Tesla. Ele olhou de volta para mim com seus grandes, olhos líquidos
castanhos. Não havia nada de errado com ele; só era velho. Ele merecia
ser picado em ração para cachorro só por que eu não queria fazer uma
pequena investigação e alguma leitura estúpida de palmas? Eu suspirei
de novo (eu realmente tenho que parar; isso está ficando um mau
hábito), e acenei para Peter. “Tudo bem. Eu vou deixar Imogen me
ensinar a ler palmas.” Em meus próprios termos – eu vou usar minhas
luvas. “Bom, bom. Soren vem comigo; eu tenho muito trabalho para
você...” Eles se apressaram para o pequeno trailer que servia como um
escritório. O gerador detrás da barraca principal zumbiu, então
estalando para vida, as grandes luzes correndo abaixo de cada lado do
caminho da feira, zunindo uma após a outra. Sombras surgiram, suas
bordas irregulares e claras no brilhante branco azulado da luz que
inundou o chão, tornando a grama verde um prateado preto. Tesla
relinchou, arranhando o chão com uma pata enquanto eu corria a
escova sobre ele pela última vez. “Encontrou um novo amigo, não é?” A
voz de Ben se enrolou ao meu redor, quase como se ela estivesse
tocando minha pele. E olhei por cima das costas de Tesla. “Yep. Eu o
comprei mais cedo hoje. Ele é meu.” “Você o comprou?” As
sobrancelhas negras de Ben se levantaram enquanto ele se aproximava
de nós. Tesla bufou e jogou sua cabeça para cima e para baixo.
Tentando se afastar de onde eu tinha amarrado ele no pára-choque do
ônibus de Peter. “Você comprou um cavalo. Um pequeno souvenir da
Hungria?” “Algo como isso?” Ben colocou sua mão e pegou o cabresto
de Tesla murmurando coisas suaves enquanto ele afagava a cabeça do
cavalo, acalmando-o. “Não me diga: Dark Ones tem uma habilidade
especial em acalmar cavalos?” Ele sorriu aquele contagiante sorriso
que me fazia querer sorrir de volta. “Nada tão excitante. Só acontece
que eu gosto de cavalos. Qual o nome dele?”
“Tesla.” “Hmmm.” Ben acariciou o pescoço de Tesla como eu tinha
feito. Eu me debrucei para escovar suas pernas, e quando eu me
levantei, Ben estava franzindo as sobrancelhas para o ombro do cavalo.
“Tem uma cicatriz lá,” eu apontei para ele. “Sim, eu notei,” Ben disse.
Seus dedos traçaram a letra P, dois X, e por baixo disso, uma linha
ondulada. “O que é isso?” eu perguntei. Ben olhou acima para mim.
“Os símbolos que você desenhou. São para protegê-lo?” Um sorriso
arrumado espalhou através de seu rosto. “O que você sabe sobre
proteções?” Eu coloquei a escova de volta ao balde e me afastei de
Tesla. Ele parecia muito bem, se eu tivesse que dizer para mim mesma.
“Não muito. Imogen disse que iria me mostrar como desenhá-las uma
vez, mas ela está sempre tão ocupada. Você protegeu Tesla?” “Não,”
Ben disse. “Onde você o conseguiu?” Eu expliquei minha aventura
matutina, deixando de fora todas as coisas sobre mamãe e a minha
promessa de ajudar a encontrar o ladrão. Ele não ia ficar por aqui por
tempo suficiente para que isso importasse para ele. “Você não sabe
onde o avô da garota o conseguiu?” “Nope.” “Nem mesmo seu nome?”
“O de Tesla?” “O do avô.” Eu balancei minha cabeça. “Nope. Isso é
importante? Eu deveria ter pego um recibo? Minha mãe disse que eu
deveria, que alguém pode alegar que eu o roubei, mas eu tenho Panna
como testemunha.” “Eu não acho que um recibo te diria alguma coisa,”
Ben disse lentamente, ainda acariciando Tesla. Ele traçou algo sobre a
bochecha do cavalo. “Se você quiser, eu posso descobrir de onde ele
se originou.” Tesla se virou e bateu em mim com sua cabeça. Eu retirei
minhas luvas e cocei atrás de suas orelhas. “Por quê?” Ben levantou
uma sobrancelha. Ele estava parecendo tão gostoso quanto na noite
passada, embora dessa vez ele estivesse em calças pretas e uma
camiseta vermelho sangue que parecia suave e reluzente, como se
fosse de seda. Ele tinha dois pequenos brincos de pedra negra em sua
orelha esquerda, e um diamante em sua direita. Nós estávamos falando
do muito legal aqui. “Você sempre pergunta o porquê quando alguém
oferece a você um favor?” “Às vezes. Se eu acho que o favor vai me
custar alguma coisa.” Ele sorriu de novo. “Isso vai custar a você.” Eu
andei para trás de Tesla, me certificando de ficar longe de suas pernas
só no caso dele virar um coiceador. “Quanto? Eu gastei todo o meu
dinheiro com ele.” “Você pode pensar em convencer sua mãe a dar sua
permissão para eu te levar em um passeio comigo?” Eu suguei em
minha respiração. “Em sua moto?” Ele acenou, seus dedos ainda
gentilmente acariciando o pescoço de Tesla. “Este é um pagamento
terrivelmente estranho. Que tal nós apenas irmos ao passeio e não se
preocupar com o ok?” “Não.” Ele balançou sua cabeça e estendeu sua
mão para mim. “Você precisa conseguir a permissão ou não haverá
nenhuma volta.” Eu hesitei, mordendo meu lábio enquanto eu olhava
para ela. Era só uma mão, só cinco dedos e uma palma. Eu tinha tocado
ele antes, e eu tinha ficado bem. Não havia nenhuma razão para não
confiar nele agora. Eu dei um passo mais perto dele, estendendo meu
braço, minha mão pousou sobre a dele. Eu juro que o ar entre nossas
mãos ficou quente. “Como você se desliga?” Eu perguntei. Ele não
disse nada, só olhou para mim com olhos negros como breu. Eu deixei
dois dos meus dedos afundarem e tocarem nele. Era só uma mão.
“Você nunca terá nada a temer em mim,” ele disse suavemente, seu
polegar esfregando as costas de minha mão. “Se você se encontrar
com problemas, eu irei ajudá-la. Sem dúvida nenhuma.” “E tudo o que
eu tenho que fazer é salvar sua alma em retorno?” Eu perguntei,
puxando minha mão para fora da dele. Ele balançou sua cabeça. “Eu
nada peço a você. Eu nunca pedirei Fran.” Eu fingi que meu braço
coçou, e cocei-o para quebrar o momento. Seu olhar intenso me deixou
desconfortável, me deixando muito consciente que ele era um cara
lindo em uma camisa vermelha de seda e eu era um grande pedaço de
garota em um par de jeans sujos e uma camiseta suada. Eu peguei o
balde de ferramentas e me virei em direção ao trailer de cavalos,
dizendo sobre meu ombro. “Eu irei perguntar a minha mãe sobre o
passeio de manhã. Ela não está muito feliz comigo hoje à noite. Pelo
menos ela não vai estar se eu começar...” eu parei. Era tão fácil
conversar com Ben, eu esqueci que não precisava revelar cada
pensamento que eu tinha para ele. “Até que você comece o que?” Ele
me seguiu até a frente do trailer de cavalo, onde Soren me disse que
eles mantinham os grãos de Bruno. Eu medi a quantidade que ele
mencionou, jogando-os em um balde. “Aqui, você carrega isso.” Ben
pegou o balde, observando enquanto eu franzia a testa para um fardo
de feno. “Quanto é um floco? Soren só me disse um floco. Metade, você
acha?” “Não, olhe, você pode ver as naturais divisões no fardo. Isso é
um floco.” “Como você sabe tanto sobre cavalos?” Ele deu um meio
sorriso. “Eu te disse – você não é a única que gosta deles.” “Ah. Você
tinha um? Quero dizer, como há muito tempo atrás? Você sabe, quando
todo mundo tinha cavalos?” ele parecia tão normal (um eufemismo se
já houve um) que era tão difícil de lembrar que ele estava caminhando
por ai a um par de anos atrás, antes deles terem carros, antes deles
terem eletricidade, antes de coisas como penicilina e analgésico. Eu
queria perguntar a ele um gazilhão de perguntas, mas descobri que isso
teria que esperar. “Yeah, eu tive cavalos.” “Eu acho que você teria,
huh? Você mesmo cuidava deles?” Seu meio sorriso ficou um pouco
peculiar. “Não. Eu tinha cavalariços.” “Cavalariços? Como servos?” Ele
acenou Eu só fiquei lá com minha boca aberta como uma grande garota
idiota. “Você é da realeza ou algo assim?” Ele riu e acariciou debaixo de
meu queixo, como você faz com uma criancinha. “Não, eu não sou da
realeza, Fran. Você não tem que parecer tão apavorada.” Eu me afastei,
gritando para mim mesma por estar sendo tão palerma enquanto eu
arrancava um pedaço solto de cerca de quinze centímetros e carregava
ele para o lado oposto do trailer onde Bruno estava mastigando seu
jantar. Bem colocou o balde abaixo, então foi buscar em um segundo
água para os dois cavalos enquanto eu trazia Tesla e amarrava-o em
uma longa guia para o trailer. ”Din-dins! Bom apetite!” “Fran? O que é
que você tem que começar?” Eu me virei e enfrentei Ben. Só o que eu
precisava em minha vida, um vampiro com uma mente obcecada. “Não
é nada, ok? Só um pequeno projeto que eu tenho fazer para minha mãe.
Algo que eu tive que concordar para manter Tesla. Então você pode
parar de bisbilhotar e me deixar em paz.” Algumas vezes eu queria
chutar a mim mesma. Outras vezes eu só quero sair da minha pele,
apontar para meu corpo e dizer: “eu não estou com ela.” Esta era uma
das vezes que eu queria fazer ambos. “Desculpe,” Ben disse, e sem me
dar nada mais do que um rápido olhar, ele se virou e se afastou. Merda,
merda, e dupla merda! Eu podia ser ainda mais estúpida? O cara mais
gracinha em todo o universo – ok, ele é um sanguessuga, mas ninguém
é perfeito – e eu tenho que ser grossa com ele até que ela saia para
falar com as pequenas, baixas, garotas bonitas que ele não tem que
fingir que gosta apenas porque elas podem salvar sua alma. “Minha
vida é totalmente uma droga.” Eu disse para Tesla. Ele agitou seu rabo
de lado e fez côco. “Obrigara. Eu precisava disso.”
Eu limpei o côco de cavalo para fora do caminho, me certifiquei de que
Tesla ia estar bem por um tempo, então percebi, tão logo quanto, que
eu estava triste, infeliz e deprimida, eu poderia tão bem estar realmente
triste, infeliz e deprimida.
Fran Getti, a Nancy Drew11 do século 21. Não!

11 N/T:Nancy Drew – uma série de livros sobre uma adolescente que


investiga mistérios. O personagem aparece pela 1ª vez em 1930,e são
criados os livros a partir de 1959. Virou filme.
Capítulo 5
“Miranda disse que você concordou em encontrar o ladrão que rouba o
nosso dinheiro. Ela não me disse como você irá fazer isso. Eu estou
naturalmente curiosa. Você vai me dizer agora.” Absinte colocou sua
sacola próximo ao seu trailer, e se virou para latir algo em alemão para
Karl, que tinha pego ela na estação de trem. Imogen disse que Karl é o
garoto brinquedo de Absinthe, mas eu tenho dificuldade em acreditar
nisso. Não é que Absinthe seja feia, mas seu cabelo espetado rosa não
combina com seu queixo rígido e olhos pequenos. Seu sotaque
germânico era muito mais pesado do que o de Peter e o de Soren, mas
mesmo assim, quando ela virava seus desbotados olhos azuis claros
em você, você fazia o que ela queria. Ela era também uma leitora de
mentes, um fato que me fazia realmente nervosa perto dela. Tanto
quanto eu não gostava de Ben marchando e vasculhando através de
minha mente, pelo menos eu confiava nele. Até certo ponto. Absinthe
eu não confiava mais longe do que eu podia cuspir. “Um... na verdade,
eu não acho que direi a você. Mamãe não disse que era parte do trato.”
“Trato?” Absinthe girou ao redor e semicerrou seus olhos para mim.
Era tarde da manhã, e ela tinha acabado de retornar de sua viagem a
Alemanha para encontrar uma banda substituta. A maioria das pessoas
da feira estava só acordando, mas eu percebi que tinha que começar no
meu novo papel como detetive, e iniciar a investigação... Tal qual isso
era. “Que trato é esse?” “O trato que diz que eu posso manter meu
cavalo se eu ajudar você. Eu percebi que a primeira coisa que eu
precisava fazer é falar com você sobre os roubos, e talvez ver o cofre e
coisas como isso.”
Ela me deu outro olhar estreito, então se virou e entrou no trailer. Eu
presumi que era suposto que eu seguisse, e subisse após ela. Eu notei
que o interior do trailer parecia como o lado de fora (rosa e verde,
lembra?) - em outras palavras, berrante mais surpreendentemente
organizado. Havia uma medonha quantidade daqueles matizes curtidas
chamada cinza-claro12, mas o pequeno sofá, duas cadeiras e a
pequenina mesa que faziam a parte principal do trailer, eram de muito
bom gosto. Absinthe colocou sua sacola sobre a mesa e acenou para o
banco curvado do sofá. “Este é o cofre. Como você pode ver, ele é um
bom cofre, muito confiável, ja13? De manhã eu acordo, abro o cofre e
rito o dinheiro para a comida, mas não havia nenhum dinheiro, só
jornal. Foi aquele Josef, da banda, sabia? Verdammter Schweine-hund!
Ele está tentando nos arruinar!” Eu agachei em frente ao cofre. Ele era
grande, cerca de meio metro de altura, feito de metal pintado de branco,
com a habitual coisinha de girar em frente, uma alça de metal para abrir,
e nada mais. Eu o cutuquei com meu pé. Ele provavelmente pesava uns
quarenta e cinco quilos. “Quem tem a combinação do cofre?” “Peter e
eu tenho.” Ela sacudiu sua jaqueta de linho e pendurou-a no minúsculo
armário.

12 N/T: Taupe – cinza- claro e em matizes curtidas está 'shades of tan' –


matizes/sombras de castanho/bronzeado/marrom, enfim... 13 N/T: *ja –
sim, em alemão. **Verdammter Schweine-hund – o hund significa
cachorro em alemão

“Ninguém mais.” “É claro que não; você acha que nós somos tolos?”
Eu tentei pensar no que eu poderia fazer se eu quisesse abrir um cofre.
“Um... quando você normalmente o abre?” Ela agarrou sua bolsa e
passou raspando por mim, abriu a porta atrás de mim para seu quarto.
“De manhã, para desembolsar o dinheiro quando nós precisamos que
Elvis e Kurt comprem comida e qualquer coisa que nós precisamos
para os shows.” Kurt era o irmão de Karl. Outro garoto brinquedo, ou
assim dizia Imogen. “E você coloca o dinheiro nele de noite?”
“Eu faço isso, ja. Eu o coloco em uma bolsa como esta, vê?” Ela
segurou uma bolsa de dinheiro preta vazia, do tipo com um zíper e uma
fechadura no final. “O dinheiro vai nela uma vez e eu conto as vendas
dos bilhetes, e também depois que a feira fecha, ven14 todo o dinheiro
vem dos trabalhadores.” O contrato da Feira diz a todos os artistas para
dividirem seus ganhos com Peter e Absinthe. Em retorno eles tem suas
despesas de viagem pagas, e era garantido um montante mínimo cada
mês. “Ven eu olhei de manhã, fffft! O dinheiro sumiu, e a bolsa está
cheia com jornal.” Eu mastiguei meu lábio enquanto observava
Absinthe abrir sua bolsa de viagem. Eu não queria que ela me visse
tocando o cofre – se soubesse sobre minha pequena maldição, ela
mandaria eu ser colocada para trabalhar como a Aberração Adolescente
residente. Com minhas costas para ela, eu retirei minha luva da mão
direita e alcancei a maçaneta do cofre. Com Absinthe ocupada em
acabar de guardar suas coisas a qualquer segundo, eu não teria tempo
para me fortificar para o ataque de imagens. Eu só agarrei a maçaneta e
esperei pelo melhor. Foi horrível. Pior do que eu pensei. Pelo menos
sete pessoas diferentes tinham tocado no cofre nas últimas poucas
semanas: Absinthe e Peter eram os mais fortes, mas eu podia também
sentir Karl, Elvis, Soren e até mesmo Imogen e minha mãe tocaram no
cofre em algum momento ou outro. Objetos inanimados não podiam
reter as memórias do modo que as pessoas, mas se alguém estivesse
sentindo uma emoção muito forte quando ele ou ela o tocasse algumas
vezes isso ficava impresso no objeto. Indecisão e frustração estavam lá
no punho do cofre, mas a esmagadora sensação, a sensação que
inundou minha mente era um frio, desespero quieto, o tipo do
desespero que fazia suas palmas picar com o suor. Uma das pessoas
que tinham tocado o cofre estava emocionalmente em um estado tão
ruim que tocar a memória dele me deixou agora um pouco doente em
meu estômago. Eu puxei minha mão, mas não tive tempo de colocar
minha luva de volta antes que Absinthe disparasse no quarto. “Eu não
estou vendo como você pode nos ajudar, se você vai! Agora me diga
como trabalha. Você pode ler mentes, eh? Pode ver a culpa de alguém
em sua aura? Você é uma humana... do que vocês chamam aquilo...
detector de mentiras?”

14 N/T: Ven - não traduzi, ou é alemão ou é erro.

Eu dei a ela um sorriso débil e empurrei minha mão nua para trás de
minhas costas, lentamente voltando para o corredor estreito do trailer
para que ela não pudesse vê-la. “Nada disso, desculpe. Mamãe só acha
que eu posso ajudar. Eu leio um monte de Agatha Christie.” Absinte
cruzou seus braços e olhou para mim. “Eu não acho que tudo isso é
diversão. Como você irá nos ajudar agora?” Eu alcancei a porta com
minha mão enluvada, ainda mantendo minhas costas longe dela. “Eu
irei provavelmente falar com cada um e ver se alguém notou alguma
coisa.” “Bah!” Ela jogou suas mãos no ar em um gesto de
aborrecimento. “Inútil, isso é inútil. Eu tenho perguntado a todos e
ninguém vê nada, ninguém nota nada de errado. Isso é uma perda de
meu tempo.” Eu deixei um ombro virar em uma meia contração. “Yeah,
bem, eu fiz o trato com minha mãe, e eu vou me enfiar nisso.” Não
importa o quanto isso vai me destruir, eu adicionei silenciosamente. “E
vou deixar você saber se eu descobrir alguma coisa.” Absinte apertou
seus lábios para mim, seus olhos brilhando cintilantemente. Eu parei
com um pé sobre o degrau, um no trailer, subitamente incapaz de me
mover, presa no lugar com aquele olhar. Meu couro cabeludo se
arrepiou quando eu percebi o que ela estava fazendo. Eu podia sentir
ela se empurrando contra minha consciência, tentando descobrir um
caminho para minha mente. Eu queria gritar para ela ficar fora da minha
cabeça, mas eu senti como se eu estivesse pressa em um grande tonel
de melado, como se cada coisa acontecendo ao meu redor estivesse
sendo girada em câmera lenta. Pânico, escuro e frio, me apertaram
enquanto eu podia senti-la deslizando ao meu redor, me cercando, me
sufocando. Ela ia conseguir, e então ela saberia tudo sobre mim! Eu
não podia respirar; meus pulmões não podiam conseguir nenhum ar
neles. Senti-me esmagada por seu poder, sua habilidade de se empurrar
ao lado da minha resistência débil e o marchar em minha cabeça. Tudo
começou a ficar cinza enquanto eu era varrida por uma onda de tontura.
Não! Meu cérebro gritou. Fran? Calor me preencheu, relaxando o
estrangulamento em que Absinthe me prendia, permitindo meus
pulmões se expandirem e sugarem o ar muito necessário. Eu agarrei o
calor. Ben? Há algo errado? Ele soava sonolento, um quente,
confortável sono, como se estivesse se aconchegando em uma cama
quentinha em uma manhã fria de inverno. O toque de sua mente na
minha era tranqüilizadora, afastando a tontura cinza, cobrindo-me de
segurança. Absinthe estava tentando entrar em minha mente. Ela iria
descobrir sobre mim, sobre você também. Ela já sabe sobre mim. Não
se preocupe, ela não vai entrar. Imagine-se em uma câmera selada, sem
nenhuma saída e nenhuma entrada. Só você. Imagine a si mesma nisso,
e ela não será capaz de entrar em sua mente. Eu respirei fundo, meus
olhos ainda nos de Absinthe enquanto ela fazia uma grande impulso em
minha mente. Meus joelhos quase se curvaram sob o ataque. Ben!
Pense na sala fechada, Fran. Sua voz era tão suave, tão cheia de
confiança, o que ajudou a empurrar um pouco do pânico escuro para
longe. Eu imaginei uma sala feita de aço inoxidável, toda cercada por
cantos, as laterais de cada estavam soldadas juntas. Não havia uma
rachadura, nenhum espaço em qualquer lugar que qualquer coisa
pudesse entrar ou sair. Era absolutamente impermeável, selado, e eu
estava no meio dele. A contenção de Absinte sobre mim rompeu como
se eu cortasse uma corda esticada. Ela rosnou em alemão, mas eu não
esperei para ver o que mais ela tinha a dizer. Eu balbuciei algo sobre vê-
la mais tarde, e corri pela minha vida. Ben? Ele não respondeu. Eu não
podia senti-lo, também. Eu não podia sentir nada, nem uma única coisa.
Só havia eu em meu cérebro. Ben, você está com raiva por que eu o
acordei? Desculpe-me se eu o fiz, mas eu precisava deixá-lo saber que
sua idéia funcionou. Absinthe não conseguiu entrar na minha cabeça.
Está tudo bem agora. Um. A menos que você esteja zangado comigo, e
então eu acho que nem tudo está bem. Nada. Nadica. Nem uma
abençoada coisa. Ele nem mesmo pensa estar com raiva de mim, do
jeito que ele podia pensar em um sorriso. Eu suspirei e olhei ao redor.
Não havia muitos lugares para se esconder quando você estava
vivendo em uma grande, aberta, campina gramada com um monte de
barracas e um grupo de trailers. Eu não tinha idéia de onde estava indo,
mas teci através dos trailers até chegar a uma com símbolos nórdicos
pintado em ouro e preto. Eu bati na porta enquanto virava a maçaneta e
deslizava através da porta, olhando por sobre meu ombro para me
certificar de que ninguém me viu entrando no trailer de Imogen.
“Imogen? Você está de pé? Eu realmente preciso falar com você.” As
sombras se levantaram, a luz do sol se inclinando dentro do trailer,
destacando os restos de uma rosca sobre uma minúscula mesa, então
eu deduzi que Imogen estava de pé e por perto. “Você está se
vestindo?” Eu fui para a porta fechada de seu quarto. “Escuta em tenho
uma pergunta para você – aimeuDeus!” Não era Imogen no quarto; era
Ben. Com o peito nu. Sentado na cama de Imogen com um sonolento, e
surpreso olhar em seu rosto. Até que me movi e um tentáculo do sol
serpenteou passando por mim dentro do quarto, caindo sobre seu
braço nu. Ele girou e empurrou o cobertor para cima, semicerrando os
olhos para mim. “Eu sinto muito!” Eu tentei mover para bloquear o raio
de sol, mas mais veio ao redor de cada lado meu. “Geez, me desculpe,
eu não posso... sol estúpido...” “Entre e feche a porta,” ele rebateu. Eu
pulei para dentro do quarto e bati a porta fechada atrás de mim. Foi
quando que eu percebi que estava em um minúsculo quarto mal
iluminado, com um vampiro nu que parecia realmente, realmente
zangado.
Ele ligou a luz da cabeceira, empurrando o cobertor para baixo para
olhar seu braço. A vista das bolhas que listravam acima de seu braço
eu esqueci de tudo, em estar embaraçada por ele estar nu. “Eu fiz isso?
Ah, Ben, lamento tanto. O que eu devo... gelo, que é o que você coloca
em uma queimadura.” “Não abra aquela porta de novo!” Ele gritou justo
quando eu estava indo caçar o gelo. “Eu não preciso de nada; vai ficar
tudo bem.” “Não seja estúpido; aquelas são como de terceiro... grau...
wow.” Ben acariciou seu braço queimado. Cada passada da mão, as
bolhas diminuíam até que tudo o que permaneceu foram levemente
irritadas marcas vermelhas em sua bronzeada pele inhame.
“Isso é maravilhoso! Você se cura!15” “Ainda não está pronto.” Ele caiu
para trás contra a parede. “Eu tenho limitados poderes regenerativos.
Quanto mais fraco eu sou, menos eu sou capaz de me curar.” “Fraco?”
eu estendi a mão para tocar seu braço, percebi que tinha minhas luvas
postas, e arranquei elas fora. No segundo que meus dedos tocaram sua
pele eu fui preenchida com fome, me roendo, me mordendo com
afiados, golpes dolorosos, uma necessidade se construindo dentro de
mim para ter o que eu precisava, para subjugar o animal que rosnava
por dentro. Eu afastei meus dedos e olhei para Ben. “Você está com
fome. É isso que você quer dizer com fraco?” Ele correu sua mão
através de seu cabelo e pareceu irritado. “Sim. Existe uma razão para
você estar aqui?” Eu olhei para ele, incapaz de afastar o olhar. Ok,
então eu estava olhando para muito de seu peito nu, mas ainda, mesmo
babando sobre aquilo, eu não podia me impedir de me perguntar como
ele podia ter tanta dor trancada dentro dele, e ainda parecer tão normal
por fora. “Eu estava procurando por Imogen.” “Ela não está aqui.”
“Yeah, eu percebi isso . Como é que você está com fome? Quero dize,
por que você não... você sabe... se alimenta?” “Eu não gosto de fast-
food,” ele disse. Eu pisquei. Ele suspirou. “Isso foi uma piada. Não é
tão fácil como apenas escolher uma pessoa fora da multidão e me
empanturrar, Fran. Eu tenho que ser cuidadoso com quem eu escolho.”
“Ah, por causa de doenças e estas coisas? HIV?” “Não, eu sou imune a
doenças. Eu estou me referindo ao fato de que a maioria das pessoas
iria notar se sua esposa ou irmã ou filha subitamente aparecesse
debilitada e sofrendo por uma significante perda de sangue. Leva
tempo para encontrar algumas pessoas que poderiam me providenciar
uma quantidade de sangue que eu preciso sem deixá-las com uma
notável perda.” “Huh. Eu não tinha pensado nisso.” Eu mordi meu lábio
e olhei para seu braço. As marcas vermelhas ainda pareciam como se
machucassem, e eu sabia que tipo de dor ele guardava dentro dele. E
desde que eu causei a ele dor, eu achei que cabia a eu sacrificar um
pouco de sangue. Além disso, havia algo quase... Intrigante no
pensamento de dar a ele meu sangue. “Que tal eu?” Suas sobrancelhas
se levantaram. “O que?”

15 Healer – curador, benzedeiro, rezador, remédio, cura. Tive que


adaptar. Ela disse: Você é um healer.

“Você poderia ter um lanchinho.” “Lanchinho?” ele olhou com se eu


tivesse um peito brotando em minha testa. “Yeah, você sabe, mordida.
Mordiscada. Afundar a presa. Não o suficiente para me deixar
debilitada, mas o suficiente para você suportar até poder encontrar
alguém mais para ..urn... comer.” Só no caso de você estar se
perguntando, isso está qualificado como a mais estranha conversa que
eu já tive. Ben passou sua mão através de seus cabelos de novo. Eu
gostava do modo como os músculos em seu braço se moviam, mas eu
tentei não o deixar me ver admirando eles. Eu não estou realmente
procurando por um namorado. Ok, a verdade é, eu não saberia o que
fazer com um se eu o tivesse, mas eu decidi que era melhor eu não me
debruçar sobre isso. “Fran, eu não posso ter o seu sangue.” “Você não
pode?” Por que ele estava zangado comigo? Tão zangado que preferia
sentar lá com tanta fome que machucava do que saborear um pouco a
Fran? “Não é por que eu não quero – não há nada que eu gostaria mais
do que nos unirmos - mas isso é exatamente o que isso significaria:
nós estaríamos unidos pelo resto de nossas vidas, o que, alias, seria
medido em séculos ao invés de décadas. Eu estava na porta, parte de
mim querendo correr gritando do quarto, a outra parte querendo ficar e
falar com ele. Ele parecia tão normal...” Seria?” Ele suspirou e puxou o
cobertor para cima de seu peito. “Um Dark One que se juntar com sua
amada tirando seu sangue não pode se alimentar de ninguém mais.
Eles estão unidos um ao outro, juntos, pela eternidade, dando a cada
um a sua vida.” “Ah, você quer dizer que eu teria...” eu fiz uma garra
com meus dedos e gesticulei na direção do meu pescoço com ela. Ele
acenou. “Certo, então o lanche esta fora. Eu gosto de você e tudo mais,
mas eu não acho que quero passar a eternidade com você. Você não...
uh... se importa se eu disser isso, não é? Você não está ainda zangado
comigo?” Ele fez uma careta. Mesmo ele fazendo careta era gracinha.
Talvez eu devesse repensar essa coisa toda de não namorado. “Eu não
estou zangado com você, Fran. Por que você pensou que estaria?” Eu
acenei um mão ao redor vagamente. “Você não me respondeu mais
cedo, e eu acordei você e tudo...” “Eu não respondi você?” “Yeah,
depois que eu deixei Absinthe. Eu fiz a coisinha esquisita psíquica
funde-mente com você para te agradecer, mas você não respondeu Eu
percebi que você estava p da vida comigo.” Ele bocejou em sua mão.
“Faça isso agora.”
“Huh?” “Tente a coisinha esquisita psíquica funde-mente agora.” “Ah.”
Desse jeito? Ele apenas olhou para mim. Oiiiiiiiii? Ben? Alguém ai
dentro? “Bem?” “Você não está respondendo. Se você não vai
responder, você podia pelo menos ter um correio de voz ou algo
assim.” Um canto de sua boca levantou. “Fran, o que foi a última coisa
que você fez antes de deixar Absinthe?” Eu dei a ele um beicinho.
“Você sabe, você me disse para fazer isso! Eu imaginei que eu estava
em um quarto selado, onde nada podia entrar na minha mente.” “E nada
podia sair?” Eu pisquei para ele por um segundo, então sorri. “Ah, eu
não pensei nisso. Como faço para abrir a minha mente?” “Você se
imaginou protegida naquele quarto; apenas visualize que a proteção se
foi.” Eu mastiguei meu lábio. “Eu vou ser capaz de conseguir isso de
novo? Eu não acho que Absinthe é uma das que desiste facilmente. Na
verdade, eu não sei o que está a impedindo de ler a mente de todo
mundo que trabalha aqui.” E, aliás, descobrir por si mesma quem
roubou o dinheiro. Ele bocejou de novo. “Você pode se proteger
sempre que você precisar. Todo mundo pode; Absinthe não pode ler a
mente de ninguém que esteja protegendo ela. A primeira coisa que
alguém com habilidades psíquicas aprende é como proteger suas
mentes de invasão. Sua mãe não te ensinou isso?” “Um... não.' Eu
imaginei a mim mesma abrindo a porta da sala de aço inoxidável e
andado para fora dela. Obrigada Ben “De nada. Mais alguma coisa?”
“Não. Desculpe-me por acordar você, duas vezes. E desculpe sobre o
braço. E a coisa toda de Amada. Eu não imagino você terrivelmente feliz
sobre isso também.” Seus olhos brilharam escuramente para mim
enquanto ele puxava o cobertor para cima de seu pescoço. “Você vai
me levar para um volta hoje à noite? Mamãe disse que eu posso desde
que eu esteja de volta as dez. Eu sei que não dá a você muito tempo
depois que o sol se pôe, mas...” “Eu te vejo as nove.”
Eu concordei e esperei até que ele puxasse o cobertor sobre sua
cabeça antes de abrir a porta.
Eu deixei um bilhete para Imogen sobre a sua mesa, então me apressei,
sentindo-me muito bem pelas coisas. Ben não estava zangado comigo,
e tinha me mostrado como vencer Absinthe em seu próprio jogo.
Mamãe estava em um relativamente bom humor comigo depois de eu
ter concordado em fazer o que ela queria. Tesla parecia mais feliz em
sua nova vida – o veterinário deu a ele um atestado de saúde – e ele fez
sua pequena dança-no-lugar engraçada quando Soren e eu o levamos e
Bruno para fora e colocamos correntes em suas patas dianteiras para
que eles pudessem pastar no gramado da campina sem sair correndo.
Claro, eu ainda tinha tudo de Nancy Drew para fazer, mas apesar de
tudo, a vida estava começando a parecer boa.
Capítulo 6
Minha vida é uma merda de sapo. Não, sinceramente, eu quero dizer
isso. Ah, ok, talvez não seja tão ruim assim. Mas se você encontra a si
mesmo tendo que falar com um cara que não só parecia com o Elvis
Presley, mas soava como o Elvis Presley, mas que realmente pensava
que ele era o Elvis Presley, o seu dia não seria um pouco uma merda de
sapo? Yeah. Eu pensei que sim. “Hei, você, pequena dama. O que o
grande homem pode fazer por você, uh – huh?” Vê? Merda. “Oi, Elvis.
Eu me perguntei se eu podia falar com você por alguns minutos.”
Ele fez um pequeno requebrar dos quadris enquanto penteava seu
grande cabelo preto em frente ao espelho* 16que ele sempre colocava
do lado de fora do seu trailer. Elvis era magro, um pouco mais baixo do
que eu, e tinha muito, e muito do espesso cabelo preto que ele
ensebava em um corte de cabelo de topete afofado dos anos cinquenta.
Eu não podia acreditar que os caras realmente usavam seus cabelos
daquele jeito, mas mamãe disse que seu pai costumava o que vai me
fazer um pouco estranha com vovô quando eu o ver novamente. “Claro
que você pode.” Ele fez outro remelexo de quadril. Elvis é muito bom
em suas mexidas de quadril. “Puxe uma cadeira e vamos tagarelar por
enquanto.” “Eu quero que você me fale um pouquinho sobre
demônios.” Ele parou no meio de uma remexida de quadril e virou ao
redor para me olhar. “Demônios? Agora o que uma mocinha como você
quer com um grande demônio mau?” Elvis era o demonologista
residente. Ele alegava que não podia invocá-los (o que eu acho que é a
maior má furada), mas mamãe disse que havia algo sobre a sua aura
que ela não confiava. Tecnicamente Elvis supostamente aconselha as
pessoas que pensam que estão sendo atormentadas por um demônio, e
providência talismãs de proteção contra ataques de demônios
futuramente. Eu acho que ele faz um baita sucesso com empresários...
“Bem, eu quero saber que tipo de coisas um demônio pode fazer por
você Se você invocar um, é isso.” Elvis fez uma careta e se virou para o
espelho. “Sua mãe te pediu para me perguntar isso?” “Não, ela não
sabe que eu estou falando com você. Na verdade, ela estaria ficando
muito chateada se soubesse que eu estava. Ela não gosta de nada feito
com os poderes das trevas.” Ele bufou e deu um passo para trás para
admirar a si mesmo no espelho. “Nada errado com os poderes das
trevas desde que você saiba como lidar com eles.” Ele se virou e
apontou seu pente para mim. “Demônios não são para garotinhas
brincarem, no entanto. É preciso uma pessoa forte para lidar com eles.”
16 N/T: *Floor mirror – espelhos que tem apoios para ficarem em pé.

Eu só pude manter longe o rolar de meus olhos para o comentário


“garotinha”. Eu sou sete centímetros e meio mais alta do que ele! “Você
pode fazê-los fazerem qualquer coisa que você quiser?” Elvis deslizou
sua jaqueta de couro, apesar do fato de que estava quente lá fora. Ele
fez um truque durante o Malévolo show de mágica de Kurt e Karl, onde
eles o materializavam em um Elvis todo em vestes de gala, em uma
caixa de vidro no meio do palco. Soren disse que achava que isso é
uma ilusão, não uma mágica de verdade, mas eu não consigo descobrir
como eles podem fazer, se isso não é real. “Demônios? Claro que você
pode, supondo que você é forte o suficiente. Se você não é, você será
rango de demônio.” Ele fez um som de cortar como se estivesse
comendo alguém. “Há algum limite para o que você pode conseguir que
um demônio faça?” “Limites?” Ele acendeu um cigarro e ofereceu-o
para mim. Eu balancei minha cabeça. “Que tipo de limites?” “Como...
eles podem atravessar paredes? Digo, dentro da caixa que você se
materializa?” Ele tragou e soprou a fumaça pelo seu nariz (eu odeio
isso). “Querida, não há nada que possa manter um demônio fora de um
lugar que ele queira entrar, exceto se você tiver desenhado um monte
de proteções. Ou se as paredes disso são feitas de aço. Eles odeiam
aço. Queima-os.” “Ah. Ok. Bem, muito obrigada, Elvis. É melhor eu ir
andando. Tenho que ajudar minha mãe a arrumar.” “Você não está
planejando invocar por si mesma um demônio agora, está?” Eu levantei
minha mão, no estilo de juramento. “Nope. Não saberia como, se eu
quisesse.” “Bom. Demônios devem ser deixados para aqueles que
sabem como lidar com eles.” Ele se virou para dar a si mesmo uma
última olhada no espelho. Eu estendi minha mão esquerda (que tinha a
luva de rendas colocada, sem a de látex por baixo dela) e gentilmente
toquei suas costas. Látex e couro de animal eram as únicas coisas que
podiam obstruir minha habilidade de sentir coisas quando eu tocava as
pessoas, mas eu realmente odiava o pensamento de preencher minha
mente com Elvis. Eu estava certa de que a versão apagada me diria o
suficiente. Eu puxei minha mão de volta, sorrindo selvagemente
enquanto ele se virava em minha direção. “Obrigada! Vejo-te mais
tarde.” Ou nunca, se eu conseguir meu desejo. Eu tive a pior vontade
de tomar um banho, de lavar para fora da minha mente as imagens
lascivas e pensamentos sobre Imogen que preenchiam a de Elvis. Se
eles tivessem um tipo de coisa como shampoo cerebral, eu estaria
comprando um caminhão dele. “Que tarado,” eu disse enquanto me
dirigia para a barraca de Imogen. Eu estava indo me certificar de dizer a
ela para tomar cuidado com ele – as coisas que ele estava pensando
sobre ela apenas não eram saudáveis. “Mas pelo menos ele é um
pervertido que não pode conseguir que um demônio roube dinheiro
para ele. Não com um cofre revestido de aço.”
A barraca de Imogen estava vazia. Ela tinha estado fora todo o dia,
provavelmente comprando na cidade (ela adorava fazer compras), mas
isso não era como ela estar tão perto da abertura. Eu olho através da
campina. Eu tinha movido Tesla para uma pequena sessão atrás dos
banheiros portáteis para que ele pudesse pastar longe dos
freqüentadores da Feira. Soren estava escovando Bruno, deixando-o
pronto para aparecer no ato de mágica de Peter. O sol ainda estava um
pouco visível através das árvores, longos dedos âmbares e rosa se
estendendo através do profundo céu. Em outra meia hora ele estaria
escuro, e a Feira Gótica viria à vida. Centenas de pessoas vagueariam
pela Feira, rindo, gritando, tendo seus corpos perfurados, comunicando
com seus entes queridos mortos, brincando com instrumentos de
tortura... Você sabe uma noite de costume. Eu fiz a lista mental das
pessoas que tinha tocado no cofre. Elvis, meu primeiro suspeito, era
um não-vá. Imogen e mamãe, eu tinha certeza, foi apenas uma
coincidência. Peter não tinha razão para roubar a si mesmo (motivo,
todos os detetives chama disso), e Soren provavelmente também tinha
uma legítima razão para colocar algo no cofre. O que deixava Karl. Eu
olhei ao longo do corredor central onde Kurt e Karl estavam mudando
seus apoios para a barraca central. Eu parei em um dos estandes para
pegar uma salsicha e um grande pretzel, devorando a salsicha
enquanto caminhava em direção a barraca central. “Hei, Soren,” eu
disse, parando no trailer de cavalo. Ele estava esfregando a coisa
brilhando nos cascos de Bruno para torná-los bonitos. Eu estendi o
pretzel. “Obrigado,” ele disse, enxugando suas mãos em seus shorts
amarrotados antes de pega-lo. “Você quer que eu alimente Tesla com o
Bruno?” Eu lambi o resto do sumo da salsicha de meus dedos,
franzindo a testa um pouco. “Isso seria muito legal da sua parte, mas
você não precisa fazer isso.” Ele sorriu e mordeu um grande pedaço de
pretzel. Eu estava instantaneamente suspeita. “Ok, como você está
sendo legal?” Ele olhou ao redor, seus sorriso aprofundando. “Tante
me disse que você está supostamente descobrindo quem tem estado
roubando o dinheiro. Eu pensei que você poderia estar no caso.” “Você
assiste muita TV americana,” eu disse, e puxei ambas as luvas.
“Falando disso, você notou algo suspeito sobre o cofre?” “Suspeito?”
Pequenos pedaços de migalha voaram fora enquanto ele falava com
sua boca cheia de pretzel. “O que é suspeito em um cofre?” Eu fiz uma
pequena sacudida de lado com a cabeça. “Eu não sei... alguém
vadiando perto dele que não deveria estar, alguém no trailer quando
sua tia ou seu pai guarda o dinheiro, alguém que sabe a combinação,
esse tipo de coisa.” Ele olhou ao redor rapidamente, então se inclinou,
batendo em seu peito. “Eu sei a combinação.” Eu levantei minhas
sobrancelhas. “Você sabe?” “Sim, papai escreveu ela em um pedaço de
papel porque sempre está se esquecendo dela. Ele deixou o papel na
barraca um dia. Eu o peguei.” Minha boca caiu aberta só por um
pouquinho, até que eu percebi aquilo e dei um aperto sobre mim
mesma. “Você quer dizer que seu pai deixou a combinação do cofre
onde qualquer pessoa pudesse vê-la?” “Não fora a vista, não. Estava
na barraca umas semanas atrás, quando nós estávamos em Stuttgart,
lembra? Estava sobre a caixa de pombos com algumas notas sobre as
cidades onde estávamos indo. As únicas pessoas que poderiam ter
visto isso foram...” “Qualquer um ligado a Feira, e o que inclui a banda
que fugiu a noite. Jesus Cristo, Soren, qualquer um podia ter aberto o
cofre! Você disse a Peter que você encontrou a combinação?” Ele
balançou sua cabeça e enfiou o último pedaço de pretzel dentro de sua
boca. ”Eu o pus de volta na mesa, então não saberia que ele se foi. Mas
eu vi o número nele. Eu me lembro.” Eu olhei para ele, realmente olhei,
do jeito que mamãe diz para você olhar para as pessoas, para ver além
de suas superfícies exteriores e dentro de suas almas. Eu nunca tinha
sido capaz de ver dentro de almas, mas ela disse que é só ter paciência
e prática. Eu tentei agora. Eu limpei minha mente de todas as suspeitas
e preocupações e outras coisas que estavam poluindo meus
pensamentos, e olhei para Soren. Não vi nada. Tanto pelo que mamãe
disse. “Porcaria” eu rosnei e tirei minhas luvas, tocando seu braço. Ele
olhou surpreso para isso, mas eu não prestei atenção, eu estava muito
ocupada tentando repelir toas as coisas vindas de sua mente. Imagens
de seu pai sorrindo e lutando com Peter batendo nele, dizendo a ele que
não estava tentado, que ele nunca seria nada além de um ilusionista, se
ele não colocasse sua mente no trabalho. Houve também flashes
rápidos de Absinthe gritando com Peter, momentos agradáveis no
tempo quando Soren trabalhava com animais, tomando conta de Bruno,
alimentando os pombos, até mesmo acariciando Davide. O mais
surpreendente de tudo, havia imagens de mim em sua mente, imagens
confusas que não faziam qualquer sentido por que elas estavam
revestidas com uma mistura de frustração e prazer. Não havia nada do
desespero silencioso que eu senti sobre o cofre, entretanto. “Você está
bem? Você parece engraçada, como se você estivesse zangada e feliz
ao mesmo tempo.” Eu puxei minha mão de seu braço e dei a ele um
meio sorriso. “Yeah, eu estou bem. Só tentando uma coisa.” Ele
pareceu interessado. “Uma experiência? Uma experiência de detetive?”
Seus olhos se alargaram. “Eu sou um... um... do que eles chamam
isso... um criminoso?” “Cara, você realmente está assistindo muita TV
americana.” Eu ri feliz com uma chance de sacudir o sentimento
arrepiante que eu sempre tenho quando eu espio dentro da mente das
pessoas. “Não, você não é um criminoso. Você quis dizer o que você
disse?” Ele cavou através de uma sacola de lona e puxou duas maças,
me oferecendo uma. Eu balancei minha cabeça. “Sobre o que?” “Sobre
trazer Tesla para dentro para mim. Eu tenho que fazer algo às nove.
Então se você não se importa de fazer isso, eu realmente iria apreciar.”
Ele se inclinou para perto e perguntou em um sussurro rouco.” Você vai
estar dando uns interrogatórios em todo mundo?” Eu envolvi ele no
braço com o meu cotovelo. “Não, estúpido, eu estou... eu estou indo
encontrar... eu estou... urn...” Ele apenas olhou para mim enquanto eu
tropeçava sobre minha língua. “Ben está indo me levar para uma volta
na motocicleta, isso é tudo. Não é nada, realmente.” Ele congelou, a
maça a meio caminho de sua boca enquanto seus olhos ficavam
pequenos. “Você tem um encontro com Benedikt?” “Não é um
encontro; é só uma volta em sua motocicleta.” Soren piscou. “Miranda
disse que você podia ir? Eu pensei que você disse que ela não queria
você ficando com ele?” “Ela disse, mas mudou de idéia, e antes que
você diga algo mais, você pode ir parando, por que não é o que você
pensa.” “Você não sabe o que eu estou pensando,” ele disse
quietamente. “Você ficaria surpreso,” eu murmurei. “Obrigada por
cuidar de Tesla hoje à noite. Fico devendo. Eu te vejo mais tarde ok?”
Eu me apressei antes que ele dissesse algo mais. E me ocorreu que,
apesar de eu não estar indo em um encontro nem nada, que eu não
queria que Ben me visse na mesma camiseta e jeans sujos que Tesla
tinha babado em cima. Mamãe ainda estava no trailer, apenas se
preparando para ir para suas coisas de bruxa. Ela ficou o tempo
suficiente para me dar ainda outra pagação de sapo sobre estar saindo
com Ben (ela insistia em pensar nisso como um encontro, o que isso
claramente não era, mas que parecia que ninguém percebia),
pressionando seu mais poderoso amuleto em minha mão. “Me deixe ver
você colocá-lo.” “Mãe! Eu não preciso dele. Ben não vai fazer nada
comigo. Ele é legal. Ele não quer fazer nada para me ferir.” “Ele é um
garoto; é o suficiente. Coloque isso.” Eu rolei meus olhos e deslizei a
corrente sobre minha cabeça. “Pronto. Está feliz agora? Eu pareço
como uma total geek.” O mais poderoso amuleto da minha mãe
consistia em uma seca, curtida, parecendo nojenta perna de uma
galinha. Ela a pegou de uma amiga que era uma sacerdotisa voodoo.
Mamãe disse que ela tinha inacreditáveis poderes de proteção. Eu tinha
certeza que ela tinha. Qualquer um que desse uma boa olhada de perto
no pé de galinha nojento iria fugir da pessoa que estivesse usando-o.
“Você só tem que mantê-lo. E não se esqueça. Eu quero ver você em
frente a minha tenda pontualmente as dez.” “Eu sei, eu sei. Eu não sou
mais uma criança, mãe.” “Você não é a adulta que pensa que é,
também.” Ela levantou Davide, então pausou na porta, voltando para a
sala para me beijar na testa. “Divirta-se. Mas não se divirta muito.” Eu
dei a ela um abraço, o suficiente para mostrar que eu a amava sem
qualquer uma de nós ficarmos sentimental, dei tapinha na cabeça de
Davide (que ele odeia), e me virei para as três gavetas que mantinham
minhas roupas. “Eu queria ter algumas roupas de garota,” eu murmurei
enquanto ia entre as minhas coisas. “Não que isso seja um encontro ou
algo assim, mas ainda, assim eu queria ter...”

Uma visão disparou em minha cabeça. Não o tipo de visão que você
tem tocando em coisas, mas uma memória dos primeiros dias que nós
estávamos na Alemanha. Nós tínhamos acabado de chegar, e mamãe
estava tentando me animar me levando às compras. Cada uma de nós
comprou uma suave, vaporosa saia17. Mamãe em cores de pêssego, a
minha em azul escuro e roxo, junto com camisas de seda
camponesa18. Ela brincou naquela hora que nós podíamos usá-las
como ciganas para o Halloween. Aquelas eram roupas de garota, e o
melhor de tudo, eu não parecia um linebacker nelas Quinze minutos
depois, direto no ponto dos nove, eu emergi do trailer, girando minha
saia para ter certeza que ela não estava arregaçada na cintura, sentindo
um pouco óbvia em minhas roupas de garota. Havia também o fato de
que eu tinha uma pata de galinha debaixo da minha camisa... Eu dei três
passos antes de alguém aparecesse fora da escuridão. Eu gritei e tirei
um pé do chão. “Sou só eu,” Ben disse. “Bem, me deu um ataque
cardíaco, porque não você?” Eu engasguei, segurando meu coração.
Ele se moveu para fora da sombra, em uma piscina de luz lançada de
uma das luzes próximas. “Ah, eu estou feliz que você ache isso
engraçado. Eu aposto que você não estaria rindo quando você tivesse
que explicar meu cadáver para minha mãe.” Ele sorriu largamente. “Eu
não tinha visto você em um vestido antes. Você está linda.” Eu puxei o
decote da minha blusa, mais do que um pouco desconfortável com o
modo que ele estava olhando para mim. Estava admirando. Não me
entenda mal; eu queria ser admirada, só que não parecia certo que um
cara que parecesse como ele devesse estar dando aquele olhar para
alguém como eu. “Yeah, bem, eu sou uma garota. Às vezes eu uso
coisas de garotas.” Ele estendeu sua mão. Eu hesitei só uns segundos
antes de pega-la. Nós começamos a andar em direção a área de carros.
“Eu estou feliz que você tenha, mas eu espero que você não sinta tanto
frio passeando em uma saia.” Eu parei. ”Oh. Eu não tinha pensado
nisso. Talvez eu devesse mudar - “ Ele me puxou para frente. “Não
precisa. Eu vou me certificar que você esteja quente.” Eu caminhei
alguns metros, esperando até que nós passássemos um grupo de
pessoas que estavam rindo enquanto um deles empurravam uma outra
em direção a cabine de bilhetes. “Uhn, Ben? Você não está ainda... uh...
com fome, está?” Ele pausou, olhou para mim. Eu não podia ver seu
rosto, desde que ele estava na sombra, mas as luzes das lâmpadas
brilharam em seu cabelo, fazendo-o negro e brilhante como ébano. Ele
tinha puxado-o em um rabo de cavalo de novo, e usava outra camisa de
seda (esta verde esmeralda) e jeans preto. Em outras palavras, ele
estava lindo como sempre. Um par de garotas que estavam rindo uma
para outra, tinham parado para olhá-lo. Ele as ignorou, deslocando-se
ligeiramente até que eu pudesse ver que ele estava sorrindo para mim.
“Faria você se sentir melhor em saber que eu já tive meu jantar?”

17 N/T:Lightweight gauze broomstick skirts – seriam aquelas saias no


estilo cigano, retas, longas ou médias de um material muito leve. 18 N/T:
Peasant shirt - é uma blusa com mangas fofas , as vezes justa nos
pulsos, bem feminina

Eu sorri para ele. “Sim, faria.” “Sério?” ele perguntou, soltando minha
mão para puxar a motocicleta para cima.” Eu vou tomar isso como um
sinal positivo.” “Do que?” Ele balançou uma perna sobre a motocicleta.
”Nosso futuro. Suba; nós não temos muito tempo se tenho que te trazer
de volta às dez.” Decidi deixar o comentário “nosso futuro” ir e agarrar
seu ombro para me equilibrar, enquanto ia atrás dele, enfiando minha
saia debaixo de minhas pernas para que ela não fosse pega nas rodas.”
“Sem capacetes?” Eu perguntei. “Você quer um?” “Minha mãe
provavelmente teria um troço sabendo que eu sai sem um...” Ele olhou
por cima de seu ombro para mim, uma das sobrancelhas armadas em
questionamento. “Isso não é contra a lei, é?” “Não aqui. Se você
estivesse andando com qualquer um, eu diria que você deveria usar
um, mas eu vou fazer com que você não tenha nenhum dano.” Eu pesei
a potencial raiva de minha mãe, e decidi que só desta vez, eu confiaria
em Ben . Afinal, eu estava usando o horrível amuleto de proteção. ”Ok.”
“Ponha seus braços ao meu redor,” ele disse, ainda olhando por cima
do ombro para mim.” “Uh...” eu disse, hesitando, me perguntando se
deveria mostrar a ele o amuleto em caso de ele ter alguma idéia
engraçada. “É mais seguro assim. Eu não quero que você caia.” ele
ligou a motocicleta, me dizendo para manter meus pés para cima. Minha
cabeça descansou contra seu ombro, seu cabelo bem debaixo do meu
nariz. Ele cheirava bem, do tipo picante, não como o pós barba que meu
pai usava, que me fazia espirrar, mas legal. Ele cheirava... a Ben. Eu
sorri nas costas de seu pescoço, meu cabelo chicoteando atrás
enquanto nós saltávamos da grama para a estrada suave, o motor
acelerando enquanto nós zumbíamos na escuridão se abrindo na noite.
Capítulo 7

“Você... tentar... voltar?” O vento arrebatava as palavras de Ben antes


que eu pudesse ouvi-las. “O que?” Eu gritei em sua orelha. Ele esperou
até que estivesse em um trecho reto da estrada, então virou sua cabeça
em minha direção. ”Eu perguntei se você quer tentar dirigir antes de
nós termos que voltar.” “Sério? Você deixaria? Claro! Eu adoraria!” Ben
encostou-se à lateral da pista, segurando a motocicleta firmemente
enquanto eu deslizava de sua traseira. Nós tínhamos corrido em torno
do campo por cerca de meia hora, abaixo, nas estradas sinuosas,
através de um par de cidades, e passado por um grande lago. Nós
estávamos no meio do campo agora, em uma área rural onde não havia
iluminação e só uns poucos cavalos. A conversa tinha sido limitada e
Ben me perguntando algumas vezes se eu estava com muito frio. E
gritando o nome das cidades enquanto nós nos aproximávamos delas.
Além de que nós andávamos através da noite, me pressionando contra
o calor de suas costas, o rugir do motor abaixo de nós, e o correr do
vento nos amortecendo contra o resto do mundo. Ben deslizou para
parte de trás do banco para que eu pudesse sentar a sua frente. Ele me
mostrou como usar o acelerador e a embreagem no guidom, como
frear, onde a alavanca do câmbio estava, envolvendo isso com uma
rápida lição sobre física da motocicleta antes de me permitir tomar o
controle. “Isso é muito legal,” eu disse enquanto me acomodava contra
seu peito. Era realmente íntimo ser pressionada contra ele daquele
jeito, com suas pernas abraçando as minhas, mas era uma intimidade
boa, não como um cara agarrando seus seios ou alguma coisa
repulsiva como isso. E franzi meus lábios enquanto olhava abaixo para
mim mesma. “Não olhe.” “O que?” “Não olhe.” eu tinha dobrado minha
saia debaixo de minhas pernas, mas percebi que sem Ben bloqueando
o vendo, o vaporoso material logo flutuaria ao meu redor,
provavelmente pegando nas rodas e nos matando. Ou a mim, pelo
menos. Eu me levantei, alcançando entre as minhas pernas para puxar
o fundo de trás da minha saia, puxando-a para frente e dobrando-a em
minha cintura, então eu estaria usando minha saia no estilo Gandhi. Eu
puxei as pontas desgarradas firmemente debaixo de minhas pernas e
me sentei. Ben se puxou de volta contra meu corpo (e era realmente
bom, mas eu tinha que lembra a minha Fran interior duas vezes que
isso não era um encontro e ela não deveria ficar excitada sobre ele),
envolvendo seus braços ao redor da minha cintura de uma forma que
me fez sentir protegida apesar de ele estar nas minhas costas. Eu
gentilmente soltei a embreagem, e nós saímos.
Eu acho que as melhores coisas que você pode dizer sobre minhas
habilidades de motocicleta são que: a) Eu não nos acidentei, e B) eu
não consegui nenhum inseto em meus dentes. Eu dirigi ao longo de
uma espécie de pare-e-comece, conseguindo deixar morrer o motor
uma vez, e quase nos derrubei quanto eu sai da estrada para a terra.
Houve um momento realmente engraçado. Nós estávamos em um
trecho da estrada que passava por uma adega, uma longa estrada reta.
A lua estava nascendo, então eu podia ver que não havia carros vindo
em nossa direção. “Eu quero ir realmente rápido,” eu gritei para Ben.
“Mas nós vamos sair para a terra se eu fizer isso.” “Se incline para
trás,” ele disse, sua voz agradável e quente contra minha orelha fria. Ele
soltou minha cintura e agarrou o guidom, um braço em cada lado meu,
seu pé escorregando por debaixo do meu nas marchas. A moto sacudiu
debaixo de nós enquanto o motor rugia num modo supersônico.
Totalmente de súbito estávamos voando pela estrada, indo tão rápido
que eu não podia respirar, quase não podia ver pelo vento – lágrimas
chicoteando que serpenteava dos cantos de meus olhos, o vendo
moldando minha camisa na frente, como um par de mãos acariciando
minha pele. Nossas sombras dançavam escuras ao longo do
acostamento da estrada, desaparecendo num piscar de olhos. Foi
mágico, como se não houvesse nada no mundo a não ser Ben e eu e a
motocicleta, e uma estrada escura infinita. Eu joguei minhas mãos para
o ar e ri com a pura alegria de ir tão rápido que o ar foi tirado de meus
pulmões. Ben riu em minha orelha, seus lábios quentes enquanto eles
me roçavam, enviando um pequeno tremular de calor em meu pescoço.
Ele diminuiu enquanto vinha para uma extensa curva no final da
estrada, me deixando pegar os controles novamente. “Eu criei um
monstro, eu acho.” Minha pele ficou toda arrepiada onde ele havia me
tocado, mas foi um bom arrepio, um arrepio agradável. Eu arrastei
minha mente para longe desse sentimento. Não havia sentido ir para lá.
“Não, mas eu quero uma motocicleta agora. Isso é tão divertido.” Foi
também realmente frio na frente, apesar de ser uma noite quente, só
depois de cerca de quinze minutos de sendo uma motociclista, eu
concordei com a sugestão de Ben de ele dirigir novamente. Nós
dirigimos de volta a Feira sem dizer qualquer outra coisa, mas eu não
podia afastar a sensação arrepiante que seu toque tinha dado em mim.
Tudo que eu queria, de repente, era dar algo de volta a ele por uma
noite tão maravilhosa. Ele estacionou a moto ao longo da beira mais
distante do estacionamento, esperando que eu desmontasse antes de
desligar o motor. Eu parei ao lado da moto, olhando ao redor
rapidamente. Nós estávamos nas sombras lançadas por umas árvores
nas proximidades. As pessoas passando por nós não nos dava um
segundo olhar, focadas enquanto elas estavam nas luzes brilhantes da
Feira. Meu estômago girou em torno de si mesmo. Eu queria fazer isso,
realmente queria, mas era também um pouco assustador. “Ben?”
“Hmm?” ele embolsou suas chaves e se virou para mim. Meu estômago
começou a dar cambalhotas. Eu dei um passo à frente, pus minhas
mãos sobre seus ombros, e rocei meus lábios contra os dele. Ele
congelou, suas mãos em seus lábios. Eu não podia ver seus olhos, mas
eu presumi que eles estavam negros como o céu acima. “O que foi
isso?” Eu soltei sei ombros e recuei. “Isso foi um beijo.” “Foi?” Eu
sabia, eu apenas sabia pelo tom de sua voz que uma das suas
sobrancelhas estava levantada em questionamento. Eu também sabia
que um cara como ele – tão lindo, e sem mencionar que pelo menos
trezentos anos mais velho – tinha provavelmente beijado umas mil
mulheres, todas elas melhores em beijar do que eu. Eu tinha certeza
que a garota da revolução francesa era. Eu dei outro passo para trás,
me sentido positivamente doente de meu estômago agora. Estúpida
Fran! Estúpida, horrível em beijar Fran! “Fran?” Eu levantei minhas
mãos e dei um passo para o lado. “Está tudo bem, você não tem que
dizer. Desculpe-me. Eu não vou fazer isso de novo.” Ele pegou minhas
mãos, colocando-as em seu peito, suas palmas quentes contra as
costas de minhas mãos enquanto meu puxava gentilmente para sua
frente. “Agora você me deixou triste. Aquilo não foi um beijo, Fran.” Eu
não podia olhar para ele. Mesmo se eu pudesse vê-lo, eu não queria
olhar em seus olhos. Ao invés, eu olhei para o lóbulo de sua orelha, a
com o diamante nela. “Eu disse que eu sinto muito. Você não tem que
esfregar que eu sou tão má...” “Você não é má, só inexperiente. Você
gostaria que eu beijasse você?” “Não,” eu disse, me sentido toda
teimosa e ainda mais estúpida do que nunca. Agora ele teve pena de
mim por que eu não sabia como beijar corretamente. Eu odiava ser alvo
de pena quase tanto quanto odiava ser chamada de esquisita. “Tudo
bem. E que tal você me beijar de novo? Dessa vez, não só roce seus
lábios sobre os meus; mantenha-os lá enquanto você diz, 'Mississipi'“
“Você está me gozando.” Ele soltou minhas mãos sobre seu peito, e
deslizou as suas ao redor de minha cintura me puxando para mais perto
até que sua respiração roçasse em minha face enquanto ele falava. “Eu
posso te assegurar que a última coisa que eu quero fazer agora é rir.
Beije-me, Fran. Por favor.” Foi o ”por favor” que o fez. Eu parei de olhar
para o lóbulo de sua orelha, levantando meu queiro um pouco, então
minha boca estava a uma pequena distância da dele. “Misissipi,” eu
disse meus lábios ficando todo quente e suave ao toque do dele. “De
novo,” ele sussurrou. “Mississipi,” eu respirei, desta vez permitindo
que meus lábios tocassem os dele o tempo todo em que eu dizia a
palavra. “Mais uma vez,” ele disse, sua voz baixa e suave, como cetim
negro.
Mississipi, eu pensei, enquanto beijava ele, realmente o beijava, meus
braços deslizando em torno de seus ombros, segurando seus cabelos.
Eu puxei o fio de couro que ele usava para amarrar seu rabo de cavalo,
seus cabelos se derramando como uma fria seda sob meus dedos
enquanto os lábios dele se moviam debaixo dos meus, sua boca se
abriu um pouco, só o suficiente para sugar o meu lábio inferior. Eu me
puxei dele, lentamente, meus lábios agarrando aos dele como se não
quisessem sair (lábios inteligentes), minhas mãos arrastando de cima
de seus ombro e abaixo para seu peito até que elas caíram ao meu lado,
subitamente vazias e frias. Meu cérebro – o que restou dele – corria
como um hamster em uma roda, tentando pensar em algo para dizer
que não fosse, “Uau! Você sabe como beijar!” “Um,” eu disse, então eu
queria morrer. Um? Vamos lá, Fran, você pode fazer melhor do que
isso! “Você sabia que o seu cabelo é maior do que o meu?” Ele olhou
para mim por um minuto, então virou a cabeça para trás e gargalhou.
Eu fiquei vermelha brilhante, eu só sabia, por que minhas bochechas
ficaram toda quente; então subitamente ele me abraçou, muito forte, e
me soltou. O abraço me fez sentir melhor. Minhas mãos estavam em
seus braços enquanto ele me abraçava, e eu não podia sentir nenhuma
sensação de gozação dele. Havia diversão e prazer, e uma realmente
quente sensação latente que eu não queria olhar de muito perto, mas
não havia nenhum sinal de que ele estava tirando sarro de mim. Eu
relaxei. “Eu espero que você esteja rindo comigo, não de mim, por que
senão, você vai me traumatizar pela vida e eu nunca serei capaz de
beijar alguém novamente sem me perguntar se eu totalmente não
presto nisso.” Ele pegou a minha mão e a apertou, me puxando em
direção a Feira. ”Você não é uma droga beijando, Fran. Eu estava rindo
por que você é uma delícia.” Uma delícia. Hmm. Eu pensei naquilo por
uns minutos enquanto nós caminhávamos em direção a barraca de
minha mãe, minha mão na dele, meu interior todo quente e feliz. Alguém
pensava que eu era uma delícia. Fazia uma agradável mudança de
esquisita. Eu acenei para mamãe enquanto ela explicava um feitiço para
um cliente. Ela olhou para seu relógio, franzindo os lábios para mim. Eu
balbuciei, Desculpe! Para ela (nós estávamos dez minutos atrasados) e
fingi não perceber o olhar escandalizado que ela deu quando me viu
segurando a mão de Ben. “Eu tenho que falar com Imogen quando ela
não está ocupada.” Eu disse a Ben enquanto nós vagueávamos no
corredor central. Nós paramos para checar Tesla, que estava tirando
uma soneca, uma perna de trás bagunçada no canto de seus outros
cascos. Eu dei tapinhas nele, e me virei para Ben. “Obrigada pela volta
e. uh... por tudo.” Ele sorriu para mim; então seus olhos mudaram-se
para Tesla, que acordou o suficiente para notar que os potenciais
doadores de agrados estavam presentes, e dessa forma eles devem ser
fungados para ver se qualquer um tinha uma maça ou cenoura em suas
pessoas. Nós não tínhamos, mas eu cocei suas orelhas. “Você notou
isso?” Ben pegou minha mão, usando meu dedo indicador para traçar
um formato em L sobre a bochecha de Tesla. “Huh,” eu disse, espiando
mais de perto a pele de Tesla, meus dedos sentindo novamente o
pequeno espessamento. Era um L. “O que é isso?” “É uma marca.” Eu
enruguei meu nariz. ”Ew. Por que alguém iria marcá-lo na cara.” Ben
apenas olhou para mim por uns segundos, então finalmente disse,
“Tesla é um cavalo especial.” “Foi isso o que Panna disse.”
“Panna?” “A garota cujo avô pertencia Tesla. Ela disse que ele sempre
disse a ela que Tesla era um cavalo especial.” “Ele é especial. Alguma
vez você ouvir falar de uma raça chamada Lipizzan19?” Eu balancei
minha cabeça. Eu gostava de cavalos, mas eu não conhecia tanto sobre
eles. “Esse é o porquê alguém colocou um L em sua bochecha? Por
que ele é um Lipizzan?” “Algo como isso.” “E sobre aquela cicatriz de
forma estranha em seu pescoço?” “Essa é outra marca. O que você
quer ir ver com Imogen?” “Você é muito bom em mudar de assunto,
não é?” Eu bati no focinho preto de Tesla e comecei a voltar em direção
ao caminho principal. “Você é rico?” Ele levantou ambas as
sobrancelhas. “Você não é tão má em mudar de assunto, também. Você
precisa de um empréstimo?” “Não. Eu só queria saber se você tem um
monte de dinheiro. Quero dizer, você mencionou que teve servos a
muito tempo atrás. Eu não sei se isso significava que você ficou sem ou
se você está bem de vida.” “Eu acho que a palavra é confortável.” “Ah.”
Eu sabia o que aquilo significava. Era uma palavra polida para rico.
“Imogen está confortável também?” “Eu imagino que sim. Por que você
quer saber?“ “Ela compra muito.” Ele parou, pondo sua mão em meu
pulso para me parar. “Por que as perguntas, Fran?” “Eu só queria saber
se ela tinha um montão de dinheiro por ai para fazer compras, ou se
ela...” “Se ela o que?” Eu hesitei. Eu apenas beijei o cara; eu não podia
muito bem deixar escapar que eu pensava que sua irmã poderia estar
mergulhando dentro do cofre de Absinthe e Peter para financiar suas
viagens de compras. ”Se ela precisava de algum.” “Eu tenho certeza de
que se você perguntar a ela, ela irá lhe dizer.”

19 Lipizzan – raça de cavalos adestrados

“Yeah, foi o que eu pensei. Eu acho melhor correr. Eu era supostamente


para estar aprendendo a como ler palmas, não que eu queira, mas
mamãe disse que eu tenho que pagar por Tesla.” Ele pareceu curioso.
“Você sempre faz tudo o que sua mãe diz?” Eu ri. “Nem de perto. Mas
eu tenho sobre isso, ou senão eu tenho que encontrar uma nova casa
para Tesla.” Eu hesitei para dizer a ele mais, para explicar o quão
confuso tudo isso era – parte de mim esperando ir para casa, voltar
para a vida normal que eu tinha cuidadosamente construído; mas a
outra parte de mim, a Fran que eu não sabia que existia, subitamente
apareceu e disse que ela queria manter Tesla, e ficar onde Ben tendia a
estar. Eu disse àquela Fran que tinha coisas misturadas, e que nada
valeria ser a estranha delicada garota sentimental, mas ela apontou que
eu era a estranha delicada garota sentimental, não importava aonde eu
ia, então por que não devia ter um pouco de diversão? Eu odeio quando
eu brigo comigo mesma. Eu nunca ganho. “Eu te vejo por ai, huh? Você
vai ficar aqui um pouquinho mais? Ele fez a coisa alisa-meu-cabelo-
atrás-da-minha-orelha de novo. “Sim, Imogen me pediu para estender
minha visita. “Eu vou estar por aqui por um pouco mais.” “Bom.” um
grande peso que eu não sabia que estava me esmagando foi levantado.
Eu dei a ele um sorrisinho, decidindo que agora era uma boa hora para
perguntar a ele o que eu queria saber. “Você pode ler mentes?” Ele nem
piscou com a pergunta; ele só a respondeu. “Não, a menos que eu
tenha um vínculo com a pessoa cuja mente eu deseje unir.” “Vínculo?
Ah, você quer dizer...” Eu fiz ruídos de beber de forma barulhenta. Uma
pequeno sorriso cuidadoso curvou os cantos de sua boca. “Não
necessariamente. Um vínculo de sangue às vezes pode ser forte o
suficiente para que eu possa me comunicar com a pessoa, mas as mais
poderosas conexões são entre pessoas que tem o mesmo tipo de
vínculo emocional. Com confiança vem a força.” “Ah, então este é o
porquê você pode falar comigo em minha cabeça?” “Você é minha
Amada. Nós somos geneticamente projetados para sermos capazes de
nos comunicar sem palavras.” “Exceto quando eu não quero isso de
você.” Eu pensei por um momento. “Se eu fizer a coisa de proteger a
mente, você poderia atravessar isso? Quero dizer, você forçaria seu
caminho dentro de minha mente por causa dessa conexão que nós
temos?” Ele não disse nada. Com aquele silêncio veio um súbito
entendimento. “Você não pode mentir para mim, pode? Essa é uma das
regras dos Dark One, não é?” Seus olhos não estavam negros, como eu
esperava. Os pontos dourados brilhavam intensamente. “Sim, essa é
uma das regras.” “Então, você poderia forçar seu caminho em minha
mente, mas você nunca o faria por que você sabe que isso realmente
me chatearia?” Ele parecia um pouco irritado. “É mais profundo do que
isso, mas essa é a idéia básica sim.” “Wow. Isso é uma coisa bem
poderosa. Você me deixaria eu te matar, você não pode mentir para
mim... tem mais alguma coisa? Quero dizer, eu tenho, como, poder
absoluto sobre você?” Ele me deu um sorriso realmente fraco, do tipo
que ele não queria, mas não podia se impedir. “Há um monte de coisas
mais, e não, eu não vou dizer isso para você. Não até o momento em
que você estiver pronta para ouvir.“ Eu não pude me impedir. Eu sabia
que eu não deveria estar encorajando isso, ma eu só não pude me
impedir. “Quando será isso?” “Eu não tenho idéia.” Seu rosto estava
imóvel, o vento despenteando seus longos cabelos em torno de seus
ombros. “Ah.” Eu queria dizer a ele que não achava que as coisas
fossem funcionar entre nós, mas eu não o fiz. Alguma parte de mim,
alguma pequenina parte, queria que funcionasse. Isso me manteve em
silêncio. “O que você vai fazer?” ele perguntou. “Que mente você quer
ler? E o que isso tem haver com Imogen e dinheiro?” Eu estava um
pouco surpresa por ele não saber que mamãe e Absinthe tinham me
encurralado a fazer. Soren sabia, e apesar de eu duvidar que alguém
mais soubesse, eu tinha certeza que mamãe ou Absinthe contariam a
Imogen. Por alguma razão – provavelmente uma daquelas coisas
Moravian - Imogen sempre parecia saber da última fofoca. Mas
aparentemente ela não tinha dito a seu irmão sobre os roubos. Isso era
interessante. Isso era também odioso. Eu odiava sentir suspeita de
Imogen. Ela e Soren eram meus únicos amigos aqui. E Ben. Mas ele não
era realmente um amigo; ele era um Dark One que precisava de mim
para trazer luz de volta a sua vida... “É só um pequeno projeto que
estou fazendo.” Eu finalmente respondi, sem esperar dizer a ele a
verdade de minhas suspeitas. “Que tipo de projeto?” “Nada que você
precise se preocupar. Eu posso lidar com isso, sem problema.” Eu
comecei a andar, passando por ele em direção a barraca de Imogen,
mas ele me parou de novo. “Fran...” Sua testa estava toda enrugada em
um franzir. “Se você tiver algum problema, qualquer problema, você
sabe que eu vou ajudar você.” “Como com Absinthe? Yeah. Eu sei. E
obrigada.” “Não, não só como o episódio com Absinthe. Qualquer
problema – você sabe que eu vou ajudar você não importa qual o
problema. Você só tem que me pedir.”
“O que faz você pensar que eu não posso lidar com meus próprios
problemas?” Aquele quente, sentimento feliz dentro de mim se apagou
chiando em um aborrecimento. “Você acha que só por que sou uma
garota eu preciso ser resgatada de cada situação, certo? Bem, pense
novamente, Benedikt Czerny . Este é o século vinte e um. Mulheres
não precisam mais de caras fazendo tudo para elas.” Sua careta tentou
se igualar com a minha, mas eu sou a rainha das caretas. “Eu não disse
que você não podia, eu simplesmente quis dizer que há algumas coisas
que é melhor deixar para mim. Isso não diminui sua força para admitir
que haja algumas coisas que você não pode fazer.” “Ah é?” Eu o
cutuquei no peito, só porque eu sabia que isso o irritaria. Como ele
ousava pensar que eu não podia cuidar dos meus próprios problemas.
Protegendo-me, isso era o que ele estava fazendo, e eu odiava ser
protegida quase tanto quanto odiava terem pena ou pensarem em mim
como uma aberração.. Proteção é a número três em minha lista de
coisas que eu realmente, realmente, não gostava. “Você tem aquele
olhar 'eu sou tão macho, você não poderia morrer' em sua cara, então
você não está me enganando nem um pouco.” “Tudo o que eu disse
foi...” “Eu sei o que você disse, eu não sou estúpida! Você disse que se
eu fosse muito mole para lidar com minha própria vida, você viria como
algum grande, bravo cavaleiro vampiro e resgataria meu patético
traseiro. Ha! Eu tenho novidades para você - meu traseiro não precisa
de resgate. Eu posso fazer qualquer coisa que eu possa. Bem... com a
exceção de fazer xixi em pé. E beber sangue. Eu não acho que eu possa
fazer isso; é só que é muito nojento. E a coisa da cura. E as coisas de
proteção, mas eu poderia fazer isso se alguém me ensinasse como,
então o que realmente não deveria contar.” “Fran...” “Boa noite, Ben.”
Sem ficar para ouvir mais nada do seu machismo, me guiei para fora do
corredor que estava enchendo mais e mais com pessoas a cada minuto.
Os shows de mágica eram populares, mas eram as bandas que
realmente traziam as multidões, e como Absinthe tinha trazido com ela
uma banda alemã que tinha fãs locais, a multidão estava mais espessa
do que o normal. Eu cortei o meu caminho entre eles, deslizando em
torno da fila de pessoas que esperavam por Imogen, e apresentando-
me para ela, “Peter disse que você deve me mostrar como ler palmas
das mãos.” Ela pareceu um pouco surpresa com aquilo, olhando para
minhas mãos. Eu virei minhas costas para as pessoas e puxei minhas
luvas para fora, de onde eu tinha enfiado elas em meu bolso, as
puxando e pegando uma cadeira que Imogen me indicou. Ela estava
lendo as pedras de runa para um homem gordo, mas eu percebi que
não me machucaria sentar e observar enquanto ela fazia as leituras.
“Como foi seu passeio?” Ela perguntou entre os clientes. “Legal. Seu
irmão tem que ser sempre tão teimoso?” “Teimoso?” Suas
sobrancelhas se levantaram. “Benedikt?” Dois caras e uma garota
pegaram seus assentos através da mesa entre nós, discutindo sobre
quem queria ir primeiro. “Não importa.” eu acenei ao lado de meu
comentário. “Ah, mas eu acho que sim,” ela disse, me dando um de
seus sorrisos travessos antes de se virar para o trio e perguntando o
que eles queriam. Eu sentei com ela por quase duas horas, tirando uma
pequena pausa para pegar água e dar a minha mãe a chance de correr e
se trocar para sua hora de invocação. Imogen me mostrou todos os
pontos das palmas daquelas pessoas que vieram para ter sua leitura
delas, me dizendo como interpretar os vários pedaços, linhas,
saliências, e variadas outras coisas de mão. Foi legal, mas para dizer a
verdade, eu não comprava muito essa. Eu acho que era por que eu
sabia que eu podia dizer muito mais sobre a pessoa só tocando meus
dedos nus em suas palmas do que interpretando um grande monte de
sonho acordado, que significa que eles eram particularmente
argumentativos. Eu não tive chance de falar com ela sozinha até que a
nova banda estava para começar. Todas as barracas, exceto a de
piercing, estavam fechadas. A maioria das pessoas da Feira entrava e
assistia a banda, se juntando na dança e tudo o mais. Peter achava que
era bom para os negócios ter todo mundo misturado, e disse que isso
fazia clientes frequentes. Imogen sempre ia ver as bandas, e quase
sempre passava passavas duas horas da banda dançando com um cara
ou outro, esquivando-se de Elvis enquanto ele tentava convencê-la a
dançar só com ele. Eu normalmente passava o tempo do lado de fora,
às vezes conversando com Soren, algumas vezes com Tallulah a
médium (ela odeia música de todo tipo), outras apenas ficando sozinha.
Eu esperei até que Imogen terminasse seu último cliente. Ela olhou em
direção a grande barraca enquanto o alto-falante estalava a vida quando
Peter anunciou a banda. “Aqui, pegue isso,” Imogen disse, empurrando
sua caixa de dinheiro para mim. Ela estava cheia de forints e euros. “O
que é que você quer que eu faça com isso?” Eu perguntei, querendo
saber se ela tinha retirado algum do montante para suas viagens de
compra, então imediatamente me senti culpada por até mesmo ter
pensado isso de alguém que era minha amiga. “Dê a Peter para mim,
por favor. Eu quero ouvir esse Picking Scabs.”
Esse era o nome da Banda, Picking Scabs20, Eu sei, Está além de mim,
também. Suponho que poderia ser pior. Poderia ser Pickled Scabs21.
Eu mordisquei meu lábio um pouco. “Você não devia contá-lo e essas
coisas, então você poderia ter sua parte?” “Você pode fazer isso para
mim, não é? Por favor, Fran?” Ela enfiou suas pedras de runas em um
grande saco de couro e me deu um sorriso brilhante. “Espere, Imogen,
eu queria perguntar a você... uh...” “Sim?” Ela ficou batendo o pé
impacientemente, seus olhos observando todas as pessoas correndo
para a grande barraca enquanto o guincho de retorno ecoava por toda a
Feira. A banda estava evidentemente perto de começar. “Você foi as
compras hoje? Eu procurei por você, mas eu não te vi.” “Sim, eu fui a
Sopron.” Era uma cidade grande, cerca de dez quilômetros de estrada.
“Era tudo o que você queria?” “Não. Um. O que você comprou?”

20 N/T: Picking Scabs – Casca de ferida. 21 N/T: Pickled Scabs – Ferida


em conserva.

Ela me olhou como se minha cabeça tivesse virado em uma de macaco.


“Roupas.” “Um monte? Quero dizer, você encontrou um monte de
pechincha?” Ela riu seu pequeno riso retinido que me lembrava um
riacho borbulhante. ”Fran, eu nunca compro pechincha. Elas são para
os camponeses.” Ela traçou uma rápida barreira acima de minha
cabeça, e saiu voando em direção a grande barraca. Eu suspirei. Tanta
habilidade de detetive. Eu tinha estado questionando pessoas o dia
todo e não estava mais longe do que quando eu comecei. Exceto agora
que eu sabia que possivelmente todo mundo ligado a Feira podia ter
tido um objetivo no cofre... Mas eu tinha sentido só sete pessoas na
maçaneta do cofre. Não fazia sentido. Simplesmente não fazia sentido.
Eu passei dez minutos contando os ganhos de Imogen, escrevendo a
informação sobre seu cupom e metendo ele ordenadamente dentro da
caixa. Então eu fui caçar Peter. “Hei Peter. Imogen me deu isso para dar
a você. Eu contei o dinheiro e escrevi-o no cupom.” “O que?” Peter
estava na parte de trás da tenda com Teodor o cara da segurança/ leão-
de-chácara que mantinha um olho em todo mundo. A cabecinha careca
de Peter estava meneando junto com a música, que era alta, alta, e
então mais alta. O contrabaixo positivamente latejava em meus dentes
de tão alto. O vocalista gritava em alemão no microfone. Eu sempre
boto meus fones de ouvido quando eu estou escutando música – alto é
definitivamente melhor do que suave – mas isso era ridículo! O som
estridente vindo dos grandes amplificadores era tão penetrante que
preenchia tudo, cada espaço, ambos dentro da barraca e dentro das
pessoas. Eu senti se espalhar ao redor dos cantos do meu cérebro e
soube então que Absinthe tinha conseguido encontrar uma banda que
sabia algum tipo de magia. Provavelmente eles lançaram um feitiço
para fazer o público adorá-los– Imogen disse que isso era bastante
normal. Eu repeti minhas palavras, gritando elas a dez centímetros de
sua orelha. Era só o suficiente para ser ouvida. Ele acenou e tirou a
caixa de dinheiro, enfiando-a debaixo de seu braço para aplaudir
quando a música parou. Eu não queria tocá-lo. Eu tinha tocado mais
pessoas nos últimos dias do que eu tinha em um mês, e eu queria meu
cérebro de volta para mim mesma. Eu passei alguns segundos sendo
zangada por minha mãe ter me manipulado em uma posição de ter que
fazer a coisa que eu mais odiava, mas então minha Fran interior
apontou que eu tinha oferecido fazer isso em troca de algo que queria.
Eu odiava quando meu cérebro fazia esse tipo de coisa. A próxima
música começou. Eu decidi que não havia jeito de eu pudesse
possivelmente ir direto e perguntar a Peter se ele estava roubando de si
mesmo por algum propósito que eu não podia nem começar a imaginar,
rangi meus dentes, e retirei a luva da minha mão esquerda, avançando
meu caminho para mais perto dele. Ele estava saltando e pulando ao
redor naquele “eu sou legal e posso dançar” jeito, que os adultos
pensam que os faz parecer como se soubessem como dançar (que eles
não sabem). Eu deixei minha mão roçar contra a dele algumas vezes,
virando então minha palma que tocou seu braço. Ele nunca nem
reparou que eu afastei. Eu percebi, no entanto. Eu esbarrei em Ben.
“Oi,” eu gritei, tentando ser indiferente, como eu não me importasse se
ele estava lá ou não, mas falhando quando ele sorriu para mim. Eu não
podia resistir aos seus sorrisos. Eles me faziam ficar toda quente e
anuviada por dentro.
“Quer dançar?” ele gritou de volta, e acenou sua cabeça em direção a
massa de pessoas dançando como loucas na área principal da barraca.
“Claro.” Ele agarrou minha mão, olhou para baixo, e , sem sequer me
pedir, tirou as luvas e enfiou-as em seu bolso de trás. Ele estendeu sua
mão para as outras luvas. Eu as dei para ele. Ele nos empurrou através
da multidão até que nós estávamos no meio de um bloco. Deve ter
havido trezentas pessoas comprimidas dentro da barraca, todas
dançando como loucas. Ben manteve uma mão em mim enquanto nos
juntávamos nela, mas estava difícil ir, desde que a cada dois segundos
o cotovelo de alguém me acertava, ou a perna me tropeçava, ou um
braço batia em minhas costas, ou cabelo chicoteava. “Isso é como
dançar em uma lata de sardinhas,” eu gritei na orelha de Ben. “Você
quer sair?” ele gritou na minha. “Não agora. Talvez daqui a pouco.” Eu
juro alguém na banda estava usando mágica, por que tudo começou a
ficar melhor. Ben sorriu, e de algum modo conseguiu nos manter
movendo tão fortemente que ninguém nós golpeou. Eu mantive minhas
mãos em seus braços, e dei a mim mesma o momento. A música não
parecia tão dura e irritante, e começou a fazer sentido. Junto às
extremidades da área de dança eu podia ver mamãe dançando com um
sorridente Peter. Imogen tinha evidentemente dado a Elvis o vá em
frente, por que eles estavam dançando próximos a nós, Imogen
parecendo um pouco aborrecida, Elvis todo babando em cima dela,
Mesmo Soren estava dançando com uma garota! Eu sorri para ele
voltando quando Ben nos virou só o bastante para evitar o longo cabelo
de Kurt enquanto ele fazia uma pequena pirueta com uma loira alta.
“Todo mundo está aqui,” eu gritei feliz para Ben, sentido pela primeira
vez como se eu estivesse fazendo realmente parte de um grupo, não
especial, só eu, só uma pequena engrenagem em uma gigante roda
grande. “Eles tem que estar, o vocalista está usando glamour,” ele
respondeu. “Isso faz as pessoas quererem dançar. Você pode sentir
isso?” “Yeah, mas não importa. Hei, olha, lá está Absinthe.” Ele olhou
onde eu apontei. Eu nunca tinha visto Absinthe até mesmo próxima à
barraca quando as bandas tocavam, mas lá estava ela, seu espetado
cabelo rosa balançando para cima e para baixo enquanto ela dançava
com Karl. “Eu estou tão feliz,” eu disse, e joguei minhas mãos para
cima, enquanto Ben ria comigo, agarrando minha cintura para me girar
ao redor. “Tudo é tão maravilhoso!” Eu percebi meu erro no segundo
que meus dedos foram em contato com aos corpos ao meu redor.
Imagens, pensamentos, esperanças, desejos, tristeza, doença,
sofrimento... Enquanto Ben me girava, umas centenas de pensamentos
preencheram minha mente. Eu puxei meus braços para trás, mas não
antes que eu tocasse em alguém. Alguém mau. Alguém perverso.
Alguém que estava planejando matar o sorridente, e lindo homem que
me segurava em seus braços.
Capítulo 8

“Você está bem?” “Sim. Você pode soltar minha cabeça agora.” Eu me
sentei lentamente, como se eu estivesse sentido tontura e estivesse
prestes a desmaiar a qualquer momento. Eu não estava menos tonta,
mas eu estava muito enjoada. Alguém quer matar Ben! Ben se agachou
próximo a cadeira em que ele tinha me deixado quando eu fingi
desmaiar dentro da barraca. Eu tomei alguns fôlegos de ar fresco, ar
não poluído pela centena de corpos, e olhei ao redor. Nós estávamos do
lado de fora da barraca de Tallulah, que era o ponto mais afastado da
barraca principal. A música era um embotado pulsar na parte de trás de
minha cabeça, como uma dor de cabeça que não ia embora. Eu não me
lembrei de caminhar todo o caminho até aqui, então me perguntei se
Ben tinha me carregado. Como eu não me lembraria disso? Alguém
quer matar Ben! Eu balancei minha cabeça e fechei meus olhos de
novo. Pensando que era muito difícil fazer a música martelando em meu
cérebro sair. “Ela está melhor? Ela quer água?” Alguém quer matar
Ben! “Cala a boca,” Eu rosnei para a Fran interior. “Ela acabou de me
mandar calar a boca?” “Eu não tenho certeza. Soou como isso.” Uma
sombra caiu entre nós, no topo de minhas mãos, que estavam
agarrando as de Ben, como se eu tivesse sido afogada. Devia ser
Tallulah. Ela odiava as bandas; ela sempre ficava longe da barraca
quando uma estava tocando. “Alguém quer matar você.” Eu não pensei
que eu tinha dito as palavras, mas eu disse. Essa era minha voz, e os
dedos de Ben se apertaram ao redor dos meus. “Sempre alguém quer
me matar,” Tallulah disse muito naturalmente. “Isso não é razão para
me dizer para calar a boca. É por que eu posso contatar aqueles que
morreram, e dizer coisas da vida que nem sempre querem que sejam
públicas. Uma vez, uma senhora em Amsterdam que tinha sufocado seu
velho pai tentou me matar com um alfinete. Um alfinete! Naturalmente,
eu sabia que ela estava vindo. Sir Edward me contou.” Sir Edward é o
namorado de Tallulah. Ele está morto, mas eles ainda saem juntos.
“Eu não acho que Fran esteja falando sobre você,” Ben disse, sem
parecer pelo menos um pouco surpreso ou preocupado ou surtando ou
qualquer das maneiras que eu me sentiria se fosse dito que alguém me
queria mais morta do que um inseto esmagado. Ele estava apenas
olhando para mim, um pouco preocupado, é verdade, mas seus olhos
estavam de volta ao carvalho mel com manchas douradas. Ambos me
olharam. “Não me olhem assim, eu não sei o porquê. Eu nem sei quem
era; havia muitas pessoas pressionando ao nosso redor, tudo que eu
senti era que alguém queria Ben... urn... morto.” Eu sei no que você
está pensando. Lá estava eu há poucas horas atrás dizendo a Ben que
eu podia lidar com meus próprios problemas sem sua assistência,
muito obrigada, e o que eu faço? Eu derramo a coisa toda. A coisa é, eu
não sou estúpida. Eu sei que eu posso lidar com minhas próprias
coisas... Lidar com as exigências de mamãe, apontando a mais provável
pessoa de ter tirado o dinheiro – mas isso era diferente. Esta era a vida
de Ben em uma estaca (Ow! Trocadilho não intencional). Ele precisava
ouvir isso então ele podia mandar pros diabos e escapar, antes que
cara da estaca o pegasse. Minhas mãos tremiam nas suas. Eu sabia que
ele as sentia tremerem, mas não disse nada. Ele apenas deu em meus
dedos um pequeno aperto, e então soltou minhas mãos e se levantou,
puxando minhas luvas para fora de seus bolsos. Eu as calcei,
mentalmente jurando que eu nunca iria tirá-las de novo. Tá, ok, eu sabia
que isso era um juramento que eu não ia cumprir, mas isso pareceu
bom lá por uns dez segundos. “Você pode andar, ou você quer que eu
te carregue de novo?” Traidor! Ele tinha me carregado até Tallulah e eu
tinha sido muito bizarra para notar isso. “Eu posso andar. Eu estou
bem, só um pouco assustada. Obrigada por me deixar sentar aqui,
Tallulah.” “Você sabe que você é sempre bem vinda, Fran.” ela deu a
Ben um longo olhar enquanto eu ficava de pé. “Eu acredito que posso
contatar Sir Edward e perguntar a ele o que sabe sobre isso.” Ben fez
uma graciosa reverência para ela. Ela inclinou sua cabeça, e por um
momento eu podia ver o porquê das pessoas pensarem que ela era
relacionada à realeza. Eu sacudi meus dedos nos dela e parti em
direção ao nosso trailer, Ben ao meu lado. Ele não tentou segurar minha
mão, o que estava bem, exceto que eu meio que queria que ele o
fizesse. “Você vai me dizer o que aconteceu? O que realmente
aconteceu, não à versão para Tallulah, tudo, desde a hora que você
entrou na barraca para quando você se sentiu doente.” Eu mordi meu
lábio, decidindo sobre uma pequena edição prudente. ”Eu não senti
nada diferente do glamour, e eu nem senti aquilo primeiro. Para dizer a
verdade, eu pensei que a música era bem ruim.” Um sorriso flutuou
sobre seu rosto.. “Ela era ruim. Portanto a necessidade do glamour.”
Um glamour, para aqueles de vocês que não está atualizado para a
última linguagem de magia, é uma forma de mágica usada para mudar a
percepção sobre alguma coisa, geralmente de uma ruim para boa – em
outras palavras, alguém na banda estava usando um glamour que fez
todo mundo pensar que eles eram maravilhosos, os dando o desejo
irresistível de dançar sua música. Muitas pessoas podem usar glamour
- bruxas, lordes demônios, vampiros, isso é realmente uma coisa
bastante comum. Eu nunca tinha experimentado isso antes, desde que
eu sempre fiquei longe dos amigos esquisitos de minha mãe. “Então
você me pediu para dançar, e tudo começou a ficar divertido.” Eu
deslizei um olhar para ele ver se ele pensava que eu estava me divertido
por que eu estava dançando com ele, ao oposto do glamour ter
começado a me afetar, mas nós estamos andando atrás do trailer de
Elvis, e Ben estava na sombra. “E então a próxima coisa que eu sabia,
eu estava sendo inundada pelas mentes das pessoas. Então eu o
toquei.” Ben parou. “Ele? Era um homem?” Eu parei, também,
mastigando meu lábio enquanto eu tentava lembrar (ok, então mastigar
meu lábio é um pequeno tique nervoso que eu tenho; eu nunca disse
que era perfeita). Eu fechei meus olhos e selecionei através das
emoções que lembrei sentir. Com exceção da garota que estava
preocupada em pensar que estava grávida, era impossível rotular as
imagens transitórias pelo sexo da pessoa. “Desculpe; eu não posso
dizer, acabou tão rapidamente, só um flash em minha mente de alguém
que estava preenchido com os pensamentos de apunhalar você.
Alguém frio e escuro e-” Eu estremeci e esfreguei meus braços -
“extremamente mal por dentro. Quem quer que seja isso, Ben, ele
significa problema. Você precisa ser cuidadoso, por que esta pessoa
realmente quer você morto.” “Hmm.” Ele começou a andar novamente.
Eu o segui, rolando meus olhos. Ele estava de volta a sua dura rotina de
cara macho. “Sabe, eu leio um monte de mistérios,” Eu disse. “Lê?”
“Sim, então eu sei tudo sobre alguém querendo outro alguém sendo
morto, e detetives nos livros sempre dizem que o quem não é
importante; é o porquê. Se você sabe o porquê alguém quer você
morto, isso irá dizer a você quem é. Então, quem quer você na estaca?”
Ele esperou para que eu o alcançasse, então andou ao meu lado em
absoluta falta de expressão em seu rosto. “Bastantes pessoas, eu
imagino.” Eu esbugalhei meus olhos para ele (algo que eu não estou
orgulhosa, mas hei, tinha sido um dia estressante). ”Você está
brincando. Por que alguém iria querer você morto? Você não, como,
acidentalmente matou alguém quando você está tendo seu jantar, não
é?” Eu não podia imaginar Ben fazendo nada ruim o suficiente para
fazer alguém querer matá-lo. Eu tinha estado dentro de sua mente;
sabia que tipo de pessoa ele era – atormentado, em um monte de dor,
sim, mas ele não era mau. Ele não gostava de machucar as pessoas.
“Eu sou um Moravian Dark One. Muitas pessoas pensam que nós
somos criaturas malignas da lenda de vampiro, caçando os inocentes,
modificando as pessoas de sua própria espécie, amaldiçoando-as ao
inferno eterno. A maioria dos caçadores de vampiros não se incomoda
em saber o que nós somos; eles nos confundem com demônios,
canibais, e coisas assim. Essas pessoas nos matam apenas pelo que
somos, Fran. Eles não precisam de nenhum outro motivo.” “Mas isso é
errado! Você não é mau; você só é um pouco diferente dos outros. Além
do mais, eu sou diferente, mas não vejo ninguém tentando dar cabo de
mim.” Ele não disse nada para isso. Eu estava começando a entendê-lo
– que ele não dizer nada era freqüentemente tão importante quanto o
que ele dizia. “Sabe, essa coisa que você não pode mentir para mim me
deixa nervosa. Você não dizer nada significa que acha que alguém está
tentando me matar?”
Ele pôs uma mão sobre meu ombro. Eu tinha apontado para minha Fran
interior que isso era um agradável, confortante gesto, não um
romântico. “Não, não acho. Mas sua mãe é uma bruxa; você deve
conhecer a história de bruxas através dos tempos.” “Yeah, eu sei sobre
caça as bruxas e tudo o mais, mas as pessoas não fazem isso mais.”
Seu silêncio foi preenchido pelo ar entre nós. “Elas fazem?” “Em
alguns lugares, sim. Mas você não tem nada que se preocupar. Sua mão
protege você, como faz seu próprio desejo se misturar, e...” “E o que?”
Ele não disse nada, mas puxou seu braço de meu ombro. Eu tinha uma
idéia do que ele estava indo dizer, e eu não queria ouvir isso. Eu nem
mesmo queria pensar nisso, por que então ficaria brava com ele e com
sua atitude de macho. Então eu não disse nada também, e ambos
andamos em silêncio até que Ben o quebrou. ”Você estará bem até que
sua mãe volte?” “Claro, eu fico sozinha o tempo todo.” E geralmente
gostava de ser deixada sozinha, mas hoje a noite eu queria que Ben
ficasse. Eu tentei pensar em uma razão para mantê-lo comigo. “Você
esta com fome? Você gostaria de uma xícara de chá? Nós temos – ah.”
Eu sou tão estúpida! Duh, Fran, ele é um vampiro; vocês estavam
justamente falando sobre isso. “Desculpe; às vezes eu esqueço que
você é um... às vezes, eu esqueço.” Eu me apressei à frente, tentando
fingir que eu não tinha uma boca tão grande quanto o Colorado.
“Obrigado, Fran.” “Pelo que“ Eu perguntei miseravelmente. “Por
colocar meu pé na minha boca... de novo?” “Por não deixar isso
importar para você sobre o que eu sou.” Eu dei de ombros, mas permiti
que o brilho quente de suas palavras afastasse alguns dos sentimentos
esquisitos dentro de mim. “Eu nunca entendi por que as pessoas
culpam alguém por aquilo que elas nasceram para ser. Não é como se
elas tivessem uma escolha, é? Quero dizer, eu não tenho uma escolha
sendo uma psíquica, não mais do que você teve uma escolha sobre ser
um Dark One. Nós apenas somos. Então por que fazer um escarcéu por
algo que nós não podemos mudar? Minha mãe sempre diz que não
importa quem você é, mas o que você faz é o que importa.” “Belas
palavras de sabedoria vindas de uma garota que pensa de si mesma
como uma aberração.” Olhei para ele para ter certeza que não estava
rindo de mim. Ele não estava. “Yeah, bem, não é tanto que penso que
sou uma aberração, mas as pessoas o fazem, e, sabe, envelhece
realmente rápido ser diferente de todo mundo.” “Não me diga,” ele
disse, parando em frente ao nosso trailer. “Você tem vivido sendo
diferente por só quatro anos; eu tenho vivido com isso por trezentos e
doze.”
“Wow, você é realmente velho,” eu disse, impressionada com o
pensamento de se viver tanto tempo. Ele sorriu, então se inclinou em
frente e meu deu um pequenino beijo, provavelmente um digno de Iowa.
“Sim, eu sou velho, mas não tão velho que eu não saiba uma coisa boa
quando eu vejo uma. Entre. Eu me encontro com você amanhã à noite.”
Me levou uns segundos para fechar a Fran interior (ela estava
guinchando com o beijo). “Onde você está indo? De volta a barraca
principal? Você não vai voltar pra lá com o psicopata que quer espetar
você, vai?” “Eu não tenho medo, Fran.” Eu olhei para ele, meus olhos
grandes e arregalados. “Bem, você deveria! Ben, eu não estou
brincando quando disse que a pessoa que quer você morto é má,
realmente má, nota A do mal, na verdade. Você não quer se meter com
ele ou ela, seja lá quem é. Acredite-me, esses pensamentos dessa
pessoa são carinhosamente enfatizados na alegria de observar você
morrer uma horrível e dolorosa morte.” Ele enfiou uma mecha do meu
cabelo atrás de minha orelha. “Vá para dentro, Fran. Eu vou ficar bem.”
“Argh!” Eu gritei, querendo estrangulá-lo, e chacoalhá-lo, e beijá-lo
tudo de uma vez. “Você é o cara mais frustrante do mundo inteiro!” Eu
marchei às escadas, batendo a porta do trailer atrás de mim; Davide
olhou para cima enquanto eu jogava minha bolsa sobre a cadeira e
enfurecia pelo corredor estreito. “Ben estúpido, estúpido, estúpido Ben.
Ah, ele é tão fodão não, ninguém pode matá-lo. Ha! Bem, quem precisa
dele? Eu com certeza, não. Se ele quer se matar, está tudo bem para
mim. Só que significa que eu não vou ter que resgatar sua alma, não
importa o que você faça. Ele não se importa comigo, nem um
pouquinho. Ele e seu cabelo comprido e seu corpo gostoso e a moto e
aquele jeito maravilhoso de beijar – nada disso importa! Nem um
bocadinho estúpido!” Davide fez uma cara que parecia bastante como
ele se estivesse franzindo sua boca para mim. “E você pode parar de
me olhar desse jeito! Isso não é problema meu!” Eu juro que ele
levantou as sobrancelhas para mim.
Eu apontei um dedo para ele. “Nem uma palavra de você, gato. Eu tentei
alertá-lo. Eu fui direta com ele - que era estúpido de se intrometer com
quem quer que queira ele morto, mas ele é todo 'eu sou um Dark One.
Eu posso fazer qualquer coisa' para mim. Dark One – Dork22 One é
mais como isso. Ok, isso foi injusto – não há nada de imbecil em Ben –
mas eu não iria admitir isso para o gato. Davide se levantou, arqueou
suas costas em um esticar, então sentou e curvou sua cauda ao redor
de suas patas enquanto ele me dava um olhar amarelo que falava mais
alto do que palavras. “Eu fiz tudo o que eu podia!” Eu disse arrancando
a porta do armário aberta para pegar meu travesseiro e o cobertor. ”Não
há mais nada que eu possa fazer!”

22 Dork – idiota, imbecil

Ele se manteve olhando para mim. Eu arranquei minhas luvas e joguei-


as no chão. “Gah! Tá bem! Pare com isso! Eu vou salvar o traseiro de
Ben. Você está feliz? Todo mundo vai provavelmente descobrir sobre
mim por causa disso, e então alguém vai fazer uma caça as bruxas
comigo, e eu vou terminar morta, e então quem vai dar para você um
bom atum, huh? Está sob sua cabeça agora, imbecil!” Eu agarrei
minhas chaves e marchei para fora do trailer, murmurando para mim
mesma enquanto rumava em direção ao alto pulsar da música. Nessa
distância, o glamour era muito diluído para funcionar, e minha inicial
opinião sobre a banda era justificada. Eles realmente eram uma droga.
A área do lado de fora da barraca estava absolutamente desprovida de
pessoas, o que era incomum mesmo quando uma banda estava
tocando. Normalmente as pessoas vagavam para usar os banheiros
portáteis, ou para fumar, mas não essa noite. Não havia uma única
pessoa para ser vista em todo o caminho do corredor principal, todas
as pequenas barracas estavam escuras e fechadas. Mesmo a de
Tallulah estava fechada. Uns poucos invólucros e latas vazias estavam
jogados ao longo do solo pela brisa leve, mas fora isso, nada se movia.
Isso era realmente estranho. Eu escorreguei para dentro na parte de
trás da barraca principal, pressionando contra as paredes de lona,
tentando manter a mim mesma fora do caminho das pessoas, tão longe
do poder do glamour quanto possível. O que eu realmente precisava era
um jeito de eu... “Imogen!” A poucos metros de distância Imogen estava
se balançando com a música, Elvis e outro cara discutiam
violentamente próximos a ela. Essa era uma vista suficiente comum –
Elvis ficando realmente enciumado quando Imogen dançava com outro
cara. Geralmente ela o ignorava. “Imogen!” Ela se virou e sorriu para
mim. Eu me movi até ela. “Você é justamente a pessoa que eu queria
ver.” “Isso tão doce em você, Fran! Por que você não está dançando?”
Eu afastei sua pergunta. Eu já podia sentir o glamour funcionando, me
fazendo querer largar tudo e me juntar a feliz multidão dançando. “Não
há tempo pra isso. Existe alguma barreira que pode me proteger do
glamour?” Ela sorriu para o cara que agora estava ameaçando um Elvis
muito menor, com dois punhos grandes. “Eu espero que ele o acerte;
Elvis tem sido tão persistente hoje à noite. Sim, é claro que há uma
barreira; há uma barreira de proteção para tudo.” “Você pode me
mostrar como fazer isso? Se não for um segredo Moravian, que seja.
Algo que eu pudesse usar especificamente contra este glamour?” Meus
dedos começar a tamborilar contra minha vontade. Minhas pernas
queriam me mergulhar na multidão.
Ela se virou para mim num ligeiro franzir entre suas sobrancelhas. “Por
que você iria querer ser protegida contra esse glamour? Não é um
prejudicial, e a banda soa muito melhor com ele.” “Por favor Imogen, eu
não tenho tempo para explicar. Você poderia apenas me mostrar a
barreira?” Ela me deu um olhar curioso, então se virou para que seu
corpo estivesse bloqueando a visão de todos que pudessem olhar
nosso jeito. Eu tive dificuldade em prestar atenção em suas instruções;
a música era tão persuasiva que tudo em mim gritava para ir dançar,
para me divertir, para deixar ela me preencher e limpar todas as
preocupações. Ela desenhou a barreira sobre mim, então me mostrou
como desenhá-la. A coisa com as barreiras não está em desenhar o
símbolo corretamente; é a crença que você coloca nela. Essa é a
maneira que é em todas as mágicas – acredite e ela funciona. Duvide, e
o poder da mágica enfraquece. Eu não tinha dúvida em minhas próprias
habilidades – tais como elas são – que me ajudaram a desenhar a
barreira. No segundo que meu dedo traçou a última curva, o símbolo
brilhou para a vida cintilante e imediatamente dissolveu. No entanto, o
sentimento de proteção permaneceu. Eu tinha feito isso! Eu tinha
desenhado uma barreira, e ela funcionou! “Ugh!” Eu gritei, e bati
minhas mãos sobre meus ouvidos. “Cara, eles são péssimos!” Imogen
riu e se virou para a música, estendendo suas mãos para o cara que
estava sobre a forma dobrada de Elvis. Evidentemente o cara tinha
escutado o desejo de Imogen, por que ele esfregou seus dedos, antes
de tomar as mãos de Imogen e dançar com ela. Eu fui lá e cutuquei
Elvis com meus dedos do pé, mas ele não se moveu. Seu peito subia e
descia, então eu sabia que ele não estava morto, só nocauteado.
“Desculpe, eu tenho coisas mais importantes a fazer,” eu disse a ele
enquanto me virava em direção a multidão dançante, contornando ao
longo das beiras enquanto procurava por Ben. Por um momento minha
barreira reluziu a vida, um preto feio, mas tão rapidamente a imagem
dela se dissolveu. Eu imaginei que quem estava fazendo o glamour
tinha adicionado um pouco de poder nela, mas tanto quanto minha
barreira segurava isso não me preocupou. Eu hesitei enquanto
observava todos dançando, odiando o que eu tinha que fazer, minha
mente correndo freneticamente para outra opção, mas não havia
nenhuma. Ben pensava que ele podia dar conta da pessoa que o queria
morto, mas eu sabia a verdade. Quem quer que fosse, homem ou
mulher, era frio com o desespero, comprometido de corpo e alma em
ver Ben morto. Você não tem esse tipo de determinação em seu
caçador de vampiros normal. Pelo menos, eu não acho que você teria.
“Sem sacrifício, não há recompensa,” eu disse para mim mesma e,
tomando um profundo fôlego, mergulhei na multidão. Eu deixei minhas
mãos tocarem todos, sem tentar guiá-las, apenas permitindo a mim
mesma ser empurrada aleatoriamente. Pessoas, imagens, objetos,
emoções, momentos, pensamentos, desejos, temores – tudo que as
pessoas carregavam em seus subconscientes preencheram meu
cérebro até que eu pensei que minha cabeça ia estourar, a dor lancetou
através de todo meu corpo com o esforço de manter tudo. Eu não podia
respirar; havia tantas pessoas me pressionando, me preenchendo,
tantos deles que me empurraram de lado e assumiam o comando. Não
havia nada deixado de mim, nem mesmo um pouquinho; era todos eles.
Com isso eu tive certeza que minha mente esta fraturando, no exato
momento quando eu sabia que estava pisando fora da linha da
sanidade para loucura, a escuridão me preencheu, uma suave, quente,
macia escuridão. Eu calei as vozes, as imagens, as pessoas que me
preencheram. A escuridão me cobriu, me protegendo em um suave
casulo, lentamente me separando da multidão até que eu deslizei para
uma longa, escura, piscina que parecia me saudar com um abraço
caloroso e um sussurro que tudo ficaria bem.
Capítulo 9

“Hei,” Soren disse. “Hei. Aaah, croissants de amêndoa?” Ele acenou e


sentou ao meu lado, esperando pacientemente para eu devolver o
pacote que arrebatei de suas mãos. Havia duas coisas que eu realmente
gostava sobre estar na Europa – castelos (muito legal), e o modo que
todo mundo ia para padaria local todas as manhãs e conseguia pães
frescos. O pão era bom, mas os croissants de amêndoas... “Mmm“ eu
disse saboreando, permitindo que os flocos do leve croissant se
derretessem em minha língua. “Isso provavelmente dá um gazilhão de
calorias, mas cara, isso é bom.” Soren arrancou um dos braços curvos
de um croissant e atirou-o em sua boca, mastigando enquanto ele
franzia seus olhos para o sol. Bruno e Tesla pastavam em frente a nós,
jogando alongadas e tremulantes sombras enquanto eles se moviam
lentamente através da beira da campina, mastigando alegremente a
grama, suas caudas mantendo um ritmo preguiçoso, enquanto elas
abanavam as moscas. Eu amava essa hora da manhã. Ela não era tarde
o suficiente para estar realmente quente, mas estava quente o
suficiente para fazer seu espírito subir até as nuvens. Um casal de
libélulas deslizava sobre a superfície da grama, então se dirigiram para
as árvores, onde um córrego estreito escorria. “Como você se sente?”
Soren perguntou finalmente. Eu terminei meu croissant antes de
responder, envolvendo meus braços ao redor de minhas pernas e
colocando meu queixo sobre meus joelhos, enquanto eu sugava último
pedaço doce de amêndoa do croissant de meus dentes. “Eu estou bem;
por que a pergunta?” “Por que eu pergunto? Você teve um tipo de
ataque de pânico e teve que ser carregada para fora da barraca. Você
não faz isso normalmente. Eu pensei que você pudesse estar doente ou
algo assim.” “Carregada?” Eu descansei minha bochecha sobre meu
joelho e olhei para Soren. Seu nariz estava descascando do bronzeado
que ele tinha pegado alguns dias atrás. “Quem me carregou?” Ele
arrancou a grama, jogando uma mão cheia para os cavalos. “Benedikt.”
Merda com sapos em cima. Duas vezes Ben tinha me carregado, e
ambas às vezes eu tinha estado fora do ar para perceber. Eu olhei de
volta para os cavalos. “Dr. Bitner disse que eu podia andar em Tesla se
eu quisesse, contanto que não o levasse para fora na estrada, por que
ele não tem ferraduras, e eu não deveria forçá-lo tão longe. Ele disse
que eu deveria começar devagar, e aumentando sua resistência, mas
que ele era tão velho que nunca seria capaz de cavalgar muito.” Soren
deslizou um longo olhar atravessado. “Por que você mudou de
assunto?” “É o que as pessoas fazem quando elas não querem falar
sobre algo.” Ele pensou sobre aquilo por um minuto, então perguntou
(do jeito que eu sabia que ele faria), “Por que você não quer falar sobre
o que aconteceu noite passada?” Eu colhi uma flor e segurei-a debaixo
do queixo dele. Ele bateu nela. “Se eu te dizer o que aconteceu na noite
passada, você me mostra como cavalgar?” Ele olhou para Tesla. “Sem
sela?” “Eu não tenho uma sela.” “Você não tem nem uma rédea.” Eu dei
de ombros. “Eu não posso levar a corda de nylon e seu cabresto?” Ele
deu de ombros, também. “Eu não vou ter um... como vocês chamam
isso...” Ele fez um gesto através de sua boca.
“Freio?” “Sim, freio23. Mas eu vou mostrar a você, se você me contar o
que aconteceu.” “Se eu te contar, você tem que jurar não dizer a
ninguém. Nem a seu pai, nem ninguém. Entendeu?” Seus olhos se
arregalaram. “É algo haver com o roubo?” “Não. Sim. Não, não
realmente. É algo haver comigo. Você jura?” “Ich schwöre.” Ele cuspiu
em sua mão e estendeu ela para mim em um aperto. Eww. Eu agarrei as
pontinhas de seus dedos e sacudi-as. “O que aconteceu?” “Você não
vai acreditar se eu só disser. O que você tem em seus bolsos?” Ele
pareceu surpreso, um pequeno arquear confuso puxando suas
sobrancelhas juntas, mas ele enfiou uma mão dentro do bolso de seu
short e puxou seu conteúdo. Era um pente azul pequeno de plástico,
algumas moedas, um fio, um curativo usado, um conjunto de chaves, e
um tubo de cacau, eu retirei minhas luvas e arranquei as chaves de sua
mão. “Você nunca me mostrou essas chaves antes, não é?” Ele
balançou sua cabeça. “Certo.” Eu separei uma chave do resto e
segurei-a acima, permitindo que as imagens da chave transmitissem o
que me diria sobre seu uso. “Esta chave é para um grande baú de
madeira que seu pai guarda seus suportes neles. Os grandes
suportes.” Os olhos de Soren se alargaram enquanto ele olhava para a
chave; então acenou. Eu peguei a segunda chave. “Trailer.” Seus olhos
estavam ainda mais arregalados. Eu segurei uma chave minúscula.
“Esta é para o estojo do violino. Eu não sabia que você tocava violino.”

23 Bit – parte metálica que atravessa a boca do cavalo.


24 Tante: tia/titia em alemão

Seu queixo caiu. “Ninguém sabe exceto papai e tante24. Como você faz
isso” Eu segurei outra chave. “Esta destranca uma grande grade onde
você guarda os pombos. Com é que é chamada - pombal? Tanto faz,
está chave é nova. Você não a tem há muito tempo.” Eu pensei que os
olhos dele iriam pular de sua cabeça, então eu embrulhei meu show,
colocando as chaves gentilmente dentro de sua mão. “Não é nada
especial, Soren. Eu posso sentir as coisas pelo toque; isso é tudo.”
“Isso é tudo? Isso é bastante especial; isso é muito especial!” Ele olhou
abaixo as minhas mãos como elas fossem pintadas de roxo ou algo
assim. Eu puxei minhas luvas de volta. O sol estava ainda brilhando,
mas de repente eu me senti como se uma nuvem tivesse passado por
cima. “Eu não acredito que você possa fazer isso. É o porquê de você
usar luvas? Você pode fazer isso com pessoas também? Você pode ler
minha mente se você me tocar? Você pode dizer tudo o que eu estou
pensando?” Eu me levantei e caminhei até Tesla, que não prestava
absolutamente nenhuma atenção em mim, tendo me checado mais cedo
por maças (eu tinha cenouras, que ele aceitou graciosamente). Tesla e
Ben pareciam ser os únicos que não se importavam com minha
maldição. O quanto isso é triste? “Se eu tocasse você com minha mão
nua, sim, eu poderia dizer o que você está pensando. Tipo assim. Mais
como emoções fortes que você está sentindo no momento.” Soren
sugou em sua respiração, olhando para mim como se eu estivesse
dançando nua. De cima a baixo. Eu joguei meus braços para fora,
chateada que ele entre todas as pessoas fizesse uma grande coisa por
uma pequena diferença. “Eu ainda continuo sendo a mesma pessoa
que eu era há uns poucos minutos atrás Soren! Você então não
pensava que eu era estranha!” “Eu não disse que eu acho que você é
estranha,” ele disse lentamente. “Você não tem que dizer, esse olhar diz
tudo. Eu já o vi antes, sabe. Todo mundo que descobre sobre isso tem
esse mesmo olhar, a “Fran é uma aberração” olhar. Eu pensei que você
entenderia o que era nascer com algo que você não pode fazer nada a
respeito. Não é nada diferente de você nascendo com uma perna mais
curta do que a outra.” Seu rosto ficou vermelho enquanto ele olhava
para sua perna. “Minha perna não pode me dizer o que eu estou
pensando.” “E minhas mãos podem, sim, e daí? Eu não posso desligá-
la, Soren. Eu só tenho que viver com isso. Eu pensei que você
entenderia. Agora eu lamento ter contado a você.” Eu me afastei dele,
encostando sobre o lado de Tesla, traçando meus dedos sobre a
cicatriz sobre seu ombro, piscando furiosamente para Soren não me ver
chorar. “Fran?” Eu torcia as pontas da crina de Tesla em uma traça,
doente por eu ter arruinado minha amizade com Soren. “O que?” “Eu
não acho você esquisita. Eu acho... eu acho que é legal.”
“Isso não é legal; é uma maldição,” eu murmurei para minhas mãos. A
crina branca de Tesla enrolada entre meus dedos. Era o que minha vida
tinha se tornado, um rolo. Eu estava enrolada com minha mãe e a Feira,
enrolada com Ben, enrolada com Soren e Imogen, enrolada com Tesla.
“Eu acho que não.” Soren veio do outro lado ao redor de Tesla. “Eu
realmente acho que é legal. Desculpe-me se eu fiz você se sentir mal.”
Eu contrai meu ombro. “Eu estou acostumada a isso.” Ele olhou abaixo
para minhas mãos. “Você pode fazer isso com animais?” “Dizer o que
eles estão sentindo? Não. Eu acho que é porque eles pensam diferente.
As únicas coisas que eu posso captar são emoções humanas e coisas
como isso.” “Ah.” Ele pareceu pensativo por alguns minutos. “Mesmo
assim, eu aposto que podia ser útil.” “Útil!” Eu bufei. “Sim, se você
quer que todo mundo pule para trás toda hora que você se aproximar
delas, por que elas estão com medo de deixar você tocá-las, então isso
é útil. Por outro lado é uma maldição, como eu disse.” “Esse é o porquê
Miranda quis que você encontrasse quem está roubando nosso
dinheiro, não é? Ela quer que você toque todo mundo e veja quem é o
ladrão?” Eu penteei através da crina de Tesla com meus dedos. “Algo
assim, é.” Seus olhos se alargaram de novo. “Você me tocou no outro
dia. Eu me lembro! Você me tocou com sua mão descoberta. Você
estava me lendo?” Eu mordisquei meu lábio e tentei pensar uma forma
educada de dizer a ele que foi por pouco tempo quando eu pensei que
ele poderia ser um suspeito. “Bem... eu tinha que eliminar todo mundo
que tocou no cofre...” “Eu era um suspeito? Você pensou que eu era
um suspeito? Legal!” Eu rolei meus olhos, me curvando para verificar
se aquele mancar em Tesla está correto. As amarras de couro ao redor
de seus pés não estavam apertados, e a corrente que conectava eles
era longa o suficiente para o deixar pastar sem dar a ele todo o alcance
de seu passo normal. “Você é a única pessoa que acha que é legal ser
um suspeito.” “Eu nunca tinha sido um suspeito antes,” ele explicou,
mancando atrás de mim enquanto eu caminhava em direção a Feira.
“Eu queria que você tivesse me dito. Eu teria gostado de escrever isso
em meu diário.” “Você pode escrever isso nele agora.” “Eu ainda sou
um suspeito?” Eu parei e esperei ele me alcançar. “Não, é claro que
não. Você está limpo.” “Eu estou limpo,” ele disse em um terror
preenchendo a voz. “Isso é legal, também.” “Tanto faz.” Nós
caminhamos o longo percurso para a Feira, andorinhas girando e
mergulhando acima de nós, enquanto elas faziam seus atos acrobáticos
entre as barracas. “O que aconteceu depois que Ben carregou você
para casa?” “Eu não sei.” Ele franziu os lábios. “Você não sabe?”
“Nope. Eu estava fora do ar. Eu não me lembro de nada exceto de
acordar essa manhã.” “O que Miranda disse?” “Zzzzzzzzz” “O quê?”
Soren parou para olhar embasbacado para mim. Eu sorri. “Ela estava
dormindo quando eu me levantei esta manhã. Eu presumo que Ben me
arrastou de volta ao trailer, e minha mãe me enfiou para dentro. Só
isso.” “Ah.” Ele pareceu um pouco desapontado por aquilo e
evidentemente decidiu continuar em algo mais promissor. “Quem é o
suspeito? Quem você acha que roubou o dinheiro?” Eu parei na faixa
entre a Feira e os trailers. Era ainda muito cedo para a maioria das
pessoas estarem de pé, mas umas poucas pessoas com olhos turvos
cambaleavam para fora de seus carros com copos de café e sacolas de
pão apertadas em suas mãos, rumando para seus trailers. “Eu não sei.
Sete pessoas tocaram no cofre, e das sete, quase todos eles limpos.”
“Quase todos?” “Eu não falei com as últimas pessoas.” “Ah.” Ele
sugou o interior de suas bochechas enquanto nós víamos Absinthe, um
lenço rosa que contrastava com seu cabelo amarrado em volta de sua
cabeça, e um par de óculos escuros escondendo seus olhos,
escorregando para fora da porta do trailer de Kurt e Karl. Ela foi direto
para seu trailer. “Isso foi interessante.” eu disse. Ele fez uma careta.
“Não, na verdade. Então, noite passada, quando você teve seu ataque -
“ “Eu não tive um ataque,” eu interrompi. Quer dizer, eca, eu me sentia
estranha o suficiente; não precisava das pessoas pensando que eu
tinha ataques também! “Ok, quando seja lá o que aconteceu com você
aconteceu, foi por causa...” seu nariz enrugou. “Porque aquilo
aconteceu?” Eu chutei uma pedra, mantendo ela fora do gramado para
que eu pudesse atirá-la na lata de lixo próxima. “Eu acho que foi
sobrecarga. Eu nunca toquei mais do que umas poucas pessoas num
dia, e lá, eu estava tocando centenas. Eu apenas me senti como se
estivesse sendo esmagada por elas, como se eu fosse uma concha
vazia. Foi horrível.” “Ben tocou você.” “Sim.” Soren virou seus olhos
azuis cheios de acusação para mim. “Ele sabe, não é? Você disse a ele,
mas você não me disse.” Eu tentei um sorriso solidário. Eu não achei
que consegui. “Eu disse a você agora; que é o que conta para alguma
coisa.” “Você não confiou em mim, e você confiou nele. Você acabou de
conhecê-lo!” “Vamos lá,” eu disse, puxando-o em direção ao trailer que
Absinthe tinha acabado de sair. “Você gosta dele mais do que de mim,
não é?” “Ah, pelo amor de Peter...” Eu parei e o sacudi. “Isso não é um
concurso, ok? Ben sabe por que... por que... ele apenas sabe! Eu não
disse a ele; ele calculou por si mesmo.” “Você não disse a ele?” Os
olhos de Soren estavam estreitos; ele estava suspeito apesar de
obviamente querer acreditar em mim. “Eu não disse a ele; ele
adivinhou. Se sente melhor? Agora, vamos lá; eu preciso de ajuda.”
“Ajuda com que?” “Eu preciso tocar Karl.” Os olhos de Soren
esbugalharam de novo. Eu o esmurrei no braço. “Não esse tipo de
toque, estúpido! Eu preciso tocar ele. Ele é uma das pessoas que
usaram o cofre. Eu preciso ver se ele sente frio e desespero interior.”
Frio. Desespero. Como a pessoa que queria Ben morto. Eu suguei em
um fôlego e pensei sobre aquele momento. Poderia ser? Poderia o
ladrão ser a mesma pessoa que queria Ben apunhalado? Por quê?
“Fran? Você está bem? Você não esta tendo outro ataque, está?” Eu fiz
um olhar mordaz para ele. “Eu não tenho ataques!” “Ok, mas você está
me assustando. Seus olhos ficaram engraçados. Qual é o problema?”
“Nada. Eu só preciso pensar por um minuto.” Eu olhei ao redor, então
agarrei a mão de Soren, arrastando-o para um par de engradados de
plásticos que estavam colocados atrás do trailer de Elvis, fora do sinal
do resto dos trailers. “Senta.” Ele se sentou. Ele também me observou
enquanto eu marchava para frente e para trás, tentando decifrar tudo.
“Eu vou fazer isso da maneira que os detetives fazem nos livros.” Soren
escavou uma pequena caderneta imunda fora de seu bolso. ”Eu serei
seu fiel aliado.” Eu parei de andar para dar a ele um olhar. “O que? Isso
não está certo?” “Nós não estamos em um western, Soren. Isso é
sério.” “Você é quem manda.” Ele pareceu assustado. Senti-me irritada.
“Ponto um,” eu disse, retomando meu ritmo e assinalando cada item
com meu dedo. “Alguém roubou o dinheiro da Feira, não só uma vez.
mas três vezes nos últimos dez dias.” “Sim.” Soren se debruçou sobre
sua caderneta, sua língua do lado de fora enquanto ele escrevia com
um lápis quebrado. “Ponto dois: Sete pessoas tocaram o cofre – seu
pai e sua tia, Imogen, minha mãe, Elvis e Karl. “Hei!” Soren olhou para
cima. “Elvis! Eu aposto que é ele.” “Você está se adiantando. Fieis
aliados nunca se adiantam.” Seus lábios fizeram um O. “Desculpe.”
Ponto três: não faz sentido que Absinthe ou Peter roubem de si
mesmos e façam um grande escândalo por causa disso.” “Grande
escândalo,” Soren repetiu enquanto ele escrevia. “Ponto quatro: Elvis é
um demonologista. Demônios podem entrar em qualquer coisa, se eles
são ordenados.” “Sim,” Soren disse, seus olhos se iluminando. “Exceto
coisas feitas de aço,” eu adicionei. Seu rosto caiu. “Ah. O cofre é feito
de aço.” “Exatamente. Então, infelizmente, embora eu gostasse que o
suspeito fosse Elvis, eu só não vejo como ele poderia utilizar um
demônio para trocar o dinheiro por pedaços de jornal que sua tia
encontrou.” Ele suspirou ruidosamente. “Eu não posso também.”
“Ponto cinco: Seu pai deixou a combinação do cofre largada onde
qualquer um podia ver, mas só sete pessoas tocaram o cofre, então o
que eliminam os outros.” Soren pareceu pensativo, sugando na ponta
do lápis quebrado. “Isso deixa Imogen, Miranda e Karl.” “Exatamente.”
E desde que Ben diz que Imogen não precisa de dinheiro, e eu sei que
minha mãe não roubou nada, isso deixa - “ “Karl!” “Alguém está
tomando meu nome em vão?” Soren pulou e eu girei para ver Karl
vestido em uma camiseta, shorts de corrida e tênis. Karl não falava
inglês tão bem quanto o resto das pessoas na Feira, mas eu dou a ele
crédito, ele fala melhor do que eu alemão. “Ah, oi, Karl. Uh...” Eu
deslizei minhas luvas fora de minha mão e segurei-as atrás de minhas
costas. Soren que estava atrás de mim, subitamente se apressou a
frente. “Karl, eu estou tentando mostrar a Fran o truque que você faz
com a moeda - sabe, aquele onde você faz tirando do nariz de alguém?
Eu não posso fazer isso tão bem quanto você. Você poderia mostrar a
ela?” Eu pisquei por um segundo, então acenei minha cabeça. “Sim,
você poderia, por favor? Eu adoraria aprender mágica.” Karl não
pareceu como se tivesse acreditado em nenhum de nós dois, mas ele
gentilmente tirou uma moeda da orelha de Soren, da minha
sobrancelha, e de seu próprio cotovelo. “Wow, isso é muito legal;
posso tentar?” Eu perguntei, estendendo minha mão descoberta. Karl
me deu a moeda, seus dedos tocando minha mão enquanto ele soltava-
a em minha palma. “Não é um truque difícil, mas é preciso muita
prática.” Eu fiz alguns passes atrapalhados com a moeda, então desisti
com uma risada, entregando-a de volta para ele. “Acho que eu não
estou habilitada para ser um mágico. Obrigada de qualquer forma. Boa
corrida.” Eu deixei meus dedos tocarem sua mão por um segundo a
mais do que era necessário, então acenei enquanto ele corria em
direção a estrada. “Bem?” Soren perguntou tão logo Karl estava longe
da escuta. Eu sentei sobre a grade. “Nós podemos cortá-lo. Ele não se
sente culpado.” Soren olhou para cima quando seu pai o chamou. “Eu
tenho que ir.” Eu acenei para ele. “Tudo bem, eu tenho que fazer
algumas coisas para minha mãe. Te vejo mais tarde.” “Sim, mas tarde.
Eu vou mostrar a você como cavalgar, não se esqueça.” Ele enfiou sua
caderneta em seu bolso. “E nós iremos trabalhar nisso também; nós
vamos levantar outros pontos; não se preocupe.” Eu o deixei correr
sem dizer a ele que eu não estava preocupada pelo menos. Eu já sabia
de mais um. Ponto seis: Alguém que estava na pista de dança na noite
passada teria dado a sua alma para ver Ben morto, e meu instinto me
dizia que aquela pessoa e o ladrão eram uma e a mesma... E havia só
dois nomes deixados em minha lista de suspeitos. Imogen e minha
mãe.
Capítulo 10

Este foi o nosso último dia em Kapuvár. Na manhã seguinte nós


arrumaríamos tudo, e seguiríamos para Budapeste, onde ficaríamos por
dez dias. Embora minha mãe e eu tivéssemos estado na Feira há um
mês, eu tinha concluído que gostava de me divertir nas cidades
pequenas mais do que nas grandes. Nas pequenas eu tinha mais
liberdade para perambular por ali, explorando a cidade e o campo. Nas
grandes cidades como Stuttgart e Cologne, mamãe ficava uma pouco
estranha sobre mim vagando sozinha, o que significaria que eu não
podia ver nenhum castelo ou outras coisas legais (museus de tortura –
adequados eu diria) sem esperar por ela para ter tempo para me levar.
Havia também muito mais pessoas nas grandes cidades do que nas
pequenas. Você acharia que um monte de pessoas seria um bom lugar
para se desaparecer nela, mas eu descobri que mesmo em um praça
muito ocupada em Frankfurt ou Cologne, cercada de centenas de
pessoas andando, rindo, conversando, se beijando – mesmo
mergulhada no meio disso, eu ainda me sentia diferente. Eu não era um
deles. Eu não me misturava. “Sapos com grandes verrugas gordas,” eu
praguejei enquanto eu chutava o engradado de plástico atrás de trailer
de Elvis, então fui para ver se Imogen estava de pé. Eu bati na porta de
alumínio e enfiei minha cabeça lá dentro. “Você está de pé?” “Fran!
Sim, eu estou de pé. Como você está se sentindo?” Eu subi alguns
degraus para o trailer e sentei na cadeira de rodinhas em torno da
pequena mesa dela. Ela estava bebendo um café com leite e brincando
com os restos de um pão pegajoso. “Bem.” Eu olhei para a porta
fechada de seu quarto. “Mamãe não estava acordada esta manhã, mas
Soren me disse que Ben me arrastou para fora da barraca principal
noite passada?” Ela tomou um gole de seu café com leite, seu rosto
suave e ilegível. “Sim, ele o fez.” Eu acenei. Pensei na escuridão
envolvente que tinha me ocultado de todos os outros, tinha Ben de
algum modo sentido nela. “Você se divertiu noite passada? Você
parecia como se o glamour estivesse funcionando em hora extra com
você.” Ela suspirou contentemente. “Foi tão maravilhoso, não foi? E
Jan – ele era o com todos aqueles músculos maravilhosos – ele era
uma delícia. Ele tem muitas boas qualidades. Nós fomos a um clube na
cidade depois que a banda terminou.” Eu não pude impedir o sorriso
para o olhar travesso em seus olhos. “Soa como se você tivesse mais
diversão do que imaginei. Eu estou feliz que você e Jan tiveram um
momento legal. Eu meio que pensei que você teria depois que ele
golpeou Elvis.” Ela gargalhou. “Aquilo não foi terrível? Eu lamentaria
sobre aquilo, mas eu não me pude sentir mais satisfeita que Jan tenha
acertado-o. Elvis é como uma praga sobre eu estar com outra pessoa, e
ele tem ficado pior nas últimas semanas.” “Ele está apaaaixoonadooo,”
Eu me demorei fazendo um grande apaixonado – piscando meus olhos
para ela. “É mais como cobiça isso. Eu não acho que ele saiba o
significado da palavra 'amor'.“ Imogen colocou sua xícara abaixo e me
deu um sorriso encorajador. “Já chega para mim. Você quer me dizer o
que aconteceu?” “Noite passada?” Eu mordi meu lábio inferior,
tentando pensar em um jeito de tocá-la sem ela perceber o que eu
estava fazendo, logo em seguida ficando zangada por que ela estava
oficialmente no topo da minha lista de suspeitos. “Um.” ela colocou
uma mão no meu pulso e deu nela um pequeno aperto amigável. “Fran,
você não tem que me dizer se você não quiser. Amigos não forçam seus
amigos a divulgarem segredos.” Amigos não colocariam seus amigos
no topo de uma lista de roubos suspeitos. Eu me contorci na cadeira.
“É só que eu estou preocupada. Benedikt estava muito preocupado
noite passada; ele disse que você estava em um estado de fuga, e que
tinha tido algum tipo de trauma psíquico. Eu só quero que você saiba
que eu estou aqui para você, se você quiser. Nós dois estamos.
Benedikt se importa muito com você, sabe. “Sim, bem, do jeito que ele
é, eu sendo sua Amada e tudo mais,” eu disse, totalmente e
completamente triste. Como eu podia pensar que o ladrão era Imogen?
Ela era minha amiga! Eu gostava dela. Eu confiava nela. Eu acreditava
nela. “A noite passada teve algo haver com sua investigação?” Eu fiz
outra daquelas caras de tromba. “Eu imaginei que você ouviria sobre
isso.” Suas sobrancelhas se levantaram levemente. “É claro que eu
ouvi sobre isso; eu ouço sobre tudo. É verdade que você concordou em
encontrar quem é ladrão?” Eu acenei, brincando com os dedos de
minhas luvas. “E você estava lendo as intenções das pessoas quando
você as toca?” “Algumas pessoas,” Eu admiti para meus dedos. Eu
odiava isso, mas eu estava contra a parede. A única outra pessoa em
minha lista era minha mãe, e eu sabia, eu sabia que ela não era uma
ladra. Além do fato que ela nunca roubaria, ela queria que a Feira
tivesse sucesso tão fortemente que não faria nada para a colocar em
perigo. “Quantos?” “Sete. Sete pessoas tocaram o cofre.” Eu olhei para
cima, tentando arrancar minha coragem vindo de onde ela tinha
engatinhado atrás de meu estômago. “Sete pessoas... incluindo você.”
“Eu?” Suas sobrancelhas realmente se levantaram com aquilo. Ela
pareceu completamente surpresa. “Eu não posso imaginar quando –
ah, sim. Eu pedi a Peter para colocar uma coisa no cofre para mim há
algumas semanas, e ele me deixou.” Eu pisquei algumas vezes, Isso
soava plausível, mas ao mesmo tempo, isso soava terrivelmente
conveniente. “O que ele? O que... Uh... O que era...? Ela sorriu “Era meu
testamento.” “Seu o que?” “Meu testamento. Uma distribuição dos
meus bens materiais.” “Eu sei o que um testamento é, mas geez,
Imogen, você é imortal! Você não vai morrer.” “Eu posso ser morta,” ela
disse, o fraco sorriso que tinha estado se prolongando em torno de
seus lábios desapareceu, enquanto ela traçava com um dedo ao redor
da borda da grande caneca de café com leite. “Você quer dizer que
alguém quer matar você também?” Ok, as palavras escaparam sem
meu pensamento estar nelas, mas tão logo eu as disse, um peso foi
erguido de meus ombros. Assim, todos os que sabiam sobre minha
maldição – Ben, mamãe, Imogen e Soren – sabiam que eu tinha voltado
a barraca na noite passada para encontrar o ladrão, mas a verdade era,
eu tinha ido especificamente para encontrar a pessoa que queria Ben
morto. Era um palpite que as duas pessoas fossem uma e a mesma.
“Também? O que você quer dizer, 'também'?” Eu olhei para a porta
fechada atrás dela. Ela congelou seus olhos ficando negros.
“Benedikt,” ela sussurrou. “Sim. Era isso que eu estava fazendo na
noite passada. Mais cedo, quando eu e Ben estávamos dançando, eu
senti alguém. Alguém que estava pensando no quanto, ele ou ela, iria se
alegrar enfiando uma estaca nele. Alguém realmente mau.“ “Quem?”
Ela perguntou, sua voz profunda e rouca. Os olhos dela tinham ficado
absolutamente negros agora, um brilhante e total preto. “Eu não sei,”
eu respondi, tirando uma de minhas luvas. “Eu queria saber, eu
realmente queria, porque quem quer que seja, é uma pessoa doente.”
Ela olhou para a luva descartada sobre sua mesa, então levantou seus
olhos para mim. A dor nos seus eram tão grande, que ela maculava o ar
entre nós. “Você quer me tocar. Você acredita que eu sou culpada.”
“Não em querer Ben morto, não. E não como o ladrão; é só que... ah,
sapos! Eu não sei o que é mais, Imogen. Tanto quanto eu possa dizer,
ninguém tem roubado o dinheiro, mas eu acredito que Absinthe e Peter
– eles não fariam isso. O que significa que alguém o tirou, de qualquer
forma um ladrão normal teria, ou por...” “Meios psíquicos,” ela
terminou, fechando seus olhos por um momento. Ela estendeu sua
mão. “eu entendo. Você tem que fazer isso, se só para sua própria
satisfação.” “Eu realmente lamento,” eu disse, odiando por escutar
seus pensamentos. “Eu serei rápida.” Meus dedos descansaram sobre
o ponto da pulsação em seu pulso. Instantaneamente eu fui inundada
pelo medo – medo por Ben, medo pelos antigos temores terem
começado novamente, medo que ela teria que fazer outra vida para si
mesma, medo que ela seria deixada sozinha. Misturado com a
preocupação em eu não aceitar quem ela era, e o papel que eu tinha
que desempenhar na vida de Ben. Eu puxei meus dedos de volta, mas
mais do que uma pequena sacudida, pela espiada dentro de sua mente.
”Me desculpe,” eu disse de novo. Ela meu deu um sorriso, um de
verdade, um cheio com compreensão e perdão, tão brilhante que fez o
interior do trailer se iluminar. “Está esquecido. Agora me diga tudo
sobre essa pessoa que você tocou. Não deixe nada de fora.” Eu não
deixei. Eu me abri por uma boa meia hora, dizendo a ela tudo, de
Absinthe tentando arrombar minha mente, a cada um que eu toquei a
dança com Ben... Era como se ela usasse uma daquelas drogas da
verdade em mim, só que eu queria dizer a ela tudo. “E é isso,” eu disse,
envolvendo tudo com meus poucos minutos passados com Karl. “Estes
são todos que estão na minha lista. Eu toquei todos eles, e nenhum
deles é o ladrão. Se eu não posso nem mesmo encontrar um ladrão
miserável, como eu posso encontrar um potencial assassino?” “Você
não tocou todos na lista,” Imogen disse, seus olhos firmes sobre os
meus. Eles estavam de volta ao seu original azul, que era tão azul
quando o céu lá fora. “Há uma pessoa que você não leu.” “Minha mãe?
Eu toque ela; eu a toquei há alguns dias atrás para encontrar suas
chaves. Eu saberia se ela estivesse pensando em tirar dinheiro...” “Não
sua mãe... Absinthe.” Eu fiz uma careta. “Sim, bem, eu a eliminei por
que não fazia nenhum sentido em ela ter feito um bafafá sobre o
dinheiro perdido. Peter não faz a contabilidade; ela faz então ele nunca
teria sabido se algum estava desaparecido, se ela não tivesse dito algo.
Além do mais, eu não acho que seria uma boa idéia tocá-la. Ela quase
entrou na minha cabeça... se eu estivesse tocando-a enquanto ela
tentasse isso, eu não acho que poderia mantê-la do lado de fora.” “Há
maneiras,” ela murmurou. “Sério? Ela tentou isso com você?” Eu não
pude me impedir em ficar curiosa. Imogen sempre pareceu tão sob
controle, tão forte, era com um espécie de surpresa saber que Absinthe
tinha tentado seus truques sobre ela também. “Ela tenta pelo menos
uma vez por mês.” Ela riu. “Sério? Mas... você disse que ela já sabe
sobre você. Por que ela iria querer entrar em sua cabeça?” “Eu não
tenho idéia, provavelmente poder. Ela sabe quem eu sou, sim, mas com
isso vem o conhecimento que ela deve ter raiva de mim, eu tenho meios
de trazer sua destruição.” “Você pode fazer isso?” Eu sentei, com uma
boca aberta de surpresa.” Então porque... porque...” “Porque eu
trabalho para a Feira, ao invés de viver em um apartamento luxuoso
cercada de lindas pessoas, e roupas e coisas, e montes de dinheiro?”
Eu acenei. Se alguém me estende a vida em uma bandeja de prata, eu
com certeza me atiraria se soubesse o que eu faria com ela. “Eu vivi
essa vida, Fran. É divertido por uns dez minutos; então a artificialidade
disso mancha tudo. Eu encontrei essa vida real, vida cercada de
mortais, é a única coisa que me traz satisfação. E ela me trouxe bons
amigos como você, afinal, e eu não trocaria sua amizade pelos mais
caros estilos de vida.” “Geez, Imogen,” eu disse, fazendo careta para
meus dedos, piscando realmente rápido para que ela não visse as
lágrimas. “Só me faça chorar, por que você não! E depois que eu te
tratei como uma suspeita e tudo...” “Você fez o seu trabalho, não se
culpe por isso. Agora vamos, vamos por nossas cabeças juntas sobre
este animal que deseja ver Benedikt morto. Diga-me de novo o que você
sentiu quando você tocou a pessoa.” Nós passamos os próximos vinte
minutos falando sobre tudo que eu achava sobre a pessoa (não muito)
e tudo que eu senti no breve momento do contato (menos ainda). Uma
idéia estava crescendo atrás de minha mente, só um pequeno
detalhinho de uma idéia, mas quanto mais eu tentei olhar para ele, mais
ele deslizava para longe de mim. Eu desisti disso e virei minha atenção
para coisas que eu podia lidar. Nós discutimos o problema de Absinthe,
Imogen insistindo que eu teria que tocá-la, eu jurando pelos altos céus
que eu preferia morrer do quer deixá-la saber a verdade sobre mim. “Ela
não pode feri-la se sua mãe e eu defendermos você - “ “Ela pode,
muito! Minha mãe faria qualquer coisa para ficar na Feira, o que inclui
me vender em um contrato de escravidão. Eu não confio em Absinthe
nem um pouco – se ela descobrir sobre mim, ela me terá fazendo o ato
Fran, Toque Esquisito, tão rápido que sua cabeça vai girar.” Imogen se
levantou. “Vamos lá acordar Benedikt, ele terá algumas idéias, e já que
você disse que o alertou sobre o atentado contra sua vida, ele pode ter
descoberto algo noite passada que possa ajudar você.” “Fran?” “Sabe,
ele provavelmente precisa do seu sono de beleza, depois de ontem à
noite. E falando nisso, eu tenho que correr. Já que é a nossa última
noite aqui, mamãe está organizando um círculo, e eu tenho que ajudá-la
cuidar disso. Ela provavelmente está de pé agora.” “Mas Fran – e sobre
a investigação? E sobre Benedikt?” Eu parei na porta. “Eu não vou
esquecer; não se preocupe. Eu gosto de Ben; eu não quero ver ele
empalado. Eu acho...” Eu parei o que eu ia dizer. Não havia jeito de
colocar em palavras o pensamento pulando dentro da minha cabeça,
quando eu não podia nem mesmo dar uma boa olhada nele. “Eu vou
pensar nisso um pouco, ok? Você também. Se você chegar a alguma
coisa, me deixe saber. Eu te vejo mais tarde.” “Você irá me ver daqui a
meia hora, ou você se esqueceu do show para as crianças?” “Merda,”
Eu xinguei. Eu tinha esquecido. Peter fez um trato que no final de cada
temporada, nas cidades com um hospital, alguns do pessoal da Feira
passariam algumas horas fazendo mágica e ilusões para crianças
doentes. Ele disse que era um bom modo de promover a caridade e
tudo o mais, mas a verdade era que Peter era um velho de bom coração,
e ele gostava de alegrar as crianças doentes. “Você realmente precisa
de mim? Você pode ler palmas por si...” “Você é minha aprendiz,” ela
apontou. “O que significa que você tem que vir comigo. Será só por
algumas horas, Fran, e nós poderemos aprender algo. Todos na sua
lista estarão lá.” Havia isso. Eu nunca tinha estado em uma das visitas
a hospital, já que a idéia de pessoas doentes me dava calafrios, mas
mamãe tinha ido todas às vezes. “Ok. Eu estarei pronta. Te vejo
depois.” A próxima hora passou muito rápido. Eu ajudei a minha mãe a
desenhar o círculo no chão na sua barraca, colocando as flores e velas
de invocação, evitando suas perguntas sobre o que aconteceu na noite
passada. Ela não perguntou muito, o que me fez acreditar que ela e Ben
tinham tido uma pequena conversa sobre mim enquanto eu estava
desmaiada, algo que fez me sentir quente e desconfortável quando
pensava sobre isso, então não o fiz. Mamãe e Imogen e eu andamos
juntas para a cidade, seguindo os outros carros para o grande e feio
hospital verde. Eu mantive minhas mãos para mim mesma, com medo
do que poderia se infiltrar através da proteção das minhas luvas se eu
tocasse em algo. O show para as crianças na verdade foi muito
divertido. Era tudo ilusão, com apenas um pouco do notável toque de
mágica que absolutamente parou o show. As crianças, enfermeiras e
médicos preenchiam cada uma das grandes alas, crianças em cadeiras
de rodas, em cadeiras regulares, apoiadas em camas, até mesmo
algumas sentadas no chão sobre grandes almofadas. Eu imaginei que
todos estariam se lamentando e gemendo e próximas a morte, mas a
ala era pintada de azul e amarelo, com brilhantes borboletas coloridas
espalhadas pela sala. As crianças por si mesmas pareciam bastante
alegres, algumas usando bonés para cobrir suas cabeças carecas,
outras usando máscaras, algumas com estranhas engenhocas, quase
todas com soro ligado a elas, mas cada uma delas tinha um sorriso
quando o show começou. Eu comecei a ver por que todo mundo
aguardava com interesse as viagens de Peter ao hospital. Karl e Kurt
fizeram algumas ilusões impressionantes que fizeram as crianças
arfarem – coisas como gaiolas canários virando em um grande coelho
rosa (o nome da coelha era Gertrude, no caso de vocês estarem se
perguntando), fazendo chuvas de confetes voarem dos mais
improváveis lugares, derramando leite dentro de alguns bonés das
crianças, só para exibi-los de dentro para fora, e mostrar a eles que
estavam secos, esse tipo de coisa. Mamãe ensinou a todo mundo
feitiços de crescimento de flores, e distribuiu fraquinhos de felicidade.
Elvis fez alguns truques de cartas, incluindo um em que ele foi
colocado em uma camisa de força, para que ele não pudesse manipular
as cartas, e ele ainda conseguia criar as cartas que três voluntários
tinham escondido. Eu me senti um pouco mal por não ter ajudado Elvis
na última noite depois de vê-lo fazer os truques de cartas – ele tinha um
enorme hematoma embaixo de um olho, onde Jan tinha o socado. Para
dizer a verdade, eu estava um pouco surpresa que ele fosse parte do
show, já que eu não sabia que ele fazia mágica, mas o olhar adorador
que ele jogava para Imogen explicava muito. Não havia dúvidas que ele
estava ali para impressioná-la. Imogen e eu lemos algumas palmas, eu
com minhas luvas vestidas, tentando fazendo meu melhor para soar
otimista e positiva sobre crianças que provavelmente não teriam uma
vida longa a frente para elas. Imogen fez um trabalho muito melhor para
mim – as crianças que ela leu estavam rindo no momento que tinha
terminado com elas. O ato de Peter e Soren foi o final do show, e
embora a maioria disso fosse ilusão, o último que Peter fazia era o meu
favorito exemplo de pura e não adulterada mágica. Cada vez que eu o
via, ele me dava arrepios, levantando os cabelos das costas de meu
pescoço com sua simplicidade. “O que eu tenho aqui?” Peter
perguntou, segurando acima dois ovos, traduzindo suas palavras para
o húngaro. “Tojások!” As crianças gritaram. “Ovos!” “Quem quer
escrever seus nomes sobre os ovos?” Duas dúzias de mãos se
levantaram. Soren e Peter andaram ao redor, deixando algumas das
crianças assinalarem os ovos com diferentes marcadores coloridos. “E
o que acontece quando eu quebro os ovos em uma tigela?” Peter
quebrou ambos os ovos em uma tigela de vidro transparente,
cuidadosamente colocando as cascas de lado. Ele segurou a tigela
acima para que todos pudessem vê-la, caminhando ao longo da fileira
da frente, permitindo as pessoas olhar. “Agora, eu tenho aqui um garfo
mágico! Ele é mágico por que ele pode virar tanto para frente” – ele fez
um círculo horário com o garfo - “e para trás.” O garfo fez um círculo
anti-horário. “Quando eu coloco o garfo mágico dentro dos ovos, ele os
mistura!” Eu esfreguei meus braços, sentindo os arrepios começarem.
As crianças assistiam enquanto Peter movimentava os ovos com o
garfo, fazendo seu balbuciar padrão sobre como a mágica vinha de
cada um de nós, um poder que todos têm, mas que poucos sabiam
como liberar. A maioria das crianças assistia com olhares extasiados
em seus rostos; umas poucas rolaram seus olhos como se soubessem
o que iria acontecer. Eu sorri para mim mesma. Elas não tinham idéia.
Peter bateu os ovos em uma espuma amarela, então deu a tigela para
Soren passar ao redor. “O que você consegue quando você bate
ovos?” Ele perguntou a multidão. “Ovos mexidos!” As crianças
gritaram de volta. “Isso mesmo. Todo mundo viu? Sim? Os ovos estão
batidos? “Sim,” todos gritaram, até mesmo os médicos e as
enfermeiras. Eu sorri para Soren. Ele sorriu para mim. “Ah, mas vocês
se esqueceram, este é um garfo mágico! Ele pode funcionar para
frente... E para trás.” Peter colocou o garfo na tigela e começou a bater
os ovos de novo... Na direção oposta. Eu esfreguei os arrepios em
meus braços, observando os olhos das crianças crescerem mais e mais
enquanto os ovos começavam a se colocarem em ordem. Isso era
mágica, pura e simples, e ela era maravilhosa. Eu entendia agora por
que os mágicos faziam o que faziam – o espanto sobre o rosto da
audiência era uma coisa maravilhosa de se ver. Peter puxou seu garfo
da tigela, segurando-a acima, então todos poderiam ver os dois ovos
perfeitamente inteiros nela. “E agora eu dou nos ovos um toque mágico
com o garfo mágico...”
Usando as duas cascas, ele recolheu um ovo inteiro, bateu nele com o
garfo, e o estendeu para uma criança que ele acenou a frente. A criança
olhou para o ovo com olhos enormes enquanto Peter recolocava na
casca o segundo ovo, passando aquele ao redor, também. Eu sabia que
todos que examinaram os ovos encontrariam – dois ovos perfeitamente
inteiros, assinado com os nomes do público. Não havia nenhum
truque, nenhuma ilusão, nenhuma troca dos ovos quebrados pelos
inteiros – eles eram os mesmo ovos, os exatos mesmos ovos,
quebrados, mexidos, reordenados, feitos inteiros novamente. Mágica,
huh? Sim. Ela é bem legal Ela é também um grand finale dos diabos.
Todo mundo estava falando animadamente quando nos preparávamos
para partir. Eu sei que as crianças se divertiram, mas o que me
surpreendeu foi o quanto de diversão eu tive. Nós estávamos cercados
por um bando de crianças que eram tão diferentes quanto eu era, só
que elas estavam morrendo por causa de suas diferenças, e mesmo
assim nenhum deles pediu para alguém usar mágica para fazê-las
melhorarem; nenhuma delas pediu para mamãe fazer a dor ir embora,
ou o câncer desaparecer, ou suas células sanguíneas voltarem a ser o
que elas deveriam ser. Elas apenas riram e se divertiram, e aceitaram
tudo o que lhes foi oferecido. Mamãe e Imogen tagarelaram no caminho
de volta a Feira. Eu as deixei, tentando descobri o que era que estava
agitando ao redor das costas de meu cérebro. Era alguma coisa
importante, alguma coisa que eu vi, mas perdi vendo, se você sabe o
que eu quero dizer. Algo haver com o que estava acontecendo, mas eu
não podia imaginar como, ou a quem ela se relacionava, ou até mesmo
por que isso importava. Ela apenas... Era.
Capítulo 11

Eu tentei localizar a idéia mais tarde naquele dia, mas o último dia é
sempre um tempo corrido, geralmente a noite mais atarefada de nossa
estadia. “Hei!” Soren me chamou logo depois do almoço. Ele segurava
uma rédea. “Quer cavalgar?” Eu olhei para minha mãe. Ela estava
fazendo amuletos de boa sorte. “Você precisa de mim?” “Não, vá se
divertir. Você trabalhou duro esta manhã.” Eu dei um pulo. Ela me parou
com uma mão sobre meu pulso. “Franny, eu quero...eu quero te
agradecer.” “Pelo que?” “Por se juntar. Por fazer parte de Feira. Eu sei
que você gosta de se manter afastada de todos, mas sua participação
em nossa nova vida significou muito para mim. “Então...obrigada.” Eu
resmunguei alguma coisa e escapei, perguntando como ela poderia ser
uma bruxa inteligente e ainda tão sem noção sobre mim. “Eu fui
chantageada para me juntar,” eu destilei azeda enquanto eu corria para
onde Soren tinha colocado uma rédea em Bruno. “Não é como se eu
tivesse uma escolha, nem nada.” “Um escolha sobre o que?” Ele
perguntou enquanto eu pegava a rédea que ele colocou próximo a
Tesla. “Nada, não importa. Como essa coisa funciona.” Ele me mostrou
como colocar a rédea. Tesla não estava particularmente interessado na
idéia toda, mas Soren me mostrou como encontrar o ponto na
mandíbula de Tesla que eu poderia pressionar para fazer ele abrir sua
boca e então eu pudesse deslizar o freio dentro. Nós ajustamos as tiras
até que a rédea se encaixou; então eu pulei em uma rocha e subi nas
costas de Tesla enquanto Soren segurava ele firme. “Whoa, cavalo
grande,” eu disse, minha rígida musculatura interna imediatamente
gritando em um protesto por sentar escancarada atrás em suas costas
largas. As rédeas saíram de minhas mãos, deslizando de seu pescoço
para suas orelhas enquanto ele abaixava a cabeça para o chão. Eu me
inclinei a frente para pegá-las, e imediatamente cai. Tesla me ignorou.
“Você!” Eu apontei para Soren, que estava sentado confortavelmente
nas costas de Bruno. “Pare de rir. Você!” Eu apontei para Tesla.
“Prepare para ser cavalgado. Isso é uma guerra, cavalo.” Eu fiz três
tentativas, mas na última eu me assentei nas costas de Tesla. Ele não
estava terrivelmente feliz sobre deixar toda aquela grama adorável
esperando para ser comida, mas com algumas instruções gritadas por
Soren, nós logo estávamos trotando ao redor da grande área aberta da
campina, onde mais tarde os carros iriam estacionar. “Isto...ow...isto
é...ow...isto é um pouco difícil nos...ow...dentes,” eu disse, uma vez que
me senti segura o suficiente para parar de agarrar a crina de Tesla.”
Isso é um...ow!...pouco mais difícil sobre as coxas, também.” “Este é o
porquê você precisa de uma sela,” Soren disse, apesar de eu perceber
que ele não estava fazendo caretas como eu estava. “Então você pode
se posicionar. “Pode posicionar o que?” “Pode posicionar – é a
maneira que você se move para o cavalo trotar. Faz isso mais fácil para
seu traseiro.” “Ah. Deus. Meu traseiro podia aproveitar mais
facilmente.” Eu me mexi um pouco ao redor das costas de Tesla,
tentando achar uma posição confortável, minhas pernas apertadas
sobre ele, enquanto eu tentava mudar de lugar em sua espinha dura. De
repente sua cabeça veio para cima e seu pescoço se arqueou enquanto
ele mudava para outra marcha. Eu sei, cavalos não tem marcha, mas ele
foi se movendo como se estivesse em uma estrada cheia de buracos
para uma que foi recentemente asfaltada. Seu trote suavizou então eu
mal estava abalada, enquanto ele meio que flutuava ao longo do terreno
com longas e envolventes passadas. Eu mantive minhas pernas
apertadas contra seus lados, insegura sobre o que tinha acontecido,
mas apreciando a nova marcha. “O que você está fazendo?” Soren
gritou. Eu olhei para trás. Ele tinha parado, sua boca pendurada aberta
em surpresa. “O inferno que eu sei,” eu gritei de volta, e afrouxei sobre
as rédeas. “Seja lá o que for, eu gosto!” Tesla fez um suave, e fluido
trote em um largo circulo ao redor de Soren e Bruno. Então tropeçou,
recuperou seu passo, e veio para uma abrupta parada como ele fazia.
Eu, é claro, imediatamente cai de novo. “Como você fez isso?” Soren
perguntou enquanto ele se aproximava. Eu me levantei, esfregando
meu traseiro. Por sorte – eu tinha caído sobre uma rocha. “Como você
fez ele se mover daquele jeito?” Eu agarrei as rédeas e comecei a
caminhar de volta em direção a pequena área onde os cavalos
pastavam. “Eu te disse, eu não sei. É algo que Tesla fez por sí mesmo.”
“Eu já vi isso antes,” Soren disse, mais para si mesmo do que para
mim. “Na TV. Testes para cavalos. Adestramento, como é chamado.”
“Tanto faz. Eu acho que eu tive o suficiente por – ah, ei, olhe, é Panna!
Essa é a garota que o avô possuiu Tesla,” Eu expliquei para Soren. Eu
levei Tesla para Panna, que cumprimentou ele com olhos marejados
(sem surpresa aí; eu tinha seu número agora. Ela era uma chorona – o
tipo que chorava por qualquer coisa). “Oi, Panna. Eu estava começando
a pensar que você não seria capaz de vir.” “Oi, Fran. Oi, Tesla. Você
está cavalgando ele.” “Você nos viu? Sim, nós estávamos trotando. O
veterinário disse que um pouco de exercício é bom para ele, desde que
eu não o force muito. Este é meu amigo Soren.” Soren disse oi, então
levou Bruno para ser preparado para o show da noite. Panna deu
tapinhas em Tesla, deu a ele uma maça, e conversou alegremente sobre
como seu avô costumava deixar ela cavalgar nele quando ela era uma
garotinha. “Você quer cavalgar ele um pouco? Eu não acho que ele vai
se importar. Nós não fomos muito.” Ela alisou seu bonito vestido azul e
branco. “Não, obrigada. Eu não estou vestida para cavalgar.” Eu olhei
abaixo para meu imundo short mal recortado e a desbotada camiseta
roxa com baba de cavalo nela, e decidi que era melhor se eu não
dissesse nada. “Tesla parece feliz, não parece?” Ela se moveu ao redor
para tocar seu nariz macio aveludado, gargalhando quando seus
bigodes fizeram cócegas em suas mãos. “Eu estou tão feliz que você
comprou ele. Ele será feliz com você.” “Eu acho que sim. Eu espero que
sim. Ele está comendo o suficiente, e o veterinário disse que ele está
em boa forma. Hei, enquanto eu estava pensando nisso, o que seu avô
disse sobre Tesla?' Ela acariciou a longa curva de seu pescoço. Tesla,
eu tinha vindo a perceber, era um grande canastrão que aceitava
atenção como aquela. Ele acenava sua cabeça sempre que alguém
parava de acariciar ele, observando você com aqueles grandes,e
imensos olhos castanhos que sempre pareciam estar secretamente
rindo. “O que meu avô me disse? Nada demais do que Tesla era muito
especial, muito especial.” Eu arranquei um pedaço de grama de sua
crina. “Especial, como? Especial, inteligente? Especial, rápido como
um cavalo de corrida?” Seus ombros se levantaram e caíram em um
encolher. “Vovô não disse nada. Ele só disse alkalmi. Especial.” “Huh,”
Eu tracei o L na bochecha de Tesla. “Você sabe o que um Lipizzan é?
Ela balançou sua cabeça. “Hmm. Eu não sei nada sobre eles, também,
além de que um amigo meu acha que Tesla é um. Acho que eu vou ter
que perguntar a ele o que um é.” Panna papeou um pouco mais, então
nos despedimos quando uma garota um pouco mais velha do que eu,
chamou por ela. “Esta é minha irmã, Jolan. Ela está vindo a Feira hoje a
noite, mas disse que eu não posso por que eu sou muito nova. Eu não
acho que eu sou tão nova, você acha?” “Quantos anos você tem?”
“Treze.” “Um...” eu pensei na barraca de piercing, na sala do calabouço,
nas pessoas amontoadas juntas, dançando sob a influência do
glamour. Eu podia ter só dezesseis, mas eu com certeza me sentia um
gazilhão de anos mais velha do que ela. “Sabe, poderia ser melhor se
você esperasse até que nós voltemos no próximo ano.” Ela fez uma
pequena careta, mas não teve tempo para discutir. Em vez disso ela
pressionou um pedaço de papel em minha mão.”
“Este é o meu endereço. Você vai me escrever. Eu gostaria de trocar
correspondência com você.” “Com certeza,” eu disse. “vou deixar você
saber como Tesla está indo, ok?” “Ok,” ela disse; então seus olhos se
encheram de lágrimas (de novo) e ela abraçou Tesla, me abraçou e
correu, enxugando seus olhos. Eu passei a próxima hora cuidando de
Tesla, comendo um rápido jantar com minha mãe, Peter, Soren, e
Imogen, então coloquei minha roupa cigana para a noite. Imogen disse
que eu parecia muito misteriosa na blusa e saia, e que as pessoas que
me deixariam ler suas palmas estariam mais inclinadas a acreditar em
mim se eu parecesse um membro. “Isso é estúpido,” eu reclamei,
enquanto eu aceitava o livro de quiromancia que ela tinha forçado em
mim. “Eu podia fazer uma absolutamente perfeita leitura usando meus
pijamas e meu roupão tanto quanto, se eu estivesse tocando elas, mas
ninguém vai acreditar em mim a menos que eu me pareça como
Esmeralda a Malvada Cigana?” “Não Esmeralda,” Imogen disse
enquanto ela se inclinava sua cabeça e olhava, quando eu apresentei
meu vestido cigano para sua inspeção. “Francesca a enigmática. Com
seu adorável cabelo e olhos escuros, você se parecesse muito como
um membro. Os clientes vão adorar você.” “Sim, certo,” eu disse, sem
acreditar em uma palavra. Eu dei uma olhada em direção às janelas. O
sol estava baixando, o céu riscado com o familiar pêssego, laranja e
vermelho brilhante. “Então....urn...quando Ben se levanta?” Ela sorriu
um 'você gosta do meu irmão, não é?' sorriso para mim. “Se nós
fechássemos as cortinas, ele poderia sair do quarto agora. Você
gostaria que eu visse se ele está acordado?” “Naw,” eu disse. “Não é
importante. Talvez eu o veja mais tarde.” “Não se esqueça do livro!” Eu
fiz uma careta mas agarrei ele, acenando enquanto eu cambaleava para
a porta. Mamãe queria me apresentar a algumas de suas amigas wiccas,
então eu fiz uma breve aparição em nosso trailer, onde todas estavam
reunidas para um lanchinho pré-ciclo. Mamãe organizava círculos uma
vez ao mês e muitas vezes na última noite que nós estávamos em uma
cidade. Quando ela soube que lá estariam um monte de bruxas para
formar um círculo poderoso o suficiente para ter um efeito. Ok, a
palavra para vocês que estão neste momento surtando – só que como
tudo neste mundo, há bruxas boas e as más. Alguns as chamam de
Wiccas; alguns as chamam de sacerdotisas da deusa. Elas são todas
basicamente o mesmo – bruxas. Minha mãe, é claro, praticava boa
mágica da terra, eles chamam assim. Pagão são muito bons em todo
tipo de coisa. Quando ela e suas companheiras bruxas/ wiccas/ ou
tanto faz o que conseguem juntas, elas organizam círculos para praticar
suas magias. Uma bruxa por si mesma pode fazer mágica limitada, mas
um círculo...bem, me deixe apenas dizer que você não vai querer ir
contra um círculo se você tiver feito algo mau. Houve um cara em
Oregon, um desses religiosos – certos caras que pensam que todas as
bruxas são más e deveriam ser colocadas na cadeia ( ou pior), que
começou a agredir fisicamente as bruxas locais. Mamãe e sua gangue
formaram um círculo e cuidaram dele rapidamente. Eu ouvi dizer que
ele ainda está andando de costas, sete meses depois. Então eu fiz a
coisa encontrar-e-dar oi, sorri para todas as bruxas húngaras, e me
mandei antes que todas elas começassem a fazer bênçãos em mim. (o
grupo de mamãe era muito bom em bênçãos). Enquanto eu estava
saindo, umas das bruxas – uma idosa com cachos minúsculos cinza, e
uma realmente grande, e volumosa jóia – subitamente ficou tensa e
cheirou o ar como um daqueles cachorros de caça faz quando vêem um
pássaro. Ela disse rapidamente algo para minha mãe, que pareceu
confusa. Zizi, a amiga de minha mãe, que tinha vindo da Alemanha,
traduziu para ela. “Ela disse que ela cheira a algo horrível.” “Deve ser
Davide. Ele tem gases quando ele come muito peixe.” Eu disse. Davide
me atirou um olhar que mataria uma pessoa normal. Todos ignoraram
minha piadinha. A mulher da grande jóia disse algo mais. Os olhos de
Zizi ficaram grandes enquanto todas no trailer caiam em silêncio. “Bella
disse que ela cheira a sujeira.” Sujeira? Eu não acho que ela esteja
falando de alguém que perdeu sua ducha da manhã. Eu olhei para
minha mãe. Ela estava muito preocupada. “Suja como, Zizi? Suja com
em impura, ou suja como em - “ Mamãe acenou sua mão ao redor -
“amaldiçoada?” Bela fez um show de cheiração no ar de novo.
“Kárhozott,” ela disse. Todas arfaram. “Amaldiçoada.” Zizi sussurrou.
“Erp,” eu disse. E significa isso. “O que você está fazendo?” Eu parei
de cheirar o ar e me virei. Ben estava inclinado contra um dos postes
que mantinham a barraca em pé. “Tentando encontrar alguma coisa
amaldiçoada. Você parece maravilhoso, como sempre. Você
provavelmente nunca teve um dia de cabelo desgrenhado em toda sua
vida, teve? Eu aposto que você nunca teve nem mesmo espinhas. Você
é lindo demais para espinhas, que provavelmente tem medo de se
aproximar de você.” Uma sobrancelha de ébano zarpou para cima.
“Obrigado. Eu acho. Você parece...bem.” Eu cruzei meus braços. Eu
parecia tão boa quanto eu era, e nós dois sabíamos disso. “Bem? Só
bem? Eu estava linda a outra noite.” “Sim, você estava, mas eu nunca
tinha visto você em 'coisas de garota' antes, e agora eu vi.” Minhas
narinas – por vontade própria, eu vou deixar você saber, queimou com
a raiva. “Bem, que pena, tão triste; isso é, até onde vai, a minha coisa
de garota.” Ele sorriu um de seus sorrisos maldosos, aquele que me
fazia esquecer que eu não queria um namorado, especialmente um que
pensa em relacionamento em termos de séculos. “Eu tenho uma coisa
para você.” Eu olhei para o que ele estendeu para mim. “É um anel.”
“É.” “É bonito.” “Eu gosto dele. Eu espero que você também.” Eu dei
um passo a frente e espreitei dentro de sua mão. “Que tipo de pedra é
essa?” “Um rubi.” “Ah. Estas sãos das tipos caras, não são?”Sua mão
nunca vacilou. O anel assentado sobre sua palma brilhou um quente
vermelho para mim. A pedra era colocada em uma faixa de ouro escuro,
palavras em uma escrita pomposa envolviam em torno dele. “Está e a
mesma tatuagem que você tem.” “Sim, é. Você vai pegar ele?” Eu
mantive meus braços cruzados e considerei-o. “Isso depende. Ele
parece antigo. Ele pertenceu a mais alguém?” “Sim. A minha mãe. Eu
quero que você o tenha, Fran. O anel não vai causar a você nenhuma
dor. Eu te prometo.” Por sua própria vontade, minha mão se estendeu e
o pegou. Ele era pesado e quente, um calor reconfortante. Um rosto de
uma mulher passou perante meus olhos, seu cabelo escuro como o de
Ben, uma mulher sorridente, uma mulher feliz. “Sua mãe era bonita.”
“Eu acho que ela era.” Eu mantive meus olhos nos dele, o anel pulsava
com a lembrança da vida em minha mão. “Ela amava muito seu pai.” Ele
nada disse, apenas me olhava. “Mas ela morreu. Eu pensei que
Moravians fossem imortais.” “Eles são. Minha mãe não era uma
Moravian.” Eu olhei abaixo, para o anel. Eu gostei dele. Ele era legal. Ele
estava certo: tocar ele não me trouxe nenhuma dor. “Ela não era a
Amada de seu pai?” “Se ela fosse, eu não seria o que sou.” “Huh?” Ele
deu um passo a frente, pegando o anel de minha mão esquerda,
deslizando ele sobre meu polegar, e então sobre meu indicador, em
seguida sobre meu dedo do meio, onde ele o deixou. O anel esquentou
por um segundo, então se apertou ao redor do meu dedo até que ele se
ajustou seguramente. “Agora você parece encantadora. Dark Ones que
encontram suas Amadas são redimidos. Seus filhos não nascem
carregando o pecado de seus pais.” “Ah, eu vejo. Mas sua mãe amava
seu pai. Como ela podia fazer isso se ela não era sua Amada?” Um flash
de dor escureceu seus olhos por um segundo. “Wu não posso dizer a
você o porquê, eu só sei o que foi. Ela o amava. E ela era feliz com ele.
Ela iria gostar que você tivesse esse anel.” Eu olhei abaixo para minha
mão, onde o anel se assentava. Ele parecia correto, como se
significasse que devesse estar ali. “Isso não significa que nós estamos
noivos ou algo assim, certo? Que a coisa estranha do dedo que você
fez não é alguma cerimônia estranha Moravian, é? Por que se é isso, eu
não posso ficar com ele.” “Não, isso não significa que nós estamos
noivos.” Você notou que ele não respondeu a minha segunda pergunta.
Eu notei, também. “Isso não significa que nós estamos namorando?”
“Nem namoro.” “Um anel da amizade, é tudo que ele é, certo?” Ele
enfiou meu cabelo atrás de minha orelha. Eu decidi não avançar o
ponto. Ele se inclinou a frente, só um minúsculo inclinar a frente. “Você
vai me beijar?” eu perguntei, incapaz de manter minha boca de botar
pra fora tudo que eu pensava. “Você quer que eu o faça?” ele
perguntou, sua respiração soprando em meu rosto.
Minha Fran interior começou a virar cambalhotas de alegria. Eu disse a
ela para tomar um Valium25 e me chamar de manhã.” “Sim. Não. Eu não
tenho certeza. Qual era a pergunta?” ele se inclinou a frente mais outra
fração. A Fran interior caiu na festa, completa com balões de bichinhos
e sundae de sorvete. Seus lábios eram quentes e suaves sobre os
meus, me provocando, me implorando para aceitar eles, para acariciá-
los, para ceder a sua paixão sedutora. Ele me beijou até que minha
cabeça começou a flutuar; então quando ele tinha terminado de me
beijar, ele me segurou enquanto eu tentava fazer minhas pernas me
sustentarem. “Garoto, você com certeza aprendeu um bocado sobre
beijos em trezentos e doze anos.” Eu disse, uma vez que eu tive o meu
fôlego de volta. Ele sorriu. Era um daqueles sorrisos presunçosos
masculinos, mas eu deixei ele se sair bem dessa. Qualquer cara que
beijava como ele, merecia ser um pouquinho presunçoso. “O que
acontece com suas presas?” Eu perguntei. “Ah, geez, eu não disse isso
alto, disse?” Seus lábios ondularam. “Sim, você disse.” “Me desculpe.
Eu estou uma idiota hoje. Você vai ter que me desculpar. Eu não sou
normalmente tão palerma.” Eu olhei acima para ele. “Um. O que
acontece com elas?” “O que acontece com elas quando?”

25 N/T: Valium – marca de um calmante forte.

“Você sabe, quando você não está usando elas. Elas se encolhem
como os de uma cobra? Elas reaparecem em suas gengivas? Elas
crescem quando você precisa delas?” “Isso realmente importa?” “Não.
Eu acho que não. Eu só tipo me perguntei.” “Quando eu preciso delas,
elas estão lá. Isso responde sua pergunta?” “Não de verdade, não, mas
eu acho que seria rude eu forçar nisso, huh?” Seu olhar disse que
seria. “Eu tenho uma pergunta para você: o que você estava tentando
executar noite passada?” “No meio da multidão, você quer dizer?” Ele
acenou. Eu dei alguns passos para trás, só por que a Fran interior
ficava toda bamba quando ela está tão perto dele. “Ah. Eu meio que
sabia que você perguntaria sobre isso. Você tem alguns minutos?”
“Tantos quantos você precisar.” Eu disse a ele sobre o trato que eu
tinha feito com minha mãe e Absinthe. Eu não, entretanto, disse
explicitamente a ele que eu estava caçando o ladrão na barraca
principal. Eu decidi que se ele não podia mentir para mim, não era bom
para mim mentir para ele. Então, eu só insinuei que eu estava caçando
o ladrão. Infelizmente, Ben não era burro. “Você estava procurando pelo
ladrão quando você retornou a barraca principal noite passada?” Eu
tentei sua política de silêncio para ver como isso funcionava. “Fran, o
que você estava fazendo na barraca na noite passada?” Suponho que
eu não fiz isso do jeito certo. Eu dei um pequeno suspiro. “Eu acho que
o ladrão e a pessoa que quer matar você, é a mesma pessoa. Eu estava
procurando por ele. Ou ela. Quem quer que seja.” Seus olhos ficaram
absolutamente negros – não um negro brilhante como quando ele me
beija, mas um principalmente irritado, pau da vida, tão-negro-que-
nenhuma-luz-vinha-deles negro. “Você está tentando encontrar a
pessoa que me quer morto.” Eu virei minhas costas para ele e caminhei
uns poucos passos, olhando acima para as estrelas como seu não
tivesse um vampiro realmente p da vida atrás de mim. “Talvez.” O
vampiro p da vida estava em frente a mim de repente, movendo-se tão
rápido que eu não pude ver ele, suas mãos fortes em meus braços.
“Não é para você me proteger, Fran. Esse é o meu dever.” Eu me afastei
de seu aperto. “Olha, você pode pensar que há algo entre nós, mas não
há. E se houvesse eu não concordaria com isso, entendeu? Então você
pode cortar fora toda essa macheza sobre quão grande e forte você é
protegendo a fraca e pequena eu. No caso de você não ter notado, eu
não sou pequena nem fraca. Eu posso resolver meus próprios
problemas. Eu posso tomar conta de mim mesma.” “Você não sabe do
que você está falando -” ele começou a dizer. Eu o interrompi. “Ah,
então agora eu sou burra assim como eu sou fraca? Obrigada Ben. Não,
realmente, obrigada aos montes.” Eu virei e caminhei em outra direção.
Sua voz me ferroando as costas como um chicote, me fazendo parar.
“Você é fraca, Fran, fraca quando isso se trata dos poderes das trevas e
aqueles que se utilizam deles. Você não tem noção de quão perigosa é
essa pessoa. Se você vai ou não gostar disso, nós estamos ligados, e
eu vou proteger você o melhor que eu posso, e isso inclui fazer você
parar essa investigação sobre o roubo.” “Ha!” Eu marchei de volta para
onde ele estava todo rígido e carrancudo. Uma parte da minha mente –
a Fran interior – estava desmoronando em si mesma sobre quão
poderoso e mortal ele parecia; a outro parte – a parte sã – comentou
para si mesma que era estranho que não importava o quanto
ameaçador Ben estava, eu me sentia perfeitamente segura com ele.
“Você não pode me fazer parar, garoto presa! Eu fiz um trato com minha
mãe e Absinthe pela investigação, e é isso que eu estou indo fazer.”
“Você vai se matar...ou pior.” “Não há nada pior do que a morte, exceto
talvez tendo que repetir o 2º ano de novo.” Ele nem mesmo bateu uma
pestana com minha piada. Homens! “Você não tem idéia dos perigos
neste mundo, Fran. Você não tem nem mesmo a mais básica, e
rudimentar habilidade de defesa, defesas que sua mãe deveria ter
ensinado a você.” Eu dei de ombros. Ele não se mexeu, nem um
centímetro. Era como se ele fosse feito de pedra ou algo assim.
“Ninguém mexe com minha mãe além de mim, entendeu? Ela não fez
nada de errado.” Seus olhos por pouco cuspiram negro para mim. “Ela
nem mesmo ensinou você como proteger sua mente contra os outros!
Está e a mais básica das habilidades, e ainda assim você não a sabe.
Você sabe que sem nenhuma barreira de proteção, não há maneiras
para manter a si mesmo longe de danos quando enfrentar alguém mais
poderoso do que você - “ “Mamãe não sabe como fazer barreiras! Ela
perguntou a Imogen sobre elas, mas sua irmã não disse a ela como
fazer isso. Como ela pode me ensinar sobre algo que ela não sabe?”
Agora ele realmente estava me deixando p da vida. Eu admito que eu
estava curiosa sobre minha mãe não ter me dito como proteger minha
mente, mas ela provavelmente não sabia que havia esse tipo de coisa.
“Então eu vou mostrar a você!” Ele gritou para mim. “Ótimo!” eu
aumentei o tom de volta para ele. Nós dois ficamos parados lá,
encarando um ao outro, respirando com um pouco de dificuldade por
causa da nossa briga. Ele fechou seus olhos por um segundo, então
abriu eles. Não estava tão negros quanto eles estavam antes. Ele tocou
minha bochecha, só um pequeno toque de borboleta, mas eu o senti no
caminho até meus pés. “Eu não posso perder você, Fran. Se alguma
coisa acontecer a você -“ Eu dei um tapa em sua mão. “Qual é a
barreira, cara durão?” Ele me mostrou. Quando você desenha uma
barreira, você segue um padrão básico, mas cada pessoa faz uma
pequena mudança nela, algo único que só ele ou ela sabe. Ben me
observou desenhar uma barreira básica, então me disse para adicionar
algo mais, outra coisinha que fosse só minha. Eu tentei algumas
curvas, alguns mergulhos extras no meio. Ele me fez fazer a barreira
personalizada mais e mais de novo, até que eu a tinha memorizada.
Minha Fran interior apontou que o pedacinho personalizado era o nome
dele, escrito em letra cursiva. Eu disse para ela tomar conta da sua
vida. “Tente ela de novo,” Ele rebateu, ainda obviamente irritado
comigo. Isso estava bom para mim, por que eu estava ainda chateada
com sua atitude de Sr. Protetor. “Você ainda não estava fazendo ela
certo.” “Eu estou sim! Eu a desenhei exatamente do mesmo jeito!”
“Você tem que acreditar no poder da barreira, em sua habilidade de
desenhar ela. Sem que você esteja apenas acenando seu dedo no ar.”
Eu senti como se gritando com ele. Deusa acima existe alguém tão
chato quanto um vampiro intrometido? “Eu estou tentando, ok! Sai de
cima de mim!” “Faz ela de novo!” Ele rosnou. “Tudo bem, eu vou. E
então quer saber o que? Eu estou deixando você! Eu nunca mais quero
ver você de novo, entendeu isso? Nunca!” Eu joguei tudo que eu tinha
na barreira, todas as minhas emoções, todos os meus pensamentos,
toda a minha vontade, cada último pedaço de desejo que eu sentia de ir
para casa e rastejar atrás dos meus belo, e seguro mundo pequeno.
Então eu tracei o último símbolo, a última curva, a barreira chamejou
para vida no ar entre nós, um intrincado padrão em ouro que
lentamente se dissolveu, partícula por partícula até o nada. A barreira
estava desenhada. Eu estava protegida. “Feliz?” Eu rebati. “Nem
mesmo remotamente.” Ele rugiu. “Dane-se.” Eu disse entre meus
dentes, e me afastei. “Onde você está indo?” ele gritou atrás de mim.
“Para meu trabalho!” Eu gritei de volta, e voando em direção as luzes
brilhantes da Feira.
Capítulo 12

Sim, ok, então você viu o meu grande ato. A verdade era, eu estava com
tanta raiva de Ben e sua atitude 'você vai parar essa investigação por
que você é uma garota e eu sou um vampiro' , que eu corri sem pedir
sua ajuda, que eu tinha finalmente decidido que eu faria por que,
honestamente, o que tem de bom em ter um vampiro mansinho ao
redor, a menos que você coloque ele em uso de vez em quando? Então
lá estava eu, marchando de volta em direção a Feira, parecendo
realmente segura e tudo mais, quando por dentro eu estava me
perguntando que diabos eu estava indo enfrentar Absinthe sem um
pouco de ajuda de meus amigos (ou seja, Ben.) Eu estava tão focada
em gritar para mim mesma – e pensando na s últimas boas respostas
para os comentários sarcásticos de Ben – que eu corri direto para
Imogen antes que eu a visse. “Fran, me desculpe; eu não vi você.”
Evidentemente eu não era a única que estava andando por ai toda
introspectiva. Imogen parecia zangada o suficiente para matar, seus
olhos azuis cintilavam com a raiva. Ela segurava um pedaço amassado
de papel na mão. “Você viu Benedikt?” “Sim, a poucos minutos atrás,
sobre a barraca principal. Qual o problema? Você parece de saco cheio
com alguma coisa.”
“Eu estou de saco cheio; eu estou tão de saco cheio que você poderia
me chamar de Gouda26.” Ela empurrou o papel para dentro de minhas
mãos. “Leia isso. Você já leu alguma coisa tão ridícula em sua vida?
Que coragem a dele!” Eu desamassei o papel e li o curto bilhete
impresso.Minha amada Imogen, eu comecei. Eu olhei abaixo para ver a
assinatura dele (Elvis), então olhei acima. “Um...você quer que eu
realmente leia sua carta de amor?” “Isso não é uma carta de amor,” ela
disse, rangendo seus dentes nas palavras. Ouch! Eu li a carta alto.
'Minha amada Imogen, a tempo eu tenho esperado que você perceba
que eu sou o homem cuja vida está predestinada a você, mas vez e
outra você insiste em ostentar sua infidelidade perante mim. Isso vai
acabar, esta noite, de uma vez por todas. Você vai me encontrar na
parada de ônibus para Kapuvár à meia-noite.' Na parada de ônibus? Ah,
aquela na estrada para cá. Isso é perto de onde eu encontrei Tesla. 'De
lá nós iremos a cidade e estaremos casados de uma vez por todas.
Você é minha, Imogen, e eu não pretendo dividir seus encantos. Seu
devotado Elvis.’ Menino, que imbecil. O que é que há com esses caras e
seus jeitos mandões?” “Ele é maluco, isso é o que ele é, maluco! Eu
não sou dele. e ele não é o homem destinado a mim, e eu terei Benedikt
dizendo a ele de uma maneira que vai garantir que Elvis não vá me
incomodar novamente.”

26 N/T: Gouda – um tipo de queijo. Também uma cidade neo-zelandesa.

Eu olhei abaixo para o papel em minha mão descoberta. A carta estava


impressa, então eu não podia absorver as emoções que em uma que
estivesse escrita teria, mas mesmo assim eu podia sentir a
determinação de Elvis em ter Imogen. Eu a dei de volta para ela. “Sim,
bem, eu acho que Ben pode por o temor pela deusa em Elvis.” “Não é a
deusa que Elvis deve temer quando Benedikt terminar com ele,” Imogen
disse dramaticamente, agitando para trás sua juba de cabelo loiro. Ela
parecia diferente, de alguma forma, mais intensa, mais...apenas mais.
Eu aposto que era por que eu nunca tinha visto ela verdadeiramente
com raiva antes, que eu estava impressionada com sua fúria. “Eu vou
enviar ele para este pequeno encontro. Meu irmão é muito protetor com
aqueles que ele ama. Elvis vai em breve aprender o quão insensato é
cruzar com um Moravian.” Eu franzi meus lábios enquanto ela me
agradecia, e saia corredor abaixo, seus cabelo ondulando atrás dela,
uma firme indignação derramando dela em ondas. Eu quase senti pena
de Elvis...quase. “Como você tem alguma simpatia para distribuir por
qualquer um, quando você tem a mãe de todos leitores de mente para
encarar? Eu perguntei a mim mesma, então relutantemente virei em
direção ao pequeno quiosque onde eu sabia que Absinthe estaria
arrumando para venda de bilhetes. Eu encontrei ela deixando o
quiosque, dando a Tess, a garota da bilheteria, algumas últimas
instruções. Eu a observei por um minuto, tentando enrijecer meus
nervos para tocar ela. Eu pus minhas luvas de renda sobre minhas
mãos descobertas, então ela não notaria nada de diferente em mim,
lembrando a mim mesma que eu estava protegida por minha barreira e
podia manter Absinthe fora da minha cabeça (eu esperava), se ela
tentasse entrar nela. Eu tinha fé na barreira – eu sabia que Ben não me
levaria a sair do caminho com isso – mas eu também não estou muito
envergonhada em admitir que minha fé em meu sinal mental de Não
Ultrapasse estava um pouco abalado quando eu fui para estar
fisicamente em contato com Absinthe. “Você pode fazer isso Fran,” eu
sussurrei para mim mesma saindo da sombra, então Absinthe poderia
me ver quando ela se virasse. “É só uma pessoa, uma última pessoa.
Ela não pode machucar você.” Absinthe virou e veio em minha direção.
A Fran interior gritou e me pediu para fugir. A Fran exterior forçou um
sorriso e tentou parecer como se ela não estivesse indo vomitar. “Oí,
Absinthe. Eu tenho uma pergunta rápida para você, se você tiver um
mo!” “Um mo?” Ela parou, franzindo as sobrancelhas enquanto ela
escaneava além de mim. Ela normalmente fazia as rondas antes que a
Feira abrisse para ter certeza de que todos estavam onde deviam estar.
“Momento.” Ah. Você não está ajudando Imogen com a leitura das
palmas? Por que é que você não está na barraca dela?” “Ainda tem
quinze minutos.” Eu mastiguei meu lábio por um segundo, medindo
Absinthe. Realmente, ela era uma coisa minúscula, menor que Imogen,
mas você esquecia isso por que a personalidade dela era tão grande, se
você sabe o que eu quero dizer. Seu cabelo rosa espetado ajudava
também. Além do mais, não havia nada do que o conhecimento que
alguém pode trazer você aos seus joelhos com apenas um flexionar de
seus poderes psíquicos, para te fazer você respeitar elas. Eu tentei uma
vez mais identificar o sentimento fugaz que eu tinha visto hoje que era
importante alguma coisa que eu deveria ter notado alguma coisa que
alguém disse ou fez, mas que era também um muito vago “alguma
coisa” para ser de alguma ajuda. Eu dei uma respirada profunda. “É
sobre o cofre. Você disse que na manhã depois que ele foi roubado a
porta estava fechada? Você tem certeza que ela não estava
encostada?” “Não, estava fechada. Que tipo de idiota você está
pensando que eu sou?” “Desculpe, eu não quis insinuar nada; eu só
achei que seria melhor checar.” “Você não encontrou nada, ja?” Ela fez
tsc, e começou a passar por mim. “Isso é por que foi aquele Josef que é
o ladrão. Eu vou encontrar ele, ele vai ver, e quando eu fizer -”
Desesperada para tocar nela antes que ela se afastasse, eu disse alto.
“Ah, tem um besouro enorme em você.” enquanto eu passava minha
mão através de seu ombro. Ela parou e girou ao redor, seus olhos
arregalados e quase brilhando. “Você.” Ela engasgou. Eu arranquei a
minha mão de volta, mentalmente batendo as portas de metal aço
inoxidável de meu quarto fechado, quase mal fechando minha mente
antes que ela entrasse. Eu podia sentir ela acotovelando ao redor dos
cantos, empurrando as paredes, tentando encontrar um caminho para
entrar, mas eu mantive a imagem mental de meu sólido quarto fechado,
e graças a deusa, ambos, ele e a barreira funcionaram. Ela oscilou por
um momento, como se ela estivesse subitamente fraca; então seu
queixo foi para cima e ela nivelou seu olhar azul pálido em mim que me
fez dar alguns passos para trás. “Eu não terminei com você,” ela
assobiou, virando em seus calcanhares pisando forte. “Santa mãe,” eu
aspirei, esfregando meus braços. Eles estavam todo arrepiados, como
se eles tornassem mágica de verdade, só que esses não eram arrepios
por diversão. Eles estavam assustados – arrepios idiotas. Imogen
passou correndo, parou para ter uma palavra com Absinthe, então
acenou para mim em direção a sua barraca. Eu segui mais lentamente,
tentando encaixar junto tudo o que eu sabia. Absinte não era o ladrão.
Ela tinha mais poder do que eu tinha imaginado, mas ela não era o
ladrão. Ela honestamente pensava que Josef, o líder guitarrista, tinha
tomado ele. O que significava que eu tinha sete suspeitos, todos eles
não eram o ladrão. Em outras palavras, eu estava de volta a estaca zero.
Nós ficamos ocupados pelas próximas três horas, como eu sabia que
nós estaríamos. As últimas noites eram sempre apertadas, desde que a
Feira vinha só de ano em ano e meio. Eu mais ou menos lidei com as
leituras das palmas (com ambas as luvas colocadas, no caso de você
estar se perguntando) enquanto Imogen lia as runas. Eu não tive nem
mesmo tempo para perguntar a Imogen se ela tinha encontrado Ben,e o
que ele achou da carta de Elvis, muito menos tentar descobrir o que eu
estava fazendo sobre minha investigação falha. Pouco antes da meia-
noite começou a chover sapos boi. E não, eu não estou falando
metaforicamente. “O que....Isso é um sapo,” Imogen disse enquanto um
grande e enverrugado sapo verde e amarelo pulou em sua mesa, piscou
para ela algumas vezes, então pulou fora. “Não apenas um sapo, um
sapo boi.” Eu disse, então me levantei e corri em direção a barraca
enquanto eu ouvia gritos. Pessoas estavam gritando e segurando
coisas sobre suas cabeças enquanto elas corriam para se proteger.
“Sapos boi não são bons. Eu estou indo checar com minha mãe. Eu
estarei de volta em um minuto.”
Eu corri em direção a barraca, tentando evitar em esbarrar em pessoas
ou pisar nos sapos que estavam caindo do céu. Felizmente os sapos
eram muito rápidos em seus pés, por que eu não vi nenhum deles
esmagado enquanto as pessoas corriam através deles. Eu vi um monte
deles saltarem quando eles acertavam o chão, embora, eu tenha que
dizer, eles pareciam tão surpresos em me ver quanto eu estava em ver
eles. “Mãe? Está chovendo sapos boi!” Eu gritei enquanto eu me
empurrava através das pessoas que estavam se escondendo debaixo
da abertura da barraca. Por causa do círculo, o restante da barraca
tinha sido esvaziado de suas costumeiras mesas e cadeiras, etc. Minha
mãe e o resto das bruxas estavam fechadas no círculo e todas em pé
com seus olhos fechado balançando ligeiramente, enquanto alguém
cantava a invocação para a deusa...coisas padrão de círculo. Eu sabia
que melhor do que cruzar dentro do circulo (eu tinha feito isso uma vez
– levou três semanas antes que minhas sobrancelhas crescesse de
volta), então eu escapei em torno do círculo até que eu pudesse puxar a
parte de trás do vestido de mamãe. “Sapos boi.” Eu sussurrei. Ela abriu
um olho e deixou ele me encarar. “Não, sério, está chovendo sapos boi.
Lá fora.” “É uma praga.” a mulher em pé ao lado dela disse sem abrir
seus olhos. “É?” “Eu sei sobre sapos, Fran.” Mamãe sussurrou, me
enxotando. “Agora vá, nós estamos tentando focar nossas energias
para identificar o não sagrado que tem trazidos eles para cá.”
Maravilha. Alguma coisa não sagrada estava causando os sapos boi
chovendo sobre a Feira. Minha vida podia ficar mais estranha? Um
homem em um macacão azul e vermelho enfeitado de lantejoulas com
uma capa dourada cobrindo os ombros caminhou, parando para fazer
um gingado de quadris quando meu viu. Bem, eu acho que isso
respondeu minha pergunta. “Hei, você, mocinha. Você está parecendo
poderosamente ótima para o Rei, sim , você está. Você está procurando
alguém para dançar? “ “Um...não, não realmente. Você...uh...notou os
sapos, Elvis?” Ele olhou ao seu redor. “Agora que você mencionou
isso, tem um monte horrível desses pequenos insetos. Coisas
barulhentas. Não gosto deles, uh – huh.” Evidentemente a chuva de
sapos boi estava terminando, porque só um ou dois mais caíram. Os
últimos no chão saltavam ao redor com ruidosos coaxar, se guiando em
direção a escuridão. Eu esperava que todos encontrassem o rio antes
que eles fossem esmagados pelos carros. “Certo. Bem, se você me
desculpar.” Eu comecei passando por Elvis em direção a barraca de
Imogem, então parei, girando o anel que Ben tinha dado a mim, algo
fazendo a Fran interior se levantar e gritar. “Cuide-se,” Elvis disse,
então ele foi em direção a barraca principal. Eu olhei para o meu
relógio. Eram duas para meia noite. Como Elvis poderia estar aqui se
ele pretendia encontrar Imogen em dois minutos na parada de ônibus a
quase um quilômetro na estrada? E onde estava Ben? “Hei, Elvis?” Eu
corri atrás dele, tomando cuidado para não o tocar quando ele gingou
ao redor em minha direção. “Você está indo para ver a banda?” “Claro
que estou, mocinha. Você quer dançar comigo afinal?” “Não, eu não
posso. Eu tenho algo a fazer. Eu só pensei...uh...eu pensei que Imogen
disse que ia se encontrar com você em algum lugar. Em outro lugar.”
Pouco convincente, sim, mas era o melhor que eu podia fazer, dada as
circunstâncias. Ele pareceu confuso, e coçou seu grande, topete preto
feito. “Encontrar Imogen? Nope, não tenho planos para ir para outro
lugar, só para a barraca principal. Eu vou vê-la lá. Você tem certeza que
não quer dançar com o Rei?” Ele fez uns movimentos girados de
quadril. “Eu sou muito bom!” “Não, obrigado, eu tenho algo a fazer. Te
vejo por ai.” Exceto as coisas psicométricas, eu nunca tinha sido
psíquica – nunca, nada, nadinha. Mas de repente, enquanto Elvis ia para
a barraca principal, eu sabia que algo estava terrivelmente,
horrivelmente, massivamente errado. Pequenos pedaços minúsculos
começaram a se juntar em meu cérebro, como um quebra-cabeça. Elvis
escreveu aquela nota para Imogen; eu sabia disso, eu senti isso. Elvis
era obcecado por ela; todo mundo sabia disso. Eu tinha sentido isso
também. Elvis provavelmente não gostaria de um irmão que tinha o
poder de fazer que ele deixasse Imogen em paz. Ele poderia mesmo ir
tão longe quanto ferir aquele irmão. Elvis era um demonologista.
Demônios eram péssimas notícias, seres impuros, não sagrados.
Amaldiçoado. Seu aparecimento era geralmente anunciado por uma
manifestação física. Algo como.... “Sapos boi!” Corri em direção a
cabine de Imogen. Ela estava colocando tudo em sua sacola,
conversando casualmente com um cliente persistente. “Onde Ben
está?” Eu gritei tão logo eu cheguei a distância de um grito. “Benedkt?”
Imogen olhou em direção ao cara que estava conversando com ela. “Ele
se foi para tomar conta daquele probleminha que eu mencionei mais
cedo.” “É uma armadilha,” eu gritei, e me desviei para a esquerda.
“Elvis está aqui, mas está chovendo sapos boi.” Ela franziu a
sobrancelha enquanto eu me lançava nela. “Fran, do que você está
falando - “ “Demônio!” Eu gritei por cima do meu ombro, e corri ao
redor do trailer próximo onde Tesla e Bruno estavam amarrados. Tesla
cheirou minha cabeça enquanto eu me debruçava sobre suas patas. Eu
arranquei minhas luvas, arrancando as amarras de couro até que elas
se soltassem. “Vamos lá, velho garoto, nós temos que ir alertar Ben que
isso é uma armadilha. “Eu bati a corda da guia no cabresto de Tesla,
balançando ela por cima do seu pescoço para amarrá-lo em uma
espécie de freio. Levei ele ao longo de um engradado, investindo em
suas costas. “Vamos lá, vamos lá, vamos lá,” eu insisti, batendo meus
calcanhares como Soren tinha me ensinado. Tesla trotou através dos
trailers, tecendo através das longas sombras negras lançadas pela luz
das grandes lâmpadas, então de repente nós estávamos na
extremidade da Feira. Um longo e inclinado terreno se alongava em
direção a estrada. Eu enrolei a crina de Tesla ao redor de minhas mãos
e cravei meus calcanhares, gritando um encorajamento. Ele decolou,
sua velocidade me surpreendendo. Eu aposto que ele não era tão velho
como todos pensavam. A cavalgada até a parada de ônibus é um
pedaço de um pesadelo em minha memória – embora a lua estivesse
alta, não havia muita luz para ver, os carros estavam guiando em
direção a Feira, não para fora dela, então seus faróis nos cegava. Eu me
lembro que o veterinário disse que eu não podia cavalgar em Tesla
sobre uma pista até que ele tivesse ferraduras, então eu mantive ele na
grama suave. Mesmo assim, ele tropeçou no escuro algumas vezes. Eu
me debrucei mais baixa sobre seu pescoço, ambas as mãos
emaranhadas em sua crina enquanto ele galopava, sua respiração cada
vez mais e mais alta até que combinou com o refrão de Por favor, esteja
tudo bem, por favor, esteja tudo bem, que estava cantando em minha
cabeça. Nós tomamos alguns atalhos através da frente de alguns
quintais, mas eu não acho que nós pisamos em muitos canteiros de
flores. Nós corremos passando carros, cachorros, casas, outros
cavalos...tudo isso era um borrão enquanto as pernas de Tesla batiam
no chão em um ritmo que era gravado em meu cérebro. Por favor,
esteja tudo bem, por favor, esteja tudo bem, Até o momento em que nós
contornamos a esquina a uma curta distancia da parada, Tesla estava
soando como um trem de carga, sua respiração um rugido com a falta
de ar. Minhas mãos estavam apertadas por se aderir a sua corda e a
crina, minhas pernas tremendo com medo e tensão enquanto elas se
agarravam a seus lados que se elevavam. Logo a frente a estrada,
próximo a um grande pasto aberto, uma solitária luz da rua iluminava
um sinal de madeira marcado com um A ( para ônibus). “Ben?” eu
gritei, puxando para trás as rédeas improvisadas. Tesla diminuiu para
um doloroso trotar, então parou, sua cabeça abaixando. “Ben? Você
está aí?” Não havia nada a ser visto, nem Ben, nem carros, nem mesmo
casas. Só um solitário trecho de estrada com uma parada de ônibus.
Talvez eu estivesse errada; talvez eu entendi tudo errado. Talvez Elvis
não era quem queria Ben morto- Tesla deu um relincho feio, um som
que eu espero nunca ouvir de novo, sua dianteira levantando na
clássica pose cavalo-em-pé-nas-patas-de-trás que você vê em estátuas.
Eu gritei e agarrei seu pescoço, envolvendo minhas mãos em torno dele
enquanto suas pernas da frente desciam, porém eu perdi minha
contenção e acabei indo para o lado, fora de Tesla e indo para o chão,
próxima a ele. Em frente a nós, uma negra, e horrível sombra, reuniu-se
em si mesma, então se formou em um homem. É isso, ele parecia como
um homem – isso tinha dois olhos, duas orelhas, um nariz e boca, tudo
isso – mas eu tive que piscar algumas vezes enquanto ficava de pé para
ter certeza de que eu estava vendo o que eu pensava que estava vendo.
Tão logo o cheiro me acertou, eu sabia o que era. Demônio. “Caramba,”
Eu respirei, então pulei em atenção enquanto o demônio se virava em
nossa direção. Minha barreira de repente brilhou para vida, mas não
dourada como quando eu desenhei ela; dessa vez ela era negra, um
pesado, e sinistro negro que parecia gritar na noite, O demônio gritou e
pulou para trás como se ele tivesse sido picado. Dois sapos bois
caíram do céu. O demônio rosnou algo que parecia mal, e virou seus
olhos para Tesla, que estava resfolegando como louco, alternando as
patadas no chão e se levantando para cortar o ar com as patas da
frente. O demônio não pareceu gostar de Tesla tão pouco, e foi para
trás mais alguns passos.
Ok, agora aqui está a coisa – eu nada sei sobre demônios, nem uma
coisinha. Exceto que eles são péssimas notícias. Mas aqui estava eu
que tinha um em pé lá, olhando mais ou menos em meu rosto, e eu não
tinha a mínima idéia do que fazer para parar ele, ou como fazer ele me
dizer o que ele tinha feito a Ben, ou mesmo como destruir ele. Eu era
inútil, sem idéias, e pela primeira vez em minha vida eu desejei ter
prestado atenção quando mamãe tentou me ensinar todas aquelas suas
coisas de bruxa. Eu quis correr gritando pela noite, mas a vida de Ben
estava em risco. Eu tinha feito uma grande coisa sobre ser capaz de
cuidar de meus problemas, então eu calculei que eu faria melhor
exatamente isso. “O que você fez com o Dark One?” Eu gritei para o
demônio. Ele riu para mim, um nojento, assobiado tipo de riso que fez
mais dois sapos e uma parecendo surpresa cobra, caírem do céu.
“Você não tem poder sobre mim, mortal.” Sua voz era horrível, como
um arranhar amplificado de unhas em um quadro negro. Tesla se
levantou novamente, seus cascos da frente cortando através do ar. O
demônio pulou para trás. Na dúvida, enlouqueça-os. Eu joguei minha
mão esquerda no ar como mamãe faz quando ela esta chamando os
espíritos. “Eu sou Francesca. Eu exerço um poder muito maior do que
você jamais saberá, demônio. Responda-me – o que você fez ao Dark
One a quem você foi enviado para destruir?” Ele riu de novo (mais
cobras e um par do que eu achei que eram enguias caíram no chão
atrás dele), lentamente caminhando em um círculo ao redor de mim e de
Tesla. Minha barreira reluziu em preto novamente, e eu me virei para
manter ela entre mim e o demônio. “Você não exerce nenhum poder,
mortal. Eu não tenho medo de você. Aquele que você está procurando
está além de sua ajuda. “ ele acenou sua cabeça em direção ao campo
atrás de mim. “Vá e encontre ele se você quiser; meu trabalho está
terminado.” Enquanto ele estava falando eu estava alerta de que dois
faróis vindos de um carro vindo da Feira cresciam mais e mais
brilhantes. O demônio estava de costas para o carro, porém, e
evidentemente ele estava muito ocupado me insultando para ouvir o
motor, até que fosse tarde demais. Quando as luzes dianteiras
finalmente acertaram ele, ele girou ao redor. O carro nem mesmo
desacelerou; ele apenas passou por cima do demônio. Eu pulei para o
pasto, puxando Tesla pelo ombro. Embora eu ouvisse o guinchar do
carro, eu não hesitei. Eu corri para a escuridão do campo, guiada por
uma horrível dor em meu coração para onde eu sabia que Ben estava
morto. Eu tinha matado ele. Se eu tivesse percebido o que estava
acontecendo antes, isso seria tarde demais... mas eu não tinha, e agora
ele estava morto. Morto. Eu nunca iria vê-lo novamente. Eu quase pisei
nele por que eu não podia ver através das lágrimas. Seus corpo estava
dobrado ao lado de um arbusto pequeno, metade de sua jaqueta fora,
um enorme, sangrento buraco em seu peito. “Ah, deusa, não!” Eu gritei,
e agarrei a cabeça de Ben, segurando ele com um braço enquanto eu
tentava diminuir o sangramento em seu peito. “Por favor,não, oh, Ben,
não!” O demônio gritou de novo, um grito zangado, um que prometia
dor e retribuição e todo tipo de vingança que eu não podia nem
imaginar. Eu o ignorei. “Ben, por favor não morra. Por favor. Eu lamento
o que eu disse. Eu não vou deixar você; eu juro.” Um formato branco
embaçou o canto de minha visão. Eu olhei acima, esperando ver Tesla,
mas era Imogen. Lágrimas turvaram meus olhos enquanto eu prendia o
corpo sem vida de Ben. “Ele está morto, Imogen. O demônio matou ele
e é tudo minha culpa. Eu deveria saber que era Elvis. Eu deveria saber o
que iria acontecer. Ele está morto por minha causa.”
“Ele não está morto.” Imogen disse, se ajoelhando ao nosso lado. “Eu
saberia se ele estivesse morto, e ele não está.” Ela colocou suas mãos
sobre o enorme buraco no peito dele, o sangue estava ainda pingando
lentamente fora dele. “Você tem que ajudar ele, Fran. Eu não posso
curar ele e segurá-lo ao mesmo tempo. Você tem que ajudar.” “Ajudar
ele? Ajudar ele como? Eu não sei o que fazer sobre um demônio-” “Não
se preocupe com isso; eu quebrei suas pernas e perfurei seu coração
com prata. Ele não irá muito longe.” Eu olhei para minhas mãos, que
estavam cobertas com o sangue de Ben, ouvindo as palavras, mas não
entendendo elas. “Como...como eu ajudo Ben?” “Você é sua Amada;
você é a única que pode alcançar ele. Una-se a ele, junte sua mente
com a dele, traga ele de volta para nós. Não deixe ele ir.” “Eu não sei
como me unir a ele! Eu nunca fiz nada como isso! Eu não sei o que
fazer.” “Só você pode fazer isso, Fran. Só você.” Lágrimas desciam do
rosto dela enquanto ela fechava seus olhos, murmurando palavras para
ele em uma linguagem que eu não entendia. Eu olhei abaixo para o
rosto de Ben, aquele lindo e maravilhoso rosto, e soube que se eu
fizesse o que Imogen queria, isso me ligaria a Ben de um modo que
nunca me libertaria dele. Eu não seria só a Fran esquisita que podia
dizer coisas por tocar elas. Eu seria Fran a Amada, e se eu pensava que
eu teria um tempo difícil me ajustando nisso antes, eu imagino sendo a
namorada imortal de um vampiro, o que faria misturar na multidão
impossível. Era Ben ou eu, a decisão era tão simples. Eu coloquei
minhas mãos em ambos os lados de seu rosto e mentalmente abri a
porta do meu quarto seguro. Ben? Você está ai? Sou eu, Fran. Imogen
está aqui, também. Ela está tentando consertar o buraco em seu peito
então você não morrerá. Eu não quero que você morra, Ben. Você pode
me ouvir? Houve silêncio. Nenhuma sensação dele preencheu minha
cabeça. Era como se ele não estivesse lá. “Ele não está respondendo,”
Eu disse, sem me importar com as lágrimas que rolavam pelo meu
rosto, também. “Ele não está lá.” “Ele está lá; você só tem que
encontrar ele,” Imogen disse, levantando sua cabeça. Seus olhos
estavam preenchidos com tanta dor que machucava olhar para ela. “Por
favor, Fran. Por favor salve meu irmão.” Eu não posso, minha Fran
interior gritou. Sou só eu; eu não posso fazer nada disso. Eu não tenho
nenhum poder, não de verdade, nada útil. Eu não posso salvar ele!
Você já salvou,uma voz suave ecoou em minha cabeça. Eu solucei seu
nome alto. Você não está morto? Por favor Ben, me diga que você não
está morto. Eu não estou morto, Fran. Eu não vou deixar você, não
agora, nem nunca. Nós pertencemos um ao outro. Eu solucei enquanto
seu peito levantava, seus pulmões ofegando enquanto ele tragava o ar
para eles. Lá vai você de novo, ficando todo controlador comigo. Eu
não disse que eu quero você, muito menos pertencer a você. Eu
enxuguei meus olhos em minha manga enquanto eu me inclinava sobre
seu rosto. Seus lábios torceram. Ah, Fran, o que é que eu faria sem
você?”
Provavelmente sairia com um monte de realmente lindas garotas com
nenhum cérebro que oohh e aahh em cima de sua maravilhosa pessoal
e muito legal moto, e não apreciaria você e toda sua habilidade de ter
um buraco perfurado através de seu peito e ainda ser capaz de fazer
todo tipo de comentários do tipo he-man27. Provavelmente. Eu acho
que é bom ter você. “Eu acho que é,” eu disse, e pressionei um
pequeno beijo em seus lábios.

27 N/T: He-man – Desenho animado antigo onde o personagem He-man


gritava: eu tenho a força!
Capítulo 13

“Isso tudo é culpa sua.” Whump! “Certamente a maioria não é!” Thud!
“Sim, é. Você é a irmã mais velha; se você não tivesse deixado ele lavar
seu cérebro pensando que você não podia fazer coisas por si mesma –
Whack! Screech -”ele não seria tão o Sr. 'Eu sou o Dark One; eu vou
consertar tudo' com todo mundo, e nós não estaríamos aqui agora,
tendo que surrar em um demônio.” Slam! “Isso é totalmente
injustificado!” Imogen baixou a placa que ela estava usando para bater
na cabeça do demônio e olhou para mim. “Eu nunca disse que eu não
podia fazer as coisas por mim mesma; só que é mais fácil ter Benedikt
tomando conta delas para mim. Ele sabe perfeitamente bem que eu
poderia cuidar de Elvis se eu quisesse.” O demônio começou a rosnar
uma maldição que amaldiçoaria nós duas ao inferno enquanto ele se
arremessava em Imogen, suas mãos pingando de onde ele tinha
atacado Ben. Eu o espanquei nas costas com a chave de ferro que eu
tinha puxado da caminhonete de Imogen. “Ah, sim, certo, eu não estou
tão convicta disso.” O demônio se virou e pulou em mim, uma faca
perigosa subitamente apareceu em sua mão. Eu dei a mim mesma uma
rápida leitura mental sobre não prestar atenção e pulei fora do caminho
bem quando ele balançou a faca em minha direção. Imogen fez um
fabuloso chute de artes marciais que enviou a faca girando
irremediavelmente para longe. O demônio gritou de novo. “Eu poderia
ter! Eu só pensei que era mais conveniente ter Benedikt a fazer isso. Ele
gosta de fazer esses tipos de coisas.” “Conveniente?” O demônio
empurrou a chave de ferro para fora de minhas mãos, me atirando para
o carro estacionado próximo. Eu sacudi as estrelas dos meus olhos
enquanto ele se atirava em Imogen. Sem esperar pelo senso comum de
chutar, eu me atirei em suas costas, e bati minhas mãos sobre seus
olhos. Ele atirou maldições para mim, invocando o nome de seu lorde
demônio enquanto Imogen evitava a ponta pontiaguda da chave. Ela
socou ele entre seus joelhos com uma placa, gritando para eu sair do
caminho. O demônio se dobrou em uma pequena bola. “Como é
conveniente para seu irmão estar largado lá em um campo com mais de
metade de seu sangue drenado de seu corpo?” “Correção,” uma voz
cansada disse atrás de mim. Ben mancou para o círculo de luz lançado
pela lâmpada da rua, uma mão sobre seu peito. O ferimento já não
derramava sangue, mas ele parecia horrível. “Eu não estou mais
deitado em um campo. Eu estou aqui para dar um sumiço no demônio.
Fiquem de lado vocês duas.”
Eu fiz um biquinho para Imogen. Ela levantou sua sobrancelha para
mim. “Ah, muito bem, eu tomarei uma modesta quantidade da culpa
pelo modo de ser que ele é, mas não” – ela cutucou o demônio com seu
pedaço de madeira, conectando com seus ombros. Ele gritou e tentou
cortar ela com um pedaço de vidro quebrado que ele pegou da lateral
da estrada. Eu chutei o vidro de suas mãos, meu corpo inteiro doendo
da luta. O demônio finalmente devia ter tido o suficiente de qualquer
forma, porque ele apenas deitou-se lá sobre o chão, uma tiritante,
massa fedida de más intenções e poder demoníaco - “não em tudo.
Dark Ones são naturalmente arrogantes. Você só vai tem que lidar com
essa característica em particular o melhor que você pode.” “Imogen!
Fran!” Ben rosnou, ou tentou rosnar Veio de uma espécie de um
realmente significante lamento. “Vocês tem que sair, vocês duas. Eu
vou lidar com essa situação.” Eu parei de olhar para o demônio, tempo
suficiente para empurrar Ben contra o capô do carro de Imogen. “Sente-
se antes que você desmaie.” “Eu não vou permitir que você ...“ “Será
que você pode nos deixar tomar conta disso, por favor?” eu acenei em
direção a Imogen que estava pulando para cima e para baixo para evitar
um último ataque do demônio. “Se você notar, nós estamos fazendo um
belo trabalho cuidando de nós mesmos – e de você.” “Fran tem um
ponto, irmãozinho. Nós somos perfeitamente capazes de cuidar desse
diabólico, embora eu aprecie seu desejo de nos proteger.” Ela socou o
demônio em cima da cabeça com a placa. Ele caiu, gemendo e
contraindo algumas vezes antes que ele finalmente desistisse de tentar
nos matar. “Fran não sabe do que ela está falando,” Ben disse,
empurrando-se para fora do carro. “Ela nunca tinha visto um demônio
antes, muito menos sabe como lutar com um.” “Eu sei agora,” eu disse,
colocando abaixo a chave que eu tinha recuperado para tirar os
elementos sobre meus dedos. “Eu sei que demônios não gostam de
aço. Queimam eles.” “Aço?” Imogen desenhou uma barreira sobre o
demônio que fez ele arquear para trás, gritando duas vezes, então
desaparecendo em uma nuvem de fumaça preta de fedor realmente
desagradável. Ela limpou a poeira de suas mãos e caminhou em direção
a nós.“Não aço, prata.” “Mas Elvis me disse... ah. Ele mentiu.” Ela
afastou seu cabelo para trás de seu ombro e sorriu para nós dois. Ela
não parecia de modo algum como alguém que tinha acabado de
espancar um demônio para até uma papa. “Eu suspeito que ele mentiu
sobre um grande número de coisas.” “Hmm. Eu aposto que significa
que ele é o ladrão também.” Algo cutucou minha mente, um
pensamento que queria atenção, mas eu tinha algo mais importante a
fazer. “Continue, Fran. Eu acho que Benedikt precisa ouvir o quanto
você aprendeu.” “Ah.” Eu sorri para ela. “Bem, deixe-me ver... há
também o fato de que quando o demônio toma uma forma humana, ele
é ligado pela força e fraqueza daquela forma, então se você pode
atropelar com um carro e quebrar suas pernas...” “E enfiar um punhal
de prata pura através de seu coração... eu temo que isso fez mais dano
que um carro, Fran.” “...e enfiar uma adaga de prata pura através de seu
coração, você vai desabilitar o demônio o suficiente para permitir que
você espanque ele.” “Mesmo então você tem que enfraquecer o corpo
significativamente então o demônio é forçado a deixar ele e retornar
para o buraco ardente de onde ele veio.” “Certo.” eu acenei e virei para
enfrentar Ben,”Então, viu? Nós não precisamos de você. Nós
derrotamos o demônio por nós mesmas. Nós salvamos você.” “Isso
não é como deveria funcionar,” ele disse, fazendo uma careta para
mim.” “É 2005, não 1705,” eu disse, dando um tapinha sobre o ombro
dele. “Aprenda a lidar com isso.” Nós não voltamos à feira por outra
meia hora. Ben tinha que repor um pouco do sangue que ele tinha
perdido. Eu me preocupei de que ele precisasse de mim para brincar de
doadora de sangue – e eu não tinha certeza de como eu ia explicar para
ele que, embora eu não quisesse que ele morresse, eu não tinha certeza
se eu queria estar ligada a ele por toda a eternidade tão pouco, mas
felizmente Imogen ofereceu a ele seu pulso. Foi a primeira vez que eu vi
Ben... bebendo. Seus dentes cintilaram quando ele mordeu o pulso
dela, dando-me uma breve e momentânea visão de dois longos dentes
caninos antes que sua boca se fechasse sobre a carne dela. “Wow,” eu
disse, observando ele, me sentindo como uma intrusa em algo privado,
e ainda incapaz de desviar o olhar. “Isso é muito selvagem.
Isso..uh...dói?” “Não,” Imogen disse, acariciando o cabelo de Ben com
sua mão livre. Ela beijou o topo de sua cabeça. “Me traz prazer dar a ele
vida. Assim isso será para você um dia.” Uh...não chega a tanto.
Enquanto Ben sugava o tão necessitado sangue, eu fui lá fora me reunir
a Tesla, que estava contentemente pastando agora que o demônio se
foi. “Você foi bastante impressionante lá para um cara velho,” Eu disse,
batendo em seu pescoço. Ele caminhou em silêncio, aninhando-se a
mim e de novo como se ele esperasse que uma maça pudesse
magicamente aparecer. “ Você pode ter duas quanto nós voltarmos para
casa.” Eu prometo. Nós tivemos um breve conflito quando Ben,
parecendo um pouco melhor, insistiu para eu tomar uma carona de
volta com Imogen em seu carro enquanto ele levava Tesla, mas no fim
eu resolvi o problema arrastando para as costas de Tesla e cutucando
ele em direção a Feira, enquanto Ben ainda estava atirando ordens. Ele
me alcançou depois de alguns metros. O carro de Imogen saiu voando
passando por nós, me dando luz o suficiente para ver a carranca
furiosa no rosto de Ben. “Talvez você deva cavalgar e eu deva
caminhar. Você é quem foi ferido.” Suas mãos mão seguraram minha
perna. “Fique onde você está. Eu posso andar.” Ele estava se movendo
com mais facilidade agora, não mais arqueando como seu peito
estivesse machucando ele. Eu me lembrei do quão rápido ele se curou
de suas queimaduras, mas ainda assim, o tamanho do buraco que tinha
sido perfurado nele era terrivelmente grande. Eu deixei Tesla trotar em
um ritmo lento, olhando abaixo o homem que caminhava em silêncio ao
meu lado. “Eu posso ver suas presas?” “Não.” Ele nem mesmo olhou
para mim quando ele disse isso. Que merda. “Como saem?” “Você não
tem necessidade de vê-las.” “Eu salvei sua vida; isso deveria contar
para alguma coisa. Eu quero ver suas presas.” “Eu não precisava que
você me salvasse. Eu teria me recobrado por mim mesmo. Eu teria
derrotado o demônio.” Eu bufei. “Não é isso o que Imogen disse.” Ele
caminhou, carrancudo, mas em silêncio. “Eu aposto que Imogen viu
suas presas.” Tesla baixou sua cabeça para pastar. Eu deslizei de suas
costas e toquei o braço de Ben. “Eu aposto que todas as suas outras
namoradas viram suas presas.” “Elas não viram.” Ben se virou para
mim, suas sobrancelhas negras puxadas juntas. Seu cabelo estava
solto, uma cortina negra de seda ao redor de seu rosto, seus olhos um
lindo carvalho com minúsculos pedaços de dourado faiscante. “Eu não
faço disso um hábito em mostrar...outras namoradas?” Eu sorri e
deslizei meus braços sobre seus ombros, no comprimento frio de seu
cabelo. “Eu pensei talvez que desde que eu salvei sua vida e tudo mais,
nós podíamos tentar essa coisa de namorado/namorada um pouco. Só
para ver como isso fica.” Seus braços foram em torno de minhas
costas, me puxando em direção a ele. Eu me inclinei contra ele muito,
muito gentilmente, não querendo prejudicar sua cura do ferimento.
“Você vai me deixar louco, não vai? Você vai me atormentar por anos
enquanto você tenta decidir se você quer ou não cumprir seu destino
comigo.” “Talvez,” eu disse, sorrindo contra seus lábios. “Você vai me
mostrar suas presas?” “Não,” ele disse, sua respiração quente contra
minha boca. “Eu vou deixar você sentir elas.” Seus lábios se moveram
sobre os meus, me encorajando a investigar. Eu fiz, hesitantemente,
incerta se eu realmente queria ou não o que ele oferecia, mas no final
eu permiti a provocação dele, o provando. A ponta da minha língua
deslizou sobre seus dentes da frente, curvando debaixo da sensação
das pontas de dois longos, e muito afiados dentes caninos. Elvis
desapareceu. Quando Ben e eu levamos Tesla de volta a Feira, ela
estava funcionando como sempre, com a exceção de mamãe e sua
gangue correndo ao redor tentando forçar amuletos em todo mundo.
Nós arrastamos Absinthe e Peter (e Soren) da barraca da banda,
reunindo todos na barraca de mamãe para dar uma atualização do que
aconteceu. “Eu acho que Elvis é o seu ladrão,” eu disse a Absinthe e
Peter. “Eu não tenho certeza, mas eu acho que ele fez isso como um
modo de conseguir Imogen.” Imogen franziu a testa. “O que na terra ele
pensaria que atirando a Feira no chão, ganharia minha preferência?”
“Bem...” eu mordi meu lábio e olhei para Ben. Ele se sentou nas
sombras, uma longa e escura forma que estranhamente transpirava
conforto e apoio. Ele tinha fé em mim, mesmo quando eu não tinha.
Isso deu a meu processo mental um pouco de impulso. “Eu acho que
seu plano era empurrar a Feira a uma situação de desespero, então se
oferecer para comprar ela com o dinheiro que ele tinha roubado.”
Imogen acenou “Eu sei,isso não faz sentido para mim, ainda assim,
mas ele estava desesperado em ter você. Eu acho que ele sentiu, em
alguma forma estranha, que se ele fosse o dono da Feira, ele seria o
seu dono também.” “Mas como ele conseguiu o dinheiro, heim? Como
ele entrou no cofre sem meu conhecimento? Absinthe perguntou. Eu
tomei um profundo fôlego. Mamãe e as outras bruxas estavam sentadas
no chão, segurando seus amuletos. Mamãe me deu um sorriso
encorajador. Era meio estranho ser o foco da atenção de tantas
pessoas, mas ao mesmo tempo, isso era bom. Como se eles me
aceitassem, como se valorizassem o que eu tinha a dizer. Não era o
mesmo de quando eu tentei me misturar na escola, mas isso estava...
certo. Até mesmo, bom. “Ele não entrou em seu cofre,” eu disse, as
últimas peças do quebra-cabeça deslizando em seu lugar. A coisa que
tinha estado me incomodando o dia todo finalmente entrou em foco. Eu
me virei para Peter. “Você deve saber que Elvis conhecia mágica,
certo?” “Ele sabia truques de mão.” Peter encolheu os ombros.
“Mágica ilusionista, sim. Truques com cartas.” “Substituindo uma coisa
por outra como parte de um truque, certo? Que foi o que ele fez hoje no
hospital.” “Sim, é isso o que um truque de mão é.” Eu virei para
Absinthe. “Como você guarda o dinheiro da noite? Isso é, o que você
faz antes que coloca ele dentro do cofre?” Os olhos de Absinthe se
estreitaram. Ela ainda olhava para mim desconfiada, mesmo desde que
eu vim andando de volta a Feira com o braço de Ben ao meu redor, ela
me deu uma ampla posição. “Eu pego o dinheiro de Peter e conto ele,
registrando ele em frente aos bilhetes vindos de cada empregado.”
“Onde você conta ele?” “Em meu trailer.” Eu olhei para Ben. Ele sorriu.
“Enquanto você faz isso, você está sozinha?” Sua careta ficou ainda
mais negra. “Não, as vezes Karl ajuda, as vezes...” “Elvis?” Eu
perguntei quando ela parou. Ela disse algo que até mesmo em alemão
eu entendi. “Aquele porco! Eu vou assar suas entranhas! Eu vou
arrancar seu coração fora e comer ele! Ele me roubou!”
“Truques de mão,” eu disse para Soren, que parecia perplexo. “Elvis
era um mestre em pegar um item e trocar isso por outro. Eu aposto que
ele tinha alguns desses malotes de dinheiro feitos com jornal, então
tudo o que ele tinha que fazer era trocar eles quando Absinthe estivesse
olhando para outro lado. Então ela o enfiaria no cofre, nunca sabendo
que ela tinha sido roubada.” Foi a vez de Peter xingar. Todos saíram
poucos minutos depois disso. Absinthe prometendo uma terrível
vingança com as entranhas de Elvis. Peter murmurando algo sobre
chamar a polícia. Mamãe e sua gangue para manter outro círculo de
emergência para ver se elas podiam trazer Elvis de volta ou pelo menos
ressecar ele em fervura ou em uma realmente desagradável erupção.
Soren me deu um olhar pesaroso antes dele seguir seu pai para fora da
barraca. “Você deveria ter me deixado ajudar a encontrar quem era o
ladrão. Eu sou seu aliado.” “Desculpe, apenas aconteceu. Na próxima
vez você pode ser o detetive e eu serei o fiel aliado.” Ele olhou para
Ben, então deu de ombros e saiu mancando atrás de Peter. “Amanhã
nós estaremos a caminho de Budapeste onde eu poderei ser capaz de
fazer compras até cair.” Imogen saiu da mesa em que ela estava
sentada, se esticou, e soprou um beijo para Ben. “Eu vou precisar de
uma nova adaga de prata. Eu vou comprar uma para você também,
Fran. Obrigada pelo que você fez. Eu acredito que eu vá ver se Jan
ainda está por aqui. Ele tem muitas qualidades que eu ainda não
investiguei.” Ela saiu. Eu olhei para Ben, mordendo meu lábio. Eu tinha
beijado um vampiro, sobrevivido a tentativa de Absinthe de entrar em
minha mente, e tinha ajudado a bater em um demônio, com certeza eu
podia fazer isso também. “Então, urn...você está...uh...você sabe, vai
estar ficando com a gente em Budapeste, ou você tem que fazer outras
coisas em algum lugar?” Ele se levantou e segurou meu queixo em
suas mãos pressionando seus lábios em minha testa. Mamãe engasgou
no fundo. “Eu devo ir caçar Elvis, mas uma vez que eu o tenha
encontrado, eu vou voltar.” Ele olhou dentro de meus olhos por um
segundo, então saiu. Apenas andou lá e saiu. Eu fiquei lá com meu
queiro pendurado em meus joelhos por um momento, então percebi o
que ele tinha feito. Aquele traidor! Eu corri para fora da barraca,
agarrando as costas de sua camisa enquanto ele caminhava no
corredor central. Ele ignorou o meu puxão e marchou adiante. “Hei! Nós
não acabamos de falar sobre você sendo todo machão e sentindo como
você tivesse que salvar Imogen e eu o tempo todo? Ninguém disse que
você precisa caçar o Elvis; Peter vai chamar a policia...” “Eu sou um
Dark One. Ele é uma ameaça a Imogen, e agora que você identificou ele
como o ladrão, ele é uma ameaça pra você. Eu não posso tolerar essa
ameaça.” “Você sabe o que você é? Você é só um enorme, e grande
porco chauvinista; isso é o que você é. Minha mãe me falou de caras
como você.” “Você não vai discutir comigo sobre isso...” “Eu vou
discutir sobre isso, e não me diga o que fazer. Eu estou no comando da
minha vida, não você...” “Você vai ficar com sua mãe e Imogen, e você
não vai se por em perigo de novo.;.” “Eu nunca estive em perigo. Era
você quem estava deitado em um campo com suas entranhas
espalhadas por toda...” “Eu sou um Dark One. Você é minha amada. É o
meu dever proteger você...” “’Eu sou um Dark One; eu sou um Dark
One...’ De todas as besteiras! Você é tão cheio disso. Quer saber? Meu
próximo namorado vai pensar que eu posso fazer qualquer coisa. Ele
vai adorar o chão que eu piso.” “Eu adoro seu...” “Ha!” “Eu adoro!”
“Duas vezes ha com sapos em cima!” Sabe, eu tenho que admitir, eu
estou tipo ansiosa pelo resto do verão. Eu poderia continuar a ser Fran,
a Rainha Esquisita, e poderia não me ajustar a lugar nenhum, mas com
um bando de companheiros esquisitos, mas de alguma forma isso não
parece tão ruim quanto costumava ser. Quem sabe, eu poderia
sobreviver a este ano depois de tudo. Coisas estranhas têm acontecido.

**Fim**

so sorry if you don't like guys...desculpem qualquer erro, fiz o meu melhor na tradução0..

bjos á todos..

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com carinho Kelly-Bells <3