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architextsISSN1809-6298 searchinarchitexts archive|whoweare

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043.10 year04,dec2003

Arquitetura,projetoeconceito(1)

CarlosAlbertoMaciel

Arquitetura,projetoeconceito(1) CarlosAlbertoMaciel MuseudeArteModernadoRiodeJaneiro,AffonsoEduardoReidy,

MuseudeArteModernadoRiodeJaneiro,AffonsoEduardoReidy,

1953.OMAMéumexemploderespostainventivadoarquitetoàs

demandasdeuso,dolugaredaconstrução.Aestruturaexternaem pórticosqueatirantaalajedosegundopavimentopermiteali Fotodoautor

1/4

Fotodoautor 1/4

Arealizaçãodeumprojetodearquitetura,comoqualqueroutrotrabalho,

tempremissasquelhesãopróprias:háumprogramaaseratendido,háum

lugaremqueseimplantaráoedifício,eháummododeconstruiraser

determinado.Esseconjuntodepremissaséelaboradograficamenteemum

desenhoqueoperacomomediadorentreaidéiadoprojetoesuarealização

concreta.

Aidéiadeumconceitoqueparticipecomoelementoindutordoprocessode

projetoédemodorecorrentecompreendidacomoalgoexternoaessas

premissas,umaficção,analogia,metáforaoudiscursofilosóficoque,

servindocomopontodepartida,dariarelevânciaaoprojetoe

milagrosamentearticulariatodososcondicionantesemumaforma

significativa.Essaestratégiareduzaimportânciadedadosexistentesdo

problemaevalorizaelementosqueemprincípiosequerexistemcomo

premissasnecessáriasparaarealizaçãodaarquitetura.Naausênciadeum

grandepadrãoideallegitimadordasaçõesdoarquiteto,jádiagnosticada

desdeaemergênciadopensamentopós-moderno,abuscadeficções

legitimadorasisoladascomoalgoqueconfiraqualidadeàarquiteturatem

sidoumaestratégiausualtantoentrearquitetosqueocupamposições

043.10

043.10 abstracts howtoquote languages original:português share 043

abstracts

howtoquote

languages

original:português

original:português

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abstracts howtoquote languages original:português share 043 043.00 RogelioSalmona BenjaminBarneyCaldas 043.01

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043.00

howtoquote languages original:português share 043 043.00 RogelioSalmona BenjaminBarneyCaldas 043.01

RogelioSalmona

BenjaminBarneyCaldas

043.01

Villanueva.Modernidad

ytrópico

IsabelSánchezSilva

043.01 Villanueva.Modernidad ytrópico IsabelSánchezSilva 043.02 Losmateriales cerámicosenla arquitecturadeWalter

043.02

Losmateriales

cerámicosenla

arquitecturadeWalter

Betancourt

Losmateriales cerámicosenla arquitecturadeWalter Betancourt FloradeLosÁgeles MorcateLabrada 043.03 Lacruelutopiadela

FloradeLosÁgeles

MorcateLabrada

043.03

Lacruelutopiadela

ciudadlatinoamericana

RobertoSegre

043.04

CiudadUniversitariade

Caracas:la

construccióndeuna

utopíamoderna

MaríaFernandaJaua

043.05

Práticasquotidianas

aceleradas,ouonde

viveKazuyoSejima?

InêsMoreiraandYuji

Yoshimura

043.06

Ocenáriocomopretexto

MaribelAliagaFuentes

043.07

Históriadeumnúcleo

fabril:Frigorífico

Z.D.CostiCia.Ltda,

PassoFundoRS

MariliceCostiandCeli

MariaCostiRibeiro

043.08

Aarquitetura

brasileiradeSeveriano

MarioPorto

ElizabeteRodriguesde

Campos

dominantesnocenáriointernacionalcomonaproduçãolocal,práticae

acadêmica.

Emcontrapartidaaessatendência,proponhopensaroconceitocomoo esforçodoarquitetoemcompreender,interpretaretransformarosdados pré-existentesdoproblemaarquitetônico,queseconstituememfundamento paraseutrabalho:olugar,oprograma,eaconstrução.Estaabordagemnão procuradeterminarumprocedimentológicoeracionalqueconcatenariauma seqüênciaderesultadosobtidoscientificamenteapartirdaobservaçãodos condicionantes.Talentendimentodoprocessodeprojeto–epor conseqüência,doconceito-,emoposiçãoextremaàprimeiraabordagem citada,suporiaaeliminaçãocompletadasubjetividadedoarquiteto. Contudo,noprocessodeprojeto,acompreensãoeinterpretaçãodecada aspectocolocadocomopremissaexigeporpartedoarquitetoatomadade sucessivasdecisões.Cadaumadessasdecisõeséumatoracional,operadoa partirdoconhecimentoespecíficodoproblema,relativizadopela experiênciavividadoarquitetoepelomomentoemqueserealizaoprojeto. ComoesclareceBrandãoacercadaleituraoufruiçãodeumaobraacabada, “[t]odacompreensãoéhistóricaeemergedasituaçãoexistencialeda experiênciavividaporaquelequesepropõeàtarefadecompreenderou

interpretaralgumacoisa”(2).Assim,aaparenterestriçãoquea

delimitaçãoclaradeumcampodeaçãosobreoqualoarquitetoopera

duranteoprocessodeprojetonãoseconstituiemeliminaçãoda

subjetividade,mas,pelocontrário,exigeumdirecionamentodesta

subjetividadecomoalgooperativosobreosproblemasefetivamentecolocados

pelomundoaoarquiteto.Enquantoabuscapeloconceitoporpartedo

fruidorouusuáriopartedainterpretaçãodoobjetoemsi,noatodo

projetooobjetoéoquesebuscarealizar,eportantonãosedáao

conhecimentodoautorparaquedeleseextraiam,secompreendamouse

estabeleçamconceitos.Sendoassim,énecessáriorecuarnestabuscapor

algoconcretoque,antesdarealizaçãodoedifício,jáestejadisponívelao

conhecimentodoarquitetoequepermitasuainterpretação.Nocasodo

projeto,oquesecolocacomoconcretoàcompreensãodoarquitetosão,na

grandemaioriadoscasos,asdemandasedeterminaçõesrelativasaolugar,

aoprogramaeàconstrução.

Lugar

Edelineariameuprojeto,tendoemcontaaintençãodoshumanosque

iriammepagar;atentoàlocalização,àsluzes,àssombraseaos

ventos;feitaaescolhadoterreno,deacordocomsuasdimensões,

suaexposição,seusacessos,terrascontíguas,eanatureza

profundadosubsolo

(3)

043.09

TítulodeProfessor

HonorisCausapara

SeverianoPorto

RuthVerdeZein

043.11

Limitesdacidade

JoãoDiniz

Ageografia,atopografiaeageometriadoterreno,suaconformação

geológica,apaisagemfísicaecultural,aestruturaurbana,osol,os

ventoseaschuvaseaindaalegislaçãodeusoeocupaçãodosolosãodados

pré-existentesquepodemserextraídosdeumaanálisecuidadosadolugar.

Cadaumdessesaspectossecolocadeantemãoaoconhecimentodoarquiteto:

tudojáestáali,demandandoapenasumesforçorigorosodeobservação.

Buscarcompreenderasimplicaçõesdecadaumdestesaspectosnasrelações

deusoenoprocessodeconstruçãoéfundamentaltantosobopontodevista

técnicocomoconceitual.

Sobopontodevistapragmáticoetécnico,acompreensãodolugaremtodos

osaspectoscitadostrazoconhecimentonecessárioparaseevitarem

equívocosbanaisquepodemcomprometerahabitabilidadedosespaços,

gerandoincompatibilidadesemrelaçãoaoclimaeànatureza,queinterferem

navidacotidianaeexigemremendosposteriores,nemsemprepertinentes.

Essascorreçõesaposteriori,namaioriadoscasos,interferemnassoluções

formaleconstrutivapretendidasparaoedifícioechegamacomprometera

arquiteturanassuasrelaçõesdeuso.Essesmesmosequívocosdecorrentesda

desconsideraçãodolugarpodemimplicaraindaemgravesincompatibilidades

técnicasnarelaçãoentreaconstruçãoeosítio,agindonegativamente

sobreoequilíbriodasforçasnaturaiseacarretandoaoedifíciodesgaste

maisaceleradopelaaçãodotempoemvirtudedainadequaçãodasua

inserção,sejanoquedizrespeitoàrelaçãocomoterrenonaturaloucom

osaspectosdoclimaoumesmocomumaestruturaurbanapré-existente.Podem

acarretaraindaaumentosconsideráveisnocustodefinaldeconstruçãoe

manutençãodoedifício,comprometendosuaviabilidadeeporvezes

inviabilizandosuaconstrução.

Sobopontodevistaconceitual,acompreensãoeainterpretaçãodolugar

podemcontribuirparageraroespaçoarquitetônico,namedidaemquetemo

potencialdeinduzirmodosdiferenciadosdeordenaçãodaconstruçãoedas

relaçõesdeusoquealiacontecem.Aconformaçãopré-existentedoterreno

natural,suaplanimetriaealtimetria,eaindaasuarelaçãocoma

estruturaurbana,comapaisagemecomosaspectosnaturaisinerentesao

sítio,relativosaoclima,permitemaidentificaçãodediretrizeslatentes

deordenaçãodoespaçoedaforma.Taisdiretrizes,umavezinterpretadas

peloarquiteto,podemserepercutirdiretamentenaconfiguraçãofinaldo

objetoarquitetônico,sejademodoareafirmarosaspectosespaciaise

formaispré-existentesnolugar,sejademodoanegá-los,ouaindademodo

aincluí-loscomoreferênciaparcialàrealizaçãodaconstrução,emuma

dialéticapermanenteentreasdeterminaçõesdolugar,doprogramaeda

construção.

Programa

Acreditavaqueumnavio,dealgummodo,deveriasercriadopelo

conhecimentodomar,comoquemoldadopelaprópriaonda!

verdade,esseconhecimentoconsisteemsubstituiromar,emnossos

raciocínios,pelasaçõesqueeleexercesobreumcorpo,-comose

Mas,na

setratasse,paranós,dedescobrirasoutrasaçõesqueaessasse opõem,defrontando-nostãosomentecomumequilíbriodepoderes, unseoutrosextraídosdanatureza,ondenãosecombatiamutilmente

(4).

Osusoseatividadesquegeralmentedãoorigemàdemandaporumedifício sãoemgeralcolocadosnoiníciodoprocessodeprojeto.Tambémsão colocadasasrestriçõesrelativasàeconomia,umaspectogeralmente

desconsideradoousubestimadopelosarquitetos(5).

Desconsiderarasdefiniçõesrelativasàslimitaçõeseconômicasouentendê-

lascomoumarestriçãoàcriaçãoérecorreràexclusãodoproblemapara

buscarumasoluçãomaissimplesefácil(6).Aconsideraçãodasquestõesde

economia,quandoseoperacomrecursoslimitados,característicarecorrente nocontextobrasileiro,éantesdetudoumapremissaquepressupõea viabilidadedaconstrução.Sendoassim,ignorarasrestriçõeselimitações deordemeconômicarepresentaemumcontextodeescassezumatode irresponsabilidadeemrelaçãoaousuário,nocasodeumarelaçãoparticular entrearquitetoecliente,ouemrelaçãoàsociedade,nocasoemqueo clientesetratedeumainstituiçãopública.Representaaindaum descompromissodoarquitetocomarealizaçãoconcretadesuaobra.A necessidadedaatençãoàeconomiaremeteàquestãododecoro,apontadapor Vitruvio:“odecoroéoaspectocorretodaobra,queresultadaperfeita adequaçãodoedifício,noqualnãohajanadaquenãoestejafundadoem

algumarazão”(7).Mesmoemsituaçõesemqueaescasseznãoécondiçãopara

arealizaçãodaarquitetura,odispêndioexcessivoesupérfluoimplicaem

últimainstâncianainserçãodiretadotrabalhodoarquitetonomundodo

consumodesenfreado,apromoveranãopreservaçãodosrecursosnaturais

disponíveisparaohomemnoplaneta.ComoapontaMoneo,

Aconstruçãodeumedifíciorequerumempenhoenormeeumgrande investimento.Arquiteturaemprincípio,quaseporprincípio econômico,deveserdurável.Osmateriaisdevemassegurarvida longaaosedifícios.Antesumedifícioeraconstruídoparadurar parasempreou,pelomenos,certamentenãoesperávamosque

desaparecesse(8).

Aoseestabelecerumprograma,surgeanecessidadedadeterminaçãode

dimensõesdosespaçosafimdeacomodarasdiversasatividadespropostas

paraoedifício.Essedimensionamentoseconstituiempartefundamentalda

interpretaçãodoprograma.ComoapontaLeCorbusier,anoçãodadimensão

deveseralgoqueultrapassaaabstraçãodareproduçãodepadrõesmétricos

universalmenteaceitos,considerandoasdimensõeseaescaladohomemcomo

referênciaparaadeterminaçãodosespaços:

Ometroéapenasumacifrasemcorporeidade[

Modulorsão‘medidas’,e,porconseguinte,feitosemsiquetêm

corporeidade;[

qualquermodo,‘continentesdohomem’ouprolongamentosdohomem.

Paraescolherasmelhoresmedidasvalemais‘vê-laseapreciá-las

comaseparaçãodasmãos’doquepensá-lassomente(issoparaas

medidasmuitopróximasdaestaturahumana).[

comessapalavraengloboaquasetotalidadedosobjetos construídos)devesertãocarnalesubstancialcomoespirituale

especulativa(9).

]Ascifrasdo

]osobjetosquesedeveconstruir[

]são,de

]Aarquitetura(e

Paraalémdasquestõesrelativasàsproporçõesdaforma,odomínioefetivo

dasdimensõespermiteaatuaçãoativadoarquitetosobreaconstruçãoafim

dedefinirespaçosqualitativamentedistintos.Adefiniçãodaambiênciade

umespaçodepermanênciaoudeumpercursoeademarcaçãodeseucaráter

públicoouprivadosãodiretamentedeterminadospelassuasdimensões.

Portantoodimensionamentoéfundamental,emprimeirainstância,paraum

domíniodasdemandasdeespaçoaquecorrespondemasdiversasatividadese,

emsegundainstância,paraadefiniçãodehierarquiasedemarcaçãode

diferenciaçõesclarasentreosespaçosdenaturezasdistintas.

Emrelaçãoaosusoseatividadesdemandadosemumprograma,paraalémdeum

atendimentoimediatoàsquestõesutilitáriasentendidasemumsentido

funcionalista,épossívelbuscarcomopartedestaestratégiaconceituala

investigaçãodosdiversosmodosdevidadosusuários,conhecidosou

imaginados,afimdebuscarnessesmodosdevidaasespecificidadesque

sugiramoespaçomaisapropriávelemaisadequadoparaqueesteshábitos

tomemlugar.ComoapontaBrandão,

Osconceitos,comoaquelesqueelaboramosduranteaproduçãodeum

projeto,nãosurgemdonada,masdareflexãosobreanossaprópria

experiênciadosespaçosedaquiloquenosforneceatradiçãoque

lhesconcerne.Assim,(

experiênciadessesespaços,sobreaimagem,ossignificadose

sentidosqueatradiçãonostransmiteequesedepositoucomo

repertóriodacultura(10).

)cumpreelaborarareflexãosobrenossa

Essacompreensãodatradiçãopodeaquisertomadacomoumainterpretaçãodo

repertórioacumuladodaculturaafimdetransformá-loemproposições

adequadasparaopresente,aoinvésdereproduzirpadrõesdeespaço

culturalmentedesenvolvidosaolongodahistóriaparaestaouaquela

finalidade.Nessesentido,parecemaisfértil,comosugereValéry,

construironavioapartirdacompreensãodasforçasqueomarlheimpõe,

ouseja,pensaroespaçofisicamenteconstruídoapartirdasforçase

tensõesqueasdiferenciaçõesentreosdomíniosdoindividualedocoletivo

neledeterminam.Apartirdesteentendimento,parecepossívelinterpretare

interferirnestesdiferentesmodosdevida,apartirdareelaboraçãodos

padrõesrecorrentesnatradição,promovendoarticulaçõesvariadasentreas

atividadeseosdomíniosterritoriais,afimdeestabelecernoespaço

físicocontinuidadesedescontinuidades,integrações,separaçõese

fragmentações,oracontroladaspelasnecessáriastransições,ora

justapostasemdemarcaçõeserupturasviolentasentreosdomíniosdo

públicoedoprivado.

Ademarcaçãodeterritórioscomcaracterizaçõesdistintasemsuasrelações deprivacidadeevocaapremissadequeaarquiteturasefundana

necessidadedemediaçãodasrelaçõeshumanas(11).Apartirdesse

entendimento,épossívelsuperarumavisãofuncionalista,quedefiniriao

espaçocomoatendimentoobjetivoaatividadesespecíficas,passandoao

entendimentodaquestãodosusosedaocupaçãohumanadoespaçoedificadoa

partirdacompreensãodasdiversaspossibilidadesdevivênciadoedifício

nocotidiano.Habitamossimplesmenteoespaço,mesmoquandonele

momentaneamentenãodesenvolvemosqualqueratividade,ouseja,ohabitar

nãopassapelanoçãodafunçãooudautilidadeimediata.

Aarquiteturapodesurgirdoconhecimentoedainterpretaçãodos

condicionantesimpostospelavidacotidiana.Quandoentendidaassim,

resultamaiscircunstancialemenosideal.Nessesentido,cadaprojetoéum

atoúnico,quedeveincorporarascontradiçõesespecíficassurgidasdo

embateentreseuscondicionantes.Aformaéportantoalgoqueresultadeste

embate,eémaisrelevantequandoevitaosgestosretóricosqueprocuram,

porumlado,adeterminaçãodeumalinguagemapriorie,poroutrolado,a

caracterizaçãodeumdiscursosobrealgumdosaspectosenvolvidosnasua

realização.

Aarquiteturapodeprescindirdodiscurso,desvestiraspretensões

excessivasqueextrapolamseusfundamentosprimeirosecuidardaquiloque

lheémaiscaro,etemsidomaisabandonado,queéaimportânciado

conhecimentodaconstruçãocomooúnicomeiodeviabilizaçãodoespaço

físicodestinadoàhabitaçãopelohomem.

Construção

Eupalinoserasenhordeseupreceito.Nadanegligenciava. Prescreviaocortedastábuasnoveiodamadeira,afimdeque, interpostasentreaalvenariaeasvigasquenelasseapoiassem, impedissemaumidadedepenetrarnasfibras,embebendo-ase apodrecendo-as.Prestavaamesmaatençãoatodosospontos sensíveisdoedifício.Dir-se-iatratar-sedeseuprópriocorpo. Duranteotrabalhodaconstrução,raramenteafastava-sedo canteiro.Conheciatodasassuaspedras:cuidavadaprecisãodeseu talhe,estudavaminuciosamentetodososmeiosdeevitarqueas arestasseferissemouqueapurezadosencaixessealterasse. Ordenavaapráticadacinzeladura,areservadoscalços,aexecução debiséisnomármoredosadornos,dispensavaomaisfinocuidadoao

rebocoqueaplicavanosmurosdesimplespedra(12).

Adefiniçãodasfundações,daestrutura,dasproteçõescontraas intempéries,dasinstalaçõescomplementares,dosprocessosconstrutivose dosdetalhes,bemcomoaeleiçãodosmateriais,sãoescolhasdoarquiteto quevisamaviabilizararealizaçãodoespaçoimaginadoeresultamnaforma arquitetônica.Assimcomonosaspectosrelativosaolugareaoprograma,é possívelidentificardiretrizeslatentesdeordenaçãodoespaçoedaforma emcadaaspectorelacionadoàconstrução.Pensarcadaumdessesaspectos paraalémdesuasdeterminaçõestécnico-funcionais,daviabilizaçãodo abrigo,implicaempensaroelementodaconstruçãocomogeradordeespaço, enãoocontrário.Respeitarasespecificidadesdecadasoluçãotécnica, compreenderocomportamentodoselementosemrelaçãoàsforçasdanatureza, emespecialagravidade,implicaemexplorarconceitualmenteas possibilidadesdaconstrução.Nessesentido,cabeconcordarcomJoaquim Guedes,queapontaque“[h]áqueaprenderaimaginaroobjetoeaomesmo

tempoinventarsuaconstrução”(13).

Oconhecimentodaconstruçãoéaúnicapossibilidadedeseviabilizar

concretamenteaidéiadoobjetoarquitetônico.Suadesconsideraçãoéa

garantiadafalênciadaarquitetura–edoarquiteto-,namedidaemque

deixaparaoutroaresponsabilidadefundamentaldasdefiniçõesqueem

últimainstânciaimplicamnageraçãodaformavisíveletangíveldo

edifício,enadefiniçãodaambiênciaedaconformaçãodoespaçointerior

destinadoàvidahumana.Desconhecerosprocedimentosparaaconstruçãodo

objetoéoperarapenassobreaimagempretendidaparaoedifícioeseu

espaçointerior,éosimulacrodadecoraçãoedoornamentosupérfluo.Sehá

algumcaminhopossívelparaaarquiteturanessemomento,acreditosersua

realizaçãoatravésdamanipulaçãoativadesualógicadeconstrução,

operandoapartirdeseusfundamentosparaatingirumarespostaconcreta,

fisicamenteedificada,quefaçarepercutirnoobjetoarquitetônico,demodo

complexo,oconhecimento,ainterpretaçãoeatransformaçãodetodasas

restriçõesedeterminaçõesdolugar,doprogramaedaspróprias

possibilidadesdeconstrução.

Odesenhocomomediador

Souavaroemdivagações.Concebocomoseexecutasse(14).

Arepresentaçãográficaé,eparecequepormuitotempocontinuarásendo,o

mododemediaçãoentreaidéiaeasuarealizaçãoconcreta,aconstrução.

Portanto,odesenhoéopontocríticonoprocesso,poisnãoéapenasa

representaçãofinaldeumaidéiapensadadeantemão,maséaprópria

construçãodaidéia.Enquantodesenha,oarquitetotestahipótesesde

resoluçãodasdiversascontradiçõesquesurgemdoembateentreasdemandas

impostaspelosítio,peloprogramaepelaconstrução.Comoconfirma

Brandão,

aexpressãográfica(

masummomentodecompreensãoeconstruçãodessaidéia.(

queessarelaçãoédialógicasignificadizerqueelasedesenvolve apartirdojogodeperguntaserespostasquesãocolocadasentre osdoismomentos.Essejogosedesenvolverátambémparaestabelecer arelaçãoentreoprojetoeaobrae,depois,entreaobraeo habitante.Cumprereafirmar,desdejá,queaprópriadefiniçãodo conceitoémediatizadapelasperguntascolocadaspelaconstrução,

pelacontextualizaçãoepelafruiçãodaobra(15).

)nãoéapenasrepresentaçãodeumaidéia

)Dizer

Comomediadorquevisaaconcepçãoearealizaçãodoedifício,odesenho

deveexplicitarcomclarezaosprocedimentosparaaconstruçãodoobjeto.

Setratadodemodoabstratoedesvinculadodalógicaedasimplicaçõesda

construção,odesenhoperdesuarelaçãodiretacomoobjetoarquitetônico,

edeixadeseromeioparasuarealização.Arrisca-seassimanão

realizaçãodoedifíciocomoprevisto,pormeraimpossibilidadeou

divergênciaentreatécnicapossíveleoespaçoevolumeimaginados.A

deficiênciadarepresentaçãodecorredodesconhecimentodaconstrução.

Portanto,arepresentação,parasersuficienteeparaviabilizara

construçãodeumedifícioqualquer,devesefundamentarnoconhecimentode

todasaspremissasqueinterferemnestarealizaçãodoobjeto.RafaelMoneo

confirmaessahipótese:

Muitosarquitetosatualmenteinventamprocessoseensinamtécnicas

dedesenhosemapreocupaçãocomarealidadedaconstrução.A

tiraniadosdesenhoséevidenteemmuitosedifíciosemqueo

construtorprocuraseguirliteralmenteodesenho.Arealidade

]Osedifíciossereferem

tãodiretamenteàsdefiniçõesdoarquitetoeestãotão desconectadoscomaoperaçãodaconstruçãoqueaúnicareferênciaé odesenho.Masumverdadeirodesenhodearquiteturadeveimplicar

sobretudooConhecimentodaconstrução(16).

pertenceaodesenho,nãoaoedifício.[

Anecessidadedoconhecimentoacumuladoassociadoàobservaçãoacuradados

aspectosespecíficosquedizemrespeitoacadaprojetosugereuma

possibilidadedeabordagemmetodológicadoprojetoarquitetônico.Oatode

projetarpodeserentendidocomoumtrabalhoreflexivo,umesforçode

equilíbrioentreoconstruir,ohabitareopensarcolocadoscomopremissa

paraestedebate.Éumatodepensaraconstrução,ohábitoeolugar,de

modoatransformarasituaçãopré-existenteemalgonovo,queconfigureum

suportehabitável,nosentidopragmáticodaconfiguraçãodoabrigoeda

proteçãoqueoconhecimentodatécnicaviabiliza,enosentidoespecífico

damediaçãodasrelaçõeshumanas,quesomenteserealizaapartirdo

conhecimentodavidacotidianaedaatuaçãointencionaldoarquitetosobre

asarticulaçõesfísicasdoespaçoedaconstrução.Alinguagemeaforma

surgemcomodecorrênciaimediata,masnãoóbvia,destetrabalhoreflexivo

sobreosdadospré-existentesdoproblema.

Fiar-seemrelatoslegitimadoresexternos,aindaqueeleitoscasoacaso,é

cometeromesmoerrodosherdeirosdesavisadosdearquiteturasdopassado,

queentenderamaarquiteturadesuaépocacomoumpadrãobaseadoemum

repertórioformalaserreproduzido,reduzindoaimportânciada

consideraçãoefetivadoscondicionantesreaisquesurgemdavidacotidiana.

notas

1

Esteartigofoielaboradooriginalmenteparapublicaçãoeapresentaçãoem mesaredondadoSeminárioArquiteturaeConceito,promovidopeloNúcleode Pós-GraduaçãoemArquiteturaeUrbanismodaEscoladeArquiteturadaUFMG,

emjulhode2003,soboTema:“Construir,Habitar,Pensar,hoje.Oqueé

Projetar?”,sobacoordenaçãodoprof.Dr.JosédosSantosCabralFilho.

2

BRANDÃO,CarlosAntônioLeite.“Linguagemearquitetura:oproblemado conceito”.RevistadeTeoriaeHistóriadaArquiteturaedoUrbanismo.

vol.1,n.1,novembrode2000.BeloHorizonte:GrupodePesquisa

"HermenêuticaeArquitetura"daEscoladeArquiteturadaUFMG.Disponível:

<http://www.arq.ufmg.br/ia>.Acessoem25jun.2003.

3

VALÉRY,Paul.EupalinosouOArquiteto.TraduçãoOlgaReggiani.SãoPaulo:

Editora34,1996,p.175.

4

Idem,ibidem,p.155.

5

Vitruvioapontaaeconomiacomoumimportantedefinidordaarquitetura, sendoumpressupostoàutilidade.Daíresultaaabordagem,nestetrabalho, daeconomiaemconjuntocomasquestõesreferentesaouso,configurandoas demandasrelativasaoprograma.Sobreisso,cf.VITRUVIO,MarcoLucio.Los diezlibrosdearquitectura.Traduçãodiretadolatim,prólogoenotaspor

AgustínBlanquéz.Barcelona:EditorialIberia,1955,p.16.

6

RobertVenturiapontaasimplificaçãodecorrentedaexclusãodeproblemas

comoumaestratégiaparaassegurarumapré-determinaçãodaforma.Contrapõe

aessatendênciaanecessidadedabuscaporumacomplexidadequeinclua

efetivamentenaresoluçãodaformaasdiversasdemandasquecomparecemno

processodeprojeto.Cf.VENTURI,Robert.ComplexidadeeContradiçãoem

Arquitetura.TraduçãoÁlvaroCabral.SãoPaulo:MartinsFontes,1995.

7

VITRUVIO.Op.cit.,p.14.

8

”Theconstructionofabuildingentailsanenormousamountofeffortanda majorinvestment.Architectureinprinciple,almostbyeconomicprinciple, shouldbedurable.Materialsshouldprovideforthebuildings'slonglife. Abuildingformerlywasbuilttolastforeveror,atleast,wecertainly didnotexpectittodisappear”.MONEO,Rafael.“ThesolitudeofBuidings”. KenzoTangeLecture,HarvardUniversityGraduateSchoolofDesign,março,

1985.(discurso).Disponível:<http://web.arch-mag.com/3/recy/recy1t.html>.

Acessoem05jun2003,s/p.

9

LECORBUSIER.Elmodulor:Ensayosobreumamedidaarmonicaalaescala humanaaplicableuniversalmentealaarquitecturayalamecánica.Buenos

Aires:EditorialPoseidon,1961,p.56-57.

10

BRANDÃO,CarlosAntônioLeite.Op.cit.,s/p.

11

Paraaprofundaroentendimentodaarquiteturacomomediaçãodoscódigosde éticadasociedade,cf.CABRALFILHO,JosédosSantos.Formalgamesand

interactivedesign.Sheffield:SchoolofArchitecturalStudies,1996.

(Tese),seção1.3.1.Disponível:

<http://www.arquitetura.ufmg.br/lagear/cabral/phd/index.html>.Acessoem15

mar.2000.

12

VALÉRY,Paul.Op.cit.,p.39.

13

GUEDES,Joaquim.“GeometriaHabitada”.In:VALÉRY,Paul.EupalinosouO

Arquiteto.TraduçãoOlgaReggiani.SãoPaulo:Editora34,1996(Prefácio),

p.12.

14

VALÉRY,Paul.Op.cit.,p.51.

15

BRANDÃO,CarlosAntônioLeite.Op.cit.,s/p.

16

Manyarchitectstodayinventprocessesormasterdrawingtechniqueswithout

concernfortherealityofbuilding.Thetyrannyofdrawingsisevidentin

manybuildingswhenthebuildertriestofollowthedrawingliterally.The

realitybelongstothedrawing,nottothebuilding.[

refersodirectlytothearchitect'sdefinitionandaresounconnectedwith

theoperationofbuildingthattheonlyreferenceisthedrawing.Buta

trulyarchitecturaldrawingshouldimplyabovealltheKnowledgeof

construction.MONEO,Rafael.Op.cit.,s/p.

]Thebuildings

sobreoautor

CarlosAlbertoMacieléarquitetoeurbanista,mestreemTeoriaePrática deProjetopelaEA-UFMG,professornoUnicentroIzabelaHendrixena UniversidadedeItaúna,possuiprojetospremiadosemdiversosconcursos

nacionais,comooCentrodeArteCorpo,o4oPrêmioJovensArquitetosea

4aBienalInternacionaldeArquiteturadeSãoPaulo.

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