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17/12/2014

AinterpretaçãodanormatributáriasegundooCódigoTributárioNacional.Análiselegaledoutrináriadainterpretaçãotributária.­JusNavigandi

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AinterpretaçãodanormatributáriasegundooCódigoTributárioNacional.

Análiselegaledoutrináriadainterpretaçãotributária.

Análiselegaledoutrináriadainterpretaçãotributária. MairaCauhiWanderley Publicadoem12/2014.Elaboradoem12/2014.

Publicadoem12/2014.Elaboradoem12/2014.

Trata­sedeumaresenhasobreosdispositivoslegaisinseridosnoCódigoTributárioNacionalentreosartigos107e112,queestabelecemregras

paraainterpretaçãodalegislaçãotributária.

DispõeoCódigoTributárioNacional,naSeçãoIII,CapítuloIV,sobreasnormasdeinterpretaçãoeintegraçãodalegislaçãotributária,dedicandooart.107paratraçarasnormasgeraisde

interpretaçãoeoart.108paraasnormasdeintegração.

Primeiramente,cabedistinguiradiferençaentreinterpretaçãoeintegração.Savignyfoiumdosprimeirosadestacaradiferençaentreasduas,definindocomointerpretaçãoométododese

obteroverdadeirosentidodalei,aindaquenãoestejaexpressoliteralmente,ecomointegraçãoomeiopeloqualoaplicadordodireitopreencheaslacunaslegais.Emsuma,ainterpretação

visadeclararosentidodanorma,enquantoaintegraçãovisacriararegulamentaçãodeumdireito.Aseparaçãodosdoisinstitutosaindaéimprecisa,havendopoucadiferençaentreos

limitesdeumeoiníciodeoutro.UmexemploéoqueocorrenaSuíça,ondeaanalogia(processodeintegraçãododireitobrasileiro)éconsideradacomomeiodeinterpretaçãodanorma,

poisojuiznãocriaodireito,vistoqueanormapreexisteaoordenamento.

Assim,analisadososinstitutosapresentadospeloCTN,passaremosaesmiuçarsuasnormas.Dispõeoart.107doCTN:

Art.107.Alegislaçãotributáriaseráinterpretadaconformeodispostonestecapítulo.

Ocorreque,apesardeconteralgumasparticularidades,odireitotributáriodeveserinterpretadocomoqualqueroutroramododireito,aplicando­sesubsidiariamenteasnormasdo

direitocivil,osprincípiosgeraisdodireitoeprincípiosgeraisprópriosdodireitotributário.Ressalta­sequeosprincípiosnãosãonormassobreinterpretação,masorientaçõesqueo

intérpretedeveseguir.

Oart.108doCTNdispõesobrenormasdeintegração,criandoumaordemdemétodosaseremseguidospeloaplicador.Estesmétodosdeverãoserutilizadosapenas“naausênciade

disposiçãoexpressa”,ouseja,quandohouverlacunasnalei.Lacunaháquandoumanormadeixaderegulardeterminadasituação,eestanãoregulamentaçãogeraumainsatisfaçãoao

supostotitulardodireito.Ovazioquealeicarregafereoordenamentojurídico,devendoserpreenchidoparaquehajaasatisfaçãodosistemajurídico.

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Positivistasdoséc.XIXafirmamquenãoexistelacunanoordenamentojurídico,poisdefendiamqueosistemaépleno.Outrosdoutrinadoresbrasileirosseguindoaideiapositivista,assim

comoRubensGomesdeSouzaeAlbertoXavier,tambémdefendematesedequenãohálacunasnodireito,afirmandooprimeiroautorquesenãohouvernorma,apretensãodoautor

deveráserdenegadapelojuiz,eosegundodefendendoqueporserumramododireitodecarátertaxativo,alógicasistemáticalevaacrerquelacunasnãohánodireitotributário.

Porém,nãoétodovaziolegalquedeveráserpreenchido,masapenasaquelequegereumainsatisfaçãofaceaosvaloresjurídicos,poisseirrelevanteforalacunanãoseránecessárioseu

preenchimento.

Comovistoanteriormente,oart.108doCTNtrazaordemhierárquicadosmétodosdeintegraçãodanormatributária.Contudo,críticasexistemcombatendoessahierarquiasoba

alegaçãodequenãoháfundamentosjurídicos,lógicosoufilosóficosparaqueestesmétodossejamordenadosdessamaneira.Osdoutrinadoresitalianossãoosquedefendemahierarquia

dosmétodos,influenciadospelacorrentepositivista,fortementepresentenaquelepaís.

Outradiscussãoquesurgeemtornodesteartigoéseaenumeraçãodosmétodoséexemplificativaoutaxativa.Entende­seqestanãopodesertaxativa,vistoqueéincompleta,poisnem

mesmocontémalusãoaosprincípiosgeraisdoDireito,queaplicam­seemqualquerramojurídico.

Passaremosagoraanalisarcadaumdosincisosdoart.108.Oprimeirodelesserefereaanalogia,igualmenteoquedispõeoart.4ºdaLeideIntroduçãoaoCódigoCivil,quedeclaraque

emcasosdelacunasdaleideveráserempregadaaanalogia.

Analogiaéaplicadaàlideparaaqualnãoexisteprevisãolegal,ondeasnormasdehipótesessemelhantesserãoutilizadasnocasonãoprevistolegalmente.Ganhouprestígiocomasobras

quecriticavamaplenitudedoordenamentojurídico,queéapremissaquedefendiamospositivistasdoséc.XIX.Contudo,ainclusãodaanalogianodireitotributárionãofoimuitobem

aceitaporalgunsdoutrinadorespátrios,entreelesRubensGomesdeSouza,AlfredoAugustoBecker,FranciscodeSouzaMatos,MoacirLobodaCostaeAlbertoXavier.Hoje,nãomaishá

discussãosobreaaceitaçãodaanalogia,vistoquepacificamenteéaceitanesteramododireito,todavia,sónãoseráaceitaseforparaexigirtributonãoprevistoemlei,senãohaveráaberto

desrespeitoaoprincípiodalegalidade,quepossuigarantiaconstitucional.

Aanalogia,quandoempregadaaocasoconcreto,beneficiamaisaoFiscodoqueaocontribuinte.Éaplicadasomentequandoaleiconterlacunasquenãoexpresseasuavontadepara

determinadocaso,sendotambémnecessárioquehajasemelhançavisívelentreocasoconcretoeoescolhidoparacomparação.

Muitasvezesaanalogiaéconfundidacomainterpretaçãoextensiva,sendoestaumaproblemáticaperfeitamentecompreensiva,poisadiferenciaçãoperfeitaentreosdoisconceitosnãoé algoquesepossafazercomsegurança.Nãohácertezaquandodeveráserusadaaanalogia,empregadaquandonãoexisteexpressividadedosconceitosjurídicosutilizadospelolegislador, ouquandoseráutilizadaainterpretaçãoextensiva,aplicadaquandohávácuonormativo.Porém,quandohálacunanasenumeraçõesexemplificativas,ainterpretaçãoextensivaé admissívelequandohávaziosnasenumeraçõestaxativas,admiti­seapenasaintegraçãoanalógica.Enumeraçãoexemplificativaéaquelaemquealeidescrevecasosqueapresentam elementoscomunsqueospermitemseremreunidosnummesmogrupoenamesmacategoria,aquiháumadescriçãovaga,jáenumeraçãotaxativaéaquelaqueoscasosapresentadossão limitados,tendotodososseuselementossecundáriosespecificados,sendoqueestesnãoapresentamsemelhançacomoelementocomumquereuniuatodosnamesmalista.Essa

diferenciaçãofoiaceitapeloSTF,queadmitiuainterpretaçãoextensivadalistagemdoISSnojulgamentodoRE87.931.

Segundooart.108doCTN,nãosendopossívelempregaraanalogia,aplicar­se­áosprincípiosgeriasdedireitotributárioeosprincípiosgeraisdedireitopúblico.Princípiosjurídicos

servemparainformaracriação,interpretaçãoeintegraçãodoordenamento,sendoquemuitasvezessãonormasabstrataseoutrassurgemcomonormasescritas.Suaprincipalcaracterística

ésergenérico,nãosedirigindoaumcasoespecífico.Osprincípiosnãosãoleis,diferenciam­sedestaspois,comojádito,sãonormasgenéricasquenãotrazemexceções,sendoaplicadosa

várioscasos,jáasleisatingemapenasofatoprevistoemseutexto,excetuandosuaaplicaçãoàsdemaispossibilidadesnãoreguladasporela.Assim,caberáaoaplicadordodireitoescolhero

princípioquemelhorseadequeaocasonãoreguladopelalei.

Aúltimaformadepreenchimentodelacunasprevistanoartigoemanáliseéaequidade.EstafoiprimeiramentedefinidaporAristóteles,noqualaconcebeucomocaráterdeintegração,

queéoquenosinteressanomomento,noensaio“ÉticaaNicômaco”.Aequidadetraduzaidéiadaaplicaçãodeprincípiosjurídicosquecontêmaidéiadejustiçaaocasoconcreto,no

direitotributário,essesprincípiossão,namaioriadasvezes,oprincípiodacapacidadecontributivaedocusto/benefíciodasdespesaspúblicas.

Aequidadepoderáserutilizadaparacorreçãododireito,interpretaçãodopreceito,paraasuavidadedaspenalidadesaplicadaspeloFiscoeparaintegraraslacunasexistentes,sendoesta

aqueinteressanopresentetrabalho.Porém,seguindoestaúltimafinalidade,serápoucoaplicadaaocasoconcretovistoqueseucampodeatuaçãoseráondehouverconceitosvagos,

cláusulasgeraisediscricionariedadeadministrativaoujudiciale,porserumramojurídicoquesegueestritamenteoprincípiodalegalidadeeousodeenumeraçõestaxativas,sobrará

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poucoespaçoparaautilizaçãoconcretadaequidade.Limitaé,portanto,aintegraçãoporequidade,sendoaplicadaapenasnoscasosemqueolegisladorpermiteadiscricionariedadedo

aplicadorparaconcederincentivos,perdõesefavoresfiscais.

Porfim,oparágrafo1ºdoart.108doCTNtraduzumconceitoquejáerapacíficonadoutrinaequehoje,noEstadoModernodeDireito,nãoseaceitamaisdiscussões,queéaproibiçãode

exigênciadetributosporanalogia.

SeguindoaordemapresentadapeloCTN,passaremosaanalisaroartigoposterior,quedispõeoseguinte:

Art.109.OsprincípiosgeraisdeDireitoPrivadoutilizam­separa pesquisasdedefinição,doconteúdoedoalcancedeseusinstitutos,conceitoseformas,mas nãoparadefiniçãodosrespectivosefeitostributários.

VisaoCTNcomesteartigoestabelecerumahierarquiademétodosparainterpretaçãodanorma.Analisando­seoart.109juntamentecomoart.110,chega­seaconclusãodequese

priorizaométodosistemático,contudo,analisandoapenasoart.109isoladamente,subentende­sequeprivilegia­seométodoteleológicoouainterpretaçãoeconômicadofatogerador.

AaplicaçãodainterpretaçãosistemáticaanulaoentendimentodequeoDireitoTributárioéumramoautônomo.Paraesta,osconceitosjurídicosdevemserempregadosdeacordocomo

lugarjurídicodoqualemanam.Assim,umconceitodedireitoprivadoterásempreomesmosentido,sejaaplicadoemqualquerramododireito.

Masapenasseráusadaainterpretaçãosistemáticaseseconjugaroart.109comoart.110doCTN,poiséestequepreceituaqueosconceitosdedireitoprivadonãoserãomodificadospara

definiroulimitarcompetênciastributárias.Ouseja,anormatributáriadeveráaplicarosconceitosdefinidospelodireitoprivadoquandosetratardecompetênciadetributos,nãopodendo

aplicar­lhesentendimentodiverso.Destamaneira,privilegia­sealeicomofontedoDireitoTributáriodoqueajurisprudência.

Ainterpretaçãoteleológicapodeserrecomendadaquandoseanalisaoart.109doCTNisoladamente,quandoosconceitostributáriosnãoestiveremcontidosnaConstituição.Estavisaa

finalidadeeoobjetivodanorma,sendotambémconhecidacomointerpretaçãoeconômica.Nãoselevaemcontaaformadoato,apenasafinalidadeeconômicaquealeivisa.

SurgiuestaposiçãonaAlemanha,chegandoaseraténormatizada,sendodefendidanoBrasilporAmílcardeAraujoFalcãoeRubensGomesdeSouza.Estateoriadefendeaautonomiado

DireitoTributário,ailicitudedaelisão,aarbitrariedadedojuizeaprimaziadajustiça.

PorautonomiadoDireitoTributárioentende­sequeosconceitosdedireitoprivadopossuemconsequênciasprópriasquandoaplicadasnanormatributária.Quantoailicitudedaelisão,

estemétodoconsideratributávelofatoquenãoapresentecorrespondênciaentreaformaeoconteúdo,levando­seemcontaosefeitoseconômicosquealeideclaracomohipótesede

incidência.Aarbitrariedadedojuizconsisteementenderoqueéounãoéumfatogeradortributável,partindodaanálisedoconteúdoeconômicoprevistopelanorma,eporfim,aideiade

justiçaestáligadaamétodosquesãomecânicosecasuaisdearrecadação,ouseja,seumfatoeconômicofoipraticadoeestavaprevistonanormacomotributável,aquantiadevidadeveráser

exigidapeloFisco.

Vistososmétodosdeinterpretaçãoquedaanálisedocódigopode­seconcluirque,naverdade,nãoexisteaprevalênciadeumoutrométodo,nemexisteapenasosdoismétodosaserem

aplicadosànorma.Oqueocorreéqueemcadacasoconcretoaplica­seainterpretaçãoquemelhortraduzaosentidodanorma,sejaelahistórica,literal,sistemáticaouteleológica.

AssimescreveuAmílcarFalcãosobreoassunto:“Umdostemasmaisárduosemdireitotributárioéodainterpretaçãodaleitributária”.Nãosedeveprivilegiarummétodoemdetrimento

dooutro,vistoqueapenasascorrentesradicaiséquepregamaprevalênciadeummétodo.Tampoucoéaceitohojeemdia,atesedequeaodireitotributárioapenasécabívela

interpretaçãorestritiva,vistoqueainterpretaçãonadamaisvisadoquedeclararosentidodeumalei.

Afunçãodointérpretenãoécriarumnovodireito,muitomenosinovaroordenamentojurídico,massimdeclararatéondealcançaanormaeosignificadodeseusconceitos,poismuitas

vezesaleinãoétãoclara,ouolegisladornãoétãotécnico,sendoaíessencialopapeldainterpretação.Daíderivaoentendimentodequetodainterpretaçãoserásempredeclaratória,

sofrendocríticasporpartedadoutrinaadenominação“interpretaçãoextensiva”e“interpretaçãorestritiva”.

Contudo,comojávistoanteriormente,aanalogiaquandoaplicadacriaumnovodireito,poisémétododeintegração,enãodeinterpretação.

Tambémhádiscussãosesempreseráaplicadooprincípiodainterpretaçãoquemaisfavoreçaocontribuinte.Esteprincípiosurgiuemdefesadaliberdadeedapropriedadedoindivíduo,

equedeveriaserdadoaesteomesmotratamentoqueodireitopenaldáaoréu,ouseja,aaplicaçãodoprincípioindubioproreo.Mas,voltandoafrisar,ainterpretaçãoéadeclaraçãoda

vontadedaleienãodevesofrernenhumtipoderestriçãoenemmesmotalprincípioéencontradoemalgumaleioumesmonaConstituição.

17/12/2014

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Aointerpretaranormadeve­seapreciarconjuntamenteosmotivosquealevaramaserfeita,osprincípiosquearegem,eahistóriadadisciplinanoqualseestáanalisando,ouseja,todos

osfinsaquevisaeseuencaixenadisciplinadoqualfaçaparte.Nota­sequeestanãoéumaordemhierárquica,poisparahaverainterpretaçãoéprecisoquesepondereosvaloresqueserão

aplicadosescolhendo­seoquemaissesobrepõe,conformeasnecessidadesdocasoconcreto.Aopiniãodolegisladorsobrealeitambémexercegrandeinfluênciaparaquesecompreendao

seusentido,contudonãodevesertomadacomoummétodoqueprevaleçasobreosdemais,poisnomomentoemqueanormaépublicadaelacaminhaporpernaspróprias,tendoseu

própriosignificadoenãoestandomaisligadaavontadedeseuautor.

Aleitributáriadiferencia­sedasdemaisporaceitarqueideologiaspolíticaseeconômicasinterfiramemsuainterpretação,contudo,adoutrinamaismodernaentendequeaelaé

aplicáveltodososmétodosdeinterpretaçãotambémutilizadosnosdemaisramosdodireito.

Muitasvezes,visandofacilitaracompreensãodalei,olegisladorditaumconceitoepassaadeterminá­lo,comoporexemplodeterminaqueosujeitopassivodecertotributoseráuma

indústria,conceituandocomotalaquelequeproduzatravésdemaquinários,aparelhosoumanufatura.Aoexemplificarumconceito,nãoestáolegisladorexcluindooutrasindústriasque

produzambensdeoutraforma,masapenastentadaraoconceitoumamelhorcompreensãodeseusentido.Quantoàslistasexemplificativaseexaustivas,reporta­seaoexposto

anteriormentenestecapítulo.

Quandoanormaconterconceitosderivadosdeoutroramododireitoquedefinamofatogeradordetributos,comodeveráointérpreteseportar?Acorrentecivilistaentendequeanorma

tributárianãopoderáalteraraconsistênciaouaformadoatoprevistoemoutroramododireito,poissealeimencionaumconceitodeoutroramododireitoéporquequeriaaplicá­locomo

láestádefinido.Assimverifica­sequandoaConstituiçãoprevêumaidademínimaparaqueumindivíduopossaseelegerpresidenteemrazãodeentenderqueestaseriaaidadenoquala

pessoaadquirecertamaturidadequeocargoexige,contudo,aninguémépossívelinterpretarestedispositivoeformadiversa,porentenderqueFulanoémaduroosuficienteparaexercero

cargo,masnãopossuiaidadeprescrita.

Noladoopostoacorrentecivilistaencontra­seaqueladeinspiraçãoalemã,naqualdefendeainterpretaçãoeconômicadofatogerador,queapoucofoielucidadaeseráagoraanalisadade

formamaisprofunda.Essamodalidadedeinterpretaçãodanormatributáriaconsideraparaadeterminaçãodofatogeradorosseguintesfatores:aconsistênciaeconômicadofatogerador,os

meiosadotadosparaquedeterminadofimserealizeeafunçãodotributocriado.Estatécnicaéexclusivadodireitotributárioesofredurascríticasdepartedadoutrina,eporvezeschegama

afirmarqueseassemelhaàcriaçãodetributoporanalogia,vistoqueoDireitoTributáriopossuiumforteapeloàlegalidadeestrita.Outrosaindaconcluemqueseassemelhaainterpretatio

abrogans,ouseja,oaplicadordodireitopoderádesconsideraralgunsditameslegaisquejulguesercontráriosàideiadejustiça.

Seusdefensoresafirmamqueacadaramododireitoháumafinalidadequelheéinerente,comoaodireitocivilinteressamosefeitosqueaformadoatoopera,contudo,aodireito

tributáriointeressaapenasosseusefeitoseconômicos,poucoimportandoasuaroupagem.Destemodo,seriamaisfácilaplicaraotributoasuaimportantemissãodesercobradoconformea

capacidadecontributivadecadaum,colocando­seempráticaoprincípioespecíficodaigualdade.Eaíquesurgemmaiscríticas,poisseusopressoresafirmamquealei,aodescrevera

hipótesedeincidência,sógeraráaobrigaçãodocontribuintepagaraoFiscoseaquelepraticarumfatoidênticoaoprevistonanorma.Mas,comojádito,osdefensoresdainterpretação

econômicadefendemqueosconceitosemleiserãoconsideradosapenasemrazãodeseuconteúdoeconômico,nãoimportandoavontadedocontribuinte.Oquesepretendedizeréquea

formadoatoescolhidopelocontribuintequesejadiversadaquelaprevistaemleinãooeximirádepagarotributodevido,poisaodireitotributárioimportaaquantiaovaloreconômicoda

transação,enãosuaexteriorização,desconsiderando­seonomedadoaoato.Enquantonodireitocivilecomercialprivilegia­seavontadedaspartes,aodireitotributáriointeressaosefeitos

econômicosdofatoocorrido.Oqueocorreéquemuitasvezesoconceitodedireitoprivadocoincidecomoconteúdoeconômico,masseestesnãosecorresponderemprevaleceráarealidade

econômica.

Assim,segundoométodoemanálise,seolegisladordefiniucomofatogeradordedeterminadotributoavendadeumbem,oquepretendeuinstituircomotributávelfoiaatividade

econômicaquenormalmentetomaformanacompraevenda,nãoimportandoadenominaçãoqueaspartesdãoaoato.ExemplonítidofoioqueocorreunaAlemanha,ondeumapessoa

visandoelidirotributoincidentesobrevendas,alugouumautomóvelaoutrapessoaporumpreçoaltoeforadopadrãocomum,ficandoolocadorresponsávelpelamanutençãoe

conservaçãodoautomóvel,eaofinaldocontrato,poderiaolocadoradquirirobemporumpreçomenor.

Quandoocontribuintepraticaatosmodificandoasuaformanormalparaserdescaracterizadocomohipótesedeincidênciaprevistaemleiecomointuitodeseevadirdopagamentodo

tributo,torna­semaisclaraaconsistênciaeconômicacarregadapelofatogerador.Assim,ainterpretaçãoeconômicanãoesperaalcançarofatogeradorpelonomedonegóciojurídicoenem

seprendeaosconceitosdefinidosporoutrosramosdodireito,contudo,temcomoobjetivoquealeialcanceofatoeconômicoproduzidoeprevistoemleicomotributável.

Oscríticosquenãoaceitamaaplicaçãodainterpretaçãoteleológicaalegamqueseestarianaverdadecriandoumtributoporanalogia,poisdevidoaocaráterlegalistadesteramo,fato

geradorseriaapenasaqueleprevistoemleiquerealmenteocorranomundodosfatoscomotal.

17/12/2014

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Porém,seusdefensoresalegamquenadahádeanalogia,vistoqueoquesepretendeéaaplicaçãoplenadalei,sendonãosódeseutextoescrito,mastambémdeseuespírito.Assim,a

tributaçãonãoestariasujeitaàsinumeráveismanobrasdocontribuinte,masàsrelaçõeseconômicasdosnegóciosjurídicos.Alémdomais,alegamqueaanalogiaéformadeintegração,e

nãodeinterpretação,edelanuncapoderáresultaracobrançadetributoeparaseraplicadaexigeumpressuposto,queéalacunadalei.

AinterpretaçãoliteraldaleiérecomendadapelopróprioCTNemseuart.111,equesegundoeste,seráutilizadaquandoaleitributáriadisporsobresuspensãoouexclusãodocrédito

tributário,isençãoedispensadocumprimentodeobrigaçõesacessórias.

Ainterpretaçãoliteralsurgiucomaideiadeconcederumamaiorimportânciaaolegisladordoqueaojuiz,mantendoointérpreteligadoaotextolegal.Éummétododeinterpretaçãoque buscaadequaraletradaleicomseuespírito,dandoaosconceitosapresentadosumainterpretaçãolinguísticaeterminológica.Tambémcriaumlimiteàinterpretaçãopoisestemétodo limita­seaencontrarosentidodaspalavrasempregadasnotextolegal,equalquerinterpretaçãoalémdissoseriaconsideradamétodosdeintegraçãoecomplementaçãododireito.Contudo,

aorecomendá­la,oCTNapenasquisquenãofosseutilizadaaanalogiaeaequidadenoscasosprevistosnoart.111.

Dainterpretaçãoliteralresultam­seduasmodalidades,umachamadadeinterpretaçãorestritivaeoutradeinterpretaçãosubjetiva.Aprimeiraderivadosentidodequeainterpretação seráestritamenteligadaàspalavrasdalei,nãoampliandoseusignificado.Édefendidaparaseraplicadanasleisdeconcessãodeisenção,poissãoexceçãoàregradetributar.Mas interpretaçãorestritivaéaquelaemqueserestringeosentidodotextoporqueolegisladordissemaisdoqueeranecessário.Tendoemvistaesseentendimento,nota­sequenãopodeser

aplicadocomfirmeza,poisestariarestringindoosentidooriginaldalei.Assim,seoart.111pretendequesejaaplicadaainterpretaçãorestritivaestaráindocontraaregrageralde

interpretação,vistoqueaspalavrasnãosãocolocadasnaleisemnenhumpropósito.Jáainterpretaçãosubjetivaéaquelaquepretendealcançaravontadedolegisladorhistórico,mesclando

osmétodosdeinterpretaçãohistóricoeogramaticalpoisdesejaalcançarosentidooriginaldaspalavraseconceitosprevistosnalei.Contudo,ainterpretaçãohojenãotendeabuscarapenas

osentidoorigináriodalei,mastendeamesclá­locomosentidoatualdalei.

Assim,aoconterodispositivoquerecomendaaaplicaçãodainterpretaçãoliteraloCTNtorna­seconfuso,demodoquenãooespecifica,tornando­seconfusoeambíguo.

Porfim,oúltimoartigoprevistonocapítuloquetratadainterpretaçãoeintegraçãodaLegislaçãoTributáriaéoart.112,quetratadainterpretaçãododireitopenaltributário.Dispõeo

artigo:

Art.112.Aleitributáriaquedefineinfrações,oulhecominapenalidades,interpreta­sedamaneiramaisfavorávelaoacusado,emcasodedúvidaquanto:

I­àcapitulaçãolegaldofato;

II­ànaturezaouàscircunstânciasmateriaisdofato,ouànaturezaouextensãodosseusefeitos;

III­àautoria,imputabilidade,oupunibilidade;

IV­ànaturezadapenalidadeaplicável,ouàsuagraduação.

Nocaputdoartigorecomenda­seousodaequidadequandonãohouvercertezadaocorrênciadosfatosprevistosnosincisivos.Aqui,aequidadeémanifestadaatravésdoindubioproréu,

enãoseconfundecomaprevistanoart.108,IV,poisnesseéelaformadeintegraçãododireito.

Dá­seaentender,porsuaredação,queoart.112declaraquearesponsabilidadedoinfratordanormaésubjetiva,contrariandooart.136dopróprioCTN,queprevêaresponsabilidade

objetiva.Tambémsecontrapõecomoart.118doCTN,poisnoincisoIIdispõequeserálevadoemcontaanaturezaeaextensãodosfatos,enquantooart.118dispõeocontrário,privilegiando

oprincípiodononolet.

Oart.112nãoprevêinúmerashipótesesemquesepoderiatambémaplicaraequidade,deixandodúvidassobreseécabívelounãosuaaplicaçãonosdemaiscasos.

17/12/2014

Autor

17/12/2014 Autor

AinterpretaçãodanormatributáriasegundooCódigoTributárioNacional.Análiselegaledoutrináriadainterpretaçãotributária.­JusNavigandi

ProcuradoraFederal,membrodaAGU.

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