UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE

CENTRO DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA AGROALIMENTAR
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SISTEMAS AGROINDUSTRIAIS
CAMPUS DE POMBAL

Reuso de água em agroindústrias de laticínios

Disciplina: Conservação e Reuso de Água em Sistemas Agroindustriais
Prof.: Dr. Manoel Moises Ferreira de Queiroz
Aluno: Diêgo Lima Crispim

1

Pombal – PB
2014

 A agroindústria do leite no Brasil

 De acordo com dados do IBGE (2013), a aquisição
de leite foi de aproximadamente 5, 989 bilhões de
litros (l) no 3º trimestre de 2013;
 No Brasil, a agroindustrial de laticínios é o mais
significativo setor da indústria de alimentos
(SARAIVA, 2008);
 O setor de laticínios, no segmento de empresas de
pequeno e médio porte apresentam carências
tecnológicas (SILVA, 2011).

2

 Efluentes da agroindústrias de laticínios
Os resíduos líquidos da indústria de laticínios, mais

conhecidos como efluentes industriais são despejos
líquidos originários de diversas atividades desenvolvidas
na indústria, que contém leite e produtos derivados do
leite, condimentos, produtos químicos diversos utilizados
nos procedimentos de higienização, etc.

(SILVA, 2011, p. 2)

3

Figura 1: Descarte de soro de leite junto aos demais efluentes Fonte: Silva. O soro do leite  Uma fábrica com produção média de 300. 2011).000 litros de soro por dia polui o equivalente a uma cidade com 150.  O soro é aproximadamente cem vezes mais poluente que o esgoto doméstico (SILVA. 2011. 4 .000 habitantes.

 Quando os efluentes agroindustriais são lançados sem nenhum tipo de tratamento nos corpos d’água geram efeitos adversos para o meio ambiente.. (SILVA. 2009)  A legislação ambiental exige que todas as empresas tratem e disponham de forma adequada seus resíduos. (SARAIVA et al. 2011) 5 .  O reuso é uma alternativa para conservação dos recursos naturais e controle da poluição ambiental.

uma vez que o leite possui cerca de 3% de proteínas e 1.000 mg. em especial nitrogênio e fósforo. 2011) 6 . • Os poluentes inorgânicos. Geração de efluentes na indústria de laticínios • O grande consumo de água no processo de limpeza e operações para processamento dos lácteos geram grande vazão de efluentes contendo poluentes orgânicos. (SILVA. agentes infectantes e nutrientes.L-1 de fósforo. são gerados em grande quantidade em processadoras de laticínios.

Enxágue Circulação com soda Enxágue Circulação ácida Enxágue Sanitização Enxágue Figura 1. Etapas que envolvem o sistema de limpeza das indústrias de laticínios Pré . Fluxograma da limpeza Fonte: SBRT (2007) 7 .

 Tubulações de leite e mangueiras de soro. (2002) 8 . tanques diversos.  Etc. Fonte: MACHADO et al..  Bombas. Origem dos efluentes industriais Operação ou Processo Descrição Processo de Higienização  Enxágue de latões de leites.

 Origem dos efluentes industriais Operação ou Processo Descrição  Descargas de sólidos de leite retidos em clarificadores. (2002) 9 .. Fonte: MACHADO et al. etc. Descartes e Descargas  Descarte de finos fabricação de queijos. oriundos da  Descarga de produtos e materiais de embalagem perdidos nas operações de empacotamento.

 Origem dos efluentes industriais Operação ou Processo Descrição  Operação e manutenção inadequadas de equipamentos. Vazamentos e Derramamentos  Negligência na execução de operações. Fonte: MACHADO et al. equipamentos e utensílios diversos.. (2002) 10 .  Transbordamento de tanques.

11 Figura 2. o volume de efluente gerado pelas usinas de beneficiamento de leite varia de acordo com cada processo e produto produzido. Geração de efluentes na indústria de laticínios • Segundo Brião (2000). Diagrama geral da produção de laticínios Fonte: Brião (2007) .

000 a 7. Canadá - 12. 12 .000 Queijo - 2.000 Leite - 2. TODD .000 Iogurte. Tabela 1: Consumo de água no segmento industrial de Leite e Derivados em algumas industrias no mundo Indústria e Produto Unidade de Produção Necessidade de água por unidade de produção (litros) Manteiga - 20. EUA - 10.000 Leite em pó 1.000 a 27.200 Sorvetes. TROISE.000 Laticínios em geral.000 a 200.1990. Chipre - 20.000 litros 45.000 Fonte: VAN DER LEEDEN.

(SILVA. • Implantar programas de garantia da qualidade dos produtos fabricados evitando reprocesso e devoluções. 2011) 13 . Processo • Minimizar os picos de volume e de concentração de efluentes líquidos por meio do adequado escalonamento e execução das operações de higienização. Ações para atenuar a geração de efluentes na indústria de laticínios ITEM AÇÃO • Elaborar e manter atualizado o cadastro de todas as tubulações de utilidades.

 Ações para atenuar a geração de efluentes na indústria de laticínios ITEM AÇÃO • Instalação de dispositivos controladores de níveis em equipamentos passíveis de transbordamento. impedindo o desperdício. Equipamentos • Instalar válvulas nas pontas das mangueiras de água. (SILVA. 2011) 14 .

(SILVA. • Treinamento dos funcionários para correta operação e manutenção dos equipamentos e instalações e aplicação de boas práticas ambientais nos processos. Ações para atenuar a geração de efluentes na indústria de laticínios ITEM AÇÃO Treinamento • Implantação de programas educacionais destinados aos funcionários. 2011) 15 . com a finalidade de conscientizar sobre a importância do uso racional dos recursos naturais e proteção do meio ambiente.

(SILVA. • Eliminar excessos de produção e o correspondente retorno de produtos devolvidos. 2011) 16 . evitando perdas por vazamentos. Rotinas Operacionais • Operar os equipamentos com um nível de líquido adequado. Ações para atenuar a geração de efluentes na indústria de laticínios ITEM AÇÃO • Manter os tanques e tubulações em boas condições de funcionamento. evitando perdas na ebulição.

 A área disponível.  As exigências legais. O sistema de tratamento mais adequado A definição do sistema de tratamento a ser utilizado depende dos seguintes fatores:  As características do efluente liquido gerado.. (PHILIPPI JR et al.  E os custos de implantação e operação. 2004) 17 .

18 . mas um sistema de tratamento típico do setor possui as seguintes etapas:  Tratamento Primário. Tratamento dos efluentes O tratamento pode variar de empresa para empresa.  Tratamento Secundário.  Tratamento Terciário.

suspensos 3 5 19 PACHECO. 2006 . Tratamento primário: remoção sedimentáveis e flotáveis. 1 de sólidos 2 4 grosseiros.

 Sistemas de tratamento de efluentes no laticínio Della Vita no Estado de Santa Cantarina Lagoa de Estabilização – É um sistema de tratamento biológico em que a estabilização da matéria orgânica é realizada pela oxidação bacteriológica (oxidação aeróbia ou fermentação anaeróbia) e/ou redução fotossintética das algas. 20 . Eyng.  Baixo custo para implementação e operação. (SILVA.  Remover matéria orgânica. 2013) Figura 3: Filtro de lagoa Fonte: Silva.  Concebido de forma natural.  Adequado as condições climática do país. 2013. EYNG. Características  Processo Simples.

Características  Baixo custo de operação  Geram lodos estáveis.  Minhocas. EYNG. 2013. com uma excelente eficiência em eliminação de matéria orgânica e com o alcance de excelente rendimento de purificação.  Tanque. 21 . Eyng. 2013) Figura 4: Biofiltro Fonte: Silva. Sistemas de tratamento de efluentes no laticínio Della Vita no Estado de Santa Cantarina Biofiltro .  Converte a matéria orgânica em húmus. (SILVA.É um sistema biológico.

 Tratamento Terciário (se necessário. fósforo) e de organismos patogênicos.  Promove a remoção suplementar de sólidos. em função de exigências técnicas e legais locais):  Polimento final dos efluentes líquidos provenientes do tratamento secundário. 22 . • Cloração. 2006 EXEMPLOS: • Ozonização. • Lagoas de polimento. PACHECO. de nutrientes (nitrogênio. • UV.

MESTRADO EM SISTEMAS AGROINDUSTRIAIS 23 . Formação de parcerias Na tentativa de busca por soluções as empresas de pequeno e médio porte vem buscando a realização de parcerias com instituições de pesquisa e ensino com o intuito de suprir suas deficiências tecnológicas.

a longo prazo. • Promover. (ASANO. O reuso de água As tendências e fatores que motivam a recuperação e Reuso da Água podem ser: • Redução da poluição dos corpos hídricos. LEVINE. • Gerenciamento da demanda de água em períodos de seca. 1991) 24 . uma fonte confiável de abastecimento de água. • Disponibilidade de efluentes tratados com elevado grau de qualidade. no planejamento global dos recursos hídricos.

 A Organização Mundial da Saúde (OMS) distingue 3 tipos de reuso: • Reuso Indireto Quando a água já usada. é descarregada nas águas superficiais ou subterrâneas e utilizadas de forma diluída. uso industrial. recarga de aquíferos. etc. 1999) 25 . obtenção de água potável. • Reuso Interno É a reutilização de água nas instalações industriais. (WHO. utilizado na irrigação. uma ou mais vezes para o uso doméstico ou industrial. para economizar água e controlar a poluição. • Reuso Direto Caracteriza-se pelo uso planejado..

etc. reagentes químicos. Uso para geração de energia Esse tipo de aplicação envolve a transformação de energia cinética. alimentos. BRINK JR. produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica. 1980) 26 . Uso como fluido auxiliar Pode auxiliar na preparação de suspensões e soluções químicas. potencial ou térmica acumulada na água em energia mecânica e. Usos da Água na Indústria Matéria-prima A água é incorporada ao produto final. em energia elétrica. (NORDELL. cosméticos. 1999) . a exemplo do o que ocorre nas indústrias de bebidas. posteriormente. etc. (SHEREVE .

BRINK JR. na lavagem de equipamentos e instalações ou na incorporação de subprodutos sólidos. 1980) 27 . seja na fase sólida. (NORDELL. (SHEREVE . Usos da Água na Indústria Transporte e assimilação de contaminantes Utilizar em instalações sanitárias. 1999) . Outros Usos Utilização de água para combate à incêndio. líquida ou gasosa. rega de áreas verdes ou incorporação em diversos subprodutos gerados nos processos industriais.

• Lavador de gases. Indicação de Uso • • • • Refrigeração. 2002. • Irrigação de áreas verdes. 1999. Usos da Água na Industria De acordo com diversos especialistas na área apresentados numa pesquisa realizada por Mierzwa em 2002. BEECKMAN. • Todas citadas em Asano. • Todas citadas em Asano. MUJERIEGO. 1991. 1991. Água de processo. 1996. 1997. as principais opções indicadas para reuso de água na indústria são: Autores de referência ASANO. HESPANHOL. 1991. Alimentação de caldeiras. • Todas citadas em Asano. • Lavagem de pisos. Construção pesada. ASANO. 1991. 28 . Fonte: MIERZWA. CROOK. 1991. 1998. • Todas citadas em Asano.

etc. AMBIENTAIS b) Redução da captação de águas superficiais e subterrâneas. Fonte: GONÇALVES. c) Aumento da disponibilidade de água para usos mais exigentes como abastecimento público. 2004. Benefícios da conservação e reuso de água nas agroindústrias a) Redução do lançamento de efluentes industriais em cursos d’água. possibilitando uma situação ecológica mais equilibrada. 29 . HESPANHOL. possibilitando melhorar a qualidade das águas interiores das regiões mais industrializadas. hospitalar.

30 . HESPANHOL. b)Redução dos custos de produção. ECONOMICOS c)Aumento da competitividade do setor. d)Habilitação para receber incentivos e coeficientes redutores dos fatores da cobrança pelo uso da água. Benefícios da conservação e reuso de água nas agroindústrias a)Mudanças nos padrões de produção e consumo. Fonte: GONÇALVES. 2004.

HESPANHOL. Benefícios da conservação e reuso de água nas agroindústrias a)Ampliação da oportunidade de negócios para as empresas fornecedoras de serviços e equipamentos. com reconhecimento de empresas socialmente responsáveis. SOCIAIS b) Ampliação na geração de empregos diretos e indiretos. 2004. Fonte: GONÇALVES. c) Melhoria da imagem do setor produtivo junto à sociedade. 31 . e em toda cadeia produtiva.

Silva. Freire (2001) 32 . Algumas alternativas que podem ser utilizadas para aproveitamento do soro de queijo Produtos Ricota Forma de obtenção Precipitação de proteínas do soro por aquecimento e acidificação Produto elaborado a partir do soro de queijo acrescido de leite e outros componentes alimentares Bebida láctea Soro concentrado Soro em pó Remoção da umidade do soro tratamento térmico ou osmose reversa por Secagem do soro com tratamento térmico (evaporador ou secador) Soro para alimentação animal Soro utilizado in natura Fonte: Machado.

33 .

P. recycling and reuse: past. 2. PACHECO. FIGUERÊDO. V.M. present. 224p. R.. A. 1991. I. Tese de Doutorado – EPUSP. V.. ed. 2002. LEVINE. B. São Paulo. J. 33..C. 1961. . de A.H. MACHADO. FERREIRA. Water treatment for industrial and other uses. Projeto Minas Ambiente. C.. 2007. Ambient. TAVARES. 2004.. FREIRE. HESPANHOL. Eng. n. M.?script=sci_arttext&pid=S141341522007000200004&lng=en&nrm=iso. O.. Guia técnico ambiental de frigoríficos . Disponível em: http://www. SP: Manole. Water Scienc Technology: v. 2002.php. J. v. P. O uso raciona e o reuso como ferramentas para o gerenciamento de águas e efluentes na indústria – estudo de caso da KODAC Brasileira. Sanit..V. Ultrafiltração como processo de tratamento para o reuso de efluentes de laticínios. BRUNA. São Paulo: CIRRA/MMA/ANA/FIESP. G. 2. 34 PHILIPPI JR.. São Paulo : CETESB (Série P + L).E. Controle ambiental nas pequenas e médias indústrias de laticínios. C. Barueri. Curso de Gestão Ambiental. NORDELL. and future. W. 12. SILVA. 2006. Acesso em: 31 out. BRIÃO. Belo Horizonte. T. GONÇALVES. Wasterwater reclamation. R. A.ASANO. New York: Reinhold Publishing Co. 2014. Conservação e reuso de água: manual de orientação para o setor industrial. Universidade de São Paulo.. G... ROMÉRO. D. Rio de Janeiro. D.br/scielo.scielo. E. MIERZWA. 2004. C..industrialização de carnes (bovina e suína).G.

K.SARAIVA. Sistema Brasileiro de Respostas Técnicas. F.. Rio de Janeiro: Guanabara Dois. p. Geneva: World Health and Organization. F. Resíduos da Indústria de Laticínios. sust. Florianópolis. p.S. 366./Fev. da. 1980.ibict. 2011. Latic.>. J. Disponível em: <http://www. Tecnical Report Series. SBRT. out.br/upload/sbrt3449. The water encyclopedia. 4 – 22. A. L.. C. 2011. Cândido Tostes. D. 28-35. 2014. Rev.. 1990. BRINK Jr. A. SHEREVE. SILVA. J. ambient. Indústrias de processos químicos.sbrt..pdf. TROISE. WHO – World Health Organization. Health guidelines for the use of wastewater 35 in agriculture and aquaculture. P.2013. ed. n. Inst. VAN DER LEEDEN..C. 4. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Gestão Ambiental) – Departamento de Tecnologia de Alimentos. 2. TODD. F. Higienização na indústria de laticínios. v. Universidade Federal Viçosa. R. J. . SANTOS. 1. Viçosa-MG. ed. D.S. K. n. 1989. N. pp 74. EYNG. PINTO.. Acesso em: 21 nov. O tratamento de águas residuais de indústria de laticínios: um estudo comparativo entre os métodos de tratamento com bioflitro e com o sistema convencional de lagoas.L.. R. gest. 2009.2012/mar.. MENDONÇA. M.B. Aspectos e impactos ambientais envolvidos em um laticínio de pequeno porte. SILVA. R. 2. 21 f.. Jan. 778. Michigan: Lewis Publishres.

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