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SOBRE OS GRIMÓRIOS

"Grima" é uma palavra já obsoleta, cujos significados são: "sentimento de


agressividade, rancor ou frustração, ódio e raiva.Sua etimologia provável é
“grimms", do gótico, 'horrível'. Daí talvez provenha a palavra "grimório", pois os
grimórios, ou grimoires, eram livros de encantamentos, rituais mágicos, de
natureza, aparentemente, religiosa, que reuniam fórmulas para fazer contato,
invocar e escravizar demônios ou outras criaturas do Umbral.
A palavra portuguesa "engrimanço" (ou ingrimanço) tem o sentido de confusão no
falar, linguagem arrevesada, artimanha. Viria do francês arcaico “ingremance" ou
(ingromance), de mesmo sentido, sendo considerada alteração ou deformação de
nigromancia, feitiçaria.
Bom.. Quanto à etimologia, bem poderia ser uma mistura dos dois vocábulos...
A maior coleção de grimórios que se conhece, são manuscritos sobre pergaminho,
do acervo da Biblioteca do Arsenal, em Paris. Estes manuscritos têm sido copiados
pelos historiadores e estudantes de bruxaria, principalmente do século XIX em
diante.
Os grimórios que circularam durante a Idade Média, geralmente eram livrinhos
cheios de ilustrações simbólicas, mas que continham prescrições e ladainhas
satânicas.
Na sua maioria, datam do século XVI ao XVIII, embora os seus compiladores
afirmassem (e jurassem, se preciso fosse) que os seus conteúdos se baseavam em
textos mui arcaicos, de preferência hebraicos, caldaicos ou egípcios...
Bem... Não pretendo entrar no mérito da questão, pois algumas seitas ocultistas
bem conhecidas, usam muita coisa “emprestada” dos velhos grimórios medievais.
Entre os mais conhecidos grimórios, destaca-se a Clavícula de Salomão, que parece
apoiar-se substancialmente na astrologia e na cabala, e contém instruções,
minuciosas e pormenorizadas, para a invocação de anjos e demônios.
O"Grand Grimoire", embora pretenda ser uma transcrição direta de escritos
salomônicos sobre o oculto, parece ter sido baseado principalmente em Agrippa,
muito mais recente, e inclui até mesmo uma divertidíssima receita, bem faustiana,
para estabelecer um pacto infalível com o Diabo.
Circulou também o “Grimório de Honorius, o Grande", o que, na verdade, parece ter
sido uma difamação, pois este papa viveu no século XIII, e acredita-se que o tal
grimório tenha sido cmposto tardiamente, já no século XVI.
Entretanto, o "Honorius", utilizava elementos extraídos da missa católica, em suas
instruções para pactuar com o Diabo
Esta preferência por papas, poderia ser explicada como uma forma de legitimar a
magia por personagens poderosos, além de “valorizar” as receitas e, é claro, o
livro... Os papas mais visados foram Leão, o Grande, e Silvestre II, qualificados de
grandes magos.
O "Honorius", por exemplo, utilizava elementos extraídos da missa católica, em
suas instruções para pactuar com o Diabo.
Outro grimório super famoso é o chamado "Os Segredos do Inferno, copiado de um
manuscrito do século XVI. Este tornou-se um clássico da literatura infernal e trata
dos pactos com os Diabos, mas também da pedra filosofal.
E para não dizer que não falei de flores...
Cito ainda o "Enchiridion Leonis Papae", ou seja, "Manual do Papa Leão",que
contém orações misteriosas, supostamente enviadas pelo Papa Leão, como
presente ao Imperador Carlos Magno.
Até hoje, estes livrinhos são muito populares e, volta e meia, aparece um deles nas
livrarias comuns, compilado por algum doutíssimo erudito, apesar de nada se poder
afirmar sobre sua autenticidade. Um bom exemplo disso, por aqui, é o "Livro
Vermelho e Negro de São Cipriano"