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Investigação Criminal/Introdução

INTRODUÇÃO

Investigação Criminal/Introdução INTRODUÇÃO O cerne do problema da Investigação Criminal revela-se na
Investigação Criminal/Introdução INTRODUÇÃO O cerne do problema da Investigação Criminal revela-se na
Investigação Criminal/Introdução INTRODUÇÃO O cerne do problema da Investigação Criminal revela-se na

O cerne do problema da Investigação Criminal revela-se na necessidade de determinar

como resolver cada caso proposto e em cada momento. Trata-se, enfim, de saber como pensar, como orientar as múltiplas diligências investigatórias e como conseguir uma metodologia adequada.

O que se entende então por Investigação Criminal?

É o conjunto de técnicas e procedimentos legalmente admitidos e utilizados de uma forma sistemática e metódica no sentido da descoberta de factos materiais penalmente relevantes e sua reconstituição histórica.

OBJECTIVO

O objectivo último da Investigação Criminal é, no fundo a resolução do problema que o

Processo Penal refere "o de verificar a existência das infracções, determinar os seus agentes e averiguar a sua responsabilidade", isto é, dar resposta à pergunta fundamental da Investigação Criminal:

QUEM FEZ O QUÊ?

fundamental da Investigação Criminal: QUEM FEZ O QUÊ? (O QUE FOI FEITO POR QUEM?) * Relação

(O QUE FOI FEITO POR QUEM?)

* Relação fundamental acto / autor;

* Reconstituição mental dos factos

* Reunir provas e determinar autores

A reconstituição mental dos factos, ou seja a reconstituição histórica orienta-se no sentido de dar resposta às seguintes questões:

Quem?

O quê?

Onde?

Quando?

Como?

Porquê?

Não basta conhecer o facto ilícito e/ou o seu autor para que este seja penalmente responsabilizado e punido. É pois necessário reunir todos os elementos materialmente relevantes que permita ao Tribunal decidir com convicção.

reunir todos os elementos materialmente relevantes que permita ao Tribunal decidir com convicção. Escola da Guarda
reunir todos os elementos materialmente relevantes que permita ao Tribunal decidir com convicção. Escola da Guarda

Escola da Guarda

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Investigação Criminal/Introdução

Investigação Criminal/Introdução CARACTERÍSTICAS A Investigação Criminal reveste-se de um conjunto de
Investigação Criminal/Introdução CARACTERÍSTICAS A Investigação Criminal reveste-se de um conjunto de

CARACTERÍSTICAS

A Investigação Criminal reveste-se de um conjunto de características, a saber:

PLURIDISCIPLINARIEDADE

Várias ciências, técnicas e saberes dão o seu contributo para que a investigação criminal concretize o seu fim último. Basta lembrar o recurso às ciências afins e ciências auxiliares.

CIENTIFICIDADE E TECNICIDADE

Com base na característica Pluridisciplinar e em consequência do recurso a disciplinas com rigor científico, a investigação criminal garante a produção científica da prova. Basta pensar nas potencialidades do Laboratório de Polícia Cientifica a que a Investigação

Criminal recorre com frequência e as disciplinas científicas (Biologia, Química, etc.) em que

se apoia.

NATUREZA AUXILIAR E INSTRUMENTAL

A investigação criminal íntegra um conjunto de mecanismos que lhe permitem recolher

prova sobre a qual as instâncias judiciárias vão trabalhar no sentido da feitura da justiça.

CONTROLO E CONDICIONAMENTO LEGAL

Todos os actos da Investigação Criminal devem ser executados no estrito cumprimento dos princípios constitucionais e das regras do Processo Penal e outra legislação avulsa, sem contudo esquecer a legitimidade do MP a quem cabe por lei a direcção do inquérito e, consequentemente, a supervisão de todas as diligências investigatórias. Por exemplo, os meios de prova admissíveis estão perfeitamente definidos no CPP bem como

os meios de obtenção de prova no que respeita a pressupostos, formalidades e limites.

É nesta perspectiva que se pode dizer que a Investigação Criminal obedece ao formalismo de

actos perfeitamente definidos.

O próprio conceito de Investigação Criminal deixa transparecer a necessidade de respeitar

integralmente as exigências legais quando no mesmo se usa a expressão “ legalmente

admitidos

”.

PROCESSAMENTO OBRIGATÓRIO

Depois de se ter conhecimento inequívoco da prática de um ilícito criminal devem ser implementadas todas as diligências investigatórias no sentido de se alcançar o seu cabal esclarecimento e, essencialmente, a determinação do seu autor.

CARÁCTER ABRANGENTE E ESPECIALISTA

Se, como se referiu anteriormente, tem processamento obrigatório, quer dizer que a

Investigação Criminal faz incidir o seu trabalho sobre uma multiplicidade de crimes com características peculiares e graus de complexidade e gravidade muito diferenciados podendo ir

do simples furto ao mais complexo caso de violação ou de homicídio.

Depreende-se que o investigador deve possuir uma preparação técnico-profissional adequada

bem como os imprescindíveis conhecimentos ao nível do processo penal, de forma a investigar com eficácia qualquer ilícito de natureza criminal.

nível do processo penal, de forma a investigar com eficácia qualquer ilícito de natureza criminal. 2
nível do processo penal, de forma a investigar com eficácia qualquer ilícito de natureza criminal. 2

Investigação Criminal/Competências da GNR como OPC

COMPETÊNCIAS DA GNR COMO OPC, EM MATÉRIA DE INVESTIGAÇÃO CRIMINAL

DA GNR COMO OPC, EM MATÉRIA DE INVESTIGAÇÃO CRIMINAL Lei n.º 49/2008 de 27 de Agosto
DA GNR COMO OPC, EM MATÉRIA DE INVESTIGAÇÃO CRIMINAL Lei n.º 49/2008 de 27 de Agosto
DA GNR COMO OPC, EM MATÉRIA DE INVESTIGAÇÃO CRIMINAL Lei n.º 49/2008 de 27 de Agosto

Lei n.º 49/2008 de 27 de Agosto Aprova a Lei de Organização da Investigação Criminal A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea c) do artigo 161.º da Constituição, o seguinte:

CAPÍTULO I Investigação Criminal Artigo 1.º Definição

A investigação criminal compreende o conjunto de diligências que, nos termos da lei

processual penal, se destinam a averiguar a existência de um crime, determinar os seus agentes e a sua responsabilidade e descobrir e recolher as provas, no âmbito do processo.

Artigo 2.º Direcção da investigação criminal

1 - A direcção da investigação cabe à autoridade judiciária competente em cada fase do

Processo.

2 - A autoridade judiciária é assistida na investigação pelos órgãos de polícia criminal.

3 - Os órgãos de polícia criminal, logo que tomem conhecimento de qualquer crime,

comunicam o facto ao Ministério Público no mais curto prazo, que não pode exceder 10 dias, sem prejuízo de, no âmbito do despacho de natureza genérica previsto no n.º 4 do artigo 270.º

do Código de Processo Penal, deverem iniciar de imediato a investigação e, em todos os

casos, praticar os actos cautelares necessários e urgentes para assegurar os meios de prova.

4 - Os órgãos de polícia criminal actuam no processo sob a direcção e na dependência

funcional da autoridade judiciária competente, sem prejuízo da respectiva organização hierárquica.

5 - As investigações e os actos delegados pelas autoridades judiciárias são realizados pelos

funcionários designados pelas autoridades de polícia criminal para o efeito competentes, no âmbito da autonomia técnica e táctica necessária ao eficaz exercício dessas atribuições.

6 - A autonomia técnica assenta na utilização de um conjunto de conhecimentos e métodos de

agir adequados e a autonomia táctica consiste na escolha do tempo, lugar e modo adequados à prática dos actos correspondentes ao exercício das atribuições legais dos órgãos de polícia criminal.

7 - Os órgãos de polícia criminal impulsionam e desenvolvem, por si, as diligências

criminal. 7 - Os órgãos de polícia criminal impulsionam e desenvolvem, por si, as diligências Escola
criminal. 7 - Os órgãos de polícia criminal impulsionam e desenvolvem, por si, as diligências Escola

Escola da Guarda

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Investigação Criminal/Introdução

Investigação Criminal/Introdução legalmente admissíveis, sem prejuízo de a autoridade judiciária poder, a todo o
Investigação Criminal/Introdução legalmente admissíveis, sem prejuízo de a autoridade judiciária poder, a todo o

legalmente admissíveis, sem prejuízo de a autoridade judiciária poder, a todo o tempo, avocar o processo, fiscalizar o seu andamento e legalidade e dar instruções específicas sobre a realização de quaisquer actos.

CAPÍTU LO II Órgãos De Polícia Criminal

Artigo 3.º Órgãos de polícia criminal

1

- São órgãos de polícia criminal de competência genérica:

 

a)

A Polícia Judiciária;

Possuem

competência

específica

 

b)

A Guarda Nacional Republicana;

c)

2

A Polícia de Segurança Pública. -

todos

os

restantes

órgãos

de

polícia criminal.

3 - A atribuição de competência reservada a um órgão de polícia criminal depende de previsão legal expressa.

4 - Compete aos órgãos de polícia criminal:

a) Coadjuvar as autoridades judiciárias na investigação;

b) Desenvolver as acções de prevenção e investigação da sua competência ou que lhes sejam

cometidas pelas autoridades judiciárias competentes.

Artigo 4.º Competência específica em matéria de investigação criminal 1 - A atribuição de competência específica obedece aos princípios da especialização e racionalização na afectação dos recursos disponíveis para a investigação criminal.

2 - Sem prejuízo do disposto nos n.os 4 e 5 do artigo 7.º, os órgãos de polícia criminal de

competência genérica abstêm-se de iniciar ou prosseguir investigações por crimes que, em concreto, estejam a ser investigados por órgãos de polícia criminal de competência específica.

Artigo 5.º Incompetência em matéria de investigação criminal

1 - Sem prejuízo dos casos de competência deferida, o órgão de polícia criminal que tiver

notícia do crime e não seja competente para a sua investigação apenas pode praticar os actos cautelares necessários e urgentes para assegurar os meios de prova.

2 - Sem prejuízo dos casos de competência deferida, se a investigação em curso vier a revelar conexão com crimes que não são da competência do órgão de polícia criminal que tiver iniciado a investigação, este remete, com conhecimento à autoridade judiciária, o processo

tiver iniciado a investigação, este remete, com conhecimento à autoridade judiciária, o processo 4 Escola da
tiver iniciado a investigação, este remete, com conhecimento à autoridade judiciária, o processo 4 Escola da

Investigação Criminal/Competências da GNR como OPC

Investigação Criminal/Competências da GNR como OPC para o órgão de polícia criminal competente, no mais curto
Investigação Criminal/Competências da GNR como OPC para o órgão de polícia criminal competente, no mais curto

para o órgão de polícia criminal competente, no mais curto prazo, que não pode exceder vinte e quatro horas.

3 - No caso previsto no número anterior, a autoridade judiciária competente pode promover a

cooperação entre os órgãos de polícia criminal envolvidos, através das formas consideradas adequadas, se tal se afigurar útil para o bom andamento da investigação.

Artigo 6.º Competência da Guarda Nacional Republicana e da Polícia de Segurança Pública em matéria de investigação criminal É da competência genérica da Guarda Nacional Republicana e da Polícia de Segurança Pública a investigação dos crimes cuja competência não esteja reservada a outros órgãos de polícia criminal e ainda dos crimes cuja investigação lhes seja cometida pela autoridade judiciária competente para a direcção do processo, nos termos do artigo 8.º

Artigo 7.º Competência da Polícia Judiciária em matéria de investigação criminal

1 - É da competência da Polícia Judiciária a investigação dos crimes previstos nos números seguintes e dos crimes cuja investigação lhe seja cometida pela autoridade judiciária

competente para a direcção do processo, nos termos do artigo 8.º .

2 - É da competência reservada da Polícia Judiciária, não podendo ser deferida a outros órgãos de polícia criminal, a investigação dos seguintes crimes:

a) Crimes dolosos ou agravados pelo resultado, quando for elemento do tipo a morte de uma

pessoa;

b) Escravidão, sequestro, rapto e tomada de reféns;

c) Contra a identidade cultural e integridade pessoal e os previstos na Lei Penal Relativa Às

Violações do Direito Internacional Humanitário; d) Contrafacção de moeda, títulos de crédito, valores selados, selos e outros valores equiparados ou a respectiva passagem;

e) Captura ou atentado à segurança de transporte por ar, água, caminho de ferro ou de transporte rodoviário a que corresponda, em abstracto, pena igual ou superior a 8 anos de prisão; f) Participação em motim armado;

g) Associação criminosa;

h) Contra a segurança do Estado, com excepção dos que respeitem ao processo eleitoral;

i) Branqueamento;

a segurança do Estado, com excepção dos que respeitem ao processo eleitoral; i) Branqueamento; Escola da
a segurança do Estado, com excepção dos que respeitem ao processo eleitoral; i) Branqueamento; Escola da

Escola da Guarda

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Investigação Criminal/Introdução

Investigação Criminal/Introdução j) Tráfico de influência, corrupção, peculato e participação económica em
Investigação Criminal/Introdução j) Tráfico de influência, corrupção, peculato e participação económica em

j)

Tráfico de influência, corrupção, peculato e participação económica em negócio;

l)

Organizações terroristas e terrorismo;

m) Praticados contra o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República, o

Primeiro-Ministro, os presidentes dos tribunais superiores e o Procurador-Geral da República,

no exercício das suas funções ou por causa delas;

n) Prevaricação e abuso de poderes praticados por titulares de cargos políticos;

o) Fraude na obtenção ou desvio de subsídio ou subvenção e fraude na obtenção de crédito

bonificado;

p) Roubo em instituições de crédito, repartições da Fazenda Pública e correios;

q) Conexos com os crimes referidos nas alíneas d), j) e o).

3 - É ainda da competência reservada da Polícia Judiciária a investigação dos seguintes crimes, sem prejuízo do disposto no artigo seguinte:

a) Contra a liberdade e autodeterminação sexual de menores ou incapazes ou a que

corresponda, em abstracto, pena superior a 5 anos de prisão;

b) Furto, dano, roubo ou receptação de coisa móvel que:

i) Possua importante valor científico, artístico ou histórico e se encontre em colecções

públicas ou privadas ou em local acessível ao público;

ii) Possua significado importante para o desenvolvimento tecnológico ou económico;

iii) Pertença ao património cultural, estando legalmente classificada ou em vias de

classificação; ou

iv) Pela sua natureza, seja substância altamente perigosa;

c) Burla punível com pena de prisão superior a 5 anos;

d) Insolvência dolosa e administração danosa;

e) Falsificação ou contrafacção de cartas de condução, livretes e títulos de registo de

propriedade de veículos automóveis e certificados de matrícula, de certificados de habilitações

literárias e de documento de identificação ou de viagem;

f) Incêndio, explosão, libertação de gases tóxicos ou asfixiantes ou substâncias radioactivas,

desde que, em qualquer caso, o facto seja imputável a título de dolo;

g) Poluição com perigo comum;

h) Executados com bombas, granadas, matérias ou engenhos explosivos, armas de fogo e

objectos armadilhados, armas nucleares, químicas ou radioactivas;

i) Relativos ao tráfico de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas, tipificados nos artigos

21.º, 22.º, 23.º, 27.º e 28.º do Decreto-Lei n.º 15/93, de 22 de Janeiro, e dos demais previstos

neste diploma que lhe sejam participados ou de que colha notícia;

j) Económico-financeiros;

l) Informáticos e praticados com recurso a tecnologia informática;

m) Tráfico e viciação de veículos e tráfico de armas;

com recurso a tecnologia informática; m) Tráfico e viciação de veículos e tráfico de armas; 6
com recurso a tecnologia informática; m) Tráfico e viciação de veículos e tráfico de armas; 6

Investigação Criminal/Competências da GNR como OPC

Investigação Criminal/Competências da GNR como OPC n) Conexos com os crimes referidos nas alíneas d), j)
Investigação Criminal/Competências da GNR como OPC n) Conexos com os crimes referidos nas alíneas d), j)

n)

Conexos com os crimes referidos nas alíneas d), j) e l).

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- Compete também à Polícia Judiciária, sem prejuízo das competências da Unidade de

Acção Fiscal da Guarda Nacional Republicana, do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e da

Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários, a investigação dos seguintes crimes:

a) Tributários de valor superior a (euro) 500 000;

b) Auxílio à imigração ilegal e associação de auxílio à imigração ilegal;

c) Tráfico de pessoas;

d) Falsificação ou contrafacção de documento de identificação ou de viagem, falsidade de

testemunho, perícia, interpretação ou tradução, conexos com os crimes referidos nas alíneas b)

e c);

e) Relativos ao mercado de valores mobiliários.

5 - Nos casos previstos no número anterior, a investigação criminal é desenvolvida pelo órgão de polícia criminal que a tiver iniciado, por ter adquirido a notícia do crime ou por determinação da autoridade judiciária competente.

6 - Ressalva-se do disposto no presente artigo a competência reservada da Polícia Judiciária Militar em matéria de investigação criminal, nos termos do respectivo Estatuto, sendo aplicável o mecanismo previsto no n.º 3 do artigo 8.º.

Nota, ver manual de Compilação de Legislação – Competências da GNR como OPC

- MSG n.º 7000/09/DO, da DIROPERAÇÔESGNR (crimes da competência exclusiva da Policia Judiciária).

Artigo 8.º Competência deferida para a investigação criminal

1 - Na fase do inquérito, o Procurador-Geral da República, ouvidos os órgãos de polícia

criminal envolvidos, defere a investigação de um crime referido no n.º 3 do artigo anterior a

outro órgão de polícia criminal desde que tal se afigure, em concreto, mais adequado ao bom andamento da investigação e, designadamente, quando:

a) Existam provas simples e evidentes, na acepção do Código de Processo Penal;

b) Estejam verificados os pressupostos das formas especiais de processo, nos termos do

Código de Processo Penal;

c) Se trate de crime sobre o qual incidam orientações sobre a pequena criminalidade, nos

termos da Lei de Política Criminal em vigor; ou

d) A investigação não exija especial mobilidade de actuação ou meios de elevada

especialidade técnica.

investigação não exija especial mobilidade de actuação ou meios de elevada especialidade técnica. Escola da Guarda
investigação não exija especial mobilidade de actuação ou meios de elevada especialidade técnica. Escola da Guarda

Escola da Guarda

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Investigação Criminal/Introdução

Investigação Criminal/Introdução 2 - Não é aplicável o disposto no número anterior quando: a) A investigação
Investigação Criminal/Introdução 2 - Não é aplicável o disposto no número anterior quando: a) A investigação

2 - Não é aplicável o disposto no número anterior quando:

a) A investigação assuma especial complexidade por força do carácter plurilocalizado das

condutas ou da pluralidade dos agentes ou das vítimas;

b) Os factos tenham sido cometidos de forma altamente organizada ou assumam carácter

transnacional ou dimensão internacional; ou c) A investigação requeira, de modo constante, conhecimentos ou meios de elevada especialidade técnica.

3 - Na fase do inquérito, o Procurador-Geral da República, ouvidos os órgãos de polícia

criminal envolvidos, defere à Polícia Judiciária a investigação de crime não previsto no artigo anterior quando se verificar alguma das circunstâncias referidas nas alíneas do número anterior.

4 - O deferimento a que se referem os n.os 1 e 3 pode ser efectuado por despacho de natureza

genérica do Procurador-Geral da República que indique os tipos de crimes, as suas concretas

circunstâncias ou os limites das penas que lhes forem aplicáveis.

5 - Nos casos previstos nos n.os 4 e 5 do artigo anterior, o Procurador-Geral da República,

ouvidos os órgãos de polícia criminal envolvidos, defere a investigação a órgão de polícia criminal diferente da que a tiver iniciado, de entre os referidos no n.º 4 do mesmo artigo, quando tal se afigurar em concreto mais adequado ao bom andamento da investigação.

6 - Por delegação do Procurador-Geral da República, os procuradores-gerais distritais podem, caso a caso, proceder ao deferimento previsto nos n.os 1, 3 e 5.

7 - Na fase da instrução, é competente o órgão de polícia criminal que assegurou a

investigação na fase de inquérito, salvo quando o juiz entenda que tal não se afigura, em concreto, o mais adequado ao bom andamento da investigação.

Artigo 9.º Conflitos negativos de competência em matéria de investigação criminal Se dois ou mais órgãos de polícia criminal se considerarem incompetentes para a investigação criminal do mesmo crime, o conflito é dirimido pela autoridade judiciária competente em cada fase do processo.

Artigo 10.º Dever de cooperação

1 - Os órgãos de polícia criminal cooperam mutuamente no exercício das suas atribuições.

2 - Sem prejuízo do disposto no artigo 5.º, os órgãos de polícia criminal devem comunicar à

entidade competente, no mais curto prazo, que não pode exceder vinte e quatro horas, os factos de que tenham conhecimento relativos à preparação e execução de crimes para cuja investigação não sejam competentes, apenas podendo praticar, até à sua intervenção, os actos

cautelares e urgentes para obstar à sua consumação e assegurar os meios de prova.

os actos cautelares e urgentes para obstar à sua consumação e assegurar os meios de prova.
os actos cautelares e urgentes para obstar à sua consumação e assegurar os meios de prova.

Investigação Criminal/Competências da GNR como OPC

Investigação Criminal/Competências da GNR como OPC 3 - O número único de identificação do processo é
Investigação Criminal/Competências da GNR como OPC 3 - O número único de identificação do processo é

3 - O número único de identificação do processo é atribuído pelo órgão de polícia criminal competente para a investigação.

Nota, ver Manual de Compilação de Legislação – Competências da GNR como OPC

- Circular 2/2009 –P de 28 de Janeiro ( Atribuição e controlo de NUIPC e registo de Autos de Notícia ou de Denúncia).

- MSG n.º 2898 / DO, da DIROPERAÇÔESGNR.

Artigo 11.º Sistema integrado de informação criminal

1 - O dever de cooperação previsto no artigo anterior é garantido, designadamente, por um

sistema integrado de informação criminal que assegure a partilha de informações entre os órgãos de polícia criminal, de acordo com os princípios da necessidade e da competência, sem prejuízo dos regimes legais do segredo de justiça e do segredo de Estado.

2 - O acesso à informação através do sistema integrado de informação criminal é regulado por níveis de acesso, no âmbito de cada órgão de polícia criminal.

3 - As autoridades judiciárias competentes podem, a todo o momento e relativamente aos

processos de que sejam titulares, aceder à informação constante do sistema integrado de informação criminal.

4 - A partilha e o acesso à informação previstos nos números anteriores são regulados por lei.

Artigo 12.º Cooperação internacional

1 - Compete à Polícia Judiciária assegurar o funcionamento da Unidade Nacional EUROPOL e do Gabinete Nacional INTERPOL.

2 - A Guarda Nacional Republicana, a Polícia de Segurança Pública e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras integram, através de oficiais de ligação permanente, a Unidade e o Gabinete stos no número anterior.

3 - A Polícia Judiciária, a Guarda Nacional Republicana, a Polícia de Segurança Pública e o

Serviço de Estrangeiros e Fronteiras integram, através de oficiais de ligação permanente, os

Gabinetes Nacionais de Ligação a funcionar junto da EUROPOL e da INTERPOL.

4 - Todos os órgãos de polícia criminal têm acesso à informação disponibilizada pela Unidade Nacional EUROPOL, pelo Gabinete Nacional INTERPOL e pelos Gabinetes Nacionais de Ligação a funcionar junto da EUROPOL e da INTERPOL, no âmbito das respectivas competências.

de Ligação a funcionar junto da EUROPOL e da INTERPOL, no âmbito das respectivas competências. Escola
de Ligação a funcionar junto da EUROPOL e da INTERPOL, no âmbito das respectivas competências. Escola

Escola da Guarda

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Investigação Criminal/Introdução

Investigação Criminal/Introdução CAPÍTULO III Coordenação Dos Órgãos De Polícia Criminal Artigo 13.º Conselho
Investigação Criminal/Introdução CAPÍTULO III Coordenação Dos Órgãos De Polícia Criminal Artigo 13.º Conselho

CAPÍTULO III Coordenação Dos Órgãos De Polícia Criminal

Artigo 13.º Conselho Coordenador

1 - O conselho coordenador dos órgãos de polícia criminal é presidido pelos membros do

Governo responsáveis pelas áreas da justiça e da administração interna e dele fazem parte:

a) O secretário-geral do Sistema Integrado de Segurança Interna;

b) O comandante-geral da Guarda Nacional Republicana e os directores nacionais da Polícia

de Segurança Pública, da Polícia Judiciária e do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras;

c)

Os dirigentes máximos de órgãos de polícia criminal de competência específica;

d)

O director-geral dos Serviços Prisionais.

2

- O conselho coordenador pode reunir com a participação dos membros referidos nas alíneas

a), b) e d) do número anterior ou, sempre que a natureza das matérias o justifique, também com a participação dos restantes.

3 - O secretário-geral do Sistema de Segurança Interna coadjuva a presidência na preparação e na condução das reuniões.

4 - Participa nas reuniões do conselho coordenador o membro do Governo responsável pela

coordenação da política de droga sempre que estiverem agendados assuntos relacionados com

esta área.

5 - Por iniciativa própria, sempre que o entendam, ou a convite da presidência, podem

participar nas reuniões do conselho coordenador o Presidente do Conselho Superior da Magistratura e o Procurador-Geral da República.

6 - Para efeitos do número anterior, o Presidente do Conselho Superior da Magistratura e o

Procurador-Geral da República são informados das datas de realização das reuniões, bem como das respectivas ordens de trabalhos.

7 - A participação do Procurador-Geral da República no conselho coordenador não prejudica a

autonomia do Ministério Público no exercício das competências que lhe são atribuídas pela Constituição e pela lei.

8 - A presidência, quando o considerar conveniente, pode convidar a participar nas reuniões

outras entidades com especiais responsabilidades na prevenção e repressão da criminalidade

ou na pesquisa e produção de informações relevantes para a segurança interna.

da criminalidade ou na pesquisa e produção de informações relevantes para a segurança interna. 10 Escola
da criminalidade ou na pesquisa e produção de informações relevantes para a segurança interna. 10 Escola

Investigação Criminal/Competências da GNR como OPC

Investigação Criminal/Competências da GNR como OPC Artigo 14.º Competências do conselho coordenador 1 - Compete ao
Investigação Criminal/Competências da GNR como OPC Artigo 14.º Competências do conselho coordenador 1 - Compete ao

Artigo 14.º Competências do conselho coordenador

1 - Compete ao conselho coordenador dos órgãos de polícia criminal:

a) Dar orientações genéricas para assegurar a articulação entre os órgãos de polícia criminal;

b) Garantir a adequada coadjuvação das autoridades judiciárias por parte dos órgãos de polícia

criminal;

c) Informar o Conselho Superior da Magistratura sobre deliberações susceptíveis de relevar

para o exercício das competências deste; d) Solicitar ao Procurador-Geral da República a adopção, no âmbito das respectivas competências, das providências que se revelem adequadas a uma eficaz acção de prevenção e

investigação criminais;

e) Apreciar regularmente informação estatística sobre as acções de prevenção e investigação

criminais;

f) Definir metodologias de trabalho e acções de gestão que favoreçam uma melhor

coordenação e mais eficaz acção dos órgãos de polícia criminal nos diversos níveis hierárquicos.

2 - O conselho coordenador não pode emitir directivas, instruções ou ordens sobre processos determinados.

Artigo 15.º Sistema de coordenação 1 - A coordenação dos órgãos de polícia criminal é assegurada pelo secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, de acordo com as orientações genéricas emitidas pelo conselho coordenador dos órgãos de polícia criminal e sem prejuízo das competências do Ministério Público.

2 - Compete ao Secretário-Geral, no âmbito da coordenação prevista no número anterior e

ouvidos os dirigentes máximos dos órgãos de polícia criminal ou, nos diferentes níveis

hierárquicos ou unidades territoriais, as autoridades ou agentes de polícia criminal que estes designem:

a) Velar pelo cumprimento da repartição de competências entre órgãos de polícia criminal de

modo a evitar conflitos;

b) Garantir a partilha de meios e serviços de apoio de acordo com as necessidades de cada

órgão de polícia criminal;

c) Assegurar o funcionamento e o acesso de todos os órgãos de polícia criminal ao sistema

integrado de informação criminal, de acordo com as suas necessidades e competências.

ao sistema integrado de informação criminal, de acordo com as suas necessidades e competências. Escola da
ao sistema integrado de informação criminal, de acordo com as suas necessidades e competências. Escola da

Escola da Guarda

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Investigação Criminal/Introdução

Investigação Criminal/Introdução 3 - O secretário-geral não pode emitir directivas, instruções ou ordens sobre
Investigação Criminal/Introdução 3 - O secretário-geral não pode emitir directivas, instruções ou ordens sobre

3 - O secretário-geral não pode emitir directivas, instruções ou ordens sobre processos

determinados.

4 - O secretário-geral não pode aceder a processos concretos, aos elementos deles constantes ou às informações do sistema integrado de informação criminal.

CAPÍTULO IV Fiscalização Dos Órgãos De Polícia Criminal

Artigo 16.º Competência do Procurador-Geral da República

1 - O Procurador-Geral da República fiscaliza superiormente a actividade processual dos

órgãos de polícia criminal no decurso do inquérito.

2 - No exercício dos poderes referidos no número anterior, o Procurador-Geral da República

pode solicitar aos órgãos de polícia criminal de competência genérica informações sobre a actividade processual e ordenar inspecções aos respectivos serviços, para fiscalização do

cumprimento da lei, no âmbito da investigação criminal desenvolvida no decurso do inquérito.

3 - Em resultado das informações obtidas ou das inspecções, o Procurador-Geral da República

pode emitir directivas ou instruções genéricas sobre o cumprimento da lei por parte dos órgãos de polícia criminal referidos no número anterior, no âmbito da investigação criminal desenvolvida no decurso do inquérito.

4 - O Procurador-Geral da República pode ordenar a realização de inquéritos e sindicâncias

aos órgãos de polícia criminal referidos no n.º 2 em relação a factos praticados no âmbito da investigação criminal desenvolvida no decurso do inquérito, por sua iniciativa, a solicitação dos membros do Governo responsáveis pela sua tutela ou dos respectivos dirigentes máximos.

CAPÍTULO V Disposições Finais

Artigo 17.º Processos pendentes As novas regras de repartição de competências para a investigação criminal entre os órgãos de polícia criminal não se aplicam aos processos pendentes à data da entrada em vigor da presente lei.

criminal não se aplicam aos processos pendentes à data da entrada em vigor da presente lei.
criminal não se aplicam aos processos pendentes à data da entrada em vigor da presente lei.

Investigação Criminal/Competências da GNR como OPC

Investigação Criminal/Competências da GNR como OPC Artigo 18.º Regimes próprios de pessoal O estatuto, competências
Investigação Criminal/Competências da GNR como OPC Artigo 18.º Regimes próprios de pessoal O estatuto, competências

Artigo 18.º Regimes próprios de pessoal

O estatuto, competências e forma de recrutamento do pessoal dirigente e de chefias dos órgãos

de polícia criminal de competência genérica são os definidos nos respectivos diplomas orgânicos.

Artigo 19.º Decreto-Lei n.º 81/95, de 22 de Abril

O estatuído na presente lei não prejudica o disposto no Decreto-Lei n.º 81/95, de 22 de Abril.

Artigo 20.º Disposição transitória

A avaliação de desempenho dos elementos das forças e dos serviços de segurança e do pessoal

oficial de justiça é regulada em legislação especial, ficando excepcionados da aplicação do disposto no artigo 113.º da Lei n.º 12-A/2008, de 27 de Fevereiro, e sujeitos aos respectivos regimes estatutários.

Artigo 21.º

Norma revogatória

É revogada a Lei n.º 21/2000, de 10 de Agosto, alterada pelo Decreto-Lei n.º 305/2002, de 13

de Dezembro.

Artigo 22.º

Entrada em vigor

A presente lei entra em vigor 30 dias após a data da sua publicação.

Aprovada em 11 de Julho de 2008.

O Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.

Promulgada em 11 de Agosto de 2008.

Publique-se.

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

Referendada em 12 de Agosto de 2008.

O Primeiro-Ministro, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.

Extractos Código Processo Penal

(…)

O Primeiro-Ministro, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa. Extractos Código Processo Penal (…) Escola da Guarda
O Primeiro-Ministro, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa. Extractos Código Processo Penal (…) Escola da Guarda

Escola da Guarda

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Investigação Criminal/Introdução

Investigação Criminal/Introdução Artigo 55. ° Competência dos órgãos de polícia criminal 1- Compete aos órgãos
Investigação Criminal/Introdução Artigo 55. ° Competência dos órgãos de polícia criminal 1- Compete aos órgãos

Artigo 55. ° Competência dos órgãos de polícia criminal

1- Compete aos órgãos de polícia criminal coadjuvar as autoridades judiciárias com vista à realização das finalidades do processo. 2- Compete em especial aos órgãos de polícia criminal, mesmo por iniciativa própria, colher notícia dos crimes e impedir quanto possível as suas consequências, descobrir os seus agentes e levar a cabo os actos necessários e urgentes destinados a assegurar os meios de prova.

(…)

Artigo 171.° Pressupostos

1 - Por meio de exames das pessoas, dos lugares e das coisas, inspeccionam-se os

vestígios que possa ter deixado o crime e todos os indícios relativos ao modo como e ao lugar

onde foi praticado, às pessoas que o cometeram ou sobre as quais foi cometido.

2 - Logo que houver notícia da prática de crime, providencia-se para evitar, quando

possível, que os seus vestígios se apaguem ou alterem antes de serem examinados, proibindo- se, se necessário, a entrada ou o trânsito de pessoas estranhas no local do crime ou quaisquer outros actos que possam prejudicar a descoberta da verdade.

3 - Se os vestígios deixados pelo crime se encontrarem alterados ou tiverem desaparecido, descreve-se o estado em que se encontram as pessoas, os lugares e as coisas em que possam ter existido, procurando-se, quanto possível, reconstitui-los e descrevendo-se o modo, o tempo e as causas da alteração ou do desaparecimento.

4 - Enquanto não estiver presente no local a autoridade judiciária ou o órgão de polícia criminal competentes, cabe a qualquer agente da autoridade tomar provisoriamente as

Providências referidas no n.º 2, se de outro modo houver perigo iminente para obtenção da prova

Artigo 172.° Sujeição a exame

1- Se alguém pretender eximir-se ou obstar a qualquer exame devido ou a facultar coisa que deva ser examinada, pode ser compelido por decisão da autoridade judiciária competente.

2- É correspondentemente aplicável o disposto no n.º 2 do artigo 154.° e nosn.os5 e 6 do artigo 156.°

3- Os exames susceptíveis de ofender o pudor das pessoas devem respeitar a dignidade e, na medida do possível, o pudor de quem a eles se submeter. Ao exame só assistem quem a ele proceder e a autoridade judiciária competente, podendo o examinando fazer-se acompanhar de pessoa da sua confiança, se não houver perigo na demora, e devendo ser informado de que possui essa faculdade.

Artigo 173.°

Pessoas no local do exame

1- A autoridade judiciária ou o órgão de polícia criminal competentes podem determinar que alguma ou algumas pessoas se não afastem do local do exame e obrigar, com o auxílio da força pública, se necessário, as que pretenderem afastar-se a que nele se conservem enquanto o exame não terminar e a sua presença for indispensável.

2 - É correspondentemente aplicável o disposto no n.o4doartigol71.°

presença for indispensável. 2 - É correspondentemente aplicável o disposto no n.o4doartigol71.° 14 Escola da Guarda
presença for indispensável. 2 - É correspondentemente aplicável o disposto no n.o4doartigol71.° 14 Escola da Guarda

Investigação Criminal/Competências da GNR como OPC

Investigação Criminal/Competências da GNR como OPC (…) CAPÍTULO II Das medidas cautelares e de polícia Artigo
Investigação Criminal/Competências da GNR como OPC (…) CAPÍTULO II Das medidas cautelares e de polícia Artigo

(…)

CAPÍTULO II Das medidas cautelares e de polícia

Artigo 248. ° Comunicação da notícia do crime

1- Os órgãos de polícia criminal que tiverem notícia de um crime, por conhecimento próprio ou mediante denúncia, transmitem-na ao Ministério Público no mais curto prazo, que não pode exceder 10 dias.

2 - Aplica-se o disposto no número anterior a notícias de crime manifestamente infundadas que hajam sido transmitidas aos órgãos de polícia criminal.

3 - Em caso de urgência, a transmissão a que se refere o número anterior pode ser feita

por qualquer meio de comunicação para o efeito disponível. A comunicação oral deve, porém, ser seguida de comunicação escrita.

Artigo 249.° Providências cautelares quanto aos meios de prova

1 - Compete aos órgãos de polícia criminal, mesmo antes de receberem ordem da

autoridade judiciária competente para procederem a investigações, praticar os actos cautelares necessários e urgentes para assegurar os meios de prova.

2 - Compete-lhes, nomeadamente, nos termos do número anterior:

a) Proceder a exames dos vestígios do crime, em especial às diligências previstas no

n.º 2 do artigo 171.° e no artigo 173.°, assegurando a manutenção do estado das coisas e dos

lugares;

b) Colher informações das pessoas que facilitem a descoberta dos agentes do crime e a

sua reconstituição;

c) Proceder a apreensões no decurso de revistas ou buscas ou em caso de urgência ou

perigo na demora, bem como adoptar as medidas cautelares necessárias à conservação ou manutenção dos objectos apreendidos.

3 - Mesmo após a intervenção da autoridade judiciária, cabe aos órgãos de polícia

criminal assegurar novos meios de prova de que tiverem conhecimento, sem prejuízo de

deverem dar deles notícia imediata àquela autoridade.

Artigo 250.° Identificação de suspeito e pedido de informações

1 - Os órgãos de polícia criminal podem proceder à identificação de qualquer pessoa

encontrada em lugar público, aberto ao público ou sujeito a vigilância policial, sempre que sobre ela recaiam fundadas suspeitas da prática de crimes, da pendência de processo de extradição ou de expulsão, de que tenha penetrado ou permaneça irregularmente no território nacional ou de haver contra si mandado de detenção.

2 - Antes de procederem à identificação, os órgãos de polícia criminal devem provar a

sua qualidade, comunicar ao suspeito as circunstâncias que fundamentam a obrigação de

identificação e indicar os meios por que este se pode identificar.

3 - O suspeito pode identificar-se mediante a apresentação de um dos seguintes documentos:

a) Bilhete de identidade ou passaporte, no caso de ser cidadão português;

seguintes documentos: a) Bilhete de identidade ou passaporte, no caso de ser cidadão português; Escola da
seguintes documentos: a) Bilhete de identidade ou passaporte, no caso de ser cidadão português; Escola da

Escola da Guarda

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Investigação Criminal/Introdução

Investigação Criminal/Introdução b) Título de residência, bilhete de identidade, passaporte ou documento que
Investigação Criminal/Introdução b) Título de residência, bilhete de identidade, passaporte ou documento que

b) Título de residência, bilhete de identidade, passaporte ou documento que substitua o passaporte, no caso de ser cidadão estrangeiro.

4 - Na impossibilidade de apresentação de um dos documentos referidos no número

anterior, o suspeito pode identificar-se mediante a apresentação de documento original, ou cópia autenticada, que contenha o seu nome completo, a sua assinatura e a sua fotografia.

5 - Se não for portador de nenhum documento de identificação, o suspeito pode identificar-se por um dos seguintes meios:

a) Comunicação com uma pessoa que apresente os seus documentos de identificação;

b) Deslocação, acompanhado pelos órgãos de polícia criminal, ao lugar onde se

encontram os seus documentos de identificação;

c) Reconhecimento da sua identidade por uma pessoa identificada nos termos do n.º 3

ou do n.º 4 que garanta a veracidade dos dados pessoais indicados pelo identificando.

6 - Na impossibilidade de identificação nos termos dos n.os 3,4 e 5, os órgãos de

polícia criminal podem conduzir o suspeito ao posto policial mais próximo e compeli-lo a

permanecer ali pelo tempo estritamente indispensável à identificação, em caso algum superior

a seis horas, realizando, em caso de necessidade, provas dactiloscópicas, fotográficas ou de

natureza análoga e convidando o identificando a indicar residência onde possa ser encontrado

e receber comunicações.

7 - Os actos de identificação levados a cabo nos termos do número anterior são sempre

reduzidos a auto e as provas de identificação dele constantes são destruídas na presença do identificando, a seu pedido, se a suspeita não se confirmar.

8 - Os órgãos de polícia criminal podem pedir ao suspeito, bem como a quaisquer

pessoas susceptíveis de fornecerem informações úteis, e deles receber, sem prejuízo, quanto ao suspeito, do disposto no artigo 59. °, Informações relativas a um crime e, nomeadamente, à descoberta e à conservação de meios de prova que poderiam perder-se antes da intervenção da autoridade judiciária.

9 - Será sempre facultada ao identificando a possibilidade de contactar com pessoa da sua confiança.

(…)

Artigo 178. °

Objectos susceptíveis de apreensão e pressupostos desta

1 - São apreendidos os objectos que tiverem servido ou estivessem destinados a servir

a prática de um crime, os que constituírem o seu produto, lucro, preço ou recompensa, e bem

assim todos os objectos que tiverem sido deixados pelo agente no local do crime ou quaisquer outros susceptíveis de servir a prova.

2 - Os objectos apreendidos são juntos ao processo, quando possível, e, quando não,

confiados à guarda do funcionário de justiça adstrito ao processo ou de um depositário, de tudo se fazendo menção no auto.

3 - As apreensões são autorizadas, ordenadas ou validadas por despacho da autoridade judiciária.

4 - Os órgãos de polícia criminal podem efectuar apreensões no decurso de revistas ou

de buscas ou quando haja urgência ou perigo na demora, nos termos previstos na alínea c) do n.º 2 do artigo 249.°

5 - As apreensões efectuadas por órgão de polícia criminal são sujeitas a validação pela autoridade judiciária, no prazo máximo de setenta e duas horas.

são sujeitas a validação pela autoridade judiciária, no prazo máximo de setenta e duas horas. 16
são sujeitas a validação pela autoridade judiciária, no prazo máximo de setenta e duas horas. 16

Investigação Criminal/Competências da GNR como OPC

Investigação Criminal/Competências da GNR como OPC 6 - Os titulares de bens ou direitos objecto de
Investigação Criminal/Competências da GNR como OPC 6 - Os titulares de bens ou direitos objecto de

6 - Os titulares de bens ou direitos objecto de apreensão podem requerer ao juiz de

instrução a modificação ou revogação da medida. E correspondentemente aplicável o disposto

no n.º 5 do artigo 68.°

7 - Se os objectos apreendidos forem susceptíveis de ser declarados perdidos a favor

do Estado e não pertencerem ao arguido, a autoridade judiciária ordena a presença do interessado e ouve-o. A autoridade judiciária prescinde da presença do interessado quando esta não for possível.

Nota, ver manual de compilação de legislação - Competências da GNR como OPC

- Circular n.º 06/2002 da PGR de 11 de Março (artigo 270º do Código de Processo Penal. Delegação de Competência. Actividade Processual do Ministério Público).

- Circular n.º 03/2002-P de 20 de Maio (Delegação de competências do Ministério Público na GNR).

- Nota n.º 419/06/CIC de 12 Julho (Furto de Caixas Multibanco – competências)

- Circular de 13/2004 de 12 de Outubro (Competência reservada da Polícia Judiciária. Crime de ameaça com utilização de arma de fogo).

- Lei n.º 38/2009 de 20 de Julho (Define os objectivos, prioridades e orientações de política criminal para o biénio de 2009-2011, em cumprimento da Lei n.º 17/2006, de 23 de Maio - Lei Quadro da Política Criminal)

NÚCLEO DE INVESTIGAÇÃO CRIMINAL DO DESTACAMENTO TERRITORIAL (NIC DTer)

(….)

“4. Competências do Núcleo de investigação criminal do Destacamento Territorial 1

a. Do NIC DTer

(1) Levar a efeito as investigações dos crimes para as quais a Guarda tem

competência, excepto as que forem da competência de outros órgãos. As

investigações dos crimes de droga ficam limitadas às situações e circunstâncias

previstas na NEP/GNR – 9.03 CIC;

(2) Organizar e promover o controlo das existências;

(3) Registar, tratar, encaminhar e arquivar o expediente do Núcleo;

(4) Outras que, directa ou indirectamente relacionadas com a investigação criminal,

lhe venham a ser atribuídas.”

1 Nota, ver NEP/GNR – 9.04- CIC de 09 Outubro de 2003, em anexo.

venham a ser atribuídas.” 1 Nota, ver NEP/GNR – 9.04- CIC de 09 Outubro de 2003,
venham a ser atribuídas.” 1 Nota, ver NEP/GNR – 9.04- CIC de 09 Outubro de 2003,

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Investigação Criminal/Introdução

Investigação Criminal/Introdução EQUIPA DE INVESTIGAÇÃO E INQUÉRITO DO POSTO TERRITORIAL (EII PTer) (……) “4.
Investigação Criminal/Introdução EQUIPA DE INVESTIGAÇÃO E INQUÉRITO DO POSTO TERRITORIAL (EII PTer) (……) “4.

EQUIPA DE INVESTIGAÇÃO E INQUÉRITO DO POSTO TERRITORIAL (EII PTer)

(……)

“4. Competências equipa de investigação e inquérito do posto territorial 2

(1) Levar a efeito as investigações dos crimes que se revistam de menor complexidade e que se enquadrem nas competências da Guarda. Sem prejuízo do dever de actuação em flagrante delito, as EII PTer não promovem investigações de crimes de droga.”

2 Nota, ver NEP/GNR – 9.05 – CIC de 09 de Outubro de 2003, em anexo.

de crimes de droga.” 2 Nota, ver NEP/GNR – 9.05 – CIC de 09 de Outubro
de crimes de droga.” 2 Nota, ver NEP/GNR – 9.05 – CIC de 09 de Outubro

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório

ENTREVISTA E INTERROGATÓRIO

e Interrogatório ENTREVISTA E INTERROGATÓRIO CONCEITO Na presente abordagem deve entender-se a
e Interrogatório ENTREVISTA E INTERROGATÓRIO CONCEITO Na presente abordagem deve entender-se a
e Interrogatório ENTREVISTA E INTERROGATÓRIO CONCEITO Na presente abordagem deve entender-se a

CONCEITO

Na presente abordagem deve entender-se a entrevista/interrogatório como uma técnica policial, cujo objectivo primordial reside na recolha de informação, por forma a responder às seis questões fundamentais da Investigação Criminal. Esta técnica tem aplicabilidade, com as necessárias adaptações, em qualquer fase da investigação ou do processo em curso, tendo como alvo as diversas figuras processuais, ou seja, um suspeito, uma testemunha, um arguido ou simplesmente um declarante ou ainda uma pessoa que apresenta uma queixa ou uma denúncia. Em termos práticos, a Entrevista/Interrogatório consiste num diálogo estabelecido entre dois elementos, isto é, entre o entrevistador – militar da GNR – e o entrevistado que pode ser uma das figuras atrás referidas. Deste diálogo resulta necessariamente uma situação de interacção entre os dois intervenientes que defendem objectivos e interesses diferentes e, por vezes opostos, nomeadamente, quando se trata de um suspeito. Sendo uma situação de interacção a Entrevista/Interrogatório é, simultaneamente, uma situação de conflito onde cada um dos intervenientes procura preservar a sua posição. Enquanto que o entrevistado dispõe de preciosa informação e cria obstáculos evitando fornece-la ao entrevistador, este por sua vez, tenta a todo o custo obter essa informação recorrendo a técnicas de comunicação ajustadas às características do interlocutor, preparando convenientemente o caso, etc. Esta situação de interacção, no que respeita à posse de informação, poder-se-á representar com recurso à figura de uma balança tradicional de pratos com fiel ao centro. Medindo a informação que cada interveniente possui, conclui-se que o prato correspondente ao entrevistador ficaria em posição desfavorável em virtude do entrevistado possuir o maior volume de informação que por sua vez interessa ao primeiro.

Significa que o entrevistador parte de uma situação de desvantagem.

( - ) INFORMAÇÃO ( + )

ENTREVISTADOR

GNR

ENTREVISTADO

Posto isto, o primordial objectivo do entrevistador consiste, como já se referiu, em obter o máximo de informação por forma a esclarecer a prática de qualquer ilícito criminal. Alcança este desiderato se no final da entrevista conseguir, pelo menos, equilibrar os pratos da balança, isto é, se relativamente à situação que está a ser investigada ficar a saber tanto ou mais do que sabe o entrevistado.

Este objectivo é normalmente atingido, visto que previamente na fase da preparação se reuniu um conjunto de informações relativas ao caso. O somatório da informação antecipadamente recolhida e daquela que se obtêm no acto da entrevista fará certamente pender os pratos a favor do entrevistador.

O objectivo a que se vem aludindo deve ser alcançado com recurso a técnicas adequadas, não havendo, em caso algum, justificação para a utilização de processos ou métodos ilegais que contribuam para denegrir a imagem da Guarda ou afectar a integridade física e moral ou a dignidade da condição humana.

a imagem da Guarda ou afectar a integridade física e moral ou a dignidade da condição
a imagem da Guarda ou afectar a integridade física e moral ou a dignidade da condição

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Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório Nestes termos o artigo 126º do CPP é bem claro ao sustentar:
Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório Nestes termos o artigo 126º do CPP é bem claro ao sustentar:

Nestes termos o artigo 126º do CPP é bem claro ao sustentar:

São nulas, não podendo ser utilizadas, as provas obtidas mediante tortura, coacção ou, em geral, ofensa da integridade física ou moral das pessoas.

São ofensivas da integridade física ou moral das pessoas as provas obtidas, mesmo que com consentimento delas, mediante:

a) Perturbação da liberdade de vontade ou de decisão através de maus tratos, ofensas corporais, administração de meios de qualquer natureza, hipnose ou utilização de meios cruéis ou enganosos;

b) Perturbação, por qualquer meio, da capacidade de memória ou de avaliação;

c) Utilização da força, fora dos casos e dos limites permitidos pela lei;

d) Ameaça com medida legalmente inadmissível e, bem assim, com denegação ou condicionamento da obtenção de benefício legalmente previsto;

e) Promessa de vantagem legalmente inadmissível.

Ressalvados os casos previstos na lei, são igualmente nulas, não podendo ser utilizadas, as provas obtidas mediante intromissão na vida privada, no domicílio, na correspondência ou nas telecomunicações sem o consentimento do respectivo titular.

Se o uso dos métodos de obtenção de provas previstos neste artigo constituir crime, podem aquelas ser utilizadas com o fim exclusivo de proceder contra os agentes do mesmo.

LINGUAGEM

Na Entrevista/Interrogatório intervêm necessariamente dois tipos de linguagem que, de forma simultânea e sistemática, obrigam o entrevistador a analisá-las e interpretá-las quer isoladamente quer em conjunto. Os dois tipos de linguagem a saber são:

- A linguagem verbal;

- A linguagem não verbal.

A linguagem verbal está relacionada com tudo aquilo que é dito, com os sons emitidos

pelos intervenientes.

A linguagem não verbal integra a postura do entrevistado, os seus comportamentos,

gestos, atitudes e sucessivas reacções, isto é, toda a expressão corporal que acompanha a comunicação oral (cinésica). Aquilo que é dito pode ser expressado de diferentes maneiras. Assim, não devemos

limitar a nossa análise apenas ao que se diz mas, também à forma como se diz, à entoação que se imprime a cada expressão, à colocação de voz, etc.

A mesma expressão “sim” poderá ser dita de maneiras diversas, atribuindo–lhe, pois, o

entrevistador, significados diferentes. No decurso da Entrevista/Interrogatório é imprescindível uma análise e interpretação sistemática da linguagem não verbal por forma a que de imediato e oportunamente se retirem as necessárias ilações. Determinados sinais como transpiração excessiva, movimentos intensos e crispados dos dedos, boca seca e movimentos frequentes e injustificados dos pés constituem indícios de nervosismo ou até de culpa, revelando tal comportamento um desejo ou atitude de sonegação de certos factos. Contudo a relação causa - efeito que se descreveu é falível. Nem sempre tais sinais são sintomas de culpa. Uma “velhinha” alvo de furto por esticão, profundamente abalada em virtude do acto violento a que foi sujeita e se apresenta no posto para apresentar queixa poderá manifestar muitos dos sinais enunciados.

e se apresenta no posto para apresentar queixa poderá manifestar muitos dos sinais enunciados. 20 Escola
e se apresenta no posto para apresentar queixa poderá manifestar muitos dos sinais enunciados. 20 Escola

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório A linguagem não verbal materializada nos gestos é complementada e
Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório A linguagem não verbal materializada nos gestos é complementada e

A linguagem não verbal materializada nos gestos é complementada e enriquecida pela

entoação e colocação de voz bem como pela gestão do espaço levada a cabo pelo entrevistador. Feita a análise isolada da linguagem gestual ou não verbal, é igualmente pertinente efectuar uma avaliação conjunta colocando em confronto os dois tipos de linguagem. Pretende-se com esta atitude que o entrevistador compare e realce contradições ou diferenças na informação transmitida pela linguagem verbal e não verbal. Pode acontecer que não se verifique plena harmonia entre aquilo que é transmitido

verbalmente e os gestos produzidos. Verbalmente, o entrevistado pode quer fazer passar uma mensagem e pelos gestos pouco convictos e duvidosos não dar consistência a essa mensagem verbal.

É da conjugação dos dois tipos de linguagem que o entrevistador colhe a informação

mais completa e convenientemente complementada.

Associados à linguagem verbal e não verbal destacam-se três atitudes:

- Proxémia;

- Cinésica;

- Paralinguagem.

vital

características e dos objectivos que se pretendem alcançar.

A proxémia

refere-se

à

gestão

do

espaço

do

visado

em

função

das

suas

A cinésica refere-se à expressão corporal que acompanha a comunicação oral.

A paralinguagem diz respeito à matiz ou tom de voz adequados à situação e ao

indivíduo.

FUNÇÕES DA ENTREVISTA/INTERROGATÓRIO

No que concerne à relevância no âmbito penal e em sede de julgamento, a Prova Real é

hoje considerada a rainha das provas em virtude do seu carácter de irrefutabilidade, que lhe

advêm, essencialmente, dos processos e meios científicos que intervêm na sua produção.

A prova pessoal, por sua vez, constitui um elemento que:

- Potência a Prova Real, dando-lhe mais força e valor probatório;

- Fornece indicações para a obtenção da Prova Real. Uma informação pode sugerir

a necessidade de obter um elemento de prova material; - Auxilia a estabelecer a conexão dos elementos da prova real que por vezes parecem desconexos e sem relação aparente. Quantas vezes, um vestígio no local do crime sugere a seguinte questão: qual será a sua relação com todo este cenário?

- Contribui, de forma complementar, para o esclarecimento dos factos.

Poder-se-à dizer que a prova material e a prova pessoal se potenciam simultaneamente na medida em que uma permite alcançar a outra ao mesmo tempo que a valoriza. Verifica-se uma espécie de simbiose entre os dois tipos de prova, em que uma faz progredir a outra e vice- versa

Por questões metodológicas apresentam-se na página seguinte as principais funções da Entrevista / Interrogatório e que se resumem a três:

- Recolher informação

- Dar informação

- Motivar o entrevistado

Apresentam-se de seguida as três funções da Entrevista/Interrogatório:

- Motivar o entrevistado Apresentam-se de seguida as três funções da Entrevista/Interrogatório: Escola da Guarda 2
- Motivar o entrevistado Apresentam-se de seguida as três funções da Entrevista/Interrogatório: Escola da Guarda 2

Escola da Guarda

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Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório   Constitui a função primordial desta técnica policia l no
Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório   Constitui a função primordial desta técnica policia l no
 

Constitui a função primordial desta técnica policial no sentido de

Recolher informação

esclarecer os factos em análise, respondendo às seis questões da

investigação criminal.

 
 

Função que se relaciona com a gestão da informação que o

entrevistador possui.

 

Consiste em fornecer ao entrevistado pequenas dicas por forma a

criar naquele a convicção de que o investigador tem informação

relativa ao seu envolvimento.

 

Deve-se evitar o “bluff” pelo que qualquer dica fornecida deve ter

suporte, pois a qualquer altura pode ser necessário confrontar o

entrevistado com a prova da informação que o investigador diz que

Dar informação

possui. Tudo o que se dá tem que estar fundamentado e

documentado.

 

Exemplo: Confrontar suspeito de furto a uma residência que

 

sistematicamente nega o seu envolvimento com a sua

impressão digital que foi recolhida no local do crime e

lhe pertence efectivamente.

 

Mesmo que se tenha pouca informação fazer passar a ideia de que

se tem muita para recolher ainda mais.

 
 

O investigador mostra que está atento, motivado e interessado.

 

Evidenciar que está a partilhar o diálogo, os desejos, sentimentos

Motivar o entrevistado

do entrevistado com recurso a empatia.

 

O

entrevistador

usa

se

necessário

as

técnicas

clássicas

e

particulares de motivação.

 

As funções da entrevista/interrogatório exigem ao entrevistador a assunção de três atitudes essenciais:

- Desejo de informação;

- Necessidade de investigação;

- Motivação.

três atitudes essenciais: - Desejo de informação; - Necessidade de investigação; - Motivação. 22 Escola da
três atitudes essenciais: - Desejo de informação; - Necessidade de investigação; - Motivação. 22 Escola da

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório CICLO DA INFORMAÇÃO Em Entrevista/Interrogatório a situação de
Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório CICLO DA INFORMAÇÃO Em Entrevista/Interrogatório a situação de

CICLO DA INFORMAÇÃO

Em Entrevista/Interrogatório a situação de interacção pode, com as limitações inerentes a qualquer esquema, traduzir–se através da figura que a seguir se apresenta.

C

O

N

T

R

O

L

O

EMISSOR MENSAGEM (DECLARANTE INTENCIONADA ARGUIDO, ETC.) IDEIAS SENTIMENTOS OPINIÕES ππππ ==== FACTOS
EMISSOR
MENSAGEM
(DECLARANTE
INTENCIONADA
ARGUIDO, ETC.)
IDEIAS
SENTIMENTOS
OPINIÕES
ππππ
====
FACTOS
FEED-BACK
MENSAGEM
ANÁLISE
PERCEPCIONADA
INTERPRETAÇÃO

CODIFICAÇÃO

EMISSÃO

CANAL DE

TRANSMISSÃO

RECEPTOR

(GNR )

REGISTO

DESCODIFICAÇÃO

Sentido da comunicação

LEGENDA

Interferência, distorção, ruídos

Sentido da comunicação LEGENDA Interferência, distorção, ruídos Comparação de mensagens Escola da Guarda 2 3

Comparação de mensagens

Sentido da comunicação LEGENDA Interferência, distorção, ruídos Comparação de mensagens Escola da Guarda 2 3
Sentido da comunicação LEGENDA Interferência, distorção, ruídos Comparação de mensagens Escola da Guarda 2 3

Escola da Guarda

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Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório Relativamente ao esquema que traduz o ciclo da comunicação
Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório Relativamente ao esquema que traduz o ciclo da comunicação

Relativamente ao esquema que traduz o ciclo da comunicação apresentam-se algumas referências explicativas. Quanto aos intervenientes, isto é, o Emissor (Entrevistado) e o receptor (Entrevistador),

constata-se que aparecem em pólos diferenciados, cujos interesses são igualmente diversos.

O emissor transmite a sua mensagem, condicionada pelas suas ideias, sentimentos,

opiniões, conhecimento que tem dos factos, interesses e motivações. Na maior parte dos casos, mas dependendo de posição processual do entrevistado, a

mensagem do emissor é uma mensagem intencionada, orientada para um objectivo. Tratando- se de um suspeito da prática de um acto ilícito de natureza criminal, procurará, certamente rejeitar toda e qualquer responsabilidade ou mesmo atribuir essa responsabilidade a outra pessoa.

A mensagem transmitida pelo emissor é também uma mensagem codificada quer, em

virtude dos factos apontados anteriormente quer em consequência de desvios intencionais, de dialécticos, de termos ou expressões características de um meio criminal específico. Lembre- se por exemplo a diversidade de termos característicos usados no mundo da droga. O entrevistador tem, obrigatoriamente, de conhecer o seu significado quando usados pelo interlocutor, sem poder manifestar surpresa ou pedir a ajuda do entrevistado para o seu esclarecimento.

O canal de transmissão é invisível, mas ele existe. É o ar que fisicamente separa os dois

interlocutores. Mesmo assim podem surgir certos obstáculos na comunicação ou ruídos de

natureza diversa. Tais ruídos podem ser constituídos por distorções inerentes à própria entrevista ou por interferências exógenas, como por exemplo a campainha do telefone.

O receptor, por sua vez, recebe a mensagem intencionada e codificada, preocupando-se

de imediato em efectuar o seu registo e descodificação, tornando-a perceptível por forma a recolher o essencial da comunicação. De seguida o mesmo receptor procede à análise e interpretação da mensagem, colhendo o seu real significado de que resulta a mensagem percepcionada pelo entrevistador. Nesta fase impõe-se que o entrevistador estabeleça um paralelismo entre a mensagem percepcionada – aquela que o receptor considera que corresponde à mensagem transmitida – e a mensagem comunicada pelo emissor, por forma a verificar se há correspondência de conteúdos e se o receptor captou a mensagem que o emissor quis transmitir. Na fase do controlo procura efectuar-se uma reformulação de tudo o que foi transmitido pelo emissor, certificando-se ainda de que tudo foi dito por aquele. Esta fase pode suscitar e potenciar um novo ciclo e, consequentemente, novas questões quer relativamente ao mesmo indivíduo, quer relativamente a outro interveniente.

TÉCNICAS DE ENTREVISTA/INTERROGATÓRIO

Considerem-se duas técnicas fundamentais:

- Metodologia da Entrevista/Interrogatório;

- Gestão de atitudes.

METODOLOGIAS DA ENTREVISTA/INTERROGATÓRIO

As metodologias a considerar são:

- Directiva;

- Não directiva ou aberta;

- Mista.

As metodologias a considerar são: - Directiva; - Não directiva ou aberta; - Mista. 24 Escola
As metodologias a considerar são: - Directiva; - Não directiva ou aberta; - Mista. 24 Escola

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório A metodologia directiva consiste na implementação de questões
Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório A metodologia directiva consiste na implementação de questões

A metodologia directiva consiste na implementação de questões objectivas, fechadas,

por vezes previamente elaboradas no sentido de esclarecer determinados pontos fulcrais mas ainda duvidosos. Engloba um conjunto de questões incisivas aplicadas em contexto fechado, ou seja, questões direccionadas para o esclarecimento de pontos concretos. Aconselhável para burlões, testemunhas faladoras e imaginativas.

A metodologia não directiva caracteriza-se por uma liberdade de explanação, tendo por

base um conjunto de questões abertas. O entrevistador começa por colocar questões abertas como por exemplo: em relação ao acidente conte-me tudo o que viu e sabe. Por sua vez, o entrevistador tem por funções escutar, motivar com recurso a técnicas próprias e orientar a explanação por forma a evitar desvios.

No sentido de encaminhar e evitar desvios mas sem condicionar a explanação o

entrevistador intervêm pontualmente com os comentários ou expressões oportunas.

Sendo

necessário

esclarecer

determinados

aspectos

concretos,

coloca

as

questões

específicas e necessárias a alcançar esse esclarecimento.

Esta metodologia permite que determinados indivíduos fechados, tímidos ou reservados se libertem e iniciem a explanação, pelo que resulta mais profícua.

A metodologia mista engloba as duas anteriores.

Em termos práticos, durante uma entrevista/interrogatório, verifica-se com frequência o

recurso de forma alternada e sucessiva às metodologias anteriormente referidas. Raramente acontece que uma situação de recolha de prova pessoal assente exclusivamente na metodologia directiva ou na metodologia não directiva.

Contudo a escolha da metodologia mais ajustada e oportuna é da responsabilidade do Entrevistador e essa opção depende essencialmente:

- Personalidade do interlocutor;

- Tipo de crime a investigar;

- Capacidade e inteligência do entrevistado;

- Antecedentes criminais e policiais (primário/reincidente) do entrevistado.

Conhecendo os requisitos que indivíduo tem que possuir para ser burlão (ambicioso, inteligente, com capacidade de argumentação, etc) não se deve adoptar para com este tipo de criminosos uma metodologia não directiva, mas sim uma metodologia directiva, rígida sem permitir qualquer tipo de liberdade.

Na presença de um primário no furto de rádios a veículos quase de certeza que a metodologia não directiva garante o êxito.

Sem se pretender estabelecer uma regra, recomenda-se que na base da opção da metodologia mais adequada se considerem os factores anteriormente apontados.

GESTÃO DE ATITUDES

Atitude é a predisposição para agir em consequência de um estímulo, constituindo aquela a parte visível do comportamento.

para agir em consequência de um estímulo, constituindo aquela a parte visível do comportamento. Escola da
para agir em consequência de um estímulo, constituindo aquela a parte visível do comportamento. Escola da

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Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório Pretende-se agora evidenciar o papel relevante de uma atitude que em
Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório Pretende-se agora evidenciar o papel relevante de uma atitude que em

Pretende-se agora evidenciar o papel relevante de uma atitude que em muito pode contribuir para o sucesso da Entrevista a que se dá o nome de Empatia. Esta atitude consiste em tentar penetrar no pensamento e sentimentos do entrevistado compreendendo o seu universo pessoal “como se” fosse o próprio entrevistado mas, sem que o entrevistador se despersonalize. O entrevistador coloca-se na posição do entrevistado do modo a sentir as suas preocupações, os seus anseios e interesses, as razões que o levaram a praticar aquele crime.

PERCEPÇÃO DE SER COMPREENDIDO ENTREVISTADO ENTREVISTADOR Opiniões Analisa Palavras Sentimentos INTERACÇÃO
PERCEPÇÃO DE SER COMPREENDIDO
ENTREVISTADO
ENTREVISTADOR
Opiniões
Analisa
Palavras
Sentimentos
INTERACÇÃO
Empatia
Gestos
Interesses
Interpreta
Atitudes
Motivações

COMPREENSÃO E AVALIAÇÃO

Já se referiu que a Entrevista/Interrogatório constitui uma situação de interacção estabelecida entre o entrevistador e o entrevistado durante a qual este expressa a sua mensagem através de palavras, gestos e atitudes. Esta mensagem é então condicionada pelas suas opiniões, sentimentos, interesses e motivações. Por seu lado o entrevistador analisa e interpreta a mensagem do entrevistado com

recurso à empatia. Esta atitude permite ao entrevistador avaliar e compreender o entrevistado

e sua mensagem ao ponto deste ter a percepção de estar a ser compreendido, e não julgado

nem condenado, pelo primeiro. Será uma forma que o entrevistador tem ao seu alcance no sentido de ganhar a confiança do emissor e conseguir dele a informação que pretende. Pretende-se que o entrevistado não veja no entrevistador um inimigo que quer julgá-lo e condená-lo ,mas antes alguém com quem pode conversar sem preconceitos, um confidente que na medida do possível e nos termos da lei vai ajudá-lo a resolver aquele problema. A atitude de empatia assumida pelo entrevistador terá que ser a mais ajustada à situação

e ao contexto, sem contudo se ter a veleidade de querer esclarecer um caso à custa desta

atitude. Por exemplo, no caso de se estar a entrevistar um suspeito de violação adopta-se uma atitude de compreensão por ser a mais profícua à recolha de informação. No caso de se ouvir um suspeito de homicídio implementar-se-ia a mesma atitude de compreensão. No entanto, apesar do apoio, o entrevistado não deve manifestar qualquer atitude de concordância com aquele acto. Terminada a Entrevista, passa a ignorar-se a atitude de empatia e cada um dos intervenientes assume a posição que possuíam antes de ter início a referida entrevista.

um dos intervenientes assume a posição que possuíam antes de ter início a referida entrevista. 26
um dos intervenientes assume a posição que possuíam antes de ter início a referida entrevista. 26

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório QUALIDADES DO ENTREVISTADOR No sentido de garantir o êxito da
Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório QUALIDADES DO ENTREVISTADOR No sentido de garantir o êxito da

QUALIDADES DO ENTREVISTADOR

No sentido de garantir o êxito da entrevista, o investigador deve possuir um conjunto de requisitos que conjugados com as técnicas e estratégicas adequadas facilitam a recolha de informação. Entre outras, que eventualmente se possam considerar, enunciam-se as seguintes qualidades:

- Capacidade de escuta. Escutar é mais do que ouvir. Exige-se, pois, ao entrevistador que apure a capacidade de escuta. Saber escutar é saber ouvir, interpretar e responder adequadamente. Esta capacidade relaciona-se directamente com a linguagem verbal e sua cabal exploração.

- Capacidade de observação Atitude directamente relacionada com a linguagem não verbal, sua análise e interpretação. O comportamento do entrevistado, globalmente considerado, emite sucessivas mensagens que o entrevistador tem a obrigação de saber interpretar e delas retirar as oportunas ilações.

- Não julgar nem condenar o entrevistado.

O entrevistador não pode de modo algum assumir uma atitude de avaliação dos actos

praticados pelo entrevistado.

Não pode ter a veleidade de substituir o juiz evocando a própria lei penal.

O entrevistador deve pois assumir a postura adequada à finalidade da entrevista, isto é,

a postura de investigação que visa a recolha de informação para o esclarecimento dos factos. Assumir uma atitude de condenação do entrevistado, significa o fim da colaboração do interlocutor.

- Ser detentor de uma boa condição técnica Experiência profissional na área criminal que investiga. Ex: Para se investigar e trabalhar no combate ao tráfico de droga é necessário conhecer o funcionamento deste meio criminal. Domínio do “modus operandi” do tipo de crime. Ex: Estando a investigar no âmbito da droga é necessário conhecer por exemplo os processos de dissimulação, para defrontar com convicção o entrevistado. Conhecimento do quadro legal e tramitação processual. Impede que o investigador se desvie e entre no campo da ilegalidade.

- Possuir boa condição ética e humana Respeito por si próprio, o que garante a manutenção da postura ajustada e o respeito para com o entrevistado; Promover um bom relacionamento funcional facilitando o diálogo e a obtenção de informação; Rejeição de preconceitos étnicos, religiosos, etc; Integridade, imparcialidade e objectividade; Uma testemunha ou um homicida merece o mesmo tratamento, pois têm a mesma dignidade inerente à condição humana.

ou um homicida merece o mesmo tratamento, pois têm a mesma dignidade inerente à condição humana.
ou um homicida merece o mesmo tratamento, pois têm a mesma dignidade inerente à condição humana.

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Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório - Possuir bom equilíbrio emocional Calma e autoconfiança;
Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório - Possuir bom equilíbrio emocional Calma e autoconfiança;

- Possuir bom equilíbrio emocional Calma e autoconfiança; Evitar e dominar situações de conflito; Atitudes de exaltação dão origem ao afastamento do interlocutor e à quebra da cooperação; Fazer bom uso de empatia; Rejeição de atitudes de aborrecimento. Podem surgir quando o entrevistado não colabora ou quando o acto se prolonga demasiado no tempo.

- Domínio do vocabulário e postura adequada a cada situação Estando a entrevistar um toxicodependente ter-se-á que usar termos próprios do meio; Uma postura de firmeza não colide com as qualidades já enunciadas; Cultivar a versatilidade e a flexibilidade, ajustando-se à situação e ao tipo de interlocutor

- Boa presença física, boa dicção e facilidade de expressão. Transmitem ao entrevistado uma imagem de ordem, de disciplina e de rigor.

TÉCNICAS DE MOTIVAÇÃO

Englobam um conjunto de atitudes e procedimentos a implementar pelo entrevistador com o objectivo primordial de imprimir dinamismo ao diálogo que obrigatoriamente se estabelece na relação de interacção que caracteriza uma situação de recolha de prova pessoal. É necessário manter uma ligação permanente, entre os intervenientes dando corpo à empatia. Por outro lado é igualmente importante criar no interlocutor a vontade de colaborar, evitando ao mesmo tempo qualquer facto que constitua motivo de quebra da motivação.

Para o efeito pode recorrer-se a algumas técnicas de motivação designadas por:

- Técnicas clássicas de motivação; - Técnicas particulares de motivação.

TÉCNICAS CLÁSSICAS DE MOTIVAÇÃO

São aquelas que tanto podem ser usadas no âmbito policial como pela sociedade em geral no decurso de qualquer acção ou actividade de troca ou recolha de informação. Em suma, usam-se em todas as situações de comunicação humana.

Das técnicas clássicas referem-se as seguintes:

Uso de expressões breves

Mantêm a ligação com o interlocutor, dando-lhe a percepção de que o entrevistador está atento e interessado na sua mensagem, entusiasmando-o a falar. ””

Exemplo: “sim, sim

continue

Procedimento do espelho ou do eco

Consiste na repetição das últimas palavras ou frase do entrevistado, devolvendo-lhe a palavra. Representa um estímulo para o entrevistado. Exemplo: “ O carro era vermelho e dirigiu-se para

Representa um estímulo para o entrevistado. Exemplo: “ O carro era vermelho e dirigiu-se para ”
Representa um estímulo para o entrevistado. Exemplo: “ O carro era vermelho e dirigiu-se para ”

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório Reformulação Em consequência de certos acontecimentos graves o
Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório Reformulação Em consequência de certos acontecimentos graves o

Reformulação

Em consequência de certos acontecimentos graves o entrevistado pode entrar em estado de choque, de ansiedade ou de angústia. Pode não se lembrar do que aconteceu ou transmitir a informação de forma desordenada, com pouco nexo e sem qualquer lógica. Esta técnica tem então por objectivo proceder à ordenação dos factos reportados de forma indisciplinada pelo interrogado. Organizada a mente e liberta de alguma confusão o interlocutor sentir-se-à mais capaz e motivado para continuar o diálogo.

Formulação de pedidos neutrais

Consiste no apelo a questões morais, éticas e de cidadania. Ex.: Testemunha ocular de um homicídio pouco colaborante em virtude de ter sido ameaçada pelo autor. Questão que o investigador pode colocar para motivar a testemunha : não considera que o autor deve ser detido e punido, por forma a evitar outros crimes iguais? Concorda com o comportamento destes criminosos?

Formulação de pedidos particulares

Fazer apelo a questões afectivas e até de consciência. Consiste na colocação do interlocutor ou pessoa por si muito querida no lugar da vítima. Ex.: se fosse a senhora ou a sua filha a vítima da agressão não gostaria que as outras pessoas a ajudassem a resolver este caso e a encontrar o seu autor para que o mesmo fosse severamente punido?

Repetição

Repetição de um período do diálogo, de uma frase mais longa do que no eco ou espelho, dando alento ao entrevistado para continuar. Feita a repetição é devolvida a palavra ao interlocutor.

Silêncios

Os silêncios quando oportunamente usados falam e tem significado para o entrevistado. A gestão dos silêncios tanto pode promover compreensão como insegurança. Com o uso dos silêncios deve procurar-se, essencialmente, transmitir a ideia de acompanhamento, interesse e cedência de tempo ao entrevistado para pensar.

TÉCNICAS PARTICULARES DE MOTIVAÇÃO

Sendo técnicas usadas exclusivamente no âmbito da Entrevista/Interrogatório, apontam-se as seguintes:

Incompreensão voluntária

Manifestar de forma intencional, relativamente a algum aspecto em concreto que não percebe ou que tem alguma dúvida.

intencional, relativamente a algum aspecto em concreto que não percebe ou que tem alguma dúvida. Escola
intencional, relativamente a algum aspecto em concreto que não percebe ou que tem alguma dúvida. Escola

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Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório Ex.: A senhora disse no início desta conversa que o indivíduo
Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório Ex.: A senhora disse no início desta conversa que o indivíduo

Ex.: A senhora disse no início desta conversa que o indivíduo tinha barba russa, agora disse que só tinha bigode. Não estou a perceber. Esclareça-me sobre este facto.

Contra – Exemplos

Consiste em referir aspectos vulneráveis do interrogado que por vezes nada têm a ver com o assunto em causa. Ex.: Indivíduo que durante a entrevista diz ser íntegro, honesto, sentir-se ofendido por ter sido convocado ao posto para ser ouvido sobre aquele assunto. Pode o entrevistador confrontá-lo com factos pouco abonatórios que o mesmo tenha praticado e que deitem por terra toda a presunção com que se apresentou.

Recurso a fontes prestigiadas ou valorizadas pelo entrevistado

Consiste na apresentação de provas ou documentos irrefutáveis pelo entrevistado. Ex.: Um relatório, um documento que mencione algo relativo à actividade ou personalidade do entrevistado. Um indivíduo que afirma nunca ter consumido droga. Contudo é confrontado pelo entrevistador com um relatório de uma instituição onde efectuou um tratamento de recuperação.

SALA DE ENTREVISTA E/OU INTERROGATÓRIO

A sala destinada a esta finalidade deve, sempre que possível, constituir um espaço exclusivamente destinado à recolha de prova pessoal, dotado das condições e características a seguir indicadas:

- Dimensão média, para que os efeitos psicológicos não tornem a sala demasiado pequena, opressiva e coerciva, nem excessivamente grande, transmitindo a sensação de liberdade ao interrogado, tornando-o mais evasivo e menos colaborante.

- Paredes lisas, cor neutras, construção e chão regulares.

- Janelas normais e sem grades. Tendo grades devem estar dissimuladas com qualquer material por forma a não transmitir a ideia de se estar numa cela. É conveniente sentar o interrogado de costas para a janela, evitando qualquer interferência no raciocínio do interlocutor.

- Privada e limpa

- Isolada e sem ruídos ou interferências exteriores. No decurso da entrevista não deve haver qualquer acto, como abertura da porta, campainha do telefone, que constitui interferência ou ruído no diálogo em curso.

- Mobiliário necessário: mesa, duas cadeiras, máquina de escrever ou computador.

em curso. - Mobiliário necessário: mesa, duas cadeiras, máquina de escrever ou computador. 30 Escola da
em curso. - Mobiliário necessário: mesa, duas cadeiras, máquina de escrever ou computador. 30 Escola da

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório PREPARAÇÃO DA ENTREVISTA E/OU INTERROGATÓRIO A oportuna e prévia
Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório PREPARAÇÃO DA ENTREVISTA E/OU INTERROGATÓRIO A oportuna e prévia

PREPARAÇÃO DA ENTREVISTA E/OU INTERROGATÓRIO

A oportuna e prévia preparação deste acto que tem por finalidade recolher informação

tendo em vista o esclarecimento de determinados factos é a condição imprescindível para garantir o seu êxito.

A sua preparação assenta essencialmente:

- Concepção de uma sala com as características enunciadas no ponto anterior

- Conhecimento cabal do objecto da investigação

- Perfeito conhecimento do tipo de crime

- Conhecer lei penal que o enquadra

- Conhecimento rigoroso do estado actual da investigação

- Relatório, autópsias, cróquis

- Informação recolhida

- Diligências executadas

- Evita duplicação de actos

- Reunir todos os factos e elementos já recolhidos

- Junto de outros militares, forças congéneres, entidades civis, etc.

- Permite fazer análise, correlação e síntese

- Sistematizar todos os dados relevantes, por exemplo, por ordem cronológica.

- Factos, horas, lugares, quem, o quê, porquê, quando,

- Definir todos os elementos relevantes sobre o interrogado

- Ficha biográfica (antecedentes policiais e criminais)

- Perfil psicológico (valorizar o bom comportamento em entrevistas anteriores)

- Saídas precárias

- Sua ligação com o caso

- Reler depoimentos, analisar mapas e cróquis, rever relatórios, etc.

- Dá confiança e segurança ao entrevistador

- Permite rebater relatos do interrogado

- Conformar uma estratégia considerando:

- Tipo de crime e sua gravidade, contexto e cenário do crime;

- Perfil psicológico do interrogado

- Antecedentes policiais e criminais do interrogado

- Tomar os cuidados necessários relativamente ao local

- Sempre que possível em instalações da GNR

- Em alternativa em local neutro (tribunal, junta de Freguesia)

- Em último caso na viatura da GNR

- Nunca em local familiar ao entrevistado (Ex: sua casa)

- Em último caso na viatura da GNR - Nunca em local familiar ao entrevistado (Ex:
- Em último caso na viatura da GNR - Nunca em local familiar ao entrevistado (Ex:

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Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório A preparação do interrogatório, associada à experiência do
Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório A preparação do interrogatório, associada à experiência do

A preparação do interrogatório, associada à experiência do entrevistador e à técnica ajustada são condições de êxito na recolha da prova pessoal.

É na fase da preparação que surge a maior necessidade de informação por forma a

permitir ao entrevistador adoptar a estratégia ajustada ao interlocutor.

Nesta perspectiva deve levar-se em linha de conta os seguintes aspectos:

- Entender a entrevista como forma de processar informação (ponto de partida e de

chegada)

- Por isso, torna-se imperativo:

Trabalho prévio de recolha, sistematização e tratamento de informação;

Dinamizar o interface com as bases policiais de dados.

- Optimizar o acesso às redes informáticas, em proveito de uma informação mais

vasta e oportunamente obtida

- Intercâmbio pessoal e informal entre militares

- Ter como pertinente a informação relativa a bens móveis e financeiros

- Promover a troca de informações e experiências entre colegas.

Em termos esquemáticos pode verificar-se que esta necessidade de informação é uma preocupação permanente, pelo que o investigador assume uma atitude sistemática de pesquisa, como se pode observar na figura da página seguinte.

ENTREVISTADOR

OBJECTIVOS

NECESSIDADE DE

INFORMAÇÃO

INTERESSE DE

INFORMAÇÃO

ENTREVISTADO

POSIÇÃO

ATITUDES

ENTREVISTADO POSIÇÃO ATITUDES
DE INFORMAÇÃO ENTREVISTADO POSIÇÃO ATITUDES PESQUISA RESPOSTAS TRATAMENTO: AVALIAÇÃO

PESQUISA

ENTREVISTADO POSIÇÃO ATITUDES PESQUISA RESPOSTAS TRATAMENTO: AVALIAÇÃO ORDENAÇÃO 32

RESPOSTAS

TRATAMENTO:

AVALIAÇÃO

ORDENAÇÃO

POSIÇÃO ATITUDES PESQUISA RESPOSTAS TRATAMENTO: AVALIAÇÃO ORDENAÇÃO 32 Escola da Guarda
POSIÇÃO ATITUDES PESQUISA RESPOSTAS TRATAMENTO: AVALIAÇÃO ORDENAÇÃO 32 Escola da Guarda

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório De realçar apenas o que a figura refere relativamente ao
Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório De realçar apenas o que a figura refere relativamente ao

De realçar apenas o que a figura refere relativamente ao entrevistador.

A sua atitude de pesquisa, como antes já foi referido, está condicionada pelo

comportamento do interlocutor. Contudo os objectivos mantêm-se, bem como a necessidade de informação e especificamente o interesse por certa informação por ser prioritária para o esclarecimento de determinados factos.

PRECAUÇÕES PRELIMINARES

No sentido de garantir que a informação seja recolhida com rigor e imparcialidade devem ser, previamente, observadas algumas regras.

a) Isolar intervenientes: - Testemunhas;

- Declarantes;

- Suspeito;

- Etc.

Evita-se a partilha de informação.

Previne-se a deturpação dos factos.

Impede-se a constituição de uma versão que englobe elementos e informações de outras versões.

b ) Interrogado deve ser ouvido em lugar que não lhe seja familiar.

Evita que o militar perca o estatuto profissional de que está investido.

Não há perda de autoridade.

c)

Efectuar entrevista em sala própria no Posto;

 

d)

Usar e dispor de sala exclusiva para esse fim;

e)

Não

interpor

barricada

(exemplo:

secretária)

entre

o

entrevistado

e

o

investigador.

O posicionamento dos intervenientes depende essencialmente do caso, dos antecedentes do interrogado, comportamentos anteriores. No final, depende da preparação do interrogatório.

Assim, a barricada pode ser prejudicial no caso de um primário e útil na presença de um reincidente e profissional;

f) O posicionamento do mobiliário depende da posição em que se pretende colocar cada um dos intervenientes.

JANELA

CADEIRA

ENTREVISTADOR

CADEIRA

ENTERVISTADO

SECRETÁRIA

um dos intervenientes. JANELA CADEIRA ENTREVISTADOR CADEIRA ENTERVISTADO SECRETÁRIA Escola da Guarda 3 3
um dos intervenientes. JANELA CADEIRA ENTREVISTADOR CADEIRA ENTERVISTADO SECRETÁRIA Escola da Guarda 3 3

Escola da Guarda

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Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório g) No interrogatório a indivíduos violentos ou perigosos usar mais
Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório g) No interrogatório a indivíduos violentos ou perigosos usar mais

g) No interrogatório a indivíduos violentos ou perigosos usar mais de um militar por forma a garantir a segurança dos intervenientes.

Os militares com funções de segurança devem estar fora do campo visual do entrevistado. Tem efeitos psicológicos positivos, mantendo o entrevistado na expectativa;

h) Preparar o interrogatório nas suas variáveis intrínsecas e extrínsecas;

i) Conciliar, se possível, no tempo e no lugar:

As recomendações técnicas;

O momento psicológico ideal de quem interroga.

j) Preparação face a uma suspeita de alibi

Exige: - Sólida e correcta preparação dos factos;

- Estratégia e técnica adequadas;

- Execução imediata da entrevista, reduzindo o tempo de preparação do alibi.

- Questionar sobre factos relacionados com o crime e que aconteceram imediatamente antes e depois do mesmo.

Estas precauções constituem condições necessárias para tornar o interrogatório mais produtivo.

A

ENTREVISTA

E/OU

INTERROGATÓRIO

CONSTITUI

O

CONTACTO

INTERPESSOAL, POR VEZES, O MOMENTO CRUCIAL DA INVESTIGAÇÃO:

- CORRELACIONA E ESTABELECE LIGAÇÃO ENTRE OS ELEMENTOS DA PROVA MATERIAL;

- ESTABELECE E POTENCIA A PROVA MATERIAL

INTERLOCUTORES : SUA CARACTERIZAÇÃO

A entrevista e/ou interrogatório pode ter como alvo diferentes sujeitos processuais e, são, essencialmente:

a – Vítimas;

b – Testemunhas;

c– Declarantes/informantes;

d – Suspeito

e - Arguido

Sem prejuízo de seguir outro procedimento numa situação concreta aconselha-se que a sequência segundo a qual os diversos intervenientes são entrevistados respeite a ordem apresentado no parágrafo anterior.

os diversos intervenientes são entrevistados respeite a ordem apresentado no parágrafo anterior. 34 Escola da Guarda
os diversos intervenientes são entrevistados respeite a ordem apresentado no parágrafo anterior. 34 Escola da Guarda

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório A VÍTIMA Alvo de uma actuação de natureza criminal, será a pessoa
Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório A VÍTIMA Alvo de uma actuação de natureza criminal, será a pessoa

A VÍTIMA

Alvo de uma actuação de natureza criminal, será a pessoa melhor informada acerca do sucedido, salvo se tiver ficado incapacitada.

TESTEMUNHAS

Declarantes e outros informantes complementarão as informações fornecidas pela vítima. Obtida toda a informação aos intervenientes anteriores estará o entrevistador dotado dos conhecimentos que melhor lhe permitem conduzir a entrevista a efectuar ao suspeito/arguido, rebatendo de forma fundamentada os argumentos apresentados por este. Situações surgiram em que esta ordem não poderá ser respeitada quer por motivos de oportunidade quer por motivos de ordem operacional. Tendo que interrogar vários intervenientes é ainda necessário como já ficou referido, tomar algumas precauções:

- Proceder ao seu isolamento;

- Evitar situações de conflito entre os mesmos;

- Impedir acções mútuas de coacção ou ameaça;

- Sendo oportuno, marcar horários diferentes a que devem comparecer no Posto para serem entrevistados.

No que respeita à caracterização propriamente dita dos intervenientes, atente-se no seguinte:

A VÍTIMA

Sempre que possível entrevistá-la em primeiro lugar e questioná-la de imediato quanto:

- Identidade o autor ( recorrer à sua descrição segundo as regras da sinalética, se não houver outro processo de identificação);

- Motivo da agressão (móbil do crime).

Por sua vez, a vítima poderá não querer prestar colaboração em virtude das seguintes razões:

- Desejo de efectuar justiça por suas mãos;

- Ter relação afectiva ou familiar com agressor, não querendo expor o agressor

nem agudizar a própria relação;

- Medo do agressor por este a ter ameaçado;

- Evitar publicitar aspectos da sua vida íntima e marcantes do ponto de vista social, nomeadamente, sendo vítima de abuso sexual ou de situação análoga.

A quente, a vítima poderá fornecer elementos que carecem de confirmação posterior. As vítimas de crimes de natureza sexual devem ser tratadas de acordo com a delicadeza da própria situação. São casos que expõe demasiado a vida íntima e a privacidade das pessoas, constituindo pesado motivo de estigma social. De preferência, por motivos óbvios, devem estas vítimas ser ouvidas por pessoas do mesmo sexo, com as necessárias garantias de respeito pelo outro e pelo seu pudor.

por pessoas do mesmo sexo, com as necessárias garantias de respeito pelo outro e pelo seu
por pessoas do mesmo sexo, com as necessárias garantias de respeito pelo outro e pelo seu

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Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório AS TESTEMUNHAS Sendo testemunhas oculares devem ser entrevistadas no
Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório AS TESTEMUNHAS Sendo testemunhas oculares devem ser entrevistadas no

AS TESTEMUNHAS

Sendo testemunhas oculares devem ser entrevistadas no mais curto espaço de tempo:

- Tem factos bem presentes na memória;

- Impedem-se contactos com outras e, consequente, modificação da sua versão;

- Evitam-se influências e coacções sobre elas;

- Não reflectem sobre o caso, mantendo-o virgem;

- São mais colaborantes.

As testemunhas classificam-se em:

- Cooperantes;

- Faladoras;

- Imaginativas;

- Que nada sabem;

- De alibi;

- Demasiado cooperantes.

Da caracterização destas testemunhas refere-se:

As cooperantes

Colaboram desinteressadamente, fazendo juz ao sentimento patriota com o intuito de contribuírem para o bem comum. Por norma, são pessoas idóneas ou previamente reconhecidas como tal, limitando-se a efectuar um relato factual dos acontecimentos. Ex.: Presidente da Junta de Freguesia, graduado das Forças Armadas, Juiz, etc.

Mais problemáticas são as:

Faladoras

Não tendo intenção de causar engano ao entrevistador, falam excessivamente de tudo, referindo-se ao caso e muitas vezes a aspectos que nenhuma relação têm com ele. Por isso, ainda que, involuntariamente, são geradoras de perturbação, afastam-se sucessivamente do núcleo do assunto. É pois, necessário evitar tais desvios, obrigando-se o entrevistador a intervir através de perguntas orientadoras como:

- Que aconteceu a seguir?

- Relativamente ao carro disse que

Imaginativas

Tendem para o exagero. Referindo-se aos factos acrescentam elementos que não correspondem à realidade, “pintando” muitas vezes um quadro da forma como gostariam que os factos tivessem acontecido. Criam e acreditam na história que relatam, sendo mais frequente nas crianças. Recomenda-se:

- Muita cautela na valoração dos depoimentos;

- Remeter sempre para o fulcro da questão;

- Evitar metodologia não directiva;

- Usar metodologia directiva;

sempre para o fulcro da questão; - Evitar metodologia não directiva; - Usar metodologia directiva; 36
sempre para o fulcro da questão; - Evitar metodologia não directiva; - Usar metodologia directiva; 36

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório - Burlão ou equiparado: fazer pontos de ordem para o remeter ao
Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório - Burlão ou equiparado: fazer pontos de ordem para o remeter ao

- Burlão ou equiparado: fazer pontos de ordem para o remeter ao cerne da questão,

- Preparação eficaz da entrevista.

Que nada sabem

Insistem a afirmar que relativamente a certo caso “ nada sabem”, por motivos diversos:

- Evitar comprometimento com tribunais e polícia

- Ameaça das partes em litígio;

- Relação afectiva ou familiar com a parte culpada;

- Ausência do desejo de justiça;

- Etc.

Começar o interrogatório por questões a que necessariamente o interlocutor sabe responder, relativas ao nome, morada, etc, com o intuito de o libertar do sentimento de recusa de colaboração. Prosseguir, posteriormente, com as questões pertinentes para o caso. Continuando a insistir “que nada sabe” solicita-se que esse acto fique registado em auto

de declarações onde a testemunha declare efectivamente não ter conhecimento do caso e nada saber nem ter a dizer a respeito do mesmo. É uma forma de motivar e simultaneamente vincular o interlocutor àquele acto. Se mais tarde vier a fazer outra declaração a entidade competente – MP ou JIC – decidirá quanto ao valor de cada acto. Poderá mesmo alertar-se a testemunha que tendo informações e se recuse a fornecê-las pode estar a incorrer numa situação de obstrução à justiça. O Artº. 131 do CPP diz que quando a pessoa não se encontrar interdita por anomalia psíquica tem capacidade para testemunhar e só pode recusar-se nos casos previstos na lei. Podem recusar-se a depor como testemunhas, os parentes e afins ( Artº 134 do CPP). Outro aspecto tem a ver com os impedimentos legais que constam no Artº. 135 do mesmo diploma.

Além destes casos, considerem-se ainda as situações excepcionais em que pode haver recusa:

- Segredo profissional – Artº 135 CPP;

- Segredo de funcionário – Artº. 136 CPP;

- Segredo de Estado – Artº. 137 CPP;

- Imunidades, prerrogativas e medidas especiais de protecção – Artº. 139 CPP.

De álibi

O alibi não é mais do que uma história, na perspectiva do autor, bem fundamentada com intenção de encobrir factos realmente ocorridos.

Suspeitando-se ou na presença de uma testemunha de alibi e por forma a destruir tal história, sugere-se uma cabal preparação do interrogatório.

Tal preparação, no que respeita à testemunha, devem ter em atenção:

- Relações com suspeito;

- Existência de pressões ou ameaças;

- Reputação quanto à honestidade;

- Antecedentes criminais e policiais.

de pressões ou ameaças; - Reputação quanto à honestidade; - Antecedentes criminais e policiais. Escola da
de pressões ou ameaças; - Reputação quanto à honestidade; - Antecedentes criminais e policiais. Escola da

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Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório Outras precauções não devem ser esquecidas: - Efectuar entrevista
Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório Outras precauções não devem ser esquecidas: - Efectuar entrevista

Outras precauções não devem ser esquecidas:

- Efectuar entrevista tão rápido quanto possível para evitar a solidificação do alibi.

- Usar perguntas concretas e incisivas;

- Entrevista deve cobrir pormenorizadamente conhecidos;

todos

os

- Questionar sobre o período a que o facto se refere;

aspectos

do caso

- Questionar sobre os períodos que imediatamente antecederam e sucederam o facto em análise. A testemunha, normalmente, prepara-se só sobre o período limitado a que se reporta o facto. Não estabelecendo ligação entre o que se passou antes e depois com facto , será sério indício de se estar na presença de uma testemunha de alibi.

- Efectuar, neste caso averiguações, no sentido de desmontar o alibi e desmascarar a testemunha.

Demasiado cooperantes

Considerar que podem ser pessoas que pretendam evidenciar-se e cair nas “boas graças” da GNR, ou ainda iludir o próprio investigador desviando as suas atenções do fulcro da situação para se ilibar de responsabilidades no próprio caso em investigação. O desejo de cooperação a qualquer preço é, por vezes, motivo para acrescentar informações que nada têm a ver com a realidade ou com a responsabilidade pela autoria da prática do facto. Não colocar de parte a pretensão de incriminar alguém contra quem se pretende exercer alguma retaliação.

DECLARANTES/INFORMANTES

Relembrar que no local do crime é muitas vezes necessário tomar as declarações de pessoas que se consideram importantes para o esclarecimento dos factos. Devem ser tomadas as precauções necessárias inerentes ao local e ao momento.

SUSPEITO

Se possível e oportuno tem vantagens que seja ouvido em último lugar, após se recolher a informação das restantes figuras. Nesta altura tem o investigador a capacidade e o conhecimento que lhe permite rebater os argumentos do suspeito. Certas situações determinarão que seja o primeiro a ser ouvido, como por exemplo, em flagrante delito. Não significa que não seja novamente ouvido, quando o investigador considerar oportuno e conveniente.

significa que não seja novamente ouvido, quando o investigador considerar oportuno e conveniente. 38 Escola da
significa que não seja novamente ouvido, quando o investigador considerar oportuno e conveniente. 38 Escola da

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório ARGUIDO É uma figura processual que no âmbito do CPP, tem posição
Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório ARGUIDO É uma figura processual que no âmbito do CPP, tem posição

ARGUIDO

É uma figura processual que no âmbito do CPP, tem posição perfeitamente definida. Deve pois o investigador efectuar a recolha da prova pessoal aplicando as técnicas já abordadas sem prejuízo dos preceitos legais estabelecidos, nomeadamente no que respeita aos artigos 58, 59, 60, 61, 62, 141 e 142 do CPP.

EXECUÇÃO DA ENTREVISTA E/OU INTERROGATÓRIO

A entrevista apresenta-se como uma forma de processar informação, enquanto que o

interrogatório constitui o exame detalhado dos factos. Contudo, são inseparáveis. Para ter factos para escalpelizar e analisar de forma detalhada é necessário fazer previamente a recolha de informação (entrevista). Entrevista e interrogatórios cruzam-se no mesmo acto.

A entrevista está directamente associada a metodologia não directiva, o interrogatório,

por sua vez, à metodologia directiva. Num cenário de recolha de informação verifica-se a alternância entre entrevista e interrogatório e os objectivos cruzam-se.

O interrogatório segue um percurso que pode ser comparado a uma escada que se

percorre degrau a degrau e nos conduz a um patamar cada vez mais elevado.

Este processo pode representar-se em termos esquemáticos da forma seguinte:

CONFISSÃO OU ESCLARECIMENTO DOS FACTOS

RECONSTITUIÇÃO DA HISTÓRIA DO CRIME A PROVA RECOLHIDA A TÉCNICA CORRECTA
RECONSTITUIÇÃO DA HISTÓRIA DO CRIME
A PROVA RECOLHIDA
A TÉCNICA CORRECTA

Na entrevista/interrogatório o entrevistador parte para este acto de recolha de prova pessoal tendo por base toda a prova já recolhida (material ou pessoal), a eventual reconstituição do crime que associadas a uma técnica correcta lhe permitirão alcançar a confissão do autor ou em última análise o cabal esclarecimento dos factos.

Contudo, no caminho a percorrer alguns obstáculos podem surgir, nomeadamente, a recusa do interlocutor fornecer resposta a uma certa pergunta equacionada pelo entrevistador.

Esta dificuldade não pode, porém, constituir um obstáculo incontornável. Deve pois passar-se para a questão seguinte, como se o incidente anterior não se tivesse verificado, de forma a evitar que o entrevistado sinta que aquela questão foi sobrevalorizada pelo entrevistador, tomando pois todos os cuidados para não dar informação com ela relacionada.

pelo entrevistador, tomando pois todos os cuidados para não dar informação com ela relacionada. Escola da
pelo entrevistador, tomando pois todos os cuidados para não dar informação com ela relacionada. Escola da

Escola da Guarda

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Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório formulada anteriormente, na tentativa de a ver esclarecida. Este
Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório formulada anteriormente, na tentativa de a ver esclarecida. Este

formulada

anteriormente, na tentativa de a ver esclarecida.

Este será um procedimento que se repetirá ao longo da entrevista em virtude das dificuldades criadas pelo interlocutor.

Não pode, pois, o Entrevistador deixar-se vencer por eventuais resistências criadas pelo interlocutor. Deve guiar-se pela persistência.

Quer dizer, que passo a passo, questão a questão convenientemente esclarecida pelo entrevistado, o investigador evolui num sentido ascendente.

Progressivamente, vai acumulando informação que vai analisando e correlacionando no sentido de fundamentar uma determinada hipótese.

Quanto à execução do interrogatório e/ou entrevista pode dizer-se que o mesmo consiste essencialmente nos seguintes actos:

e

Posteriormente,

de

forma

discreta

oportuna

reitera-se

a

questão

- Exame detalhado dos factos fazendo perguntas;

- Obtenção de resposta às seis questões da investigação;

- Evitar perguntas sugestivas que condicionem a resposta:

Ex. - questão sugestiva: o carro era vermelho?

- questão neutra: Qual era a cor do carro?

- Conhecer os factos e levar o entrevistado a admiti-los;

- Perguntar por assuntos com formalismo, orientação e de modo detalhado;

Deixar que o interlocutor se implique no caso para depois de explicar

- Gestão do espaço (proxémia);

- Gestão do tempo necessário ao interrogatório. Não pode haver tempo limite ou

previamente definido. A duração depende da estratégia adoptada, matéria de facto, personalidade do entrevistador, etc.; É o tempo necessário.

Utilização oportuna das metodologias:

- directiva,

- não directiva

- mista.

- Uso das técnicas de motivação;

Clássicas;

Particulares.

- Fazer uso das qualidades do entrevistador;

- Analisar e interpretar as linguagens do interlocutor;

Harmonia entre linguagem verbal e não verbal

- Gestão adequada da informação (função da entrevista e/ou interrogatório);

- Implementar o ciclo da informação;

- Utilização correcta da Empatia;

e/ou interrogatório); - Implementar o ciclo da informação; - Utilização correcta da Empatia; 40 Escola da
e/ou interrogatório); - Implementar o ciclo da informação; - Utilização correcta da Empatia; 40 Escola da

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório Gestão das atitudes do entrevistador considerando os efeitos que
Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório Gestão das atitudes do entrevistador considerando os efeitos que

Gestão das atitudes do entrevistador considerando os efeitos que cada uma produz no entrevistado como a seguir se indica:

ATITUDES DO ENTREVISTADOR

EFEITOS PSICOLÓGICOS NO ENTREVISTADO

 

- Inibição

AVALIAÇÃO – envolve uma apreciação do entrevistado, isto é, emissão de juízos de valor por referência a normas ou valores do próprio entrevistador.

- Culpabilidade

- Revolta

- Dissimulação

- Angústia

 

- Sentimento de incompreensão

INTERPRETAÇÃO – Envolve uma explicação ou atribuição de sentido àquilo que o entrevistado disse ou manifestou mas segundo os pontos de vista do entrevistador.

- Sentimento de espanto

- Necessidade de rectificação

- Desinteresse

- Irritação “surda”

 

- Bloqueio

 

- Tendência a não ser sincero

INVESTIGAÇÃO (ou Inquérito) – Consiste em procurar obter mais informações do entrevistado orientadas na óptica de interesses do entrevistador.

- Tendência a responder como a um interrogatório

- Reacção hostil perante uma curiosidade considerada “intromissão”

- Atitude de defesa

 

- Desejo de conservar a amizade

- Recusa hostil de ser objecto de compaixão

SUPORTE/APOIO ( ou Encorajamento/Simpatia ) – Consiste em apoiar o entrevistado naquilo que disse ou manifestou, numa atitude paternalista

- Comodismo/esperança de que tudo lhe seja resolvido ou de continuar a ser apoiado

 

- Rejeição da solução/ruptura da entrevista

DECISÃO/ORIENTAÇÃO ( ou Sugestão) – Consiste em sugerir soluções ao entrevistado substituindo-o na sua liberdade de escolha.

- Sentimento de inferioridade

- Aceitação da solução, ainda que desajustada

- Possível responsabilização do entrevistador

 

- Induz no entrevistado uma atitude de confiança

COMPREENSÃO ( Empatia ) – Consiste em tentar penetrar no pensamento e sentimentos do entrevistado compreendendo o seu universo pessoal como se fosse o próprio entrevistado mas sem que o entrevistador se despersonalize (empatia)

- Provoca no entrevistado o reconhecimento do profissionalismo e competência do entrevistador

- Estimula no entrevistado a vontade de colaborar

- Satisfação de ser compreendido

- Estimula no entrevistado a vontade de colaborar - Satisfação de ser compreendido Escola da Guarda
- Estimula no entrevistado a vontade de colaborar - Satisfação de ser compreendido Escola da Guarda

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Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório Gestão dos comportamentos positivos, evitando os comportamentos
Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório Gestão dos comportamentos positivos, evitando os comportamentos

Gestão dos comportamentos positivos, evitando os comportamentos negativos de acordo com o quadro seguinte:

SIM

NÃO

1. Pense e fale de modo organizado

1. Não desencoraje o suspeito

2. Actue profissionalmente

2. Não antagonize o suspeito

3. Cause boa impressão

3. Não tome imediatamente notas

4. Mantenha o interrogatório no âmbito do caso concreto

4. Não o trate paternalisticamente

5. Não seja petulante

5. Não mostre surpresa perante qualquer admissão de factos pelo suspeito

6. Não seja preconceituoso

7. Evite pressões (intervenções, sugestões) estranhas

6. Não julgue ou condene

8. Evite a exibição de “manifestações” do poder de polícia

7. Não dê a ideia de dominar

9. Evite o uso de palavras “realistas” (matar, violar, etc.)

8. Não se deixe impressionar pela posição social ou económica do suspeito

10. Sente-se na proximidade do interrogado

11. Procure fumar o menos possível

9. Não faça promessas

12. Evite o uso de algemas

10. Não faça ameaças

13. Mantenha o controlo das suas mãos

11. Não exerça qualquer coacção

14. Não alongue excessivamente o interrogatório

12. Não force nem manipule o suspeito

15. Mantenha o suspeito normalmente instalado, não o embarace

16. Conheça bem a lei

13. Não negue ao suspeito os respectivos direitos

14. Não se apresente com aspecto descuidado (mal fardado, barba por fazer, etc.)

 

15. Não o trate por tu, gajo, sacana, preto, ladrão

16. Não tenha conversas sobre assuntos que desconhece ou domina mal.

Sugerem-se algumas particularidades de execução que podem ser proveitosas:

- Agente bom / agente mau

O agente mau como potenciador de uma abertura do visado para com o agente

bom.

Depois do agente bom ganhar a confiança do visado e a garantia da colaboração o agente mau abandona a sala.

Adopta-se este procedimento para indivíduos com determinadas características, tendo melhor efeito com indivíduos menos elaborados e menos experientes.

- Tratamento por tu/você

O tratamento por “tu” com certos indivíduos abre canais de comunicação, em

virtude de promover a aproximação entre os intervenientes.

Se o visado usar o “tu” para com o entrevistador, o que pode constituir um aspecto

negativo, tentar situá-la no espaço e nas circunstâncias em que se encontra.

um aspecto negativo, tentar situá-la no espaço e nas circunstâncias em que se encontra. 42 Escola
um aspecto negativo, tentar situá-la no espaço e nas circunstâncias em que se encontra. 42 Escola

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório A adoptação deste procedimento depende das características,
Investigação Criminal/Entrevista e Interrogatório A adoptação deste procedimento depende das características,

A adoptação deste procedimento depende das características, personalidade e perfil do entrevistado estudado na preparação do interrogatório.

Contudo, o “você” convêm usar na presença de indivíduos mais elaborados, experientes e até com passagens pela prisão.

Sem regra, usar o bom senso.

- Cigarro como prémio Vamos falar e esclarecer isto primeiro. Conta lá o que sabes. Depois fumas um cigarro. Para certos entrevistados é um estímulo. Não se deve, pois, quebrar esta confiança e expectativa criada no entrevistado.

PROCEDIMENTO SISTEMÁTICO EM ENTREVISTA/INTERROGATÓRIO

APRESENTAÇÃO/INTERPRETAÇÃO

- Amena, confiante, rápida, criando clima de confiança e abertura;

- Enunciar tema e objectivos. Algumas pessoas apresentam-se no Posto desconhecendo o motivo da convocação.

RELATOS PRELIMINARES

- Deixar o entrevistado relatar factos por suas palavras;

- Não tomar notas na fase inicial. Constitui factor de inibição;

- Não fazer comentários;

- Não fazer perguntas específicas;

- Corrigir desvios com perguntas genéricas.

DESENVOLVIMENTO

-

Confirmar relato, fazer perguntas, tomar notas;

 

-

Formular perguntas simples, claras, não condicionantes;

 

-

Ser paciente é fundamental;

 

-

Evitar considerações falsas;

-

Ajudar interrogado a recordar factos que julgue ter esquecido;

 

Ex.: a que horas chega ao trabalho?

 

-

Nas

descrições

proceder

de

forma

sistemática,

recorrendo

á

sinalética

quando

necessário;

 

-

Contradições e erro não significam necessariamente mentira;

 

que compreendo! Corrija-me.”

Ex.:

“Você

disse

;

Agora

sobre

o

mesmo

assunto

disse

que

;

não

que compreendo! Corrija-me.” Ex.: “Você disse ; Agora sobre o mesmo assunto disse que ; não
que compreendo! Corrija-me.” Ex.: “Você disse ; Agora sobre o mesmo assunto disse que ; não

Escola da Guarda

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Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório CONCLUSÃO - Controlo mental do conteúdo através das seis
Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório CONCLUSÃO - Controlo mental do conteúdo através das seis

CONCLUSÃO

- Controlo mental do conteúdo através das seis perguntas – chave da Investigação Criminal;

- Cabalmente esclarecidas estas questões é sinal de que a entrevista foi profícua;

- Subsistindo dúvidas ou falta de informação relativamente a alguma questão é necessário insistir, quer com o interrogado presente quer na execução de outras diligências.

REDUÇÃO A ESCRITO

- Tão rápida quanto possível;

- Dar o texto a ler ao entrevistado para depois assinar;

- Corrigir texto sempre que o entrevistado deseje (mesmo que pelo entrevistador seja considerado aspecto irrelevante)

VALORAÇÃO: PARÂMETROS

- Grau de fraqueza;

- Grau de liberdade e verdade – condicionamentos;

- Grau de esforço e vontade – desejo de colaboração;

- Grau de retenção de informação:

• Saberá mais e não quis colaborar?

• Porquê?

- Grau de retenção de informação: • Saberá mais e não quis colaborar? • Porquê? 44
- Grau de retenção de informação: • Saberá mais e não quis colaborar? • Porquê? 44

Medicina Legal/ Identificação do Cadáver

MEDICINA LEGAL

Medicina Legal/ Identificação do Cadáver MEDICINA LEGAL
Medicina Legal/ Identificação do Cadáver MEDICINA LEGAL

A Medicina Legal, no seu todo, é uma actividade pluridisciplinar que colabora na elaboração, codificação e execução das leis. Mas, em particular, a Medicina Legal é que em concreto trata das questões forenses, quer sejam do foro criminal quer do foro civil, sendo considerada como uma ciência auxiliar da Investigação Criminal.

Num sentido mais restrito, podemos considerar este ramo científico como sendo a aplicação dos conhecimentos da Medicina na ocasião do procedimento penal.

TIPOS DE MORTE

Estatisticamente o fenómeno das causas da morte tem sido tratado ao longo dos anos e actualmente tem-se como dado adquirido que, em regra, os casos de morte apresentam-se tipificados da seguinte forma:

NATURAL

(80% dos casos)

MORTE

SUSPEITA

(20% dos casos)

Considera-se Morte Súbita:

VIOLENTA

(

10% dos casos )

SÚBITA

(

10% dos casos )

Homicídio

Suicídio

Acidente

A que ocorre num curto espaço de tempo de modo inesperado, em indivíduo são ou aparentemente são;

A que sucede num indivíduo doente, no qual a natureza da doença ou a sua evolução não faziam prever a morte;

Nestas situações ao médico-legista interessa confirmar a não existência de indícios presumíveis de morte criminosa, tendo então o consequente procedimento investigatório de âmbito criminal.

de morte criminosa, tendo então o consequente procedimento investigatório de âmbito criminal. Escola da Guarda 4
de morte criminosa, tendo então o consequente procedimento investigatório de âmbito criminal. Escola da Guarda 4

Escola da Guarda

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Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório SINAIS PRECOCES DE MORTE Na presença de um corpo a confirmação
Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório SINAIS PRECOCES DE MORTE Na presença de um corpo a confirmação

SINAIS PRECOCES DE MORTE

Na presença de um corpo a confirmação da morte deve ser feita pela pesquisa dos sinais precoces de morte que representam a cessação das funções vitais e consequentemente a morte. Saliente-se, que a morte é um fenómeno de difícil leitura, podendo a vítima estar, em determinadas situações, em morte aparente.

Apesar desta breve abordagem, mesmo não sendo especialistas na área da Medicina, qualquer agente de autoridade deve saber procurar na vítima os sinais precoces de morte.

É através da seguinte figura que exemplificamos: FFUUNNÇÇÕÕEESSVVITITAAISIS AAUUSSÊÊNNCCIAIA NERVOSA Reflexos
É através da seguinte figura que exemplificamos:
FFUUNNÇÇÕÕEESSVVITITAAISIS
AAUUSSÊÊNNCCIAIA
NERVOSA
Reflexos oculares
RESPIRATÓRIA
Movimentos Torácicos
CIRCULATÓRIA
Pulso

CERTIFICADO DE ÓBITO

O certificado de óbito é um documento onde ficam registadas as causas da morte após a observação do cadáver pelo médico competente, desde que não sejam encontrados motivos para presumir que as causas de morte tenham sido estranhas à doença.

Considera-se como médico competente para assinar o certificado o médico assistente, ou seja, o habitual do falecido que o acompanhou na doença ou o médico que assistiu ao doente nos últimos 7 dias antes da morte. Nos casos de morte suspeita é da competência do perito médico a assinatura do certificado de óbito.

casos de morte suspeita é da competência do perito médico a assinatura do certificado de óbito.
casos de morte suspeita é da competência do perito médico a assinatura do certificado de óbito.

Medicina Legal/ Identificação do Cadáver

Medicina Legal/ Identificação do Cadáver AUTÓPSIAS A autópsia é um exame médico a um cadáver com
Medicina Legal/ Identificação do Cadáver AUTÓPSIAS A autópsia é um exame médico a um cadáver com

AUTÓPSIAS

A autópsia é um exame médico a um cadáver com o fim de determinar as causas da morte e classificam-se em:

CLÍNICAS

Destinadas a estudos clínicos e investigações médicas.

BRANCAS - no caso das mortes súbitas em que não são encontradas lesões orgânicas que as justifiquem, presumindo-se como causas naturais.

MÉDICO-LEGAIS

REGULAMENTARES - nas mortes súbitas de origem aparentemente não criminosa, em que o objectivo é excluir a possível intervenção criminosa.

JUDICIAIS - quando se presume a existência de acção criminosa, em que o objectivo é identificar a/s causa/s da morte.

Como se depreende do quadro são as autópsias Médico-legais Judiciais aquelas de maior interesse para a actividade policial no âmbito criminal, sendo realizadas a nível nacional nos respectivos Gabinetes e Delegações do Instituto Nacional de Medicina Legal, consoante a área de circunscrição.

A autópsia é da competência do/s médico-legista/s e é efectuada em duas fases, sendo a primeira o exame ao hábito externo e a segunda o exame ao hábito interno, elaborando no final um relatório.

Começando pelos dois últimos, já que os componentes do exame ao hábito externo vão ser depois objecto de estudo mais aprofundado, o exame ao hábito interno consta da dissecação do cadáver para exame das lesões das cavidades craniana, torácica e abdominal e vísceras nelas contidas.

para exame das lesões das cavidades craniana, torácica e abdominal e vísceras nelas contidas. Escola da
para exame das lesões das cavidades craniana, torácica e abdominal e vísceras nelas contidas. Escola da

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Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório Quanto ao relatório é essencialmente constituído por:
Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório Quanto ao relatório é essencialmente constituído por:

Quanto ao relatório é essencialmente constituído por:

Informação inicial (nomes dos peritos, data/local da autópsia, notícias );

Narração detalhada dos elementos observados nos exames dos hábitos externo e interno;

Discussão do seu significado;

Conclusões.

O exame ao hábito externo consta da observação das coberturas ( roupa, outros vestígios que possam existir ) e do aspecto do próprio corpo, tendo por objectivos:

Colher dados que permitam a identificação do cadáver;

Registar os sinais tardios de morte com as respectivas características;

Proceder ao exame das lesões externas para verificação de vestígios que indiquem a existência, ou não, de:

Violência externa;

Intenção.

Vejamos agora mais em detalhe cada um dos componentes do exame ao hábito externo do cadáver.

Vejamos agora mais em detalhe cada um dos componentes do exame ao hábito externo do cadáver.
Vejamos agora mais em detalhe cada um dos componentes do exame ao hábito externo do cadáver.

Medicina Legal/ Identificação do Cadáver

IDENTIFICAÇÃO DO CADÁVER

Identificação do Cadáver IDENTIFICAÇÃO DO CADÁVER Dos elementos de identificação do cadáver fazem parte:
Identificação do Cadáver IDENTIFICAÇÃO DO CADÁVER Dos elementos de identificação do cadáver fazem parte:
Identificação do Cadáver IDENTIFICAÇÃO DO CADÁVER Dos elementos de identificação do cadáver fazem parte:

Dos elementos de identificação do cadáver fazem parte:

FÓRMULA DACTILOSCÓPICA - recolha das impressões digitais durante a autópsia em impresso próprio. Refira-se que em cadáveres há muito tempo submersos procede- se ao enchimento das extremidades ( designadas por "dedeiras") ou quando inviável, à sua recolha para tratamento laboratorial (v. anexo, foto 1);

FÓRMULA DENTÁRIA - registada em impresso próprio, sendo a sua análise, importante para determinação da identificação através da idade, tratamentos, etc., nomeadamente em casos de desastres em massa, cadáveres putrefactos, corpos carbonizados, casos de espostejamento (recuperação da cabeça), etc. (v. anexo, foto

2);

OUTROS ELEMENTOS - destes salientam-se os sinais congénitos e as marcas adquiridas (cicatrizes, patológicas, tatuagens e profissionais) (v. anexo, foto 3, 4 e 5).

Saliente-se ainda no processo de identificação o seguinte:

* Registo do nome e morada do morto, quando conhecidos, e os nomes das pessoas que encontraram e/ou identificaram o corpo e de outras testemunhas.

e os nomes das pessoas que encontraram e/ou identificaram o corpo e de outras testemunhas. Escola
e os nomes das pessoas que encontraram e/ou identificaram o corpo e de outras testemunhas. Escola

Escola da Guarda

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Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório

SINAIS TARDIOS DE MORTE

Entrevista e Interrogatório SINAIS TARDIOS DE MORTE Os sinais tardios de morte são modificações cadavéricas
Entrevista e Interrogatório SINAIS TARDIOS DE MORTE Os sinais tardios de morte são modificações cadavéricas
Entrevista e Interrogatório SINAIS TARDIOS DE MORTE Os sinais tardios de morte são modificações cadavéricas

Os sinais tardios de morte são modificações cadavéricas que permitem determinar o tempo aproximado da hora da morte, tornando-se tanto mais difícil quanto maior for o afastamento do momento desta.

São considerados como sinais tardios os constantes do seguinte quadro:

TEMPERATURA - ALGOR MORTIS

RIGIDEZ CADAVÉRICA - RIGOR MORTIS

LIVORES CADAVÉRICOS - LIVOR MORTIS

FENÓMENOS DE DESTRUIÇÃO

FENÓMENOS DE CONSERVAÇÃO

AUTÓLISE

PUTREFACÇÃO

INSECTOS E OUTROS

ADIPOCERO

MUMIFICAÇÃO

Passemos agora a abordar mais em pormenor cada um destes sinais tardios de morte.

TEMPERATURA

Tal como todos os outros sinais pode dar uma indicação aproximada da hora da morte, através da determinação do arrefecimento do cadáver que acontece, aproximadamente, entre 1 a 8 horas. Contudo, deve ter-se em atenção, que a temperatura do cadáver pode sofrer variações importantes em função dos seguintes factores:

Do local da morte - residência, rua

Das condições ambientais - frio, calor, imersão em água

Do próprio cadáver - magro, gordo, agasalhado

A temperatura pode ser obtida através de dois processos:

cadáver - magro, gordo, agasalhado A temperatura pode ser obtida através de dois processos: 50 Escola
cadáver - magro, gordo, agasalhado A temperatura pode ser obtida através de dois processos: 50 Escola

Medicina Legal// Sinais Tardios de Morte / Livores Cadavéricos

Legal// Sinais Tardios de Morte / Livores Cadavéricos Temperatura rectal - utilizada pelos peritos médicos
Legal// Sinais Tardios de Morte / Livores Cadavéricos Temperatura rectal - utilizada pelos peritos médicos

Temperatura rectal - utilizada pelos peritos médicos através de termómetro especial; Temperatura da pele - através do contacto do dorso da mão com determinadas partes do cadáver.

É este último processo, o da temperatura da pele, que é o indicado para os agentes de autoridade. A temperatura é obtida através do contacto do dorso da mão com a fronte, peito, abdómen e região inguinal do cadáver, sendo os resultados avaliados da seguinte forma:

MORTE

Há menos de 1 hora

Há cerca de 4 horas

Há cerca de 8 horas

TEMPERATURA

É idêntica à do observador

É moderadamente mais baixa

(o dorso da mão sente uma

pele um pouco mais fria)

É sensivelmente fria (o dorso

da mão sente frio)

De notar que estes valores são indicativos para situações em que a vítima está completamente vestida, dentro de um quarto com uma temperatura confortável.

RIGIDEZ CADAVÉRICA

A rigidez cadavérica é a rigidez progressiva dos músculos voluntários e involuntários que aparece após a morte. Este processo forma-se a partir dos músculos da face e pescoço, passando aos do tórax e braços, abdómen, pernas e pés, por esta ordem, desaparecendo gradualmente pela mesma ordem, isto é, os músculos que primeiro são afectados, são os primeiros a perder o rigor. Em geral, o processo está completamente estabelecido entre 12 a 18 horas mas, diversos são os factores que podem alterar a velocidade deste desenvolvimento. Assim e por exemplo:

diversos são os factores que podem alterar a velocidade deste desenvolvimento. Assim e por exemplo: Escola
diversos são os factores que podem alterar a velocidade deste desenvolvimento. Assim e por exemplo: Escola

Escola da Guarda

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Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório  Varia com as condições ambientais;  Quando a temperatura
Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório  Varia com as condições ambientais;  Quando a temperatura

Varia com as condições ambientais;

Quando a temperatura é baixa a rigidez aparece mais precocemente e desaparece mais lentamente;

Faz-se mais rapidamente em pessoas magras e debilitadas;

É de início mais lenta em indivíduos musculosos.

A rigidez cadavérica pode ser desfeita, motivo porque uma distribuição assimétrica no corpo permite suspeitar que foi movimentado depois de morto ( v. anexo, foto 6, 7 e 8 ).

A rigidez não deve ser confundida com o Espasmo Cadavérico, em virtude do primeiro ser, como se disse, um processo e o espasmo ser uma contractura imediata de músculos em casos de morte violenta instantânea sob tensão nervosa. É característica do espasmo o seu aparecimento imediato e o facto de permanecer até à putrefacção.

Os resultados da rigidez, de acordo com o esquema, são observáveis da seguinte

forma:

MORTE

2 a 4 horas

12 a 18 horas

RIGIDEZ CADAVÉRICA

Começa a manifestar-se:

*

Primeiro

nas

pálpebras

e

músculos da face

*

Músculos

do

pescoço,

membros

superiores,

tronco

e

membros

inferiores

Completa

Persiste por mais 12 a 18 horas

Desaparece gradualmente na mesma ordem

inferiores Completa Persiste por mais 12 a 18 horas Desaparece gradualmente na mesma ordem 52 Escola
inferiores Completa Persiste por mais 12 a 18 horas Desaparece gradualmente na mesma ordem 52 Escola

Medicina Legal// Sinais Tardios de Morte / Livores Cadavéricos

Legal// Sinais Tardios de Morte / Livores Cadavéricos LIVORES CADAVÉRICOS Com a morte há a paragem
Legal// Sinais Tardios de Morte / Livores Cadavéricos LIVORES CADAVÉRICOS Com a morte há a paragem

LIVORES CADAVÉRICOS

Com a morte há a paragem circulatória e a consequente acumulação de sangue nas zonas mais baixas do corpo por acção da gravidade. Nestas zonas, o corpo adquire uma coloração purpúrea ( v. anexo, foto 9 e 10 ). A este processo, que se inicia com a morte, mas que só é visível cerca de 2 horas após, chama-se livores cadavéricos.

Os livores apresentam as seguintes características:

Antes de se fixarem, o que pode acontecer nas 6 primeiras horas, desaparecem e aparecem nas zonas pressionadas pelos dedos;

Não aparecem nas zonas de compressão do corpo com um objecto;

Depois de fixos permitem verificar se o cadáver foi deslocado;

Em certas intoxicações a sua cor pode denunciar a causa da morte, por exemplo o monóxido de carbono produz um tom vermelho cereja ( v. anexo, foto 43 );

Em situações de morte precedida de grandes perdas de sangue, os livores podem não manifestar-se.

Em situações de morte precedida de grandes perdas de sangue, os livores podem não manifestar-se. Escola
Em situações de morte precedida de grandes perdas de sangue, os livores podem não manifestar-se. Escola
Em situações de morte precedida de grandes perdas de sangue, os livores podem não manifestar-se. Escola

Escola da Guarda

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Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório

Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório Exemplos: A localização dos livores varia consoante a posição do
Investigação Criminal/ Entrevista e Interrogatório Exemplos: A localização dos livores varia consoante a posição do

Exemplos: A localização dos livores varia consoante a posição do corpo.

dos livores varia consoante a posição do corpo. Exemplo: Cadáver em posição de decúbito ventral. As

Exemplo: Cadáver em posição de decúbito ventral. As regiões a claro indicam possíveis áreas de compressão provocadas pela pressão do peso do corpo e da estrutura óssea contra o solo.

Os sinais tardios de morte podem e devem ser utilizados, quando existam, para a determinação aproximada da hora da morte, bem como para verificar se as modificações que o cadáver apresenta, serão sinais suspeitos que indiciem crime.

A título de resumo apresenta-se um quadro exemplificativo dos sinais tardios já estudados:

HORA DA MORTE ALGOR MORTIS LIVOR MORTIS RIGOR MORTIS 0 Temperatura Normal Começam a surgir
HORA DA MORTE
ALGOR MORTIS
LIVOR MORTIS
RIGOR MORTIS
0
Temperatura Normal
Começam a surgir
2
Pontos que vão confluindo
Cabeça
Pele Morna
Livores não fixados
4
Fixação de Livores
Pescoço
6
Pele Fria
Membros Superiores
8
Membros Inferiores
12
Mais ou Menos
Completo
18
24
Persiste por cerca de
12 a 18 horas
8 Membros Inferiores 12 Mais ou Menos Completo 18 24 Persiste por cerca de 12 a
8 Membros Inferiores 12 Mais ou Menos Completo 18 24 Persiste por cerca de 12 a

Medicina Legal// Sinais Tardios de Morte / Livores Cadavéricos

Legal// Sinais Tardios de Morte / Livores Cadavéricos FENÓMENOS DESTRUIDORES A decomposição de um cadáver é
Legal// Sinais Tardios de Morte / Livores Cadavéricos FENÓMENOS DESTRUIDORES A decomposição de um cadáver é

FENÓMENOS DESTRUIDORES

A decomposição de um cadáver é um fenómeno natural composto por factores externos e internos ao próprio corpo. São estes factores que vão afectar o ritmo de decomposição, sendo disto exemplo:

A decomposição é em geral mais rápida entre as temperaturas de 20ºC a 38ºC e retardada para as temperaturas abaixo e acima destes valores;

Na água a pele fica enrugada ou macerada e destaca-se em grandes fragmentos ( v. anexo, foto 11 );

Nas águas dos portos de rios com grande tráfego, as lesões mecânicas produzidas pelos barcos, pontes, etc., contribuem para a destruição do corpo;

Nos campos, valas, etc., as mordeduras de animais ( ratos, peixes maior parte da superfície externa do corpo ( v. anexo, foto 12 );

) podem destruir a

Uma causa infecciosa de morte ou obesidade, aceleram o processo de decomposição.

Os principais fenómenos destruidores são os seguintes:

AUTÓLISE

PUTREFACÇÃO

INSECTOS E

OUTROS

Consiste na morte das células que, devido às enzimas dos próprios tecidos, se tornam incapazes de manter a sua estrutura.

Consiste na destruição por acção das bactérias existentes nas vias naturais do corpo, em especial nos intestinos, sendo os primeiros indícios uma coloração esverdeada na região da fossa ilíaca direita.

Consiste na destruição pela acção dos insectos, desde a deposição dos ovos até à formação de larvas e pela acção de outros animais ( v. anexo, foto 17 e 18 ).

Para um cadáver encontrado em "situações normais" a decomposição processa-se da seguinte forma ( v. anexo, foto 13, 14,15 e 16 ):

Inicia-se pela aparição de uma marca de coloração esverdeada na região da fossa ilíaca direita que se difunde depois sobre a superfície do corpo; O corpo incha gradualmente com protusão dos olhos e língua, distorcendo assim os traços fisionómicos; As veias superficiais tornam-se evidentes; Depois disto, dá-se também a decomposição progressiva dos órgãos internos, a ruptura das cavidades internas e o destacamento das massas musculares dos ossos.

internos, a ruptura das cavidades internas e o destacamento das massas musculares dos ossos. Escola da
internos, a ruptura das cavidades internas e o destacamento das massas musculares dos ossos. Escola da

Escola da Guarda

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Medicina Legal/Fenómenos Destruidores

Medicina Legal/Fenómenos Destruidores FENÓMENOS CONSERVADORES São considerados de excepcionais o aparecimento das
Medicina Legal/Fenómenos Destruidores FENÓMENOS CONSERVADORES São considerados de excepcionais o aparecimento das

FENÓMENOS CONSERVADORES

São considerados de excepcionais o aparecimento das circunstâncias de conservação dos cadáveres, pois, este tipo de situações são raras e pontuais.

Os fenómenos conservadores são os seguintes:

ADIPOCERO

MUMIFICAÇÃO

Substância semelhante ao sebo, devido à transformação do tecido adiposo por acção da humidade, atingindo normalmente, apenas partes do corpo, sendo a face e as nádegas as mais conservadas.

Ocorre quando o corpo é deixado exposto ou inumado num local quente e seco, verifica-se uma rápida desidratação, o que impede a putrefacção (caso dos recém-nascidos abandonados) ( v. anexo, foto 19 ).

LESÕES

As lesões encontradas no corpo podem ser internas ou externas e têm que ser explicadas quanto à maneira como foram produzidas, o seu tipo, distribuição pelo corpo e ainda, o possível mecanismo das causas. Este trabalho é feito pelos peritos médico-legistas que do exame efectuado concluem pela presunção, ou não, da intenção de matar.

No exame das lesões externas da vítima devem ser considerados no seu conjunto os seguintes elementos:

Lesões

Forma, extensão, direcção;

Localização

Com precisão;

Número

Multiplicidade por armas;

Instrumento

Meios: objectos e/ou armas;

Circunstâncias

Ex: disparo a curta distância, violência

Meios: objectos e/ou armas; Circunstâncias Ex: disparo a curta distância, violência 56 Escola da Guarda
Meios: objectos e/ou armas; Circunstâncias Ex: disparo a curta distância, violência 56 Escola da Guarda

Investigação Criminal/Medicina Legal

Investigação Criminal/Medicina Legal Através do exame das lesões determina-se a causa da morte: TERMOS MÉDICO-
Investigação Criminal/Medicina Legal Através do exame das lesões determina-se a causa da morte: TERMOS MÉDICO-

Através do exame das lesões determina-se a causa da morte:

TERMOS

MÉDICO-

LEGAIS

TERMOS

JURÍDICOS

CAUSA PRINCIPAL

CAUSAS

ACESSÓRIAS

CAUSA

NECESSÁRIA

CAUSA

OCASIONAL

ACIDENTAL

Constam dos certificados de óbito, aparecendo codificadas para avaliação das estatísticas.

Os termos médico-legais não são sinónimos dos termos jurídicos.

Quando o ferimento produz invariável e constantemente a morte em quaisquer condições. Ex: ferimentos que

Quando o ferimento produz invariável e constantemente a morte em quaisquer condições. Ex: ferimentos que lesam órgãos essenciais às funções vitais.

Quando o ferimento, só por si, não

é suficiente para produzir a morte, existindo outras causas concorrentes que contribuem para

a morte.

Ex: ferimento conspurca-se, produz tétano e morre.

Como exemplo apresentam-se conclusões, possíveis de serem de uma Autópsia Judicial a uma mulher encontrada morta:

A morte resultou de ferimentos no útero;

Os ferimentos foram causa necessária de morte;

Não há lugar à causa ocasional visto existir a anterior;

Os ferimentos denotam haver sido feitos por instrumento perfurante;

Os ferimentos foram feitos com a presumível intenção de interromper a gestação.

INSTRUMENTOS MECÂNICOS

Quanto aos vestígios deixados pelos instrumentos em materiais não orgânicos, já foi feita referência em apontamentos anteriores. Abordemos então a sua tipologia recorrendo ao seguinte quadro:

em apontamentos anteriores. Abordemos então a sua tipologia recorrendo ao seguinte quadro: Escola da Guarda 5
em apontamentos anteriores. Abordemos então a sua tipologia recorrendo ao seguinte quadro: Escola da Guarda 5

Escola da Guarda

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Medicina Legal/Fenómenos Destruidores

Medicina Legal/Fenómenos Destruidores CONTUNDENTES CORTANTES PERFURANTES MISTOS DILACERANTES - São aqueles que actuam
Medicina Legal/Fenómenos Destruidores CONTUNDENTES CORTANTES PERFURANTES MISTOS DILACERANTES - São aqueles que actuam

CONTUNDENTES

CORTANTES

PERFURANTES

MISTOS

MISTOS

MISTOS

DILACERANTES

- São aqueles que actuam por contacto sobre uma superfície