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Análise comparativa do governo Lula:

Resultados e metodologia

Reinaldo Gonçalves 1

28/04/2010

O objetivo geral deste artigo é examinar do desempenho da economia brasileira

em 120 anos de história da República. Como objetivo específico, o estudo foca na

análise do desempenho comparativo do governo Lula. A partir da perspectiva histórica

avaliam-se o desempenho da economia brasileira em geral, e o desempenho econômico

do país no governo Lula, em particular. 2 Mais especificamente, neste artigo discutem-

se as seguintes hipóteses: (1) o desempenho econômico do Brasil durante o governo

Lula é superior ao desempenho observado durante o governo FHC; (2) em ambos os

governos a economia brasileira apresenta fraco desempenho; (3) a “herança negativa”

do governo FHC prejudicou o desempenho do governo Lula; e, (4) a conjuntura

internacional favoreceu este último.

A análise do desempenho de longo prazo baseia-se em conjunto de seis

indicadores macroeconômicos para todos os anos do período 1889-2009. Estes

indicadores são: variação da renda real (variação real anual do Produto Interno Bruto –

PIB); hiato de crescimento (diferença relativa entre a variação real anual do PIB

brasileiro e a variação real anual do PIB mundial); investimento (variação real anual da

formação bruta de capital fixo – FBKF); inflação (deflator implícito do PIB);

fragilidade financeira (relação percentual entre a dívida pública interna federal e o PIB)

e vulnerabilidade externa (relação percentual entre a dívida externa e as exportações de

bens).

Os dados são anuais e a análise tem como referencial os períodos de governo

republicano. No Brasil há enorme concentração de poder e de recursos orçamentários no

Executivo federal desde a proclamação da República. Portanto, a periodização segundo

1 Professor titular de Economia

Reinaldogoncalves1@gmail.com. Portal: http://www.ie.ufrj.br/hpp/mostra.php?idprof=77. Este artigo será publicado no livro Governo Lula: 2003-10. Aparência e Essência, organizado por Paulo Passarinho, Editora Contraponto.

Janeiro.

da

Universidade

Federal

do

Rio

de

2 Quanto ao escopo e método, este artigo é, na realidade, a atualização de dois trabalhos publicados anteriormente (GONÇALVES, 2003; FILGUEIRAS e GONÇALVES, 2007). O primeiro tem como foco o governo FHC (1995-2002) e o segundo abrange o primeiro período do governo Lula (2003-06).

os governos é enfoque complementar a estudos de história comparativa com outras perspectivas (contexto internacional, regime político, etc). Além de apresentar a análise das variáveis macroeconômicas, o estudo utiliza-se do Índice de Desempenho Presidencial – IDP. O IDP é uma variável reduzida na forma de um índice que varia de 0 (pior desempenho) a 100 (melhor desempenho). As principais questões metodológicas e as fontes de dados são discutidas no Anexo I. Os indicadores estão no Anexo II.

1. Desempenho econômico de longo prazo No período 1890-2009, a taxa média de crescimento real do PIB brasileiro é de 4,5% como mostra a Tabela 1. No conjunto de 29 períodos, o governo Lula (2003-09) tem a 9ª taxa mais baixa de crescimento econômico. E, na ordem decrescente, constata- se que a taxa de crescimento no governo Lula (3,5%) ocupa a 21ª posição. 3 Neste governo o crescimento médio real anual do PIB é significativamente menor do que a taxa secular de crescimento econômico do país em toda a sua história republicana (4,5%) e à mediana das taxas anuais (4,6%). 4 No que se refere ao IDP relativo ao crescimento do PIB, o governo Lula ocupa a 22ª posição. 5 O IDP do governo Lula (44,6) é inferior ao IDP médio (54,1) e à mediana dos IDPs de todos os governos (50,1). 6

O fraco desempenho do governo Lula implica que o país precisaria de 20 para duplicar o seu PIB, como mostra o Gráfico 1. A taxa secular duplica o PIB em 16 anos.

3 A diferença entre as taxas médias de crescimento nos mandatos de Lula (3,548%) e de Hermes da Fonseca (3,547%) só aparece no terceiro dígito.

4 Para os indicadores a média (geométrica) e a mediana referem-se aos dados anuais (120 anos).

5 De modo geral, a posição de cada mandato no IDP é idêntica à posição na variável de referência. Entretanto, há alguns poucos casos em que ocorrem diferenças de posição no rank. Isto acontece porque as médias das variáveis são geométricas enquanto as médias do IDP são aritméticas. No caso das variáveis que entram com “sinal negativo” (inflação, fragilidade financeira e vulnerabilidade externa) o IDP é inversamente proporcional ao indicador macroeconômico.

6 Para o IDP a média e a mediana referem-se aos 29 governos.

Gráfico 1

Número de anos necessários para duplicar a renda se gundo o mandato presidencial: 1890-2009 40
Número de anos necessários para duplicar a renda se gundo o
mandato presidencial: 1890-2009
40
34
35
31
29
30
28
25
23
20
20
20
20
19
17
16
16
15
16
15
15
14
13
11
11
10
9
9
9
10
8
9
8
7
6
5
0
da Fonseca
Deodoro Prudente
Floriano
Peixoto
de
Morais
Campos
Sales
Rodrigues
Alves
Afonso
Pena
Nilo
Peçanha
Hermes
da
Fonseca
Venceslau
Brás
Epitácio
Pessoa
Artur
Bernardes
Washington
Luís
Getúlio Getúlio Eurico
Vargas
Dutra
I Café
Vargas
I
Filho
Juscelino
Kubitsche
Jânio
Quadros
João
Goulart
Castello
Branco
Costa
Silva
Garrastazu
Médic
e João
Ernesto
Geisel
Figueiredo
José
Sarney
Fernando
Collor
Itamar
Franco
Fernando
Henrique
Lula
(2003-09)
Média

Fonte: Elaboração do autor.

O hiato de crescimento econômico médio é de 1,3% no período 1890-2009, como mostra a Tabela 2. Este hiato significa que neste período a taxa média de crescimento real da economia brasileira é de 4,5% enquanto a taxa média da economia mundial é de 3,1%. 7 Da mesma forma que no caso da taxa de crescimento, o governo Lula tem o 9º mais baixo hiato de crescimento no conjunto de 29 governos. Na ordem decrescente, constata-se que o hiato de crescimento no governo Lula está na 21ª posição. Neste governo o hiato médio (real anual) do PIB é de -0,1%. Ele é significativamente menor do que o hiato médio do país em toda a sua história republicana (1,3%). No que se refere ao IDP relativo ao hiato de crescimento o governo Lula também ocupa a 21ª posição. O IDP do governo Lula é de 37,5. Este IDP é inferior ao IDP médio (46,0) e à mediana dos IDPs de todos os governos (45,5). Hiato negativo implica que o país tem queda de sua participação no PIB mundial. Isto ocorre durante o governo Lula. Vale notar que o “salto” de desenvolvimento é dado por Vargas no seu primeiro governo (1930-45), como mostra o Gráfico 2. No período de praticamente meio século, que vai de 1932 até 1980, a economia brasileira apresenta taxas de crescimento econômico de longo prazo significativamente elevadas (média de 6,8%). O resultado é que a participação do país

7 O diferencial é relativo, ou seja, hiato = [(1 + taxa Brasil) / (1 + taxa mundo) -1]*100.

no PIB mundial aumenta de menos de 1% no final dos anos 1920s para 3,6% em 1980.

A partir de 1980 observa-se tendência de queda da participação relativa do Brasil na

economia mundial. A participação média do Brasil na economia mundial segundo os governos é apresentada na Tabela 3. No governo Lula a participação média é de 2,74%. Esta participação está próxima daquela observada quase quarenta anos antes (início dos anos 1970s). 8

Gráfico 2

Participação % do Brasil no PIB mundial segundo o mandato presidencial

3,50 3,00 2,50 2,00 1,50 1,00 0,50 0,00 da Fonseca Deodoro Prudente Floriano Peixoto de
3,50
3,00
2,50
2,00
1,50
1,00
0,50
0,00
da Fonseca
Deodoro Prudente Floriano
Peixoto
de Morais
Campos
Sales
Rodrigues
Alves
Afonso
Pena
Nilo
Peçanha
Hermes
da
Fonseca
Venceslau
Brás
Epitácio
Pessoa
Artur
Bernardes
Washington
Luís Dutra
Getúlio Getúlio Eurico
Vargas
I Café
Vargas
II
Filho
Juscelino
Kubitschek
Jânio
Quadros
João
Goulart
Castello
Branco
Costa
Silva
Garrastazu
Médici
e João
Ernesto
Geisel
Figueiredo
José
Sarney
Fernando
Itamar Collor
Franco
Fernando
Henrique Lula

Fonte: Elaboração do autor. PIB em termos reais (ano de referência = 1980).

A taxa média de crescimento real do investimento (FBKF) brasileiro é de 4,3%

no período 1890-2009, como mostra a Tabela 4. No conjunto de 29 governos, o governo

Lula tem a 17ª taxa mais elevada de crescimento da FBKF. Neste governo o crescimento médio real anual da FBKF é de 4,7%, que é maior do que a taxa média,

porém inferior à mediana (8,3%). No que se refere ao IDP relativo ao crescimento da FBKF, o governo Lula ocupa a 19ª posição. O IDP do governo Lula é de 55,9. Este IDP é inferior ao IDP médio (56,5) e à mediana dos IDPs de todos os governos (58,5).

A taxa média de inflação no Brasil é de 37,4% no período 1890-2009, como

mostra a Tabela 5. A mediana é de 11,9%. No conjunto de 29 períodos presidenciais, o

8 A participação do Brasil na economia mundial (PIB) era de 2,81% em 2002 e 2,79% em 2009. No governo FHC (1995-2002) a participação média é de 2,93% e no governo Lula (2003-09) é de 2,74%.

governo Lula tem a 21ª taxa mais elevada de inflação, ou seja, a 9ª mais baixa taxa de inflação. Neste governo a inflação média é de 7,6%, que é menor do que a taxa média e

a mediana. No que se refere ao IDP, o governo Lula ocupa a 10ª posição. O IDP do

governo Lula é de 69,3. Este IDP é superior ao IDP médio e à mediana dos IDPs de todos os governos.

A média do indicador de fragilidade financeira (relação entre a dívida interna

pública federal e o PIB) no Brasil é de 11,6% no período 1890-2009, como mostra a

Tabela 6. A mediana é de 10,1%. No conjunto de 29 governos, o governo Lula tem a taxa mais elevada. Neste governo a relação média entre a dívida interna pública federal

e o PIB é de 42,3%. No que se refere ao IDP, o governo Lula ocupa a última posição. Ou seja, trata-se do pior desempenho quanto ao estoque da dívida interna pública federal no período republicano. 9

A média do indicador de vulnerabilidade externa (relação entre a dívida externa

registrada e a exportação de bens) no Brasil é de 216,3% no período 1890-2009, como mostra a Tabela 7. A mediana é de 226,1%. No conjunto de 29 governos, o governo Lula tem o 6ª menor indicador. Neste governo a relação média entre a dívida externa registrada e a exportação de bens é de 138,2%, que é inferior à média e à mediana. No

que se refere ao IDP, o governo Lula ocupa a 6ª posição. Portanto, o governo Lula tem desempenho favorável no que se refere ao controle da inflação.

O indicador-síntese de desempenho econômico é o IDP. O IDP médio no

governo Lula é 47,8, ou seja, o 23º mais elevado no conjunto de 29 governos, como

mostra a Tabela 8. Portanto, no governo Lula a economia brasileira tem fraco desempenho. O IDP médio é 58,6 e a mediana dos IDPs é de 61,1. 10

2. Governo Lula em perspectiva histórica A análise apresentada neste texto é conclusiva: a evidência mostra que o desempenho da economia brasileira no governo Lula (2003-09) é fraco pelos padrões históricos brasileiros e pelos padrões internacionais. No que se refere a esta última conclusão, vale destacar que desde 1980 observa-se tendência de queda da participação relativa do Brasil na economia mundial. No governo Lula a participação média é de

9 Na realidade, o governo Lula é responsável pela maior dívida pública interna federal da história do país desde 1822. No final do Império em 1889 a relação entre a dívida pública interna federal e o PIB era da ordem de 30% (auge de 31,1% em 1887). Ver, GONÇALVES e POMAR (2002), Tabela 28.

10 Vale repetir que a média e a mediana referem-se aos IDPs anuais do período 1889-2009.

2,74%. Esta participação está próxima daquela observada quase quarenta anos antes (início dos anos 1970s). De modo geral, os indicadores de desempenho econômico no governo Lula (2003-09) são inferiores às médias e medianas para o conjunto do período em análise (1889-2009), como mostra a Tabela 9. Há, entretanto, algumas exceções: (i) a taxa de investimento no governo Lula é superior à média do país ainda que seja inferior à mediana; (ii) a taxa de inflação no governo Lula é inferior tanto à média quanto à mediana; e, (iii) o indicador de vulnerabilidade externa também é inferior tanto à média quanto à mediana na história econômica republicana. Vale destacar, ainda, que no governo Lula as médias observadas para o crescimento econômico, hiato de crescimento, investimento estão abaixo da mediana. No que se refere à fragilidade financeira, o governo Lula tem o pior desempenho. 11 Assim, em quatro indicadores o governo Lula posiciona-se na metade inferior da distribuição de desempenho segundo os governos. As exceções são os indicadores de inflação e vulnerabilidade externa visto que o governo Lula ficou abaixo da média e da mediana das taxas anuais. Quanto à questão externa, não há dúvida que o governo Lula se beneficiou de uma conjuntura extraordinariamente favorável no período de 2003 até meados de 2008. 12 Portanto, parte expressiva do mérito quanto à redução dos indicadores de vulnerabilidade externa conjuntural deriva da fase ascendente do ciclo internacional. Não é por outra razão que, na fase descendente do ciclo internacional, a crise global de 2008-09 teve forte impacto negativo sobre a economia brasileira (por exemplo, queda de 0,2% do PIB em 2009). 13

11 Pode-se argumentar que a relação dívida pública interna federal/PIB não é o melhor indicador e deveria ser substituído, por exemplo, pela relação dívida pública federal líquida/PIB. Neste caso haveria inclusão da dívida externa e exclusão do valor das reservas internacionais no Banco Central. Entretanto, este argumento é frágil quando o país tem regime de metas de inflação com viés de ajuste do balanço de pagamentos (expenditure-reducing policies). Neste caso, quando ocorre crise cambial há não somente a venda de reservas (que reduz a dívida pública interna federal) como também a elevação da taxa de juros que, ceteris paribus, provoca aumento do déficit nominal e, portanto, elevação da dívida pública federal. O resultado é que as reservas internacionais não garantem a redução da dívida pública federal líquida no contexto de crise cambial, metas de inflação e viés de política de ajuste externo. Ou seja, reservas internacionais elevadas não reduzem, necessariamente, a fragilidade financeira do Estado.

12 Neste período a renda mundial cresceu à taxa média real anual de 4,2% e o comércio mundial (valor corrente das exportações de bens e serviços) cresceu à taxa média anual de 7,2%. A taxa secular (1889- 2009) de crescimento real da economia mundial é 3,2%.

13 FILGUEIRAS e GONÇALVES (2007, cap. 1) argumentam que, apesar de haver redução da vulnerabilidade externa conjuntural, houve elevação da vulnerabilidade externa estrutural da economia brasileira durante o governo Lula. Ademais, a vulnerabilidade externa comparada (Brasil em relação aos

Naturalmente, a análise do IDP converge para os resultados acima. Não resta

dúvida que o governo Lula tem um fraco desempenho em perspectiva histórica. O IDP médio do governo Lula é de 47,8, ou seja, abaixo do que seria o ponto-crítico (50,0) e abaixo da média (58,6) e da mediana (61,1) dos IDPs para os 29 governos, como mostra

a Tabela 10. No conjunto de 29 governos desde a proclamação da República, em ordem

decrescente de desempenho, o governo Lula situa-se na 23ª posição. Ou seja, o governo Lula ocupa a 7ª pior posição. No grupo dos presidentes com os piores resultados encontram-se, em geral, governos que foram marcados por situações político-econômicas particularmente

restritivas no front interno (e.g., Floriano Peixoto – revoltas armadas) ou conjunturas internacionais muito desfavoráveis (e.g., Venceslau Brás – I Grande Guerra). Entretanto, há casos (por exemplo, governos FHC e Lula) em que as condições internas

e externas não foram particularmente restritivas. Ou seja, o desempenho é explicado, em grande medida, pela combinação de erros de estratégia, equívocos de políticas e desacertos de gestão.

3. Governo Lula versus governo FHC Nesta seção comparam-se os desempenhos dos governos FHC e Lula. O IDP- Síntese do governo FHC é 39,2 enquanto o do governo Lula é 47,8, como mostra a Tabela 11. O governo FHC ocupa a 28ª posição e o governo Lula a 23ª posição em um conjunto de 29 governos. Vale notar que o governo FHC é o segundo pior da história republicana (só perde para o governo Collor). No conjunto de 6 indicadores o governo Lula tem melhor desempenho que o governo FHC em 5 indicadores. A exceção fica com a fragilidade financeira. 14 No entanto, em ambos os governos a economia brasileira retrocede em termos de sua participação na economia mundial. O fato é que os governos Lula e FHC têm fraco desempenho em perspectiva histórica.

outros países e ao passado recente) não parece ter se reduzido. Ademais, como discutido em Kaltenbrunner e Painceira (2009), nos últimos anos houve expansão de novas formas de vulnerabilidade externa da economia brasileira como o crescimento do estoque de investimento externo no mercado de capitais, a elevação do passivo externo líquido do sistema financeiro brasileiro e a crescente presença de não-residentes no mercado de derivativos. 14 A relação média entre a dívida pública interna federal e o PIB é de 41,9% em 2001-02 e de 42,5% em

2008-09.

Não resta dúvida que na comparação entre o desempenho dos governos Lula e FHC há que destacar a influência da conjuntura internacional. 15 Durante o governo FHC a economia mundial cresceu à taxa média anual de 3,4% e as exportações mundiais de bens e serviços à taxa de 6,6%. No governo Lula (2003-09) as taxas correspondentes foram de 3,6% e 4,3%, respectivamente. Considerando o período 2003-08, a economia mundial cresceu à taxa média anual de 4,2% e as exportações mundiais de bens e serviços à taxa de 7,2% no período 2003-08. 16 Em uma perspectiva de longo prazo a conjuntura econômica internacional tem estado relativamente favorável nas últimas 2 décadas. 17 Entretanto, o fato é que a economia brasileira tem elevada vulnerabilidade externa estrutural nas esferas comercial, produtiva, tecnológica e monetário-financeira (GONÇALVES, 2005, CAP. 6). No conjunto de seis indicadores há dois que expressam diretamente a situação econômica internacional (hiato de crescimento e vulnerabilidade externa). O hiato de crescimento é o diferencial entre a taxa de crescimento do PIB brasileiro deduzida da taxa de crescimento da economia mundial; enquanto a vulnerabilidade externa é a relação percentual entre a dívida externa e as exportações de bens. A primeira depende das condições de liquidez e crédito internacional e a segunda da variação da renda mundial. A exclusão destes dois indicadores implica mudanças importantes no IDP- médio (denominado de IDP-4), como apresenta o Gráfico 3. O IDP-4 do governo FHC aumenta de 39,2 (28ª posição) para 43,9 (27ª posição) enquanto o IDP-4 do governo Lula cai de 47,8 (23ª posição) para 42,9 (28ª posição). Este gráfico mostra que o governo Lula perde posições no ranking quando se excluem os indicadores que expressam mais diretamente a conjuntura internacional. Neste caso, o governo Lula tem

15 Defensores do governo Lula reconhecem a importância da conjuntura internacional mas tentam destacar os méritos próprios deste governo; ver Mercadante (2006), p. 27. Naturalmente, a conjuntura internacional influencia o desempenho econômico do país; porém, conforme discutido em GONÇALVES (2003, cap. 2), a experiência histórica mostra que o contexto internacional não é determinante do desempenho econômico comparativo segundo o mandato presidencial. As estratégias e políticas governamentais de inserção internacional e de ajuste frente à conjuntura internacional são determinantes.

16 Entretanto, houve grande volatilidade dos fluxos financeiros internacionais durante o governo FHC e a ocorrência da crise global no segundo semestre de 2008, durante o governo Lula.

17 A economia mundial entra em fase ascendente no final de 1992. Esta fase dura até o final de 2000. A fase descendente é interrompida já no final de 1992. De 1993 a meados de 2008 a economia mundial experimenta outra fase ascendente – conhecida, nos Estados Unidos, como a da Nova Economia. Esta fase é interrompida no final de 2008 com a crise global. Os fatores desestabilizadores de natureza financeira somente tornam-se determinantes no contexto da crise global de 2008. As crise financeiras e cambiais da virada do século XX para o século XXI afetaram, principalmente, os países em desenvolvimento (entre os quais o Brasil) marcados por forte vulnerabilidade financeira externa.

desempenho inferior ao governo FHC. Com este indicador o governo Lula só tem desempenho superior ao do governo Collor (pior desempenho da história republicana).

Gráfico 3

IDP-médio, exclusive hiato de crescimento e vulnerabilidade externa (IDP-4) 90,0 80,0 70,0 60,0 50,0 43,9
IDP-médio, exclusive hiato de crescimento e vulnerabilidade externa (IDP-4)
90,0
80,0
70,0
60,0
50,0
43,9 42,9
40,0
30,0
20,0
10,0
0,0
Garrastazu
Médici
Eurico
Dutra
Epitácio
essoa
Nilo
Peçanha
P Rodrigues
Juscelino
Kubitschek
Alves
e Silva
Costa
Café
Filho
Getúlio
Vargas
Washington
Afonso
s Vargas
Hermes
Getúlio
I
da Luí II Pena Fonseca Deodoro Campos
Sales
Ernesto
Geisel
da
Fonseca
Jânio
Quadros
Artur
Bernardes
Castello
Branco
João
Goulart
Prudente
de
Morais
Itamar
Franco
João
Figueiredo
Sarney
José Fernando Floriano
Venceslau
Brá s
Pei
xoto Lula
Henrique
Fernando
Collor

Fonte: Elaboração do autor. Nota: O IDP-médio é a média dos IDPs para 4 variáveis: variação da renda real (variação real anual do Produto Interno Bruto – PIB); investimento (variação real anual da formação bruta de capital fixo – FBKF); inflação (deflator implícito do PIB); e, fragilidade financeira (relação percentual entre a dívida pública interna federal e o PIB).

Em defesa do governo Lula pode-se argumentar que parte expressiva do seu fraco desempenho decorre da “herança negativa” do governo FHC derivada, principalmente, do desequilíbrio das finanças públicas. Portanto, cabe excluir do cálculo do IDP-médio (denominado IDP-5) o indicador de fragilidade financeira (relação percentual entre a dívida pública interna federal e o PIB). Neste caso, o IDP-5 do governo Lula é de 57,0 (15ª posição), que é a própria mediana e maior do que a média dos IDPs (56,0); enquanto o IDP-5 do governo FHC é 41,7 (25ª posição). Portanto, há diferença marcante de desempenho econômico entre estes 2 governos quando se exclui a questão do desequilíbrio das finanças públicas. E, em conseqüência, o governo FHC continua com fraco desempenho enquanto o desempenho do governo Lula é mediano.

Gráfico 4

IDP-médio, exclusive fragilidade financeira (IDP-5)

80,0 70,0 60,0 57,0 50,0 41,7 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 Deodoro da Epitácio Fonseca
80,0
70,0
60,0
57,0
50,0
41,7
40,0
30,0
20,0
10,0
0,0
Deodoro da Epitácio
Fonseca
Pessoa
Nilo
Peçanha
Café Kubitschek
Filho
Juscelino
Campo s da
Sa Fonseca
les Artur Bernardes
Hermes
Lula
Quadros
Jânio Castello
Branco
Floriano
Peixoto
Fernando
Henrique
Figue iredo Collor
João
Fernando

Fonte: Elaboração do autor. Nota: O IDP-médio é a média dos IDPs para 5 variáveis: variação da renda real (variação real anual do Produto Interno Bruto – PIB); hiato de crescimento (diferença relativa entre a variação real anual do PIB brasileiro e a variação real anual do PIB mundial); investimento (variação real anual da formação bruta de capital fixo – FBKF); inflação (deflator implícito do PIB); e, vulnerabilidade externa (relação percentual entre a dívida externa e as exportações de bens).

A simulação para o período 2003-10 gera o IDP de 48,4 para o governo Lula, que é um pouco maior do que o IDP de 47,8 para o período 2003-09, como mostra a Tabela 12. 18 Como resultado, o governo Lula supera o governo Itamar Franco (IDP =

18 Esta simulação supõe taxa de crescimento do PIB brasileiro de 5,52% em 2010, segundo estimativas do Bacen (boletim Focus de 1º de abril de 2010) e taxa de crescimento do PIB mundial de 4,2%, segundo estimativas do FMI. A estimativa da variação da FBKF em 2010 (4,7%) é a média da variação no período 2003-09. O dado de inflação para 2010 (5,18%) tem como fonte o boletim Focus do Banco Central do Brasil de 1º de abril de 2010 (mediana das previsões para o IPCA). Desde 2003 a variação do deflator do PIB tem sido superior à variação do IPCA; Por exemplo, em 2009 o deflator foi de 4,79% e a variação do IPCA foi de 4,31%. As estimativas para os indicadores de fragilidade financeira (42,7%) e de vulnerabilidade externa (115,2%) para 2010 são os dados de 2009. Os dados estão disponíveis em:

BACEN, http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20100401.pdf.; IPEA, http://www.ipeadata.gov.br/ipeaweb.dll/ipeadata; e FMI, http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2010/01/index.htm.

48,2) e passa da 23ª posição para a 22ª posição no ranking. 19 Ou seja, o governo Lula ocupa a 8ª pior posição no IDP final. A melhora marginal decorre, em grande medida, da estimativa de crescimento econômico para 2010. Entretanto, o fato a destacar é que o governo Lula tem IDP final inferior à média (58,6) e à mediana (61,1) para todos os governos do período republicano.

4. Conclusões Não resta dúvida que a “herança negativa” do governo FHC criou sérias restrições, enquanto a “herança positiva” deste último afrouxou restrições para o desempenho da economia brasileira. No âmbito da política, é natural que os aliados do governo Lula ressaltem a “herança negativa” para valorizar o desempenho deste governo. Por outro lado, os adversários tendem a destacar a “herança positiva” e a continuidade do modelo e das políticas, bem como a conjuntura internacional, com o intuito de minimizar o mérito específico do governo Lula. Entretanto, este tipo de dualidade no debate político negligencia questões fundamentais como, por exemplo: Por que a economia brasileira tem fraco desempenho tanto no governo FHC quanto no governo Lula? Naturalmente, a própria correlação de forças políticas, o peso dos setores dominantes e os interesses eleitorais impedem a análise e a discussão que mais se aproximam da realidade brasileira contemporânea. E esta realidade é uma só: fraco desempenho econômico. As discussões limitam o debate em termos de “beltranos” e “fulanas”. Porém, as soluções para os graves problemas do país exigem questionamentos sobre estratégias retrógradas de desenvolvimento, políticas econômicas e sociais que seguem a “linha de menor resistência”, a influência e os interesses dos setores dominantes, e os erros recorrentes de gestão. As conclusões da análise a respeito do primeiro mandato do governo Lula, apresentadas em GONÇALVES e FILGUEIRAS (2007), podem se estendidas, com modificações marginais, para o segundo mandato. No período de 8 anos o fraco desempenho do governo Lula é explicado, precisamente, pela combinação de estratégias retrógradas, políticas equivocadas, interesses dominantes e erros de gestão. Em todo o período 2003-09 a economia brasileira tem desempenho que fica muito aquém da sua experiência histórica. A análise aqui apresentada mostra que não é somente no primeiro

19 As simulações com dados para o período 2003-10 causam um número pequeno de alterações nos índices (no primeiro decimal) e nenhuma mudança significativa de ordem.

mandato que o governo Lula tem fraco desempenho. As simulações para 2003-10 não alteram este resultado. A análise também mostra que quando se considera a “herança negativa” de elevada fragilidade das contas públicas, verifica-se que o governo Lula tem desempenho mediano pelos padrões históricos do país. Por outro lado, a conjuntura internacional favorável influenciou significativamente o desempenho do governo Lula. De fato, ao se excluir os indicadores que expressam diretamente esta conjuntura, o desempenho do governo Lula só não é pior do que o do governo Collor. Portanto, a “herança negativa” do governo FHC prejudicou o desempenho da economia brasileira no governo Lula enquanto a conjuntura econômica internacional favoreceu este desempenho. A evidência mostra que estas influências são importantes. Como interpretação alternativa, aliados e membros do governo se defendem e argumentam que, em algum momento no final do primeiro mandato, os “liberais” em altos postos foram derrotados pelos “desenvolvimentistas” (BARBOSA e SOUZA, 2010). Assim, segundo esta interpretação, o governo Lula foi salvo pelos “desenvolvimentistas” no seu segundo mandato. Ocorre que, ainda segundo esta interpretação, o “impulso desenvolvimentista” é prejudicado pela crise global de meados de 2008. Trata-se de choque externo que compromete seriamente o desempenho econômico do país. Assim, no primeiro mandato os “liberais” teriam impedido o aproveitamento das oportunidades criadas pela conjuntura externa, enquanto que no segundo mandato a reversão da fase ascendente do ciclo internacional e a crise global teriam prejudicado a trajetória “desenvolvimentista”. A fragilidade analítica desta interpretação é evidente. Só para ilustrar, ela parte do pressuposto que estratégias, políticas e gestão dependem do acesso dos good guys aos “ouvidos do rei”. E a nomeação dos good guys desenvolvimentistas depende dos seus méritos pessoais, dos canais de acesso ao “rei” e da “roda da fortuna”. Ou seja, a economia política dos conflitos de interesses entre grupos e classes sociais é desprezada em favor da “fulanização” e dos méritos e deméritos de indivíduos que ocupam postos-chave na administração pública. Com esta linha analítica nada se avança em termos de entendimento da realidade e da capacidade de formulação de propostas. E, ao fim e ao cabo, o que resta é o fraco desempenho da economia brasileira.

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Tabela 1 Crescimento econômico (taxa de crescimento real do PIB)

 

PIB

IDP-

Variação %

 

PIB

1

Garrastazu Médici

11,9

Garrastazu Médici Deodoro da Fonseca Café Filho Jânio Quadros Juscelino Kubitschek Costa e Silva Eurico Dutra Epitácio Pessoa Ernesto Geisel Nilo Peçanha Getúlio Vargas II Washington Luís Itamar Franco Rodrigues Alves Getúlio Vargas I José Sarney Castello Branco Artur Bernardes Prudente de Morais João Goulart Hermes da Fonseca Lula Campos Sales João Figueiredo Afonso Pena Fernando Henrique Venceslau Brás Fernando Collor Floriano Peixoto

95,8

2

Deodoro da Fonseca

10,1

87,3

3

Café Filho

8,8

78,6

4

Jânio Quadros

8,6

77,3

5

Juscelino Kubitschek

8,1

74,2

6

Costa e Silva

7,8

72,3

7

Eurico Dutra

7,6

71,0

8

Epitácio Pessoa

7,4

69,6

9

Ernesto Geisel

6,7

64,9

10

Nilo Peçanha

6,4

63,5

11

Getúlio Vargas II

6,2

61,5

12

Washington Luís

5,2

56,0

13

Itamar Franco

5,0

53,9

14

Rodrigues Alves

4,7

51,9

15

Prudente de Morais

4,5

50,1

16

José Sarney

4,4

50,0

17

Getúlio Vargas I

4,3

48,5

18

Castello Branco

4,2

46,1

19

Artur Bernardes

3,7

45,1

20

João Goulart

3,6

44,8

21

Lula

3,5

44,8

22

Hermes da Fonseca

3,5

44,6

23

Campos Sales

3,1

39,0

24

Afonso Pena

2,5

38,7

25

João Figueiredo

2,4

38,6

26

Fernando Henrique

2,3

36,5

27

Venceslau Brás

2,1

35,5

28

Fernando Collor

-1,3

15,5

29

Floriano Peixoto

-7,5

12,1

Média

4,5

54,1

Mediana

4,6

50,1

Fonte: Elaboração do autor. Notas: O IDP é um índice que varia de zero (pior desempenho) a 100 (melhor desempenho). Para os indicadores a média (geométrica) e a mediana referem-se aos dados anuais (120 anos). Para o IDP a média e a mediana referem-se aos 29 governos.

Tabela 2 Hiato de crescimento (diferencial relativo entre as taxas reais de crescimento do PIB do Brasil e do mundo, %)

 

Hiato de

IDP-Hiato

crescimento %

 

1 Deodoro da Fonseca

7,9

Deodoro da Fonseca Epitácio Pessoa Garrastazu Médici Juscelino Kubitschek Washington Luís Jânio Quadros Eurico Dutra Costa e Silva Ernesto Geisel Café Filho Nilo Peçanha Hermes da Fonseca Itamar Franco Getúlio Vargas I Getúlio Vargas II Rodrigues Alves Afonso Pena José Sarney Prudente de Morais Campos Sales Lula João Figueiredo Venceslau Brás Artur Bernardes Fernando Henrique Castello Branco João Goulart Fernando Collor Floriano Peixoto

79,8

2 Epitácio Pessoa

6,4

71,2

3 Eurico Dutra

6,2

70,7

4 Garrastazu Médici

6,2

61,0

5 Juscelino Kubitschek

4,3

60,3

6 Washington Luís

4,1

59,3

7 Jânio Quadros

4,0

58,5

8 Costa e Silva

2,9

53,2

9 Ernesto Geisel

2,8

53,0

10 Café Filho

2,5

51,4

11 Nilo Peçanha

2,4

50,9

12 Hermes da Fonseca

2,3

50,0

13 Itamar Franco

2,2

49,7

14 Getúlio Vargas I

1,5

47,8

15 Getúlio Vargas II

1,4

45,5

16 Prudente de Morais

0,9

42,5

17 Rodrigues Alves

0,8

40,8

18 Afonso Pena

0,5

40,8

19 José Sarney

0,5

40,3

20 Campos Sales

0,0

38,6

21 Lula

-0,1

37,5

22 João Figueiredo

-0,4

36,3

23 Venceslau Brás

-0,6

35,5

24 Artur Bernardes

-0,9

33,5

25 Fernando Henrique

-1,1

32,2

26 Castello Branco

-1,3

31,0

27 João Goulart

-1,5

30,2

28 Fernando Collor

-3,4

20,1

29 Floriano Peixoto

-8,7

13,3

 

Média

1,3

46,0

Mediana

0,8

45,5

Fonte: Elaboração do autor. Notas: O diferencial é relativo, ou seja, hiato = [(1 + taxa Brasil) / (1 + taxa mundo) -1]*100. O IDP é um índice que varia de zero (pior desempenho) a 100 (melhor desempenho). Para os indicadores a média (geométrica) e a mediana referem-se aos dados anuais (120 anos). Para o IDP a média e a mediana referem-se aos 29 governos.

Tabela 3 Participação do PIB do Brasil no PIB mundial (percentual, PIB em termos reais, ano de referência = 1980)

 

PIB Brasil / PIB mundial (%)

1 Deodoro da Fonseca

0,69

2 Floriano Peixoto

0,57

3 Prudente de Morais

0,58

4 Campos Sales

0,55

5 Rodrigues Alves

0,56

6 Afonso Pena

0,58

7 Nilo Peçanha

0,60

8 Hermes da Fonseca

0,63

9 Venceslau Brás

0,63

10 Epitácio Pessoa

0,78

11 Artur Bernardes

0,80

12 Washington Luís

0,90

13 Getúlio Vargas I

1,12

14 Eurico Dutra

1,52

15 Getúlio Vargas II

1,57

16 Café Filho

1,70

17 Juscelino Kubitschek

1,90

18 Jânio Quadros

2,18

19 João Goulart

2,16

20 Castello Branco

2,03

21 Costa e Silva

2,13

22 Garrastazu Médici

2,57

23 Ernesto Geisel

3,14

24 João Figueiredo

3,31

25 José Sarney

3,32

26 Fernando Collor

2,98

27 Itamar Franco

3,03

28 Fernando Henrique

2,93

29 Lula

2,74

Fonte: Elaboração do autor.

Tabela 4 Investimento (variação percentual real da formação bruta de capital fixo)

 

FBKF, var.

IDP-

%

FBKF

1

Epitácio Pessoa

47,2

Rodrigues Alves Epitácio Pessoa Eurico Dutra Garrastazu Médici Nilo Peçanha Costa e Silva João Goulart Itamar Franco Juscelino Kubitschek Castello Branco Getúlio Vargas II Deodoro da Fonseca Artur Bernardes Afonso Pena Ernesto Geisel Getúlio Vargas I Hermes da Fonseca José Sarney Lula Washington Luís Fernando Henrique Campos Sales Prudente de Morais João Figueiredo Café Filho Fernando Collor Floriano Peixoto Jânio Quadros Venceslau Brás

88,3

2

Rodrigues Alves

26,5

83,5

3

Eurico Dutra

20,6

75,4

4

Garrastazu Médici

14,7

70,4

5

Nilo Peçanha

12,2

67,5

6

Costa e Silva

11,9

66,7

7

João Goulart

11,5

65,6

8

Itamar Franco

10,2

63,8

9

Juscelino Kubitschek

9,6

63,0

10

Castello Branco

8,5

61,7

11

Getúlio Vargas II

8,3

61,6

12

Deodoro da Fonseca

8,2

61,4

13

Artur Bernardes

8,1

61,0

14

Afonso Pena

6,7

59,1

15

Ernesto Geisel

6,6

58,5

16

José Sarney

4,8

58,2

17

Lula

4,7

58,0

18

Getúlio Vargas I

3,8

56,3

19

Fernando Henrique

1,0

55,9

20

Washington Luís

-0,8

51,0

21

Café Filho

-3,0

50,2

22

Campos Sales

-3,3

46,4

23

João Figueiredo

-3,5

46,4

24

Fernando Collor

-7,5

44,0

25

Prudente de Morais

-9,4

43,9

26

Hermes da Fonseca

-9,4

37,4

27

Floriano Peixoto

-10,7

32,7

28

Jânio Quadros

-14,2

27,3

29

Venceslau Brás

-24,8

21,0

Média

4,3

56,5

Mediana

8,3

58,5

Fonte: Elaboração do autor. Notas: O IDP é um índice que varia de zero (pior desempenho) a 100 (melhor desempenho). Para os indicadores a média (geométrica) e a mediana referem-se aos dados anuais (120 anos). Para o IDP a média e a mediana referem-se aos 29 governos.

Tabela 5 Inflação (deflator implícito do PIB, %)

 

Inflação

IDP-

%

Inflação

1 Itamar Franco

2123,0

Campos Sales Afonso Pena Washington Luís Hermes da Fonseca Nilo Peçanha Rodrigues Alves Getúlio Vargas I Epitácio Pessoa Floriano Peixoto Lula Prudente de Morais Artur Bernardes Eurico Dutra Fernando Henrique Café Filho Venceslau Brás Deodoro da Fonseca Getúlio Vargas II Juscelino Kubitschek Garrastazu Médici Costa e Silva Jânio Quadros Ernesto Geisel Castello Branco João Goulart João Figueiredo José Sarney Fernando Collor Itamar Franco

100,0

2 Fernando Collor

1061,2

95,7

3 José Sarney

386,3

90,5

4 João Figueiredo

109,1

89,2

5 João Goulart

63,7

88,6

6 Castello Branco

60,8

78,6

7 Ernesto Geisel

38,6

75,2

8 Jânio Quadros

34,6

71,6

9 Costa e Silva

24,4

70,6

10 Juscelino Kubitschek

21,5

69,3

11 Garrastazu Médici

21,2

69,2

12 Deodoro da Fonseca

17,4

66,2

13 Fernando Henrique

17,1

66,0

14 Getúlio Vargas II

17,0

62,4

15 Floriano Peixoto

14,1

62,1

16 Venceslau Brás

12,7

61,5

17 Café Filho

11,5

58,3

18 Prudente de Morais

10,9

56,9

19 Eurico Dutra

9,3

53,4

20 Artur Bernardes

8,8

52,9

21 Lula

7,6

50,5

22 Getúlio Vargas I

6,5

45,0

23 Epitácio Pessoa

4,6

43,4

24 Rodrigues Alves

4,2

36,8

25 Nilo Peçanha

1,2

35,7

26 Afonso Pena

-1,6

27,7

27 Washington Luís

-2,0

10,8

28 Hermes da Fonseca

-4,1

2,1

29 Campos Sales

-10,3

0,0

 

Média

37,4

58,3

Mediana

11,9

62,1

Fonte: Elaboração do autor. Notas: O IDP é um índice que varia de zero (pior desempenho) a 100 (melhor desempenho). Neste caso o IDP opera no sentido inverso da variável-básica, ou seja, quanto mais elevada a variável, menor o IDP. Para os indicadores a média (geométrica) e a mediana referem-se aos dados anuais (120 anos). Para o IDP a média e a mediana referem-se aos 29 governos.

Tabela 6 Fragilidade financeira (relação percentual dívida pública interna federal / PIB)

 

Fragilidade

IDP-

Financeira

Fragilidade

%

financeira

1 João Goulart

0,2

Jânio Quadros João Goulart Castello Branco Juscelino Kubitschek Café Filho Costa e Silva Getúlio Vargas II Garrastazu Médici Eurico Dutra Fernando Collor João Figueiredo Ernesto Geisel Itamar Franco Getúlio Vargas I Washington Luís José Sarney Artur Bernardes Afonso Pena Nilo Peçanha Epitácio Pessoa Hermes da Fonseca Campos Sales Prudente de Morais Venceslau Brás Rodrigues Alves Floriano Peixoto Deodoro da Fonseca Fernando Henrique Lula

100,0

2 Jânio Quadros

0,3

100,0

3 Castello Branco

0,3

99,8

4 Juscelino Kubitschek

0,7

99,2

5 Café Filho

1,4

97,6

6 Costa e Silva

1,7

96,9

7 Getúlio Vargas II

2,5

94,9

8 Garrastazu Médici

4,8

89,6

9 Eurico Dutra

5,0

88,9

10 Fernando Collor

5,5

87,1

11 João Figueiredo

6,0

86,6

12 Ernesto Geisel

6,4

85,6

13 Itamar Franco

9,0

79,6

14 Getúlio Vargas I

9,2

78,8

15 Washington Luís

9,9

77,3

16 José Sarney

10,7

75,2

17 Artur Bernardes

11,2

74,4

18 Epitácio Pessoa

11,6

73,3

19 Afonso Pena

11,6

73,2

20 Nilo Peçanha

11,7

73,1

21 Hermes da Fonseca

12,4

71,3

22 Campos Sales

13,0

69,8

23 Venceslau Brás

13,2

69,6

24 Prudente de Morais

13,2

69,4

25 Rodrigues Alves

13,8

68,0

26 Floriano Peixoto

15,4

64,1

27 Deodoro da Fonseca

23,3

45,2

28 Fernando Henrique

29,3

26,5

29 Lula

42,3

1,7

 

Média

11,6

76,4

Mediana

10,1

77,3

Fonte: Elaboração do autor. Notas: O IDP é um índice que varia de zero (pior desempenho) a 100 (melhor desempenho). Neste caso o IDP opera no sentido inverso da variável-básica, ou seja, quanto mais elevada a variável, menor o IDP. Para os indicadores a média (geométrica) e a mediana referem-se aos dados anuais (120 anos). Para o IDP a média e a mediana referem-se aos 29 governos.

Tabela 7 Vulnerabilidade externa (relação percentual dívida externa registrada / exportação de bens)

Vulnerabilidade

IDP-

 

externa

vulnerabilidade

%

externa

1 Eurico Dutra

53,0

Eurico Dutra Getúlio Vargas II Café Filho Floriano Peixoto Deodoro da Fonseca Lula Prudente de Morais Campos Sales Rodrigues Alves Nilo Peçanha Epitácio Pessoa Costa e Silva Afonso Pena Artur Bernardes Juscelino Kubitschek Garrastazu Médici Castello Branco Jânio Quadros Hermes da Fonseca João Goulart Ernesto Geisel Venceslau Brás Itamar Franco Washington Luís Fernando Collor João Figueiredo Getúlio Vargas I Fernando Henrique José Sarney

99,5

2 Getúlio Vargas II

56,1

97,4

3 Café Filho

98,0

89,2

4 Floriano Peixoto

103,4

87,8

5 Deodoro da Fonseca

114,9

85,0

6 Lula

138,2

77,5

7 Prudente de Morais

144,9

77,3

8 Campos Sales

152,0

75,6

9 Rodrigues Alves

175,5

69,8

10 Epitácio Pessoa

183,2

66,0

11 Nilo Peçanha

190,6

65,8

12 Costa e Silva

196,5

64,5

13 Afonso Pena

197,5

63,7

14 Artur Bernardes

208,8

61,2

15 Juscelino Kubitschek

211,4

60,3

16 Garrastazu Médici

215,1

59,8

17 Castello Branco

219,7

58,7

18 Jânio Quadros

224,1

57,7

19 Hermes da Fonseca

228,9

55,0

20 João Goulart

255,3

49,7

21 Ernesto Geisel

262,6

47,4

22 Venceslau Brás

271,6

45,6

23 Itamar Franco

285,4

42,3

24 Washington Luís

295,0

38,9

25 Fernando Collor

303,6

37,7

26 João Figueiredo

317,2

33,9

27 Getúlio Vargas I

327,4

29,4

28 Fernando Henrique

342,3

27,3

29 José Sarney

362,0

22,1

 

Média

216,3

60,2

Mediana

226,1

60,3

Fonte: Elaboração do autor. Notas: O IDP é um índice que varia de zero (pior desempenho) a 100 (melhor desempenho). Neste caso o IDP opera no sentido inverso da variável-básica, ou seja, quanto mais elevada a variável, menor o IDP. Para os indicadores a média (geométrica) e a mediana referem-se aos dados anuais (120 anos). Para o IDP a média e a mediana referem-se aos 29 governos.

Tabela 8 Índice de Desempenho Presidencial (média final)

 

IDP-Síntese

1

Eurico Dutra

76,5

2

Garrastazu Médici

73,2

3

Epitácio Pessoa

72,5

4

Café Filho

70,5

5

Getúlio Vargas II

69,6

6

Deodoro da Fonseca

69,5

7

Juscelino Kubitschek

68,5

8

Nilo Peçanha

68,3

9

Costa e Silva

67,4

10

Rodrigues Alves

66,5

11

Washington Luís Afonso Pena Campos Sales Hermes da Fonseca Jânio Quadros Ernesto Geisel Prudente de Morais Artur Bernardes Getúlio Vargas I Castello Branco João Goulart Itamar Franco Lula

62,3

12

61,9

13

61,6

14

61,4

15

61,1

16

58,8

17

58,0

18

57,0

19

56,6

20

56,1

21

54,4

22

48,2

23

47,8

24

Floriano Peixoto

46,8

25

Venceslau Brás

44,8

26

João Figueiredo

44,5

27

José Sarney

42,5

28

Fernando Henrique

39,2

29

Fernando Collor

33,3

Média

58,6

Mediana

61,1

Fonte: Elaboração do autor. Notas: O IDP é um índice que varia de zero (pior desempenho) a 100 (melhor desempenho). Para os indicadores a média (geométrica) e a mediana referem-se aos dados anuais (120 anos). Para o IDP a média e a mediana referem-se aos 29 governos.

Tabela 9 Indicadores de desempenho: Brasil (1889-2009) e Governo Lula (2003-09)

Variável

Brasil

Governo Lula

 

Média

Mediana

Média

Ordem

Crescimento econômico

4,5

4,6

3,5

21

Hiato de crescimento

1,3

0,8

-0,1

21

Investimento

4,3

8,3

4,7

17

Inflação

37,4

11,9

7,6

21

Fragilidade financeira

11,6

10,1

42,3

1

Vulnerabilidade externa

216,3

226,1

138,2

24

Fonte: Elaboração do autor. Notas: A ordem é decrescente e a referência são os 29 governos. Para as variáveis com “sinal positivo” (crescimento econômico, hiato e investimento) quanto mais a ordem estiver próxima da unidade melhor é o desempenho. No caso das variáveis com “sinal negativo” (inflação, fragilidade financeira e vulnerabilidade externa) quanto mais a ordem estiver próxima da unidade pior é o desempenho.

Tabela 10 Índice de Desempenho Presidencial: Brasil (1889-2009) e Governo Lula (2003-09)

Variável

Brasil

Governo Lula

 

Média

Mediana

IDP

Ordem

Crescimento econômico

54,1

50,1

44,6

22

Hiato de crescimento

46,0

45,5

37,5

21

Investimento

56,5

58,5

55,9

19

Inflação

58,3

62,1

69,3

10

Fragilidade financeira

76,4

77,3

1,7

29

Vulnerabilidade externa

60,2

60,3

77,5

6

Índice-final

58,6

61,1

47,8

23

Fonte: Elaboração do autor. Notas: Para o IDP a média e a mediana referem-se aos 29 governos. A ordem é decrescente e a referência são os 29 governos. Quanto mais próximo o IDP estiver da unidade melhor é o desempenho.

Tabela 11 Governo Lula versus governo FHC: Desempenho comparativo

Indicador

Indicador - taxa

IDP - índice

IDP - Posição

 

FHC

Lula

FHC

Lula

FHC

Lula

Crescimento econômico Hiato de crescimento Investimento Inflação Fragilidade financeira Vulnerabilidade externa

2,3

3,5

36,5

44,6

26

22

-1,1

-0,1

32,2

37,5

25

21

1,0

4,7

50,2

55,9

21

19

17,1

7,6

62,4

69,3

14

10

29,3

42,3

26,5

1,7

28

29

342,3

138,2

27,3

77,5

28

6

IDP-Síntese

-

-

39,2

47,8

28

23

Fontes: Elaboração do autor. FMI, World Economic Outlook, databases. Acesso: 20 março 2010. Disponível: http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2009/02/weodata/index.aspx. Notas: Indicadores: média anual. O IDP para todos os governos tem média e mediana de 58,6 e 61,1, respectivamente. Governo Lula: período 2003-09.

Tabela 12 Governo Lula: 2003-09 e simulação para 2003-10

   

2003-09

2003-10

 

Indicador

Ordem

IDP

Indicador

Ordem

IDP

Crescimento econômico Hiato de crescimento Investimento Inflação Fragilidade financeira Vulnerabilidade externa

3,5

21

44,6

3,8

19

46,2

-0,1

21

37,5

0,1

20

38,4

4,7

17

55,9

4,7

17

55,9

7,6

21

69,3

7,3

21

70,0

42,3

1

1,7

42,4

1

1,7

138,2

24

77,5

135,2

24

78,4

IDP-Síntese

23

47,8

22

48,4

Fonte: Elaboração do autor. Notas: Indicadores são em percentagem. Os dados para 2003-10 baseiam-se em estimativas para 2010. A ordem é decrescente e a referência são os 29 governos. A ordem geral é a do IDP-síntese.

ANEXO I

1. Fontes dos dados

Variação real do PIB do Brasil, %

1890

– 1900: GOLDSMITH (1986), tab. III.1, p. 82.

1901

– 2009: Ipea (www.ipeadata.gov.br).

Hiato de crescimento, % Indicador: diferencial relativo entre a variação real do PIB do Brasil e a variação real do PIB mundial Fontes:

Variação real do PIB mundial

1890

– 1969: média para 16 países desenvolvidos. MADDISON (1991), Tabela 4.7.

1970

– 2009: FMI, World Economic Outlook, Database (www.imf.org).

Variação real do PIB do Brasil: ver acima. Inflação, % Indicador: Deflator implícito do PIB, % Fonte: www.ipeadata.gov.br Formação bruta de capital fixo (FBKF), % 1890-1901: Elaboração do autor com base nos indicadores de importação de equipamentos (SUZIGAN, 2000, pp. 376-378) e de FBKF do governo federal (VILLELA e SUZIGAN, 1973, p. 403). 1902-1908: IBGE, Estatísticas Século XX, www.ibge.gov.br 1909-2009: www.ipeadata.gov.br Fragilidade financeira do Estado, % Relação % entre a dívida pública interna federal e o PIB Fontes:

1890-1908: GOLDSMITH, 1986, p. 82-83 e p. 122-123. 1909-1947: ABREU et al, 1990, anexo estatístico, coluna 36. 1947-1993: ANDIMA, 1994, p. 153-154. 1994-2009: BACEN, Boletim Mensal e Notas econômico-financeiras para a Imprensa, Histórico, Política fiscal. www.bacen.gov.br PIB: www.ipeadata.gov.br Vulnerabilidade externa, % Relação % entre a dívida externa registrada e as exportações de bens

Dívida externa registrada no ano t: média geométrica da dívida em t-1 e t. Fontes:

Para 2009: dados de setembro, Bacen, Notas econômico-financeiras para a Imprensa, Tabela 55. Disponível: www.bacen.gov.br. Acesso: 20 março 2010. Exportações de bens: www.ipeadata.gov.br.

2. Períodos de mandato

 

Presidente

Mandato

1 Manuel Deodoro da Fonseca

11/1889 a 11/1891 11/1891 a 11/1894 11/1894 a 11/1898 11/1898 a 11/1902 11/1902 a 11/1906 11/1906 a 6/1909 6/1909 a 11/1910 11/1910 a 11/1914 11/1914 a 11/1918 7/1919 a 11/1922 11/1922 a 11/1926 11/1926 a 10/1930 11/1930 a 10/1945 1/1946 a 1/1951 1/1951 a 8/1954 8/1954 a 11/1955 1/1956 a 1/1961 1/1961 a 8/1961 9/1961 a 4/1964 4/1964 a 3/1967 3/1967 a 8/1969 10/1969 a 3/1974 3/1974 a 3/1979 3/1979 a 3/1985 3/1985 a 3/1990 3/1990 a 9/1992 10/1992 a 12/1994 1/1995 a 12/1998 1/1999 a 12/2002 1/2003 a 12/2010

2 Floriano Vieira Peixoto

3 Prudente José de Morais e Barros

4 Manuel Ferraz de Campos Sales

5 Francisco de Paula Rodrigues Alves

6 Afonso Augusto Moreira Pena

7 Nilo Procópio Peçanha

8 Hermes Rodrigues da Fonseca

9 Venceslau Brás Pereira Gomes

10 Epitácio da Silva Pessoa

11 Artur da Silva Bernardes

12 Washington Luís Pereira de Souza

13 Getúlio Dornelles Vargas

14 Eurico Gaspar Dutra

15 Getúlio Dornelles Vargas

16 João Café Filho

17 Juscelino Kubitschek de Oliveira

18 Jânio da Silva Quadros

19 João Belchior Goulart

20 Humberto de Alencar Castello Branco

21 Arthur da Costa e Silva

22 Emílio Garrastazu Médici

23 Ernesto Geisel

24 João Baptista de Oliveira Figueiredo

25 José Sarney

26 Fernando Collor de Mello

27 Itamar Cautiero Franco

28 Fernando Henrique Cardoso

29 Fernando Henrique Cardoso

30 Luis Inácio Lula da Silva

Fonte: Elaboração própria.

3. Dados anuais e período de governo

Os dados disponíveis para as variáveis são anuais. As médias para a variação do PIB são geométricas. Os governos, de modo geral, iniciam-se em primeiro trimestre e terminam no último trimestre. No entanto, há algumas exceções. A morte de Afonso Pena em junho de 1909 fez com que o vice-presidente Nilo Peçanha assumisse o cargo. Os mandatos foram os seguintes: Afonso Pena, de 11/1906

a 6/1909; e Nilo Peçanha, de 6/1909 a 11/1910. Para fins de nossa análise estatística, consideramos para Afonso Pena o período 1907-09 e para Nilo Peçanha consideramos o período 1909-10.

O segundo caso é o de Epitácio Pessoa, que iniciou seu mandato em julho de

1919 e concluiu em novembro de 1922. Consideramos para Epitácio Pessoa todo o

período 1919-22.

O terceiro caso envolveu o suicídio de Getúlio Vargas e a posse de Café Filho

em agosto de 1954. Na nossa análise estatística com dados anuais, consideramos para Getúlio Vargas no seu segundo mandato o período 1951-54. Portanto, os dados para a presidência Café Filho restringem-se ao ano de 1955.

O último caso refere-se à renúncia de Jânio Quadros em agosto de 1961.

Consideramos para Jânio Quadros o ano de 1961. Quanto a João Goulart, os dados referem-se ao período 1962-63 tendo em vista o golpe militar de março de 1964.

As presidências com períodos inferiores a três meses são excluídas: José Linhares (de 29/10/1945 a 31/1/1946); Nereu de Oliveira Ramos (de 11/11/1955 a 31/1/1956); e Pascoal Ranieri Mazzilli (de 1/4/1964 a 15/4/1964).

A análise abrange, então, o conjunto de 28 presidentes e 29 governos. No caso

de Getúlio Vargas decidiu-se separar os dois períodos de governo tendo em vista as diferenças marcantes no contexto interno e externo. Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio Lula da Silva tiveram dois mandatos, mas para cada um deles foi considerado um único período de governo.

4. Metodologia: IDP

O Índice de Desempenho Presidencial (IDP) foi usado, primeiramente, em

GONÇALVES (2003) e, posteriormente, em FILGUEIRAS e GONÇALVES (2007). O IDP é a média simples de seis índices (variáveis reduzidas) que expressam o desempenho de variáveis ou indicadores macroeconômicos: crescimento, hiato de crescimento, investimento, inflação, fragilidade financeira e vulnerabilidade externa.

O índice de crescimento refere-se ao crescimento real do Produto Interno Bruto

brasileiro.

O índice de hiato de crescimento é a diferença entre a taxa de crescimento real

do PIB brasileiro e a taxa de crescimento real do PIB mundial. Visto que desenvolvimento é um conceito relativo, o hiato de crescimento expressa o

encurtamento da distância entre a economia brasileira e a economia mundial, isto é, a velocidade com que o Brasil se torna mais desenvolvido.

O índice de investimento refere-se à taxa de crescimento real da formação bruta

de capital fixo (FBCF). Os índices de desempenho do crescimento econômico, hiato e investimento são calculados com base na seguinte fórmula:

Índice = [(X – X mínimo)/(X máximo – X mínimo)] x 100

Sendo X o valor da variável para cada ano, X máximo o maior valor da variável e X o menor valor da variável. Para evitar o efeito dos outliers (valores extraordinariamente altos ou baixos), a seleção dos valores máximos e mínimos baseia-se na exclusão dos 5 maiores e dos 5 menores valores. Portanto, quando as séries temporais são ordenadas em ordem crescente, o valor mínimo é o 6º valor da série e o valor máximo é o 115º valor, tendo em vista que as séries temporais para o período 1890-2009 têm 120 observações. Por exemplo, no caso do índice de crescimento econômico do presidente Lula em 2009 o cálculo é o seguinte:

Índice (Lula 2009 ) = {[-0,20 - (-3,3)]/[12,1-(-3,3)]} x 100

Índice (Lula 2009 ) = (3,10/15,4) x 100 = 20,1

A taxa média anual de crescimento real do PIB em 2009 é de -0,20% (segundo

dados do IBGE de março de 2010); o valor máximo usado para a taxa de crescimento do PIB brasileiro (12,1%) é o sexto maior da série e ocorreu em 1936; e, o valor mínimo usado (-3,3%) é o sexto menor da série e ocorreu em 1931.

O IDP do governo Lula correspondente ao crescimento econômico é a média

simples dos índices anuais no período do seu mandato (2003-06). Valores crescentes dos índices de crescimento, hiato e investimento significam um desempenho superior. O mesmo acontece com os índices para controle da inflação, da fragilidade financeira do Estado e da vulnerabilidade externa. Os índices de controle da inflação, da

fragilidade financeira e da vulnerabilidade externa são calculados com a seguinte fórmula:

Índice = [(X máximo – X)/(X máximo – X mínimo)] x 100

Assim, quanto menores são as variáveis (taxa de inflação, dívida interna/PIB, dívida externa/exportação), maior o índice. E, quanto maior for o índice, melhor é o

desempenho presidencial no que se refere ao controle da inflação, das contas públicas e das contas externas.

O índice de controle da inflação é calculado com base na hipótese de “retornos

decrescentes”. Na medida em que aumenta a taxa de inflação, há tendência de se criar mecanismos de proteção. Mecanismos de correção monetária ou indexação tendem a acelerar com o avanço do processo inflacionário. Isso quer dizer que inflação de 100% ao ano não significa desconforto para a sociedade equivalente a 10 vezes o desconforto provocado por inflação de 10%. O mesmo ocorre com inflação de 1000%, que não tende a provocar desconforto equivalente a dez vezes o desconforto correspondente à inflação de 100%. Para capturar esse fenômeno utilizou-se o logaritmo natural da taxa

de inflação (deflator implícito do PIB). No caso de deflação, o valor usado nos cálculos foi zero. O índice de controle da fragilidade financeira do Estado (União) reflete a situação das finanças públicas. O indicador usado é a relação entre a dívida pública interna federal e o PIB. Essa relação expressa o nível de endividamento do governo federal. O pressuposto central é que crescentes níveis de endividamento implicam desempenho cada vez mais negativo das contas públicas e, portanto, tendem a se tornar restrição crescente ao crescimento econômico tanto no curto como no longo prazo.

O índice de controle da vulnerabilidade externa é medido pela relação entre a

dívida externa registrada e a exportação de bens (fob). O pressuposto é o mesmo:

crescente endividamento externo tende a se tornar uma restrição cada vez maior ao crescimento econômico em decorrência de uma série de fatores: comprometimento do uso das divisas estrangeiras; pressão sobre as políticas monetária, fiscal, cambial; e, expectativas negativas dos investidores internacionais.

ANEXO II

PIB Brasil,

Hiato,

 

variação real

variação real

FBKF var.%

Fragilidade

Vulnerabilida

%

%

real anual

Inflação %

financeira %

de externa %

1890 11,7

9,1

19,5

7,7

25,2

117,2

1891 8,6

6,7

-2,1

28,0

21,6

112,7

1892 -11,2

-14,1

-17,4

43,3

16,8

97,8

1893 -12,8

-11,8

-6,6

6,8

15,3

104,6

1894 2,3

0,4

-7,7

-3,0

14,2

108,0

1895 21,5

15,7

11,1

-5,3

13,1

122,2

1896 -7,2

-8,1

-13,4

27,8

12,7

141,9

1897 0,8

-2,8

-45,8

18,7

13,3

156,3

1898 5,0

0,1

29,4

5,5

13,5

161,1

1899 0,4

-4,4

-4,6

-1,9

13,0

164,5

1900 -1,2

-3,5

-21,4

-13,3

12,1

133,2

1901 14,36

9,8

-14,2

-17,8

12,6

147,4

1902 -0,48

-1,3

35,6

-7,7

14,6

164,2

1903 1,94

-1,6

12,0

1,9

14,6

185,1

1904 1,43

0,9

34,7

6,0

13,8

177,3

1905 3,29

-1,2

27,8

-10,4

13,6

174,9

1906 12,73

5,4

32,8

21,9

13,3

165,1

1907 0,81

-2,2

20,8

-5,2

11,9

168,4

1908 -3,20

0,4

-1,1

2,3

11,2

252,5

1909 10,33

3,5

1,7

-1,8

11,6

178,5

1910 2,62

1,4

23,9

4,3

11,7

203,3

1911 5,84

1,9

14,9

2,2

11,6

197,9

1912 6,90

2,7

27,7

7,4

11,5

176,3

1913 2,90

-0,4

15,7

-11,1

12,2

220,2

1914 -1,25

4,9

-60,3

-13,3

14,4

344,0

1915 0,32

-2,7

-45,8

13,3

15,1

299,8

1916 0,95

-7,1

15,1

20,9

13,6

286,0

1917 9,40

12,1

-23,7

8,8

12,3

251,7

1918 -2,01

-3,6

-32,6

8,3

11,9

251,1

1919 7,89

9,4

175,5

8,7

11,1

116,3

1920 12,47

12,5

15,5

19,0

10,2

134,8

1921 1,90

2,9

10,1

-15,3

11,7

290,5

1922 7,80

1,0

34,0

9,1

13,7

224,2

1923 8,60

2,2

-21,5

30,1

12,3

249,3

1924 1,40

-3,3

44,3

11,0

11,1

189,9

1925 0,00

-3,7

20,0

18,4

10,6

177,8

1926 5,20

1,5

0,4

-18,1

10,7

223,2

1927 10,80

8,1

11,3

-2,2

11,0

264,0

1928 11,50

8,0

8,3

11,5

9,5

261,8

1929 1,10

-3,1

19,9

-3,6

8,8

266,2

1930 -2,10

3,8

-33,0

-12,4

10,4

405,0

1931 -3,30

3,3

-46,1

-10,9

10,9

505,6

1932 4,30

11,7

10,1

1,6

9,5

524,3

1933 8,90

7,3

23,7

-2,0

9,0

518,4

1934 9,20

3,9

29,2

6,3

9,4

454,5

1935 3,00

-2,5

13,8

4,8

10,2

470,8

1936 12,10

3,2

10,4

1,6

9,9

391,7

1937 4,60

-0,8

18,5

9,4

9,2

346,0

1938 4,50

4,6

8,6

3,2

9,0

403,3

1939 2,50

-4,3

0,0

2,0

10,0

361,0

1940 -1,00

-4,1

-9,4

6,7

11,6

356,7

1941 4,90

-3,3

4,2

10,2

11,4

260,6

1942 -2,70

-10,8

-6,4

16,2

9,2

233,1