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Criticada promiscuidade entre política e negócios
João Girão

Bernardino Soares enumerou uma lista de casos de promiscuidade

Ana Paula Correia É"escandalosa a promiscuidade entre o poder político e o poder económico". Foi assim, sem "paninhos quentes" nas palavras que comunistas e bloquistas levaram, ontem, ao plenário da Assembleia da República a polémica transferência de políticos para empresas, muitas vezes, de áreas que tutelaram enquanto governantes. O exemplo mais recente é o do socialista Jorge Coelho, que foi ministro das Obras Públicas e passou para construtora Mota Engil. Mas nem Bernardino Soares, do PCP, nem Helena Pinto, do BE, deixaram que o caso de Coelho ficasse isolado e denunciaram os interesses do "bloco central". Foi desfiado um extenso rol de ministros e secretários de Estado que saíram do Governo e passaram para empresas, que de directa ou indirectamente tutelaram. "Esta situação de promiscuidade mina os alicerces do Estado democrático", declarou o líder parlamentar comunista, depois de denunciar a existência de uma "espécie de Tratado de Tortesilhas entre o PS e o PSD, com umas abertas para o CDS". Para Helena Pinto, "é um imperativo democrático o fim da promiscuidade entre política e negócios". Com bancada do CDS-PP em silêncio, os socialistas tentaram transformar o tema num "ataque pessoal" a Jorge Coelho. "Isto não é um tribunal popular. No passado de Jorge Coelho não há qualquer mácula", afirmou deputado José Junqueiro, do PS, ao reagir à intervenção de Helena Pinto. Pelo PSD, falou Patinha Antão, que ignorou a referência a Ferreira do Amaral, ministro social-democrata, acusado de ter ido para a Lusoponte, depois de ter negociado o contrato entre o Estado e essa empresa. O parlamentar social-democrata limitou-se a criticar as parcerias público-privadas.

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Apesar de ter anunciado os princípios gerais de um projecto de lei para reforçar as incompatibilidades no exercício de cargos políticos, a bancada do PSD não reagiu ao desafio do PCP e do BE, que lembraram já terem apresentado diplomas sobre o assunto. O agendamento dos projectos, que já deram entrada na comissão parlamentar de Ética, só deverá ser possível para depois de Maio, uma vez que até lá, o calendário parlamentar já está preenchido. No entanto, já se sabe que a maioria socialista não manifesta abertura para alterar a actual lei.

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