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EIXO TEMÁTICO:

ESPORTE

Tema:

Handebol, basquete, voleibol, futsal, e peteca.

Tópico 3:

Regras

 

Analisar regras dos diferentes esportes. Alterar regras de acordo com o interesse do grupo, espaços e materiais.

Habilidades:

 

Sugerimos que o professor retome o tópico nº 6 do Ensino Fundamental, cujo tema é “Regras: significados”. Lá destacamos que é importante conhecer as regras oficiais e as implicações da sua aplicação no esporte educativo. Construir regras no coletivo segue uma orientação no sentido ético: as regras adotadas pelos professores e alunos dão direitos e deveres a todos?

É esperado que o aluno do Ensino Médio tenha vivenciado, pelo menos em algum período de sua vida, algum tipo de

esporte. Entretanto, não será surpresa encontrar alguns que, apesar de já terem visto e praticado esporte na escola, pouco conhecem sobre suas regras. Dessa forma, antes de alterar ou construir novas regras, é importante que o professor faça um levantamento do nível de conhecimento dos alunos sobre esse tema. Esse diagnóstico é possível observando-os em um jogo realizado com esse objetivo, em conversas individuais ou mesmo em uma avaliação escrita em que o aluno, partindo de situações de jogo, tenha oportunidade de demonstrar seus conhecimentos.

Uma regra existe ou pode ser alterada para atender a vários interesses. Segundo Paes (2000), no esporte de alto rendimento, dentre esses interesses, estão os da televisão, que impõem algumas referências, como a visualização. Um exemplo é a utilização do quimono azul no judô, o uso de colante no voleibol feminino, a obrigatoriedade de três uniformes diferentes no futebol. O objetivo é buscar melhor qualidade no visual do espetáculo esportivo e proporcionar ao telespectador maior prazer.

A promoção da incerteza, para estimular o espectador, é outra razão. Um exemplo é o basquetebol, que reduziu o

tempo de posse de bola de 30” para 24”, o tempo de passagem da quadra defensiva para ofensiva de 10” para 08” e

o número de faltas coletivas. A tendência é tornar o jogo mais imprevisível e incerto quanto ao resultado final.

A redução do tempo de jogo tem sido outro grande motivo para a alteração das regras esportivas. Esse foi o caso

dos pontos corridos do voleibol. Anteriormente o jogo chegava a 180 minutos e, atualmente, gira em torno de 92 minutos nos jogos masculinos e 84 minutos nos jogos femininos. Se o esporte de alto rendimento faz essas modificações para atender aos interesses econômicos, da televisão, e muitos outros, por que não alterar também as regras do esporte escolar para atender aos interesses dos alunos?

Partimos do princípio de que as regras do esporte escolar são códigos construídos para atender aos objetivos daqueles que jogam e de que existem para viabilizar o jogo, considerando os limites e as possibilidades dos

jogadores, nas condições de tempo, espaço e número de jogadores. A regra deve estar a serviço daqueles que jogam e não o contrário. Se determinada regra, ao invés de favorecer o jogo, estiver inviabilizando-o, ela deve ser revista. Alguns exemplos: em um jogo em que o nível técnico dos jogadores é ainda muito elementar, a “carregada” da bola deve ser permitida. O que é carregar a bola para alguém que começou a aprender o passe? E o saque que só passa se for do meio da quadra? Se o jogo parar toda vez que esse aluno tocar na bola, o jogo não flui . Da mesma forma, o que significa o momento de ir para o saque, se temos a certeza de que a bola não irá cruzar a rede,

a não ser que seja permitido completar o saque? Nesse caso específico, permitir dar alguns passos à frente poderá ser uma regra combinada previamente.

Essas alterações serão provisórias, até que esses alunos adquiram as habilidades necessárias para jogar seguindo as regras tradicionais. Certas dificuldades podem advir da pouca experimentação do aluno com a bola. Para isso o professor deve dispensar-lhe um tempo maior, procurando ajudá-lo a qualificar seu movimento. Em turmas bem heterogêneas, isso pode acontecer naqueles momentos em que alguns aguardam o momento de jogar. O grupo pode se organizar de forma a ajudar o colega a qualificar o seu próprio movimento.

Todas essas modificações não significam que as regras oficiais não devam ser ensinadas ou que os alunos não

precisam conhecê-las. Devemos, sim, conhecê-las ou para alterá-las, se necessário, ou para podermos acompanhar

e entender um jogo de alto rendimento. Ao adotar essa prática, temos como princípio que uma regra estabelecida

para as competições oficiais não possui o mesmo sentido e significado no ambiente escolar. Possibilitar essas

alterações é conceber a aula como processo de interação social, no qual professores e alunos definem suas situações de ação e, com isso, determinam também os seus significados.

Uma estratégia metodológica é propor uma partida em que o professor, no papel de árbitro, irá aplicar todas as regras oficiais com rigor. Um aluno, desde que conheça bem as regras, pode fazer esse papel. Outro aluno estará de fora contando quantas vezes o jogo foi interrompido pelo “juiz”. O restante do grupo que estiver de fora será dividido em sub-grupos e estará acompanhando um dos times, procurando anotar os motivos que levaram à interrupção do jogo: andou com a bola, ficou no garrafão, rodou errado, carregou a bola, voltou a bola para o goleiro, etc Encerrado o tempo regulamentar, o professor e os alunos analisam os resultados. Perguntam-se:

as regras facilitam ou dificultam o jogar?

quais as ações possíveis de serem tomadas diante das dificuldades do grupo com relação ao cumprimento das regras?

que regra foi mais transgredida pelos alunos? Por quê?

Eles podem optar por fazer pequenas alterações ou alguns acordos.

Podemos avaliar esse tópico:

problematizando situações que ocorrem durante as aulas

observando o envolvimento e a participação dos alunos durante a atividade do “jogo oficial”

nas discussões e propostas dos alunos

Sugestões complementares

HILDEBRANDT-STRAMANN, Reiner. Textos pedagógicos sobre o ensino da educação física. 2.ed. Ijuí: Unijuí, 2003.

DAOLIO, Jocimar. Cultura: educação física e futebol. Campinas: Editora da UNICAMP, 1997.

KUNZ, Elenor. Transformação Didático-Pedagógica do Esporte. Ijuí: Unijuí, 1994.

REVISTA BRASILEIRA DE CIÊNCIAS DO ESPORTE. Educação Física Adaptada. Campinas: v.25, mai. 2004.

PAES, Roberto Rodrigues. Esporte competitivo e Espetáculo Esportivo. In.: MOREIRA, Wagner Wey e SIMÕES, Regina (org). Fenômeno Esportivo no início de um novo milênio. Piracicaba: Unimep, 2000. p.33-39.

Orientação Pedagógica: Regras Currículo Básico Comum - Educação Física Ensino Médio Autor(a): Aleluia Heringer Lisboa Teixeira Centro de Referência Virtual do Professor - SEE-MG/2005