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Quando nós brasileiros ouvimos a palavra comportamento pensamos

imediatamente no conjunto de reações de um indivíduo em face do meio social. Em


português esta palavra tem tradicionalmente um sentido mais restrito do que em
inglês. Nessa língua a palavra comportamento se refere tanto a ações de um indivíduo
quanto a sentimentos, pensamentos e falas.

A palavra análise talvez não guarde muitos segredos para a maioria das pessoas
que a ouçam e seu significado em português não difere do significado inglês. Análise,
de acordo com o Aurélio, é a decomposição de um todo em suas partes constituintes
ou o exame de cada parte de um todo, para conhecer a sua natureza, ou ainda a
determinação dos elementos que se organizam em uma totalidade, dada ou a
construir, material ou ideal.

Todo dia realizamos vários tipos de análises: clínicas, quando cedemos uma parte
de nosso sangue para ser avaliado em um laboratório médico; morfológicas, quando
determinamos o processo de formação das palavras mediante a classificação dos
seus elementos mórficos para conhecermos como elas surgem; sintáticas, quando os
professores de português dividem um período em orações para classificá-las em seus
elementos constituintes; léxicas, quando determinamos a classe gramatical de uma
palavra e combinatórias, quando examinamos o número de disposições possíveis dos
membros de uma conjunto em seus subconjuntos, por exemplo, quando a FIFA sorteia
os subgrupos das seleções que irão competir na Copa do Mundo.

E a análise do comportamento, quando realizamos? Alguns poderiam dizer que


sempre estamos analisando o comportamento das pessoas: dos nossos colegas de
turma, da nossa família, de nossa namorada e do ator do filme. De certa forma uma
análise é feita, mas assim como na Gramática existe vários tipos de análises
(morfológica, léxica e sintática) também podemos dizer que vários tipos de análises do
comportamento podem ser feitas. Depende da área do conhecimento que utilizamos
como base para realizar esta análise.

Uma das áreas do conhecimento utilizadas para se analisar o comportamento é


chamada Análise do Comportamento. A Análise do Comportamento é uma ciência
natural que estuda o comportamento de organismo vivos e íntegros.[1]

O conceito utilizado para definir comportamento no nome Análise do


Comportamento é o conceito inglês, isso por que Análise do Comportamento é a
tradução de Behavior Analysis, um nome norte-americano. Assim para a Análise do
Comportamento a palavra comportamento se refere tanto a ações de um indivíduo
quanto a sentimentos, pensamentos e falas.

A compreensão de cada palavra que compõe o conceito de Análise do


Comportamento é essencial para entendermos essa consideração.

A Análise do Comportamento se divide em três partes: o seu braço teórico,


filosófico, histórico, seria chamado de Behaviorismo Radical. O braço empírico seria
classificado como Análise Experimental do Comportamento. O braço ligado à criação e
administração de recursos de intervenção social seria chamado de Análise Aplicada
do Comportamento.[2]

Uma ciência é um conjunto de declarações verbais sobre o mundo sob o controle


de contingências bem discriminadas, que constituem assim um método, uma forma
específica de falar sobre o mundo. Uma ciência natural é um discurso sobre o mundo
que descreve relações entre eventos naturais. Um evento natural é um fenômeno que
tem dimensões temporais e/ou espaciais discerníveis pelos órgãos sensoriais de um
ser humano comum; distingue-se de eventos supranaturais ou imateriais, que não
manifestam essas dimensões (...) a característica básica necessária e suficiente para
uma ciência natural é que as relações que ela declara ocorram entre eventos naturais
e que essa declaração inclua a descrição dos meios também necessariamente
naturais através dos quais essas relações possam ser estabelecidas.[3] STARLING,
Roosevelt Riston. Breves considerações sobre Ciência, teoria e fenômenos: falamos
porque é verdade, é verdade porque falamos ou simplesmente falamos? Boletim
informativo da Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental,
2001.

Comportamento é a interação entre um organismo, fisiologicamente constituído


como um equipamento anatomo-fisiológico, e o seu mundo, histórico e imediato.[4] (...)
Definimos comportamento como a relação entre estímulo e resposta. [5] Estímulo é
uma parte ou mudança em uma parte do ambiente; resposta é uma mudança no
organismo.[6]

Organismos vivos são aqueles que têm composição química complexa, uma
organização celular, a capacidade de nutrição, reagem a estímulos do ambiente
emitindo repostas, mantêm o seu meio interno em condições estáveis, crescem e se
reproduzem, modificam-se ao longo do tempo através do processo de evolução,
desenvolvendo adaptação adequadas á sobrevivência. São íntegros os organismos
por que se desmembrados do todo do qual fazem parte não conseguem viver no
ambiente.

O Behaviorismo Radical é a parte da Análise do Comportamento que estuda os


conceitos vistos acima: ciência, ciência natural, evento natural, ambiente, estímulo,
resposta e comportamento.

Quem analisa o comportamento? Todas as pessoas, corriqueiramente, fazem


algum tipo de análise do comportamento, mas uma análise científica defere muito de
uma análise corriqueira. Os Analistas do Comportamento são aquelas pessoas –
pesquisadores ou profissionais – que analisam o comportamento de forma científica.
No Brasil eles são majoritariamente registrados em conselhos profissionais de
Psicologia ou cursam graduações e pós-graduações de Psicologia e trabalham em
clínicas, escolas, postos de saúde, indústrias empresas, ONGs, hospitais, sindicatos,
cooperativas, associações de moradores, fundações, universidades, centros de
pesquisa e faculdades.
Como os Analistas do Comportamento realizam seus estudos? Inicialmente ele
colhe os dados de pesquisa utilizando experimentos, quase-experimentos,
observações, entrevistas ou pesquisas de campo e após a coleta dos mesmos fazem
a análise funcional. A análise funcional é o reconhecimento da múltipla e
complexa rede de determinações de instâncias de comportamento, representada
pela ação em diferentes níveis (filogênese, ontogênese e cultura) das
conseqüências do comportamento sobre a probabilidade de respostas futuras
da mesma classe [de comportamentos] (...) A análise deve agora se voltar para
as “funções” das respostas e para os modos através dos quais as mudanças
por elas produzidas afetam a probabilidade de comportamento futuro. A análise
funcional requerida passa a ser aquela que identifica relações de tríplice
contingência responsáveis pela aquisição e manutenção de repertórios
comportamentais.[7] Contingências são componentes das relações comportamentais
que apresentam relação de dependência entre si, filogênese é a evolução ou
desenvolvimento da história de uma espécie, ontogênese é o desenvolvimento ou
curso da história de aprendizagem de um organismo e cultura é o conjunto de
comportamentos que são ou não reforçados e/ou punidos por um grupo de pessoas
em um ambiente comum.[8]

Os Analistas do Comportamento também realizam o que chamam de revisão e


análise conceitual quando os métodos de pesquisa ou trabalho acima são complexos
ou quando procuram aplicar os resultados dos seus estudos no seu cotidiano de
trabalho. Revisão conceitual é a recomendação de propostas de mudança de
conceitos que já existem já a análise conceitual é a proposição de novos conceitos.

A Análise Experimental do Comportamento é a parte da Análise do Comportamento


que fica responsável por estudar as formas de coleta, mensuração e análise dos
dados advindos das pesquisas que se utilizam da análise funcional e de conceitos
revistos e analisados.

Mas por que alguém analisaria o comportamento de forma científica? A justificação


da existência da Análise do Comportamento perpassa necessariamente pela
necessidade dos cientistas e profissionais resolverem problemas práticos do cotidiano.

É importante para o bem-estar e, muitas vezes, para a própria sobrevivência de


organismos, espécies e culturas obter soluções aceitáveis para eventuais problemas
práticos, sejam eles de natureza física ou social. Membros individuais especialmente
felizes e constantes em obter tais soluções foram chamados de sábios em outras
épocas e, na nossa, costumam ser chamados de cientistas. Modos de organizar o
mundo através de declarações verbais sobre os fenômenos e/ou práticas de
intervenção direta nos fenômenos que regularmente obtêm tais soluções são
chamados de sabedoria ou ciência. Exatamente que tipo de situação seria
considerada um “problema prático” para as diversas comunidades humanas é também
algo que se subordina a lugar e tempo.[9]

Assim os Analistas do Comportamento são as pessoas que aplicam os


conhecimentos advindos do Behaviorismo Radical e da Análise Experimental do
Comportamento para solucionar problemas comportamentais humanos onde quer que
eles existam.

Onde o comportamento existe?

Não há nada mais familiar do que o comportamento humano. Estamos sempre na


presença de ao menos uma pessoa que se comporta [mesmo que seja nós mesmos].
Nem há algo mais importante que o comportamento, quer seja o nosso, quer o de
outrem, quer seja ao que vemos todo dia, quer seja ao que vemos todos os dias, quer
seja ao que seja responsável pelo que acontece no mundo de um modo geral.[10]

A Análise Aplicada do Comportamento teria duas funções vitais: (1) manter o


contato com o mundo real e alimentar os pesquisadores na área com problemas
comportamentais do mundo natural e (2) mostrar a relevância social de tais pesquisas
e justificar sua manutenção e ampliação da área como um todo. Como uma ciência
baconiana, não contemplativa, a Análise do Comportamento tem compromissos de
melhoria da vida humana e o seu braço aplicado pode funcionar como um eficiente
aferidor das conseqüências práticas prometidas.[11]

Anderson de Moura Lima é Psicólogo de orientação analítico-comportamental formado


pela Universidade Estadual do Piauí. Contato: http://analiseesintese.blogspot.com/

BAUM, Willian M. Compreender o behaviorismo: ciência, comportamento e cultura.


Porto Alegre: Editora Artes Médicas Sul, 1999.

CARVALHO NETO, Marcos Bentes. Análise do comportamento: behaviorismo


radical, análise experimental do comportamento e análise aplicada do comportamento.
Interação em psicologia, 2002.

MOREIRA, Márcio Borges; MEDEIROS, Carlos Augusto de. Princípios básicos de


Análise do Comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2007.

NENO, Simone. Análise funcional: definição e aplicação na terapia analítico-


comportamental. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva [Online]
5:2. Disponível: http://revistas.redepsi.com.br/RBTCC/article/view/78.Acesso em 29 de
Março de 2008.

SÉRIO, Teresa Maria de Azevedo Pires; MICHELETTO, Nilza; ANDERY, Maria


Amália Pie Abib. O comportamento como objeto de estudo. Ciência: comportamento e
cognição. 2007.

SKINNER, Burrhus Frederic. Questões recentes na análise comportamental. 6


ed.São Paulo:Papirus, 1995.
STARLING, Roosevelt Riston (2004). Produção de Conhecimento e ciência natural
– tudo que é sólido pode se desmanchar no ar. In Brandão, M. Z. & cols. (orgs.). Sobre
Comportamento e Cognição. Vol. 14, (84-119). Santo André: Esetec.

TEIXEIRA JÚNIOR, Ronaldo Rodrigues; SOUZA, Maria Aparecida Oliveira de.


Vocabulário de Análise do Comportamento: um manual de consulta para termos
usados na área. São Paulo: ESETec Editores Associados, 2006.

Patologia Sob A Compreensão Da Análise Funcional Do Comportamento


RedePsi [redepsi]
23/10/07

Pedro Bordini Faleiros USP-SP/ Fundação Hermínio Ometto – Uniararas/UNIMEP

Para a análise do comportamento, o comportamento é selecionado pelas conseqüências.


A ocorrência de qualquer comportamento nunca é ao acaso e sempre há uma função. Se o
comportamento ocorre é porque tem um valor de sobrevivência para o organismo. Para a análise
do comportamento, um comportamento dito “estranho” jamais é visto como patológico, mas sim
como sendo uma maneira de lidar com ambientes complexos. este trabalho tem como principal
objetivo apresentar a patologia sob a visão da análise funcional do comportamento.

A noção de causalidade é aqui substituída pela de função, e analisar funcionalmente um


comportamento é buscar a identificação de relações entre o individuo e o ambiente, como se
mantém e constituem. Não há um agente iniciador, nem mesmo o ambiente é iniciador. O
indivíduo é o palco dessas interações. A análise funcional não constitui uma teoria, mas uma
estratégia para a resolução de problemas. Portanto, podemos utilizar a Análise Funcional em
diversos âmbitos da saúde mental, como ambulatórios, CAPs, clínicas particulares, hospitais, etc.
No que se refere ao contexto clinico, as propostas de intervenção apontam para uma possibilidade
ampla de atuação do analista do comportamento em casos tradicionalmente categorizados por
meio de sistemas de classificação e diagnostico como “patologias” ou “transtornos”, considerando
as variáveis ambientais responsáveis por comportamentos ditos “patológicos”.

O Conceito De Compulsão Para A Análise Do Comportamento


RedePsi [redepsi]
23/10/07

Jociellen Fernanda Goia; Mayra Zamarioli; Simone Kelli Cassiano* Fundação Hermínio Ometto -
Uniararas Pedro Bordini Faleiros USP-SP/Fundação Hermínio Ometto – Uniararas/UNIMEP

O Trabalho tem o objetivo de apresentar o conceito de compulsão para a análise do


comportamento, considerando que tal concepção rompe com os modelos até então utilizados para
explicar este fenômeno que apresenta como histórico visões baseadas em fatores internos e/ou
organicistas. Na perspectiva da Análise Comportamental, o ato compulsivo caracteriza-se por
comportamentos repetitivos e mantidos através de reforçadores negativos. Após a realização do
ato compulsivo, é gerado um alívio imediato da sensação que desencadeia a compulsão.

Com base neste entendimento evidencia-se a importância de contextualizar a compulsão, evitando


sua patologização com base em um modelo organicista. Para a compreensão do conceito na
perspectiva da Análise do Comportamento, foi realizado um breve resgate histórico dos primeiros
relatos encontrados a respeito da compulsão, a partir de uma análise bibliográfica. Também foi
feita uma revisão sobre a aplicabilidade do conceito atualmente, que pode ser observada através
das pesquisas apresentadas, que discorrem sobre diferentes comportamentos compulsivos e a
relação com a psicopatologia. Discutir compulsão como enfoque na análise do comportamento
pode ser útil em diversos contextos de atuação do psicólogo, considerando que o comportamento
compulsivo é mantido sob controle de estímulos ambientais imediatos, com prejuízo do
autocontrole do indivíduo, e, por isso, não deve ser analisado em uma dimensão unidirecional.
Análise do comportamento de "ficar quieto" em um paciente com diagnóstico de
depressão
RedePsi [redepsi]
14/8/07

Ana Paula Azevedo Campos*, Diana Tosello Laloni


Pontifícia Universidade Católica de Campinas

Depressão no Manual Diagnóstico de Transtornos Mentais- IV Texto Revisado (DSM-IV-


TR) é caracterizada por: humor deprimido, interesse ou prazer acentuadamente diminuído, perda
ou ganho significativo de peso, insônia ou hipersonia, agitação ou retardo motor, fadiga ou perda
de energia, sensação de inutilidade, culpa excessiva ou inapropriada, capacidade diminuída para
pensar ou concentrar-se, indecisão, pensamentos recorrentes sobre morte, dentre outros.
De acordo com Ferster (1973) a depressão está intimamente ligada à história de reforçamento do
indivíduo e depende do conhecimento da relação sujeito-ambiente, ou seja, das contingências
relacionadas ao comportamento depressivo. O repertório da pessoa deprimida é definido como o
resultado de um decréscimo na freqüência de certas classes de comportamentos e um aumento na
freqüência de outros.
A pessoa deprimida perde certos tipos de atividades e isso está associado a um aumento de
comportamentos de esquiva e de fuga de estímulos aversivos.

Objetivou-se analisar as contingências envolvidas em um comportamento de alta freqüência em


um paciente com diagnóstico de depressão.
Selecionou-se o comportamento para estudo aquele considerado de maior freqüência. O
participante foi um paciente do sexo masculino, 39 anos, com diagnóstico de depressão pelos
critérios do DSM-IV-TR. O comportamento considerado de maior freqüência foi coletado através
do relato verbal em 5 entrevistas e também por registros de auto-observação.
Os resultados indicaram que o paciente observou e registrou por um período de 2 semanas (14
dias) a classe de comportamento de “ficar quieto” em uma freqüência maior que outros
comportamentos.

A análise dos comportamentos indicou que “ficar quieto” apresentou topograficamente uma alta
freqüência e funcionalmente relacionou-se com as seguintes contingências: em situações que teria
que ficar no meio de diversas pessoas, fica quieto em um canto, promovendo alívio da ansiedade;
ver notícias na televisão de violência em agrupamentos sociais, não comentar e isolar-se no
quarto, promovendo alívio da ansiedade.

Concluiu-se que o comportamento observado em alta freqüência e analisado funcionalmente é


mantido por reforçamento negativo.

CNPq

Análise funcional do relato de atletas, pais e técnicos a respeito de


comportamentos de bons e maus competidores na natação
RedePsi [redepsi]
14/8/07

Graziele Thomasinho de Aguiar*; Marcela Vendramini Morato Velosa; Alessandra de


Andrade Lopes.
Universidade Estadual paulista (UNESP/Bauru)

A presente pesquisa vem contribuir produzindo conhecimentos que possam subsidiar o


trabalho do psicólogo do esporte e de outros profissionais da Ciência do Esporte ligados à natação,
fazendo uma análise funcional inicial (descritiva e não-experimental) do relato de atletas, de pais
e de técnicos, a respeito de variáveis motivacionais relacionadas aos comportamentos de bons e
maus competidores. Participaram deste estudo 35 atletas de uma equipe do interior do Estado de
São Paulo, sendo 10 da categoria Petiz (11-12 anos), 15 da Infantil (13-14 anos) e 10 da
Juvenil/Júnior/Sênior (a partir de 14 anos); 30 pais de atletas, com idade entre 25 e 45 anos; e 3
técnicos das seguintes categorias, Petiz (com 29 anos), Infantil (com 39 anos) e Juvenil a Sênior
(com 36 anos). Os participantes foram submetidos a uma entrevista individual, audiogravada e
semi-estruturada, com questões-chave, dividida nos seguintes blocos temáticos: dados de
identificação, comportamentos relacionados ao desempenho do atleta durante treinos e
competições, interação atletas, pais e técnicos. Os relatos foram transcritos e, em seguida, os
relatos dos comportamentos de bons e maus competidores foram identificados e utilizados na
confecção de arranjos de contingências. Como resultados, para os atletas, os comportamentos de
bons competidores estão relacionados ao treino diário, esforço físico e tático e pensamento
positivo para a vitória; os comportamentos dos maus competidores estão relacionados à
participação nas competições apenas para passear, ao descaso com o treino e aos pensamentos
negativos quanto ao rendimento nas competições. Como variáveis motivacionais, fazendo
referência aos comportamentos de bons competidores, os atletas apontam o esforço individual, o
acompanhamento do técnico e o relacionamento positivo entre os competidores da mesma equipe.
Tanto para os pais quanto para os técnicos, bons competidores são disciplinados, comparecem aos
treinos, seguem às orientações do técnico e mantém o autocontrole emocional diante do
adversário. Ainda para os pais, bons competidores têm bons técnicos, que acompanham os atletas
no treino à beira da piscina, são exigentes, sabem apontar limitações e propor condições de
aperfeiçoamento técnico. Para os técnicos a motivação de bons e maus competidores está “dentro
deles” para seguir ou não os treinos e “maximizar seu potencial para vencer”. Ainda para os
técnicos, bons e maus competidores recebem influência positiva e negativa dos pais,
respectivamente, manifestando apoio, por meio de gestos e palavras, e comportando-se como
técnicos dos filhos, corrigindo “virada, cabeça, mão”. Em conclusão, este estudo aponta
semelhanças e diferenças na identificação e na descrição de variáveis motivacionais relacionadas à
emissão destes comportamentos. Tanto no relato dos atletas, pais e técnicos a motivação é
essencialmente interna e pessoal. Quanto à influência do ambiente social, os técnicos apontam os
comportamentos dos pais, os pais dos técnicos e os atletas da equipe.

Consultar- vocabulário de análise do comportamento

http://www.fafich.ufmg.br/~vocabularioac/