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Caracterização reológica de argamassas industrializadas aplicadas sobre substratos porosos Rheological
Caracterização reológica de argamassas industrializadas aplicadas
Caracterização reológica de argamassas industrializadas aplicadas

Caracterização reológica de argamassas industrializadas aplicadas

Caracterização reológica de argamassas industrializadas aplicadas sobre substratos porosos

sobre substratos porosos

Caracterização reológica de argamassas industrializadas aplicadas sobre substratos porosos

Rheological characterization of industrialized mortars on porous substrates

Anne Caroline Dal Bello(1); Josiane Manini da Silva (1)Carina Mariane Stolz (2);Angela Borges Masuero (3);

(1)Aluna de graduação em Engenharia Civil, Escola de Engenharia/UFRGS (2) Doutoranda, PPGEC/NORIE/UFRGS (3) Professora Doutora, Escola de Engenharia/PPGEC/UFRGS Av. Osvaldo Aranha, 99, 3°Andar, Porto Alegre/RS. CEP: 90035-190

Resumo

Esta pesquisa parte de uma contextualização sobre a caracterização reológica de argamassas industrializadas para revestimento. Verificou-se a influência da reologia no desempenho das diferentes argamassas industrializadas ao serem aplicadas sobre substratos porosos. A escolha das argamassas industrializadas avaliadas foi baseada na sua grande comercialização em Porto Alegre/RS e região, sendo escolhidas duas argamassas, denominadas A e B. Cada uma das argamassas foi dosada para três diferentes índices de consistência de 230, 260 e 290 mm. Para a sua caracterização foram realizados ensaios no estado fresco e endurecido. No estado endurecido realizaram-se ensaios de resistência à compressão e resistência à tração na flexão, além do ensaio de módulo de elasticidade dinâmico e o ensaio de absorção de água por capilaridade. No estado fresco, foram realizados ensaios de índice de consistência, retenção de água e densidade de massa. Além dos ensaios de caracterização já descritos, tais argamassas também foram submetidas a ensaios de análise reológica através do squeeze-flow. O Squeeze-Flow é um método relativamente novo para a avaliação reológica de argamassas e pastas, normalizado no Brasil em 2010 através da NBR 15839 (ABNT, 2010). Este método avalia com precisão materiais em ampla faixa de plasticidade e em velocidades e grau de deformação de variáveis. Foram feitos ensaios do Squeeze-Flow com as três consistências para as duas argamassas industrializadas avaliadas. Além do ensaio padrão, sobre placa metálica, o ensaio também foi realizado sobre dois diferentes substratos porosos, visando analisar o comportamento das mesmas durante esta interação. Estes substratos foram caracterizados quanto a sua absorção de água. Ao término desta pesquisa observou- senão ocorreram diferenças significativas entre os resultados obtidos nos ensaios realizados em substratos de concreto e cerâmico. No entanto, os substratos porosos exerceram influência no comportamento das argamassas quanto a sua facilidade de escoamento medida através do squeeze-flow. Este fato permite que se conclua que o estudo da interação das argamassas com os substratos é essencial para o entendimento do comportamento dos sistemas de revestimento.

Palavra-Chave: Palavra-Chave: aderência, reologia, argamassas industrializadas.

Abstract

This research is about rheological characterization of coating industrial mortars. It is verified the influence of rheology on the performance of different mortars applied on porous surfaces. The choice of industrial mortars was based on its large market in Porto Alegre / RS, being chosen two mortars, named A and B. Each mortar was measured for three different consistences index of 230, 260 and 290 mm. Characterization tests were conducted in fresh and hardened condition. In the hardened condition were performed

compressive strength and tensile strength in bending, and the dynamic modulus of elasticity and watercapillarity

compressive strength and tensile strength in bending, and the dynamic modulus of elasticity and watercapillarity absorption test. In the fresh condition were performed consistenceindex and bulk density. Besides the characterization tests previously described, such mortars were also subjected tosqueeze flow rheological test. Squeeze Flow is a relatively new method for rheological evaluation of mortars and pastes, standardized in Brazil in 2010 by NBR 15839. This method promises to accurately measure materials in a wide range of velocities and consistency and degree of deformation of variables. Squeeze-flow tests was done with the three consistences for both industrialized mortar evaluated. Besides the standard test on the metal plate, the test was also performed on ceramic and concrete blocks, in order to analyze their behavior in this interaction. These porous substrates were characterized as its water absorption. At the end of this research it was notfound significant differences between the results obtained in tests realized on concrete and ceramic substrates. However, the porous substrate had an influence on the behavior of mortar as their ease of flow. This fact allows the conclusion that the study of the interaction of mortars with substrates is essential for understanding the behavior of coating systems. Keywords: Rheology, Squeeze-flow, Porous surface, Industrialized Mortar

1 Introdução A importância do aprofundamento dos estudos sobre argamassas de revestimento justifica-se por

1

Introdução

A

importância do aprofundamento dos estudos sobre argamassas de revestimento

justifica-se por estas serem produtos de grande utilização na construção civil. Pode-se encontrá-las em revestimentos e assentamentos de alvenarias e como produto básico

para outros fins na construção civil (YOSHIDA, BARROS E BOTTURA, (1995)). Das funções que as argamassas de revestimento desempenham, pode-se apontar: proteger elementos de vedação dos edifícios da ação direta dos agentes agressivos, auxiliar as vedações no comprimento de suas funções, como o isolamento termo-acústico e a estanqueidade à água, regularizar a superfície dos elementos de vedação e contribuir para a estética da fachada. Apesar disso, sua “prática construtiva ainda está longe dos horizontes delineados pelos estudos nesta área, culpa em parte de conceitos dúbios ou contraditórios assumidos por pesquisas, eminentemente tecnológicas, ou, ainda, por descaso e falta de importância dada ao tema” (LEAL, (2003)). A falta de controle tecnológico e conhecimento técnico na produção de argamassas resultam no aparecimento de manifestações patológicas, fato que compromete o adequado cumprimento de suas principais funções de proteção e acabamento estético das edificações. Buscando aperfeiçoar o entendimento do comportamento das argamassas no estado fresco e seu comportamento quando utilizadas como revestimentos, cada vez mais vem se realizando pesquisas no estado fresco, analisando propriedades reológicas das argamassas de revestimento. Diversos autores (SILVA, 2006; COSTA, 2006; CARDOSO, 2009) vêmutilizando o método

do

squeeze-flow para a caracterização reológica de argamassas e pastas.Este se baseia

na

medida do esforço necessário para a compressão uniaxial de uma amostracilíndrica do

material entre duas placas paralela gerando deformações por cisalhamento ealongação

da mesma, conforme mostra a figura 1 (CARDOSO; PILEGGI; JOHN, (2005)).

conforme mostra a figura 1 (CARDOSO; PILEGGI; JOHN, (2005)). Figura 1-Ensaio squeeze-flow (CARDOSO; PILEGGI; JOHN, 2005).

Figura 1-Ensaio squeeze-flow (CARDOSO; PILEGGI; JOHN, 2005).

Este ensaio foi normalizado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas no ano de 2010,resultando na NBR 15839 (ABNT, 2010).Os seus resultados são expressos na forma de um gráfico de carga (N) versus deslocamento (mm), sendo que este, segundo Cardoso et al. (2005), apresenta uma curva com três regiões bem distintas, conforme mostra a figura 2. Segundo os autores, o estágio I trata-se de um pequeno deslocamento que mostra a deformação elástica do material, o estágio II trata-se de um deslocamento

intermediário mostrando a deformação plástica ou fluxo viscoso e o estágio III trata-se de um

intermediário mostrando a deformação plástica ou fluxo viscoso e o estágio III trata-se de um grande deslocamento e enrijecimento por deformação, influenciado pela aproximação dos agregados e o atrito formado pelos mesmos.

aproximação dos agregados e o atrito formado pelos mesmos. Figura 2-Perfil típico de carga versus deslocamento

Figura 2-Perfil típico de carga versus deslocamento do ensaio de Squeezeflow (Cardoso et al., 2005).

Neste contexto, a escolha do tema que rege este artigo baseou-se em buscar um controle e aprimoramento dos materiais utilizados, bem como a caracterização reológica das argamassas utilizadas na pesquisa através do ensaio do Squeeze-Flow convencional, além de analisar a influência de substratos porosos em seu comportamento reológico. Com isso, pretende-se contribuir para o aprofundamento do conhecimento das argamassas no estado fresco, fator essencial para prever o seu desempenho no estado endurecido.

2 Materiais e métodos

A figura 3 apresenta um fluxograma onde pode-se visualizar um resumo do programa experimental realizado neste trabalho.

Caracterização das argamassas Argamassa A Argamassa B Consistência Consistência Consistência Consistência
Caracterização das argamassas Argamassa A Argamassa B Consistência Consistência Consistência Consistência
Caracterização das
argamassas
Argamassa A
Argamassa B
Consistência
Consistência
Consistência
Consistência
Consistência
Consistência
1
2
3
1
2
3
230 mm
260 mm
290 mm
230 mm
260 mm
290 mm
Ensaios no estado fresco:
Squeeze Flow - NBR 15839 (ABNT, 2010);
Densidade de massa no estado fresco - NBR 13278 (ABNT, 2005)
Ensaios no estado endurecido:
Densidade de massa no estado endurecido - NBR13280(ABNT,2005)
Módulo de elasticidade dinâmico - NBR 15630 (ABNT, 2008)
Absorção de água por capilaridade - NBR 15259 (ABNT, 2005)
Resistência à tração na flexão e à Compressão – NBR, 13279 (ABNT, 2005)
Figura 3-Fluxograma do programa experimental.
2.1
Argamassas
ANAIS DO 55º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO - CBC2013 – 55CBC

Foram utilizadas duas argamassas industrializadas, denominadas A e B e escolhidas por serem as de maior consumo em Porto Alegre/RS e região. As duas argamassas dispensam a dosagem de materiais e necessitam somente da adição de água. A argamassa B assenta e reveste blocos de concreto, cerâmicos e tijolos de barro maciços. Segundo o fabricante, é recomendada para revestir paredes e tetos em áreas internas eexternas, assentar alvenarias de vedação, pequenos reparos e reformas em geral.Argamassa A é adequada para assentamento de alvenaria de vedação, bem como para revestimento interno e externo de paredes. Além disso, é indicada para pequenos reparos (reboco, assentamento de tijolos). Cada uma das argamassas foi dosada visando atingir três índices de consistência, sendo eles 230 mm, 260 mm e 290 mm, utilizando a quantidade de água indicada pelo fabricante na consistência intermediária. A tabela 1 apresenta a quantidade de água utilizada para a massa atingir a consistência de cada uma dasargamassas.

5

Tabela 1 – Quantidade de água utilizada para determinação de cada consistência. Argamassa – consistência

Tabela 1 Quantidade de água utilizada para determinação de cada consistência.

Argamassa

consistência

(mm)

A-230

A-260

A-290

B-230

B-260

B-290

Massa de

argamassa

(g)

1000,00

1000,00

1000,00

1000,00

1000,00

1000,00

*a/ms: água/materiais secos

*a/ms: água/materiais secos

Água

utilizada

(g)

143,90

150,00

160,10

145,67

167,80

186,03

secos Água utilizada (g) 143,90 150,00 160,10 145,67 167,80 186,03 Relação a/ms* 0,14 0,15 0,16 0,15

Relação

a/ms*

secos Água utilizada (g) 143,90 150,00 160,10 145,67 167,80 186,03 Relação a/ms* 0,14 0,15 0,16 0,15

0,14

0,15

0,16

0,15

0,17

0,19

secos Água utilizada (g) 143,90 150,00 160,10 145,67 167,80 186,03 Relação a/ms* 0,14 0,15 0,16 0,15

Para determinação das consistências, foi utilizado o método da mesa de consistência, conforme a NBR 13276 (ABNT, 2002), que consiste no espalhamento horizontal de uma argamassa moldada em cone padrão ao ser submetida a sucessivos impactos após a retirada do cone (figura 4).

a sucessivos impactos após a retirada do cone (figura 4). (a) (b) Figura 4-Método para determinação

(a)

sucessivos impactos após a retirada do cone (figura 4). (a) (b) Figura 4-Método para determinação das

(b)

Figura 4-Método para determinação das consistências em (a) Representação esquemática da mesa de consistência (CARDOSO, 2009) e em (b) Medição do espalhamento da

argamassa após sucessivos impactos.

Complementarmente, no estado fresco foram realizados os ensaios de densidade de massa (figura 5), conforme a NBR 13278 (ABNT, 2005).

de massa (figura 5), conforme a NBR 13278 (ABNT, 2005). Figura 5-Ensaio de densidade de massa

Figura 5-Ensaio de densidade de massa e teor de ar incorporado.

Foram realizados ensaios no estado endurecido para cada umadas consistências obtidas, conforme a tabela 2.

Foram realizados ensaios no estado endurecido para cada umadas consistências obtidas, conforme a tabela 2.

Tabela 2 Ensaios realizados com as argamassas no estado endurecido.

NBR 13279

 
NBR 13279  
NBR 13279  

(ABNT,

2005)

Resistência à tração na flexão e à compressão

NBR 15630

 
NBR 15630  

(ABNT,

2008)

Módulo de elasticidade dinâmico

NBR 15259

 
NBR 15259  

(ABNT,

2005)

Absorção de água por capilaridade

NBR 13280

 
NBR 13280  

(ABNT,

Densidade de massa aparente no estado endurecido

2005)

2.2 Blocos cerâmicos e de concreto

Buscando verificar o comportamento das argamassas ao serem utilizadas na prática, o Squeeze-flow foi realizado sobre dois diferentes substratos porosos e não somente sobre a placa metálica como indica a norma. Para a realização do ensaio utilizaram-se blocos

de concreto e cerâmico como base conforme a figura 6. A escolha desses blocos baseou-

de concreto e cerâmico como base conforme a figura 6. A escolha desses blocos baseou- se na grande comercialização dos mesmos em Porto Alegre/RS e região.

comercialização dos mesmos em Porto Alegre/RS e região. (a) (b) Figura 6- Blocos utilizados para o

(a)

dos mesmos em Porto Alegre/RS e região. (a) (b) Figura 6- Blocos utilizados para o ensaio

(b)

Figura 6- Blocos utilizados para o ensaio do squeeze-flow, bloco cerâmico (a) e de concreto (b).

Bloco de concreto utilizado foi um bloco vazado para alvenaria, e possui sua área líquida

é igual ou inferior a 75% da área bruta.

O bloco cerâmico é utilizado em obras de alvenaria estrutural e vedação racionalizada, pode ser utilizado para paredes externas, internas, divisórias entre economias e paredes corta-fogo. Para a caracterização dos blocos foi feito o ensaio de absorção de água.Adotou-se no referido ensaio o método do IRA - Initial Rate Absorption (ou em português Taxa Inicial de Absorção), normalizado pela norma americana ASTM C 67. Neste ensaio a massa de água absorvida por sucção capilar pela face do componente (seca em estufa) é determinada após colocá-lo em contato com uma lâmina de água de 3 mm durante um minuto. Para calcular o IRA utiliza-se a equação 1. Onde ABS é a taxa de absorção da

água livre (g/194cm2/min), mu é a massa úmida (g), ms é a massa seca (g) e A é a área do bloco em contato com a lâmina de água (cm 2 ).

(

ABS g

2

/194 cm

/ min)

com a lâmina de água (cm 2 ). ( ABS g 2 /194 cm / min)

(

mu

ms )
ms
)

A

194

(Equação 1)

No entanto, nesta pesquisa os tempos de leitura deste ensaio foram adaptados, sendo realizadas leituras aos 10 e 90 minutos visando se analisar o comportamento dos blocos ao longo do tempo.

3

Resultados

3.1 Ensaios no estado fresco

3.1.1 Densidade de massa

A tabela 3 apresenta os valores obtidos nos ensaios de densidade de massa.

Tabela 3- Ensaio de densidade de massa. Argamassa Densidade de massa (kg/m³) A-230 1312,95 A-260

Tabela 3- Ensaio de densidade de massa.

Argamassa

Densidade de massa (kg/m³)

A-230

1312,95

A-260

1607,51

A-290

1623,50

B-230

1461,81

B-260

1584,89

B-290

1658,99

Bem como foi observado nos resultados dos ensaios no estado endurecido, os valores obtidos na densidade de massa no estado fresco foram diretamene influenciados pela

variabilidade inerente à argamassas com grande quantidade de aditivos incorporadores

de ar em sua composição.

3.1.2Squeeze-flow

3.1.2.1 Placa metálica

A seguir, na tabela 4 apresentam-se os gráficos do ensaio do Squeeze-flow realizado sobre a placa metálica para as duas argamassas estudadas. Para a Argamassa A, observa-se que, em geral, as argamassas com menor valor de índice de consistência apresentam maior resistência ao escoamento, sendo que necessitaram de mais força para se deslocar e mesmo assim apresentam deslocamentos menores seguidos por enrijecimento por deformação. As argamassas com maiores valores de índice de consistência apresentaram estágios plásticos mais longos com menores de cargas e maiores deslocamentos.

O mesmo comportamento foi observado para a Argamassa B, destacando-se que esta

argamassa apresentou maior facilidade de escoamento com a maior velocidade, em relação à menor. Observa-se que para o maior índice de consistêncianem a velocidade

nem o tempo de realização do ensaio exerceram grande influência sobre seu deslocamento. Esta maior dificuldade da argamassa A escoar pode ser diretamente relacionada, na

prática, ao maior esforço físico do operador para lançá-la bem como ao maior desgaste

de equipamentos para sua adequada aplicação.

Tabela 4 – Squeeze flow da argamassa A e B na placa metálica para as

Tabela 4 Squeeze flow da argamassa A e B na placa metálica para as diferentes consistências. a) velocidade de 0,1 mm/s e 3 mm/s para a argamassa A; b) velocidade de 0,1 mm/s e 3 mm/s para a argamassa B.

a)

a)
a)

b)

b)
b)

3.1.2.2 Bloco cerâmico e de concreto

A seguir, nas tabelas 5 e 6 apresentam-seos gráficos do ensaio do Squeeze-flow realizado sobre o bloco deconcreto e cerâmico para as duas argamassas estudadas.

Tabela 5- Squeeze flow da argamassa A e B no bloco de concreto para as

Tabela 5- Squeeze flow da argamassa A e B no bloco de concreto para as diferentes consistências. a) velocidade de 0,1 mm/s e 3 mm/s para a argamassa A; b) velocidade de 0,1 mm/s e 3 mm/s para a argamassa B.

a)

a)
a)

b)

b)
b)

.

Tabela 6 - Squeeze flow da argamassa A e B no bloco cerâmico para as

Tabela 6 - Squeeze flow da argamassa A e B no bloco cerâmico para as diferentes consistências. a) velocidade de 0,1 mm/s e 3 mm/s para a argamassa A; b) velocidade de 0,1 mm/s e 3 mm/s para argamassa B.

a)

a)
a)

b)

b)
b)

O squeeze-flow realizado sobrebloco cerâmico e de concreto apresentou uma clara redução no deslocamento e consequente aumento da força em todas as argamassas, este fato ocorreu devido a influência da rugosidade superficial e absorção dos blocos. A rugosidade tende a dificultar o escoamento , travando a argamassa em suas topografias, bem como a absorção de água pelo bloco deixa a argamassa mais viscosa e menos fluida. Observa-se que na menor velocidade, de 0,1 mm/s, o estágio plástico teve um maior prolongamento em relação a velocidade de 3 mm/s. Este fato pode estar relacionado ao maior tempo que as partículas têm para se acomodar nas menores velocidades facilitando o escoamento. Nas velocidades maiores as partículas travam mais facilmente entre si, não tendo tempo de se reordenar, gerando um enrijecimento por deformação prematuro.

3.2 Ensaios no estado endurecido Para os ensaios de caracterização no estado endurecido foram utilizados

3.2 Ensaios no estado endurecido

Para os ensaios de caracterização no estado endurecido foram utilizados três corpos de prova para cada consistência. A tabela 7, mostra os resultados destes ensaios, com a média dos 3 corpos de prova utilizados.

Tabela 7 Ensaios no estado endurecido.

     

Módulo de

Densidade no

 

Consistências

(mm)

Resistência à

flexão (MPa)

Resistência à

compressão

(MPa)

elasticidade

dinâmico

(MPa)

estado

endurecido

(kg/m³)

Coeficiente de capilaridade (g/dm².min 1/2 )

   

Desvio

 

Desvio

 

Desvio

 

Desvio

 

Desvio

Argamassas

Média

padrão

Média

padrão

Média

padrão

Média

padrão

Média

padrão

A-230

7,64

0,38

3,57

0,69

710,91

127,49

1434,56

37,28

3,27

0,15

A-260

7,28

0,49

4,08

0,27

804,21

82,10

1483,82

20,49

3,37

0,35

A-290

6,63

0,17

3,17

0,33

578,97

35,72

1379,41

16,16

4,40

0,17

B-230

5,92

0,46

2,22

0,39

528,85

107,49

1248,72

40,56

2,07

0,15

B-260

5,73

0,02

2,21

0,16

391,12

12,62

1242,49

17,30

4,07

0,38

B-290

6,18

0,12

2,83

0,20

507,91

9,82

1425,18

10,28

6,23

0,55

Percebe-se que houve grande variailidade nos resultados obtidos nos ensaios de caracterização das argamassas avaliadas. Acredita-se que isso pode estar relacionado com a grande concentração de aditivos na composição das argamassas industrializadas, o que costuma gerar maior variabilidade no comportamento das mesmas. Outro aspecto a ser discutido é que a quantidade de água necessária para a alteração da consistência das argamassas foi tão pequena que não foi suficiente para gerar diferenças significativas no comportamento entre as mesmas. Estefato indica que o ensaio da mesa de consistência não é adequado para caracterizar argamassas aditivadas, sendo este o caso das argamassas industrializadas. De qualquer forma, observa-se que as argamassas com maior índice de consistência apresentaram maior coeficiente de capilaridade, o que era esperado devido a maior presença de vazios resultantes da maior quantidade de água. As resistências mecânicas também apresentaram uma tendência à serem menores para os maiores valores de consistência, pelo mesmo motivo.

3.3 Caracterização dos blocos

A tabela 8 apresenta os valores obtidos no ensaio de IRA para o bloco cerâmico e para o bloco de concreto.

Tabela 8- Ensaio de absorção de água.   Taxa de Absorção da Água Livre (ABS)

Tabela 8- Ensaio de absorção de água.

 

Taxa de Absorção da Água Livre (ABS)

 

Tempo

Bloco de concreto

Bloco cerâmico

Média (g/194cm²/min)

Desvio Padrão

Média (g/194cm²/min)

Desvio Padrão

10

minutos

68,07

22,28

54,63

8,67

90

minutos

82,66

22,28

93,57

6,60

A figura 7 apresenta uma comparação entre a absorção de água no decorrer do tempo estabelecido.

a absorção de água no decorrer do tempo estabelecido. Figura 7- Comparação das curvas de absorção

Figura 7- Comparação das curvas de absorção de água.

Os resultados obtidos mostram que nos minutos iniciais o bloco de concreto absorve mais água do que o bloco cerâmico, comportamento que se inverte ao longo do tempo, quando o bloco cerâmico passa a absorver maior quantidade de água.

3.4

Conclusões

Verificou-se que o ensaio de índice de consistência não é o parâmetro mais adequado para a caracterização de argamassas industrializadas devido a grande quantidade de aditivos que estas possuem em sua composição. Quanto ao ensaio de squeeze-flow, para ambas as argamassas, observa-se que, conforme esperado, quanto maior a consistência maior o intervalo correspondente ao comportamento plástico nos gráficos de squeeze-flow. Ainda, como esperado, as argamassas com o menor índice de consistência, ou seja, com a menor quantidade de água em sua mistura, apresentaram maior dificuldade de escoamento quando ensaiada aos 60 minutos, fato visualizado no gráfico através do estágio de enrijecimento por deformação logo no início do deslocamento. A argamassa B apresentou comportamento muito semelhante ao da argamassa A, no entanto verifica-se que o estágio de enrijecimento por deformação, em quase todos os casos, ocorreu mais tarde. Este fato pode estar relacionado com uma maior presença de

aditivo incorporador de ar nesta argamassa ou ainda a presença de mais finos em sua

aditivo incorporador de ar nesta argamassa ou ainda a presença de mais finos em sua composição. Verificou-se que a absorção e a rugosidade superficial dos substratos porosos exerceram influência direta sobre as características das argamassas estudadas, dificultando o seu escoamento e tornando-as mais viscosas. Não foram observadas diferenças significativas entre resultados de squeeze-flow realizados nos blocos de concreto e cerâmico. Este fato pode estar relacionado com as características das argamassas aplicadas sobre eles, que controlaram a saída de água, não permitindo uma maior perda dágua para o bloco com maior absorção.

3.5 Considerações finais

Por fim, conclui-se que o estudo interação entre as diferentes argamassas e os substratos porosos é de fundamental importância para o entendimento do comportamento dos sistemas de revestimento. Não basta a argamassa possuir propriedades reológicas favoráveis ao ser analisada individualmente, da mesma forma que não basta o substrato possuir bom desempenho quando analisado por si só. O revestimento de argamassas é um sistema que deve ser analisado como tal, visando um melhor desempenho quando aplicado nas diversas edificações.

4

Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13276: Argamassa para assentamento de paredes e tetos Preparo da mistura e determinação do índice de consistência. Rio de Janeiro: ABNT, 2002.

NBR

13278:

Argamassa

parra

assentamento

de

paredes

e

tetos

Determinação da densidade de massa e do teor de ar incorporado. Rio de Janeiro: ABNT,

2005.

NBR

13279: Argamassa parra assentamento de paredes e tetos Determinação

da resistência à tração na flexão e à compressão. Rio de Janeiro: ABNT, 2005.

13280: Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos -

determinação da densidade de massa aparente no estado endurecido. Rio de Janeiro:

ABNT, 2005

NBR

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15259: Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos

Determinação da absorção de água por capilaridade e do coeficiente de capilaridade. Rio

de Janeiro: ABNT, 2005.

NBR

15270: Componentes cerâmicos parte 3: blocos cerâmicos para alvenaria

estrutural e de vedação - métodos de ensaio. ABNT, 2010.

15630 : Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos – Determinação do módulo

15630: Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos

Determinação do módulo de elasticidade dinâmico através da propagação de onda ultrassônica. Rio de Janeiro: ABNT, 2008.

NBR

NBR

15839: Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos

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