Você está na página 1de 14

“Ética e Responsabilidade Social no Ensino Fundamental”

Qual o Papel da Escola na Formação de Valores Humanos?


Patrícia N.Bauer e Tana Bassi*

o
Segundo o artigo 3 . da Constituição Federal, são os objetivos fundamentais da República:
construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a
pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; promover o bem de
todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de
discriminação.

Verifica-se, contudo, que correspondem muito mais a metas, a grandes objetivos a serem
alcançados. Todavia, a concretização desses grandes objetivos não é um processo simples.

A escola deve estar inserida nesse processo e comprometida com o desenvolvimento de


capacidades que permitam intervir na sociedade para transformá-la, já que um indivíduo com
valores pode ser o início do caminho para um mundo melhor. Não podemos mais tratar os valores
apenas como conceitos ideais.

A construção da cidadania somente ocorrerá se forem cultivados valores que formarão a base de
sustentação do comprometimento com princípios como o respeito à diversidade, à
interdependência, à justiça e ao amor ao próximo. Se a escola deve ter como tarefa a formação da
cidadania e esta ganha seu sentido pleno num contexto democrático, é fundamental verificar a
situação educacional existente hoje no Brasil. As leis que regem as ações do povo brasileiro
apontam efetivamente na direção da cidadania? Mais ainda, que atitude tomam os indivíduos
diante delas? A educação que se oferece nas escolas capacita de fato os indivíduos para atuar
crítica e construtivamente?

É importante uma Educação em Valores e o Papel da Escola e do Educador no desenvolvimento


do educando, por meio de práticas, conceitos e exemplos aplicados na escola junto ao currículo
escolar já a partir do Ensino Fundamental, práticas essas que respeitem a diversidade cultural e
social e as necessidades de cada comunidade em torno da escola e que apresentem os conceitos
e os diálogos existentes sobre a capacitação dos alunos, de forma a aprenderem a conhecer, a
fazer, a viver juntos, a entender, a respeitar e ajudar ao próximo, a ser, a ouvir, a dialogar, a
questionar, a mudar e resolver os problemas do dia-a-dia.
Ética

Assim, como nos ensinam os antigos, a Ética diz respeito às reflexões sobre as condutas humanas
e, dessa forma, a pergunta ética por excelência é “como agir perante os outros?”.

Nos dias atuais, o tema “Ética” chega à escola e, com base nele, a instituição escolar incumbe-se
de realizar trabalhos cujo objetivo seja possibilitar o desenvolvimento da autonomia moral,
condição para a reflexão ética. Para esse estudo, foram eleitos como eixos de trabalho quatro
blocos de conteúdo: “Respeito Mútuo”, “Justiça”, “Diálogo e Solidariedade”, valores referenciados
no principio da dignidade do ser humano, um dos fundamentos da Constituição Brasileira.

Se a escola conseguir de fato trabalhar esses Valores, fundamentos da Constituição Brasileira,


teremos alunos capazes de refletir sobre suas condutas e de discutir o sentido Ético na
convivência humana.

Responsabilidade Social

O conceito de Responsabilidade Social aplicado à gestão dos negócios se traduz como um


compromisso ético voltado à criação de valores para todos os públicos com os quais a empresa se
relaciona: clientes, funcionários, fornecedores, comunidade, acionistas, governo, meio ambiente.

Responsabilidade Social é, assim , uma nova maneira de conduzir os negócios da empresa,


tornando-a parceira e co-responsável pelo desenvolvimento social, englobando preocupações com
um público maior (acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores,
comunidade, governo e meio-ambiente), o que proporciona às empresas a possibilidade de
desenvolver projetos em diversas áreas, com diversos públicos e de diversas maneiras. Dessa
forma, a Responsabilidade Social nunca se esgota, pois sempre há algo a fazer nesse processo
educativo que evolui com o tempo. No entanto, como a Ética é à base da Responsabilidade Social
e se expressa através dos princípios e valores adotados pela organização, é importante seguir
uma linha de coerência entre ação e discurso.

Como tornar os alunos cidadãos Éticos com atuação socialmente responsável?


Como colocar em prática a Responsabilidade Social na Escola?

A comunidade escolar é o ambiente ideal para a conscientização e para o desenvolvimento de


projetos voltados à Responsabilidade Social. Os educandos, podem e devem tomar conhecimento
das necessidades e das problemáticas da sociedade e, potencialmente, tornarem-se pessoas que
respeitem a diversidade, que convivam com as diferenças e que sejam mais comprometidas com o
futuro.
Portanto é no universo da escola que o educando vivencia situações diversificadas que favorecem
o aprendizado, para dialogar de maneira competente com a comunidade, aprender a respeitar e a
ser respeitado, a ouvir e ser ouvido, a reivindicar direitos e cumprir obrigações, a participar
ativamente da vida científica, cultural, social e política do país e do mundo.

A conscientização de que cada um dos seus integrantes (professores, funcionários, coordenadores


e diretores) deve assumir seu papel, tendo como objetivo, promover o bem de todos, é uma
maneira prática de transparecer responsabilidade social na escola. Os valores adquiridos a partir
das atitudes e compromisso dos que trabalharam com eles terão um papel de fundamental
importância se pensarmos que os educandos serão os futuros multiplicadores desses valores..

As escolas podem utilizar uma variedade imensa de produtos e materiais. Até mesmo restos de
matéria-prima ou produtos ultrapassados podem ser utilizados para projetos escolares. Podemos
citar como bons exemplos os laboratórios de informática e as oficinas de Artes.

Como as empresas com atuação socialmente responsável, influenciariam os alunos da Escola


Fundamental?

As empresas com atuação socialmente responsável contribuirão para a formação desses alunos
que, em longo prazo, poderão reproduzir esse mesmo exemplo, pois um comportamento ético os
levará, quase certamente, a uma atitude reflexiva, permitindo a valorização da liberdade, da
responsabilidade e da tolerância . Além disso, podem estabelecer parcerias com uma única escola
pública ou comunitária e supri-la com variada gama de serviços ou autorizar a visita de um grupo
de alunos da escola a suas instalações, pois o simples funcionamento de um escritório poderá
despertar nesses jovens alunos futuras aspirações.

A maioria dos projetos de educação está voltada para a melhoria da escola pública com o objetivo
de diminuir a evasão escolar. Importantes também são os projetos que promovem a capacitação
de professores, pois aí está uma das soluções para a melhoria da qualidade da educação e o
aprimoramento dos processos de ensino. No entanto, apesar desses valores revelarem um
engajamento nas áreas sociais, a atuação ainda é muito tímida para a realidade dos problemas
sociais no Brasil.

Os jovens devem ser incentivados a buscar novos caminhos e soluções positivas para alcançar
uma sociedade mais digna e justa, com menos desigualdade e diferenças sociais, cabendo a todos
tratarmos dessa questão como uma questão não só atual, mas como uma urgência social.
Ética e Responsabilidade Social no Currículo Escolar

Questões relacionadas à Ética e à Responsabilidade Social encontram-se a todo o momento em


todas as disciplinas, assim como questões relativas a valores humanos permeiam todos os
conteúdos curriculares:

• Em “História”, as guerras, as diversas formas de poder político, as revoluções industriais e


econômicas e as colonizações concernem diretamente às relações entre os homens.
Dessa forma, o passado histórico é de extrema importância para se compreender o
presente, os valores contemporâneos, as atuais formas de relacionamento entre os
homens, entre as comunidades, entre os países;
• Em relação à “Língua Portuguesa”, deve-se considerar que a linguagem é o veículo da
cultura do país e carrega os valores e a identidade nacional;
• Em “Ciências Naturais”, ao se abordar a sexualidade, podem-se discutir várias questões
pertinentes, como o respeito ao outro (no caso de AIDS/ DST) e a autopreservação, que
não se justifica apenas pela própria saúde e sobrevivência, mas também pelo respeito pela
vida alheia, uma vez que o parceiro pode ser contaminado;
• Em relação ao “Meio Ambiente”, temas, como a preservação da natureza, dizem respeito
diretamente à vida humana, pois poluir rios causa problemas, como pó exemplo,
enfermidades em quem depende de suas águas. Desrespeitar a natureza implica
desrespeitar as pessoas que dela dependem, o que, por sua vez, implica a discussão de
valores éticos.

Portanto, verifica-se há questões relacionadas à Ética em todo o currículo. A

própria função da escola levanta questões Éticas:

• Para que e a quem serve o saber, os conhecimentos científicos e as várias


tecnologias?
• Para que se estuda?
• Como se deve agir com o professor e com os colegas?
• Como são as relações entre escola e comunidade?

Os conteúdos citados devem ser trabalhados para que o aluno evolua em sua formação, com
questões sociais e de cidadania de acordo com os objetivos propostos. Porém, para
desenvolvermos esses temas, não podemos esquecer a necessidade de se trabalhar na formação
dos educadores, para que possam se situar e participar do processo de construção da cidadania,
do reconhecimento de seus direitos e deveres, de seus valores e de sua valorização como
educador.

A escola deve cultivar os valores que são à base de sustentação do comprometimento com os
princípios de respeito à diversidade, à interdependência, à justiça e ao amor ao próximo. A escola
deve ser repensada por meio de novas vivências do espaço educativo, das relações entre
educadores e alunos, das influências do meio escolar na comunidade local, das responsabilidades
individuais e coletivas e do apreço ao conhecimento.

O professor precisa trabalhar com suas motivações pessoais, sonhos e anseios, para ter
consciência de que a escola também pertence a ele e de que cada um deve fazer sua parte
segundo suas capacidades e potencialidades.

O Papel da Escola na Formação de Valores Humanos

O papel da escola na formação educacional é fundamental para mudar as questões relacionadas


aos valores humanos atuais e para poder criar, por meio de experiências construídas no espaço
escolar, a capacidade de analisar os diversos valores presentes na sociedade e na construção de
princípios de respeito mútuo, justiça, diálogo, solidariedade, democracia. Espera-se que os alunos
saibam falar e ouvir e que as diferenças se tornem meios de enriquecimento no conhecimento de
novos valores.

Assim, a escola não existe só para transmitir conhecimentos, informações e formar para o mercado
de trabalho, mas também para formar alunos e cidadãos capazes de definir metas e meios para
alcançarem suas realizações pessoais e de compreenderem a si mesmos e ao próximo, por meio
da convivência uns com os outros e com os professores e funcionários da escola, dos valores
compartilhados e da participação responsável em suas atividades escolares (CHAVES, 2002).

Ao discutir o papel da escola na formação moral PIAGET (1978) argumentou que normas
disciplinares impostas de fora, como a obediência, a autoridade e a coação do adulto, o certo e o
errado, o bem e o mal, além de sufocar a personalidade da criança, mais prejudicam do que
favorecem sua formação. É evidente que as crianças devem perceber o que é certo e o que é bom,
mas elas devem ser equipadas com a capacidade do desenvolvimento do pensamento crítico e
decidirem por si sós a pensar, e não apenas a se adaptar ao estabelecido e ditar seus valores.

Para Jaques Delors (2004), o papel da escola é construir e fornecer às crianças e aos adultos as
bases culturais que permitam decifrar as mudanças de curso a fim de melhor interpretá-las e de
reconstruir os acontecimentos inseridos numa história de conjunto. Ele ainda pontua quatro pilares
importantes para a educação: “Aprender e Conhecer”, “Aprender a Fazer”, “Aprender a Viver
Juntos” e “Aprender a Ser”, onde cada um desses pilares permite trabalhar o aprendizado na
compreensão, no conhecimento, na descoberta, na prática de seus conhecimentos, na
participação e na cooperação com os outros em todas as atividades humanas, na elaboração de
pensamentos autônomos e críticos e na formulação dos próprios juízos de valor, de modo a poder
decidir, por si mesmo, como agir nas diferentes circunstâncias da vida.

Essa visão de DELORS remete à nossa análise sobre a importância de práticas educacionais
ligadas às situações reais, vividas por cada criança no seu dia-a-dia, orientando-a sobre como
analisar e resolver as questões da vida.

A importância de uma Educação que trabalhe a questão de Valores Humanos, a partir do Ensino
Fundamental, reforça-se nas várias publicações encontradas que abordam a questão da
reestruturação do currículo escolar, como encontramos em entrevista do reconhecido jornalista
[1]
Gilberto Dimenstein (2005) :

“A escola tem que ser um grande centro de administração de


curiosidade e possibilidades, porque a educação é para toda a vida. O
último dia de vida é o último dia de escola. Quando o currículo diz
respeito à vida da pessoa, você pode vincular as outras matérias a
esse currículo, e o professor é o orientador dessas várias matérias.”

O Papel do Educador

A qualidade da Educação na escola não trata somente de passar informações aos alunos, mas
depende, sobretudo, da qualidade do trabalho profissional dos professores. Assim, o grande
desafio é utilizar temas polêmicos de forma educativa e como parte do processo educativo,
instigando o aluno à reflexão sobre os problemas da sociedade e sua resolução.

Dessa forma, é preciso repensar a formação de professores de maneira a cultivar, precisamente,


nos professores das próximas gerações, as qualidades humanas e intelectuais adequadas a
favorecer uma nova perspectiva de ensino.

Sobre esse mesmo tema, no texto “Proteção social e muitos espaços para aprender”, GUARÁ
(2003) afirma que qualquer projeto para o desenvolvimento do Brasil terá certamente na Educação
seus esteios fundamentais. Como a melhoria dos indicadores sociais e a superação da pobreza
carecem de implantação de ações sociais, os esforços dedicados à Educação precisam incorporar
avanços na expansão e na qualidade. Os professores e educadores têm a tarefa comum de
orientar as escolhas, de ajudar crianças e adolescentes a processar as informações e de serem
referências humanas exigentes e compreensivas para tornar o aprendizado uma conquista
prazerosa e desafiadora.

Para que essa qualidade da Educação se efetive de fato, todos os governos devem empenhar-se
em reafirmar a importância dos professores da Educação básica e em criar condições para que se
aperfeiçoem as suas qualificações por meio das seguintes medidas:

• Recrutamento - melhorar a seleção e ampliar a base do recrutamento;


• Formação Inicial - estabelecer laços mais estreitos entre as universidades e os institutos de
formação de futuros professores;
• Formação Contínua - desenvolver os programas de formação continuada de forma que os
professores possam recorrer a eles por meio de tecnologias e comunicação adequada e
com a necessária freqüência.

Reforçando o papel do Educador, é preciso lembrar as dificuldades que a maioria dos professores
enfrentam: violência, baixos salários, salas de aula muito numerosas (com quarenta alunos em
média), comprometendo o desenvolvimento do aluno e a sua própria realização profissional. O
número de profissionais da Educação, segundo a Unesco, diminui a cada ano.

Só colocar as crianças na escola não basta, dependemos dos educadores para que, num futuro
próximo, elas consigam adquirir conhecimentos básicos e valores para ter uma vida digna.

Uma questão fundamental é fornecer ao educador o acesso à informação, às pesquisas realizadas


e às práticas bem sucedidas, para que sirvam de base para suas aplicações. Essas informações
devem ser fornecidas seja por meio de palestras, cursos, informativos, seja por meio de pesquisas
na Internet, ou rede de comunicação.

A questão do educador é de fundamental importância na reformulação do papel da escola.


Investimentos urgentes devem ser feitos para estimular a melhoria das condições de trabalho dos
educadores e, conseqüentemente, mudar a Educação de nosso país.

Análise de Projetos em Escolas no Ensino Fundamental

Existem várias escolas que já implantam essa prática nos currículos escolares de forma muito
diversificada e com resultados significativos na mudança de atitude dos alunos em relação ao meio
ambiente, ao respeito aos idosos, ao envolvimento escola / comunidade, à cooperação escola /
cidade e a mudanças de ações do poder público, que passou a considerar com mais atenção às
propostas das escolas.
Analisamos os projetos de 07 escolas no estado de São Paulo, que implantam essa prática nos
currículos escolares de forma muito diversificada, encontramos conteúdos e resultados
significativos para o fortalecimento das mudanças obtidas com a prática dos Temas Transversais
inseridos dentro do currículo escolar e observamos as questões de Ética e Responsabilidade
Social sendo abordadas na prática, de acordo com as necessidades culturais e sociais de cada
localidade.

• No projeto CIDADANIA - É ASSIM QUE SE FAZ, em Bariri, encontramos um


envolvimento de todas as matérias curriculares nos temas em questão e a participação da
comunidade e autoridades locais.
• Em JOVENS CONSTRUTORES, em Ubatuba, a situação precária da escola e a
carência de recursos dos alunos levaram a uma mobilização, que resultou na valorização
do indivíduo e na confiança de que é possível melhorar.
• No projeto CONSIDERE – A EDUCAÇÃO EM VALORES, A CIDADANIA E OS DIREITOS
HUMANOS, em São Paulo, desenvolveram-se atividades voltadas ao voluntariado com
alunos de uma escola particular, fortalecendo a conscientização de uma responsabilidade
social que permaneceu neles mesmo após a conclusão do período escolar.
• Com o projeto ESCOLA CIDADÃ, em Santo Antonio do Aracanguá, vimos à conquista
da escola para atender as necessidades de seus alunos, oferecendo um espaço de
aprendizado, entretenimento e aplicação de valores humanos, com as crianças passando a
freqüentar a escola, a fazer suas lições e a sair da marginalidade e do trabalho infantil.
• Com o NUTRI E EDUQUE, em Potirendaba, verificou-se a prática de responsabilidade
social para com os próprios colegas de escola, conscientizado-os da importância de
hábitos saudáveis, e aprendendo sobre as implicações advindas deles. Como prática dos
seus conhecimentos, os alunos levaram o aprendizado para suas famílias e comunidade.
• No Projeto ESCOLA DO CAMPO, em Praraquara, alunos, professores e comunidade
foram beneficiados. Como os alunos passaram a aprender, nas aulas, a prática do trabalho
rural e os professores foram motivados com adicional salarial e transporte, a comunidade
passou a ter no espaço da escola o núcleo central de muitas atividades, valorizando o
homem do campo sem perder contato com a cidade.
• Nos CEUs, em São Paulo, cada uma das escolas respeita suas necessidades,
dentro do perfil de seus alunos e da comunidade. Assim, os alunos podem de maneiras
diversas realizar um trabalho de educação para a vida, de responsabilidade, de ação
social, ética e cultural dentro dos seus próprios recursos e limites, aprendendo que, com
vontade, todos podem educar de verdade.

O projeto dos CEUS é ousado quanto às suas propostas, abrangendo atividades para a construção
da cidadania e a melhora da qualidade de ensino. Seria muito importante se todos os cidadãos
tivessem acesso a todas as informações para serem capazes de avaliar seus resultados, pois fez-
se um grande investimento e o retorno deve ser o benefício para toda a comunidade.

Resumo dos resultados alcançados nessas escolas:

• Envolvimento da escola com a comunidade e atores locais.


• Conscientização das mudanças possíveis por intermédio da formulação e
implementação de novas políticas públicas.
• Conquista de auto-estima, preocupação com o meio ambiente, respeito pelas
diferenças, senso de companheirismo e o desenvolvimento de visão crítica.
• Prática do trabalho voluntário.
• Redução da violência, marginalidade e do trabalho infantil.
• Valorização do homem do campo.

Com esses resultados de sucesso obtidos nos projetos aplicados nas escolas de Ensino
Fundamental, ressaltamos a importância de serem trabalhadas as questões de Ética e
Responsabilidade Social na formação dos indivíduos a partir do Ensino Fundamental, quando os
alunos se encontram em fase de formação de valores e atitudes, para termos uma sociedade mais
humana, menos individualista e mais voltada para o bem comum.

Dessa forma, poderemos vir a ter futuros dirigentes dedicados a investimentos na sociedade sem
exigir benefício próprio.

Conclusão

As pesquisas e a análise realizadas sobre a questão de Ética e Responsabilidade Social no Ensino


Fundamental, o estudo sobre conceitos e valores e práticas aplicadas levaram-nos a apontar
algumas considerações de fundamental importância para a reflexão dos dirigentes escolares,
professores, comunidade e governos.

Embora ninguém discorde de que o Ensino Fundamental é a base para uma Educação Integrada a
todos os aspectos do desenvolvimento do indivíduo, sabe-se que a qualidade desse ensino muitas
vezes é inadequada. A principal causa para isso é, sem dúvida, o fato de que os investimentos em
Educação são insuficientes, o que significa, na prática, que uma maior vontade política dos
governos torna-se necessária, assim como mudanças nas políticas públicas.

Todavia, não há governo que provoque uma mudança sem o envolvimento da comunidade. Não
podemos esquecer da contribuição das organizações não-governamentais e das empresas no
desenvolvimento de projetos para a construção da cidadania. As empresas podem dar suporte
financeiro e, simultaneamente, suas atuações socialmente responsáveis poderão influenciar os
alunos do Ensino Fundamental quanto às suas atitudes como cidadãos. As ONGs, por sua vez,
facilitam o contato direto com a comunidade, mostram a importância da participação na escola e
oferecem atividades complementares.

A ajuda do Setor Privado foi constatada através do Guia da Cidadania. Houve um aumento
significativo, embora ainda não suficiente, de projetos em Educação.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) são uma referência para o Ensino Fundamental. É
necessário que sejam mais divulgados e que contribuam, efetivamente, para a formação e a
atualização dos educadores e dirigentes escolares. Conforme os Parâmetros, o Estado seria o
responsável pela formação de pessoas capazes de exercer plenamente sua cidadania.

O tema Ética é um dos Temas Transversais sugerido pelos PCNs, existe a preocupação em trazer
Valores Éticos para o Ensino Fundamental. Acredita-se que cidadãos éticos sejam capazes de ter
uma atuação responsável na vida.

Entretanto, trabalhar questões éticas no Ensino Fundamental não é tarefa fácil e só será
plenamente alcançada quando os professores forem preparados para mais essa função. A
situação do professor das escolas públicas é um motivo de preocupação, pois ele vivencia
situações de violência, de escassez de material, de desinteresse por parte dos alunos e de falta de
motivação, de desvalorização como profissional e de baixos salários.

É preciso repensar a formação dos professores, de maneira a torná-los aptos a desenvolver


adequadamente esses temas nas escolas, mediante as sugestões propostas pelos PCNs. Como
exemplo de novas alternativas de capacitação do magistério, existe a Associação Palas Athena
com o Programa de Educação em Ética e Valores Universais, VALORES QUE NÃO TÊM PREÇO, cujo
objetivo é sensibilizar e motivar professores e alunos, quanto à importância do ensino da Ética e
dos valores universais nas escolas.

Ainda que a situação do professor, com freqüência, seja difícil, ele precisa acreditar que mudar é
possível, caso contrário, as mudanças dificilmente acontecerão.

Assim, a atuação perante a realidade da escola pública deve ser de análise e de conscientização,
não somente da equipe docente, mas de toda a comunidade, de que deve haver perspectiva de
mudança do quadro presente. Nas condições atuais, frustra-se a esperança de que a escola venha
a assumir o papel central no processo de socialização e de aprendizado de papéis e normas
sociais.
A escola só oferecerá um Ensino Fundamental com qualidade, quando, ao completar a oitava
série, o aluno estiver preparado para entrar no mercado de trabalho, ou puder escolher entre
cursar o Ensino Médio para depois cursar uma boa Universidade, ou optar por um curso
profissionalizante.

Todas essas motivações e a procura por respostas para atingir nossos objetivos reforçam-se com
uma citação de Luiz Carlos Merege, servindo como indicador de que um país melhor é possível:

“O desafio maior para os jovens empreendedores sociais não se reduz,


porém, à apresentação de resultados, mas se posicionar na defesa de
[2]
valores e princípios que prevalecem no terceiro setor e que passam
gradativamente a servir de referência aos outros setores. São valores
que fundamentam a construção de uma sociedade solidária, igualitária
e fraterna. Se no passado o Estado e o setor privado contaram com o
suporte intelectual de jovens administradores, o terceiro setor, com
características peculiares, certamente vive uma importante e
necessária transformação graças à contribuição desses novos
[3]
empreendedores sociais”.

Dessa forma, infere-se que há necessidade de pessoas para trabalhar na defesa de Valores, mas,
para que a atuação seja responsável, elas também devem ter recebido uma Educação em
Valores.

Referências Bibliográficas

Ação de IBOPE pela Educação. Acesso em 01/12/04 no http://www.jpm.org.br/

AOKI, Edna. “Ética – Decidir entre humanos”. Acesso em 13/07/04 no


http://www.educarede.org.br.

BAHIENSE, Denise. “A integração de integração entre família e escola”. Folha Dirigida. Acesso em
05/12/04 no http:// www.folhadirigida.com.br.

BAUMAN, Zygmunt. Ética Pós-Moderna. São Paulo: Paulus, 1997.

BOFF, Leonardo. Ética e moral: a busca dos fundamentos. Petrópolis : Vozes, 2003.

CAMPBELL, Jack (org). Construindo um futuro comum. Brasília: UNESCO / OECD / Ministério da
Saúde, 2002.

CARRARA, J. A. “Educar para a sensibilidade”. Acesso em 23/11/04 no


http://www.profissaomestre.com.br.
CHAVES, Eduardo O. C. “Nova Escola - Em Defesa de uma Nova Escola”. Acesso em 10/08/04 no
http://www.novaescola.net.

CHIBILI, Faoze. “Educação. Prêmio incentiva implantação dos PCN e destaca projetos
pedagógicos bem-sucedidos”. Acesso em 11/07/04 no http://www.revistaeducacao.com.br.

“Contextualização e Problematizar. Temas Transversais. Manual do Professor”. Acesso em


22/11/04 no http://www.editorasaraiva.com.br.

CÓRIA-SABINI, M. A.; OLIVEIRA, V. K. Construindo valores humanos na escola. Campinas, SP:


Papirus, 2002.

DELORS, Jacques. Educação, um tesouro a descobrir. São Paulo: Brasília, DF: MEC: UNESCO,
2004.

DIMENSTEIN, Gilberto. “O mundo como escola”. Acesso em 05/12/05 no http://www.setor3.com.br.

“Educação para os Direitos Humanos e a Cidadania”. Acesso em 19/07/04 no


http://www.dhnet.org.br.

“Escolas instiga à reflexão sobre grandes temas da sociedade”. Temas Transversais. Acesso em
22/11/05 no http://www.ose.g12.br.

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. Introdução de Francisco C. Weffort. Rio de
Janeiro: Paz e Terra, (19ed, 1989, 150p).

GARROS, Kaudy. “Entrevista da equipe da Educacional”. http://www.educacional.com.br

GENTILIE, Paulo. “As diversas faces da escola. Como enfrentar o desafio de oferecer um ensino
que respeite a cultura de cada comunidade”. Acesso em 22/11/04 no
http://www.novaescola.abril.uol.com.br.

GUARÁ, Isa. Educação, proteção social e muitos espaços para aprender - Muitos lugares para
aprender / Centro de Estudos e Pesquisa em Educação, Cultura e Ação Comunitária – CENPEC –
São Paulo; CENPEC / Fundação Itaú Social / UNICEF, 2003.

Guia de Boa Cidadania Corporativa – Editado pela revista EXAME, quinta edição anual, Editora
Abril.

GUIMARÃES, Gilberto. “Responsabilidade Social: um novo modelo empresarial”. Acesso em


29/01/05 no http://www.saudebrasil.net.com.br.

Guia GIFE sobre investimento social privado em Educação. São Paulo: GIFE, 2003.

HASSEN, J. Filosofia dos Valores. Coimbra: Arménio Amado.1974.

MARTINELLI, Marilu. Ética, Valores Humanos e Transformação. São Paulo: Fundação Peirópolis,
1998.

MARTINELLI, Marilu. Aulas de Transformação. São Paulo: Fundação Peirópolis, 1996.


MATURANA, Humberto. & REZEPKA, Sima Nisis. Formação Humana e Capacitação. Petrópolis,
RJ: Vozes, 2000.

MORIN, Edgar. Os Setes Saberes Necessários à Educação do Futuro. São Paulo: Cortez; Brasília,
DF: UNESCO, 2003.

Muitos Lugares para Aprender. Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação
Comunitária – CENPEC. São Paulo: CENPEC, Fundação Itaú Social, Unicef, 2003.

Municípios. www.saopaulo.sp.gov.br. Documento visitado em 22/01/05.

“O que é agenda 21”. Ministério do Meio Ambiente. Acesso em 23/01/05 no


http://www.mma.gov.br.

ORTS, Adela Cortina. O Fazer Ético – Guia para a educação moral. São Paulo, Moderna, 2003.

PCNs, Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental, Brasília,


1997.

PEREIRA, Moacir. “A cidadania na escola”. Acesso em 19/07/04 no http://www.na.iol.com.br.

“Perfil dos Municípios Brasileiros”. Acesso em 22/01/05 no http://www.ibge.gov.br.

PREUSSLER, Anna. “Responsabilidade Social na escola”. Acesso em 11/07/04 no


http://www.nota10.com.br.

Programa Gestão Pública e Cidadania – Histórias de um Brasil que Funciona. São Paulo:
Programa Gestão Pública e Cidadania, 2004.

“Programa que prepara jovens para o exercício da cidadania”. Academia Educar. Acesso em
11/07/04 no http://www.educar.com.br.

Projetos. CENPEC. Acesso em 01/12/04 no http://www.cenpec.org.br.

Projeto de Educação e Cidadania. Acesso em 05/12/04 no http://www.cempec.org.br.

Projeto escola. Planejamento do Ensino; Arte e Cultura na Escola; Ética, Decidir entre humanos;
Disciplinas e Interdisciplinaridade. Equipe EducaRede. Acesso em 11/07/04 no
http://www.educarede.org.br.

PUIG, Josep Maria. A Construção da Personalidade Moral. São Paulo: Editora Ática, 1998.

“Quarenta Valores essenciais para o desenvolvimento”. Search Institute, Healthy Communities,


Healthy Young. www.serach-institute.org

RICCI, Rudá. “Por uma Lei de Responsabilidade Social ou para se contrapor ao Estado-
Facilitador”. Acesso em 13/07/04 no http://www.espacoacademico.com.br.

RUSS, Jacqueline. Pensamento ético contemporâneo. São Paulo: Paulus, 1999.

SALLES FILHO, N. A. “Educando para a PAZ”. Acesso em 23/11/04 no


http://www.profissaomestre.com.br.
TAILLE, Yves de La. Limites: “Três dimensões educacionais”. Acesso em 23/11/04 no
http://www.educacional.com.br.

TEIXEIRA, N. J. “Responsabilidade Social na escola. Como aplicar este novo conceito no cotidiano
de nossas escolas”. Acesso em 11/07/04 no http://www.educar.com.br.

“Valores – Discutindo os valores na escola”. Acesso em 23/11/04 no


http://www.educacional.com.br.

WEISZ, Telma. Seminário Qualidade na Educação, garantia de Eqüidade e Aprendizagem na


Escola.

[1]
DIMENSTEIN, Gilberto. “O mundo como escola”. Entrevista para a Revista Viração realizada
pelo Conselho Editorial Jovem da Vira. Acesso em 05/12/04 no http://www.setor3.com.br.

[2]
O Estado é o Primeiro Setor; o Mercado é o Segundo Setor e Entidades da Sociedade Civil
formam o Terceiro. O Terceiro Setor é constituído por organizações privadas sem fins lucrativos
que geram bens, serviços públicos e privados, com objetivo de promover o desenvolvimento
político, econômico, social e cultural no meio em que atuam. Exemplos de organizações do
Terceiro Setor são as organizações não-governamentais (ONGs), as associações e fundações.

[3]
Jornal Valor Econômico, 09/04/2002 - São Paulo SP. Luís Carlos Merege é coordenador
do curso de Administração para Organizações do Terceiro Setor, do Centro de Estudos do Terceiro
Setor (CETS), da Fundação Getulio Vargas – Escola de Administração de Empresas de São Paulo
(FGV/EAESP).

* Este artigo foi selecionado a partir dos trabalhos de conclusão de curso da pós-graduação em
Administração de Organizações do Terceiro Setor da FGV-SP. O trabalho pode ser encontrado na
íntegra no CETS – Centro de Estudos do Terceiro Setor da FGV-SP.

*Patrícia Bauer é formada em matemática pela PUC-SP com pós-graduação em Administração de


Organizações do Terceiro Setor pela FGV-SP. Atualmente trabalha com o Ensino Médio.

Tana Bassi é pós-graduada em Administração para Organizações do 3o. Setor também pela FGVSP.
Atua como consultora nas áreas de responsabilidade social, planejamento estratégico, gestão e
elaboração de projetos sociais e culturais.

BAUER, Patrícia N., BASSI, Tana. “Ética e Responsabilidade Social no Ensino Fundamental”. Qual o Papel da
Escola na Formação de Valores Humanos? Revista IntegrAção. São Paulo : CETS, FGV – EAESP, n. 63,
jun. 2006. Disponível em: http://integracao.fgvsp.br/ano9/06/opiniao.htm. Acesso em: 17 ago. 2006.