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História de Missões Mundiais

INTRODUÇÃO

“... e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e


Samaria e até aos confins da terra”. At 1.8b.

Segundos antes da ascensão do Senhor Jesus Cristo, os discípulos ali


reunidos ouviram de seus lábios a ordem de anunciá-lo até os limites da
terra. Contudo, quase 2000 anos passaram-se e essa tarefa é ainda
inacabada. Observamos nos últimos anos, o despertar de nossas igrejas por
Missões e grande procura de livros, que possam criar uma visão mais bíblica
e global do trabalho missionário transcultural. Excelentes livros têm sido
escritos sobre este tema, mas é muito difícil documentar tudo, pois houve
pessoas anônimas que foram usadas por Deus para serem canal de benção
que não temos nenhum dado.

Neste trabalho de pesquisa, falaremos sobre o avanço do cristianismo ao


redor do mundo e

abordaremos também, a HISTÓRIA DAS MISSÕES.

Três religiões denominam-se desde o começo, missionária e universalista:


“Budismo”,“Cristianismo”, e o “Islamismo”.

O Budismo tem sido sempre uma religião oriental. Extinguindo-se na sua


terra de origem, a Índia. Difundiu-se à Norte, Sul, Leste e muito pouco à
Oeste.

O Islamismo, desde o princípio é a religião do deserto, destacando-se no


Oriente

Médio, prolongando-se em todas as direções, de Marrocos à China


Ocidental, da Albânia à

Indonésia e de uma forma eficaz na África Tropical.

O Cristianismo foi à única religião que realmente conseguiu transforma-se


em universal. Contudo, isto não significa, que todas as pessoas da terra se
tenham tornado cristãs.

Embora saibamos essa verdade, temos de afirmar também, que não existe
nenhuma religião no mundo, que não haja vista partidários seus
converterem-se ao Cristianismo.

A igreja primitiva era do tipo genuinamente missionária. Havia os que


trabalhavam de tempo completo, como Paulo e Barnabé, destinados a
liderar a obra missionária.Paulo tinha seus auxiliares, aos que ensinava e
que por sua vez fundavam Igrejas. Ex. Epáfras em Colossos, Cl 1.7.

Em virtude da perseguição após a morte de Estevão, espalharam a


pregação pelo mundo, Atos 8.4. Mas, não eram estes os únicos missionários
voluntários. Quando Paulo chegou a Roma, foi recebido por crentes e não
sabemos como eles surgiram na cidade. Alguns dos cristãos eram escravos,
como sabemos pelas epístolas de Paulo, estes eram deslocados por toda à
parte, acompanhando as comitivas dos seus senhores. Outros eram
mercadores e viajavam em razão do interesse de seus negócios. Sabe-se
com certeza, que cada cristão era uma testemunha de Cristo. Onde
existisse um cristão, havia uma fé ardente, viva e em breve uma
comunidade cristã em expansão.

No segundo século, havia três centros importantes de vida cristã no


mediterrâneo:

Antioquia, Roma e Alexandria. Acerca da fundação da Igreja de Antioquia,


Lucas não menciona nenhum nome. A Igreja de Roma, provavelmente tenha
sido organizada por Pedro e Paulo. Em relação à Igreja de Alexandria,
alguém afirma ser o Evangelista Marcos, seu fundador. Porém até agora
existe qualquer prova histórica neste sentido. Indiscutivelmente, Missões foi
a maior glória da igreja dos primeiros tempos. A igreja era o corpo de Cristo,
habitado pelo Espírito Santo. E aquilo que Cristo começou a fazer continuou,
com o objetivo de ao longo dos dias chegar aos recantos mais longínquos da
terra.

HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

AS DEZ ERAS DA HISTÓRIA REDENTIVA

Encontramos no livro de Gênesis em seus onze capítulos iniciais três fatos, a


saber:

1.1. Uma criação original, gloriosa e boa, Gn 1.31;

1.2. A entrada de um poder rebelde, maligno e sobre humano, Gn 3.1-13;

1.3. O envolvimento do homem nesta rebeldia e mantido sobre o poder


deste mal, Gn 6.1-7.

Porém, em todo o restante da Bíblia, até Apocalipse, deparamos com um


único drama: A entrada do reino, do poder e da glória de Deus dentro deste
território ocupado pelo inimigo. Neste trabalho redentivo de Deus para a
humanidade, vemos as dez eras, as quais chamamos de “As dez Eras da
História Redentiva”, trazendo consigo o seguinte tema: “ A graça de Deus
que intervém na história a fim de derrotar o inimigo”.

Atentaremos rapidamente para o que ocorreu em cada uma das dez eras,
sabendo que todas somam um período de 4.000 anos.

a. Na 1a era: Abrão foi escolhido em Gn 12.1-3. O mesmo mandamento foi


dado à Isaque em Gn 26.1-5, à Jacó em Gn 28.10,15, e José tranqüilizou
seus irmãos dizendo: “ Vocês me venderam, mas Deus me enviou”, Gn 4.4
-8. Ele se tornou uma Bênção para o Egito.
Até mesmo faraó reconheceu, que José estava cheio do Espírito Santo, Gn
41.38. Porém, esta não foi à obediência missionária intencional que Deus
desejava. b. Na 2a era, dá-se o cativeiro, 70 anos Israel é escravizado pelo
rei da babilônia, Nabucodonozor, Jr 25.9-11; 29.1,4,10; 2Cr 36.18-21; Ed
5.12. c. Na 3a era, Deus começa a usar os Juizes para lutar em favor do
povo, Jz 1.16; d. Na 4a era, Deus começa a contar com reis em Israel, 1Sm
8; 2Cr 36; e. Na 5a era, dá-se o segundo cativeiro e a diáspora; f. Na 6a era,
Roma foi conquistada, mas não estendeu o evangelho aos povos bárbaros,
celtas e godos. Quase por castigo, Roma foi invadida pelos godos e toda
parte ocidental do império foi desmoronada.

g. Na 7a era, os godos foram evangelizados, mas não levaram o evangelho


mais ao Norte;

h. Na 8a era, novamente quase por castigo os vikings invadiram a região


dos celtas e godos cristãos e os vikings se tornaram cristãos em meio a esse
processo.

i. Na 9a era, a Europa, pela primeira vez mudou na fé cristã, se lançou a um


exercício de

pseudomissão aos serracenos e se dirigiu ao oriente mais distante como


conseqüência do grande fracasso das cruzadas. M.

Na 10a era, a Europa atingiu então aos confins da terra, mas com
motivações muito confusas.. 2EV. “Deus realiza sua vontade através da
obediência voluntária de seu povo, mas quando necessário realiza o seu
querer através de meios involuntários”.

José, Jonas, Ezequiel, Gideão, são exemplos da obra missionária involuntária


na Igreja no Antigo Testamento.

Notamos em cada era, Deus preocupado em levar avante sua missão, com
ou sem interesse da sua Igreja. A nação escolhida por Deus para receber e
mediar bênção, Ex 19.3-8; Dt 28.8-14; Sl 67.1,2; 96.1-3; Is 49.6, se
afastaram bastante desse ideal. Havia em Jerusalém muitos estudantes
fanáticos da Bíblia, contudo o objetivo principal de cada um era muito mais

HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

sustentar e proteger a nação de Israel do que ser uma bênção para as


demais nações. Elas não se preocupavam com que seus convertidos fossem
circuncidados no coração, Jr 9.24-26; Rm 2.28,29. “ Os que são abençoados
não parecem muito ansiosos em compartilhar as bênçãos recebidas, porém,
se insistirmos em guardar para nós as bênçãos ao invés de compartilhá-las,
então, da mesma maneira que Deus agiu com as nações negligentes,
teremos que perder nossas bênçãos para os outros. Deus continua no
propósito de usar sua igreja para alcançar o mundo. O reino não poderá
parar por nossa causa, Mt 24.14”.
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PERÍODO DA HISTÓRIA MISSIONÁRIA.

Os evangélicos têm refletido bastante sobre tendências na história e sobre o


relacionamento deles com acontecimentos vindouros. Notamos que as
pessoas estão abertas a uma maneira de encarar a vida, a de viver do tipo,
“p ara onde vamos”. Todavia, os cristãos ainda fazem pouquíssima ligação
entre o debate sobre profecias e eventos futuros e o debate sobre missões.
Eles vêem a Bíblia como um livro de profecias, tanto em relação ao passado
como ao futuro.“ A Bíblia toda é um livro missionário... o ponto central do
enredo e que une todas as partes é a execução de um propósito missionário
que é gradual e vai se revelando aos poucos”.

Todos precisamos entender, que a História das Missões, começa bem antes
da grande comissão, mais uma vez lembramos, que Deus falou a Abrão em
Gn 12.1-3, que iria abençoálo e que seria uma bênção para todas as famílias
da terra. O apóstolo Pedro citou essa passagem no dia em que falou no
templo, At 3.25. Paulo repetiu-a em sua carta aos Gálatas, Gl 3.8.

No entanto alguns comentaristas da Bíblia interpretam que somente a


primeira parte do versículo poderia Ter começado imediatamente.
Concordamos que Abrão ia rapidamente ser abençoado por Deus e somente
depois de 2000 anos poderia se tornar uma bênção para todas as famílias
da terra. Pensam eles, que Cristo precisava primeiramente vir e entregar a
Grande Comissão. Precisamos sempre lembrar, que o mandamento
missionário foi dado para

Israel e a nós, Gn 12.1-3; Mt 29.19-20.

Muitos que já receberam em sua vida a bênção da salvação em Cristo Jesus


de um modo especial podem escolher resistir e tentar abafar qualquer idéia
de obrigação ser uma bênção a outros. Mas, essa não é à vontade de Deus:
“ Aquele a quem muito for dado, muito se lhe pedirá”, Lc 12.48. esse
mandato tem sido ignorado a maior parte do tempo desde os apóstolos.

Mesmo nossa tradição protestante reprimiu essa ordem durante mais de


250 anos, preocupando-se só com si mesma e com as bênçãos que ia
receber, até um jovem de grandefé e capacidade de suportar as provações
surgiu no cenário, William Carey.

2.1. Primeiro Período Um homem sapateiro inglês, chamado “ O Pai das


Missões Modernas” nasceu em 1761, na cidade de Paulerspury, perto de
Northampton, Inglaterra. Teve uma infância rotineira, não podendo tornar-
se jardineiro devido problemas persistentes de alergias.

Aprendeu a profissão de sapateiro aos 16 anos e trabalhou nela até aos 28.
Converteu-se na adolescência, associando-se a um grupo de Dissidentes
Batista, dedicando seus momentos de folga ao estudo bíblico. Em 1781,
quando estava para completar 20 anos, casou-se com a cunhada de seu
patrão, Dorothy, a qual era cinco anos mais velha que ele. Apesar das
dificuldades econômicas William Carey, não desistiu de seus estudos e da
pregação leiga, em 1785 foi convidado a pastorear uma Igreja Batista.
Durante o seu pastorado foi despertado para missões e desenvolveu uma
perspectiva bíblica sobre o assunto, convencendo-se de que missões
estrangeiras eram a responsabilidade principal da Igreja. Quando muitos na
época criam, que a Grande Comissão fora dada somente aos apóstolos e a
conversão dos pagãos não era problemas deles. Porém as idéias de Carey
eram revolucionárias e quando as apresentou a um grupo de ministros,
alguém replicou: “ Jovem sente-se. Quando Deus quiser converter os pagãos
Ele o fará sem a sua ajuda ou a minha”.

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Porém, Carey recusou-se calar, publicando um livro de 87 páginas que teve


conseqüências de longo alcance, intitulado: “ Uma inquisição sobre a
responsabilidade dos cristãos em usarem meios de conversão dos pagãos”.
Com muita insistência, os ministros decidiram fundar uma junta de missões,
a qual recebeu o nome de: “ Sociedade Batista Missionária” e por esta junta
William Carey, foi comissionado à Índia, sendo por causa disto chamado de
louco por seu próprio pai e observando a recusa de sua esposa em partir
com ele.

Todavia, ele estava disposto a partir mesmo sozinho, como o fez.


Entristecido viajou deixando esposa e filhos, tendo depois a alegria de vê-
los novamente porque a sua família foi a seu encontro e juntos chegaram à
Índia em 19 de Novembro. Na cidade de Serampore, Índia, Carey passou os
anos restantes da sua vida. Morreu em 1834, mas deixou ali a sua marca e
nas missões de todos os tempos. Carey deixou após si, um luminoso roteiro
cheio de exemplos dignos de serem imitados por todos os que aspiram
andar no caminho do Senhor.

Frases como esta marcaram sua vida: “ Apesar de tudo, Deus está comigo.
Sua palavra é a verdade segura e ainda que as superstições do paganismo
fossem mil vezes piores do que são; ainda que fosse abandonado pelos
meus e perseguido por todos, minha esperança, fundada na palavra de
Deus, permaneceria sobre todos os obstáculos e triunfaria de todas as
provas. A causa de Deus triunfará e eu sairei destas angústias qual ouro
purificado ao fogo”.

Com o embarque de Carey para a Índia, o 1o período das missões


protestantes teve um bom início, pois durante os seus 25 anos de trabalhos
iniciais fundou-se 12 agências missionárias. A idéia de que deveríamos nos
organizar a fim de enviarmos missionários não foi facilmente recebida, mas
finalmente se tornou o padrão aceito. Por sua influência, Carey levou muitas
mulheres para orarem por missões, uma tendência que fez com que elas se
tornassem as principais guardiãs do conhecimento e da motivação
missionária. Depois de alguns anos elas começaram a ir para o campo como
missionárias solteiras.
Há dois destaques a serem observados nesse 1o período da história
missionária. Um é a surpreendente demonstração de amor e sacrifício por
parte daqueles que partiram como missionários. Outro é o desenvolvimento
de uma reflexão perspicaz, de grande valor, acerca da estratégia
missionária.

Henry Venn, em relação à estrutura do campo missionário, diz: “ Do ponto


de vista do resultado eclesiástico e considerando o objetivo final de uma
missão como sendo o estabelecimento de uma igreja nativa, pastoreado por
pastores nativos e da posição que irão ocupar, deve-se também Ter em
mente que, conforme já foi dito de modo muito apropriado, a (eutanásia de
uma missão), ocorre quando um missionário, cercado de igrejas nativas
bem treinadas, dirigidas por pastores nativos, é capaz de renunciar a todo
trabalho pastoral que está em suas mãos e gradualmente transferir todo o
seu trabalho de supervisão aos próprios pastores até que
imperceptivelmente o seu trabalho deixe de existir,

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quando então, a missão passa a ser uma igreja cristã estabelecida. A partir
desse momento o missionário deve ser transferido para outras regiões ainda
não alcançadas”.

2.2. Segundo Período

A exemplo de Carey um outro homem destaca-se neste segundo período da


história missionária, Hudson Taylor. Tornou-se famoso de repente. Recebeu
quase que só críticas negativas, porém, refletiu longamente debruçado
sobre estatística, quadros e mapas. Quando sugeriu que os povos do interior
da China precisavam ser alcançados, disseram que ele não conseguiria
chegar lá e indagaram-lhe se gostaria de carregar nas suas costas o sangue
dos jovens que ele desejava enviar para morrer. Com apenas um
conhecimento de medicina de nível técnico, sem qualquer experiência ou
conhecimento universitário, sem treinamento missiológico, foi apenas uma
das coisas frágeis que Deus usa para confundir os sábios.

Hudson tinha por detrás de si um sopro divino.

O Espírito Santo opoupou de perigos inesperados e foi sua organização, a


Missão ao

Interior da China, a organização mais cooperativa e serviçal que já


apareceu, atendendo mais

de 6.000 missionários, no interior da China. Este 2o período ficou marcado


pela evangelização

de áreas no interior. A missão para o interior da China surgiu na mente e no


coração de um
homem que sentia uma profunda responsabilidade pelos milhões de
chineses, que jamais

tinham ouvido falar do evangelho.

Uma das frases de Hudson Taylor: “ Deus fez de mim um novo homem”.

A grande lição neste segundo período dada por Taylor estava sendo
obedecida. Com

isso os missionários alcançaram um recorde incrível. Eles implantaram


Igrejas em milhares de

novos lugares, principalmente em regiões do interior.

2.3. Terceiro Período

Este período teve início com dois jovens: Cameron Townsend e Donald
McGavran.

Cameron estava com tanta pressa para ir ao campo missionário, que não se
preocupou em

terminar a faculdade. Trabalhando na Guatemala, observou que a maioria


dos guatemaltecos

não falava o espanhol e ficou tremendamente desafiado, quando um índio


daquele país

perguntou-lhe: “ Se o seu Deus é tão inteligente e capaz, porque Ele não


pode falar em nossa

língua?”. Neste terceiro período Cameron dedicou -se às tribos indígenas e


surgiu então mais

uma agência missionária conhecida como: “ MISSÕES NOVAS TRIBOS”.

O tio Cam, como era conhecido e chamado por seus amigos, empenhou-se
no trabalho

de tradução da Bíblia para muitas tribos. Em dez anos de trabalho árduo


completou o N.T.

CAKCHIQUEL.

Um grupo de mulheres recebidas por Cam, trabalhou entre os shapras, uma


das tribos

de caçadores de cabeças mais temidas da selva peruana, comandada pelo


infame chefe Tariri,

que obtivera essa posição assassinando seu predecessor. Porém, com a


disposição e coragem
das missionárias, Tariri começou a ajudá-las como informante a respeito da
língua e após

pouco anos afastou-se da feitiçaria e do homicídio para tornar-se cristão,


estabelecendo um

exemplo que muitos de sua tribo o seguiram. Mais tarde Tariri confidenciou
a Cam:

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“ Se você tivesse mandado homens, nós os

mataríamos imediatamente. Se fosse um casal, eu mataria

o homem e ficaria com a mulher. Mas, o que poderia um

grande chefe fazer com duas moças inocentes que insistia

em chamá-lo de irmão?”. .

Houve uma filosofia que motivou Cam, mais do que qualquer outra durante
toda a sua vida:

“ O maior missionário é a Bíblia na língua pátria.

Ela jamais precisa de férias e nunca será considerada

estrangeira”.

Este período caracterizou-se pela categoria mais difícil de se definir, de


natureza não

geográfica, que temos chamado de “povos ocultos”, a saber, grupos de


pessoas que estão

socialmente isoladas. Por mais de 40 anos Cameron e Donald McGavran


chamaram a atenção

para os povos esquecidos.

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HISTÓRIA DAS MISSÕES ROMANAS

A CONQUISTA DO MUNDO ROMANO (100-500)

O mundo a que se chegaram os primeiros cristãos era favorável em muitos


aspectos à
pregação do Evangelho. Apesar do Império Romano impor uma disciplina, a
paz nunca foi

total. Havia sempre ameaça nas fronteiras; revoltas nas províncias; a luta
pela queda deste ou

daquele imperador ameaçava sempre a organização.

A igreja no princípio falava o aramaico, idioma corrente na Palestina. No


decurso do

tempo verificou-se ser necessário empregar várias línguas para expressão


da sua fé. O Império

Romano aceitara o grego, para todos os fins. Quem soubesse o grego


poderia comunicar-se

com facilidade, por isso, a Igreja se envolveu com este idioma.

Na época 7% da população nas regiões do Império eram constituídas de


judeus que

apesar da sua falta de amizade e secura, atraiam muitos para a fé judaica.


Como os gregos

viviam à procura do saber, encontrou na sinagoga uma sabedora profunda e


dinâmica,

aparentemente mais antiga que a de Homero.

Se não existisse o Livro de Atos dos Apóstolos, nada saberíamos do início da


Igreja,

exceto o que nos revela as Epístolas. Mas, o Espírito Santo fez com que
Lucas escrevesse essa

obra, o qual destaca Paulo como seu missionário predileto e com muita
razão. Este foi o maior

e provavelmente o mais sistemático de todos os missionários. Trabalhou


rapidamente entre os

gentios, mesmo nos pontos mais remotos do mundo. Roma não era seu
objetivo. O

missionário desejava apenas conhecer os cristãos romanos e ir para


Espanha, Rm 15.23-28. O

Império Romano era um mundo de cidades, estas dominavam o


pensamento e a vida
econômica da região que a rodeava. Os judeus encontravam-se fortemente
fortalecidos nas

províncias orientais do Império. Roma se tornou no 3o., grande centro do


mundo cristão,

depois de Jerusalém e Antioquia.

Seu crescimento se deu principalmente devido ao heroísmo dos crentes dos


dias da

perseguição de Nero, em 64-65 AD. Nesta época, 64 AD., como muitos dos
destemidos

evangelistas cristãos que o seguiram, Paulo teve um fim violento. Segundo


a tradição ele foi

martirizado juntamente com Pedro. Porém, até no exemplo que demonstrou


na morte, Paulo

inspirou a futura geração à não considerar suas vidas preciosas para si


mesmos, pois, se

sofressem também reinariam com Cristo, 2Tm 2.11-13; 4.6,7.

Nero, imperador romano e um dos maiores perseguidores da Igreja


alcançaram uma

evidência nunca excedida em tudo que é abominável à natureza humana. À


noite freqüentava

disfarçados todos os lugares de libertinagem que havia em Roma,


representava publicamente

nos teatros em estado de nudez, praticava as maiores obscenidades que


são possíveis conhecer e impossíveis descrever. Mandou incendiar diversos
bairros de Roma. Tocando em uma lira e cantando em seu palácio,
regozijou-se com o terrível espetáculo, a destruição de Tróia. Para concluir
sua selvageria, tendo falhado no plano para afogar sua própria mãe mandou
assassina-la. Este foi apenas um dos principais imperadores de Roma.

Porém, verdadeiros homens de Deus surgiram nessa época sem


preocupação com tais

perseguidores:

3.1. POLICARPO
Um dos primeiros mártires e amado bispo de Esmirna. Em 156 AD., as
autoridades

civis o encontraram escondido em um paleiro, com 86 anos de idade o


prenderam e

.
HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

convidaram-no a negar sua fé, que seria uma grande vitória para o
paganismo e um golpe para

a “seita de Jesus”.

O bispo teria de dizer: “César é senhor, oferecer incenso e jurar pela


divindade do

imperador. Mas decidido, Policarpo olha e acena para a multidão no estádio,


suspira, levanta

os olhos pra o céu e gritou:” fora os ímpios “, durante 86 anos, sirvo a Jesus
e ele jamais me

fez algum mal”. Sendo ameaçado com fogo, o bispo diz “O fogo com o qual
me ameaçam

queimar, logo se extingue; existe um fogo que vocês não conhecem, o fogo
do juízo vindouro

e do castigo eterno, este está reservado para os ‘’ímpios”. Enfurecido o


procônsul, mandou

ascender à fogueira e uma grande chama envolveu o corpo desse fiel


cristão.

3.2. JUSTINO E PERPÉTUA

Ainda jovem Justino tornou-se um dos mais hábeis defensores da fé.


Perpétua com 22 anos

mãe de uma criança pequena, também estava seguindo a fé, quando o


imperador VII Severo

em 202 AD., decretou a morte desses cristãos, que levados à arena foram
executados sem

misericórdia. Antes de Perpétua morrer, gritou a alguns amigos cristãos que


sofriam torturas

ao seu lado: “Transmitam a Palavra à todos, fiquem firmes na fé, amem -se
uns aos outros e

não permitam que nossas mortes sejam um impedimento para vocês”.


3.3. ULFILA

Um dos maiores missionários estrangeiros. Após 40 anos de trabalho junto


aos godos e até

traduzindo a Bíblia na língua nativa desse povo, Ulfilas morreu numa missão
à

Constantinopla.

Mesmo diante dessas perseguições o cristianismo crescia


assustadoramente. Cada

missionário morto era um desafio para os novos seguidores da fé em Cristo.

Nos primeiros três séculos da nossa era, ouve um rápido progresso


missionário.

Na Palestina, a destruição de Jerusalém não provocou o fim da Igreja Cristã.

Terminou sim, com a existência nacional dos judeus, durante um período de


mais de 1.800

anos.

Antioquia na Síria era o segundo lar da Igreja. Foi lá que os discípulos pela
primeira

vez foram chamados cristãos, Atos 11.26. A Igreja de Roma crescia graças
às conversões e

também em virtude da convergência, nesta cidade, de cristãos de muitas


outras terras. Roma

era um pólo de atração para todos o povos. Acerca do rápido crescimento


da Igreja

Temos duas informações importantes: a) Por volta do ano 166 AD. o bispo
Soter observa que
o número de cristãos ultrapassa o dos judeus e b) a partir do ano 251 temos
estatísticas

precisas desse período.

Três fatores humanos permitiram a difusão das Escrituras:

1)

A fervorosa convicção que possuíam muitos dos primeiros cristãos. O

historiador Eusébio diz: “Nessa época, muitos cristão s sentiram as almas

inspiradas pela Palavra Divina, com um desejo apaixonado de perfeição. A

primeira ação em obediência às instruções do Salvador, constituiu em

vender seus bens e distribui-los aos pobres. Então, deixando as suas casas,

.
10 HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

dedicaram-se a realizar a missão do evangelista, tendo por ambição pregar


a

Palavra da Fé àqueles que ainda nada tinham ouvido a seu respeito e

confiaram-lhe a responsabilidade de elevarem mais aqueles que haviam

trazido tão somente a fé. Passaram então a outros países e nações, com a

graça e o auxílio de Deus”.

2)

Os filósofos desde Platão, não haviam conseguido mais do que dar


respostas

incertas às perguntas mais angustiantes dos homens.

3)

As novas comunidades cristãs recomendavam a si mesmas pela evidente

pureza de suas vidas. Os primeiros cristãos eram homens e mulheres, como

nós, vivendo no meio de uma sociedade corrompida e exposta a todas as

tentações. 1 Coríntios nos mostra como era difícil viver segundo as novas

aspirações. Mas, eram ensinados a considerar os seus corpos como tempo


do

Espírito Santo.

.
HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

A IDADE MÉDIA

Em meados do século III o império romano começou a ser perturbado


gravemente

pelos povos do norte e encontrar grandes dificuldades no trabalho de


difundir-se. A pressão

contra esse velho império durou até quase a sua destruição. Em 410 AD.,
Alarico, o Godo,

capturou e saqueou Roma. Alguns dos invasores tornaram-se cristãos. Após


o fracasso do

império, muitos homens começaram a se empenhar no assunto das missões


cristãs. Entre eles

destacam-se: Gregório, “O Grande” 540 -640, um dos mais capazes e


influentes bispos de

Roma, na Idade Média. Nessa mesma época outros monges, também


serviram à causa

missionária como, por exemplo, Bonifácio, apóstolo para Alemanha 700-


753, morto por um

bando de pagãos armados, na Holanda.

4.1. ANSKAR

Conhecido como “Apóstolo do Norte”, ele era um ascético de coração,


considerado a

oração de máxima importância. Como acontecia com a maioria dos líderes


religiosos da idade

média, foram-lhe atribuídos grandes milagres, mas ele procurava evitar


louvores desse tipo,

dizendo que: “ O maior milagre de sua vida seria que Deus fizesse dele um
homem

completamente piedoso”. Anskar morreu pacificamente em 865, sem a


coroa de mártir pela
qual ansiava tanto. Depois de sua morte o povo voltou ao paganismo e
somente após o século

X a Igreja católica firmou-se novamente na Suécia.

4.2. RAIMOND LULL

Nasceu, em 1232 na cidade de Maiorca, junto as costa da Espanha, no


Mediterrâneo.

Aos 30 anos passou por uma profunda experiência religiosa, “nasceu de


novo”. Em uma noite,

quando estava compondo uma canção, “ viu o Salvador pendurado na cruz


e o sangue

correndo em suas mãos, pés e fronte”. Uma semana depois, teve a mesma
visão e desta vez se

entregou a Cristo. Porém, com dúvidas no coração ele pergunta: “ Como


posso, corrompido

pela impureza, levantar-me e entrar numa vida mais santa?”

Este sentimento de culpa impeliu Lull a abandonar sua riqueza e prestígio e


dedicar

sua vida à serviço de Deus, aplicando-a ao jejum, oração e meditação. Seu


trabalho era lutar

contra o Islamismo, evangelizando muçulmanos e em 1314, com mais de 80


anos na Tunísia

passou mais 10 anos escondido e orando com seu grupo de novos


convertidos. Finalmente,

cansado do esconderijo e desejando morrer a serviço do mestre, pois, o


martírio seria para ele

o mais alto privilégio, ele foi até a praça e apresentou-se ao povo, falando
claramente toda a

verdade. Enfurecida com ousadia a população o arrastou para fora da


cidade apedrejando-o e

morreu logo depois. Apesar de ser ignorando pela Igreja católico e


condenado como herege
Lull manteve-se fiel a seu chamado, sempre consciente de seu dever
pessoal em difundir a

mensagem de Cristo.

4.3. LAS CASAS

No final do século XV, a Igreja Católica Romana iniciou um novo período de


missões

estrangeiras. O Novo Mundo foi visto como um campo propício para a


expansão do

cristianismo. Os papas e líderes políticos estavam ansiosos para estender o


domínio católico a

estas terras. A rainha Isabel considerava a evangelização dos índios como a


justificativa mais

importante para a expansão colonial, pelo que insistia em que sacerdotes e


frades estivessem

entre os primeiros a estabelecer-se no Novo Mundo. Os franciscanos e os


dominicanos e mais

.
12 HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

tarde os jesuítas aceitaram o desafio. Dentro de algumas décadas o


catolicismo tornou-se uma

força permanente e de influência. O cristianismo se firmou com extrema


rapidez.

Os maiores obstáculos às missões no Novo Mundo eram criados pelos


próprios

colonizadores, com seu tratamento cruel e desumano para com os nativos.


Mesmo após o

decreto da rainha Isabel em que consistia em resguardar a liberdade e a


integridade dos índios,

este continuavam a sofrer todo o tipo de desumanidade por parte dos


colonos, que se

utilizavam meios para oprimir e escravizar. Os missionários observaram


este tipo de

tratamento e muitos passaram a desafiar a ira dos colonizadores, no intuito


de amenizar as

dores dos índios. Dentre estes missionários o que mais se destacou foi
Bartolomeu de Las

Casas, que embora tenha demorado a reconhecer e admitir este problema,


tornou-se o maior

defensor dos índios durante o período colonial espanhol.

Las Casas nasceu na Espanha em 1474, e era filho de um mercador que


viajara com

Colombo em sua segunda viagem. Depois de licenciar-se em Leis na


Universidade de

Salamanca, viajou para a ilha de Espanhola para servir como Conselheiro


legal do

Governador. Adaptou-se rapidamente ao estilo de vida influente dos


colonizadores, aceitando
o ponto de vista convencional quanto à população indígena, tendo
participado inclusive de

ataques contra as tribos e escravizado-os em suas plantações.

Provavelmente em torno de 1510, Las Casas sofreu uma transformação


espiritual tal,

que pediu para ser ordenado, tornando-se então no primeiro sacerdote a ser
ordenado na

América. Se interiormente ele havia mudado muito, exteriormente mudou


muito pouco até

então, porque aceitava com facilidade o estilo de vida que caracterizava a


maioria do clero.

Aos poucos foi entendendo que o tratamento dado aos índios não
correspondia aos preceitos

cristãos e em 1514 por ocasião do Pentecostes, teve finalmente uma


verdadeira conversão

com relação ao tratamento que afligia os indígenas, porque deduziu que a


fé cristã era

radicalmente incompatível com o modo desumano pelo qual os espanhóis


tratavam os índios.

A partir desta concepção juntou-se aos dominicanos, onde encontrou apoio


para o seu ponto

de vista.

Embora Las Casas seja considerado o pai da Teologia da Libertação, o


primeiro

clamor pela justiça no Novo Mundo foi levantado em 1511, pelo frade
dominicano Antonio

de Montesinos na Ilha Espanhola. Este clamor causou muita polêmica,


motivo pelo qual mais

tarde Las Casas tomou partido em sua defesa.

Em 1515, Las Casas retornou à Espanha em companhia de Montesinos,


onde
conseguiu apoio do Cardeal Cisneros que o enviou de regresso às Índias
com uma comissão

para investigar o tratamento dispensado aos índios, contudo a má opinião


de parte dos

membros contrária aos indígenas e suas atitudes protetoras para com os


encomendadores,

levaram Las Casas a romper com a comissão e regressar novamente à


Espanha.

Para defender os índios no Novo Mundo, Las Casas viajou várias vezes a

Espanha, apelando em favor dos índios aos oficiais do governo e a todos


que quisessem ouvir.

Ele tinha o evangelismo como prioridade e com este propósito viajou pela
América Central

fazendo um trabalho pioneiro.

Las Casas foi enviado pelas autoridades espanholas a evangelizar em


Cumaná,

como forma de comprovar se realmente ele era capaz de colocar em prática


suas afirmações

de que os índios eram de boa índole e que se convertessem ao verdadeiro


Deus seriam os

povos mais abençoados da terra. Contudo Las Casas fracassou porque os


colonizadores

fizeram todo o possível para criar obstáculos e todo o tipo de violência.


Posteriormente os

.
HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

próprios índios se rebelaram o que obrigou Las Casas a se refugiar entre os


dominicanos em

Espanhola. Unindo-se à ordem de Santo Domingo, passou vários anos


escrevendo obras

literárias.

Após doze anos em São Domingos, Las Casas partiu com destino ao Peru,
mas em

decorrência de mau tempo, desembarcou na Nicarágua. Os colonizadores


dessa região

reagiram violentamente a suas idéias o que fez com que fugisse para a
Guatemala, onde

passou a aplicar suas idéias de que o evangelho era para ser pregado
pacificamente, contudo

os índios que já conheciam o tratamento dos espanhóis não demonstraram


interesse de ouvilo.

Neste ínterim Las Casas escreveu uma obra chamada “O Único Modo de
Chamar Todos os

Povos a Fé”. Daí partiu para o México onde foi nomeado bispo de Chiapas,
on de demonstrou

inflexibilidade para com os encomendadores, como fez constar de seu


“Confessionário”,

realizou trabalho missionário e mais uma vez retornou à Espanha em face


das pressões dos

colonizadores renunciando à sua diocese.

Na Espanha, Las Casas publicou uma obra chamada “Brevíssimo Relatório


da

Destruição das Índias”, que causou grande controvérsia em decorrência da


polêmica em torno
dos números por ele apontados que dava margem à dúvida. Em função
deste relatório, Carlos

V fez promulgar as Leis Novas, que limitavam os direitos dos espanhóis


sobre os índios. Este

fato causou muita revolta na América, principalmente no Peru aonde


chegou a haver uma

rebelião armada. Logo, logo, estas Novas Leis caíram rapidamente no


esquecimento,

prevalecendo o abuso e a exploração.

Em 1547, Las Casas com 73 anos de idade, partiu do Novo Mundo para não
mais

voltar. Sua luta pelos direitos humanos continuou viva na Espanha até sua
morte que se

verificou cerca de duas décadas após seu retorno. Na Espanha corrigiu e


publicou seus

escritos, em que se opunha à política colonial Espanhola.

Em 1566 morreu Las Casas aos 92 anos de idade e até hoje seu nome é
lembrado

como um dos maiores humanistas e missionários da história do cristianismo.


Contudo suas

idéias foram contestadas tanto no Peru em 1552 quanto na Espanha. Alguns


anos mais tarde e

no meado do século seguinte a Inquisição proibiu a leitura de suas obras. Os


inimigos de Las

Casas se alegravam ao verem fracassar os seus métodos pacíficos de tratar


com os indígenas,

porque dizia que “os habitantes originais das terras eram gente afável e
generosa, que

facilmente seria ganha mediante um bom exemplo e amor”.

.
14 HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

MISSÕES MORÁVIAS

Surge entre o século XVIII, um grupo na Dinamarca-Halle e logo se tornou


uma das

maiores Igrejas missionárias de todos os tempos, “Os irmãos Morávios”,


liderado pelo Conde

Zinzendorf. Este abriu o caminho para a grande era das missões modernas
levando a sério a

grande comissão. Neste século os Morávios fundaram postos missionários


nas Ilhas Virgens,

em 1736, América do Norte em 1734, Lapônia e América do sul em 1735,


África do sul em

1736 e Labrador em 1771. Nota-se que seu objetivo supremo era espalhar o
Evangelho até aos

Confins da Terra. Todos os missionários das Missões Morávias tinham de


levantar seus

próprios sustentos, levando a profissão de artesão ao viajarem para o


exterior.

Os morávios eram remanescentes da obra de João Hus. Os poucos que

ficaram após as perseguições, encontraram asilo junto ao conde de


Zinzendorf, na

Saxônia, onde fundou, em 1722, uma aldeia denominada Herrnhut (“a


cabana do

Senhor”)

AVIVAMENTO MORÁVIO

No ano 1727, irrompeu o conhecido avivamento morávio. Por mais que


queiramos,
não dá para copiar despertamentos espirituais, mas felizmente podemos
aprender deles.

Zinzendorf

Neste ano 2000, se completam três séculos que o conde Nicolas Ludwig von

Zinzendorf nasceu. A família, luterana muito crente, morava no reinado de


Saxônia, em um

castelo a poucos quilômetros da fronteira tcheca. Seu pai, que era


secretário de Estado em

Dresden, morreu depois de consagrar seu filho de 6 semanas para a obra do


Senhor. Quatro

anos mais tarde, sua mãe casou-se de novo e o menino foi educado por sua
avó e uma tia.

Ambas apoiavam o movimento pietista, que procurava reavivar a igreja por


pequenas reuniões

de estudos bíblicos e oração, como “igrejinhas na igreja” ( ecclesiolae in


ecclesia). O líder era

o Dr. Spener, que às vezes visitava a família. O menino amava o Senhor,


orava muito e

sempre lia a Bíblia e o Catecismo de Lutero. Depois de estudar em famosa


escola em Halle,

aos 15 anos, seguiu para a Universidade de Wittenberg a fim de preparar-se


para o serviço

governamental, estudando direito e teologia.

Concluídos os estudos, fez uma viagem aristocrata através da Alemanha,


Holanda,

Bélgica e França. Em Düsseldorf, viram uma pintura de Cristo, coroado de


espinhos, com as

palavras: “Tudo isto fiz por ti. Que fazes tu por mim?”, que reforçaram sua
decisão de viver

para Cristo. De volta ao lar, casou-se com a condessa Erdmuth von Reuss,
que se tornou a
“Mãe Adotiva da Igreja dos Irmãos (morávios)”. Então, aos 22 anos, iniciou
seu ofício como

conselheiro real em Dresden. Nas tardes de domingo, dirigia estudos


bíblicos para

interessados. Comprou da sua avó a gleba de Berthelsdorf e, como senhor


feudal, instalou seu

amigo João Rothe como pastor, orando para que a vila se transformasse em
uma real

comunidade cristã, sem saber como Deus responderia a este desejo.

Unitas Fratrum

Havia uma igreja protestante florescente antes da Reforma na atual


República Tcheca

(cujas regiões principais eram Boêmia, ao redor da capital Praga, e Morávia,


no leste).

Estudantes tchecos que freqüentavam a universidade de Oxford ouviam o


professor John

Wycliffe e levavam seus ensinos bíblicos para casa. Um dos influenciados foi
o padre João

Hus, professor da Universidade de Praga, que pregava com zelo contra os


erros na vida e

.
HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

doutrina da Igreja Católica Romana. Condenado pelo Concílio de Constança,


foi queimado

vivo em 1415, apesar do salvo-conduto imperial.

A Boêmia revoltou-se e foi formada uma igreja evangélica conhecida como a


Unitas

Fratrum, a União dos Irmãos. Quando, porém, em 1620, a Aústria venceu os


tchecos, o novo

governo decidiu exterminar os evangélicos. Muitos foram mortos. Outros


fugiram, entre eles o

famoso educador João Amós Comênio, bispo da Unitas Fratrum, que soluçou
que a igreja de

Roma tinha se tornado vampira dos próprios cristãos.

Parecia que os evangélicos haviam sido extirpados da Boêmia e da Morávia.

Entretanto havia uma semente oculta e Deus usou um jovem pastor de


ovelhas, Cristiano

David, para reacender o fogo. Ele era católico fervoroso, mas pela leitura da
Palavra de Deus

conheceu a verdade e começou a pregar as boas-novas de salvação,


causando um

despertamento espiritual, o que levou a mais perseguição. Então,


procurando uma saída,

David encontrou-se providencialmente com Zinzendorf por intermédio de


um amigo do pastor

Rothe. O conde consentiu em receber crentes perseguidos em sua


propriedade e David voltou

para Morávia. Assim, cinco famílias deixaram seu lar para atravessar as
montanhas e, depois

de doze dias, chegaram à vila Berthel em 1722.


Herrnhut

Foram recebidos com carinho. O administrador indicou uma colina distante


para os

refugiados se estabelecerem. Neste lugar nasceu o lugarejo de “Herrn -hut”,


debaixo da

“guarda do Senhor”. Mais famílias chegaram no decorrer dos anos


seguintes, especialmente

herdeiros da Unitas Fratrum. Além destes, foram recebidos anabatistas,


calvinistas e outros, o

que causou tensões. De fato, Herrnhut era uma congregação da Igreja


Luterana de Berthel,

mas o líder da confusão conclamou a todos a deixarem-na, xingando-a de


‘Babilônia’. Muitas

pessoas foram levadas pela pregação inflamada, até mesmo o próprio


pioneiro David. Embora

o líder da desavença tenha endoidado e sido internado em um manicômio, o


mal cresceu.

Zinzendorf continuava seu trabalho como conselheiro real em Dresden, no


inverno, e

cuidava da sua propriedade rural, no verão. A igreja na vila Berthel florescia


com o trabalho

do pastor Rothe. Em sua casa senhorial, o próprio conde explicava a


mensagem aos seus

arrendatários. Enquanto as coisas iam bem, Zinzendorf não se incomodava


com Herrnhut,

onde somente perseguidos por causa da fé eram recebidos, prometendo


fidelidade à confissão

luterana de Augsburg. Em 1727, porém, o radicalismo pediu intervenção.

Depois de muita preparação, convocou a todos para uma reunião na casa-


grande em
Herrnhut. Ensinou sobre o pecado do separatismo e, depois, como senhor
feudal, explicou

suas “ordens e proibiçõe s”. Finalmente, submeteu uns “Estatutos” como


base para uma

(futura) sociedade religiosa voluntária. A reunião foi longa, mas o resultado


foi positivo.

Todos lhe deram a mão, prometendo seguir as normas. Ele, por sua vez,
garantiu que seus

arrendatários nunca seriam seus servos feudais nem sua propriedade


pessoal, mas poderiam

viver como homens livres, algo especial para a época. No mesmo dia da
reunião, foram

eleitos doze anciãos para a supervisão da congregação. Destes, quatro


foram indicados para

servirem como ancião-mor, entre eles o próprio Cristiano David.


Posteriormente, foram

eleitos guardas-noturnos, inspetores de serviços públicos, ajudantes dos


enfermos, cuidadores

dos necessitados etc. Também foram organizados grupos pequenos para


edificação mútua.

.
16 HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

Avivamento

Depois de receber licença da corte real, Zinzendorf dedicou seu tempo a


Herrnhut,

deixando seus negócios na mão da esposa. Pelas freqüentes reuniões com


os refugiados e com

os anciãos, ele percebeu a profunda preocupação dos tchecos em


ressuscitar a sua igreja. Mas

o conde sabia muito bem que as leis do Estado de Saxônia não permitiriam
uma igreja

independente. Chegou à conclusão de que a melhor solução seria organizar


em Herrnhut uma

congregação, uma “igrejinha dentro da igreja” (luterana) de Berthel com


características da

antiga igreja tcheca. Para isto, quase todos os habitantes de Herrnhut


assinaram a Concórdia

Fraterna, documento que muito ajudou na paz e no crescimento espiritual.


As reuniões de

oração, cânticos ou estudos bíblicos era diário. O movimento era de calmo


regozijo no

Senhor, sem tentativas de estimular as emoções, pois o conde alertara:


“Criar excitação

religiosa é tão fácil como excitar as paixões carnais. E, freqüentemente, a


primeira leva à

segunda”.

Depois que as brigas cessaram, o pastor Rothe convidou a todos para


participar da

Santa Ceia na igreja central de Berthel, marcada para o dia 13 de agosto.


Ele enfatizou que,
depois de tantas dificuldades, os irmãos estavam sendo convidados pelo
Senhor para sentarem

com Ele à mesa. Em meio às lágrimas de muitos, o conde fez a oração de


confissão pública,

pedindo perdão mediante o sangue de Cristo, o livramento de toda cisão e a


bênção de uma

união de coração, para que pudessem ser bênção para outros, perto e
longe. A liturgia sobre o

perdão dos pecados foi dirigida por um pastor vizinho que, então,
administrou os elementos.

Todos sentiram paz e alegria no Espírito Santo e profunda comunhão com


Cristo e com os

outros. Depois disseram: “Aprendemos a amar” (Rm 5.5). Não houve man
ifestações

especiais, mas foi um avivamento autêntico. Este foi o dia do renascimento


da Igreja dos

Irmãos, a Unitas Fratrum.

Resultado

Duas semanas depois, Herrnhut iniciou a “Intercessão de Hora em Hora”.


Durante 24

horas por dia havia oração e cada irmão tomava seu lugar no rodízio. Foi a
reunião de oração

mais longa da história, pois durou mais de um século. Algum tempo depois,
jovens solteiros

começaram a estudar juntos (a Bíblia, geografia, medicina, línguas etc.),


pois sentiram que

Deus queria prepará-los para uma outra obra. A chamada macedônica veio
em 1731 e, no ano

seguinte, começou o imenso trabalho missionário morávio. “Os seguidores


do Cordeiro”

foram por toda parte e, em 20 anos, Herrnhut mandaria mais missionários


do que as igrejas
protestantes em seus 200 anos de existência. Lembremo-nos do seu lema:

William Darkeer escreveu:

“ A contribuição mais importante dos morávios foi a

sua ênfase sobre a idéia de que todo cristão é um

missionário e deve testemunhar através da sua vida

diária. Se o exemplo dos morávios tivesse sido estudado

mais cuidadosamente pelos outros cristãos, é possível que

o homem de negócio pudesse ter retido seu lugar de

honra na missão cristã”.

.
HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

A VIGÍLIA DOS CEM ANOS

Um dos homens destacados dentre os morávios foi o conde Nicolau. Um


grande

estadista missionário, o que mais se destacou em todos os tempos. Nascido


na Alemanha em

1700 teve poderosa influência sobre o cristianismo protestante primitivo e


em muito respeito

igualou ou superou seus amigos cristãos, John Wesley e Jorge Whitefield.


Fundou a Igreja

Moravia; compôs hinos e inaugurou um movimento missionário mundial que


preparou

cominho para William Carey.

Em 1722 um grupo de refugiados protestantes abrigou-se em sua


propriedade em

Bertheisdorf. Logo essa propriedade tornou-se própria comunidade. Em


1727, um período de

renovação espiritual chegou ao clímax em um culto de comunhão dia 13 de


agosto com um

grande re-avivamento que segundo os participantes marcou a chegada do


Espírito Santo em

Bretheisdorf. Esta noite de pentecostes trouxe uma nova febre pelas


missões que se tornou a

principal característica do movimento morávio.

Foi iniciada uma vigília de orações, que continuou noite e dia, sete dias por
semana,

sem qualquer interrupção até 1827, denominada a Vigília dos cem anos.
A missão teve muito êxito, a obra missionária floresceu e por volta de 1950
havia

sobre a jurisdição morávia 38 postos e quase 5 mil cristãos professos. Além


do conde

Zinzendorf, o individuo que mais se desenvolveu na fundação da Igreja foi


Christian David,

seguido de George Schmidt.

Apesar da pobreza e poucos seguidores, os primeiros foram enviados já em


1732.

Após 100 anos de atividade missionária, eles contavam com 41 estações, 40


mil batizados nos

campos missionários e 208 missionários. Em 1882 (50 anos depois) já


tinham aumentado para

700 estações, 83 mil batizados, 335 missionários e 1500 ajudantes


nacionais. A proporção de

missionários por membros do movimento chegou a 1 por 25, dificilmente


igualado por outro

grupo na história de missões.

A estratégia empregada pelos morávios era:

Iniciar o trabalho de missões entre povos pouco evangelizados e


esquecidos;

O missionário deveria ser auto-suficiente economicamente através de

comércio, indústria caseira, etc;

Aceitar a cultura do povo, não colocando normas européias de costumes e

valores;

.
O missionário era servo do Espírito Santo enviado para evangelizar e não
para

doutrinar; e,

Se o povo não aceitasse o evangelho, o missionário deveria procurar outro

campo.

Os Irmãos Wesley

A família Wesley, na Inglaterra, era já por tradição profundamente dedicada


a obra

cristã. Foram, principalmente, dois irmãos Wesley que se destacaram na


história da Igreja;

John e Charles.

John Wesley (1703-1791), a principal figura do metodismo, tinha, já de


berço,

influências do puritanismo e do anglicanismo. O movimento que surgiu


buscou, não obstante,

também aspectos do herrnhutismo e do colonialismo. John, justamente com


seu irmão

.
18 HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

Charles, elaborou um método ritualista e ascético para a vida religiosa dos


membros. O uso

deste método levou ao apelido de metodismo.

Foi entre os operários ingleses que o movimento conseguiu maior êxito e,


enquanto

John Wesley vivia, tratava-se de avivamento dentro da Igreja Inglesa. Após


sai morte,

organizou-se numa igreja própria. O metodismo alcançou também a


América do Norte

estabelecendo sociedades metodistas partindo na divulgação do Evangelho


por todo o mundo,

com o envio de missionários mais tarde na história.

.
HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

MISSÕES NA ÍNDIA – O GRANDE SÉCULO MISSIONÁRIO

A Índia é em si mesma um mundo. Tem milhões de habitantes, imersos em


todas as

formas de superstição e paganismo. Ainda que em algumas partes do


prevaleça o budismo e

maometismo, a religião que conta com maior número de aderentes é o


bramanismo, que

admite três deuses: Brama, o deus criador; Visnu, o deus conservador; Civa,
o deus

destruidor. A essas divindades podem justar-se outras subalternas,


representadas por figuras

ridículas ou espantosas e que recebem a homenagem de milhões de


adoradores. Tais são

alguns dos costumes e algumas das crenças do vasto campo de trabalho,


que desde longos

tempos estão desafiando os missionários cristãos.

Um nome de destaque na Índia foi, William Carey. Carey (17611834),

chamado de o “ pai das missões modernas”, era inglês. Foi sapateiro

dos 16 aos 28 anos de idade. Converteu-se na adolescência e pertencia a


um

grupo de batistas. Dedicava-se ao estudo nas horas de folga e assumiu o

primeiro pastorado em 1785. Publicou em 1792 um livro de 87 páginas com

o título: “ Uma Inquirição sobre a Responsabilidade dos Cristãos em

Usarem Meios para a Conversão dos Pagãos”. Carey demonstrava uma

forte preocupação missionária e um profundo desejo de se envolver

diretamente, indo ao campo missionário. Numa pregação em Nottingham


proferiu as palavras:

“ Espere grandes coisas de Deus; tente grandes coisas para Deus”.

No mesmo ano de 1792 foi organizada a Sociedade Missionária Batista e no


ano

seguinte Carey se baseava nos seguintes pontos:

Þ Conversão individual;

Þ Formação de uma igreja nacional autônoma;

Þ Uso de leigos bem treinados nas Escrituras;

Þ Treinamento de pastores nacionais;

Þ Tradução da Bíblia e de literatura cristã.

Þ Participação ativa na sociedade, influenciando a legislação e o ensino.

Apesar de muito sucesso, Carey também enfrentou enormes dificuldades,


começando

pelo seu próprio lar. O relacionamento com a Sociedade Missionária nem


sempre foi

harmonioso e os problemas econômicos se faziam sentir. Sua determinação,


no entanto, fez

superar as adversidades e Carey marcou uma era, deixando uma inspiração


missionária para

as gerações posteriores e influências positivas no seu país de trabalho.

A exemplo de Carey, outro homem resolveu dar sua vida pela Índia, este foi,

Alexandre Duff Chegou a Culcutá com sua esposa em 1830. Nasceu e foi
criado na Escócia,

sendo educado na Universidade de St. Andrews. O avivamento evangélico,


que levou a

Escócia a ajoelhar-se na década de 1820, entusiasmou este jovem de 33


anos a se tornar o

primeiro missionário da Igreja escocesa para o interior. Em sua viagem para


a Índia sofreu
dois naufrágios, tendo um deles perdido toda sua biblioteca pessoal. Foi um
golpe esmagador

para alguém tão aplicada à erudição como ele.

Quando os hindus souberam que ele escapara do naufrágio, disseram:

.
20 HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

“ Certamente este homem é um dos favorecidos dos deuses e,

portanto de uma obra importante a realizar entre nós”.

Duff iniciou logo seus trabalhos os quais consistiam na criação de Institutos


destinados

a ensinar inglês, língua, que eram obrigados aprender os hindus que


quisessem conservar o

contato com os dominadores do território. Desse modo, Duff queria abrir um


caminho para as

classes mais elevadas. Em 1831, abriu sua escola com cinco alunos. No fim
da primeira

semana havia mais de 300 pedindo entrada. Com o tempo chegou a mais
de mil o número de

alunos. De modo, que ao mesmo tempo, que ensinava inglês, adquiria


influência entre a

juventude e ensinava-lhes também o cristianismo. Alguns dos que vieram a


dirigir os destinos

do povo foram ganhos também para Cristo. Entre outros é digno de especial
atenção Ram

Mohan Roy.

Por causa da capacidade intelectual de Duff, vários príncipes hindus vieram


do interior

para conhecerem sua Instituições.

Em 1864, a falta de saúde obrigou-o voltar para seu país natal, o que foi
lamentado por

todos. Apesar de suas escassas forças físicas, fez na Inglaterra uma obra
importante como
professor nos colégios indicados a preparar missionários. Neste trabalho por
onze anos e em

1878, faleceu aos seus 72 anos.

Adoniram Judson (1788-1850)

Judson era americano, inicialmente da Igreja Congregacional, mas foi


enviado pelos

batistas americanos para a Índia. Permaneceu ali pouco tempo e escolheu


como novo campo a

Birmânia.

David Livingstone (1813-1873)

Livingstone também era escocês, quem sabe o mais famoso de todos os


missionários

do período. Estudou medicina e teologia, finalizando os estudos em 1840,


sendo enviado no

mesmo ano para a África, pela Sociedade Missionária Londrina. Foi um


grande desbravador

do interior africano, contribuindo, tanto para a divulgação do Evangelho,


como para a

exploração do continente.

Mary Slessor (1848-1915)

Slessor era escocesa e representa o grande contingente de mulheres


engajadas na obra

missionária durante este período. De origem presbiteriana apresentou-se


em 1875 à Missão de

Calabar (Nigéria) que era uma das missões que aceitavam missionárias
solteiras. Fez trabalho
pioneiro de evangelismo, mas também se envolveu no apoio a escolas,
clínicas médicas e

servindo o povo local vivendo de forma simples ao estilo da população de


Calabar.

Robert Morrison (1782-1834)

Morrison de origem inglesa era presbiteriano e tinha desde a juventude o


desejo de

servir no campo missionário. Apresentou-se à Sociedade Missionária


Londrina em 1804,

sendo enviado para a China em 1807. Foi o primeiro a traduzir a Bíblia ao


chinês.

John Paton (1824-1907)

Paton era escocês, também presbiteriano, e trabalhou inicialmente entre os


cortiços de

Glasgow, como missionário. Em 1858 navegou para as Ilhas do Pacífico


onde trabalhou em

.
HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

diversas ilhas, contribuindo para que, no final do século XIX, poucas ilhas
não tivessem sido

alcançadas.

Quando o rei Frederico IV da Dinamarca precisou de missionários para


enviar aos

seus súditos, na colônia dinamarquesa de Tranquebar, não encontrando em


seu reinado quem

se dispusesse a faze-lo, recorreu ao pietista alemão August H. Francke


(1663-1727), que

lecionava na Universidade de Halle, o qual enviou Bartholomew Ziegenbalg


(1683-1719) e

Henry Plütschau (1677-1747), os quais partiram da Europa no fim de 1705,


chegando em

Tranquebar no dia 9 de julho de 1706, sendo os primeiros missionários, não


católicos, a

chegarem na Índia, provenientes da Europa.

Apesar de não serem bem recebidos pelos colonos dinamarqueses,


Ziegenbalg e

Plütschau não se intimidaram, iniciando os seus estudos do idioma nativo,


tendo Ziegenbalg

se destacado pela facilidade em aprender outras línguas. Eles traduziram


para o tamil o

Catecismo de Lutero, orações e hinos luteranos. Em 1711, por questões de


saúde, Plütschau

regressou definitivamente para a Europa. Ziegenbalg continuou o seu


trabalho; compilou uma

gramática tamil, escreveu uma obra sobre o Hinduísmo, traduziu para o


tamil o Novo
Testamento (1714) e o Antigo Testamento até o livro de Rute. Ele fundou
uma escola

industrial e outra para a preparação de catequistas e, também, a primeira


imprensa evangélica

da Ásia (esta com a ajuda financeira da Sociedade Anglicana para a


Promoção do

Conhecimento Cristão).

Quando Ziegenbalg morreu em 1719, existia em Tranquebar uma


comunidade luterana

de cerca de 350 pessoas.

Poderíamos citar muitos outros missionários e missionárias, verdadeiros


“heróis”,

deste período. Inclusive, é importante frisar que mesmo que a história


escrita tenha se

concentrado nos homens, muitos deles só puderam realizar a obra devido


ao apoio de suas

esposas.

.
22 HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

MISSÕES PARA OS ÍNDIOS AMERICANOS

Nenhuma outra população nativa tem sido tão solicitada e perturbada por
autoridades

governamentais, políticos e líderes religiosos do que os índios americanos.

John Eliot (1604-1690)

Foi um dos primeiros e talvez o maior de todos os missionários para os


índios

americanos, conhecido como “Apóstolo dos Índios”. Nasceu na Inglaterra


em 1604, mas

somente aos 40 anos começou seu trabalho missionário. Chegou à América


em1631.

Pertencia a Missão Indígena dos Puritanos da Nova Inglaterra e trabalhou


duramente toda sua

vida tentando alcançar os indígenas.

Em 1645, fez seu primeiro sermão a um grupo de índios. À medida que as


semanas e

meses se passavam, alguns índios foram convertidos em menos de um ano.


Eliot documentou

o seguinte:

“ Os índios abandonaram completamente suas cerimônias de

conjuração. Estabeleceram períodos de oração em suas tendas,

de manhã e à noite”.
A estratégia utilizada pela missão de Eliot foi:

Þ Evangelizar, principalmente através da pregação;

Þ Reunir as pessoas convertidas em igrejas locais; e,

Þ Fundar cidades cristãs, numa forma de segregação da sociedade corrupta.

O missionário sempre se preocupa com o bem estar social dos índios. Ele
queria mais

que simples profissão de fé. Buscava maturidade espiritual de seus


seguidores. Por isso, em

1649, começou traduzir a Bíblia no idioma Moicana. Pouco antes de morrer


em 1690 com 85

anos, John Eliot disse:

“Pouco posso fazer; todavia, tomei uma decisão pela

graça de Cristo, jamais, deixarei o trabalho, enquanto

tiver pernas para andar”.

David Brainerd (1718-1747)

Depois de John Eliot, Brainerd foi o mais famoso daqueles que trabalharam
entre os

índios. Nasceu no ano de 1718 em Haddam, Connecticut. Brainerd havia


sido expulso do

cruso teológico de Yale por afirmar que um certo professor não tinha mais a
graça de Deus do

que uma cadeira. Seus primeiros passos como missionário foram solitários e
deprimentes:

“Meu coração estava abatido, parecia-me que jamais

teria êxito junto aos índios. Minha alma estava cansada

da vida. Eu desejava a morte, acima de tudo”.


Em 1745, houve um reavivamento entre os índios quando as fontes dos
esforços de

David se evidenciaram. Em 1746, convenceu os índios dispersos em Nova


Gersey a se

reunirem em Cranbury, onde logo foi estabelecida uma igreja. Após um ano
e meio os

convertidos chegavam a quase 150. Brainerd morreu dia 9 de outubro de


1747, acometido por

tuberculose. David Brainerd foi um desses homens.

.
HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

Tem sido dito que Brainerd orava nas florestas até que a neve se derretesse
debaixo de

seus pés. Mesmo assim, Brainerd viveu menos de trinta anos. De 1743 a
1747, ele se esforçou

para alcançar os índios da América para Cristo. Ele lutava constantemente


em oração pelas

multidões. Sua curta vida foi um impacto para todo o mundo cristão. A. J.
Gordon disse a

respeito de Brainerd:

“Esse homem orava secretamente nas florestas. Um pouco mais

tarde, William Carey leu sobre a sua vida e, impulsionado pela

leitura, foi à Índia. Payson, ainda jovem, com pouco mais de

vinte anos, após ter feito a mesma leitura, disse que nunca

ficou tão impressionado com qualquer coisa em sua vida,

como com a história de Brainerd. Murray McCheyne disse que

ele, de igual modo, ficou impressionado com aquela leitura”.

Brainerd morreu na casa de Jonathan Edwards, que foi poderosamente


usado por Deus

no primeiro Grande Despertamento na América. Sobre Brainerd, Edwards


falou:

“Eu louvo a Deus porque foi por sua providência que ele

morreu em minha casa, para que eu pudesse ouvir suas

orações, testemunhar sua consagração e ser inspirado pelo seu

exemplo”.
À medida que corria o século as missões entre os índios decresceu. Os
missionários

dirigiam-se para as terras exóticas, onde a população nativa não podia


interferir com o avanço

da sociedade americana. Muitos eruditos concordam que a evangelização


dos índios como de

um todo, não foi uma história de sucesso, sendo o fator principal o intenso
conflito entre as

duas culturas com vistas ao domínio da terra e a crença arraigada dos


Estados Unidos de raça

branca de que, os índios eram racialmente inferiores e que, não valia a pena
preservar aquelas

culturas.

Após a morte de David Brainerd, outros nomes se destacam nas missões


indígenas

americanas: Eleazar Wheelock, David Zeisberger, Isaac McCoy, Narcissa


Whitman, Henry

Spaulding.

.
24 HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

MISSÕES NA ÁFRICA

Durante séculos a África Negra foi conhecida como “ Cemitério do Homem


Branco”.

Nesta região a evangelização tem tido um empreendimento dispendioso.


Embora as missões

protestantes tivessem começado tarde na África, ela tem sido um dos


campos missionários

mais produtivos no mundo. Calcula-se que neste século 50% da população


será composta de

cristãos. A maior parte desse crescimento surgiu no século XX, no século IX


o trabalho foi

lento, mas, foram os missionários pioneiros daquele século que arriscaram


tudo para abrir

caminho ao evangelho na África.

O futuro o cristianismo na África segundo os missionários, dependia da


influência

européia e do comércio. Poucos missionários se opunham aos conceitos


subjacentes do

imperialismo que está sendo destacado em anos recentes. Os missionários


foram seriamente

criticados devido a essa influência, porém, eles travaram longas e amargas


batalhas, algumas

vezes fisicamente, contra o tráfico de carga humana. E depois do


desaparecimento do

mercado de escravos, lutaram contra outros crimes, incluindo as táticas


cruéis usadas pelo rei

Leopoldo para extrair borracha no Congo. Os missionários eram pró-África e


sua defesa da
justiça racial muitas vezes fez com que fossem desprezados pelos seus
irmãos europeus.

Podemos afirmar que sem a consciência das missões cristãs, muitos crimes
praticados

pelo colonialismo teriam continuados impunes. As missões protestantes


para a África

começaram na Colônia do Cabo com os morávios no século XVIII. Em


princípios do século

XIX, os missionários estavam penetrando em três das principais cabeças de


praia. Começaram

na Costa Oeste entrando em Serra Leoa, na Costa Leste a partir da Etiópia e


Quênia e no Sul

estabeleceram sua missão base na cidade do Cabo.

Robert e Mary Moffat (1795-1883)

Este homem foi o patriarca das missões na África do Sul. Teve significativa
influência

nesta parte do mundo durante mais de um século. Embora durante sua vida
sempre foi

ofuscado pelo seu genro sendo sempre chamado de “o sogro de David


Livingstone”, entre os

dois ele foi o maior missionário. Ele era um evangelista, tradutor, educador,
diplomata e

explorador, combinando eficazmente esses papéis e se tornando um dos


maiores missionários

na África de todos os tempos.

Nascido na Escócia em 1795 foi criado em circunstância humilde sem


nenhum

treinamento bíblico formal. Ele não tinha grande inclinação pelos assuntos
espirituais, embora
seus pais fossem presbiterianos com forte zelo missionário. “Fugiu para o
mar” por algum

tempo e aos 14 anos tornou-se um aprendiz de jardineiro, aprendendo uma


arte que praticou

pelo resto de seus dias.

Em 1814, na cidade de Cheshire, Inglaterra, entrou em uma pequena


Sociedade

Metodista cujas reuniões eram realizadas numa casa de fazenda nas


vizinhanças. Essa

associação aquecera seu coração. Em 1815, quando ouvia uma mensagem


pelo Rev. William

Roby, um dos diretores da Sociedade Missionária Londrina, se ofereceu à


mesma para servir

como missionário.

Sendo rejeitado, porque o achou incapaz de efetuar esse sofrido trabalho.


Moffat não

desanimou, começou estudar teologia com Roby. Depois de um ano se


candidatou novamente

à SML, sendo então aceito. Logo, foi enviado à África do Sul e depois de 85
dias no mar

chegou a cidade do Cabo.

.
HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

Os hardships e as circunstâncias primitivas não o deterão, enquanto


introduziu para o

norte no interior, onde ganhou para Cristo o mais perigosos outlaw o chefe
nessa região.

Retornando a Capetown em 1819, encontrou-se a jovem missionária Mary


Smith, a qual

Moffat havia conhecido na Inglaterra. Casaram-se permanecendo assim


durante 53 anos. Em

1827, Moffat, deixou sua mulher com os seus filhos pequenos e foi estudar
por onze semanas

a língua de uma tribo africana chamada Kuruman, onde assegurou o papel


de líder.

Ao voltar estava pronto para iniciar a tradução da Bíblia neste idioma,


passando 29

anos para completar. Em 1829, quase dez anos da chegada de Moffat em


Kuruman, foi

realizado o primeiro batismo e em 1838, uma grande Igreja de pedra foi


construída existente

ainda nos dias de hoje.

Embora a carreira de Robert Moffat seja geralmente associada a Kuruman,


sua obra se

estendeu muito além dessa área. Na verdade o núcleo de crentes em


Kuruman não passou de

duzentos, mas, sua influência fez-se sentir a centenas de quilômetros.


Chefes ou

representantes de tribos longínquas iam a Kuruman para ouvir suas


mensagens. A mais

notável dessas ocasiões foi quando um grande e temido Moselekatse, um


dos chefes tribais
mais infames da África, enviou cinco representantes para visitar Moffat e
leva-lo de volta com

eles. O encontro entre Moffat e Meselekatse foi inesquecível. Embora


Meselekatse nunca

houvesse se convertido, ele permitiu que missionário inclusive o filho e a


nora de Moffat,

John e Emily, estabelecessem um posto missionário entre sua tribo.


Contudo, por mais longe

que Moffat viajasse, seus pensamentos nunca se afastavam de Kuruman, a


qual se tornara um

cartão de visita da civilização africana.

Três de suas crianças morreram. Mary, a filha a mais velha tornou-se a


esposa de

David Livingstone.

O trabalho de Moffat era a pedra basilar que outro usou em espalhar o


evangelho

durante todo "o continente escuro”. Abriu muitas estações de missões e


serviu como o

missionário pioneiro em uma área de centenas de milhas quadradas.


Traduziu a Bíblia na

língua do Bechwanas.

Em 1870 após 53 anos na África, ele sua esposa retornaram a Inglaterra


onde um ano

mais tarde Mary morreu. Moffat por mais 13 anos continuou a promover
missões estrangeiras,

viajando pelas ilhas Britânica, tornando-se estadista missionário, desafiando


adultos e até

jovens com as tremendas necessidades do continente Africano.

Levantou fundo para um seminário para que fosse construído na estação de


Kuruman
onde os estudantes nativos foram preparados para o trabalho missionário
entre seus próprios

povos. Em sua morte em 1883, os jornais de Londres escreveram: Talvez


não mais alma

genuína respirada sempre... Não se dirigiu às audiências cultivadas dentro


dos

salões majestosos da abadia de Westminster com a mesma maneira simples


em que

conduziu à adoração nos huts dos selvagens.

.
26 HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

MISSÕES NA EUROPA

O período de 1000 a 1500 é marcado pela expansão da Igreja ao norte


europeu e pelas

lutas em torno do Mediterrâneo, as chamadas Cruzadas.

Notamos que a expansão da Igreja, assim como o combate aos


muçulmanos, se dá

muito mais em função de interesses políticos, do que por questões


espirituais ou religiosas.

Naturalmente, existem exceções que deixam algum saldo positivo do


período.

Segundo os cálculos de Dionízio Exíguo, a era da Igreja estava chegando ao


fim no

finam de mil anos. Pensava ele que, esta data marcada por tremendas
calamidades, daria

início ao terrível juízo final. Na realidade nada demais aconteceu, contudo o


ano deve ser

tomado como uma espécie de marco divisório. Uma Europa que possuía por
fim um contorno

cristão começava sair dos piores horrores da idade média e acumulava uma
energia interior

que iria se manifestar no decurso dos quatro séculos seguintes, através do


comercio, aventuras

militares, arte, arquitetura e felizmente na construção do edifico do


pensamento teológico.

A primeira tarefa, portanto, consistia na Europa difundir o Evangelho até aos


seus
próprios limites. Porém, a Escandinávia vivera durante séculos num quase
completo

isolamento em relação ao resto do mundo. Durante anos os Nódicos


permaneceram nas suas

terras distantes, lutando entre si. De repente, no século VII, começaram a


expandir tornando-

se o terror no mundo civilizado e em particular do mundo cristão. A


variedade das suas

devastações é assustadora e a destruição por eles provocada quase não


conheceu limites.

A Inglaterra foi uma das primeiras vítimas. Lindisfarne viu-se saqueada em


793.

Jarrow em 194. o reino saxão de Northumbria caiu em chamas em 867 e


durante certo tempo,

pensou-se que a Inglaterra seria uma colônia dinamarquesa. No entanto foi


a Irlanda que

sofreu mais os ataques dos Vikings, tendo sido completamente destruída a


grande e bela

civilização cristã e a fonte de muito esforço missionário. Em 851, o


norueguês Olaf, o branco,

se estabeleceu em Dublin, criando um reino pagão que iria durar cerca de


três séculos.

No continente europeu eram os dinamarqueses que tomavam a chefia, em


relação aos

noruegueses. Toda Europa Ocidental foi sistematicamente devastada. Na


França do norte e na

Holanda, vastas áreas transformaram-se em desertos e os cristãos, sempre


que possível,

fugiam da tempestade destrutiva. Os normandos conseguiram se agrupar


na Itália meridional e

na Sicília e o seu reino floresceu gradualmente até atingir uma alta


civilização, cujo período
culminante se verificou durante o reinado do imperador Frederico II (1194-
1250), e que

aproveitou elementos da Grécia, do mundo muçulmano, da tradição latina e


do norte da

Europa.

.
HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

A Dinamarca encontrava-se em maior contato com a Alemanha e, portanto,


com o

mundo cristão. Seria ali, naturalmente que o cristianismo teria suas


primeiras penetrações com

êxito. Anskar conseguiu fundar um certo número de Igreja na Dinamarca,


mas, a pressão da

evangelização não podia manter-se e a vida da Igreja era incerta. Mas, em


1104, Lund, onde é

hoje a Suécia, e que era então a principal cidade dos domínios


dinamarqueses foi elevada á

categoria de sede arcebispal e um dinamarquês nomeado seu arcebispo. A


Igreja

dinamarquesa ganhava assim, sua estrutura própria, independente de


qualquer prelado

vizinho.

Na Noruega, como na Dinamarca, o pode real desempenhou um papel


importante na

introdução da fé cristã. O primeiro herói importante da campanha da fé


cristã, se tal nome lhe

pode atribuir foi o viking espadachim Olaf Tryggvesson (995-1000), que


havia sido educado

numa colônia escandinava na Rússia, onde iniciara sua carreira como


guerreiro. Em 995

depois de seu batismo Olaf votou à Noruega onde foi eleito rei de todo o
país.

Logo após haver sido eleito, Olaf dedicou-se à tarefa de fazer do


cristianismo a

religião dos noruegueses. Olaf morreu no ano 1000, porém, sua obra foi
continuada por outro
Olaf: Que tinha por sobrenome Haraldsson (995-1030), conhecido depois
como “santo Olaf”,

este fez com que o evangelho penetrasse profunda e permanentemente no


povo.

Pro volta do ano 1220, quase toda Europa era cristã numa certa medida.
Porém, uma

vasta área permanecia no paganismo. Os pagãos por sua vez convocaram


uma grande reunião

em que decidiram sacrificar 2 homens em cada trimestre e pedir aos deuses


pagãos que os

livrasse de sofrer do cristianismo e impedisse a expansão deste pelas suas


terra. Mas, os

cristãos também, organizaram uma reunião e falaram:

“Os pagãos sacrificaram os piores

homens e atiraram-nos pelos

desfiladeiros abaixo; nós, porém,

sacrificaremos os melhores homens,

como dádiva a nosso Senhor Jesus Cristo

e comprometemo-nos a viver melhor e

com menos pecado e ofereceremos como

penhor de vitória de nosso Trimestre”.

As Cruzadas (1096-1291)

O primeiro grande empreendimento da Europa

renascido foi as Cruzadas, iniciadas em 1096, prosseguindo

até o ano de 1291. Mas, o movimento das Cruzadas durou

até 1492, quando os mouros foram definitivamente vencidos.

A idéia de libertar os lugares santos cristãos das mãos dos


infiéis não era em si mesma ignóbil. Os homens já lutaram

por causas menos elevadas que esta. Porém depois de ter dito

tudo o que se pode dizer de favorável em relação às

cruzadas, o que o cristão deve considerar é que representou

um desastre irreparável a causa cristã.

Havia entre os cristãos homens retos e de espírito

superior, como Bulhão, o primeiro rei cristão de Jerusalém,

mas, para a maioria dos guerreiros cristãos, os muçulmanos

.
28

HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

eram infiéis, sem direito a existência, cuja fé não era

necessária conservar e que podiam ser chacinados sem dó

nem piedade, para a maior glória do Deus cristão.

Evidentemente, o ódio cria ódio e o fel engendra fel. Os serracenos sentiam-


se

igualmente felizes ao poder chacinar os cristãos o que perante o seu próprio


juízo se

encontrava bem justificado.

As principais razões para o uso da ofensiva armada dos cristãos nos países
do sul

europeu foram:

Sentimento religioso – o desejo de se fazer peregrinações a Jerusalém, em

poder dos muçulmanos;

Salvação pelas almas – sendo que a participação numa cruza era contada
como

uma boa obra diante de Deus;

Busca de aventura – atraindo os homens para as longas e demoradas


viagens.

Desejo de unir as igrejas ocidental e oriental;


.

A miséria e a fome que predominavam o mundo da época trouxeram um

profundo desejo de mudanças e de novas conquistas, além de um

fortalecimento do sentimento religioso que levaram muitos a buscarem a

realização do monasticismo e do ascetismo.

A primeira cruzada vai de (1096-1099).

A Segunda de (1147-1149) e a Terceira de

(1189-1192).

De três formas deixaram as Cruzadas a

sua marca indelével na história cristã:

1.

Lesaram para sempre as relações entre os ramos ocidental e oriental da


cristandade. O

mal atingiu o clímax quando a quarta cruzada se desviou de seu objetivo,


saqueando

Constantinopla em 1204 e, instalando um precário império latino sobre a


ruína oriental

assim que fora destruído. Sessenta anos depois os bizantinos reagiram,


expulsaram os

estrangeiros e criaram novamente o seu próprio império oriental. Mas, este


era uma

sombra do anterior, permanentemente enfraquecido pela luta infindável


contra os

muçulmanos. Quando Constantinopla caiu nas mãos dos turcos em 1453,


revelou-se

toda a extensão das culpas dos cruzados.

2.

Os cruzados deixaram um rastro de amargor nas relações entre cristãos e


muçulmanos
que continua sendo um fator vivo na situação mundial de nossos dias. Para
os

muçulmanos, o ocidente é o grande agressor. Há cerca de 900 anos,


participou

deliberadamente deste papel em nome de Cristo e hoje é muito difícil


apagar esta

imagem, que continua presente no espírito muçulmano. Porém, isto não


quer dizer que

os muçulmanos hajam sido sempre ternos e gentis. Também foram


bastante agressivos

sempre que se viram com força e autoridade para aplica-la, mas, em


qualquer caso, os

muçulmanos não pretendem ser seguidores do Príncipe da Paz. Para cada


muçulmano

.
HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

das terras mediterrâneas, as cruzadas foi um acontecimento de ontem e as


feridas estão

prontas a abrirem-se de um momento para outro.

3.

As cruzadas explicaram a descida da temperatura moral da cristandade.


Uma cruzada

dirigida contra o barbarismo pagão do Norte poderia tornar-se grande


catástrofe. É

impossível discordar do juízo moderado de um historiador das cruzadas, dos


nossos

dias: “Visto dentro da perspectiva da história, todo o movimento das c


ruzadas foi um

vasto fiasco”. “Os triunfos das cruzadas foram triunfos da fé”. Mas a fé sem
sabedoria

é perigosa. O historiador quando regride nos séculos observando a sua


história galante,

acaba por encontrar a sua admiração vencida pela tristeza, ao verificar as


limitações da

natureza humana. Havia muita coragem e pouca honra; muita devoção e


pouca

compreensão. Os grandes ideais foram maculados pela crueldade e pela


avidez.

Viram-se afetados por uma retidão cega e estreita que a própria Guerra
Santa foi nada

menos que um grande ato de intolerância em nome de Deus, o que é um


pecado contra

o Espírito Santo.

Contudo, as cruzadas foram os primeiros sintomas do despertar da Europa e


de uma
nova capacidade, por parte dos povos europeus de agirem juntamente
como um todo. Embora

alguns cristãos afirmassem que o serraceno só era bom depois de morto,


havia outros que

pensavam diferente e acreditavam que por meio da pregação clara e


piedosa do evangelho, os

serracenos seriam ganhos para a fé em Cristo.

© Cruzadas contra os judeus

Um dos maiores missionários que surgiu nesta

época da história foi Raimund Lull, nascido em 1235,

na ilha de Maiorca e dedicando-se à Seara do Mestre

durante 50 anos. Luul escreveu dizendo: “ Os

missionários converterão o mundo por meio da pregação,

mas, também, vertendo lágrima e sangue através de

grandes trabalhos seguidos de mortes amargas”.

Não era este um homem que formulasse

pensamentos que não estivesse pronto para traduzir em

atos. Visitou quatro vezes a África do Norte para pregar

aos muçulmanos e discutir com eles em pessoa. Na

quarta destas visitas, em Gugia, em 1315 foi de tal

modo agredido que morreu em resultado dos ferimentos

recebidos.

.
30 HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

MISSÕES NA ÁSIA

O primeiro grande avanço das missões estrangeiras deu-se ao Sul da Ásia


Central. Foi

muito difícil a obra do Senhor neste lugar, pois, ali eram praticadas as
religiões mais velhas e

complexas do mundo, como o hinduísmo, budismo, islamismo, sikismo ou


jainismo. Que

atração poderia haver numa tradição dogmática como o cristianismo? Os


hindus com seus

milhares de deuses pensavam ser superiores ao cristianismo que lhes


apresentava um único

Deus.

Mas, o cristianismo como William Carey e os que o sucederam


demonstraram que

tinham tudo a oferecer ao povo da Ásia Central. Mesmo sem levar em conta
o dom gratuito da

salvação e da vida eterna, só o cristianismo oferecia as pessoas à libertação


das cadeias do

antiqüíssimo sistema de castas e do processo interminável de


reencarnações que os

escravizava.

Só o cristianismo se aproximava dos “intocáveis” e lhes oferecia esperança


para o

momento presente. Só o cristianismo estava disposto a sacrificar seus


jovens, homens e

mulheres nos perigos do Sul da Ásia com seu clima excessivamente quente,
num amor
desprendido, a fim de erguer espiritualmente seu povo.

Os sacrifícios de Carey, Judson e outros que trabalhavam na Índia e na Ásia


foram

imensos. Carey e Judson sepultaram duas esposas cada um, assim como
filhos pequenos, mas,

nenhum preço era considerado alto demais para o privilegio de levar o


Cristo a essa área do

mundo.

.
HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

MISSÕES NA AMÉRICA CENTRAL

Em fins de 1880 essa área do mundo chamou a atenção de C. I. Scofield,


americano

que se tornou famoso pela sua Bíblia editada em linguagem popular. Nesta
época os

missionários já estavam em quase metade do mundo, porém, haviam se


esquecido de seus

vizinhos do lado. Baseando sua estratégia como considerava um princípio


missionário em

Atos 1.8, Scofield decidiu corrigir seu erro: “ Tanto em Jerusalém, como em
toda a Judéia e

Samaria – América Central é o campo não ocupado mais perto de qualquer


cristão nos

Estados Unidos ou no Canadá! Nós nos esquecemos da nossa Samaria”.

Scofield nasceu em Michigan em 1843 e cresceu no Tennessee. Tendo


estudado

Direito foi admitido na Ordem dos Advogados em Kansas em 1869. Serviu


na Assembléia

Legislativa e veio ser mais tarde Procurador dos Estados Unidos sob o
Presidente Grant.

Em 1879 quando exercia sua profissão, um cliente testificou a ele e o


resultado foi sua

conversão ao cristianismo. Para ele que era escravo da bebida sua


conversão foi dramática.

Em 1883, iniciou um estudo intensivo da Bíblia. Durante 13 nos serviu como


Pastor em
Dallas e depois fundou a Faculdade Bíblica Filadélfia. Em 1890, fundou o
MAC, depois de

quatro meses a missão já tinha o primeiro candidato para Costa Rica. Em


1894 já havia sete

missionários na Costa Rica.

Em 1899, a Guatemala foi atingida e em 1900, a MAC chegou a Nicarágua.


Após 10

anos a missão possuía 25 missionários trabalhando em cinco áreas da


América Central e

apesar das dificuldades continuou crescendo e está em atividade até hoje,


com cerca de 300

missionários em seis repúblicas centro-americanas, além do México.

Porém, se certas sociedades missionárias se interessavam pela América


Central a outra

América, a Latina foi negligenciada durante séculos pelos protestantes. Em


fins do século IXI,

a percepção desse esquecimento começou a aumentar. Lucy Guineess,


escreveu um livro

chamado, “O Continente Negligenciado”, sublinhava a negligencia espiritual


da América do

Sul e ajudou a despertar muitos cristãos para sua responsabilidade. Homens


que deram suas

vidas pelas missões Latinas: Dave Bacon, Cecil Dye, Geroge Hosback, Bob
Dye e ldon

Hunter.

.
32 HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

MISSÕES NO SÉCULO DEZOITO

· 64 – Começa a perseguição de Nero

· 67 – Martírio de Pedro e Paulo

· 70 – Destruição de Jerusalém

· 156 – Martírio de Policarpo

Mundo

Mediterrâneo

· 165 – Morte de Justino Mártir

· 203 – Morte de Perpétua

· 303 – Começa a perseguição de Dioclécio

· 313 – Constantino expede o Edito de Milão

· 325 – Concílio de Nicéia

· 340 – Início do Ministério de Ulfilas com os Godos

· 595 – Gregório, o Grande nomeia Agostinho

· 638 – O Islã conquista Jerusalém

· 1095 – Início das Cruzadas

· 1276 – Lull abre o mosteiro em Maorca

· 1316 – Morte de Raymond Lull

Europa

Septentrional

e Ocidental

· 361 – Martin de Tours começa seu trabalho missionário


· 432 – Patrício chega à Irlanda

· 496 – Conversão de Clóvis

· 563 – Columba chega à Escócia

· 716 – Bonifácio inicia seu trabalho missionário

· 732 – Batalha de Tours

· 744 – Fundação de Fulda

· 800 – Carlos Magno coroado imperador

· 827 – Anskar chega à Dinamarca

· 1212 – Francisco de Assis inicia sua missão para a Síria

· 1216 – Fundação dos Dominicanos

· 1219 – Franciscanos enviados para África do Norte

· 1534 – Fundação dos Jesuítas

· 1622 – Fundação de Propaganda

· 1705 – Fundação da Missão Dinamarquesa

· 1722 – Zinzerdorf estabelece Herrnhut

· 1773 – Jesuítas reprimidos pelo papa

Ásia e

África

· 635 – Nestorianos chegam à China

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HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

· 1219 – Frei John chega à Pequim

· 1542 – Xavier chega à Índia

· 1583 – Ricci chega à China

· 1606 – de Nobili chega à Índia

· 1706 – Ziegenbalg, na Índia

· 1737 – Geroge Shimt, na África do Sul

· 1750 – C. F. Schwartz chega à Índia

Novo

Mundo

· 1510 – Dominicanos chegam a Haiti

· 1523 – Las Casas une-se aos dominicanos

· 1555 – Calvino envia colonos ao Brasil

· 1625 – Brébeut nomeado para Nova França

· 1646 – John Eliot faz o primeiro sermão aos Índios

· 1675 – Guerra do rei Felipe

· 1722 – Egede chega à Groelândia

· 1732 – Morávios enviam missionários às Ilhas Virgens

· 1733 – Christian David chega à Groelândia

· 1743 – Brainerd inicia trabalho missionário

· 1744 – Zeiberger começa ministério aos Índios

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34 HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

MISSÕES NO SÉCULO XIX “O GRANDE SÉCULO”

Índia e Ásia

Central

· 1793 – William Carey chega à Índia

· 1806 – Chegada de Henry Martyn à Índia

· 1812 – Partida dos primeiros missionários americanos

· 1819 – Fundação do Colégio de Serampore

· 1824 – Prisão de Judson

· 1830 – Chegada de Alexander Duff à Índia

· 1834 – Morte de Carey

· 1845 – Licença de Hudson nos E.U.A.

· 1850 – Morte de Hudson

· 1870 – Dra. Clara Swain chega à Índia

· 1878 – Batismo em massa de John Clough

· 1896 – Amy Carmichael começa obra em Tinnevelly

África

Negra

· 1799 – Vanderkemp chega ao Cabo

· 1825 – Moffat se estabelece em Kuruman

· 1841 – Livingstone chega à África

· 1844 – Krapt chega a Quênia

· 1864 – Crowther consagrado bispo


· 1873 -Morte de Livingstone

· 1874 – Stanley começa a jornada de 999 dias

· 1875 – Grenfell chega ao Congo

· 1876 – Mackay chega à Uganda

· 1890 – O bispo Tucker chega à Uganda

· 1896 – Morte de Peter Cameron Scott

Extremo

Oriente

· 1807 – Morrison chega à Cantão

· 1814 – Morrison batiza o primeiro convertido

· 1840 – Gutzlaff inicia ministério na costa chineza

· 1842 – Tratado de Nanguim

· 1854 – Taylor chega a Changai

· 1859 – Missionários protestantes chegam ao Japão

· 1865 – Primeiro missionário protestante chega a Coréia

· 1867 – Morte de Gracie Taylor

· 1868 – Incidente de Yagchow

· 1870 – Morte de Mary Taylor

· 1877 – Jannie Taylor volta sozinha à China

· 1900 – Rebelião dos Boxes

.
HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

Ilhas do

Pacífico

1796 – Duff viaja para o Pacífico Sul

1817 – William chega aos Mares do Sul

1819 – Batismo de Pomare

1820 – Início da Missão Havaiana

1837 – Coan começa

1838 – A Bíblia é publicada em italiano

1839 – Martírio de Williams

1848 – Gedie chega a Aneityum

1855 – Patterson viaja para os Mares do Sul

1858 – Paton chega a Tanna

1866 – Chalmers viaja para os Mares do Sul


1871 – Martírio de Patterson

1873 – O padre Damião chega a Molocai

1882 – Florence Young inicia ministério em Fairymead

1901 – Martírio de Chalmers

Europa e

América do

Norte

1795 – Fundação da Sociedade Missionária Londrina

1799 – Fundação da Sociedade Missionária da Igreja

1810 – Fundação da Junta Americana de Comissionários para Missões

Estrangeiras

1835 – Whitman viaja para Óregon

1837 – Remoção dos Cheroquis

1847 – Massacre de Waiilatpu

1865 – Fundação da Missão para o Interior da China


1886 – Nascimento do Movimento Voluntária Estudantil

1887 – Fundação da Aliança Cristã Central

1890 – Fundação da Missão Americana Central

1892 – Grenfell chega ao Labrador

1893 – Fundação da Missão para o interior do Sudão

1895 – Fundação da Missão para o interior da África.

.
36

HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

MISSÕES NA AMÉRICA LATINA

É impossível descrever o movimento missionário no mundo do século XX e


início do

século XXI, em todos os seus lances, num período de grandes mudanças e


de muitas

iniciativas missionárias. O enfoque, portanto, será dado ao contexto latino-


americano de

forma geral. Recomendamos o estudo do avanço missionário em outras


regiões do mundo na

literatura produzida em cada região. A história do ponto de vista do norte


está nas obras

tradicionais e clássicas.

A Chegada das Missões à América Latina

Através dos descobrimentos e das iniciativas de colonização dos paízes


católicos

romanos do sul da Europa, as missões cristãs chegaram ao nosso


continente. Como já vimos,

em 1492, Cristóvão Colombo chega às Bahamas; em 1500, Pedro Álvares


Cabral ao Brasil;

em 1519, Hernán Cortés ao México; e, em 1531, Francisco Pizarro ao Peru.


Além do governo

de seu país, representavam a fé cristã, que pouco a pouco, invadia as


antigas terras indígenas

do Novo Mundo.
Três aspectos que caracterizaram as missões católicas que chegaram à
América

Central e do Sul:

Imposição – a cristianização à força

Superficialidade – não atingiu a alma do povo

Sincretismo – aproveitou-se elementos religiosos já existentes e não fez


clara

distinção entre o cristianismo e o animismo. Inclusive facilidade pelo

misticismo espanhol e português.

Nem todos os franciscanos, jesuítas e dominicanos que chegaram ao Novo


Mundo

eram solidários com os governos conquistadores e colonizadores da


Espanha, Portugal e

Itália. Um excelente exemplo é o dominicano Bartolomeu de Las Casas


(1474-1566), que

lutou a favor dos indígenas nas Ilhas do Caribe – Espanhola (República


Dominicana e Haiti).

As reduções na região das Missões, principalmente no atual Paraguai,


iniciadas pelos jesuítas,

foram modelos de cidades que visavam o desenvolvimento político, social,


cultural,

tecnológico e religioso dos Garanis.

Costuma dividir-se este tempo de missões católicas em três fases:

Heróica – a conversão e o batismo dos indígenas sem critérios

.
Missionária – o ensino mais sistemático sobre a doutrina e a prática cristã

Paroquial – o estabelecimento do sistema católico mais sólido.

As Missões Protestantes

A primeira tentativa como sabemos foi feita pelos huguenotes franceses,


com a

chegada de Villegagnon ao Brasil em 1555. Os franceses foram, no entanto


expulsos em 1567

e nada sobrou do seu empreendimento “missionário”. A segunda foi a dos


reformados

holandeses entre os anos 1624 e 1654, que também poucos vestígios


deixou. Tentativas

parecidas ocorreram, por exemplo, no Panamá pelos escoceses entre 1698


e 1700. Os

missionários morávios também trabalharam no continente latino-americano,


principalmente

em ilhas do Caribe e na Guiana Holandês.

.
HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

As primeiras igrejas protestantes que chegaram ao continente e que


permaneceram,

vieram no começo do século XIX, através dos imigrantes, principalmente


alemães, ingleses,

italianos (valdenses) e americanos, além de outros grupos europeus. Uma


das primeiras

igrejas fundadas e que existe até hoje foi a Igreja Anglicana do Rio de
Janeiro, em 1819.

Os primeiros missionários, enviados pelas principais denominações da


época,

chegaram nos seguintes anos:

Presbiterianos: Argentina 1823, Colômbia 1859, Brasil 1859, México 1871 e

Guatemala 1882;

Metodistas: Brasil 1835, Argentina 1835, Uruguai 1835, México 1872, Chile

1877 e Bolívia 1901.

Batistas: México 1870, Brasil 1881, Argentina 1881 e Bolívia 1895.

O crescimento do movimento evangélico na América Latina tem sido forte


durante o

século XX, principalmente na sua segunda metade. Alguns dados


estatísticos:

9Em 1900, havia nas Guianas, onde a concentração de evangélicos era

maior, em torno de 14.000 membros. No Brasil eram um pouco mais de


11.000 e nos países de fala espana 5.200.

9Em 1916, o número total de evangélicos no continente latino-americano

tinha subido para 378.000.

9Em 1925 tinha alcançado 756.000; em 1936, sete milhões; em 1967, 15

milhões; em 1987, 37 milhões e no ano 2000, em torno de 80 milhões.

A conferência de Edimburgo em 1910 não considerou a América Latina


como campo

missionário por já ser católica, mas, o encontro alguns anos mais tarde no
Panamá, 1916,

mudou esta visão e há um aumentou de investimento em missões no


continente. A igualdade

de direitos dos evangélicos em relação aos católicos (no Brasil, já em 1890)


foi também um

fator que colaborou com a entrada de missionários e o desenvolvimento da


igreja evangélica.

Em termos do movimento missionário latino-americano, as primeiras


iniciativas têm

sido por parte das denominações, que desde o fim do século XIX,
começaram a enviar

missionários para campos pioneiros dentro do seu próprio país e no começo


do século XX

também para outros países. Hoje é, principalmente, o COMIBAM


(Cooperação Missionária

Ibero-americana) que representa o movimento missionário da América


Latina.

.
38 HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

MISSÕES NO SÉCULO VINTE

África

Negra

· 1910 – C. T. Studd chega à África

· 1913 – Schweitzer chega à África

· 1915 – Morte de Mary Slessor

· 1928 – Carl Becker viaja para o Congo

· 1931 – Morte de C. T. Studd

· 1953 – Helen Roseveare chega ao Congo

· 1960 – Independência do Congo

· 1964 – Rebelião de Simba

· 1964 – Morte de Paulo Carison

· 1964 – Ataque do Quilômetro Oito

Extremo

Oriente e

Ilhas do

Pacífico

· 1905 – Martírio de Eleanor Chestnut

· 1907 -Goforth inicia ministério de reavivamento na Coréria e Manchúria

· 1930 – Gladys Aylward vai para China

· 1932 – Martírio de onze missionários em Team

· 1934 – Martírio de Stm


· 1940 – Gladys Aylward leva crianças para lugar seguro

· 1945 – Morte de Eric Liddell

· 1945 – Morte de R.A. Jafray em campo de concentração japonês

· 1948 – CREO inicia programa de rádio em Manilla

· 1958 – Cho inicia ministério de tenda na Coréia

· 1962 – Captura de Mitchell, Gerber e Vietti

· 1962 – Don Richardson chega a Írian Gaya

· 1964 – Myron Braomley entra no Vale Balim

· 1968 – Morte de Betty Oslen

América

Latina

· 1917 – W.C. Townsend chega a Guatemala

· 1929 – Townsend completa NT Cakchiquet

· 1931 – HCJB começa

· 1936 – Ken Pique começa trabalho no México

· 1941 – Wlater Herron começa ministério de aviação

· 1943 – Martírio de 5 missionários das Novas Tribos na Bolívia

· 1948 – Nate Saint chega ao Equador

· 1956 – Massacre Auca

· 1956 – Mariana Slocum completa NT Tzeital

.
HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

· 1957 – Rachel Saint e Dayuna correm os U.S.A.

· 1981 – Martírio de Chet Bitterman

Oriente

Próximo,

África do

Norte e

Ásia Central

· 1900 – Ida Scudder funda Escola de Medicina em Vellore

· 1901 – Mause Cary viaja para Marrocos

· 1912 – Zwemer inicia obra no Cairo

· 1917 – E. Stanley Jones chega a Índia

· 1928 – Conferencia Missionária Mundial de Jerusalém

· 1933 – Morte de Johanna Veenstra

· 1938 – Conferencia Missionária Mundial de Madras

· 1951 – Morte de Amy Carmichael

· 1962 – Viggo Olsen chega ao Paquistão Oriental

· 1967 – Marrocos fechado para missionários

· 1973 – Morte de E. Stanley Jones

Europa e

América do

Norte

· 1908 – Grenfell salvo da icebergue

· 1910 – Conferencia Missionária de Edimburgo


· 1920 – Convenção MVE de De Moines

· 1932 – Publicação de “Reavaliação das Missões”.

· 1934 – Fundação do Instituto Lingüístico de Verão

· 1939 – Joy Ridderhof funda a gravadora “Gospel Recordings”

· 1942 – Fundação da Missão Novas Tribos

· 1945 – fundação das Asas de Socorro

· 1946 – Primeira convenção Missionária Trienal “Urbana” em Toronto

· 1950 – Fundação da “Visão Mundial”

· 1954 – Fundação da Radio “Trans -Mundial”

· 1955 – Morte de Mott

· 1976 – Fundação do Centro das Missões Mundiais nos E.U.A.

.
40 HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

MISSOES A PARTIR DO BRASIL

O Brasil tem hoje uma das maiores igrejas evangélica do mundo. Superado
pelos

Estados Unidos da América e pela China, vem em terceiro lugar com cerca
de 35 milhões de

evangélicos, segundo estimativas. Durante mais de cem anos, os pais têm


recebido

missionários de fora e ainda trabalham no Brasil em torno de 2.600


missionários estrangeiros.

Missionários Pioneiros

Como já vimos, também no Brasil foi a Igreja Católica Romana que primeiro
chegou

como o Cristianismo. Somente no fim do século XVIII começaram a chegar


imigrantes que

trouxeram consigo a Igreja Protestante e ao longo do século XIX varias


igrejas se

estabeleceram no Brasil, a partir das colônias étnicas que surgiram.

Iniciativas missionárias, com o intuito de alcançar a população brasileira,


ocorreram

mais tarde. Os primeiros missionários estrangeiros que chegaram aos


nossos pais foram:

Þ Justino Spaulding Daniel e Cynthia Kidder

Missionarios americanos da Igreja Metodista Episcopal. Spaulding chegou ao


Brasil
em 1836 e o casal Kidder em 1837. Estabeleceram a primeira escola
dominical, venderam

Bíblias e deram inicio ao trabalho metodista no país. Cynthia faleceu de


febre amarela em

1940, levando o seu esposo a voltar aos Estados Unidos. Spaulding


regressou a sua pátria no

ano seguinte. A Igreja Metodista não chegou a ser organizada neste período
inicial, somente

1876 em quando um novo missionário J.J. Ranson foi enviado ao Brasil.

Þ Robert e Sarah Kalley

Chegaram ao Brasil em 1855 vindos da Escócia. Robert era medico e pastor


de origem

presbiteriana. Juntos fundaram a primeira igreja protestante de língua


portuguesa, a Igreja

Congregacional no Rio de Janeiro.

Þ Ashbel Green Simonton

Enviado pela Junta de Missões da Igreja Presbiteriana, como seu primeiro


missionário

ao Brasil, chegou em 1859. Fundou no Rio de Janeiro a Igreja Presbiteriana e


iniciou um

jornal evangélico e um seminário para formação de pastores brasileiros.

Þ Ana e William Bagby

Casal norte-americano que iniciou o trabalho batista no Brasil. Eles


chegaram em

1881, estabelecendo a primeira Igreja Batista em Salvador no ano seguinte,


juntamente com o

recém-chegado casal Kate e Zacarias Taylor. William faleceu em 1939 e Ana


1942.

Þ Gunnar Vingren e Daniel Berg


Missionários suecos que, via Estados Unidos, chegaram ao Brasil em 1910

estabelecendo o trabalho das Assembléias de Deus na cidade de Belém, PA.


Gunnar faleceu

em 1933 e Daniel em 1963.

Þ Erik e Anna Jansson

.
HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

Missionários batistas suecos da Missão de Orebro, que chegaram ao Brasil


em 19121914,

respectivamente, para dar atendimento espiritual a colônia de imigrantes


suecos no Rio

Grande do Sul. Logo estabeleceram trabalho também entre os brasileiros


sendo a primeira

igreja brasileira organizada em 1915 na cidade de Ijui. O trabalho dos


batistas suecos deu

origem a Convenção das Igrejas Batistas Independentes, organizada com


liderança nacional

em 1952. Erik faleceu em 1971 com 86 anos de idade.

Muitos outros missionários chegaram ao Brasil ao longo dos anos. Vindos

principalmente dos Estados Unidos, do Canadá e paises europeus como


Alemanha, Inglaterra,

Escócia, Holanda, Suíça, Suécia e Noruega, ajudaram a estabelecer a igreja


evangélica em

nosso país.

MOVIMENTOS DE DESTAQUE

As ultimas décadas tem sido influenciadas, em termos de missões, por


vários movimentos.

Destacam-se:

1.-O MOVIMENTO DE LAUSANNE

A partir da conferencia missionária em Lausanne, na Suíça, em 1974, o


mundo
evangélico é levado a refletir sobre sua tarefa missionária e sobre a
cooperação no

cumprimento da missão. Com o lema”Toda igreja levando o evangelho a


todo homem em

todo mundo”, a conferencia alcançou bem amis do que os participantes,


criando um

movimento mundial com benefícios incalculáveis para as missões.


Conferencias regionais

foram realizadas e, em 1989, Lausanne II em Manila.

O movimento de Lausanne quer:

Dar uma orientação teológica, baseada na Bíblia, acerca da motivação


missionária e

seu conteúdo.

Estimular os cristãos a uma responsabilidade maior pela evangelização que


já vem

ocorrendo nas diferentes denominações e movimentos.

Inspirar o cristão, individualmente, a um serviço intensivo de intercessão e


de ofertar

bem mais para missões.

Conscientizar os cristãos de que a evangelização e ação social devem


acompanhar

uma a outra.

Possibilitar contatos entre a cristandade evangélica para melhor


planejamento e

cooperação.
2.-MOVIMENTO DO CRESCIMENTO DA IGREJA

Os primeiros passos dentro deste movimento foram tomados por Donald


McGavran,

professor de missões no Fuller Theological Seminary, Pasadena, EUA. O


movimento tem

trazido novos aspectos à analise do evangelismo e de missões e se baseia


nos seguintes

aspectos:

Não cruzar fronteiras de cultura, senão no trabalho pioneiro-evangelizaçao


em grupos

homogêneos.

Investir a maior parte dos recursos onde há receptividade.

.
42

HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

Dividir a igreja em grupos menores.

Treinamento de leigos

Investir em pesquisas sobre crescimento

O movimento tem sido fortemente criticado por só se preocupar com o


crescimento numérico

mas, ultimamente, os seus defensores vem enfatizando o crescimento


equilibrado da igreja,

incluindo além do crescimento quantitaivo, também o qualitativo e o


orgânico.

3.-

MOVIMENTO ANO 2000 ( AD 2000)

Em janeiro de 1989, foi realizada em Cingapura, uma consulta global de

evangelização mundial para o ano 2000 e além. Esta consulta deu origem
ao movimento

denominado AD 2000. O movimento tem o propósito de: “Em um espírito de


serviço, buscar

motivar, fomentar e fazer redes de homens e mulheres lideres eclesiásticos,


que sejam

motivados pela visão de alcançar os não-alcançados até o ano 2000”,


cumprindo assim a

grande comissão de Jesus.


Os objetivos deste movimento são:

Trabalhar, enfocando particularmente aqueles que não têm ouvido a Palavra


de Deus.

Dar a cada pessoa a possibilidade real de ouvir a Palavra de Deus em um


idioma que

possa entender. O alvo é que pelo menos a metade da população mundial


professe sua

fé em, Jesus.

Estabelecer um movimento de plantação de igrejas com orientação para


missões,

dentro de cada grupo de pessoas não alcançadas pela Palavra de Deus.

Estabelecer uma comunidade cristã marcada pela adoração, discipulado,


evangelismo

e de interesse missionário em cada grupo humano.

Um enfoque principal dentro do movimento AD 2000, está para a chamada


janela 10/40. esta

janela representa os países no norte da África, sul da Ásia e todo o oriente


médio. Nesta área

vivem 97% das pessoas menos evangelizadas, a maioria delas muçulmanas.


A janela 10/40 é

também a região onde menos esforços evangelisticos têm sido


empreendidos.

A historia de missões continua a ser escrita e a obra missionária está mais


viva do que nunca.

Deus continua vocacionando vidas para servirem como missionários em


muitas maneiras.
.
HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

A RESPONSABILIDADE DO JOVEM PELO MUNDO

John R. Mott estava no segundo ano da Faculdade em Cornell, quando certo


dia

entrando atrasado em sua sala de aula onde J.K. Studd dissertava, ouviu
que este dizia como

se dirigindo diretamente a ele:

“Jovem, buscas grandes coisas para ti mesmo?

Não a busques! Busca primeiro o reino de Deus”.

A subseqüente conversão e consagração de Mott colocaram-no no caminho


que o

conduziu a participar da Conferencia de Monte Hermon em 1886, ocasião


em que surgiu o

Movimento Voluntário Estudantil e do qual se tornou um voluntário e líder.


Ele serviu na

primeira Comissão Executiva do Movimento e por mais de trinta anos foi seu
presidente.

Liderando ao mesmo tempo, com grande capacidade, dois movimentos de


forte ênfase

evangelística para a época: A Associação Crista de Moços e a Federação


Crista Estudantil

Mundial. Laourette faz o seguinte comentário:

“ Mott se tornou um dos mais destacados lideres

de toda a historia do cristianismo, combinando sua

fé singela, fruto de uma completa dedicação a


Cristo, com uma liderança marcante, uma visão

que abrangia o mundo todo, uma capacidade para

identificar e alistar jovens hábeis e uma

capacidade para conquistar a confiança de

homens de negócios, ao mesmo tempo em que,

atravessava barreiras eclesiásticas para unir os

cristãos de muitas tradições no esforço de ganhar

toda a humanidade para fé crista”.

Ate’ sua morte ele se tornou, um simples evangelista. Em 1901, aplicou a


seguinte

mensagem:

“ E’ um fato muito inspirador que os jovens desta

geração não duvidem da causa das missões

mundiais. O cristão que se acanha em nossos dias

de participar desta causa deve ser considerado

ignorante e insensato. O individuo que, põem em

duvida a causa de missões suspeita na verdade

de toda a religião duradoura, pois, como disse Max

Muller, ‘as religiões não cristas estão morrendo ou

estão mortas”.

Ele duvidava abertamente do cristianismo por ser em essência um


empreendimento

missionário. Duvida da Bíblia porque missões constituem seu tema central.


Duvida da oração

do Pai nosso e do credo Apostólico, bastando repetir suas frases familiares


para que se sinta
humilhado com a idéia. Ele duvidava da paternidade de Deus e com isto,
também, da

fraternidade dos homens.

Se for cristão, suspeita do vigor de sua vida espiritual e na pior das


hipóteses, duvida

de Jesus Cristo, que e’ a propiciacão não só dos nossos pecados, mas, dos
pecados de todo o

mundo. Reputo, portanto, ou ele e’ ignorante ou insensato.

.
44 HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

TODA A HUMANIDADE NA PERSPECTIVA MISSIONARIA

Perspectiva alguma da raça humana pode ser resumida sem que haja uma
tendência

simplista. Quando Deus escolheu Abrão e sua descendência, tanto para uma
bênção especial

como para uma responsabilidade especial de partilhar aquela bênção com


“todas as famílias

da terra”, Gn 12.3; 18.18, etc., Abrão misericordiosamente não entendeu


como essa tarefa era

grande e complexa.

Agora, entretanto, 4 mil anos depois, mais da metade de “todas as famílias


da terra”

são pelo menos o que Taynbbe chama de “judaicas” em religião e


certamente receberam pelo

menos alguma bênção direta através de pessoas com uma fé semelhante a


de Abrão e através

da obra redentora daquele para quem Abrão olhou (Jo 8.56).

Se levarmos em consideração influências, seria possível calcular que nove


décimos de

toda a humanidade já recebeu parta dessa bênção, mesmo quando


misturada com outros

elementos.

.
HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

UM FUTURO REAVIVAMENTO

O mundo vai passar por um grande reavivamento antes do fim dos tempos?
Esta

possibilidade tem sido discutida pelos cristãos que crêem que as ultimas
lutas convulsivas de

nossa civilização já começaram.

As Escrituras parecem aludir a um reavivamento mundial, embora, esta


interpretação

não seja de maneira nenhuma unânime. Muitas referencias estão ligadas a


outras situações

históricas, tais como a volta dos judeus do cativeiro e a restauração de sua


nação. Também e’

preciso levar em consideração como uma pessoa encara o milênio, a


tribulação e o

arrebatamento. A complexidade destas profecias faz com que nenhuma


conclusão seja

definitiva. Mas, reconhecendo que atualmente vemos obscuramente como


através de um vidro

embaçado, podemos encontrar algumas vagas indicações de um ultimo e


poderoso

despertamento espiritual.

O reavivamento será um derramamento universal do Espírito Santo.

O reavivamento vira num período sem procedentes de tribulação.


O reavivamento purificara o povo de Deus e este será levado a verdadeira
beleza

de santidade.

O reavivamento vai preparar o caminho para a vinda do Rei.

Finney comentando sobre este assunto disse:

“ Reavivamento é renovada convicção de

pecado e arrependimento, seguida de um intenso

desejo de viver em obediência a Deus. É a

entrega da vontade a Ele em profunda humildade”.

Charles Finney

“Avivamento é santidade, humildade,

crucificação do ego, amor fraternal, paixão pelas

almas perdidas. É o sopro do Espírito para acordar

o que dorme, para o crescimento na graça, na

alegria e na paz”. Enéas Tognini

.
46 HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

CONCLUSÃO

Poucas vezes foi possível, na historia da Igreja ou do mundo, indicar algo


que seja

inconfundivelmente novo. Mas, no século XX surgiu um fenômeno que ‘’e


sem duvida novo,

pela primeira vez existe no mundo uma religião universal, o cristianismo.

Foi esta a única religião entre o Budismo e o Islamismo, a saber, adaptar-se


em cada

continente e quase que em cada pais. Em muitas zonas a situação pode ser
precária e pequeno

o numero de fieis, contudo, em cada pais a religião crista mostra ser uma
minoria dinâmica

que se enraíza a cada dia mais fortemente, não por importações


estrangeiras, mas, como Igreja

universal do Senhor Jesus Cristo.

.
HISTÓRIA DE MISSÕES MUNDIAIS

BIBLIOGRAFIA

Gonzalez, Justo L., “ Uma História Ilustrada do Cristianismo”, 1ª Edição,


1984, Sociedade

Religiosa Edições Nova Vida, São Paulo -SP.

________________ “ Uma História Ilustrada do Cristianismo”, (A era dos Altos


Ideais),

Vol. 4, 2a. edição, 1986. Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, São Paulo,
pp. 185.

A.

Tucker, Ruth, “... Até aos Confins da Terra”. 1ª Edição, 1986, Sociedade
Religiosa

Edições Nova Vida, São Paulo -SP.

Ekström, Bertil, História da Missão. 1a Edição, 2001, Editora Descoberta,


Londrina, PR,

pp.136.

Neill, Stehen, Historia das missões. 1 Ediçao, 1997, Editora Vida Nova, São
Paulo – SP

JORGE MANRIQUEZ

MESTRANDO EM MISSIOLOGIA

SERRA NEGRA 10 de Agosto de 2004