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Superior Tribunal de Justiça

AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL nº 576187 - SP (2014/0197190-0)

RELATOR

: MIN. MOURA RIBEIRO

AGRAVANTE

: MARIO SABINO

ADVOGADOS

: LOURIVAL JOSE DOS SANTOS E OUTRO(S)

: RAFAEL DE GUIMARÃES ARCOVERDE CREDIE E OUTRO(S)

: CLAUDIA DE BRITO PINHEIRO DAVID E OUTRO(S)

:

ANDRE MARSIGLIA SANTOS

AGRAVADO

: EMIR SADER

AGRAVADO

: CARTA MAIOR PUBLICAÇÕES E PROMOÇÕES LTDA

ADVOGADO

: MARCELLO DANIEL CRISTALINO E OUTRO(S) EMENTA

DECISÃO
DECISÃO

CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. MATÉRIA JORNALÍSTICA. OFENSA À HONRA NÃO CONFIGURADA. MERO DISSABOR. VIOLAÇÃO DO ART. 535, DO CPC. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE INEXISTENTE. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE MANTEVE A IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO, COM BASE NO ACERVO FÁTICO DA CAUSA. REFORMA DO JULGADO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7, DO STJ. ALEGAÇÃO DE AFRONTA À SÚMULA. IMPOSSIBILIDADE. NORMA QUE NÃO SE ENQUADRA NA DEFINIÇÃO DE 'LEI FEDERAL'. AGRAVO NÃO PROVIDO.

Trata-se de agravo em recurso especial interposto por MARIO

SABINO, contra decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que, negou seguimento

a recurso especial interposto com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição

Federal, ante a inexistência de omissão no acórdão recorrido e por entender incidir à

espécie a Súmula 7, desta Corte.

Em suas razões (fls. 365-376), o agravante alega que seu recurso

reúne todos os requisitos necessários a sua admissibilidade, que remanesce ponto

omisso no julgado, cuja apreciação é indispensável para o desate da controvérsia,

assentando, ainda que não busca reexame de provas, mas, sim, sua correta

valoração.

Contraminuta apresentada às fls. 380-383.

É o relatório.

DECIDO.

Superior Tribunal de Justiça

Cuida-se, na origem, de ação de indenização por danos morais decorrentes da veiculação de matéria jornalística ofensiva à sua honra e à sua moral, veiculada pela ré na edição de 30/3/2006, de sítio da internet.

A ação foi julgada improcedente (fls. 190-192), condenando o autor ao

pagamento das custas e despesas processuais e de honorários advocatícios

arbitrados em R$ 2.000,00 (dois mil reais).

Interposta apelação pela parte autora, o Tribunal a quo lhe negou provimento, advindo daí o recurso especial inadmitido, no qual alegou violação dos arts. 267, VI, e 535, I e II, do Código de Processo Civil; 186 do Código Civil; 17 e 27, da Lei n. 9.610/98 (Lei de Direitos Autorais), e, ainda, a Súmula 221, do STJ.

O recurso, no entanto, não merece prosperar.
O recurso, no entanto, não merece prosperar.

Inicialmente, não há falar em omissão no acórdão recorrido, porquanto a Corte local examinou todas as questões controvertidas objeto dos dispositivos legais mencionados pelo embargante, de modo que não contém omissão, obscuridade ou contradição, requisitos necessários ao acolhimento do recurso aclaratório.

O que se vé, na verdade, é a irresignação da parte autora com o resultado que lhe foi desfavorável, pretendendo, por meio dos embargos, obter novo julgamento da matéria, com notório intuito infringente, o que se mostra inviável, já que inexistentes os requisitos elencados no aludido dispositivo da lei adjetiva civil.

Afasta-se, portanto, a alegada violação ao art. 535, I e II, do CPC.

Com relação ao mérito, o Tribunal local, soberano na análise do acervo fático dos autos, manteve a sentença que reconheceu a inexistência de dano moral indenizável, assentando, para tanto, o seguinte:

Na matéria jornalística em pauta não há foco algum na pessoa do apelante, aliás, seu nome nem mesmo é citado. A crítica se refere ao livro "A arte da política: a história que vivi" de autoria do ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. O último parágrafo do texto em comento, diz respeito à opinião do autor da matéria em relação a uma suposta ligação sorrateira entre a Revista Veja e Fernando Henrique Cardoso. Entretanto, entendendo-se injuriosa essa alegação, o legitimado para buscar eventual reparação é a Revista e não o apelante, cujo nome, reitera-se, sequer vem mencionado na reportagem. (fls. 277-278).

Superior Tribunal de Justiça

Desse modo, reformar a conclusão a que chegou o Tribunal de origem quanto à inexistência do abalo moral demanda a reavaliação de fatos e provas constantes dos autos, o que é vedado no âmbito do recurso especial, nos termos da mencionada Súmula 7, desta Corte, segundo a qual:

"A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial".

Por fim, no que tange a alegação de ofensa ao enunciado 221, da Súmula desta
Por fim, no que tange a alegação de ofensa ao enunciado 221, da
Súmula desta Corte, destaco que a interposição de recurso especial não é cabível
quando ocorre violação de súmula, de dispositivo constitucional ou de qualquer ato
normativo que não se enquadre no conceito de lei federal, conforme disposto no art.
105, III, "a", da Constituição Federal.
Nesse sentido:
AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO E RECURSO ESPECIAL.
AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ARTIGO 535 DO CÓDIGO DE
PROCESSO CIVIL. VIOLAÇÃO À SÚMULA. DEFICIÊNCIA NA
FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. AUSÊNCIA DE
PREQUESTIONAMENTO.
[
].
2
- Os verbetes ou enunciados dos tribunais não se equiparam
às leis federais para a finalidade prevista no artigo 105, III, "a"
da Constituição Federal.

3 - O conteúdo normativo dos artigos supostamente violados

não tratam dos fundamentos do acórdão recorrido, ou seja, não tratam da preclusão ou coisa julgada, o que atrai a incidência da Súmula 284/STF.

[

].

5

- Agravo improvido.

(AgRg nos EDcl no REsp 1.43.1140/RJ, Rel. Ministro SIDNEI BENETI, Terceira Turma, DJe 19/05/2014).

Superior Tribunal de Justiça

Nestas condições, NEGO PROVIMENTO ao agravo.

Publique-se. Intimem-se.

Brasília-DF, 17 de setembro de 2014.

MINISTRO MOURA RIBEIRO Relator

17 de setembro de 2014. MINISTRO MOURA RIBEIRO Relator Documento: 38986584 - Despacho / Decisão -