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INTRODUÇÃO À

MORFOLOGIA DISTRIBUÍDA

INTRODUÇÃO À MORFOLOGIA DISTRIBUÍDA Dr. Rafael Dias Minussi (UNIFESP) rafael.minussi@unifesp.br Dr. Marcus Vinicius
INTRODUÇÃO À MORFOLOGIA DISTRIBUÍDA Dr. Rafael Dias Minussi (UNIFESP) rafael.minussi@unifesp.br Dr. Marcus Vinicius

Dr. Rafael Dias Minussi (UNIFESP)

rafael.minussi@unifesp.br

Dr. Marcus Vinicius Lunguinho (UnB)

Dr. Rafael Dias Minussi (UNIFESP) rafael.minussi@unifesp.br Dr. Marcus Vinicius Lunguinho (UnB) marcusvsl@unb.br
Dr. Rafael Dias Minussi (UNIFESP) rafael.minussi@unifesp.br Dr. Marcus Vinicius Lunguinho (UnB) marcusvsl@unb.br

marcusvsl@unb.br

Dr. Rafael Dias Minussi (UNIFESP) rafael.minussi@unifesp.br Dr. Marcus Vinicius Lunguinho (UnB) marcusvsl@unb.br

EMENTA

Abordagens lexicalistas e não-lexicalistas em morfossintaxe. A Morfologia Distribuída. Arquitetura da gramática: sistema computacional (CHL) e listas computacionais. Raízes e traços abstratos. Inserção tardia. Subespecificação. Operações morfológicas.

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS

Um dos tópicos mais debatidos no cenário linguístico atual diz respeito ao lugar da morfologia em relação aos outros

componentes da gramática. Nesse aspecto, questões

como a relação da morfologia com a sintaxe e com a fonologia, bem como o tipo e a quantidade de informações

que a morfologia pode fornecer sobre/para a sintaxe vêm

despertando cada vez mais o interesse de pesquisadores.

Neste curso, apresentamos essa discussão teórica aos alunos ao introduzir a teoria morfossintática não-lexicalista conhecida como Morfologia Distribuída (cf. HALLE; MARANTZ, 1993, MARANTZ, 1997).

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS

O objetivo geral do minicurso é dar aos alunos condições para refletir sobre a natureza da interface entre a morfologia e a sintaxe, bem como sobre a necessidade ou não de se postular a existência de módulos gramaticais

específicos e distintos para a formação de palavras e para a

formação de sentenças.

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS

Entre os objetivos específicos desse minicurso destacam- se os seguintes:

Apresentar distinções fundamentais entre modelos de análise linguística lexicalistas e não-lexicalistas;

uma teoria

Caracterizar

Morfologia

Distribuída

a

como

linguística não-lexicalista;

Introduzir

os

pressupostos

da

Morfologia

Distribuída

(elementos primitivos e operações morfológicas) e

Familiarizar o estudante com a maneira de argumentar em Morfologia Distribuída sem, contudo, deixar de abordar a natureza das interfaces entre a morfologia e a sintaxe e entre a morfologia e a fonologia.

Aula 1

PROGRAMA:

O surgimento da Morfologia Distribuída

Abordagens lexicalistas e não lexicalistas: a Morfologia Distribuída dentro do quadro das teorias morfológicas.

Primitivos da Morfologia Distribuída: raízes e traços abstratos.

Pressupostos da teoria: Inserção Tardia, Princípio do Subconjunto e Sintaxe “all the way down”.

Aula 2

PROGRAMA:

Por dentro da Morfologia Distribuída

Principais operações da Morfologia Distribuída: merge,

spell

dislocation.

out,

fissão,

fusão,

empobrecimento,

local

A teoria de fase dentro da palavra: Marantz (2001,

2013).

Um exemplo de aplicação da teoria.

PLANO DA AULA 1:

Introdução

Os modelos de Análise Linguística

O modelo Lexicalista

O modelo não Lexicalista

Introdução à Morfologia Distribuída

Estrutura da Gramática: arquitetura, traços e listas

Morfologia Distribuída: as três listas

Morfologia Distribuída: Princípios fundamentais

INTRODUÇÃO

Morfologia é estudo da estrutura interna das palavras.

A morfologia foi mais proeminente nos escritos dos maiores gramáticos da Antiguidade, o indiano Panini (século 5º a.c), e na tradição grega e romana.

Contudo, apenas na segunda metade do século XIX o termo morfologia foi inventado e tornou-se corrente. (trazido das ciências biológicas, segundo Scheleicher,

1863)

INTRODUÇÃO

Antes da criação do termo, não havia necessidade de um termo especial porque o termo gramática, em geral, evocava a estrutura das palavras. Os termos

fonologia e sintaxe já existiam muito antes do termo

morfologia. De modo que a morfologia é uma disciplina jovem.

INTRODUÇÃO

Se tomarmos como base para a definição de morfologia uma consulta baseada no étimo da palavra, veremos que o termo provém das formas gregas

morphê ‘forma’, e logos ‘estudo, tratado’.

Desse

modo,

temos

que

morfologia

pode

ser

considerada também ‘o estudo da forma’.

INTRODUÇÃO

Entretanto, se nos aprofundarmos na noção de morfologia como estudo da estrutura interna das palavras, veremos que as palavras podem ter

estrutura interna de dois modos muito diferentes.

Por um lado, as palavras são compostas de sequências de som (ou gestos na língua de sinais), i.e. elas têm estrutura fonológica. Assim, a palavra nuts consiste de 4 segmentos fonológicos [nts].

INTRODUÇÃO

As variações formais na forma das palavras estão sistematicamente relacionadas às mudanças semânticas. Por exemplo, as palavras nuts, nights,

necks, backs, taps, etc, compartilham não apenas

segmentos fonológicos (o final [s]), mas também um componente semântico: todos se referem à

multiplicidade de entidades a partir da mesma classe.

INTRODUÇÃO

Se o final [s] é perdido, (nut, night, neck, back, tap), temos apenas a referência a uma única entidade.

Em

contraste,

as

palavras

blitz,

box,

lapse

não

se

referem

à

multiplicidade

de

entidades,

e

não

são

palavras semanticamente relacionadas a *blit, *bok, *lap.

Palavras complexas

como

nuts

serão

chamadas

de

palavras

INTRODUÇÃO

Em palavras como lapse, em que o [s] não expressa

significado, portanto,

uma estrutura

plural,

consideraremos

morfológica.

qualquer

que

ou

não

Assim, a estrutura morfológica existe se há grupos de palavras que mostram uma semelhança parcial, tanto na forma quanto no significado. Assim sendo, temos a primeira definição de Morfologia.

INTRODUÇÃO

DEFINIÇÃO 1:

Morfologia é o estudo da covariação sistemática na forma e no significado das palavras.

INTRODUÇÃO

A análise morfológica tipicamente consiste na identificação de partes de palavras, chamadas de constituintes das palavras.

Por exemplo, podemos dizer que a palavras nuts é formada por dois constituintes: o elemento nut e o elemento s.

vamos

De

acordo

convenção

tipográfica,

com

a

separar esses dois constituintes por hífen: nut-s.

INTRODUÇÃO

A análise morfológica também consiste na quebra das palavras em suas partes, além do estabelecimento de regras que governam a coocorrência dessas partes.

Assim sendo, o menor constituinte de uma palavra com significado que pode ser identificado é chamado de morfema. Em nuts, tanto -s quanto nut são considerados morfemas.

INTRODUÇÃO

DEFINIÇÃO 2:

Morfologia é o estudo da combinação de morfemas para produzir palavras.

INTRODUÇÃO

Essa definição é mais simples e mais concreta que a Definição 1. A Definição 2 aproxima o fazer morfológico do fazer sintático, que é usualmente definido como “o estudo da combinação de palavras

para produzir sentenças”. A Definição 2 se aproxima

mais do que exatamente faz a Morfologia Distribuída (MD).

Na MD, as palavras e as sentenças são formadas pelas mesmas operações e em um único componente da

Gramática: a sintaxe.

Modelos

Paradigma

de

análise:

Palavra

e

A palavra como centro da análise: o modelo Palavra e Paradigma.

Primeiramente, tomemos a diferença entre o modelo que prevaleceu por séculos no Ocidente - denominado por Hockett (1954) Palavra e Paradigma (PP)- e o modelo de análise estruturalista norte-americano dominante entre a década de 1940 e 1950, que ficou conhecido como Item e Arranjo (IA).

Modelos

Paradigma

de

análise:

Palavra

e

Vamos tomar o verbo AMAR, em um modelo de PP, uma palavra como amemos seria descrita como em (1):

(1)

Primeira

pessoa

do

plural

subjuntivo de AMAR

do

presente

do

Em (1), amemos é descrito como um todo, não há relação sintagmática entre signos mínimos que se devem suceder necessariamente numa dada ordem, como está expresso em (2):

Modelos

Paradigma

de

análise:

(2)

AM- + VT/Sub pres + 1PL

Palavra

e

No modelo tradicional, a relação entre a cadeia sonora e as propriedades expressas não é direta. Não se trata de uma sucessão de formas mínimas.

Não se procurava, nesse modelo, decompor as palavras em unidades mínimas de som e significado, em busca de uma sequência sonora específica que corresponde a um ou outro significado e vice-versa.

Modelos

Paradigma

de

análise:

Palavra

e

A função do hífen em formas como (3) não é a de

assinalar a segmentação em unidades mínimas de som e significado, mas a de indicar que qualquer verbo regular de primeira conjugação pode seguir esse

paradigma, que funciona como um molde.

(3)

Subjuntivo presente

1SG am-e

2SG am-es

3SG am-e

1PL am-emos

2PL am-eis 3PL am-em

Modelos

Paradigma

de

análise:

Palavra

e

Dessa forma, substitui-se:

(a) ou o elemento na posição inicial, (am-) - o radical-, por outro de uma mesma classe, como louv-¸ por exemplo, e mantêm-se as terminações, que expressam

as categorias gramaticais envolvidas;

ou

terminações. As relações envolvidas são verticais, ou

e mudam-se as

(b)

mantém-se

radical

o

seja, paradigmáticas.

Em resumo: derivamos palavras do paradigma verbal a partir de outras palavras do mesmo paradigma.

Modelos de análise: Item e Arranjo

O morfema no centro da análise: o modelo Item e Arranjo.

Os estruturalistas consideram quaisquer das formas verbais acima como sequências de unidades mínimas de som e significado que se ajustam a um padrão geral - o equivalente descritivo dos paradigmas dos verbos

regulares dos estudos tradicionais - que descreve a

flexão verbal na língua em estudo.

Modelos de análise: Item e Arranjo

Não há necessidade de um paradigma para que de uma palavra se derive outra. Uma palavra como optaturus, numa análise estrutural, é resultante da sequência em (4):

(4) Opt-

a-

t-

ur

-us

desejar

VT

marca do 4º radical

PART. FUT

NOM/SG

Modelos de análise: Item e Arranjo

É uma análise sintagmática.

Para identificar os morfemas, o estruturalismo lançou mão da substituição, ou teste da comutação, que se apoia no princípio da oposição linguística.

Retomando o verbo amar como exemplo, uma forma

como amas contém uma parte que não se altera, que é am-, que se relaciona ao significado mais geral atribuído a AMAR, e pode ser substituído por louv-,

ador- etc.

Modelos de análise: Item e Arranjo

Mas como saber se -as é um elemento ou mais de um?

RESP: pelo confronto das formas.

AMAS difere, por exemplo:

(a)

da forma de terceira pessoa do singular (ama), o que demonstra que o -s pode ser isolado;

(b) da forma do subjuntivo (ames), o que que -a- também pode ser isolado;

demonstra

Modelos de análise: Item e Arranjo

(c)

não há qualquer marca específica para TEMPO-

MODO-ASPECTO, como no futuro pretérito imperfeito (amavas).

(amarás),

ou

no

Amas poderia ser compreendida, portanto, numa análise em constituintes imediatos, como contendo um zero, ou ainda como contendo um morfe cumulativo.

Modelos de análise: Item e Arranjo

amas

a)

am-

-a-

-Ø-

-s

raiz

VT

IND. PRES.

2SG

amas

b)

am-

-a-

-s

raiz

VT + IND. PRES

2SG

Modelos

Processo

de

análise:

Item

e

Esse é um modelo mais antigo que Item e Arranjo, sua origem remonta aos trabalhos de gramáticos hindus sobre o sânscrito, como Panini.

Há formas subjacentes, ou teóricas, e a essas formas são aplicados processos, ou regras, ou

operações, que as transformam nas formas de superfície.

Modelos

Processo

de

análise:

Item

e

Camara Jr (1970:104) tem um exemplo de descrição para as formas verbais hás, há, hão.

*havs

haØs

hás

*hav

haØ

*hav/N/

haØ/N/

hão

Modelos de análise

Em qual modelo a MD se enquadra?

RESP: A MD fica entre um modelo de Item e arranjo e Item e Processo.

Item e arranjo porque para analisar os diversos morfemas que compõem uma palavra, a MD faz uso da comutação, substituição.

Item e processo porque, como veremos, uma vez a palavra formada, essa ainda pode sofrer algum tipo de processo de reajuste fonológico.

Modelo Lexicalista

Onde as palavras estão armazenadas?

RESP: LÉXICO

Na Teoria Gerativa, especialmente a partir do trabalho de Chomsky (1970), abriu-se espaço para um enfoque na competência do falante em formar e analisar palavras, e especialmente palavras complexas da língua.

Modelo Lexicalista

Qual era o modelo vigente até Chomsky 1970?

Modelo Lexicalista  Qual era o modelo vigente até Chomsky 1970?

Modelo Lexicalista

A sintaxe possui dois componentes: um componente de base e um componente transformacional.

O componente de base, também chamado de componente categorial, se divide em dois sistemas: o componente categorial (contendo regras sintagmáticas) e o léxico (contendo regras de inserção lexical.

Modelo Lexicalista

As regras sintagmáticas são responsáveis por atribuir a cada sentença da língua a sua estrutura em constituintes. De modo geral, são regras de reescrita,

por exemplo, um Sintagma Nominal (SN) pode ser

reescrito como determinante (DET) + nome.

Modelo Lexicalista

Nesse modelo, sentenças diferentes possuem regras sintagmáticas de base diferentes, isto é, não são formadas por um mesmo conjunto de regras. Tais regras também não inserem itens lexicais, como

acontecia no modelo anterior, de 1957.

A inserção de itens lexicais cabe agora às regras do léxico, o qual constitui a segunda divisão do

componente de base

Modelo Lexicalista

Não há mais regras de transformação que alteram o sentido, ou seja, a estrutura profunda contém todos os elementos necessários à interpretação semântica das

sentenças, isto é, a estrutura profunda determina o

sentido das sentenças que foram geradas, sendo o componente semântico apenas interpretativo.

Modelo Lexicalista

No modelo de 1965, as regras sintagmáticas do componente categorial não introduzem itens lexicais, como já dissemos.

Uma sentença como Sincerity may frighten the boy, pode ser traduzida em termos de regras da seguinte maneira, como mostra Chomsky (1965, p. 68):

Modelo Lexicalista

(5) a) S

NP͡Aux͡VP

VP

V ͡NP

NP

Det ͡N

NP

N

Det

the

Aux

M

b)

M

may

N

boy

N

sincerity

V

frighten

Modelo Lexicalista

São as regras categoriais, por meio de derivações sucessivas, que fornecem uma derivação, em que a última sequência não é uma sequência terminal, pois os itens lexicais ainda não foram inseridos.

É por meio da inserção dos itens lexicais, que estão contidos no léxico, que se obterá a sequência terminal.

Modelo Lexicalista

Para resumir, podemos dizer que, no modelo de Chomsky (1965), a estrutura, não só dos verbos e nomes, mas de toda a sentença, é dada por meio

dessas regras sintagmáticas que são geradas pelo

componente categorial.

Modelo Lexicalista

Transformações

Consideremos os seguintes paradigmas:

6)a. Eles [atribuíram [os prêmios] [aos candidatos]]. b. [A atribuição [dos prêmios] [aos candidatos]] foi ontem. 7)a. Eles [desejam [que a Maria chegue cedo]].

é

b.

[O

desejo

[de

Maria

chegue

cedo]]

que

a

partilhado por todos

Modelo Lexicalista

A relação entre atribuíram e atribuição era descrita através de regras transformacionais de nominalização ou de adjetivação que convertiam a estrutura subjacente às frases (6a) ou (7a) nas estruturas

correspondentes às expressões nominais ou adjetivais.

Consequência/Problema:

Há muitas regras transformacionais.

Modelo Lexicalista

Outro problema:

A seleção de sintagmas por um núcleo.

Como dar conta de (8), uma vez que felt pode selecionar um AP (sad), um PP (above such things) e uma sentença (inclined to agree to their request), por exemplo? (8) John felt angry (sad, weak, courageous, above such things, inclined to agree to their request, sorry for what he did, etc).

Modelo Lexicalista

Duas possibilidades são colocadas em evidência:

Expansão do componente categorial e simplificação do léxico, permitindo estruturas do tipo: NP V Pred. Além da especificação de feel, no léxico, como um item que pode aparecer em posição de pré-predicado de DSs.

Modelo Lexicalista

Expansão do componente transformacional e simplificação da Base, excluindo tal estrutura da base e tomando as DSs como NP V S. Assim, a estrutura John felt [ s John be sad] se converte em John felt sad por uma série de transformações.

Modelo Lexicalista

A primeira possibilidade dá origem à chamada Hipótese Lexicalista, que teve como base de argumentação as diferenças entre as nominalizações gerundivas e as nominalizações derivadas.

Tomemos como base os seguintes dados de Chomsky

(1970):

Modelo Lexicalista

9) a)

John is eager to please

b)

John has refused the offer

c)

John criticized the book

10) Nominalizações gerundivas

a)

John’s being eager to please

b)

John’s refusing the offer

c)

John’s criticizing the book

Modelo Lexicalista

11) Nominalizações derivadas

a) John’s eagerness to please
b) John’s refusal of the offer
c) John’s criticism of the book

Modelo Lexicalista

Diferenças mais importantes entre os dois tipos de nominalizações:

produtividade do processo;

generalidade

da

relação

entre

proposição associada;

o

nominal

e

a

estrutura interna do sintagma nominal.

Modelo Lexicalista

As nominalizações gerundivas:

São formadas bastante livremente a partir das proposições da forma sujeito-predicado;

A

a

relação

de

significado

entre

nominal

o

e

proposição é bem regular;

Não possuem estrutura interna de um sintagma nominal. Assim, não podem substituir John’s, nos exemplos de (10), por qualquer determinante (that, the, etc);

Modelo Lexicalista

Adjetivos

não

podem

nominalizações;

ser

inseridos

nessas

Ocorrem sem a preposição of (John’s criticizing the book), o que nos sugere que tais nominalizações

atribuam Caso acusativo para seus objetos diretos;

É possível assumir que umas das formas de NP, introduzidas pelas regras do componente categorial

da base é essa dada em (12):

(12)

[ s NP nom (Aspecto) VP] s

Modelo Lexicalista

As nominalizações derivadas:

Apresentam produtividade muito mais restrita; Apresentam propriedades interpretativas opacas, variadas e idiossincráticas: as relações semânticas entre a nominalização derivada e a proposição associada a ela não são fixas, mas variam.

Modelo Lexicalista

Essas nominalizações têm a estrutura interna de um NP.

Expressões como proof of the theorem, não podem ser realizadas como *the proving the theorem, ou seja, como um nominal gerundivo sem a preposição of;

Podem

ser

modificadas

por

adjetivo

(John’s

unmotivated criticism of the book)

Modelo Lexicalista

Não podem conter aspecto (não existem expressões como John’s having criticized the book);

Podem

morfemas

de

número

uma

gama de determinantes (John’s three proofs of the theorem).

ocorrer

com

e

Modelo Lexicalista

Como analisar os dois tipos de nominalização?

 

Há duas formas analisá-las, em correspondência ao que foi feito com o verbo feel:

Expansão

das

regras

de

base,

para

acomodar

os

nominais derivados e simplificação do componente transformacional (hipótese lexicalista).

Simplificação das estruturas de base, excluindo os nominais derivados e derivando-os por meio da expansão do aparato transformacional (hipótese transformacional).

Modelo Lexicalista

Hipótese Lexicalista.

Problema: Não havia como explicar o fato de que os contextos nos quais refuse aparece como verbo e que refusal aparece como um nome são muito

relacionados.

Quando o léxico é separado do componente categorial da base e suas entradas são analisadas em

termos de traços contextuais, a dificuldade

desaparece.

Modelo Lexicalista

A entrada refuse, no léxico, é um item com certos traços fixos de seleção e subcategorização estrita, mas livre com relação aos traços categoriais de N e V.

Regras morfológicas idiossincráticas determinarão a forma fonológica de refuse e destroy, etc, quando esses itens aparecerem em posições nominais.

Modelo Lexicalista

A Hipótese Lexicalista propõe uma expansão das regras de base para acomodar as nominalizações derivadas, simplificando o poder do componente

transformacional. Dessa forma, o léxico passa a conter

itens (entradas lexicais) categorialmente neutros que indicam a gama de complementos que os itens podem

aceitar.

Modelo Lexicalista

Como ficaram as entradas lexicais no Léxico?

Uma entrada como arrum- possui o seguinte quadro de subcategorização fixo:

arrum-: [αN, V],

Esse quadro de subcategorização diz que arrum- será colocado em um nó sintático de categoria N, se ele for especificado como [+N, -V], e será colocado em um nós sintático de categoria V, se ele for especificado como [- N, +V

NP

([ PP P loc NP])

Modelo Lexicalista: Arquitetura da

Gramática

Modelo Lexicalista: Arquitetura da Gramática

Modelo Lexicalista

Lexicalismo

Fraco: assume a distinção entre uma morfologia derivacional e uma morfologia flexional, em que haveria a necessidade de se tratar cada uma em

um componente gerativo distinto. A derivação é

do âmbito do léxico enquanto a flexão é do âmbito da sintaxe (Anderson, 1982) Forte: assume a distinção entre derivação e flexão, mas não propõe a necessidade de tratar estes processos em componentes distintos, todos os processos ocorrem no léxico. (Di Sciullo & Williams, 1987)

Modelo Lexicalista: O Léxico

Em uma abordagem de cunho lexicalista, o léxico é, ao lado do componente sintático, um componente gerativo, onde existem processos produtivos de formação de palavras, além de desempenhar a função

de local de armazenamento de palavras existentes e

reconhecidas pelos falantes de uma língua.

Nesse componente, os processos são independentes

da sintaxe e representados por meio de regras

específicas.

Modelo não Lexicalista

TEORIA ALTERNATIVA MORFOLOGIA DISTRIBUÍDA

Defende que todo o processo de formação de palavras ou sentenças ocorre no componente sintático, com possíveis alterações no componente morfológico, pós- sintático. Na MD, elimina-se a presença e a necessidade do léxico como componente gerativo e mesmo como local de armazenamento de palavras, e assumem-se outros modos de armazenar informações.

Modelo não Lexicalista

Sufixo /d/: expoente de passado;

Sufixo /z/: expoente de presente e, ao mesmo tempo, de terceira pessoa

Sugestão de representação:

Modelo não Lexicalista

Modelo não Lexicalista Halle, 1997

Halle, 1997

Modelo não Lexicalista

O que são morfemas para a MD?

O slide anterior mostra nós terminais nas árvores sintáticas compostos de duas partes: uma sequência

de fonemas e um complexo de traços gramaticais;

Elementos

MORFEMAS;

terminais

nas árvores sintáticas são

A sequência fonética ou fonológica de um morfema é

seu expoente fonológico ou fonético.

Modelo não Lexicalista

A relação entre os traços gramaticais de um morfema

e seu expoente fonético é de muitas paramuitas:

(i) Um determinado complexo de traços gramaticais

pode ter vários expoentes fonológicos;

(ii)

Um

determinado

expoente

fonológico

pode

representar

vários

complexos

diferentes

de

traços

gramaticais.

Modelo não Lexicalista

Exemplos:

expoente fonológico do passado no inglês: /d/ em play- ed, decid-ed, mas /t/ em bough-t ou lef-t;

O sufixo /z/ é o expoente fonológico para :

pessoa verbos: put-s;

traços de plural, em nomes: book-s.

terceira

do

singular

do

presente,

em

O nulo fonológico pode ser expoente de alguns morfemas - todas as formas de presente, com exceção da 3sg: put, go, write

Do que se ocupa a Morfologia?

As duas partes do morfema traços gramaticais e expoente fonológico desempenham papéis distintos na sintaxe e na fonologia;

A sintaxe se ocupa dos traços gramaticais e não há expoente fonológico durante a derivação sintática;

Assim, para a sintaxe, é irrelevante se o expoente fonológico para o particípio perfeito será /t/, /d/, /en/ ou nulo (bought, dead, written, put).

Modelo não Lexicalista

Para

a

fonologia,

interessam

tanto

os

traços

fonológicos, como os gramaticais;

A ligação entre esses dois componentes da gramática:

sintaxe e fonologia será feita pela MORFOLOGIA de um modo a ser descrito a seguir;

Morfologia Distribuída: MD

O que aconteceu com Léxico na MD?

As tarefas atribuídas ao componente Lexical nas teorias anteriores estão distribuídas através de vários outros componentes. Para os linguistas adeptos à

Hipótese Lexicalista, este aspecto da MD pode ser

mais difícil de entender ou de aceitar, mas ele é um princípio central da teoria. Porque não há Léxico na

MD, o termo item lexical não tem significado, nem se

pode dizer que acontece no Léxico”, nem se pode dizer que algo é “lexical” ou lexicalizado. (H&N,

1999)

MD

Gramática

(H&M,

1993):

Estrutura

da

MD Gramática (H&M, 1993): Estrutura da

MD

Gramática

(H&N,

1999)

:

Estrutura

da

MD Gramática (H&N, 1999) : Estrutura da

MD(Siddiqi, 2009): Estrutura da

Gramática

MD(Siddiqi, 2009): Estrutura da Gramática

Morfologia

Listas

Distribuída:

As

três

A Lista A (Elementos Primitivos) contém as raízes e os morfemas abstratos.

Os morfemas abstratos são feixes de traços que ocupam os terminais sintáticos, possuem apenas traços não fonológicos. Tais traços podem ser considerados traços universais.

Participam

dessa

lista,

os

traços

de

categorias

funcionais que, ao final da computação, podem ser

preenchidos com traços fonológicos.

Morfologia Distribuída: Lista A

O que são as raízes?

Podem também ser chamadas de morfema-l (H&N,

1999).

Embick; Noyer (2004), as raízes são definidas como complexos de traços fonológicos e, em alguns casos, traços diacríticos não-fonológicos.

Trabalhos recentes, como Rocha (2008), Pfau (2009), Minussi (2009), (Harley, 2014) tentam mostrar que as raízes não possuem conteúdo fonológico.

Morfologia Distribuída: Lista A

Enquanto os traços que criam os morfemas abstratos são universais, as raízes são combinações específicas de som e de significado.

Para Embick, o conceito de raiz pode ser diretamente relacionado ao signo saussureano, no que diz respeito à indivisibilidade entre significante e significado.

Lembrando que para este autor, a raiz possui

conteúdo fonológico.

Morfologia Distribuída: Lista A

As raízes sempre ocorrem numa relação local com um núcleo funcional definidor de categoria, ou seja, as raízes, por si só, não possuem categoria gramatical determinada.

Vejamos como esse núcleo funcional se une a uma raiz:

(13)

F

ei

F

√raiz

Morfologia Distribuída: Lista A

F representa um núcleo funcional que categoriza uma raiz neutra que é anexada a ele. Tal núcleo pode ser:

um a (adjetivo), um v (verbo), um n (nome), ou mesmo um D (determinante, para aqueles que defendem que um nome é formado pela categorização de um D e não de um n (cf. MARANTZ, 1997)), e deve c-

comandar a raiz.

Morfologia Distribuída: Lista A

É

uma

questão

para

as

pesquisas

em

geral

saber

exatamente quais são esses núcleos funcionais, ou quais são os tipos de núcleos que podem ocupar a posição de F.

Vejamos

os

dados

do

hebraico

que

mostram

a

possibilidade de uma mesma raiz ser categorizada por

diversos núcleos funcionais.

Morfologia Distribuída: Lista A

(14) √gdl (Raiz) Padrão Vocálico

a) CaCaC (v)

b)CiCCeC (v)

c) hiCCiC (v)

d)CaCoC (a)

e) CoCeC (n)

f) miCCaC (n)

g)CCuCa (n)

h)CCiCa (n)

Palavra formada gadal (crescer) gidel (elevar, criar, cultivar (padrão causativo)) higdil (aumentar) gadol (grande) godel (tamanho) migdal (torre)

gdula (grandiosidade)

gdila (crescimento)

Morfologia Distribuída: Lista B

A

Lista

B

(Vocabulário),

segundo

Embick;

Noyer

(2004), contém os Itens de Vocabulário (IV), ou seja, a expressão fonológica dos morfemas abstratos e as regras necessárias para combinar a parte fonológica

com a parte morfológica da estrutura sintática.

Itens de Vocabulário: definem uma relação entre uma peça fonológica e a informação sobre onde ela pode

ser inserida. Expressam um morfema abstrato através de um conjunto de sinais fonológicos disponíveis em

uma dada língua

Morfologia Distribuída: Lista B

Para aqueles que defendem a inserção tardia de conteúdo fonológico para as raízes, como Rocha (2008), Pfau (2009), Minussi (2009), Harley (2014) a

Lista B também contém os itens de vocabulários para as raízes.

Morfologia Distribuída: Lista B

sinal  contexto de inserção

/i/  [

,

+plural]

(sufixo russo, (Halle, 1997)) +participante, +falante, plural]

,

/n/  [

(clítico em catalão de Barcelona (Harris, 1997))

/y-/  elsewhere (afixo na conjugação de prefixo de Ugaritic (Noyer,

1997))

2plu (sub-parte de um clítico em Espanhol

Ibérico (Harris, /kæt/ [DP D [LP

(Raiz inserida em contexto nominal (Harley&Noyer,

1996a))



1994))

]]

Morfologia Distribuída: Lista C

A Lista C, também chamada de Enciclopédia, é uma

lista

consultada.

de

informação

semântica

que

deve

ser

Por exemplo, uma propriedade de certa raiz, ou de um objeto construído sintaticamente tal como uma expressão idiomática, será consultada para, então, ter

seu significado definido.

Ela faz interface com o Sistema Conceitual Intencional.

Morfologia Distribuída: Lista C

De maneira geral, podemos dizer que a Enciclopédia relaciona Itens de Vocabulário a significados. Em outras palavras, ela é uma lista de idiomas da língua.

o termo idioma (do inglês idiom) é usado para se referir a qualquer expressão (mesmo uma simples palavra ou uma subparte de uma palavra) cujo

significado não é totalmente previsível a partir de sua

descrição morfossintática.

Morfologia Distribuída: Lista C

Qualquer raiz , ou mesmo palavra, é um idioma, mas os morfemas abstratos não podem ser chamados de

idioma.

cachorro (animal que late) (chover) pra cachorro - (muito)

balde (certo tipo de recipiente)

chutar o balde - (desistir)

botas (certo tipo de calçado)

bater as botas - (morrer)

Morfologia Distribuída:

Propriedades Fundamentais

Três propriedades que dizem respeito aos IV distinguem a MD de outros enfoques:

(i) Inserção Tardia;

(ii) Subspecificação; e

(iii) Estruturas sintáticas all the way down.

Propriedades Fundamentais:

Inserção Tardia

Os nós terminais que estão organizados dentro de uma estrutura hierárquica familiar por meio de princípios e operações da própria sintaxe são complexos de traços semânticos e sintáticos, mas

sistematicamente eles não possuem traços

fonológicos.

Os traços fonológicos são fornecidos depois da sintaxe, pela inserção de conteúdo fonológico nos nós terminais.

Propriedades Fundamentais:

Inserção Tardia

A inserção de vocabulário adiciona traços aos nós terminais, mas não adiciona traços sintáticos semânticos a esses nós.

A inserção de vocabulário se dá por meio da operação de Spell-out.

Diferença

entre

o

morfológico.

spell-out

sintático

e

spell-out

Propriedades Fundamentais:

Inserção Tardia

Uma operação denominada spell-out encaminha as estruturas geradas pela sintaxe para PF e para LF, para interpretação.

Em spell-out, os terminais sintáticos incluem traços interpretáveis (inclusive as raízes).

Spell-out ocorre ao final de todos os processos sintáticos ou ciclicamente, ao fim de cada fase (v e C, para Chomsky; categorizadores para Marantz (2001)).

Propriedades Fundamentais:

Inserção Tardia

Spell-out na MD: insere Itens de Vocabulário (ou itens vocabulares- IVs) em morfemas abstratos (feixes de traços).

Alguns fatores operações podem alterar essa relação: fissão de morfemas, empobrecimento, deslocamento local, merger morfológico, inserção de

morfemas dissociados pós-sintaticamente, etc.

Propriedades Fundamentais:

Inserção Tardia

Spell-Out ocorre de modo diferente para a inserção de IV de morfemas abstratos e inserção de IV para raízes.

É uma operação cíclica: morfemas mais encaixados são inseridos antes dos menos encaixados

Princípios fundamentais:

Subespecificação

A fim dos Itens de Vocabulário serem inseridos nos nós terminais, os traços dos Itens de vocabulário devem ser um subconjunto dos traços do nó terminal da sintaxe.

A

inserção

não

pode

acontecer

se

o

Item

de

vocabulário

tem

traços

que

não

aparecem

no

nós

terminal.

Contudo, o IV não precisa conter todos os traços especificados no nó terminal.

Princípios fundamentais:

Subespecificação

É uma característica dos IV serem subespecificados em relação aos traços dos nós terminais dentro dos quais eles serão inseridos.

O

traços são um

subconjunto dos traços dos nós terminais, vence a

competição e é inserido.

IV

mais

especificado,

cujos

Princípios Fundamentais:

Subespecificação

Subset Principle (Princípio do Subconjunto) ‘O expoente fonológico de um IV é inserido em um morfema abstrato se tal item é compatível com todos

ou com um subconjunto dos traços gramaticais especificados no nó terminal.

Princípios fundamentais:

Subespecificação

A inserção não ocorre se o IV contém traços que não estão presentes no morfema abstrato.

Se vários IVs satisfazem as condições para inserção, o IV compatível com o maior número de traços especificados no nó terminal deve ser escolhido.

Princípios fundamentais:

Subespecificação

Em alguns casos, seria possível inserir dois (ou mais) IVs no mesmo f-morfema e o Princípio do Subconjunto não determina o vencedor.

Duas possibilidades:

Princípios fundamentais:

Subespecificação

Halle & Marantz (1993): tais conflitos se resolvem por um ordenamento extrínseco: um IV é simplesmente estipulado como vencedor força bruta;

Noyer (1997): tais conflitos se resolvem por meio de uma Hierarquia Universal de Traços: o IV com o traço mais alto na hierarquia é inserido;

Fragmento da Hierarquia de Traços 1 > 2 > dual > plural > outros traços

Princípios fundamentais:

Subespecificação

Harley (1994), seguindo Bonet (1991):

os efeitos de resolução de conflito da Hierarquia de Traços podem ser derivados de uma representação geométrica dos traços morfossintáticos, de acordo com a qual o IV que realiza a geometria de traços mais complexa é inserido nessas situações.

Exemplo

&

de

Geometria

(Harley

para

pronomes

Ritter, 2002)

Princípios fundamentais:

Subespecificação

Princípios fundamentais: Subespecificação

Princípios Fundamentais: Estrutura

Sintática

Os nós terminais nos quais os IV são inseridos estão organizados dentro de estruturas hierárquicas determinadas por princípios e operações sintáticas.

A estrutura sintática pode ser modificada no componente PF por operações morfológicas, mas essas operações são restritas por condições de

localidade que requerem que constituintes

permaneçam em um relação de governo na estrutura.

Princípios Fundamentais: Estrutura

Sintática

Essas modificações incluem movimento de núcleo a núcleo, merger sob adjacência, operações morfológicas que podem fusionar ou fissionar os nós sintáticos.

Porque essas operações são estritamente locais e respeitam a hierarquia sintática, a estrutura

hierárquica na qual os IV são inseridos desvia apenas

de um modo limitado da estrutura motivada sintaticamente.

Princípios Fundamentais: Estrutura

Sintática

Princípios Fundamentais: Estrutura Sintática

Princípios Fundamentais: Estrutura

Sintática

Princípios Fundamentais: Estrutura Sintática

Princípios Fundamentais: Estrutura

Sintática

O exemplo em (15) mostra que a troca/dobra do clítico não é um efeito prosódico. Em casos em que o /n/ não é um sufixo de plural, não ocorre troca de lugar do clítico.

não é um efeito prosódico. Em casos em que o /n/ não é um sufixo de

Princípios Fundamentais: Estrutura

Sintática

Argumento contra um enfoque da morfologia sem morfemas (a-morphous).

O sufixo /n/ não teria um status independente como unidade na gramática nem como um sufixo, nem como um conjunto de traços distintivos do resto da flexão do verbo.