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2009

LEGISLAÇÃO DAS
AGÊNCIAS DE
VIAGENS E
TURISMO

Trabalho realizado no âmbito da disciplina de


Informação e Animação Turística dentro do Módulo
10 – Legislação Turística.

Escola Secundária Sebastião e Silva Realizado Por: 12º N


Curso Profissional Técnico de Turismo Sónia Pinheiro Nº 8

Docente: Joana Costa


Informação e Animação Turística 2
Legislação das Agências de Viagens e Turismo

Índice
Conteúdo Páginas

1. Noção Geral 4
1.1. Definição de Agências de Viagens e Turismo
1.2. Actividades Próprias e Acessórios
1.3. Exclusividades
1.4. Denominação
2. Licenciamento 5
2.1. Licença
2.2. Pedido
2.3. Obrigação de comunicação
2.4. Filial de Agências Estabelecidas na União Europeia
2.5. Alteração da Licença 6
2.6. Registo
3. Exercício da Actividade das Agências de Viagens e Turismo
3.1. Estabelecimentos
3.2. Utilização de meios próprios
3.3. Representantes das Agências 7
3.4. Livros de Reclamações
4. Viagens Turísticas
4.1. Definições
4.1.1. Noções e Espécies
4.2. Disposições Comuns 8
4.2.1. Obrigação de Informação Prévia
4.3. Viagens Organizadas
4.3.1. Programas de Viagens
4.3.2. Contrato
4.3.3. Informação sobre as viagens 9
4.3.4. Cessão da posição contratual
4.3.5. Acompanhamento por Profissionais de Informação
Turística
4.3.6. Alteração do Preço
4.3.7. Impossibilidade de Cumprimento 10
4.3.8. Rescisão ou Cancelamento não Imputável ao Cliente
4.3.9. Incumprimento
4.3.10. Assistência
5. Relações das Agências com Empreendimentos Turísticos
5.1. Identidade de Prestações 11

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5.2. Reservas
5.3. Inobservância do Prazo
6. As Responsabilidades e Garantias

6.1. Responsabilidades
6.1.1. Princípios Gerais
6.2. Garantias 12
6.2.1. Garantias Exigidas
6.2.2. Caução
6.2.3. Montante
6.2.4. Funcionamento da Caução
6.2.5. Seguro de Responsabilidade Civil 13
6.2.6. Âmbito de Cobertura
7. Regimes Especiais
7.1. Instituições de Economia Social
7.2. Exercício de Actividades de Animação Turística
8. Fiscalização e Sanções
8.1. Competências de Fiscalização e Instrução de Processos 14
8.2. Obrigação de Participação
8.3. Sanções Acessórias
8.4. Competência para a Aplicação das Sanções
9. Disposições Finais e Transitórias
9.1. Taxas
9.2. Intimidação Judicial para um Comportamento 15

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Legislação das Agências de Viagens e Turismo

1. Noção Geral

1.1. Definição de Agências de Viagens e Turismo

São consideradas agências de viagens e turismo as empresas que


disponham a reserva de serviços em empreendimentos turísticos, em
empreendimentos de turismo no espaço rural e nas casas de natureza.
Para tal, estas devem possuir o diploma e encontrarem-se devidamente
licenciadas.

1.2. Actividades Próprias e Acessórios

Têm como actividades próprias a organização e venda de viagens


turísticas, a reserva de serviços em empreendimentos turísticos, a
bilheteira e reserva de lugares em qualquer meio de transporte, a
representação de outras agências de viagens e operadores turísticos bem
como a ligação na venda dos respectivos produtos, a recepção, a
transferência e a assistência a turistas.
As actividades acessórias das agências de viagens são a obtenção de
certificados colectivos de identidade, vistos ou outros documentos
necessários á realização de uma viagem, a organização de eventos, a
reserva e venda de bilhetes para espectáculos e outras manifestações
públicas, a realização de operações cambias, a ligação na celebração de
contractos de aluguer de veículos, a comercialização de seguros de
viagens e de bagagem, a venda de guias turísticos, o transporte turístico
efectuado no âmbito de uma actividade turística, a prestação de serviços
ligados ao acolhimento turístico e o exercício das actividades de
animação turística.

1.3. Exclusividades

As Agências de viagens também fazem comercialização directa dos seus


serviços, transporte de clientes nos espaços turísticos, venda de serviços de
empresas transportadoras.

1.4. Denominação

Só as empresas licenciadas como agências de viagens e turismo podem


usar essa mesma denominação (“Agências de Viagens”). Assim, não
poderão usar denominações iguais ou semelhantes, sendo que a
Direcção-Geral do Turismo não deve autorizar o licenciamento das
mesmas.
Os seus estabelecimentos devem exibir de forma visível essa mesma
denominação, tal como, em todos os contractos, correspondência,

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publicidade, publicações…devem indicar a denominação, o número do


seu alvará e a localização da sede.

2. Licenciamento

2.1. Licença

O exercício da actividade de agências de viagens e turismo depende da


licença a ser concedida pelo Turismo de Portugal. Desta forma, a
autorização da licença deverá ser uma cooperativa, estabelecimento
individual de responsabilizada limitada ou sociedade comercial que
disponha de um capital social mínimo de €100,000; comprovação da
competência comercial do titular do estabelecimento, dos Directores ou
Gerentes da Cooperativa e dos Administradores da Sociedade em causa;
e a licença não poderá ser objecto de negócios jurídicos.

2.2. Pedido

No pedido de licença deverá constar a identificação do requerente, dos


titulares, administradores ou gerentes e a localização do estabelecimento.
O pedido deverá ser completado com a certidão do acto constitutivo da
empresa; com o código de acesso à certidão permanente ou a certidão
do registo comercial; com a indicação do nome adoptado para o
estabelecimento e de marcas que a Agência pretenda utilizar
acompanhados da cópia do registo no Instituto Nacional da Propriedade
Industrial (caso exista); e a cópia simples ou depósito no Turismo de
Portugal, consoante os casos, dos contratos de prestação de garantias e
comprovativo do pagamento da fracção inicial.
No caso de não haver decisão por parte do Turismo de Portugal, no
prazo de 10 dias úteis a contar da entrega do pedido, desde que se
mostrem pagas as taxas devidas entende-se que a licença é concedida,
sendo que o requerente poderá iniciar a actividade.

2.3. Obrigação de comunicação

A alteração de qualquer elemento integrado no pedido de licença deve


ser comunicada ao Turismo de Portugal após 30 dias, devendo ser
acompanhada dos documentos comprovativos deste facto.

2.4. Filial de Agências Estabelecidas na União Europeia

As Agências de Viagens e Turismo estabelecidas noutro estado membro


da União Europeia podem abrir filiais em Portugal, sendo dispensadas as
formalidades exigidas. O estado português não tem obrigação de aplicar

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as normas sobre licenciamento sobre agências de viagens e turismo, mas


para efeitos o pedido deve ser complementado com um certificado
emitido pela entidade competente do país onde se encontra situada a
sede da sociedade, comprovando que esta está habilitada ao exercício
da actividade; e código de acesso à certidão permanente comprovando
a constituição permanente em Portugal.

2.5. Alteração da Licença

A licença para o exercício desta actividade poderá ser alterada no caso


de: não iniciar actividade no prazo de 90 dias após a emissão do alvará,
em caso de falência, se a agência cessar a actividade por um período
superior a 90 dias sem justificação, se deixar de se verificar alguns dos
requisitos legais para a autorização da licença, e se a agência não
entregar no Turismo de Portugal o comprovativo de que as garantias
exigidas se encontram em vigor.

2.6. Registo

O Turismo de Portugal deve organizar e manter actualizado um registo


das agências licenciadas no qual deverá ser acessível ao público. O registo
das agências deverá conter a identificação do requerente; a
denominação social, a sede, o objecto social, o número da matrícula e a
conservatória do registo comercial; a identificação dos administradores,
gerentes e directores; a localização dos estabelecimentos; o nome
comercial, as marcas próprias da agência; e a forma de prestação e
montante garantido.
No registo devem ainda estar inscritos alteração de qualquer dos
elementos integrantes do pedido de licenciamento; a verificação de
qualquer facto ao Turismo de Portugal; os relatórios de inspecções, s
reclamações apresentadas; as sanções aplicadas; e os louvores concedidos.

3. Exercício da Actividade das Agências de Viagens e Turismo

3.1. Estabelecimentos

As agências de viagens e turismo devem dispor no mínimo, de um


estabelecimento para o atendimento aos clientes. Estas podem instalar
balcões de venda em empreendimentos turísticos, aerogares, gares
ferroviárias ou marítimas, terminais rodoviários e centros comerciais.
Também é permitido a criação de pontos de venda em instalações
públicas.

3.2. Utilização de meios próprios

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Na realização de viagens turísticas e na recepção, transferência e


assistência a turistas, as agências de viagens podem utilizar os meios de
transporte que lhes pertencem. Desta forma, para efeitos de
comprovação da capacidade financeira exigida para o acesso à profissão
de transportador público rodoviário, internacional e interno de
passageiros, o valor do capital social é reduzido para €100,000.Estas
podem alugar os meios de transporte a outras agências. Ao veículos
automóveis utilizados com lotação superior a 9 lugares devem ser sujeitas
a prévio licenciamento pela Direcção Geral de Transportes Terrestres.

3.3. Representantes das Agências

Aos representantes das agências, quando devidamente identificados e


em serviços, é permitido o acesso ás delegações das alfandegas, aos cais
de embarque e aos recintos destinados aos passageiros nos aeroportos ou
gares, desde que tal acesso seja possível em função dos regulamentos de
segurança adoptados pelas receptivas entidades gestoras.

3.4. Livros de Reclamações

Em todos os estabelecimentos é obrigatório a existência de um livro de


reclamações. O original da reclamação deverá ser enviado pelo
responsável da agência ao Turismo de Portugal.
O livro de reclamações é editado e fornecido pela Direcção Geral do
Turismo ou pelas entidades que ela encarregar para o efeito.

4. Viagens Turísticas

4.1. Definições

4.1.1. Noções e Espécies

Só são viagens turísticas as que combinem dois serviços como o


transporte, o alojamento, e os serviços turísticos não subsidiários do
transporte e alojamente. Também existem as viagens organizadas. Estas
são vendidas ou propostas para a venda a um preço com tudo incluído,
quando excedem 24h ou incluam uma dormida. Também, tal como a
anterior devem combinar dois serviços, sendo que os serviços turísticos
não subsidiários do transporte devem representar uma parte significativa
da viagem, isto é, deve estar relacionado com os eventos desportivos,
religiosos e culturais.
As viagens poderão ser preparadas a pedido do cliente para a satisfação
das solicitações por este pedidas de forma a satisfazer todas as suas
necessidades.

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4.2. Disposições Comuns

4.2.1. Obrigação de Informação Prévia

Antes da venda de uma viagem turística a agência de viagens deve


informar, por escrito ou por qualquer outra forma adequada, os clientes
que se desloquem ao estrangeiro sobre a necessidade de documento de
identificação civil, passaporte e vistos, prazos para a respectiva obtenção
e formalidades sanitárias e, caso a viagem se realize no território de
Estados membros da União Europeia, a documentação exigida para a
obtenção a assistência médica. Quando seja obrigatório a realização de
um contrato escrito, a agência deve ainda informar o cliente sobre todas
as suas cláusulas e incluir o mesmo. Assim, considera-se a forma
adequada de informação a entrega ao cliente do programa de viagens
que inclua os elementos referidos, tal como a descrição da viagem, o
respectivo preço e as restantes condições do contrato, sem elementos
enganadores nem induzir o cliente em erro.

4.3. Viagens Organizadas

4.3.1. Programas de Viagens

As agências que anunciarem a realização de viagens organizadas


deverão dispor de programas, com informações claras, precisas e exactas.

4.3.2. Contrato

Os contratos de venda de viagens organizadas deverão conter o nome,


endereço e o número do alvará da agência vendedora e organizadora; a
identificação das entidades que garantem a responsabilidade bem como
o número da apólice de seguro de responsabilidade civil; o preço da
viagem, os termos e prazos em que é legalmente admitida a sua
alteração de impostos ou taxas devidos em função da viagem, que não
estejam incluídos no preço; o montante ou percentagem do preço a
pagar, a título de princípio de pagamento, data de liquidação do
remanescente e consequências de falta de pagamento; a origem,
itinerário e destino da viagem, períodos e datas de estada; o número
mínimo de participantes de que dependa a realização da viagem e data
de limite para notificação do cancelamento ao cliente, caso não se tenha
atingido aquele número; os meios, categorias e características de
transporte utilizados, datas, locais de partida e regresso e as horas; o
grupo e classificação do alojamento utilizado, a sua localização, as suas
características principais bem como o plano de refeições fornecidas; as
visitas, excursões e outros serviços incluídos no preço; os serviços

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facultativos pagos pelo cliente; e, por fim, todas as suas exigências


específicas que o cliente comunique á agência e esta aceite.
O contrato é considerado celebrado com a entrega ao cliente do
documento de reserva programa da viagem e com o recibo de
pagamento. Este ao ser entregue deverá ser acompanhado de cópia da
apólice de seguro vendida pela agência de viagens.

4.3.3. Informação sobre as viagens

Antes do inicio de qualquer viagem organizada, a agência deve prestar


ao cliente, em tempo útil, as informações relativas ao horário e aos locais
de escalas e correspondências, bem como do lugar atribuído ao cliente; o
nome, endereço e número de telefone da representação local da
agência; no caso de viagens e estadas de menores no país ou no
estrangeiro estes deveram estar contactáveis ou os seus responsáveis; a
possibilidade de celebração de um contracto de seguro que cubra as
despesas resultantes da rescisão pelo cliente e de um contrato de
assistência que cubra as despesas de repatriamento em caso de acidente
ou doença; o modo de proceder no caso especifico de doença ou
acidente; e a ocorrência de catástrofes naturais, epidemias, revoluções,
entre outros.

4.3.4. Cessão da posição contratual

O cliente pode ceder a sua posição, fazendo-se substituir por outra


pessoa que preencha todas as condições requeridas para a viagem
organizada, desde que informe a agência até 7 dias antes da data
prevista para a partida. No caso de cruzeiros e de viagens aéreas de
longo curso o prazo previsto é alargado para 15 dias.

4.3.5. Acompanhamento por Profissionais de Informação Turística

Nas visitas a centros históricos, museus, monumentos nacionais ou sítios


classificados, incluídas em viagens turísticas, á excepção das viagens por
medida, os turistas devem ser acompanhados por guias-intérpretes.

4.3.6. Alteração do Preço

A agência só pode alterar o preço até 20 dias antes das datas previstas
para a partida e se o contrato prevenir expressamente e determinar as
regras precisas de cálculo da alteração e se a alteração resultar
unicamente de variações de custo dos transportes ou do combustível, dos
direitos, impostos ou das taxas cobráveis.

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A alteração do preço não permitida confere ao cliente o direito de


rescindir o contrato, não sendo obrigado ao pagamento de acréscimos de
preços.

4.3.7. Impossibilidade de Cumprimento

A agência deve notificar imediatamente o cliente quando não puder


cumprir as obrigações resultantes no contrato, e se tem a impossibilidade
de respeitar alguma obrigação essencial, o cliente pode rescindir o
contrato sem qualquer penalização, devendo comunicar á agência a sua
decisão no prazo de 8 dias após a notificação.

4.3.8. Rescisão ou Cancelamento não Imputável ao Cliente

Se o cliente rescindir o contrato ou se a agência cancelar a viagem


organizada antes da data da partida tem o direito, sem prejuízo da
responsabilidade civil da agência a ser imediatamente reembolsado de
todas as quantias pagas, e em alternativa, optar por participar numa
outra viagem organizada, devendo ser reembolsada ao cliente e
eventual diferença de preço.

4.3.9. Incumprimento

Quando, após a partida, não seja fornecida uma parte significativa dos
serviços previstos no contrato, a agência deve assegurar, sem aumento de
preço para o cliente, a prestação de serviços equivalentes. Quando se
mostre impossível a continuação da viagem a agência deve fornecer,
sem aumento do preço, um meio de transporte que possibilite o regresso
ao local de partida ou a outro local acordado. Caso se verifique alguma
deficiência, na execução do contrato, relativamente a serviços de
alojamento e transporte, o cliente deve contactar a agência de viagens
de forma a assegurar a prestação de serviços equivalentes ao do
contrato.

4.3.10. Assistência

Quando o cliente não possa terminar a viagem, a agência é obrigada a


dar-lhe assistência até ao ponto de partida ou de chegada, devendo
efectuar todas as diligências necessárias. Em caso de reclamações cabe á
mesma provar ter actuado convenientemente de forma a encontrar a
solução mais adequada.

5. Relações das Agências com Empreendimentos Turísticos

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5.1. Identidade de Prestações

São proibidos os acordos ou as práticas entre empreendimentos turísticos


e agências de viagens que restringem, impeçam ou falseiem a
concorrência do mercado, não podendo os empreendimentos turísticos
vender os seus serviços directamente a preços inferiores aos que recebam
das agências que comercializam os seus serviços, sem prévio aviso á(s)
agência(s) contratantes. Os serviços prestados pelos mesmos devem ser
iguais quer sejam vendidos directamente a clientes quer por meio de
agências de viagens.

5.2. Reservas

A reserva de serviços em empreendimentos turísticos deve ser pedida por


escrito, sendo que a sua aceitação deve ser feita da mesma forma,
especificando os serviços, datas, preços e condições de pagamento.
No caso de cancelamento só não é devida qualquer indemnização se
forem respeitados os prazos. Desta forma, o empreendimento turístico é
obrigado a reembolsar o montante pago antecipadamente.

5.3. Inobservância do Prazo

Se as agências cancelarem as reservas desrespeitando os prazos o


empreendimento turístico tem o direito a receber uma indemnização
correspondente ao montante pago.

6. As Responsabilidades e Garantias

6.1. Responsabilidades

6.1.1. Princípios Gerais

As agências são responsáveis perante os seus clientes pelo pontual


cumprimento das obrigações resultantes da venda de viagens turísticas.
Quando se trata de viagens organizadas, a agência não pode ser
responsabilizada se o cancelamento se baseio no facto de o número de
participantes ser inferior ao número mínimo exigido; se o incumprimento
não resulte do excesso de reservas e seja devido a situações de força
maior; se for demonstrado que o incumprimento se deve á conduta do
próprio cliente; e se o prestador de serviços de alojamento não puder ser
responsabilizado pela deterioração, destruição ou subtracção de
bagagens ou outros artigos. Nas restantes viagens turísticas, as agências
respondem pela correcta emissão dos títulos de alojamento e transporte e

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ainda pela escolha errada dos prestadores de serviços, caso não tenham
sido sugeridos pelo cliente.

6.2. Garantias

6.2.1. Garantias Exigidas

Para a garantia da responsabilidade perante o cliente as agências de


viagens e turismo devem prestar uma caução e efectuar um seguro de
responsabilidade civil onde são obrigatoriamente garantidos o reembolso
dos montantes entregues pelos clientes assim como o reembolso das
despesas suplementares suportadas pelo cliente em consequência da não
prestação de serviços ou da sua prestação defeituosa; o ressarcimento dos
danos patrimoniais e não patrimoniais causados a clientes ou a terceiros
por acções ou omissão da agência e seus representantes, e a assistência
médica e medicamentos necessários.

6.2.2. Caução

Para a garantia do cumprimento das obrigações emergentes do exercício


da sua actividade, as agências devem prestar uma caução. Esta pode ser
prestada por seguro-caução, garantia bancária, depósito bancário ou
títulos da divida pública depositados á ordem do Turismo de Portugal. O
título da caução não pode condicionar o accionamento destes prazos ou
ao incumprimento de obrigações.

6.2.3. Montante

O montante garantido através da caução é de 5% do valor das vendas


de viagens efectuadas, pela agência, no ano anterior, devendo ser
entregue uma declaração com o respectivo, ao Turismo de Portugal.
Caso não seja entregue, o valor deverá corresponder a 5% da prestação
de serviços declarado pela agência no ano anterior, devidamente
comprovado com a declaração anual dos rendimentos. Assim, o
montante garantido não pode ser inferior a €25,000 nem superior a
€250,000.

6.2.4. Funcionamento da Caução

Os clientes interessados em accionar a caução devem dirigir-se ao


Turismo de Portugal apresentando a sentença judicial da qual conste o
montante da divida, da decisão arbitral e do requerimento solicitado a
intervenção da comissão arbitral.

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Podem ser objecto de accionamento as cauções prestadas pela agência


com quem o cliente contratou directamente ou pela agência que
organizou a viagem, sem prejuízo do direito de regresso. O requerimento
referido deverá ser apresentado no prazo de 20 dias úteis após o termo
da viagem ou no prazo previstos no contrato.

6.2.5. Seguro de Responsabilidade Civil

As agências devem celebrar um seguro de responsabilidade civil que


cubra os riscos decorrentes da sua actividade, garantindo o cumprimento
da obrigação sendo o montante mínimo coberto pelo seguro de
€74.819.68. A apólice uniforme do seguro é aprovada pelo Instituto de
Seguros de Portugal. No seguro são excluídos os danos causados aos
agentes ou representantes das agências e os danos provocados pelo
cliente.

6.2.6. Âmbito de Cobertura

Podem ser excluídos do seguro os danos causados por acidentes ocorridos


com meios de transportes que não pertençam á agência, desde que o
transportador tenha o seguro exigido para o meio de transporte em
causa, e as perdas, deteriorações, furtos ou roubos da bagagem ou
valores entregues pelo cliente á guarda da agência.

7. Regimes Especiais

7.1. Instituições de Economia Social

Podem organizar viagens as associações, misericórdias, instituições


privadas de solidariedade social, institutos públicos, cooperativas e
entidades análogas, estando dispensadas do licenciamento como agência
de viagens e turismo, desde que se verifique que a organização da
viagem não tenha um fim lucrativo; que se dirijam única e
exclusivamente aos seus membros e não ao publico em geral; que se
realizem de forma ocasional, e que não utilizem meios publicitários para
a sua promoção dirigidos ao público em geral.

7.2. Exercício de Actividades de Animação Turística

O exercício de actividades de animação turística por parte das agências


de viagens e turismo necessita de prévia autorização pelo Turismo de
Portugal. Essa autorização depende da prestação das garantias exigidas
para cada tipo de actividade. No pedido de autorização devera constar
com um programa detalhado das actividades a desenvolver, com

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indicação dos equipamentos a utilizar e os locais onde estas actividades


vão decorrer; com a declaração em como os equipamentos e instalações
satisfazem os requisitos legais, acompanhadas das licenças e autorizações
emitidas pelas entidades competentes; e com a cópia simples dos
contratos de prestação de garantias e comprovativo do pagamento do
prémio ou fracção inicial.

8. Fiscalização e Sanções

8.1. Competências de Fiscalização e Instrução de Processos

Compete á Autoridade de Segurança Alimentar e Económica fiscalizar a


observância do disposto na legislação, conhecer as reclamações
apresentadas, e instruir os processos por infracção ao estabelecimento.

8.2. Obrigação de Participação

Todas as autoridades e os seus agentes devem participar á Autoridade


de Segurança Alimentar e Económica quaisquer infracções e respectivas
disposições regulamentares.

8.3. Sanções Acessórias

Quando a gravidade da infracção o justifique, podem ser aplicadas as


seguintes sanções acessórias: interdição do exercício de profissão ou
actividades directamente ligadas com a infracção aplicada; suspensão da
autorização para o exercício da actividade e encerramento dos
estabelecimentos; e suspensão do alvará da agência. A agência deve
afixar a cópia da decisão sancionatória, pelo período de 30 dias, no
próprio estabelecimento, em lugar visível.

8.4. Competência para a Aplicação das Sanções

É da competência da Comissão de Aplicação de Coimas em Matéria


Económica e de Publicidade a aplicação de coimas previstas. Sendo da
competência do membro do Governo responsável pela área do turismo a
cassação do alvará da agência de viagens e turismo. A aplicação de
coimas deverá ser comunicada ao Turismo de Portugal para efeitos de
registo.

9. Disposições Finais e Transitórias

9.1. Taxas

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Os montantes das taxas devidas pela concessão de licenças e de


autorizações constituem receitas ao Turismo de Portugal e são afixadas
por portaria dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das
finanças e do turismo, a aprovar no prazo de 90 dias.
O requerente deverá juntar ao processo o documento comprovativo do
pagamento no prazo máximo de 15 dias, sob a pena de ser devolvida
toda a documentação entregue. As empresas de animação turística que
pretendam constituir-se como agências de viagens e turismo pagam a
diferença da taxa de licenciamento entre a respectiva licença e o valor
da taxa prevista para as agências de viagens e turismo.

9.2. Intimidação Judicial para um Comportamento

O requerimento de intimidação deve ser instruído com a cópia do


requerimento para a prática do acto devido, com a cópia da notificação
do deferimento expresso quando tenha tido lugar e com a cópia do
pedido de licenciamento.
O efeito devolutivo do recurso pode, ser requerido pelo recorrido ou
concedido oficialmente tribunal, caso do recurso resultem indícios da
ilegalidade do mesmo, devendo o juiz decidir a questão no prazo de 10
dias.
A Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo tem
legitimidade processual para intentar os pedidos de intimidação, sendo
que estes devem ser propostos no prazo de 3 meses a contar do
conhecimento do facto que lhes serve de fundamento.

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