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• GESTÃO DE RESÍDUOS

• TECNOLOGIA
• SUSTENTABILIDADE

Ano 1 • no 3 • Novembro/Dezembro 2009

CADERNO
DE RESÍDUOS
Cobertura dos
Lixo Doméstico
Cuidados no descarte
principais eventos do
de resíduos tóxicos
setor e Especial RCD

Seguro Ambiental
Uma responsabilidade
de quem produz

Ostreicultura
Sustentabilidade em
fazendas submersas
VISÃO AMBIENTAL

O PODER DA
Ano 1 • no 3 • Novembro/Dezembro 2009 •

ENERGIA LIMPA
SUMÁRIO

6 MATÉRIA DE CAPA
O poder da
energia limpa

70
Ostreicultura
Importância
econômica
e sustentabilidade

24 Eco Estilo
57 Visão Empresarial Aventura sobre
Por Juliana Girardelli Vilela duas rodas
15 Visão Científica 58 Visão Econômica
Por Ricardo Ernesto Rose
Por Celso Tomé Rosa
16 Reciclagem Industrial 66 Debate Virtual
Por Raul Lóis Crnkovic
Sustentabilidade: o desafio no 60
21 Visão Política mundo empresarial Seguro Ambiental
Por Carlos Silva Filho Debate sobre o Projeto
de Lei nº 2.313/2003
22 Irrigação Agrícola
Projeto de aplicação de lodo biológico

27 Opinião
Tecla SAP de Copenhagen
68 Visão Pedagógica
28 Resíduos Domésticos Por Wellinton dos Santos
Cuidados no descarte de lixo tóxico
74 Radar
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

31 Visão Internacional Contatos das empresas, participantes


Por Eduardo Pocetti e colaboradores desta edição
32 Consumo Consciente
18 Produtos que ajudam
a preservar o ambiente
Mercado de
Trabalho
Técnico em
meio ambiente
38
Caderno de Resíduos
Cobertura dos principais
 eventos do setor e Especial RCD
EXPEDIENTE
Alicerce em 2009, mais
realizações em 2010
EXECUTIVO EDITORIAL Final de ano costuma ser época de reflexão e de resoluções para
Nilberto Machado
nilberto@rvambiental.com.br o futuro. Para nós, não é diferente. Também analisamos o ano de
EXECUTIVO FINANCEIRO lançamento de nossa revista, que foi a concretização de um projeto
José Antonio Gutierrez elaborado com profissionalismo e dedicação tendo como objetivo
gutierrez@rvambiental.com.br
abordar questões deste nicho fascinante que é o meio ambiente, e
EDITORA-CHEFE os resultados nos indicam que foi uma decisão acertada.
Susi Guedes
susiguedes@rvambiental.com.br Em nossa terceira edição já podemos contar vitórias, percebi-
PROJETO GRÁFICO e DIREÇÃO DE ARTE
das pelos elogios recebidos de leitores, anunciantes, entidades do
Flora Rio Pardo setor, colaboradores e até concorrentes. Buscamos um caminho
flora@rvambiental.com.br diferenciado, com informação transmitida em linguagem moderna,
JORNALISTAS com design arrojado, qualidade editorial e isenção absoluta. Nossa
Arielli Secco, Tais Castilho e Walter Prandi
jornalismo@rvambiental.com.br recompensa veio através da aceitação e de já sermos, em tão pouco
tempo, reconhecidos pelo mercado.
REVISÃO
Diego Teixeira Nesta edição trazemos até você coberturas de eventos, matéria
jornalismo@rvambiental.com.br sobre mercado de trabalho, um especial sobre RCD (resíduos da
FOTOGRAFIA construção e demolição); falamos sobre energias renováveis, segu-
Fábio Tavares e Luciana Yole
jornalismo@rvambiental.com.br
ro ambiental, descarte de lixo doméstico, ostreicultura e consumo
consciente; organizamos dicas de compras cotidianas e também
COLABORADOR
Paulo César Lamas (tratamento de imagens) para o Natal – tudo isso pensando em ter variedade de assuntos
COLUNISTAS DESTA EDIÇÃO
que possam agradar a quem tem acesso à revista. Imaginamos que
Antonio Carlos Porto Araújo, Carlos Silva assim, com temas abrangentes e diversificados, conseguimos alcançar
Filho, Celso Tomé Rosa, Eduardo Pocetti, nosso objetivo de que a revista passe “de mão em mão”, agradando
Elton Lage, Juliana Giardelli Vilela,
Raul Lóis Crnkovic, Ricardo Ernesto Rose de alguma forma ao maior número de pessoas.
e Wellinton dos Santos Num momento tão importante, quando o mundo parece começar
COMERCIAL e PUBLICIDADE a reconhecer a importância das questões ambientais, ser vitrine para
comercial@rvambiental.com.br
a difusão de conhecimento e participar desta tomada de consciência
PRODUÇÃO deixa-nos honrados e cientes de nossa responsabilidade. Desejosos
Cristopher Raineri, Jurema Jardin
e Marina Malcius de melhorar sempre, queremos continuar contando com sugestões
atendimento@rvambiental.com.br e opiniões sobre nosso trabalho. Para isso temos nosso portal (www.
JORNALISTA RESPONSÁVEL rvambiental.com.br), um canal direto de comunicação com você.
Susi Guedes – MTb 44447/SP Visite e participe.
PERIODICIDADE – Bimestral Como agradecimento de final de ano, assumimos o compromisso
TIRAGEM – 8.000 exemplares
de manter a qualidade em tudo que fizermos. Em breve virão novos
projetos, que tenham por motivo de existir o respeito ao meio am-
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

biente e ao nosso leitor.


Um bom Natal, com pessoas amadas e de bem, e um 2010 ma-
ravilhoso é o que desejamos a todos.
ATENAS EDITORA
Rua José Debieux, 35, Cj. 42
Santana – São Paulo/SP – CEP: 02038-030 José Gutierrez, Nilberto Machado, Susi Guedes
Fone: 55-11- 2659-0110
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ATENDIMENTO AO LEITOR
Fone: 55-11- 2659-0110 ERRATA
leitor@rvambiental.com.br
• O nome da construtora do Sr. Sérgio Auad é MSM Imobiliária (www.msmimobiliaria.
As opiniões pessoais publicadas nos artigos autorais são de com.br), e não MSN, como foi publicado na última edição.
responsabilidade exclusiva dos colaboradores independentes.
• O jornalista Walter Prandi também assinou a cobertura da Fenasan.
Capa: Fotomontagem imagens SXC por design.rvambiental@gmail.com


O Sol visto pelo Soft X-Ray
CAPA Telescope : irradiador infinito

O PODER DA
ENERGIA LIMPA
Instituições públicas e privadas se unem
para tentar diminuir os impactos
ambientais e evitar que falte energia
Por Tais Castilho Com o passar do tempo, as preocupações
com a finitude das fontes energéticas tradicio-
As energias renováveis nunca estiveram tão nais fizeram surgir algumas alternativas para
evidentes. Elas têm sido exaustivamente discu- o problema. Atualmente, as mais difundidas
tidas em fóruns nacionais e internacionais, uma são as energias eólica, geotérmica, nuclear,
vez que representam alternativas sustentáveis biomassa, solar e hidrelétrica.
para a geração de energia. Mais do que nunca, é Tanto instituições públicas quanto privadas
necessário aumentar sua oferta com o objetivo estão realizando pesquisas e executando pro-
de preservar o meio ambiente. jetos para fazer a diferença no cenário atual.
Na maioria dos países, a geração de energia Grande parte deles vem do Programa de Incen-
é feita através do consumo de combustíveis tivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica
fósseis. O principal problema desse modelo é (Proinfa), do governo federal, que tem como
que os recursos não são renováveis e ocasio- objetivo aproveitar o potencial energético do
nam sérios danos à natureza. Mesmo gerando País. Segundo dados da Eletrobrás (Centrais
energia através da força das águas, que é uma Elétricas Brasileiras S.A.), o programa prevê a
fonte renovável, as usinas hidroelétricas não operação de 144 usinas, totalizando 3,29 GW
são consideradas “limpas”, pois queimam com- de capacidade instalada. As usinas do programa
bustíveis como gasolina, diesel, gás natural e responderão pela geração de aproximadamen-
carvão, emitindo grande quantidade de dióxido te 12 mil GW por ano – quantidade capaz de
de carbono (CO²) no ecossistema. abastecer cerca de 6,9 milhões de residências, o
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

Atualmente, a sociedade depende da energia equivalente a 3,2% do consumo total anual do


elétrica para praticamente tudo, desde as simples país. Os 3,29 GW contratados estão distribuídos
residências até as grandes indústrias: sem energia, assim: 1,19 GW provenientes de 63 Pequenas
somos privados não só do lazer, mas também do Centrais Hidrelétricas (PCHs), 1,42 GW de 54
trabalho. Hoje, aproximadamente 71% da energia usinas eólicas e 685,24 megawatts (MW) de 27
produzida no Brasil vem das usinas hidroelétricas, usinas à base de biomassa. Estimativas apontam
como as de Tucuruí e Itaipu, sendo esta a maior uma capacidade total de 143,5 GW, sendo 52%
do mundo em geração de energia. A Itaipu Bi- só no Nordeste.
nacional conta com 20 unidades geradoras e 14 Mesmo com tantas ações positivas, o pro-
gigawatts (GW) de potência instalada, fornecendo blema da energia está longe de ser soluciona-
Divulgação/NASA

19,3% da energia consumida no Brasil e 87,3% do. Segundo Antonio Germano Gomes Pinto,
da consumida no Paraguai, segundo dados da engenheiro químico e especialista em gestão
assessoria de imprensa. e tecnologia ambiental, falta incentivo públi-

co para que as alternativas realmente viáveis

SXC
SXC
deêm certo. “O Brasil é um país abençoado, Fontes de Energia Exploradas no Brasil
temos todos os recursos naturais necessários
para nos abastecer e abastecer o mundo. Os Atualmente no Brasil há investimentos nas seguintes fontes de energia:
eólica, fotovoltaica, hidrelétrica, maré e termelétrica
ventos e os mares são patrimônios universais,
qualquer país pode aproveitar sua energia. No RESUMO DA SITUAÇÃO ATUAL DOS EMPREENDIMENTOS
Brasil, especialmente na faixa litorânea, existem Fonte de Energia Situação Potência Associada (kW)
ventos adequados para o aproveitamento em
45 empreendimentos de fonte Eólica outorgada 2.139.793
larga escala da energia eólica. Só nos faltam 10 empreendimentos de fonte Eólica em construção 256.450
políticos com vontade de resolver os nossos 36 empreendimentos de fonte Eólica em operação 602.284
problemas”, diz. 1 empreendimento de fonte Fotovoltaica outorgada 5.000
1 empreendimento de fonte Fotovoltaica em operação 20
Em números, o Brasil possui hoje 2.129 235 empreendimentos de fonte Hidrelétrica outorgada 4.373.508
empreendimentos em operação, gerando 94 empreendimentos de fonte Hidrelétrica em construção 11.575.316
aproximadamente 105 GW de potência. Nos 815 empreendimentos de fonte Hidrelétrica em operação 78.260.809
1 empreendimento de fonte Maré outorgada 50
próximos anos, mais 174 empreendimentos
159 empreendimentos de fonte Termelétrica outorgada 13.722.522
estarão construídos e outros 441 outorgados, 70 empreendimentos de fonte Termelétrica em construção 6.838.425
que somarão cerca de 40 GW na capacidade de 1277 empreendimentos de fonte Termelétrica em operação 26.881.562
geração do País.
Capacidade de Geração do Brasil
UMA EMPRESA, VÁRIAS ALTERNATIVAS EMPREENDIMENTOS EM OPERAÇÃO
A Kema é uma empresa que presta consul-
Tipo Quantidade Potência Outorgada (kW) Potência Fiscalizada (kW) %
toria na área de energia, com projetos voltados
para as áreas de energia eólica, solar, biomassa, CGH 300 170.224 168.623 0,16
EOL 36 605.280 602.284 0,57
nuclear e das marés. Além da questão ecolo- PCH 352 2.941.464 2.881.712 2,73
gicamente correta, os projetos sempre levam SOL 1 20 20 0
em conta a sustentabilidade. “Desenvolvemos UHE 163 75.250.127 75.210.474 71,12
UTE 1.275 27.197.710 24.874.562 23,52
também projetos nas áreas de eficiência ener-
UTN 2 2.007.000 2.007.000 1,90
gética, de edificações sustentáveis, redes inteli-
Total 2.129 108.171.825 105.744.675 100
gentes, geração distribuída e gerenciamento de
emissões e créditos de carbono, que reduzem o EMPREENDIMENTOS EM CONSTRUÇÃO
uso de energia e as emissões de gases de efeito
Tipo Quantidade Potência Outorgada (kW) %
estufa”, ressaltou Vanessa Oliveira, consultora
sênior. CGH 1 848 0
EOL 10 256.450 1,37
Ao falar sobre os impactos ao meio ambien- PCH 73 1.034.668 5,54
te, Vanessa é categórica ao afirma que qualquer UHE 20 10.539.800 56,45
tipo de geração de energia tem impacto no UTE 70 6.838.425 36,63
meio ambiente, umas mais e outras menos. Total 174 18.670.191 100
“As formas de geração convencionais, como as EMPREENDIMENTOS OUTORGADOS ENTRE 1998 E 2009 (construção não iniciada)
térmicas a óleo, gás ou carvão, possuem um im-
Tipo Quantidade Potência Outorgada (kW) %
pacto maior devido às emissões geradas durante
seu processo, porém, podem ser minimizadas CGH 70 46.660 0,23
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

a através de modificações e ajustes em seus CGU 1 50 0


EOL 45 2.139.793 10,57
equipamentos”. Já a geração de energia através PCH 154 2.136.848 10,56
de fontes renováveis apresenta um impacto SOL 1 5.000 0,02
menor, uma vez que esse impacto existe apenas UHE 11 2.190.000 10,82
UTE 159 13.722.522 67,80
durante a construção das usinas, sendo mínimo
durante a operação. “Podemos citar o impacto Total 441 20.240.873 100
visual e sonoro das usinas eólicas, que se tem Os valores das porcentagens são referentes à Potência Fiscalizada. A Potência Outorgada é igual à
considerada no Ato de Outorga. A Potência Fiscalizada é igual à considerada a partir da operação
demonstrado diminuto em diferentes projetos, comercial da primeira unidade geradora.
dependendo muito mais de questões sociais e CGH - Central Geradora Hidrelétrica SOL - Central Geradora Solar Fotovoltaica
culturais de uma determinada localidade”. CGU - Central Geradora Undi-Elétrica UHE- Usina Hidrelétrica de Energia
Quanto à relação custo-benefício, Vanessa EOL - Central Geradora Eolielétrica UTE- Usina Termelétrica de Energia
PCH - Pequena Central Hidrelétrica UTN - Usina Termonuclear
acredita que tudo depende de fatores como
Fonte: Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)
disponibilidade de matéria-prima, aspectos

CAPA

Vista da Central Nuclear


e do canteiro de obras
de Angra 3 ao fundo

Panorama 2009
da Eletrobrás

Divulgação/Eletrobrás Termonuclear
Termonuclear
• O relatório International Status and
Prospects of Nuclear Power , elaborado
pela Agência Internacional de Energia
Atômica e publicado em dezembro de
2008, aponta os reatores nucleares
como os responsáveis por 14% da
produção de energia elétrica no mun-
do. Isso coloca a energia nuclear como
regulatórios, estrutura tributária, custos de ope- estão em fase experimental. Ao invés de queimar
a terceira maior fonte, atrás apenas
ração e manutenção e investimentos necessários. combustíveis, a energia nuclear gera um vapor do carvão e do gás natural.
De maneira geral, o custo de geração da energia que, sob pressão, faz girar turbinas que acionam • As principais barreiras à opção
alternativa é de três a quatro vezes maior que o geradores elétricos. nuclear dizem respeito à segurança
das plantas, à disposição dos rejeitos
preço da energia convencional. Porém, com a A principal vantagem da energia nuclear ob- radioativos e à proliferação de armas
evolução das tecnologias e o assunto em alta, tida por fissão é a não utilização de combustíveis nucleares, além dos custos de cons-
os custos têm sido reduzidos rapidamente. “No fósseis. Consequentemente, não emitem CO² no trução e manutenção.
• Dentre os maiores parques gerado-
Brasil, a geração hidrelétrica, pelo fato de termos meio ambiente. Portanto, é considerada energia res, destacam-se os Estados Unidos,
usinas operando há muitos anos com custos limpa. Em contrapartida, geram lixo atômico, que com 104 unidades, a França, com 59
depreciados e fonte gratuita, continua sendo a contamina o ecossistema se não for destinado cor- reatores, e o Japão, com 55.
mais visada. Agora, os custos com fontes reno- retamente, além de ser altamente prejudicial aos • No ano de 2008, seis novas usinas
tiveram suas obras iniciadas, na Co-
váveis, como a eólica, a solar e a biomassa, vêm seres vivos. Outro fator negativo é o alto valor que réia do Sul, na Rússia, na França e na
decrescendo ao longo dos últimos anos devido deve ser investido, cerca de centenas de bilhões de China. Em 2009, a China começou a
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a competitividade.” dólares. Pesquisas indicam que 50 anos são pouco construção de Sanmen 1 em 19 de
abril, perfazendo o total de 45 reato-
para que esse tipo de energia obtenha estabilidade res em construção em 14 países.
ENERGIA NUCLEAR e comprove sua viabilidade econômica. • O Brasil tem duas usinas nucleares
A energia nuclear ou atômica é a que fica O maior reator do mundo será construído em operação (Angra 1 e Angra 2),
que em 2008 produziram 3,12% da
dentro do núcleo do átomo e que é liberada na França e entrará em operação em 2016. Em energia elétrica do País. Também tem
quando de sua ruptura ou fissão (separação). Nas 2008 os Estados Unidos foram o país que mais uma usina em construção (Angra 3),
usinas atômicas ou termonucleares, o processo gerou energia por fonte nuclear, sendo respon- mas as obras estão aguardando a li-
cença de uso do solo da Prefeitura de
utilizado para gerar energia é praticamente o sável por 32% da produção mundial. Também se
Angra dos Reis para serem reiniciadas.
mesmo que acontece nas estrelas, onde dois destacaram: França (17%), Japão (9%), Alemanha Além disso, possui quatro reatores de
átomos de hidrogênio, ao se fundirem, produ- (6%), Rússia (6%), Coréia do Sul (6%), Canadá pesquisa, dois em São Paulo, um em
zem hélio e, assim, quantidades enormes de (3%), Ucrânia (3,34%) e China (1,85%). No mes- Minas Gerais e um em Pernambuco.
O maior deles é usado para produzir
calor. Por necessitarem de condições especiais mo período, o Brasil foi responsável por apenas radioisótopos, que são usados na in-
e de temperaturas altíssimas, essas usinas ainda 0,52% do total gerado. dústria e na medicina.

GEOTÉRMICA: A ENERGIA QUE VEM DE DENTRO encravadas em zonas de vulcanismo, onde a até a superfície por meio de
A energia geotérmica é aquela gerada pelo água quente e o vapor afloram à superfície tubos e canos apropriados.
calor da Terra, ou seja, pela rocha líquida que ou se encontram em pequena profundidade. Através desses tubos o va-
fica abaixo da crosta terrestre – o magma. As O calor das rochas subterrâneas que ficam por é conduzido até a central
águas dos reservatórios subterrâneos ficam próximas a vulcões já supre 30% da energia elétrica geotérmica. Tal como
superaquecidas quando em contato com essa elétrica consumida em El Salvador e 15% da uma central elétrica normal,
massa mineral pastosa, gerando um calor que consumida nas Filipinas, conjunto de ilhas situ- o vapor faz girar as lâminas
pode ser aproveitado para o aquecimento de ado nas proximidades do “Cinturão de Fogo”, no da turbina como uma ventoi-
edifícios, estufas e para a produção de ele- Oceano Pacífico – área onde ocorre o encontro nha. A energia mecânica da
tricidade em centrais geotérmicas. Porém, a de placas tectônicas e os terremotos e vulcões turbina é transformada em
extração de energia geotérmica só é possível são frequentes. Nicarágua, Quênia, El Salvador, energia elétrica através de um
em poucos lugares: perto de vulcões e gêiseres México, Chile, Japão, Portugal e França são al- gerador. A grande vantagem
(fontes termais que lançam no ar jatos de água guns dos poucos países que podem desfrutar do processo é que não é ne-
ou vapor em intervalos regulares; o vapor faz da energia geotérmica. Para o meio ambiente cessário queimar combustível
a água subir até 80 metros, com temperaturas é extremamente favorável, pois a emissão de para produzir eletricidade. De-
entre 70 °C e 100 °C). No Brasil, por exemplo, gases poluentes como o CO² e o SO² (dióxido pois de passar pela turbina, o
não existe essa possibilidade. Existem poucas de enxofre) é quase nula. vapor é conduzido a um tan-
fontes de águas quentes, onde a temperatura que para ser resfriado. A água
chega no máximo a 51 ºC, calor insuficiente COMO FUNCIONA? que se forma será novamente
para gerar energia. Para chegar às fontes geotérmicas é preciso canalizada para o reservatório,
Segundo o Instituto para a Conservação escavar buracos profundos, até que se alcance os onde será naturalmente aque-
de Energia (Icone), existem algumas centrais reservatórios de água e vapor, que são drenados cida pelas rochas quentes.

Energia geotérmica é obtida


de vulcões e gêiseres. O vapor
faz a água subir até 80 metros,
com temperaturas entre 70 °C e
100 °C. Na foto, área do Parque
Nacional de Yellowstone, nos
A usina geotérmica de Estados Unidos
Nesjavellir é a maior da Islândia.
Quase 100% da eletricidade
do país provém de recursos
renováveis
llir
geólogo de Nesjave Ivarsson,
Divulgação/ Gretar

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SXC/Tony Lehrman


CAPA

VENTO: UM PODEROSO ALIADO vez, movimenta as turbinas de um gerador que Um exemplo a ser seguido
Considerada a energia re- produz energia. Através de linhas de transmissão
novável mais limpa existente (fios condutores) a energia é levada até o con- Há mais de 10 anos a ilha dinamarquesa de
Samso neutraliza a emissão de carbono através
hoje, a energia eólica é gerada sumidor final. Quando as turbinas de vento são da energia eólica.
a partir de uma fonte inesgo- ligadas a uma central de transmissão de energia, Quem acha que não existe um local com energia
tável: os ventos. No entanto, tem-se uma central eólica. A quantidade de pro- 100% renovável está muito enganado. Este lugar
existe e está levando pessoas do mundo inteiro para
todo o apelo positivo dessa dução depende do tamanho de suas hélices e da
conhecer a magnitude de um projeto que começou
forma de geração esbarra em força e intensidade dos ventos na região. quase que de brincadeira.
alguns problemas. No caso de Samso é uma ilha dinamarquesa com apenas 114
faltar vento, nada de energia. POTENCIAL ENERGÉTICO km² de área. Sua fama, no entanto, é grande e tem
origem em 1997, quando o Ministério da Energia
Por isso, é necessário que o lo- De acordo com o Greenpeace, a energia eólica lançou um concurso para ver qual de quatro ilhas
cal que irá abrigar uma usina já é uma história de sucesso e gera eletricidade (Laeso, Samso, Aero e Mon) e, mais a península
eólica tenha ventos intensos e para milhões de consumidores, empregos para Thyholm, apresentaria o melhor plano para diminuir
a emissão de carbono e gerar energia renovável.

Divulgação/Samso Energy Academy


constantes. Também, se o ven- dezenas de milhares de pessoas e bilhões de dó- Foi aí que Samso se destacou, propondo mudar em
to não for tão forte, o processo lares de lucro. apenas 10 anos o cenário da ilha. Para isso, fecha-
de produção torna-se muito Na China, a capacidade de geração de energia riam as usinas de combustível fóssil e instalariam
fazendas eólicas, painéis solares e usinas de queima
mais demorado. através do vento dobrou em 2002.
de biomassa.
No Brasil, 36 usinas pro- O governo dinamarquês apoia desde o início E deu certo! Com o projeto, toda a eletricidade pro-
duzem energia eólica, sendo dos anos 70 o desenvolvimento e a implemen- duzida na ilha vem de dez enormes torres eólicas
responsáveis pela geração de tação de uma forte indústria de energia eólica, instaladas no mar e de onze turbinas eólicas de 1
MW construídas em três pontos estratégicos do
602,28 MW, ou seja, 0,57% do especialmente através de abatimentos de impos- território. Cerca de 70% do aquecimento das casas
total de energia do País. tos e de investimentos públicos. Na Dinamarca, provêm de quatro usinas movidas a palha e lascas
existem mais pessoas trabalhando na indústria de madeira, além dos painéis de energia solar, que
grande parte delas possui. Hoje, a ilha nem se lem-
COMO FUNCIONA? de energia eólica do que na pesca. bra da primeira grande crise do petróleo, em 1973,
Essa é a forma mais simples Na Mongólia, geradores portáteis de energia quando a Dinamarca chegou a depender 95% de
de gerar energia: o vento faz eólica são bastante usados por povos nômades para energia importada.
Mas não foi tão fácil assim. Para viabilizar o projeto
girar uma hélice que, por sua ligar lâmpadas, rádios e outros aparelhos elétricos.
foi preciso a colaboração de todos os habitantes.
Além do alto custo para implantar o projeto, existia
também a rejeição de fazendeiros que não queriam
moinhos em suas terras. O investimento total foi de
Turbinas eólicas de 1 MW
60 milhões de euros – em terra firme, cada turbina
espalhadas em três pontos
estratégicos da ilha de custa em média 1 milhão de dólares; no mar, o valor
Samso, na Dinamarca é três vezes maior, cerca de 3,2 milhões de dolá-
res. O poder público municipal investiu em cinco
das turbinas que estão no mar e que custaram 17
milhões de euros – como as leis da Dinamarca não
permitem que instituições públicas lucrem com a
venda de energia, todo o dinheiro daí proveniente
deve ser revertido para futuros projetos. O restante,
43 milhões de euros, vieram de fazendeiros, coopera-
tivas e da empresa de energia NRGI. Isso foi possível
devido aos subsídios que o governo dinamarquês
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

concedeu. Se investisse em uma turbina eólica um


fazendeiro teria dez anos de carência para começar
a pagar o empréstimo. Outra grande iniciativa foi
a de garantir preços mínimos na venda de energia
ao continente.
Hoje Samso produz mais energia do que conso-
me e ainda vende o excedente para a Dinamarca
continental.

10
A energia eólica
excedente da ilha de
Samso é vendida para a
Dinamarca continental

NO BRASIL, OUTRA REALIDADE usinas eólicas tem causado danos ao meio o uso de relatório ambiental
Enquanto em Samso a energia eólica é ambiente local e destruído sítios arqueo- simplificado (RAS).
usada por 100% da população e sem im- lógicos. Por isso, foi pedida a anulação do Entres os impactos am-
pacto algum ao meio ambiente, no Brasil licenciamento ambiental e a paralisação das bientais levantados no pa-
ela vem sendo revista. De acordo com a obras de construção de três delas: Bons Ven- recer técnico estão: desma-
assessoria de comunicação da Procurado- tos, Enacel e Canoa Quebrada, que formam tamento, soterramento de
ria da República no Ceará, a construção de o Parque Eólico de Aracati, sob responsabi- dunas fixas pelas atividades
lidade da empresa Bons Ventos Geradora de terraplenagem, soterra-
de Energia. As três usinas foram licenciadas mento de lagoas interduna-
individualmente, como sendo empreendi- res, cortes e aterros nas dunas
mentos de baixo impacto e com potencial fixas e móveis, introdução de
Academy

de geração de 10 MW. Entretanto, de acordo material sedimentar para im-


Usina eólica nos
o Ibama, a capacidade total instalada é de permeabilização e compac-
o/Samso Energy

mares de Samso
140,7 MW e as usinas funcionarão em con- tação do solo, instalação dos
junto, transmitindo a energia gerada para aerogeradores, e destruição
a mesma subestação. de sítios arqueológicos.
Fotos: Divulgaçã

Os impactos ambientais gerados pela O Ceará hoje concentra o


implantação das usinas eólicas foram com- maior parque eólico do país,
provados por um parecer técnico elabora- com 267 MW de energia sen-
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

do pelo professor doutor Antônio Jeovah do gerados em onze usinas já


de Andrade Meireles, do Departamento de instaladas. O último parque
Geografia da Universidade Federal do Ceará inaugurado é o maior do Nor-
(UFC). De acordo com o estudo, os danos ao deste, na praia Formosa, em
meio ambiente não estão restritos à fase de Fortaleza. Só essa usina tem
construção, sendo potencializados na fase de capacidade para gerar 104,1
operação dos equipamentos. Para o pesqui- MW de energia. Segundo um
sador, “a sequência de danos ambientais em estudo da Secretaria de In-
área de preservação permanente demostra fraestrutura do Estado, com
a fragilidade do instrumento de licencia- toda a capacidade instalada,
mento utilizado para emissão de licença o Ceará deixa de emitir 1 mi-
de instalação das usinas eólicas”. Meireles lhão de toneladas de dióxido
avalia como “completamente inadequado” de carbono por ano.
11
CAPA

BIOMASSA E O FUTURO que “os inúmeros processos para transformar possibilita o represamento e a consequente
Em resumo, a energia da biomassa em eletricidade são vantajosos até geração de eletricidade (hidroeletricidade). A
biomassa é aquela provenien- para evitar o desperdício de matéria”. radiação solar também induz a circulação at-
te da transformação da ma- Hoje, o Brasil possui 339 empreendimentos mosférica em larga escala, causando os ventos.
téria orgânica com o auxilio em operação, gerando 5,87 GW de energia Petróleo, carvão e gás natural foram gerados
de energia primária, como o proveniente da biomassa. O bagaço de cana- a partir de resíduos de plantas e animais que,
Sol, por exemplo. Acontece de-açúcar responde por mais de 74% desse originalmente, obtiveram a energia necessária
através da oxidação ou quei- total (4,36 GW). Em seguida vem o licor negro ao seu desenvolvimento, da radiação solar”.
ma de substratos orgânicos, (resíduo oriundo da madeira no processo de Bastante utilizados em residências para o
tanto vegetais como animais, fabricação de papel), com quase 20%. Outros aquecimento de água, os painéis solares hoje
e é hoje uma alternativa res- tipo de combustíveis para a geração de energia são produzidos em grande escala. A Transsen,
peitada por ambientalistas. relacionados à biomassa são: casca de arroz, empresa líder do mercado brasileiro, elevou seus
“Tanto em termos ambientais resíduos de madeira e carvão vegetal. negócios em cerca de 200% nos últimos cinco
como funcionais, a biomassa anos. Só no ano passado, obteve crescimento de
é uma alternativa com gran- SOL PARA ENERGIZAR 30%, e sua meta para 2010 é crescer mais 20%,
de potencial. Se utilizada de A energia solar é captada por painéis solares expandindo a marca para outros países.
maneira correta, não altera construídos a partir de células fotovoltaicas, que Um aquecedor solar é constituído basica-
a composição da atmosfera”, transformam a luz do Sol em energia elétrica ou mente por dois componentes principais: o co-
afirma o engenheiro químico mecânica. Não há dúvida de que a energia solar letor solar (placas ou painéis) e o reservatório
Antonio Germano. tem papel importante na busca pela melhor térmico. “O coletor solar é o elemento ativo de
Ela pode ser utilizada de alternativa em energias renováveis. Afinal de
duas maneiras – direta ou indi- contas, o aproveitamento da energia gerada Usina elétrica movida á luz
do Sol em Sevilha, Espanha
reta. No modo direto, a energia pelo Sol é inesgotável, sem falar que ele é o
vem da combustão da matéria responsável pela origem de praticamente todas
orgânica, que resulta na libe- as outras fontes de energia. De acordo com o
ração de dióxido de carbono Centro de Referência em Energia Solar e Eóli-
e de vapor de água, usados ca Sérgio de Salvo Brito (Creseb) – criado em
no aquecimento doméstico 1994, quando várias entidades e associações
Divulgação/Soluçar Energia S.A

e industrial. Indiretamente ela se uniram e detectaram a necessidade de um


é mais abrangente e pode ser centro para divulgar e criar estratégicas para
transformada tanto em bio- o desenvolvimento das energias solar e eóli-
combustíveis (combustíveis ca –, “é a partir da energia do Sol que se dá a
menos poluentes), para ali- evaporação, origem do ciclo das águas, que
mentar geradores de usinas,
Divulgação/Samso Energy Academy

quanto em gás combustível, Coletores solares térmicos aquecem a


para gerar vapor e acionar tur- água e as casas em Samso, Dinamarca
binas de geradores que irão
transformar a energia mecâni-
ca em eletricidade. Além disso,
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

a biomassa também pode ser


transformada em biodiesel.
A biomassa se destaca por-
que traz muitos benefícios e
vantagens: ela é renovável, de
baixo custo, permite o reapro-
veitamento de resíduos e é bem
menos poluente que outras fon-
tes de energia, como o petróleo
e o carvão. São muitas as pes-
quisas realizadas e os resultados
positivos obtidos nessa área de
energia. Antonio Germano diz
12
Divulgação/Transsen
Piscina quente o ano todo
na Associação Padre Jose
Schmidpeter, em Arequipe, Peru

Catussaba Business Hotel aquecimento de piscinas. hidrelétricas, que causam


em Salvador (BA): energia O reservatório térmico é o componente do grandes impactos negativos
solar nos banhos
sistema de aquecimento solar responsável pela no meio ambiente”.
armazenagem da água aquecida pelo coletor.
“Graças ao reservatório térmico, é possível con- ENERGIA FOTOVOLTAICA
sumir água quente a qualquer momento, inde- A energia solar fotovol-
pendentemente do horário”, diz Leonardo. taica é obtida pela conversão
direta da luz em eletricidade,
RELAÇÃO CUSTO X BENEFÍCIO através de painéis de capta-
Divulgação/Transsen

Segundo o gerente técnico da Transsen, ção. O processo acontece por


é o perfil de consumo das pessoas, além de meio de um gerador ligado a
algumas variáveis, que determina0 o custo do uma turbina que é acionada
sistema de aquecimento solar. “Imóveis vizinhos pelo vapor produzido no in-
podem ter soluções diferentes considerando-se terior de uma placa coletora.
o número de habitantes, o número de banhos Os painéis de captação são
diários, os pontos de consumo (duchas, banhei- constituídos por materiais se-
um sistema de aquecimento solar. É ele o res- ras, cozinha, etc.), futuras ampliações do imóvel, micondutores (combinação
ponsável pela captação da energia solar, por a localização do imóvel, entre outras coisas”. de silício, o mais emprega-
sua conversão em energia térmica e, por fim, O objetivo principal da utilização dessa do, com outros materiais; no
pelo aquecimento da água”, esclarece o gerente tecnologia, além de contribuir para a susten- caso do Brasil, o quartzo), que
técnico da Transsen, Leonardo Chamone. tabilidade, é a economia. O consumidor pode transformam a luz diretamen-
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

Os coletores podem ser classificados como contabilizar uma dedução de até 50% em sua te em eletricidade.
fechados ou abertos. Os coletores fechados conta de energia elétrica. “Por último, a cor- De acordo com o Estudo
são dotados de uma caixa de proteção e de reta instalação e a manutenção anual, que é Prospectivo para Energia
cobertura (na maioria dos casos, de vidro). simples, garantirão o máximo de rendimento Fotovoltaica, realizado pelo
Normalmente, são utilizados em aplicações do aquecedor solar. Isso prolonga, e muito, a Centro de Gestão e Estudos
onde a água é aquecida até a faixa de tempe- vida útil do equipamento, que pode chegar a Estratégicos (CGEE), o Brasil
ratura que fica entre os 35 °C e os 60 °C; como 20 anos”. apresenta uma das melhores
exemplo, podemos citar o aquecimento para Quanto aos impactos sobre o meio am- condições para o uso da ener-
banho residencial. Já os coletores abertos não biente, Leonardo explica por que a energia gia solar porque tem altas
possuem caixa protetora nem cobertura, sendo solar é viável: “Usamos a energia do Sol assim médias de radiação, em tor-
normalmente utilizados em aplicações onde como ela é, disponível, sem precisar intervir no de 230 Wh/m², podendo
a água é aquecida até a faixa de temperatura na natureza. Reduzimos automaticamen- chegar a 260 Wh/m2 na região
que fica entre os 26 °C e os 35 °C; no caso, o te o uso da energia elétrica proveniente de Nordeste.
13
CAPA

Usina Hidrelétrica
Amador Aguiar II, em
Minas Gerais, que gera
210 MW de energia
Divulgação/Agência Vale

Divulgação/ Salomon Cytrynowicz


A Fundação Energia e
Saneamento reativou a usina
de Salesópolis, com capacidade
A GRANDEZA DAS PEQUENAS HIDROELÉTRICAS para gerar 7 GWh por ano
De acordo com a Resolução nº 394 da
Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel),
são consideradas pequenas centrais hidrelé-
tricas (PCHs) as usinas capazes de produzir
entre 1 GW e 30 GW e que têm reservatórios
cuja área total seja igual ou inferior a 3 km².
As PCHs usam o fluxo natural das águas dos
rios para gerar eletricidade. A água captada
passa por grandes tubos e é levada até as HISTÓRIAS DE SUCESSO A usina de Salesópolis vol-
pás que fazem girar turbinas, transformando A Fundação Energia e Saneamento, reati- tou a produzir energia em mar-
energia em eletricidade. vou pequenas centrais hidrelétricas no final de ço e tem capacidade para ge-
Além de representarem menor desperdí- 2008, todas elas localizadas no interior de São rar 7,05 GWh/ano, o suficiente
cio de energia em transmissão e economia Paulo. As PCHs de Brotas, Santa Rita do Passa para atender cerca de três mil
em matéria de investimentos, elas produzem Quatro, Rio Claro e Salesópolis haviam sido residências de padrão médio
pequeno impacto ambiental, já que a área desativadas entre as décadas de 1970 e 80. (com um consumo mensal de
alagada e o tamanho da obra são de pequeno “A geração de energia nessas centrais alinha- 200 kWh/mês). A de Rio Claro,
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

porte, interferindo muito pouco na fauna e se a um conjunto de esforços que entidades Usina Corumbataí, está geran-
flora local. Outra vantagem para este tipo de civis e o governo do Estado de São Paulo vêm do 1,7 MW; a de Brotas, Usina
geração de energia é que os empreendedores empreendendo no sentido de ampliar alter- Jacaré, tem capacidade para
contam com condições especiais de incentivo nativas de produção de energia limpa. Nosso gerar 13,05 GWh/ano; e a de
– descontos de mais de 50% sobre os encar- objetivo é consolidar uma fórmula que concilie Santa Rita do Passa Quatro, Usi-
gos de uso dos sistemas de transmissão e a autossustentação econômica e ambiental na de São Valentim, consegue
distribuição, além do direito de comercializar dessas unidades, como apoio estável a nossa produzir 6,74 GWh/ano.
energia para consumidores de carga igual missão de preservação, pesquisa e dissemi-
Dados: Agência Nacional de Energia
ou superior a 500 kW. Além disso, o Banco nação de acesso ao patrimônio histórico do Elétrica (Aneel); Associação Brasileira
Nacional de Desenvolvimento Econômico e setor energético, em benefício das atuais e fu- de Energias Renováveis e Meio Ambiente
Social (BNDES) oferece uma linha de crédito, turas gerações”, comenta Ricardo Toledo Silva, (Abeama); Centro de Referência para
Energia Solar e Eólica (Cresesb); Eletro-
que permite financiar até 80% do valor da presidente do conselho curador da Fundação brás Termonuclear S.A. (Eletronuclear);
construção de PCHs. Energia e Saneamento. Samso Energy Academy.
14
VISÃO CIENTÍFICA

Ricardo Ernesto Rose

Clima, meio ambiente e evolução


O tema das mudanças climáticas ganhou cerca de oito milhões de espécies atualmente
manchetes nos jornais, telejornais, artigos em existentes representam somente 2% de todas as
revistas e é assunto de seminários e fóruns in- que viveram no planeta desde a sua formação,
ternacionais. No entanto, pessoas com mais de há aproximadamente 4,5 bilhões de anos. Isso
quarenta anos não devem ter ouvido falar sobre significa que, ao longo da história, houve sobre
isso em sua juventude. As referências às altera- a Terra o espantoso número de 450 milhões de
ções do clima da Terra e a suas influências sobre o espécies, entre as quais nós somos apenas uma.
ambiente, a economia e a sociedade são assunto A própria família dos hominídeos – da qual nós,
recente, mesmo para a ciência. Os estudos sobre os Homo sapiens sapiens, somos os únicos repre-
o clima iniciaram-se na década de 1950, quando sentantes atualmente sobre o planeta – teve, em
foram desenvolvidas novas tecnologias para determinados períodos da pré-história, mais de
exploração dos mares, do espaço e do mundo uma espécie vivendo lado a lado.
subatômico. Mais recentemente, ao longo dos Ainda com relação ao tema, um cientista
últimos trinta anos, foi possível estudar a fundo inglês apresentou recentemente uma nova hi-
o clima da Terra, inclusive o do período pré- pótese sobre o desenvolvimento da cultura hu-
histórico, e examinar o efeito das mudanças mana. Segundo ele, a domesticação de animais,
climáticas na evolução a criação da agricultura e
das espécies e das socie-
Seja como for que ocorra da cerâmica e a formação
dades humanas. das primeiras aglomera-
Os climatologistas a evolução humana, a ções humanas (origem
descobriram que a tem-
peratura dos oceanos
palavra final será sempre das cidades e civilizações)
foram impulsionadas por
e a força e direção das da Terra mudanças climáticas, no
correntes marinhas são final do período geológico
dois dos principais fatores causadores das mu- do Pleistoceno, há cerca de 10 mil anos. A mudança
danças do clima da Terra, haja vista que a água da temperatura, da umidade do ar, da precipitação
é um bom transmissor de calor e cobre mais pluviométrica, entre outros, provocaram o desa-
Divulgação

de 70% do planeta. El Niño e La Niña são fe- parecimento de espécies vegetais e, com isso, o
nômenos climáticos estudados desde os anos deslocamento ou extinção de animais que serviam
1970 e exerceram profunda influência sobre de caça aos humanos. Premidos pelas condições e
o desenvolvimento das culturas pré-incaicas utilizando sua inventividade, nossos antepassados
(do século II ao XV d.C.) da costa do Pacífico, no desenvolveram a agricultura e outras tecnologias,
Peru. Outro fator que influencia as mudanças a fim de sobreviver nas novas condições.
climáticas no longo prazo é a deriva das placas A vida e a evolução das espécies – inclusive
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

tectônicas, ou seja, o deslocamento das massas do homem – sempre foram influenciadas por
continentais, que causam erupções vulcânicas, fenômenos geoclimáticos. Em certa época, há
terremotos e maremotos, como o tsunami que cerca de 10 mil anos, o homem passou a criar o
ocorreu na Ásia em dezembro de 2004. As forças seu próprio ambiente, vindo a influenciar o clima
geológicas envolvidas neste constante processo da Terra e a vida das outras espécies. No entanto,
fazem surgir e desaparecer continentes e mares, seja como for que ocorra a evolução humana, a RICARDO ERNESTO ROSE
ambientes e espécies. palavra final será sempre da Terra. é diretor de Meio Ambiente e
Interagindo com estas mudanças geoclimá- As mudanças climáticas também tiveram gran- Sustentabilidade da Câmara
ticas estão as espécies de vida, desde as bacté- de influência na história humana. Importantes Brasil-Alemanha; formado em
jornalismo e filosofia, possui
rias até os homens. Todos estão sujeitos a um fatos históricos foram ocasionados ou precedidos
cursos de extensão em gestão
infindável processo de adaptação, atuando uns por tempestades, secas, terremotos, maremotos ambiental e de especialização
com os outros, sobrevivendo, mudando e desa- e explosões vulcânicas. Mas isso é uma outra his- em energia, economia,
parecendo. Estimam os paleontólogos que as tória, tema para um outro artigo. marketing e finanças.
15
RECICLAGEM

Nas últimas duas décadas a reciclagem


cresceu em popularidade nos países desenvolvidos

Reciclagem industrial
e sistemas vivos
Por Raul Lóis Crnkovic desperdício de energia, de emissões gasosas
e de descargas de líquidos. Aliado a isso, a re-
Reciclagem é
Reciclagem é o processo de transformar um ciclagem também é desejável porque agride
produto no fim de sua vida útil, utilizando-o, no menos o meio ambiente e ajuda a preservar os o processo de
todo ou em partes, para fabricar outro produto. recursos naturais. transformar um
Nas últimas duas décadas a reciclagem cresceu Em se tratando de reciclagem industrial, há
em popularidade nos países desenvolvidos. Isso seis importantes áreas que utilizam esse proces- produto no fim
foi atribuído em grande parte à consciência pú- so em larga escala: as do aço, alumínio, vidro, de sua vida útil,
blica das questões relativas ao meio-ambiente e papel, plástico e madeira. Na área de metais
ao interesse público na conservação dos recursos ferrosos, a sucata de ferro-aço representa o ma- utilizando-o,
naturais. Reciclagem industrial é um processo que terial mais utilizado no processo de reciclagem, no todo ou em
pode ser implantado para conservar materiais e e o mais fácil de ser reprocessado, pois a maior
consumir menos energia, se for economicamente parte da sucata de ferro e aço pode ser separada
partes, para
menos custoso do que os tradicionais processos magneticamente. Essa sucata é então levada a fabricar
de produção via matérias-pri- um forno elétrico para ser transformada em aço
mas virgens. Assim sendo, se líquido novamente.
outro produto
os produtos rejeitados forem Na indústria siderúrgica há dois processos
coletados, transportados e re- para fabricação do aço: um que utiliza a maté-
processados a um custo inferior ria-prima obtida na natureza (hematita), que por mais tempo.
aos da coleta, transpor- é transformada em ferro-gusa no alto forno e Outro material muito reci-
te e manufatura dos posteriormente em aço no forno conversor LD; clado é o vidro. Inicialmente os
materiais virgens, a e o outro é o do forno elétrico, já descrito acima. frascos de vidro são recolhidos
reciclagem passa a É importante ressaltar que toda classe de aço e depois classificados em cate-
Divulgação

ser um processo pode ser reciclada e dar origem a um novo aço gorias pela cor. O vidro é então
economicamente de qualidade superior. triturado e enviado ao forno de
viável e eficiente. Em escala mundial, 42% do aço produzido é fusão para passar ao estado lí-
Entretanto, in- oriundo de material reciclado. No que se refere quido. Depois, os novos frascos
dependentemente da aos metais não-ferrosos, o alumínio é um dos são moldados mecanicamente.
viabilidade econômica, materiais de maior rendimento no processo de Entretanto, vidros de seguran-
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

deve ser ressaltado que, reciclagem. A sucata de alumínio compactada é ça – como os temperados, os
se comparado com a convertida em alumínio fundido num forno de laminados e os de elevada resis-
produção via matérias- fusão. Por esse ciclo o alumínio reciclado é indis- tência térmica e mecânica – são
primas virgens, o ciclo tinguível do alumínio virgem. Esse processo não obtidos através da matéria-pri-
da reciclagem gera níveis produz nenhuma mudança no metal, tanto que o ma natural (sílica) presente na
menores de toxicidade, de alumínio pode ser reciclado indefinidamente. areia. O vidro também pode ser
A reciclagem do alumínio economiza 95% reciclado indefinidamente, pois
RAUL LÓIS CRNKOVIC
dos custos da energia para se processar o alumí- sua estrutura não se deteriora
é engenheiro consultor, nio obtido da bauxita.Isso é devido em grande quando reprocessado.
graduado em engenharia e parte à menor temperatura necessária para O quarto material bastante
administração, pós-graduado
fundir a sucata de alumínio (600 oC). Para efeito reciclado é o papel. O detalhe
em MBA e mestrado no
Brasil, com cursos de de comparação, o processo de extração e refino é que, cada vez que o papel é
especialização nos EUA da bauxita exige uma temperatura de 900 oC e reciclado, suas qualidades di-
16
minuem, pois o processo de reciclagem faz com ser abordado em uma próxima edição. Mas, para
que as fibras do papel se dividam. Essa quebra encerrar, abordarei agora a reciclagem sob o
estrutural gera uma perda de resistência e exi- ponto de vista científico.
ge que fibras novas (polpa) sejam adicionadas Segundo a termodinâmica, os processos via Entropia é
para melhorar a qualidade do papel reciclado. reciclagem são menos nocivos ao planeta se uma função
A maioria dos papéis são recicláveis, mas nem comparados aos processos via fonte de recur-
todos podem ser reciclados devido à inviabili- sos naturais. Explicando melhor, a entropia é a
termodinâmica
dade econômica. medida do potencial termodinâmico perdido ao definida como
O quinto material mais reciclado é o plástico. se realizar um determinado trabalho. Entropia é
Comparado a materiais como vidro ou metais, uma função termodinâmica definida como sendo
sendo a medida
o plástico oferece mais desafios por causa dos a medida do grau de dispersão da energia. O má- do grau de
diferentes tipos existentes. Cada tipo carrega
o código de identificação da resina e deve ser
ximo de entropia é um estado em que a energia
está completamente degradada e não pode mais
dispersão da
classificado antes de ser reciclado. Assim, para fornecer trabalho, é o estado que corresponde energia
auxiliar na identificação dos vários tipos de ao do equilíbrio de um sistema.
artigos plásticos, foram criados sete códigos Resumindo, a entropia nos remete para o
de identificação. Os de 1 a 6 foram atribuídos desperdício dos recursos naturais, para a po-
a seis tipos de resinas plásticas recicláveis; o luição, crise energética e degradação do meio energia, mas não matéria, como
número 7 indica qualquer outro tipo de plástico, ambiente. Devido a esse fato, os sistemas vivos no caso do planeta Terra, segui-
reciclável ou não. têm necessidade de um fluxo permanente de rá espontaneamente na direção
E, finalmente, a madeira, que se tornou po- entropia negativa do universo e precisam ceder da entropia máxima, ou seja, da
pular devido a sua imagem como um produto a a ele uma quantidade de entropia positiva ainda desordem sempre crescente.
favor do meio ambiente, com os consumidores maior. Os sistemas isolados, que não trocam Assim, cabe a nós preser-
acreditando que, comprando uma madeira re- matéria ou energia com os meios que os cercam, varmos o meio ambiente e os
ciclada a demanda pela madeira verde cairá e tendem para o caos, ou para um estado de total recursos naturais para adiarmos
beneficiará o meio ambiente. homogeneidade entre matéria e energia. Qual- ao máximo o fim dos sistemas
Reciclagem é um tema extenso e que merece quer sistema físico fechado que troca somente vivos em nosso planeta.

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Técnico em meio ambiente


Entender e preservar
a natureza

r
häfe
o Sc
/Eduard
SXC

Monitoramento Diante de tantas profissões relacionadas à área


ambiental, qual é, então, o diferencial do técnico
e educação ambiental em meio ambiente? Débora Brentano, coorde-
são pontos fortes na nadora do curso no Instituto Federal de Santa
Catarina (IFSC), pontua que, durante a formação, o
formação técnica de estudante tem contato direto com a parte prática
quem pretende atuar das possibilidades de atuação, adquirindo noções
de educação e monitoramento ambiental. “Pessoas
“No setor privado,
profissionalmente com com graduação e até mesmo mestrado, muitas o mais comum
o meio ambiente vezes, procuram nosso curso porque buscam uma
habilidade e querem saber fazer”, afirma.
é a inserção dos
Débora conta que a conversa com alunos já técnicos em
Por Arielli Secco formados demonstra que a eficiência no processo meio ambiente
de inserção no mercado de trabalho é resultado
As mudanças causadas pela interferência do da visão holística que as disciplinas proporcionam em empresas
homem no espaço desrespeitam qualquer limite nas oitocentas horas de curso. “Quando a gente de consultoria
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

de velocidade e, por vezes, ultrapassam a natureza. fala em meio ambiente, nada é explicado de
Talvez seja por essa razão que trabalhar com o meio uma forma só, não é mesmo? Então, o técnico ambiental”
ambiente, hoje, seja tão promissor. Zelar por um em meio ambiente é capacitado para perceber Débora Brentano,
planeta melhor, reparar danos e amenizar impactos o meio em que vive de uma forma global, inte- coordenadora do curso
futuros são ações certamente trabalhosas, que ragindo com várias áreas do saber”, comenta. técnico em meio
abrem um leque de possibilidades no mercado de A grade curricular compreende a climatologia, ambiente do IFSC
trabalho. Vantagem tanto para quem precisa de o geoprocessamento, a física, a química, passa
uma formação em curto prazo quanto para em- por noções de bacteriologia, saúde pública, po-
presas e indústrias que podem agregar diferentes luição do ar e das águas, e ainda inclui códigos
conhecimentos às atividades que desempenham. e linguagens, estudos e relatórios de impacto
O curso de técnico em meio ambiente alia várias ambiental e ecologia.
habilidades a uma formação rápida, já que tem Com isso, o técnico em meio ambiente pode
duração média de um ano e meio. optar pela atividade com que tiver mais afinida-
18
de. A coordenadora do curso explica que quem em meio ambiente. “São profissionais que vão
se decide pela educação ambiental terá a base complementar o quadro de secretarias do meio
para se tornar um educador que conhece es- ambiente, por exemplo. É um mercado um pou-
tratégias para atingir a população e despertar co mais restrito, mas percebemos que já existe
a consciência ambiental. “Quem trabalha com uma aceitação”, diz. Ela observa que, neste ano,
monitoramento, por sua vez, conhecerá as téc- alguns concursos abriram vagas específicas para
nicas, as metodologias e as formas de analisar a os profissionais, mas esse processo de inclusão
” Existem
água, o ar, o solo”, conclui. tem sido lento. várias ONGs
Para auxiliar os alunos no momento da es- No setor privado, o mais comum é a inserção
colha, o IFSC incentiva a elaboração de projetos dos técnicos em meio ambiente em empresas de
que divulgam
integradores, que proporcionam aos futuros consultoria ambiental. A coordenadora fala que é a educação
técnicos um contato mais próximo com as pos- importante o engajamento dos alunos na busca
sibilidades de atuação. No caso de José por estágios para adquirir experiência e, se for o
ambiental, o
Roberto de Faria, aluno do terceiro caso, ser efetivado pela empresa. “Geralmente, cuidado de que o
módulo, um teatro de bonecos
preparado para tratar da Mata
os alunos fazem um trabalho de auxílio nos rela-
tórios de impacto ambiental e nos diagnósticos
planeta precisa. O
Atlântica com crianças foi deter- socioambientais. Outra área em que eles têm curso técnico em
minante para que ele tivesse certeza de que atuado bastante é a de análise da qualidade da meio ambiente
seguirá trabalhando com educação ambiental. água, em laboratórios”, conta.
“Pretendo trabalhar com crianças, passando o Vale lembrar que qualquer empresa pode também é uma
que eu aprendi sobre a importância da preserva- obter resultados vantajosos com ações voltadas arma pra isso.
ção do nosso meio, da água, das florestas e sobre ao meio ambiente, e um dos profissionais que
a importância do tratamento do lixo”. Angelita pode contribuir muito para isso é o técnico em A situação que
Loss, também aluna do terceiro módulo, pensa meio ambiente. “Independente da área em que vivemos hoje é de
em seguir o mesmo caminho. “Eu gosto muito a empresa atua, o técnico é aquele que tem um
da parte de educação ambiental porque ela nos olhar diferenciado, percebendo de que maneira
alerta”
Juliano Oliveira,
dá outra visão, um entendimento sobre como as a empresa está causando uma intervenção no
29 anos, aluno
coisas funcionam”, conta. ambiente, seja ela positiva ou negativa”, relata
do curso técnico
Débora. A partir dessa avaliação, torna-se viá- em meio ambiente
MERCADO DE TRABALHO vel a proposição de mudanças para redução de
Débora cita a falta de oportunidades de gastos referentes à energia, à utilização de papel
trabalho em órgãos estatais para os técnicos e, inclusive, estudos mais aprofundados para a
Fotos: Arielli Secco

VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

Débora Brentano,
coordenadora
Angelita Loss, Juliano Oliveira e José Roberto de Faria, alunos do curso técnico em
do terceiro módulo do curso técnico em meio ambiente meio ambiente do IFSC
19
MERCADO DE TRABALHO

revisão da forma como os recursos naturais são talmente correto”, explica. Além dos serviços de
explorados e de que maneira o empreendimento consultoria ambiental, a Mãos na Mata está in-
devolve resíduos ao meio ambiente, sejam eles gressando no mercado de carbono, considerado
líquidos, sólidos ou gasosos. São medidas que se um dos filões atuais pelos profissionais da área. A “Independente
enquadram em qualquer perfil, ou seja, valem cooperativa, em parceria com a Iniciativa Verde, da área em que a
para um escritório, uma empresa ou uma indús- de São Paulo, oferece a empresas e indústrias
tria. “À proporção em que os alunos começam a interessadas um programa de compensação de empresa atua, o
ingressar no mercado de trabalho e desempe- emissões de gases que causam o efeito estufa, técnico é aquele
nham um bom papel, as empresas começam a o Carbon Free.
focalizar o técnico em meio ambiente quando que tem um olhar
disponibilizam vagas nessa área. É um profissional REGISTRO PROFISSIONAL diferenciado,
que tem um custo menor do que um graduado, O técnico em meio ambiente não possui re-
mas que exerce uma função que, muitas vezes, gulamentação específica. Os cursos têm registro
percebendo de
supre as necessidades da empresa”, considera. no Ministério da Educação e o tipo de cadastro que maneira a
dos profissionais junto aos conselhos regionais
PROJETOS SOCIOAMBIENTAIS varia em cada estado e depende do enfoque do
empresa está
Uma oportunidade interessante para quem se curso. No caso do IFSC, Débora conta que, uma causando uma
interessa em cuidar da natureza profissionalmen- vez formados, os alunos obtêm credenciamen-
te está ligada ao terceiro setor. “Percebemos que to no Conselho Regional de Química (CRQ). Os
intervenção no
muitas iniciativas dos alunos se transformaram profissionais têm uma atribuição técnica pelo ambiente, seja
em ONGs (organizações não governamentais)
ou OSCIPs (organizações da sociedade civil de
CRQ que possibilita a execução de análises la-
boratoriais. “O MEC exige uma formação básica,
ela positiva ou
interesse público). Na área ambiental há muitas mas, dependendo das especificidades da região, negativa”
linhas de financiamento e existe um apelo muito a formação pode se aprofundar em determinadas Débora Brentano,
forte para que projetos dêem certo”, lembra a atividades. Aqui em Florianópolis a questão dos coordenadora do curso
coordenadora. recursos hídricos é muito forte. Por conta disso, os técnico em meio
Para reforçar esse raciocínio, basta interpretar alunos têm essa habilitação do CRQ”, explica. ambiente do IFSC
alguns dados de uma pesquisa realizada pelo Ins- No entanto, está em tramitação na Câmara
tituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dos Deputados o Projeto de Lei no (número)
e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada 1.105/07, que visa regulamentar a profissão. O
(IPEA). Em 2005, o total de ONGs ambientalistas acompanhamento pode ser feito através do site
em funcionamento no Brasil passava de 2,5 mil. www.camara.gov.br.
“Existem várias ONGs que divulgam a educação
ambiental, o cuidado de que o planeta precisa. O
curso técnico em meio ambiente também é uma
CURSOS
arma pra isso. A situação que vivemos hoje é de SÃO PAULO
a Paula Souza
alerta”, declara Juliano Oliveira. Aluno do terceiro al de Ed ucação Tecnológic
• Ce ntro Estadu
;
módulo do curso, Juliano é bolsista do projeto Tel.: 11 3327 3000
883 2000;
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

) - Tel.: 0800
Verde Novo, que visa à arborização de uma das • SENAC (São Paulo Taubaté) - Tel.: 12 3633 2999
de
unidades do IFSC. O projeto foi uma iniciativa do • Unitau (Universidade
Ministério da Educação (MEC) para comemorar
MINAS GERAIS rais
o centenário do instituto. deste de Minas Ge
• Instituto Federal do Su
a) - Tel.: 32 3693 8639 ;
As cooperativas com propostas ambientais (Campus Barbacen
são mais uma alternativa. Débora cita o exem-
plo da Mãos na Mata, de Florianópolis, que tem PARANÁ
3271 9000.
obtido sucesso. “Ela • Senai (Curiti ) - Tel.: 41
ba

produz mudas nati-


vas, que dificilmen-
te são encontradas
em floriculturas. É ideal para quem SXC/Den
iz Ongar
busca fazer um paisagismo ecológico, ambien-
20
VISÃO POLÍTICA

Carlos Silva Filho

Reciclagem Energética
Tratando corretamente os resíduos,
usinas contribuem para reduzir a emissão de CO2

A meta para reduzir a emissão dos gases de estudos em andamento que, no momento, ainda
efeito estufa proposta pelo Ministério do Meio esbarram em alguns gargalos como o custo do
Ambiente (MMA) pode ser mais facilmente al- investimento e o valor da tarifa a ser cobrada.
cançada com a reciclagem energética. As novas políticas para o aproveitamen-
Carlos Minc, o titular da pasta, apresentou to energético de resíduos (Waste-to-Energy)
ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 13 podem ajudar a reduzir a emissão dos gases
de outubro uma proposta para reduzir em 40% causadores do efeito estufa, já que incentivam
as emissões de gás carbônico no Brasil até 2020. uma fonte de energia limpa e renovável que
A proposta equivale à meta brasileira contra o será integrada à matriz energética do país.
aquecimento Segundo
global, e igua- O setor de gestão de resíduos estudos de
la os níveis de instituições
emissões aos ín- sólidos pode contribuir europeias, atu-
dices de 1990.
De acordo
decisivamente para que as metas almente cerca
de 56 milhões
com Suzana de redução sejam alcançadas de toneladas
Kahn Ribeiro, de resíduos são CARLOS SILVA FILHO
é advogado, pós-
secretária de mudanças climáticas do MMA, tratados a cada ano por meio de sistemas de
graduado em Direito
para que metade dessa meta (20%) seja atin- recuperação energética na Europa. Isso evita a Administrativo e
gida, é preciso reduzir em pelo menos 80% o emissão de 23 milhões de to- Econômico pela
desmatamento da Amazônia. A outra metade neladas de CO2, que equivale Universidade Mackenzie
seria atingida com o controle do desmatamento à emissão de 11 milhões
do cerrado e da caatinga, por exemplo, e com de carros.
a renovação da matriz energética nacional. Vale destacar que o uso
O setor de gestão de resíduos sólidos pode generalizado dessa tecno-
contribuir decisivamente para que essas metas logia de recuperação da
de redução sejam alcançadas. Isso já está aconte- energia dos resíduos (WtE,
cendo com o aproveitamento do biogás gerado como é conhecida internacio-
nos aterros sanitários, mas pode ser considera- nalmente) pode se tornar um
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

velmente incrementado com a implantação e a fator amplamente favorável para


adoção de usinas de recuperação energética de o plano de redução de
resíduos no país. emissões de CO2 pro-
Muitas dessas usinas adotam metodologia posto pelo Ministério
de redução de emissões aprovada pela ONU e do Meio Ambiente
geram energia renovável (térmica ou elétrica) e fazer frente à
a partir do processamento de resíduos sólidos, crescente deman-
por meio de processos 100% limpos e que não da por energia,
agridem o meio ambiente, sendo a solução para com a vantagem
a destinação de resíduos em vários países. de não utilizar
O Brasil ainda não utiliza essas tecnologias para combustíveis
tratamento de resíduos, mas já conta com diversos fósseis.
ação

21
Divulg
PESQUISA

Projeto de aplicação
de lodo biológico
em área agrícola
Aplicação prática de
estudos científicos viabiliza
a agricultura sustentável

Por Elton Lage Fonseca INSTALAÇÃO DA UNIDADE DE TRATAMENTO


DE EFLUENTES INDUSTRIAIS
Filial da multinacional alemã especialista O lodo destinado à aplicação em área agrí-
em gelatinas, a Gelita do Brasil tem seu pró- cola é oriundo de uma estação de tratamento
prio plano de manejo dos efluentes gerados de efluentes industriais, que consiste basica- Manejo consciente
na fabricação de produtos alimentícios. Esses mente de um Huber, um tanque de equalização,
e aplicação correta
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

efluentes, depois de tratados, são aplicados em um flotador, um biojector, um tanque anóxi-


áreas agrícolas aptas a recebê-los. co, uma lagoa de aeração e um decantador de efluentes
Todos os preceitos técnicos e ambientais são secundário.
considerados antes da aplicação dos efluentes A Gelita do Brasil implantou um sistema
tratados no solo,
no solo, fazendo uso sustentável de seu poten- de tratamento concebido para o processo de potencializam a
cial nutricional. Essa prática atende à Resolução degradação biológica de duas fases, uma ana-
375/06 do Conselho Nacional do Meio Ambiente eróbia e um refinamento aeróbico. Operando
produção agrícola
(Conama), que define critérios e procedimentos sem pausas, a estação gera, todos os dias, 450
para o uso agrícola de lodos e derivados gerados m3 de lodo para ser aplicado em área agrícola,
em estações de tratamento, visando benefícios o que equivale a uma vazão de 18,75 m3 por
à agricultura e evitando riscos à saúde pública hora. Entretanto, ela foi projetada para uma
e ao meio ambiente. vazão de até 3.000 m3/dia.

22
CARACTERIZAÇÃO DO LODO do lodo, a qualidade do solo também deve ser

Divulgação
Segundo os critérios estabelecidos no ar- monitorada, uma vez por ano, para analisar as
tigo 7º da Resolução Conama 375/06, o lodo seguintes características: quantidade de alumínio,
foi caracterizado como sendo de classe B, e a cálcio, magnésio, sulfato, hidrogênio dissociável,
metodologia para sua aplicação levou em con- potássio, matéria orgânica, capacidade de troca
ta essa classificação. O lodo, portanto, atende iônica, pH e saturação de bases.
aos padrões da resolução, de modo que não Para isso, são colhidas amostras de duas
há qualquer empecilho para sua disposição camadas do solo: uma a até 20 cm da superfície
em área agrícola. A aplicação se dá de maneira e outra na camada entre os 20cm e os 40 cm
mecanizada, superficial, e o lodo é incorporado de profundidade.
pela terra, impedindo a proliferação e a ativi- Os índices de fertilidade de cada uma das
dade de vetores. glebas também devem ser observados antes da
aplicação do lodo na terra. Com isso pode-se ava-
CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE APLICAÇÃO liar a eficácia da aplicação anterior, em função da ELTON LAGE FONSECA
Antes de iniciar o projeto, a Gelita realizou absorção dos nutrientes disponíveis no lodo pela auditor e consultor
de sistemas integrados
uma análise do solo levando em consideração planta. O objetivo, com esse monitoramento, é de gestão
as determinações do Instituto Agronômico de avaliar se houve acúmulo de quaisquer nutrientes
Campinas (IAC). Para isso, de um total de 24 por um desbalanço entre o que a planta necessita
amostras, oito foram separadas. e o que efetivamente foi disponibilizado.
Os testes do solo serviram para identificar as
propriedades nutricionais encontradas no local CONCLUSÃO
antes da disposição do lodo. Níveis de sódio, fer- A aplicação do lodo tratado pela Gelita é uma
tilidade e condutividade elétrica foram algumas boa solução de irrigação, rica em nitrogênio. Ela
das características analisadas. beneficia o produtor agrícola, pois reduz seu
A escolha do local de aplicação do lodo é custo com água e com nitrogênio, e também
norteada pelo preceito do máximo aproveita- beneficia a empresa, que reduz o custo de des-
mento da área sem qualquer risco aos mananciais tinação de lodo. Trata-se de uma prática susten-
adjacentes, observando as recomendações e tável, já que tanto o produtor agrícola quanto a
restrições constantes do artigo 15 e do anexo empresa economizam recursos ajudando um ao
VIII da Resolução Conama 375/06. outro continuamente.
Isso quer dizer que o lodo não pode ser usado
em áreas de proteção permanente (APP) e em RESULTADOS
áreas de preservação ambiental (APA) – como, Os gráficos abaixo indicam os resultados obtidos com a aplicação
por exemplo, aquelas em que a profundidade do do lodo em uma cultura de cana-de-açúcar:
lençol freático seja inferior a 1,5 m. Outra restrição Diâmetro do colmo (mm)
45
que deve ser observada é a que proíbe o lodo de 40
Área 1 - aplicado
ser aplicado sobre terras a menos de trinta metros 35
30
de distância de nascentes e olhos d’água. 25
20 Área 2 - não aplicado
15
CULTURAS BENEFICIADAS 10
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

São os artigos 12, 13 e 14 da Resolução Co- 5


0
nama 375/06 que estabelecem quais as culturas 00
7
00
7
00
7
00
7
00
7
00
7
/2 /2 /2 /2 /2 /2
06 07 08 09 10 11
que podem ser implantadas nas áreas de aplica- 15
/
15
/
15
/
15
/
15
/
15
/

ção do efluente. No caso da Gelita, a cultura da


cana-de-açúcar foi considerada apta para receber
Altura da planta (m)
4
3,5 Área 1 - aplicado
a aplicação do lodo produzido na estação de 3
tratamento da empresa. 2,5
2
Área 2 - não aplicado
1,5
MONITORAMENTO 1
0,5
A qualidade do lodo é monitorada semes- 0
tralmente, de acordo com os parâmetros do 07 07 07 07 07 07 07 08
20 20 20 20 20 20 20 20
6/ 7/ 8/ 9/ 0/ 1/ 2/ 1/
5/0 5/0 5/0 5/0 5/1 5/1 5/1 5/0
artigo 11 da Resolução Conama 375/06. Além 1 1 1 1 1 1 1 1

23
ECO ESTILO

Bike, pra que


te quero...

Contemplar a natureza em todas as suas variações e se aventurar


sobre duas rodas: hábitos saudáveis para o corpo e para a mente

Por Arielli Secco criar resistência e se preparar fisicamente. Percorreu


vários lugares da ilha e aumentou os desafios gra-
Em feriados ou períodos de férias, pelo menos dativamente, até se sentir apto a abraçar o primeiro “Você começa
um assunto é certo nos noticiários: o trânsito. Di-
cas de melhores horários para sair de casa, rotas
desafio cicloturístico. Começou e não parou mais:
hoje, com sessenta anos, ele continua pedalando.
a praticar o
alternativas e estatísticas de congestionamentos “É uma atividade ideal para gerar autoconfiança, cicloturismo
são comuns para orientar os motoristas. Que tal, determinação, liderança e nova visão sobre nossas de forma
então, fugir dessa complicação e experimentar atitudes e valores. Todos deveriam experimentar
uma viagem sobre duas rodas? É essa a proposta um dia”, recomenda. despretensiosa e,
do cicloturismo, um esporte que envolve aventura, Olir é um dos cicloturistas que tem o nome e as quando percebe,
exercício físico e descobertas. aventuras divulgados no site do Clube de Ciclotu-
Nessa modalidade, o objetivo não é competir, rismo do Brasil. Fundado em 2001, o Clube tem o já está planejando
e sim ter uma oportunidade de lazer e superação. objetivo de criar um intercâmbio entre as pessoas sua volta ao
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

“Não resta qualquer dúvida de que o cicloturismo que praticam o esporte, além de disponibilizar o
é o que causa menos impacto negativo no meio máximo de informações a quem está querendo mundo. Quase
ambiente. É silencioso, amigável, gera pouquís- se iniciar. Eliana Britto Garcia, bióloga e educado- não existem ex-
simos resíduos, caminhos com pouca destruição ra ambiental, integra a direção da organização e
em comparação às necessidades de um veículo e começou a viajar em 1988. Ela diz que, à época,
cicloturistas. Quem
proporciona uma observação crítica com relação a prática não era muito comum e sua primeira começa, não para
à natureza”, diz José Olir Mocelin. Aos ciquenta e aventura foi pela rodovia Rio-Santos. “Com essa
três anos, ele aderiu a um estilo de vida diferente primeira viagem, descobri que o cicloturismo é
nunca mais!”
depois da aposentadoria. E ousou: o primeiro pro- muito mais do que somente apreciar as paisagens. Eliana Britto Garcia,
jeto foi uma volta pelo estado de Santa Catarina, Quebra-se uma barreira entre você e as pessoas, diretora do Clube de
totalizando 2,4 mil quilômetros em um mês. Em entre você e o ambiente. Você percebe que precisa Cicloturismo do Brasil
uma página que mantém na internet, Olir conta que de pouco para se locomover, para viver e para ser
realizou treinos em Florianópolis, onde reside, para feliz”, conta.
24
Qualquer pessoa pode se tornar um cicloturista,
independentemente da idade ou profissão. Mas
uma coisa é certa: é preciso muito preparo físico
para encarar percursos longos. A diretora do clube
pontua que cada um segue no ritmo que preferir
e faz o roteiro que achar melhor, sempre com um
bom planejamento. “Temos contato com uma gran-
de diversidade de pessoas, todas com uma paixão
em comum pela natureza e pela bicicleta”, conta.
O meio de transporte é saudável e ecologi-
camente correto, além de proporcionar ganhos
a quem se dispõe a pedalar. Eliana constata que
o cicloturismo sensibiliza as pessoas envolvidas
para a importância das questões ambientais de
uma forma geral. “Trabalhei por muitos anos como
Serra do Corvo Branco
educadora ambiental e posso afirmar que é uma
ótima ferramenta para conscientizar as pessoas. A
começar pela utilização de menos combustíveis
fósseis, passando pela questão do lixo, valorização
de culturas locais e necessidade de preservação
de áreas naturais”.
Ser cicluturista, no entanto, exige responsabi-
Fotos: Divulgação

Base do Morro da Igreja


lidade e atenção. É necessário estar devidamente
equipado, com uma bicicleta segura, ter noções de
segurança no trânsito e ter cuidados com a saúde.
O lema é “ir até onde suas pernas aguentarem ou Pinhão era um filhote
abandonado quando
o seu dinheiro der”, comenta Eliana. “Você começa Ronaldo Lima o encontrou;
a praticar o cicloturismo de forma despretensiosa viajou 120 km para crescer
na casa do professor
e, quando percebe, já está planejando sua volta ao
mundo. Quase não existem ex-cicloturistas. Quem
começa, não para nunca mais”, diz.

QUEM ENSINA TAMBÉM APRENDE


“Como as pessoas têm um estilo de vida se-
dentário ou muito rotineiro, quando se foge do
eixo você é considerado excêntrico. Mas, para mim,
o normal seria que todo mundo tivesse uma vida
paralela ao trabalho”. É a opinião de Ronaldo Lima,
48, professor universitário de francês e literatura
francesa. Para ele, a apreciação das paisagens na-
turais resultou em muitas aventuras, lembranças e
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

lições de vida. É o que Ronaldo chama de equilíbrio


entre a dedicação ao trabalho e o prazer. “É algo
muito interno, que volta para o indivíduo, para a
pessoa em si”, descreve.
Desde criança, Ronaldo sempre se inte-
ressou por tudo que podia ser movido pelo esforço
humano. Com sua bicicleta, pedalava por vários
lugares e já fazia grandes passeios. As pedaladas da
infância se tornaram sérias com o passar do tempo.
Começou a fazer viagens curtas, percursos com
Bicicleta cai no rio, molhando
cerca de cem quilômetros. “Durante um período, roupas e equipamentos: apesar
também me dediquei ao que chamo de descidas, do acidente, a viagem continua
nas quais se sobe a uma grande altitude para ter o
25
ECO ESTILO

prazer de descer. Algumas vezes, passava dois dias com a natureza. Você conhece árvores, rios, pedras,
fazendo isso”, relata. vê mosquitos, moscas, floresta fechada, campos, “Com a viagem, eu
Há nove anos, começou a organizar grandes animais que não veria de carro”, ressalta. aprendi que não
viagens, percorrendo até mil quilômetros. O trajeto O aventureiro também se preocupa em ajudar.
é feito em cerca de dez dias e exige muito plane- Durante os trajetos, é comum encontrar animais temos limite. Foi
jamento. Até hoje, foram quatro aventuras. E haja feridos, abandonados, em situação de risco. É o uma experiência
preparo para encarar a Serra Catarinense! “Na última, caso do cachorro Pinhão. Ronaldo o encontrou
por exemplo, nós saímos de Urussanga, subimos o ainda filhote, em uma viagem para Bom Jardim da
única! É um
Rio do Rastro, fomos até Urubici, subimos o Morro Serra. “Eu peguei uma meia, uma agulha, uma faixa contato muito
da Igreja. Então, se somarmos tudo, chegamos a um e um cinto e fiz uma espécie de bolsa para colocá-lo
total que fica entre 12 e 15 mil metros de subida”, dentro. Ele viajou mais ou menos 120 quilômetros.
próximo com a
contabiliza Ronaldo. Hoje está lá em casa, adulto e superfeliz”, conta, natureza e com
Foi um dos percursos mais difíceis para ele.
Na companhia de Marsisa Maria Sabino, 48, sua
com um sorriso de satisfação. Além dos animais,
ele procura ajudar pessoas de comunidades isola-
coisas que você
faxineira há quatro anos, a aventura contabilizou das e carentes, voltando de carro a esses lugares não percebe
330 quilômetros. Isa – como é chamada – aceitou o para levar alimentos, roupas e brinquedos. “Tem o quando está de
desafio mesmo sem nunca ter viajado dessa forma. lado do contato com a natureza, mas tem também
O trajeto começou às 11horas de um domingo e, essa parte de você querer fazer alguma coisa pelas carro”
em uma semana, os dois cicloturistas passaram pela pessoas”, afirma.
Serra do Rio do Rastro, por Urubici, pelo Morro da Para Ronaldo, as viagens não terminam nunca. Marsisa Maria Sabino,
cicloturista de
Igreja e pelo Morro do Corvo Branco, até retornarem Elas se prolongam por meses e anos através das
primeira viagem
ao ponto de partida, às 18 horas do sábado. “Com a sensações que ele guarda em si. E recomenda: é
viagem, eu aprendi que não temos limite. Foi uma algo que deve ser vivido, experimentado. “Você se Sites interessantes:
experiência única! É um contato muito próximo torna um motorista que respeita o ciclista, você se www.clubedecicloturismo.com.br
com a natureza e com coisas que você não percebe torna uma pessoa que acolhe outra... Você muda www.olir.sites.uol.com.br
www.ondepedalar.com
quando está de carro”, disse ela. Entusiasmada, Isa completamente”, conclui. www.campinasbikeclube.org.
comentou que correram risco quando tiveram que
atravessar um pasto cheio de gado e falou também
dos banhos de rio durante o caminho. “Parávamos
um pouco e mergulhávamos na água de roupa e
tudo; quando voltávamos a pedalar, em meia hora
já estávamos secos. Era muito bom!”
Os percursos geralmente são feitos em três ou
quatro pessoas. Um dos companheiros é Maurício
Brito de Carvalho, professor da Universidade do Rio
de Janeiro. Maurício tem 60 anos e, de acordo com
Ronaldo, um ritmo invejável, difícil de acompanhar.
“Ele vem pedalar em Florianópolis duas ou três ve-
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

zes por ano; nessas ocasiões, sempre organizamos


alguns tours”, afirma.
Ronaldo considera o contato com o meio am-
biente como uma terapia alternativa. A contempla-
ção e o contato com a natureza, para ele, podem
ser um tratamento para os problemas e o estresse Ronaldo, Pinhão
cotidiano. “É difícil escolher qual é o lugar mais (dentro da meia) e
Maurício descem a
bonito, porque é como a praia, que a cada dia está Serra do Rio do Rastro.
diferente. Cada lugar tem suas particularidades”, diz. Ao lado: Ana e Isa a
caminho da Serra do
Praticar esse tipo de atividade proporciona maior Corvo Branco
riqueza de conhecimentos. Viajar sobre duas rodas
durante dias permite perceber cada detalhe no ca-
minho. “Você tem um contato direto e prolongado
26
OPINIÃO

Sistemas de Resfriamento
O clima e as propostas para frear o aquecimento global serão o centro das atenções
mundiais na conferência de Copenhague, que acontece entre os dias 07 e 18 de
dezembro. Representantes de 193 nações tentarão chegar a um consenso para a
proteção do planeta com resoluções, acordos e compromissos multilaterais.
Impasses, como a postura pouco clara de alguns países sobre o que pretendem
fazer de concreto, discussões sobre financiamentos, responsabilidade proporcional
e transferência de tecnologia, podem comprometer os bons resultados.
O acordo firmado substituirá o Protocolo de Kioto, cuja vigência vai até 2012, e nós,
da revista Visão Ambiental, esperamos que ele traga boas notícias para o planeta.
TORRES DE RESFRIAMENTO DE ÁGUA
Na próxima edição, matéria com a cobertura completa da COP15. • Resfriamento de água, água contaminada
ou efluentes
• Circuito aberto em PPRFV ou concreto
• Circuito fechado em PRFV ou chapa

Tecla SAP de
galvanizada com serpentinas em aço inox
ou aço galvanizado

Copenhague TUBE dek®


• Placas lamelares
• Projetos aplicáveis:
- Processo físico-químico
Antonio Carlos Porto Araujo Floculação-Decantação
- Água de lavagem
de filtros
- Sedimentação primária
Cento e noventa e dois países discutem criação de algum tipo de fundo internacio- - Lodo ativado
a questão climática e os reflexos sobre a ali- nal com recursos predominantemente de - Polimento final
mentação e o fornecimento de água e ener- países desenvolvidos para financiamento
gia em um mundo cada vez mais habitado em projetos de adaptação e mitigação.
e com recursos naturais se exaurindo. Além dessa construção de um fundo, há
Nessa floresta de diversidades eco- expectativa para criação de modelos de
Linha BIO dek®
nômicas, culturais e sociais, é evidente licenciamento compulsório de patentes
• Enchimentos
que as opiniões divergem, esbarrando em caso de urgências decorrentes de al- estruturados
em pontualidades econômicas e especi- terações climáticas. • Projetos aplicáveis:
ficidades geográficas regionais. Tratam-se de questões muito delicadas - Filtros biológicos
percolares
De fato concreto, há conclusões sobre para os países ricos, uma vez que, após a gra- - Filtros submersos
necessidades de adaptação à nova con- ve crise financeira mundial, propostas para (aerados e anaeróbios)
dição climática e eficiência no sistema de aumento de desembolso financeiro causam - Filtros anóxicos
- Lavadores de gases
monitoramento e diminuição de emissões ojeriza naqueles que terão o poder/dever
de gases que aumentam o efeito estufa de aprovar tal proposta.
– com o consequente aquecimento do Mesmo assim, toda a questão climá-
planeta. Isso significa que, para ambas as tica e seus impactos no meio ambiente
conclusões, haverá imprescindivelmente requerem novas propostas de desenvol- Linha BCN®
alocação de intensivos recursos financei- vimento sustentável, e esse novo modelo • Mídias randômicas
ros nas mais diversas áreas: de infraestru- exige medidas eficientes de disponibiliza- • Projetos aplicáveis:
- Reatores de leito
tura, saúde, alimentação, energia, etc. ção de investimentos públicos e privados, fluidizado
Dessa forma, o desenvolvimento de aptos a evitarem as catástrofes inevitáveis - Reatores anóxicos
pesquisas em tecnologia e a inevitável na ausência dessas medidas. - Reatores de
transferência para os países emergentes Meio ambiente é desenvolvimento, e alta carga
fazem parte da mais ampla discussão e esse desenvolvimento exigirá dinheiro.
entrave para definição dos acordos. Uma das questões em Copenhague é:
O Brasil aponta com sugestão para quem pagará a conta? GEA Sistemas de Resfriamento Ltda.
Al. Venus, 573, Distr. Industrial American Park
Indaiatuba - SP - CEP: 13347-659
ANTONIO CARLOS PORTO ARAUJO é consultor de energia
Fone: (19) 3936.1522
renovável e sustentabilidade da Trevisan
Fax: (19) 3936.1171
E-mail: geasr@geasr.com.br
RESÍDUOS DOMÉSTICOS

Não jogue no lixo


Alguns cuidados no descarte de resíduos tóxicos devem ser tomados.
A natureza agradece!
Por Arielli Secco lixo até a rua antes de dormir. Saldo do dia: um so de aquecimento propicia a
aparelho celular, uma bateria, remédios e pilhas formação de ácidos graxos satu-
Pense em algumas situações do cotidiano. terão aterros como destino; o óleo, jogado no rados. O consumo de alimentos
Às 7 horas o despertador do celular não toca. O ralo da pia, vai percorrer encanamentos até ser preparados em óleo reutilizado
aparelho parou de funcionar e atingiu o limite do lançado em mares e rios. favorece a formação de compos-
seu tempo de vida útil. No mesmo dia, na hora São acontecimentos diferentes que envolvem tos indesejáveis e de gordura
do almoço, bate aquela vontade de fritar e comer um questionamento em comum: como proceder trans, que dificultam a digestão.
batatas fritas. São alguns litros de óleo que não de maneira correta no descarte de materiais como A consequência disso é o desen-
serão utilizados mais de uma vez e terão que ser os citados acima? Óleo de cozinha, pilhas, baterias, cadeamento de problemas car-
descartados. Você sai para trabalhar e, na volta, equipamentos eletrônicos, lâmpadas fluorescentes diovasculares e arteriais.
sente um pouco de dor de cabeça. Ao procurar e medicamentos são exemplos de lixo tóxico que Apesar do fato de que todas
um remédio em casa, nota que algumas cartelas precisam de tratamento especial. Componentes as gorduras possuem ácidos gra-
de medicamentos estão vencidas e precisa se desses produtos podem ser extremamente peri- xos saturados e insaturados, su-
livrar delas de alguma forma. Assistir à televisão gosos para a saúde dos seres humanos e para a cessivos aquecimentos vão as
parece uma boa pedida para terminar o dia e estabilidade do meio ambiente. aproximando do estado sólido.
descansar um pouco, mas a carga das pilhas do Dar destinação certa aos resíduos é imprescindível Quando despejadas em pias e
controle remoto terminou e elas devem ser tro- para a prevenção de problemas e para a preservação tanques, elas se acumulam e
cadas. Você junta as pilhas, baterias, remédios da natureza. A Visão Ambiental traz aqui um resumo causam problemas de encana-
e também a lâmpada fluorescente da sala, que ensinando o que fazer com esses materiais. mento. Além disso, quando lan-
havia sido trocada, e joga tudo na lixeira da co- çadas em águas de rios e mares,
zinha. Cumprindo a rotina, você leva os sacos de ÓLEO DE COZINHA formam uma camada na superfí-
A reutilização ou o descarte inadequado do cie, uma espécie de película que
óleo de cozinha podem ser prejudiciais à saúde impede a troca gasosa e reduz a
e à natureza. A absorção de ar durante o proces- quantidade de oxigênio neces-
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

28
sária para a manutenção dos ecossistemas. E tem séculos. O mesmo não acontece com os metais. das baterias de chumbo ácido de
mais: a gordura impermeabiliza raízes de plantas Quando pilhas e baterias são jogadas no lixo do- qualquer tamanho (usadas em
e pulmões de animais aquáticos, dificultando sua méstico, elas vão para aterros comuns. O solo automóveis, alarmes, celulares
respiração. Os solos também se tornam imperme- absorve todos aqueles elementos extremamente rurais e motocicletas), devem
áveis com a deposição constante de óleo, o que perigosos citados acima. A contaminação dessas ser encaminhadas ao local de
ocasiona enchentes. áreas se estende aos lençóis freáticos, rios e bacias compra ou aos fabricantes.
Por que, então, despejar de forma inadequada hidrográficas. O acúmulo dessas substâncias nos
um líquido que tem tantas finalidades? Aquele seres vivos pode causar perda de memória, pro- APARELHOS ELETRÔNICOS
óleo de cozinha que ficou na panela depois de blemas cardíacos, osteoporose, câncer, cirrose e Será possível viver sem
render uma bela porção de petiscos fritos pode insuficiência renal. computador, televisão, geladei-
ser matéria-prima na fabricação de produtos de Em 1999, o Conselho Nacional do Meio Am- ra, telefone, celular, máquina
limpeza, biodiesel, cosméticos, tintas e massa biente (Conama) estabeleceu a Resolução nº fotográfica e tantos outros apa-
de vidro, por exemplo. Para isso, o óleo deve ser 257, que determina o recebimento de pilhas e relhos que permeiam o nosso
armazenado em garrafas PET através de um funil baterias por parte dos estabelecimentos que os cotidiano? Seja no trabalho ou
com gaze ou qualquer material que sirva como comercializam ou das redes de assistência técnica em casa, todo mundo possui ao
filtro e retenha as partículas sólidas. As garrafas autorizadas pelas respectivas indústrias. Entregá- menos um dos objetos citados.
devem ser entregues em pontos de coleta comu- las aos fabricantes ou importadores permite que, Quando quebrados, sem fun-
mente localizados em órgãos públicos e super- diretamente ou por meio de terceiros, o processo cionalidade ou ultrapassados,
mercados, bem como em cooperativas voltadas de reutilização, reciclagem ou tratamento seja feito muitas vezes eles passam da
a essa finalidade. adequadamente. Em 2008, outra resolução, a 401, estante da sala ou da mesa do
passou a vigorar. Desta vez, estabelecendo limites escritório para terrenos baldios
PILHAS E BATERIAS para a quantidade de metais pesados utilizados ou depósitos de lixo comum,
Pilhas e baterias fazem muitos aparelhos na composição de pilhas e baterias. constituindo uma bomba-reló-
funcionarem no dia a dia. Porém, essas fontes Uma boa dica é substituir pilhas comuns por gio para a natureza. É o chama-
de energia também são causadoras de danos pilhas recarregáveis, que têm vida útil maior. do e-trash ou lixo eletrônico.
irreversíveis ao meio ambiente. De acordo com Para descartar esses resíduos, uma alternativa é A composição desses pro-
informações publicadas no site da Universidade o programa Papa-pilhas, do Banco Real. No site dutos envolve metais pesados
Estadual Paulista (Unesp), elas podem apresen- do banco, o link Ecoeficiência leva a uma página altamente nocivos ao meio
tar em sua composição metais pesados como em que é possível pesquisar o ponto de coleta ambiente e à saúde. Para se ter
chumbo, zinco, níquel, cádmio e mercúrio. É por mais próximo de você, em qualquer estado do uma ideia, o alumínio, usado na
isso que, quando o assunto é lixo tóxico, esses país. Porém, fique atento: a Resolução nº 257 do estrutura de vários aparelhos,
materiais são os primeiros a ser lembrados. Parte Conama estabelece que pilhas e baterias pesando provoca o mal de Alzheimer; o
da pilha se decompõe, por mais que isso leve mais de 500 gramas ou maiores que 5x8 cm, além bário, presente nas válvulas ele-

Ima
gen
s SX
C

VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

29
RESÍDUOS DOMÉSTICOS

trônicas, leva à constrição dos vasos sanguíneos; de alta temperatura, transforma-se em vapores
o cádmio, que compõe chips, semicondutores e tóxicos e corrosivos. No caso das lâmpadas flu-
baterias, pode causar câncer, deformação e lesão orescentes, o mercúrio é mantido em estado de
renal. Tem-se, ainda, o chumbo, o cobre, o mer- vapor devido à baixa pressão dentro do tubo
cúrio, o cromo, o níquel, a prata e o zinco, todos selado de vidro.
elementos necessários para que o botão “liga” De acordo com o portal Coleta Seletiva Soli- CONHEÇA
dos aparelhos, quando pressionado, faça-os fun- dária, do governo federal, é preciso ter cuidados ALGUNS
cionarem. Se descartados de forma inadequada, especiais quando uma lâmpada desse tipo se PROJETOS:
resultam em um impacto ambiental sem propor- quebra. Todas as portas e janelas do ambiente
ções. De acordo com estudos divulgados pelo blog devem ser abertas. Recomenda-se que as pessoas ÓLEO DE COZINHA
• Reóleo (Florianópolis-SC)
lixoeletronico.org, os efeitos são: bioacumulação se ausentem do lugar por, no mínimo, quinze www.reoleo.com.br
de seres vivos, contaminação da água, da terra e, minutos. Após isso, com o auxílio de luvas e aven- • Disque Óleo (Duque de Caxias-RJ)
consequentemente, dos alimentos. tal para evitar o contato com a pele, os cacos de 21 2260 - 3326
• Papa Óleo - Associação Brasileira de
Com o desenvolvimento de novas tecnolo- vidro devem ser recolhidos e colocados em dois Bares e Restaurantes (nacional)
gias, a quantidade de lixo eletroeletrônico tende sacos de lixo lacrados, para evitar a evaporação www.abrasel.com.br/projeto_papa_oleo
a aumentar cada vez mais. No Brasil, hoje, são 60 do mercúrio liberado. • Instituto Triângulo (São Paulo-SP)
11 4991 - 1112
milhões de computadores em uso. A previsão Algumas universidades e empresas desenvol- PILHAS E BATERIAS
para 2012 é de que esse número passe para 100 vem maneiras para separar o mercúrio no descarte • Papa-pilhas (nacional)
milhões, o que significa um computador para de lâmpadas fluorescentes. Assim, o elemento www.bancoreal.com.br/sustentabilidade
• Participe e Recicle (nacional)
cada duas pessoas. Por isso, o cuidado no descarte pode ser reutilizado por indústrias ou destinado
www.participerecicle.com.br
desse tipo de produto é extremamente importante a centros de pesquisa. • Projeto Reciclar (Viçosa-MG)
para a redução dos problemas e interferências no www.projetoreciclar.ufv.br
meio ambiente. REMÉDIOS APARELHOS ELETRÔNICOS
• ONG E-lixo (Londrina-PR)
O caso do descarte de medicamentos venci- 43 3339 - 0475
LÂMPADAS FLUORESCENTES dos é também muito sério. Remédios possuem • Museu do Computador (São Paulo-SP)
As lâmpadas fluorescentes são conhecidas componentes químicos que prejudicam o meio www.museudocomputador.com.br
• Coletivo Lixo Eletrônico (São Paulo-SP)
como sinônimo de eficiência e economia. Redu- ambiente. O Conama não publicou regulamenta- www.lixoeletronico.org
zem o consumo de energia em até 80% e passaram ção ou norma estabelecendo os procedimentos • Descarte Certo (São Paulo-SP)
a ser preferência dos brasileiros após o ano de corretos com relação a esse tipo de resíduo. A www.descartecerto.com.br
LÂMPADAS FLUORESCENTES
2001, quando a necessidade de racionamento Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
• Tramppo Recicla Lâmpadas (São
entrou em pauta. Antes do episódio que ficou co- apenas propôs critérios técnicos na Resolução de Paulo-SP) – www.tramppo.com.br
nhecido como “apagão”, eram vendidas 3 milhões Diretoria Colegiada nº 306, de 2004, para minimizar • Brasil Recicle (Indaial-SC)
de unidades por ano. Hoje, são 150 milhões. a produção de resíduos e incentivar o encaminha- www.brasilrecicle.com.br

O mercúrio é um dos seus principais compo- mento seguro, a fim de que o lixo farmacêutico
nentes. Segundo o jornal da Universidade Esta- não seja descartado com o lixo doméstico.
Referências:
dual de Campinas (Unicamp), esse metal, líquido Farmácias, hospitais e fabricantes não têm www.akatu.org.br
à temperatura ambiente, pode ser convertido obrigação legal de receber esses materiais. O www.planetasustentavel.abril.com.br
em espécies químicas extremamente perigosas, que o consumidor pode fazer, por enquanto, é www.salaverdeufsc.blogspot.com
www.ambientebrasil.com.br
que se mantêm acumuladas nos organismos adquirir os medicamentos fracionados, ou seja,
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

de seres vivos ao longo da cadeia alimentar. É em quantidades estritamente necessárias para o


insolúvel em água e, quando sujeito a condições uso imediato, evitando as sobras.

30
VISÃO INTERNACIONAL

Eduardo Pocetti

Nobel das Nações para o Brasil


Nenhum brasileiro jamais ganhou o Prêmio sabedoria convencional de que a propriedade co-
Nobel. Mas, se houvesse uma categoria que pre- mum é mal gerenciada e deveria ser regulada por
miasse países, o Brasil teria sido forte candidato autoridades centrais ou privatizada”. Analisando
a essa especial deferência em 2009. florestas, pastagens e lagos, a pesquisadora – que
Digo isso porque os ganhadores do Prêmio Nobel se autodenomina “economista política” – concluiu
2009 são expoentes de um novo jeito de ver o mun- que os usuários de determinados recursos tendem
do. O caso mais emblemático é o de Barack Obama. a desenvolver mecanismos sofisticados para tomar
Por que entregar o Nobel da Paz a um presidente decisões e cumprir regras que podem ser classi-
que assumiu o poder há apenas nove meses, e que ficadas como “sustentáveis”, mesmo que não se
ainda não conseguiu cumprir uma de suas principais vejam forçados a agir desta maneira. Ela também
promessas de campanha – o fechamento da prisão conseguiu caracterizar as regras que propiciam
de Guantánamo? “Porque Obama trouxe uma espe- resultados positivos e ressaltou a perspectiva
rança de paz”, sintetizou Vitor Nogueira, porta-voz de um futuro no qual as pessoas se mostrarão
da seção portuguesa da Anistia Internacional no dia especialmente atentas ao bem comum.
em que a notícia foi anunciada. Ostrom divide o prêmio com Oliver William-
Obama é o símbolo de uma América renovada, son, seu parceiro nos trabalhos sobre governança
que sofreu e ainda sofre as dores dos ataques terro- econômica, igualmente engajado na análise das
ristas, das guerras que se prolongam além da conta decisões tomadas fora dos mercados. Williamson,
do outro lado do mundo e de uma crise financeira que trabalha na Universidade da Califórnia, em
sem precedentes, que foi capaz de colocar em Berkeley, pesquisa o porquê de certas decisões
xeque o american way of life! Quando o dramático econômicas ficarem a cargo dos mercados e outras
estouro da bolha financeira expôs a fragilidade do dentro das corporações.
gigante e obrigou a população mais consumista do Também merece destaque a entrega do Nobel
mundo a repensar seus hábitos e suas prioridades, de Literatura à escritora alemã Herta Müller, autora
o democrata soube resgatar a autoestima de seu do romance Atemschaukel, que narra o drama
povo com duas palavras: we can. da deportação de um romeno de origem alemã
E foi no contexto de um mundo ainda entorpe- para um campo de trabalho na União Soviética
cido pelo tremor do grande império que Obama de 1945. Falando da vida desse prisioneiro, ela
foi agraciado com o Nobel da Paz. E a opção do evidencia o desrespeito aos direitos humanos
comitê norueguês pelo presidente norte-ameri- em várias partes da Europa. O livro valeu à autora
cano não foi a única surpresa deste ano: a outorga mais um prêmio: o prestigiado Franz Werfel, de
do Nobel de Economia à cientista política Elinor direitos humanos.
Ostrom também foi inesperado. Que outra nação, além do Brasil, personifica
Quinta mulher a receber um Nobel em 2009 e tão bem os valores que diferentes comitês do No-
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

primeira da história a ganhá-lo nesta categoria, a bel valorizaram mais fortemente em 2009? Nesta
norte-americana Ostrom é um expoente do tema década, provamos que é possível sair da condição
“sustentabilidade”. Segundo o júri, o mérito de seu de subdesenvolvimento e que a conciliação entre
trabalho consiste em “focar especialmente os aspec- crescimento econômico e redistribuição de renda
EDUARDO POCETTI tos comuns às pessoas em geral, e a forma como é viável e positiva para todos. Nossas instituições
é CEO da BDO, quinta maior
os recursos naturais são gerenciados”. Em resumo: políticas e financeiras amadureceram e se pro-
empresa de auditoria no
Brasil e no mundo produção e consumo conscientes estão em alta. varam sólidas. Conseguimos caminhar a passos
Em sua área de pesquisa, Elinor Ostrom pro- rápidos e praticamente sem tropeços.
cura entender como os indivíduos, por meio de Esperança, paz, sustentabilidade, respeito ao
decisões cotidianas, podem contribuir para a so- ser humano... O comitê do Nobel deu o seu recado:
lução de problemas de dimensões planetárias, mais importante do que o dia de hoje, é o amanhã
como o aquecimento global. No entendimento que estamos construindo. E todos nós temos um
do comitê que a escolheu, “Ostrom desafiou a papel a desempenhar nesse processo!
31
CONSUMO CONSCIENTE
Os cooktops Mallory têm a classificação energética tipo A, a mais
eficiente do mercado. A energia é proveniente da queima de GLP
ou de gás natural. O design diferenciado de seus queimadores
consegue utilizar menos gás e produz uma chama mais
rica em calor, resultando em economia.
www.mallory.com.br

A cadeira Kisar,
confeccionada no Brasil com
a madeira importada Birck
Wood, é certificada pelo
FSC (Forest Stewardship
Council) porque segue
um rígido controle
de manejo sustentável.
Num processo especial de
secagem,  a madeira é tratada
sem danificar os seus veios,
A Mahogany criou refis de 1,2 litro para a e assim consegue
linha de sabonetes líquidos. Preocupada ser moldada e vergada.
em contribuir para amenizar os impactos www.arteemcadeiras.com.br
ambientais e em reforçar a importância da
reciclagem, a empresa utiliza embalagens
PET recicláveis. www.mahogany.com.br As ecopastilhas da
Lepri Cerâmicas,
além de
antiderrapantes
são sustentáveis,
feitas a partir da
decomposição
A Valisère desenvolveu e reciclagem
o processo Eco Dry de lâmpadas
para o tingimento de fluorescentes.
tecidos sintéticos. Ele www.lepri.com.br
praticamente elimina
o consumo de água,
reduz drasticamente o
consumo energético e zera
a geração de efluentes.
Quem adquire uma peça
na Revelateurs investe em
soluções sustentáveis e
ainda ganha uma garrafa A Motor Z tem uma linha de scooters elétricas com
de água mineral (600 ml). ótimo desempenho e segurança. Suas baterias são
www.valisere.com.br recarregadas em tomadas comuns, de 110 ou 220 volts.
A preocupação ecológica está presente sem deixar de
lado o design e o conforto. www.motor-z.com.br
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

Pufes com design moderno e criativo, produzidos a partir de pneus


velhos, estão fazendo sucesso aqui e no exterior. Coloridos, confortáveis e
desenvolvidos a partir de parcerias com entidades comunitárias, os “pufes
ecológicos da Amazônia” têm em sua composição sementes, tecidos,
resíduos de madeira, fibras, cipó, cascas e folhas da flora local.
Tel.: (69) 9984-4569 pufecologico@hotmail.com 

32
O livro Experiências
empresariais em
sustentabilidade tem
A Interface Flor fabrica seus o objetivo principal
produtos preocupando-se de contribuir para a
com a sustentabilidade. discussão sobre como
Eles possuem hoje um fazer a transição para a
percentual que varia de 65% economia verde no Brasil
a 72% de conteúdo reciclado e no mundo, atingindo
pós-consumo. A meta da assim a sustentabilidade
empresa é zerar seu impacto corporativa.
ambiental até 2020. www.campus.com.br
www.interfaceflor.com.br

Economia verde: Descubra


as oportunidades e desafios
de uma nova era dos
negócios, de Joel Makower,
aborda o assunto com
exemplos e modelos para
a compreensão desse
complexo e lucrativo novo
segmento da economia.
www.editoragente.com.br

A Altenburg lança o primeiro travesseiro ecologicamente correto do


Brasil, o Ecofriendly. Em percal 200 fios, 100% algodão, o travesseiro
conjuga: fibras recicladas e recicláveis; tecido reciclável, sem a utilização
de processo químico de alvejamento e estamparia; e embalagem
também reciclada e reciclável. www.altenburg.com.br Economia ambiental :
Instrumentos econômicos
para o desenvolvimento
sustentável trata do
assunto sob a ótica
A lixeira tripla da marca Dynasty foi elaborada
de um economista e
para facilitar a reciclagem de plásticos,
é recomendado para
latas e papéis. Cada um dos três recipientes
estudantes de economia,
gira individualmente em um mesmo eixo.
políticos, ONGs e instituições
Empilhados, economizam espaço e são ideais
ligadas ao meio ambiente.
para casas e escritórios comprometidos com a
www.centauroeditora.com.br
sustentabilidade e o respeito pela natureza.
Loja Santa Helena: (11) 3089-7000.

VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

No livro A empresa
verde, Élisabeth Laville
mostra que, cada vez
mais, consumidores de
todo o mundo pautam
suas escolhas baseados
em questões como
o impacto ecológico
provocado pelas
indústrias e as condições
de trabalho
A Bunge apresenta ao mercado o creme vegetal na produção dos
Cyclus Nutrycell, que vem na primeira embalagem bens oferecidos.
biodegradável do Brasil. Proveniente de fonte www.bei.com.br
renovável, ela se decompõe em 180 dias.
Divulgação

www.saudecyclus.com.br
33
CONSUMO CONSCIENTE O jogo Novo Mundo, da Estrela, ajuda a
despertar a consciência ambiental nas crianças,
trazendo inovação para a tradicional linha de
jogos de tabuleiro. O objetivo é despoluir os
continentes que sofrem com a ação do homem.
Desde a caixa até as cartas são feitas de papel
reciclado. www.estrela.com.br

Brinquedos
que
funcionam
por meio de
energia solar
Investindo na sustentabilidade e ensinam às crianças
no respeito ao meio ambiente, os que é importante
móveis e objetos assinados pela Via economizar energia.
Flor propõem uma reutilização para a A Flor Solar se
madeira de demolição. Há várias ideias movimenta quando
criativas para compor uma requintada exposta à luz. Há ainda
decoração de Natal. Tel.: (11) 3045-1701 outras opções disponíveis
na importadora Quick Gone, como o Pescador
e a Porquinha Solar, que movimentam a cabeça
A Chic Chic é uma loja que quando iluminados pelo Sol. 
reúne trabalhos de designers www.quickgone.com.br
do mundo inteiro e que
também apoia projetos
socioambientais. Ela abre
espaço em suas prateleiras, As roupas eco friendly
por exemplo, para os da Chicletaria,
produtos da Coopamare, confeccionadas tanto
uma cooperativa de em algodão orgânico
catadores de lixo e como em malha
moradores de rua situada ecológica feita de
no bairro de Pinheiros, em fibra de bambu, Esta roupa de borracha
São Paulo. Eles transformam estão relacionadas a ecológica da Rip Curl é feita
garrafas de vidro em um sistema produtivo de um novo neoprene, que
criativos vasos cobertos livre de modificações usa cola não solvente no
com linhas coloridas. genéticas e da processo de laminação,
Chic Chic Lab de Criação. aplicação de pesticidas reduzindo em muito a emissão
Tel.: (11) 3507-7304. químicos. de poluentes químicos.
www.chicletaria.com.br É também sucesso
ao sensibilizar as pessoas
para a importância do
meio ambiente.
www.ripcurl.com.br
A preocupação ambiental
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

e a consciência ecológica
ganharam um aliado
lúdico. A Horta & Jardim
desenvolveu para as crianças
kits com vaso, pratinho,
semente, substrato orgânico
e modo de cuidar. Há três
versões: flores do campo,
girassol e trevo da sorte.
Estes mimos – baratinhos
– podem ser também uma
aula de cidadania e de
respeito pelo planeta.
www.hortaejardim.com

34
Primeira grife nacional 100%
orgânica, a Éden parte do
conceito da sustentabilidade
para definir o estilo da
marca. Usando plantas, flores
e sementes como pigmentos
naturais, através de pesquisas
avançadas consegue criar cores
inusitadas. O jeans da Éden, 
além de ser feito com algodão
100% orgânico, é colorido com
o anil extraído da plantação da
própria fábrica e é lavado com
açúcar, um abrasivo natural. 
Tel.: (11) 3816-9500 
A Orgânica utiliza madeira certificada em suas
embalagens e possui o selo FSC, a mais importante
certificação florestal do mundo. Pioneira no
desenvolvimento de produtos cosméticos
sustentáveis, tem kits que reúnem os itens mais A linha Earthkeepers, da Timberland, possui forte
conhecidos da marca. www.organicas.com.br apelo ecológico: os calçados possuem
forro interno à base de garrafas PET
recicladas, solado de borracha
reciclada e cadarço de algodão
orgânico. A empresa não usa
o PVC como matéria-
prima em nenhum
produto e exige
que os fornecedores
de couro, sejam
certificados por suas práticas ambientais.
www.timberland.com.br

O livro Eco Chic fala do impacto que


a fabricação de roupas exerce no
meio ambiente, na saúde humana e
no bem-estar animal. Mostra como
descobrir as marcas que tingem
jeans sem agredir o meio ambiente,
ensina como aproveitar melhor as
roupas e como conservá-las bonitas
e com cor por mais tempo. Além
A loja de instrumentos Reference Music Center trouxe para o Brasil a Eco X, disso, mostra como  os tecidos mais
bateria ecologicamente correta da DW Drums. Ela é feita de birch reflorestado comuns do mundo – algodão e
(madeira americana que está entre as preferidas dos bateristas) e de bambu. poliéster – influenciaram não apenas
Tem um som encorpado como o das baterias de birch tradicional. É a primeira nossos guarda-roupas, mas também a
linha de baterias ecologicamente correta do mercado. www.reference.com.br economia e a política mundial.
www.larousse.com.br

Feita em borracha,
a bolsa em forma
de galinha da
Q-Vizu é divertida
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

e acompanha a
moda de peças
e acessórios não
convencionais que
fazem referência a
temas ecológicos
O tênis ecológico da Naturezza tem
e que chamam
cada detalhe pensado pelo prisma da
a atenção para
sustentabilidade. O cabedal é feito em lona
o cuidado que
reciclada (50% de algodão reciclado, 35% de
devemos ter com os
poliéster PET e 15% de juta natural), o cadarço
animais e o planeta.
é de fios de juta reciclados e os ilhoses são de
www.qvizu.com.br
alumínio reciclado de latinhas de refrigerante.
A sola é uma mistura de cortiça reciclada e tem
um agradável aroma de andiroba, fruta típica
do Amazonas. O forro de tecido é tingido com
tinta à base de água.
www.naturezza.com.br 35
RODANDO TECNOLOGIA CO

COLETA NÃO AGRESSIVA E EFICIENTE


M SOLUÇÕES INOVADORAS

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www.rodotecltda.com.br
CADERNO DE RESÍDUOS

O Caderno de Resíduos é parte integrante da publicação e foi concebido com o intuito de


dar visibilidade a eventos relacionados ao tema da revista, colocando em pauta discussões
e informações sobre resíduos, sustentabilidade, meio ambiente e negócios correlatos.
O Especial RCD (Resíduos de Construção e Demolição) traz informações atualizadas sobre
destinação, novas tecnologias e também entrevistas com especialistas do setor, ressaltan-
do a importância da reciclagem e da aplicação de conceitos de melhor aproveitamento e
utilização de novos materiais na construção civil de qualquer porte e também nos grandes
projetos de infraestrutura.
Em se tratando de vitrine para as empresas, diversos eventos ligados a questões ambien-
tais vêm acontecendo nos últimos meses, evidenciando a tendência cada vez mais forte
de segmentação do mercado nos mais variados nichos e confirmando sua importância na
geração de negócios e disseminação de informações.
Nesta edição falamos de alguns eventos que ocorreram recentemente e também de
outros que devem acontecer em breve.
FIEMA – Feira Internacional de Tecnologia para o Meio Ambiente
FITABES – Feira Internacional de Tecnologias para Saneamento Ambiental
TUBOTECH / TERMOTECH – Feira Internacional de Tubos, Conexões e Componentes /
Feira Industrial de Tecnologias Térmicas
EXPOSUCATA – Feira e Congresso Internacional de Negócios da Indústria da Reciclagem
CIMAS – Congresso Internacional de Meio Ambiente e Águas Subterrâneas
FIMAI – Feira Internacional do Meio Ambiente Industrial e Sustentabilidade
EXPOCATADORES – Exposição e Feira de Negócios dos Catadores de Lixo
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

Além das matérias impressas aqui, temos conteúdo exclusivo no endereço www.rvambiental.
com.br. Visite nosso portal e cadastre-se para receber boletins semanais com informações atu-
alizadas. As matérias e assuntos abordados neste caderno não são exclusivos da entidade
apoiadora. Tratam de forma abrangente e isenta dos assuntos de interesse do nosso leitor.

38
Fiema Brasil
Negócios visando o meio ambiente Divulgação/Idovino Merlo

O s e c o n e g ó c i o s, q u e
reú­nem produtos e serviços
voltados às soluções para os
problemas ambientais ou que
proponham métodos mais ra-
cionais de exploração dos bens
naturais, crescem diariamente,
na medida em que se percebe
que a sustentabilidade é a úni-
ca chave para o futuro. Pois é
esse segmento do mercado o
foco da quarta edição da Fiema
Brasil (Feira Internacional de
Tecnologia para o Meio Am-
biente), que ocorre entre os
dias 27 e 30 de abril do ano que
vem. A chamada do evento já
está pronta: “Soluções para o
meio ambiente; quem tem,
quem busca... participa!” Fiema 2009: integração entre
O perfil das empresas pre- visitantes e expositores

sentes na Fiema Brasil segue


os três níveis envolvidos nos econegócios: Há tratativas semelhantes com as câmaras da
ecoindústria (produtos e serviços de despo- Itália e da Argentina.
luição ambiental), indústria alternativa (bens Simultaneamente à feira e paralelamente A Fiema Brasil
voltados à produção mais limpa) e ambien- ao ambiente de negócios, a Fiema Brasil 2010
talmente responsáveis (produtos e serviços promoverá uma série de eventos voltados ao 2010 promoverá
complementares, como gestão de resíduos e conhecimento e à tecnologia da área ambiental uma série
reciclagem). Ordenando a cadeia de negócios, a e de sustentabilidade. A extensa programação
de eventos
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

feira é segmentada em dez setores, como gestão inclui, por exemplo, o 2º Congresso Interna-
de efluentes líquidos, geração e conservação de cional de Tecnologia para o Meio Ambiente, voltados ao
energia e tratamento de emissões atmosféricas. a 2ª Jornada Técnica – Gestão Municipal, o 2º
São esperados mais de duzentos expositores, Prêmio Fiema e o 4º Viva a Natureza (de edu-
conhecimento
vindos de todos os pontos do País e do exte- cação ambiental). São eventos direcionados e à tecnologia
rior. Os organizadores apostam na superação aos diversos públicos que compactuam com a
da participação da edição de 2008, quando visão de futuro da Fundação Proamb – entidade
da área
estiveram presentes na feira representantes de voltada às questões ambientais e organizadora ambiental e de
17 estados brasileiros e de sete países.
Na área internacional já estão firmadas par-
da Fiema –, que é de se tornar uma plataforma
de sustentabilidade a partir da Serra Gaúcha.
sustentabilidade
cerias com as câmaras de comércio portuguesa, As informações completas a respeito da
britânica e alemã. Os acordos visam à partici- Fiema Brasil 2010 estão disponíveis no site oficial
pação de missões, consórcios e expositores. do evento (www.fiema.com.br).
39
CADERNO DE RESÍDUOS

RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO

Reciclar mais para


gerar menos
O setor de construção b) de construção, demolição, reformas e construção e demolição, publi-
reparos de edificações: componentes ce- cado pela Associação Nacional
civil é um dos maiores râmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de de Entidades Produtoras de
produtores de resíduos revestimento etc.), argamassa e concreto; Agregados da Construção Ci-
sólidos urbanos, o que c) de processo de fabricação e/ou de- vil (Anepac), hoje são mais de
molição de peças pré -moldadas em 60 municípios com gestão de
acarreta vários problemas concreto (blocos, tubos, meios-fios RCD implantadas e os grandes
para o meio ambiente etc.) produzidas nos canteiros de obras; centros demográficos do país
Classe B - são os resíduos recicláveis para ou- estão entre eles, o que comprova
e a sociedade em geral tras destinações, tais como: plásticos, papel/ melhorias no setor. O panorama
papelão, metais, vidros, madeiras e outros; também relata que o mercado
Por Tais Castilho Classe C - são os resíduos para os quais de usinas de reciclagem de agre-
não foram desenvolvidas tecnologias ou gados no Brasil, cerca de trinta,
A construção civil consome cerca de 50% de aplicações economicamente viáveis que está em pleno funcionamento,
todos os recursos naturais extraídos e também permitam a sua reciclagem/recuperação, contribuindo para a mudança
gera, nos municípios brasileiros, cerca de 60% tais como os produtos oriundos do gesso; do cenário conhecido até pouco
da massa de resíduos sólidos urbanos. Com o Classe D - são os resíduos perigosos oriun- tempo atrás. Um terço dessas
estabelecimento de políticas públicas, normas, dos do processo de construção, tais como: trinta usinas são privadas e com-
especificações técnicas e instrumentos econômi- tintas, solventes, óleos e outros, ou aqueles provam a viabilidade econômica
cos para solucionar os problemas resultantes do contaminados oriundos de demolições, re- do setor.
manejo inadequado dos Resíduos da Construção e formas e reparos de clínicas radiológicas,
Demolição (RCD), grandes mudanças estão sendo instalações industriais e outros. TRAJETÓRIA DOS RCD
constatadas neste setor. A Resolução nº 307 do 1. Triagem: deve ser realizada
Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), A partir dessa classificação, quem trabalha no na obra e respeitar a classifi-
de 5 de julho de 2002, estabeleceu diretrizes para setor deve ter como objetivo não gerar resíduos, cação do Conama (de acordo
a gestão dos resíduos da construção e demolição, mas, se gerar, deve cuidar de sua reutilização, com as classes A, B, C e D);
direcionando responsabilidades para os geradores reciclagem e destinação final correta. Cada mu- 2. Acondicionamento: arma-
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

de RCD, tanto do poder público como da iniciativa nicípio tem a responsabilidade de estabelecer zenar corretamente até que
privada, e também definiu e classificou aquilo que, ações para que seja cumprida a resolução do seja transportado;
na linguagem popular, é chamado de “entulho”. Conama. Inclusive, deve disponibilizar uma área 3. Transporte: de acordo com
própria para o depósito desse tipo de material, suas características e com as
MAS O QUE SÃO OS RCD? já que, de forma nenhuma ele pode ir para os normas técnicas específicas;
Conforme o Art. 3º da Resolução, eles aterros comuns. 4. Destinação: conforme as
são classificados em: Segundo o novo panorama para resíduos da quatro classes estabelecidas.
Classe A - são os resíduos reutilizáveis ou
recicláveis como agregados, tais como:
a) de construção, demolição, reformas
e reparos de pavimentação e de ou-
tras obras de infraestrutura, inclusive
solos provenientes de terraplanagem;
40
Fotos: Divulgação/Creta Tecnologias de Reciclagem
Cristovam Peres e
Guilherme Pacher, diretores Usina projetada pela
da Cretatec, em uma Cretatec economiza
das usinas idealizadas recursos naturais
pela empresa transformando resíduos

BENEFÍCIOS DA RECICLAGEM E DO BOM a mudança do cenário de degradação que os


APROVEITAMENTO DOS MATERIAIS resíduos causam. A reciclagem contribui reapro-
Os resíduos da construção civil e demolições veitando material já retirado do meio ambiente, no
representam mais de 60% do lixo produzido nas caso, matérias-primas finitas como, por exemplo,
cidades brasileiras, segundo dados da Secretaria pedras retiradas de pedreiras ou areia em leito de
Nacional de Saneamento, do Ministério das Cida- rios. Projetos mal elaborados, obras inacabadas e
des. Esse percentual corresponde a 90 milhões de abandonadas, materiais de qualidade duvidosa,
toneladas de lixo por ano, que deveria ter um des- transporte ou armazenamento inadequado, mão
tino correto. Enquanto na Holanda 90% dos RCD de obra inexperiente e até mesmo as conhecidas A reciclagem e o
são reutilizados, no Brasil esse número é de apenas reformas que substituem materiais de construção
1%, segundo dados da empresa de consultoria gerando quantidades enormes de entulho são reaproveitamento
em gestão de resíduos Informações & Técnicas. algumas das causas do desperdício. do entulho,
A empresa também estimou que a construção Investir na implementação de uma gestão
civil produz cerca de 17 mil toneladas de entulho limpa e saudável na área de RCD é fundamental assim como a
por dia só na cidade de São Paulo, sendo que para o meio ambiente e para a economia dos diminuição do
80% desse total vem de pequenas construções e municípios, que passam a gastar menos recursos
obras de reforma. O estudo revela que a maioria em coleta, limpeza de bueiros e tratamento de
desperdício de
dos RCD são despejados em pontos irregulares da doenças. Atualmente, a quantidade de resíduos materiais de
cidade, mais de 1,4 mil. Os próprios responsáveis gerados é considerada grande, ocupando muito
pelas obras contratam carroceiros que recolhem espaço nos aterros; seu transporte, em função do
construção, são
o entulho e abandonam a carga em canteiros volume e do peso, é bastante caro. A reciclagem e fundamentais
centrais de avenidas, praças, calçadas, terrenos o reaproveitamento dos RCD são extremamente
para a mudança
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

baldios, margens de rios e ruas, entre outros. As importantes para controlar e atenuar os problemas
consequências são desastrosas para o meio am- ambientais, assim como para produzir diversos do cenário de
biente e para a sociedade em geral. materiais de valor agregado. degradação
Os entulhos são responsáveis por: enchentes,
já que entopem bueiros; poluição dos rios, pois as RECICLAR: A MELHOR OPÇÃO que os resíduos
chuvas os levam até as margens e os leitos fluviais; PARA POUPAR E PROSPERAR causam
poluição visual (caçambas irregulares e restos de “Uma usina básica para a reciclagem de resí-
construção no meio das ruas); criação de vetores duos de construção e demolição é constituída por:
que causam epidemias e doenças como a dengue; alimentador vibratório, britadores, transportadores
entre outros. de correia e peneira classificatória (os quais devem
A reciclagem e o reaproveitamento do entu- ser dimensionados ao volume a ser processado),
lho, assim como a diminuição do desperdício de e, caso seja necessário, equipamento para lava-
materiais de construção, são fundamentais para gem dos agregados reciclados”, explica Cristovam
41
CADERNO DE RESÍDUOS

Caminhões recolhem
entulho diariamente

Depois de vários
processos, os RCD viram
areia grossa e pedrisco

Peres, diretor comercial da Creta Tecnologias de de construção civil”. Cristovam diz ainda que,
Reciclagem – empresa formada inicialmente por utilizando equipamentos usados, o valor pode
uma equipe de universitários com o objetivo de cair para R$ 600 mil; mas uma usina de última
pesquisar, desenvolver e colocar em prática so- geração, com tecnologia importada, pode chegar
luções viáveis, simples e eficientes de redução, a R$ 3 milhões.
gerenciamento, reciclagem e reutilização dos Segundo ele, “para se montar uma usina é
resíduos de construção civil, entulho e outros necessário, antes de tudo, muita boa vontade”.
resíduos industriais. Entre as principais ações da É preciso ter um projeto bem elaborado pela A usina de São
Creta estão a elaboração de projetos de usinas de prefeitura local, ter uma gestão de resíduos de
reciclagem de RCD, gestão de resíduos em canteiros construção implantada, parcerias com construto-
José do Rio Preto
de obra (para construções e demolições), monitora- ras para realizar a triagem em canteiros de obras, tem capacidade
mento da eficiência e desperdício de materiais em e transportadores e caçambeiros orientados a
construções utilizando Tecnologia da Informação, encaminhar o material até a usina de reciclagem.
para reciclar,
além de estudos de viabilidade para reutilização “É extremamente importante haver um mercado diariamente,
de resíduos construtivos em aplicações específi-
cas e ensaios mecânicos em materiais cerâmicos
já desenvolvido para absorver todo o material
reciclado pela usina, o que não é pouco. O ideal
320 toneladas
reciclados ou naturais. seria a prefeitura local absorver esse material na de resíduos da
Os valores para se montar uma usina de pavimentação e recuperação de ruas, obrigando
construção civil
reciclagem ainda são altos, apesar de já terem que ele seja utilizado em todo quilômetro de
baixado muito. “O preço varia dependendo da rua construído. Assim, o volume utilizado seria
destinação do produto final, mas a planta bási- grande e o retorno para a sociedade seria men-
ca, com equipamentos novos, fica em torno de surável”, salienta.
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

R$ 1 milhão para um processamento a partir de De maneira bastante ampla, “os resíduos po-
50 toneladas por hora, incluindo infraestrutura dem ser aplicados na construção civil sem preju-

O cimento verde está aí!


Novacem é o nome de uma empresa de sustentabilidade da madeira e o poten- Ao contrário do cimento Portland, seu pro-
tecnologia sediada em Londres que está cial de reciclagem dos metais com as pro- cesso de fabricação requer temperaturas
desenvolvendo a nova geração de cimento priedades térmicas típicas do concreto. O mais baixas e emite mínimas quantidades
verde. Seu objetivo é ajudar a combater uso desse material, portanto, minimiza as de CO². O cimento verde endurece através
o aquecimento global aprisionando mo- emissões de CO² durante a construção e o da absorção de CO² na atmosfera e, com
léculas de CO² atmosférico nos próprios funcionamento da obra. O novo sistema de isso, mostra que é possível se desenvolver
materiais de construção. Para produzir cimentos recicláveis é baseado em óxido uma série de produtos para construção
o cimento verde, a Novacem combina a de magnésio e aditivos minerais especiais. “carbono negativos”.

42
Pesquisa
Um concreto mais forte, seguro

Fotos: Divulgação
e ecologicamente correto
Um rejeito das termoelétricas a carvão
pode ser usado para tornar o concreto mais
forte, seguro e com menos emissão de dióxido
de carbono. Os pesquisadores que estão tra-
balhando no projeto dizem que essa tecnolo-
gia pode “revolucionar a indústria mundial da
construção” e esperam levar a tecnologia para
testes de escala industrial e comercialização.
Tratando seus resíduos, O cientista de materiais Willian Rickard e seus
Rio Preto economiza mais
colegas da Curtin University, em Perth, na
de R$ 100 mil por mês em
manutenção pública Austrália, usaram o rejeito conhecido como
fly ash (cinza da queima do carvão) para criar o
concreto. “O maior benefício de usar cimentos
de polímeros de cinza do carvão é que eles
mantêm sua resistência a temperaturas acima
ízo algum de qualidade, desde triturado e preparado pode ser utilizado em pa- de 1.200 °C, enquanto cimentos tradicionais
começam a perder sua resistência a cerca de
que não tenham função estru- vimentação, operações tapa-buraco, construção 600 °C. Em caso de incêndio, a construção
tural”, alerta Cristovam. Resíduos civil, entre outros. feita com cimento tradicional pode perder
como cerâmica, blocos, concre- sua resistência e vir abaixo. Construções com
o concreto de cinzas do carvão têm chances
tos, pisos e azulejos podem ser EXEMPLOS DE SUCESSO melhores de sobreviver a um incêndio”, diz
transformados em agregados São José do Rio Preto fica na região noroeste Rickard. A cada ano, ocorrem cerca de cem
reciclados como areia, pedris- do Estado de São Paulo, a 450 quilômetros da mortes e três mil ficam feridos devido a in-
cêndios que atingem estruturas na Austrália.
co, brita e bica corrida. “Esses capital. Com cerca de 420 mil habitantes, a eco-
Outra aplicação, segundo o cientista, seria a
agregados são utilizados como nomia do município é voltada para a agricultura, utilização do cimento com cinza do carvão
base e sub-base de pavimen- comércio e indústria. Mas não é isso que faz de Rio na construção de túneis. “Na Europa, houve
tação, concreto para ser usado Preto, como é conhecida, uma cidade especial. Em casos de túneis em colapso durante incêndio.“
Mais de 600 milhões de toneladas de cinzas
em guias, sarjetas, mourões, setembro de 2005, o governo municipal implantou são produzidas anualmente no mundo como
blocos de vedação e em outras a usina de reciclagem de resíduos da construção rejeito da queima do carvão em termoelétri-
aplicações menores, como no civil com responsabilidade ambiental e economia cas. O novo cimento vai tornar o rejeito em
algo útil, acabando com a necessidade de
paisagismo”, afirma. O material de até 100 mil reais por mês com a manutenção da ser posto em aterros. Ao mesmo tempo em
reciclado ainda pode ser mui- cidade. “Seu principal ganho foi ambiental, pois o que recicla, o cimento produzido com cinza
to útil para o controle de ero- entulho que antes era jogado nas margens de rios, será bom também para o meio ambiente,
pois ele libera 80% menos dióxido de carbo-
sões, recuperação de estradas áreas verdes, mananciais, entre outros locais, hoje
no que o cimento comum. Pode fazer uma
rurais e pavimentação (bloque- é utilizado de forma inteligente, gerando econo- grande diferença em escala mundial, já que,
tes para pisos intertravados). mia e empregos”, explicou Ana Silvia Casagrande, hoje, de 5% a 8% da emissão de carvão no
Extremamente vantajoso, o uso arquiteta e coordenadora da usina. mundo vem da fabricação do cimento tradi-
cional. Sua produção exige que calcário seja
dos materiais reciclados chega Antes da implantação da usina, os RCD eram queimado. O novo cimento é diferente. “É
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

a gerar uma economia de até depositados em mais de 1,4 mil pontos clandes- um polímero inorgânico com uma química
30% em relação a similares com tinos, sujando a cidade e causando desequilíbrio diferente do cimento tradicional, já que não
é baseado no cálcio”, diz Rickard. “A produ-
matéria-prima não reciclada, ambiental. Segundo Ana Silvia, hoje esses pontos ção de uma tonelada de cimento Portland
dependendo dos gastos indire- não passam de doze. “A população sabe dos locais libera uma tonelada de dióxido de carbono”.
tos e da tecnologia empregada apropriados para o descarte, mas infelizmente O cimento proposto por Rickard exige menos
energia e a reação química não libera dióxido
nas instalações de reciclagem. alguns não cumprem. São dezessete pontos de
de carbono. Adicionar cinza do carvão não
No entanto, não há dúvida de apoio onde o munícipe pode depositar até 1 m³ é uma concepção nova. O uso da cinza em
que será sempre mais benéfico de entulho e materiais que não utiliza em casa”. cimento geopolímero é baseado num conceito
para o meio ambiente. Grandes Os caçambeiros (Associação dos Camçabeiros) são diferente. “No cimento Portland, a cinza é
usada simplesmente como preenchimento,
pedaços de concreto podem os responsáveis por recolher os resíduos desses enquanto no cimento geopolímero, a cinza
ser empregados para conter pontos. “Quase 80% dos materiais são recolhi- do carvão é componente crítico, já que é de
processos erosivos na orla dos diariamente nos pontos de apoio”, ressalta onde a resistência vem”, diz Rickard.
marítima, enquanto o entulho a coordenadora.
43
CADERNO DE RESÍDUOS

Com capacidade para reciclar 40 toneladas trouxe sérios problemas ambientais e sociais tal paulista, onde os materiais
por hora, ou seja, 320 toneladas por dia, o muni- para a cidade de São Paulo. Para atenuar esse recolhidos passam por uma
cípio consegue reciclar quase 50% dos resíduos problema, a prefeitura do município desenvolveu triagem. Aqueles de origem
produzidos por dia na cidade, uma média de 750 um projeto através da Secretaria de Serviços (SES) mineral, como concreto, arga-
toneladas. Todo material produzido é usado exclu- criando áreas chamadas de Ecopontos, onde os massa e alvenaria, são encami-
sivamente na manutenção pública de Rio Preto. pequenos geradores podem depositar resíduos nhados para aterros de inertes;
O primeiro passo para a reciclagem é a triagem da construção e demolição, entre outros. o rejeito é levado para aterros
dos entulhos e a retirada dos materiais contami- Atualmente, são 37 Ecopontos onde a popu- sanitários; e o resíduo reapro-
nantes. Depois de vários processos, a usina produz lação pode depositar voluntariamente pequenos veitável é comercializado.
a bica corrida. Esse material é utilizado na pavi- volumes de entulho como, móveis velhos, podas Fora os Ecopontos, as subpre-
mentação ecológica de estradas rurais de terra. Já de árvores, resíduos de construções e reformas, feituras realizam a chamada Ope-
os materiais nobres, que são produzidos à base de além de materiais recicláveis. Caçambas distintas ração Cata-Bagulho, recolhendo
concreto (pisos, blocos, entre outros), depois de para cada tipo de resíduo estão alocadas nos dos bairros restos de madeira,
reciclados dão espaço a um material rico e bas- pontos, sendo que a única limitação é de que pneus usados, móveis quebrados
tante utilizado: os agregados (areia grossa, brita e o volume não exceda 1 m³. e eletrodomésticos danificados.
pedrisco). Estes serão os responsáveis por cerca de Segundo dados do Departamento de Lim- Também há um caminhão que
trinta tipos de produtos para uso em construção peza Urbana (Limpurb), 10% de todos os ma- realiza a Operação Arrastão, pas-
civil e manutenção de obras da própria prefeitura. teriais entregues em canteiros de obras são sando em grandes avenidas e em
Entre as obras estão: guias e sarjetas de ruas, lajes desperdiçados, e, todos os meses, o Limpurb pequenos pontos viciados para
diversas, tampas para bueiros, blocos, tampas e recolhe cerca de 144 mil m³ de entulho. Extra- recolher vários tipos de material
caixas de luz, tubos, areia grossa, pedrisco, brita, oficialmente, estima-se que essa quantidade (madeiras, móveis, entre outros)
poste de alambrados e até bancos de praça. seja três vezes maior. Dos materiais descartados, de origem desconhecida. Só na
65% são produtos inertes como argamassas, região da Subprefeitura de Ja-
ECOPONTOS: O INÍCIO DE UM NOVO CICLO concretos e telhas. çanã/Tremembé, já foram reco-
O entulho depositado em pontos clandes- Os resíduos seguem para uma das cinco lhidas 902 toneladas de material
tinos e ilegais como avenidas, ruas e praças, já Áreas de Transbordo e Triagem (ATTs) da capi- em 2009.

Economia de matéria-prima: o meio ambiente agradece


A Sudeste, empresa especializada
em construção de pré-fabricados, lan-
çou o método das paredes duplas, uma
tecnologia automatizada que diminui as
emissões de CO² na atmosfera. O diretor da
empresa, Fabio Casagrande, explica que
o sistema construtivo de paredes duplas
pré-fabricadas dispensa acabamento e
permite customização. “Não há desperdí-
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

cio na obra, o canteiro é limpo e o processo


construtivo é muito mais eficiente. Uma
casa que levaria meses para ser erguida
no sistema tradicional leva apenas pou-
cas horas para ficar pronta no sistema de
montagem.” Além de ser uma alternativa
ecologicamente correta para cobrir o défi-
cit habitacional, o sistema pode ser usado
na construção de escolas, indústrias e até
presídios. As paredes são paralelas, com As paredes são desenhadas em uma
grandes vãos, que podem ser concretadas forma por um sistema a laser, de forma
automatizada, que permite a projeção
ou preenchidas com material que bloqueia
de peças 100% personalizadas. Cada
a comunicação por celulares, por exemplo, peça (parede ou laje) pode ter até
ou por resíduos de pneus agregados ao 13,30 x 3,20 m de tamanho e 37 cm
concreto, evitando o descarte desse ma- de espessura, e todas dispensam
terial em áreas impróprias. acabamentos como a massa fina.

44
Exposucata 2009
Segmento antes

Divulgação
desconsiderado
mostra-se grande
gerador de negócios
Por Susi Guedes

É bem recente o conceito de que a reciclagem


pode ser um bom negócio. Há menos de duas dé-
cadas, poucos se arriscavam a apostar no segmento
e a atividade era marginalizada. O crescimento
veloz, aliado a novas tecnologias e a uma postura
preservacionista, mudou esse cenário.
Equipamentos de grande porte
A Exposucata 2009 deu provas desta mu- foram apresentados na feira
dança de postura. Realizada entre 8 e 10 de
setembro, recebeu um público qualificado, com Souza, gerente comercial da Imavi. e pretendemos voltar no ano
interesses específicos nos produtos e serviços “Realizamos bons contatos, inclusive com a que vem”. Nicolas B. Palazzo,
oferecidos pelos expositores nacionais e estran- possibilidade de ampliar negócios para clientes diretor da Oficina de Caçambas.
geiros, vindos da França, Bélgica, Nova Zelândia, que comercializam entulho ou resíduos de cons- “Entramos no mercado brasi-
Espanha, Itália, Alemanha, Dinamarca, Canadá trução. Concretizamos a venda de uma prensa- leiro este ano como represen-
e Estados Unidos. tesoura, que corta sucata metálica de até 90mm tante da marca dinamarquesa
Compartilhando conhecimento e aprofun- de espessura, e possui uma unidade hidráulica nos segmentos de reciclagem
dando discussões, palestras abordaram temas integrada ao equipamento. Investimos constante- de pneus, cabos de aço, compo-
abrangentes, desde o correto gerenciamento mente em pesquisa e desenvolvimento de novos nentes eletrônicos e alumínio.
empresarial de sacolas plásticas e resíduos de produtos, e cerca de 60% das nossas vendas são A Exposucata abriu excelentes
construção e demolição até a visão do mercado de focadas em soluções sustentáveis”. Everson Cre- contatos com um público real-
papel reciclado sob a nova norma da Associação monese, vice-presidente da área de reciclagem mente interessado em conhecer
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). na América do Sul da Metso. nossos produtos”. Luis Carlos
O sucesso da exposição foi explicado nos se- “É a primeira vez que participamos e estamos Rossi, diretor da Eldan.
guintes depoimentos: muito satisfeitos. Além de prospectar clientes, “É a primeira vez que parti-
“Este ano a feira teve uma visitação mais qua- nosso objetivo foi mostrar ao mercado que a mar- cipamos. Estreitamos contatos
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

lificada. Vendemos para uma empresa brasileira e ca está retomando os investimentos no setor de com os profissionais do setor de
outra argentina e prospectamos negócios futuros. reciclagem florestal com a linha de guindastes reciclagem e temos grandes pos-
A expectativa é ampliar nossa participação na hidráulicos Epsilon, que atualmente representa sibilidades gerar novos negócios
indústria de sucata ferrosa e não ferrosa”. Hugo 10% das vendas da empresa”. Evaldo Oliveira, daqui a alguns meses”. Oacyr
Brochiero, gerente de vendas para América do gerente de produto para reciclagem florestal da Gava, diretor da Primaplast.
Sul da Sierra. Madal/Palfinger. Participantes e visitantes
“Foi estratégico participar da feira, pois ficamos “A feira nos surpreendeu pela qualificação do tiveram uma enorme sinergia.
um tempo afastados do mercado de reciclagem. público. Apesar da crise, o mercado de reciclagem Além das informações, bons
Conseguimos fechar negócios da ordem de R$ 350 tem muito espaço para crescer e o produto caçam- negócios foram a tônica do
mil e abrimos novos contatos comerciais. A meta ba vem acompanhando esta evolução. Atendemos evento, que, promovido pela
para 2010 é ampliar a participação nos setores clientes de diversos segmentos da indústria de EcoBrasil Editora, tem contribuí-
agrícola e de reciclagem, com a venda de equi- sucata, sendo os de madeira e lixo os mais impor- do para o crescimento do setor.
pamentos para movimentação de carga”. Gonçalo tantes para nossos negócios. Foi a nossa estreia Ano que vem tem mais.
45
CADERNO DE RESÍDUOS

Fitabes 2009
Neste ano a cidade escolhida

Divulgação/Carlos Berg
para receber a Feira
Internacional de Tecnologias
de Saneamento Ambiental
foi Olinda (PE)
Acima, cerimônia
Por Susi Guedes de abertura do
Congresso de
A Feira Internacional de Tecnologias de Sane- Engenharia Sanitária
e Ambiental. Ao
amento Ambiental (Fitabes) ocorreu entre os dias lado, apresentação
20 e 24 de setembro, no Centro de Convenções de de dança tipica e a
abertura da feira,
Pernambuco, em Olinda. Nesse período, o evento com a presença do
recebeu cerca de oito mil visitantes, que puderam governador Eduardo
Campos e de Cassilda
conhecer lançamentos, produtos e serviços de 232 Teixeira, presidente
expositores, empresas com atividades ligadas a nacional da Abes
água e esgoto, resíduos sólidos, equipamentos,
controle e proteção ambiental.
As discussões levantadas, principalmente as os custos e eliminar as perdas”, diz Bruno Valenti, A Alpina Saneamento, que
que tratam de novas tecnologias, problemas de analista de marketing e comunicação da Itron, desenvolve estações compac-
investimento e infraestrutura, serviram como base fornecedora de medidores de eletricidade, gás, tas de tratamento de efluentes,
de reflexão, e, além de fazerem o setor pensar em água e calor. levou para a feira um professor
soluções, elas geraram negócios. “Nossa tecnologia é própria e esse é o nosso venezuelano da Universidad Ca-
Organizada pela Fagga Eventos, a feira se desta- principal diferencial”, conta Sergio Xavier, diretor rabobo, Rafael Dautant, criador
ca como vitrine, segundo Cláudia Leon, gerente da comercial da Glass Bombas. Além dos produ- dos DBR (discos biológicos rota-
empresa: “Temos várias empresas expositoras que tos tradicionais, a empresa apresentou algumas tivos), que possibilitam o reuso
trazem novos conceitos, produtos e equipamentos novidades, como a válvula multijato e a válvula da água. “Estudei a tecnologia na
para o setor. Além de ser uma oportunidade para esfera para água. Venezuela e a trouxe para o Brasil
atualização, qualificação profissional e intercâm- De acordo com Estevão Lopes, gerente de pro- há seis anos”, comenta.
bio comercial, é uma feira pensada também para dutos da AVK – empresa de origem dinamarquesa Para a assessoria de comu-
conscientizar e sensibilizar a população em relação que está no Brasil há dois anos –, estar na Fitabes nicação da Beraca, empresa que
aos problemas do meio ambiente”. foi essencial para fazer bons contatos. “É a nossa atua no segmento de tecnolo-
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

Participar de feiras é uma estratégia muito eficien- primeira participação e tivemos a oportunidade gias para água, o Global Service
te, e muitas empresas as veêm como ferramenta de de mostrar nossos produtos para muitos clientes foi a grande inovação levada à
marketing e fonte de novos negócios. Isso transparece em potencial”, afirmou. Fitabes. Trata-se de uma modali-
no depoimento de alguns expositores. De origem francesa e com filial em Pernambu- dade de serviço para tratamento
“Grande parte das perdas está relacionada co, a Sappel apresentou sua linha de hidrômetros. de água já implantada em sete
ao uso de equipamentos como, por exemplo, “Trouxemos para a feira o Hydrus, que é um medi- estados brasileiros e que tem
válvulas de redes de distribuição, que, quando dor volumétrico com sistema de radiofrequência como principal triunfo ajudar os
apresentam imperfeições, podem ocasionar gran- integrado, bem preciso na leitura. Temos também municípios a cumprir a Lei de
des vazamentos”, explica Carlos Alberto Torres, o Altair V4 em composite, medidor volumétrico Responsabilidade Fiscal, uma vez
engenheiro da Saint-Gobain. que suporta altas vazões, permite maior fatura- que toda a tecnologia envolvida
“Não só vendemos a nossa tecnologia, mas mento para empresas de água e menor impacto não é cobrada, somente o uso
servimos de consultores. Queremos mostrar para ambiental”, disse Karina Oliveira, assessora exe- do serviço.
nossos clientes qual é a melhor forma de reduzir cutiva da empresa. Já a norte-americana John-
46
Campeonato de
operadores

lhos do último dia do evento e


também no 25° Congresso Bra-
sileiro de Engenharia Sanitária e
Ambiental. O congresso aconte-
ceu junto à Fitabes e reuniu pre-
sidentes de sete seccionais da
Abes (Associação Brasileira de
Engenharia Sanitária e Ambien-
tal), além de Cassilda Teixeira,
presidente nacional da entida-
de. “Abordamos alguns assuntos
pela primeira vez, como mu-
danças climáticas e gestão de
águas urbanas”, conta Cassilda.
Todos esses representantes
Vista geral da Abes estiveram presentes
do evento
com o objetivo de discutir as
expectativas para o ramo de
son Screens levou à feira a linha WHT de bombas Tristimulus, um equipamento que faz a análise da saneamento até 2020. “Após
helicoidais de superfície Geremia. Os equipamen- cor das águas nas estações de tratamento. "Só nos assinadas, as moções serão
tos dessa linha operam com vazão de até 380 m³/h, dois primeiros dias da feira, fechamos cerca de 70 encaminhadas para os devidos
pressão de até 160 kgf/cm² e com fluidos viscosos pedidos de cotações; esse resultado é importante ministérios federais. Aposto na
e abrasivos a temperaturas de até150 ºC. Eles fo- e mostra que a Fitabes, sendo capaz de atrair um aprovação da grande maioria
ram projetados para aumentar o desempenho de volume tão grande de negócios, se firma como a dos projetos dentro dos próxi-
produtivo das empresas. maior feira do segmento”, declara Raphael Costa, mos seis meses”, finaliza.
A novidade da PoliControl, empresa que tra- gerente de marketing e vendas da empresa. A próxima edição da Fita-
balha no setor de controle de qualidade de águas Discussões importantes e análises de perspec- bes é em 2011, em Porto Ale-
nas empresas de saneamento básico, foi o Cor tivas para o setor tiveram prioridade nos traba- gre (RS).

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CADERNO DE RESÍDUOS

Meio ambiente subterrâneo


Contaminação do solo ocorre de maneira quase invisível
Por Susi Guedes Cabeças, Urucuia-Area-

Fotos: Divulgação
Mesa
do, Furnas, Itapecuru e diretora
Quando se fala em meio ambiente subterrâ- Bauru-Caiuá, todos eles da Abas e
neo, muitas vezes não se pensa na amplitude da protegidos por boas leis palestrantes
do Cimas
questão. Parece algo distante, sem relação com ambientais, mas que pre-
os assuntos considerados mais relevantes para a cisam ser modernizadas.
preservação da natureza. Engano comum come- Elas continuam sendo
tido por leigos. discutidas e melhoradas,
As indústrias químicas – bem como as que se talvez não com a rapidez
utilizam de processos químicos na linha de pro- necessária e desejada,
dução – e os postos de combustíveis estão entre mas poderia ser pior. Há
os maiores poluidores, mas atividades como a um esforço comum na
agricultura, a mineração e a construção também preservação destes reserva-
podem causar danos ao solo, ao subsolo, aos len- tórios. Ocorre, porém, que
çóis freáticos e aos aquíferos. nem sempre a legislação
De forma consciente ou não, por ação ou por se mostra eficiente, pois a
omissão, vários setores acabam afetando o espaço preservação depende
que ocupam – às vezes, até áreas muito maiores. também de fiscalização,
Vazamentos, resíduos de produção, agrotóxicos e educação e novas tecno-
afins se infiltram no solo e no subsolo, impactan- logias, além de viabilidade
do-os negativamente, de maneira leve ou inten- técnica, vontade política,
sa, gradualmente ou de maneira súbita. Algumas mão de obra especializada
Plateia dos
empresas se preocupam com a prevenção ou com e investimentos. seminários
a solução do problema fazendo trabalhos admi- A primeira edição des-
ráveis nesse sentido. Mas, infelizmente, elas ainda se congresso internacional Fenágua: integração
são raridade. se mostrou um excelente entre empresas e
participantes do
Pensando nisso, no compartilhamento de catalisador de ideias e solu-
congresso
pesquisas e na disseminação de conhecimento, ções, bem como multiplica-
a Associação Brasileira de Águas Subterrâneas dor de informações e vitrine
(Abas) realizou, de 15 a 18 de setembro, na Fe- de novas tecnologias. Com
deração do Comércio do Estado de São Paulo, mais de cem trabalhos aca-
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

o I Congresso Internacional de Meio Ambiente dêmicos recebidos e tendo


Subterrâneo (Cimas), que contou com mais de em paralelo a Fenágua, que
500 participantes. Especialistas de vários estados reuniu empresas e clientes
brasileiros e de países como Canadá, Alemanha, num espaço concorrido e fa-
Equador, Colômbia, Espanha, Uruguai e Estados cilitador de negócios, o Cimas
Unidos estavam todos dispostos a discorrer so- foi eficaz em seus propósitos
bre questões de extrema importância, entre elas, e demonstra a necessidade de se cuidar de cada (Coordenação de Aperfeiço-
contaminação e diagnóstico de solos e águas sub- um dos pontos que se entrelaçam e constituem o amento de Pessoal de Nível
terrâneas, legislação, responsabilidades, gestão e planeta que devemos preservar. Superior), da Essencis Solu-
políticas de prevenção. Organizado pela Acqua Consultoria, o I Ci- ções Ambientais, da Geosol e
O Brasil está entre os países com maior re- mas teve patrocínio da Agência Nacional de o apoio institucional de mais
serva subterrânea de água no mundo. Temos Águas, do Ministério do Meio Ambiente, do 26 empresas e organizações
sete principais aquíferos: Guarani, Alter do Chão, Fundo Setorial de Recursos Hídricos, da Capes públicas e privadas.
48
Tubotech e Termotech

Grande visitação

Divulgação
comprova sucesso de
feiras segmentadas

Por Susi Guedes De acordo com dados da Associação Brasileira da transformação. Na indústria, os
Indústria de Tubos e Acessórios de Metal (Abitam), o processos térmicos aparecem na
Eventos segmentados tornam-se cada vez Brasil tem capacidade instalada para produzir cerca metalurgia, cerâmica, plásticos,
mais comuns. O mercado exige isso, e a indústria de 4,3 milhões de toneladas de tubos de aço por ano. agroindústria, siderurgia, quími-
se prepara e disponibiliza novidades voltadas para Em 2008, a produção foi de aproximadamente 2,2 ca, petroquímica, cimenteiras,
o atendimento específico das necessidades de milhões de toneladas, com faturamento de US$ 5 automotiva em geral, fundição,
cada segmento e atividade. Um bom exemplo bilhões – mais de 350 mil toneladas foram vendidas forjarias, soldagem, entre outras.
dessa segmentação são as feiras Tubotech e Ter- para o exterior, rendendo US$ 679 milhões. Na área de serviços, podemos
motech, que aconteceram de 6 a 8 de outubro no Paralelamente ao evento, aconteceram tam- citar hospitais, lavanderias, ho-
Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo. bém: a Metaltech (Feira Industrial de Tecnologias telaria, termas, beneficiamento
Em três dias, elas receberam16,5 mil visitantes, em Metais), a Expobombas (Feira Internacional de de metais e até residências, en-
ocasião em que houve sinergia entre as empresas Bombas, Motobombas e Acessórios), a Expovál- globando desde fogões e aque-
expositoras e os visitantes em busca de lançamen- vulas (Feira Internacional de Válvulas Industriais e cedores até chuveiros e ferros de
tos e soluções direcionadas. Acessórios) e o Techshow (Jornada de Tecnologia passar roupa.
A Tubotech (Feira Internacional de Tubos, dos Expositores). O que chama a atenção é que
Conexões e Componentes) recebeu profissionais Já a Termotech (Feira Industrial de Tecnologias cada vez mais se percebe gran-
das áreas de petróleo, gás, automóveis, cons- Térmicas), que abrigou ainda a Joterm (Jornada de preocupação para que essas
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

trução, infraestrutura e bebidas, bem como dos de Atualização em Tecnologias Térmicas), reuniu novas tecnologias tenham apli-
setores químico, petroquímico, farmacêutico, fabricantes de aquecedores, caldeiras, fornos in- cação prática no cotidiano das
entre outros. Ela movimentou cerca de R$ 600 dustriais, revestimentos monolíticos, cerâmicas, indústrias e da sociedade, mas
milhões em negócios. resistências elétricas, queimadores, entre outros. que também encontrem pontos
Aplicados aos mais variados segmentos, tu- Simultaneamente à Termotech ocorreu também a de relevância na diminuição do
bos, conexões e componentes estão, de uma Feigás (Feira Industrial do Gás), objetivando aten- impacto ambiental, seja na fase
forma ou de outra, presentes no dia a dia de toda der ao grande número de empresas da cadeia de produção ou na utilização dos
a sociedade, sendo utilizados, por exemplo, na relacionada ao gás industrial. Na próxima edição produtos apresentados.
indústria de bebidas e produtos alimentícios, na os organizadores pretendem agregar ainda a Fe- A próxima edição dos even-
fabricação de automóveis, aviões e navios, em braman (Feira Brasileira de Manutenção). tos já está marcada para 4 a 6
residências, nos móveis, na condução de petró- Movimentando mais de R$ 5 bilhões por ano, de outubro de 2011, no mesmo
leo, gás, energia, água e esgoto, na construção o setor dos fornecedores de tecnologias térmicas local, certamente trazendo ain-
civil e em inúmeras outras áreas. engloba grande parte das indústrias de base e de da mais inovações.
49
CADERNO DE RESÍDUOS
Fotos: Divulgação

XI Fimai-Simai
Novas tecnologias, soluções para sustentabilidade, seminários
e debates: responsabilidade ambiental acima de tudo
Por Walter Prandi e Susi  Guedes A presença de autoridades ligadas ao se- no fomento de ações proati-
tor valida a feira como importante ponto de vas no cenário do meio am-
Aconteceu entre os dias 4 e 6 de novem- encontro e de negócios. Estiveram presen- biente industrial passaram
bro a XI Feira e Seminário Internacional de tes, entre outros, a coordenadora da divisão por 58 palestras sobre melho-
Meio Ambiente Industrial e Sustentabilida- de câmaras ambientais da Cetesb, Zoraide ria da qualidade no setor.
de (Fimai-Simai). O evento é um dos mais Senden Camicel, o diretor do departamento Por meio de uma coope-
importantes do gênero na América Latina, de meio ambiente da Fiesp, Paulo Dallari, o rativa de catadores associa-
mostrando ao mercado, profissionais e presidente do Instituto Brasil Pnuma e vice- da, o Cempre (Compromisso
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

visitantes, inovações, soluções alternati- presidente da ISO/TC207, Haroldo de Mattos Empresarial para Reciclagem)
vas e as tecnologias mais avançadas em Lemos, além do diretor de relações institu- manteve uma estação de reci-
serviços ambientais. cionais da Abrelpe, Carlos Silva Filho. clagem funcionando durante
Idealizada e dirigida por Júlio Tocalino A participação internacional foi expres- todo o evento. Em seu semi-
Neto, editor da revista Meio Ambiente Indus- siva: dez delegações estrangeiras tiveram nário, destacou a importância
trial, a feira deste ano teve público recorde, seus espaços de exposição e também pales- de se reaproveitar o lixo.
com 36 mil visitantes e participantes dos trantes disseminando informações e ideias. Em depoimentos, os ex-
seminários, oriundos de todo o território na- Com base na impressionante marca de 870 positores se mostraram sa-
cional e também de outros países. Profissio- reuniões e rodadas de negócios, os projetos, tisfeitos com a visibilidade,
nais da área ambiental e de setores correlatos produtos e ações interativas resultaram em com os negócios gerados no
foram maioria, mas ações com estudantes se fixação de imagem e em novos relaciona- evento e com as perspectivas
destacaram pela postura generosa de disse- mentos e oportunidades. futuras, o que confirma o su-
minação de conhecimento. Cerca de 800 congressistas interessados cesso da feira.
50
Em pé, Haroldo Mattos
de Lemos, presidente do PALAVRA DO ORGANIZADOR
Instituto Brasil Pnuma e
vice-presidente do comitê
“Apesar da crise global,

Fabio Tavares
técnico 207 da ISO
a feira foi ótima! Teve
um crescimento de 18%
a 20%, o que já vem
acontecendo nos últimos
11 anos. Ao mesmo
tempo, estou surpreso
com o número de
expositores e visitantes
que estão aqui. O seminário também foi ótimo,
superou minhas expectativas. Diante disso,
reitero minha posição de que o meio ambiente
é uma ciência exata com cursos de graduação
e pós-graduação; hoje temos engenheiros e
gestores ambientais especializados no assunto.
O meio ambiente finalmente está sendo
levado a sério”.
Julio Tocalino Neto, diretor executivo da Fimai-Simai
CADERNO DE RESÍDUOS

“Estamos há
Fotos: Fabio Tavares

“Estamos presentes 38 anos no


“A feira para nós
há 11 anos conse- mercado e
é sempre rentável
cutivos na Fimai. trabalhamos
porque a unidade
Dentro do conceito com produtos
móvel de educação
de tecnologia, ecológicos para
ambiental se vende
criamos um estande o setor institu-
por si só; não existem
feito todo de cional, industrial
concorrentes e ao
material reciclável e de construção
mesmo tempo, as
e um painel eletrô- civil. Além disso,
empresas precisam
nico contendo uma temos também
disso; esse é o dife-
TV digital e um sensor: quando os visitantes a Clarus Digital, que realiza modelagem em
rencial e o retorno é
passam a sacola da nossa marca em frente ao 3D, aplicações web e interatividade, como
imediato. Além disso,
sensor, a TV mostra os ISOs de qualidade que treinamentos para segurança do trabalho
nossa ideia hoje é mostrar uma casa com
conquistamos. Ao mesmo tempo, estamos muito e redução de gastos; ao mesmo tempo,
produtos sustentáveis já disponíveis no
gratos com o retorno e a curva de crescimento da minimizamos impactos ambientais”.
mercado. A Fimai está ótima e esperamos
nossa empresa, que confere com a curva de Kleber Marques, da Clarus
para 2010 uma feira melhor ainda. Tudo que
crescimento da Fimai. Nosso objetivo aqui é Tecnology do Brasil
pode ser reaproveitado deve ser reaproveitado
trabalhar a marca Bioagri  Ambiental”. para um planeta melhor.”
Gustavo Artiaga, diretor comercial Jean Claudio Pinto, gestor comercial “Através da Planeta
da Bioagri Ambiental e ambiental do Grupo Dutrafer Ambiental, do grupo
Ambitec, trouxemos o
transporte de emer-
“A Panasonic “Nós representamos a
gência por terra e pelo
veio à feira para Küttner da Alemanha
ar. Isso é interessante
mostrar as novas com escritório em
porque oferecemos
lâmpadas LED Contagem (MG). Temos
atendimento a serviços
e fluorescentes: trabalhos realizados na
perigosos, análise
elas não contêm Europa e estamos ten-
de risco em plantas
chumbo e emi- tando implantar uma
industriais e transporte multimodal, atendendo às
tem menos CO2. usina de lixo urbano
exigências da legislação. Atuamos no Brasil, nos
A emissão das aqui no Brasil. Gostaria
demais países do Mercosul e na África. Enxergamos
nossas lâmpadas de parabenizar a
a Fimai como uma ferramenta muito eficaz para
fluorescentes é 80% menor em relação às organização da feira, que está ótima”.
prospecção da empresa e para o relacionamento,
tradicionais, mas elas ainda se encontram Ricardo Sales Cardoso,
com um resultado muito satisfatório.”
em estudo no Brasil e devem entrar no mer- engenheiro assistente da Küttner do Brasil
José Lucio da Silva, diretor comercial da
cado no ano que vem. Já as lâmpadas LED Planeta Ambiental (Grupo Ambitec)
servem tanto para uso industrial quanto “Estamos trazendo
doméstico; uma LED usa 7 watts, enquanto para o mercado
brasileiro de análises “É o terceiro ano consecutivo
a tradicional é de 40 watts; então, elas redu-
laboratoriais o PO14 que participamos da Fimai,
zem o gasto de energia e têm durabilidade
e PO15, que só nós com a feira crescendo a cada
de aproximadamente cinco anos”.
estamos desenvolven- ano e a participação italiana
Luana Ghelle, analista de produto
do. Além disso, temos também. A feira está muito
da Panasonic Brasil
uma parceria com a bem organizada, oferece toda
Consult para realizar- a estrutura aos expositores.
“Completaremos mos análise tóxica Hoje estamos com dez empre-
10 anos agora em lógica. Consideramos sas italianas, todas muito
maio, e estamos a Fimai uma grande feira; aqui podemos firmar satisfeitas. Damos todo o
programando nossa marca, divulgar nossos produtos e fazer suporte a elas, desde a Itália até aqui, no Brasil, além
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

uma grande relacionamentos que geram novos negócios”. da assessoria junto às empresas brasileiras. A Fimai é
virada para os Michel Tognolli, gerente nacional uma porta de entrada para as empresas italianas, que,
próximos 10 anos. de vendas da Corplab mesmo após a feira, continuam mantendo contato,
Somos uma em- formando essa união entre a Itália e o Brasil
presa que cuida “Trouxemos linhas por um meio ambiente melhor”.
do gerenciamento e da disposição final de de processamento de Patrícia Costa de Carvalho, do Instituto Italiano
resíduos. Dentro do grupo, contamos com pneus, papéis e lixo, para o Comércio Exterior
mais seis parceiros, com os quais desen- um produto que faz
volvemos estratégias e projetos técnicos a separação desses “A feira está muito boa e inte-
para os resíduos gerados pela indústria, resíduos. Fornece- ressante, com muitos produtos
comércio e também pelas residências. mos o maquinário novos para o setor. Viemos ofe-
Nosso trabalho é tentar mudar essa situa- e, até o momento, recer o nosso, que é diferenciado
ção negativa do planeta e tornando-o mais recebemos bastante no mercado: um triturador que
sustentável, impedindo que os resíduos não procura. A feira está trabalha na compostagem do
sejam lançados no meio ambiente”. ótima; fizemos muitas parcerias importantes”. lixo orgânico”.
Waltemir de Mello, diretor de comunica- Wagner Guido, engenheiro Billy Oh, representante admi-
ção corporativa da Estre Ambiental mecânico da Bano nistrativo da Burden Business
52
Expositores Fimai-Simai

“É a sexta vez que participa- “Estivemos aqui


mos da Fimai porque enten- no ano passado e
“A Fimai é muito consis-
demos que é a maior feira é bom estar aqui
tente. Nestes cinco anos
internacional do segmento. novamente. Esta-
de participação sempre
Nossa presença aqui é para mos apresentando
trocamos informações,
reforçar nosso compromis- metodologias de
encontramos soluções e
so com o meio ambiente. tecnologia energé-
até futuros funcionários
O trabalho da Lwart é a tica para indústria
acabamos encontrando
preservação ambiental e a através da energia
aqui. Trabalhamos fa-
reposição mercadológica, solar. Somos uma
zendo consultoria com
que é a coleta do lubrificante já utilizado e o entidade sem fins lucrativos; nós somente
foco nas áreas contami-
rerrefino desse resíduo totalmente prejudicial ao fornecemos as informações. Nossa expec-
nadas, principalmente
meio ambiente. Nós coletamos 50% do material tativa é que as pessoas tenham interesse
industriais. Temos uma linha de resultado de
disponibilizado no País e devolvemos a base para pela tecnologia do Japão”.
qualidade e, ao mesmo tempo, uma equipe de
a indústria novamente; atuamos para evitar que Shoichiro Ozeki, senior staff da Jetro
auditoria qualificada no mercado”.
esse produto vá parar nos efluentes e na terra. (Japan External Trade Organization)
Sidney Aluani, diretor comercial
Temos 30 anos de atuação e estamos chegando
da SGW Services
às áreas mais difíceis do Brasil, que são as regiões
Norte e Nordeste. Poder dividir isso na feira é
muito positivo.” “A feira está ótima.
Eliane Oliveira, gerente de marketing Estamos divulgando
corporativo da Lwart nossos serviços de tra-
tamento de efluentes
“Estamos participando industriais através dos
da Fimai pela sétima vez. processos biológico e
Esta aqui, para mim, está químico. Este evento
melhor. Como colaborador nos proporciona o
da Silcon há quatro anos, relacionamento e
encontrei muitos parceiros a divulgação dos
e amigos do setor. Nós produtos, além de podermos apreciar novas Osvaldo Novais e Raquel Vila, da Masias Espanha
trouxemos um novo tecnologias do setor”.
trabalho voltado a áreas “Este ano superou nossas expectativas,
Lívia Baldo, analista ambiental da Opersan
contaminadas e também tanto que chegamos a realizar 12 confe-
a de manufatura reversa rências no nosso estande, uma posição
de eletroeletrônicos, bem como o tratamento boa para os próximos meses. A tecnologia
de fitossanitários e da área de saúde, que estamos apresentando aqui é muito
em que somos pioneiros”. utilizada em aterros sanitários na Europa.
Waldir Magalhães, gerente de marketing da Em parte ela substitui o sistema do aterro,
Silcon Ambiental reduzindo em aproximadamente 85% a
quantidade de resíduos que vai para o
“A Mitsubishi entrou em solo. Com relação à feira, já fechamos um
contato com a empresa MMC novo estande para 2010”.
Automóveis do Brasil para Osvaldo Novais, diretor da Masias
expor a marca e sua nova Recycling do Brasil
tecnologia, que é a Pajero
V6 Flex. Este veículo emite
menos poluentes do que um Mauro Banderali (à esq) e Bob Beyer, palestrante e diretor “O objetivo principal
automóvel comum. A ideia de da Duran Geo, parceira da Ag Solve nos Estados Unidos da feira é reunir
estar aqui não é só de expor o “A feira está ótima e a expectativa é enorme, pois as empresas para
veículo, mas de mostrar que a
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009
no segundo dia já estávamos superando nossos que elas possam
Mitsubishi do Brasil também objetivos. Nós trouxemos a tecnologia do apresentar soluções
desenvolve programas sustentáveis na empresa, skimmer passivo; ao mesmo tempo, trouxemos e inovações para o
como a captação da água de chuva para reutilização nosso parceiro para palestrar sobre o produto. meio ambiente, que
na fabricação dos carros, o uso de papel reciclado no Essa tecnologia utiliza pouca energia e é hoje é um tema de
material de propaganda e divulgação, entre outras altamente eficiente. Daqui para a frente, alta relevância no
atividades com seus funcionários”. realizaremos o trabalho em conjunto”. Brasil e no mundo.
Roberto Pavani, do departamento de eventos Mauro Banderali , diretor da Ag Solve A Honda do Brasil está aqui porque
da Mitsubishi Brasil
desenvolveu a primeira moto movida
a dois tipos de combustível. Essa
“Nós trabalhamos com processamento de esgoto e saneamento básico. Este novidade emite bem menos poluentes,
produto, o biodrum, é utilizado para aumentar a concentração de bactérias no mostrando que a empresa sempre se
processo de aeração. Com a aplicação do equipamento conseguimos aumen- preocupa com o meio ambiente”.
tar a capacidade de tratamento. A feira está ótima; encontramos estudantes Humberto Sagawa, assessor de relações
com dúvidas e pessoas procurando tratamento de efluentes industriais”. institucionais da Honda Amazonas
Celso Fagundes, engenheiro da Proacqua Processos de Saneamento

53
CADERNO DE RESÍDUOS
Fotos: Fabio Tavares

Atitudes coerentes com seu conteúdo são


parte do sucesso da revista Visão Ambiental.
A forma como participamos de eventos reflete
isso, com espaços modernos, bem cuidados e
dentro do conceito de sustentabilidade. Nossa
participação na Fimai foi mais uma vez destaque
entre empresas do mesmo segmento.
Desta vez o material escolhido foi o vidro.
Vitrais da D’Falco decoraram o estande, mos-
trando que é possível aliar beleza, criatividade
e preservação. Um aquário marinho da Solar
Reefs, com peixes e corais certificados, ajudou
a compor a decoração. Mais uma vez como
publicação interativa e preocupada com a forma
de se apresentar ao público.
Durante o evento distribuímos 3 mil exem-
plares da revista, uma tiragem extra feita exclu-
sivamente para que os visitantes pudessem ter
acesso às nossas informações direcionadas,
conhecer os trabalhos de consultoria da NR
Ambiental – outra empresa do grupo – e fazer
o cadastro para receber nossa newsletter. A
receptividade a esta ação direcionada foi surpre-
endente: agradou a estudantes, pesquisadores,
representantes de entidades, autoridades, em-
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

presários e público em geral, que passam agora


a ser nossos assíduos leitores.

54
Expositores Fimai-Simai
CADERNO DE RESÍDUOS

Expocatadores 2009

Wilson Secário (à esq.)


e Roberto Rocha,

Ricardo Stuckert
catadores da Cruma,
mostram prensa de
materiais recicláveis
ao presidente Lula

Catadores ocupam seu organizações de fomento, poder público e pes- de conhecimento, espaço para
quisadores ligados aos temas da reciclagem e divulgação de projetos sociais,
espaço no próspero do desenvolvimento sustentável. iniciativas empresariais e tecno-
ramo dos resíduos Entre os cerca de 30 expositores, estavam logias para aprimoramento da
prefeituras, indústrias, entidades financeiras e gestão da coleta seletiva solidá-
Por Susi Guedes empresas ligadas ao setor dos resíduos, mostrando ria. A promoção de um diálogo
soluções interessantes e formas criativas de se que estimule o desenvolvimento
Catadores... Há tantos espalhados pelas ci- lidar com eles. A parte artística ficou por conta da de alternativas mercadológicas
dades que, ao vê-los pelas ruas, em seu trabalho disputada exposição compacta da série Lixo, do para o setor, ajudaria a fomentar
solitário, normalmente pensamos de maneira artista plástico Vik Muniz. o desenvolvimento de políticas
simplista e preconceituosa, colocando-os como Muito ativos na concepção e realização do públicas de inclusão das organi-
homens e mulheres sem opção, ou com pouca evento, destacam-se o Movimento Nacional dos zações de catadores nos sistemas
condição de mudar seu destino. A Expocatadores Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e a oficiais de coleta seletiva.
conseguiu mostrar o quanto essa ideia é errada, Cooperativa de Reciclagem “Unidos pelo Meio Sob qualquer prisma que
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

antiquada, pouco inteligente e, até certo ponto, Ambiente” (Cruma), de Poá, que foram os grandes se olhe, o evento se mostrou
distante da realidade. alicerces desta conquista. espetacular. Seu lado social de-
Unidos, organizados e fortes, eles realizaram O reconhecimento da importância do evento monstrou que é possível criar
a 1ª Reviravolta Expocatadores 2009, feira tecno- ficou evidente pelas presenças marcantes de oportunidades de onde menos
lógica voltada para as associações e cooperativas autoridades, entre elas, prefeitos, ministros e até se espera. Pessoas simples alcan-
de catadores de materiais recicláveis da América o presidente Lula. Muitos acordos, convênios e çam seus objetivos e espaço para
Latina e Caribe, mas aberta também aos demais parcerias foram assinados no intuito de apoiar se mostrar como empreende-
interessados no tema. iniciativas que incentivem o crescimento do dores, chamando a atenção de
A impressionante marca de 1,5 mil cata- setor de reciclagem no Brasil. investidores, mídia e visitantes. O
dores, oriundos de vários estados brasileiros, Roberto Laureano da Rocha, o organizador resgate da cidadania com honra,
América Latina e Caribe, se fez presente numa da Expocatadores, destacou que o sucesso des- criatividade e geração de renda,
feira que, sem estrutura de mídia, contou com sa primeira edição é um incentivo para que ou- se vê no mais puro conceito de
seis mil visitantes, entre empresários, ONGs, tras aconteçam. É preciso haver disseminação sustentabilidade.
56
VISÃO EMPRESARIAL

Juliana Girardelli Vilela

Índice de sustentabilidade
Ninguém mais contesta hoje que, para ga- cluir as empresas que as representam no ISE, a
rantir a perenidade, as empresas devem inserir Bovespa utiliza questionários respaldados no
na sua atuação elementos que considerem o conceito denominado Triple Bottom Line (TBL),
equilíbrio nas relações com diversos grupos de que considera, em sua mensuração, os recorren-
interesse, demonstrando que os sistemas eco- tes elementos ambientais, sociais e econômico-
nômicos, sociais e ambientais estão integrados financeiros. Porém, outros indicadores foram
e que não podem implementar estratégias que acrescidos aos questionários: critérios gerais,
contemplem somente uma dessas dimensões. critérios de natureza do produto e critérios de
Há alguns anos, iniciou-se uma tendência governança corporativa.
mundial de os investidores procurarem empresas Assim, o questionário do ISE busca refletir,
socialmente responsáveis, sustentáveis e rentá- além das características das empresas, sua atu-
veis para aplicar seus recursos. Com isso, índices ação nas dimensões econômica, ambiental e
de sustentabilidade foram criados em escala social, governança corporativa e a natureza de
global para avaliar várias dimensões das relações seus produtos.
da empresa com a sociedade, o meio ambiente e A questão primordial no estabelecimento
os provedores de capital para a empresa. e na crescente aplicação desses índices de sus-
Diante dessa modificação na forma de percep- tentabilidade, entre os quais o ISE, está no fato
ção do valor por parte dos investidores, e como de que se discute se as empresas que fazem
uma iniciativa de vanguarda na América Latina, parte deles trazem retornos relevantes aos seus
em 2005 foi criado o Índice de Sustentabilidade acionistas. Assim como se investimentos em
Empresarial (ISE), pela Bolsa de Valores de São práticas de sustentabilidade são aceitos pelo
Paulo (Bovespa), em parceria com instituições mercado de capitais. Além disso, avalia-se de que
como a Fundação Getúlio Vargas, o Instituto Ethos forma a inclusão de uma empresa nesses índices

Divulgação
e o Ministério do Meio Ambiente. O projeto é representa acréscimo de valor ao acionista.
financiado pela International Finance Corporation O fato é que recentes estudos e pesquisas
(IFC), braço financeiro do Banco Mundial que tem comprovam que empresas sustentáveis geram,
a missão de promover investimentos no setor de fato, mais valor para o acionista no longo
privado de países em desenvolvimento. prazo. No caso do ISE, algumas vantagens pal-
O objetivo do ISE é criar um ambiente de páveis são agregadas à empresa que dele faz
investimento compatível com o desenvolvimen- parte: tornar-se reconhecida pelo mercado como
to sustentável da sociedade contemporânea e uma empresa que atua com responsabilidade
estimular a responsabilidade ética das corpo- social corporativa; tornar-se reconhecida como
rações por meio de boas práticas empresariais. uma empresa apta a gerar sustentabilidade no
Para tanto, sua finalidade é a de oferecer aos longo prazo; e tornar-se reconhecida como em-
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

investidores uma opção de carteira de ações de presa preocupada com o impacto ambiental
empresas reconhecidamente comprometidas das suas atividades. Tudo isso permite que haja
com a responsabilidade social e a sustentabili- consequências positivas na precificação dos JULIANA GIRARDELLI VILELA
dade empresarial. seus papéis. é advogada da área societária
Sua idealização pautou-se na premissa de que É indubitável que o ISE se constituiu em ins- do Peixoto e Cury Advogados
o desenvolvimento econômico de um país está trumento importante para demonstrar quais – juliana.vilela@peixotoecury.com.br

intrinsecamente relacionado com o bem-estar da empresas, ao modificar suas atuações, foram


sociedade. Dessa forma, o ISE atua como bench- capazes de transformar o desenvolvimento sus-
mark (ponto de referência) para o investimento tentável (e todas as consequências positivas dele
socialmente responsável, na medida em que se advindas) em um comprometimento corporativo
trata de uma ferramenta para análise comparativa inspirado na racionalidade econômica viável de
da performance das empresas listadas na bolsa. gerar o maior lucro aliado à maior sustentabili-
Para avaliar as ações mais negociadas e in- dade possível.
57
VISÃO ECONÔMICA

Celso Tomé Rosa

Gestão de Ativos Sustentáveis


e a Redução no Consumo Energético
No que se refere a gestão de ativos corporativos, Com os custos energéticos nivelados, o principal
as empresas de manufatura estão tomando uma nova foco de preocupação das empresas passa a ser a re-
direção, que vai além das melhorias na eficiência das dução dos gastos operacionais, o que as leva a ado-
operações: a de buscar por reduções drásticas nos tar, inclusive, medidas imediatistas de racionamento
custos energéticos e nos demais gastos de serviços nos processos de manutenção de equipamentos. O
que causam dor de cabeça no diretor financeiro. resultado disso? Maior desgaste do maquinário, com
Os altos custos industriais, como compra de a consequente elevação do gasto energético, numa
equipamentos, requerem profissionais alocados simples equação matemática em que uma produção
para funções de manutenção e um trabalho em reduzida que usa mais energia acarretará fatalmente
equipe entre gerentes e operadores para garantir a inflação no custo por unidade de produção.
que a vida útil do produto seja prolongada o má- Para contornar essa situação, muitas companhias
ximo possível. Sob uma perspectiva tradicional vêm investindo cada vez mais na gestão de ativos
de gestão de ativos, a estratégia se traduz numa sustentáveis (GAS), caracterizada pela busca de uma
simples tarefa: a de realizar a manutenção regular, maior eficiência energética. O intuito da GAS é ajudar
de modo que a equipe seja muito bem aproveitada. metalúrgicas e outras fábricas a administrar melhor as
Mas, em muitos casos, essa prática é essencialmente condições aparentemente conflitantes de negócios,
reativa, vez que a manutenção se baseia nas espe- como a vida útil dos ativos versus a eficiência ener-
cificações apontadas pelo fornecedor ou porque o gética dentro da empresa. Tal gestão inclui quatro
time responsável começa a cometer erros. fatores de calibragem entre um ativo e uma operação:
Entretanto, algumas empresas se aprofunda- disponibilidade, desempenho, qualidade e consumo
ram nessa questão (especialmente aquelas em energético. Por meio da GAS é possível obter uma visão
que a interrupção na produção ocasiona sérios global da performance dos ativos da empresa, seja a
CELSO TOMÉ ROSA
problemas, como perdas significativas de material, partir de medidas tradicionais, seja com base no nível
é vice-presidente
da Infor Brasil ociosidade de recursos dispendiosos ou atraso de energia que está sendo consumida.
no prazo de entrega) com a implementação de Na prática, esse modelo de gestão pode, por
softwares fornecedores de análises que preveem exemplo, aconselhar a troca do filtro de ar condicio-
e apontam falhas na gestão de ativos. Com isso, nado com maior frequência, indicando a utilização
enxuga-se boa parte do pessoal envolvido com de um filtro mais caro para que a empresa abaixe
inventário, reduzindo os custos de manutenção e os custos de energia da operação em médio prazo.
mantendo a linha de produção em movimento. Assim como é possível que o sistema emita alertas em
Não faz muito tempo que encontrar meios de tempo real quando o consumo energético em cada
diminuir o uso energético está na pauta de muitos ativo alcance um valor predeterminado, lançando
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

empresários, numa demonstração de que seus negó- uma ordem imediata de inspeção, que evitará futuras
cios são de fato ecologicamente corretos. Todavia, falhas na linha de produção.
logo se percebeu que o caminho até lá seria A implementação no mundo corporativo de
um tanto quanto tortuoso, principalmente uma gestão efetiva de ativos sustentáveis mostra
pela constatação de que com a onda que a diminuição no consumo energético entre as
verde viriam custos elevados. Mas empresas tem sido em torno de 12%, sem contabi-
o que era uma vontade virou uma lizar a economia nos custos de ordem operacional.
obrigação, e a pressão sobre a redu- Se a redução no consumo energético passou a ser
ção efetiva de consumo energético uma imposição de mercado, alternativas como a
passou a ser uma realidade entre as desse novo modelo administrativo revelam-se me-
empresas, que tiveram a difícil tarefa didas consistentes, ao passo que trazem o equilíbrio
de se adaptar a novos padrões, desfa- entre as finanças empresariais e o uso sustentável
zendo-se de equipamentos antigos. dos recursos do nosso planeta.
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Divulgação
SEGURO AMBIENTAL

A obrigatoriedade
resolve?
Quando a conscientização não é suficiente, a força da lei pode
ser um bom caminho para minimizar os danos ao meio ambiente

Por Susi Guedes

A responsabilidade sobre o meio ambiente é risco, entre vários outros. O que se leva em conta,
assunto discutido pela sociedade em geral não só normalmente, são os riscos acidentais e imediatos,
quando acontece algum desastre ecológico, seja ele mas há também a contaminação e os riscos graduais,
de pequenas ou de grandes proporções, mas perma- muitas vezes invisíveis. Legislar sobre assunto tão
nentemente, porque estamos todos preocupados vasto e tão cheio de detalhes e vieses implica em
com os impactos causados pela atividade produti- muito trabalho.
va da indústria ou pelo setor de serviços. Saber de O Projeto de Lei nº 2.313/2003 trata exatamente
quem é a culpa e como resolver os problemas nem disso. Apesar de estar há mais de seis anos tramitando
sempre é fácil. Poucas vezes consegue-se encontrar na Câmara dos Deputados, ele ainda aguarda parecer
quem assuma e arque com eventuais reparações, até da Comissão de Constituição e Justiça. Há indicações
porque há danos irreversíveis e incomensuráveis, o de que será considerado inconstitucional. Se isso se
que torna o assunto ainda mais complexo. confirmar, políticos, ambientalistas e empresas de
Entrar em consenso sobre maneiras de agir, culpa- seguro terão de buscar uma nova abordagem, já que
bilidade, dolo, formas de autuação, legislação e tantos é preciso progredir nesse aspecto da proteção am-
outros aspectos, parece mesmo algo muito difícil. Os biental. O seguro seria uma ferramenta extremamente
empresários argumentam que é impossível produzir importante para as questões preservacionistas.
sendo tão cerceados; os ambientalistas dizem que é Na opinião de alguns, talvez a sociedade ainda
perfeitamente viável aliar produção e preservação; e não tenha entendido a extensão do problema e
a sociedade, bombardeada por informações muitas precise se adaptar a isso; outros consideram a ges-
vezes desencontradas, fica sem saber como se po- tão preventiva como modelo ideal, mas que apenas
sicionar, mas chocada e indignada quando assiste a ela não basta, porque acidentes são, por essência,
cenas em que pobres animais morrem aos montes imprevisíveis.
em função de derramamento de produtos químicos Se a obrigatoriedade não for o caminho neste
em rios ou de vazamento de óleo em mares, além de momento, a conscientização certamente é, afinal,
tantas outras cenas tristes a que assiste muito mais não se pode simplesmente “pedir desculpas” diante
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

vezes do que gostaria. de fatos muito graves. E se o argumento da indústria


Pensando nisso, alguns políticos tentam há anos e de outros setores produtivos é de que a obriga-
aprovar leis que tornem obrigatório o seguro am- toriedade não resolve o problema e ainda onera a
biental, acreditando que, com isso, as empresas se produção, quem defende o seguro compulsório o
preocupem mais com a natureza, tomem mais cui- entende como uma forma de buscar recursos mais
dados e precauções, e que, em casos de acidente, o imediatos e de solucionar problemas acidentais ou
seguro venha a cobrir, mesmo que parcialmente, os resultantes de descaso, problemas esses que afetam
altos custos de recuperação dos danos causados, já a todos, direta ou indiretamente.
que alguns são irreversíveis. Consultamos três pessoas envolvidas nessa dis-
SXC/Marcin Rybarczyk

Entre o que se pretende colocar como passível cussão: os deputados federais Leonardo Monteiro e
de seguro incluem-se o transporte de resíduos, a Moreira Mendes, além do empresário Fumiaki Oizumi.
contaminação do solo, a manipulação de produ- Leia a seguir o que eles pensam da obrigatoriedade
tos químicos, os processos de produção que gerem do seguro ambiental.
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Vice-presidente da Comissão de Meio Ambien-
te e Desenvolvimento Sustentável, coordenador
do Núcleo de Meio Ambiente da bancada do PT
na Câmara e da Frente Parlamentar em Defesa da
Bacia do Rio Doce, o deputado federal Leonardo
Monteiro (PT-MG) é também autor do Projeto de
Lei nº 5.226/2009, que dispõe sobre a proteção
das florestas e outras formas de vegetação. Sua
luta em defesa das riquezas naturais é marcada
por inúmeras ações.
O parlamentar apresentou em 2004 oito
emendas – todas elas rejeitadas e arquivadas
– ao Projeto de Lei nº 2.313/2003, que acrescen-
ta à lista de seguros obrigatórios o seguro de
Divulgação
responsabilidade civil do poluidor, pessoa física
ou jurídica que exerça atividades econômicas
potencialmente causadoras de degradação am-
biental, por danos a pessoas e ao meio ambiente essa empresa vai ter que fechar, porque ela não vai para o segmento. Nesse senti-
em zonas urbanas ou rurais. conseguir pagar a multa. Aí você cria outro proble- do, o Instituto de Resseguros
ma social. Porque se a empresa decreta falência, do Brasil tem papel relevante
RVA – Em que fase de tramitação se encontra este os 400 funcionários vão ficar desempregados. na formulação da proposta para
projeto, e quais as perspectivas de aprovação Com o seguro ambiental, diante da ocorrência de sua implementação. Trabalha-
plena? Há uma data para isto? acidente, e obedecidas as condições contratuais, mos a melhoria do texto em
Dep. Leonardo Monteiro – No momento, o os danos ambientais serão cobertos e a empresa nosso relatório indicando dois
PL 2.313/2003 está apensado ao PL 3.876/2008. continuará vivendo. pressupostos para o avanço da
Encontra-se na Comissão de Constituição e Justiça. proposta, que são: a razoabilida-
A proposta está à disposição do relator, o deputa- RVA – Considera que as empresas poluidoras de e a responsabilidade objetiva.
do Moreira Mendes (PPS-RO), aguardando parecer estão preparadas para entender e absorver a ne- Transferimos a responsabilidade
para que seja marcada data de votação. cessidade deste seguro obrigatório? Que tipo de de indicar as condições e os tipos
resistência tem havido? de empreendimentos sujeitos à
RVA – Houve alguma dificuldade em se colocar Dep. Leonardo Monteiro – Sim. A questão do obrigatoriedade para o órgão
o tema em pauta? desenvolvimento em bases sustentáveis demanda responsável pelo licenciamen-
Dep. Leonardo Monteiro – Sim, as dificulda- desafios para todos os setores da sociedade. Está to ambiental. Isso seria feito de
des são as mesmas para os temas polêmicos que relacionada diretamente à maneira como vamos acordo com o potencial de da-
envolvem interesses diversos e que se relacionam projetar o nosso futuro e de como vamos lidar no nos à natureza, o porte e as pro-
com as riquezas do nosso País. Alguns setores do presente com um tema tão importante quanto babilidades de acidentes para
empresariado justificavam, à época, que o pro- crítico para o Brasil. A aplicação de dispositivos cada caso. Ou seja, nem todas
jeto implicaria em mais custos para as empresas. legais sobre a responsabilidade civil em matéria as empresas estarão sujeitas à
Mas, após debater a proposta de maneira mais ambiental nem sempre é simples. Toda nova le- obrigatoriedade do seguro. Uma
aprofundada junto aos empresários, consegui- gislação, além de refletir a conjuntura e estágio empresa de pequeno ou médio
mos sensibilizá-los no sentido da importância da de desenvolvimento de uma sociedade, sempre porte, por exemplo, e com ativi-
matéria e sua aprovação. traz a necessidade de um período de adaptação dades com riscos reduzidos de
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

para esta mesma sociedade e em especial para danos ambientais, estaria fora do
RVA – Quais os pontos mais relevantes deste os setores diretamente envolvidos. alcance deste projeto de lei.
projeto?
Dep. Leonardo Monteiro – A proposta tem RVA – Considera que as seguradoras estejam aptas RVA – Como a sociedade tem
grande alcance social e ambiental. No âmbito a atender as necessidades de cobertura, bem como recebido as notícias desta mo-
do meio ambiente, o PL garante a recuperação analisar adequadamente os riscos e efeitos de uma vimentação política em direção
dos danos causados à natureza. Já pelo ponto de gama tão grande de possíveis acidentes ambientais? ao cuidado com o planeta?
vista social, as empresas terão a possibilidade de Haverá algum tipo de orientação neste sentido? Dep. Leonardo Monteiro
quitar suas multas sem precisar fechar as portas, Dep. Leonardo Monteiro – As companhias – Essa é uma proposta atual, que
resguardando o emprego dos trabalhadores. Por seguradoras que participaram das audiências retrata a mudança de comporta-
exemplo: você tem uma empresa de médio porte públicas sobre o PL entenderam como viável a mento das pessoas com relação
que emprega 400 funcionários. Se acontece um implantação do seguro, uma vez que, diante da ao meio ambiente. Há poucos
acidente ambiental e a multa for muito pesada, aprovação, estaria criado um grande mercado anos atrás, as empresas quando
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SEGURO AMBIENTAL

se instalavam não tinham grandes preocupações

Agência Câmara
ambientais. Hoje, os próprios empresários têm
em mente essa preocupação. As pessoas têm
criado uma conscientização ambiental, e isso
ajuda na aprovação do PL. A criação do seguro de
responsabilidade civil por poluição certamente
constituirá um instrumento extremamente útil
para a implementação da Política Nacional do
Meio Ambiente.
Tramita, ainda, na Câmara o PL 5.226, de 2009,
que “dispõe sobre a proteção das florestas e outras
formas de vegetação”, de minha autoria. Esse pro-
jeto objetiva reforçar de maneira significativa os
debates sobre a atualização e o aperfeiçoamento
da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código
Florestal), com as alterações feitas por normas
posteriores, em especial a Medida Provisória nº
2.166-67, de 24 de agosto de 2001. Pretende-se
consolidar os dispositivos normativos existentes,
bem como introduzir novas questões atinentes à
conservação e uso dos remanescentes de vege-
tação em todos os biomas nacionais.
Acredito que é preciso debater com profun-
didade, consistência técnica, visão ecossistêmica Rubens Moreira Mendes Filho é agropecu- Não vejo no momento ma-
e responsabilidade as normas nacionais que re- arista e advogado militante no Estado de Ron- neira de se aprovar tal projeto,
gulam a proteção das florestas e outras formas dônia desde 1972. Na Câmara dos Deputados, uma vez que, a meu ver, não se
de vegetação, assim como qualquer forma de é vice-líder do PPS e membro titular da Comis- pode obrigar empresas a contra-
preservação do meio ambiente. são de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e tarem tais serviços, pois além de
Desenvolvimento Rural. Atua também, como isso onerar a produção, há tantos
suplente, nas comissões de Constituição, Justiça
RVA – Deseja passar alguma informação extra ou fazer detalhes e possibilidades que
e Redação, de Desenvolvimento Econômico,
alguma outra consideração sobre o assunto? eu sinceramente não creio que
Indústria e Comércio, de Fiscalização Financeira
Dep. Leonardo Monteiro – O seguro ambien- se possa legislar sobre o tema
e Controle, de Relações Exteriores e de Defesa
tal está em consonância com o que acontece no Nacional, de Turismo e Desporto, e de Meio Am- de maneira justa. Quem desejar
plano internacional. Nos Estados Unidos, França e biente e Desenvolvimento Sustentável. Preside contratar serviços de seguro na
Suécia, por exemplo, pôde-se observar que, além atualmente a Comissão Especial para debater o categoria de responsabilidade
de assegurar os recursos para que a reparação do Projeto de Lei nº 3.555/2004, que trata dos res- civil, poderá fazê-lo, como já tem
dano seja efetivada, a aplicação do seguro aponta seguros no Brasil, a Comissão Especial do Código sido feito, mas tornar isso obri-
para a vantagem adicional das seguradoras co- Florestal, e a Subcomissão de Intermediação de gatório, não considero cabível
locarem-se em vigilância para que os segurados Conflitos Agrários. no momento.
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

não incidam em comportamentos motivadores   Moreira Mendes é também vice-presidente Apesar dos avanços, acho
de dano ambiental. da Frente Parlamentar da Agropecuária para a Re- que muito há que se caminhar
gião Norte e representante do ramo agropecuário
Estamos trabalhando para fazer com que haja ainda e que a sociedade e o se-
na Frente Parlamentar do Cooperativismo.
maior celeridade no andamento deste PL, para tor produtivo não estão prepa-
assim colocar a proposta na pauta de votação da rados para mais um ônus. Não
Câmara. É preciso lapidar mais a proposta e torná-la “Analisando o PL 2.313/2003, verifico si- sou contra a conscientização e
adequada à questão, contemplando a legislação milaridade com outros projetos que já foram a preservação, mas há de se ter
ambiental do ponto de vista de garantir o seguro e considerados inconstitucionais em outras situa- cuidado com os exageros para
contemplar também o interesse das empresas, por- ções, como é o caso do Projeto de Lei 937/2003. que não se coloque quem pro-
que temos que pensar no ponto de vista econômico, Diante disso, em analogia ao mesmo, minha duz numa situação indevida. Por
nada que vá estrangular a empresa. Precisamos das análise e parecer permanecem no sentido da esses motivos, meu posiciona-
empresas para gerar desenvolvimento, emprego e inconstitucionalidade, injuridicidade e falta mento agora é contra o Seguro
renda para a nossa sociedade. técnica administrativa. Ambiental Obrigatório. ”
62
Fumiaki Oizumi, da Jet Seguradora, empresa de específica de seguro ambiental, ou são adap- também muito afetada. Quais
que estuda o tema que já se adaptou para aten- tações de outros já existentes? O que diferencia ações se fazem necessárias
der a essa demanda específica, mesmo que o PL um seguro ambiental dos demais seguros? para recuperar a credibilida-
2.313/2003 não seja aprovado.  Fumiaki Oizumi – O mercado já esta comer- de? Há algum tipo de cober-
cializando o seguro de RC (responsabilidade tura para que a empresa possa
RVA – Com relação ao projeto de lei que trami- civil). É lógico que, à medida que o tempo passa fazer esse trabalho?
ta na Câmara dos Deputados, as empresas de seguros e maior é o numero de empresas que contrata-  Fumiaki Oizumi – O segu-
estão preparadas para atender a essa demanda? ram o seguro, as adaptações surgem conforme ro visa a reparar prejuízos finan-
 Fumiaki Oizumi – Corretoras e  seguradoras as necessidades. ceiros causados por esse tipo de
que  desenvolverão ou que já estão desenvolven-   acidente. O custo para recuperar
do esse tipo de serviço têm sim a capacidade de  RVA –Que empresas ou entidades costumam a imagem de uma empresa é
atender a essa demanda; as corretoras mantêm em procurar esse tipo de seguro? Quais entrariam uma parte muito pequena do
seus quadros de funcionários executivos muito bem na classificação compulsória no caso de o projeto total para recuperar os prejuí-
treinados, no Brasil e no exterior, justamente para virar lei? zos de um desastre ecológico. O
isso. Esse projeto de lei é resultado de uma nova  Fumiaki Oizumi – Estão segmentadas em: dano à imagem não está cober-
consciência existente, de conciliar o desenvolvimento alimentação, automobilística, celulose e papel, to, mas os relatórios de análise
econômico e a preservação do meio ambiente. farmacêutica, hospitalar, metalurgia e siderurgia, de risco e sugestão de proteção
  mineração, petroquímica, química, têxtil e utilities. preparados pelas corretoras e se-
RVA – Qual a postura atual dos empresários para No principio, entrariam no compulsório as empre- guradoras vão ajudar – e muito
tratar do assunto? Acha que com a lei vigorando sas do ramo químico, petroquímico, metalúrgico – as empresas a prevenir esses
essa postura sofreria algum tipo de mudança? e siderúrgico, de mineração e de celulose e papel. desastres. Como se diz, “prevenir
 Fumiaki Oizumi – Atualmente, os dirigentes As demais entrariam numa segunda etapa. é o melhor remédio”.  
de empresas já conscientizam seus funcionários    
por meio de palestras e cursos, incluindo o seguro. RVA –Quais as bases para se mensurar custos RVA –Há alguma pesquisa sobre
Como disse anteriormente, a lei é consequência de de contratação dos serviços de uma seguradora o crescimento da procura por
uma nova mentalidade de preservação do meio nesses casos?  esse tipo de seguro?
ambiente. Grande parte dos empresários já estão  Fumiaki Oizumi – A matéria-prima para  Fumiaki Oizumi – Aqui no
preocupados com isso porque, se não estiverem, a contratação desse seguro é a informação Brasil  a demanda está aumen-
os clientes não comprarão seus produtos. O dano prestada pelas empresas aliada a uma análise tando dia a dia. É lógico que,
à imagem tem um custo de campo bastante detalhada para qualifi- em mercados como a Ásia, os
muito grande, e o se- car e quantificar o risco, feita por especialistas Estados Unidos e a Europa, o
guro visa a dar uma das corretoras de seguro e das seguradoras.  número de apólices emitidas já
proteção  a prejuízos    é bem grande.
financeiros decor- RVA – Qual a abrangência desse tipo de apólice,  
rentes  do dano ao qual a cobertura? Há detalhes e particularidades RVA – Existe algum tipo de su-
meio ambiente. que mereçam ser destacadas?  porte, programa ou orientação
 RVA – Já existe algu-  Fumiaki Oizumi – Abrange todo o território por parte das seguradoras no
Divulgação

ma modalida- nacional com coberturas para perdas e danos sentido de prevenir acidentes
decorrentes de poluição de qualquer tipo – de ambientais?
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

origem acidental, de caráter súbito ou gradual –,  Fumiaki Oizumi – Sim. Algu-


em relação a terceiros ou às propriedades e ati- mas seguradoras, nas inspeções
vidades do segurado, e, ainda, ao meio ambiente de riscos das fábricas ou indús-
da forma mais ampla. trias, orientam os gerentes e res-
  ponsáveis sobre a importância
RVA – Como se dá a análise de riscos? Que tipo de da prevenção ambiental, a exem-
profissionais são contratados para essa análise? plo do que acontece hoje com os
 Fumiaki Oizumi – A análise de risco é feita relatórios preparados por corre-
por peritos e profissionais da área: os engenheiros,  toras e seguradoras na análise de
geólogos e oceanógrafos.  risco de incêndio e outros riscos,
os quais são de importante valia
RVA – No caso de um desastre ecológico de para ajudar o empresariado na
grandes proporções, a imagem da empresa é prevenção .
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de Resíduos
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de forma precisa e em tempo real. 
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adquirida onde a empresa e suas subsidiárias estiverem, possa ser
acessada de forma centralizada, a partir de qualquer computador
conectado à rede mundial. Toda a informação é apresentada de forma
consolidada, através de relatórios customizáveis desenvolvidos por
profissionais experientes e atuantes da área. O sistema possui ainda
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Sustentabilidade
Essa é a “palavra da moda”, associada a quase tudo. Ligá-la a
assuntos corporativos passou a ser quase uma obrigação

Caco de Paula – Para mim, sustentável é a ação tados em animais ou contêm


com pensamento de longo prazo, é a utilização matéria-prima derivada deles.
racional de recursos hoje, de maneira que esses A Apoema é parceira do San-
recursos continuem disponíveis para as próximas tuário Ecológico “Rancho dos
gerações. Na minha vida pessoal, procuro incluir Gnomos”, que valoriza a fauna
critérios de sustentabildiade, como procurar re- silvestre, a preocupação e o cui-
pensar a forma como fazemos as coisas, reciclar e dado com animais em situação
reutilizar mais, ter mais consciência no consumo. de risco ou maus tratos.
No trabalho, através das experiências do Planeta Thiago Schwarz –Na By Art De-
Sustentável, temos conseguido nos dedicar à sign temos como meta a econo-
produção de conteúdos e ações relacionados à mia máxima de matéria-prima.
sustentabilidade a ponto de já termos registrado E, por economizarmos recur-
um aumento de percepção de consciência e de sos naturais, ganhamos maior
mudança de atitude por parte de nossa audiência, competitividade no mercado.
que é de 13 milhões de pessoas. Para que tudo isso aconteça, é
Déborah Ascenção – Sustentabilidade é fazer o necessário formar uma equipe
melhor para nós e para o meio ambiente, tanto engajada que, além de saber
nos dias atuais como no futuro. É a preocupação que é preciso economizar para
Por Susi Guedes com o nosso meio ambiente, como a reciclagem ser competitivo, tenha consciên-
do lixo, utilização correta do consumo de água, cia ambiental e saiba que aquela
Entender o significado da palavra “sustenta- uso consciente da energia elétrica, etc. Eu transfiro economia  será transformada em
bilidade” e colocá-lo em prática virou um desafio essa conscientização e preocupação ambiental recursos no caixa da empresa.
dentro do mundo empresarial, encarado por al- para tarefas que exerço no meu dia a dia. Esses recursos, por sua vez, serão
guns com seriedade e por outros apenas como Thiago Schwarz – Para falarmos de sustentabili- devolvidos ao colaborador atra-
ferramenta de marketing. dade é preciso ser específico. Empresarialmente, vés de prêmios, gratificações ou
A maneira como o mercado entende e pratica defino sustentabilidade como um conjunto de novos benefícios. Mas somente
a sustentabilidade tem sido tema de discussões, ações e ideias focadas no ecologicamente correto isso não basta. Também  preciso
tornou-se preocupação constante no mundo dos e viável, socialmente justo e aceito, que preser- trabalhar e estar atento aos insu-
negócios, afinal, para crescer é preciso consciên- vem ao máximo o ambiente e permitam extrair mos e matérias-primas que são
cia ambiental, e as empresas que não tiverem recursos e matérias-primas que retornem sob a usados no parque fabril.
essa percepção correm o risco de passar uma forma de benefícios para todos os envolvidos.
imagem distorcida, de descaso ou de “inimigos” Educação e informação, portanto, são ferramen- Muitos acreditam que as ati-
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

do planeta. tas importantíssimas nesse processo. vidades e projetos ligados a sus-


Diante das questões que se colocam em torno tentabilidade adotados pelas
do assunto, empresários e responsáveis por go- Sua empresa tem algum projeto específico empresas tenham apenas inte-
vernança e estratégia são muitas vezes obrigados que tenha relação direta com sustentabilida- resse estratégico, visando lucros
a enfrentar dilemas em suas escolhas e posturas. de? Se sim, qual? financeiros ou de imagem,
Esse é o tema de nosso debate nesta edição, em Déborah Ascenção – A Apoema, empresa de deixando de lado a verdadeira
que três pessoas de diferentes áreas profissionais produtos de higiene pessoal e cosméticos da conscientização ambiental. O
têm suas opiniões cruzadas. É uma forma de in- qual sou garota-propaganda, é totalmente adep- que pensa sobre isso?
centivar a reflexão e, mais importante, a ação. ta da sustentabilidade. Ela utiliza na formulação Caco de Paula – Na minha opi-
de seus produtos matérias naturais e orgânicas, nião, as medidas mais eficazes
O que você entende como “sustentabilidade”? ativos sem corantes artificiais, sem parabenos e duradouras são justamente
Sua forma de pensar se reflete em suas ações e (substâncias cancerígenas) e com base 100% aquelas que fazem parte da
atitudes pessoais e empresariais? vegetal. Nenhum de seus produtos são tes- estratégia. Se não fizerem, aí é
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que está o problema, pois ficam dependendo Thiago Schwarz –A By Art Design é uma em-
de um voluntarismo completamente dissociado presa pioneira; fabricante de móveis em acrílico,
de maiores compromissos. Ou seja, a abordagem confecciona linhas próprias e peças assinadas
econômica da discussão e ação sobre sustentabi- por grandes nomes do design mundial. Pouca
lidade não é um problema, mas sim uma solução. gente consegue perceber que o acrílico pode

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Se as saídas para a sustentabilidade não tiverem ser reciclado; no processo chamado craque-
sustentação econômica, podem se tornar apenas lação, ele é queimado e reutilizado. Apesar de
declaração de boas intenções. As empresas que encarecer o produto, a diferença no resultado
conseguem ser mais consistentes nessa área são final das peças é imperceptível. A By Art Design
justamente aquelas que têm a sustentabilidade também desenvolve peças com madeiras certifi-
como parte de sua estratégia. cadas, e faz tudo isso por consciência ecológica,
Déborah Ascenção – Acredito que pessoas que independente de incentivo, mas sem deixar de Thiago Schwarz é engenheiro
realmente se preocupam com o bem-estar do lado a qualidade e os princípios que regem o químico e diretor comercial da
próximo e com a preservação da natureza fazem meio empresarial. By Art Design
isso de coração, por acreditarem na causa e por
realmente desejarem um futuro melhor para as O tema sustentabilidade passou a ser abran-
próximas gerações. gente, com ramificações sociais, ampliando
Thiago Schwarz – Desde que o empresário te- o sentido da palavra, o que implica em novas
nha interesse, hoje já é possível trabalhar  com formas de pensar e agir diante de situações em
os mais diversos tipos de materiais reciclados que sustentabilidade esteja envolvida. Como
ou, pelo menos, recicláveis – com qualidade encara o assunto? Acredita que haja necessa-

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muitas vezes superior e a custos razoáveis. Há riamente um viés social na questão?
também uma parcela de consumidores bem Caco de Paula – Sem dúvida que há um viés social.
informados que procuram, compram e exigem Na verdade, a discussão econômica e a discussão
produtos ecológica e eticamente corretos.  Por- ambiental são um pano de fundo para uma ques-
tanto, sustentabilidade precisa ser uma filosofia tão que é essencialmente social. Sustentabilidade
e um modus operandi empresarial. tem a ver com aceitação, inovação, mudança,
emprego, renda, democracia. Creio que hoje há Déborah Ascenção é atriz
Hoje, há muitas formas de se incentivar ou um compreensível protagonismo da questão am- e parceira da Apoema
induzir uma empresa a ter ações sustentáveis biental nessa agenda, em função das mudanças Cosméticos
– índices do mercado financeiro, pressão da climáticas e da emergência da COP15.
sociedade, imagem institucional, preferência de Déborah Ascenção – Acredito que podemos
investidores etc. Acredita que se não houvesse tirar o melhor proveito dessa situação. A sus-
nada disso as empresas estariam preocupadas tentabilidade social é um assunto que vem cres-
da mesma forma? cendo nos últimos anos e a sua conscientização
Caco de Paula – Como já disse antes, ou a sus- está cada vez mais abrangente. Por que não
Divulgação

tentabildiade faz parte da estratégia da empresa, seria um momento propício para termos novas
ou será uma brincadeirinha. Muitas empresas ideias e formas de pensamento e colocá-las em
iniciam a integração de conceitos sustentáveis prática? Acredito que caminhamos juntos com
em suas linhas de produção e serviços por mo- uma modernidade social, ambiental e cultural
tivos variados. Podem começar por convicção e devemos sim praticar o bem sempre.
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

ou por conveniência. É absolutamente legítimo Thiago Schwarz – Sustentabilidade é uma atitu-


procurar a sustentabilidade para buscar maior de que demanda estudo, esforço e boa vontade,
Caco de Paula é publisher do
aceitação de mercado, cedendo a uma pressão mas que, por outro lado, também pode oferecer
Planeta Sustentável, projeto
social. Enquanto a questão da sustentabilidade retorno financeiro e alinhar definitivamente liderado pela Editora Abril e
não era percebida no bolso, creio que pesava a empresa que adota essa postura aos novos patrocinado pelo Banco Real
menos nas decisões das empresas. tempos – isso de uma maneira eticamente e (Grupo Santander), CPFL,
Déborah Ascenção –  Acredito que preocu- socialmente responsável. O projeto que temos Bunge, Sabesp e Petrobrás
pações e cuidados como a sustentabilidade e que todos deveriam ter é o de esquecer ve-
devam ser obrigação de todas as empresas. É lhas verdades que já não mais existem, do tipo:
com a preservação ambiental do país que será material reciclado é de segunda ou não é  eco-
Se o leitor desejar responder às
possível garantir um futuro mais saudável para nomicamente viável. Empresas modernas fazem mesmas perguntas, elas estão em
todos,  independentemente de qualquer fator acontecer e transformam seus processos a fim nosso site e ficarão disponíveis até o
influenciável. de utilizarem materiais renováveis. lançamento da próxima edição.
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VISÃO PEDAGÓGICA

Welinton dos Santos

Profissões verdes
Profissões passam por mudanças no momento em que a sociedade
começa a refletir sobre o desenvolvimento sustentável

Vários novos campos de atuação começam a de sistema de informações especializados em


surgir. Onde antes havia intenções, hoje já existem análise de processos), técnicos de desenvolvi-
realidades. Os agentes ambientais nos mais varia- mento químico (em processos de fabricação de
dos segmentos empresariais fazem necessários sabão biodegradável, entre outros), técnicos e
um novo perfil funcional, em que o conhecimento engenheiros para desenvolvimento e exploração
formal ou informal tem valor prático. da biomassa na agricultura, profissionais da
A flexibilidade no tratamento da questão é área de energias alternativas, biotecnólogos
importante para a nova realidade. (controle de pragas, nanotecnologia, fertilização
A permacultura é um exemplo que tem mais in vitro, biodiversidade, etc.), climatólogos... A
de 10 mil praticantes e 220 professores trabalhan- demanda por esses profissionais também está
do em tempo integral. Consiste em uma nova área crescendo muito. WELINTON DOS SANTOS
de trabalho, onde se busca substituir culturas Existem ainda profissões inusitadas e diferen- é economista e psicopedagogo,
membro da Câmara Ítalo-
como as de soja, trigo e milho, responsáveis por tes, mas que são ecologicamente corretas, como:
Brasileira de Comércio, Indústria e
grande parte do desmatamento mundial, por árbitro de conflitos, coach, coffeetender ou barista Agricultura, delegado de Economia
sistemas de florestas produtivas. Foi observando (especialista em bebidas provindas do café), de- de Caçapava, palestrante,
e imitando as florestas naturais que se detectou gustador, gestor de responsabilidade sócio-am- conferencista nacional e
ser possível criar sistemas produtivos com certa biental, mediador de mídias sociais, trendspotter colaborador de projetos sociais
estabilidade e ainda recuperar o ecossistema. (caçador de tendências), enólogo, geneticista,
Outras informações podem ser obtidas no site auxiliar médico, optometrista, assistente social,
www.cca.ufsc.br/permacultura/. médicos de diversas áreas, florista, paisagista, pla-
Tecnólogos e engenheiros ambientais, coor- nejador instrucional (produz e-learnings), hostess
denadores de meio ambiente e de projetos de (recepcionista mais qualificada de restaurantes
responsabilidade social, auditores de qualidade, requintados), aromista, dentre outros.
direito ambiental, direito minerário, gestores Outras ocupações: técnicos florestais, técni-
socioeducativos ambientais, técnicos de energia cos em manipulação farmacêutica, técnicos em
solar e de energia eólica, professores de educação produção, conservação e de qualidade de alimen-
Divulgação
ambiental... Esses são alguns exemplos de pro- tos... De acordo com a Classificação Brasileira de
fissionais e de especialidades que estão sendo Ocupações (CBO), existem mais de três mil ocupa-
requisitados pelo mercado de trabalho. ções profissionais no País, mas a tendência
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

Geólogos, contadores ambientais, biólogos, é que surjam inúmeras novas profissões


ecólogos, consultores ambientais, cientistas am- verdes, com a consequente extinção
bientais, monitores de ecoturismo, engenheiros de empregos relacionados a tecnolo-
agronômicos, urbanistas, técnicos de agronomia, gias ultrapassadas ou que provoquem
instaladores de painéis solares... O segmento de grande impacto ambiental.
energia solar está empregando quase 800 mil O nível de abrangência das ca-
pessoas ao redor do mundo. pacidades individuais e coletivas é
Engenheiros de alimentos, nutricionis- que determinará as futuras ocu-
tas, biomédicos, geneticistas, tecnólogos de pações profissionais, que serão
criogenia (ramo da físico-química que estuda sempre baseadas na realidade
tecnologias para a produção de temperaturas do respeito à natureza e ao
muito baixas), coordenadores de projetos, ad- homem para a conquista da
ministradores de infossistemas (consultores sustentabilidade.
68
REVISTA
• GESTÃO DE RESÍDUOS
• TECNOLOGIA
• SUSTENTABILIDADE

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Sustent ação
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ECONOMIA

Ostreicultura
Importância econômica e
sustentabilidade
O cultivo de moluscos
pode trazer muitos
ganhos para a sociedade
e para o meio ambiente
Por Arielli Secco

Ostra ao bafo, gratinada, frita, assada. Recei-


tas requintadas ou mais simples atiçam o paladar
de quem aprecia um bom fruto do mar. Mas,

Fotos: Arielli Secco


se a ocasião permite o trocadilho, o cultivo de Vieira, espécie de
moluscos não é moleza! Desde a produção das molusco cultivado
na Ostra Viva
sementes até a comercialização, esses animais
passam por etapas que exigem muito esforço
e atenção dos maricultores.
A produção comercial de ostras no Brasil pulação dos animais pelo Laboratório de Mo- Lanterna: estrutura
começou na década de 70, no Rio de Janeiro, luscos Marinhos (LMM) da Universidade Federal onde as ostras
permanecem
com a introdução de uma espécie original do de Santa Catarina, que abastece os produtores durante o
Oceano Pacífico, a Cassostrea gigas. “É uma locais até hoje. desenvolvimento
espécie exótica. É a mais cultivada em todo o No Brasil, Santa Catarina foi onde a ostrei-
mundo porque é a que cresce mais rápido e cultura ganhou maior destaque, tornando-se
tem um valor agregado maior por ter uma con- uma atividade econômica importante para os
cha externa mais bonita”, explica David Freitas municípios que a desenvolvem e para as comu-
Carriconde, gerente de produção da fazenda nidades onde a prática virou tradição. Por suas
marinha Ostra Viva, localizada no Ribeirão da características climáticas e geográficas favorá-
Ilha, em Florianópolis. veis, o estado responde por cerca de 90% da
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

O desenvolvimento de sementes dessa ostra produção nacional, de acordo com o Sebrae-SC.


no município começou em 1987, com a mani- Florianópolis concentra a maior parte do cultivo.

Ostras
prontas para
comercialização

70 Jairo Souza Cunha, Mara Viviane, Bernadete Batista


e Ana Regina Dutra na Fenaostra
Maycon de Souza Lopes e Juliano
Pedro Gonçalves trabalhando na
separação dos mariscos

Dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária e como filtrador. “Eles estão


Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) dão sempre se alimentando
conta de que, em 2008, a cidade comercializou do fitoplâncton, filtrando
1.177 toneladas de ostras (53% da produção a água. Fazem com que a
estadual), seguida por Palhoça, com 840 tone- turbidez seja reduzida, au-
ladas, e São José, com 100 toneladas. mentando a transparência
Os sistemas de cultivo utilizados no estado da superfície, facilitando a
são três, e variam de acordo com as caracte- penetração dos raios de luz.
rísticas de cada região: suspenso fixo, do tipo Isso estimula a reprodução do
varal (em que os moluscos ficam pendurados fitoplâncton que continua no
David recolhendo
na superfície do mar); balsas (construídas com mar e que absorve nitrogênio e fosfato”, escla- as ostras na fase
madeira, bombonas plásticas e tambores de me- rece Claudio Blacher, oceanógrafo e gerente do definitiva...

tal, não muito frequentes no Brasil); espinhel ou LMM. Ele lembra que a produção tem de estar
long-line. Este último é o sistema utilizado pela em regiões liberadas para o cultivo, com condi-
fazenda Ostra Viva. Flutuadores de plástico ficam ções apropriadas e monitoramentos constantes,
presos a cabos-mestre aos quais são amarradas evitando o manejo em locais poluídos.
as lanternas (estruturas que ficam submersas e Outra questão interessante é a diversidade
que abrigam os moluscos), as cordas de cultivo de espécies que se fixam e se proliferam nas
e as que servem de berçário aos animais. estruturas de cultivo. “São seres vivos que se ade-
As ostras irão se desenvolver nesse ambiente rem aos substratos e que vão servir de alimento
durante aproximadamente seis meses, até esta- para outros organismos, enriquecendo a cadeia
rem prontas para comercialização. “Elas vêm no trófica que ali permanece”, constata Claudio. É
tamanho de um milímetro. A primeira etapa é a fácil observar musgos, alguns crustáceos e algas
bandeja, onde colocamos 50 mil ostras em um vivendo nas cordas e boias, fator que enriquece
metro quadrado”, explica David, da Ostra Viva. a biodiversidade e os ecossistemas locais.
Depois da bandeja, os animais passam para Existe ainda uma terceira e talvez mais ... e cuidando
o berçário, para a fase intermediária e para a importante característica que favorece a pre- de sua lavagem

fase definitiva. Nesse processo, os maricultores servação ambiental. O desenvolvimento dessas


precisam estar atentos ao crescimento e à higie- espécies não necessita de nenhum tipo de
nização das estruturas em que as ostras são cul- aditivo ou substância além dos nutrientes
tivadas: aquelas que crescem menos devem ser naturais. No caso do cultivo de peixes e crus-
separadas na fase intermediária para trocarem de táceos, por exemplo, é preciso fornecer ração
lanterna, onde terão mais espaço para continuar aos animais, o que pode causar riscos ao meio
se desenvolvendo. É um trabalho manual e cons- ambiente se não houver um controle rigoroso
tante. A fazenda produz um milhão de sementes dos compostos utilizados. Guilherme Rupp,
por ano, sendo que aproximadamente 600 mil pesquisador do Centro de Desenvolvimento
conseguem chegar ao final do processo. em Aquicultura da Epagri, explica que a pro-
dução de moluscos é uma das mais limpas
ATIVIDADE SOCIOAMBIENTAL que existem. “A amônia, produto da excreção
Feixe de
Os aspectos sustentáveis desse tipo de desses seres, é solúvel na água , tornando-se mariscos
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

atividade são vários, a começar pelos próprios um nutriente para o fitoplâncton”.


animais. Esse tipo de molusco é caracterizado Vale lembrar que o manejo desses animais
... e separadas
de acordo com
o tamanho

Ostras recolhidas
para o manejo...
71
ECONOMIA
MPA E A CONCESSÃO
DO USO DAS ÁGUAS
Um entrave constante para os
maricultores é a questão da legalização
também envolve as comunidades locais. Na Não devemos nos
das áreas utilizadas para o cultivo. Como produtor,
Ostra Viva, por exemplo, todos os trabalhado- guiar pela lógica de David destaca a dificuldade em conseguir investimentos e
res são jovens, com idade entre 17 e 20 anos, e que a concha é incentivos por não existir a documentação exigida pelos
residem no bairro em que se encontra a fazenda um elemento da órgãos financiadores. “Nós poderíamos estar com outras unidades
marinha. “Todos eles têm uma estabilidade e a natureza e que, de produção se essa questão estivesse resolvida. Sem contar que
tem muitos pequenos produtores que desistem de continuar na

SXC
maioria sustenta a família só com esse ganho. por isso, se de-
atividade por não terem como financiá-la”, desabafa. De acordo com
Aqui no Ribeirão da Ilha, eu acredito que seja positada em
Guilherme Rupp, a criação do Ministério da Pesca e Aquicultura
a principal fonte de renda”, afirma David. Essa aterros ou de- é um passo significativo para que esse problema se solucione.
participação acaba se revertendo em conscien- volvida ao mar, “Quando a atividade teve início, na década de 90, não havia
tização ambiental. As praias, além de serem não causará da- regulamentação. Só agora é que surgiram legislações específicas
áreas de lazer, passam a ser o “ganha-pão” dos nos ambientais. “O para o uso de águas públicas para fins de aquicultura”, conta.
Guilherme explica que o processo está em andamento
moradores, como destaca Claudio. “Eles passam aumento de inse-
e que a legalização da concessão de áreas
a viver daqueles pontos onde existem as pro- tos nas áreas secas em de cultivo para os maricultores é uma
duções e se preocupam com aquele local para que é feito o depósito, questão de tempo.
que esteja livre de poluentes”. assim como o assoreamento
das águas pelo acúmulo de conchas
RESÍDUOS são os principais problemas gerados por esses porte desse material, como
O cultivo de moluscos apresenta-se como elementos”, como alerta a engenheira. O Bloco faz a prefeitura do município
uma prática natural e o seu principal resíduo Verde tem se mostrado como uma alternativa de São José, com quem a en-
são as toneladas de conchas geradas mensal- para isso, já que utiliza resíduos da construção genheira tem convênio há
mente. David destaca esse problema. “Agora os civil e da maricultura como matéria-prima. “Os três anos. “Recebo quarenta
produtores estão criando uma consciência de resíduos entram como um agregado, subs- e seis toneladas por mês. Eles
retirar da água os resíduos de conchas quando tituindo parte da areia fina e média e parte colocam contêineres para os
os animais morrem, por exemplo, porque isso do cimento na fabricação. O carbonato de maricultores e, no final da tar-
acontece muito com as ostras”, explica. Por en- cálcio, componente das conchas, forma liga- de, um caminhão passa com a
quanto, a fazenda Ostra Viva tem esse material ções químicas com o composto do cimento, caçamba e leva o material até
recolhido pela Companhia de Melhoramento preenchendo os espaços vazios e ocupando a empresa”, conta. É um pro-
da Capital (Comcap) – empresa responsável a zona de transição”, explica Bernadete. A en- blema que, quando solucio-
pela coleta de lixo de Florianópolis –, que o genheira ambiental garante que o produto é nado, permitirá que as ostras
destina a aterros sanitários. “Sabemos que não mais resistente, mais leve, absorve menos água carreguem em suas conchas
é a melhor solução e que há empresas inte- do que o convencional e está de acordo com um valioso ingrediente para a
ressadas nesse produto”, observa. Guilherme as normas da Associação Brasileira de Normas culinária, para a sociedade e
Rupp, da Epagri, confirma a utilidade desses Técnicas (ABNT). para o meio ambiente.
resíduos: “As cascas podem ser utilizadas tanto A produção do Bloco Verde ainda é feita
como fonte de cálcio para suplementação em escala artesanal. O que impede o cresci- Saiba mais:
alimentar como também para a produção de mento da produção, segundo a idealizadora, www.blocoverde.com.br
www.portaldamaricultura.com.br
cal, para aterros e até mesmo para a produção é a dificuldade em conseguir matéria-prima.
www.ostraviva.com.br
de blocos de concreto”. Ele se refere ao pro- Conchas e cascas não faltam, mas é necessá- www.lmm.ufsc.br
VISÃO AMBIENTAL • NOVEMBRO/DEZEMBRO • 2009

jeto Bloco Verde, idealizado pela engenheira ria uma logística de


ambiental Bernadete Batalha Batista. recolhimento e trans-

Bloco Verde: feito de


conchas e resíduos
da construção civil

Conchas trituradas e separadas de acordo com


a granulometria. O pó mais claro é de ostras e
pode ser usado, por exemplo, em ração animal
72 ou em remédios para osteoporose
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Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de 33-3277-7771 15 - 2102-1300 – www.metsominerals.com.br
Limpeza Pública e Resíduos Especiais) Dep. Moreira Mendes Ministério do Meio Ambiente
11 - 3254-566 – www.abrelpe.org.br 61-3215-5943 www.mma.gov.br
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