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CURSO SUPERIOR DE SECRETARIADO NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL
CURSO SUPERIOR DE SECRETARIADO NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

CURSO SUPERIOR DE SECRETARIADO

CURSO SUPERIOR DE SECRETARIADO NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

INTRODUÇÃO 2 O direito penal divide-se em direito material e direito processual. O direito material

INTRODUÇÃO

2

O direito penal divide-se em direito material e direito processual.

O direito material relaciona-se com as regras de conduta dos

indivíduos, estipulando os direitos e deveres em sociedade. Por exemplo, o art. 121 do CP, que trata do crime de homicídio, dirige-se à proteção do bem jurídico vida. Podemos, assim, dizer que o direito material cria, modifica ou limita algum direito.

O direito processual, por sua vez, liga-se ao modo pelo qual se

exercerá o direito material, ao procedimento estabelecido para a manutenção desse direito.

Falamos, então, que o direito processual penal é o conjunto de princípios e normas que regulam a aplicação do direito penal, inclusive regulando as atividades dos órgãos envolvidos na apuração do ilícito penal.

PRINCÍPIOS GERAIS DO PROCESSO PENAL

PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL

Também conhecido pela expressão inglesa due processo of law, está previsto no art. 5º, LIV da CF, e baseia-se na idéia de que o processo deve seguir os ritos legais previstos. Podemos dizer que subdivide-se em outros quatro princípios:

3 a) Contraditório – art. 5º, LV, da CF – significa que tudo o que

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a) Contraditório – art. 5º, LV, da CF – significa que tudo o que for alegado pela acusação deverá ser contraditado pelo réu, que tem o direito de expor sua versão dos fatos.

b) Igualdade entre as partes – não basta que o réu tenha o direito de se expressar, mas deverá ter condições de defender-se em condições de igualdade com a acusação.

c) Ampla defesa – prevista no art. 5º, LV, consubstancia-se na possibilidade de o acusado utilizar todos os instrumentos ao seu alcance, desde que não configurem prova ilícita, a fim de provar a veracidade de suas alegações.

d) Direito ao silêncio ou a não autoincriminação – o acusado tem o direito constitucional de permanecer calado, bem como de não produzir prova contra si mesmo.

PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE DOS ATOS PROCESSUAIS

Previsto no art. 5º, LX da CF, destaca-se que, em regra, os atos processuais são públicos, ou seja, as audiências podem ser assistidas por qualquer pessoa. Todavia, há casos em que pode ser decretado o segredo de justiça, por exemplo, para resguardar a defesa da intimidade ou em razão do interesse social. Destaque-se que a lei 12.015/2009, que alterou artigos do Código Penal, estabeleceu que os crimes contra a dignidade sexual, como o estupro, correrão sob segredo de justiça.

PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL 4 Previsto no art. 5º, LIII, significa que a competência já

PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL

4

Previsto no art. 5º, LIII, significa que a competência já deve estar previamente definida antes do cometimento da infração. Visa impedir a constituição de tribunais de exceção, isto é, aqueles criados especificamente para o caso concreto. Repare que esse princípio não vale para a polícia judiciária.

PRINCÍPIO DE MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES

Estabelece que todas as decisões judiciais precisam ser motivadas, ou seja, fundamentadas na lei. A finalidade do referido princípio é garantir a imparcialidade do julgador.

PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA OU NÃO CULPABILIDADE

Também previsto na CF, art. 5º, LVII, estipula que, enquanto não houver sentença judicial transitada em julgado (da qual não caiba mais recurso), ninguém poderá ser culpado. Não é o acusado quem deverá provar sua inocência, mas a acusação quem deverá provar a sua culpabilidade. Por esse motivo, havendo dúvida quanto à culpabilidade do acusado, deverá decidir-se em seu favor, ou seja, pro reo.

PRINCÍPIO DA VERDADE REAL 5 Diferentemente do processo civil, em que o juiz somente pode

PRINCÍPIO DA VERDADE REAL

5

Diferentemente do processo civil, em que o juiz somente pode decidir com o que está provado nos autos, no processo penal diz-se que o juiz deve buscar a verdade real, ou seja, não deve se conformar com o que foi incluído nos autos (processo), devendo buscar os fatos como realmente aconteceram. Ainda que muitos doutrinadores venham criticando a nomenclatura, tal princípio permanece aplicável para a doutrina e jurisprudência dominantes.

PRINCÍPIO DA IDENTIDADE FÍSICA DO JUIZ

Para esse princípio, o mesmo juiz que participou da coleta de provas é que deverá proferir sentença. Havia dúvidas se esse princípio era adotado pela legislação brasileira, dúvida essa que cessou com a lei 11.719, que no § 2º do art. 399, expressamente o previu.

PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO.

Entende-se por duplo grau de jurisdição a possibilidade de revisão das decisões judiciais por um outro órgão jurisdicional. Embora seja a regra, há exceções, por exemplo, quando o Supremo Tribunal Federal julga os senadores, casos que, havendo condenação, não o duplo grau.

6 PRINCÍPIO DA INADMISSIBILIDADE DAS PROVAS OBTIDAS POR MEIOS ILÍCITOS. As provas ilícitas diferenciam-se entre

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PRINCÍPIO DA INADMISSIBILIDADE DAS PROVAS OBTIDAS POR MEIOS ILÍCITOS.

As provas ilícitas diferenciam-se entre ilegais (as que violam o direito material) e ilegítimas (as que violam o direito processual). Provas ilegais são, por exemplo, a confissão obtidas mediante tortura. Provas ilegítimas, por sua vez, é a ordem judicial de quebra de sigilo telefônico sem a devida fundamentação do juiz. Concordamos, então, que as provas ilícitas deverão ser desentranhadas do processo, ou seja, retirada. Pergunta-se então: E se uma prova ilícita dá origem a outra prova ilícita, deverá também ser desconsiderada? A resposta é positiva, pois adotamos a famosa Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada (fruits of the poisonous tree), para a qual a prova contaminada afeta as que dela se originarem, nos termos do art. 157, § 1º do CPP. Todavia, a lei ressalvou duas situações em que não ocorre a contaminação. Está na parte final do referido § 1º do art. 157: quando não houver nexo de causalidade entre as provas ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. Como fonte independente, devemos entender aquelas que seriam obtidas normalmente por outros meios de investigação.

Vamos trabalhar com o seguinte exemplo. Uma quadrilha mantém o filho de um gerente de banco seqüestrado e pedem um resgate em dinheiro para libertar a vítima, configurando o crime de extorsão mediante seqüestro. Suponhamos que a polícia consegue prender um dos membros da quadrilha que, mediante tortura, confessa e crime e informa a localização do cativeiro onde está a vítima. A prisão dos demais membros do bando será considerada ilegal em decorrência da tortura (confissão decorrente de ato ilícito).

7 Todavia, digamos que, mesmo apesar da tortura, a polícia tenha recebido uma denúncia anônima,

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Todavia, digamos que, mesmo apesar da tortura, a polícia tenha recebido uma denúncia anônima, informando a localização do cativeiro. Mesmo que a primeira prova, a confissão, tenha sido ilícita, a segunda poderá ser considerada válida em virtude da fonte independente (a denúncia anônima). Por último, registre-se que o STF admite a utilização, para fins de incriminação, de interceptação ou escuta telefônica, feita sem autorização judicial, quando o agente estiver cometendo ilícito. Por exemplo, se uma pessoa está sendo vítima de extorsão, poderá grava-la para e essa prova poderá ser considerada válida. Da mesma forma, aceita-se esse tipo de prova para comprovar a inocência de alguém.

APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL NO TEMPO

Com relação à lei processual no tempo, dizemos que aplica-se o princípio da aplicação imediata, quer dizer, vale a regra de que o ato processual será disciplinado pela lei que estiver em vigor no momento do ato (tempus regit actum).

Desta forma, a lei processual não retroage, diferentemente da lei penal, não importando se ela é mais benéfica ao acusado.

8 APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL NO ESPAÇO A lei processual penal nacional se aplica

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APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL NO ESPAÇO

A lei processual penal nacional se aplica exclusivamente aos

processos e aos julgamentos ocorridos no território brasileiro, daí falarmos que adotamos o princípio da territorialidade absoluta.

APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL PENAL EM RELAÇÃO A DETERMINADAS PESSOAS

DIPLOMATAS

As imunidade diplomáticas se referem a qualquer delito e abrangem

os agentes diplomáticos, os membros de sua família, pessoal técnico e

administrativo das representações, os funcionários de organizações internacionais quando em serviço, além dos chefes de estado e suas comitivas quando em visita a outros países.

Os diplomatas, portanto, não podem ser presos

Veja que os cônsules são agentes administrativos que representam interesses de pessoas físicas ou jurídicas estrangeiras e, por isso, não gozam dessas imunidade.

IMUNIDADES PARLAMENTARES 9 O art. 53 da CF estabelece que os parlamentares federais (deputados e

IMUNIDADES PARLAMENTARES

9

O art. 53 da CF estabelece que os parlamentares federais (deputados e senadores) dispõem de imunidade material e processual. A imunidade material assegura que os parlamentares “são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas palavras, opiniões e votos” (POVO). Exige-se, apenas, que haja um nexo entre a manifestação e o exercício do mandato quando a manifestação ocorrer fora do parlamento, entendendo o STF que se o fato ocorrer dentro do plenário não há o que discutir. A imunidade formal estabelece que deputados e senadores serão julgados, nos crimes comuns, pelo Supremo Tribunal Federal. Por outro lado, os parlamentares somente poderão ser presos em flagrante de crime inafiançável e cópia do flagrante deverá ser enviada à respectiva casa dentro de vinte e quatro horas para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão. Entende o STF que somente essa prisão e a prisão decorrente de sentença condenatória transitada em julgado são cabíveis para os parlamentares. Todas as demais não são, portanto, cabíveis. Repare, ainda, que, de acordo com o § 3º do art. 53 da CF, se o STF aceitar denúncia contra um parlamentar, deverá notificar a respectiva casa, que poderá suspender o andamento do processo durante o mandato, tempo em também permanecerá suspensa a prescrição. Caso o parlamentar já responda a processo anterior ao exercício do mandato, assim que ocorra a diplomação, o processo será transferido para o STF, que dará prosseguimento sem possibilidade de suspender o andamento da ação. Os parlamentares também não são obrigados a servirem como testemunha sobre informações que tenham recebido em razão do exercício do

10 mandato. Os deputados estaduais gozam da mesma prerrogativa dos parlamentares federais no que se

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mandato. Os deputados estaduais gozam da mesma prerrogativa dos parlamentares federais no que se refere à imunidades material e processual. Já os vereadores somente possuem a imunidade material referentes a sua área de atuação, ou seja, somente são imunes com relação a palavra, voto e opinião no município em que desempenham seu mandato.

IMUNIDADE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

O presidente da república será julgado pelo Supremo Tribunal Federal, nos crimes comuns, e pelo Senado Federal, nos crimes de responsabilidade, após a prévia autorização da Câmara dos Deputados pelo voto de dois terços de seus membros (art. 51 da CF). Repare, todavia, que o presidente só pode ser processado por crimes cometidos no exercício da função. Caso o crime não tenha relação com o exercício do mandato, o presidente não poderá ser processado, pois goza de imunidade penal temporária e somente poderá ser processado no término de seu mandato.

INQUÉRITO POLICIAL 11 È o conjunto de diligências realizadas pela polícia judiciária com o objetivo

INQUÉRITO POLICIAL

11

È o conjunto de diligências realizadas pela polícia judiciária com o objetivo de reunir provas de autoria e materialidade de algum delito para, ao final, encaminhar esses elementos ao titular da ação penal (ministério público ou ofendido).

Diferenças entre Polícia Administrativa e Polícia Judiciária

Polícia Administrativa

Polícia Judiciária

Rege-se basicamente pelas regras de direito administrativo

Rege-se basicamente pelas normas de direito penal e direito processual penal

Sua finalidade é preponderantemente preventiva e excepcionalmente repressiva

É preponderantemente repressiva e excepcionalmente preventiva

Atua basicamente sobre bens e direitos e, eventualmente, pessoas

Seu foco de atuação principal são as pessoas e, eventualmente, os bens e direitos

Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal, Guardas Municipais etc.

Polícia Civil e Polícia Federal

FINALIDADE Além de reunir provas de autoria e materialidade, 12 podemos acrescentar outras três finalidades

FINALIDADE

Além

de

reunir

provas

de

autoria

e

materialidade,

12

podemos

acrescentar outras três finalidades do inquérito policial:

a) Formar a opinio delicti do titular da Ação Penal;

b) Fornecer a chamada justa causa para a ação penal;

c) Reunir cautelarmente as provas que correm risco de deterioração.

CARACTERÍSTICAS

Trata-se de procedimento administrativo, sigiloso, inquisitivo, discricionário e não obrigatório. Vamos pontuar cada uma dessas características. Não se confunde com o processo, que tem caráter judicial. Por isso, eventuais vícios do inquérito não contaminam a ação penal ou o processo que dele se originar. Também podemos afirmar que o inquérito é um procedimento escrito (formal) e sigiloso. A necessidade de sigilo cabe ao delegado de polícia, pois é quem está à frente das investigações, embora tal sigilo não se aplique ao juiz, aos membros do Ministério Público e, conforme recente posicionamento do STF, aos advogados.

Outra característica marcante do inquérito é seu caráter inquisitivo, ou seja, que não requer o contraditório como no processo judicial. Uma exceção muito lembrada em concursos é no caso de inquérito sobre expulsão de estrangeiros, a cargo da Polícia Federal (Lei 6.815), em que o contraditório é obrigatório.

13 Como se disse, não contraditório no inquérito, razão pela qual o delegado tem discricionariedade

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Como se disse, não contraditório no inquérito, razão pela qual o delegado tem discricionariedade para conduzir as investigações da forma que entender, respeitados os limites legais evidentemente. Lembre-se, ainda, que o inquérito não é obrigatório. Se o Ministério Público dispuser de provas e elementos de convicção, poderá desde já propor a ação penal independente de inquérito. Além disso, entende o STF que a condenação apoiada exclusivamente nas provas do inquérito policial é nula, pois nesse caso haveria violação ao princípio constitucional do contraditório.

NOTÍCIA DO CRIME (NOTITIA CRIMINIS)

È a forma pela qual a autoridade policial toma conhecimento da

ocorrência de um crime. Não é correto dizermos que prestamos queixa, conforme se ouve cotidianamente, pois, como veremos adiante, queixa é nome da peça inicial nos crimes de ação penal privada. A notitia criminis pode ser classificada em:

a) Direta/imediata/espontânea – quando o delegado toma conhecimento por meio de suas atividades regulares. Ex: notícia de jornal, recebimento de denúncia anônima, descoberta de corpo de delito;

b) Indireta/mediata/provocada – quando o delegado toma conhecimento por meio de um ato formal. Ex: Requisição do juiz ou MP, requerimento do ofendido.

c) Coercitiva/obrigatória – quando o delegado toma conhecimento por meio da apresentação de pessoa presa em flagrante.

FORMAS DE INSTAURAÇÃO DO IP 14 Como veremos adiante, os crimes são processados por meio

FORMAS DE INSTAURAÇÃO DO IP

14

Como veremos adiante, os crimes são processados por meio de

ação penal. A ação penal divide-se em pública e privada. As ações penais públicas são subdivididas em incondicionadas e condicionadas a representação. Quando a infração for processada por ação penal pública incondicionada, o IP terá início da seguinte forma:

a) De ofício pelo delegado (portaria);

b) Por meio de requerimento de qualquer do povo;

c) Mediante ofício requisitório do juiz/promotor (nesse caso é obrigado a instaurar);

d) Por meio do Auto de Prisão em Flagrante (APF).

Quando a infração for processada por ação penal privada, é preciso haver uma prévia manifestação do ofendido preliminar á instauração do IP que terá início:

a) Pelo delegado (portaria);

b) Mediante ofício requisitório do juiz/promotor;

c) Por meio do APF.

INCOMUNICABILIDADE DA PRISÃO

Embora o art. 21 do CPP trate da incomunicabilidade do preso, a Constituição derrogou tacitamente este dispositivo, de modo que não se pode falar em incomunicabilidade da prisão após a promulgação da CF/88.

15 DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS ENTRE DENÚNICA E QUEIXA DENÚNCIA   QUEIXA Ação pública   Ação

15

DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS ENTRE DENÚNICA E QUEIXA

DENÚNCIA

 

QUEIXA

Ação pública

 

Ação privada

Elaborada pelo ministério público

 

Elaborada pela vítima ou pelo seu representante legal (por intermédio de advogado)

Prazo:

em

regra

será

de

5

dias

Prazo: em geral

é

de 6 meses

(acusado preso) e 15 dias ( acusado solto)

contados do conhecimento da autoria do crime.

No caso de concurso de pessoas, a denúncia deve especificar a conduta de cada um.

Exige-se que a procuração tenha poderes específicos para oferecimento de queixa.

REQUISITOS DA DENÚNICA OU QUEIXA art. 41 do CPP 16 1. exposição do fato criminoso

REQUISITOS DA DENÚNICA OU QUEIXA art. 41 do CPP

16

1. exposição do fato criminoso com todas as suas circunstâncias.

2. qualificação do acusado, ou sinais pelos quais se possa identificá-lo.

3. classificação do crime.

4. o rol de testemunhas, quando necessário.

5. endereçamento correto da denúncia ou da queixa.

6. pedido de condenação, ainda que implícito.

7. assinatura da pessoa que elaborou a denúncia ou a queixa.

CAUSAS DE REJEIÇÃO DA DENÚNCIA OU QUEIXA art. 395 CPP

A denúncia ou queixa serão rejeitadas quando:

a) for manifestamente inepta;

b) faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal.

c) faltar justa causa para o exercício da ação penal.

PRAZO PARA CONCLUSÃO DO IP

“Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela”.

17 Justiça estadual Réu preso 10 dias improrrogáveis em regra Réu solto 30 dias –
17
Justiça estadual
Réu preso
10
dias improrrogáveis em regra
Réu solto
30
dias
pode
haver
sucessivas
prorrogações
Justiça federal
Réu preso
15
dias – prorrogável uma única vez
Lei 5.010/1966
por igual período
Réu solto
30
dias
pode
haver
sucessivas
prorrogações
Drogas
Réu preso
30
dias – prorrogáveis em dobro
Lei 11.34
Réu solto
90
dias – prorrogáveis em dobro
Crimes
contra
a
Réu preso
10
dias - improrrogáveis
economia popular
Lei 1.521/1951
Réu solto
10
dias – prorrogáveis

IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL – art. 5º, LVIII da CF e Lei 12.037/2009

Com a entrada em vigor da lei 12.037/2009, o civilmente identificado não será submetido à identificação criminal, salvo nos casos previstos nessa lei. Vejamos abaixo.

18 A identificação criminal, nos termos do art. 5º da referida lei, é feita de

18

A identificação criminal, nos termos do art. 5º da referida lei, é feita

de duas formas: fotográfica e datiloscópica (impressões digitais).

O art. 3º elenca as situações em que poderá ocorrer a identificação

criminal, ainda que apresentado o documento civil. São elas:

a) o documento apresentar rasura ou indício de falsificação.

b) o documento apresentado for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado.

c) O indiciado portar documentos de identidade distintos, com informações conflitantes.

d) A identificação criminal for essencial às investigações policiais, segundo despacho da autoridade judiciária competente.

e) Constar de registros policiais o uso de outros nomes e qualificações.

f) O estado de conservação ou a distância temporal ou da localidade da expedição do documento apresentado impossibilite a completa identificação

do sujeito.

Conforme o art. 6º, é vedado mencionar a identificação criminal do indiciado em atestados de antecedentes ou em informações não destinadas ao juízo criminal antes do trânsito em julgado da sentença condenatória.

19 DILIGÊNCIAS MAIS COMUNS NO IP (art. 6º CPP) I. Resguardo do local da infração,

19

DILIGÊNCIAS MAIS COMUNS NO IP (art. 6º CPP)

I.

Resguardo do local da infração, de modo que não se altere o estado das coisas, até a chegada dos peritos.

II.

Apreensão de objetos e colheita de provas.

III.

Exames, avaliações e perícias.

IV.

Reconhecimento de pessoas e de coisas e acareações.

V.

Interrogatório do indiciado.

VI.

Declarações da vítima.

VII.

Depoimento ou oitiva de testemunhas.

VIII.

Ordenamento da identificação criminal nos casos em que a lei autoriza.

IX.

Reconstituição da infração.

ARQUIVAMENTO

Somente a autoridade judicial pode arquivar o inquérito, não o podendo fazer nem o delegado, nem o promotor. Além disso, o juiz não pode arquivar o inquérito de ofício, ou seja, só poderá fazê-lo se houver pedido do Ministério Público. A decisão que determinar o arquivamento do inquérito é, pela regra, irrecorrível. Exceções: Crimes contra a saúde pública e a economia popular (art. 7º lei 1.521); inquérito sobre jogo do bicho (arts. 58 e 60 da lei 6.259). Se o inquérito já estiver arquivado, poderá ser desarquivado se surgirem novas provas no futuro. Há casos, todavia, nos quais o inquérito não poderá ser desarquivado segundo o STF. São eles: quando o arquivamento

20 ocorrer em virtude de o fato ser atípico ou em razão de ter sido

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ocorrer em virtude de o fato ser atípico ou em razão de ter sido extinta a punibilidade (art. 107 do CP). Terminadas as investigações, a autoridade policial deverá elaborar um relatório final com o resumo de todas as diligências realizadas. Após a conclusão do relatório, o IP será enviado ao juiz que abrirá vistas ao Ministério Público conforme o esquema abaixo:

RELATÓRIO

JUIZ

MP

Oferecer

- 5 dias réu preso - 15 dias réu solto

FINAL IP

denúncia

 
 
 
 

Devolve IP e pede novas diligências

 

Requer ao juiz arquivamento

Por sua vez, o juiz, ao receber o pedido de arquivamento do MP

poderá;

 

Concordar com o pedido

Arquivamento

 

JUIZ

Discordar

do

Encaminha procurador geral

Oferecer

Denúncia

pedido

denúncia

 

Designa

outro

Denúncia

promotor

para

oferecer

denúncia

Insiste

no

Arquivamento

pedido

de

arquivamento

21 AÇÃO PENAL (arts 24 a 60 do CPP e arts 100 a 102 do

21

AÇÃO PENAL (arts 24 a 60 do CPP e arts 100 a 102 do CP)

Ação pública e de iniciativa privada Código Penal

Art. 100 - A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a declara privativa do ofendido.

§ 1º - A ação pública é promovida pelo Ministério Público, dependendo, quando a lei o exige, de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça.

§ 2º - A ação de iniciativa privada é promovida mediante queixa do ofendido ou de quem tenha qualidade para representá-lo.

§ 3º - A ação de iniciativa privada pode intentar-se nos crimes de ação pública, se o Ministério Público não oferece denúncia no prazo legal.

§ 4º - No caso de morte do ofendido ou de ter sido declarado ausente por decisão judicial, o

direito de oferecer queixa ou de prosseguir na ação passa ao cônjuge, ascendente, descendente ou

irmão.

A ação penal no crime complexo

Art. 101 - Quando a lei considera como elemento ou circunstâncias do tipo legal fatos que, por si mesmos, constituem crimes, cabe ação pública em relação àquele, desde que, em relação a qualquer destes, se deva proceder por iniciativa do Ministério Público.

Irretratabilidade da representação 22 Art. 102 - A representação será irretratável depois de oferecida a

Irretratabilidade da representação

22

Art. 102 - A representação será irretratável depois de oferecida a denúncia.

A ação penal é o instrumento que a acusação tem de provocar o Estado,

dentro do devido processo legal, a julgar as condutas dos indivíduos diante do

direito penal. No Brasil, a ação penal poderá ser pública ou privada.

A ação penal pública é promovida pelo Ministério Público – por isso se diz

que o MP é o titular da ação penal pública – e se divide em dois tipos:

a) Ação Penal Pública Incondicionada – não precisa de requisição, queixa, da participação ou provocação de ninguém.

b) Ação Penal Pública Condicionada à Representação – nesse caso, o MP só poderá agir se houver a representação da vítima do crime ou por requisição do ministro da justiça.

A ação penal privada, por sua vez, é promovida pela própria vítima, que

deve constituir advogado e ingressar por si própria com ação na respectiva vara criminal. O nome da peça da ação penal privada chama-se queixa-crime e tem as seguintes modalidades:

a) Ação penal exclusivamente privada – admite sucessão no caso de falecimento da vítima pelo cônjuge, ascendente, descendente e irmão, ou seja, se a vítima morrer durante o processo, esses parentes podem prosseguir com a ação. Ex: crimes contra a honra, crimes de violação de

23 direito autoral art. 184 do CP,crime de exercício arbitrário das próprias razões sem violência

23

direito autoral art. 184 do CP,crime de exercício arbitrário das próprias razões sem violência art. 345 do CP. b) Ação penal personalíssima – nesse caso, os sucessores não podem prosseguir com a ação no caso de falecimento da vítima. Só ocorre no crime de Ocultação de impedimento matrimonial ou induzimento a erro essencial art. 236 do CP. c) Ação penal subsidiária da pública – essa modalidade é permitida para o caso de o MP não ingressar a ação pública competente, facultando à vítima agir diante da inércia daquele.

Para sabermos se um crime é processado por meio de ação penal pública ou privada, de acordo com o artigo 100 do Código Penal, é preciso observar o artigo do CP que prevê o crime. A regra é de que os crimes são processados por meio de ação penal pública incondicionada, a não ser que na previsão do tipo penal esteja previsto de outra forma. Assim, por exemplo, no crime de omissão de socorro, temos o seguinte comando:

Omissão de socorro

Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública:

Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

Parágrafo único - A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.

24 Repare que no crime de omissão de socorro não há nenhuma regra determinado qual

24

Repare que no crime de omissão de socorro não há nenhuma regra

determinado qual tipo de ação deva ser utilizada para o processamento deste crime. Logo, conclui-se, pela regra geral, que o crime do art. 135 do CP processa-

se mediante ação penal pública incondicionada. Por outro lado, vejamos o art. 147 do CP:

Ameaça

Art. 147 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave:

Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

Parágrafo único - Somente se procede mediante representação.

O crime de ameaça, conforme vemos destacado em negrito, determina que

o seu processamento ocorra mediante ação penal pública condicionada à representação.

Veja, ao final, um exemplo de crime processado por meio de queixa-crime:

Exercício arbitrário das próprias razões

Art. 345 - Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite:

25 Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa, além da pena

25

Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa, além da pena correspondente à violência.

Parágrafo único - Se não há emprego de violência, somente se procede mediante queixa.

Súmula 714/STF: É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do ministério público, condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por crime contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções.

Súmula 594/STF: Os direitos de queixa e de representação podem ser exercidos, independentemente, pelo ofendido ou por seu representante legal.

DIFERENÇAS ENTRE PRESCRIÇÃO, DECADÊNCIA E PEREMPÇÃO 26 PRESCRIÇÃO   DECADÊNCIA   PEREMPÇÃO

DIFERENÇAS ENTRE PRESCRIÇÃO, DECADÊNCIA E PEREMPÇÃO

26

PRESCRIÇÃO

 

DECADÊNCIA

 

PEREMPÇÃO

 

Perda do direito de punir do Estado em razão de

Perda

do

direito

de

se

Perda

do

direito de

iniciar

a

ação

penal

prosseguir na ação penal

seu

não exercício no

condicionada

 

à

privada em

razão da

prazo legal

 

representação

e

 

à

ação

inércia ou da negligência processual

 

penal privada

 

Aplica-se

a

crimes

de

Só se aplica nos crimes

Só se aplica na ação penal privada, exceto na subsidiária da pública

ação

penal

pública

e

de

ação

penal

pública

privada

 

condicionada

 

a

 

representação

e

ação

 

penal privada

 

Segundo a CF, somente

 

os crimes

de racismo e

ação de grupos armados contra a ordem constitucional e o estado democrático

Renúncia expressa ou tácita do direito de queixa 27 Art. 104 - O direito de

Renúncia expressa ou tácita do direito de queixa

27

Art. 104 - O direito de queixa não pode ser exercido quando renunciado expressa ou tacitamente.

Parágrafo único - Importa renúncia tácita ao direito de queixa a prática de ato incompatível com a vontade de exercê-lo; não a implica, todavia, o fato de receber o ofendido a indenização do dano causado pelo crime.

Decadência é a perda do direito de ação penal pelo transcurso do tempo previsto em lei para o oferecimento da queixa-crime (ação penal privada) ou da representação (ação penal pública condicionada). Quer dizer, a lei determina um limite de tempo, que é de 6 meses, para a vítima demonstrar que quer processar o autor do crime. Esgotado esse prazo, fica extinta a punibilidade para o Estado.

Súmula 594/STF: Os direitos de queixa e de representação podem ser exercidos, independentemente, pelo ofendido ou por seu representante legal.

A renúncia é a manifestação de vontade da vítima em não dar prosseguimento ao processo. Ela pode ser expressa quando a lei prevê a situação, por exemplo, como acabamos de ver, no caso de passados mais de seis

28 meses do fato. Ou pode ser tácita quando a vítima possui alguma conduta que

28

meses do fato. Ou pode ser tácita quando a vítima possui alguma conduta que seja incompatível com a vontade de processar alguém. Por exemplo, a namorada registra uma ocorrência de ameaça contra o namorado, porém em três meses casa-se com o mesmo. Repare, contudo, que o fato de receber indenização pelo dano causado pelo crime não constitui causa de renúncia tácita.

Perdão do ofendido

Art. 105 - O perdão do ofendido, nos crimes em que somente se procede mediante queixa, obsta ao prosseguimento da ação.

Art. 106 - O perdão, no processo ou fora dele, expresso ou tácito:

I - se concedido a qualquer dos querelados, a todos aproveita;

II - se concedido por um dos ofendidos, não prejudica o direito dos outros;

III - se o querelado o recusa, não produz efeito.

§ 1º - Perdão tácito é o que resulta da prática de ato incompatível com a vontade de prosseguir na ação.

§ 2º - Não é admissível o perdão depois que passa em julgado a sentença condenatória.

O perdão também extingue a punibilidade, todavia, diferente da renúncia, o perdão deve ser aceito pelo réu e pode ser concedido até o trânsito em julgado da sentença condenatória após o recebimento da denúncia.

29 Veja abaixo outras diferenças entre o perdão e a renúncia: Renúncia Perdão do ofendido

29

Veja abaixo outras diferenças entre o perdão e a renúncia:

Renúncia

Perdão do ofendido

 

Ato unilateral

Ato bilateral

 

Impede o início do processo penal

Pode

ocorrer

com

o

processo

em

andamento

 

É, portanto, extraprocessual

Pode

ser

extraprocessual

ou

processual

 

PRISÃO E LIBERDADE PROVISÓRIA

De acordo com o art. 5º, LXI, da Constituição Federal, “ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definido em lei”. Por isso, a prisão é medida de exceção. A regra é o acusado responder ao processo em liberdade, só devendo ser preso caso se mostre realmente necessário.

TIPOS DE PRISÃO PRISÃO DEFINITIVA 30 É a que ocorre após o trânsito em julgado

TIPOS DE PRISÃO

PRISÃO DEFINITIVA

30

É a que ocorre após o trânsito em julgado da sentença penal

condenatória, vista como sanção penal.

PRISÃO CAUTELAR

É a que ocorre antes do trânsito em julgado da sentença penal

condenatória. São modalidades de prisão cautelar: prisão em flagrante, prisão preventiva, prisão temporária, prisão decorrente de sentença de pronúncia, prisão decorrente de sentença condenatória recorrível. A prisão cautelar exige a presença de dois requisitos essenciais:

a) fumus comissi delicti (fumus boni iuris) – só se deve prender alguém antes da sentença transitar em julgado caso haja uma grande probabilidade de essa pessoa ser condenada ao final do processo. É necessário constatar se há provas de autoria e materialidade.

b) Periculum libertatis (periculum in mora) – é quando, havendo perigo de que a demora cause um mal maior ou a prisão se torne inútil porque o réu fugiu, destruiu provas etc, torna-se imprescindível a prisão do sujeito.

DISPOSIÇÕES GERAIS SOBRE AS PRISÕES 31 O instrumento formal que autoriza uma prisão é o

DISPOSIÇÕES GERAIS SOBRE AS PRISÕES

31

O instrumento formal que autoriza uma prisão é o mandado de prisão, nos termos do art. 285 do CPP:

“Art. 285. A autoridade que ordenar a prisão fará expedir o respectivo mandado.

Parágrafo único. O mandado de prisão:

a)

será lavrado pelo escrivão e assinado pela autoridade;

 

b)

designará

a

pessoa,

que

tiver

de

ser

presa,

por

seu

nome,

alcunha

ou

sinais

característicos;

c) mencionará a infração penal que motivar a prisão;

d) declarará o valor da fiança arbitrada, quando afiançável a infração;

e) será dirigido a quem tiver qualidade para dar-lhe execução.”

Via de regra, portanto, somente poderá haver a prisão de alguém mediante a expedição do respectivo mandado. As exceções a essa regra são:

prisão nos casos de flagrante, de transgressão militar ou crime propriamente militar; prisões disciplinares; prisões constitucionais de caráter cautelar (estado de defesa e de sítio) e recaptura de preso.

32 Se no momento da prisão a autoridade policial não estiver com o mandado em

32

Se no momento da prisão a autoridade policial não estiver com o mandado em mãos, poderá ocorrer a prisão desde que o crime seja inafiançável,

devendo a autoridade informar imediatamente a autoridade judiciária que expediu

o mandado, nos termos do art. 284 do CPP.

Art. 287. Se a infração for inafiançável, a falta de exibição do mandado não obstará à prisão, e o preso, em tal caso, será imediatamente apresentado ao juiz que tiver expedido o mandado.

Se o acusado estiver sendo perseguido e passar para o território de outro município ou comarca, a autoridade que o estiver perseguindo poderá efetuar a prisão no lugar onde o alcançar no outro município. Nesse caso, o preso deve ser imediatamente apresentado à autoridade local, que, depois de lavrado o flagrante, o removerá (art. 290 do CPP).

Nos termos do art. 5º, LXVII da CF, admite-se a prisão civil do devedor de alimentos e depositário infiel. Todavia, registre-se que a prisão do

depositário infiel não vem sendo mais admitida em virtude de o Brasil ter assinado

o Pacto de São José da Costa Rica.

Art. 295. Serão recolhidos a quartéis ou a prisão especial, à disposição da autoridade competente, quando sujeitos a prisão antes de condenação definitiva:

I - os ministros de Estado;

II - os governadores ou interventores de Estados ou Territórios, o prefeito do Distrito Federal, seus respectivos secretários, os prefeitos municipais, os vereadores e os chefes de Polícia; (Redação dada pela Lei nº 3.181, de 11.6.1957)

33 III - os membros do Parlamento Nacional, do Conselho de Economia Nacional e das

33

III - os membros do Parlamento Nacional, do Conselho de Economia Nacional e das

Assembléias Legislativas dos Estados;

IV

- os cidadãos inscritos no "Livro de Mérito";

V

 

- os oficiais das Forças Armadas e do Corpo de Bombeiros;

V

– os oficiais das Forças Armadas e os militares dos Estados, do Distrito Federal e dos

Territórios; (Redação dada pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001)

VI - os magistrados;

VII - os diplomados por qualquer das faculdades superiores da República;

VIII - os ministros de confissão religiosa;

IX - os ministros do Tribunal de Contas;

X - os cidadãos que já tiverem exercido efetivamente a função de jurado, salvo quando

excluídos da lista por motivo de incapacidade para o exercício daquela função;

XI

- os guardas-civis dos Estados e Territórios, ativos ou inativos. (Incluído pela Lei nº 4.760,

de 1965)

XI - os delegados de polícia e os guardas-civis dos Estados e Territórios, ativos e inativos.

(Redação dada pela Lei nº 5.126, de 20.9.1966)

§

1 o A prisão especial, prevista neste Código ou em outras leis, consiste exclusivamente no

recolhimento em local distinto da prisão comum. (Incluído pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001)

§ 2 o Não havendo estabelecimento específico para o preso especial, este será recolhido em cela distinta do mesmo estabelecimento. (Incluído pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001)

34 3 o A cela especial poderá consistir em alojamento coletivo, atendidos os requisitos de

34

3 o A cela especial poderá consistir em alojamento coletivo, atendidos os requisitos de

salubridade do ambiente, pela concorrência dos fatores de aeração, insolação e condicionamento térmico adequados à existência humana. (Incluído pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001)

§

4 o O preso especial não será transportado juntamente com o preso comum. (Incluído pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001)

§

§

5 o Os demais direitos e deveres do preso especial serão os mesmos do preso comum.

A prisão especial, de que trata o art. 295 do CPP nada mais é do que

separar esse grupo de presos dos presos comuns, além da exigência de que sejam transportados separadamente.

Note que essa prisão especial só se justifica tratando-se de prisão cautelar, provisória. Após a sentença transitada em julgado, o preso poderá se colocado junto com os presos comuns. Há casos em que, mesmo após a sentença transitada em julgado, continua a haver a separação, por exemplo no caso de ex- policiais, juízes ou servidores que atuaram na justiça criminal.

A prisão pode ser realizada em qualquer dia e hora, seja feriado ou

durante a noite (art. 283, CPP). Existem duas exceções a essa regra:

a) período eleitoral – é vedada a prisão de qualquer eleitor cinco dias antes e 48 horas após a eleição, salvo nas hipóteses de flagrante delito, ou sentença penal condenatória por crime inafiançável. Não poderá, por exemplo, haver cumprimento de mandado de prisão preventiva ou temporária nesse período.

35 b) Inviolabilidade de domicílio – a casa, considerada pela CF asilo inviolável, somente pode

35

b) Inviolabilidade de domicílio – a casa, considerada pela CF asilo inviolável, somente pode ser violada durante a noite em caso de flagrante delito ou desastre, para prestar socorro, e com autorização do morador; durante o dia, em todas as hipóteses anteriores mais a autorização judicial (mandado).

Existem dois conceitos para definição de dia. O critério cronológico define dia como o período das 6 às 18 horas. O critério físico-astronômico o define como o período entre a aurora e o crepúsculo.

A lei de drogas (11.343), em seu art. 44, vedou a liberdade provisória nos crimes relacionados ao tráfico. Todavia o STF entende que deve-se observar se os requisitos da prisão preventiva estão presentes ou não.

Art. 44. Os crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1 o , e 34 a 37 desta Lei são inafiançáveis e insuscetíveis de sursis, graça, indulto, anistia e liberdade provisória, vedada a conversão de suas penas em restritivas de direitos. (Lei 11.343).

TRÁFICO. DROGAS. LIBERDADE PROVISÓRIA. A Turma concedeu a ordem de habeas corpus para restabelecer a decisão do juízo de primeiro grau que havia deferido a liberdade provisória a paciente presa em flagrante pela suposta prática do delito de tráfico de entorpecentes. Reiterou-se o entendimento já noticiado na Turma de que a simples invocação do art. 44 da Lei n. 11.343/2006 e a menção à quantidade de droga apreendida não são suficientes para o indeferimento do pedido de soltura, quando ausente a demonstração dos requisitos do art. 312 do CPP e, principalmente, duvidosa a autoria do crime. Precedentes citados: HC 155.380-PR, DJe

36 5/4/2010; HC 139.412-SC, DJe 22/3/2010, e RHC 24.349-MG, DJe 1º/12/2008. HC 170.005-RS, Rel. Min.

36

5/4/2010; HC 139.412-SC, DJe 22/3/2010, e RHC 24.349-MG, DJe 1º/12/2008. HC 170.005-RS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 30/6/2010. Sexta Turma Informativo 441

A lei 9.034/95, que trata das organizações criminosas estabelece em sue art. 7º a vedação da concessão da liberdade provisória aos acusados de envolvimento nessas organizações.

Art. 7º Não será concedida liberdade provisória, com ou sem fiança, aos agentes que tenham tido intensa e efetiva participação na organização criminosa.

PRISÕES EM ESPÉCIE

PRISÃO EM FLAGRANTE

DA PRISÃO EM FLAGRANTE

Art. 301. Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito.

Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem:

I - está cometendo a infração penal;

II - acaba de cometê-la;

37 III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa,

37

III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autor da infração;

IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração.

Art. 303. Nas infrações permanentes, entende-se o agente em flagrante delito enquanto não cessar a permanência.

Art. 304. Apresentado o preso à autoridade competente, ouvirá esta o condutor e colherá, desde logo, sua assinatura, entregando a este cópia do termo e recibo de entrega do preso. Em seguida, procederá à oitiva das testemunhas que o acompanharem e ao interrogatório do acusado sobre a imputação que lhe é feita, colhendo, após cada oitiva suas respectivas assinaturas, lavrando, a autoridade, afinal, o auto. (Redação dada pela Lei nº 11.113, de 2005)

1 o Resultando das respostas fundada a suspeita contra o conduzido, a autoridade mandará

recolhê-lo à prisão, exceto no caso de livrar-se solto ou de prestar fiança, e prosseguirá nos atos

do inquérito ou processo, se para isso for competente; se não o for, enviará os autos à autoridade que o seja.

§

2 o A falta de testemunhas da infração não impedirá o auto de prisão em flagrante; mas, nesse caso, com o condutor, deverão assiná-lo pelo menos duas pessoas que hajam testemunhado a apresentação do preso à autoridade.

§

3 o Quando o acusado se recusar a assinar, não souber ou não puder fazê-lo, o auto de

prisão em flagrante será assinado por duas testemunhas, que tenham ouvido sua leitura na presença deste. (Redação dada pela Lei nº 11.113, de 2005)

§

Art. 305. Na

falta

ou

no

impedimento

do

escrivão,

qualquer

pessoa

designada

pela

autoridade lavrará o auto, depois de prestado o compromisso legal.

38 Art. 306. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão

38

Art. 306. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente, ao Ministério Público e à família do preso ou à pessoa por ele indicada. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

1 o Em até 24 (vinte e quatro) horas após a realização da prisão, será encaminhado ao juiz competente o auto de prisão em flagrante e, caso o autuado não informe o nome de seu advogado, cópia integral para a Defensoria Pública. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

§

2 o No mesmo prazo, será entregue ao preso, mediante recibo, a nota de culpa, assinada

pela autoridade, com o motivo da prisão, o nome do condutor e os das testemunhas. (Redação

dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

§

Art. 307. Quando o fato for praticado em presença da autoridade, ou contra esta, no exercício de suas funções, constarão do auto a narração deste fato, a voz de prisão, as declarações que fizer o preso e os depoimentos das testemunhas, sendo tudo assinado pela autoridade, pelo preso e pelas testemunhas e remetido imediatamente ao juiz a quem couber tomar conhecimento do fato delituoso, se não o for a autoridade que houver presidido o auto.

Art. 308. Não havendo autoridade no lugar em que se tiver efetuado a prisão, o preso será logo apresentado à do lugar mais próximo.

Art. 309. Se o réu se livrar solto, deverá ser posto em liberdade, depois de lavrado o auto de prisão em flagrante.

em

fundamentadamente: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

Art.

310.

Ao

receber

o

auto

de

prisão

flagrante,

o

juiz

deverá

I - relaxar a prisão ilegal; ou (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

II - converter a prisão em flagrante em preventiva, quando presentes os requisitos constantes do art. 312 deste Código, e se revelarem inadequadas ou insuficientes as medidas cautelares diversas da prisão; ou (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

39 III - conceder liberdade provisória, com ou sem fiança. (Incluído pela Lei nº 12.403,

39

III - conceder liberdade provisória, com ou sem fiança. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

Parágrafo único. Se o juiz verificar, pelo auto de prisão em flagrante, que o agente praticou o fato nas condições constantes dos incisos I a III do caput do art. 23 do Decreto-Lei n o 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, poderá, fundamentadamente, conceder ao acusado liberdade provisória, mediante termo de comparecimento a todos os atos processuais, sob pena de revogação. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

O art. 302 do CPP indica as circunstâncias em que uma pessoa

poderá ser presa em flagrante, sendo bastante utilizada a seguinte classificação a seguir.

ESPÉCIES DE FLAGRANTE

OBRIGATÓRIO

É aquele que existe para as autoridades policiais e seus agentes.

Estes deverão prender aquele que estiver em situação de flagrante. Conforme doutrina e jurisprudência majoritária, mesmo o policial de folga está sujeito ao flagrante obrigatório.

FACULTATIVO 40 Conforme o art. 301 do CPP, qualquer do povo poderá efetuar a prisão

FACULTATIVO

40

Conforme o art. 301 do CPP, qualquer do povo poderá efetuar a prisão daquele que estiver em situação de flagrante.

PRÓPRIO/ REAL

Diz-se daquele está cometendo a infração ou acaba de comete-la.

IMPRÓPRIO / QUASE FLAGRANTE

Esse tipo de flagrante ocorre quando o autor é perseguido, logo após a infração, pela autoridade ou qualquer pessoa em situação que faça presumir ser o autor da infração. Veja que essa perseguição pode durar vários dias, desde que, havendo rodízio de policiais, não seja interrompida. Não é necessário que, durante toda a perseguição, o suspeito esteja sendo visualizado a todo momento.

FICTO / PRESUMIDO

Ocorre quando o agente é encontrado, logo depois do crime, com armas, objetos ou sinais que façam presumir ser ele o autor da infração.

PREPARADO OU PROVOCADO 41 Ocorre quando existe a figura do agente provocador. Também é chamado

PREPARADO OU PROVOCADO

41

Ocorre quando existe a figura do agente provocador. Também é chamado de delito putativo por obra de agente provocador. Nesse caso, o agente é induzido a cometer uma infração que não cometeria espontaneamente, e que não tem a mínima chance de se consumar. Trata-se de flagrante ilegal e a prisão deve ser relaxada. A súmula 145 do STF classifica essa modalidade de flagrante como uma modalidade de crime impossível.

ESPERADO

Nessa situação não há a figura do agente provocador. No flagrante esperado, a polícia, sabendo da provável ocorrência do crime em determinado local, dirige-se para tal e toma todas as cautelas para evitar que o crime se consuma.

FABRICADO / FORJADO

O flagrante forjado é outra modalidade de flagrante ilegal. Nessa situação, ocorre quando se atribui a alguém determinada conduta criminosa, fabricando-se toda a situação.

RETARDADO / PRORROGADO 42 Ocorre nas organizações criminosas (Lei 9.034-95) e em matéria de drogas

RETARDADO / PRORROGADO

42

Ocorre nas organizações criminosas (Lei 9.034-95) e em matéria de drogas (Lei 11.343/2006). Essas leis autorizam que o agente infiltrado em uma organização criminosa, ao se deparar com uma situação de flagrante, não efetue a prisão naquele primeiro momento, podendo prorroga-la ou retarda-la no tempo, esperando o melhor momento para efetuar a prisão.

AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE (APF)

O auto de prisão em flagrante é o documento que substancializa a prisão de uma pessoa, dando legitimidade para a coerção à liberdade de locomoção do agente do delito. Algumas providências devem ser adotadas no momento de confecção do APF:

1. comunicação à família do conduzido (CF, art. 5º, LXII);

2. oitiva do condutor;

3. oitiva das testemunhas – no mínimo duas, mas o condutor pode ser testemunha. Na falta de testemunhas do fato, admite-se a prisão, sendo o auto assinado por duas testemunhas de apresentação do preso à Delegacia;

4. sendo crime de ação penal privada ou pública condicionada à representação, deve ser ouvida a vítima, para dar autorização para a instauração do inquérito, sob pena de relaxamento da prisão por ausência de condição de procedibilidade;

43 6. todos devem assinar o APF. Se o preso se recusar a assinar ou

43

6. todos devem assinar o APF. Se o preso se recusar a assinar ou não puder faze-lo, deve tal fato ser consignado, sendo o auto assinado por duas testemunhas que tenham presenciado sua leitura ao conduzido;

7. entrega da nota de culpa ao preso no prazo de 24 horas.

8. comunicação da prisão à autoridade judicial e ao Ministério Público (CF, art. 5º, LXII) – a ausência de comunicação ou sua realização tardia não constituem nulidade do auto de prisão, mas pode constituir crime de abuso de autoridade.

9. comunicação à defensoria pública caso o autuado não informe o nome de seu advogado

A incompetência da autoridade policial que lavrou o auto de prisão

em flagrante não é causa de nulidade da prisão, por tratar-se de ato administrativo.

RELAXAMENTO DA PRISÃO EM FLAGRANTE

O relaxamento ocorrerá quando for constatada alguma ilegalidade no

APF. Tais ilegalidades anulam apenas o auto. As peças constantes dele, como as declarações do condutor ou das vítimas, continuam válidas e poderão ser utilizadas posteriormente na fase judicial. Ex: Lavrou-se o APF por crime cometido há mais de três dias em que não houve qualquer perseguição.

Caso o APF esteja regular, ou seja, não sendo o caso de seu relaxamento, deverá o juiz então verificar se estão presentes os requisitos da prisão preventiva. Não estando presentes os requisitos da prisão preventiva, o magistrado deverá conceder a liberdade provisória com ou sem fiança.

“Art. 310. deverá fundamentadamente: Ao receber o auto de prisão em flagrante, o juiz I

“Art. 310.

deverá fundamentadamente:

Ao receber o auto de prisão em flagrante, o juiz

I - relaxar a prisão ilegal; ou

44

II - converter a prisão em flagrante em preventiva, quando

presentes os requisitos constantes do art. 312 deste Código, e

se revelarem inadequadas ou insuficientes as medidas cautelares diversas da prisão; ou

III - conceder liberdade provisória, com ou sem fiança.

Parágrafo único. Se o juiz verificar, pelo auto de prisão em flagrante, que o agente praticou o fato nas condições constantes dos incisos I a III do caput do art. 23 do Decreto-Lei n o 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, poderá, fundamentadamente, conceder ao acusado liberdade provisória, mediante termo de comparecimento a todos os atos processuais, sob pena de revogação.” (NR)

PRISÃO PREVENTIVA DA (Redação dada pela Lei nº 5.349, de 3.11.1967) PRISÃO 45 PREVENTIVA Art.

PRISÃO PREVENTIVA

DA

(Redação dada pela Lei nº 5.349, de 3.11.1967)

PRISÃO

45

PREVENTIVA

Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, caberá a prisão

preventiva decretada pelo juiz, de ofício, se no curso da ação penal, ou a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

Parágrafo único. A prisão preventiva também poderá ser decretada em caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas por força de outras medidas cautelares (art. 282, § 4 o ). (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

Art. 313.

Nos termos do art. 312 deste Código, será admitida a decretação da prisão

preventiva: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

I - nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

II - se tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado, ressalvado o disposto no inciso I do caput do art. 64 do Decreto-Lei n o 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

46 III - se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança,

46

III - se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente,

idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

IV - (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011).

Parágrafo único. Também será admitida a prisão preventiva quando houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la, devendo o preso ser colocado imediatamente em liberdade após a identificação, salvo se outra hipótese recomendar a manutenção da medida. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

Art. 314. A prisão preventiva em nenhum caso será decretada se o juiz verificar pelas provas constantes dos autos ter o agente praticado o fato nas condições previstas nos incisos I, II e III do caput do art. 23 do Decreto-Lei n o 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

Art. 315.

A decisão que decretar, substituir ou denegar a prisão preventiva será sempre

motivada. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

Art. 316. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no correr do processo, verificar a falta de motivo para que subsista, bem como de novo decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem. (Redação dada pela Lei nº 5.349, de 3.11.1967)

Em julho de 2011 entrou em vigor a lei 12.403, que ampliou os casos em que se permite a liberdade provisória mediante fiança. Assim, os casos passíveis de sua decretação foram restringidos. Vejamos suas características. A prisão preventiva poderá ser decretada para:

47 a) Garantia da ordem pública/econômica – evitar que o agente continue praticando outros crimes,

47

a) Garantia da ordem pública/econômica – evitar que o agente continue praticando outros crimes, considerando que sua personalidade é voltada para a prática delituosa. Podem ser considerados a reincidência, maus antecedentes ou a extrema crueldade na prática do crime. Segundo o STF, entretanto, a repercussão ou o clamor social não são causas justificativas da prisão preventiva.

b) Conveniência da instrução criminal – impedir que o agente destrua provas do crime, ameace ou elimine testemunhas etc.

c) Assegurar a aplicação da lei penal – evitar que o acusado fuja. Simples revelia decorrente de citação por edital não justifica a prisão preventiva, exceto no júri onde se admite. Para o STF, a sucessiva mudança de endereços pelo réu é indicativa da intenção de furtar-se à justiça e justifica a decretação da prisão preventiva.

Com a nova redação dada pela lei 12.403, a prisão preventiva é

cabível:

a) nos crimes dolosos com pena privativa de liberdade máxima acima de 4 anos.

b) Nos casos de réus reincidentes em crimes dolosos.

c) Se o crime envolver violência doméstica e familiar, para garantir a eficácia das medidas protetivas de urgência.

d) Se houver dúvidas quanto a identidade do acusado. Nesse casos, após a

identificação, o acusado deverá ser solto.

A prisão preventiva poderá ser decretada tanto na fase do inquérito quanto na fase judicial por tempo indeterminado. Além disso, o juiz poderá

48 decreta-la de ofício, mediante requerimento do Ministério Público ou representação do delegado de polícia.

48

decreta-la de ofício, mediante requerimento do Ministério Público ou representação do delegado de polícia. Note, ainda, que somente será decretada a prisão preventiva caso as medidas cautelares ou a prisão domiciliar não se mostrem suficientes para a situação.

DA

(Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

PRISÃO

DOMICILIAR

A prisão domiciliar consiste no recolhimento do indiciado ou acusado em sua

residência, só podendo dela ausentar-se com autorização judicial. (Redação dada pela Lei nº

12.403, de 2011).

Art. 317.

Art. 318.

Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente

for: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

I - maior de 80 (oitenta) anos; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

II - extremamente debilitado por motivo de doença grave; (Incluído pela Lei nº 12.403, de

2011).

III - imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou

com deficiência; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

IV

- gestante a partir do 7 o (sétimo) mês de gravidez ou sendo esta de alto risco. (Incluído

pela Lei nº 12.403, de 2011).

Parágrafo único. Para a substituição, o juiz exigirá prova idônea dos requisitos estabelecidos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

49 CAPÍTULO V DAS OUTRAS MEDIDAS CAUTELARES
49
CAPÍTULO
V
DAS
OUTRAS
MEDIDAS
CAUTELARES

(Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

Art. 319. São medidas cautelares diversas da prisão: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de

2011).

I - comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas condições fixadas pelo juiz, para informar e justificar atividades; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

II - proibição de acesso ou frequência a determinados lugares quando, por circunstâncias

relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado permanecer distante desses locais para evitar o

risco de novas infrações; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

III - proibição de manter contato com pessoa determinada quando, por circunstâncias

relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado dela permanecer distante; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

IV - proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja conveniente ou

necessária para a investigação ou instrução; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

V - recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga quando o investigado ou

acusado tenha residência e trabalho fixos; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

VI - suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou

financeira quando houver justo receio de sua utilização para a prática de infrações penais; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

VII - internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados com violência ou

grave ameaça, quando os peritos concluírem ser inimputável ou semi-imputável (art. 26 do Código Penal) e houver risco de reiteração; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

50 VIII - fiança, nas infrações que a admitem, para assegurar o comparecimento a atos

50

VIII - fiança, nas infrações que a admitem, para assegurar o comparecimento a atos do processo, evitar a obstrução do seu andamento ou em caso de resistência injustificada à ordem judicial; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

IX - monitoração eletrônica. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

§ 1 o (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011).

§ 2 o (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011).

§ 3 o (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011).

§

4 o

A fiança será aplicada de acordo com as disposições do Capítulo VI deste Título,

podendo ser cumulada com outras medidas cautelares. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

A proibição de ausentar-se do País será comunicada pelo juiz às autoridades

encarregadas de fiscalizar as saídas do território nacional, intimando-se o indiciado ou acusado

para entregar o passaporte, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

Art. 320.

FIANÇA

A fiança também foi alterada pela lei 12.403. O delegado de polícia poderá arbitrar fiança para os crimes cuja pena máxima seja de até 4 anos. Acima disso, somente o juiz poderá arbitrar fiança, que deverá decidir em até 48 horas do pedido.

Alguns crimes não admitem a fiança. São eles:

a) racismo;

b) tortura;

51 c) tráfico ilícito de entorpecente e drogas afins; d) terrorismo; e) hediondos. f) Cometidos

51

c) tráfico ilícito de entorpecente e drogas afins;

d) terrorismo;

e) hediondos.

f) Cometidos por grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático.

A lei estipula ainda outros casos que não admitem fiança:

 

Art. 324.

Não será, igualmente, concedida fiança: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de

2011).

I

- aos que, no mesmo processo, tiverem quebrado fiança anteriormente concedida ou

infringido, sem motivo justo, qualquer das obrigações a que se referem os arts. 327 e 328 deste

Código; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

II - em caso de prisão civil ou militar; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

III - (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011).

IV - quando presentes os motivos que autorizam a decretação da prisão preventiva (art. 312).

(Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

Art. 325.

O valor da fiança será fixado pela autoridade que a conceder nos seguintes

limites: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

a) (revogada); (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

b) (revogada); (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

c) (revogada). (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

52 I - de 1 (um) a 100 (cem) salários mínimos, quando se tratar de

52

I - de 1 (um) a 100 (cem) salários mínimos, quando se tratar de infração cuja pena privativa

de liberdade, no grau máximo, não for superior a 4 (quatro) anos; (Incluído pela Lei nº 12.403, de

2011).

II

- de 10 (dez) a 200 (duzentos) salários mínimos, quando o máximo da pena privativa de

liberdade cominada for superior a 4 (quatro) anos. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

1 o Se assim recomendar a situação econômica do preso, a fiança poderá ser: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

§

I

- dispensada, na forma do art. 350 deste Código; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de

2011).

II

- reduzida até o máximo de 2/3 (dois terços); ou (Redação dada pela Lei nº 12.403, de

2011).

III

- aumentada em até 1.000 (mil) vezes. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

PRISÃO TEMPORÁRIA

Trata-se

de

nova

modalidade

de

prisão

cautelar

por

período

determinado, diferentemente da prisão preventiva. Está prevista na lei 7.960/89.

Art. 1°Caberá prisão temporária:

I - quando imprescindível para as investigações do inquérito policial;

II - quando o indicado não tiver residência fixa ou não fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade;

III - quando houver fundadas razões, de acordo com qualquer prova admitida na legislação penal,

III - quando houver fundadas razões, de acordo com qualquer prova admitida na legislação penal, de autoria ou participação do indiciado nos seguintes crimes:

a) homicídio doloso (art. 121, caput, e seu § 2°);

53

b) seqüestro ou cárcere privado (art. 148, caput, e seus §§ 1°e 2°);

c) roubo (art. 157, caput, e seus §§ 1°, 2°e 3°);

d) extorsão (art. 158, caput, e seus §§ 1°e 2°);

e) extorsão mediante seqüestro (art. 159, caput, e seus §§ 1°, 2°e 3°);

f) estupro (art. 213, caput, e sua combinação com o art. 223, caput, e parágrafo

único);

g) atentado violento ao pudor (art. 214, caput, e sua combinação com o art. 223,

caput, e parágrafo único);

h) rapto violento (art. 219, e sua combinação com o art. 223 caput, e parágrafo

único);

i) epidemia com resultado de morte (art. 267, § 1°);

j) envenenamento

qualificado pela morte (art. 270, caput, combinado com art. 285);

de

água

potável

ou

substância

alimentícia

ou

medicinal

l) quadrilha ou bando (art. 288), todos do Código Penal;

m) genocídio (arts. 1°, 2° e 3° da Lei n° 2.889, de 1° de outubro de 1956), em qualquer de sua formas típicas;

n) tráfico de drogas (art. 12 da Lei n°6.368, de 21 de outubro de 1976);

o) crimes contra o sistema financeiro (Lei n°7.492, de 16 de junho de 1986). 54

o) crimes contra o sistema financeiro (Lei n°7.492, de 16 de junho de 1986).

54

Art. 2° A prisão temporária será decretada pelo Juiz, em face da representação da autoridade policial ou de requerimento do Ministério Público, e terá o prazo de 5 (cinco) dias, prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessidade.

§ 1° Na hipótese de representação da autoridade policial, o Juiz, antes de decidir, ouvirá o Ministério Público.

§ 2° O despacho que decretar a prisão temporária deverá ser fundamentado e

prolatado dentro do prazo de 24 (vinte e quatro) horas, contadas a partir do

recebimento da representação ou do requerimento.

§ 3° O Juiz poderá, de ofício, ou a requerimento do Ministério Público e do

Advogado, determinar que o preso lhe seja apresentado, solicitar informações e esclarecimentos da autoridade policial e submetê-lo a exame de corpo de delito.

§ 4° Decretada a prisão temporária, expedir-se-á mandado de prisão, em duas

vias, uma das quais será entregue ao indiciado e servirá como nota de culpa.

§ 5° A prisão somente poderá ser executada depois da expedição de mandado judicial.

§ 6° Efetuada a prisão, a autoridade policial informará o preso dos direitos previstos no art. 5°da Constituição Federal.

§ 7° Decorrido o prazo de cinco dias de detenção, o preso deverá ser posto

imediatamente em liberdade, salvo se já tiver sido decretada sua prisão preventiva.

Art. 3° Os presos temporários deverão permanecer, obrigatoriamente, separados dos demais detentos.

Art. 4° O art. 4° da Lei n° 4.898, de 9 de dezembro de 1965,

Art. 4° O art. 4° da Lei n° 4.898, de 9 de dezembro de 1965, fica acrescido da alínea i, com a seguinte redação:

"Art. 4°

55

i) prolongar a execução de prisão temporária, de pena ou de medida de segurança, deixando de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente ordem de liberdade;"

Art. 5° Em todas as comarcas e seções judiciárias haverá um plantão permanente de vinte e quatro horas do Poder Judiciário e do Ministério Público para apreciação dos pedidos de prisão temporária.

Art. 6°Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 7°Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 21 de dezembro de 1989; 168°da Independência e 101°da República.

Podem requerer a prisão temporária o MP e o delegado. O juiz não pode decreta-la de ofício. A prisão temporária só é cabível na fase do inquérito policial. O juiz deve decidir dentro do prazo de 24 horas a contar do recebimento do requerimento ou representação. Entende-se que deve-se combinar os requisitos dos incisos I ou II do art. 1º com algum crime estipulado no inciso III. O prazo de sua duração é de 5 dias prorrogáveis por mais 5. Tratando-se de crimes hediondos (lei 8.072), o prazo é de 30 dias prorrogáveis por mais 30.

Lei 8072/90 56 Art. 1 o São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no

Lei 8072/90

56

Art. 1 o São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei n o 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou tentados:

I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda

que cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2 o , I, II, III, IV e V); II - latrocínio (art. 157, § 3 o , in fine); III - extorsão qualificada pela morte (art. 158, § 2 o );

IV - extorsão mediante seqüestro e na forma qualificada (art. 159, caput, e §§ l o , 2 o e 3 o );

V - estupro (art. 213, caput e §§ 1 o e 2 o ); VI - estupro de vulnerável (art. 217-A, caput e §§ 1 o , 2 o , 3 o e 4 o ); VII - epidemia com resultado morte (art. 267, § 1 o ). VII-A – (VETADO)

VII-B - falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais (art. 273, caput e § 1 o , § 1 o -A e § 1 o -B, com a redação dada pela Lei n o 9.677, de 2 de julho de 1998).

Parágrafo único. Considera-se também hediondo o crime de genocídio previsto nos arts. 1 o , 2 o e 3 o da Lei n o 2.889, de 1 o de outubro de 1956, tentado ou consumado.

Art. 2º Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de:

I - anistia, graça e indulto;

II - fiança.

COMPETÊNCIA 57 Para entendermos o termo competência, precisamos falar primeiramente de jurisdição, que é o

COMPETÊNCIA

57

Para entendermos o termo competência, precisamos falar primeiramente de jurisdição, que é o poder/dever que o Estado-juiz tem de dizer o direito no caso concreto. A competência é o limite da jurisdição. O poder judiciário do DF tem

competência

competência se dará conforme as normas de direito processual e de organização

judiciária. Por isso, se diz que, apesar de todo juiz possuir jurisdição, nem todo possui competência para determinada causa. Nos termos do art. 69 do CPP, a competência é determinada pelo (a):

penais ocorridas no DF, porém a

para

apurar

as

infrações

a) natureza da infração.

b) Lugar da infração.

c) Domicílio ou residência do réu.

d) Distribuição.

e) Prevenção.

f) Prerrogativa de função.

g) Conexão ou continência.

NATUREZA DA INFRAÇÃO

A justiça classifica-se em justiça comum e justiça especializada. A justiça comum é composta pelas justiças estaduais e federal. A justiça especializada é composta das justiças eleitoral, trabalhista e militar.

Casos especiais: 58 1. no caso de crime de abuso de autoridade e lesão corporal

Casos especiais:

58

1. no caso de crime de abuso de autoridade e lesão corporal praticados por militar em serviço, o abuso de autoridade será julgado pela justiça comum, ainda que praticado em serviço, e a lesão corporal será julgada pela justiça militar, já que foi praticada em serviço (Súmula 172 do Superior Tribunal de Justiça).

2. o crime de homicídio doloso cometido por militar contra civil, ainda que em serviço, é de competência da justiça comum (lei 9.299/1996).

3. compete à justiça comum estadual processar e julgar delito decorrente de acidente de trânsito envolvendo viatura de polícia militar, salvo se autor e vítima forem policiais militares em situação de atividade (Súmula nº 6 do Superior Tribunal de Justiça).

4. Compete à justiça comum estadual processar e julgar o policial militar por crime de promover ou facilitar a fuga de preso de estabelecimento penal (Súmula nº 75 do Superior Tribunal de Justiça).

5. o foro competente para julgar um militar, quando este cometer crime militar em situação de atividade, é a justiça militar à qual está vinculado, pouco importando o lugar onde o crime ocorreu (isso apenas para os crimes militares).

JUSTIÇA FEDERAL 59 Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: I - as

JUSTIÇA FEDERAL

59

Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:

I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem

interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho;

II - as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município ou pessoa domiciliada ou residente no País;

III - as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou

organismo internacional;

IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou

interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral;

V - os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a execução no

País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente;

V-A as causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º deste artigo;(Incluído pela

Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

VI - os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o

sistema financeiro e a ordem econômico-financeira;

VII - os "habeas-corpus", em matéria criminal de sua competência ou quando o constrangimento provier de autoridade cujos atos não estejam diretamente sujeitos a outra jurisdição;

60 VIII - os mandados de segurança e os "habeas-data" contra ato de autoridade federal,

60

VIII - os mandados de segurança e os "habeas-data" contra ato de autoridade federal, excetuados os casos de competência dos tribunais federais;

IX - os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da Justiça Militar;

X - os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a execução de carta

rogatória, após o "exequatur", e de sentença estrangeira, após a homologação, as causas

referentes à nacionalidade, inclusive a respectiva opção, e à naturalização;

XI - a disputa sobre direitos indígenas.

§ 1º - As causas em que a União for autora serão aforadas na seção judiciária onde tiver domicílio a outra parte.

§ 2º - As causas intentadas contra a União poderão ser aforadas na seção judiciária em que for domiciliado o autor, naquela onde houver ocorrido o ato ou fato que deu origem à demanda ou onde esteja situada a coisa, ou, ainda, no Distrito Federal.

§ 3º - Serão processadas e julgadas na justiça estadual, no foro do domicílio dos segurados ou

beneficiários, as causas em que forem parte instituição de previdência social e segurado, sempre que a comarca não seja sede de vara do juízo federal, e, se verificada essa condição, a lei poderá permitir que outras causas sejam também processadas e julgadas pela justiça estadual.

§ 4º - Na hipótese do parágrafo anterior, o recurso cabível será sempre para o Tribunal Regional Federal na área de jurisdição do juiz de primeiro grau.

§ 5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República,

com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência

para a Justiça Federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

61 Art. 110. Cada Estado, bem como o Distrito Federal, constituirá uma seção judiciária que

61

Art. 110. Cada Estado, bem como o Distrito Federal, constituirá uma seção judiciária que terá por sede a respectiva Capital, e varas localizadas segundo o estabelecido em lei.

Parágrafo único. Nos Territórios Federais, a jurisdição e as atribuições cometidas aos juízes federais caberão aos juízes da justiça local, na forma da lei.

Em linhas gerais, no âmbito penal, a Justiça Federal é competente para julgar os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesses da União, suas Autarquias, Empresas Públicas Federais ou Fundações Públicas Federais, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral.

Casos especiais

a) infrações penais que ofendam Sociedades de Economia Mista serão julgadas pela Justiça Comum Estadual.

b) Contravenções penais sempre serão julgadas pela justiça comum.

c) Crime que figure como autor ou vítima indígena – competência da justiça comum (Súmula 140 do STJ). Apenas crimes envolvendo direitos indígenas são da competência da Justiça Federal.

d) Compete à justiça federal processar e julgar os crime praticados contra funcionário público federal quando relacionados com o exercício da função – Súmula 147 do STJ.

e) Súmula 522/STF: SALVO OCORRÊNCIA DE TRÁFICO PARA O EXTERIOR, QUANDO, ENTÃO, A COMPETÊNCIA SERÁ DA JUSTIÇA

62 FEDERAL, COMPETE À JUSTIÇA DOS ESTADOS O PROCESSO E JULGAMENTO DOS CRIMES RELATIVOS A

62

FEDERAL, COMPETE À JUSTIÇA DOS ESTADOS O PROCESSO E JULGAMENTO DOS CRIMES RELATIVOS A ENTORPECENTES

f) Crime de falsificação de certificado de conclusão de estabelecimento particular de ensino: i) para o STJ – justiça comum estadual (súmula 104); ii) para o STF, se a entidade particular for de ensino superior – justiça federal.

g) Desvio de verbas federais: i) se a verba, ao ser desviada, já tinha se incorporado definitivamente ao patrimônio do Estado ou do Município – justiça estadual (súmula 209 STJ); ii) se a verba, ao ser desviada, ainda não tinha se incorporado definitivamente ao patrimônio do Estado ou do Município – justiça federal (Súmula 208 STJ).

LUGAR DA INFRAÇÃO

Nos crimes de ação penal pública, o art. 70 do CPP estipula que a competência será determinada, em regra, pelo lugar onde a infração se consumou. Nos casos de tentativa, a competência será determinada pelo lugar em for praticado o último ato de execução. Nos crimes de exclusiva ação privada, o querelante poderá preferir o foro de domicílio ou da residência do réu.

CASOS ESPECIAIS 63 a) crimes permanentes e continuados – a competência será determinada pela prevenção.

CASOS ESPECIAIS

63

a) crimes permanentes e continuados – a competência será determinada pela prevenção.

b) Incerteza de limites – prevenção.

c) Estelionato – cheque sem fundo – praça do cheque (súmula 244 STJ).

d) Estelionato – falsificação de assinatura – local onde obteve a vantagem (súmula 48 STJ).

e) Execução no Brasil e consumação no exterior – Brasil – último ato de execução.

f) Execução no exterior e consumação no Brasil – lugar no Brasil onde ocorreu o resultado.

g) Execução e consumação no exterior – ação na capital do estado onde houver residido por último no Brasil ou , se nunca houver residido no Brasil, na capital federal.

h) Crime em aeronaves e navios

a. Chegando ao Brasil – primeiro porto.

b. Saindo do Brasil – último porto.

c. Havendo duvido – prevenção.

i) Homicídio e aborto – lugar da ação ou omissão criminosa e não da consumação.

j) Infração de menor potencial ofensivo – competência do local da infração e

não da consumação (lei 9.099/95).

DOMICÍLIO OU RESIDÊNCIA DO RÉU 64 Nos crimes de ação pública, não sendo conhecido o

DOMICÍLIO OU RESIDÊNCIA DO RÉU

64

Nos crimes de ação pública, não sendo conhecido o lugar da infração, a competência será determinada pelo domicílio ou residência do réu.

DISTRIBUIÇÃO

PREVENÇÃO

Quando dois ou mais juízes forem igualmente competentes para julgar determinada causa, a competência será determinada pela prevenção, isto é, aquele que primeiro tomar conhecimento do processo é que será o competente. Ex: distribuição de inquérito, decretação de prisão preventiva, concessão de fiança ou determinação de diligência. Exceção: hábeas corpus.

PRERROGATIVA DE FUNÇÃO

Determinadas pessoas, em razão do cargo ou da função pública, possuem foro especial ou por prerrogativa de função.

ÓRGÃO

CRIMES COMUNS

CRIMES

COMUNS

E

DE

RESPONSABILIDADE

 

STF

Presidente da república

Ministros de Estado

 
Membros do congresso nacional Ministros do STF PGR AGU Comandantes FA Ministros tribunais superiores Ministros
Membros do congresso nacional Ministros do STF PGR AGU Comandantes FA Ministros tribunais superiores Ministros

Membros do congresso nacional Ministros do STF PGR AGU

Comandantes FA Ministros tribunais superiores Ministros TCU Chefes de missões diplomáricas

65

ÓRGÃO

CRIMES COMUNS

 

CRIMES

COMUNS

E

DE

 

RESPONSABILIDADE

 

STJ

Governadores

de

estados

e

Desembargadores dos TJ’s e DF Membros dos TRF’s, TER’s, TRT’s Membros TCE’s e DF Membros TC de municípios Membros do MPU

DF

DEPUTADOS

Crimes

de

competência

TJ

ESTADUAIS

E

estadual

 

DISTRITAIS

 
 

Crimes

de

competência

TRF

federal

 
 

Crimes eleitorais

 

TER

 

Crimes

 

de

Assembléia Legislativa

 

responsabilidade

66 PREFEITOS Crimes de competência TJ estadual   Crimes de competência TRF federal

66

PREFEITOS

Crimes

de

competência

TJ

estadual

 

Crimes

de

competência

TRF

federal

 

Crimes eleitorais

TER

 

Crimes

de

Câmara de Vereadores

responsabilidade

JUÍZES

Julgados pelos Tribunais

 

a

que

estiverem

vinculados.

 

Exceção

Crimes eleitorais – TER

   

MPDFT – Promotores – TRF Procuradores - STJ

CONEXÃO

CONEXÃO 67 Quando uma causa estiver relacionada a outra os processos serão reunidos. CONTINÊNCIA Ocorre quando

67

Quando uma causa estiver relacionada a outra os processos serão

reunidos.

CONTINÊNCIA

Ocorre quando uma causa está contida em outra, como por exemplo, quando o acusado comete mais de um crime numa mesma situação (concurso formal).

REGRAS DE ATRAÇÃO

JUSTIÇA COMUM X JUSTIÇA ESPECIAL – JUSTIÇA ESPECIAL JUSTIÇA ESTADUAL X JUSTIÇA FEDERAL – JUSTIÇA FEDERAL JUSTIÇA COMUM X JÚRI – JÚRI.

SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA

JUSTIÇA COMUM X JUSTIÇA MILITAR JUSTIÇA COMUM X JUSTIÇA DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE

DAS PROVAS

DAS PROVAS 68 Provas são todos aqueles elementos que se destinam a formar a convicção do

68

Provas são todos aqueles elementos que se destinam a formar a convicção do juiz acerca de um fato considerado relevante para o processo. Podem ser objeto de prova os fatos, as circunstâncias e as alegações referentes ao litígio que se mostram importantes para o deslinde da causa.

Não dependem de prova:

a) Fatos axiomáticos (evidentes)

b) Fatos notórios (de conhecimento amplo e geral da nação)

c) Fatos inúteis (não influenciam na decisão da causa)

d) Presunções legais: não dependem de prova. Não confunda com as presunções humanas, pois estas precisam ser provadas.

e) As presunções legais se subdividem em: i) absolutas ou iure ET de iure (não admitem prova em contrário. Ex: a inimputabilidade de menores de 18 anos); ii) relativa ou iuris tantu (admitem prova em contrário). Ex: comprovar a falsidade de uma certidão emitida por um funcionário público.

f) No processo penal, diferentemente do processo civil, até mesmo os fatos incontroversos precisam ser provados.

O ônus (a responsabilidade) da prova incumbe a quem alega. No processo penal cabe à acusação fazer prova da conduta criminosa que se imputa ao acusado. Entretanto, a defesa deverá provar as alegações que fizer acerca da conduta do acusado, como a legítima defesa por exemplo.

SISTEMAS DE APRECIAÇÃO DE PROVAS 69 SISTEMA DAS PROVAS LEGAIS OU TARIFADO OU DA CERTEZA

SISTEMAS DE APRECIAÇÃO DE PROVAS

69

SISTEMA DAS PROVAS LEGAIS OU TARIFADO OU DA CERTEZA MORAL DO LEGISLADOR

Para esse sistema, que existiu na idade média, só se admitiam as provas que estivessem expressamente previstas em lei. Além disso, cada prova possuía um valor, sendo que a confissão era a rainha das provas.

SISTEMA DA ÍNTIMA CONVICÇÃO OU DA CERTEZA MORAL DO JULGADOR

Surgiu no século XVIII para afirmar que o juiz deveria julgar com base na sua íntima convicção, ainda que isso contrariasse todas as provas. Nesse sistema, o juiz não precisa nem fundamentar suas decisões. Ex: os jurados no Tribunal do Júri.

SISTEMA DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO OU DA PERSUASÃO RACIONAL

É o sistema adotado como regra no Brasil. Nesse sistema, o juiz é livre para julgar de acordo com as provas que constam do processo. Disso decorrem três conseqüências:

a) O juiz só pode levar em consideração as provas que estão no processo.

b) Não existe hierarquia entre as provas.

SISTEMA DAS ORDÁLIAS 70 Foi predominante durante a antiguidade. Por esse sistema, o juiz não

SISTEMA DAS ORDÁLIAS

70

Foi predominante durante a antiguidade. Por esse sistema, o juiz não faria valoração das provas, apenas declarava seu resultado. Ex: jogava-se o acusado no rio com um peso amarrado em seu corpo. Se afundasse era culpado.

PROVAS EM ESPÉCIE

EXAME DE CORPO DE DELITO

Significa o conjunto de vestígios deixados pelo crime, ou seja, aquelas alterações no mundo exterior provocadas pelo delito, como sangue, lesões,livros contábeis, estilhaços de vidro, projétil, arma etc.), referindo-se, portanto, à materialidade do delito. Características principais:

a) É obrigatória sua realização quando a infração deixar vestígios, sob pena de nulidade (art. 158 do CPP);

b) A sua falta não poderá ser suprida pela confissão do acusado.

c) Caso os vestígios já tenham desaparecido, a falta desse exame poderá ser suprida pela prova testemunhal.

d) O exame de corpo de delito classifica-se em

a. Direto – quando realizado diretamente pelos peritos sobre o próprio objeto de prova.

71 b. Indireto – é a prova testemunhal, realizada nas hipóteses em que os vestígios

71

b. Indireto – é a prova testemunhal, realizada nas hipóteses em que os vestígios já desapareceram.

e) Poderá ser feito em qualquer dia e horário – art. 161 do CPP.

A partir de 2008, o exame de corpo de delito, assim como as outras perícias, será realizado por perito oficial, portador de diploma de curso superior. Isso significa que não mais se exigem 2 (dois) peritos oficiais para realização das perícias no processo penal, mas apenas 1 (um) nos termos do art. 159 do CPP.

PERITOS

A regra consiste em nomear 1 (um) perito oficial. Em sua falta,

admitem-se os chamados peritos não oficiais ou louvados, que serão duas pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso superior, escolhidas, de preferência, dentre as que tiverem habilitação técnica relacionada com a natureza do exame

O laudo pericial deve ser elaborado no prazo máximo de 10 (dez)

dias, podendo ser prorrogado, em casos excepcionais, a requerimento dos peritos (art. 160 CPP). Nos termos do art. 159, o MP, o assistente de acusação, o ofendido, o querelante e o acusado poderão, além de formular quesitos, indicar assistentes técnicos.

Como regra, as perícias realizadas durante a fase do inquérito policial não serão refeitas em juízo, possuindo valor judicial. O contraditório, entretanto, será realizado posteriormente, durante a fase processual.

AUTOPSIA OU NECROPSIA 72 É o exame realizado no cadáver e visa descobrir a causa

AUTOPSIA OU NECROPSIA

72

É o exame realizado no cadáver e visa descobrir a causa da morte. Dá origem ao laudo de exame cadavérico ou laudo necroscópico. Deverá ser feito pelo menos seis horas depois do óbito, salvo se os peritos julgarem que poderá ser feito antes daquele prazo. Em caso de morte violenta, bastará o simples exame externo do cadáver, quando não houver infração penal que apurar, ou quando as lesões externas permitirem precisar a causa da morte.

EXUMAÇÃO

Significa desenterrar o cadáver. Exige-se que se lavre o auto de exumação. Pode ser determinada tanto pela autoridade policial quanto pela autoridade judicial. Havendo dúvida quanto à identificação do cadáver exumado, far-se-á o reconhecimento pelo Instituto de Identificação.

LESÕES CORPORAIS

No caso de lesões corporais, tendo em vista que se trata de um crime que deixa vestígios, deverá ser realizado o exame de corpo de delito. Caso o primeiro exame pericial tenha sido incompleto, deve-se realizar um exame complementar (art. 168 do CPP). Ex: no caso do art. 129 do Código Penal (lesão

73 corporal grave na qual resulta incapacidade para as atividades habituais por mais de trinta

73

corporal grave na qual resulta incapacidade para as atividades habituais por mais de trinta dias).

A falta do exame complementar poderá ser suprida pela prova

testemunhal.

EXAME PARA RECONHECIMENTO DE ESCRITOS OU GRAFOTÉCNICOS ART. 174 DO CPP

ou

documentos.

Ressalte-se que o indiciado não está obrigado a escrever qualquer coisa para fornecer elementos para o exame.

Tem

por

finalidade

descobrir

a

autenticidade

de

escritos

OBSERVAÇÕES

O juiz não está adstrito ao laudo pericial, podendo aceitá-lo ou

rejeitá-lo no todo ou em parte. Com exceção do exame de corpo de delito, o juiz ou a autoridade policial poderá negar a perícia requerida pelas partes quando esta não for necessária ao esclarecimento da verdade.

INTERROGATÓRIO 74 É o conjunto de perguntas dirigidas pelo juiz ao acusado sobre a imputação

INTERROGATÓRIO

74

É o conjunto de perguntas dirigidas pelo juiz ao acusado sobre a imputação que lhe é feita. É composto de duas partes: i) perguntas sobre a pessoa; ii) perguntas sobre o fato. É ainda tanto meio de prova quanto de defesa.

Características

a) Ato personalíssimo dirigido ao acusado – somente o acusado pode ser interrogado.

b) Terceiros podem assistir ao interrogatório, exceto nos casos de segredo de justiça.

c) As partes têm direito a reperguntas, devendo estar presentes.

d) A exigência de contraditório só vale para a fase judicial, para a policial não.

e) Trata-se em regra de ato oral com duas exceções: i) surdos: as perguntas

são feitas por escrito, a resposta é oral; ii) mudos: as perguntas são orais e as respostas escritas; iii) surdos-mudos: perguntas e respostas por escrito.

f) A qualquer tempo o juiz poderá realizar novo interrogatório – art. 196.

g) O acusado poderá permanecer em silêncio durante seu interrogatório, sendo que seu silêncio não poderá ser interpretado em seu prejuízo – art.

186.

h) O acusado tem o direito de entrevista reservada com seu defensor.

i) O interrogatório do preso será realizado em sala própria, no

estabelecimento em que estiver recolhido o acusado, garantida a segurança de todos. Essa é a regra do art. 185.

PROVA TESTEMUNHAL 75 Toda pessoa, em regra, pode ser testemunha no processo penal. Isso quer

PROVA TESTEMUNHAL

75

Toda pessoa, em regra, pode ser testemunha no processo penal. Isso quer dizer que, em princípio, a testemunha não pode se eximir da obrigação de depor.

O art. 206, porém, explicita que o ascendente ou descendente, o afim em linha reta, o cônjuge, ainda que separado judicialmente, o irmão, pai, mãe, filho adotivo do acusado podem recusar-se a depor. No art. 207 estão as pessoas proibidas de depor:

a) As que, em razão de sua função, ministério, ofício ou profissão devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela parte interessada, quiserem dar seu testemunho. As perguntas são feitas pelas partes diretamente às testemunhas, podendo, entretanto, o magistrado intervir para indeferir perguntas que possam induzir resposta que não tiverem relação com a causa ou importarem na repetição de outra já respondida. É possível a realização de interrogatório por videoconferência excepcionalmente, após decisão fundamentada do juiz para atender a uma das seguintes finalidades:

I – prevenir risco à segurança pública, quando exista fundada suspeita de que o preso integre organização criminosa ou de que possa fugir durante o deslocamento.

II – viabilizar a participação do réu no referido ato processual, quando haja

relevante dificuldade para seu comparecimento em juízo, por outra razão, por

enfermidade ou outra circunstância pessoal.

76 IV – responder à gravíssima questão de ordem pública. DOS PROCEDIMENTOS O processo é

76

IV – responder à gravíssima questão de ordem pública.

DOS PROCEDIMENTOS

O processo é um conjunto de atos logicamente ligados e dirigidos a uma sentença. Já o procedimento é a forma como os atos processuais serão praticados.

No processo penal, temos os procedimentos comuns, no qual estão incluídos os procedimentos ordinário, sumário ou sumaríssimo, e os procedimentos especiais, que decorrem de crimes específicos.

Procedimentos

Modalidades

Cabimento

 

Comum

Ordinário

Crimes

cuja

pena

máxima seja = anos

ou

>

4

 

Sumário

Crimes cuja pena seja < 4 anos

 

Sumaríssimo

Crimes cuja pena seja

até

2

anos

(menor

potencial ofensivo

 

Especiais

Lei de drogas

 
 

Tribunal do júri

 
 

Crimes falimentares

 
 

Crimes falimentares

 
 

Funcionário público

 
77 Propriedade imaterial Competência originária nos tribunais
77
Propriedade imaterial
Competência
originária
nos tribunais

PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO ARTS 394 E SEGUINTES DO CPP

O rito comum ordinário possui as seguintes fases:

1. denúncia ou queixa

2. recebimento da denúncia ou queixa – com a devida citação

3. resposta do acusado, por escrito, à acusação no prazo de 10 dias – até esse

momento o juiz poderá absolver sumariamente o acusado nos termos do art 397

do CPP

4. designação de audiência de instrução e julgamento

Na audiência, ouve-se primeiro a vítima, depois as testemunhas (oito da acusação e oito da defesa), peritos e, por último, o acusado.

5. possibilidade de requerimento das partes para últimas diligências

6, alegações finais orais ao final da audiência no prazo de vinte minutos

prorrogáveis por mais dez para cada parte Pode haver substituição das alegações orais por memoriais escritos no prazo de cinco dias e sentença oral ou em dez dias.

A sentença condenatória analisa o mérito da causa e julga procedente a pretensão punitiva. Já a sentença absolutória analisa o mérito, mas julga improcedente a pretensão punitiva, podendo ser subdividida em absolutória própria, que não impõe nenhuma medida em contrapartida, e absolutória

78 imprópria, que absolve mas impõe uma medida de segurança, como ocorre nos inimputáveis. A

78

imprópria, que absolve mas impõe uma medida de segurança, como ocorre nos inimputáveis.

A sentença condenatória possui alguns efeitos, dentre os quais:

a) torna certa a obrigação de reparar o dano.

b) a perda em favor da União dos instrumentos do crime, desde que consistam em

coisas cujo fabrico, alienação, posse, uso ou detenção constituam fato ilícito.

c) a prisão do réu quando for o caso.

d) lançamento do nome do réu no rol dos culpados

e) outros efeitos previstos no art. 92 do Código Penal

EMENDATIO E MUTATIO LIBELLI

Emendatio significa emenda ou correção na acusação. Ocorre quando a acusação descreve determinado fato criminoso, mas erra quando da sua

capitulação legal. Nesse caso, o juiz poderá fazer a correta classificação jurídica dessa conduta delituosa.

A emendatio libeli aplica-se tanto à ação pública quanto à ação

privada. Os tribunais de 2 grau também podem aplicá-la, exceto para agravar a situação do réu quando somente a defesa tiver recorrido.

A mutatio libeli ocorre quando a acusação descreve determinada

conduta delituosa, fazendo a devida capitulação legal, porém, posteriormente, surge uma nova circunstância, não contida implícita ou explicitamente na denúncia

ou queixa, que acarreta nova definição jurídica do fato. Nesse caso, o MP deverá aditar a denúncia ou queixa no prazo de cinco dias. Após o aditamento, o juiz ouvirá o defensor do acusado no prazo de cinco dias. Havendo aditamento, cada parte poderá arrolar até três testemunhas, no prazo de cinco dias, com novo

79 interrogatório, debates e julgamento. Não sendo recebido o aditamento, o processo prosseguirá, ficando o

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interrogatório, debates e julgamento. Não sendo recebido o aditamento, o processo prosseguirá, ficando o juiz adstrito aos termos da acusação, não podendo condenar o acusado pela nova definição jurídica do fato.

PROCEDIMENTO COMUM SUMARÍSSIMO 80 Trata-se dos Juizados Especiais Criminais previstos na Lei 9.099/95. Principais

PROCEDIMENTO COMUM SUMARÍSSIMO

80

Trata-se dos Juizados Especiais Criminais previstos na Lei 9.099/95. Principais inovações da lei 9.099:

a) possibilidade de conciliação civil

b) possibilidade de transação penal

c) exigência de representação para os crimes de lesão corporal leve e culposa

d) suspensão condicional do processo ou sursis processual

Os Juizados Especiais são competentes para o julgamento das infrações de menor potencial ofensivo, que são as contravenções penais e crimes com pena máxima não superior a 2 anos. São princípios informadores dos juizados:

a) oralidade

b) informalidade

c) celeridade

d) economia processual

e) simplicidade

As fases do procedimento nos juizados são as seguintes:

1. infração penal de menor potencial ofensivo

2. elaboração de termo circunstanciado na delegacia

3. encaminhamento ao juizado

4. audiência preliminar

a. nesta etapa tenta-se realizar a conciliação civil e a transação penal.

A conciliação civil é um acordo entre a vítima e o autor do fato,

81 sendo esse acordo irrecorrível e tendo natureza de título executivo judicial. A conciliação só

81

sendo esse acordo irrecorrível e tendo natureza de título executivo judicial. A conciliação só é cabível nos crimes de ação penal pública condicionada à representação e ação penal privada. A conciliação acarreta a renúncia da vítima ao seu direito de oferecer queixa ou representação com a extinção da punibilidade do agente.

b. A transação penal é um acordo entre o autor do fato e o Estado. Nesse caso, o MP deixa de formular uma acusação e oferece a aplicação imediata de uma pena restritiva de direitos ou multa. É cabível nos crimes de ação penal pública incondicionada e nos crimes de ação penal privada.

c. São requisitos para oferecimento da transação penal:

i. O autor do fato não pode ter sido condenado definitivamente por um crime a uma pena privativa de liberdade. ii. O autor não pode ter sido beneficiado com esse mesmo

instituto nos 5 anos anteriores.

iii. É preciso que os antecedentes, a personalidade do agente, a

conduta social, bem como as circunstâncias e os motivos do crime, autorizem a concessão desse benefício.

5. caso não haja acordo, parte-se para denúncia ou queixa

6. citação

7. requerimento para notificação de testemunhas com 5 dias de antecedência da audiência de instrução

8. audiência de instrução

a. nova tentativa de conciliação ou transação

b. defesa prévia

d. oitiva da vítima e testemunha e. interrogatório do acusado f. Debates orais g. Sentença

d. oitiva da vítima e testemunha

e. interrogatório do acusado

f. Debates orais

g. Sentença oral ou por escrito

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O art. 89 da lei 9.099 criou a figura da suspensão condicional do processo. Seu principal requisito é que o crime tenha pena mínima não superior a 1 ano, seja ou não infração penal de menor potencial ofensivo. Nesses casos, o MP poderá propor a suspensão condicional do processo por um período de 2 a 4 anos, ficando o agente sujeito ao cumprimento de determinadas condições. São requisitos para a concessão da suspensão condicional do processo:

a) o acusado não pode estar sendo processado ou ter sido condenado por outro crime. b) é preciso ainda observar os requisitos do art. 77 do CP.

TRIBUNAL DO JÚRI 83 Encontra-se previsto no art. 5º, XXXVIII, da Constituição Federal, e nos

TRIBUNAL DO JÚRI

83

Encontra-se previsto no art. 5º, XXXVIII, da Constituição Federal, e nos arts. 406 a 497 do CPP. Podemos dizer que existem quatro princípios básicos do Tribunal do

Júri:

a) Plenitude da defesa: é aquela exercida com maior abrangência do que a ampla defesa. Inclui a defesa técnica (por meio de advogado) e a autodefesa (pelo próprio réu).

b) Sigilo das votações: no Júri, as votações são sigilosas, não se aplicando o princípio da publicidade que rege as decisões judiciais.

c) Soberania dos veredictos: em regra a decisão dos jurados é soberana e não pode ser alterada pelo Tribunal, exceto nos casos de revisão criminal ou quando a decisão dos jurados for manifestamente contrária à prova dos autos.

O Júri e competente para julgar os crimes dolosos contra a vida,

quais sejam:

a) Homicídio doloso, tentado ou consumado (art. 121 CP).

b) Instigação, induzimento ou auxílio ao suicídio (art. 122 CP).

c) Infanticídio (art. 123 CP).

84 Registre-se que o latrocínio (art. 157 do CP) é um crime contra o patrimônio

84

Registre-se que o latrocínio (art. 157 do CP) é um crime contra o patrimônio (roubo), não sendo de competência do Júri, mas de um juiz singular.

O Júri é composto por um juiz togado, que é o presidente do Júri, e 25 jurados que serão sorteados dentre os alistados. Desses, sete formarão o Conselho de Sentença em cada Sessão de Julgamento, nos termos do art. 447 do CPP.

Anualmente, é elaborada uma lista geral dos jurados que participarão nos julgamentos do ano seguinte sob responsabilidade do juiz-presidente. Nas comarcas com mais de 1.000.000 de habitantes essa lista possui entre 800 e 1.500 nomes (art. 425 do CPP).

Após a elaboração da lista, os nomes e endereços serão colocados em cartões iguais e guardados em uma urna fechada a chave sob a responsabilidade do juiz –presidente.

Dessa forma, toda vez que houver uma sessão de julgamento serão sorteados 25 pessoas para comparecerem no dia do julgamento. Desses 25, sete formarão o Conselho de Sentença no dia do julgamento e os demais serão dispensados.

Os requisitos para ser um jurado são os seguintes;

Da

(Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)

Função

do

Jurado

85 Art. 436. O serviço do júri é obrigatório. O alistamento compreenderá os cidadãos maiores

85

Art. 436. O serviço do júri é obrigatório. O alistamento compreenderá os cidadãos maiores de 18 (dezoito) anos de notória idoneidade. (Redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008)

1 o Nenhum cidadão poderá ser excluído dos trabalhos do júri ou deixar de ser alistado em

razão de cor ou etnia, raça, credo, sexo, profissão, classe social ou econômica, origem ou grau de instrução. (Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)

§

2 o A recusa injustificada ao serviço do júri acarretará multa no valor de 1 (um) a 10 (dez)

salários mínimos, a critério do juiz, de acordo com a condição econômica do jurado. (Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)

§

Art. 437. Estão isentos do serviço do júri: (Redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008)

I – o Presidente da República e os Ministros de Estado; (Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)

II – os Governadores e seus respectivos Secretários; (Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)

III – os membros do Congresso Nacional, das Assembléias Legislativas e das Câmaras Distrital e Municipais; (Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)

IV – os Prefeitos Municipais; (Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)

V – os Magistrados e membros do Ministério Público e da Defensoria Pública; (Incluído pela

Lei nº 11.689, de 2008)

VI – os servidores do Poder Judiciário, do Ministério Público e da Defensoria Pública; (Incluído

pela Lei nº 11.689, de 2008)

VII – as autoridades e os servidores da polícia e da segurança pública; (Incluído pela Lei nº

11.689, de 2008)

VIII – os militares em serviço ativo; (Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)

86 IX – os cidadãos maiores de 70 (setenta) anos que requeiram sua dispensa; (Incluído

86

IX – os cidadãos maiores de 70 (setenta) anos que requeiram sua dispensa; (Incluído pela Lei

nº 11.689, de 2008)

X – aqueles que o requererem, demonstrando justo impedimento. (Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)

A recusa ao serviço do júri fundada em convicção religiosa, filosófica ou política

importará no dever de prestar serviço alternativo, sob pena de suspensão dos direitos políticos, enquanto não prestar o serviço imposto. (Redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008)

Art. 438.

1 o Entende-se por serviço alternativo o exercício de atividades de caráter administrativo, assistencial, filantrópico ou mesmo produtivo, no Poder Judiciário, na Defensoria Pública, no Ministério Público ou em entidade conveniada para esses fins. (Incluído pela Lei nº 11.689, de

2008)

§

2 o O juiz fixará o serviço alternativo atendendo aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. (Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)

§

Art. 439.

O exercício efetivo da função de jurado constituirá serviço público relevante e

estabelecerá presunção de idoneidade moral. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

Art. 440. Constitui também direito do jurado, na condição do art. 439 deste Código, preferência, em igualdade de condições, nas licitações públicas e no provimento, mediante concurso, de cargo ou função pública, bem como nos casos de promoção funcional ou remoção voluntária. (Redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008)

Art. 441.

Nenhum desconto será feito nos vencimentos ou salário do jurado sorteado que

comparecer à sessão do júri. (Redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008)

Art. 442. Ao jurado que, sem causa legítima, deixar de comparecer no dia marcado para a sessão ou retirar-se antes de ser dispensado pelo presidente será aplicada multa de 1 (um) a 10

87 (dez) salários mínimos, a critério do juiz, de acordo com a sua condição econômica.

87

(dez) salários mínimos, a critério do juiz, de acordo com a sua condição econômica. (Redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008)

Art. 443. Somente será aceita escusa fundada em motivo relevante devidamente comprovado e apresentada, ressalvadas as hipóteses de força maior, até o momento da chamada dos jurados. (Redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008)

Art. 444.

O jurado somente será dispensado por decisão motivada do juiz presidente,

consignada na ata dos trabalhos. (Redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008)

O jurado, no exercício da função ou a pretexto de exercê-la, será responsável

criminalmente nos mesmos termos em que o são os juízes togados. (Redação dada pela Lei nº

11.689, de 2008)

Art. 445.

Art. 446. Aos suplentes, quando convocados, serão aplicáveis os dispositivos referentes às dispensas, faltas e escusas e à equiparação de responsabilidade penal prevista no art. 445 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008)

PROCEDIMENTO

A doutrina entende que o procedimento do Júri possui três

fases, a saber.

1ª FASE- FORMAÇÃO DA CULPA a) Denúncia b) Recebimento da denúncia c) Citação 88 d)

1ª FASE- FORMAÇÃO DA CULPA

a) Denúncia

b) Recebimento da denúncia

c) Citação

88

d) Resposta da defesa no prazo de 10 dias (defesa prévia)

e) Oitiva do MP sobre as preliminares e documentos em cinco dias

f) Audiência de instrução e julgamento – na qual serão ouvidos a vítima (se for o caso), testemunhas (máximo de oito para acusação e defesa), peritos, acusado, debates.

g) Pronúncia – caso o juiz se convença da materialidade do delito e indícios de que tenha sido o réu o autor dos fatos.

h) Impronúncia – caso o juiz, embora se convença da materialidade, não encontre indícios da participação do acusado.

i) Desclassificação – quando o juiz entender que não há crime doloso contra a vida, como o homicídio culposo por exemplo. Nesse caso, deverá encaminhar o processo para o juiz competente.

j) Absolvição sumária – quando o juiz entender que o fato não constitui crime (excludente de ilicitude) ou o réu não é culpável (excludente de culpabilidade).

89 A pronúncia é uma decisão interlocutória (não põe fim ao processo), não se tratando

89

A pronúncia é uma decisão interlocutória (não põe fim ao processo), não se tratando de uma sentença propriamente dita. É indispensável que o juiz faça a classificação do crime na pronúncia, podendo haver emendatio libelli e mutatio libelli como visto na aula anterior. Não poderá, porém, o juiz mencionar questões como o concurso de crimes, atenuantes, agravantes, causas de diminuição de pena, pois estas questões deverão ser analisadas pelos jurados. Havendo dúvida do juiz quanto à existência ou não de provas suficientes, deverá pronunciar o réu, pois nessa fase vale princípio in dubio pro societate ou in dubio contra reo, e não o in dubio pro reo.

2ª FASE: PREPARAÇÃO DO PROCESO PARA JULGAMENTO EM PLENÁRIO (ARTS 422 A 424 DO CPP)

Possui as seguintes fases:

a) Intimação das partes para apresentarem, em cinco dias, rol de testemunhas (no máximo cinco), juntar documentos e requerer diligências (art. 422).

b) Diligências do juiz

c) Relatório sucinto e inclusão em pauta

d) Possibilidade de desaforamento – transferir o julgamento para outra localidade

a. havendo interesse de ordem pública ou

b. houver dúvida quanto à imparcialidade do júri, ou ainda para segurança do réu e,

c. finalmente, quando o julgamento não se realizar em seis meses contados do trânsito em julgado da pronúncia.

90 3ª FASE: JUÍZO DE MÉRITO ART 432 DE SEGUINTES DO CPP a) sorteio dos

90

3ª FASE: JUÍZO DE MÉRITO ART 432 DE SEGUINTES DO CPP

a) sorteio dos 25 jurados para comparecerem no dia designado para a sessão de julgamento.

b) Instalação da sessão – no dia marcado, o juiz chama os 25 jurados e confere os que estão presentes (os faltosos poderão pagar uma multa ou prestar serviço a comunidade). Havendo 15 presentes, a sessão será aberta

c) Advertência e sorteio dos jurados – em seguida serão sorteados sete jurados que comporão o Conselho de Sentença. O MP poderão recusar os jurados que tiverem algum impedimento (parente ou inimigo declarado do réu por exemplo) sem limite. Por outro lado, poderão ainda recusar até 3 jurados cada sem nenhuma motivação explícita.

d) Compromisso dos jurados – os jurados prestarão o compromisso de julgar a causa com imparcialidade. A partir desse momento ocorre a incomunicabilidade, não podendo os jurados comentarem o caso entre si.

e) Instrução plenária

a. Declarações da vítima se for o caso

b. Inquirição de testemunhas

c. Interrogatório do acusado

f) Debates – acusação falará primeiro e depois a defesa. 1 hora e meia para

acusação e defesa (art. 477).

g) Réplica e tréplica

h) Dúvida dos jurados – momento para que os jurados esclareçam as dúvidas que possam ter.

91 i) Formulação dos quesitos – será feita na seguinte ordem a. Materialidade do fato

91

i) Formulação dos quesitos – será feita na seguinte ordem

a. Materialidade do fato

b. Autoria ou participação

c. Se o acusado deve ser absolvido art 483 CPP i. Se mais de três jurados responderem negativamente à autoria/materialidade, a votação deverá ser encerrada e o réu será absolvido. ii. Se mais de três jurados responderem afirmativamente à autoria/materialidade, deve ser formulado quesito com a seguinte inscrição “o jurado absolve o acusado?” As teses defensivas (excludentes de ilicitude ou culpabilidade) serão avaliadas pelos jurados neste momento. Caso os jurados decidam pela condenação, deverão ser formulados quesitos sobre

1. Causa de diminuição de pena

2. Circunstância qualificadora ou atenuante

j) Requerimentos e reclamações quanto ao quesito

k) Sala secreta e votação dos quesitos – após a leitura dos quesitos, o juiz se retirará do plenário e levará os jurados até a sala secreta. Já dentro da sala secreta, serão distribuídas cédulas de papel dobráveis, umas com a palavra sim, outras com a palavra não. Os jurados depositarão seus votos em uma urna de votação, enquanto que a outra cédula será depositada em outra

urna, de descarte.

l) Sentença – encerrada a votação e assinado o termo referente às respostas dos quesitos, o juiz deverá proferir sentença. De cada sessão de

92 julgamento, o escrivão lavrará ata, relatando todas as ocorrências e incidentes. m) Proclamação da

92

julgamento, o escrivão lavrará ata, relatando todas as ocorrências e incidentes.

m) Proclamação da sentença

Por fim, anote-se que passou-se a admitir o julgamento à revelia no Júri a partir de 2008, pois a intimação pode ser feita por edital, nos termos do art. 420, parágrafo único do CPP.

SUJEITOS PROCESSUAIS

processo.

São

todos

aqueles

que

possuem

alguma

atuação

dentro

do

JUIZ

É o responsável por manter a ordem e a regularidade dentro do processo, devendo agir com imparcialidade. Nos termos do art. 95 da Constituição, os juízes possuem as seguintes garantias:

a) irredutibilidade de subsídios;

b) vitaliciedade, adquirida no primeiro grau após dois anos de efetivo exercício).

93 c) Inamovibilidade, que é a impossibilidade de transferência, salvo por razões de interesse público,

93

c) Inamovibilidade, que é a impossibilidade de transferência, salvo por razões de interesse público, mediante deliberação da maioria absoluta do tribunal ou Conselho Nacional de Justiça, assegurada a ampla defesa.

Por outro lado, o juiz é impedido de (art 95 CF):

a) exercer, ainda que haja compatibilidade de horários, outro cargo ou função, salvo uma de magistério.

b) Dedicar-se à atividade político-partidária.

c) Receber custas ou participação no processo.

d) Receber auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, salvo as exceções previstas em lei.

e) Exercer a advocacia perante o juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração.

O CPP também elenca os casos em que o juiz estará impedido de atuar (art 252). Há ainda os casos de suspeição previstos no art 254.

Art. 252. O juiz não poderá exercer jurisdição no processo em que:

I - tiver funcionado seu cônjuge ou parente, consangüíneo ou afim, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, como defensor ou advogado, órgão do Ministério Público, autoridade policial, auxiliar da justiça ou perito;

II - ele próprio houver desempenhado qualquer dessas funções ou servido como testemunha;

94 III - tiver funcionado como juiz de outra instância, pronunciando-se, de fato ou de

94

III - tiver funcionado como juiz de outra instância, pronunciando-se, de fato ou de direito, sobre

a questão;

IV - ele próprio ou seu cônjuge ou parente, consangüíneo ou afim em linha reta ou colateral

até o terceiro grau, inclusive, for parte ou diretamente interessado no feito.

Art. 253. Nos juízos coletivos, não poderão servir no mesmo processo os juízes que forem entre si parentes, consangüíneos ou afins, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive.

Art. 254. O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes:

I - se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles;

II - se ele, seu cônjuge, ascendente ou descendente, estiver respondendo a processo por fato análogo, sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia;

III - se ele, seu cônjuge, ou parente, consangüíneo, ou afim, até o terceiro grau, inclusive,

sustentar demanda ou responder a processo que tenha de ser julgado por qualquer das partes;

IV

- se tiver aconselhado qualquer das partes;

V

- se for credor ou devedor, tutor ou curador, de qualquer das partes;

Vl

- se for sócio, acionista ou administrador de sociedade interessada no processo.

A suspeição não poderá ser declarada nem reconhecida quando a parte injuriar o juiz ou de propósito der motivo para criá-la (art 256). Ainda que o dissolvido o casamento, o juiz não funcionará nas causas que em que for sogro, padrasto, cunhado, genro ou enteado de quem for parte no processo (art 255 CPP).

MINISTÉRIO PÚBLICO 95 O Ministério Público, de acordo com o art 127 da CF, “é

MINISTÉRIO PÚBLICO

95

O Ministério Público, de acordo com o art 127 da CF, “é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa

da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis”. Nesse mesmo artigo da CF, temos os princípios do MP:

a) Unidade – quando um de seus membros atua, ele não o faz em nome próprio, e sim em nome de toda a instituição.

b) Indivisibilidade – seus membros podem se substituir uns aos outros, uma vez que o MP não pode ser dividido.

c) Independência funcional – os membros do MP são independentes do ponto de vista funcional, isto é, estão vinculados apenas à sua própria consciência e à lei. A hierarquia que existe é apenas administrativa.

Além disso, o MP possui diversas funções e atribuições, dentre as quais destacamos:

a) acusador – é o titular da ação penal pública.

b) Fiscal da lei – também chamado de “custos legis”, pode averiguar o cumprimento da lei em qualquer tipo de ação penal, não apenas na pública.

c) Promover o inquérito civil e a ação civil pública para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses

difusos e coletivos.

d) Defender juridicamente os direitos e os interesses das populações indígenas.

96 e) Expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência, requisitando informações e

96

e) Expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência, requisitando informações e documentos para instruí-los.

f) Exercer o controle externo da atividade policial.

g) Requisitar diligências investigatórias e instauração de inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais.

Aplicam-se aos membros do MP as mesmas garantias e vedações dos magistrados, inclusive no que se refere aos impedimentos e suspeições.

ACUSADO

É o sujeito ativo da infração penal ou sujeito a quem é atribuída uma conduta verificável em um processo. Por isso mesmo, o termo acusado somente pode ser atribuído após o recebimento da denúncia. Outros termos podem ainda ser usados:

a) imputado – quando a denúncia já foi oferecida, mas não recebida;

b) indiciado – quando já houve indiciamento em inquérito policial;

c) suspeito – quando já foram iniciadas as investigações, mas ainda não houve

indiciamento.

DEFENSOR

Podemos classificar três tipos de defensores:

a) dativos – são nomeados pelos juiz.

b) Constituídos – são os advogados particulares.

97 c) Públicos – aqueles destacados para realizar a defesa dos juridicamente pobres. Nenhum acusado,

97

c) Públicos – aqueles destacados para realizar a defesa dos juridicamente pobres.

Nenhum acusado, ainda que foragido ou ausente, será processado

sem a presença do seu defensor (art 261, CPP), sendo obrigatória a presença do defensor técnico legalmente habilitado. Em conseqüência, será nula a defesa feita exclusivamente por estagiário.

O advogado poderá realizar a sua defesa técnica, desde que não

seja incompatível ou não esteja impedido para o exercício da advocacia. Se por motivo justificado, o defensor não puder comparecer à audiência, esta poderá ser adiada. Tal motivo deve ser demonstrado até a abertura da audiência, sob pena do ato não ser adiado e o juiz nomear defensor dativo, ainda que provisoriamente ou só para o efeito do ato, sem prejuízo das sanções disciplinares perante a OAB.

ASSISTENTE DE ACUSAÇÃO

É todo aquele que busca auxiliar o Ministério Público na acusação de

um crime de ação penal pública. São legitimados para atuarem como assistentes a vítima, o seu representante legal e os seus sucessores, podendo ser habilitados desde o recebimento da denúncia até o trânsito em julgado da sentença.

O pedido de habilitação para atuar como assistente será dirigido ao

juiz que, após ouvir o MP, decidirá, não cabendo recurso da decisão de

indeferimento, salvo mandado de segurança.

O assistente possui os seguintes poderes:

98 a) propor meios de prova b) dirigir perguntas às testemunhas c) participar dos debates

98

a) propor meios de prova

b) dirigir perguntas às testemunhas

c) participar dos debates orais

d) oferecer razões recursais interpostos pelo MP ou por ele mesmo.

Embora em regra o assistente não possa interpor recursos, caso o MP se mantenha inerte, o assistente poderá interpor o devido recurso no prazo de quinze dias.

AUXILIARES DA JUSTIÇA

São classificados em:

a) servidores da justiça – que praticam atos de registro e comunicação processual.

b) Peritos – já estudados na aula sobre provas.

c) Intérpretes – são aqueles que contribuem para esclarecer o pensamento de outras pessoas que possuem dificuldades em se expressar. Ex: surdos- mudos. Quando se trata de idioma estrangeiro, usa-se a expressão tradutor.

RECURSOS

RECURSOS 99 É todo meio processual que visa ao reexame de uma dada decisão, com o

99

É todo meio processual que visa ao reexame de uma dada decisão, com o objetivo de corrigi-la, confirmá-la ou modificá-la. Tem como requisito o fato de não haver o trânsito em julgado. Caso haja trânsito em julgado, caberão apenas ações autônomas, como revisão criminal e habeas corpus em alguns casos.

Classificamos de juízo a quo o órgão que proferiu a decisão recorrida, contra o qual se recorre. Juízo ad quem é o órgão a quem se pede o reexame da decisão, geralmente um juízo ou tribunal de hierarquia superior.

CLASSIFICAÇÃO DOS RECURSOS

Total

– visa ao reexame de toda

a

Parcial – visa ao reexame de parte da decisão

decisão

Ordinário

instâncias

ocorre

na

e

– tribunais superiores

Extraordinário

ocorre

perante

os

Iterativo – será apreciado pelo mesmo órgão que proferiu a decisão recorrida

Reiterativo – será apreciado por órgão distinto do que proferiu a decisão

Voluntário –

 

interposto

De ofício – reexame necessário ou remessa obrigatória – cabível nos seguintes casos - contra sentença que concede HC - contra absolvição sumária no Júri - contra decisão que concede reabilitação

voluntariamente pelas partes

100 - contra decisão que arquiva o inquérito ou absolve o acusado nos crimes contra

100

- contra decisão que arquiva

o

inquérito ou absolve o acusado nos

crimes

contra

a

saúde pública e

economia popular

PRINCÍPIOS RECURSAIS

1. Disponibilidade – ninguém está obrigado a recorrer, podendo as partes desistir do recurso exceto o MP.

Contrariedade – toda vez que uma das partes se manifestar, a outra terá a oportunidade de rebater esses argumentos.

2. Tantum devolutum quantum apellatum – em regra, só será objeto de apreciação pelo Tribunal aquela matéria que tiver sido impugnada pelo recurso.

3. Ne reformatio in pejus – o tribunal não poderá piorar a situação do réu, direta ou indiretamente, de ofício, exceto quando haja um pedido expresso da acusação nesse sentido. Dessa forma, nos casos em que o recurso for exclusivo da defesa, o tribunal, ao julgar procedente o recurso, poderá manter a mesma pena ou diminui-la, jamais aumentá-la.

PRESSUPOSTOS RECURSAIS 101 1. Cabimento – consiste na exigência de que o recorrente utilize uma

PRESSUPOSTOS RECURSAIS

101

1.

Cabimento – consiste na exigência de que o recorrente utilize uma das espécies recursais previstas na legislação processual penal brasileira. Excepcionalmente, o juiz poderá receber o recurso errado como se certo ele fosse nos seguintes casos

a. Ausência de má fé

b. Ausência de erro grosseiro

c. Tempestividade do recurso

2.

Tempestividade – os recursos devem ser interpostos dentro do prazo previsto em lei.

3.

Forma prescrita ou regularidade formal – o recorrente deve observar as exigências específicas de cada recurso.

PRINCIPAIS EFEITOS DOS RECURSOS 102 1. Devolutivo – transfere para o conhecimento do tribunal ad

PRINCIPAIS EFEITOS DOS RECURSOS

102

1. Devolutivo – transfere para o conhecimento do tribunal ad quem a matéria que já foi objeto de apreciação no juízo a quo, buscando-se o reexame da matéria.

2. Regressivo – o juiz pode se retratar e alterar o que foi decidido.

3. Suspensivo – é aquele que suspende a eficácia da sentença, impedindo que, enquanto não for julgado o recurso, a decisão de primeira instância seja executada.

4. Translativo – em alguns casos o judiciário poderá conhecer de certas questões de ofício, julgando além do que consta nas razões e contrarazões recursais

5. Substitutivo – a decisão proferida substitui a decisão do juízo a quo.

AGRAVOS NO PROCESSO PENAL 103 TIPO CABIMENTO   PRAZO Agravo em execução   Contra as

AGRAVOS NO PROCESSO PENAL

103

TIPO

CABIMENTO

 

PRAZO

Agravo em execução

 

Contra as decisões do juiz de execuções

5

dias

Agravo de instrumento

 

Contra as decisões do

5

dias

presidente

ou

vice-

 
 

presidente

do

tribunal

que não

admite

o

Recurso Extraordinário

ou o Recurso Especial 544 CPC

Agravo inominado

 

Contra

a

decisão que

 
 

inadmitir

a

revisão

criminal

Agravo

interno

ou

Cabível no âmbito de cada tribunal contra decisões do relator que decide monocraticamente uma questão

 

regimental

104 RECURSO CABIMENTO   PRAZO   EFEITOS Recurso em - rejeição da - prazo de

104

RECURSO

CABIMENTO

 

PRAZO

 

EFEITOS

Recurso

em

-

rejeição da

-

prazo

de

- devolutivo

sentido estrito

acusação (STF)

 

interposição –

- regressivo

-

rejeição de

cinco dias (regra)

- suspensivo

aditamento à peça acusatória (STF)

- Art. 581 CPP. Caberá

e

vinte dias

contra decisão que incluir ou excluir jurado de lista.

recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença:

-

prazo

para

I - que não receber a denúncia ou a queixa;

oferecimento das

razões

dois

II - que concluir pela incompetência do juízo;

dias.

 

III - que

julgar

 

procedentes

 

as

exceções,

salvo

a

de

suspeição;

 
 

IV

que

pronunciar

o

réu;

(Redação dada pela Lei

105 nº 11.689, de 2008) V - que conceder, negar, arbitrar, cassar ou julgar inidônea
105
nº 11.689, de 2008)
V
- que conceder,
negar, arbitrar, cassar
ou julgar inidônea a
fiança, indeferir
requerimento de prisão
preventiva ou revogá-la,
conceder liberdade
provisória ou relaxar a
prisão em flagrante;
(Redação dada pela Lei
nº 7.780, de 22.6.1989)
VI - (Revogado
pela Lei nº 11.689,
de
2008)
VII - que
julgar
quebrada a fiança ou
perdido o seu valor;
VIII - que decretar
a prescrição ou julgar,
por outro modo, extinta
a punibilidade;
IX
pedido
- que indeferir o
de
reconhecimento da
prescrição ou de outra
106 causa extintiva da punibilidade; X - que conceder ou negar a ordem de habeas
106
causa
extintiva
da
punibilidade;
X - que conceder
ou negar a ordem de
habeas corpus;
XI
- que conceder,
negar ou revogar a
suspensão condicional
da pena;
XII
- que conceder,
negar ou revogar
livramento condicional;
XIII
- que anular o
processo da instrução
criminal, no todo ou em
parte;
XIV - que incluir
jurado na lista geral ou
desta
o excluir;
XV
- que denegar
a apelação ou a julgar
deserta;
XVI - que ordenar
a
suspensão do
processo, em virtude de
107 questão prejudicial; XVII - que decidir sobre a unificação de penas; XVIII - que
107
questão prejudicial;
XVII
- que decidir
sobre
a unificação de
penas;
XVIII
- que decidir
o
incidente
de
falsidade;
XIX
- que decretar
medida de segurança,
depois de transitar a
sentença em julgado;
XX
- que impuser
medida de segurança
por transgressão de
outra;
XXI
- que mantiver
ou substituir a medida
de segurança, nos
casos do art. 774;
XXII - que revogar
a medida de segurança;
XXIII - que deixar
de revogar a medida de
segurança, nos casos
em que a lei admita a
108   revogação;       XXIV - que converter a multa em detenção ou

108

 

revogação;

     

XXIV - que converter a multa em detenção ou em prisão simples.

Apelação

Art.

593.

Caberá

-

prazo

de

- devolutivo

apelação no prazo de 5

interposição

- suspensivo

(cinco) dias:

 

cinco dias

I - das definitivas condenação

sentenças

-

prazo

para

OBS: A apelação será interposta no prazo de cinco dias perante o juiz que proferiu a decisão recorrida. Este não pode se retratar. Após isso, serão apresentadas as

razões

e

de

oferecimento