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A Saga da Máquina do

Frio

Por Robson Ashtoffen – 2005.


ODE AO FRIO
Frio, frio
Frio que tanto adoro
Me presenteia com blusas
E minha preferida estética
Meu preferido espelho

Além de tudo
Não me torna enfermo
Pelo contrário!
Fico muito mais sadio

Um dia farei uma música p’ro frio


Vestido de blusas
Winter flowers
E luvas de lã

Um cachecol
- Me borda um cachecol, amor!
- Sim, com todo o meu amor!

Amor ao Frio
Frio que tanto adoro.

23/04/2005
POEMA SOLTO
Não transcrito.
(- - - - - - -)
Onde estão os cadáveres?
Os corpos parados
Desnecessários à vigente compreensão do mundo de pais de família

Pais de família...
São cadáveres?
Ou são desnecessários à vigente compreensão do mundo de corpo parados.

18/05/2005
MÚSICA ( SÓ UM POQUINHO HISTÉRICA HA, HA, HA, HÁ... HI, HI,

HI, HI!!! UM POUQUINHO... SÓ...UM...POUQUINHO..HIS..HISTÉRICA!!! )


A poesia me arde
Cola os dedos como gelo
Fere todos os órgãos internos

Vomito tudo
Tudo na poesia
Tudo que comi
Tudo que alimentei
É jogado
Derramado
Em linhas
Inevitavelmente européias
E indubitavelmente.. brasileiras

Escrevo músicas
Não sei porquê
Deve ser dom
Que é oriundo da natureza
Natureza quente (ardente)
Natureza voluntariamente experimental – A Natureza Fria.

18/05/2005
A NATUREZA FRIA
Onde está a Natureza Fria?
Extremamente Fria?

Disponho desafios
Sem critérios ou leis
Apenas a prova de se manter vivo
E Frio
Porém sendo Frio
Corpo Frio
Mente Fria
Pensamentos mortos de Frio
Sem morrer de Frio.

18/05/2005
NÓS DEVERÍAMOS TER
VISTO O VESTIDO
Que lindo vestido!
Que lindo desafio!
Até quando vamos nos redimir ao espelho do outro?

Mantenhamos o voto!
Que o lindo vestido, é mais lindo fora do espelho
É mais lindo visto de frente
É mais lindo vestido.

18/05/2005
OS ANIMAIS
Queria ter um rosto-gato
(Ser um animal inexpressível
Ser consciente e inconsciente
Do meu mistério)

O Glam-Rock oitentista me irrita


(Odeio maquiagens em mim
Nos outros podem fitar
- Em mim, acho que não)

Nunca farei uma música com títulos


“Shut up”
“I need shit to become sucesseful” – talvez eu peque nessa!
“Love”

Talvez eu peque de pirraça


Morda os lábios
Toda vez que for provar algo doce.

18/05/2005
POESIAS DE TÍTULOS
ENORMES E
ENGRAÇADOS SOAM
EM UMA HISTÉRICA
FREQUÊNCIA GELADA
E CAPAZ DE TORNAR
ANJOS BRANCOS EM
EXCREMENTOS DE
DEUS
- Já terminei
- Então, adeus.

18/05/2005
DEIXA SEM TÍTULO
MESMO!!! PARTE 1
Sou um neném
Escrevendo
Quebrando o medo
Como um bloco de gelo

Quebra
Porém não derrete

Bronquite, rinite
Não atingem o bebê
Que bebeu cerveja em suas pesquisas
E as deixa de lado
Preocupado

Onde estão os presentes?


De natal?
- Não me pertencem!
- Não existe natal!
- Garf!
- Não quero presentes!
- Não preciso de presentes!
- Já tenho o meu
- Que tornar-se-à futuro
- Tornar-se-à passado
- Tornou-se passado
- Portanto é mínimo

Poderia ficar triste


Mas a realidade é para maduros
Crianças são fantasia
O mundo egocêntrico das criancinhas.

19/05/2005

LONGE DE MIM,
CRIANÇAS!

O anfiteatro fica lotado em poucos segundos


Os pianinhos começam a piar
As loirinhas vivas e minúsculas voam p’ra lá, p’ra cá

Os menininhos – com maças rosadas


Fantasia
Só o tempo mostrará
O Frio que percorre a espinha dorsal
O Frio que acorda os olhos dos gigantes imaturos
Aqueles de corpos desenvolvidos (hormônios, ação!)!
São piores
Do que criancinhas
E os quero
Distantes
De mim
Criançonas!!!

19/05/2005
DEIXA SEM TÍTULO
MESMO PARTE II
Quando ouço certas canções
Imagino a noite
Imagino que certas canções são melhores em performances
E que o antigo R.E.M. era magnífico

Mania de passar o dedo por entre os lábios


Como uma máquina contadora
Calcula e produz
Satisfazendo os pedidos naturais – Lei da obediência

Todos obedecem a uma lei natural.

19/05/2005
A VERDADE SOBRE A
MÚSICA

A música é um absorvente
De mentes absortas, inexoráveis
Na verdade as torna absortas.

19/05/2005
O ANALISTA DE
SORRISOS
Sou anistias
Sou analista
De sorrisos
É o que mais falo
Os perfeitos
E imperfeitos sorrisos
E as estátuas.

19/05/2005
POEMA ESCRITO NUM
BRAÇO DE CADÁVER

Pneumotórax é o meu preferido


Reel around the fountain me engrandece
Queria trabalhar num necrotério
E sempre lancharia perto de cadáveres

E bisturi é o meu amuleto


Obsoleto mentor da fragilidade humana
Maquininha bobinha
“É fácil matar”
“É só pisar!”
“Aí acaba!; Aí morreu!; ha, ha, matou?”
Depois coloca-se o corpo à disposição do esquecimento.

19/05/2005
POEMA ESCRITO NUM
TÓRAX DE UM
CADÁVER
Acordo com musculares dores
Será a cama maior q’eu
O’eu maior q’a cama

Onde está o investigador?


O bisturi sangra
A morte é um símbolo
Um chanceler talvez
O pudor não mata
Mas torna purino

Q’é purino? – Hein?

26/05/2005
POEMA ESCRITO NUM
CRÂNIO NU

É difícil escrever aqui


Por conclusão, vou eu escrever pouco
E um pouco torto

Com poucos espaços


Bisturi 2,0 ponta em corte morto
Praticamente descartável
Chega!
Hora d’ir
Beijos p’rá minha morte
E um dedo no gelo da sibéria
Russa e vodka
Dostoievski é meu pai.

26/05/2005
POEMA FEITO DE
CABELOS DE UM
CADÁVER

Minha última obra


Pois o bisturi não agrada
Dou a mão a outro Frio

Pouco cabelo
P’rá muito palavras a falhar

Cabelos!
Quero cabelos na garganta!

(Mil fios na faringe/laringe; glote morta.


Respiração fraca – Morte porvir)

Fina fala
Falo Fino
Mas afagas minha garganta
E cócegas
Me habitam
Antes que vocês repitam
- Que doido, doido Homem!

26/05/2005
A MANHÃ LÁ ONDE A
GENTE MORA

- Frio p’rá cacete!!!


- Filho da puta, Frio das putas
- Fodeu, Rubens ; Frio até nas bordas das folhas.

26/05/2005
COISAS ESTRANHAS
ACONTECEM COM A
NOSSA LÍNGUA:

TORTA, TORTA!
NÃO, NÃO, NÃO!!!

Chega!
Vou escrever
Q’nem doidino
Torto e retorto
Ha, Ha, Ha

Chegou a hora dos metamorfos da nossa língua


Portuguesa

Q’esse momento seja um momento.

26/05/2005
MUDA MÊS, MUDA EU

É p’rigoso screver
Idealizar
Lid’rar um ideal
Copu d’leite
Eu tomo
E leio
Tomo inspiras – o congelant’ quebra palavras
A geada
Cerebral
Muito metamorfa

- Meu copu di café esfria, perde essência...


Café deve ser jogado fora, ‘stá morto
O q’ morre deve ser substituído
- Meu copinhu di café esfria... vai ‘cabar o vaporzinhu
Tudo vai-se ‘mbora, tudo esvanece
... Progressivament’
Eu destôo e crio o (meu/nosso/vosso/pertence ao mundo) Frio.

01/06/2005
MUDA MÊS,
CONTINUAM COISAS

Minha mente trabalha


Nas duv’das du mundo
Nas filosophias do mundo

Minhas filosophias
São Clapton vivendo cocaine
Seixas brincando com Deus

E É tão Frio

U Quanto aquilo

S Que seus seguidores mais repudiam

01/06/2005
A VENDA DE
MORANGOS

S’ tivesse eu uma vendinha de morangos


Colocaria-na o nome de
Strawberry Fields Forever!

01/06/2005
US MORTINHOS
(Q’ GOSTAVAM DE MORRER NÃO SABEM Q’ É MORRER!!!)

Admiro Goethe...
Werther...Azevedo...
Poucos pontos... porém admiro
São belos
Porém mortos
Vivos apenas pelos erros, aquel’s q’querem aprender
Agora são carne Fria
Soment’ carne Fria
O calor bobo foi mortífero – só vivem por causa daqueles admiradores
Tenho dó sarcástica – portanto – os admiro

01/06/2005
METAFÍSICA? NÃO,
METALINGUAGEM!

Tempin’ não ‘screvo


O inverno chegou
Olá
Olá
O inverno chegou

O momento deste capítulo


O Frio!!!

23/06/2005
NÃO, NÃO! AQUI
TAMBÉM HÁ
CONTRADIÇÃO!

Não há momento (menus ainda momentos)


Para uma obra
Uma revolução e as conseqüências

Eterna procriação é da obra


D’arte
A carapuça é a mente dos olhos corredores d’linhas
Corredores, codificadores d’palavras
Carapuça e reprodução da parte p’ro todo e tudo

Bocas
E mentes
Carapuça
E reprodução
Imortalidade
Não momento
Periodicidade
Não condiz freqüência diretamente

Faz esta obra imortal.

23/06/2005
O BEIJO, O MÍNIMO,
EXCLAMAÇÕES

Não transcrito.
FLOCO D’NEVE Nº1
Frases curtas somem
Teoria...
Evolucionistas
Estes habitam minhas narinas

Ela disse:
“Como os alemães são brancos?”

Eu disse:
“Como o Brasil é branco”

Ela:
“Amarelo, verde e progresso, né?”

Eu:
“Cala boca!!!
Brancos, pretos...
Sei lá... humanos
Humanos, né?

23/06/2005
FLOCO D’NEVE Nº2

O lápis não me agrada


‘Gola da camisa me sufoca
2 amigas – mãe, e amiga adolescente
No
Mesmo
Dia
Car crash
She’s crashed
E eu nada posso fazer

27/06/2005
SEM CAMISA ENCARO A
MORTE DE FORA

Melhor ‘tou
Preso em casa alheia
- Roubaram minha chave – Putaqpariuuu
Pêndulo no pescoço
Retiro-u-caveira de processo ritualístico
Petição d’morte...d’osoutros

Ouço musiquinha filiz...


Penso em sífilis
Num momento, me pego surrealista

Mas sempre fui

Pulo músicas do CD

Escapei do coma...talvez duma morte imprevisível...


Porre normal...
- O almirante tem três desses na semana!
- Tu és frouxinho... num ‘guenta um pileque d’muleque

Três cadáveres:
“Com licença, sinhô!! Prisunto na área; licença!!
P.S. é do lado direito da escadaria; tem um bebedouro, mas tá quebrado... nem
atreva, neguinho!!!”
Três cadáveres por minuto
Uma mãe e dois jovens
Uma criança e dois velhos
Dois recém-nascidos e um traficante
Um pai, um tio, um avô
Um antigo, um inimigo, um cadáver.

27/06/2005
SOMOS MUITO
ALEGRES, MUITO
LATINOS

Somos um qualquer
Filhos das putas, ralés
Parasitas e desacordados
Trepamos e mordemos a língua
Chupamos todas as putas com furor
Devemos cargos aos padres
Devemos três quilos ao açougue todo mês
Xingamos um preto
Dez vezes por dia!!!
Chupamos gelo
E resfriamos

Traímos – os nossos filhos


(ainda nem nascidos)

Um banquete noturno...
Depois das compras...
Bota os moleques na cama...
E devoraremos o caranguejo...
Cozido vivo...
Senão perde a textura...
Onde fica a bosta do caranguejo?
Eu como tudo...
Mesmo com gosto estranho...

27/06/2005
O VIVEIRO DAS
GALINHAS

Caruaru, Ipojuca, Sto. Agostinho


O cheirinho d’cana
Família repudiosa...fiquem onde estão.

27/06/2005
TERMINA A
PÁGINA/ESPERA O
CAFÉ

Não transcrito.
CERTA PIZZA, CERTO
DIA!

- Bailaio? Já comeste pizza Fria? (falou #)


- Na matina? (rebate Bailaio)
- Isso! (#)
- Durinha...seca...gordurinha e óleo no orégano...
Nem fala...corta papo (Bailaio)

- Ae!! Tem uma aqui!!! Bem boa! Come ae, come, come... (#)
- Olha o nome dessa porra!!! (Bailaio)
- “Vai dar tudo certo” – (Pizza)
- Come... Afinal... “Vai dar tudo certo” (#)

- Me dá com calabresa e cebola. (Bailaio)


- Arregaça!!! (#)

Comeu, comeu, comeu – AAAHH

Bolo alimentar
Ptialina...Pepsina...

Comeu, Comeu, Comeu.

Depois ninguém mais viu Bailaio


Nem #
Nem eu
Só sei q’a pizza
Se foi
Amanhecida... Durinha... Seca... Gordurosa...

Deu tudo certo?


- Certo? (#)

27/06/2005
VLADO, O CORVO

Hora de tomar um banho nos esquadros de acrílico!

Que bonita risada!


A alta temperatura piora minha ‘flamação ao céu da boca
Portanto me ofereça leite frio
Com biscoitos e geléia de morangos
Uvas, provavelmente nozes secas
Secas das lágrimas duma garota
Triste por asfixiar seu pai e lhe dar
A morte em braços de chagas
E o ar rarefeito dos seus peitos
Eram suficientes para condená-la ao pecado

Vlado (o corvo)
Meu corvo um dia visitou-te...
Cadê tua Kodak? – De segunda mão – Mas fotografava, claro
Fora roubada, eu sei...
Se roubaram teu ombro de consolação,
Estás sozinha?

Tola, tolinha
Se morres sem ombro
Morres com palavras

- Ai, tenho um encontro! (Mimi)


- Sério? Quem é ele? (♀)
- Tão lindo quanto o outro (Mimi)
- Amas o outro? (♀)
- Talvez... (Mimi)
- Como és estúpida...vou cortar teu clitóris...como africana viverás...não achas
hora de ter cria?. És frígida?

30/06/2005
POESIA CRUCIFICADA

Não transcrito.
CINEMA

Os filmes são bonitos


Coloridos
Ou não

Os filmes são falados


Os desenhos são traçados
O roteiro é escrito
Calculado
E finalmente
Interpretado

Diphusa, Poulain entre outras que gosto

Atores
Atrizes...

Figurantes...
Também importantes

Coadjuvantes...
Importantes...
Também

Quero fazer um filme


De premiada fotografia
E lindo roteiro
Uma ótima atriz
Que não seja advogada
Para que possa eu
Casar e ter filmes

06/06/2005
A TELA DE LÁPIS
GRAFITE

Pinto unhas de lápis grafite


Minhas fitas de filmes
Estão mofando

Entro numa tela


Como ela
Nunca fora antes
Eu pinto
A tela numa cor que poucos podem ver
E os que vêem
Pintam as unhas de lápis grafite.

06/07/2005
OS NOTURNOS

No alto dos prédios


Do Frio (paulistanos)
As luzes são vivas, trabalham, consomem, produzem...
Dia de quinta
Quinta viva, mesmo em madrugada

O meu dia começa na madrugada


Meu café da manhã é janta
Trabalho p’rá o benefício do sr. Dia
Quando o rei sol senta no trono
Eu preparo a seda
E a’almofada
E ele reina
E os diurnos trabalham, consomem, produzem...
Ninguém lembra dos noturnos...
Os pilares da tua casa também são noturnos
Mas ninguém lembra dos noturnos.

07/07/2005
O TRABALHADOR

É a graça da vida em voleio


Joga p’rá, lá, p’rá, cá,
Prende... Mas não cai

“Despedido por incompetência empresarial”


Tenho filhos e...
“Despedido por insuficiência de vendas”
No próximo mês eu vou...
“Despedido por desqualificação de natureza mental”
Vou mandar uma petição ao Jonas...
“Despedido por baixa classe social e naturalidade de falta de direitos”
Por favor...
“Fim da transmissão”

O trabalhador
Luiz, João, Jonas, José...sei lá...tantos e todos
O trabalhador
Se fodeu
Como conta’s ‘tória
- Vai vagabundear ao bar!
- Seu puto!
- Bate nele, bate!
- Não, eu sou trabalhador!
- ¡No, mi también!
¡Yo soy derecho!
¡Hijo de puta!
- Não – bate no argentina – não
- Não – bate no João – não
Bate
João – bate – bate

07/07/2005
O CORPO DE TODOS
NÓS

Deve haver uns ateus no meu espírito


Uns calculistas capitalistas nos meus dedos
Uns falsos galantiadores, procuradores de lucro infinito
Nos meus olhos
Flocos d’neve, ar frio, nas pernas
Os pés
Habitados por viventes
Ou mesmo zumbis
Restos das minhas mortes
E micoses
Meus órgãos internos
Minhas tripas indigestas
Meus sorrisos de interesse
De falsidade
E deterioração
Meu fígado em UTI
Meu cérebro drogado e viciado
Meu rosto fadado à vergonha
Minha merda fadada a escorregar pelo esgoto
Ou pelas minhas pernas
Meu pau vivente por puro sexo
E simples podre ejaculação
Minha vagina e peitos duros
Pervertidos escondidos num rosto dócil e ingênuo
- Ingênuos são vocês, seus porras!!!
Afinal, todos querem foder
Será que tudo vive por perpetuação d’espécie?
Será que você (leitor) (escritor) (qualquer um (a)) se encaixa
No corpo acima?
Não, não você é muito puro, muito pura
Muito quente. Mas tente vomitar um pouco, só um pouco.

07/07/2005
NOITES DE SÁBADO
(BEBEMOS E FOMOS
PRESOS)

Vamos tomar coca-cola


Na balada da noite
Vamos ficar chapados
Com “cubas libres”
(E p’rá quem gosta)
Com umas carreirinhas brancas

Consciência?
Somente de insanidade
Se batermos o carro
Deus -Todo Poderoso- nos acolherá
E com um divino afago
Seremos perdoados
E ficaremos chapadinhos com vinho
Junto de Moisés
E sem ressaca
Pois no céu não há dor

Não há dor

Então aproveita aqui na terra


E doa a quem doer
Eu vou doer

E se quebrar o maxilar?

Me transformo em super-herói
Sombrio
E assassino
Porque a vida é um tédio
Sem um sangue escorrido pelos lábios.

07/07/2005
O SORRISO DA VELHA

O sorriso lindo
Daquela velha
Na fila do transplante
Do pâncreas
Rim
Córnea
Sei lá...

- Mas era bonito p’rá caramba –

E se era!
Tinha os seus quarenta
(p’rá mim é velha)
Era boca grande... tava na fila d’morte
Mas ria porque morria
Adeus, velha!
Seu sorriso já era! – Já foi bonito! Agora é somente cadavérico.

12/07/2005
POEMA SOLTO DE
NOVO

Não transcrito.
VOCÊ MORRERÁ ÀS
DEZ DA NOITE

Vou terminar isto no fim do inverno!


Pois há coisas que só terminam
Em seu devido tempo
E isto
Terminará em seu devido tempo

Os acidentes em seu devido tempo?


O acaso acontece no seu devido tempo?
Se eu morrer agora?
Todos devem dizer:
- Chegou em tempo!
É sempre perfeito e exato e pontual
Como eu

Vou morrer como esta obra


No seu devido tempo.

18/07/2005
PODEMOS NEGOCIAR O
DIA DA TUA MORTE

Leitor (amigo-inimigo e amor)


Duvide-demim
No seu devido tempo, claro!!!!
Pois em hipotermia não se discute
Pois em hipertensão não se sintetiza
Não é Hegel?

Sim-Sim-
Leia e durma
Coma e leia
Respire e leia
Sem pensar, sem pensar!

18/07/2005
PREPARANDO O
BANHO

Por que tanto Frio?


Tanto Frio no cérebro?
- No córtex –
- Na parte medular –

(Pegando a cueca e a calça)

Vou tomar meu banho diário de inverno


(onde a Frieza pode ferir)
São estacas de dor e pobreza
São coisas inexatas a um ser humano
Condenado a sentir e amar

Os animais (demais) são Frios


Porque não sabem disso

Nós animais (de resto) não (e nunca) seremos Frios


Pois sabemos disso

(O tempo passa, as costas doem e uma visita indesejável está em minha


casa!!!)

~ Que merda!!! ~

Pixies são Frios o suficiente para dizer


- “Where’s my mind?”
Eu sou Frio não o suficiente para dizer
- Morram!!! (onde está a minha arma)
Ou saiam da minha casa alugada, sem olhar para trás

Quando serei Frio? Absolutamente. Para abdicar todos os amores, amizades


quentes (Eu só quero pessoas para interesses políticos).

20/07/2005
QUANDO SEREI FRIO?

Quero Frieza e esperteza


Interesses finais em primasia!

}
Sem matar minha vida social
Pelo contrário!
Serei altamente social Sim, serei político
Não sociável

Aniversário?
Prenúncio da morte!
Festejai!
A morte está a chegar!
E a renovação também

Morte?
Fim da vida...
Somente isso.

20/07/2005
MANUAL DO FRIO

As coisas são o que são.

20/07/2005
QUESTIONAMENTO
DESSE MANUAL, POR
FAVOR!

- Pessoa é frio?
- Quem? O pastorzinho?
- Sim
- Acho que não. Ele é somente categórico.

20/07/2005
UMA CONSIDERAÇÃO

Sentir corresponde uma inevitabilidade


É inata
O sentir dó, amor, felicidade...
Vou questionar Russel
E talvez criar a Máquina do Frio.

21/07/2005
A MÁQUINA DO FRIO

Está pronta!
A Máquina do Frio
Ótima em tempos de inverno
Abstém qualquer ser humano
Dos sentimentos exacerbados
Chorar?
Nunca mais!
Ser Frio
Egocêntrico?
Não, não, não! – Isto pertence aos tolos
A Frieza mantém contato
Cria laços
Mas são laços congelados
Feitos de fístulas de gelo
Frágeis se ocorrem inutilidades
A vida também é uma fístula de gelo
A morte é uma fístula quebrada

Apenas entre na Máquina


Feche a porta, aperte o botão
Temperatura: -25ºC
Colapso cerebral: perto da iminência
Batimento cardíaco: 140 – 150 mmHg.

21/07/2005
O INDUSTRIAL

Como é linda esta máquina


Suas engrenagens e fios
Sua exatidão
Matemática
Sistemática
É quase perfeita
E Fria
Dura, feita de ferro
Belo condutor
De calor

Cantem o Hino na Fábrica


A nova Fábrica
A Fábrica do Frio.

23/07/2005
O PINTOR

Não transcrito.
O ADVOGADO

Em minha tutela encontra-se


Toda a legislação das máquinas
Fábricas
E sopros congelantes

Advogo qualquer apelo e ataque


Contra
Esta
Indústria revolucionária
De botões
(que me parecem mágicos)
E pessoas Frias
E uma futura harmonia nas relações racionais
Humanas

Fim da metafísica
Subjetivismo
Românticos putos e vadios
Fim – fim
Fim até desta obra
Vaga – obscura – no seu propósito – o depósito – de miolos
Adeus ao passado!
O novo Homem se forma
Maquiavélico novo, político, conciso, exato e Frio

(Cobaias!)
(Façam fila)
(Fila organizada)
(V’c’s serão muito mais organizados, hahaha).

23/07/2005
TESTES

Teste 1 – Começar

Entrem, Entrem, Entrem


Isso!

- Seu nome
- Pax
- Do quê?
- Pax de Montes Altos
- Porra de lugar! – Tá, Tá – entra na Máquina

Teste 2 – Máquina ligada

- Tudo bem?
- Sim
- Começar!

25/07/2005
OLHA O NEOLOGISMO
AÍ GENTE!!!

Então funcionou
A Máquina ligou
E o final do filme mudou
Só vimos fumaça
Toda’quela arruaça
E o povo d’olho na farsa

Um estouril
Um barulheco (BLOMMMMM!!!)
- A Máquina quebrou, a Máquina quebrou!
Fora denunciado e a Fábrica arruinou
- A Máquina quebrou, o Frio quebrou!

05/08/2005
O DESESPERO!!!

Não!!!
!!!!!!!Não!!!! ! !!!!! !! !~!! !~!! !~!!
! ! ! !!!!!Não....!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Mil
Nãos! Sobre mãos e mães
(O advogado, o industrial e o pintor choram a frente do processo)
- Inúteis! Por que choram?! Seus falhos empreendimentos, extrema ‘xpressão
da burrice. Vocês esquentam o Frio e arruínam a Máquina por falha....
Sempre falha... Lado sintético... Emotivo.
Lobotomia... Lobotomia!! Para os rendidos à sensibilidade!!!

05/08/2005
LOBOTOMIA A PEDIDO
DO INCÓGNITO
SUPERIOR: A LEI
No tétrico dia
O advogado, o industrial e o pintor
Tiveram seus corpos esmagados e queimados
Por uma brisa Fria e sórdida
Cega e morta-viva:

A Lei
A Lei matou o proceso e puniu com Frieza
Essa é a Lei
A Lei do fedor
E da sordidez.

05/08/2005
DESTROÇOS DA
MÁQUINA DO FRIO

Aqui mais um parafuso


Me lembra Chaplin nas engrenagens
Falando da falta de humanidade
E o excesso das Máquinas
É a reprodução das Máquinas
D’algumas Máquinas
Pois ainda existem os que apertam o botão
E pagam os quilos de sal
Aos cidadãos romanos

Aqui mais uma porca


Suja d’óleo
E um pouco congelada
E tentaram congelar o Homem
E conseguiram congelar a porca
Por que não esfriam todas as porcas d’u’m’undo?
Eu botaria
Trêz zilhões de porcas num tanque
E esfriaria
E tudo ia parar
As Máquinas iam parar e a crise lamberia
O saco de nozes do natal
- Isso! – Eureca!

- “Porcas do mundo todo! Uni-vos!” 05/08/2005


OS LAÇOS DE SUCATA

Os laços da História, são os desatáveis!


É possível construir, sim é possível!
É possível construir uma estátua d’líder com sucata

05/08/2005
UM EPÍLOGO-BRISA-
CONGELANTE
(EPÍLOGO DO
CAPÍTULO DO FRIO)

Afinal?
Q’qué é frio?
Uma Máquina
E uma proeza, por destreza, ou falta de,
Foi morta
Sem ‘star viva

Mas...
E a crueza
A fieldade política
A fidelidade aos erros
Os seres impuros q’ somos nós
A baba q’scorre lenta e incolor
O cheiro, o sexo podre e sujo
E nossa sordidez sádica
E bonita
Nas entre linhas de olhos míopes ou normais
Mas entre linhas, sob as saias
E calcinhas rasgadas
Das perfeitas lindas famílias
Americanas
Cheias de eletrodomésticos e uma ninfeta e três
Filhos retardados
Bastardos e incestuosos

P’r’á quê Máquina!?


P’r’á quê manual!?
Já temos o dom
(nem prática ou experiência)
Temos uma Máquina
Dentro de nós

Nata e pura
Viva e incolor
(pois cor é ridículo)
Fora do tempo
(pois tempo é ridículo)
Fora de moda
Porque é Máquina
E nela sustentamos
E nela possuímos
Nossos filhos bem-amados
Como a pátria
Engajadora
Dos filtros da revolução
Como a pátria
E vômito
É voto
E poder
É Máquina
Máquina do Frio
Sugadora intermitente
Das gerações
Dos vícios
E
De
Nações
É o complexo
Dos complexos
Rejeitável
Adoração
Idolatria ao cocô sobre tripas
Das nossas parideiras

Parideiras
Que escondem o Frio
Pois o filhote tem de crescer
Aí criam a moral
E estupram umas éticas
E achamos
Um ato falho
P’rá melhorar cheiramos cocaína
P’rá não deixar a Máquina parar
Daí fumamos nicotina
E bebemos fenilalalina
P’rá num pará naum!

Ela nunca pára!


Só recupera o tempo perdido
E ninguém vê
Pois atar vendas na cara dos pilares
É ‘xtremamente simples

Os pilares não se movem


E se movem...
Derrubam
E rapidamente (como mágica!)
Ohhhhhhhhhhhhhhh!!!
Levantam os filhotes mama-teta no lugar
E o pilar mantém o Frio constante
E o Frio te ronda a vida agora
Está do seu lado?
Beijando sua nuca, seduzindo a morte?
Não.
Reconheça, leitor, o Frio que habita o seu interior.

05/08/2005