Você está na página 1de 50
Colegio OPUS-86 CCONSELHO EDITORIAL “HISTORIA DA DANCA SuSE | a | a Martins Fontes ‘Ths do cra HISTOIRE DE LA DANSE EN OCCIDENT © tins Se, 1978 1 edo bose: mar de 1987 ‘Traujo: Marna Appear Prepare do ongne! Marco Balharar Leal Produtos: Geraldo Anes ‘Compt. Are Artes Geos ‘re fl Moar K. Matera Cpe" Alnor Marie Fontes Todos ot arate deseo reerndos 3 LIVMARIA MANTTING FONTES 'EDITORA LTDA. ua Conghete Renate, 390/380 (1825 Sto Paso = SP — Best Indice 1. A primeira danga foi um ato sagrado A orauésticamadaleniana ‘Quatro documentos A figura de Gabilloy, 8A figura de Troi heres, 6-0 semicealo™ de Sane-Germain, 8 TN todade Addour, 8 Acerosio do sagrado Dangus ageinias e dangas totémicas Adana nos antigos impérios 10 Ontente Medio, 13 "0 Egat dv fart id = Adana ent os heres 17 2. Adanca, dom dos Imortais A danga grega nasce em Creta Adanga greg, ato totale Dionisio, este deus maltipio Fopirparsae modtanhas, 25 Das ménades a Euripedes 0 aitrambo, um género "vecuperaio™ 38" O ‘om da tag, 39 — O coro da comédia, 31 0 coro atnce St [As transformagoes da pirrica Dangas de cultoe de festas angas da vida cotidiana ‘Técnica dadanca grewa . Adana entre os etruscos A danga entre os romanos 3. Aldade Média inventa a retrica do compo Dangar na igreja apesar da Igreja Aidade de ouroda estampie ‘Adana macabra da Guerra dos Cem Anos Rumo i danci-espeticulo:0momo 4. Obalé de corte os documentos eseritos do Os primes Quattrocento Odesabrochardo Ginguetent0 uu Cozare News, dito Tbe, 6 ar Adanga de corte Asdanga de coe daenscenga ances, Alinvengio do balé de corte (0 cnr tenon, 28 — A tele do ai Se coe = Dek Le SPT meticado" 78. Afiliagio do balé de corte As tentativas (bale de emamenta dc Hemiques 20" Socembsiadorespoloneses" 0 "Bale comico da rainha™ ‘Tres ligdes dancadas de politica Um balé de politica extema: 0 “Balé de Minerva” ‘A Libertagio de Renaud ede Luis ‘A aventura de Taneredo ina floresta en ceantada” asta acta Obalé barvoco 40 — Obalé de corte fora da Franga Obalé de corte forada corte (Os profissionais da danga, 5. Ainvenedo da danca classiew ‘AGpera italiana é “recheada” de bales. ‘Asobrevivéncia do balé de corte ono ‘A danga clissica, filha legitima de Lais xIV us 1 sca cal de Banga 113 — Beauchamp frente de dang da Fran 1 Moliére inventa a comédiacalé son Oe inpatient Bt — cave nah =A princes de, Ede" 125 — $3%vhor médica” 86 — A. "Pastor cm ears at "George Dandi’, 125 — "Md Poureeamgaac’s 18 — "Os magnon aman “6 taids genthemen 190 — il — "A condeaea de Eseabaenc”, nis Lally dang toes “divertimento ‘Apera n0 interior Osdangarinos da Academia ~. Tuts Gulla Pest, 42 — Nicolson 142 Jean Bal, 144 Mase-ToerésePerdu, dita del ubliny. at 6. Odesabrochar ea morte da escola cldssica Accondigio de espectador. Acondigio de dancarino . Aceserta da danga ‘A.pen-balé ... ‘Atemiticada dperabalé Condigses de representagio 102 103 108 107 107 no 12 19 135 142 42, M7 150 152 153 137 159 160 Areforma de Novene .. ‘Una cei conor tena de contest 170 A-escola clissica morre com os Trés Glo- ‘Ui angarinos do século XVIML Mare Allard, 178 — Gasparo Anglin, 178 — Jean Plere Aumer, 179° Barbars Compania, it Barring 190 — Marie-Anne de Cups {de Camargo, 181 — Jean Bercher, dito Dav berval, 162 — Charles Lous Dideol, 182 —— David 'Dumoulin, 9 — Louis Dupont, 18 — [outs Dupre 188 — Maximilien Garde, 166 Pere Gate 186 ~ Mais Malone tnard: 187 ~ Anne Heine, 189 — Jean-Bep Ute Lany, 180 Louise Lany, 190° Cha. Tes Le Pica, 100 — Frangoee Prevost, 191 — Antonio Rina eto Fossa, 162 Mate Sal, 192 ~ Calta Vests, 193 — Auguste Vests 195 —Salvatore Vigna, 198 7. Adanca romantica .. A técnica romantica:0 “estilo da alma’. ‘O"Bale dass”, 202 “Asilfide”™ iselle” As grandes dangarinas romanticas Marie Taglon!, 208 — Franziska, dita Fanny losis, 210 Clot Gus, 211 ‘O coma profongado da danca na Opera Aeexpansiio da danga francesa no exterior ‘escola fancesa de Copenhagen, 214 — ‘cola acedémica de Sio Pettus 315 Addoutrina académica 8. Oneoclassicismo - 201 161 M5 178 199 212 2M 20 9, Adanca moderna “made in USA” .. (Os Balés russos de Diaghilev. 295 Abreve aventura dos Balés s0ec0s scone 230 ois caminhos: Balanchine ¢ Lifar run. 235 ‘Geonges Balanchine 996 Senge Lif, 239 ‘Um precursor ndo reconhecido: Francois Delsarte 243 ‘A edicagao do sistema 244 “"XTnfugnci, 245A memes do delartsno, 246 Isadora Duncan “danga sta Vida” ccs 247 ‘inlet de Dunc, 250, Loie Fuller a 252. Ruth Saint-Denis 253 ‘Sua vida 353 —- Av idan a tenia de Rat, Saint Denis, 28 ‘Ted Shawn = 260 ADenischawnschool «. 262 Bennington College To oe Charles Weidman, 265 Doris Humphrey’. 266 Dopaleo aes, 257A ri do west, 358 Adescendéncia de Doris Humphrey ue 272 Jose Limon, 272— Betty Jones, 273 — Louis Faleo,272 Martha Graham e os grandes mitos huma- nos 273 Dow Apacs 90 Labi, 343° ama onion 2 Adescendéncia de Martha Graham wi 281 Ere Hawkiny 281 — Meroe Cunha, 383 Testor 355-— Twyla Thar, 286, Lester Horton, 288 Alvin Ailey z 289 10. A escola germénica e sua linkagem ame O iniciador: Emile Jaques-Daleroze .. Um tedrico completo: Rudolf von Laban Mary Wigan Una obetrigic 8 Dion gemini, 38 Kurt Jooss Alwin Nikolais Murray Louis Susan Buirge ‘Carolyn Carlson, (Quadro sinética da danga moderna LL, Dangar hoje Maurice Béfart:rumo ao “balé total” ‘Os anor de fomnagio,309-— Os anos de expen as, 313 —O tau da “Sauna, 314 — Por to dings teal, 16 — A vontade de came estado da danga na Franga olan Petit S24 Janine Chaat 537 Calica eae wae Indicagoes bibliogrificas 201 291 301 324 335 A Robert Mallet, reitor da Academia e chanceler das universidades de Paris, poeta, ‘a quem a Universidade deve sua aber- tura para ahistoria da orquéstica, 0 fato de ter reconhecido uma resso- rndncia singular no discurso do corpo. PB. Capitulo 1 Aprimeira danga foi um ato sagrado teats aca dang seat CCertos autores desereviam outrom uma, “erimé dangada” da preston: na grita de PechAerle (Lot) ha dezenas de mithare de aos, a mulheres ‘inka daar pantobler maior fecundidade, Alguns tram até mals preciso, dizendo que elas execu itm bi, con otempo forte sobre io. Como prov, as mareas que avian deisado na aril. E, sem eva, ua naativa co tmovente: as revs da grt, as mulheres dangando Dor entre fumaga das thas, una bela seaiencia {te se presta mito bem ao sonal Infelizmentes ar esa gente cheta le imaginagio, basta ili constatara ‘era: em Peer Mere, sha das marca de pes de triangas, odtetoeoexquerdo, um pouco nai ats, tina marca bem excuda no chao, de um dco pe demulher,oesauerdo, Epovco para una nti de pea Eis um exemplo pic de falta de probidade cient fccntoventcara tess dharatgiaiovar alegremente pars alm do document. lif estudara orutstien da pce da préhist- ria,poisela se estendeporumperiodaconsierivel- 0 Drimeiro documento que spresenta tan humano in 2 Historia da Danga no Ocidente discutivelmente em agio de danga tem 14000 anos; 0 pperiodo histdrico comega apenas cerca de oito séculos antes de nossa en. ‘Aléin disso, esses periodos cobrem culturas bem diferentes: a madaleniana, a primeira onde encontra- ‘mos documentos orqueésticos, vai de 12000 a 8000 ‘anos antes de nossa era; a neolitica, cujassireas sio muito dispersas, se estende de 8000 a.C. a 5000 ou 2000 a.C., conforme as regides; &sucedida pela idade do bronze, por um milénio ou um milénio € meio, fntecedente a idade do ferro, que aleanga a época historica a partir da qual comegamos a dispor de do- cumentos escritos, “Enfim, se os documentos iconogrificos do periodo ‘madaleniano parecem agora conhecidos e classifica ‘dos ou fotografados corretamente, o mesmo absoluta- mente nao acontece com os documentos dos peri Seguintes, precisamente porque sio abundantes e estio dispersos pelo mundo. Ainda é necessério ela- borarum trabalho muito importante de levantamento ede comparagio, pois os especialistas da pré-historia ‘S¢ preocuparam muito pouco com a historia do movie mento, sem perceber quais as nogdes complements- res que esta poderia Ihes trazer. Foram reconstitudos Corpus de vasos e inserigdes antigas, que permitiram ‘que se conhecesse melhor a histria e as civilizagoes ‘de outrora. Ainda € preciso montar ocorpus orchesti- Gum. Impée-se, portanto, uma grande prudéncia nas Cconelusdes « serem tiradas dos documentos que co- rnhecemos, as quais devem ser consideradas apenas ‘como sondagens. “Também se impée uma grande prudéncia quanto i sua interpretagio. Comete-se freqientemente 0 erro de estudélos com a nossa mentalidade moderna, que Aprimeira dancafoi um ato sagrado 3 ‘6s analisa em comparagio com as nossay evilizagies atuais ou com aquelas ditas "primitivas”, na medida fem que ainda existem. O bom senso nos aconselha ‘mantermo-nos numa atitude estritamente objetiva, estritamente deseritiva Estamos, diz essencialmente 0 grande estudioso da préchistéria André Leroi-Goushan, na posicio de um farquedlogo dos milénios futuros que poderia desco- bbirsporesemplo, documentos do itu etic sem lispor de textos que o explicassem. Que ligagio ele poderia estabelecer entre as numerosas representa ‘gdes de una pessoa crucificada eo simulacro de refel~ (do que €acomunhio? A reggra essencial €, portanto, examinar bem os do- ‘eumentos, nio ir além das constatagoes evidentes © rio ceder i tentagio de imaginar sistemas de ritos igs, omo se faz com muita freqiiéneia. Aoorquéstica madaleniana Na época paleolitica, ohomem é um predador; vive da caga, da pesca e da colheita,sujeito aos acasos do destino, No clima mide da glaciagio de Warm, que fez ‘com que as geleiras dominassem grande parte do ter- ‘it6rio atual da Franca, 0 animal & um inimigo dificil de ser vencido, uma presa dificil de ser abatida. As- sim, ele condieiona.a sobrevivéneta do homem, fome- cendorlhe o indispensivel: came e gordura para a alimentagio, peles paraas vestimentas, oxs0s e cifres para os instnumentos, O eeossistema paleolitica bac Seirsenosaniinsssasdangas 6 potenam referir-sea ‘0s agupamentos humanos nio ultrapassam a €s- cala da horda, O meio para a habitagio, possivel so- 4 Historia da Danca no Ocidente mente nas rexides fora das geleiras, é semiperma- nente: as entradas das grutas nio as propriasgrutas, abrigos sob as rochas. Pode ser também tim scatnpac ‘mento num ponto de passagem obrigatério dos reba nhos em migragio, como ositiode Pincevent, prximo de umm antigo vau Dois existe o se dda sepultura ritual, com os cxinios salpieados de tin funn ocre. As sepulturas de erinios de animsis, ta: bbém tingidos le oere, levam a supor que os homens pré-historicos cultuavam os animals, Potanto, nio se deve excluira priori a idéia de uma danga religiosa ‘que nenhum documento atestuexpressamente ‘Quatro documentos Quatro documentos orquésticos caracterizam a ‘época paleolitica e, mais precisamente, quanto 40s {tes primeiros,aculfura matlaleniana, Sio eles: na figura na gta de Gail, gravid 12000 —um semicireulo de ossos, datudo de 10000 aC ditode “Saint Germain’ pois, encontrado na grutade: Mas-'Azil, encontrase no museu de antighidades nacionais de Saint-Germain-en-Layes, —um conjunto de nove personagens, gravado na grata mimero dois de Addaura, pero de Palermo (Si- cilia); datado de 8000 aC, pertenceria a0 mesolitico, periodo intermediario entre o paleolitico © o neoli: Nao consideraremos a figura do “homem com 0 arco”, da gruta de Trois-Fréres, pois seu movimento ‘orquéstico nio éevidente, nem oconjunto das mulhe- primeira dancafoium ato sagrado 5 res pintadas na grata de Cogul (provincia de Levida, tha Espana), caja composigio e data sio incerta. 'E muito pouco, prineipalmente se compararmos cesta amostragem restita com os trintae cineo docu tmentos “orquesticos” que o professor Schmidt, expe- Calista da universidade de Tabingen, citava hi algy- mas décadas, ls ‘Mas deve-se saber que eram raras as representagies hhumanas na epoca paleoliica: 4% de homens © 2.5% de mulheres entre 1794 figuras parietais, segundo Leroi-Gourban. IE preciso considerar que o nimero de documentos limitado © que bi um vigor em sua selegio. Feliz mente, os documentos considerados sio caracterist- A figura de Gabillow ‘Numa pared da gna de Gabillow bertode Mass- dan Doon ext epee ancestral dos thngarinos' silhueta grvada de um personagem, into de pelle con de tint centimetrs de al tum A eubegae o coo estio cobertos por pele de Bid As pemas, vm qualquer dvi humana, i> ws una eapécte de salto no lagar.O angulo do tomo com asperasé devine cinco atinta grav ‘Nas levactnos em consideraio os sina ravaios sala ou sobre ele: prem seranteiores a ravagio atiuctee nada tera ver com el. Continua inex plieivels aaa ase de nossosconhecimentos Nio pdriamos comentar mito mas sobre esta figure se nio a aproximassemos de ua, mals exp ‘Hina grata de Trove Frees 6 Histéria da Danga no Ocidente A figura de Trois-Bréres Este documento, data de 10000. encontase sa gta de Trois-Frimes,proxina de Niontenuioe ‘Avantés (Ange) Est olao de qualquer outa re presents, que é ar, prinepalmente nesta cheia de figuras. Encontrarse num cant abst, no Fimdo da cavice, a matos metros de alta. Sem Fal que estes transformarao completamente Belos aneis de ouro encontrados nos timulos reais (Usopatta, Kalvya, perto de Phaistos) e afrescos em Ghossos mostram dangarinas girando sobre si mes- ‘mas, ora com os joelhos flexionados, ora saltando. Um ‘grupo de terracota, proveniente de Palaiakastroe eon- servado no museu de Heraklion, apresenta trés mu- Theres dangando em roda enquanto uma quarta toca lira. Outro apresentatrés mulheres encapuzadas dan- ¢gando em roda em tomo de uma davore. Estas dangas pertencem a tradigdo religiosa original, Num sare6- fago encontrado em Agia Triada, um grupo de danga- rinas e um grupo de mulheres misicas figuram mum cortejo funerinto. ‘Onis interessante € constatar o uso freqiente em Greta do gesto simbslico: a dangarina estende os bra: ‘gos horizontalmente, quebra os antebragos na altura dos cotovelos e coloca-0s em oposigio, un pars oalto, ‘© outro para baixo; no primeiro caso, a palima se abre em diregdo ao eéu, no outro, em diregao a terra. E um esto reservado a danca: os adoradores cretenses sapresentam-se com uma mao altura do peito, a outra aberta para frente, sem diivida em diregio a divi dade, normalmente representada com os bragos er- suid. ‘Obscrvamos este gesto entre os exipcis, voltare- ‘mos aencontri-lo entre os dangarinos dionisiacos—a ‘cerimica grega mostra até o inicio do séeulo IV aC. —edepois entre os etruscos. Atualmente, faz parte do ‘material orquéstico dos dervixes, apés ter passado 2 Historia da Danga no Ocidente pela danga religiosa dos sufis, 0 sama, associada & ddangapor gios. Perenidade surpreendent. Adanga grega, ato total Para 0s gregos, a danga era de esséncia religiosa, dom dos imortais‘e meio dle comunieagio com eles, OS fsutores clissicos afirmam-no: ordem e ritmo, carte risticas dos deuses, também sio as da danga (Plato, Leis, I). A orquestica 6 criagio direta da Musa com seu aspecto tinirio: poesia, misiea, movimento. Ea ‘moustke,€ wchoreia dos Trisicos ‘Adanga é também “um meio excelente de seragrax ivel aos deuses e de honri-los” (Platio, Leis, VI) Esti presente na celebragio dos mistérios: “Nao hi Iniciagdo sem dana’ (Pseudo-Luciano,A dana) Dai os mitos narrados pelos autores gregos, se- sundo os quais os préprios deuses teriam ensinado a pritica da danga (o que lembraa tradicio hindu): Réa revela-aaos Coribantes, Atena ensina apitrica Enfim, a danga é divina porque dé alegria. Um jogo deetimologia que os gregos adoravam:choros deriva rade chora, aalegria, Para Sdcrates, que praticava a memphis, a danca forma cidadao completo: “Os que honram melhor os deuses pela danca sao também os melhores no com- Date” (Plato, Leis, VI) Panacle,a danga é um exereiio que “da proporges corretas ao compo’. E fonte de hoa side; 0 pitagéri- os afirmam que ela “expulsa os maus humores da ‘eabeca" (Polidoro,Pitdgoras). Anacreonte diz numa ‘angio: “Quando um velho danga, conserva seus ¢a- belos de ancio, as seu coragio é 0 de um jovem”. a Adanga,dom dos Imortais 3 A educagio concederi portanto muito expago b dance Em suas varias fas, a piea& » base da fbmagao file, da formagio lta. tab un trina pr ayefeno estetcn eosin It ¢ con Firma porPlstao Weis) achorela Cuma educagio completa ovo admirivel que nfo separou 0 como do expt sit, par que o compo tanner um melo de on- {star 9 equlto mena, oconbeciment,a sabe doc Dionisio, este deus maltiplo Sob sua forma especifica, a danga dionisfaca é a angi mais antiga conhecida na Grécia. Provém do velho fundo neolitico, Sua evolucao ilustra de forma ‘exemplar a evolugio de toda a danga, de todaa cultura se Dionisio ainda um desconhecido: nem suacrigem re sua natureza sio conhecidas de forma indiscu vel. Ate 0 inicio deste séeulo, os eruditos viam nesta fentidade um deus alégeno, importado do Oriente Proximo, mais precisamente da Frigia ou da Lidia, Seu proprio nome associava para eles uma raiz gre, di(P)o, « uma estrangeira, nusos, considerada como fequivilente de Kouros, ou seja, “jovem deus” ou “filhode deus”. ‘Umma outra graf, lida recentemente em duas tabui- has de Minos,Di-ico-nu-so,o, leva outros aacredita- rem ser Dionisio de origem urega. No entanto, se- ‘tundo nossos conheeimentos atuais, ele nio aparece fintes do séeulo VII aC. e, primeiramente, nos vasos Corintios. A questio permanece aberta e & bastante % Historia da Danca no Ocidente importante para se compreender bem a danga dion siaca (ef. Martin e Metzger, La religion grecque, PUR, 1976), Esta dualidade na origem de Dionisio é acompa- hada por uma dualidade de sua natureza — que tal- ver.a explique. Por um lado, aparece como o deus do despertar primaveril da vegetagio e portanto como 0 deus da fertilidade-fecundidade: muitos dos ritos Aionisiacos sao ritos agririos e comportam a ostenta- ‘cio do phallos. Por outro lado, & 0 deus do ubris, centusiasmo, embriaguez (em seu sentido material ¢ espiritual), do transe, do éx-(esiase. Deus do irracional, antinomico e complementar do Juminoso Apolo, Dionisio representa uma corrente muito forte entre os gregos: seu culto impregna tmui- tos outros. Podemos encontriclo associado as prticas ‘oraculares de Apolo em Delfos, aos ritos do deus cu- ridor Asclépio, a celebragio dos mistérios de Eleu- sis. Os homens tém os deuses que merecem: oubris, constante do espirito grego, & um contrapeso para 0 ricionalisto rigido. Mas, como o iracional éaexalta- ‘gio do individualismo, como toda sociedade quer si bordinar os individualismos, 0 culto dionisiaco, em sande pate dangado, serérecuperao pelo sistema A principio danga sagrada, danga de loweura mis- tiea, a danga dionisiaca tomar-se-d ceriménia litirgica deforma fixainserita no calendrio, depois ceriménia Civil, antes de se tomar ato teatral e dissolver-se na ddanga de diversio. A lei universal da erosio do sa- srado verificarse-a, como quando da passagem do paleolitico época da produgao, A dana, dom dos Imortais 5 Fugir para as montanhas Dini no tina 0 monopato dn danas dias ongistcas que parecem caractrizar os cults orgind- Hoe do Onenie, Assim, os coxtbentescclebea Cl Bele, “a grande mie com gritos, movimento vivos, ritmados pelo estala dos erétaloe ¢ pelo rolar doc timpanos. Também os gales, outa confraia de dange- Tinos espeetalizados no cultode Adonts, deus oriental igualmente da fertiidade,festejam sua ressurreigio primaveri com passos precipitados, salto, flexionar Ao joelhos ede todo o corpo, chegando is Vezesa umn rade frenesi que os evaase cortarempararegaoal- tarcom seu sang. Apulelo descreve bem essas prt cas emO Asno de Ouro ou as Metamarfoses V1) Conlhecemos oculto primitivo de Dionisio no por documentos representanco figuras da epoca de Fato, estas s6aparecerio com 0s vas coritios — mas por textos posteriores “Em celebrado principalmente por mulheres pos- suidas pela man, a loucura sagnda, donde seu nome, ménades, Elas abandonam fuas casas, fogem para floesta, para as montanhas: oorbasts. Entre- arse a dangus arrebatadas, cagam peauenos ani- Thais com as mios,sarificamnos,rasgando-os com os dledos — odiasparagmos, no qual € evidente a lem. trang dos sacrifices humanos —, e comem a came emia, o que € chamado omofagia (embrenvse dos initos de Orfeue Pante). 'Na époea histories, em Esparta essas priticas foram substitu pels festas de primavera de Artemis Ko- ‘ythalia (de korythalis,ramo novo), Celebradas por mulheres fantasiadas de homens, que colocavam halos postigos, sa corespondente na Laconia eram 26 Historia da Danca no Ocidente 05 Brullikistai, ocasiio de dangas frenéticas de mu- Theres disfargadas de homens e vice-versa, com acompanhamento de cimbalos rituais; alguns desses instrumentos, com dedicatérias, foram encontrados nos santusrios de Artemis Limnatis. Podemos nos surpreender com o fato de sibia Arte- mis apadrinhar cerimbnias deste tipo, Mas € preciso ‘observar que ela substituiu divindades locals louvae das desde os tempos mais antigos. Um processo de substituigio pode ser constatado em toda parte, as novas religides mudam o nome das divindades, mas Cconservamn os costumes: quantas Fontes “milagrosas”, Touvadas desde os tempos mais antigos, acabaram tendo como padrinhos santos catlicos! Essas pritieas de cultos foram representadas em vvasos, nossa fonte principal de documentagao em forma de figuras, com frequéncia esteriotipadas — ‘emias — dos cortejos dionisiacos. Ao redor de Dion sio, as ménades sio acompanhadas por sitios, por vezes itifilicos, lembranga das representacdes’ que fencontramos na época pre-historic. Vestidas de ne- bride — pele de corgi — on de pardalide — pele de pantera — sobre o chiton, levam 0 tirso, bastio enci- ‘mado por uma pinha, ov a fénula, eanigo ornado com ‘um boqué de folhase flores, ow ainda instrumentos de ‘pereussio, eétalos e tamborins prineipalmente. Suas ‘dangas — pois quase sempre estio representadas em movimentos de danga — sao formacdas por movimen= tos vivos: passos corridos out escorregados, bragos es- tendidos, com maior freqiéneia em oposisao, saltos ‘com as pemnas esticadas ou nio, tos0, pescoco ear Jheca jogados para tris, eu gesto tipico ("o revirarque {ritura as nucas” notava Pindlaro) 86 podlemos pensar no evirar das dangas ewipeias, Reeusar-nos-emos,e [A danga, dom dos Imortais 7 tretqntoatentarareconsiuigio do “passo das més des" proposto por Louis Séchan em La danse grecaue sirigue¢ldcaleado spat de movimento nspta- dnd ferentes vaso: le deseeve uma svessio dlepetss cordos, de wn grand Jté no lugar, bragos estenids em opoigao, oust inclinado. E'um en- eure ntresanty ris com um tanto de ie ‘Tamir do século VIL aC, 0 eulto de Dionisio tomas ua hiturga. Antes de mais naa, targa grits em Atenas. O deus € representado por na Rove ou umn tronco de madeira onde se pendaran estes, mascara: as pessos vio en procs, en sun Altes, levandoophullusesacaifitos Sioas Dion Stace don eampos, que aconfecem no intlo do ou ‘No ale ito de Atenas figuvar a se- sgras Leneanas enn aveio as Antestras em fever feta: te das de festa que assoiavam a be- Tidy a homnenager os mortos—possve contami Mga com cto coniano do dews No clendario “eicola ena fata aren otic do perodo em ave Serban non vines Tn marg-abrieram celebrada as andes Dion sacs a eligie do deus era tra de seu temple a8 essa levavan-na em prcisso ao teatro no lanco Te Acopotes onde, durute dls das, oranizavanese onus 0 dtrambo e, depois, ts dias de concur Sos dramatico, com cors dango. Das ménades a Euripides © ditirambo, hino cantado e dangado em honra de Dionisio, chegou i sua forma final por volta do séeulo 28 Historia da Danca no Ocidente ‘VLantes de nossa era. Muitos helenistas assim como Aristteles, consideram-noo germe datragédia greg. Oditirambo,um género “recuperado” Mas o ditirambo nem sempre foi um género tio ‘moderado. Patece que, em sua origem, fol um inter: medisrio entre a loucura sagrada das ménades ¢ a