Você está na página 1de 44
Eletrônica Eletrônica básica - Teoria Circuito integrador e diferenciador

Eletrônica

Eletrônica básica - Teoria

Circuito integrador e diferenciador

Eletrônica Eletrônica básica - Teoria Circuito integrador e diferenciador

Circuito integrador e diferenciador

Circuito integrador e diferenciador

© SENAI-SP, 2003

Trabalho editorado pela Gerência de Educação da Diretoria Técnica do SENAI-SP, a partir dos conteúdos extraídos da apostila homônima Circuito integrador e diferenciador - Teoria. SENAI - DN, RJ, 1987.

Capa

Gilvan Lima da Silva

Digitalização

UNICOM - Terceirização de Serviços Ltda

SENAI

Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial Departamento Regional de São Paulo - SP Av. Paulista, 1313 – Cerqueira Cesar São Paulo – SP CEP 01311-923

Telefone

(0XX11) 3146-7000

Telefax

(0XX11) 3146-7230

SENAI on-line

0800-55-1000

E-mail

Senai@sp.senai.br

Home page

http://www.sp.senai.br

SENAI-SP - INTRANET

Circuito integrador e diferenciador

Circuito integrador e diferenciador Sumário Introdução 5 Pulsos 7 Circuito integrador 15 Circuito
Circuito integrador e diferenciador Sumário Introdução 5 Pulsos 7 Circuito integrador 15 Circuito

Sumário

Introdução

5

Pulsos

7

Circuito integrador

15

Circuito diferenciador

21

Integrador e diferenciador com amplificador operacional

27

Referências bibliográficas

41

SENAI-SP - INTRANET

Circuito integrador e diferenciador

SENAI-SP - INTRANET

Circuito integrador e diferenciador

Circuito integrador e diferenciador Introdução Os circuitos RC são muito aplicados em corrente alternada senoidal com
Circuito integrador e diferenciador Introdução Os circuitos RC são muito aplicados em corrente alternada senoidal com

Introdução

Os circuitos RC são muito aplicados em corrente alternada senoidal com a finalidade de proporcionar defasagens entre tensões ou correntes e também como acoplamento entre estágios amplificadores.

Mas existe ainda outra aplicação para os circuitos RC relacionada com equipamentos e instrumentação e controle industrial.

Neste tipo de equipamento o resistor e o capacitor são usados em circuitos integradores e diferenciadores recebendo pulsos na entrada e fornecendo sinais de controle e disparo para controle de motores, válvulas, solenóides, relés, etc.

Este fascículo tem por objetivo apresentar e discutir os princípios de funcionamento dos circuitos integradores e diferenciadores que serão pré-requisitos para a análise dos circuitos de controle industrial.

Pré-requisitos

Para ter sucesso no desenvolvimento dos conteúdos e atividades deste fascículo você já deverá ter conhecimentos relativos a:

Constante de tempo;

Amplificador operacional.

Circuito integrador e diferenciador

Circuito integrador e diferenciador

Circuito integrador e diferenciador Pulsos O termo “pulso” pode ser usado para qualquer forma de onda
Circuito integrador e diferenciador Pulsos O termo “pulso” pode ser usado para qualquer forma de onda

Pulsos

O termo “pulso” pode ser usado para qualquer forma de onda que não corresponda a

uma senóide pura. Entretanto, é mais comum aplicá-lo para referência a formas de ondas retangulares.

aplicá-lo para referência a formas de ondas retangulares. As principais características dos pulsos são: •

As principais características dos pulsos são:

Freqüência;

Período;

Largura do pulso;

Ciclo de trabalho;

Tempo de subida e descida;

Componente de CC.

Freqüência (f)

É o número de ciclos completos que se realiza em um segundo.

Componente de CC. Freqüência (f) É o número de ciclos completos que se realiza em um

Circuito integrador e diferenciador

Período (T)

É o tempo de ocorrência de um ciclo completo da forma de onda. O período está

relacionado com a freqüência

T =

1

f

.

O período está relacionado com a freqüência T = 1 f . T = 1 T

T =

1

T

=

1

T

=

1ms

f

1000

Largura de pulso (t)

É o tempo, em cada período, em que a forma de onda sai da condição estacionária.

em que a forma de onda sai da condição estacionária. A largura de pulso é dada

A largura de pulso é dada em segundos (ex.: 10ms; 60 µs).

Ciclo de trabalho (v)

É uma relação entre a duração do pulso (t) e o seu período (T). Matematicamente é

dada por v =

t

T

.

Comumente o ciclo de trabalho é denominado de “Duty cicle”, expressão proveniente

do idioma inglês.

Circuito integrador e diferenciador

As figuras abaixo mostram duas formas de pulsos em seu ciclo de trabalho.

mostram duas formas de pulsos em seu ciclo de trabalho. t = 0,5ms T = 1,25ms

t = 0,5ms

T = 1,25ms

v =

0,5ms

1,25ms

= v =

0,4

trabalho. t = 0,5ms T = 1,25ms v = 0,5ms 1,25ms = v = 0,4 t

t = 5ms

T = 40ms

v =

5ms

40ms

v

= =

0,125

Estes tipos de pulsos são denominados de assimétricos porque os tempos ativo e

inativo são diferentes.

Quando os tempos são iguais, os pulsos são chamados de simétricos e seu ciclo de

trabalho é v = 1.

chamados de simétricos e seu ciclo de trabalho é v = 1. T = 1ms t

T = 1ms t = 1ms

V =

1ms

1ms

=

V

=

1

Tempo de subida e descida

Todo o pulso apresenta duas transições. Uma transição ocorre quando a tensão sai do

valor estacionário para o valor de trabalho e a outra quando retorna.

Circuito integrador e diferenciador

A figura abaixo mostra estas transições.

e diferenciador A figura abaixo mostra estas transições. Estas transições são chamadas de “Flancos” ou

Estas transições são chamadas de “Flancos” ou “Bordas” do pulso. Estes flancos podem ainda ser chamados de “subida e descida”.

Tempo de subida (ts) é o tempo necessário para que a forma de onda cresça de 10% a 90% do seu valor.

para que a forma de onda cresça de 10% a 90% do seu valor. O tempo

O tempo de descida é o tempo necessário para que a forma de onda decresça de 90%

a 10% do seu valor.

de descida é o tempo necessário para que a forma de onda decresça de 90% a

Circuito integrador e diferenciador

O ideal, em termos de pulsos retangulares, seria que tanto a subida como a descida

fossem instantâneos (t S e t D = 0).

como a descida fossem instantâneos (t S e t D = 0). Entretanto isto nunca chega

Entretanto isto nunca chega a acontecer, geralmente devido a limitações nos

componentes eletrônicos. Em muitas ocasiões os tempos de subida e descida são

críticos para o funcionamento dos aparelhos e circuitos.

Componente contínua

Componente contínua de uma forma de onda é a diferença entre o nível médio desta

forma de onda e o nível de referência, geralmente o terra. Uma comparação permite

que se compreenda melhor o que vem a ser “nível médio” e componente contínua.

Um automóvel que se desloca 60 minutos a 60Km/h e fica 60 minutos parado tem uma

velocidade média de 60Km/120min = 0,5Km/min ou 30Km/h.

Da mesma forma, uma forma de onda que permaneça 10ms em +5V e 10ms em “0V”

tem um nível médio de

5V .10ms = +

20ms

2,5V .

em “0V” tem um nível médio de 5V .10ms = + 20ms 2,5V . CC m

CC média = 2,5

Circuito integrador e diferenciador

Observando o gráfico se verifica que as áreas acima da linha de CC média preenchem exatamente os espaços abaixo desta linha.

média preenchem exatamente os espaços abaixo desta linha. Tomando-se um único ciclo de forma de onda,

Tomando-se um único ciclo de forma de onda, o nível de CC pode ser determinado graficamente dividindo-se a área total (tempo x tensão) pelo período do ciclo.

a área total (tempo x tensão) pelo período do ciclo. A = 10V . 6ms T

A

= 10V . 6ms

T

= 8ms

CC média =

10V . 6ms =

8ms

7,5V

Deve-se observar cuidadosamente a forma de onda, porque áreas abaixo do eixo “0V” são negativas.

onda, porque áreas abaixo do eixo “0V” são negativas. A 1 = 4ms . 20V A

A 1 = 4ms . 20V

A 2 = 2ms . (-12V)

T’ = 6ms

CC média =

80 - 24

6

= +

9,3V

Circuito integrador e diferenciador

A figura abaixo mostra a forma de onda da figura anterior com a representação do nível médio de CC.

anterior com a representação do nível médio de CC. A componente de CC é a diferença

A componente de CC é a diferença entre o nível de CC médio e a referência. As figuras a seguir ilustram a componente CC de algumas formas de onda.

a seguir ilustram a componente CC de algumas formas de onda. Componente CC = CC m

Componente CC =

CC

méd - Ref

6V

- 0 = 6V

Componente de CC = 6V

m é d - Ref 6V - 0 = 6V Componente de CC = 6V CC

CC méd - REF

-3,3 - COMP . CC =

-3,3V

Circuito integrador e diferenciador

Circuito integrador e diferenciador

Circuito integrador e diferenciador O circuito integrador Para que se possa entender o circuito integrador é
Circuito integrador e diferenciador O circuito integrador Para que se possa entender o circuito integrador é

O circuito integrador

Para que se possa entender o circuito integrador é necessário que se tenha, primeiramente, uma noção do que vem a ser integração em termos matemáticos.

Um dos objetivos da operação denominada de integração é a determinação da área de figuras regulares e irregulares.

Assim, a integração é utilizada, por exemplo, para determinar a área de senóides, cossenóides, etc.

As figuras abaixo ilustram algumas figuras cujas áreas podem ser determinadas através da integração.

áreas podem ser determinadas através da integração. Em qualquer um dos exemplos apresentados, a área depende

Em qualquer um dos exemplos apresentados, a área depende dos valores de x (base) e y (altura).

Circuito integrador e diferenciador

Toma-se por exemplo a figura acima com dois valores de x, conforme as figuras a seguir.

acima com dois valores de x, conforme as figuras a seguir. Nos dois exemplos a altura
acima com dois valores de x, conforme as figuras a seguir. Nos dois exemplos a altura

Nos dois exemplos a altura da figura é a mesma. Os resultados são diferentes porque as bases são diferentes.

Então, pode-se dizer:

O resultado de uma integração (área) depende dos valores horizontais da variável (x).

Da mesma forma se pode afirmar que o resultado de uma integração (área) depende dos valores verticais da variável (y).

(área) depende dos valores verticais da variável (y). Esses conceitos básicos podem ser aplicados ao circuito
(área) depende dos valores verticais da variável (y). Esses conceitos básicos podem ser aplicados ao circuito

Esses conceitos básicos podem ser aplicados ao circuito eletrônico denominado de integrador.

Um circuito integrador recebe uma tensão na sua entrada durante algum tempo e deve fornecer na saída uma tensão cujo valor é proporcional a tensão e ao tempo.

INTEGRADOR

Recebe uma tensão durante algum tempo

e fornece

Uma tensão de saída proporcional a tensão de entrada e ao seu tempo de aplicação

Circuito integrador e diferenciador

Analisando um circuito RC, verifica-se que, em determinadas condições, ele executa uma função semelhante a integração.

As figuras abaixo mostram um circuito RC e sua curva de carga.

figuras abaixo mostram um circuito RC e sua curva de carga. Analisando-se com maior detalhe a

Analisando-se com maior detalhe a região correspondente aos primeiros 5s do gráfico (até 0,5 RC), verifica-se que neste trecho inicial a tensão cresce de forma praticamente proporcional ao tempo.

que neste trecho inicial a tensão cresce de forma praticamente proporcional ao tempo. SENAI-SP - INTRANET

Circuito integrador e diferenciador

Durante a primeira meia constante de tempo, a tensão sobre o capacitor é praticamente proporcional ao tempo e a tensão aplicada.

Isso pode ser comprovado graficamente. Supondo que seja aplicado um pulso retangular à entrada do circuito RC, a tensão sobre o capacitor dependerá da largura do pulso e da sua tensão.

o capacitor dependerá da largura do pulso e da sua tensão. Comparando-se os dois gráficos, verifica-se
o capacitor dependerá da largura do pulso e da sua tensão. Comparando-se os dois gráficos, verifica-se

Comparando-se os dois gráficos, verifica-se que dobrando o tempo de duração do pulso, a tensão sobre o capacitor praticamente dobra (erro menor que 10%).

Circuito integrador e diferenciador

A mesma análise gráfica pode ser realizada mantendo a largura e mudando a tensão

do pulso.

realizada mantendo a largura e mudando a tensão do pulso. Então, a tensão de saída de

Então, a tensão de saída de um capacitor num circuito RC, utilizado na primeira meia constante de tempo, é proporcional ao tempo e a amplitude do pulso.

É importante lembrar que isso só pode ser considerado verdadeiro (com um erro

aceitável) enquanto a duração do pulso for menor do que 0,5 RC.

Quanto menor que 0,5 RC for a duração do pulso, mais exata será a relação.

Circuito integrador e diferenciador

Circuito integrador e diferenciador

Circuito integrador e diferenciador Circuito diferenciador O circuito diferenciador é essencialmente um detector de
Circuito integrador e diferenciador Circuito diferenciador O circuito diferenciador é essencialmente um detector de

Circuito diferenciador

O circuito diferenciador é essencialmente um detector de variação. A tensão de saída

do diferenciador é proporcional à inclinação da tensão de entrada.

A aplicação mais comum do diferenciador é a detecção das bordas de subida ou de

descida de pulsos retangulares.

das bordas de subida ou de descida de pulsos retangulares. Quando se aplica à entrada do

Quando se aplica à entrada do diferenciador uma tensão constante, a saída é zero.

Quando se aplica à entrada do diferenciador uma tensão constante, a saída é zero. SENAI-SP -

Circuito integrador e diferenciador

Entretanto, se houver uma variação na tensão de entrada, o circuito diferenciador detecta esta variação, indicando a sua existência através de uma “agulha”.

indicando a sua existência através de uma “agulha”. A amplitude V’ da saída é proporcional à

A amplitude V’ da saída é proporcional à amplitude da variação na tensão de entrada. As figuras abaixo ilustram o que foi descrito.

de entrada. As figuras abaixo ilustram o que foi descrito. Quando a tensão de entrada varia
de entrada. As figuras abaixo ilustram o que foi descrito. Quando a tensão de entrada varia

Quando a tensão de entrada varia negativamente (de um valor maior para um valor menor) o diferenciador indica que a variação foi negativa.

(de um valor maior para um valor menor) o diferenciador indica que a variação foi negativa.

Circuito integrador e diferenciador

Se a tensão de entrada varia uniformemente (rampa), o diferenciador fornece uma indicação de variação permanente.

A figura a seguir ilustra o que foi descrito.

permanente. A figura a seguir ilustra o que foi descrito. Em resumo, o diferenciador faz a

Em resumo, o diferenciador faz a operação inversa do integrador.

o diferenciador faz a operação inversa do integrador. O circuito RC série também pode realizar a

O circuito RC série também pode realizar a função de diferenciador, desde que sejam

atendidas algumas condições.

Circuito integrador e diferenciador

A primeira condição é de que a saída seja tomada sobre o resistor.

condição é de que a saída seja tomada sobre o resistor. Analisando o funcionamento do circuito,

Analisando o funcionamento do circuito, verifica-se que a saída fornece uma indicação da existência de variação na entrada.

A figura abaixo mostra a aplicação de uma forma de sinal ao circuito RC.

mostra a aplicação de uma forma de sinal ao circuito RC. Enquanto a tensão de entrada

Enquanto a tensão de entrada permanece em zero, a tensão de saída também permanece em zero.

em zero, a tensão de saída também permanece em zero. No momento em que a tensão

No momento em que a tensão de entrada sai do valor zero, atingindo um valor V 1 (instante t 1 ), o capacitor inicia um processo de carga.

Circuito integrador e diferenciador

Se a constante de tempo RC for pequena, o capacitor se carregará rapidamente.

RC for pequena , o capacitor se carregará rapidamente. Como existe corrente no circuito apenas enquanto

Como existe corrente no circuito apenas enquanto o capacitor se carrega, existe queda de tensão sobre o resistor apenas durante este curto espaço de tempo.

o resistor apenas durante este curto espaço de tempo . Na saída do circuito aparece apenas

Na saída do circuito aparece apenas uma “agulha” que indica que houve uma variação positiva na tensão de entrada.

Enquanto não houver nova variação na tensão de entrada, a tensão de saída permanecerá zero.

não houver nova variação na tensão de entrada, a tensão de saída permanecerá zero. SENAI-SP -

Circuito integrador e diferenciador

Se a tensão de entrada cair a zero novamente (variação negativa) o capacitor se descarregará rapidamente sobre o resistor, gerando uma nova “agulha” de tensão de saída.

Como a corrente de descarga circula em sentido oposto ao da carga, a agulha de tensão, nas variações negativas, também será oposta em seu sentido.

variações negativas, também será oposta em seu sentido. Verifica-se, então, que a tensão de saída existe

Verifica-se, então, que a tensão de saída existe apenas quando há variação na tensão de entrada e indica, inclusive, o sentido da variação ocorrida (positiva ou negativa).

A segunda condição para que o circuito RC funcione como diferenciador já foi citada:

A constante de tempo do circuito RC deve ser pequena. Caso contrário, não se teria apenas uma “agulha” na saída.

Na prática a constante RC deve ser até 1/10 da menor largura de pulso aplicada ao circuito.

Isso quer dizer, por exemplo, que se os pulsos de entrada variam de 5 a 10ms a constante de tempo RC do diferenciador deve ser, no máximo, de 0,5ms (1/10 da menor largura que é 5ms).

Circuito integrador e diferenciador

Circuito integrador e diferenciador Integrador e diferenciador com amplificador operacional O s circuitos integradores e
Circuito integrador e diferenciador Integrador e diferenciador com amplificador operacional O s circuitos integradores e

Integrador e diferenciador com amplificador operacional

O s circuitos integradores e diferenciadores passivos (que contém apenas resistores e

capacitores) apresentam limitações práticas:

Integrador: pode-se utilizar apenas a primeira meia constante de tempo do circuito RC, onde a carga do capacitor é linear.

Diferenciador: a constante de tempo tem que ser, no máximo, 1/10 da largura do pulso aplicado à entrada.

Além disso, verifica-se que a ligação de uma carga à saída, altera o comportamento do circuito, porque influencia no valor RC do circuito.

do circuito, porque influencia no valor RC do circuito. A figura acima mostra que o resistor

A figura acima mostra que o resistor de carga fica em paralelo com o resistor que faz

parte do diferenciador, alterando o comportamento do circuito.

Incluindo um elemento ativo (que contém transistores, diodos, etc.) que é o amplificador operacional, pode-se reduzir sensivelmente as limitações dos integradores e diferenciadores.

Circuito integrador e diferenciador

Integrador com amplificador operacional

Para entender como funciona o integrador com AO é necessário ter em mente duas características do amplificador operacional:

1. As entradas de um AO são um terra virtual, estando a um potencial “0V”.

2. As entradas de um AO não absorvem corrente.

A figura a seguir ilustra estas duas características.

A figura a seguir ilustra estas duas características. Pode-se, agora, passar a análise do integrador com

Pode-se, agora, passar a análise do integrador com AO, cujo diagrama é mostrado na figura abaixo.

com AO, cujo diagrama é mostrado na figura abaixo. Observação No diagrama do integrador foram omitidos

Observação No diagrama do integrador foram omitidos os terminais de alimentação e os componentes do ajuste de off-set null, para maior clareza.

Circuito integrador e diferenciador

O funcionamento do circuito pode ser analisado com base na aplicação de um pulso

retangular na entrada.

com base na aplicação de um pulso retangular na entrada. Durante o tempo t 0 a

Durante o tempo t 0 a t 1 a tensão de entrada é nula. Considerando-se o AO corretamente ajustado, a tensão de saída também é nula.

corretamente ajustado, a tensão de saída também é nula. No instante t 1 a tensão de

No instante t 1 a tensão de entrada sobe ao valor V 1 , permanecendo constante até o instante t 2 .

Durante este tempo a tensão V 1 está aplicada no terminal do resistor.

O outro terminal do resistor está a “0V” (terra virtual da entrada do AO). A diferença de

potencial sobre o resistor é V 1 - 0V = V 1 .

virtual da entrada do AO). A diferença de potencial sobre o resistor é V 1 -

Circuito integrador e diferenciador

Circula através do resistor R uma corrente cujo valor depende de R e de V 1

I

V

1

= R

.

Esta corrente que circula pelo resistor flui toda para o capacitor, uma vez que a

entrada do AO não absorve corrente.

, uma vez que a entrada do AO não absorve corrente. O capacitor começa a se

O capacitor começa a se carregar devido a entrada da corrente I.

Aqui é importante lembrar que:

A tensão de entrada permanece constante no valor V 1 desde o instante t 1 até t 2 .

Como o outro lado do resistor está sempre no terra virtual, a corrente que circula no

resistor é constante durante todo o tempo.

Se a corrente que entra no capacitor é constante a tensão positiva no capacitor cresce

linearmente.

corrente que entra no capacitor é constante a tensão positiva no capacitor cresce linearmente. 30 SENAI-SP

Circuito integrador e diferenciador

Surge então uma pergunta: Como a tensão no lado de entrada do capacitor pode crescer positivamente se o terminal de entrada do capacitor está ligado ao terra virtual, cuja tensão é sempre “0V”?

resposta a esta pergunta está no potencial relativo.

A

capacitor se carrega de forma que:

O

O lado conectado ao terra virtual permanece a zero volts, enquanto o outro lado torna-se mais negativo a medida que o tempo passa.

figura abaixo mostra como se sucede.

A

. • figura abaixo mostra como se sucede. A Após algum tempo o lado A do

Após algum tempo o lado A do capacitor estará com “0V” e o lado B, por exemplo, com

-3V.

Segundo o potencial relativo, o capacitor estará com uma tensão de 3V positivos no lado A com relação ao lado B.

relativo, o capacitor estará com uma tensão de 3V positivos no lado A com relação ao

Circuito integrador e diferenciador

Como o lado B do capacitor está ligado a saída do circuito, a tensão de saída será proporcional a tensão de entrada e ao tempo de aplicação, embora seja negativa.

de entrada e ao tempo de aplicação, embora seja negativa. A tensão de saída permanecerá aumentando

A tensão de saída permanecerá aumentando (negativamente) de forma linear

enquanto a tensão de entrada permanecer no valor V 1 .

Este processo de aumento só terminará por três razões:

1. Se a saturação do operacional for atingida;

2. Se o capacitor atingir a carga total (V C = V 1 );

3. Se a tensão de entrada deixar de existir.

A saturação do operacional pode ser evitada se a tensão V 1 aplicada for sempre menor

que a tensão de saturação do operacional.

Um operacional conectado com alimentação de +15 e -15V satura aproximadamente a 13V. Neste caso o valor V 1 (aplicado a entrada do integrador) deverá ser sempre menor que 13V.

As outras duas razões dependem dos valores de R, C e largura do pulso de entrada e podem ser evitadas pelo emprego dos valores corretos de R e C.

O que acontece se a tensão de entrada cai novamente a zero (após t 2 ) deve ser

analisado cuidadosamente.

Circuito integrador e diferenciador

No instante t 2 , o capacitor se encontra carregado com um valor de tensão conforme mostra a figura abaixo.

com um valor de tensão conforme mostra a figura abaixo. Se a tensão de entrada cair

Se a tensão de entrada cair a zero no instante t 2 a nova situação será a apresentada na figura a seguir.

a nova situação será a apresentada na figura a seguir. Observa-se que a tensão sobre o

Observa-se que a tensão sobre o resistor é nula: “0V” no lado da entrada e “0V” no lado do terra virtual.

Uma vez que não há tensão sobre o resistor, também não há corrente circulante no circuito, de forma que a carga do capacitor não se altera.

Isto significa que se a tensão voltar a zero após t 2 , o capacitor permanecerá com a tensão armazenada durante o período t 1 t 2 .

Circuito integrador e diferenciador

A figura abaixo ilustra o que foi descrito.

e diferenciador A figura abaixo ilustra o que foi descrito. A única forma de descarregar o

A única forma de descarregar o capacitor é aplicar uma tensão negativa na entrada

conforme mostra a figura a seguir.

negativa na entrada conforme mostra a figura a seguir. A tensão negativa na entrada do resistor

A tensão negativa na entrada do resistor fará circular uma corrente constante sobre o

resistor (em sentido contrário à corrente de carga). Como a entrada do AO não fornece

corrente esta é fornecida pelo capacitor que se descarrega.

Como a entrada do AO não fornece corrente esta é fornecida pelo capacitor que se descarrega.

Circuito integrador e diferenciador

Dependendo do tempo de descarga (tempo de aplicação e valor da tensão negativa na entrada) o capacitor poderá até passar por “0V” e carregar-se no sentido oposto.

até passar por “0V” e carregar-se no sentido oposto. Por esta razão, quando se aplica uma

Por esta razão, quando se aplica uma onda quadrada simétrica na entrada de um integrador com AO, a saída é uma onda dente de serra.

onda quadrada simétrica na entrada de um integrador com AO, a saída é uma onda dente

Circuito integrador e diferenciador

Na prática, acrescenta-se ao circuito integrador um resistor em paralelo com o capacitor para evitar que o AO opere sem realimentação em CC.

Este resistor, em geral, tem um valor 10 vezes maior que o resistor de entrada do circuito.

valor 10 vezes maior que o resistor de entrada do circuito. R 2 ≅ 10 .

R 2 10 . R 1

Devido ao alto valor (comparado com R 1 ) o resistor R 2 não interfere significativamente nos tempos e formas de onda do circuito, apenas melhorando a sua estabilidade.

Diferenciador com amplificador operacional

O

diferenciador com AO se assemelha ao integrador, invertendo-se as posições entre

o

resistor e o capacitor.

A

figura abaixo mostra um diferenciador com AO.

entre o resistor e o capacitor. A figura abaixo mostra um diferenciador com AO. 36 SENAI-SP

Circuito integrador e diferenciador

Nesta figura foram omitidos os componentes para ajuste da tensão offset de saída e da alimentação.

O princípio de funcionamento pode ser entendido com base na análise da aplicação de tensões à entrada do circuito.

Quando a tensão de entrada é nula, os dois lados do capacitor estão a um potencial zero (tensão de entrada zero e terra virtual).

um potencial zero (tensão de entrada zero e terra virtual). Conforme mostra a figura acima, a

Conforme mostra a figura acima, a tensão de saída é zero porque não há corrente circulando no capacitor C e resistor R.

Quando a tensão de entrada varia de zero a um valor V 1 esta diferença de tensão provoca a circulação de corrente até que o capacitor se carregue.

esta diferença de tensão provoca a circulação de corrente até que o capacitor se carregue. SENAI-SP

Circuito integrador e diferenciador

A corrente de carga do capacitor só pode circular através do resistor R (porque a

entrada do AO não absorve corrente) provocando o aparecimento de uma ddp sobre o resistor, com a polaridade especificada na figura abaixo.

o resistor, com a polaridade especificada na figura abaixo. Como no diferenciador a constante de tempo

Como no diferenciador a constante de tempo RC é pequena. A corrente de carga circula apenas durante um breve tempo, deixando de existir quase instantaneamente.

O resultado é que a tensão de saída volta a zero, tendo provocado o aparecimento de

uma “agulha” na saída.

a tensão de saída volta a zero, tendo provocado o aparecimento de uma “agulha” na saída.

Circuito integrador e diferenciador

Se a variação na entrada é negativa (de um valor maior para um menor) a corrente circula em sentido oposto, gerando um pico positivo na saída.

em sentido oposto, gerando um pico positivo na saída. Observa-se que a cada borda de subida

Observa-se que a cada borda de subida ou de descida na entrada o circuito fornece uma “agulha” na saída, funcionando como um detector de borda.

Também é muito comum a aplicação de rampas de tensão (dente de serra) na entrada do diferenciador.

Neste caso, a variação na tensão de entrada impede que a corrente de carga varie, gerando tensões de saída constantes, proporcionais a inclinação da rampa.

de carga varie, gerando tensões de saída constantes, proporcionais a inclinação da rampa. SENAI-SP - INTRANET

Circuito integrador e diferenciador

Na prática acrescenta-se um resistor em série com o capacitor no circuito diferenciador.

Este resistor evita oscilações em altas freqüências e tem, geralmente, um valor 10 vezes menor que o resistor diferenciador.

e tem, geralmente, um valor 10 vezes menor que o resistor diferenciador. R 2 = 0,1

R 2 = 0,1 . R 1

Circuito integrador e diferenciador

Circuito integrador e diferenciador Referências bibliográficas LANDO,Roberto Antonio & ALVES, Sérgio Rios.
Circuito integrador e diferenciador Referências bibliográficas LANDO,Roberto Antonio & ALVES, Sérgio Rios.

Referências bibliográficas

LANDO,Roberto Antonio & ALVES, Sérgio Rios. Amplificador operacional. São Paulo, Érica, 1983. 269p.

MALVINO, Albert Paul. Eletrônica. São Paulo, McGraw Hill do Brasil. 1986. v.2 il.

SENAI/DN. Circuito integrador e diferenciador, teoria. Rio de Janeiro, Divisão de Ensino e Treinamento, 1987. (Série Eletrônica Básica).

Circuito integrador e diferenciador

Eletrônica básica

Teoria: 46.15.11.752-8

Teoria

46.15.12.760-4

Prática:46.15.11.736-4

Prática:

46.15.12.744-1

1. Tensão elétrica

41. Diodo semi condutor

2. Corrente e resistência elétrica

42.

Retificação de meia onda

3. Circuitos elétricos

43.

Retificação de onda completa

4. Resistores

5. Associação de resistores

6. Fonte de CC

7. Lei de Ohm

8. Potência elétrica em CC

9. Lei de Kirchhoff

44. Filtros em fontes de alimentação

45.

46. Diodo emissor de luz 47. Circuito impresso - Processo manual

48.

49. Multímetro digital

Comparação entre circuitos retificadores

Instrução para montagem da fonte de CC

10. Transferência de potência

50.

Diodo zener

11. Divisor de tensão

51.

O diodo zener como regulador de tensão

12. Resistores ajustáveis e potenciômetros

52. Transistor bipolar - Estrutura básica e testes

13. Circuitos ponte balanceada

53.

Transistor bipolar - Princípio de funcionamento

14. Análise de defeitos em malhas resistivas

54.

Relação entre os parâmetros I B , I C e V CE

15. Tensão

elétrica alternada

55.

Dissipação de potência e correntes de fuga no transistor

16. Medida de corrente em CA

56.

Transistor bipolar - Ponto de operação

17. Introdução ao osciloscópio

57.

Polarização de base por corrente constante

18. Medida de tensão CC com osciloscópio

19. Medida de tensão CA com osciloscópio

20. Erros de medição

21. Gerador de funções

22. Medida de freqüência com osciloscópio

23. Capacitores

24. Representação vetorial de parâmetros elétricos CA

25. Capacitores em CA

26. Medida de ângulo de fase com osciloscópio

58. Polarização de base por divisor de tensão

59. Regulador de tensão a transistor 60. O transistor como comparador

61.

62. Montagem da fonte de CC 63. Amplificador em emissor comum 64. Amplificador em base comum

65.

66. Amplificadores em cascata

Fonte regulada com comparador

Amplificador em coletor comum

27. Circuito RC série em CA

67.

Transistor de efeito de campo

28. Circuito RC paralelo em CA

68.

Amplificação com FET

29. Introdução ao magnetismo e eletromagnetismo

69. Amplificador operacional

30. Indutores

70.

Circuito lineares com amplificador operacional

31. Circuito RL série em CA

71.

Constante de tempo RC

32. Circuito RL paralelo em CA

72.

Circuito integrador e diferenciador

33. Ponte balanceada em CA

73.

Multivibrador biestável

34. Circuito RLC série em CA

74.

Multivibrador monoestável

35. Circuito RLC paralelo em CA

75.

Multivibrador astável

36. Comparação entre circuitos RLC série e paralelo em CA

76.

Disparador Schmitt

37. Malhas RLC como seletoras de freqüências

77.

Sensores

38. Soldagem e dessoldagem de dispositivos elétricos

39. Montagem de filtro para caixa de som

40. Transformadores

Todos os títulos são encontrados nas duas formas: Teoria e Prática