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A E scola

A nossa história começa em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais na


cidade de Itabira,onde existe extração de minério desde o ano de l937. apesar de já
estarmos no ano de l99l, a cidade apresenta aspecto do início do século com todo o seu
atrazo caraterístico do Brasil sem futuro. Sebastião, personagem central de toda
confusão provocada na mente dos meninos, é a personificação do pai que os garotos
gostariam de ter, e é um desconhecido que chegou à cidade de há pouco mais de treis
anos e leciona história no ginásio principal e único da cidade. ninguém conhece a sua
origem, de onde ele veio, ou mesmo o seu sobrenome. parece que ele veio
abruptamente e entrou para o cenário da história daqueles meninos. personagem
fantástica, que os meninos daquela pacata cidade idolatraram.

Bem,vejamos como começa a história que parece não ter fim.

Como tudo começou


Uma sala de aula de história
No próximo verão marcharemos em direção a nossa caverna que se
encontra no alto daquela montanha que nós vimos quando fomos a São
Paulo no ano passado.
assim começou Sebastião a falar, tão logo os alunos regressaram do recreio, naquela
tarde de verão que já chegava ao fim. todos arregalaram os olhos como se fosse
coisa do outro mundo aquela atitude de Sebastião ao pronunciar aquela palavra
mágica, caverna, que inspira algo misterioso nas profundezas da alma infantil. a
princípio não parecia ser muito interessante para alunos da terceira série ginasial. eram
meninos de 12 a 15 anos quase todos pertencentes a famílias de operários da cidade de
itabira. havia na sala meninos de todas as cores: brancos , morenos, pretos ; mas como
todos tinham o mesmo nível social havia uma perfeita harmonia entre eles . os alunos
começaram uma certa algazarra na sala de aula. mas sebastião que já conhecia as
crianças através dos olhos, calou-se repentinamente não dizendo nem mais uma
palavra. daí de repente todos se calaram como que por encanto e esperaram que
Sebastião começasse a dizer aquilo que eles gostariam de ouvir, e que nem por sonho
poderiam adivinhar o que seria.
enquanto estavam assim naquela pequena confusão , Sebastião voltava-se com o
pensamento para o reino da fantasia que só existia dentro de sua alma; mas que
haveria de conquistar todos aqueles coraçõezinhos infantis que ali diante dele se
encontravam à espera da grande aventura que haveriam de empreender a partir
daquele momento. daí o seu cérebro procurou fugir para as mais longínquas paragens
do ideal .

em sua feição observa-se uma serenidade completa , semelhante a existente no


semblante da esfinge, que em pleno deserto, mantém os olhos hirtos em direção ao
infinito , ou ainda , dos olhos de quem já completou um grande sonho que se
transformou em realidade.

Durante esses poucos minutos seguidos , ele fugiu as mais altas montanhas,
procurando através da natureza algo que pudesse demonstrar a quietude que ia em seu
espírito de fantasia. queria ele transmitir aos garotos que só uma coisa pode tornar o
homem invencível: “ a vontade de vencer” . tudo correu como ele imaginara. os que
estavam mais exaltados já haviam se acalmado contemplando a face daquele que iria
iniciar com eles uma grande aventura. aventura esta que centenas de crianças
gostariam de empreender . passaram-se mais alguns segundos e Sebastião começou a
falar: como eu lhes disse , no próximo verão marcharemos todos e mais alguns dos
nossos colegas para uma grande aventura. há muitos anos que eu prometo a meus
alunos levá-los a um lugar onde existe uma grande caverna misteriosa.

quando falou a palavra caverna misteriosa, todos os olhos que estavam naquela sala
aquietaram-se cada vez mais.podia se ouvir o zumbido de uma mosca na sala de aula,
e continuou dizendo Sebastião: - até hoje não houve a possibilidade de subirmos,
porém, neste verão nós todos iremos. vocês todos gostariam de ir?. foi a primeira
pergunta quais todos responderam prontamente que sim. muitos daqueles que
responderam que sim, estavam sentindo o entusiasmo da maioria. mas sebastião
começou a falar o que era uma caverna. antes porem deu um grande suspiro como
quem tomava fôlego para falar. bem o negócio é o seguinte: - A caverna é muito
grande e está em

uma das montanhas mais altas do país . a sua porta encontra-se aberta dia e
noite onde todos podem ver o que se encontra lá dentro . pedras de todas as
cores; verde, azul, cristal de rocha onde tudo reflete a luz do sol formando lá
dentro , o mais bonito arco íris por causa de uma fonte de água cristalina. a
luz do sol passa por um buraco existente na parte superior da caverna e
ilumina toda ela por dentro. sebastião continuou falando quando a campainha
tocou avisando o término da aula. alguns já pegavam o material para saírem
quando ele avisou que nos dias seguintes de aula continuaria a contar-lhes
como eram as coisas lá em cima.
via-se um grande contentamento no semblante de todos aqueles meninos .
eram rapazinhos de treze a quatorze anos mal feitos, que naqueles poucos
minutos acabavam de sonhar um pouco. era apenas um sonho, mas, quem
sabe? um dia poderia tornar-se realidade. e este dia seria o mais glorioso para
todas as crianças do brasil e talvez de todo o mundo.
• naquele dia Sebastião saiu pela rua triste e pensativo, como se o único
que não acreditasse na caverna fosse ele e uma tristeza imensa invadiu
sua alma como se o mundo fechasse o rosto para ele. Afinal não havia
razão para ficar triste. ele mesmo criara a fantasia que agora não podia
voltar atrás; consigo mesmo agora ele dizia baixinho é preciso ir adiante.
não podemos parar agora que tudo já começou. como criança é muito
flexível em relação a fantasia os sonhos devem ser alimentados todos os
dias até um dia tornar-se realidade. como pode uma palavra modificar a
mente ? como é estranha a força interior?. como o pensamento de uma
criança pode operar maravilhas. assim ia ele pensando quando foi
abordado por uns alunos que o alcançaram em plena rua a caminho da
casa, e o interpelaram; sr sebastião, era como os alunos costumavam
chamá-lo, --- como pode existir no alto de uma montanha uma caverna
gigantesca? - ah ... vocês compreendem como são as coisas, Deus fez a
natureza de tal maneira que nós podemos aproveitá-la a medida que
precisamos dela. uma caverna é geralmente formada pela erosão através
dos tempos. a parte interna é de material que se dilui facilmente com a
água da chuva que vai carregando lentamente partículas mais leves,
deixando a parte externa que é mais dura. assim são formadas todas as
cavernas.
aquelas palavras não foram muito bem compreendida. por isso uns
acreditavam e outros ainda não tinham muita confiança. .mas a maioria
vibrava com a coisa inédita que em breve eles conheceriam.
a partir daquele dia sebastião observou que entre eles havia uma
amizade mais profunda do que antes . basta dizer que a freqüência em sala
de aula melhorou quase cem por cento. aquele índice muito alto de freqüência
para uma turma indisciplinada e desorientada era algo assombroso. o
aproveitamento passou a ser melhor do que nos meses anteriores. todos os
alunos da terceira série já haviam melhorado suas notas, muitos dos pais já
tinham desconfiado desta melhora mas ninguém sabia o que estava
transformando os seus filhos de uma hora para outra. era necessário que a
partir de agora. a velinha do ideal nunca mais se apagasse para que
pudesse levar cada aluno a descobrir sua própria caverna ... tudo aconteceu
tão de repente que muitos dos professores quiseram saber o que se passava
por de trás de tudo aquilo. volta e meia tornavam a se reunirem para discutir
como seria grande tal caminhada para a caverna. já corria o mês de maio e
as reuniões preparativas não mais se realizavam em sala de aula, e sim no
grande pátio todos os sábados à tarde.
e ali naquele velho pátio cercado de muro quase caindo,cheio de musgos
e liquens pelas parede, somente eles agora pisavam para aprender sobre a “
terra prometida” . eram cerca de 40 meninos que com o consentimento do
diretor se reuniam ali, para juntamente com Sebastião traçarem

planos para atingir aquele objetivo tão almejado e sonhado por todos. Essas reuniões

chamaram a tenção de outros meninos que também queriam tomar parte do bando.

a princípio muitos meninos tomaram parte , mas logo depois desistiam e só os mais
persistentes continuariam a assistir as reuniões..as reuniões mais consistiam de jogos
de

campo e de palestras sobre as coisas do campo. como o grupo estava , crescendo , era
preciso uma organização mais bem orientada e que iria exigir mais energia de
sebastião.

. estando agora o grupo com cerca de setenta meninos , foi necessário dividi-
los em dois grupos de trinta e cinco alunos em cada reunião para os jogos
preparativos.

Rufino sonhou
Certa noite, , no meio de toda confusão, o Rufino teve um sonho no qual
ele estava reclamando de muita coisa: Sonhou que já era adulto e depois de
ter todo fracasso na vida,reclamava:

-Fico imaginando como podia Sebastião naquela época ter tanta


imaginação que deixava qualquer um de boca aberta. como poderia eu ,que
depois de percorrer todo o caminho que sebastião me mostrou,, sonhar
aquela maravilha a procura de uma caverna, que ele ensinou existir dentro de
cada um de nós, e depois eu sentir como a morte rondava seu espírito? .
quantas vezes solitário onde todas as forças pareciam perdidas e o temor de
algo existente dentro de mim não explicavam aquilo que atemorizava meu
espirito ?. lembro- me perfeitamente dos momentos de cisma na qual eu dizia:
quem sou eu? de onde vim?. de onde vinha aquela força que jogava em
direção ao vácuo?. todas aquelas interrogações profunda do ser me
convidava ao nada, era a falta de um ideal que alimentasse o espírito em
meio a toda a aflição. lembro-me perfeitamente de tudo que o mestre me
ensinava, e eu em meu subconsciente a tudo recusava”.

Sebastião tinha muito boa vontade, mas eu , apesar de estar sempre


junto dele,sempre recusava os seus ensinamentos.

Até hoje o Rufino ainda pensa naquele sonho.Mal sabe êle os outros
sonhos que êle ainda vai ter

, Certo dia um dos meninos deu a idéia de fazer uma excursão em


algum lugar próximo para irem treinando. na verdade sebastião já havia
pensado nisto, porém queria que a idéia partisse deles, pois sempre dizia não
querer ser um chefe para somente mandar ,mas sim para orientar e acatar as
idéias de todos. vocês é que dão as idéias para que possamos fazer a grande
caminhada. eu não me intrometo e para maior liberdade entre os meninos
procuro não chegar perto quando estão realizando as reuniões. uma coisa
porém é preciso que seja observado entre eles : é a camaradagem e a
dedicação para com seus companheiros. a primeira excursão, deveria ser
realizada aqui por perto para que eles não estranhassem muito, e não deveria
durar muito tempo. apenas uma tarde de sol ou domingo de manhã. como os
líderes vieram falar comigo,sugeri a eles que deveríamos ir de manhã. era
necessário escolher agora o local da excursão, o que foi permitido os garotos
que escolhessem. após muitas discussões chegaram a uma conclusão; um
local denominado serra da conceição, foi o escolhido por ser perto e
podermos aproveitar para visitar o lugar onde se extraia ouro na época da
escravidão. combinamos que deveria ser o primeiro domingo de julho, e assim
já teríamos tempo para pensar em outras atividades. na véspera da excursão
Sebastião reuniu todos os meninos para contar a eles algumas histórias que
todo apreciavam.

depois perguntaram se estavam satisfeitos em poder no dia seguinte fazer


um

passeio como se fosse na grande caverna? todos estavam realmente felizes, mas alguns
se mostraram indecisos quanto a resposta, ao que foi interpelado por Sebastião. o que
há com vocês que não estão sabendo responder?- podem dizer aquilo que sentem. nós
estamos satisfeitos sim, más... responderam alguns como que titubeando.

podem dizer com franqueza o que quiserem, nós somos amigos.nós


queremos mesmo ir amanhã , mas já que daqui há dez dias nós entraremos
em féria, porque não podemos logo ir a nossa caverna? aquela pergunta caiu
assim de chofre deixando Sebastião sem poder responder por alguns
segundos. era realmente uma coisa espantosa. toda aquela idéia fantástica
sobre a caverna já estava tão arraigada na mente dos meninos que agora
tornava-se quase impossível voltar atrás, não podia decepcionar aqueles
meninos que lhe demonstravam tanta confiança. devia seguir em frente , seja
qual for o resultado da coisa toda. se sebastião recuasse, seria um desastre
para todos aqueles meninos que o acreditavam . que haveria sebastião de
fazer diante uma situação dessa?

primeiro ele apareceu com a idéia da caverna e ainda não tinham dado
os primeiros passos e os meninos queriam agora passar a sua frente pedindo
que os levasse às asas dos ideais . durante cinco segundos sebastião pensou
em tudo o que poderia responder e os olhos atentos esperavam por sua
resposta que pudesse satisfazê-los. sebastião ia responder quando mais dois
meninos disseram que queriam falar com ele. como pensou tratar-se de uma
outra coisa, autorizou-os a falarem naquela hora mesmo; então viu que se
tratava do mesmo assunto que antes alguns dos meninos havia proposto.
um dos meninos que fazia a proposta era carlos lobato, um menino de onze
anos.o qual não estava na escola , mas é amigo de todos do grupo. após
meditar muito sebastião disse que idéia era boa mas que nós deveríamos
falar sobre isto depois que voltássemos da excursão do dia seguinte. eram já
dezenove horas o frio soprava em todas as direções. todos foram para suas
casas dormir e com a promessa de voltarem no dia seguinte o mais cedo
possível. sebastião ficou a porta de sua casa conversando com amigos. na
cidade não havia luz

elétrica, era luz de lamparina ou da lua ou das estrelas que brilhavam sempre
no céu. Grupo de rapazes preparava se para fazer serenatas naquela noite de
sábado. tudo era sonho e ilusão. A ação destruidora do tempo e da civilização
ainda não haviam chegado ali. E Sebastião ficou conversando até altas horas
da noite. O reino fantástico da ilusão , que vive dentro de nosso ser, é o lugar
onde ninguém poderá penetrar. marcharemos em todos os vales , em todas
as colinas, em todas as florestas à procura da nossa caverna que não
encontraremos em nenhum desses lugares . ela se encontra mais perto do
que a gente pode pensar , de tão perto que se encontra, parece longe.ela se
encontra dentro de nosso ser, mas este é o único lugar onde a gente não
procura por não sabermos que ela está lá, embora nós sabendo de tudo isto
não podemos mostrar aos outros pois os mesmos não creditarão. É
preciso andar com elas durante muitas e muitas léguas, procurar em mil
lugares. e só depois então ela compreenderá que o lugar procurado não
devia ser aquele, e assim Sebastião ia pensando.

O primeiro acampamento

Raiava o dia oito de junho de l987. Eram seis horas da manhã com os
termômetros marcando uma temperatura de cinco graus centígrados, as primeiras luzes
do sol já começavam a se despontar no horizonte . o silêncio tortuoso da noite ainda
pairava sobre nossos ouvidos. Nas encostas das colinas um intenso nevoeiro dando a
impressão ao viajante de não mais existir vida dali para diante. O pico do Caue, com
seus 1900 metros de altitude, ainda não havia aparecido totalmente, apenas recebia
naquele momento as primeiras luzes do Sol, que tem o privilégio de iluminar em
primeiro lugar, as grandes montanhas. Já passado quase vinte minutos de clarão do
Sol de vermelho tornara-se amarelo e descia em quase todos os vales. pelas ruas
apareceram os meninos que faziam a entrega do pão. as pessoas com as melhores
roupas dirigiam-se a missa numa imensa alegria nos corações .O Sol já estava todo do
lado de fora, parecendo até que hoje ele brilharia mais que nos dias anteriores. Na
porta da escola já se encontra grande número de meninos, outros veem mais adiante.
quando chegou a completar setenta, vimos que estava na hora de partir.

Atravessamos a cidade carregando as nossas mochilas ou então bornal com a


comida, à frente ia um menino carregando a bandeira brasileira. Ao passar pelo povo
estes chegavam a tirar o chapéu ou apear o cavalo. Parecíamos um bando de ciganos
que marchava pela rua. Gastamos quinze minutos até o morro d’água Santa, em cima
do mesmo, forma-se um pantanal donde se avista a serra da Conceição. de cima desse
morro também pode se ver muitas outras serras ao redor da cidade ficando a mesma no
fundo de um buraco .

Bem aqui perto de nós, disse Sebastião, existe um rancho de tropeiros, vamos até
lá ver como eles estão.

É interessante ver como eles vivem. fazem sua comida em tripé uma
espécie de fogão feito de trens ferros amarrados entre si , dormem em cima
dos couros de bois sem a mínima higiene. ali também junto aos tropeiro , está
um grupo de ciganos na mesma promiscuidade. Olhando para a frente vimos
o caminho que deveríamos seguir. Despedimos dos tropeiros e saímos
correndo , caminhamos mais uns dois quilômetros até entrarmos na mata que
estava fria e cheia de orvalho. Ali no meio da mata andamos em silêncio. A
vegetação não era muito alta . Depois de andarmos uns dois mil metros,
saímos em um descampado, mostrando a serra a serra do do Esmeril. Dali
também se podia ver uma região muito grande com toda aquela floresta ao
pé da serra. No lugar onde passavamos agora era um caminho de pedra que,
segundo o povo da região,era um aqueoduto , ali passava água para a cidade
no tempo da escravidão ou no início do século.

Este caminho de pedra não nos serviu por muito tempo, pois logo após
saímos do mesmo e entramos no meio da mata novamente. atravessamos
diversos riachos e depois de caminhar mais de três quilômetros chegaram ao
pé da serra da Conceição.
gastaram duas horas para subir até o topo da montanha . Ao chegarem lá em
cima estavam tão cansados, que mal tinham pernas para ficarem em pé.
alguns se deitavam no

chão duro de pedra e após descansarem quinze minutos, levantaram-se e


começaram a correr novamente. Sebastião sentou-se no chão como os outros
e começou a contar uma porção de histórias para as crianças.

as história que Sebastião contava, sempre era sobre escravos que haviam
fugido e se embrenhavam no meio da mata. Contou ele que certa vez no
trabalho de mineração de ouro naquela serra, uma turma de escravos cerca
de vinte, fugiram para as matas do rio Doce . tão logo os donos dos escravos
notaram a fuga saíram com um outro bando de escravos a procura dos
fugitivos. Os escravos que fugiram eram comandados por um que havia
chegado há pouco tempo da áfrica e era conhecido dos pais daqueles que se
encontravam ali trabalhando naquela terra , explorando ouro para os ingleses.
os fugitivos desceram até o rio doce e dali fizeram balsas, chegando até o
porto de vitória onde se apoderaram de um navio e fugiram para África.

Naqueles dias as histórias de Sebastião não estavam muito boas, más ele
prometera aos meninos que de outras vezes contaria outras melhores e mais
longas, como já estavam cansados, era chegada à hora de regressar para a
casa. eram quatro horas da tarde, o vento já começava a soprar frio no alto
da montanha . depois de todos terem comido a merenda que haviam trazido
deram início ao retorno da primeira excursão preparativa para a grande
marcha à caverna. a descida da serra era muito íngreme. na volta não
tiveram muita novidade para ver por que ficaram com medo de escurecer no
meio do caminho, por isso voltaram o mais rápido possível.

a volta foi feita praticamente em silêncio por causa do medo horrível de serem
apanhados pela escuridão em plena mata . Ao chegarem no morro da Água
Santa, puderam ver lá no fundo as luzes de lamparina toscamente acesas no
fundo do vale.

Era finda a viagem; a cidade se preparava para nos receber. No chão


não mais cresciam nossas sombras, por que o Sol se declinara todo de trás
da montanha. E Sebastião acompanhando com os olhos o entusiasmo dos
meninos , caia numa longa cisma; como é belo ser criança: quem me dera
nascer de novo; voltar às entranhas do ser para nunca nascer, e sempre
esperar pelo dia do meu nascimento que não seria nunca. como é belo ser o
que não somos. viver-se num mundo que não nos pertence . em um eterno
reino de fantasia. dormir e ... sonhar com tudo aquilo que tínhamos vontade
de ser ou fazer. neste mundo não despontou a vida. mas ele virá um dia, o
dia em que todos os homens da terra se redimirem e buscarem a paz num
sorriso de criança, o ser não vivido; aquele que é a esperança do mundo.
assim meditava Sebastião quando viu que estava chegando à hora de se
separarem cada um para sua casa.

No dia seguinte na cidade todos comentavam o acontecido na


véspera. Sebastião passou, a partir daquele dia, o homem mais conhecido
da região.

. uma coisa porém que intrigava a todos, era a origem do líder de todas as
crianças da cidade. sabiam apenas que ele morava numa pensão da cidade;
mas isso não era o suficiente para conhecê-lo. de vez em quando ele sumia
durante três dias , e depois ele voltava assim meio misterioso, sem dar muita
conversa aos outros . como o povo da cidade, dizia que Sebastião era, era
meio místico ,um desses ermitão que vivia isolado no alto das montanhas em
completa meditação, a fim de receber as bênçãos do Céu. Mas na verdade
ninguém sabia aonde ele ia nos dias em que se afastava da cidade . Sabiam
porém que em sua pensão era sempre procurado por alguns dos seus
alunos e muitas vezes ficavam os mesmos conversando na porta horas
seguidas, sem se cansarem. Dos meninos que ele mais recebiavisita,
destacavam-se o Barros o Rufino e o Lobato, que eram meninos de dez a
quatorze anos aproximadamente . o mais interessante é que os pais dessas
crianças sabiam perfeitamente quem eram Sebastião, mas não diziam nada a
ninguém sobre sua identificação. as crianças daquela cidade adoravam a
Sebastião como se fosse um pai. Talvez por causa das inúmeras histórias que
contava para todas as crianças da cidade. Numa temporada de férias ,
Sebastião conseguiu autorização dos pais das crianças para fazer um
acampamento , uma excursão de dez dias pelas terras ao redor da cidade.
como ele era muito conhecido dos pais gostaram muito da idéia, já que
confiavam nele e assim seus filhos teriam uns dias de aprendizagem sobre a
atividade no campo. a excursão seria d preferência num alto de serra e bem
longe da cidade.

dois dias antes de partirem reuniram-se todos na casa do lobato. era uma
reunião preparatória sobre o local que deveriam ir e o que iriam fazer nesse
acampamento.

Eram já oito horas da noite e os oito garotos estavam ali reunidos à


espera de Sebastião. o local de reunião era o porão da casa cedido pelo pai
de lobato.todas as paredes eram adornadas com figuras geométricas .
Enquanto esperavam seu líder os meninos liam livros de histórias, jogavam
damas , ou simplesmente conversavam. Estavam todos absortos nos
folguedos, quando uma voz falou na porta: -Boa noite. Todos se voltaram para
ver de quem se tratava e sem espanto viram que era seu amigo sorridente
como sempre. alguns pensavam que ele não viria mais. E por que não haveria
d vir? Indagou Sebastião. Estão todos aí? perguntou ele. Sim não faltava
ninguém .Mas os meninos perguntaram a Sebastião porque não tinha
convidado todos os meninos.

Bem vocês compreendem , para fazer uma excursão destas , como é a


procura da caverna, é preciso ter muita experiência e como eu não posso
ensinar a todos ensinarei a vocês e depois vocês ensinarão aos outros.

essas palavras foram ouvidas com muito silêncio pela meninada. É preciso
vocês saber tudo ou quase tudo que eu sei, continuou Sebastião, porque se
eu faltar ou morrer vocês poderão continuar a grande excursão.

o entusiasmo fervia no sangue daquelas sete criaturinhas. Era como uma


varinha mágica que abrisse os seus corações. Todos estavam ardentemente
entusiasmados para aquela excursão de dez dias. Como já eram 21 horas ,
todos foram para a casa descansar um pouco para ás 5 horas da manhã
estarem a porta da casa do Elmo.

Todos saíram com exceção do Elmo que morava ali mesmo naquela
casa e o Sebastião que ficou conversando até meia noite com o sr. Lima, pai
do elmo por afinal dormiu ali mesmo, pois já era muito tarde. Durante a noite
ninguém conseguiu dormir. Nem Sebastião, Nem Elmo, nem os outros
meninos, como contaram no dia seguinte. Não conseguiram dormir por que
ficaram pensando que poderiam perder a viagem do dia seguinte.

• Por isso as quatro e meia, todos se encontravam a porta da casa do


companheiro , pedindo para abri-la pois estava muito frio fora da casa.
vocês já chegaram? perguntou o Elmo.
• Sim, nenhum de nós conseguiu dormir a noite, e só viraram na cama de um
lado para o outro, a espera da hora que não chegava nunca.—comigo
também aconteceu a mesma coisa falou Elmo. não dormi durante um
minuto. e o Sebastião que ficou aqui também não conseguiu dormir.
Neste instante, a mãe de Elmo que foi chegando a porta , convidou-os para
tomar café.

Eram dez minutos, estavam todos prontos, parecíamos verdadeiros


soldados que partiam para a guerra. Cada bagagem que pesavas de oito a dez quilos.
Na frente da turma marchava Lobato, logo atrás o Elmo e em seguida o Viking, que
era o menor da turma , e gostava de ficar no meio. os outros iam desordenadamente.

a madrugada chegava fria. A cerração descia tão baixa que não se


conseguia ver a quinze metros a frente . A cidade ainda dormia e as luzes
das lâmpadas muito fracas davam um tom de penumbra à rua . Mais embaixo
corria o córrego da Água Santa, no seu ruído incessante. E os nossos heróis
marchavam rumo a estação que ficava a uns quatrocentos metros. o caminho
mais curto era atravessando um pasto de gado. acima, a uns 100 metros, já
se ouvia o barulho da máquina que partiria dai a pouco. todos pararam e
Sebastião disse: - como não temos dinheiro para pagar a passagem, cada um
de nós subirá em um vagão de minério, na medida que o trem for saindo.
Ficaremos escondidos aqui, quando a máquina apitar para sair tratem de
subir, mas cuidado para não cair. O Lobato se esconde no primeiro , e os
outros sucessivamente nos seguintes. eu estarei no último vagão e direi para
vocês quando chegar a hora de descer. Muito cuidado, pois deve descer um
de cada vez . Assim fizeram.

Ficaram esperando impacientemente até quando o comboio deu o


sinal de saída. Tudo foi feito como o combinado. Quando já estavam todos
alojados nos seu lugar e, Sebastião foi o último a subir. o trem começara a
andar vagarosamente. Os primeiros balanços mostravam a dureza da viagem
de cinquenta quilômetros. Em cada vagão perto do freio havia um clandestino
bem escondido, que ninguém conseguia ver.Sebastião ao invés de pegar o
ultimo vagão como combinara, ficou ali mesmo junto do Lobato e a toda hora
observava se tudo corria bem nos outros carros, como os garotos . já tinham
viajado mais de 15 quilômetros e o Lobato sempre perguntando : Será que
ainda está muito longe? E o Sebastião respondia com toda a paciência:
Calma meu filho, ainda esta muito longe. Como o trem corria muito e fazia
muito barulho, eles tinham de conversar bem alto, e como cansaram de falar
alto, passaram a observar a paisagem que já se mostrava com as primeiras
luzes da manhã . passaram pela primeira estação onde o trem deu uma
parada de cinco minutos . Alguns passageiros subiram no carro, pois o trem
era misto. O Florisvaldo que estava com a roupa suja e rasgada desceu para
ver se havia alguma novidade. Como um guarda - freio vinha examinar o
trem, ele voltou e escondeu-se no mato. daí a três minutos o trem deu partida
e ele correu para pegá-lo.

após viajar meia hora estrada abaixo, o trem passou a margear um riacho que
se desenhava no fundo um abismo de mais de cem metros. ali já aparecia
uma floresta mais densa do que perto da cidade de Esperança. Nesta mesma
hora, Sebastião anunciou que dali a pouco saltariam, que ficassem todos
alertas, pois na próxima curva antes da estação haveria de saltar, sem que
ninguém os visse. Assim foi feito. No lugar marcado, sebastião acenou e
foram pulando um de cada vez . Após descerem, todos saíram para fora da
margem da linha subiram um morro, onde havia uma grande arvore. Ali todos
descansaram da viagem e então passaram a examinar o mapa no qual se
orientavam. colocaram o mapa no chão e começaram a observar distância.
Ali se via nova e linda, as terras que separavam o distrito de Esperança e
outros acidentes geográficos. Tudo era tão bem marcado no mapa, que
parecia estar vendo a própria região. no local onde estavam até onde
deveriam ir tinham uma distancia de 35 quilômetros já se ouvia o barulho da
máquina que partiria dai a pouco.- mas 35 quilômetros é muito longe para
andarmos num dia, falou Florisvaldo: Bem o negócio é o seguinte, não é
assim como vocês estão pensando, falou Sebastião. o mapa com todos os
acidentes geográficos marcados, possibilita que avancemos 15 quilometros
por dia. nesses 10 dias percorreremos cerca de 150 quilômetros aqui pelas
montanhas, falou Sebastião mostrando o mapa com uma varinha. devemos
conhecer esta serra muito bem, pois, só assim vocês poderão um dia ser o
guia dos que irão a procura da caverna no alto da montanha. deverão
aprender o bastante sobre a natureza, animal ,vegetal e mineral.- sim , isto é
muito bom para nós, falou a Riqueza, eu que estou no primeiro ano ginasial ,
já ouvi meu professor falar sobre a composição dos animais e minerais. o
Viking e o Elmo que são irmãos , farão uma coleção de folhas. enfim cada um
colecionara uma coisa. O certo é que nós temos dez dias para atravessarmos
toda esta montanha. Vamos aproveita-los bem, na esperança de sairmos bem
nessa aventura. Assim ia dizendo Sebastião enquanto descansavam à
sombra de uma grande árvore.

Porém com eles eram em sete, foi preciso dividi-los em dois grupos, um
de quatro e outro de três. Em cada grupo escolheram um monitor. .
Sómente este poderia trazer as opiniões a Sebastião e também levar ordens.
Todos foram obrigados a fazer um juramento ao monitor. Tal juramento era
apenas uma coisa simbólica para que os meninos tivessem conhecimento de
disciplina que deveria existir entre eles para que na hora do perigo,não
tivessem medo, pois o monitor além de tudo era amigo de todos.
Enquanto aos outros meninos recomendou que deveriam obedecer ao
monitor em tudo, para que a nossa expedição saísse em ordem desde o início
até o fim.

A nossa saída é daqui a meia hora, vocês podem fazer o que quiserem. tão logo
Sebastião acabou de dizer isso, o Rufino e o Viking, solicitaram para ir até a vila
comprar alguma coisa. compraram algumas rapaduras e farinha que estava faltando.
arrumaram tudo dentro de mochilas e puseram o pé na estrada. eram mais ou menos
meio dia. Só não estava muito quente por ser inverno. Sebastião e mais sete meninos
começaram a caminhada para a grande aventura.

Assim que começaram a andar tiveram que atravessar uma porteira que dava para
um pasto muito grande onde centena de bois pastavam. O caminho que tinham que
atravessar era bem no centro do pasto que era todo verdinho e de ponto em ponto, uma
arvore retorcida, demonstrando a qualidade da terra só servia para criação de gado.
Além do pasto, havia um grande morro, onde a vegetação de gado era um pouco
mais densa. depois de ter cruzado o morro, encontraram um outro pasto até chegarem
no pé de uma grande colina, onde eles resolveram parar pois já eram cerca de 15 horas
e deveriam acampar por ali, senão poderiam não encontrar melhor lugar onde armar
acampamento. todos estavam um pouco cansados. Só o entusiasmo não impedia que
eles continuasses caminhando. Sebastião sendo sabedor de tudo isto, viu que não
podia cansar muito os meninos ou no outro dia seria mais difícil a caminhada.
armaram o acampamento à beira de um riacho de águas límpidas., onde aproveitaram
o uso das mesmas para suas refeições. depois de armado o acampamento, Sebastião e
três meninos saíram junto para reconhecimento do local. enquanto os outro quatros
ficaram no campo preparando as refeições da tarde. o local onde andavam era cheio de
moitas de capim. o que causou-lhes o pressentimento da presença de cobras. Era
preciso então maior cautela ao andar ali por aquelas redondezas. No meio do pasto
estava o caminho por onde passariam alguns viajantes. Tão logo andaram uns quinze
minutos ao redor do pasto, avistaram ao longe uma choupana, que pelas observações
deveria morar gente, pois estava saindo fumaça pela chaminé. como não era muito
longe, resolveram ir até lá conversar com o dono da casa. Quando estavam a uma
distância de cem metro da casa, tiveram que passar por debaixo de uma cerca, por
dentro da mesma existia um pomar, plantação que mais se via, era cana , mandioca e
milho. era uma casinha de sapé encostadas a um morro onde ao lado do mesmo
passava uma nascente dágua.

ao redor da casa, tinha alguma plantação de couve e quiabo. e em cercado, havia umas
15 galinhas. distante 50 metros da casa, os cachorros já anunciavam a nossa chegada.
Assim que escutou o latido dos cães o dono da casa veio chegando e dizendo

que podiam entrar. Sebastião tirou o chapéu e foi dizendo : boa tarde, prontamente o
foi respondido pelo camponês. era um senhor de uns trinta anos com uma aparência
bem magra consumida pelo trabalho. o camponês convidou os a entrar e ficaram
conversando até seis horas da tarde. Havia um grande número de crianças na casa,
mais de 9 crianças foram contadas. com as idades de 1 a 15 anos, todos sujos
maltrapilhos e esfomeados.

Como não podia ficar conversando por mais tempo saíram e voltaram para o
acampamento, onde a fumaça do fogo já se via de longe. o jantar já estava pronto, e
depois de fazer refeição que constou de carne seca e farinha, foi servido café. a noite
todos sentaram em torno da fogueira para conversarem. depois de falarem sobre s
atividades do dia, os meninos pediram a Sebastião que contasse uma história. não era
preciso ser uma história muito grande, diziam os meninos. Apenas uma história para
que eles não perdessem o costume de ouvir. E assim foi... Sebastião foi pensando sobre
-alguma que servisse para aquela noite, até que se lembrou de uma muito interessante.

A floresta sem nome

A história que vou contar pra vocês hoje, aconteceu há muitos anos, lá pelas
bandas da Europa, no tempo em que havia muitos reis com seus castelos bonitos.
Assim que Sebastião começou a falar, o silêncio reinou no acampamento. Apenas de
vez em quando, o crepitar do fogo abalava como um ruído estrondoso. Sebastião olhou
para as estrelas como que pedindo a elas que o orientassem em sua história, pois elas
eram inventadas no momento de contá-las. Depois de meditar alguns segundos
começou a dizer: Há muitos anos passados, existiu lá na
Europa um rei muito rico que tinha muitos filhos. O seu castelo era no alto de uma
colina muito bem protegida com as torres altas onde guardas passavam de um lado
para outro com lança na mão prontos para impedir qualquer inimigo que entrasse no
castelo. Dentro vivia todas as pessoas da família do rei, mais os escravos de confiança
do rei. Do lado de fora do castelo, abaixo da colina, tinha uma planície muito grande
onde era feito as plantações de trigo, arroz e outros vegetais. Ali também passavam
muitos rios de água pura que corriam de uma grande montanha que se via a grande
distância. A época mais bonita era a primavera que enchia de flores todas as planícies
do reino.

a felicidade devia reinar entre eles, se o rei não fosse de coração tão duro como era.
Por qualquer coisa mandava prender os seus escravos , e as vezes, torturá-los até a
morte. O filho mais velho do rei tinha sete anos e o mais novo cinco anos. A rainha,
isto é a esposa do rei, ela tinha um coração que era uma doçura para com todos de seu
reino. Muitas vezes ela interferia junto ao rei para que o mesmo não praticasse tanta
maldade com os outros.

Todas as noites ela sentava a beira da cama com seus filhos menores e ficava
contando as mais belas histórias de fadas e dragões que eles ouviam até dormir.

Na época que havia festa no palácio, era o tempo que o rei fazia as maiores
perversidades com os seus semelhantes. Deixando-os sem comida, só porque, alguns
dos empregados deixavam cair um dos pratos no chão ou então quando esqueciam de
trazer o café no momento em que ele gritasse para traze-lo. Muitas vezes ele mandava
prender seus filhos no calabouço existente no subterrâneo do castelo. Quando fazia
isto a mãe que era muito boa , ficava chorando o tempo todo na porta do calabouço
pedindo para que soltassem seus filhos.

Muito dos filhos do rei queriam abandonar o palácio e morar muito longe
por causa da maldade do pai só não faziam para não deixar sua mãe
sozinha junto ao rei. Certa vez ele mandou prender o menino de cinco anos
no calabouço porque o mesmo tinha protegido um dos escravos dando-lhe um
pouco de comida quando se encontrava preso no calabouço do castelo. O
próprio rei pegou o menino pelo braço, mandou que abrissem a porta e
jogou-o com toda a força lá dentro. Foi em vão o pedido da mãe e de todo o
povo do palácio que gostava muito daquele menino por ser o mais novo e
mais bonito e inteligente dos irmãos. Naquele dia até os guardas do palácio
ficaram muito tristes com o acontecido. Ninguém tinha coragem de reclamar ,
pois que se assim o fizessem o rei seria capaz de mandá-los matar. Muitos
dos empregados, chegaram a oferecer para ficar preso ficar no lugar do
menino. Outros por sua vez , ficaram sem comer com pena do menino que
ficava lá preso sem comer,sem beber, quando então apareceu à porta do
palácio , uma bruxa feiticeira que gostava de fazer o bem para os outros ,
embora não tivesse uma aparência muito boa fisicamente, demonstrava
possuir um bom coração.Quando os guardas viram-na se aproximar,
começaram a atirar paus e pedras em cima dela, mas de nada adiantava,
porque assim que os paus e pedras batiam em cima dela, pegavam fogo e
desapareciam como que por encanto. Quando ela se aproximou da porta do
palácio, disse que queria entrar para falar com o rei. Então eles levaram
notícias até sua majestade, dizendo que uma bruxa feiticeira queria falar-lhe .
Quando contaram ao rei do acontecido na porta do palácio, dos paus e
pedras que desapareciam ao tocar o seu corpo, o rei pensando tratar-se de
uma bruxa má , mandou que ela entrasse . O palácio era muito bonito por
dentro e a medida que a bruxa foi entrando , admirava todas as coisas nos
mínimos detalhes. O povo da palácio se afastava para que ela pudesse
passar, sem encostar em ninguém. Imediatamente levaram a noticia até a
rainha de que uma bruxa feiticeira estava chegando ao palácio para falar
com o rei. A rainha, porém, não teve medo, pois sabia tratar-se de uma fada
encantada que estava com disfarce de bruxa até o dia que uma criança com
menos de sete anos beijasse-lhes no rosto com todo o amor filial. A rainha
sabia de tudo isto segundo uma história que sua mãe lhe contara. porque
essa bruxa viveu no mundo do tempo da sua bisavó e tinha sido enfeitiçada
pela avó do rei daquele palácio, . a bruxa foi entrando no palácio
devagarinho até chegar na presença do rei. Quando chegou a presença do rei
ele sentiu um verdadeiro arrepio no corpo, tal era a feiura da bruxa , mas
como ele queria fazer maldade, pensando também que a bruxa era tão má
quanto ele, agüentou firme a presença daquela criatura horrível. Ela tinha o
nariz rebitado para cima , sua roupa era preta , os cabelos compridos e vinha
montada em cima de uma vassoura. Ela abaixou a cabeça até o chão , pois
era assim que o rei gostava de ser saudado pelas pessoas que chegavam de
fora pela primeira vez. depois de toda a saudação o rei mandou que ela
ficasse sentada a uma distância de cinco metros para que eles pudessem
conversar . E assim a bruxa obedeceu enquanto o rei ia lhe dizendo o que
queria dela. contou-lhe que um dos meninos estava preso e queria que ela
fosse até o calabouço e lançasse uma praga no menino transformando em
uma coisa bem feia para que sua mãe não viesse mais a gostar dele. É uma
maneira de me vingar dela que vive achando ruim comigo quando eu prendo
os meus filhos no calabouço. A bruxa não disse nada ao rei sobre a sua
missão naquele palácio; pois ela não era uma bruxa má como o rei pensava.
Ela tinha vindo ali porque ouvira do seu bosque escondido na floresta onde
vive,o choro da mãe e do menino que havia sido preso no calabouço do
castelo. Como era uma fada encantada com aspecto de bruxa ela tinha o
poder de ouvir tudo o que quisesse, por maior que fosse a distância. e por
isso ela ouviu primeiro o choro do menino de cinco anos que estava preso. Ela
sempre vivia procurando ouvir toda e qualquer tristeza de criança a fim de
que pudesse fazer com que as mesmas parassem de chorar e sorrissem.

Então o rei perguntou-lhe : - você está disposta a fazer tudo aquilo que
lhe ordenei? ao que a bruxa respondeu:- sim senhor rei, tudo o que falaste
comigo será feito de acordo com tua vontade. Farei isto e muito mais que o
senhor precisar de mim. É só ordenar e imediatamente será feito. Gosto
muito de obedecer aos reis. Quando a bruxa ia dizendo estas palavras ,
baixinho ela dizia para consigo mesma: nunca, nunca,nunca só quero salvar
esta criança das mãos deste rei malvado. E foi se afastando em direção ao
calabouço onde se encontrava a criança. Quando ela começou a descer
voltou-se ao rei e disse ao rei que sua magia só funcionaria a noite. Mas na
verdade ela só queria ganhar tempo para agir dentro do palácio. Enviando à
mãe do menino uma mensagem dizendo que ela na verdade não era a
bruxa. como a rainha já sabia de toda a história da fada encantada que estava
transformada em bruxa , não ficou muito triste ao saber que a mesma se
dirigia para o subterrâneo do palácio. Mas o resto do povo do palácio ficou só
dizendo que a mãe do menino também não tinha coração. Imagina, como
pode deixar que aquela bruxa transformasse o menino numa praga. Depois de
ouvir toda aquela exclamação a mãe respondia que a bruxa não era tão má
assim e que ela não ia fazer nenhum mal a seu filho.
Chegara a tardinha, o rei estava ansioso para ver a sua vingança
sobre a sua esposa, a toda hora ele perguntava a bruxa se já podia começar
a trabalhar , a bruxa em um canto do palácio respondia dizendo que durante a
noite tudo seria feito. E assim quando já estava bem escuro ela se dirigiu
para o subterrâneo do castelo onde se encontrava o menino preso. Ao chegar
lá o carcereiro que sabia de tudo abriu a porta e falou com o menino que
estava preso que tinha visita para ele. O menino que durante dois dias não
comia nenhuma comida, só bebia água que o carcereiro dava escondido para
o rei não saber. O subterrâneo onde se encontrava aquela criança estava
completamente escuro e úmido e assim que o menino viu a porta se abrir ,
pensou que ia ser libertado, começando a chorar com fome . Mas quando viu
que aquela bruxa feia também tinha ficado ali dentro com ele, sentiu mais
medo e por isso começou a chorar ainda mais ... ogo atrás da velha bruxa, o
carcereiro fechou a porta deixando a prisão totalmente escura. Com a porta
fechada o menino não mais viu o rosto da bruxa e sim sua voz que parecia
tão diferente do que ele imaginara. Ai então ela começara a falar -lhe com
toda doçura de mãe para filho : - você ainda tem medo de mim ? perguntou-
lhe a voz encantada.- sim, respondeu o menino. -pois pode ficar
completamente despreocupado que eu não vou lhe fazer mal algum. Eu não
sou uma bruxa como você está pensando... eu sou uma fada encantada que
foi amaldiçoada há muitos anos e agora vim aqui para libertá-lo desta prisão.
Quero também libertar o seu pai desse rancor que ele tem em seu coração
que foi causado também por uma praga lançada sobre ele há muitos anos por
uma bruxa muito má.
Enquanto ela ia contando isso ao menino o mesmo ia tomando mais
confiança nela . Mas com tudo isso a fada não contou de seu encantamento
que poderia ser desfeito se uma criança de cinco anos lhe beijasse a face
com todo o amor filial. Se ela contasse perderia a efeito . Seria preciso que a
criança lhe beijasse no rosto por sua livre e espontânea vontade . E assim
ficaram os dois conversando durante mais de duas horas, até que tinha ficado
bem escuro. o menino pediu que a bruxa o levantasse um pouco para que ele
pudesse ver estrelas. A bruxa pegou o menino pela cintura, levantou ate o
parapeito onde se encontrava as grades da prisão e dali o menino pode ver
as estrelas. Os seus olhos perscrutaram todo o horizonte a procura de uma
estrela bonita, quando viu cintilando no céu uma bem grande, falou bem alto:
- óh minha estrela amiga, ajude-me a sair deste castelo para que eu possa
fazer com que o coração de meu pai não seja tão ruim assim. Ajude-me minha
estrela você é minha única esperança . Enquanto o menino ia dizendo estas
coisas, a ‘bruxa’ pode constatar a bondade em seu coração. Quando já
estava bem cansado pediu a fada para desce-lo, o que ela fez com todo o
cuidado para que ele não se machucasse. quando já se encontrava no chão
agradeceu a fada e deu-lhe um beijo na testa dizendo: - muito obrigado por
tudo, você é a pessoa mais bonita que eu já vi em toda minha vida. No
momento exato em que o menino acabara de pronunciar estas palavras e dar
lhe um beijo no rosto, um estrondo muito grande se deu ali dentro da prisão e
uma luz muito clara, começou a iluminar ao redor da fada que havia se
transformado de bruxa em fada. Foi o milagre do beijo da criança. A praga que
havia sido lançada sobre ela há mais de quinhentos anos, tinha
desaparecido para sempre. As sentinelas do palácio ouviram o barulho e
vieram correndo até a prisão. uando chegaram lá a fada e o menino estavam
deitados fingindo que estavam dormindo . Do lado de fora da prisão ninguém
podia ver a luz que estava ao redor da fada , Só o menino podia ver . Como
ninguém conseguiu descobrir o que havia acontecido, ficaram todos
apavorados e até mesmo o rei ficou com medo.
Dentro da prisão o menino se encontra deitado nos braços da fada que estava
contando toda a história de sua longa vida. falou-lhe da praga que avia sido lançada
sobre ela e a maneira como a mesma poderia desaparecer. e agora, dizia a fada- vou
poder fazer o que você quiser.- qual é o seu maior desejo? perguntou-lhe a fada.- o
meu maior desejo é estar perto de minha mãe e depois gostaria que meu pai não fosse
tão ruim como tem sido para todos nós. - Todos os seus desejos serão realizados,
porém, devemos faze-los de tal maneira que o rei não descubra que eu estou
protegendo você. - Esta bom assim? perguntou-lhe a fada- claro que sim, concordou o
menino. era preciso traçar os planos para que tudo fosse feito naquela noite. quando
amanhecesse o dia tudo já deveria estar completamente transformado, ele iria viver
feliz junto d sua mãe e o coração de seu pai deixaria de ser perverso como era. - mas
como fazer? perguntou-lhe o menino.—você ficará dormindo até que eu possa com
minha varinha mágica que tem poder para fazer tudo aquilo que eu deseje , transportar
você e depois a seu pai para minha floresta sem nome. atendendo o pedido da boa fada,
o menino e deitou se no chão e fechou os olhos , esperando que ela lhe tocasse com a
varinha de condão. Era tão bonita aquela fada que dava gosto viver sempre ao lado
dela. Ela era de uma altura de um metro e meio, o corpo muito bonito, a cinturinha
fina, sua roupa era branca como a cor das nuvens e bordada com fios de ouro e prata.
na sua cintura havia um cinto muito largo que era de um ouro tão brilhante que
chegava a doer nos olhos da gente. Os seus cabelos eram muito longos e bonitos,
chegava quase a altura das pernas.

O menino já estava deitado no chão a espera da fada que ia transportá-lo


à floresta sem nome. Então o menino perguntou : “porque floresta sem nome ? e a
fada respondeu “ - por que é você que dará o nome a ela .”. a fada pegou sua varinha
mágica e começou a tocar sobre a testa do menino e pronunciando as palavras:-
menino, filho de rei preso no calabouço junto comigo, durma um sono profundo que
vou levá-lo a floresta encantada , onde ninguém de fora tem permissão para entrar .
só pode entrar nela quem souber da porta secreta, e esta porta secreta, só eu sei onde
ela se encontra, e só eu posso permitir, que as pessoas entre em seu interior, como eu
vou fazer com você. Quando a fada acabava de dizer estas , o menino estava dormindo
um sono profundo. Então a fada fez um sinal com sua vara mágica e abriu um buraco
muito grande na parede do castelo. Por aquela passagem puderam sair a fada e o
menino. Eles saíram voando, bastava que ela tocasse o menino com sua varinha
mágica e ele voava junto com ela. Voaram muito alto, quase junto das estrelas. depois
desceram em uma floresta muito escura. A floresta era a morada da fada. Ali era cheio
de animais, mas todos eles eram animais mansos que a fada criava para que eles
brincassem com todos os meninos que ela levasse lá. Assim que chegou lá , acordou-
o dizendo que ele já se encontrava no meio da floresta sem nome, e que ele agora
deveria ficar ali enquanto ela voltaria até a palácio e procuraria trazer o rei também.

a fada desapareceu imediatamente. o menino ficou deitado debaixo de


uma grande arvore . A floresta era toda diferente das que ele já tinha visto.
Os animais que habitavam aquela floresta eram todos muito bonitos e o mais
interessante era que eles falavam a língua do menino. Estava ele nesta
observação , quando de repente ouviu um ruído interrompido por outro mais
forte e mais grosso que parecia a voz de uma vaca. Quando olhou para o
lado, viu que todas as folhas das arvores estavam viradas para o lado dele
como que observando aquela criatura filho de homem. E todas saudavam o
menino,desejando-lhe muitas felicidades. Algumas plantas perguntavam a ele
de onde ele tinha vindo, ao que ele respondia ser filho de um rei muito ruim e
estava ali porque a fada dona daquele bosque o havia trazido em um sono
muito profundo. As árvores mais velhas diziam que de vez em quando a fada
trazia até aquele bosque uma criança que se encontrava triste no reino do
mundo . Diziam também para o menino que ele podia ficar sossegado que
nada de ruim lhe aconteceria, e que todas a árvores estavam felizes com a
sua chegada.
depois de ouvir as palavras das árvores, menino se lembrou que não
comia há dois dias, e então falou com uma das arvores mais velhas :- a
senhora podia me arrumar um pouco de comida? - que eu não como nada
ha dois dias ? - estou com uma fome danada:- a árvore mais velha
respondeu-lhe imediatamente : claro que posso. Se você tivesse falado há
mais tempo já teria mandado trazer. E em seguida mandou que as outras
árvores levassem ao menino as melhores frutas daquela floresta. E uma das
arvorezinhas que pareciam filhas das grandes, veio até onde se encontrava o
menino e lhe entregou umas frutas muito gostosas. algumas das meninas
árvores , ficaram até gostando dele por que ele era muito bonito e simpático.
Uma delas não saiu mais de seu lado e a toda hora ficava perguntando-lhe ,
se não queria mais frutas. depois quando já estava satisfeito e não tinha mais
fome, veio uma comissão de árvores, cerca de duzentas delas, cada uma de
uma espécie diferente. era uma reunião de árvores que habitavam um vale
que se encontrava muito próximo dali e vinham lhe trazer boas vindas ,
dizendo-lhes que naquela noite seguinte daria uma grande festa em sua
homenagem.o menino ficou muito contente , mas ficou pensando na sua mãe
que deveria estar esperando por ele em casa pensava na volta da fada que
deveria trazer seu pai à floresta encantada para que seu coração deixasse
de ser tão ruim como era. as árvores estavam ouvindo a voz do menino e iam
abanando as folhas como quem estivesse dizendo alguma coisa. . Quando
ele acabou de falar, elas responderam que a fada não voltaria senão dentro
três dias , pois ela já sabiam do caso de seu pai e era bem difícil convencer o
rei tirar alguma maldade em seu coração. De nada adiantaria tentar modificar
o coração do rei. Pois ele também era vítima de feitiçaria de uma bruxa muito
cruel. E as árvores iam contando tudo sobre a sua vida e a vida do rei no
palácio . O menino ficava espantado como as árvores sabiam de tudo. E elas
diziam para ele que as verdadeiras arvores se transformarão em fadas. Então
quer dizer que as fadas são transformações de árvores? perguntou o menino.
E elas responderam: - sim nós somos transformadas em fadas quando
atingimos a idade de quinhentos anos. Depois de vivermos todo este tempo,
produzindo frutos e flores para todas as crianças que são trazidas para aqui;
a nossa rainha nos transforma em fada e nós passamos a andar pelo mundo
fazendo o bem e a justiça para todos os que precisam delas. portanto meu
filho, não tenha medo, nós estamos aqui para fazer tudo para a sua
felicidade, amanhã à noite daremos uma grande homenagem a você que hoje
nos visita. O menino ia ouvindo as palavras das árvores e sentia realmente
que estava feliz , Por ser ele o primeiro menino do palácio que estava no
bosque encantado das árvores, tendo para sua companhia uma arvorezinha
que o acompanhava por todos os lugares para onde ia. depois de ouvir todas
as conversas das árvores, elas se retiraram lembrando-lhe da festa da noite
seguinte, agora ele devia dormir até quando o dia clareasse.
enquanto isso a fada que tinha se dirigido a seu castelo, tinha encontrado muita
dificuldade, pois o rei descobriu que o menino havia desaparecido e ele queria por a
culpa nos guardas por não terem vigiado direito a porta da prisão. estava uma
verdadeira confusão no palácio. Todos corriam de um lado para o outro como um
bando de loucos a procura do menino que havia desaparecido. Ninguém tinha
explicação para o buraco que aparecera na parede da prisão. Apenas supunham que o
pequeno prisioneiro havia fugido por ali. Mas com toda aquela altura como poderia ter
saído sem se machucar? - era a pergunta que todos faziam aflitos, principalmente a
mãe do menino. Quando ela se encontrava chorando em seu quarto debruçada sobre o
travesseiro que já estava todo molhado em lágrimas, a fada entrou no seu quarto sem
ser notada pela mãe do menino , ela apenas sentiu que havia outra pessoa dentro do
quarto mas não podia ver ninguém, a fada que se encontrava invisível foi aparecendo
aos poucos na sua presença. a princípio, apenas uma luz amarela foi enchendo o quarto
e em seguida a luz tomou forma de uma pessoa que logo pode ser identificada pela
mãe do menino como sendo a fada. a rainha foi tomada de um grande susto, mas como
a boa fada começou a falar-lhe com brandura, ela começou a se acalmar. Então a fada
disse para a mãe do menino.- não tenha medo que eu só vim fazer-lhe o bem . - Não
precisa ficar chorando, o seu filho se encontra em um lugar muito seguro na minha
floresta sem nome. Eu vim aqui porque ele me pediu que fizesse todo o possível para
que o coração de seu pai não fosse mais tão ruim como tem sido até agora. Ao ouvir
aquela voz mansa da fada a mãe do menino parou de chorar e perguntou como ele
estava, se estava com fome, se tinha chorado muito e se estava gostando do lugar para
onde tinha sido levado. A fada respondeu que ele se encontrava muito bem protegido
no meio de uma floresta sem nome onde era tratado com muito carinho pelas árvores
mais novas que lhe traziam para comer muitas frutas e que lhe contavam muitas
histórias.

como a mãe ficara calma diante da notícia do filho, a fada lhe disse que para terminar
a missão , era preciso levar o rei até a floresta encantada, a fim de que pudesse assistir
na noite do dia seguinte a festa da dança das árvores. Pois só assim, o coração do rei
se amoleceria e ele voltaria a ser bom como antes de ser lançado sobre ele a praga da
bruxa má . A mãe concordou que deveria levá-lo, mas como poderia faze-lo? - se o rei
não aceitava ordens de ninguém e se encontrava muito furioso pela fuga do menino?
durante algum tempo ficaram as duas pensando o que deveria ser feito. a fada que era
muito boa, pediu a mãe que também desse alguma opinião sobre a retirada do rei do
palácio e levá-lo até a floresta encantada. as duas ficaram conversando até quando a
luz do sol já se punha do lado de fora. parece que naquele dia o sol veio mais feliz por
saber que o menino se encontrava a salvo, e em breve o coração do rei se
transformaria, desaparecendo feitiçaria. a notícia do menino não havia sido dada a
todos mas apenas as pessoas mais chegadas da rainha . o rei nem por sombra deveria
saber onde ele se encontrava, senão ficaria mais furioso ainda. depois de pensarem
muito , a fada disse:- óh .. para que a bruxaria de seu marido desapareça, é preciso que
o mesmo seja levado à floresta antes do anoitece. então a rainha disse que tinha uma
idéia. na hora que o rei fosse almoçar, devia ser colocado em sua comida, um pózinho
que fizesse com que lhe dormisse bastante , assim a fada poderia levá-lo à florestasem
nome. essa idéia foi bem aceita pela fada que disse trazer com ela um pó que serviria
bem para o caso. então tudo ficou combinado para que na hora do almoço não se
esquecesses do que haviam combinado

Naquele dia , o almoço fora servido fora da hora que seria o normal, devido a
confusão que reinava no castelo. aqueles que ainda não tinham tido ainda a noticia do
menino., encontravam-se bem tristes, pensando que havia lhe acontecido alguma coisa
de mal, e essas pessoas eram bem poucas que sabiam, por que a fada pedira a rainha
que só contasse esse segredo aos que fossem de muita confiança dela . caso contrário
o rei acabaria descobrindo e colocaria todo o plano em ruína. a cara do rei não se
encontrava muito triste como os outros, mas nos seus olhos saiam chispas de fogo,
demonstrando o ódio que ia em seu coração.

Na hora do almoço, a fada já tinha dado a rainha , o pó mágico que haveria de fazer o
rei dormir até as seis horas da tarde, antes do sol entrar. o mais interessante é que a
fada não aparecia para todos no palácio, e sim para a rainha somente . muitas vezes ela
andava ao lado da rainha conversando com a mesma sem que ninguém soubesse . esse
era um dos segredos das fadas , de ficar invisível para quem elas quisessem.

A rainha foi a cozinha e entregou o pó a um dos empregados de confiança para que


colocasse na comida do rei no momento em que fosse servido. todos estavam sentados
à mesa, muito já tinham comido, quando o rei começou a sentir uma dor de cabeça e
dai a pouco caiu em sono profundo na própria sala de refeições. imediatamente foi
transportado para a sua cama, por que ele estava apenas dormindo como foi
constatado pelos médicos do palácio. a rainha sabendo de tudo mandou que dois
guardas ficassem a porta de seu quarto e que não deixassem ninguém entrar até o dia
seguinte. o rei dormia um sono profundo, ninguém tinha coragem de acordá-lo. afinal
se ele fazia tanta maldade com os outros, por que acordá-lo então? seria melhor para
todos que ele continuasse dormindo por muito tempo ainda. dentro do quarto junto
com o rei se encontrava apenas a boa fada., invisível, tomando conta dele para que
nada de ruim lhe acontecesse. às seis horas em ponto, o rei seria levado para a floresta
encantada onde se daria toda a transformação.

como a rainha viu que parte do plano já estava pronto e que dali a pouco a fada havia
de levá-lo para bem longe dali; ela começou a dizer a todo mundo que no dia seguinte
o rei se levantaria completamente transformado e não seria mais tão ruim como fora
até então. mas ninguém acreditava no que ela dizia. pois como? se durante muito
tempo ele tinha sido o pior rei existente em toda a região. mas ela continuava a dizer :
- esperem até amanhã que vocês verão o que há de acontecer. infelizmente não posso
dizer-lhes de que maneira isto irá acontecer, basta esperar o raia do sol do dia seguinte.

enquanto toda s confusão reinava dentro do palácio com o sono misterioso do rei,
dentro do quarto a fada via que estava na hora de levá-lo para o local onde haveria de
se dar a grande mudança em sua vida. assim que ela viu que o sol já estava
declinando, lançou sua varinha mágica sobre o corpo do rei e foi dizendo as palavras -
rei, rei, rei, vamos passear, bem devagarinho para você não acordar. e os dois
começaram a voar. saíram pela janela, tendo a fada com sua varinha sobre o corpo do
rei para que ele não caísse, e foram voando até sumir. voaram até pertinho do sol.
depois desceram. quando chegaram na floresta encantada, o sol desapareceu. a fada
colocou o rei no meio de uma clareira onde ele ficou dormindo até escurecer. naquela
noite a luz da lua saiu muito mais bonita do que nas noites anteriores . dai a pouco o
rei começou a acordar . e como viu aquela grande quantidade de arvores ao seu lado,
pensou que estava sonhando. como já estava quase na hora da festa começar em
homenagem ao menino, algumas dar árvores vieram trazer comida e água ao rei.
quando ele viu uma arvore lhe oferecendo comida e água, pensou que estivesse louco
ou que estava tendo um pesadelo . algumas delas para fazerem mais medo ainda ao rei
diziam com aquela voz rouca:- boa noite sua majestade. e todas elas se curvavam
diante dele, colocando os seus galhos no chão. mesmo com todo o medo que sentia, ele
comeu a comida que lhe era oferecido, pois dentro em breve pensava que iria acordar.
enquanto isso o menino do alto de uma grande árvore, observava tudo o que acontecia
com seu pai. a lua já se encontrava bem no alto mais ou menos meia noite, era hora de
iniciar a grande dança de árvores.

O rei que se encontrava deitado, pensando que estivesse sonhando,


levantara de medo quando viu as árvores se moverem ao lado dele e dizerem com
sua voz rouca:- agora nós vamos iniciar a grande festa em homenagem ao filho do
rei que se encontra aqui junto de nós. quando o rei viu falar sobre seu filho , que
ele estava ali, sentiu desmaiar de remorso pelo que tinha feito ao pequeno e notou
que tudo aquilo não era sonho, e sim realidade . a festa começou , era um barulho
infernal, no meio da mata. todas a árvores cantavam e dançavam ao lado do rei . ele
se contorcia de grande medo que havia se apoderado do mesmo . queria gritar, mas
não tinha forças para isso.depois de ver desfilar diante dele quase todas as espécies
de plantas da floresta sem nome, ele ouviu uma voz que dizia assim:- senhor rei , se
quiser ver seu filho de cinco anos que você mandou prender dentro da prisão , será
preciso você fazer um juramento a todas essas árvores que estão aqui, e ele
imediatamente aparecerá a seu lado. você concorda com isto? respondeu o rei .-
claro que sim , eu não sabia por que fazia toda essa maldade. eu estava enfeitiçado.
perdoe-me árvore, mãe de todas as arvores, eu juro como nunca mais farei maldade
com mais ninguém deste mundo. assim que o rei acabou de pronunciar essas
palavras, o seu filho que estava vendo e ouvindo tudo lá do alto de uma grande
figueira , desceu e chegou perto de seu pai beijando-o dos pés a cabeça. e o rei
dizia:- perdoe-me meu filho por tudo que fiz a você. e o menino respondeu:- o
senhor sempre esteve perdoado meu pai, eu sabia que o senhor não era tão mau
assim , apenas o feitiço que foi lançado há muitos anos sobre sua pessoa é que fazia
isto, de agora em diante será tudo diferente, falou o rei, toda a minha fortuna será
colocada a disposição dos pobres para que possa fazer do meu reino o paraíso das
crianças. enquanto o rei estava dizendo essas coisas, as árvores pararam de cantar
e dançar para poderem ouvir direito o que ele dizia., ao seu filho,.estavam nesta
conversa quando o menino pediu ao pai para este ir chamar uma pessoa muito
amiga que estava também ali por perto. o menino saiu dali a pouco voltou com a
fada. ela estava iluminada com a luz branca da lua e trazia em sua cabeça uma coroa
de luz. então o menino explicou como que tinha acontecido tudo aquilo, que a fada
tinha sido sua protetora durante todo aquele tempo que se encontrava fora de casa. o
rei agradeceu muito a fada e pediu-lhe desculpas por tudo o que acontecera. o rei
agradeceu muito a fada e como ela era muito boa, disse que não era nada, pois a sua
missão na terra era fazer todo o povo feliz, desde as crianças até mesmo os reis e
rainhas.

Estavam os três conversando, quando as arvores pediram licença para


continuar a festa em homenagem a todas as crianças do mundo. e a festa continuou,
agora com muito mais alegria, pois o rei com seu filho e a fada se encontravam
sentados assistindo a grande festa que continuou até o raiar do dia. todas as árvores
dançaram desfilando diante deles. o rei e o menino ainda estavam surpresos pois
pensavam que as árvores eram imóveis, como eles as tinham visto em outros locais.
o rei também ficou muito contente com a festa e pediu a fada que o levasse para
casa, pois ele já estava sentindo saudade de todos seu reino.

Antes que ele partisse a fada falou com o menino:- meu filho, o que
acabou de ver , foi um privilégio que não poderá mais ser repetido, mas se você
quiser ver as árvores dançar não precisa vir até aqui, quando você estiver com
outros meninos brincando em qualquer bosque ou floresta, não se preocupe, este
espetáculo você tornará a ver. basta que você queira e tenha bondade em seu
coração e todas as árvores dançarão. - adeus meu filho, adeus meu querido rei. e
dizendo isso, pediu aos dois que fechassem os olhos pois tão logo eles tornasses a
abri-los, já estariam deitados na cama do palácio . imediatamente obedeceram e
quando tornaram a abrir os olhos os dois estavam deitados na cama onde o rei havia
se deitado no dia anterior.

Eram seis horas da manhã , já estava quase na hora do sol nascer, quando
foram lá chamar o rei pensando que ele ainda estava com aquele mau humor do dia
anterior. mas verificaram com grande surpresa que estavam todos enganados, pois o
rei recebeu-os muito bem e pediu perdão a todos por tudo que tinha feito de mal a
eles, desde a rainha, sua esposa, até seus empregados e escravos. os outros filhos do
rei vieram para junto dele e a partir daquele dia o rei começou a contar-lhes muitas
histórias todas as noites. desde aquele dia a vida naquele castelo modificou - se
completamente. e os meninos cresceram e viveram o resto de sua infância felizes
até tornarem-se adultos.

naquela noite após contar a história da dança das árvores, o silêncio desceu sobre o
acampamento. não se ouvia mais o crepitar do fogo, todos dormiam a sono solto.
apenas permanecia acordado, sebastião, que ainda não tinha sono. era interessante a
maneira como eles deixavam o acampamento durante a noite, sem a menor
vigilância por parte dos garotos ou mesmo por parte de sebastião que nunca dormia
nas barracas como faziam os meninos. o seu lugar de dormir era sempre no alto de
uma colina ou no pé de uma grande árvore. a única proteção que tinha era deixar a
fogueira acesa à noite toda para afugentar algum animal selvagem. de duas em duas
horas um deles se levantava e vinha colocar mais lenha no fogo para que ele ficasse
acesso até o dia seguinte, era a única preocupação dos meninos.

Sebastião que nunca dormia no acampamento, subia no alto de uma


colina existente perto do acampamento logo após verificar que os garotos já
estavam acomodados em suas barracas. ali chegando, fez a sua prece como de
costume e ficou admirando as estrelas que brilhavam no infinito e era esta a única
maneira dele conseguir toda a resistência necessária para a caminhada através do
campo. apesar de sebastião se afastar do acampamento, nenhum dos meninos sabia
o que ele fazia lá em cima e nem mesmo onde ele dormia. depois de fazer os
exercícios dirigiu-se até uma árvore, subiu a sua copa e procurou se acomodar em
uma rede que havia colocado ali para esse fim. cobriu-se com dois cobertores e
dormiu durante cinco horas seguidas,. quando deu o sinal de amanhecer o dia,
sebastião saiu e foi para o alto da colina onde ficou mirando o sol nascente até a
hora que o mesmo saiu. até hoje nenhum dos meninos conseguiu ver como ele
consegue ficar tanto tempo mirando as luzes do sol sem se pestanejar. muitas vezes
os meninos viam-no naquela altitude de silêncio e contemplação, e não tinham o
mínimo de coragem de fazer o menor comentário a respeito. apenas olhavam
distraidamente para onde ele se encontrava. aquilo era o suficiente para que
demonstrassem o máximo de confiança em seu mestre.

o desfile dos mortos

no dia seguinte , tudo aconteceu como se o mundo fosse novo, não foi feito o menor
comentário sobre o dia anterior e cada um cumpria a sua obrigação em relação ao
campo. naquela manhã o orvalho subia como fumaça tornando branco todo o vale,
quando as luzes do sol batiam nas sua gotas de orvalho, resplandeciam em
verdadeiro arco íris. à sombra da floresta, uma aragem fria chegava a cortar os ossos
da gente . e mesmo com todo esse frio, os meninos tiveram coragem para um
banho no riacho.. o único que estava com medo era o viking que pedia sempre ao
sebastião que segurasse a sua mão com medo i ir para o fundo, ou ser arrastado pela
correnteza. após banho, todo se entreteram o estômago com uma água doce de
rapadura e um pouco de farinha que ainda sobrava dos outros dias . estavam ele
ainda tomando a sua refeição matinal quando viram ao longe uma porção de
urubus que voavam em todas as direções numa distância bem longe do
acampamento . logo imaginaram uma série de coisas. um dizia que era um boi
morto, outro falava que talvez fosse um matadouro que havia ali pois nas cidades do
interior os matadouros são longe das ruas para afastar o mau cheiro. e ainda tinha
alguns que pensavam na possibilidade de haver alguma pessoa morta ali. uma
interrogação pairou nos olhos de todos. tudo para ele era motivo de expectativa,
afinal estavam em contato com a natureza em todo seu esplendor . sebastião disse
que a melhor maneira de descobrirem era ir ate o local e verificar o que realmente
estava acontecendo.

ficou combinado que dois companheiros deviam ficar tomando conta do


acampamento, enquanto sebastião e os outros garotos iam até o local para
averiguarem o que tinha acontecido. sebastião mais cinco garotos partiram
radiantes de felicidade para descobrirem todo aquele mistério. afinal eles iam ter a
primeira aventura no campo. a distância que tinham de vencer era de mais ou menos
de cinco ou seis quilômetros. e o caminho era todo emaranhado em volta do ria que
em determinadas curvas sua correnteza era mais forte fazendo com que os meninos
sentissem medo. a vegetação era rasteira por todo aquele caminho. apenas arbustos
retorcidos e de ponto em ponto uma árvore servindo de abrigo e sombra para o
gado na época da seca. a medida que avançavam, em todas as direções avistavam
urubus que esvoaçavam em volta do local para onde se dirigiam. ao subir um
pequeno morro, puderam vislumbrar o quadro mais dantesco que até hoje puderam
ver em sua vidas. havia caído ali um avião muito grande, que perdera sua rota e
todos os passageiros e tripulantes estavam mortos. era um mau cheiro horrível que
exalava a mais de duzentos metros.- todos mortos. foi a expressão que saia da boca
de todos.- como podia ter acontecido uma coisa dessas sem que nós tivéssemos
ouvido o barulho? perguntou sebastião. mas os meninos que são inteligentes viram
logo que aquele desastre de avião já tinha sido há dois dias, em virtude do estado
de decomposição dos cadáveres. vejam como os urubus estão estraçalhando os
corpos. disse um dos meninos. - è preciso fazer alguma coisa, vamos chegar mais
perto e ver como se encontra. foi preciso colocar lenços no nariz de todos, tal era o
mau cheiro. ninguém ficou para trás. todos chegaram perto. o avião se encontrava
quase todo destruído, e os corpos se espalhavam por uma área de mais de cem
metros. havia ali um total de vinte e oito pessoas mortas. pois os meninos puderam
contar pelas cabaças que iam encontrando, corpo inteiro não era possível contar
devido as mutilações . verificaram que havia dezenove homens , quatro crianças e
cinco mulheres. era preciso fazer alguma coisa, e a primeira idéia que tiveram foi a
de avisar as autoridades da cidade que ficava a uns cinqüenta quilômetros.
sebastião determinou que dois dos meninos partissem em direção a cidade para
avisaras autoridade, enquanto ele e os outros três ficariam tomando conta dos
corpos para que os urubus não os devorassem. talvez as autoridades já estejam á
caminho, mas como vou saber? o negócio era partir naquela mesma hora. se as
autoridades estivessem a caminho eles voltariam junto, caso contrário, deveriam
chegar até a cidade. ao passarem pelo , deviam avisar os dois meninos do
acontecido e dizer-lhes para ficarem ali nos esperando que a tarde viriam para
jantar. os meninos partiram, sebastião e três meninos ficaram tomando conta dos
destroços . o trabalho deles era impedir que as aves de rapina devorassem os corpos.
quem mais trabalhou nessa operação foi lobato que corria de um lado para outro
com a maior facilidade por ser pequeno e por ser atleta de corrida. muitas vezes
via-se uma disputa entre urubus e um de nossos heróis que impediam a todo o custo
que os urubus estraçalhassem mais corpos. realmente era um quadro estarrecedor
para qualquer pessoa humana. principalmente para uns garotos que tinham saído
pela primeira vez de casa. só mesmo os fracos cairiam diante uma situação dessas .
porém como eles estavam junto de sebastião, não tiveram medo, pois o mesmo de
hora em hora falava com eles que era preciso coragem e que somente eles que
estavam ali poderiam fazer aquele serviço. sebastião sempre dizia para os meninos
que aquele dia era o mais importante até hoje na vida de todos ele; pois
afinal,estavam fazendo uma coisa muito importante que faria com que eles fossem
lembrados por toda a vida.

o que estará acontecendo agora com nossos companheiro que partiram para a
cidade? foi a de lobato quando parou um pouco para descansar. mas não teve
tempo de descansar muito pois sebastião mostrou-lhe um urubu que se dirigia em
direção ao corpo de uma criança. e imediatamente ele correu e espantou o urubu,
mas assim que voltou , sebastião lhe disse que devia descansar um pouco,
enquanto isso os dois meninos tratavam de fazer o trabalho. então sebastião lhe
disse que os meninos teriam bastante possibilidade de atingirem a cidade , pois o
rufino que é inteligente e resolverá qualquer problema que surja pela frente.

enquanto isso os nossos companheiro que partiram para cidade já se encontravam


bem longe do local do desastre e estão bem satisfeito da sua missão. afinal estavam
prestando algum serviço e era isso que eles queriam . já tinham vencido quase dez
quilômetros, quando depararam com um grupo de soldados. um dos meninos se
escondeu no meio do mato e o outro ficou na beira da estrada para falar com eles,
caso fossem inimigos, o outro correria até o acampamento e avisaria os outros que
ficaram lá. como os soldados poderiam querer saber o que ele fazia naquela região,
ele procurou assanhar os cabelos, jogou fora os sapatos, posou terra no rosto e
assim poder passar por um menino da região. tudo isso era observado pelo seu
companheiro que se encontrava a uma distância de 20 metros no meio do mato.
nisso os soldados já se encontravam a uma distancia de 50 metros, e o nosso herói
fingindo ser um menino daquela zona , foi lhes dando passagem, chegando para o
canto, quando os mesmos estavam bem perto. quando os soldados viram-no ,
perguntaram se ele não tinha visto alguns urubus voando ali por perto. por esta
pergunta o menino pode observar tratar-se de uns dos soldados que buscavam
destroços do avião. como eram amigos não era mais preciso ter medo. então
respondeu-lhes que ia a cidade justamente para avisar sobre um desastre de avião
que tinham encontrado a uma dezena de quilômetros dali. e que lá já tinham alguns
dos seus colegas tomando conta para que os urubus não estraçalhassem mais os
corpos que lá se encontravam . e que eles poderia servir de guia para eles. então o
menino deu um assobio e o seu colega saiu do meio do mato. quando o sargento viu
sair aquele menino do meio da moita, perguntou de que se tratava. ao que o menino
respondeu tratar-se de um de seus companheiros que estava ali escondidos pensou
que os soldados fossem inimigos. então os soldados riram e disse que agora ele iam
juntos até o local do desastre. junto aos soldados vinha também uma turma de
salvamento formado por voluntários da cidade de esperança. como já sabiam que
não havia sobreviventes, mandaram que dois dos mesmos voltassem até a cidade
para avisar que não havia nenhuma pessoa viva.
eram quinze horas de um dia de sol bem quente anunciando uma noite fria. o
trabalho de remoção dos corpos deveria começar ainda aquela noite. eles traziam
redes onde seriam colocados os corpos para serem levados à cidade mais perto que
era a cidade de esperança a cerca de vinte quilômetros. chegaram ao local do
desastre já quase noite. sebastião e os meninos mudaram a acampamento para perto
do local do desastre. estavam todos descansando de um dia árdua de trabalho e a
noite caia mansa , fúnebre e triste.

a turma de salvamento deu início a remoção dos corpos até as oito horas da noite,
não podendo mais continuar por causa do frio. ali mesmo os soldados armaram
acampamento. grandes lampiões foram acessos e depois de colocar guardas nos
quatro cantos do acampamento. todos foram dormir . sebastião e os meninos
ficaram também observando o movimento dos soldados e depois se recolheram.

no dia seguinte á seis horas da manhã já tinham reiniciado o trabalho de remoção


dos corpos. eram mais de cem homens trabalhando no local fúnebre. ao meio dia
em ponto, já tinham terminado toda a remoção, colocando os corpos em sacos ,
esteira e até mesmo em caixões pequenos. imediatamente saíram em direção à
cidade que ficava a quinze quilômetros.

As primeiras luzes do sol já começavam a surgir no horizonte . a


princípio apenas uma nesga de luz branca , amarelada, depois foi
aumentando lentamente até se tornar claro. antes que o sol saísse ,
para os homens rumo à cidade de esperança em cortejo fúnebre,
levando vinte e oito corpos do avião sinistrado. naquele dia tudo correu
como se assistisse a uma cerimonia macabra. o sol saiu claro e
radiante , mas tão logo viu pelo campo a cerimônia da marcha fúnebre,
tratou-se de esconder -se por entre as nuvens, dando ao dia um
ambiente triste. os urubus ainda voavam sobre o local do desastre a
procura de algum resto de cadáver . naquela manhã nem os pássaros
vieram saudar o novo . todos fugiram com medo do cortejo fúnebre,
como se morte fosse a única coisa desagradável da vida. cinco
meninos marcharam bem a frente do cortejo a fim de comunicar o povo
da cidade. enquanto isso sebastião e os outros meninos iam juntos ao
cortejo, que naquela manhã fria de julho, passeava pelos campos
cobertos de orvalhos.
Sebastião ao passar pelos campos que acamparam em noites
anteriores, lembrava juntamente com os garotos, aquelas noites
sentados à beira do fogo, contavam história e sonhavam um dia edificar
os seus ideais. lembravam todos os sonhos mais variados possíveis. e
agora a sombra da morte rondava a vida, à sombra de um sol que não
saiu. que força misteriosa é essa que envolve o espírito do homem?
porque será que nunca chegamos ao fim do nosso ideal? - oh, como a
tristeza se abate sobre mm. e o meu espírito na maior confusão
contempla a morte desfilar pelos campos afora. e ele continuava a
cismar... viver , morrer ? qual a grande diferença? se a maioria
daqueles que carregam os corpos não sabem por que vivem. quem
diria que há duas noites passadas , nós brincávamos alegres por
esses mesmos campos onde agora, silencioso como um sepulcro,
nós fazemos a morte desfilar ao nosso lado? será que todos os planos
foram desfeito?
assim ia pensando sebastião e talvez os outros meninos também pensavam, pois eles
estavam muito calado, quando as nuvens começaram a formar no céu imagens,
como que nos dando um aviso. podemos nós acreditar na visão fantástica do nada
que descreve diante nossos olhos as mensagens das nuvens? esses eram a multidão
de pensamentos que sebastião pensava enquanto caminhava no meio dos homens
que conduziam os caixões com destroços humanos em meio ao mais fúnebre
silêncio.

descansavam de meia em meia hora. o caminho era tortuoso e cheio de pedras.


parecia que após uma curva nós encontraríamos o fim da estrada anunciando a
cidade, mas não era assim. depois de uma curva, surgia um caminho que era longo e
parecia não ter fim. as montanhas ao longe, cobriam-se de nuvens escuras,
inspirando o culto dos mortos que desfilavam pelo campo. os pássaros não
cantavam como nos dias anteriores em que os meninos ali brincavam. estavam com
medo dos homens que palmilhavam seus caminhos. no primeiro dia conseguiram
vencer somente vinte quilômetros. à noite acenderam grandes fogueira e ali mesmo
ao lado dos mortos deitaram-se para descansar até o dia seguinte.

no dia seguinte marcharam mais de 10 quilômetros carregando os


corpos e, na estação já estava o trem aguardando os corpos para
serem enviados para a cidade de esperança. - depois que tudo foi
colocado no vagão de carga do trem, os meninos e sebastião entraram
no carro de passageiro com poltronas e sentavam aguardando a
partida do trem com a carga fúnebre o trem partiu, a princípio
devagarinho, depois ganhou mais velocidade. enquanto o trem corria
cortando as montanhas e morros que lhe parecia a frente, sebastião
despejava os olhos para a paisagem que corria pela janela do
comboio. admirando as flores e as folhas dos pé de
mamonas,mergulhava o seu espírito na mais completa meditação.
porque estavam eles naquele trem? que fizemos nestes últimos dias
de acampamento? estaremos nós vivendo uma vida cheia de ilusão ?
não é isto que eu quero pensar, e sim coisas bem diferente que não
sei explicar. hoje não consigo centralizar o meu pensamento numa
coisa firme como naquelas noites de campo onde eu inventava história
umas atrás da outra. será que a loucura está tomando conta do meu
cérebro? não, isto também não pode ser. sinto como se tivesse a
força total do universo. nos meus? será que estou tão forte assim
como digo estar?
tudo isto ia pensando sebastião enquanto os garotos dormiam a
sono solto aproveitando o balanço do trem também o sono foi
chegando ao chefe, era assim como os garotos chamavam e ele
acabou dormindo e dormiu. no sono sonhou que tinha voltado à sua
infância . tinha então cinco anos de idade quando ainda morava lá em
passabém. seu pai está carpinando roça até as seis horas . de repente
passa pela estrada os caçadores o convidas também para ir com ele:- “
como é seu mané o sinhô não vai caçá com a gente ?” “-pois é , hoje
eu não posso ir porque preciso terminar um pedaço de terra que
precisa ser limpo “ tá bem, entonce , inté minhã” . os caçadores
partiram e o sr manoel permaneceu no trabalho por mais meia hora.
sebastião que contava cinco anos de idade mal feitos já ajudava o seu
pai juntamente com seus irmãos mais velhos.
era um total de 6 meninos e 4 meninas dentro de casa. as meninas
por sua vez ajudava no trabalho de casa juntamente com sua mãe :
naquela tarde , quando o sol já havia se posto no horizonte, viram
umas pessoas pelo caminho que divisava as terras do sr manoel com
a estrada: imediatamente o nosso amigo se dirigiu para ele tratava. o
sr nem imaginava o que foi que aconteceu , o sr se lembra do filho da
marocas ? aquele que é meio doido ? pois é ele sumiu de casa hoje
de dia e até agora não foi encontrado.
o filho de dona marocas era chamado de jorginho e muito conhecido
pelo povo daquela vila. era uma espécie de menino que todos
zombavam : chamavam-no ; o que fazia ficar mais furioso ainda.
desde pequeno que o jorginho era meio abobado, por ter sofrido uma doença muito
grave : não morrera . “ mas ficou doido” como dizia o povo. certa vez burlou a
vigilância da mãe e dos irmãos e fugira de casa . Foi procurado por todos durante o
dia sendo inútil a busca.

Naquela noite a vila ficou em desespero. . Eram homens á cavalo


procurando o menino por toda a parte. No dia seguinte caçadores saíram bem cedo
para a caçada matinal, ainda estava bem escuro quando passando por um caminho
depararam com um vulto mexendo no meio do mato. Com a ânsia de levar para a
casa a caça do almoço daquele dia , não se lembraram do menino que havia fugido
de casa na véspera. Fizeram pontaria e atiraram: Em seguida ouviu-se um grito de
dor . Era o Jorginho que estava deitado no meio da mata. Os dois caçadores
correram para perto do menino e com desespero viram que tinham atirado no filho
de dona Marocas. Que seria daquela pobre criatura dali pela frente? O menino não
morrera, levaram-no para o hospital da cidade onde ficou muito tempo tratando do
ferimento recebido. E como havia recebido um tiro na cabeça ficou com uma parte
do corpo paralisado: Só conseguia andar com uma perna pulando feito saci.

Era um menino já com quinze anos, e agora acontecia aquilo. Fugira de casa,
se arrastando pelo meio do mato , sabe lá deus como ‘ se pelo menos ele morresse
acabaria com o sofrimento de dona marocas” era o que dizia uns já outros diziam
que era castigo pois sua mãe fora muito perversa para os seus escravos.

Estavam todos na porta da venda discutindo a vida do menino quando surgiu


um rapazinho dizendo que o jorginho estava morto no rio mordido por uma cobra
cascavel.
Ao pronunciar a palavra cascavel Sebastião que dormia e sonhava, acordou
rapidamente pois o trem estava chegando ao seu destino . Era finda a primeira
viagem de experiência com os nossos heróis. Dali por diante teríamos de esperar
. a primeira viagem havia terminado. Aquilo foi o início. O fim seria maravilhoso.

Outro acampamento

Eram 13 horas . as nossas sombras já começavam a caminhar para o oriente. O


Sol , que não estava muito quente por ser inverno, mostrava-se vermelho como um
tomate. Falei com todos os meninos: - Vocês estão vendo aquela serra que parece
encontrar com o azul do céu? - Estamos vendo sim , responderam todos . Pois é ali
em cima que nós vamos . Portanto tratemos de caminhar pois a viagem é longa.

Á nossa frente uma porteira que dividia a cidade com o pasto . Além do pasto só
avistamos os caminhos primitivos feito pelos pés dos animais e dos homens que
por ali passavam . Com o Barros á frente seguimos “ a coluna por um’’ . a princípio
eles conversaram sobre os mais variados assuntos ; depois o silencio foi
quebrando á medida que o cansaço da caminhada chegava. sabendo que tinham dez
dia para andar , era preciso aprender a andar en silêncio, só assim evitava o cansaço.

De um lado e de outro do caminho só grama rasteira. hora por outra um curso


dágua atravessava a nossa frente, onde os animais saciavam a sua sede, e á
margem dos mesmo florescia lírio do campo e ‘’ chapéu de couro’’. chapéu de
couro é uma planta medicinal que serve também como chá adoçado com mel.

depois de andarmos seis quilômetros vimos na nossa frente uma


coisa muito grande que se movia a uma distancia de 500 metros.
paramos para afirmar a vista, e só quando a mesma já estava bem
perto , notamos que era uma grande boiada. ela estava sendo trazido
pelos vaqueiro , que de longe já houvemos seus gritos.
diante daquele espetáculo todo os meninos pararam e começaram
a observar . só então eu lembrei que podia haver boi bravo ali no meio
daquela boiada. imediatamente sebastião deu ordem aos meninos
para que se misturassem no meio dos arbustos, e ficassem imóvel o
mais tempo possível pois ele já observara que alguns bois já estavam
de orelha em pé à procura de alguém para atacar .
assim fizeram. cada um se escondeu o mais depressa como pode por detrás da
árvores. e sebastião lhes disse ainda que se algum touro chegar perto de vocês
não tenham medo e nem corram procurem fitar-lhe bem nos olhos e não serão
molestados.

porém o viking que é o mais novo , com apenas nove anos de idade, tremia de
medo como uma’’vara verde’’ e dizia para sebastião: - eu tenho medo do boi me
pegar, deixa eu ficar perto de você.—não precisa ter medo respondeu sebastião faça
como eu lhe disse: -- fite-o bem nos olhos e não se mova. por via das dúvidas fique
aqui perto de mim que eu lhe ensinarei como fazer. como os meninos estava atrás
do arbusto e sem se mexer. os animais passaram bem perto deles sem vê-los. mas
quando passou perto de viking , ele se moveu tanto que chamou a atenção de um
touro preto. sebastião viu que era ora de fazer a prova com o menino e disse bem
baixinho para ele:- calma viking, tenha coragem e tudo sairá bem . segure na minha
mão e na hora que o boi estiver bem perto faça o que eu mandar. assim fizeram , e
o touro veio se aproximando cada vez mais do dois amigos e bufava pelas narinas
‘’incendiadas’’ . nisso o nosso amigo falou no ouvido do menino:- é agora. olhe
bem nos olhos dele , assim como eu estou fazendo, mesmo se o boi chegar perto
não faça nada, nem um movimento. o touro foi chegando devagarinho até uma
distancia de dois metros deles. sebastião não tirava os olhos do touro. neste
momento a mão do menino foi se largando aos poucos até soltá-la por completo.

logo após chegou um vaqueiro preocupado com os dois e falou:- pensei que o touro
tivesse atacado vocês , pois ele ´s o mais bravo da boiada- mas acontece que ele
teve medo de nós, respondeu viking, não é sebastião?? é verdade sim. nós estamos
treinando todos estes meninos que o senhor está vendo aqui, para um dia eu
mostrar a ele uma grande caverna. e o bom moço simples com era , disse que
aquelas terras que estávamos passando pertenciam ao coronel. josé batista e que
ele ficaria muito satisfeito se nós fossemos à fazenda dele. e sebastião perguntou:-
o senhor trabalha para ele há muito tempo? - ah moço, respondeu o vaqueiro ,
desde menino que eu ando por estas bandas. fui criado no pé daquela serra que se
avistava daqui. neste meio tempo todos os meninos já se encaminhavam perto de
sebastião a escutar a conversa de vaqueiro. todos estes meninos são da cidade?
perguntou o nosso amigo.Sim, nós som de Itabira e estamos fazendo uma excursão
de 10 dias. depois de bem treinados subiremos em todas as montanhas de nosso
Brasil, só assim encontraremos a nossa Caverna . e o nosso amigo respondeu: -
olha , se todos os meninos da nossa terra tivesse uma educação como esta que o
senhor esta dando a eles, nós teríamos uma pátria bem melhor não sofreríamos tanto
como temos sofrido depois que passamos o ano 2000. veja vocês, meus amigos, eu
nasci no ano 2010 já tenho 35 anos e até hoje não aprendi a ler nem escrever.
porém mesmo assim eu me sinto feliz porque durante toda a minha vida passei junto
a mãe natureza, e vocês meus meninos , aprendam bastante porque a natureza é
sábia em tudo. porém ela dá o prêmio e o castigo. e vocês aprendendo a dominá-la
poderiam amostrar ao nosso povo , que debate nas trevas da ignorância , o caminho
que devemos seguir , nós vaqueiros não temos o mesmo direito de reclamar das
injustiças.

Como o cavaleiro notou que os que os seus companheiros já iam longe


com a boiada e rematou dizendo ;- “há de chegar o dia em que teremos uma vida
diferente, mais justa’’ dizendo estas palavras , partiu apressadamente para juntar-se
à boiada que já ia bem longe. aquelas palavras soaram como uma advertência .
Vimos naquele pobre vaqueiro uma triste lembrança de um passado que não será
perdoado pelo futuro. Todos nós temos fé em algumas coisa , mesmo dizendo que
somos incrédulos. temos fé em nós mesmo de conseguir vencer todas as
dificuldades interposta em nosso caminho. este pobre que nos deixou neste
momento não sabe nem ler nem escrever , e no entanto pode dar uma lição de
sabedoria em muitos ‘’ letrados’’. podemos ver estampado em seu rosto o símbolo
da miséria e da desgraça, mas vimos também uma demonstração de fé e coragem.
tudo isto ia passando pelo cérebro de Sebastião : quando de repente ele falou bem
alto:= Olá pessoal vamos descansar um pouco aqui embaixo destas arvores? Foi
nesta hora, então, que os meninos lembraram de perguntar ao Sebastião porque foi
que o moço que nasceu em 2015? Não compreendemo, pois ainda estamos no ano
de 19 91? Bem esta é uma história que nem eu entendí.

Mas aquela boiada passou um susto danado em um menino que está perto de mim .
falou assim piscando os olhos para a meninada. o viking que vinha segurando na
mão de sebastião notou que as palavras do seu amigo era para ele e disse:- mas
vocês viram como o touro chegou perto de mim e voltou com medo de mim todos
caíram numa gargalhada e foram sentar a sombra de uma grande arvore, beberam
água , comeram rapadura . e viram que o sol ainda estava muito alto. podiam
caminhar os caminhos incertos que haveriam de aparecer nas suas vidas. logo à
frente avistava-se uma campina verde ondulada batida pelo vento que sumia de
vista no horizonte , tendo ao fundo o alto da serra com a cabeça ‘’ enterrada’’ nas
nuvens. ao lado era a floresta que limitava o pasto do gado.

de ponto em ponto levantava uma casa de cupim servindo de esconderijo para todo
o tipo de réptil.todos estavam calados e caminhando . quando o rufino começou a
dizer:- ali quem me dera viver aqui sempre acampado nesta campina, sim, era o dia
inteiro correndo pelos campos, subindo pelas arvores, tomando banho de riacho. é
respondeu rufino, nós seriamos os meninos mais felizes do mundo. pelo menos a
gente não estudava o dia inteiro e nem tínhamos de andar vestido de calça, sapato e
camisa. teríamos como companheiros inseparáveis .. os cavalos, os bois, as vacas,
os pássaros e toda a natureza se manifestaria como nossa protetora:- mas já que não
podemos viver toda a vida aqui, pelo menos devemos ficar satisfeito por poder
passear de quando em quando aqui pelos campos. quem me dera que a gente nunca
crescesse.

iam comentando estes e outros aspectos da vida do campo,


quando passou perto de nós um gavião que trazia no bico um bem -te-
vi quase morto e passou em cima de um cupim todos correram para
acudir o pássaro que já dava os últimos suspiros. com a nossa
aproximação o gavião ganhou altura deixando a pobre vítima quase
morta no chão. tentamos salvá-lo mas já era tarde . o passarinho
morreu nas mãos de lobato que ficou muito triste.
como é misteriosa e estranha morte, até mesmo de um pássaro,
ninguém ousa tocar de frente a grande realidade. tudo foi razão para
os meninos apresentarem uma fisionomia de tristeza. todos os meninos
reuniram um círculo e fizeram o enterro do pobre passarinho. o rufino
abriu uma cova com uma pá, o florisvaldo fez uma cruz e colocou em
cima, os outros meninos cataram pedra e fizeram um círculo em torno
da sepultura da pobre vítima da natureza.
terminado o sepultamento apenas a cruz e o círculo ficaram para
trás como símbolo de um ser que um dia voou, correu, comeu e
morreu. já caminhamos um bom pedaço após a ultima parada,
quando sebastião observou que todos estavam calados pensando que
não sabemos o que ,talvez já cansados daquele primeiro dia de
caminhada ou então quem sabe? pensando na lição que acabavam
de receber sobre a lei da natureza . a morte daquele animal, por
pequeno que seja, pode ter um grande significado para ao menos ter
aprendido: todos esses meninos que nunca saíram da cidade , só ao
lado do protecionismo dos pais e da civilização e tudo que é artificial,
sem pelo menos ver como nasce um bezerro ou um cavalo; ao
primeiro impacto das leis da natureza sentem-se completamente
estarrecido pelo que acabaram de presenciar.
ninguém absolutamente ninguém dizia nada. nem pelo menos
assobiavam. caminhávamos sem cessar. através dos campos, através
dos campos dos caminhos tortuosos incertos não acabavam nunca.
diante dos nossos olhos víamos o trilho feito pelos pés dos homens
sempre aparecer após uma curva, sempre desconhecido e incerto
como são os caminhos daqueles que debatem na estrada do ideal. a
nossa esquerda víamos montes de pedras de onde saiam correndo as
lagartixas. verdadeiros despenhadeiros confundia se com o inferno,
de tão fundo que era e nos dava calafrio e à direita o mato verde.
que descortinava através de nossos olhos. e nós caminhávamos
sempre naquele silêncio terrível. só a voz do vento e dos insetos
confundia nosso ouvido . e a medida que nossa sombra aumentava na
terra víamos que era hora, ou estava bem perto da hora que devíamos
acampar.
nós acamparemos após esta árvore perto de uma fonte , falou sebastião. ali
estaremos abrigados do vento que sopra muito forte nesta região. assim fizeram
chegando ao local apropriado , deram início a instalação do acampamento. enquanto
três deles arrumaram as 2 barracas, os outro quatro buscavam água e prepararam a
cozinha. cercaram o campo como medida de prevenção contra animal . que poderia
rondar as barracas à noite. o fogo e o local da fogueira foi protegido da mesma
forma.

nesta hora de instalar o acampamento os garotos já conversavam e cantavam


alegremente. talvez pelo simples prazer de saber que pela primeira vez dormiriam
fora de casa em uma barraca de lona semelhante aos ciganos, como sebastião ficou
contente em observá-los na espreita de uma arvore. todos , sem faltar um,
trabalhavam ativamente para deixar o acampamento em ordem o mais breve
possível . e isso para o sebastião era motivo de alegria saber que todos os meninos
estavam satisfeitos.

eram 16:30 oras . e no acampamento as barracas já estavam armadas, todo o


material protegido das intempéries da natureza, no fogão, feito de duas pedras, já
saia fumaça onde seria preparado o jantar daquela noite um monte de lenha estava
ali ao lado preparado para o frio da noite.

enquanto alguns meninos colhiam informes sobre a natureza local, os outros


preparavam o jantar. rufino e lobato eram os dois cozinheiros daquele acampamento
e fazia a na mais estreita medida para não faltar para os outros dias.

uma nuvem de fumaça subia ao céu que estava azul e claro. o sol porém , já se
escondia por detrás das montanhas, e após um breve descanso, fizemos no campo
ao ar livre a nossa primeira refeição do dia que era sopa de macarrão com tomate,
cebola e caldo de galinha como não tínhamos café foi feito chá com folha de
‘’chapéu de couro’’ adoçado com mel de abelha para ser servido à noite.

a tarde ia morrendo lentamente no céu não mais víamos as aves as moitas de capim
já começavam a formar vultos misteriosos com a sombra da noite. e na mata
ouvíamos um triste chorar do noitibó com todos os meninos sentados ao redor da
fogueira, começamos incessantemente a olhar para o firmamento e eis que
inesperadamente avistamos as primeiras estrelas. já podíamos considerar noite.
neste momento começou a nossa brincadeira. cantavam, tocavam gaita, , flauta e
até uma viola apareceu, era o lobato que tocava arranhando. cada um procurava
expandir na mais sadia das diversões. um número de gaita, outro de sanfona, uma
canção e assim fomos até as 22 horas, quando a noite fechada e escura, aparecia
apesar das luzes da fogueira e dos lampiões a iluminar o acampamento. como
guarda apenas rex, um cachorro policial trazido pelo elmo. para o firmamento e
pudemos ver a beleza do céu com milhares e milhares de estrelas, saímos m pouco
de perto das luzes para que as mesmas não ofuscassem as nossas vistas e sebastião
ia explicando o nome das constelações:- aquela lá é o cruzeiro do sul, o que vocês
chamam de três marias é a cinto do sr orion da constelação de orion lá esta a
constelação de navio a do escorpião e muitas outras. e por falar em escorpião disse
sebastião vou contar para vocês a lenda de como apareceu a constelação de
escorpião. vocês querem ouvir? - claro que sim responderam todos , qual o menino
de 11 ou 12 anos que não gostaria de ouvir uma estória contada em plena noite de
acampamento???

_- pois bem vou contar para vocês como apareceu a constelação de escorpião
sebastião ajeitou melhor o cobertor que lhe cobria as costa por causa do frio,
colocou mais alguns galhos de lenha no fogo, bebeu alguns goles de chá e depois
de olhar bem as estrelas que coalhavam o céu e começou a dizer.

ro as alaão o deus dos meninos

ha´ muitos e muito anos passados, ao sul da serra da mantiqueira, existiu uma tribo
de índios que viviam em pleno contato com a natureza. era uma tribo de homens
valentes que freqüentavam a natureza hostil em todo seu real aspecto. eles tinham a
cor da pele toda bronzeada pela luz do sol que ardia em todo o verão. sua
principal atividade era a agricultura, caça, pesca e a fabricação de objetos de
cerâmica.

apesar deste povo viver em semi primitividade, havia do outro lado da montanha
uma outra tribo de cor branca que já tinha um grau de civilização adiantado em
relação a outra, pois eles já possuíam cidades casas de pedra, templos, escolas, e as
ciências, como a matemática e astronomia já eram estudada por seus sacerdotes,
assim como a química e a anatomia dos animais.

mas a tribo de cor bronzeada, que estava mais acostumada a


viver em contato com a natureza, tudo fazia para que a felicidade
reinasse entre eles. suas crianças eram levadas para a escola de caça
e pesca desde que completassem cinco anos de idade, já aprendiam
todo o segredo da selva assim como a se defender da melhor maneira
possível contra os animais ferozes. o período de aprendizagem ia até
os dezessete anos de idade e quando se encontrava em atividade
suas dormidas eram feitas em cavernas na montanha. as crianças que
participavam dessa escola viviam muito felizes por ter sempre ao seu
lado o índio mais forte que lhes ensinava a se defender de todos os
perigos. havia naquela região muitos rios , lagos e cachoeiras. a
vegetação era intensa que proporcionava frutas e mel silvestre.
certa vez um menino de cento e vinte luas, fazia sua prova pelo alto
das montanhas sozinho, pois as provas eram feitas sem a companhia
do índio mais forte. depois de andar muitos dias, não mas encontrou o
caminho de casa . quando viu que era difícil voltar para a casa sentou
em cima de uma pedra, pois de nada adiantaria chorar nem gritar. só
a sua coragem e inteligência poderiam mostrar-lhe o caminho de casa.
sobre esta mesma pedra puai deitou e dormiu. e no sono, sonhou que
tinha encontrado a mais linda criatura do céu do céu que lhe dizia ‘’’:
puai você é o menino escolhido para salvar o meu povo. acorde e
você verá em cima da pedra , o deus dos meninos o deus alaâo:
acorde puai, acorde puai”” quando ele acordou aquelas palavras ainda
sopravam em seus ouvidos. pensava ele que tivesse tido um grande
pesadelo. já era bem tardinha, o sol já havia rolado para baixo das
montanhas, havia finado mais um dia .
de repente uma luz branca que chegava a ofuscar os olhos
começou a descer do alto e parar em cima de uma pedra a poucos
passos de onde se encostara puai. o nosso herói ficou um pouco
assustado, mas imediatamente lembrou-se do sonho que tinha tido há
pouco e esperou firme. a luz branca foi tomando a forma de um corpo
humano e começou a chamar o nosso menino pelo nome: ‘’ puai .
venha até aqui que eu preciso falar com você . não tenha medo, eu
sou alaâo o deus dos meninos do mundo inteiro. . puai . ao ouvir
aquelas palavras, lembrou do sonho em que aparecera a figura
angelical e começou a caminhar para onde se encontrava o deus que
ali diante dele , resplandecia como a luz do sol. o deus alaâo vestia
uma túnica vermelha bordada com fio de ouro. em sua cabeça não
havia coroa mas sim um ramo de oliveira. ao chegar bem perto puai
disse: -’’você parece com a pessoa que me apareceu em um sonho
que tive há pouco’’. - “” sim , sou eu mesmo, disse alaâo. eu sou o
deus de todas as crianças e quero construir aqui em cima desta
montanha o meu reino . nele só entrarão meninos e meninas. todas as
crianças do mundo morarão aqui onde poderão brincar o dia todo em
meus bosques encantados. ‘’ o senhor tem muitos bosques
encantados ?’’ perguntou puai. - ‘’ se tenho ? é só você segurar nas
minhas mãos e nós voaremos em todos eles. ‘’ assim fez .puai
segurou as mãos e os dois começaram a voar . não voaram muito alto
, para que o menino pudesse observar a beleza da floresta. era só
selva virgem. as arvores muito grandes cheias de flores como na
primavera. por baixo das arvores , a verde grama onde pastavam
todos os animais do reino. e o que havia de mais interessante é que
todos os animais viviam na mais perfeita amizade sem brigarem uns
com os outros. em todo o recanto do bosque havia um lago sagrado
onde todos os animais podiam banhar-se juntamente com todos os
meninos que viessem morar ali . e o deus alaâo ia explicando : ‘’ aqui
será o lugar onde construiremos o nosso reino, mas para isto, eu
preciso de sua ajuda. você está disposto a ajudar? ‘’ - ‘’ claro que sim ,
respondeu prontamente puai. diga o que tenho que fazer e
imediatamente farei “- ‘’ pois preste bem atenção ao que vou lhe dizer
: - lá embaixo no outro lado da montanha existe uma cidade muito
grande. nesta cidade tem muitos templo. e no templo principal está
guardado o escorpião sagrado que pertenceu ao meu povo quando eu
vivia na terra. ele foi roubado por aqueles habitantes que assaltaram a
nossa cidade a muitos anos. è neste templo que você deve ir e retirar
de lá o escorpião sagrado ao chegar ao templo você deve burlar a
vigilância dos guardas e levá-lo para sua aldeia e depois traze-lo até a
mim : no templo há uma passagem secreta que leva ao fundo do rio
que corre ao lado da cidade. esta passagem está situada a quinze
passos de onde se encontra o escorpião à direita. porém para abri-la
você precisa de uma palavra mágica; guarde a bem : ‘’apetecapa ‘’. o
escorpião é do tamanho de um lobo, em suas patas existem umas
lentes que se forem colocadas uma de encontro da outra de tal
maneira que a luz do sol passando por elas e venha de encontro a
uma distancia de dois metros , toda pedra que for colocada no
encontro dos raios refratados será transformada em ouro
instantaneamente. ‘’ assim ia dizendo alaâo.’’ é com este ouro que
construiremos aqui em cima desta montanha o reino que será a morada
de todas as crianças do mundo. ‘’ puai ouvia atentamente as palavras
ditas pelo alaâo sem perder nenhuma das explicações. assim que
ele terminou de falar o menino pediu que mostrasse o caminho de
casa . e alaâo chamou um de seus melhores servos que era um dos
gaviões para que levasse o menino para a sua tribo. assim que a ave
apareceu puai montou em cima de seu dorso e esta voou até perto
de uma arvore deixando lá o menino puai, o gavião retornou ao reino ,
ou melhor, ao bosque onde seria construído o reino dos meninos.
em sua tribo todos já o procuravam há dias. não estavam muito preocupados, pois
sabiam que qualquer menino seria capaz de vencer todas as dificuldades que por
acaso lhes aparecessem. mas quando viram que ele já estava de volta, todos
correram em sua direção procurando saber o que havia acontecido com ele.

puai não contou a todos o que tinha lhe acontecido, mas só a


alguns meninos de sua idade que eram seus melhores amigos. e
assim foi dizendo puai, depois de contar-lhes toda história do deus
alão ; ‘ é preciso que vocês me ajudem a retirar de lá daquela cidade
o escorpião sagrado que eles roubaram da família de alaâo quando
vivia na terra. - ‘’ - ‘’ pode contar com a nossa ajuda’’, responderam
todos, ‘’ nós também não queremos mais viver aqui em companhia
dos nossos pais, pois eles estão ficando guerreiros e só pensam em
brigar com as outras tribos . aquela paz que existia aqui entre nós há
muito que ela desapareceu’’.
e assim fizeram. combinaram tudo e dai a uma lua partiram puai
e seus companheiro para a tal cidade onde haveriam de retirar de lá o
escorpião sagrado. a cidade era do outro lado da montanha.
gastaram três dias para chegar até as bordas da cidade. a cidade não
era muito grande como eles pensavam, mas era muito bonita, situada
num vale onde corria um rio muito grande de águas cristalinas. do alto
de um morro conseguiram descobrir o templo que guardava o
escorpião. era aquele o maior de todos bem no centro da cidade.
como retirar de lá o escorpião de vidro se o templo era vigiado
noite e dia? cada um dos meninos deu sua opinião como deveriam
agir. puai escutava-os atentamente e depois falou: - ‘’ será melhor
ficarmos aqui do lado de fora da cidade e só entrarmos lá no dia da
cerimonia. ‘’ escolheremos um para ir até a cidade e procurar,
disfarçadamente, saber o dia da cerimônia. assim que o escolhido
partiu para a missão secreta, os outros meninos ficaram escondidos no
meio da floresta se alimentando de frutas. na noite seguinte voltou o
emissário trazendo a notícia de que a cerimônia seria daí a três dias.
então puai combinou: - ‘’ eu entro no templo com três de vocês e nos
misturamos no meio do povo. quando terminar a cerimônia nos
escondemos no templo e, quando todos saírem, tiraremos o escorpião
e fugiremos pela porta secreta. dois de vocês devem nos esperar com
uma canoa em cima do rio mais ou menos perto daquela pedra onde
vamos sair.’’ . e o resto dos outros meninos, que eram cinco ficariam
bem embaixo do ponto de encontro do rio afim de que vigiassem
caso alguém se aproximasse.
e desta maneira tudo foi feito. no dia marcado para a cerimônia lá
estava puai e os seus companheiros misturados no meio do povo
vestidos de acordo com a moda do local para que ninguém
desconfiasse. passaram uma tinta branca no rosto para que ficasse
igualzinhos aos outros meninos. e lá já estavam nossos heróis dentro
do templo observando tudo que era interessante.
o templo de mármore verde bordado com fios de ouro e prata o altar principal,
onde ficava guardado a figura sagrada, era também de ouro e pedras preciosas. no
templo não tinha bancos para sentarem, pois todos sentavam no chão. era
verdadeiramente grande a multidão que se aglomerava ali para ver a mais
prodigiosa obra da natureza. puai e seus companheiros , como eram pequenos
procuraram ficar diante de todo povo para melhor apreciar a cerimônia.

na hora apareceram dois sacerdotes vestidos com roupas de seda bordada a ouro e
prata. atraz deles vinham quatro meninos também vestidos da mesma forma, e
cada um estava carregando uma pedra muito pesada que quase não agüentavam.
quando os sacerdotes apareceram todo o povo curvou-se no chão colocando a
cabeça na ponta dos pés. depois todos sentaram no chão com as pernas cruzadas. os
sacerdotes caminhavam vagarosamente ao altar onde se encontrava guardado a
mais valiosa obra de todos os tempos. foi aberto o altar com uma chave de ouro.
pela primeira vez puai e seus companheiros viram aquilo que durante muitos anos
pertenceu ao deus alaâo . realmente era uma obra de arte toda aquela peça de
vidro. era o formato de um escorpião medindo mais ou menos oitenta centímetros;
em suas patas haviam as lentes.. eram oito lentes , uma em cada pata, nas pernas e
em todo corpo havia rubis e pedras preciosas h que resplandecia a luz do sol , os
sacerdotes com toda cerimônia carregaram o escorpião, colocando -o em cima de
uma pedra de mármore branco que já se encontrava no lugar determinado para este
fim, que já estava devidamente inclinada no lugar , onde , ao meio dia a luz do
haveria de passar através de um buraco no teto do templo e bater justamente nas
lentes e refratar mais além em cima as pedras e transformando-as assim em ouro
maciço.

enquanto os sacerdotes procediam a cerimônia o povo acompanhava com os olhos


completamente perplexos diante aquele acontecimento. era interessante ver como eles
trabalhavam bem devagarinho em todas as suas ações. as lentes foram colocadas umas
superpostas às outras de tal maneira que quando a luz do sol batesse em uma passaria
por todas as lentes. foi preciso inclinar um pouco a pedra para que melhor se
adaptasse às condições de sol que dai a alguns momentos transformaria em oupedras.
já se podia ver o sol que caminhava lentamente e o povo acompanhava com olhos
na fixos naqueles movimentos. assim que a luz refratada bateu na primeira pedra esta
se transformou imediatamente em ouro. o sacerdote a tirou e a mostrou ao povo. e
este tomado como de um acesso de loucura, abaixava a cabeça até aos pés repetidas
vezes saudando o grande escorpião . quando a última pedra foi transformada em
ouro, todo o povo ficou em pé numa gritaria ululante como tomados do acesso
demoníaco.

enquanto estavam naquela confusão de acessos de loucura, puai


e seus colegas procuraram esconder-se debaixo do altar. ficaram ali
escondidos até que a ultima pessoa saísse do templo. já era bem
tarde e começava a escurecer. puai verificou que não mais havia mais
ninguém no templo, começaram a agir. puai seguiu até o altar onde se
encontrava o escorpião . enquanto um dos colegas vigiava a porta,
outro media os quinze passos à direita até encontrar a porta secreta. ali
encontrou uma porta de pedra quase igual a parede era preciso muita
observação do contrário passaria desapercebido. puai não agüentava
carregar sozinho o escorpião . foi preciso pedir ajuda dos outros para
que carregassem-no até a porta secreta. puai inclinou a cabeça no
chão e repetiu a palavra mágica :- apetecapa. imediatamente ouviu um
barulho imenso dentro do templo com alguns tremores de terra que
parecia até mesmo que desmoronaria, a porta foi abrindo devagarinho
como que fosse mágica. além da porta havia um corredor escuro . um
dos meninos correu ao altar pegou uma tocha de fogo que ficava ali
a iluminar o altar e trouxe até o c corredor. assim que atravessaram a
porta puai repetiu mesma palavra e a porta foi fechando devagarinho,
com o mesmo estrondo que houve anteriormente.
a primeira etapa do plano já havia sido vencida, restavam agora a
parte mais difícil. caminharam uns quinhentos metros debaixo do túnel,
que passava por baixo de quase toda a cidade. puai segurava de um
lado enquanto que outro menino segurava da parte mais leve. à
frente ia outro iluminando o caminho com a tocha de fogo. as paredes
do túnel eram todas de pedras escuras e ali havia inscrições dos dias
em que o deus alaâo viveu no mundo . os nossos heróis diante
aquelas palavras enigmáticas, foram tomados de um poder estranho
e iam lendo tudo o que estava escrito nas paredes. era uma descrição
de toda a vida de alaâo quando se encontrava na terra . todos leram
mentalmente sem que um soubesse que o outro estava lendo. este
poder foi adquirido pelas emanações ectoplasmáticas impregnadas
nas paredes deixada pelo deus alaão quando ainda vivia na terra e
que estava impregnadas ali hà milhares e milhares de anos.
. quando chegaram ao final do túnel, viram que a água ocupava dois
degraus e se encontrava suja e em movimento. como haviam de levar
aquele peso todo para cima? sim, porque dali até o nível era mais ou
menos uns quinze metros. nadar com todo o peso nas costas era
impossível senão qualquer um deles afundaria. e então como fazer?
todos olharam para o rosto de nosso heroizinho como que esperando
uma solução. puai , com aquele rosto moreno, cabelo liso na testa,
apresentando uns doze anos mal feito, fisionomia calma , pensou e
falou: - é preciso que um de nós mergulhe até a superfície, encontre
com os nossos amigos e de um jeito de arrumar uma corda de cipó
para que posamos amarrar a nossa presa e levá-la até a superfície. o
menino que segurava a tocha na mão não perdeu tempo: entregou o
lume ao puai e mergulhou nas águas sujas do rio e foi descendo os
últimos degraus até onde não mais sentia o pé no fundo do corredor.
ao sentir -se puxado para o fundo do rio nadou com toda a força até à
tona. o rio ali se encontrava bem fora da cidade não havendo ,
portanto , nenhum perigo para eles. seus amigos já se encontravam à
espera com um barco. contou-lhes o que era preciso fazer e
imediatamente um deles providenciou uma corda feita de cipó com
vinte metros de comprimento.
enquanto os dois seguravam a ponta da corda no barco o outro
sumia sob as águas do rio deixando atrás de si apenas um rastro de
espuma. ao voltar ao túnel lá estavam os dois companheiros
sentados esperando-o. o escorpião foi amarrado com todo carinho
para não quebrar. os três prenderam a respiração e foram descendo
até chegar à boca do túnel . a escuridão era perfeita . eles se
guiaram apenas pelo instinto de fazer todas as coisas sem erro. um
subiu até o barco para avisar que podiam puxá-lo para cima e puai e
outro menino nadou junto até chegar ao barco. quando os cinco
meninos se reuniram no barco e puderam ver a luz das estrelas,
respiraram profundamente por já terem cumprido grande parte da
tarefa.
já era bem tarde da noite . o céu estava todo coalhado de
astros luminosos. a via láctea toda esbranquiçada manchava o
espaço infinito. os meninos deliravam de felicidade ao saberem que
em breve seria construído o reino dos meninos da terra. tudo seria
mais fácil dagora em diante. alaão se transferiria para o mundo. todas
as crianças de qualquer parte do mundo , iriam morar lá em cima no
reino encantado. e assim os nossos heróis, descendo o rio, cantavam
alegremente: - salve o deus alaão o deus dos meninos. salve o nosso
reino. lá teremos muitos banhos de cascata e lagos. as suas águas
são tão puras que parecem espelhos de prata. comeremos frutas das
arvores e mel de abelha.- e assim cantaram a felicidade do futuro
reino até o fim da viagem, quando as nuvens vermelhas do sol
nascente anunciavam um novo dia.
ao chegarem na tribo todos já estavam preocupados com a
demora de tantos dias dos meninos. todo povo começou a perguntar o
que era aquilo todo cheio de pedras que brilhavam nos olhos dos
meninos. então puai foi contando a longa história do encontro com o
deus alaão no alto da montanha, a incumbência de ir buscar na
cidade vizinha quilo que daria ao deus dos meninos a força de poder
construir no alto daquela montanha o reino de todas as crianças do
mundo. todo o povo de puai ficou entusiasmado com a história e
quiseram experimentar transformar a primeira pedra que tinham a
mão em ouro. quando viram a pedra ficar amarela como é o ouro,
verdadeira cobiça apoderou daqueles homens .
os pais de puai tomaram lhe o escorpião dizendo que iriam construir
um reino mas era cá embaixo, para eles , e não para um deus bobo
como aqueles em que ele acreditava. e os nossos heroizinhos foram
expulsos da tribo. durante muitos dias vagaram pela floresta rumo à
montanha . chegando lá em cima perto da mesma pedra onde foi
visto pela primeira vez o alaão, todos dormiram um sono profundo de
tão cansados que estavam. enquanto isto cá na aldeia o povo que era
feliz e só vivia cuidando da felicidade modificou-se por complemente.
ninguém mais trabalhava, só pensavam em transformar todas as
coisas em ouro para trocá-las por roupas e bebidas . de tanto ouro
que eles adquiriram apenas em quinze dias , a mentalidade do povo
feliz já havia se transformado complemente.
nisso os nossos heróis dormiram cinco dias seguido. quando
acordaram lembraram de chamar o deus alaão: e todos a uma só voz
começaram a dizer:- alaão , alaão? nós estamos aqui. venha que
precisamos contar-lhe tudo. e nisso a mesma luz que houvera
aparecido da primeira vez para puai começou a descer do céu era
uma luz branca como a luz do sol e, ao ir tomando a forma humana,
desceu junto à pedra. depois de contar toda a história, dizendo que no
final de tudo seus pais os expulsaram de casa, alaão disse:- não
tenha ódio em seus corações meus filhos. eles hão de pagar bem caro
por terem violado uma coisa que não lhes pertencia. agora eu quero
que vocês voltem à tribo e me tragam o escorpião até aqui. os meninos
desceram a tribo e deram um jeito de tirá-lo de lá e, com muito custo
conseguiram levá-lo à montanha: ao chegarem à montanha o alaão
apareceu e mandou que os meninos colocassem-no em um lugar do
bosque até o dia seguinte. voltando os meninos para junto de seu deus,
este começou a dizer:- os homens não compreenderam a maravilha
do nosso reino e eles receberão o castigo que merecem. os nossos
amigos pensaram que os seus pais iam receber um castigo muito
grande , assim como por exemplo; morte ou coisa semelhante. mas
nada disso, alaão não era tão mau assim. apenas ia tirar lhes todo o
ouro e eles teriam que viver como era antes. e assim foi feito. a um
sinal de alaão o escorpião chegou para perto dele e apontou na
direção da aldeia. e alaão disse:- todo o ouro que se encontra
naquela aldeia que se transforme imediatamente em pedra. e tudo
que era ouro havia sido transformado novamente em pedra. todo o
povo da aldeia de puai voltou a trabalhar como fazia antes. as brigas
desapareceram, o ódio deixou de existir entre eles. a paz voltou a
reinar no meio de todos porque não havia mais ouro. e voltando para
os meninos disse: o reino que eu lhes disse que iria construir , será
construído por cada um de vocês dentro do coração de cada um.
enquanto existir uma criança sobre a face da terra , aí estará o
meu reino, eu estarei presente. por favor meus amigos quando
quiserem falar comigo não é mais preciso vir até o alto desta
montanha, eu estarei brincando com vocês, onde estiverem. por menor
que seja o brinquedo de uma criança eu estarei ali do lado dela
amparando-a e orientado no caminho do bem. obedeçam sempre aos
seus pais eles sabem tudo que há de bom para os seus filhos . e agora
prestem atenção ao que eu vou fazer com este escorpião que
transforma pedra em ouro . a um simples sinal de alaão o escorpião
começou a subir em direção ao céu. subiu , subiu até sumir de vista
e a gente só poder ver umas luzinhas saindo das patas do escorpião. e
assim alaão disse aos meninos:- o escorpião ficará no céu. de lá ele
nunca mais sairá. a partir de hoje g podem chamá-lo de ‘’’ constelação
de escorpião’’’ porque as sua lentes brilhantes que transformavam
pedra em ouro se transformaram em estrelas.
puai e os meninos , seus amigos, retornaram à tribo e foram
recebidos entre abraços e carinhos. todos estavam completamente
arrependidos do que havia feito e dali por diante viveram felizes para
sempre. só puai e seus amigos ficaram sabendo de uma nova
constelação que aparecera no céu e , de vez em quando, eles ficavam
, namorando aquelas estrelas que passaram a ser suas melhores
amigas.

quando sebastião acabou de contar a história de alaâo os deuses dos meninos já era
tarde da noite. a constelação de escorpião já ia bem longe, e apareciam no horizonte
outras constelações. cada um dos meninos procurou acomodar em suas barracas. quem
sabe,? para talvez sonhar com o deus alaâo e puai.

sebastião enrolou em seu cobertor e deitou ao lado da fogueira perto do rex que
ficara de guarda.

era o fim do primeiro dia da excursão. o silêncio descera sobre o acampamento.


somente a luz dos lampiões e o resto da fogueira ainda davam um sinal de vida. aos
poucos a fogueira foi também morrendo e os lampiões apagaram por falta de
azeite, e a mais densa treva desceu sobre a terra. só lá no firmamento , as luzes das
estrelas .

sebastião não pegou logo no sono ficou pensando sobre o que ainda haveria de
realizar. até o dia que eles subiram à sua caverna encantada. os homens haveriam
de compreender um dia que a felicidade depende, não das coisas valiosas mas sim
da simplicidade da vida.

a felicidade virá um dia para os homens, è só eles procurarem onde ela se encontra.

aqueles setes meninos já dormiam e sonhavam com a felicidade. a madrugada


chegara bem fria. o nevoeiro tomara conta de toda campina onde se achava o
acampamento. não se conseguia ver nada a frente a uma distância de cinco metros,
de tão denso era o nevoeiro . porém , a temperatura não estava muito baixa. o rex
procurava enrolar o focinho para se proteger do frio.

sebastião que já estava acordado percorreria as barracas que eram só duas, e


procurou avivar a fogueira para esquentar do frio. dai a uma hora o sol começaria a
despontar no horizonte. primeiro começou surgir uma mancha branca no oriente,
depois esta mancha foi mudando de cor para o vermelho, ate quando uma ponta
do astro rei começou a surgir. sebastião chamou todos os meninos para ver o sol
nascer. cada um levantou com o cobertor enrolado nas costas e sentou ao lado do
fogo. porém todos calados apenas murmuravam de vez em quando. - ai que frio,
mesmo assim diziam entre os dentes, que mal dava para compreender .

pouco a pouco a névoa foi se dissipando. um clarão de luz já aparecia no céu


longínquo. agora o nevoeiro já se afastara bem de onde se encontravam os nossos
heróis. apenas gotas de orvalho nas folhas mostravam a sua presença. já se avistava
a mata lá embaixo contornando com o pasto. as montanhas da nossa esquerda já
eram banhadas pela luz do sol. enquanto que no vale apenas o reflexo daquilo
que haveriam de descer tão logo, e o astro rei , subisse um pouco na órbita celeste.

todos os meninos que haviam levantado para esquentar ao fogo, já estavam ali
dormindo, deitado de qualquer maneira no chão. rex aproveitava para dormir entre
dois deles, só assim esquentaria o seu focinho.

sebastião fitou o infinito e caminhou um pouco até onde passava o riacho,


contemplando o céu e a natureza.

a cobra cascavel

o silêncio era terrível, nem mesmo os grilos, nem os insetos vinham espantar
aquele vácuo que descia sobre o vale. apenas o cérebro de sebastião funcionara no
meio daquele turbilhão de seres que, embora vivos, ainda dormiam o sono da
inocência. sebastião contemplou toda a paisagem. a sua frente era o pasto que
sumia de vista fazendo curvas e mais curvas através dos morros. havia uma cerca
de arame que dividia o pasto com a floresta que era imensa e , em cima das folhas
verdes observava as folhas brancas de embaúba. atras era a montanha de
monlevade, jazida de ferro a espera de ser extraída da natureza. e tudo aquilo
estava deserto de população. era preciso muitos anos para ensinar o nosso povo a
usar aquela terra imensa;- estava muito longe ainda o dia em que haveríamos de
conhecer toda a verdade à cerca do nosso passado- murmurava sebastião; - o
passado e o futuro nos acompanham como um fantasma. o que poderemos fazer
para que as mentes se despertem? todos esse meninos que ainda dormem o sono
da inocência, como será o futuro deles. qual será a ilusão com que eles sonham?
todos os dias nos vemos diante dos nossos olhos , tantos meninos enfileirados .
vindo de todos os recanto da pátria a vagar pela estrada do ideal. mas o dia em que
nós adultos, mostrarmos ser seus amigos, e marcharemos com à sua frente,
mostrando a doçura da fraternidade humana, veremos também que com apenas um
pouco de boa vontade e otimismo poderemos endireitar o mundo em pouco tempo. -
até mesmo antes de chegarmos ao século 21. è só termos boa vontade e
compreensão para com o próximo uma palavra para com o desconhecido. um
sorriso para as crianças das estradas. quantas pessoas morrem ao abandono, só por
não ter uma voz amiga que respondesse ao seu sussurro.

quantas pessoas vêem em nossas portas oferecer mercadorias para comprarmos e,


todavia, ninguém é capaz de chegar em nossa casa e dizer: - vamos conversar um
pouco amigo?

a cobra cascavel

assim pensava sebastião, sentado à beira do riacho que cortava incessantemente a


planície. no fundo do rio já resplandecia nas pedras de cristal a luz do sol. no
acampamento os meninos já brincavam e o alarido era grande. agora já estavam
todos alegres sorridentes, enquanto rufino e outros preparavam o café da manhã.

assim é a comida daqueles que se dispõem à vida rude do acampamento;- café de


rapadura, carne seca com farinha, ou torresmo com farinha. após o repasto do
estômago, todos guardaram o material dentro das mochilas e guardaram-nas dentro
das barracas . combinaram entre eles que não sairiam naquele dia, só no outro dia
de madrugada é que levantariam acampamento. naquele dia faríamos observação
pelos arredores. estudariam a topografia do terreno, a vegetação a fauna e as
habitações caso tivesse. seriam divididos em grupos de três elementos, e três deles
ficariam fazendo o almoço, que por sua vez seria substituído por outro grupo no
outro dia.

sebastião saiu com um grupo de três meninos para o mato onde iam caçar comida
para aquele dia, e também aprenderiam com sebastião um meio de sobrevivência
na selva. isto aprenderiam a conhecer o que poderiam comer em caso de
necessidade. assim com frutos animais.

eram oito horas, o sol já queimava a nossa pele e mostrava que naquele dia ia ser
mais quente apesar da cerração que caíra durante a noite. com sebastião a frente,
seguindo por um caminho feito pelo pés dos homens e dos animais , os meninos
seguiram atentos.

a frente, a mata misteriosa com todos os seus desafios , diante de uns quinhentos
metros. a medida que iam andando para a frente, o acampamento ia ficando para
traz, e só se via a sua fumaça que também ia sumindo. o florisvaldo sempre olhava
para traz para ver o que restava do acampamento. de repente na floresta uma
coisa misteriosa no espirito de todos. era a diferença de temperatura, e a diminuição
da luz solar que provocava aquela sensação de calafrio pelo corpo que provocava
uma modificação no espirito de cada um. os meninos estavam bastante alegres,
cantavam e assobiavam quando então sebastião gritou:- cuidado! uma cobra
cascavel. todos correram para traz e sebastião com um pedaço de pau estava à
espera da cobra que estava em rodilha. balançando o seu chocalho. e sebastião
aproveitava a ocasião para explicar: - a cascavel é uma cobra muito mansa. porém
sua mordida é super venenosa que é morte certa.

os meninos viram pela primeira vez uma cascavel. e sebastião dizia que é uma
tradição matar toda a cobra que aparece pela frente , e com uma só paulada
esmagou a cabeça da cobra.

os meninos ficaram estarrecidos quando a cobra ficou se


remexendo depois de morta e sebastião dizia que era devido ao
veneno que a mesma contem a isto se chama animal peçonhento, o
rufino disse que na terra dele havia muita cascavel e que ele mesmo já
tirou muito couro deste tipo de cobra. e imediatamente pegou o
canivete e começou a tirar o couro. os outros vendo ele fazer isto
tomaram coragem e ajudaram a tirar o couro. até que era um quadro
interessante quatro pessoas tirando o couro de um animal tão
pequeno. uns seguravam na cauda onde tem o chocalho , outro
cortava a cabeça colocando-a em um buraco para que ninguém se
envenenasse nos dentes na mesma. rufino tinha um jeito muito
especial para tirar couro de cobra que em 15 minutos já tinha
extraído o mesmo: agora , dizia ele , é só deixar no sol para secar e
levá lo como troféu assim que retornasse para casa:- aquele quadro
serviu de advertência para todos, dizia sebastião, a natureza é
implacável com todos. não perdoa os incautos que brincam com seus
segredos, nada absolutamente nada será perdoada àqueles que diante
da natureza queira desobedecer as suas leis.
durante a caçada , andaram muito e não trouxeram nada, a não
ser um punhado de carrapato. chegando ao acampamento fizeram
um, fogo de labareda bem grande para matar os carrapatos da
roupa. os outros meninos que não tinham saído do acampamento, não
quiseram sair por causa dos carrapatos que os colegas pegaram de
manhã cedo. a tarde colheram algumas ervas silvestres como.
barbaço, ‘’ mãe boa’’ e fizeram um banho de ervas para retirar o
veneno dos carrapatos . dentro de um cercado de lona , para se
proteger da corrente de vento iam passando sabão de dicuada ,
“sabão feito em casa,” e depois colocava por cima do corpo o banho
com folhas de ervas.
felizmente todos pararam de se coçar depois do banho e sebastião dizia que esta
tinha sido a primeira prova para aqueles queriam visitar a caverna , depois do
jantar acenderam uma fogueira bem alta e sentaram ao redor: porém não tinha o
mesmo entusiasmo da noite anterior , mesmo assim não deixaram de conversar
sobre os acontecimentos do dia.

cada um tomando chá feito com folhas de ‘’ chapéu de couro’’


adoçado com mel de abelhas , que era melhor do que café : ali
sentados ao redor da fogueira estavam os quinze meninos que um
dia , subira à montanha a procura de uma caverna e ouviram sebastião
dizer: -’’ assim ou pior do que isto será o grande dia em que
subiremos à caverna, nós devemos conhecer quase de tudo antes
de começarmos a grande caminhada. devemos aprender de tudo:
matar cobra , fazer comida, costurar roupa, dar banho no companheiro
mordido por carrapato’’ quando sebastião falou em mordida de
carrapato foi motivo de riso para todos, principalmente o viking que
mais sofreu com o carrapato. foi preciso ficar nu e os companheiros
tirando os carrapatos do corpo. também pudera longe da civilização
não era motivo de vergonha ficar nu. aquela risada de todos fez com
que sono despertasse um pouco, sono este que quase se aproximava
sim ! falou o elmo, até que o viking estava muito engraçado correndo
sem roupa pelo campo afora; parecia até um indiozinho. nesta hora o
viking ficou corado de vergonha , achando ruim da brincadeira:- olha
só, já começaram a fazer zombaria comigo, somente porque eu sou
pequeno. mas vocês vão ver . eu vou crescer , e ficar grande, e assim
subirei lá nas montanhas mais altas do mundo, subirei muitas vezes.
:- mesmo pequeno assim como era o viking, um menino de sete
anos, qual ainda nem estava freqüentando a escola primaria, iria
também subir a montanha à procura da caverna encantada. ele, como
os seus companheiros, meninos como eram, subiram , um dia, o maior
monte sagrado do mundo , no qual encontrariam o que de mais
misterioso existe. os meninos que habitarem o mundo no ano de
3000, também procurarão a sua caverna encantada, onde verão o seu
mundo encantado. alo meninos do brasil do ano de 2500 ou 3000 ?
como está o mundo neste ano? já encartaram a caverna encantada
falada por mim há muitos anos? se ainda não encontraram, é preciso
procurá-la, vejam ela está além daquela serra que vocês vêem todos
os dias antes do nascer do sol. corra até lá e vocês a encontrarão.
assim ia sebastião pensando, e continuava:- hoje milhares de anos
que existe a civilização, e nós estamos aqui no acampamento onde
aprendemos como devem fazer para procurar a caverna. . os
homens acham que conquistando o espaço terão encontrado o
caminho alternativo para sobrevivência da espécie humana: puro
engano. o verdadeiro caminho esta na direção oposta do espaço. é
preciso descer antes de subir. em toda subida precede uma descida; ai
então sim, a subida será triunfal e gloriosa.
sim, meninos de todos as épocas procurem um lugar encantado onde possam morar
ou brincar sem que os adultos venham importunar-lhes os seus sonhos de fantasia.

:- o pior de tudo, continuava pensando sebastião, é que eles nunca encontrarão o


reino encantado neste mundo de terceira dimensão, ou melhor, para eles
encontrarem aquilo que buscam, terão que procurar a vida inteira, desde pequena,
pela juventude, pela vida afora, sempre procurando através dos montes, atras das
flores. junto das cachoeiras, nas florestas escuras e sombrias, no himalaia, nas
profundezas do oceano, em cima das arvores dentro dos ninhos dos passarinhos,
nos dias de chuvas , nas noite de lua clara, enfim teria o homem que procura-lo por
todos os recantos da terra. também , por que não dizer dentro de si mesmo, na
palavra amiga, na felicidade e em tudo aquilo que representasse o amor?? o dia em
que todos os homens da terra procurassem a felicidade onde ela realmente se
encontra, o mundo tornaria um paraíso. mas enquanto não a encontramos. teremos
que procura-lo sempre. será, talvez esta, a única maneira que nos conduzira
realmente a felicidade .

a palestra continuava animada no acampamento,aquele riso fez com que todo


mundo ficasse alegre e logo deu vontade de cantar. e àquela hora da noite já
cantavam e dançavam a ‘’ dança do touro’’ a dança do touro é uma dança africana
na qual todos dançam em pé , formando um grande círculo tendo no centro um
elemento um pouco maior , que com uma lança vai imitando a captura de um leão,
gesticulando como se a fera estivesse escondida na sua toca, e ao mesmo tempo
cantando em língua africana: en goiamá, en goiamá, envô bô, e os que fazem parte
do círculo, vão andando a passos lentos, ora virando à direita e ora à esquerda e vão
respondendo: abo, yabo envo bo. os meninos se vestiam para esta dança de capim
nas pernas, na cintura e na cabeça. e assim iam os garotos cantando até já quase
11 horas da noite, quando caíram sentados já cansados de tanto dançar.

enquanto as estrelas cada vez mais brilhavam no céu, mais a fogueira ardia no
acampamento naquele sertão deserto . e mais a nossa alegria se expandia no
recôndito íntimo do nosso ser.

era interessante ver como todos aqueles meninos se manifestavam da maneira mais
estranha que pudesse parecer aos nosso olhos. cada um procurava dançar a seu
modo como muito bem quisesse. pois eles muito bem sabiam que ninguém se
incomodaria da sua atitude. uns dançavam caindo com as duas mãos no chão como
um ritual diabólico. outros colocavam a mão no chão e suspendiam os pés para
cima como que ‘’ plantando bananeira’ e caminhavam com as mãos no chão . é
tudo isto fazendo um alarido tremendo com os cantos que iam cantando abo yabo
en vo bo.

quantos dos que ali estavam não procuravam libertar-se de todo recalque que os
inibiam, fazendo com que cada um se manifestasse a sua própria alma?? aquilo que
é de ruim e está em nosso coração deve sair para melhorar o nosso ser. aquele que
tem só a maldade dentro de si, deve parar um pouco e refletir que tudo isto , mais
tarde ou mais cedo, só serviria para infernizar-lhe a vida. e então será tarde demais
para queixar-se. enquanto que aqueles possuidores de bondade no coração deverão
refletir a sua bondade através dos olhos para fazer a felicidade dos homens.

todas as criaturas do mundo devia ser assim:- procurar estirpar o que haveria de
ruim e inibido no íntimo do seu ser , nas profundezas do seu espírito não haveria
mais mentiras, nem deprimidos, obsessivos compulsivos e o mundo seria mais
feliz.

mas como não fomos nós que fizemos o mundo. e nem tão pouco seremos nós que
vamos consertar, o melhor é nós fazermos a nossa parte para contribuir à felicidade
da humanidade ‘’ consertando ‘’ a nós mesmo.

assim ia pensando sebastião enquanto que os meninos iam parando de cantar e


dançar esperando que seu melhor amigo fosse contar a história daquela noite.

fazendo de conta que não estava sabendo o que queriam, perguntou-lhes de uma
maneira que não soubesse da resposta positiva: - ‘’ vocês querem que eu conte
hoje uma outra historia para vocês’’?? e a resposta foi dita que se como ele já
esperava.

a montanha da china

sebastião até aquele momento não tinha pensado em nenhuma história , nem sabia
qual ele deveria narrar àquela noite , e começou a olhar para as estrelas como que
procurando lembrar de algumas ou fazendo preambulo como era sempre o seu
natural. num segundo o seu pensamento foi no infinito e voltou: a bem da verdade
é que a sua cabeça estava complemente vazia, mas havia uma coisa mais
misteriosa. à frente - ‘’ não podia deixar aqueles meninos desiludidos de algo que
eles tanto gostavam. depois de passar a mão na testa e dar um suspiro bem fundo ,
começou a dizer:

a montanha da china

existiu , há muitos anos passados, lá na velha china uma família de camponês que
tinha muitos filhos. o chefe da família chamava-se cho-chi-min. e sua bela esposa
lin tin sin- residiam ao sopé de uma montanha das tantas que existem naquele país
cho chi min com seus doze filho passavam o dia inteiro na lavragem do campo
para o plantio do arroz, muito cultivado naquela região. o trabalhai era feito desde a
hora que o sol se punha do lado de fora até quando os pássaros procuravam os seus
ninhos ao cair da tarde. viviam muito felizes pois a terra era generosa e seus frutos
matavam a fome de qualquer ente humano que por ali passasse todos os dias após o
término do trabalho, reuniam todos ao redor da fogueira e iam cantando e
cantando a história da formação do mundo.

todos as vezes que se realizava as festas das lanternas , lin tin sin contava a seus
filhos a história da moça que pedia que seu pai trouxesse para ela um pedaço de
pedra da antiga muralha da china. estranho pedido daquela moça. que faria ela com
um pedaço de pedra? e a tragédia sucedida com o pai de outra moça ao chegar
perto da muralha se transformara em pássaro. era outra história da moça que
também pediu ao seu pai um pedaço de pedra da muralha

tudo aquilo fascinava os seus filhos e filhas como se fosse uma coisa misteriosa a
atrair todo mundo.

o pai sempre dizia a seus filhos que um dia ele desmancharia a montanha da sua
região para poder melhor comunicar-se com os outros povos que habitavam o outro
lado. durante um dia do mês ele e seus filhos se dedicava a subir a montanha, onde
com uma pá picareta e enxada, começava, a cavar o morro, só voltando dali
quando o sol já tinha entrado e desciam o caminho já na escuridão sem ter medo
de coisa alguma que aparecesse. todos os seus vizinhos diziam que ele estava doido
em querer fazer uma coisa que até hoje ninguém tinha tentado. mas cho chi min
não desanimava, e , sempre partia com seus filhos para cumprir a missão de
desmanchar a montanha.

certa vez , quando os nosso heróis estavam cavando a montanha,


que um dia daria passagem aos povos dos dois lados apareceu-lhes
uma pessoa esquisita, estranha com aspecto de gente de outras terras,
e quando viu que estavam cavando o morro perguntou qual era o
objetivo de tal ação. ao que lhe foi respondido - ‘’ ah senhor , isto é
uma história muito grande, seria preciso explicar-lhe a vida inteira para
o sr entender: ao que o visitante respondeu:- ‘’ pode começar a explicar
pois eu não tenho pressa’’ ‘’ tenho a vida inteira para isto’’ cho chi min
sim , tinha falado assim só para ver se o homem fosse embora e
deixasse ele trabalhar em paz. mas como viu que o homem não foi
embora , yo chi min e seus filhos sentaram no chão , o visitante
também sentou enquanto escutava as palavras doces do camponês
que ia descrevendo as maravilhas que um dia o povo do outro lado da
montanha, pudesse transitar livremente sem ter que subir e descer,
com a retirada com a retirada do mesmo. ele falava como se aquilo
fosse um sonho e que um dia tudo seria realizado. como nas festas
das lanternas. os seus filhos também acreditavam fielmente no que seu
pai dizia. realmente era assombroso desviar aquela montanha do
caminho de dois povos , o bom moço ouviu toda a história e quando
lembrou de descer a serra, já era bem tarde da noite. porém antes de
despedir um do outro falou o visitante:- ‘’ esta idéia é muito boa, porém,
talvez nem daqui a mil anos com todos os habitantes da china,
trabalhando noite e dia, conseguirão fazer este trabalho, yo chi min
respondeu - “ não importa, trabalharemos o tempo inteiro durante toda
nossa vida e um dia veremos nosso trabalho realizado.
yo chi min, não sabia que aquele homem era uma espécie de
lendária que habitava há muitos anos nas grandes montanhas da
china. e o moço disse :- ‘ ’eu sou o rei das montanhas deste país ‘’ ao
ouvir isto yo e seus filhos ficaram atônitos e sem dizer nada, como que
paralisado. vivo escondido no meio de todas as serras que vocês
vêem na china. eu me chamo meu nome não pode ser pronunciado e
tenho o poder de fazer este trabalho num abrir e fechar de olhos . ao
ouvir aquilo o camponês e seus filhos ficaram muito contentes pois
agora o seu sonho podia tornar-se realidade sem que ele dormisse
para sonhos. “” se quiserem posso fazer isto em um dia marcado
para vocês’’’’ . falou o bom moço. a única coisa que eu exijo é o
segredo: que ninguém saiba como isto aconteceu. o bom moço
despediu de todos eles e imediatamente desapareceu entre as folhas
do mato.
naquela noite quando o camponês reuniu-se diante do fogo , como
de costume contou para sua esposa e os outros filhos o acontecido
daquela tarde . todos ficaram contente, pois enfim seria realizado o
sonho e dentro de um sonho de verdade. naquela noite ficaram
conversando até mais tarde. quando foram dormir só pensavam no dia
seguinte em encontrar o rei das montanhas transportar o monte pare
bem longe dali, talvez jogá-lo no mar.
naquela noite todos da casa sonharam. e por mais interessante é que sonharam
todos a mesma coisa. e com que sonharam, sonharam com o rei das montanhas que
estavam em toda a família de yo chi min à margem do rio yang -tse e do outro se
encontrava o rei das montanhas todos caíram com a cabeça no chão ao vê-lo na
outra margem. já começava a clarear o dia, porém as primeiras luzes do sol ainda
não tinham aparecido. assim que o sol aparecesse no horizonte,... transportaria o
monte para o meio do mar. todos esperavam com ansiedade o grande momento.
toda hora os seus filho menores olhavam para traz vendo se o astro rei já aparecia.
era uma ansiedade tremenda. parecia até que naquele dia não teríamos sol. aqueles
poucos segundos passaram passou-se como se fosse uma eternidade. cada vez mais
o clarão do dia aumentava estava quase na hora da grande revelação.

de repente uma luz muito clara e muito intensa caiu sobre todos os presentes. era a
força poderosa... que ia manifestar . durante poucos segundos ninguém conseguiu
ver nada porque a luz impedia,... que estava ajoelhado diante da montanha fez um
sinal e aos poucos toda a montanha foi se levantando devagarinho, depois tomou a
direção do mar, onde ninguém mais a viu. nisso cho chi min e toda a sua família
abriram os olhos e não mais viram diante deles o rei das montanhas, assim também
não mais viram diante de si a grande montanha que eles teriam tanto trabalho
para desmanchar, no seu lugar já se podia ver perfeitamente do outro lado. ali
transformou como se fosse uma planície muito grande. todos encheram de
contentamento pois a idéia de yo chi min de unir duas aldeias tinha sido realizada
como um sonho de fada. agora era preciso todos ir avisando todo muno que a
passagem já estava aberta e tornava-se mais do que nunca vivermos bem unidos
para construir uma pátria melhor.

assim fizeram. todo o povo da china ficou sabendo da passagem aberta para
montanha onde se encontravam cho chi min e sua família. ali onde a planície
apareceu, fizeram uma imensa plantação de arroz, arroz este que nascia na metade
do tempo que era preciso em outras épocas no pé da montanha. também para
aquele lugar começou a parecer uma porção de gente de todos os lugares da china.
cho chi min e seus filhos nunca disseram a ninguém segundo a promessa feita
ao........ rei das montanhas.

quando todos acordaram contaram com o que haviam sonhado ; e como tinham
sonhado a mesma coisa, desconfiaram de que tinha sido verdade aquele sonho.
então sairiam todos correndo para ver onde se encontrava a montanha. e chegando
lá não mais virão, e no seu lugar , e no seu lugar apenas se encontrava uma
planície muito grande. o ... havia cumprido o que prometera, tirara a serra do lugar
e deixou apenas a planície.

• agora, falou cho chi min, é preciso fazer como apareceu no nosso sonho,.
avisaremos todo o povo da china sabre a passagem aberta. depois, então
plantaremos arroz em toda a planície.
a partir daquele dia passaram a vir camponeses de todos os recantos do país para ver
a grande passagem aberta no lugar da montanha. todos vinham trabalhar ali na
planície sagrada como já diziam o povo.

durante muitos anos plantaram aquela planície de arroz e de trigo.


todo o povo da china vivia nos tempos passados. toda época das
festas das lanternas eles dançavam e cantavam agradecendo aos
deuses por feito àquela bondade para eles.
mas, junto à felicidade também apareceu a preguiça o ódio a
inveja entre eles e tudo de ruim que pode impedir o homem de
progredir na vida. não mais respeitavam às leis dos pais. muitos não
mais queriam trabalhar e só viviam jogando e roubando dos outros .
como aquela região progrediu muito também atraiu grandes
mercadores que viviam só do comércio. o povo que era feliz antes por
ter que lutar com mais força para sustentar a família, viu agora que a
riqueza não trazia felicidade para ninguém. a nostalgia e o tédio ia
tomando conta de todo mundo. não mais se trabalhavam. trabalhar
para que? se tudo que plantamos nasce tão bem , que só temos o
trabalho de colher? assim já estava o povo nesta situação.
cho chi min que já se encontrava bem velho e seus filhos todos crescidos viu que
tudo aquilo tinha sido prejudicial para o povo., pois, não tendo que lutar para
ganhar a vida, também perdeu entre eles o amor e a coragem. era preciso fazer
alguma coisa para que aquela situação não mais continuasse.
cho chi min ficava o tempo todo pensando o que deveria fazer para acabar com
aquela situação um dia sonhou novamente com o rei das montanhas e este lhe disse
que estava muito triste pois o povo não era mais aquele povo que antes trabalhava
para ganhar a vida, agora só vivia na orgia e se esqueciam das coisas sagradas
sempre aconselhadas pelos deuses. estou muito triste com o que o povo disse.....
então cho chi min perguntou se podia fazer alguma coisa para fazer o povo voltar
como era dante. sim : poder pode, mas é preciso fazer muita coisa, antes disso ele
acordou , e imediatamente chamou o seu filho mais velho e contou-lhe do
acontecido.

vamos imediatamente procurar o.... e falaremos com ele. assim fizeram no dia
seguinte sairiam à procura. e no alto de uma outra grande montanha pediu ao rei
que aparecesse pois havia grande necessidade de falar com ele. inesperadamente
apareceu por dentre as moitas de capim bem atras dos dois que o procurava .: -
vocês estão me procurando? perguntou... aos dois que ainda não o tinham visto.
quando ouviram a voz levaram um susto e viraram para ver quem falava. ah sim ,
nós o procuramos para...- não é preciso dizer eu já sei de tudo. fui eu que estive no
sonho com você ontem a noite. cho cho min contou que estava muito triste e queria
se fosse possível fazer novamente a montanha voltar novamente para o mesmo
lugar: claro que sim respondeu... é o que eu vou fazer no dia de amanhã. desçam
para aldeia e não digam nada para ninguém.

no dia seguinte bem de manhã, apareceu no céu um aviso muito grande que dizia
assim “ atenção , atenção todo o povo da china venham todos e v vejam o que
vai aparecer hoje no mar saiam todos de casa e venham até a praia’’. todo mundo
correu até a praia e viu uma ponta de serra aparecendo como se fosse uma ilha aos
poucos foi crescendo até ficar tão grande como a montanha que dividia as duas
aldeias e . sairá há tantos anos passados . ela foi subindo até sumir no infinito,
depois desceu e ficou no mesmo lugar onde havia ficado e o tempo voltou ao
passado como e nada tivesse acontecido, apenas yo chi min e seus filhos sabiam o
que tinha acontecido. todos eles voltaram a serem pequenos como eram dante -s.
tudo para eles tinha passado como um pesadelo. a região voltou ao que era entes,
yo chi min com seus filhos pequenos voltaram novamente a trabalhar na roça,
cultivando o campo e a tarde voltavam novamente para cortar a montanha onde um
dia devia dar passagem entre os dois povos.
mas desta vez eles não aceitariam mais nenhum milagre queriam fazer tudo com
seu esforço. assim passaram muitos anos, yo chi min morreu e seus filhos já
crescidos continuavam a cortar a montanha.

passaram centenas e centenas de anos todo o povo daquela região viveu feliz porque
estava trabalhando para que um dia fossem muito felizes. e até hoje não
terminaram de cortar a montanha.

e o povo da china vive feliz até hoje, por que ainda não conseguiram abrir a
passagem . mas o dia que conseguirem serão felizes pois fizeram com o próprio
esforço.

depois de contar aquela história sebastião disse para os meninos que cada dia que
êles passassem em um acampamento era mais uma lembrança que teria em toda sua
vida. naquele momento os meninos já estavam tão cansado de cantar e de dançar e,
agora, depois de ouvir aquela linda história do sebastião, só pensava em deitar e
dormir de tão cansado que estavam. nem sequer comentaram coisa alguma a mais e
foram cada um deitar em suas barracas. sebastião,por sua vez, ficou acordado ao
redor da fogueira. naquela noite ele não foi repousar na sua barraca. ficou sentado
apreciando as estrelas que lá ia andando no céu. ele ficava várias horas namorando
as estrela como que ouvindo alguma coisa que parecia que elas queriam lhe dizer.e
sebastião cismava: “será que eu acredito nas histórias que conto para os meninos?”
como foi que esta história veio surgir de mim se eu nunca me lembro de sabe-la
antes?quando quase tods as constelações conhecidas já tinham desaparecido do
céu,sebastião caiu por fim vencido pelo sono e dormiu mesmo ali à beira da
fogueira que já tinha se extinguido.e, no sono, sonhou que estava em itabira
juntamente com um velho amigo que não via hà muito tempo..e passaram a visitar
os pontos principais da cidade e

era natural que servisse de cicerone para o amigo. como o amigo também era
professor de história em outra cidade, ficou muito amigo dos meninos a ponto de o
pai do lobato mandou que o seu motorista levasse os dois para visitar a cidade. só
que sebastião não gostava de andar de carro. então às vezes, mandava o carro
embora para buscar só na hora de ir para casa quando ele então solicitava de novo
o carro.
naquele dia sebastião ele não quiz esperar o carro que os levariam para casa.
resolveu descer mesmo a pé a rua santana, uma das ruas mais velhas de itabira com
suas casas relambrando o tempo coloniall, onde houve um passado de glória.

os dois desciam lentamente a ladeira sempre conversando sobre os mais variados


assunttos. sebastião, muito solicito, ia mostrando ao amigo as novidades que iam
aparecendo. uma casa antiga com seus portais góticos, outra casa de moradia com
as portas grandes e forte as que mais pareciam igrejas. a metade da rua ainda é
calçada com pedras de minério de ferro. quando passaram em frente ao colégio das
írmãs´como era assim chamado. sebastião disse:-este é o colégio da irmandade de
n.s.das dores. esta irmandade chegou a itabira a cerca de cem anos. desde então tem
progredido muito e é um internato só para moças. veja todos estes prédios, foram
construidos por elas.os dois fora,m conversando até subir o morro da prefeitura
onde avistaram um chafariz de ferro maciço antigo encostado na parede de fora e
em desuso hà muito tempo.aquela peça histórica tinha sido fundido em itabira hà
muitos anos e servia ao povo da rua santana onde quase todas as pessoas
apanhavam água em lata de querosene para usar em suas casas.hoje esta peça se
encontra no mais completo abandono e na solidão servindo apenas de pouso para os
passarinhos que lá tranzitam.

quando sebastião já se encontrava mais ou menos na parte dos fundos do prédio da


prefeitura,treis meninos. sendo que um deles estava sentado e vertia lágrimas dos
olhos,enquanto que os outros dois tentavam consolá-lo indagando a causa do
choro.as lágrimas que rolava da da face desciam até cair nas pernas e umedeciam a
terra. em sua mão o menino segurava um embrulho.sebastião, ao comtemplar um
quadro como aquele,lembrou da sua infância longínqua e tristonha,quando ele
chorava à margem de um rio tranquilo procurando uma nova vida que o coração
dizia existir. mas para ele era só sombra, fome e miséria. ninguém absolutamente
ninguém voltava os olhos para aquela criança que chorava. naquela época sebastião
sonhava com um mundo melhor. e hoje passado tantos anos o problema continua
insoluvel. ou talvez até aumentando como uma bola de neve

porque chora este menino?qual a força profunda que faz com que as pessoas
choram?estas e outras interrogações passava pela sua cabeça. se fosse preciso
destruir o mundo para que esta criança não chorasse, eu o destruiria.todos nós
nascemos para sermos felizes, mas se assim não pode ser é preciso destruir esta
estrutura do homem. tirar esta pedra bruta , lascada que vive dentro de nós
desmanchar algo de velho e errado que carregamos na nossa genética. um mundo
novo onde não haja sombra de dúvidas para os pequeninos. então construiremos
dentro de nós mundo novo, uma nova patria.

o verdadeiro objetivo de sebastião não era fazer nenhuma revolução como muitos
pensavam, antes pelo contrário, sua intenção era justamente colocar todos os
meninos no caminho do bem, da salvação da alma e do espírito. pois o espírito
ainda está acima da matéria. todavia o tom misterioso que ele apresentava em suas
prática, fazia parte das manifestações remotas enraizadas em seu espírito desde a
sua infância. -:-” levarei centenas deles até o vale do paraíba,onde , então
,retiraremos do fundo do rio a imagem de n.s.aparecida que ali dorme a espera dos
seus filhos. antes porém é preciso pensar no meio de subsistência de toda esta
gente durante a viagem.é preciso também ensinar a todos a ficar no silêncio e na
solidão. quando eu me refiro silêncio e solidão não é ficar sem falar com ninguém.
não. não é isto. aconselhamos as pessoas a não se identificar com os
acontecimentos em torno de si. assim esta não identificação com as manifestações
de outros pensamentos, isto sim , é o verdadeiro silêncio.a meditação pode até curar
doença do corpo físico, como coração cérebro, pulmão e intestino.enfim todo corpo
somático se beneficia com as delícias do silêncio.o recanto sombrio do bosque, o ar
puro da montanha faz com que recuperemos o desequilíbrio do nosso corpo físico.o
apreciar do nascer do sol traz um bálsamo para o nosso seio

infelizmente o homem moderno esqueceu completamente do benfazejo de uma


tarde de primavera debaixo dosa eucalíptos. o dia que o homem parar um pouco
para pensar e dedicar um pouco para pensar no seu mundo interior, ele terá a paz
tão procurada e nunca encontrada porque ele só a ´procura onde ela nao se encontra.
quando eu digo, mãe natureza, não é preciso ser eremita no alto da montanha ou
comer tâmaras no deserto não! não é preciso tudo isto. a vida moderna impede que
o homem seja simples. mas ele pode fazer um esforço interno para ser o mais
simples possivel.basta apreciar, mesmo de demtro da sua casa um céu estrelado..ou
um dia de sol quente com um céu sem nuvens quem não pode sair de casa
apreciando a natureza, que aprecie uma rosa do seu jardim. o importante é a paz do
homem sobre a terra. è ele saber enfrentar todos os problemas que surge pela frente
antes de tudo, problemas interno que devem ser resolvido internamente. ao
deitarmos à noite façamos uma reflexão sobre tudo que aconteceu com a gente
durante o dia . e logo ao levantar tenhamos força para fazer com que tudo corra
bem durante o dia.

as eternas creaçãoes da alma e do espírito so são posiveis no silêncio e na solidão.


o barulho é a ordem da turba que acompanha os desorientados em direção ao
abismo. o silêncio é a voz mansa que dirige os homens. os loucos, os depravados os
sexuais, e os malvados, foram vítimas da algazarra e do barulho.

o silêncio e a solidão e todas as outras virtudes do homem são as alavancas que


movem as montanhas do espírito.

sebastião acordou assustado com aquele sonho esquisito que ele teve mas depois se
acalmou. as estrela já iam todas sumindo no céu, dando lugar as luzes vermelhas do
sol nascente. começava se mais um dia de atividade de acampamento.

naquele dia os meninos desenvolveram as suas atividades interrompidas , a toda


hora, por um banho no riacho que corria logo ali perto. depois da última refeição
prepararam para mais uma noite de sonhos com as história de sebastião

ao

naqueles meses seguintes o sebastião teve que se ausentar da cidade de itabira, a


fim de refazer as forças, energia que havia gastado. antes de sair, porém .,
sebastião falou com todos os meninos que deveriam continuar se reunindo de 15
em 15 dias procurando discutir entre todos os meninos os ensinamentos
recebidos quando se estavam no interior da semente de jatobá. deveriam também
passar estes ensinamentos para seus pais e levá-los a refletir sobretudo o que foi
ensinado fariam tudo sem a presença do guia que estaria longe com outros
afazeres.

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