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COMISsAo, COMISSAO MUNDIAL oes) SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO {iin chamened Fata (Cota do Mn) ‘ero Fe al eerie tr ete, N oO S S O a Sew Br) Sire te = | FUTURO EX-OFFICIO 2edigio io MacNeil (Cansis) igi we Eiitora da Fundagio Getulio Vargas Riode Janeiro, RI - 1991 2, EM BUSCA DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL (© desenvolvimento sustentvel €aquele que atende bs necessida des do presente sem comprometer a possbilidade de as erases Toruas atenderem a suas propria necessidades. Ele contém dois concitorchave: ‘0 conceito de “necessidades,sobretudo as necessidades essen- Cials dot pobres do mundo, que devem receber a mtxina prion Sade 1's noslo das linitagdes que o estigio da tecnologia e de organi- 2agto social impée a0 meto ambiente, impedindo-o de atender As ecessidades presents efuuras, Portanto, 20 se definirem os objetives do desenvolvimento ‘econdmico © social, preciso levar em conta sua sustentailidade ‘em todos os pases ~ desenvolvides ou em desenvolvimento, com ‘economia de mercado ou de planejamento central. Havers muitas Imerpretagées, mas todas elas terdo caracteristcas comuns e de- ‘vem derivar de um consenso quanto 20 conceito Bisco de desen- Wolvimentosustentvel e quanto a uma série de esaiépias neces- ‘las para sua consecusto. ‘© deseavelvimento supe una tansformasio progressiva da ‘sconomia eda socicdade, Caso uma via de desenvolvimento 5° Sustente em sentido fisico, teoricamente ela pode ser tentada ‘mesino ni contexto roca politico rigid. Mas 26 se pode ter ‘certeza da sustentablidade fini se an polfiicas de desenvolv mento considerarem a possbiidade de mualangas quanfo ao aces- So 20s recursos e quanto & distibuigio de cusios e benefiios Mesmo na nogso mais extvta de susteatblidade fica esté im plicita uma preocupacdo com a eqlidade socal ente gerasées, ‘que deve, evidentemente, ser extesiva A eqdidade em cada ger ‘ho. 2.1 0 CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL, Satistazer ax necessidades © as aspragis humanes € o principal ‘objetivo do desenvolvimento. Nos patses em desenvolvimento, as Iecestidades bisicas de grande mimero de pessoas ~ alimento, ‘oupas, habitasto, emprego ~ no estgo sendo atendidas. Alem ‘deeas'necessidades bisicas, as pessoas também sepium lepit- «6 ‘mamente a uma melhor qualidade de vida. Num mundo onde a pobreza e'a injustiga aio endémicas, sempre poderdo acorrer cr ‘Ses ecoldpicas © de outros tipos. Para que faja um deseavel¥i- ‘mento sustentivel,é preciso que todos fenham stendidas nx suns ‘ecessidades basics © thes stjam proporcionadas oportunidades e concretizar suas aspingdes a una vida melhor. Padres de vida que estejam alge do minimo isco 56 sto sustentiveis se os padrdes gers de consumo tiverem por objetivo leangar 0 desenvolvimento sustentvel a longo prazo, Mesmo a=. ‘Sim, muitos de nds vivemos acim dos meios ecoldgicos do maun- do, como demonstia, por exemplo, © uso da energi. As necesti ‘dades slo determinadas sociale cultursimente,©.0 desenvolvi- ‘mento sustentvel requer a promosio de valores que mantenham ‘os partes de consume dento do limite das pssibildades ecol- {cas a que tex podem, de modo razodvel,aspira. ‘A salisfagdo dar necesidades cesencais depend em parte de ‘que se consiga o crescimento potencial pleno, © 0 deseavolv ‘mento sustentivel exige claramente que haja cescimento cond ‘ico em repiSes onde las noceseidades no etio rondo stendi- ‘as. Onde ji sto atendidas, ele € compalivel com 0 eescimento feconbimics, desde que esse crescimento refs prinespior am. plos da sustentabiidade e da alo-exploragSo dos outros. Mas 0 Simples crescimento ado basta. Uma grande atvidade produtiva pode cocxistr com a pobreza dsseminada, e isto consti um ris- 0 pars 0 meio ambiente, Por iso 0 desenvolvimento fistentivel fxige que az tociedades atendam ts novessilades humana, tanto lunenlando 0 potencial de producio quanto assegurando 4 tos 15 mesma oportunidades Se os numeros aumentarem, pode aumentar a pressto sobre os recursor, © 0 patio. de vida se clevark mais devagar nas Seat ‘onde existe privacto. A questio nio € apenas o amano da po- PolagSo, mas também a distrbuicso dos fecusos: portato, 0 de- Senvolvimento sustensvel #6 pode se buscado se a evolusto de- Imogréfica se harmonizar com 9 potencal produivo cambiante do "HA maitas mancirae de uma sociedade se tomar menos capa de atender no fitoro Be necesidades Bicas de seus membros ‘explora excestiva dos recursos & uma delas. Dependendo da ‘eatapio do progress tecnolépico, alguns problemas iedates podem ser resolvides, mas podem srgir outos ainda maiors. Uma tecnologia mal empregada pode marginalizar anplos sep smentes da popula. "A monoculture, 0 desvio de cursos d'égus, a extra mineral, ‘2 emiseto de calor ¢ de gases hocivos na atmosfera, as Morestas ‘Comerisis« & manipulagso genética ~ todos ests #50 exemplos Making common cause US. Based development, enironnen, poputiion NGOS Audie pblca da CMMAD, Ottawa, 26-7 de ao e 1986 da interven humans nos sistemas nats durante 0 desenvol: ‘mento. Ate pouco tempo, tat intrvengdes ram em pec Creal tnham impacto Tata, Hoje, sou impacto € rai ds Gio, som evala mon, © por uo clos smeagart rma o sites ‘Qe sustentn vide, tanto em ive lea como global. aso {rcisara ocomer. No minimo,o desenvolvimento sutentve 0 deve pir em sco ssterns natura que sstntarm a via Na ‘Tema’ stmoofer, ar Agus, ov solos oof sees vivo. crit) ho exten ie ei pari do ao tamanho da popslngso ou 0 0 dos reeursos poem lear emia cthetofe ceolicn. Or limites ciferem pars 0 uto de Snergin de matsriaspran, de gua e deter, Mion dees 5 \ttporo port meamoe mediante @eevagio de ctstos Sian ode rtornoe © no mediante umn porda sit de agama Base Ge recuron. © conbocimento cumuiada 0 dexenvalvment tecnologco podem aumentar a capackiade de producto da base Ge recursos. Mash lites extemon © ara haversustetabii 5 ¢ proc quo, bom antes do ens Lite trom ating, © Itundogaranta acess equtativo so recurro ameagado etoreme ‘rents tecnogicos no sentido dealiviar a press, ‘Gbviamente, 0 srecimento ¢ 0 desenvaivimento econémicot rochmem mudangar no ecrsstema leo. Nenhum cconntr, js conde tor, pods car intcto. Una forest pode ser desma om unm part Ge sera bala fluvial ampliad ex out gat = ‘so pode no ser mat, se exploracto liver sido planejada cso fe levarem cm conta niveis de ronio\do solo, regimes Me “ ricos as perdas genéticas. Em geral, no & preciso esgotar os recursos renovéveis, como florestas © peixes, desde que stam usados dentro dos limites de regeneragio e crescimento natural Mas a msioria dos recursos renovaveis€ parte de um ecossistema, complexo e interligado, e, uma vez levedos em conta os efeitos da ‘explorapio sobre todo 0 sistema, é preciso definir a podutividede ‘mdzima sustentivel. [No tocante a recursos ngo-renoviveis, como minerais © com- bustiveis fsseis, o uso reduz a quantdade de que disporio a5 fururas geragdes. Isto nio quer dizer que esses reeurson no de ‘vam ser usados. Mas 0s nfveis de uso dover Iovar em conta lisponibilidade do recurso, de tecnologia que minimizem se es gotamento, © probabilidade de se obtreinsubsttutos para cle. onan, a terra nfo deve ser dteriorada além de wn limiter zodvel de recuperagio. No caso dos minerais © dos combustiveis {sci € preciso dosar 0 Indice de eygotamento © a enfase nar ielagem e no uso econtmico, para garantir que 9 Tecurso no so fesgote antes de haver bons substituor parm ele, O desenvolv ‘mento sustentvel exige que 0 indice de'destuigbo doe recursos ‘lo-renovaveis mantenha 9 maximo de opgtes futures possvels, 0 desenvolvimento tende a simplificar os ccossstemas © 8 e- ‘aur diversdade das especies que neles vivem. E as espécics, lama vez extintas, alo se renova. A extingto de especcs vege: lais © animals pode limitar muito az opgéer das geraptes futur; por sso 0 desenvolvimento sustentavel requer a conservasao das species vegetas animate (Os chamados bens livres, como oar © Sua, sio tambéin fe- cursos. As matérias-primas © a enorgia usadat nor processes de ‘rodugdo 56 em parte se convertem em produlos els O resto 36 {eansforma em rejetos. Para haver um desenvolvimento sustent@- vel 6 preciso minimizar os impector adversos sobre & qualidade do ar, da Agua e ce outros clementor natura, finn Ge mamtet 8 integridade global do ecossstema, Em esséncia, 0 desenvolvimento sustentvel & um processo de \wansformagio no qual a explorapio dos recursos, diego doe investimenios, 2 orientasao do desenvolvimento tecnoldgico © = ‘mudanga institucional se harmonizam e reforgamh 0 potencial pre Sentee futuro, a fim de ateader As necessidades © aoplragges hu 2.2 EQUIDADE E INTERESSE COMUM. Descrevemos © desenvolvimento susteativel em temos gems ‘Como persuadir as pessoas ou faré-las agi no interesse comumn? ° Até certo ponto pela educacio, pelo desenvolvimento das insitui- {oes « pol foralecimento legal Porém muitos dos problemas de Etseuigio de recursor ¢ do deagaite do'melo ambiente reultam ‘e dispardades no poder econémico e police. Uma indistia pode tabalhar com nivels inacelfveis de polugio do are da yu porque as pessoas projudicadas sto pobres e nfo tém condi- ‘Ges de teclamar, Pode-se destruir uma floesia pla derubada ‘Excessiva pongor at pessoas que nela vivern ou ndo tim alternati- ‘vas ou so em geral menos influentes que os negociantes Je ma dei. 'As ineragdes ccoldpicas nfo respeltam as fronteiras da pro- priedade individual e da jurisigso politica. Logo: "Name bacia fluvial, um agricultor cuas teres se situem na en- Costa pode, dependendo do modo como as use, aetar © e3coa- ‘mento nas fazendas mas abaixo. "As praicas de urigasso, os praguiidas cos feriliznteswsl- ‘ados numa fazendn afer produtividede das que Ihe so vzi- ‘as, sobretudo se forem pequenss propriedades 1A gua quente que une wsina térmica despeje num rio 08 num {techo de mar afta pesca na regio. (A eficienca de umn caldelra de fbrica determina 0 fndice de missdo de fuligem e produtos quinicos nocivos,afetndo assim {fords os que vivem e tabalham nas imediagées (Os sistemas sociis Wadicionais reconheceram alguns aspectos <ésen interdependéncia © sumentaram o cone da comunidade Sobre as priticas agricolas c sobre on direitos wadiionsis relati- tos a agua, florestas¢ teres. Tal esforgo do “interesse comum”, ‘Sontudo, aio impedin necescariamente 0 crescimento a expan- ‘Sto, embora posta ter Tinitado a acltagoe difusso de inovagées| ‘eenicas ‘A intedependéncia local sumentow, quando muito, devido 2 tecnologia emprepnda na agriculture e na manufatura modernss, ‘Mas, por causa do progress técnico, do “cereo” das fees co- mums do desgaste dos diets comons sobre forest © outs ‘Reurioa, ¢ da intensificagto do coméreo e da produgto para o Ipereado, 2s responsablidades quanto as decisdes esto send re- {Uradas dos grupos ¢ dos individuos. Bssa mudanga ainda ess em ‘processo em muitos pafes em desenvolvimento ‘Nio ¢ que de um lado existam vides e de outro vitimas. Todos cstariam em melhor condigso se cada um considerasse 0s efeitos Se seus atos sobre os dems, Mas ninguém est disposto a rer ‘Que ov outros agirto desse modo, e asim todos continuam a bus- ‘ar seus préprios intereses. As comunidades ou 0s goveros po- ‘dem commpensar esta stuagdo mediante leis, educagio,imposts, Subsidios © outros métodos. O-comprimento das lise uma legis- * EE ey ate Nam a ares Fee a oto a spare Ee Cone Ct Nand no neghgecar oe lems das dirtos humanos na Arica bascurd enatattor, Pa i py est a Thine lS pent ‘Semolvimento © da proteydo ao meio ambiente Depoimeato de um paripante Auta pica da CMMAD, Nauti 3 de ret Se 1986 lapio rigorosa em matéria de responssbildades podem controlar efeitos colatrais danosos. E, © que & mais inporante, seas co- Imus foci parciparem os procesay de deciso,pskro Stcular impor seu intresse comm. "A interdependéncia € mais que umn fendmeno local. O rfpido