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CIDADANIA E PROFISSIONALIDADE UFCD 5 RA 2

CIDADANIA E PROFISSIONALIDADE UFCD 5 – RA 2 FORMADORA: MARINA SANTOS - 2011

FORMADORA: MARINA SANTOS - 2011

CIDADANIA E PROFISSIONALIDADE UFCD 5 – RA 2 FORMADORA: MARINA SANTOS - 2011

Sumário

A dimensão ética: revisões.Sumário Dilemas morais: - Definição e estudo de casos. Duas perspectivas éticas: - I. KANT e

Dilemas morais:Sumário A dimensão ética: revisões. - Definição e estudo de casos. Duas perspectivas éticas: - I.

- Definição e estudo de casos.

Duas perspectivas éticas:revisões. Dilemas morais: - Definição e estudo de casos. - I. KANT e J. STUART MILL.

- I. KANT e J. STUART MILL.

Próxima sessão de formação:Duas perspectivas éticas: - I. KANT e J. STUART MILL. dilemas morais no âmbito do curso.

dilemas morais no âmbito do curso.

A consciência moral

A consciência é a “voz do juiz interior” (Kant)

É a voz interior, que provém da Razãomoral A consciência é a “voz do juiz interior” (Kant) - dita a lei moral (

- dita a lei moral (papel normativo: como deveremos agir); e - aplica a sentença (papel crítico: procura impedir as acções inadequadas e condena

os maus actos).

É uma espécie de tribunal da Razão , em tribunal da Razão, em

que cada um de nós é, simultaneamente,

JUIZ e RÉU, pois julgamos interiormente as acções de que fomos autores e actores.

Um dilema moral

Uma pessoa querida, com uma doença terminal, está viva apenas porque o seu corpo está
Uma pessoa querida, com uma doença terminal, está viva apenas porque
o seu corpo está ligado a máquinas que lhe permitem sobreviver. As suas
dores são insuportáveis, pelo que tem de estar constantemente drogada.
Inconsciente, geme no sofrimento. Os médicos não podem curá-la.

É bom manter uma pessoa drogada para não sofrer?

É bom o uso de um suporte artificial de vida?

É legítimo prolongar a vida quando a doença é incurável?

Será preferível deixar a doença seguir o seu rumo?

Não seria melhor ajudar a pessoa a morrer?

É legítimo praticar a eutanásia se o doente a desejar?

Como agir? Qual é a decisão correcta?

Outro dilema moral

Outro dilema moral Imaginemos que um grupo de terroristas se apodera de um avião em Lisboa

Imaginemos que um grupo de terroristas se apodera de um avião

em Lisboa . Os seus passageiros e tripulantes ficam reféns .

Contudo, os terroristas propõem libertá - los se um cidadão local que eles consideram envolvido em actividades antiterroristas lhes for

entregue para ser morto . Se as autoridades da cidade não

colaborarem ameaçam fazer explodir o aparelho com todas as pessoas lá dentro .

As autoridades locais sabem que o cidadão em causa não

cometeu o menor crime durante a sua vida e que os terroristas

estão enganados pois não participou na morte de membros do grupo que agora dele se quer vingar. Não obstante, sabem que será vã a tentativa de convencer os terroristas de que estão

enganados. Após longa deliberação, decidem entregar o referido

cidadão aos terroristas que libertam os reféns e matam quem queriam matar.

Dilemas Morais: introdução

Dilemas Morais: introdução Haverá pessoas que dirão: «As autoridades agiram de forma moralmente correcta» e outras

Haverá pessoas que dirão: «As autoridades agiram de forma moralmente correcta» e outras que terão uma opinião completamente oposta.  Em que se basearam para avaliar a acção das autoridades Em que se basearam para avaliar a acção das autoridades

neste episódio (fictício)?

Que critério usaram umas para avaliar essa acção como moralmente incorrecta e em que critério se basearam outras para avaliar a mesma acção como moralmente correcta?

Como distinguir uma acção moralmente incorrectapara avaliar a mesma acção como moralmente correcta? de uma acção moralmente correcta? Na avaliação da

de uma acção moralmente correcta?

Na avaliação da moralidade das acções podemos, entre outros, dar relevo a factores como os motivos, as consequências e o

carácter de quem age e toma decisões.

As várias teorias éticas procuram definir o que torna uma acção moralmente correcta ou incorrecta distinguem-se umas das outras pela importância que lhes dão.

Outro dilema moral

Outro dilema moral No filme A escolha de Sofia , uma mulher polaca é presa pelos

No filme A escolha de Sofia, uma mulher polaca é presa

pelos nazis e, com os seus dois filhos, enviada para o campo de concentração de Auschwitz. À chegada, para a “recompensarem” por não ser judia, os nazis colocam-na perante um terrível

dilema: um dos seus filhos será poupado às câmaras de gás mas

tem de ser ela a escolher qual. Agoniada, não sabe que decisão tomar. Para a forçarem a escolher, os Nazis começam a levar as crianças em direcção às câmaras de gás. Sofia acaba por ceder e

escolhe. Salva o seu filho mais velho e sacrifica a sua filha mais

nova e mais frágil. A sua expectativa é a de que o seu filho, mais

forte, terá mais probabilidades de sobreviver às duras condições do campo de concentração.

Fez o que era correcto?

Dilemas Morais: definição

Dilemas Morais: definição Podemos afirmar que um dilema moral é, em geral , uma situação na

Podemos afirmar que um dilema moral é, em geral, uma situação na qual estamos perante duas alternativas com a

mesma força, em que temos de escolher

uma delas e nenhuma é boa/correcta.

com a mesma força, em que temos de escolher uma delas e nenhuma é boa/correcta. FORMADORA:

Dilemas Morais: definição

Qualquer problema em que a moralidade seja relevante. Este uso lato inclui não apenas conflitos entre razões morais, mas também conflitos entre razões morais e razões legais, religiosas ou outras relacionadas com o interesse próprio.

religiosas ou outras relacionadas com o interesse próprio. Qualquer área em que não se sabe o

Qualquer área em que não se sabe o que é moralmente bom ou certo, se sabe o que é moralmente bom ou certo, se

é que algo o é.

Ex. quando se pergunta se o aborto é de algum modo imoral, podemos

chamar ao tópico «o dilema moral do aborto». Este uso não implica que algo

seja realmente de todo em todo imoral.

não implica que algo seja realmente de todo em todo imoral. Uma situação em que um

Uma situação em que um agente tem o dever moral de fazer duas acções,

mas não pode fazer ambas. O exemplo mais conhecido é o estudante de Sartre que tinha o dever moral de cuidar da sua mãe em Paris, mas que ao mesmo tempo tinha o dever moral

de ir para Inglaterra para entrar para a França Livre e lutar contra os nazis.

para entrar para a França Livre e lutar contra os nazis. Uma situação em que todas

Uma situação em que todas as alternativas são moralmente erradas . (…)

Onde reside a moralidade de um acto ?

Onde reside a moralidade de um acto ? Na intenção de Nas consequências que resultam do

Na intenção de

Onde reside a moralidade de um acto ? Na intenção de Nas consequências que resultam do

Nas consequências

que resultam do

próprio acto

de Nas consequências que resultam do próprio acto quem o realiza Éticas deontológicas - éticas formais:

quem o realiza

consequências que resultam do próprio acto quem o realiza Éticas deontológicas - éticas formais: Éticas do
Éticas deontológicas - éticas formais:
Éticas deontológicas
- éticas formais:

Éticas do dever

Éticas teleológicas - éticas materiais:
Éticas teleológicas
- éticas materiais:

Utilitarismo;

Hedonismo.

K A N T STUART MILL
K A N T STUART MILL

KANT

K A N T STUART MILL

STUART MILL

K A N T STUART MILL

1. O que torna as nossas acções

certas ou erradas?

UTILITARISMO:1. O que torna as nossas acções certas ou erradas? Apenas as consequências (finalidade) das nossas

Apenas

as

consequências (finalidade) das nossas

acções as tornam certas ou erradas. Estas

são boas

de

felicidade.

virtude

prazer

apenas

o

em

bem-estar,

promoverem

ou

DEONTOLOGIA: Apenas a intenção com Apenas a intenção com

que um acto é realizado o poderá tornar

bom. Só a boa vontade, a vontade de

cumprir o dever por respeito absoluto pelo

dever torna uma acção moralmente boa.

2. Quando é que as acções estão

certas ou erradas?

UTILITARISMO: Uma acção é má apenas quando Uma acção é má apenas quando

não maximiza o bem-estar nem proporciona (tanto quanto possível) a felicidade do indivíduo.

Qualquer acção que não maximize o prazer/bem-

estar (calculado a médio e longo prazo por cada

indivíduo) ou minimize a dor/desprazer, é errada.

DEONTOLOGIA: Uma acção é errada quando com ela infringimos intencionalmente os nossos Uma acção é errada quando com ela infringimos intencionalmente os nossos

deveres. Muitas acções são intrinsecamente

erradas, independentemente das suas consequências, quando não respeitam o dever

universal de respeito pela dignidade, autonomia e

racionalidade humanas.

A teoria ética de Kant Kant é um filósofo anti-consequencialista A acção moral só pode

A teoria ética de Kant

Kant é um filósofo anti-consequencialistaA teoria ética de Kant A acção moral só pode ser uma acção boa em si

A acção moral só pode ser uma acção boa em si acção boa em si

mesma. Se esta for boa enquanto meio para atingir um fim, então cumpre-se o dever por interesse, seja altruísta ou egoísta.

O valor de uma boa vontade consiste apenas nao dever por interesse , seja altruísta ou egoísta. intenção de praticar o bem , independentemente

intenção de praticar o bem, independentemente de

qualquer interesse subjectivo que possamos ter pelo resultado da acção praticada.

CLASSIFICAÇÃO DAS ACÇÕES CONTRÁRIAS AO DEVER CONFORMES AO DEVER POR INTERESSE PESSOAL POR INCLINAÇÃO IMEDIATA
CLASSIFICAÇÃO DAS ACÇÕES
CONTRÁRIAS AO DEVER
CONFORMES AO DEVER
POR INTERESSE
PESSOAL
POR INCLINAÇÃO
IMEDIATA
POR
DEVER

A teoria ética de Kant

LEI MORAL
LEI MORAL
A teoria ética de Kant LEI MORAL ABSOLUTA E INCONDICIONAL Vale independente- mente das situações concretas,
A teoria ética de Kant LEI MORAL ABSOLUTA E INCONDICIONAL Vale independente- mente das situações concretas,
A teoria ética de Kant LEI MORAL ABSOLUTA E INCONDICIONAL Vale independente- mente das situações concretas,
A teoria ética de Kant LEI MORAL ABSOLUTA E INCONDICIONAL Vale independente- mente das situações concretas,
A teoria ética de Kant LEI MORAL ABSOLUTA E INCONDICIONAL Vale independente- mente das situações concretas,
A teoria ética de Kant LEI MORAL ABSOLUTA E INCONDICIONAL Vale independente- mente das situações concretas,
A teoria ética de Kant LEI MORAL ABSOLUTA E INCONDICIONAL Vale independente- mente das situações concretas,
A teoria ética de Kant LEI MORAL ABSOLUTA E INCONDICIONAL Vale independente- mente das situações concretas,
ABSOLUTA E INCONDICIONAL
ABSOLUTA E
INCONDICIONAL
Vale independente- mente das situações concretas, das conse- quências da acção.
Vale independente-
mente das situações
concretas, das conse-
quências da acção.
APODÍCTICA OU NECESSÁRIA
APODÍCTICA OU
NECESSÁRIA
Tem de ser assim e não pode ser de outro modo.
Tem de ser assim e
não pode ser de
outro modo.
UNIVERSAL
UNIVERSAL
Tem de valer para todos os seres racionais, sem excepção.
Tem de valer
para todos os
seres racionais,
sem excepção.
A priori *
A priori *
Não deriva da experiência. A sua origem está na racionalidade humana.
Não deriva da
experiência.
A sua origem está na
racionalidade humana.

Onde reside o princípio que nos diz como devemos cumprir o dever?experiência. A sua origem está na racionalidade humana. Na nossa consciência, como seres racionais que se

Na nossa consciência, como seres racionais que se reconhecem dotados de liberdade.

Que princípio é esse (que nos orienta)? A lei moral. A lei moral.

A lei moral diz-nos:

«Deves absolutamente e em qualquer circunstância cumprir o dever pelo dever»

- Exige um absoluto e incondicional respeito pelo dever

- Diz-nos a forma como devemos agir: é puramente formal/abstracta, sem conteúdos. - É um imperativo categórico (incondicional), uma ordem não submetida a qualquer condição.

Exemplo: Mentir Queremos universalizar uma máxima que permita mentir? O que é uma máxima? É

Exemplo: Mentir

Exemplo: Mentir Queremos universalizar uma máxima que permita mentir? O que é uma máxima? É um

Queremos universalizar uma máxima que permita mentir?

O que é uma máxima? É um princípio/critério para agir bem.Queremos universalizar uma máxima que permita mentir?  É adequado mentir quando nos convém? Queremos

É adequado mentir quando nos convém?

Queremos realmente que se torne universal?para agir bem.  É adequado mentir quando nos convém?  Não, pois destruiria as expectativas

Não,

pois

destruiria

as

expectativas

confiança entre os indivíduos!

Mas não há excepções?destruiria as expectativas confiança entre os indivíduos! racionais baseadas  desde universalizável: Talvez, que

racionais

baseadas

desde

universalizável:

Talvez,

que

respeite

a

dignidade

humana

e

na

seja

Ex: Se um assassínio quiser matar um inocente, então mentir poderá ser legítimo.

Contudo, num texto escrito no final da sua vida, Kant considera

que é sempre errado mentir. Se fizermos o que está certo a nível das intenções, não seremos responsáveis pelas consequências nefastas

A teoria ética de Kant UMA NORMA MORAL deve ser: Universal «Age segundo uma máxima
A teoria ética de Kant UMA NORMA MORAL deve ser: Universal «Age segundo uma máxima
A teoria ética de Kant UMA NORMA MORAL deve ser: Universal «Age segundo uma máxima

A teoria ética de Kant

UMA NORMA MORAL deve ser:

Universal
Universal
A teoria ética de Kant UMA NORMA MORAL deve ser: Universal «Age segundo uma máxima tal
A teoria ética de Kant UMA NORMA MORAL deve ser: Universal «Age segundo uma máxima tal

«Age segundo uma máxima tal que queiras ao mesmo

tempo que se torne lei universal»

(fórmula do imperativo categórico: devemos fazer,

somente, o que possa ser universalizado). Respeitar a dignidade humana

que possa ser universalizado). Respeitar a dignidade humana «Age de tal maneira que uses a humanidade,
que possa ser universalizado). Respeitar a dignidade humana «Age de tal maneira que uses a humanidade,

«Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto da tua pessoa como na pessoa de qualquer outro sempre e simultaneamente como fim e nunca simplesmente

como meio»

(princípio da finalidade: recusa da instrumentalização e coisificação do outro).

Dilemas Morais: mais dois casos

A) O Dr. X descobriu uma droga que, sem O Dr. X descobriu uma droga que, sem

provocar quaisquer danos à saúde, faz com que as pessoas deixem de se sentir tristes e deprimidas e

estejam sempre bem dispostas e activas, mesmo

perante as circunstâncias mais dramáticas. O seu

plano é introduzir secretamente essa droga na água canalizada.

B) Um homem com uma pistola está a perseguir Um homem com uma pistola está a perseguir

outro. Este esconde-se num local perto de onde

nos encontramos. Quando passa por nós, o homem com a pistola pergunta-nos se vimos para

onde foi outro homem. Mentimos-lhe, dizendo que

não.