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Cap.

3 - Peças Tracionadas Estruturas V

EXERCÍCIOS PROPOSTOS:

5. Na treliça abaixo, A C D
dimensione a barra AB Q

para o aço A-36. Para


as cargas P e Q que
0,8 m.

são: E F

P = 200 kN (GV);
B

Q = 20 kN (vento). P

P = 230 kN. 1,5 m. 1,5 m.

Nó B

50

50
35
35
35
35

φ = 13 mm.

Fig. 5

6. Na treliça da figura 6 a carga P é de 126 kN o aço usado na sua construção é o MR 250.


Pede-se dimensionar:
a) As diagonais, usando cantoneiras duplas de abas iguais. Os parafusos da ligação têm
diâmetro igual a Φ = 3/4";
b) A corda inferior, usando perfis C duplos. A ligação da corda inferior à chapa de nó é
feita por meio de solda.

P/2 P P P P P P/2

Detalhe do Nó

Fig. 6

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bf = 20 + 2 + 1,5

bf = 235 mm = 2,35 cm
LR1 :

bn1 = 29,0 – 2 (2,35) + 0 = 24,3 cm


LR2 :
bn2 = 29,0 – 3 (2,35) +  5,0 + 5,0 
2 2

 4 × 9,0 4 × 11,3 

bn2 = 23,19 cm
LR3 :
bn3 = 29,0 – 3 (2,35) +  5,0 + 5,0 
2 2

 4 × 9,0 4 × 11,3 

bn3 = 23,19 cm
LR4 :
bn4 = 29,0 – 2 ( 2,35) +  5,0 
2

 4 × 9,0 

bn4 = 24,99 cm

Área líquida:
Ag = 56,0 cm²
An = 46,38 cm²

Área líquida efetiva: (Ct = 1,0)


Ae = C t x An
Ae = 46,38 cm²

A-36 ⇒ fy = 250 Mpa, f u = 400 MPa.

Cálculo no Estado Limite de Escoamento (ELP)


Nr = 0,9 x A g x f y
Nr = 0,9 x 5600 x 250
Nr = 1260 KN

Cálculo no Estado Limite de Ruptura (ELR)


Nr = 0,75 x A g x f u
Nr = 0,75 x 4638 x 400
Nr = 1391,4 KN

Conclui-se que a resistência de cálculo dá-se pelo escoamento da seção.

Nr = 1260 KN

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4. Seja a cantoneira indicada ASTM A-36, determinar a resistência de cálculo do


elemento.
20 Parafusos com φ = 20 mm.
50

90

[ mm ]
70

63 37 '
50 50 50 50 50

Fig. 4
Solução :

Largura bruta pode ser calculada por:

b = 200 + 100 – 20

b = 290 mm

Logo:

Ag = 29,0 x 2,0

Ag = 58,0 cm²

Para o estudo da linha (superfície) de ruptura, faz-se o rebatimento de uma


das fases, tornando a cantoneira plana.

Análise das linhas de ruptura: 1,2,3 e 4.


s2
bn = b - ∑ bf + ∑ 4g

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3. Duas chapas de 7/8“ x 30 cm (Fig. 3), são emendadas por transpasse, com 8 parafusos
com l = 16 mm. Verificar se as dimensões das chapas são satisfatórias, admitindo-se aço
A-36.

300 kN 300 kN

# 7/8 "

Solução: Fig. 3

• Área bruta:

Ag = 30 + 2,22 = 66,68 cm²

Ag = 6668 mm²

• Área líquida:

An = [ 30 – 4 (16 + 2 + 1,5)] x 2,22

An = 49,22 cm² ⇒ 4922 mm²


Se:
Sd ≤ Nr

Sd = γ x Q

Sd = 1,5 x 300

S d = 450 KN

Esforços resistentes de cálculo

Ag:

Nr = 0,9 x 6668 x 250 Os esforços resistentes de


cálculo são muito superiores
Nr = 1500KN aos de Sd.

An:

Nr = 0,75 x 4928 x 400

Nr = 1478,4 KN

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2. Para a emenda abaixo (Fig. 2), determinar a área líquida da chapa.

4 parafusos com φ = 25,4 mm.

45

50

55 N

45

[ mm ]
60 40 # 12 mm

Fig. 2
Solução:

Devemos obter a superfície de ruptura analisando as possíveis linhas de ruptura,


onde será determinada uma largura útil para cada uma delas.

bn = b - ∑d f +
∑S 2

4g

bf = φ + 2 + 1,5

bf = 28,9 mm

Análise das linhas de ruptura:

LR1 :
bn = 195 – 2 × 28,9 + 0 = 137,2 mm

LR2 :
60 2 60 2
bn = 195 – 3 × 28,9 + + = 171,56 mm
4 × 50 4 × 55
LR3 :
40 2 60 2
bn = 195 – 3 × 28,9 + + = 132,66 mm
4 × 50 4 × 55
LR4 :
60 2
bn = 195 – 2 × 28,9 + = 155,2 mm
4 × 50
Logo:
bn = 132,66 mm
An = b n × t
An = 15,92 cm²

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EXERCÍCIOS:

1. Para a chapa (MR 250 / ABNT), calcular a espessura necessária quando sujeita a um
esforço axial de 100 kN (Fig. 1), sabendo que a chapa apresenta uma largura de 10 cm.
(a) fazer o dimensionamento no
estado limite; (b) considerando que
a tensão admissível é 60% da
10 cm.
tensão de escoamento, qual a
100 kN 100 kN
espessura da chapa.
Fig. 1

Solução:

a) Considerando P como sendo uma carga variável o esforço de cálculo (solicitação):

Sd ≤ N r Nr = Φ t x A g x f y (Φ t = 0,90)

Sd = γq x Q

Nr 150 x 10 3
Sd = 1,5 x 100 Ag = =
Φ t . fy 0,90 . 250

Sd = 150 kN Ag = 666,67 mm2

Área Bruta:
666,67
Ag = l x t t= t = 6,67 mm
100

b)
σTADM = 0,6 . fy

σ TADM = 0,6 x 250

σ TADM = 150 MPa σ ADM ≥ σSERV

100 x 10 3
150 ≥
A

A ≥ 666,67 mm2 t ≥ 6,67 mm

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3.5 DIMENSÕES E USO DE FUROS


As dimensões máximas de furos devem obedecer aos valores indicados na tabela 1 a
seguir:
Tabela 1 – Dimensões máximas de furos para parafusos e barras rosqueadas
Diâmetro nominal Diâmetro Diâmetro do Dimensões de um
Dimensões de um
do parafuso ou do furo furo furo muito
furo pouco alongado
barra rosqueada padrão alargado alongado
Diâmetros

≤ 24 d + 1,5 d+5 (d + 1,5) x (d + 6) (d + 1,5) x (2,5d)


em mm

27 28,5 33 28,5 x 35 28,5 x 67,5


≥ 30 d + 1,5 d+8 (d + 1,5) x (d + 9,5) (d + 1,5) x (2,5d)
Diâmetros

polegadas

≤ 7/8” d + 1/16” d + 3/16” (d + 1/16”) x (d + 1/4”) (d + 1/16”) x (2,5d)


em

1” 1 1/16” 1 1/4” 1 1/16” x 1 5/16” 1 1/16” x 2 1/2”


≥ 1 1/8” d + 1/16” d + 5/16” (d + 1/16”) x (d + 3/8”) (d + 1/16”) x (2,5d)

Nas ligações parafusadas entre barras devem ser usados furos padrão, a não ser
que seja aprovado pelo responsável pelo projeto o uso de furos alargados ou alongados.
3.5.1 Espaçamento Mínimo entre Furos
A distância entre centros de furos padrão, alargados ou alongados, não pode ser
inferior a “2,7d”, de preferência “3d”, sendo “d” o diâmetro nominal do parafuso ou barra
rosqueada. Além deste requisito, a distância livre entre as bordas de dois furos
consecutivos não pode ser inferior a “d”.
3.5.2 Distância Mínima de um Furo às Bordas
A distância do centro de um furo padrão a qualquer borda de uma parte ligada não
pode ser inferior ao valor indicado na tabela 2 (NB-14, Tab. 18).
Tabela 2 – Distância mínima do centro de um furo padrão à borda
Diâmetro “d” Borda cortada com serra ou Borda laminada ou cortada
ASTM ISO tesoura (mm) a maçarico (mm)
M12 21 18
1/2” 22 19
5/8” M16 29 22
3/4” 32 26
M20 35 27
7/8” M22 38 29
M24 42 31
1” 44 32
1 1/8” M27 50 38
M30 53 39
1 1/4” 57 41
M33 58 42
> 1 1/4” > M33 1,75d 1,25d

3.5.3 Distância Máxima às Bordas


Para qualquer borda de uma parte ligada, à distância do centro do parafuso (ou barra
rosqueada) mais próximo até essa borda não pode exceder 12 vezes a espessura da parte
ligada considerada, nem 150 mm.

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3.4 BARRAS COMPOSTAS TRACIONADAS

A NB-14 (item 5.2.4) estabelece critérios relativos ao comportamento e vinculação


de peças compostas de tal forma a se ter o comportamento conjunto das barras que
compõem um perfil composto (Fig. 11).
Estas recomendações têm como objetivo o comportamento efetivo das barras de um perfil
composto como um conjunto único, ou seja, com todas as barras do perfil trabalhando com a
mesma tensão média.

N N N N

SOLDA INTERMITENTE DE FILETE


≤ 300mm.

≤ 600mm
≤ 24 t

PARAFUSOS

PARAFUSOS

2b/3
(L/rmín) ≤ 300

≤ 150 mm


b

(L/rmín) ≤ 300
SOLDA INTERMITENTE DE FILETE

SOLDA INTERMITENTE DE FILETE

D D

B B

PARAFUSOS
A
L

≥ 2b/3
≤ 150 mm
≤ 300mm.

≤ 600mm
≤ 24 t

b
C C
≥ b/50

N N N
N
t

rmín

CORTE A-A CORTE C-C

CORTE D-D

CORTE B-B

Fig. 11 – Barras compostas tracionadas

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N/2

N Se:
d < 1,5 b → C t = 0,90
d
d ≥ 1,5 b → Ct = 0,85

N/2
b
Fig. 8 – Perfis I, H ou T com um mínimo de 3 parafusos por linha de furação, na direção da solicitação
(ligado somente pelas mesas)

b) perfis I e H que não atendam os requisitos anteriores (Fig. 8), perfis T cortados desses
perfis e todos os demais perfis, incluindo barras compostas, tendo, no caso de ligações
parafusadas um mínimo de três parafusos por linha de furação na direção da solicitação:

Ct = 0,85

c) em todas as barras com ligações parafusadas, tendo somente dois parafusos por linha
de furação na direção da solicitação (Fig. 9):

Ct = 0,75

d) Quando os componentes da estrutura Fig. 9 – Dois parafusos por linha de furação, na direção
apresenta todos os seus elementos da solicitação.
ligados entre si (Fig. 10).

Ct = 1,0

Fig. 10

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OBS:
Considera-se que, quando trabalhamos com ligações parafusadas observa-se que a
largura do furo da ligação é maior que o diâmetro do parafuso, isto se deve que é muito
comum furar a peça por puncionamento, conseqüentemente o furo é obtido por rasgamento
da peça, acarretando um orifício aproximadamente tronco-cônica, com paredes de
superfície irregular. O material que circunda as paredes do furo apresentando algumas
trincas (Fig. 7), o que faz t
com que seja considerada
uma folga provocada pelas 1,5 mm
imperfeições que nela se a
.

criam, pelo processo de içõ


es
rfe
furação. Imp
e
b
Caso o furo seja
perfurado com brocas, d

pode-se adotar “p = 0” e,
para parafusos e furos
ajustados, isto é, parafusos
Fig. 7 – Imperfeições na peça, provocado pelo puncionamento do furo
usinados e furos
perfurados por brocas, podem reduzir a folga entre o furo e o fuste do conector.
3.3.3 Área Líquida Efetiva (Ae)
Segundo a NB-14, ressalta que, quando a transmissão de carga for feita para apenas
alguns elementos (mesa ou alma) da seção, a área líquida efetiva (Ae) deve ser calculada
por:

A e = Ct . A n ( 3.11 )
Onde:
Ct → coeficiente que depende da forma com é feita a ligação (item 5.1.1.3).
Isto acontece, devido a que nem sempre a superfície de ruptura por tração é plana.
Por uma simples razão, o fluxo de tensões que ocorre na região de transferência de
esforços (furos, soldas, etc.). Assim, é que em alguns casos uma peça sem furos (onde a
área bruta é igual à área líquida) ao ser tracionada rompe-se com tensões inferiores às
tensões de ruptura (fu) do aço que a compõe.
Já no caso de uma cantoneira tracionada, cuja ligação se faz por uma de suas abas,
apenas pode romper por uma superfície tal que sua resistência seja inferior à resistência
teórica da área líquida transversal ao eixo de aplicação do esforço.
Segundo NB-14 (item 5.1.1.3), alguns critérios para adoção do Ct:
a) perfis I ou H cujas mesas tenham uma largura não inferior a 2/3 da altura do perfil e
perfis T cortados desses perfis, com ligações das mesas (Fig. 8), tendo, no caso de
ligações parafusadas, um mínimo de três parafusos por linha de furação na direção da
solicitação.

Ct = 0,90

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sendo: t

l =a+b-t
a

3.3.2 Área Líquida (A n)


b
A área líquida de um
elemento, numa seção qualquer, Fig. 5 – Área bruta - Cantoneiras
deve ser calculada substituindo-
se a largura bruta pela largura líquida.
A ruptura de uma placa de aço, quando apresenta vários furos que de alguma forma
atuem em conjunto, e comprometam a placa, quando submetida a tração, pode ser difícil de
ser determinada teoricamente. Existem várias maneiras de resolver o problema, de forma
simples e confiável. A NB-14 (item 5.1.1.2 – “b”) descreve para o caso de análises de largura
efetiva em elementos com furos em diagonal ou em zig-zag (Fig. 6), como sendo a “Relação
de Cochrane” para o cálculo da área líquida:

s2
bn = b - ∑ d f + ∑ 4g ( 3.9 )

Onde:
bn → largura líquida da seção;
b → largura bruta da seção;
s → distância entre furos consecutivos medida na direção do esforço;
g → distância entre furos consecutivos medida ortogonalmente ao esforço.
Sendo:
df = d + p + f ( 3.10 )
Onde:
d → diâmetro do parafuso;
p → espessura da parede danificada (imperfeições) pela punção do furo
(NB 14 - item 7.3.4.1- furo padrão);
f → folga entre o parafuso e o furo (f = 2,0 mm) (NB-14, item 5.1.1.2 - “a”).

1 2 3 4
1 3 4

4
g 1
3

N 1 4 N
2

1 3 4

Fig. 6 – Seção líquida de peças com furos

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3.2.2 Esbeltez das Peças Tracionadas.


Denomina-se índice de esbeltez (λ ) de um elemento a relação entre seu
comprimento e o raio de giração mínimo da seção transversal. Estudas a esbeltez em peça
tracionadas não têm muita importância, uma vez que o esforço de tração tende a retificar a
haste, reduzindo excentricidades construtivas iniciais. Porém, a NB-14 (item 5.2.6), a
exemplo de normas de outros países fixam-se limites do índice de esbeltez de peças
tracionadas, com a finalidade de reduzir efeitos vibratórios provocados por impactos,
evitar a ressonância com vibrações induzidas por efeitos de vento, etc.

λ
Para barras principais 240

Barras secundárias e peça de


300
contraventamento

O índice de esbeltez é calculado por:

le
λ =
r
I
r =
A
Onde:
le → comprimento entre os centros de ligação (apoios) da barra;
r → raio de giração da seção;
I → momento de inércia (o menor com relação aos eixos principais);
A → área de seção transversal.

A esbeltez das peças será estudado com maior ênfase no Cap. IV – para peças
comprimidas.

b
3.3 ÁREAS DE CÁLCULO
3.3.1 Área Bruta ( A g )
t
A área bruta de uma seção deve
ser calculada pela soma dos produtos da
espessura pela largura bruta do
elemento (Fig. 4), medida em direção Fig. 4 – Área bruta de emenda de duas chapas

normal ao eixo da barra.

Ag = b . t ( 3.7 )

Para cantoneiras, a largura bruta é a soma das abas subtraída de sua espessura (Fig.
5).

Ag = l . t ( 3.8 )

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Onde:
Nn → resistência nominal à tração;
Ag → área bruta da seção (desprezar a presença de furo);
fy → tensão de escoamento do aço;
Rd → resistência de cálculo;
φt → coeficiente de resistência à tração;
Ae → área líquida efetiva da barra;
fu → tensão de ruptura do aço.

OBS:
É importante ressaltar que o coeficiente de minoração para a peça plastificada é
menor do que a peça submetida no estado de ruína. Isto porque o estado limite de
plastificação não leva maiores danos à estrutura do que uma exagerada deformação,
enquanto que a ruína significa a segurança de vidas e coisas. De qualquer forma, mesmo
para peças em que o dimensionamento fica regido pelo estado limite último de plastificação,
o coeficiente de segurança à ruptura é no mínimo 0,75.

3.2.1.2 Pecas com extremidades rosqueadas (NB – 14, item 7.3.2.2)


A resistência de cálculo de uma barra tracionada com extremidade rosqueada é o
menor dos valores obtidos com base no estado limite de escoamento da seção bruta (Eq.
3.1) e no estado limite de ruptura da parte rosqueada. A resistência de cálculo para este
último estado limite, aplicável também a parafusos tracionados é “Rd = φ t . Rnt”, onde “φt =
0,75” para parafusos ASTM A325 ou A490 e “ φt = 0,65” para os demais parafusos e barras
rosqueadas.
O cálculo de resistência nominal a tração “Rnt” é dado segundo as seguintes
características geométricas do material:
a) parafusos ou barra rosqueada considerando “dn ≥ 12 mm”:

Rnt = 0,75 . A p . fu ( 3.5 )

b) parafusos ou barra rosqueada considerando “dn > 25 mm”:

Rnt = 0,95 . A r . f u ( 3.6 )

Onde:
fu → resistência à tração do material do parafuso ou barra rosqueada (segundo
Anexo A, item A-4);
Ap → área bruta, baseada no diâmetro nominal “d” do parafuso ou barra rosqueada
(A = π . d2 / 4);
Ar → área efetiva à tração (conforme item 7.3.1.2).

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Cap. 3 - Peças Tracionadas Estruturas V

Porém, quando a seção transversal varia de forma brusca, as tensões podem ter
distribuição bastante variada. O caso mais comum é a presença de furos nas ligações, que
provocam concentração de tensões. Observamos na Fig. 3a uma peça submetida a tração e
as tensões em uma seção afastada do furo são uniformes. Na Fig. 3b pode-se observar as
tensões que acontecem no furo, podendo notar:
• define-se que quando as tensões encontram-se na zona elástica a distribuição de
tensões são maiores nas fibras próximas ao furo;
• quando a fibra mais solicitada alcança a tensão de escoamento (início do escoamento)
ela permanece sem aumento de tensão, porém as demais fibras vão aumentando até,
também, chegarem à tensão de escoamento. Logo quando todas as fibras estiverem
solicitadas na tensão de escoamento atinge-se o estado limite de plastificação, que
se caracteriza por deformações grandes.
É evidente que as seções cortadas pelo furo atingem plastificação antes das demais,
mas o alongamento da peça como conseqüência desta plastificação prematura, é
praticamente desprezível.
Logo, podemos considerar que as tensões sejam uniformes na área líquida e
aumentam até a ruptura ou estado limite de ruína. Como a ruptura deve ocorrer na seção
mais frágil da peça, os furos têm que ser levados em conta.
Quando a tensão é maior a aquela correspondente à zona elástica diz-se que o
elemento começa a plastificar. Quando as deformações atingem o valor limite (ε y) diz-se
que foi atingido o estado limite de plastificação, e se supõe que toda a seção esteja
solicitada por tensões de escoamento.
A resistência de cálculo de um elemento solicitado a tração (esforço axial) pode ser
determinada pela ruptura da seção líquida (provocando colapso), ou pelo escoamento
generalizado da seção bruta (que provoca deformações exageradas).

3.2.1.1 Peças em geral com furos:


Segundo a NB-14 nos elementos com furo, a resistência de cálculo (Nr – Cap. II, Eq.
2.5) a ser usada no dimensionamento é o menor valor obtido com os estados limites de
escoamento da seção bruta e ruptura da seção líquida.
a) Estado limite de escoamento da seção bruta- ELP (resistência nominal de
plastificação):

Nr = φ t . N n ( 3.1 )

φt = 0,90
Nn = A g . f y ( 3.2 )

b) Estado limite de ruptura da seção líquida efetiva - ELR (resistência nominal de


ruptura ou ruína):

Nr = φ t . N n ( 3.3 )

φt = 0,75
Nn = A e . f u ( 3.4 )

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Cap. 3 - Peças Tracionadas Estruturas V

As ligações das extremidades das peças tracionadas com outras partes da estrutura
podem ser feitas por diversos meios, tais como:
• soldagem;
• conectores aplicados em furos parafusos ou rebites;
• rosca e porca (casos de barras rosqueadas).
A seguir mostra-se o desenho de um nó de treliça (Fig. 2), cujas barras são
formadas por associação de duas cantoneiras. As barras são ligadas a uma chapa de nó,
denominada “gusset”, suja espessura “t” é igual ao espaçamento entre as cantoneiras. As
ligações das barras com chapa “gusset” são feitas por meio de furos e conectores.

P P

N T

Fig. 2 - Nó de uma treliça (Gusset)

Barras tracionadas com seção transversal uniforme não apresentam problemas


quanto ao comportamento, podendo-se admitir que as tensões se distribuem uniformemente
ao longo da seção transversal. Neste caso, uma barra solicitada à tração se comporta
exatamente como um corpo de prova no ensaio a tração. Enquanto as tensões não atingem o
limite de proporcionalidade (zona elástica) o material tem um comportamento semelhante
ao teórico estudado na Resistência dos Materiais.

3.2 CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO


3.2.1 Distribuição de Tensões Normais na Seção.
Nos elementos com furos solicitados a esforços de tração, as tensões em regime
elástico não são uniformes como dito pela teoria da Resistência dos Materiais, verificando-
se tensões mais elevadas nas regiões próximas aos furos (Fig. 3).

N
N N N

σmáx = 3 σ méd

fy fy fu

N N N N
(a) fase (b) início do (c) plastificação (d) limite de resistência
elástica escoamento da seção líquida da seção líquida

Fig. 3 – Distribuição de tensões normais (tração axial), em uma peça com furo

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Cap. 3 - Peças Tracionadas Estruturas V

Capítulo 3
Peças Tracionadas
3.1 ELEMENTOS CONSTRUTIVOS
O elemento estrutural feito em material aço apresenta um bom desempenho quando
solicitadas a esforços de tração (carga axial), o que se denomina solicitação a tração
simples.
Os elementos tracionados são empregados, nas estruturas, sob diversas formas
como por exemplo:
• Tirantes ou pendurais;
• Contraventamento de torres (estais);
• Travejamento de vigas ou colunas, geralmente com dois tirantes em forma de X
(xizamento);
• Tirantes de vigas armadas;
• Barras tracionadas de treliça.
Os elementos tracionados em geral podem ser constituídos por barras de seção
simples ou compostas, como por exemplo:
• Cabos de aço;
• Barras redondas (rosqueadas – Fig. 1a) ou chatas (Fig. 1b);
• Barras laminadas (simples – Fig. 1c) ou compostas de duas cantoneiras simples
(Fig. 1d).

(a) (b) (c) (d)


Fig. 1 - Tipos de perfis utilizados em peças tracionadas.

Os cabos de aço são usados como estais ou cabos de suspensão de pontes,


estaiamento de torres ou suportes de coberturas. Apresenta uma eficiência notável, dado o
processo de fabricação por trefilação com o qual são agrupados em fios arranjados
helicoidalmente (fios de pequeno diâmetro), obtendo-se tensões de ruptura muito altas.
Têm como desvantagem de não resistir a esforços de compressão o que os torna
inaplicáveis em muitas situações.
As barras redondas são usadas como reforço de terças de telhado, como barras
tracionadas de treliças de madeira ou concreto armado, como contraventamentos e
tirantes de arcos.
Barras laminadas simples ou compostas são usadas em estruturas reticuladas
(treliças) em todos seus empregos na engenharia.

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