Geografia

Recursos renováveis – são recursos que são repostos à medida que vão sendo
consumidos desde que não sejam utilizados a um ritmo superior ao da sua
capacidade
de
reposição.
Recursos não renováveis – são recursos cujos processos de formação na
crusta terrestre são muito lentos, com ciclos geológicos muito longos, e por
serem cada vez mais utilizados, tendem a esgotar, porque a velocidade de
utilização é superior à capacidade de reposição.
Os recursos minerais são exemplos de recursos não renováveis e dividem-se em:
Minerais metálicos – cobre, ferro e estanho;
Minerais para construção – agregados (areias, saibro, pedra britada), minerais
para cimento e cal (margas e calcários) e rochas ornamentais (granito, mármore
e calcário);
Minerais industriais – caulino, argila, quartzo, feldspato, sal-gema;
Águas - Termalismo e engarrafamento (águas minerais e águas de nascente).
Indústria extrativa: é a indústria que extrai os produtos no seu estado bruto,
directamente da Natureza. As substâncias extraídas destinam-se à produção
industrial, construção civil e obras públicas, produção de energia, e no caso das
águas, ao termalismo e ao consumo. A indústria extrativa gera riquezas e
contribui para criar novos postos de trabalho e para dinamizar as áreas rurais.
Unidades geomorfológicas de Portugal Continental
O Maciço Hespérico ou Maciço Antigo é a
unidade geomorfológica mais antiga, tendo por
isso mais diversidade geológica. Lá encontramse jazidas minerais (áreas no subsolo onde se
podem encontrar minerais) e predominam os
granitos e os xistos. O Maciço Antigo é
atravessado pela Cordilheira Central, que é
constituída pela Serra da Estrela, Açor,
Gardunha e Lousã. A norte da Cordilheira
Central há um relevo muito acentuado, com
montanhas, planaltos e vales profundos e
encaixados, onde se destaca o Sistema Peneda
Gerês ou Barreira de Condensação. A sul da
Cordilheira
Central,

a
peneplanície
alentejana, que é uma área de altitude mais
baixa, onde se destaca a Serra de S. Mamede,
e limitada a sul pelas Serras de Monchique e
Caldeirão.
As orlas sedimentares são uma unidade
onde se foram acumulando sedimentos margosos e calcários. E por isso, as
rochas que predominam são as rochas sedimentares. As orlas sedimentares

entre a serra e o mar. Para além do volfrâmio também extraem o cobre e o estanho. É constituída por planícies sedimentares e apesar da pouca diversidade geológica. maior valor de produção e mais mão-de-obra. de entre os minerais para construção. principalmente na Faixa Piritosa Ibérica. durante o Cenozóico. É aí que se localiza o complexo mineiro Neves Corvo. formadas pela deposição de sedimentos marinhos e. que é uma área que se estende desde Grândola até Sevilha. Os minerais para cimento e cal. mas principalmente o cobre. e destaca-se. o Pico. As bacias do Tejo e do Sado. O cobre é o mineral metálico com mais valor económico. Minerais para Construção A extração dos minerais para construção. sedimentos de origem continental. e corresponde a uma área de costa baixa e arenosa. são a unidade geomorfológica mais recente.dividem-se em Orla Ocidental e Orla Meridional. Estas minas correspondem ao mais importante depósito na União Europeia. onde se erguem as serras de Aire e Candeeiros. Os agregados. e são as únicas minas que extraem o volfrâmio (ou tungsténio). de entre os minerais para construção são os que têm maior volume de produção. ou Algarvia. principalmente. são os que . e é onde se extraí o cobre e o zinco. e como é muito procurado. na ilha do Pico. As minas da Panasqueira. É um bom condutor da eletricidade e por isso é usado na indústria elétrica. Orla Meridional. O volfrâmio é utilizado em filamentos de lâmpadas e em aços duros. e na Madeira destaca-se o Pico Ruivo e o Pico Arieiro Minerais Metálicos Os minerais metálicos exploram-se no Centro e no Alentejo. onde se destacam apenas algumas colinas calcárias. de Espinho até à Serra da Arrábida. são as minas mais antigas em atividade no nosso país. minerais para cimento e cal e rochas ornamentais. predominam as rochas sedimentares. que são as minas em atividade mais importantes do nosso país. Lá. com vertentes abruptas e vales profundos. ocupa a faixa litoral do Algarve. Nos arquipélagos da Madeira e dos Açores. Orla Ocidental: estende-se ao longo do litoral. predominam as rochas de origem vulcânica. e mais a sul erguem-se a serra de Sintra. sendo que quase a totalidade da produção de cobre se destina ao exterior. é a principal substância exportada. que constituem os agregados. de natureza calcária. São utilizados na construção civil. de constituição granítica e a serra da Arrábida. o relevo é muito acentuado. O aumento do consumo dos minérios metálicos associado ao valor crescente no mercado está a tornar rentáveis as exportações de teores de minério mais baixos e justifica o recente incremento da atividade no nosso país. é feita nas pedreiras. como o basalto e a pedra-pomes. É constituída essencialmente por planícies e é onde se localiza o Maciço Calcário Estremenho. nos Açores.

Espanha e Cabo Verde. Portugal tem. deixaram de ser exploradas. são os que têm menos volume de produção. as termas localizam-se essencialmente em áreas do Maciço Antigo. O sal-gema está a ter um valor crescente. em que predominam os idosos. que se deve ao facto de o mármore ser muito procurado. o que se deve à cada vez maior exigência dos consumidores no que diz respeito à qualidade das águas. que não só apresentam condições para tratamento de doenças como também áreas reservadas ao lazer e relaxamento. Recursos energéticos O subsolo português é pobre em recursos energéticos. a norte do rio Tejo. No termalismo há o termalismo clássico que se caracteriza por locais onde utilizam as águas termais apenas para tratamentos de doenças. Minerais Industriais Os minerais industriais são explorados essencialmente no Norte e no Centro. acontece o mesmo. de importar os combustíveis fósseis. não se conhecem reservas de petróleo ou gás natural. que se destina a todas as idades. Rochas Silicosas – Granito. As rochas ornamentais. as que têm maior número de exportações. sobretudo para Angola.têm menor valor de produção e menos mão-de-obra. O quarto e o feldspato são constituintes do granito e são usados na indústria cerâmica e na de vidro. de entre os minerais para construção. e o termalismo de Saúde e Bem-estar. criando uma grande dependência externa. ou recursos hidrominerais. e as reservas de urânio. quase a totalidade de exportações de minerais para construção são rochas ornamentais. e contribui para o seu desenvolvimento económico e social. sendo que. O salgema é utilizado na indústria química. A balança comercial portuguesa é desfavorável porque importamos mais do que o que exportamos. As oficinas de engarrafamento em atividade encontram-se. destinam-se ao termalismo e ao consumo. O consumo de águas engarrafadas tem vindo a aumentar significativamente nos últimos anos. . Águas minerais – maior valor económico. Já no termalismo. devido à fraca competitividade devido à descida do seu preço no mercado mundial. agroalimentar e de rações. Águas de nascente – maior nº de exportações. As termas. O caulino é utilizado na indústria cerâmica. São também. As rochas ornamentais dividem-se em Rochas Carbonatadas – mármore e o calcário. Águas As águas. apesar de existirem. São utilizados na construção civil e na indústria cimenteira. principalmente. e Ardósias e Xistos – ardosíferos. assim. A área de maior produção é a Faixa Estremoz/Borba/Vila Viçosa. As reservas de carvão estão esgotadas. o que se relaciona com a abundância de água nessas regiões. recursos endógenos de determinadas regiões que contribuem para dinamizar essas regiões.

Gás Natural: a introdução do gás natural veio reduzir a dependência externa em relação ao petróleo. e que obtém eletricidade. Predomina nos Açores. A intermitência do vento é a maior desvantagem desta fonte. embora estejam em curso projetos para a produção de bio combustíveis. A maioria das centrais hidroelétricas localizam-se a norte do Rio Tejo. em anos de seca. Na União Europeia. Portugal situa-se entre os países com maior importância da energia elétrica produzida a partir de fontes renováveis no total da eletricidade consumida. onde é maior a abundância de água e o relevo e a rede hidrográfica proporcionam melhores condições para a construção de barragens. veio diversificar as fontes de energia utilizadas e os países fornecedores. com reflexos no aumento das centrais e da eletricidade produzida a partir dessa fonte de energia. destaca-se no conjunto das importações de produtos energéticos. O interior. principalmente o distrito de Viseu. Os parques eólicos localizam-se nas áreas mais ventosas que correspondem a zonas costeiras ou montanhosas. . cuja utilização tem vindo a aumentar. e para a produção de eletricidade. A irregularidade na distribuição anual da precipitação condiciona as disponibilidades hídricas e leva a que. Energias Renováveis A energia hídrica é a fonte de energia renovável mais utilizada para a produção de eletricidade em Portugal. Angola é o principal fornecedor. Apesar de importarmos muito petróleo. o que tem uma grande importância pois contribui para equilibrar a balança comercial portuguesa. A sua principal fonte tem sido a florestal. o nosso país tenha de importar outras fontes de energia. no consumo doméstico. Os recursos que Portugal dispõe para a produção de energia são os renováveis. não só dá para próprio consumo como também dá para exportar. onde o abastecimento das fontes de energia fóssil se torna mais fácil. que. para garantir a sua sustentabilidade. Nos últimos anos verificou-se um forte investimento nesse sector. As maiorias das centrais termoelétricas localizam-se no litoral.Petróleo: fonte de energia primária mais consumida. é a região com maior capacidade instalada para gerar eletricidade a partir da energia eólica. A energia da biomassa tem sido utilizada na produção de energia calorífera. uma vez que o transporte se faz por via marítima. A energia geotérmica é o único recurso energético proveniente do subsolo e pode ser aproveitada para a energia térmica (aquecimento). As centrais de biomassa localizam-se no centro. em áreas de floresta. Carvão: a tendência de utilização tem vindo a diminuir devido ao seu impacte ambiental. em Portugal transforma-se esse petróleo em gás natural. É importado da Colômbia. A energia eólica é a segunda fonte de energia na produção de eletricidade.

de origem fóssil. com salários. . o externo.  Fraca ligação à indústria transformadora para escoamento da produção. Forte concorrência internacional O mercado dos recursos minerais é controlado por multinacionais que dominam a exploração das principais jazidas mundiais em países como a China. ambientais e de segurança. sobretudo. o que demonstra os contrastes regionais. Fraca competitividade nos mercados  Muitas das empresas são pequenas. que utilizam muito equipamento tecnológico e instalações climatizadas.  Dificuldade na relação com os mercados. Problemas indústria extrativa: Extração difícil e dispendiosa  As jazidas estão localizadas em zonas de difícil acesso (áreas montanhosas e de relevo acidentado. Devido à escassez de recursos energéticos existe uma grande dependência externa relativamente à energia consumida. Potencialidades e problemas da indústria extrativa A indústria extrativa promove o desenvolvimento das comunidades e regiões onde se desenvolve. segurança e ambientais menos restritivas. minas e pedreiras. através da criação de emprego e riqueza. áreas protegidas). o Chile e o Brasil que obtém custos de produção bastante mais baixos e muito competitivos devida a mão de obra barata e normas de trabalho.  Elevado custo de mão-de-obra. O consumo de gasolina e o consumo de energia elétrica é maior no litoral (principalmente nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto) e menor no interior. transporte e consumo tem forte impacte económico e ambiental. grande profundidade. sobretudo no que se refere ao tráfego de mercadorias. tornando a sua extração difícil e agravando os custos de produção. águas e termas e recursos energéticos.Consumo Tem-se registado um aumento do consumo de energia que se deve ao crescimento dos transportes. à expansão da indústria e dos serviços. prevenção e segurança e assistência médica relativamente a outros países produtores. maioritariamente. cuja aquisição. à melhoria da qualidade de vida da população.  Dificuldade no cumprimento das regras de exploração em termos técnicos.

gás natural e carvão que consome. A dependência externa traduz problemas como:     Elevado valor da despesa externa com a importância de combustíveis. tóxicos e indústria. Na balança comercial portuguesa mantém-se muito elevado o peso do valor dos produtos energéticos. uma vez que não dispõe desses recursos. Constrangimentos para o crescimento sustentado da economia. que podem surgir na sequência de problemas internacionais e que têm também reflexo no aumento dos preços dos produtos energéticos. nos oleodutos e gasodutos e nos parques de armazenamento de combustíveis. como o risco de incêndio nos postos de abastecimento. Mais de . produtos químicos. Contaminação dos solos e das águas produção superficiais e subterrâneas com de energia termoelétrica. sobretudo do petróleo. podendo conduzir a alterações climáticas irreversíveis  Acidentes e derrames que A distribuição e o consumo de produtos energéticos colocam problemas de ocorrem ainda durante o segurança para as populações.Riscos Ambientais Atividade extrativa: Recursos Energéticos: Degradação da paisagem com grande Emissão de gases impacto visual. Vulnerabilidade relativamente a falhas no abastecimento. Dependência externa Portugal é totalmente dependente do exterior em relação ao petróleo. refinação do petróleo. estufa. A situação da dependência energética é comum à maioria dos países da União Europeia. sobretudo rodoviário. Vulnerabilidade face às oscilações dos preços dos combustíveis. sobretudo em relação ao petróleo e ao gás natural. os quais te de importar na totalidade. metálicos. sobretudo no caso das minas Agravamento do efeito de abandonadas. perigo de derrame ou incêndio nas refinarias. as quais levam ao aumento generalizado de todos os produtos. como é o caso das poluentes pela minas e das pedreiras. o que contribui grandemente para o défice da balança comercial portuguesa. perigo para as populações em caso de acidentes no transporte de energia. transporte e radioativos junto das minas de minérios consumo. que constitui também um espaço de dependência energética.

A implementação de políticas integradas de desenvolvimento que incluam estes recursos. Desenvolver e implementar políticas de ordenamento do território que incluam os recursos minerais e que evitem conflitos no uso do solo. avaliar e localizar os recursos do subsolo nacional. financeiros. A utilização dos recursos de forma mais racional e eficiente. A realização de estudos e a definição de medidas que levem a uma relação de equilíbrio entre a indústria extrativa e a preservação ambiental.metade da energia consumida na União Europeia provém de países externos. Racionalizar o processo de produção  Promover o redimensionamento das empresas. Valorização dos recursos do subsolo. Implementar estratégias e políticas de recursos minerais de suporte à indústria extrativa. continental e oceânico. implica:       A procura de soluções para os principais problemas do setor. Utilizar novas tecnologias que permitam a exploração de jazidas de maior profundidade e o aproveitamento de minérios de baixo teor e outros de grande valor unitário. científicos e tecnológicos para a inventariação e localização de recursos ainda não aproveitados. Inventariar. Reativar minas de riqueza considerável e implementar medidas de apoio às que ainda estão em atividade. para que ganhem capacidades técnicas e de gestão que as tornem mais competitivas no mercado externo. Minas e pedreiras…        Melhoras as condições de exploração Criar ou melhorar as infraestruturas para superar as dificuldades da localização desfavorável de muitas jazidas e viabilizar a sua exploração. . A mobilização dos meios políticos. através de novos métodos e técnicas de prospeção e investigação. A sua promoção nos mercados interno e externo.

a sua exploração tem registado uma evolução positiva que pode e deve ser potencializada. Realização de estudos hidrológicos que permitam conhecer e aproveitar melhor os recursos existentes.   Incentivar uma maior ligação às atividades a jusante da indústria extrativa e a valorização dos produtos. é cada vez mais raro na sua forma pura e muito vulnerável às agressões ambientais. nos perímetros alargados de proteção dos aquíferos e das zonas de captação. através da sua redução e reutilização. Termas… As termas localizam-se em áreas pouco industrializadas e são um fator de desenvolvimento regional. É um setor que importa valorizar através de medidas como:     A criação de infraestruturas que diversifiquem a oferta de lazer e de atividades turísticas paralelas. Promover a recuperação e requalificação ambiental das minas e pedreiras desativadas. . Minimizar os impactes ambientais    Fomentar uma adequada gestão dos resíduos. O aproveitamento energético do calor das águas. Modernização das indústrias de captação e engarrafamento de águas. de modo a diminuir a sazonalidade associada às termas. Águas… As águas minerais e de nascente constituem um recurso natural que. garantindo a qualidade dos processos de produção e dos produtos obtidos. dada a importância do turismo de saúde. para garantir a qualidade e a competitividade no mercado internacional. através do cumprimento efetivo das restrições ao uso do solo. Utilização racional dos recursos. gerando maior valor acrescentado. A diversificação da oferta para abarcar um público mais vasto. que tenham em conta o desenvolvimento sustentável. segundo normas técnicas que garantam processos de exploração adequados e sustentáveis. Em Portugal. O alargamento do período de funcionamento. através de:     Garantir a disponibilidade e características das águas. Garantir que a exploração de recursos minerais não coloca em risco o equilíbrio ambiental e a sustentabilidade do desenvolvimento das áreas onde se desenvolve. embora renovável. Fomentar a elaboração de planos integrados de exploração. Promover a certificação das empresas.

Política energética O consumo energético. menos poluentes e que não impliquem a utilização de combustíveis fósseis. A diversificação das origens. de modo a constituir uma rede transeuropeia de energia. . O aumento da produção de energia a partir de fontes renováveis e endógenas. A prospeção de novas áreas do território para a identificação de reservas nacionais de combustíveis fósseis. a potencialização dos recursos energéticos passa pela implementação de uma política energética que incentive:       A eficiência energética através da racionalização e redução dos consumos e contribuindo para a diminuição dos impactes ambientais. em Portugal. A investigação científica e a avaliação do potencial de aplicação da energia geotérmica para geração de energia elétrica e para o aproveitamento térmico da energia associada aos aquíferos ou em formações geológicas. Assim. Os grandes objetivos da política energética nacional e comunitária têm em conta todos estes aspetos. está muito dependente de recursos exógenos. visando também a concretização do mercado interno da energia. através da interconexão das redes e da construção de novas ligações. no que respeita à variedade dos parceiros comerciais e dos produtos energéticos. O desenvolvimento de novas tecnologias.

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