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EDIÇÃO 02 | MARÇO DE 2012 | FASE II

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00 | EDITORIAL | O ELENCO DA HISTÓRIA E SEUS BASTIDORES | Como o Estado quase
sempre é cego, surdo e mudo em relação aos desdobramentos do mundo artístico, a ideia
que costuma fazer da cultura tem relação direta com o chamado mundo midiático ou, talvez
ainda pior, com seus consultores acadêmicos. Mas pode ser ainda mais grave: quando
vincula ambiente cultural a propaganda ideológica. O século XX tem exemplos de sobra para
esses casos, em toda uma América Latina que até hoje não compreende muito bem sequer a
abrangência geográfica que lhe cabe. | Pg 05
01 | FERNANDO ARRABAL | Ba’al Z’vûv entrevista o dramaturgo Fernando Arrabal (1932) |
“BZ | ¿Es anarquista divino como dicen sus espectadores? / FA | Recuerdo la réplica política
de Sancho Panza: “Ni quito ni pongo rey sino que me sirvo a mí que soy mi señor”. / BZ |
¿Leyó la lista del The New York Times de las 100 personas más influyentes del mundo? Entre
ellos, no hay un solo dramaturgo ni un poeta… / FA | Vivimos el renacimiento desde las
catacumbas. Nadie trata de “comprarnos”. Nada “vendemos” / BZ | ¿Y a la obstinación de los
inquisidores? / FA | Comprendo que mi ‘circunstancia’ sea insoportable para tirios y
troyanos.” | Pg 07
02 | PAUL VIRILIO & PIERRE-MARIE GALLOIS | Betty Milan (1944) entrevista Paul Virilio
(1932) e Pierre-Maria Gallois (1911-2010) | “Sou um urbanista porque trabalho com a
organização do espaço. Não sou um construtor de cidades, só que ensinei e escrevi sobre a
organização do território e da cidade, que é a forma política maior da História.” [PV] | “A
guerra me fez admirar o ser humano, que é capaz de se ultrapassar, de repentinamente abrir
mão do apego às coisas materiais e ir em frente. Por ter sido piloto da aviação inglesa,
conheci uma máquina de guerra cuja organização era admirável.” [P-MG] | Pg 15
03 | YVES TANGUY | Ensaio de Carlos M. Luis (1932) sobre o artista plástico Yves Tanguy
(1900-1955) | “Durante la etapa final de su vida, Tanguy viajó al oeste de los Estados Unidos,
como anteriormente lo había hecho al norte de África. Ambas regiones dejaron una huella
indeleble en su sensibilidad. Si del África regresó bajo la impresión que la causaran sus
promontorios, en el Oeste americano presenció sus afiladas y desiguales formaciones
rocosas perfilándose tras sus profundos desfiladeros.” | Pg 27

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04 | MANUEL RUEDA | Ensaio de José Alcántara Almánzar (1946) sobre o poeta Manuel
Rueda (1921-1999) | “Durante toda su trayectoria literaria, Manuel no hizo sino ahondar cada
vez más en su visión de Monte Cristi, sacando del surtidor de su memoria emocional una
serie de imágenes que nunca lo abandonaron. En ‘La criatura terrestre’, poema del libro
homónimo publicado en 1963, asistimos al nacimiento de una voz. En ese texto
estremecedor, que es una de las más altas expresiones de la poesía dominicana
contemporánea, el autor recupera momentos felices de una infancia dorada.” | Pg 33
05 | EUGENIO GRANELL & ANDRÉ BRETON | Ensaio de José del Castillo Pichardo (1947)
sobre o encontro entre Eugenio Granell (1912-2001) e André Breton (1896-1966) | “La
amistad Breton–Granell, en especial la admiración que le profesaba el segundo al primero,
quedó patentizada en ensayos y artículos sobre el surrealismo, en una obra homenaje al
maestro escrita por el gallego, Isla Cofre Mítico, publicada en Puerto Rico en 1951. Y lo más
importante, en el trabajo pictórico, iniciando con un ‘óleo sobre cartón de pequeño formato
donde espectros esquizofrénicos se destacan sobre el horizonte de un fondo azul’, como
consignan Emmanuel Guigon y Georges Sebbag en un texto sobre esta relación en el plano de
la plástica.” | Pg 37
06 | HERMETO PASCOAL | Ensaio biográfico de Jovino Santos Neto (1954) sobre seu
primeiro encontro com Hermeto Pascoal (1936) | “E assim a semana passou, o Grupo
ensaiando, tocando o mesmo tema 20, 30 vezes. Eu, meio apressado, achava que estava bom,
que poderíamos ensaiar outros temas, ou então improvisar, que era o que eu no fundo
queria, mas o Hermeto insistia que ainda tinha muito o que melhorar. No segundo dia de
ensaio apareceu o Cacau, saxofonista e flautista que tocava com o Grupo há algum tempo.
Eu nunca tinha tocado num grupo assim antes, em que as partes eram definidas e ensaiadas
múltiplas vezes, enquanto o Campeão (nós o tratávamos pelo mesmo nome que ele nos
tratava) mudava uma nota aqui, uma batida ali, e todos reescreviam suas partes na hora.
Muitas vezes apenas a ‘cozinha’ (piano, baixo e bateria) ensaiava o tema inteiro, sem os
sopros.” | Pg 42
07 | ALBERTO BAEZA FLORES | Ensaio de Manuel Mora Serrano (1933) sobre o poeta Alberto
Baeza Flores (1914-1998) | “La labor de Baeza es todavía más intensa. Mientras residió aquí
colaboró en el periódico La Opinión y se preparaba a recoger esa labor en libros cuando la
enfermedad mortal que le aquejó, tronchó esas y otras preocupaciones suyas sobre nuestra
literatura. Dispersos en revistas y periódicos hay multitud de ensayos suyos, que ojalá algún
día sean recogidos para hacerle el homenaje que su trabajo tesonero y sin descanso,
merece.” | Pg 47
08 | JOSÉ GOROSTIZA | Ensaio de María Aparecida da Silva (1956) sobre o poeta José
Gorostiza (1901-1973) | “Gorostiza creyó firmemente que el poeta no puede aplicar todo el
rigor del pensamiento al análisis de la poesía sin ceder su puesto al filósofo, y hay que
reconocer cómo toda su obra proclama el imperioso equilibrio entre crítica e inventiva, única
forma de garantizar la continuidad reconstructora en literatura.” | Pg 51
09 | CAMPOS DE CARVALHO | Ensaio a quatro mãos de Nelson de Oliveira (1966) & Sinvaldo
Júnior (1982) sobre o ficcionista Campos de Carvalho (1916-1998) | “Campos de Carvalho
não está mais entre nós, mas está com a bola toda. O último satanista da literatura brasileira
(foi assim que ele se definiu certa vez) está virando um ícone contemporâneo. Um ícone
iconoclasta. Seus principais romances, depois de muito tempo esquecidos, foram relançados
com sucesso em meados dos anos 90, num volume único intitulado Obra reunida. Agora eles
voltaram a ser publicados também separadamente, e dois foram recentemente adaptados
para o palco, com igual sucesso. Nada mal para esses livros irreverentes e inquietantes, às

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vezes ranzinzas e antipáticos – como dizem que seu autor costumava ser –, escritos há mais
de quarenta anos.” | Pg 61
10 | EDOUARD JAGUER | Ensaio biográfico de Susana Wald (1937) sobre seu encontro com o
poeta Edouard Jaguer (1924-2006) | “En París, como en muchos lugares, hay constantes
distensiones entre surrealistas con diversos puntos de vista. A Jaguer le gustaba controlar
celosamente a los que colaboraban con él, pero contra su gusto –porque habíamos decidido
no participar en las peleas internas de lugar alguno–, visitamos a varios surrealistas, entre
ellos Vincent Bounoure, Jean-Louis Bedouin (en cuya casa estaba de visita Martin Stejskal, el
pintor checo), Annie Lebrun y Radovan Ivsic. Ese afán controlador de Jaguer nos irritaba
levemente y también nos entretenía. Era un juego casi como de adolescentes desobedeciendo
los deseos de sus mayores.” | Pg 67
ARTISTA CONVIDADA | UNICA ZÜRN | Ensaio de María Prado (1974) sobre a artista plástica
e poeta Unica Zürn (1916–1970). | “Referirme a la vida y obra de Unica Zürn, pintora y
escritora alemana, me supone un doble placer estético: por un lado volver a releer su breve
aunque muy singular prosa escrita, desconcertante, perturbadora, colmada de imágenes
alucinadas y situaciones inverosímiles – la suya fue una literatura de imágenes no de
palabras –; por otro, retornar al disfrute de sus muy delicados y esmerados dibujos
automáticos, ejecutados en tinta china con infinita paciencia y minuciosidad.” | Pg 72

surdo e mudo em relação aos desdobramentos do mundo artístico. Ou seja. Talvez a relação institucional também aqui opere na direção de tornar imperceptível a importância dessas publicações. de um lado encontramos revistas que são bandeiras de um movimento ou de uma área de criação que souberam ser abertas ao mundo. reconhecer. teve um criterioso cuidado de saltar uma década. nas específicas. Não há em parte alguma do livro explicação para o fato de que os anos 60 tenham sido expurgados. preservar e difundir seu patrimônio cultural. a ideia que costuma fazer da cultura tem relação direta com o chamado mundo midiático ou. Buscando equivalentes no Brasil é impossível não mencionar duas em particular: Piracema e Nossa América. . como bandeiras de tendências e gêneros. em toda uma América Latina que até hoje não compreende muito bem sequer a abrangência geográfica que lhe cabe. ortodoxas. de Cuba. Há ainda que observar a mesma chatice de sempre: qual a abrangência do termo “América Latina”? Neste livro não há revistas dos países latino-americanos de língua francesa. nas institucionais. cinema. Até o futuro corre o risco de ser página virada no Brasil. revistas de grupo ou revistas dedicadas especificamente a uma área de criação: teatro. a segunda acaba de publicar sua edição # 44. Ao longo do século XX proliferaram revistas de toda ordem. com seus consultores acadêmicos. porque em meio a todas as publicações específicas encontramos algumas que tiveram um cuidado mais generoso. Criada em 1958. O autor. Nossa América é a revista do Memorial da América Latina. igual à outra caribenha. a de preservar a história e a contemporaneidade. a Alianza Editorial publicou um livro intitulado La cultura de un siglo – América Latina en sus revistas. Casa de las Américas. Temos entre nós uma dupla preocupação. Quando desenhamos um mapa do comportamento dessa atividade editorial. o mais correto é mencionar todas e observar as distinções. Quem dera o mundo fosse assim tão fácil de compreender. uma sensibilidade de compreender que a arte tomava um curso mais amplo e alheio à estratificação científica. Como o Estado quase sempre é cego. Piracema era publicação da Fundação Nacional de Arte – FUNARTE. talvez ainda pior. Evidente que revistas de cultura são institucionais porque este é um dos papeis que o Estado – qualquer Estado – deve desempenhar: o de identificar. porém o termo requer uma correção. poesia etc. Em 1999. Saul Sosnowski. o que de algum modo se verifica é um não reconhecimento de sua existência. há sobrevivido ao tempo. ao passo que outras eram fechadas. Evidente que todas são revistas de cultura. A primeira delas teve uma vida curta e não chegou a 10 números. O máximo a que podemos chegar é que todas as revistas são boas e todas as balas são más. São publicações institucionais e talvez daí advenha alguma prévia rejeição à sua credibilidade. nas privadas. Há exemplos assim por toda parte: nas abrangentes. lacradas em si. O século XX tem exemplos de sobra para esses casos.5 EDITORIAL | O ELENCO DA HISTÓRIA E SEUS BASTIDORES Uma das mais importantes revistas de cultura da América Latina é a Revista del Instituto de Cultura Puertorriqueña. Enumerar casos sem referência crítica é o mesmo que liberar balística de armas sem referir-se à utilização das mesmas. No caso brasileiro. Mas pode ser ainda mais grave: quando vincula ambiente cultural a propaganda ideológica.

Não inventamos. independente do alheamento de qualquer pesquisa. Por serem institucionais. primeiro temos que esperar pela história. maquiamos.6 Nos primeiros 10 anos da Agulha Revista de Cultura (1999-2009) criamos uma seção que chamamos de “Galeria de Revistas”. Claro. No caso brasileiro fomos buscar revistas de pouca circulação ou de circulação regional. De uma forma ou de outra. contatos. Já nos referimos aqui anteriormente às revistas Piracema e Nossa Cultura. o mundo impresso parece ter uma resistência imensa em aceitar a fluidez aparente da comunicação no mundo virtual. O curioso é que quase todas as revistas que integram a nossa galeria são impressas. deformamos ou suprimimos a história. Os Editores . o que imaginávamos ajudaria a compor material de consulta para o caso de um dia uma entidade privada ou institucional interessar-se por um mapa das revistas de cultura neste estranho país chamado Brasil. correm o risco de não integrarem uma história das revistas de cultura no Brasil. Ao contrário. O fato de que utilizamos uma plataforma virtual não é justificativa para nos inserir em outra categoria. Hoje toda a tradicional imprensa impressa utiliza uma plataforma virtual. institucional ou privada. Para isto. A Agulha Revista de Cultura é uma revista de cultura de circulação virtual que se destina a ampliar o quarto & sala de conhecimento de quantos estejam desinteressadamente interessados nisto. soa como patética a separação. Ou talvez a história esteja sendo escrita. Somos parte dela. por gente mal informada. parcerias. deliberadamente. manifestação de nosso desejo de multiplicar o raio de ação da própria ARC. Temos ali 16 países participando. Ainda não há uma.

sino un poquitín célebre y completamente desconocido como mis pajaritas. BZ | Si tuviera poder ilimitado ¿Qué es lo primero que haría? FA | Eliminarlo. La poder como fracaso es un triunfo. Ni siquiera el conmovedor Atila enamorado al final de su vida. BZ | ¿Por qué es famoso en su castillo invertido? FA | La fama es el opio de los triunfadores ¿porque donjuaniza? BZ | ¿Y en su caso? FA | No soy famoso. BZ | ¿Bailando con Lucifer? . Cuando el don de lágrimas le hizo el regalo de deshacerse en llanto.7 | Conversación imaginaria entre Ba’al Z’vûv [¿Belcebú?] y Fernando Arrabal BA’AL Z’VÛV …inspirado por Floriano Martins he compuesto esta conversación BZ | Su alma ¿en la sinfonía de la noche…? FA | Anda por las nubes con las estrellas. BZ | ¿Qué pensaría el niño de las moscas que usted fue (como todos) si viera al señor de culto en que se ha convertido? FA | Nunca segundos lunes fueron domingos. O conviviendo con el Stalín adolescente superdotado y fervoroso seminarista de Tiflis. BZ | Un periodo que le hubiera gustado vivir para escribir: FA | En el big-bang. BZ | Cada obra literaria ¿es un combate de jabalies? FA | El manco de Lepanto luchó ¿hasta que le dieron a Avellaneda el Cervantes? BZ | Un personaje histórico que trataría satánicamente: FA | Ninguno. BZ | ¿A quien admira? FA | A mi padre (primer mártir y santo del 17 de julio de 1936 en Melilla).

8 FA | Ya solo bailo de coronilla como el rey y su señora. BZ | ¿El poder cultural terrestre tiene sexo? FA | Por ello comunica con burqa. FA | Las poluciones nocturnas del inquisidor ¿son cubitos de hielo entre las sábanas? BZ | ¿Cuál cree que de sus definiciones debería pasar a formar parte del diccionario de los ángeles? FA | No parece que se puedan establecer vasos comunicantes entre ambos… Que un camello pase por el ojo de una aguja es menos infrecuente que encontrar al camellero que trató de hacerlo. BZ | ¿Quién le hubiera gustado ser en la guarida del emperador Mateo?: FA | Soy una instalación de mi circunstancia. planos-secuencia y sorpresas. Pero ¿qué comían los pánicos antes del pánico? BZ | ¿Qué debe sentir el lector de su literatura? FA | La confusión tanto nos arrebata con arrobo ¿que crea obligaciones? El cíclope ciego se distingue mal del tuerto. BZ | ¿Y el desgaste de la ilusión? FA | No lo conocí escribiendo. BZ | Una comida para el infierno: FA | El plato que hicieron para mí las personas que dijeron que me querían en mi infancia. BZ | ¿Por qué recibió tantos premios incluido el Pasolini? ¿Cómo excrementos del Principe Diablo? FA | Muchos son los premios… muchos son los pecados. Represento (por desgracia) al chivo expiatorio: una gaviota sin submarinos. BZ | Le sorprendió la acogida del diable en el parque del Retiro. pero cuán pocos los cometidos. BZ | ¿Le inquieta su longevidad mientras escribe? FA | La ancianidad está repleta de recovecos. BZ | ¿Le inquietaría venir el infierno con nosotros? FA | ¿Tras un tiempo de penitencias obscurantistas atravesamos los senderos de las mistificaciones luminosas? BZ | ¿Cuál es su patria terrenal? . Ni de niño me bañé en agua de sosas. Pero nunca de puta en blanco.

con cortesía. BZ | ¿Por qué interesa tanto a los jóvenes películas suyas realizadas hace casi medio siglo como “Vivan la muerte” o “Iré como un caballo loco”? FA | En mi adolescencia.9 FA | Me acostumbré durante decenas de años a la obstinación de los inquisidores. conocí superdotados (muy parecidos a los de hoy). BZ | ¿Era un ángel caído?. nada le puede quitar”. es de por sí bastante molesto. Que los rinocerontes canten. se ha repetido. La entusiasmante Jacqueline. ¿Cada vez más mustios? BZ | ¿Los pueblos se van despoblando…y abandonando los templos? FA |…¿ mientras pierden sus fiestas y sus arrabalescos? BZ | Los bárbaros son menos civilizados… FA |…¿y menos ricos? pero ¿más bárbaros? BZ | Lo que desaparece de los modos… FA |…se hace moda ¿y lo que se “démode” resucita en nuestros modos? BZ | ¿La influencia de la Cultura…? . Le conocí muy tarde en su vida. ‘La cólera es como un caballo desbocado’. pero lo insoportable es que vuelen. BZ | Picasso ¿participó en aquelarres? FA | No debo opinar sobre el militante. BZ | ¿La 'revolución' satánica en un país civilizado y rico…? FA |…los arrabales albergan ya a los ciudadanos de las aldeas. FA | Era. fingía ser tan formal como él. en Madrid. BZ | En su película “El arbol de Guernica” nunca interviene Picasso… FA | En las casas de fieras y en los museos ¿no hay nada tan afrodisíaco como la inocencia? BZ | ¿Usted cree que Picasso benefició de un pacto mefistotélico…? FA | Todo lo que yo pueda decir de Picasso tendrá aún menos trascendencia que lo que opinó el ministro republicano Ucelay en 1937. querían ser ministro o nada: consiguieron las dos cosas. BZ | ¿Cambiaría algo del pánico? FA | La samaritana pánica le dijo a Job: “Al que Dios no le dio nada. genial.

BZ | Si Cervantes hubiera realizado films de terror satánico… FA |… hubiera filmado su obra “La confusa”. porque todos formamos parte de la maldición. Y de los pobres más pobres aun. BZ | Con el Infierno me adelanto al tiempo. BZ | ¿Qué teoría emerge según usted…? FA | Todos podemos teorizar sobre la parte maldita de los terráqueos. FA | Gracias a su omnisciencia el Dios Pan puso los principios antes de los finales. su rabito le tenía envidia. ¿Forma con la ciencia los dos avatares del saber actual? BZ | ¿Cree que los titanes colaboran con nuestro infierno? FA | Los aterrorizantes bicharracos llamados ‘quimeras’ están presentes del brazo de los prometeos del hombre nuevo. BZ | ¿A qué género pertenece la actual escena mundial? FA | El teatro actual es catastrófico. BZ | ¿No es un peligro para mi. BZ | ¿Qué opina del Pánico? FA | No confundo el futuro del Pánico con la historia del L Pánico. El elefante tuvo que cortarse la trompa. confuso y genial. dinero. BZ | ¿Ha reinventado la provocación como escribió The Village Voice? .10 FA | …aquí y allá ¿cada vez tiene menos influencia? ¿Por eso usa las estadísticas como sueños del deseo? BZ | ¿La Bolsa interviene…? FA | ¿Es un santuario religioso? Celebra el milagro de hacer del dinero. que el Infierno sea constantemente visitado en Internet? FA | El peligro permanece como la sonrisa del gato de Cheshire. BZ | ¿Por qué los Príncipes de Mal protegemos los extremismos…? FA |… cuando dos extremismos se enzarzan la razón les da argumentos. bestial. BZ | Su delirante intervención en TV fue la demostración del vértigo del ser humano ante el nuevo milenio FA | ‘In vino veritas’ pensó Noé.

BZ | ¿Luciferianamente que era entonces este grupo? FA | El ala cultural del partido comunista/trotskista. Hubieran debido congelarme. Los chimpancés con uniforme son quienes mejor pronuncian discursos. surrealismo y el Colegio de Patafísica ¿Qué opina? FA | En el grupo surrealista tan sólo estuve (con presencia diaria) tres años. BZ | ¿Y en aquel grupo Jodorowsky Topor y usted…? . centrípeta y aleatoria. BZ | ¿Qué relación tiene con Pynchon. Kundera o Houellebecq? FA | Con una relación menor Arquímedes hubiera levantado la tierra. BZ | ¿Qué le llevó a escribir sin pagar su óbolo a Lucifer? FA | Se me ocurrió de niño al ganar el concurso de superdotados en 1941. BZ | ¿Cree en el inevitable de las ideas y el triunfo de la violencia como? FA | ¿Vivimos tiempos de hermosa miopía? Matar por placer parece peor que hacerlo por ideal.11 FA | La provocación es infantil. BZ | ¿Le sorprendió la acogida internacional de su libro best-seller “Carta a Franco” (1972) y de su film “Viva la Muerte” (1970)? FA | Las sabandijas cuando enferman no se meten en la cama. BZ | Mel Gussow (NYTimes) escribió que usted es el último superviviente de los tres avatares de la llamada modernidad: pánico. Los caníbales diabéticos no comen fabricantes de azucarillos. Lo formaba el corro de rebeldes más espeluznante y genial de aquel momento. Es una componenda inútil con la ira suicida de uno mismo. Pero ni siquiera mojamos los churros en “chanel n° 5”. BZ | ¿Qué es la felicidad? FA | Si existiera ¿habría mejor calidad para alcanzarla que la generosidad de las valkirias o de Borges? Filosofemos: es diurético. BZ | ¿Cómo le gustaría morir? FA | Durmiendo en plena polución nocturna. Ni siquiera un milenio. No se acuchilla con el rayo de una nube. BZ | ¿Cómo podría justificar la mentira diabólica? FA | Nunca lo haré.

Cómo nos gustaría ver la luna bocabajo.Gödel ó Lévy-Leblond dixit). Es solo una cuestión de presupuestos (K. Pronto viajaremos por el Tiempo. BZ | Un año después de la muerte de Franco formó con Carrillo. del ajedrez y de la ciencia. BZ | Dice usted que no es emigrante sino desterrado. BZ | ¿Leyó la lista del The New York Times de las 100 personas más influyentes del mundo? Entre ellos. BZ | ¿Cree que Cervantes se enorgulleció desde el más allá cuando usted abofeteó a un presentador de la TV francesa (Emmanuel Baer) por tratar irrespetuosamente el nombre del autor? FA | Cervantes tenía humor… La literatura progresa: cada día se inventan nuevos premios y charlotadas. FA | Todo lo contrario: soy casi fanático de la exactitud. Lister y Campesino el quinteto de impedidos de volver “por ser los más peligrosos” ¿qué opina hoy? FA | Al ruido de las botas le sigue siempre el silencio de las zapatillas. FA | No tengo raíces: dispongo de piernas. BZ | Se pretende que es un adepto de la confusión. Soy de Destierrolandia. Nada “vendemos” BZ | ¿Y a la obstinación de los inquisidores? FA | Comprendo que mi ‘circunstancia’ sea insoportable para tirios y troyanos. BZ | Los teatros mas solemnes le programan… FA |… de la forma más sorprendente e incluso arriesgada. . BZ | ¿Que piensa del tiempo a mi servicio? FA | El mundo es rotatorio. no hay un solo dramaturgo ni un poeta… FA | Vivimos el renacimiento desde las catacumbas. BZ | ¿Es anarquista divino como dicen sus espectadores? FA | Recuerdo la réplica política de Sancho Panza: “Ni quito ni pongo rey sino que me sirvo a mí que soy mi señor”. Nadie trata de “comprarnos”.12 FA | A nosotros tres nos consideraron los espeluznantes de los espeluznantes. BZ | ¿Cuál es su vía? FA | Las golondrinas parisienses y los palomos hispanos ignoran la manía demente de ir siempre en línea recta. Pasionaria. Por puro autismo.

todos pueden prever el porvenir. BZ | La eternidad… FA | Gracias a las matemáticas infinitesimales la eternidad ¿es cada vez más larga? Solo los erizos de mar vuelan cuando llueve apocalipsis. FA | ¿Por qué se me ataca de oídas. BZ | El mineralismo ¿está al caer? FA | Es asombroso: ni el apagón impresiona al ciego. amadrigados dentro de mí. ni la necedad al cretino. En este instante: “escribo jugando a ser Dios y a veces lo consigo” . ni consigo parecerme a mí mismo… ay de mí. ni el plumón al pato. FA | Cambia por minutos. dictan mis escritos? Cuando dejé de creer en los Reyes Magos a los tres años. BZ | ¿Haría el prólogo de un libro mío sobre el Infierno? FA | ¿Es más fácil pasar por el cojo de la bruja que calzase con el santo y la limosna? BZ | ¿Cuál es su más valiosa aportación al mundo diabólico? FA | ¿Ninguna: puesto que mis obras. BZ | ¿Goza con su condición de ser incomprensible para algunos? FA | “Los censores y los inquisidores sí que me comprenden ruidosamente y clamorosamente” dijo la sorna al susto.13 BZ | ¿Cómo ve el futuro? FA | Menos los adivinos. ni la eternidad al instante. BZ | Su lema. se me elogia a ciegas y se me plagia sin verme? BZ | ¿Se ha permitido alguna vez cinco minutos de superficialidad? FA | Hasta los más limpios confiesan: dentro de mil baños todos alba. BZ | Para muchos es usted un escritor de “culto”. BZ | ¿La confusa complejidad luciferiana actual…? FA | Hace que los problemas cambien de naturaleza para que las ‘soluciones’ parezcan racionales. BZ | ¿Y si tuviera menos neuronas y más hermosura? FA | De puro especial que soy. me di cuenta de que ellos nunca habían creído en mí.

com. La vida ¿es una cascada ininterrumpida de golpes de azar? Fernando Arrabal (Espanha. artista convidada desta edição de ARC. Contacto: arrabalf@gmail. textos varios de teatro. Desterrado e adorablemente loco. 1932). Página ilustrada com obras de Única Zürn (Alemanha). setecientos libros de poesía. Con Alejandro Jodorowsky y Roland Topor fundó en 1963 el pánico grupo. y varios ensayos. Pieza escrita en diciembre de 2011. .14 BZ | ¿Tiene ya pensada su próxima actuación? ¿la improvisará? FA | La improvisación accede a la panacea de no hacer nada a medias. Su teatro completo se encuentra editado en dos volúmenes con más de dos mil páginas. Es Trascendente Satrape del Collège de Pataphysique desde 1990. disponible en la Colección Clásicos Castellanos de Espasa. publicado catorce novelas. ha dirigido siete largometrajes.

. a guerra. Auschwitz foi declarado lugar histórico e. a língua. Foi professor na Escola Superior de Arquitetura de Paris e desde 1998 leciona apenas na Universidade Europeia de Estudos Interdisciplinares. a comunicação.] PV | Esta pedra veio de Hiroxima. A bomba informática. BM | Gostaria de saber o que significa ser um urbanista no século XX. Artforum (USA). só que ensinei e escrevi sobre a organização do território e da cidade. as mulheres. Pega um saquinho de veludo azul e dele tira uma pedra. o desterro. Além da sua atividade de professor e escritor. que lhe servirá para começar a responder à questão. Formou-se urbanista e é teórico da cultura com interesse permanente em tecnologia. a terra. bem como diretor de programas no Colégio Internacional de Filosofia. El País (Espanha). A CIDADE | PAUL VIRILIO Paul Virilio nasceu em Paris em 1932. Gerard Chaliand. da memória do mundo. A série de entrevista escuta e dialoga com as seguintes pessoas: Paulo Virilio. como Velocidade e política. Claude Hagège. É membro fundador do Centro Interdisciplinar de Pesquisa da Paz e Estudos Estratégicos na Fundação Casa das Ciências do Homem. o conjunto foi reunido em livro. Virilio se levanta e vai até um dos armários da sua sala de aula na Escola Superior de Arquitetura. Illustrazione Italiana (Itália). Michele Sarde. Catherine Millot. mas também Auschwitz e Hiroxima. e a partir desta edição de ARC o apresentamos sempre em duplas de diálogos. Sugerimos visita sua página web: www2. Die Tageszeitung (Alemanha). os “lugares catastróficos” que fazem parte da história da humanidade. ambos sediados em Paris. Pierre Gourou. The New Statesman (Inglaterra). no caso de interesse por mais detalhes sobre este livro em particular ou pela obra em geral de Betty Milan. colabora em vários jornais: Libération (França). François Jacob. de onde veio esta pedra… BM | O senhor é um urbanista por esta ação política. o sexo. porém não somente… PV | Sou um urbanista porque trabalho com a organização do espaço. Fiz uma campanha para que não se tombassem somente monumentos como a Torre Eiffel. a arte. Não sou um construtor de cidades. na Suíça. Guerra e cinema e A máquina da visão entre outros. a vida.br/bettymilan/. Gaya Scienza (Japão). O Século (Editora Record). notadamente no que diz respeito aos seguintes temas propostos: a cidade. Georges Mathieu e Dominique Wolton. Publicado sequencial e originalmente na Folha de S. Em 1979.uol.com. parte I: A cidade (Paul Virilio) e a guerra (Pierre-Marie Gallois) BETTY MILAN Em 1999 Betty Milan reúne em livro um conjunto muito especial de entrevistas que fez a pensadores franceses com a intenção de rever acontecimentos destacados do século XX. Autor de livros mundialmente conhecidos. no dia 15 de janeiro de 1996.15 | O Século. [Antes de responder. Pierre-Marie Gallois. tem vários deles traduzidos no Brasil. a Unesco fez o tombamento de Hiroxima. Paulo.

O sítio conta na medida em que for um cruzamento – e tanto pode ser um porto. sem recorrer ao arranha-céu. existe em função do elevador. O trabalho de Haussmann . Obedeceu à primeira lei do urbanismo. Ele fez grandes avenidas. foi possível realizar um urbanismo “aéreo”. BM | No século XIX. que é a conservação do sítio. BM | E nos Estados Unidos também não há nada interessante? PV | Há uma cidade de que eu gosto. Numa cidade como São Francisco. e a cidade não deu certo. com o castelo ao norte. BM | Quais são as realizações arquitetônicas e urbanísticas importantes do século XX? PV | Nenhuma… Se considerar a Europa. na minha infância. dos rios ou do mar. as questões da cidade e da técnica para mim estão associadas. Paris se viu às voltas com a reforma haussmaniana. Até Le Corbusier quis que a cidade fosse reconstruída noutro lugar. BM | Existem lugares e paisagens mais propícios a uma urbanização inteligente? PV | Acredito que o problema seja a circulação das populações. A coisa mais difícil para um urbanista é obter a terceira dimensão só através do arranha-céu. Já Caen é discreta e agradável. Vi Nantes ser destruída por um bombardeio maciço e. que foi reconstruída por Perret. A paz civil é o primeiro dever de uma cidade. desde então.16 que é a forma política maior da História. e não do homem. Graças a Deus não foi ouvido e Caen ficou no mesmo lugar. O arranha-céu é um lugar onde a gente não se comunica. tanto nos países desenvolvidos quanto nos subdesenvolvidos. porque ela é um ponto de cruzamento de pessoas. porque é um porto e também por causa das montanhas. que criou os grandes jardins e as grandes avenidas. O urbanista é um homem que aprende a construir cidades ou se interessa pela evolução delas através da sua história. O essencial é a cidade estar situada num lugar onde o fluxo de gente é grande. graças ao sítio. que favorecem o urbanismo. como em Mayence. demolindo prédios antigos. a cidade de nada serve. São Francisco. a do Marais… Quais as principais transformações urbanísticas e arquitetônicas pelas quais Paris passou no século XIX? PV | Haussmann foi obrigado a construir num período de crise da paz civil. Reestruturou os bulevares para evitar as revoltas e não só para facilitar o transporte. Fui marcado. Apesar do prestígio dos grandes bulevares. Sem paz. A Paris que encanta o estrangeiro é precisamente a que Haussmann não conseguiu “endireitar” – a das margens do Sena. Manhattan é magnífica. por esse fato. pois permitem dispor os habitantes na terceira dimensão. Claro que as cidades se construíram inicialmente perto de reservas de água. Mas existem também as cidades da montanha. ao contrário de Le Havre. A cidade moderna está em crise. sou obrigado a falar de reconstrução e esta não foi propriamente brilhante… BM | Não há nada que seja digno de nota? PV | A reconstrução de Caen foi relativamente bem-sucedida. a operação haussmaniana não deixa saudade. o porto… Houve uma forma de modéstia em relação ao sítio e em relação à arquitetura. tanto de guerra quanto de paz. é um gueto vertical. só que é inviável do ponto de vista da sociedade. Isso ocorre sempre que o terreno é plano. grandes portas para o oceano etc. Como sou um filho da Segunda Guerra Mundial. um desfiladeiro quanto uma confluência de rios. vi cidades inteiras em ruínas..

O problema que se impõe ao urbanista é o de saber onde deve construir alojamentos quando já não existe trabalho permanente. mas o centro está se empobrecendo sociologicamente. e a verdadeira questão é a do emprego. o que é equivalente a ser um escravo. foi o de facilitar o trânsito através da construção das cidades-satélites. foi a circulação da tropa que determinou a dos carros. que permitiam resistir a Paris. BM | O senhor falou dos fracassos. BM | Que não deram muito certo… PV | Foram verdadeiros fracassos. que é uma catástrofe. O principal trabalho dos urbanistas em Paris. em direção às cidades. com a crise do trabalho e do petróleo. administrativa. as cidades-satélites se transformaram em verdadeiros guetos. de gestão da estabilidade urbana. Qual é o futuro de Paris? PV | O futuro é a metropolização. estamos diante da precariedade do trabalho. salvo a Ópera da Bastilha. as pessoas se precipitavam em direção à capital. Pompidou fez o Centro Georges Pompidou. exatamente como a contração do parto. A palavra urbanista vem do domínio militar. E agora surgiu na Inglaterra o contrato de zero hora. e o bairro da Défense. Com a informatização. que era próprio do Terceiro Mundo: Índia. A empresa oferece um celular ao empregado. Na verdade. são as chamadas “zonas de não direito”. Agora. porque as classes menos favorecidas são obrigadas a mudar para a periferia. porque surgiram na época em que o emprego era de tempo integral e o contrato de trabalho. Há uns dez anos. Mitterrand relançou a ideia de que a cidade se faz em torno da memória. Onde construir os alojamentos se as pessoas circulam o tempo todo? Nós estamos às voltas com uma nomadização das populações. por tempo indeterminado. quando o proletariado deixa de ser sedentário. Existe a cidade anglo-saxã – Nova York. Existe a cidade mediterrânea. existiam na França doze cidades de equilíbrio. o do ônibus. Paris sempre foi uma cidade mediterrânea. tempo parcial. isso é dramático. três. Nós assistimos no mundo inteiro a uma contração. Paris está se tornando uma enorme nebulosa. A Europa era a região do mundo mais marcada pelo trabalho sedentário. artística. o Instituto do Mundo Árabe… BM | Há dois tipos de cidade. porque as pessoas tanto podiam morar quanto trabalhar nelas. embora o Arco da Défense seja bonito. BM | E o século XX em Paris? PV | O grande problema do século XX é o trânsito. Londres – onde reina a divisão de classes e o downtown. da cultura e. Para o urbanista. que não tem vida. Por um só dia. estamos sofrendo o processo de metropolização. o Beaubourg. Acertou quase tudo. BM | Seria possível mencionar os acertos arquitetônicos? PV | A pirâmide do Louvre.17 foi um trabalho de estrategista. que deve atender quando for chamado. O urbanista era o que trabalhava com as muralhas. ao porto. E as obras bem-sucedidas? PV | De Pompidou (1911-1974) até Mitterrand (1916-1996). Isso atualmente está acontecendo também na Europa. seis meses. da restauração. de controle das barricadas. mas o dos carros. portanto. por uma hora. nos anos 60. houve um empenho para reestruturar Paris em torno da cultura. onde tudo se mistura – as classes sociais e as funções política. Contratos de duração determinada. México… Para aí viverem. Não mais o da tropa. Agora. Há agora na Europa doze cidades .

Henry Miller escreveu: “Broadway é a velocidade. portanto. BM | Como intervir nisso? PV | Primeiramente. Foi o trem. mas eu não vejo como sustentar isso quando se trata de Paris ou Nova York… No livro Dias tranquilos em Clichy. ela não cintila à maneira da Broadway. com o espaço e até mesmo com a luz. vai de um ponto a outro. tanto vale para os países desenvolvidos quanto para os subdesenvolvidos. antes de falar do aspecto estético e da qualidade de vida. Pense em Hong Kong ou Cingapura! A densidade populacional nesses lugares é monstruosa. colhendo o que pode. o rosto escondido da riqueza. no trem. os robôs etc. ela viabilizou a noite… A cidade sempre foi um lugar onde a gente se droga com a velocidade. teremos a oposição entre os sedentários e os nômades. porém luz como a brasa sobre a cinza”. aliás. o que favoreceu a oposição centro/periferia no século XX. segundo Le Corbusier. que se caracteriza pela oposição entre a cidade e o campo. sem poder se casar etc. Vejo da minha janela um casal que. perguntando o que favoreceu a hiperconcentração no século XIX. BM | Gostaria que o senhor falasse sobre a diferença entre a vida em Paris e em Nova York… PV | Nova York é a grande cidade. Finalmente. e sim de população.18 que superam a população de países e. e nenhum lugar onde a gente possa se sentar. A hiperprodutividade. e esta se desloca dos estados-nações para as cidades. como dizia Walter Benjamin. BM | Como em São Paulo? PV | Pois é. que se caracteriza pela oposição entre o centro da cidade e a periferia. Los Angeles ou Nova York atualmente são cidades do Terceiro Mundo. mais sedutora do que vistosa. passa a noite trabalhando na internet. Em segundo lugar. as pessoas vivem em cima do lixo. com o álcool e agora com a internet. Seria possível falar sobre isto? PV | A cidade é uma caixa de velocidade. o maravilhamento. Nós assistimos a um declínio do Estado nacional. é uma catástrofe em câmara lenta. com o laptop. indiferente. No século XXI. Foi a iluminação que fez de Paris a Cidade Luz. Há uma terceiro-mundialização das cidades. . cuja tendência é se tornarem estados-cidades. com os transportes coletivos e a iluminação noturna. é uma biblioteca que o Sena atravessa. Para mim. Os sedentários são os que estão em casa em qualquer lugar. Mas ela é uma cidade americana que a gente ama. Isso. na rua. com o celular… Os nômades são os que não estão em casa em lugar nenhum. Em Calcutá. o problema não se coloca em termos de estética. perguntando o que está subvertendo hoje o povoamento urbano. BM | O senhor diz que o problema da cidade não se coloca em termos de estética. que vão se tornando verdadeiras galáxias. Não há como organizar a cidade sem uma compreensão da técnica: a do transporte no século XIX. a da transmissão no século XX. ela é um porto fluvial e o lugar por onde passou toda a história da França. é preciso falar da hiperdensificação. Foi o carro. Montmartre é indolente. A vida em Nova York e em Paris implica uma relação diversa do homem com o tempo. a vertigem. meio pobre e sórdida. Portanto. sem moradia. a uma desertificação das cidades menores em favor das metrópoles. e não dos países. É o indivíduo que vive no carro à procura de um emprego. A velocidade é um dos elementos principais da cidade. em vez de fazer amor. preguiçosa. Paris é o rio.

para não dizer belígeras? PV | Não são mais cidades. as cidades eram pequenas e as famílias. na verdade. já é a família burguesa. Com isso. que destruiu a cidade. atingirão 20 milhões de habitantes: São Paulo. Existem hoje. porque o Rio é extraordinário. 4 mil metros de altura. Gostaria que o senhor me dissesse o que pensa da construção de Brasília e se é possível fazer uma cidade verdadeira por decreto. BM | A construção da cidade de Brasília é o resultado de uma decisão geopolítica. onde vivi na infância. Depois é a família nuclear. PV | É verdade. da terra e da água. O elevador destruiu. Não é a poluição do ar. No século XIX. Isso é Babel. da fauna. que larga os filhos. À medida que a cidade se desenvolve. Hoje. A grande metrópole minou a base da espécie humana. Mas por que ter construído uma cidade no centro vazio do país. catástrofes que se preparam. Com Nantes. BM | Uma das consequências da construção de Brasília foi um certo abandono do Rio de Janeiro. a família extensa passa a ter vinte pessoas. nas megalópoles. cidades com prédios de 2 mil. eles simplesmente acabaram. no Japão. quando já estávamos fazendo a nossa conquista do Oeste? Era necessário isso? Os americanos conservaram Washington. a democracia. A segunda diz respeito à extensão da cidade. na vertical. mas sim como unidade de reprodução. BM | O que o impediria? PV | A verticalidade. tendo de cinquenta a cem pessoas. o equivalente do carro. salvou a cidade da reforma haussmaniana. o Hudson… O senhor viveria lá? PV | Não. da flora. A primeira lei do urbanismo é a persistência do sítio. PV | O que é uma pena. possibilitando alturas cada vez maiores. BM | Nova York tem água. Quanto mais ela se estende e se torna densa. é a cidade. o desejo de fazer exposições de arquitetura. no próximo século. é querer se emancipar do solo. Antigamente. . e nós agora vemos bandos de crianças que sobrevivem roubando adultos. mais a unidade de população – a família – se reduz. PV | Claro que não. Chegamos à desintegração da unidade familiar – e não estou falando da família no sentido moral. como em São Paulo. O elevador é. quando o poder econômico do país está do outro lado. porém fenômenos de mutação. Brasília é uma exposição de arquitetura. abriu-se a porta para a construção das cidades novas. aterrando uma parte do rio. O século XXI terá que reinventar a relação do homem com a terra. Acredito que houve. e o Canadá mantém Ottawa como capital. porque é fluvial. grandes.19 BM | O Sena salva Paris. Uma cidade se constrói por sedimentação. México. no início do século XX. é a família monoparental. porque não havia como “endireitar” o rio. do Loire… Veneza é uma cidade boa. com as exposições internacionais. A grande questão ecológica. Calcutá… Qual pode ser o futuro da vida nessas cidades? Não serão elas patogênicas. porém a construção da cidade dos homens. A cidade deixou de ser um lugar de socialização para se tornar um lugar de dessocialização. A maioria das cidades novas morreu por causa da sua novidade. BM | Muitas cidades. apesar da conquista do Oeste.

Não é cidade. nem todo mundo é Prêmio Nobel. que viveu a situação de que pode a determinação na guerra. Uma cidade precisa dar segurança. da força do homem… Ora. detonada no deserto do Sahara em 1960. que significará o desemprego em massa. São Paulo. de quem eu era adjunto. que é estrutural. tornando-se general-de-brigada e conselheiro do general De Gaulle – de 1958 a 1969. BM | O que é possível fazer para que. ou seja. é selva. rumaremos para uma sociedade que terá duas velocidades. que eu expliquei a partir de slogans. Publicou vários livros. Desenvolveu igualmente a carreira de analista de estratégia. em maio de 1956. Foi um general americano. A televisão induz a tomar as cenas de violência como um modelo. a desenvolver uma política nuclear para a França. imitavam os outros para se valorizar. Convenci-o.20 BM | Os ricos de São Paulo estão deixando a cidade. L’heure fatale de l’Occident (“A hora fatal do Ocidente”). pois a França Livre. de Charles de Gaulle. que me deu a ideia de ir falar com De Gaulle. A GUERRA | PIERRE-MARIE GALLOIS Pierre-Marie Gallois (1911-2010) foi piloto de bombardeio na aviação inglesa (RAF) durante a Segunda Guerra Mundial. a vontade? P-MG | Não fui conselheiro militar permanente de Charles de Gaulle. há alguns anos. introduzindo nessa área do saber o conceito de “resposta do fraco ao forte” em termos de dissuasão nuclear. a revolução da informática. que é o primeiro bem do cidadão. a vida nas cidades melhore? PV | É preciso que a política controle a técnica. Géopolitique: les chemins du pouvoir (“Geopolítica: os caminhos do poder”) e Le sang du pétrole (“O sangue do petróleo”). como Los Angeles. formada por uma elite que viverá em bunkers e por miseráveis que vão atacá-la. cujas condições de vida eram completamente diferentes. A intifada teve grande influência nas revoltas da periferia de Paris. Se o poder político não for capaz de controlar o desenvolvimento técnico dos robôs. a paz civil não existe mais. Nós estamos às vésperas de uma grande revolução. os ingleses e os franceses. BM | Li num dos seus livros que as pessoas das cidades se associam por “procuração televisiva” com as pessoas de outra cidade e isso desencadeia as revoltas urbanas. Um deles dizia: “Aqui é como Soweto”. que é uma análise dos conflitos no Iraque e na Bósnia. não tinha aviação. o fim do trabalho. O problema hoje é controlar o desenvolvimento técnico. BM | O senhor foi conselheiro militar de Charles de Gaulle. continuou a carreira militar. Foi um dos criadores da bomba atômica francesa. Em cidades imensas. Vendo as imagens. Vão para quarteirões inteiramente privados. Gostaria de saber se não é uma tendência geral. e a democracia também não. entre os quais Stratégie de l’âge nucléaire (“A estratégia da Era Nuclear”). no século XXI. Depois da guerra. a uma hora de distância do centro. Ele tinha mostrado . PV | Quando Soweto se revoltou. e não conjuntural. que vai agravar os efeitos da Revolução Industrial. PV | É. dos sistemas de produção do mercado. Nós entramos num período de desemprego em massa. houve manifestações em Brighton e em Marselha. Chicago. A direita americana quer inclusive o fim dos Estados Unidos e a formação de doze estados-cidades… Isso tudo porque as cidades atuais já não garantem a segurança.

tornou-se possível fazer uma quantidade insuportável de mal. Por ter sido piloto da aviação inglesa. . a Rússia. Com isso. que funcionava incrivelmente bem. uma vontade de defesa total. Corríamos um risco imenso. por exemplo. portanto. Trezentos. basta amputarmos um braço do inimigo. nos anos 50. arriscavam tudo. Mal podíamos nos ver. de repentinamente abrir mão do apego às coisas materiais e ir em frente. só depois. precisavam passar a se defender sozinhos. A guerra me propiciou o contato com homens extraordinários. 52. Uma máquina gigantesca. BM | O senhor é um dos inventores do conceito estratégico da “dissuasão nuclear todos os azimutes” como resposta do fraco ao forte – a única doutrina nuclear original no mundo. portanto. estávamos em condições de desempenhar um papel importante pela quantidade de mal que podíamos fazer. que havia sofrido por causa da invasão alemã. em matéria de coragem. uns praticamente em cima dos outros. a França só precisava fazer um pouco de mal à Rússia expansionista para que esta não a atacasse. a guerra entre russos e americanos ia desaparecer. voando à noite. pois trata-se do choque de duas vontades. Na situação de não guerra dos anos 50 – imposta pelo medo recíproco do recurso à bomba atômica – havia o confronto de duas vontades. A noção de superioridade e de inferioridade numérica. tínhamos um sentimento de admiração recíproca. o risco que o agressor e o defensor correm é multiplicado por cem. a “dissuasão proporcional”. que havia sido a regra durante dois milênios. queria evitar de qualquer jeito outra invasão. Homens que eu admirava e aos quais gostaria de me igualar. Expliquei isso ao general De Gaulle e ele me disse que eu estava certo: “Sim. que é capaz de se ultrapassar. Foi. em virtude do surgimento de armas russas de longo alcance. de sacrifício. a União Soviética queria ter controle sobre a Europa por temer que seu sistema de educação social não resistisse à comparação com outro sistema mais liberal. a Rússia ou a China… Nós. Não conheci De Gaulle durante a guerra. de que a capacidade de destruição de um grupo pequeno de gente podia ser considerável e. e os americanos já não entrariam numa guerra só por causa dos europeus. P-MG | Vou responder primeiramente à última questão. Atravessávamos a Alemanha inteira. e executávamos a nossa tarefa com uma precisão que era da ordem do minuto. Com poucas armas nucleares. do lado oposto. Tal ideia estava ligada a outra. Trata-se da destruição total de um país. portanto. Pertenci a uma unidade de bombardeio noturno em que havia muitas perdas. desapareceu com a introdução do átomo. Já não se trata de enviar um corpo expedicionário contra outro. conheci uma máquina de guerra cuja organização era admirável. sem nunca nos afastarmos mais de um quilômetro da rota. Com as armas nucleares. Gostaria que me dissesse o que a guerra lhe deu. A França. BM | O senhor participou da Segunda Guerra Mundial. Calculamos que os Estados Unidos tinham 50 aglomerações críticas. cada vez que voávamos. e. ou mesmo pela força das armas. Dois terços dos meus companheiros morreram. Sendo um país médio. não é necessário cortarmos sua cabeça”. a China. não era preciso ser muito numeroso para ser intimidante. Seja como for. Existia assim a vontade soviética de exercer uma influência por intimidação. os mais fracos. Nos anos 50. 48. que.21 àquele general uns mapas dos quais eu me valia para explicar que. mas mesmo assim continuávamos. a do agressor e a do defensor. A guerra me fez admirar o ser humano. Portanto. Os franceses não eram capazes de fazer o que os ingleses faziam. a vontade na guerra é fundamental. Seria possível explicar em que consiste esse conceito e quais foram os seus efeitos na política do general De Gaulle? P-MG | Me dei conta. de abnegação. um aprendizado técnico considerável. e concluímos que bastavam cem bombas para que a França enfrentasse os Estados Unidos. voando à noite. a vontade de resistência também é multiplicada por cem. Eles eram como o super-homem de Nietzsche (1844-1900). quatrocentos aviões.

evidentemente. Uma política inteligente do ponto de vista americano. houve a dupla dominação (bipolaridade) dos Estados Unidos e da Rússia até a queda do muro de Berlim. Os Estados Unidos poderiam ter pedido certa moderação à Alemanha. e os alemães simplesmente queriam apagar tudo o que se seguiu ao tratado. os povos da Europa Central se tornaram independentes – a Alemanha Oriental.22 BM | Astucioso… P-MG | Sim. mas que não convém à Europa. O número de mortes causadas pelo embargo ultrapassa 1 milhão de pessoas. Quais os perigos desta hegemonia? P-MG | A questão é muito interessante. Já a superioridade americana. contraria os interesses europeus. Um dos efeitos da hegemonia americana é a Guerra do Iraque. que ficou do lado alemão durante a Segunda Guerra. Os sérvios foram bombardeados durante quinze dias pela Força Aérea Americana e a destruição foi imensa. ou seja. a Checoslováquia. Consequentemente. muitas e muitas crianças estão morrendo. BM | No começo do século XX. No início. dos franceses nas duas guerras mundiais – e recompensar a Croácia. BM | Gostaria que o senhor falasse dos tipos possíveis de guerra na atualidade. os Estados Unidos se empenharam em criar um Estado na Palestina. mas a punição infligida ao Iraque não é proporcional ao seu crime. deram aos muçulmanos a Chechênia e incentivaram a criação de um Estado muçulmano no coração dos Bálcãs. claro. mas eles não o fizeram. P-MG | Há dois tipos de guerra de coerção. Isso. BM | Por que os americanos agiram dessa maneira? P-MG | Por considerar que deveriam estar em bons termos com todos os países do Islã. não. Agora. E agora os americanos estão armando os bósnios muçulmanos. os velhos e as crianças… Trata-se de um crime contra a humanidade e ele continua. assinado sobre as ruínas da Alemanha. que se estende do Pacífico ao Atlântico e ocupa um território energeticamente muito rico. O século termina com uma dominação militar exclusiva dos Estados Unidos. A independência desses países é positiva. Queriam punir os sérvios – os aliados dos americanos. contribuíram indiretamente para formar mais um Estado muçulmano nos Bálcãs – já existia a Albânia. Os Estados Unidos gastaram muito dinheiro para evitar a expansão soviética e agora querem ocupar mais espaço no mundo para que seu poder se perpetue – sabem que ele não será eterno. dos ingleses. a Alemanha. Por quê? Porque a Iugoslávia foi criada depois do Tratado de Versalhes (1919). a Turquia. Trata-se de uma guerra de especialistas que não se expõem e só destroem à distância. Poucos homens valendo-se de armas muito eficazes. O Islã é um mercado e uma fonte de energia. na verdade. o Japão… Na segunda metade do século. porque é a noção de zero . que são obviamente as mais fracas. a Bulgária. BM | E a Iugoslávia? P-MG | Os alemães queriam a guerra. Os Estados Unidos. Por causa do petróleo. muito. a Áustria. a meta dos Estados Unidos era neutralizar um país considerado perigoso. vários países dividiam o mundo: a Inglaterra. é impedir que o Iraque venda petróleo para o preço no mercado não baixar. Com o desmoronamento da União Soviética e o fato de os Estados Unidos ficarem como a única superpotência. a França. sem correr risco algum. Uma é muito evoluída. a Romênia. os Estados Unidos. A ocupação do Kuwait foi um erro. a Rússia.

a questão é visceral. Ficavam mais expostas do que os combatentes. é preciso que tenha muito dinheiro. P-MG | Claro. Não há como imaginar. Vai correr o risco de vê-los bombardeados e de ter de usar depois uma máscara para respirar? Isso não é concebível. por razões pessoais. não acredito no argumento segundo o qual os Estados Unidos. BM | Com as armas nucleares. derrubá-lo do poder. Havia uma tendência a usar a força com mais facilidade. por exemplo.23 perdas que impera. por exemplo. o indivíduo sabe que está arriscando a pele. utilizar a televisão e divulgar uma imagem negativa do país que queremos maltratar. É compreensível que outros queiram entrar no clube e dirigir o mundo também. desde 1945. um conflito real entre a Rússia e os Estados Unidos ou entre a França e a Inglaterra. nesse caso. é possível agir através do bloqueio econômico. porém não corriam riscos. BM | Os países que possuem a bomba atômica se opõem a que outros a adquiram. não por razões altruístas. existem os povos que ainda estão dispostos a expor seus filhos à morte. Os espectadores serão rapidamente convencidos dos vícios e defeitos de tal país. que essas populações eram as principais atingidas. Associadas a foguetes balísticos. Trata-se da perpetuação da vida. a França ou a Inglaterra não usariam a arma nuclear por serem bemcomportados. portanto. São menos desenvolvidos industrialmente e se valem de todos os procedimentos. isso acabou. Uma população faminta tende a se enfurecer contra o dirigente. com as armas nucleares. Para que um homem louco chegue a governar. como a guerrilha ou o terrorismo. elas têm efeitos terríveis. Existem procedimentos coercitivos que excluem o derramamento de sangue e que as democracias liberais podem utilizar. Lembre-se da palavra de ordem de Clinton na Iugoslávia: “Nem um só homem morto”. Pessoalmente. Acho que o medo . Tornou-se evidente. Além disso. além do seu efeito dissuasivo. Os países que possuem a bomba sabem que uma guerra contra eles não é concebível e. Hoje. que fazem pressão sobre os governos para estes se tornarem mais prudentes. o Paquistão a usariam porque não o são. Os que trabalham nos submarinos e navegam pelos mares estão hoje menos ameaçados do que os moradores das cidades. BM | E a hipótese de um chefe de Estado louco? P-MG | Ela não é plausível. Perdemos tanta gente que agora atribuímos muito valor à vida humana. por exemplo. invulnerabilidade do território e prestígio. O senhor aceitaria a ideia de que o mundo poderia se apaziguar se todas as nações passassem à democracia liberal? P-MG | Certamente. No outro extremo do registro da violência. O que o senhor acha dessa oposição? P-MG | Acho que é racional e egoísta. porque a guerra hoje dispõe de meios inteiramente novos. a guerra mudou de natureza. os homens de Estado enviavam as tropas. BM | Observa-se que nunca houve conflito grave entre dois países de democracia liberal. a partir de então. o Irã ou a Síria. BM | O senhor acha mesmo? É próprio do louco não ser racional… P-MG | Mas. enquanto a Síria. alegando que temem o risco de disseminação da bomba entre países terroristas. Hiroxima e Nagasaki ensinaram o medo às populações civis. como a Líbia. essas armas tornam os chefes de Estado mais prudentes e mais responsáveis. Portanto: estabilidade. palácios etc. Nos conflitos de antigamente. eles se beneficiam de um estatuto privilegiado. Gostaria de saber se. Podemos.

BM | O poder da Alemanha reunificada ameaça a França? P-MG | A ameaça que hoje pesa sobre a França não é tanto de ordem militar. Obedeceu aos Estados Unidos na guerra do Iraque e à Alemanha na da Iugoslávia. os povos superpoderosos abusam do poder. É amoral armar um país. seu poderio econômico.24 da represália tornaria esses povos bem-comportados. é superpoderosa. mas de ordem socioeconômica. O meu país agora faz operações que o desservem. Só participou porque tem uma diplomacia servil. A coalizão teve pouquíssimos mortos. que não eram conhecidas nem pelos iraquianos. Já os iraquianos perderam 100 mil homens… P-MG | Não. Eu estive lá logo depois do fim da guerra. alegando que os Estados modernos foram feitos pela força da mais importante das suas etnias e todas as etnias devem se gerir como bem entenderem. Mas era preciso ainda liberar o Kuwait. a Alemanha. Já na primeira noite. acabar com seu desenvolvimento militar. temos um parceiro na Europa. Primeiramente. foram 100 mil homens no combate e 1 milhão por causa do embargo. Só que os alemães todos falam a mesma língua e estão unificados por ela. os americanos se valeram de armas capazes de um extraordinário desempenho e de outras inteiramente novas. e a Alemanha sempre teve procedimentos inteligentes para materializar sua força. suprimir a produção petrolífera do Iraque para manter o preço do petróleo elevado. mas para se integrar. nem pelos russos. vale-se da ideologia da regionalização e prega o desaparecimento do estado-nação. No que diz respeito às monarquias petrolíferas. Ao se oporem a ele. o que implicou o ataque frontal. Mas esse medo não os impediria de atacar os vizinhos que não têm armas nucleares. Percorri 4 mil quilômetros. A França deixou de ser um Estado soberano. os Estados Unidos tinham três objetivos. Sumariamente. lançaram os elétrons ofensivos. sim. nem pelos franceses. que ela armou. mostrar ao resto do Islã que o protegiam contra um Islã herético. Isso ocorreu depois de 48 dias de um bombardeio cuja finalidade era destruir o equipamento econômico e industrial do Iraque. A fim de não terem perdas. a Argentina. nem pelos ingleses. BM | Seria possível comentar esse fato? P-MG | O Iraque era uma anomalia no mundo muçulmano. um país progressista voltado para o Ocidente – não para o rejeitar. as redes elétricas e de esgoto. a guerra foi ganha na primeira noite. A França foi uma das peças importantes da coalizão. Seja como for. o que não é o caso de outros – dos . Ora. os grandes supermercados. uma espécie de nuvem que paralisou os meios de comunicação iraquianos e impossibilitou as unidades militares de receber ordens. Por sua posição geográfica. A França antes tinha interesse em manter laços privilegiados com o Iraque. tudo estava destruído – os aeroportos. que podia se tornar ameaçador para Israel. o Iraque também era uma exceção. A França tinha mesmo interesse nisso ou poderia ter escolhido uma posição análoga à do Brasil? P-MG | Não tinha nenhum interesse. Estive lá dando cursos de estratégia nuclear e depois fiquei revoltado com a adesão dos franceses aos americanos. os monumentos históricos. seu dinamismo e a qualidade dos seus estadistas. receber dinheiro dele e depois apoiar a sua destruição. Em segundo lugar. uma superpotência europeia. BM | Gostaria que voltássemos à Guerra do Golfo. BM | O Brasil não participou da Guerra do Golfo. Em terceiro. Os americanos também fizeram manobras usando helicópteros para destruir com canhões todas as estações de radar. Agora.

holandesa. aliás. o que mais conta é a economia.25 franceses. porque os alemães ocuparam o meu país e os judeus foram deportados. Mas eu fazia isso porque os alemães estavam na França. deveria se tornar uma potência nuclear. porque a vivi. Para que ela exista. Não legitimo a guerra. O resultado eram 300 ou 400 mortos. que vai faltar. Isso requer um federador e este teria que ser o país europeu mais forte. porque os homens são tolos e não há como mudá-los. Somos uns ingênuos de pensar que as fronteiras da Europa estão definitivamente estabelecidas. Resta saber se os países asiáticos. Só que existe uma campanha contra isso. Depois do que aconteceu neste século. mas é preciso que esta não seja ameaçada por forças hostis. portuguesa… BM | A situação geopolítica do meu país é invejável – está longe dos centros de conflito e não tem inimigos. Comprometeu-se ainda a não fabricar a bomba. feita pelos países produtores de petróleo. como nós. A economia brasileira corre o risco de uma forte ingerência americana. ou seja. Nietzsche disse que o século XX seria o século das guerras. que haverá guerra enquanto houver homens? P-MG | Sim. como Freud. Outra fonte grave de conflito é a alimentação. porém a compreendo. é difícil depender totalmente da Alemanha. mais guerra fizemos. seria preciso fazer tudo pelo nuclear. O que o senhor pensa disso? P-MG | Acho que o Brasil está errado. Há causas de conflito. é necessário que seja federal. já tem a mão posta sobre as economias francesa. BM | No fim do século XIX. que. BM | Por quê? P-MG | No atual estágio do desenvolvimento da América Latina. belga. para mostrar sua capacidade científica e entrar logo no clube das grandes nações. por exemplo. BM | A incapacidade que a Europa ocidental tem de resolver o conflito iugoslavo é indicativa da dificuldade de desenvolver uma política europeia comum? P-MG | Mas a Europa não existe. só que o Japão é vizinho dos chineses. tem que se tornar uma potência nuclear. Além da questão energética. despejava quatro toneladas sobre eles. italiana. vão se industrializar valendo-se da sabedoria oriental ou fazendo a guerra. Mais de 1 bilhão de chineses não têm fonte de energia suficiente para se desenvolver. BM | O senhor deseja acrescentar alguma coisa? . agora altamente desenvolvidos. Os países asiáticos já estão se preparando para isso. Você sabe que eu bombardeava os alemães e. Se o Brasil quer entrar no clube das grandes nações. Como o senhor vê o século XXI? P-MG | Quanto mais desenvolvidos nós nos tornamos na Europa. BM | O Brasil tem uma tradição pacifista… P-MG | O Japão também. a Alemanha. BM | O senhor acredita. como os Estados Unidos. a cada vez. enquanto o Brasil não tem vizinhos ameaçadores… Seja como for.

Romancista. artista convidada desta edição de ARC.26 P-MG | Dizer que as suas questões são extremamente interessantes e eu não esperava um panorama assim tão completo. Paris não acaba nunca (1996). Contato: bettymilan@free. Fale com ela (2007). 1944). e Quem ama escuta (2011). ensaísta e dramaturga. Colaborou nos principais jornais brasileiros. . Página ilustrada com obras de Unica Zürn (Alemanha).fr. Sua bibliografia inclui títulos como O papagaio e o doutor (1991). Betty Milan (Brasil.

dio cabida para que fueran apareciendo los moldes. Breton. Tanguy comienza a familiarizarse con las publicaciones del grupo entre éstas La Revolution Surrealiste. Man Ray. En ese dominio radica la materia generadora de su arte. junto a los surrealistas. Los espacios misteriosos que rodean la etapa metafísica de Chirico se extienden sobre su elección de convertirse en pintor. En esos primeros años de formación. ambos escritores lo introducen en los medios surrealistas en 1925. Paul Eluard. Pero antes de penetrar en el reino primordial donde habitan. llamándole la atención a Breton quien ya había dado a conocer su “Primer Manifiesto”. con sus seres danzando en un espacio lúdico. Las primeras ilustraciones de Tanguy que aparecieron en la Revolution Surrealiste: “L’Extinction des lumiéres inútiles” (1927). Miró y otros. que expusiera por primera vez en 1926. y Joan Miró quien a la sazón había pintado su famoso “Carnaval de Arlequin”. la pintura de Tanguy se convirtió en una de las aportaciones vitales de ese movimiento. Amigo de Jacques Prévert y de Marcel Duhamel. y dado su enfrentamiento con unas técnicas que aún no le permitían elaborar el mundo que llevaba en ciernes. Fue allí donde trabó amistad con Antonin Artaud. La dimensión onírica que el surrealismo abre entre el pintor italiano y el español. Su interpretación entraña una aventura en lo desconocido. a la manera que los naives crean los suyos. debería llevar un signo de interrogación a su lado. De entrada debemos recordar que su descubrimiento casual de la famosa pintura de Chirico “El Cerebro de un Niño”. se abrió una exposición titulada “Yves Tanguy et objects de l’Amerique” donde aparece su pintura al lado del arte de unos pueblos que habrían de ejercer una profunda influencia en el movimiento inspirado por Breton.27 CARLOS M. tuvieron que penetrar favorablemente en su mirada. Tanguy deja en suspenso la sustancia psicológica sumergida en las visiones del pintor italiano. De inmediato Tanguy se suma a las actividades lúdicas del movimiento. participando en la confeccion de los “cadáveres exquisitos” junto a Max Morise. y los surrealistas como azar objetivo. Fue dentro de ese ambiente cargado de sorpresivas invenciones poéticas. A partir de sus contactos iniciales con el grupo de la Rue Blomet en Montparnasse donde se reunían partícipes de la constelación surrealista. Michel Leiris. Guy Rosey. Si la dimensión subliminal de Chirico había atraído su atención. como Breton indicara. A partir de entonces. Un año más tarde. y Tristan Tzara. Aunque algunos elementos de Chirico se encuentran presentes en esas primeras obras suyas. del arte “bruto” o “naive”. Jehan Mayoux. Tanguy improvisó un escenario donde sus personajes daban la impresión de encontrarse en estado de gestación. sin la certidumbre de salir con una respuesta adecuada ante lo que proponen. André Masson. estuvo realizada bajo el signo. cuyo primer número se publicó en 1924. lo impulsó a pintar gracias a lo que Jung hubiese calificado de sincronismo. su pintura cambió de dirección. sino que se convirtió en uno de los intérpretes de la poesía de Lautréamont. de su universo surrealista. que habría de resurgir a medida que el pintor fue adentrándose en el dominio de “Las Madres”. “Il faisait ce qu’il voulait” (1927) y “Maman. Tanguy no sólo se mantuvo fiel al lado de Breton. que se ha prestado a interpretaciones equívocas. Tanguy nunca tuvo un entrenamiento académico y por tanto toda la obra de su primera etapa. LUIS | Aproximaciones a Yves Tanguy Cada título de los cuadros que Tanguy pintara. ectoplasmáticos otros. el mundo biomórfico de Miró. Benjamin Péret. pétreos unos. A partir de esas fechas. Papa .

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est blessé” (1927) ya mostraban los arcanos inconfundibles de su arte. En estos cuadros
como en otros de su primera etapa, brotan los embriones de su mundo sumergido, el mundo
de Las Madres como Breton había proclamado siguiendo al Goethe del Segundo Fausto, que
sólo ven a los seres que no han nacido [1] indicándonos el camino que debe retomar la
pintura y la poesía en lo más profundo de las profundidades. Breton con su intuición
acostumbrada, sitúa la pintura de Tanguy en un reino imaginario, donde comenzaron a
urdirse las formas enigmáticas y remotas que poblaron sus cuadros.
Todo en Tanguy parece que estuvo destinado a configurar una mitología que
comprometía su persona con su obra. Nacido en la Bretaña, en una región donde dólmenes y
menjires recordaban el paso de viejas creencias relacionadas con conjuros mágicos de los
druidas, Tanguy recibió los efluvios de otro misterio: el de la sumergida ciudad de Ys. ¿Fue
su nombre Yves, un recordatorio de la primera y última letra de esa ciudad mítica? En la
bahía de Douamenez donde se encuentra Ys, según la leyenda, y donde las cenizas de
Tanguy fueron echadas tras su fallecimiento, yace la ciudad condenada. La leyenda nos
relata la historia de la perversa hija del rey Grandhon, llamada Dahut, y de sus constantes
orgías y el placer que experimentaba en matar a sus amantes. Un día Dios decidió hundir la
ciudad, escapándose el rey y su hija en un caballo mágico, pero ante las insistencias divinas,
el rey tiró a su hija al mar, convirtiéndose en una sirena llamada Morgane. Aunque los
druidas fueron vencidos por el cristianismo, esto no impidió que Tanguy fuese uno de sus
herederos, según lo define el “Diccionario Abreviado del Surrealismo: Guide du temps des
Druides de gui (guía del tiempo de los Druidas de muérdago), o como lo consigna su sobrina
Geneviéve Morgane-Tanguy en su libro “Yves Tanguy druide surrealiste”. [2]
La región de Lacronan, de Finistere y de Carnac donde Tanguy vivió y pasó sus vacaciones
los primeros años de su existencia, posee una topografía especial. Frente al mar, mostrando
siempre su horizonte, la costa se encuentra repleta de piedras y acantilados, que ocuparían
un lugar privilegiado en su pintura, así como en la imaginación de Breton quien escribiera un
largo poema “Fata Morgana” inspirado en la famosa sirena. El mundo multiforme de las
piedras suscitó en él el atractivo por una cosmogonía prehistórica, intocada por el paso del
ser humano. En sus espacios poblados con formaciones que no parecen responder a una
geología conocida, aparecen entonces las creaciones que las Madres trajeran consigo,
creaciones que dejan ver lo que aún no ha nacido, es decir, a un mundo futuro simbolizado
por los horizontes que aparecen en sus pinturas.
Tanguy se embarca entonces en una hazaña personal, en búsqueda de otras dimensiones,
posiblemente sugeridas por tempranas lecturas de Oupensky que hiciera junto a Matta y
Gordon Onslow Ford. Pero si Matta y Ford se quedaron de este lado, Tanguy dio un salto
fuera de la ventana de nuestro propio ojo, como Breton dijera, para penetrar visualmente en
el reino de las Madres [3] ¿Pudo entonces encontrarse en ese reino, con los Grandes
Transparentes? Creo que ese encuentro suyo con los seres que Breton quiso situar en el
centro de su nuevo mito, fue posible gracias a las iluminaciones que bañan su pintura. La luz
particular que dimana de las mismas, le sirvió a Tanguy como guía para penetrar en regiones
donde nadie antes se había aventurado.
El misterio de la luz emana de la fragante profundidad donde reposa durmiendo para
decirlo con palabras de Goethe. Precisamente en la bahía de Douamenez yace durmiendo Ys
irradiando desde las profundidades, los resplandores de su vieja opulencia y libertinajes
sexuales, de los cuales Tanguy no sería ajeno, como lo demuestran sus dibujos eróticos. Sus
colores se arremolinan de entrada, para irse asentando suavemente en los paisajes que fue
concibiendo, diluyéndose los unos en los otros, para crear nuevos cromatismos y
transparencias. La atmósfera que pueblan la mayoría de sus cuadros, va tendiendo un
cortinaje de luz, como una especie de Aurora Boreal. En los mismos podemos atisbar lo
grises y azules nebulosos que envuelven a Júpiter tratando de seducir a Io, en el cuadro
pintado por Antonio da Correggio, o la integración del cielo en el horizonte, que Turner lleva
a cabo en muchos de sus cuadros.

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Dudamos de tildar de profana o de sagrada su pintura, porque con respecto a Tanguy
nunca se sabe. Sin embargo podríamos arriesgarnos a especular acerca de la naturaleza
esotérica de sus luces y colores, relacionándolo con la metafísica del color que aparece en las
tradiciones judeo-árabe-cristiana. En todas esas tradiciones, el color y la luz juegan un papel
místico preponderante que no podemos evitar de percibir en los cuadros de Tanguy como
actos luminosos. La luz que precede la aparición del color domina el pensamiento de muchos
de los poetas de esas religiones. Pero a su vez como Muh Karim-Khan Kirmani nos dice Toda
luz es color que se manifiesta, bien sea la brillantez de las luminarias celestes o la del fuego.
¿Dónde iríamos a buscar la idea de una luz que ilumine un cristal, sin que esa luz fuese en sí
misma un color? (3). El color es por tanto, la forma corpórea de la luz y es así cómo aparece
en la pintura de Tanguy. La luz posee sin embargo una zona intermedia: el claroscuro, que
ilumina a su manera los lugares donde habita el subconsciente. Los surrealistas estaban
advertidos de ello explorando lo que hasta finales del siglo XIX parecía ser una tierra de
nadie. A pesar de que todas las evidencias apuntan hacia la inclinación de Breton a favor de
Freud, lo cierto es que otros autores entraron en el campo de su visión intelectual. Pierre
Janet fue uno de éstos. El psicólogo francés versado en el uso del automatismo, que Freud
no reconocía, declaró al respecto:
Limitar la vida del hombre al pensamiento claro y distinto del cual Descartes hablaba es
suprimir…los tres cuartos de la vida humana dejando al lado lo que es mas atractivo, las
sombras y los claroscuros. [4]
Si Breton pudo llevar a Tanguy al dominio de las Madres, fue porque este pintor
representaba para él, la apertura de zonas intermedias que permiten la aparición de otra
suerte de clarividencia. En su ensayo sobre Tanguy [5], Karin Von Maur anota las
convergencias que se establecieron entre la obra de Charles Richet, sus investigaciones
parapsicológicas estudiadas en su libro “Traité de métaphysique”, y Tanguy. De acuerdo con
esta autora, Breton estaba familiarizado con sus trabajos sobre diferentes fenómenos
mediúnicos. Algunos de los cuadros que ejecutara durante el período de transición (finales
de los veinte), que marcó su entrada definitiva en el surrealismo, llevaban títulos prestados
de los casos que Richet mencionara en sus libros. Uno de estos cuadros y posiblemente el
más famoso y enigmático: “Mamá papá está herido”, refleja el caso de un adolescente que
una noche despertó a su madre, avisándole que había visto caer a su padre herido en una
batalla de la Primera Guerra Mundial, cosa que coincidió exactamente con la misma hora que
ocurriera de acuerdo con Richet. La visión premonitoria del adolescente, atravesando una
dimensión extrasensorial, encuentra su expresión plástica en Tanguy.
Las lontananzas que Tanguy abriera estuvieron aparentemente delimitadas por sus
horizontes, dando acceso a un infinito mundo de posibilidades. El arco-iris que
vislumbramos en su pintura nos puede recordar la señal del convenio entre Noe y Dios, que
estará en las nubes, según el relato del Génesis. En su caso, sin embargo, simboliza su pacto
con los dominios de lo maravilloso, donde habitan los Grandes Transparentes que aún no se
dejan ver. No se dejan ver por los profanos, pero sí por los iniciados en ciertos secretos, que
el druida Tanguy conocía bien.
Durante un período donde toda suerte de objetos indescifrables aparecieran, su mundo
interior afloró proporcionándole al surrealismo un lenguaje visual inédito. Sus puntos de
contacto con las formas biomórficas de Arp y de Miró, abrieron un camino que los pintores
de la escuela de New York habrían de explorar con provecho. Por otra parte, la aparición de
Dali en el campo visual surrealista, completó la filiación de Tanguy con las ideas de un grupo
que buscaba en esos primeros decenios formativos, su razón de ser asentado en los sueños y
en el automatismo. Freud imperaba como el maestro indiscutible de la interpretación de los
mismos, y aunque Breton no tuvo éxito en sostener con el sabio vienés un intercambio de
ideas, Dalí logró atraer su atención. Por otra parte, Jung vio en Tanguy posiblemente lo
mismo que Freud intuyera en el pintor catalán, adquiriendo una de sus obras. Creo que

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podemos adivinar la predilección de Freud por Dali y la de Jung por Tanguy. Si Dali
escenifica la mayoría de las veces sus relaciones con el inconsciente, Tanguy hace
exactamente lo contrario: las oculta interiorizándolas bajo veladuras de colores. Para Freud,
Dali representaba un espectáculo que él podía desmontar mediante su método excluyente de
toda interpretación “esotérica”. Jung en cambio, se sintió atraído por las ciencias llamadas
ocultas, ahondando en sus símbolos para entresacar de los mismos sus teorías sobre los
arquetipos y el inconsciente.
Durante su primera etapa formativa y mientras que la substancia onírica iba asentándose
iba tomando cuerpo dentro de él, Tanguy introdujo una serie de objetos maleables o fluidos.
A medida que sus horizontes fueron delineándose, el uso de la perspectiva le facilitó
situarlos como sinuosas apariciones sin terminar de rocas, cuerpos, osamentas o juguetes.
La captura por el ojo del artista de su proceso de gestación facilita la plasmación de los
mismos, como un intento de ir mostrando con lentitud, el nacimiento de otros seres. La
flacidez que la mayoría de estos objetos nos muestran (y que a la larga influyeron en Claes
Oldenburg en plena época “Pop”, o en Isamu Noguchi), parece indicar el estado de blandura
en que se encuentran los seres durante su período de formación uterina. Dali por su parte,
anduvo por los mismos caminos, creando pinturas con objetos flácidos, rodeados de una
atmósfera policromática. En el número 3 fechado en 1931 de la revista Le Surrealisme au
service de la Revolution Tanguy publicó una serie de dibujos que muestran dedos, manos o
fetos con la idea de convertirlos en objetos esculturales. Todos esos objetos pasaron a su
pintura, situados al lado de polifórmicas configuraciones pétreas, de pedazos de cristales,
construcciones geométricas y otros elementos a mitad del camino entre lo que va siendo
para llegar a ser. La proclividad de convertirse en formas escultóricas que posee la pintura
de Tanguy, nos indica que en sus manos también existía la necesidad de un contacto con la
materia primigenia. Me pregunto entonces por qué esa obsesión de Tanguy de dejar
abandonados esos proyectos, en medio del silencio que cubre sus pinturas. Quizá si el
atractivo de los espectros lo indujera a ir creando en aquellos tiempos, no un objeto real
sino su reverso fantasmagórico.
Su mundo ameboide y ectoplasmático se manifestó pues en todo ese período, indicando
lo que habría de aparecer durante la última etapa de su pintura. Su cercanía a Miró puede
sorprenderse comparando un cuadro emblemático de éste: “Perro ladrándole a la luna”
(1926), con otros de Tanguy de esa misma fecha. El perro de Miró carece de contornos duros
al igual que los objetos que aparecen en Tanguy. Ambos pintores inician una exploración
dentro de lo que años más tarde se convertiría en la práctica del biomorfismo por los
pintores de la incipiente escuela de New York. A diferencia de Miró sin embargo, Tanguy no
hace danzar sus organismos en planos bidimensionales, sino que los proyecta en una
especie de ondulaciones espaciales, sin límites aparentes. Para Miró el primer plano es más
importante que para Tanguy, quien prefería que las cosas se mantuvieran inaprensibles y en
suspenso.
Los espectros que podemos ver en la “Ultima Cena” de Tintoretto, reaparecen al lado de
las figuras amorfas de Tanguy, destinadas a vagar eternamente por sus espacios. Su
composición “Extinción de las luces inútiles” (1927) es un compendio de lo que este pintor,
de entrada, nos quiso, (o no), comunicar con su pintura. ¿Qué intenta decirnos la mano que
surge de la extraña formación que aparece al lado izquierdo del cuadro? Nada nos indica que
existe entre la figura, los ectoplasmas (uno flotando en lo que aparenta ser un huevo), y los
objetos que proyectan sombras en el primer plano del cuadro, una relación diáfana. Todo lo
que Tanguy crea parece quedarse en estado de contingencia, renuente a darnos una
explicación de su por qué.
A partir de su llegada a los Estados Unidos, sus figuras comenzaron a mostrar otros
contornos, sin abandonar las sutiles gradaciones de color características de su pintura.
Durante esa etapa final de su vida, Tanguy viajó al oeste de los Estados Unidos, como
anteriormente lo había hecho al norte de África. Ambas regiones dejaron una huella
indeleble en su sensibilidad. Si del África regresó bajo la impresión que la causaran sus

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promontorios, en el Oeste americano presenció sus afiladas y desiguales formaciones
rocosas perfilándose tras sus profundos desfiladeros. Allí se mantuvo en contacto con los
indios Pueblo y aunque al parecer su arte no provocó en él el mismo impacto que tuviera
para Max Ernst, podemos entrever en sus obras huellas que denuncian su presencia. Lo
cierto es que todo cambió para Tanguy. En primer lugar el centro donde hervían las ideas
que los surrealistas exiliados habían traido consigo: New York, no fue su lugar de elección.
Junto con su esposa Kay Sage prefirió retirarse al campo, lejos de los ruidos neoyorquinos,
preferencia que André Breton siempre le recriminó. Pero Tanguy fue hombre de lejanías y en
su reclusión de Woodbury, Connecticut, elaboró cuadros donde sus objetos agrandados
actúan como engranajes entre creaturas míticas, fragmentos de maquinarias, piedras,
cristales etc. manteniendo sus contactos con el mundo de lo maravilloso.
El mundo de lo maravilloso hace eclosión en óleos como “La Palais aux rochers de
fenetres” (1942), “Divisibilité indéfinie” (1942), “Dame á la abscence” (1942) los cuales
montan un espectáculo prodigioso de interrogaciones. A partir de ese momento y hasta sus
grandes obras finales “La rapidité des sommeils” (1945), “Lá ne finit pas encoré le
mouvement” (1945) “Les Trasparents ones” (1951), “Le ciel traqué” (1951) “Multiplication des
arcs” (1954), “Nombres imaginaires” (1954) y sus magníficos gouaches de esas fechas, el
surrealismo adquiere nuevas definiciones, gracias a los espacios que abrieran. La íntima
relación de Tanguy con ciertas manifestaciones de la naturaleza, desde la luz hasta las
piedras, nos hace pensar que este pintor hundió su mirada en la raíz misma de la Creación.
No porque fuera para él un fenómeno inventado por un Dios convertido en dogma de fe,
sino porque al parecer, Tanguy sintió las vibraciones primordiales que precedieron el
surgimiento y metamorfosis de los mundos que nos rodean. El externo y el interno, siendo
Tanguy uno de sus vasos comunicantes.
Un pintor que siempre se sintió atraído por su mundo, Jorge Camacho, capturó
fotográficamente uno de esos fenómenos de metamorfosis que la naturaleza nos regala. En
el coto de Doñana descubrió el proceso de transformación que sufren los arbustos bajo el
paso de las arenas que se depositan por años sobre los mismos. Una vez que las arenas se
trasladan a otros sitios, quedan al descubierto unas formaciones pétreas y espectrales que
parecen llevar la firma del druida bretón. Gracias a las fotos de Jorge Camacho [6] han
quedado plasmadas esas formaciones que podemos ver estilizadas, en ciertos cuadros de
Tanguy. Que ese fenómeno pueda haber ocurrido, y que un artista haya podido apresar su
poesía en unas fotos, es una prueba que el surrealismo actúa en la naturaleza. Pero que
además otro pintor en la lejana Bretaña, sin haber tenido conocimiento de ese fenómeno,
pudiera atisbarlos en algunos de sus cuadros, nos hace pensar que en la esencia del
surrealismo, los Grandes Transparentes, continúan susurrando sus premoniciones.
NOTAS
1. “Le Surréalisme et la Peinture” NRF, Paris, Pógina 176. Traducción al español en el
catálogo “Yves Tanguy y el Universo Surrealista” Museu Nacional D’Art de Catalunya,
2008.
2. “Yves Tanguy, druide surrealiste”, Editions Fernand Lanore, Paris, 1995.
3. Ibid. Página 180.
4. Citado por Paolo Scopelleti, “L’Influence du surréalisme sur la Psychanalyse”, Bibliotheque
Melusine, L’Age d’Homme, Paris, 2002. Página 214.
5. “On the Certainty of the Never seen”, Catálogo de la exposición “Yves Tanguy: The Menil
Collection”, Houston, Texas, paginas 29-36. Hanje Lanz Publisher, 2001.
6. “Cruces de Doñana”, Fotografías de Jorge Camacho, textos de Juan Carlos González
Faraco. Consejo Superior de Investigaciones Científicas, Deputación Provincial de Huelva,
y Fundación El Monte, 1994.

Página ilustrada con obras de Uniza Zürn (Alemania).br/agindicegeral[C]. artista invitada de esta edición de ARC.net. Son libros suyos de ensayo: Tránsito de la mirada (1991) y El oficio de la mirada (1998). Ha dirigido en su país al Museo Cubano. 1932).32 Carlos M. Luis (Cuba.jornaldepoesia.jor.htm. Otros capítulos de este libro pueden ser encontrado en la fase I de Agulha Revista de Cultura (1999-2009): www. Este ensayo forma parte del libro Horizontes del Surrealismo (en preparación). . Poeta. ensayista y artista plástico. Contacto: karmaluis1@bellsouth.

y conmigo la memoria viene / de la casa materna y la sonrisa. De repente surgía la magia de la provincia. confundiéndose él mismo con la tierra que le vio nacer: “Esta noche no tengo más empeño / que ser tierra. Manuel Rueda (1921-1999) terminó por aceptar aquella invitación de unos compueblanos suyos a participar en una noche literaria en Monte Cristi. mediante pergaminos otorgados por el Ayuntamiento local. antes de la hora convenida ya estaba en el salón del centenario recinto. Y así estuvimos hasta la hora del almuerzo. pese a su reticencia a involucrarse en ese tipo de actividades.33 | Monte Cristi en la poesía de Manuel Rueda JOSÉ ALCÁNTARA ALMÁNZAR Después de mucha insistencia. yendo de un tema a otro. daban pretexto a Manolito Mora Serrano para explayarse en sabrosas anécdotas sobre recorridos pueblerinos en compañía de Freddy Gatón Arce. Entonces fluyeron sus palabras. como él mismo decía. // Llego. ser árbol. // En un ansia de amor todo se irisa / y apartando nostalgia y alabanza / siento que Monte Cristi es la esperanza”. Manuel. los susurros de la gente mientras abarrotaba la sala. No se habían detenido a pensar. Los organizadores de la velada querían que Manuel dedicara unos poemas a su pueblo y los leyera personalmente en el Club de Comercio. El ritmo pausado y la entonación solemne que el poeta daba a sus propias criaturas mantenían en vilo al público. llegando al pueblo a la hora del bochorno. salió Manuel de Santo Domingo. En la galería del hotel donde nos hospedamos estuvimos conversando animadamente. las palabras en homenaje a Chery Jiménez Rivera pronunciadas por Mora Serrano. rescatada del recuerdo por un artista inigualable. hasta que le llegó su turno. está presente aquella olvidada provincia fronteriza. los ruidos de las sillas metálicas. pues. para quien la geografía montecristeña contenía significados telúricos que desbordaban todas las nociones. . y finalmente la exaltación pública de dos jóvenes poetas cuyos nombres he olvidado. la noche del primero de noviembre de 1997. Después Manuel descabezó un sueño y ya en la tardecita se sentía preparado para enfrentarse a los pormenores de la ceremonia. un enorme caserón de madera que alguna vez debió de haber sido majestuoso y que aquella noche proyectaba el brillo de sus luces hacia las lóbregas calles aledañas. muy temprano. Como era su costumbre. con evocaciones de Monte Cristi que encantaban a Ida. con la mirada y los oídos atentos a cuanto ocurría. publicados todos en Isla Abierta a fines de ese mismo mes. Sin mucha convicción. ser camino / ser la vida que llega a su destino / traída por un canto y por un sueño. dichas con ese dramatismo que sabía imprimirle a sus escritos. pero una vez inmerso en el proceso creativo surgieron tres sonetos espléndidos. manzanillera de nacimiento. y me confirmaban una vez más el profundo amor de mi amigo y maestro por su pueblo natal. / del mango arzobispal que el patio tiene. // Tiempo de amar lo grande y lo pequeño / en un puro y alegre desatino / siendo humano y sintiéndome divino / y más que universal: montecristeño. que en toda su obra. la solemnidad con que muchos acudían a escuchar y ver a sus poetas. con esa estoica paciencia de la que hacía acopio en momentos similares. desde el principio. Recuerdo como ahora el calor. permaneció tranquilo entre los miembros de la mesa principal. al que añadió el soneto inédito “El sueño del soldado”. El día convenido. siguiendo la melodía de la rima consonante de cuartetos y tercetos. situándolo en un espacio intemporal. se puso a escribir.

/ y sentí que mis muertos renacían”. quien conoció y definió de manera más incisiva la tragedia de nuestra zona limítrofe con Haití y trazó un agudo perfil del rayano. oliendo como un grano de incienso en medio de las inmensidades abiertas y azules. / en un sonar de gloria ya cautivo / todo el amanecer de sus campanas”. // Hasta que caiga de lo alto. de Ramón. Unas veces en tono nostálgico. Y había hombres / rondando. Y en lo alto y en lo hondo. / donde dormí diez años al amparo de un regazo y la cálida montaña. Era de noche / y había fieras rondando. / amontonando las ofrendas. yo volví los ojos / hacia ti. En cada libro. / de Evelina. Juro que sabré vengarme de todas las afrentas que me han hecho”. pero me detenía el mar. Al libro La criatura terrestre pertenecen los conocidos “Cantos de la Frontera”. tan ligados a la experiencia vital del autor. como si aún retumbara en las calles la amenaza que en 1927 profiriese Trujillo al salir de allí. los versos dibujan un lugar paradisíaco donde se enseñorea el muchacho destinado a convertirse en poeta: “A veces sucedíanse juegos y locas carreras a lo largo de la costa. sacando del surtidor de su memoria emocional una serie de imágenes que nunca lo abandonaron. En “La criatura terrestre”. así como su legendaria historia adquirían nuevos acentos en otro soneto. En ese texto estremecedor. de Chery. // Mares que dieron el escalofrío / en la mente de Alonso de Pinzón. / Él solo era mi valla y yo me asemejaba a él en poderío y ansia de lo libre. “ese tipo indeciso –como él mismo sostenía− que fluctuó siempre entre dos patrias colindantes sin tener fuerzas para decidirse por ninguna. en un ímpetu joven de pulpas chorreadoras. // Tu torre de las horas está muda / pero el tiempo al pasar brilla y la escuda / eslabonando ayeres y mañanas. / mi pasado. de Avelino y mío. / ingrávidas como el humo o la ventisca”. / Rostro del Cristo de la Redención. poema del libro homónimo publicado en 1963. y ambos nos sosteníamos. En el poema “La canción del rayano”. única e indivisa hasta que el hombre la marcó con el oprobio necesario de una línea”. un extraordinario símbolo de nuestra tierra. / Mi tierra respetada. / Mi tierra llena de bestias petrificadas al caer el sol / y de blancas. sin soslayar el vía crucis montecristeño. / Yo pasé por los arcos de tu piedra. mi flor. el autor recupera momentos felices de una infancia dorada: “Y entré a una selva oscura. el reloj público−.34 Los emblemas de Monte Cristi –el Morro. vivo. / acomodando la hoja de la guásima y el cedro. del brazo de su flamante esposa. / hecho con lumbre y hecho con rocío. que planeaban sobre ellas. / a las mismas gaviotas te confío / que ayer fueron concordia y hoy canción. según fabuló el escritor en Bienvenida y la noche: “Me llevo la más bella flor de Monte Cristi. pueblo mío arrinconado. aferrándose a las hebras de un recuerdo que por momentos está a punto de desvanecerse. / Entre el cielo y el mar yo me movía con mi pequeña tierra en hombros. Este pueblo no se la merece. de todos los poetas dominicanos del siglo XX. mi blanca sombra. En el soneto a que me refiero. asistimos al nacimiento de una voz. algunos de sus personajes y autores conocidos. Otras como telón de fondo de una vida. Fue él. la de . que es una de las más altas expresiones de la poesía dominicana contemporánea. Manuel intentaba redimir del naufragio a su pueblo natal. / donde apoyé los pies y puse el labio. Manuel dejaba constancia de su entrañable vínculo espiritual con Monte Cristi. / pueblo enterrado en lluvia y en olvido. mira con optimismo hacia el porvenir: “Morro en el canto. Manuel. / oscuro y claro. Manuel no hizo sino ahondar cada vez más en su visión de Monte Cristi. lentas garzas. Durante toda su trayectoria literaria.

aún me miran. a partir del instante en que el tirano furibundo dio la orden de exterminio. acuosos y dulces. su progenitora. // Y se pone a crecer. en ave. hasta que logró exponerlo en “visiones y elegías”. galipote astuto y viril que toma cuerpo de ave . // El niño que eras mira. arrancado de la tranquilidad del hogar y los afanes de la música: “Podrías llorar ahora tu ignorancia de muchacho / metido de golpe entre tus partituras y tus libros. / Sus ojos de fotografía. un poco por mi abuela y por el Cholagogue Indio. “un brujo mandinga”. / desarmada la pobrecilla en su esqueleto de 9 años. / sueños. desde los 9 años”. batracio. patente en el poema “Mi madre. uno de sus poemas más desgarradores. siendo la más terrible aquella matanza colectiva de haitianos desencadenada en 1937. / porque es necesario que nos encontremos. pero yo la conmino. el ominoso recuerdo persiguió siempre a Manuel. “el demonio de la frontera”. poema incluido en Las edades del viento (1979): “Padre / planicie de polvo huracanado / en el mismo corazón de esta provincia / que carga como una fortaleza todas las batallas del hombre / o un cementerio donde los huesos arden / olvido para esta tierra en declive que hoy busca mi mano / para existir / alegrarse un momento / decir adiós contra los cielos / contra la tapia de ceniza del último cielo creado por la muerte / sobre unos cambronales erizados”. Pero hay un costado lastimoso de Monte Cristi que el poeta escruta con mirada doliente. “un animal-hombre” que es capaz de transformarse. del libro Por los mares de la dama (1976): “Mi madre fue un lazo de moaré rosado sobre una trenza oscura. que publicara un año antes de morir. ilusionado en encontrar motivos para existir. camuflando su identidad en otras identidades subhumanas. la insto a seguir. Y en la parte IV de este poema testimonial hallamos el súbito despertar del muchacho que entonces era el poeta. La muerte se presenta como un fantasma que ronda el pueblo. / hundiendo en gramática y ecuaciones compuestas sus empolvados encantos. Será contada así la historia / de esas minucias que fueron epopeya”. pez. Es a ese mismo ámbito decadente donde el poeta retorna siempre. como si la expulsión del edén lo condenara a luchar para sobrevivir. Por momentos el paisaje se vuelve contra el ser humano. redescubriendo la inhóspita provincia. Makandal es justamente un “milagroso rayano”. contenido en Congregación del cuerpo único (1989): “De Ouanaminthe a Cap Haitien a Monte Cristy / kilómetros de lentitudes incendiadas / de cenizas de troncos y bejucales inhóspitos / pasando ríos pedregosos donde el agua es recuerdo / descansando un momento junto a los puentes rotos. Las metamorfosis de Makandal. / tan provinciana ella. / Acodado en el tiempo miras a través de las vidrieras / y los espejuelos empañados / hacia el sitio de la horrible visión / hacia los altozanos donde se enrosca el grito de la prole / hacia loso montes despechugados y los cambronales / florecidos de sangre fresca / de negras banderas de piel humana / cabelleras sembradas a ras de pedruscos / cactus con su florcita asombrada: un ojo temblando en / la punta de las espinas”. Siempre hay en los poemas montecristeños de Manuel una tensión interna que se desplaza de lo geográfico a lo histórico. Las visiones de Monte Cristi acosaron a Manuel hasta su última obra. Obligado a ser testigo del horror. mamífero. al pie del reloj público adquirido en Alemania / por suscripción popular / y junto al que todas las muchachas de entonces / aprendieron paciencia”. echando carnes. sin consuelo ni esperanzas. como leemos en “El día justo”.35 Marina. alternativamente.

en la Universidad Nacional Pedro Henríquez Ureña (UNPHU) y en el Instituto Tecnológico de Santo Domingo (INTEC). y Panorama sociocultural de la República Dominicana (1996). los días calurosos y polvorientos. las alusiones poseen una fuerte carga de sensualidad. es decir. Contacto: j. el despertar de la conciencia y los sentidos. bajo mi cabeza. el mar. 1946). espantos y alumbramientos. los mimos extremos de la abuela. // Y me reencuentro en ti cuando ya viejo / llego y me embarga el alma esta certeza / de conocerme en huella y entrecejo. Página ilustrada con obras de Unica Zürn (Alemania). El sabor de lo prohibido. En el canto VII de “El libro del comienzo y del fin” de este gran libro con el que Manuel coronó su obra. narrador. con tu arrullo. los “toros” que en las fiestas de carnaval se sumaban a los temores que le habían infundido sus tías con lúgubres detalles de esos falsos demonios. Los escritores dominicanos y la cultura (1990). // Que al morir pongan. / como almohada eterna el polvo tuyo”. // Vida y muerte me ayudan en provecho / de lo que soy y quiero y aún persigo. gallo arrogante y pendenciero. Hombre o fantasma. vigoroso sembrador de la especie en el vientre de las hembras. entre ríos profundos y corrientes que me llevaban a las plantas de aquél que yo sería y quedaba a la espera”. que atravesó el tablón de la cabecera para susurrarme los ensueños en una duermevela donde me reencontraba y me perdía. de tus raíces estoy hecho.do. todas las encarnaciones del macho agresivo. la historia de todos nuestros descalabros. / Como lo voy sintiendo así lo digo: / Pueblo. . Ha sido profesor en la Universidad Autónoma de Santo Domingo (UASD). vivo o muerto. la madre y las tías que llenaron su infancia. artista invitada de esta edición de ARC. Monte Cristi resume también los atributos de una punzante geografía abandonada e inclemente. Sociólogo. // Fui amasado en tu polvo. en tanto que la atmósfera sobrenatural enmarca el origen del drama existencial del poetatestigo: “En Monte Cristi las puertas se cerraron a tu paso. turgente. Autor de libros como Estudios de poesía dominicana (1979).gov. prefiguraba. la coexistencia obligada con los vecinos maltratados. Por último. toro o caballo indómito. joven príncipe arada que en la noche de los incendios hacía repiquetear las campanas en lo alto del templo. profesor y uno de los principales críticos de la literatura dominicana. sin saberlo. Antología personal de cuentos (1993). / a la mujer tras cuya huella sigo / y que estará al final. Las máscaras de la seducción (1983). en el soneto IV que leyó Manuel aquella noche de todos los santos.alcantara@bancentral. José Ancántara Almánzar (República Dominicana.36 rapaz o palmípeda. Monte Cristi era para Manuel la génesis de la vida. su propio final: “Y se desborda y sube de mi pecho / el amor al hermano y al amigo. el sol abrasador. según sospecho.

Argentina. pensamiento o militancia política. Puerto Rico. Granell había militado en el POUM (Partido Obrero de Unificación Marxista). cantada por poetas de la estatura de Neruda (España en el corazón). músico. pintor y escritor surrealista español. movilizado militarmente durante la Primera Guerra Mundial. y Eugenio Fernández Granell. donde operaron varios campos de concentración para estos fines.37 | Lecturas conversando con el tiempo: Granell–Breton JOSÉ DEL CASTILLO PICHARDO SEDUCCIÓN SURREALISTA | Ciudad Trujillo 1941. Breton había estudiado medicina. La presencia de Breton en la capital dominicana –acompañado por su esposa e hija– fue un acontecimiento cultural. en especial para los poetas y artistas nucleados en torno a la revista Poesía Sorprendida. Disidentes del stalinismo que en 1940 con su vara larga alcanzó mortalmente a Trotsky en México. que agrupó a varios núcleos marxistas independientes de los dictados de Stalin y del Partido Comunista Español. Norteamérica. el papa negro del surrealismo nacido en Tinchebray en 1896. Freddy Gatón Arce. Escribía igualmente en las publicaciones de los republicanos españoles Ágora y Democracia. a golpe de picana alpina. Así como para exponer su obra pictórica en individuales y colectivas. Desatando las fuerzas del intelecto. realizando crítica de arte y literatura. Militantes revolucionarios. tuvo tiempo para organizar el Teatro Guiñol que funcionó en el Instituto Escuela. Ambos hombres de izquierda. Uno de 45. ocasión en la que laboró en hospitales y se familiarizó con la obra psicoanalítica de Freud y sus experimentos con la denominada escritura automática (libre de los controles . Integrado como docente a la Escuela Nacional de Bellas Artes que conducía su amigo el escultor español Manolo Pascual. otro de 29 años. Participó en la defensa de Madrid y dirigió la revista El Combatiente Rojo. Artistas de las vanguardias se dieron cita en esta media ínsula. Posada de perseguidos por razones de raza. colaborando en otras publicaciones como POUM. Venezuela. escritor y teórico francés André Breton. el chileno Alberto Baeza Flores. para mayor seña gallego nacido en La Coruña en 1912. poeta. En España. Junto a otros refugiados formaba parte del elenco de la Orquesta Sinfónica Nacional dirigida por el músico madrileño Enrique Casal Chapí –nieto de Ruperto Chapí. Lugar esta villa del Ozama del encuentro entre el médico psiquiatra. Antes de arribar a Ciudad Trujillo. cuya conducción encabezaban Franklin Mieses Burgos. Mariano Lebrón Saviñón. revolucionada en su momento por la presencia de una masa crítica de alto nivel (hoy se diría “de clase mundial”) que gravitó poderosamente en el ámbito de la cultura. Integrado activamente a la vida dominicana. explosionando en onda expansiva la potencia del arte en todas sus vertientes. entre ellos trotskistas. Punto de tránsito de transterrados que irían a parar a México. autor de La revoltosa y de otras zarzuelas decimonónicas. el multifacético Granell colaboraba como columnista en el diario La Nación. desgarrados por la guerra civil de aquella heroica España defendida por brigadas internacionales solidarias. Puerta a la América hospitalaria para aquellos que navegan desde Europa escapando al asedio nazi y fascista. Refugio circunstancial o definitivo de varios miles de derrotados del bando republicano. pasó por Francia. con la presencia del ángel catalizador de Granell. quien aportaba las viñetas de ilustración de sus páginas. vía de escape y primer lugar de acogida controlado. como tantos refugiados republicanos. según nos relatan Guillermina Medrano y José Ignacio Cruz en Experiencia de una Maestra Republicana.

para dejar fluir libremente los sentimientos alojados en el subconsciente.38 conscientes que el proceso de socialización establece como cánones regulatorios en la conducta de los individuos. El contacto dominicano entre el ícono Breton y el inquieto Granell produjo una corriente de simpatía instantánea. expulsados por el infortunio de la guerra en Europa. Una buena parte de estos surrealistas militaría en el movimiento comunista. Esta aproximación se traduciría en módulo de escritura entre los surrealistas. Otros romperían lanzas contra lo que entendían una restricción al desempeño libertario y creativo. Un corset ideológico. toda una placentera y surrealista imaginería onírica plasmada en su tríptico El Jardin de las Delicias que figura en El Prado. verbalmente. En 1924 aparece el primer Manifiesto Surrealista. entre los pintores jóvenes. Ambos lanzados al Atlántico como Colones buscadores de nuevos horizontes. Junto al poeta Louis Aragon y a Soupault funda la revista Littérature. Fruto de este hallazgo es la obra Los campos magnéticos publicada en 1920 junto a Philippe Soupault. apenas pude pulsar las reacciones que se dibujaban en los espíritus. Al movimiento. con sus apegos y desapegos dialécticos. su fama mundial ha corrido pareja con su positivo valor intelectual. Nos manifestó su admiración por el pintor de la vecina república y no nos ocultó que Lam es. de Diego Rivera en América. El Bosco. se unirían pintores como Dalí. por escrito o de cualquier otro modo. sin la intervención reguladora de la razón. el funcionamiento real del pensamiento. quien junto a Dalí. producirían el film Un Perro Andaluz. de la parte francesa. Un poderoso imán cautivante se cruzó entre el galo más maduro y el poliédrico joven gallego. Amigo de Picasso en Europa. Han hecho la dura travesía desde Marsella con el excepcional pintor cubano Lam. preso hoy entre las ruedas dentadas de la guerra. sin ataduras morales y represiones racionalistas. Miró. impulsor del dadaísmo. Breton censurado en la publicación de sus obras por el gobierno de Vichy. parecía conducirse sin condiciones contra la corriente. tendrá la nueva religión instaurada por Breton y sus amigos. dramaturgo y narrador Guillaume Apollinaire o el más remoto pintor Hieronymus Bosch. “Hemos conversado con André Breton en la terraza del hotel Palace. integrándose en torno a sus postulados un grupo de escritores y artistas. a causa de una guerra largo tiempo indecisa y que. el más estimado de Picasso. ¿cuáles fueron sus actividades intelectuales durante el año último? – Hasta el mes de agosto de 1940 yo estaba movilizado como médico–jefe de una escuela de pilotaje. Breton es el máximo exponente del surrealismo. Es un dictado del pensamiento. el escritor suicida René Crevel. por cuyo medio se intenta expresar. Director de la revista de arte Minotauro. En esos días estuvo Breton vinculado con el escritor rumano naturalizado galo Tristán Tzara. Breton nos mostró uno de sus lienzos. y mantendría la marca surrealista en sus filmes más personales a lo largo de una fecunda carrera. Magritte y Picasso. Cineastas como Luis Buñuel. cuyas tertulias se verificaban en el Café Cyrano. El español introduciría al francés en los círculos intelectuales y lo entrevistaría para La Nación. Breton definiría el surrealismo así: “Automatismo psíquico puro. los poetas Robert Desnos y Benjamin Péret. con precursores estéticos como el poeta. hemos creído interesante dar a nuestros lectores sus puntos de vista sobre cuestiones de evidente interés en la actualidad agitada del mundo intelectual. al internalizar éstos normas sociales y valores culturales). André Breton es un hombre bien conocido en los medios intelectuales y artísticos del mundo entero. alejado de convencionalismos burgueses. “La señora Breton y su hija le acompañan. Mi experiencia de la guerra anterior me enseñó que la consciencia en tales . entre ellos el poeta Paul Éluard (esposo de Gala. ajeno a toda preocupación estética o moral. Durante un año. la musa y compañera definitiva de Salvador Dalí). el etnógrafo Michel Leiris.” Un verdadero impacto provocador. “– Señor Breton.

El editor inquirió las causas de semejante rigor.” Como algo absolutamente surrealista. Escoltado por su amigo el pintor cubano Wilfredo Lam. Jarry. En esa oportunidad Breton conocería al exiliado Trotsky –amparado por los Rivera-Kahlo–. Podía esperarse. nunca se insistirá bastante sobre el hecho de que Francia. “Permítame un ejemplo personal: dos obras mías fueron sometidas a la censura. de una dictadura hospitalaria. una Antología del humor negro (se trata de Swift a nuestros días. en territorio francés. ilustrador de su obra Fata Morgana. al igual que lo hacían filosos caricaturistas como Toni. dado el cuadro nada surrealista. Del humor que no hace reír. Las relaciones Kahlo/Lamba fueron más allá. autor de Un europeo en el Caribe publicado en 1943– y el diputado galleguista Ramón Suárez Picallo. En ese año el Papa del surrealismo llegó por segunda vez a Ciudad Trujillo con consorte nueva. sino estremecerse. Esta obra fue prohibida. a pesar de todo. En el 41 vino Breton acompañado de su hija Aube y su esposa Jacqueline Lamba. un poema titulado Fata Morgana. de acuerdo. ya desposada de Breton. operada en el marco de la no independencia. en el cual colaboraban periodistas refugiados españoles como el canario Elfidio Alonso –quien en 1934 dirigiera con una orientación republicana el diario madrileño ABC. muchas de ellas sencillamente serviles. que pasaban hasta entonces por ser los portavoces de la cultura francesa. su 50 aniversario. me fue devuelto con la siguiente indicación: Diferido hasta la conclusión definitiva de la paz. la considero un señuelo. Su silencio o sus tentativas de diversión parecen equivaler a una renuncia. pudieron hacerse oír. algunos de los cuales. no se hallan fuera de peligro. etc). Esta amistad mexicana perduraría. Lebrón Saviñón. rodeado de poetas sorprendidos. ilustrado por Lam. “Mientras en Inglaterra no siempre es abolido el derecho de discusión. como yo. Huysmans. por Lichtenberg. El otro libro. cuando Breton regresó a la isla y celebró. Ocasión en que éste le entrevistó para el matutino La Nación. El segundo contacto del “tercer tipo” entre estos dos personajes de leyenda se verificó cinco años más tarde en el mismo escenario. Tal situación empeoró después de la derrota militar. Con pocos gastos se obtuvo una pretendida unanimidad. a quien conoció durante su estancia en New York en compañía de Marcel Duchamp. cobijarse diez meses en México en 1946 junto a la artista azteca. Acunado por Franklin Mieses Burgos. aspiran a reencontrar lo que consideran su razón de ser. de sobrepasar los traumatismos del mundo exterior). Gatón Arce. Fernández Spencer.39 períodos pierde casi todos sus derechos. seudónimo del artista valenciano Antonio Bernad Gonzálvez. al entrar en guerra. quien reforzaría sus posiciones anti estalinistas. Sólo las voces a priori. Manuel Valerio. para el Yo. . y que el criterio de salud intelectual se mueve en medio de una extrema desconfianza respecto a todo sistema de información y de exaltación fundado en las necesidades de la propaganda. No es preciso decir que tal reconstrucción. Hernández Ortega. Quincey. Una pintora francesa musa inspiradora de su encendida obra poética quien intimaría con Frida Kahlo cuando la pareja visitó México y trabó amistad con Diego Rivera. cierta resistencia por parte de escritores tales como Gide y Valéry. Se le respondió: No nos proponga usted obras de autores que son la negación del espíritu de la reconstrucción nacional. La primera. Manuel Llanes. tratado como medio. y que los recientes acuerdos robustecen aún más esta opinión. que se desarrolla por entero al margen de la actualidad. la chilena Elisa Bindhoff que franqueó su comunicación en español. organizó sin pérdida de tiempo el aplastamiento de toda idea libre. LOS GRANELL DE BRETON | El primer encuentro entre el zar del surrealismo André Breton y el pintor surrealista y dínamo cultural multifacético Eugenio Fernández Granell tuvo lugar en Ciudad Trujillo en 1941. también permeado por las influencias estéticas del surrealismo. al ésta. en la entrevista Breton rindió reconocimiento a Trujillo en estos términos: “Me siento feliz al testimoniar que la República Dominicana es actualmente la esperanza de todos los que.” Una tirada de toalla realista. artistas e intelectuales que le admiraban. Kafka.

los encuentros dominicanos del 41 y el 46. Breton se estableció en New York durante los años de la guerra. En el barco iban el reputado antropólogo de ancestros judíos Claude Levi-Strauss –uno de los íconos de la antropología estructuralista autor de Tristes Tropiques. dada su fichada “peligrosidad”. Una experiencia de contacto con lo real maravilloso novelado por Alejo Carpentier. como en Ciudad Trujillo donde presentó sus primeras individuales. en un texto sobre el impacto ejercido por Haití y Martinica en la producción surrealista. virginal y matinal. Su comunicación angustiada con Breton así lo confirma. Una mezcla bastante surrealista que quedó embelesada con el verdor de las Antillas al arribar a Martinica. En marzo del 41 un Breton hostilizado en la Europa bajo la sombra nazi se había embarcado en Marsella junto a esposa e hija rumbo a América. así como el escritor ruso militante trotskista Victor Serge. como antes lo había hecho con tantos otros intelectuales españoles refugiados de la guerra civil. fecundando círculos intelectuales y publicaciones periódicas. cuya cima lo fue el poeta Juan Ramón Jiménez. Allí estuvo hasta 1956 cuando enrumbó hacia New York –otro de los beneficiarios mayores de la diáspora iluminada española y europea. donde promovió una gran exposición internacional del arte surrealista en la que figuró Granell. Liberado. con el ojo puesto siempre en la plástica que le apasionaba. Luis. Como nos refiere el poeta. al cerrarse el “interludio de tolerancia” de la dictadura de Trujillo. Masson poetiza: ‘En el cielo de tu frente el grito del flamboyán/En el césped de tus labios la lengua arrancada del hibisco/En el cálido campo de tu vientre los cañaverales coronados de sabor/En las verduras agujereadas tus ojos de luciérnagas/A tus mamas la fineza del mango/Tus plátanos para tus nietas/ El árbol de pan para todos los tuyos/ Y el manzanillo para la bestia atrapada’. quien se mantuvo en esos días atento a las incidencias para manifestarse en solidaridad pública con su amigo y mover la opinión de figuras internacionales de prestigio. le fueron granjeando antipatías entre los más fanatizados con la línea dura del movimiento comunista. A Breton y Lam se sumaría en Martinica el pintor surrealista André Masson. Laboró en La Voz de Guatemala y multiplicó su quehacer intelectual logrando resonancia. ensayista y artista plástico cubano Carlos M. Luego de esos momentos difíciles. El rector Jaime Benítez –un hombre al que los dominicanos deben gratitud por su solidaridad con la causa de la libertad y la democracia en nuestro país– abrió las puertas de la Universidad de Puerto Rico al talento versátil de Granell. trabajó arduamente la pintura y expuso el producto de su obra artística. Entre ambos se mantuvo una fluida correspondencia y colaboración. permaneció bajo vigilancia policial en la isla. abandona en 1950 Guatemala. Este a su vez. quien quedó deslumbrado por el paisaje desbordante de naturaleza fresca. refugio revolucionario bajo los gobiernos de Juan José Arévalo y Jacobo Arbenz. En uno de sus textos titulado “Antille”.” La amistad que se fraguó entre Breton y Granell trascendió lo episódico. Breton y Lam pasaban una temporada en Haití. invitados por las autoridades vecinas. motivo de una obra colectiva de Breton. Allí. el pintor Lam y su esposa. Reencuentro superlativo con la huella que esta realidad dejó en Gauguin en 1877. Masson y otros editada en 1948: “Martinique Charmeuse de Serpents contiene los elementos primordiales con los cuales los surrealistas habrían de identificarse erótica y mágicamente con la naturaleza americana.40 Una celebridad relacionada luego en París con nuestro Silvano Lora y con mi profesor hace casi medio siglo de “Introducción a la Historia”. al hablar de esta última. Al parecer sus posiciones libertarias. donde Breton fue internado por las autoridades coloniales francesas en un antiguo leprocomio. . Hugo Tolentino DIAP. fijó residencia en 1947 en Guatemala. que se presentaba ante sus ojos asombrados. Nobel de Literatura. reacias al estalinismo. el inquieto Granell tuvo que esconderse para evitar quedar atrapado por el acoso del estalinismo. Tras una estancia productiva en la tierra del quetzal –símbolo mismo de libertad–. Un tupido follaje selvático que exploraron los amigos surrealistas. quien había realizado investigaciones etnográficas en Brasil–. Regresando a París al término de la guerra.

com. aún esquematizado en el entramado de los códigos surrealistas y en la perspectiva original de Granell. Una muestra de 41 dibujos a tinta y 4 óleos que el artista gallego le dedicara al padre del movimiento. Dirigió el Museo del Hombre Dominicano. nacido en La Coruña en 1912. Caballero. No sin antes ocuparse de valorizar su obra pictórica y literaria. Visiones y Perfiles de una Pasión Dominicana (con M. en el Diario Libre (Santo Domingo. Estudió sociología en la New School for Social Research y se doctoró en 1967 con la tesis “El Guernica de Picasso. El deslumbramiento telúrico. Steinberg. quedó patentizada en ensayos y artículos sobre el surrealismo. Jubilándose como docente en 1985. Veloz M. máxime cuando Antilla en Granell es sinónimo de Santo Domingo. Delgado M. Sueños de amistad”. Ha publicado El Bolero. casi nonagenaria. Sociólogo. artística y moral” ha sido calificado este entronque evidenciado en correspondencia cruzada entre 1946-1961. a la que había conocido en París en 1939. Y lo más importante. con el auxilio del galerista madrileño Guillermo de Osma. la esposa. 1989 y 1991). Así como de obras de Miró. Duchamp. En el 2009 el Museo de Bellas Artes de Santander. como a otros de los suyos. artista invitada de esta edición de ARC. la mayor parte fechada entre los 40 y los 50. iniciando con un “óleo sobre cartón de pequeño formato donde espectros esquizofrénicos se destacan sobre el horizonte de un fondo azul”. falleció en Madrid en el 2001. de publicar sus ensayos y testimonios de una vida fecunda. depositaria de la rica colección del artista consistente en óleos. Un sueño que merece soñarse. Ensayos de Sociología Dominicana (1981 y 1984). Y al igual que Neruda.. José del Castillo Pichardo (República Dominicana. Con las dedicatorias a Breton y en algunos casos a los Breton o a Elisa. de objetos coleccionados por el artista en su periplo existencial por tierras diversas. Artículo publicado en dos partes. esculturas. El final de una era española”. que también son nuestros. . Lam. Granell. La amistad Breton–Granell. y collages.41 En esa urbe –la maravillosa ciudad gótica de Batman– Granell enseñó literatura española en Brooklyn College. Copley. Página ilustrada con obras de Unica Zürn (Alemania). Abela. días 03 y 10 de diciembre 2011). historiador y ensayista. año en que se trasladó a Madrid junto a su esposa Amparo. 2005 y 2009). como consignan Emmanuel Guigon y Georges Sebbag en un texto sobre esta relación en el plano de la plástica. dibujos. Contacto: jmdelcastillopichardo@hotmail. Rodríguez Luna. y Antología del Merengue (1988. Nada mejor para poder apreciar el influjo que tuvieron estas Antillas en la obra del coruñés. en el trabajo pictórico. publicada en Puerto Rico en 1951. expuso “Los Granell de Breton. De “mutua seducción intelectual. la tierra que le acogió con entusiasmo. Tuvo tiempo Granell para organizar en 1995 una fundación en Santiago de Compostela. en una obra homenaje al maestro escrita por el gallego. Isla Cofre Mítico. 1947). y P. Acompañada de la correspondencia y otros materiales alusivos al nexo. He podido ver y rever estos trabajos de Granell. Césariny. en especial la admiración que le profesaba el segundo al primero.

morava o Hermeto Pascoal. apertei o botão. Tudo que eu ouvia era o batucar das teclas. no Bairro Jabour. escondido detrás dos outros instrumentos. Tocou a faixa-título. claro… . quando ele abriu os olhos. sem saber o que lhe dizer. antes de ir estudar fora. na casa de Hermeto Pascoal JOVINO SANTOS NETO Era um domingo ensolarado em novembro de 1977. saí de lá maravilhado com o som. Por isso. em 1977. perto de Senador Camará. onde eu tinha passado 3 anos estudando biologia e tocando música. Ela me conduziu até a sala. acordes cifrados? Eu menti: — Ah. sentado no sofá. e ele me mostrou uma do novo disco dele. Tudo o que eu queria era lhe dizer da minha admiração pelo seu trabalho. o que só veio a acontecer em 1973. Ele havia chegado de São Paulo há um ano. e meio nervoso. sim. mas confuso por não saber colocar o que eu tinha ouvido dentro de nenhuma categoria conhecida. Recém-chegado há duas semanas de Montreal. no Canadá. e de repente eu me vi sozinho ali. estava tocando num piano elétrico com fones de ouvido. aos 13 anos. sem me dar conta que aquela flauta que parecia um pássaro cantando por detrás das vozes era tocada por um albino baixinho sem pescoço. Em 1967. e disse que estava ali no Rio de passagem. sorriu e me cumprimentou: — Tudo bem? Comecei a me apresentar. o que me pareceu uma eternidade. Eu e meu amigo de infância Jacinto olhamos para o portão fechado à nossa frente. seus olhinhos fechados. conheci outras facetas do trabalho do Hermeto nas gravações que ele fez com Airto Moreira e Flora Purim. enquanto passava férias e mais uma vez. a caminho de um curso de pósgraduação na Amazônia. na Lagoa. ali pertinho do Jabour. Minha curiosidade era grande. eu vibrei com Edu Lobo e sua linda composição “Ponteio” que venceu o festival da Record. prestes a tocar a campainha da casa dele. eu me encontrava ali. Realengo. Eu já estava pensando como ia sair de fininho. Falei do grupo com quem eu tinha tocado piano no Canadá. Dona Ilza Pascoal. esposa do Hermeto e mãe de seus seis filhos. abriu o portão: — Pois não… Eu gaguejei: — O-O-O Hermeto está? Eu sou músico e gostaria de conhecê-lo. Eu perguntei a ele: — Será que eu toco a campainha? Ele me garantiu que ali mesmo. Sem mais titubear. Mélange. naquela casa por detrás do muro alto. Juntei a coragem e apertei o botão. Uns 20 minutos se passaram. enquanto Hermeto Pascoal. onde rolava uma jam session? Eu mostrei a ele uma fita cassette do Mélange. a caminho de um curso de pós-graduação na Amazônia. Assisti a outro show do Hermeto no Museu de Arte Moderna do Rio em 1975. eu agora me encontrava de volta ao meu bairro de nascença. De volta ao Canadá. com uma matéria sobre aquela figura exótica e quixotesca mesmo antes de ouvir sua música. Zona Oeste do Rio de Janeiro. no Teatro Fonte da Saudade. Eu estava ali por curiosidade pura. o “Missa dos Escravos”. de short e sem camisa. ali na Rua Vitor Guisard. com o som dos porcos e aqueles acordes muito estranhos para mim. Ele então me perguntou: — Você sabe ler partituras. Será que o Hermeto conheceria um lugar para se tocar um pouco.42 | Tocando a campainha. sem que ele notasse. Eu havia lido uma reportagem da revista O Bondinho de 1972. de volta ao Brasil.

umas conchas e umas panelas. Eu. etc… Ele disse: — Escuta. uma linda balada que ele havia composto há pouco tempo. Ele me pediu para sentar ao piano elétrico e tocar os acordes. tinha uma prova para a bolsa de estudos em 2 semanas. e disse: — É. Vamos criar uns instrumentos novos. sem entender direito como fazer com todas essas vozes coexistindo. “Campinas”. achava que estava bom. ele tocava de uma forma mais livre. você vai se chamar Pernambuco. E ali mesmo. enquanto o Campeão (nós o tratávamos pelo mesmo nome que ele nos tratava) mudava uma nota aqui. Ele havia conhecido o Hermeto durante a gravação do disco “Orós” do Fagner. aquela balada que eu não conseguia tocar. aprender e compartilhar aquele som. que poderíamos ensaiar outros temas. você toparia fazer comigo? Isso não era bem o que eu esperava. tinha outros planos traçados. ou então improvisar. em que as partes eram definidas e ensaiadas múltiplas vezes. disse: — Olha. porque dentro de mim. baterista. o que me deixava louco de vontade de imitá-lo. precisava de um pianista para essa sexta-feira para um show no Morro da Urca. pois eu nunca pensei que ele fosse me convidar para tocar. Nesta nova situação musical. tocando o mesmo tema 20. eu tenho um Grupo. colorindo as frases. uma batida ali. Eu havia provado de um pouco da vida de músico no Canadá. e foi convidado para aparecer no ensaio. Ele então puxou uma folha de papel com uns acordes escritos. sem os sopros. o Grupo ensaiando. Eu nunca tinha tocado num grupo assim antes. Conheci Itiberê Zwarg. Hermeto disse a ele: — Campeão. algo queria muito mesmo tocar. tocando para gente que não estava lá para ouvir música. uma vida dedicada à pesquisa científica dentro da biologia. baixista e Peninha. Pelé/Pernambuco havia trazido um berimbau e umas tumbadoras. acho que você precisa ensaiar um pouco… pode vir aqui amanhã de tarde? Os meninos do Grupo vêm ensaiar. que sempre chamava todos de “Campeão”. Um dia perguntei a ele: — Você pode me ensinar técnica. Lembro claramente do tema. Minha experiência musical incluía umas aulas de piano que eu tive com a Dona Jupyra quando tinha 12 anos. ambos nos certificamos que eu realmente não lia nada. uma variedade de temas: um baião. de repente passei a me sentir muito vulnerável. se você quiser tocar. e todos reescreviam suas partes na hora. mas o Hermeto insistia que ainda tinha muito o que melhorar. exercícios para tocar assim rápido e limpo? Ele sorriu: . 30 vezes. devido ao meu curso. um frevo. e minhas composições. baixo e bateria) ensaiava o tema inteiro. pode ser sem nenhum compromisso. me avise quando tiver que ir para a escola e fica tudo bem. Hermeto deu um sorriso matreiro. às vezes improvisando durante 15 ou 20 minutos com a banda. porque você vai ser um percussionista diferente. Nada de tumbadora ou berimbau. o baterista nunca marcava o tempo. e não achava que meu caminho era viver dentro dos ambientes enfumaçados dos clubes. onde a música figurava apenas como um hobby. Muitas vezes apenas a “cozinha” (piano. Lá pelo meio da tarde apareceu um percussionista que se chamava Pelé. mas desde então. lá estava eu de volta ao Jabour. esse negócio de ser Pelé não dá. Claro que eu não poderia entrar de novo num conjunto musical. tudo que eu tocava era de ouvido. músicas copiadas do rádio ou de discos. sem saber direito onde tinha amarrado meu burro. meio apressado. que era o que eu no fundo queria. que havia me acostumado a tocar sempre com outros músicos cobrindo meus erros. já tem muita gente tocando isso. vende esses negócios. No segundo dia de ensaio apareceu o Cacau. Segunda-feira. sem saber formar nem a metade deles. E lá fui eu pra casa. Hermeto me apresentou a eles e começamos a ensaiar. Amanhã você vai no Mercado de Madureira e arranja uns chocalhos de bode. uma distração. Eu. o que me deixava meio inseguro. que eu tocava de cor. 14h. Hermeto assumia o piano e tocava. E assim a semana passou. E agora estava dividido. mas o Hermeto.43 — Olha. Eu retruquei que não poderia assumir nenhum compromisso. e você vai aprender com eles. e estou querendo tocar mais flauta e saxofone. saxofonista e flautista que tocava com o Grupo há algum tempo.

dura o dia todo… — Que horas é a prova? — das 7 às 16h. improvisos e solos que nunca tinham acontecido antes. respondi: — Eu gostaria. Eu nunca tinha participado como músico de um evento assim. Foi a primeira vez na vida em que eu percebi que cada nota que eu tocava ressoava em alguém lá na plateia. toque o que você sentir na hora. e voltava para mim com uma vibração. Você faz sua prova. Por fim chegou a tal sexta-feira. Claro que ter as pessoas aplaudindo era bom.44 —Não. e peguei o avião pra Sampa e um táxi para o local do show. todos estávamos exaustos e felizes. e estava ansioso para mostrar tudo aquilo que havíamos ensaiado durante a semana. E eu perguntei: — Que tipo de solo você quer que eu faça? Meio soul. o corpo e o coração. Ao final do concerto. Tudo o que a banda tocava era amplificado não pelos alto-falantes. você vai virar um robô. Peguntei ao Hermeto qual seria a primeira música da noite. que era um anfiteatro ao ar livre no alto do Morro da Urca. Eu cheguei lá cedo. rock? — Nada disso – quebre tudo. gostou? — Claro. um teclado com cordas. o cartão postal mais conhecido do Rio de Janeiro. — Pronto! Nosso show é às 21h em S. uma coisa meio misteriosa que eu não conseguia entender. Eu fiquei confuso: — Como assim? E os temas que a banda ensaiou esses dias todos? — Hoje e agora não é uma boa hora para aqueles temas. adorei… — Bicho. me deixando sozinho com centenas de pessoas ouvindo. mas nesse dia eu tenho que fazer a prova para minha bolsa de estudos aqui no Rio. Márcio Montarroyos. o público em São Paulo ouvia de uma forma muito diferente. e lá atrás do palco. tocando um monte de escalas e frases feitas de forma automática. O concerto foi totalmente diferente do que aconteceu no Rio. Foi ali naquele momento que eu me dei conta que uma transformação estava acontecendo. Numa certa hora Hermeto me manda entrar no palco e fazer um solo de clavinete. sábado que vem temos um outro show em São Paulo. Quer fazer? E eu. Paulo. Fiquei feliz de rever o pessoal. Para chegar lá era preciso tomar o bondinho do Pão de Açúcar. Eu fui. com pessoas encarapitadas em cima das árvores para ficar mais perto do palco. para que a mente e as mãos possam aprender naturalmente. Esses temas que vocês estão ensaiando exigem técnica. e o Hermeto me cumprimentou: — Está pronto? — Estou. Cheguei na Portuguesa e estava acontecendo um tipo de festival. vamos te esperar… tem uma passagem te esperando no aeroporto. vamos entrar no palco e criar um lance. e por isso temos que repetir muitas vezes. funk. Campeão. mas a satisfação maior era a de encontrar naquele momento uma resposta intuitiva em mim para um desafio que envolvia a mente. Mas se você quiser estudar apenas a técnica. criando levadas. de repente havia um naipe de sopros no palco tocando coisas que eu nunca havia ouvido. Vamos tocar outros. José Carlos Bigorna. — Então vamos nessa. mas que era uma delícia. Outros músicos apareceram: Mauro Senise. E eu vi como o Hermeto se alimentava daquela vibração. Campeão. e ele respondeu: — Não sei. técnica não existe separada da música. tudo junto. E de repente lá estávamos nós no palco. muito feliz em ver o local apinhado de gente. Toquei sem pensar em frases pré-construídas. E como tinha de ser. já imaginando o que poderia acontecer. se você quiser. ele parou a banda inteira e todos saíram do palco. pega a Ponte Aérea e chega lá no Ginásio da Portuguesa a tempo. o Hermeto e o resto da banda. a Clementina de Jesus e Xangô da Mangueira estavam cantando. e o Hermeto me perguntou: — E então. mas pelo povo que estava ali bebendo daquele som. sem saber direito o que era “quebrar tudo” e assim que eu comecei a tocar. eu fiz a prova no Rio. Naquela época ele tocava uma flauta com captador e uma caixa de efeitos . O show era na Concha Verde. de uma forma tal que os espaços entre as notas se tornaram tão ou mais importantes que as notas.

mas ele estava ouvindo tudo. e com firmeza e carinho. Nadar ou afundar… . passei a conhecer o lado estradeiro do Hermeto. eu fui ao seu quarto de hotel e ele me disse: — Ouça esse choro lindo que eu escrevi: e tocou sentado na cama um chorinho de 3 partes no sax soprano. como uma janela entreaberta. Deveria eu seguir os estudos iniciados. observava como ele era capaz de pegar um certo ritmo ou estilo e injetar uma coisa nova. mas o som está rolando. tudo aconteceu ao mesmo tempo para mim: a descoberta de um universo musical de cuja existência eu nem suspeitava. cresci ouvindo o linguajar e a maneira nordestina de pensar. deixando a linha reta da ciência. ficava em casa vendo futebol e tocando. e enquanto tocava um triângulo ou caxixis. eu às vezes grito e pareço meio grosseiro no palco. e ele me dava um sinal para retornar: — Agora fique tocando assim. estou cuidando do som. tocando e apontando para o amplificador. correndo no meio da caatinga espinhosa atrás da rês desgarrada da melodia. Aos poucos me dei conta que naquele momento eu era um passageiro na estação ferroviária. as limitações físicas e tudo o mais que vier ao encontro da sua rota traçada pelo destino. falar e agir. com suas enchentes e secas. mas ele nunca deixava passar um segundo em que as peças daquele quebra-cabeça complexo estivessem fora do lugar. mas nas viagens ele se tornava aquele personagem que os índios americanos chamam de “Coiote”. Em São Paulo. O improviso tão estruturado que parece escrito. Eu não toquei o piano o tempo todo. A maneira carinhosa com que ele tratava todos do Grupo deixava isso bem claro. sem sinais ou setas apontando o caminho certo. e o som é sagrado. ele nunca saía. Uma escolha devia ser feita. eu entendi o porquê do apelido de “Bruxo” que o Hermeto tinha. aparentemente indo em direções contrárias. aprendiz do feiticeiro com varinha de condão de prata. Como neto de sergipano. naquele momento. cheia de surpresas. e o Hermeto representava o arquétipo do “cabra da peste”. A flauta era uma varinha de condão. inclusive a linda “Aquela Valsa”. achando sons de microfonia e distorções. pude entrever o espaço entre os vagões. que o Mauro Senise tocou de sax soprano. pela corrente do rio da música. mas não deixe a peteca cair de novo! Eu. sem maneirismos. várias vezes o Hermeto corria e me enxotava do teclado. Ali. Na manhã seguinte ao show da Portuguesa. Hermeto me lembrava um peão montado num cavalo chucro. sobre a qual eu sabia nada ou quase nada. que antes só com Jimi Hendrix eu havia ouvido. Essa era minha chance de saltar. o brincalhão esperto. e muitos truques escondidos na cartola branda da sua cabeleira? Foram umas semanas de muita reflexão e insegurança. improvisei a música inteira. que nem sabia que a peteca tinha caído. o vaqueiro do agreste que dribla o clima. desacata e desafia tudo que estivesse na frente do Som. Eu ia. sem que ele interviesse para ajustar um ou outro detalhe. Em casa no Jabour. Uma trilha que se bifurca na mata. Com o fim do ano de 1977. uma nova tonalidade. Ouvi naquele concerto outros temas que nunca havia conhecido. até que a maré se estabilizava outra vez. e logo. usando a rede da harmonia e o tropel da zabumba para alcançar seu objetivo. mas sempre de olho em mim. dizendo: — Vá pegar uma percussão e fique ali ao lado do Pernambuco. e a escrita tão fluida que parece fluir da chama do improviso free. corrigia meus muitos erros e comentava depois: — Olha.45 que ele podia manipular. E ali naquele instante. a distância. Outra coisa que me atraiu muito no Hermeto era a fibra nordestina. uma estrada asfaltada onde eu sabia como avançar. e ele a usava de uma forma natural. ele disse: — Escrevi nada. usando a microfonia como uma melodia. vendo dois trens passando. o coringa multicolorido que desafia. confiar na intuição e encarar o desafio da música. Isso para mim passou a definir a essência Hermética. junto com a aprovação para o curso de mestrado em ecologia no Instituto de Pesquisas da Amazônia. Não ache que eu estou com raiva. explorando com a mente as muitas conexões entre a natureza e os seres vivos. inventei isso agora mesmo. ou pular de cabeça nesta aventura de músico. e eu pensando: Como nunca ouvi esse choro antes? Ao fim. achava que estava tudo bem.

compositor. Ensina piano e composição Cornisa College of the Arts em Seattle. arranjador e produtor. Entre 95 e 97 tocou com Airto Moreira e Flora Purim e excursionou por todo o mundo. Jovino se mudou para Seattle. artista convidada nesta edição da ARC. Página ilustrada com obras da Unica Zürn (Alemanha). 1954). tome sua decisão e siga em frente. Publicou o livro Tudo é som. ensaiando todos os dias com uma trupe mambembe. Jovino Santos Neto (Brasil. um aprendizado que me pediu quinze anos de minha vida. Gravou discos como Alma do Nordeste (2007).net.46 Tive o apoio fundamental de meus pais. Lembro claramente quando disse a meu pai que iria recusar a bolsa do INPA para ficar morando em Realengo. flautista. para estudar regência e desenvolver sua carreira como compositor. responsável pelo grupo. Músico. Publicamos aqui o primeiro capítulo de um livro em andamento. que nunca se opuseram à minha decisão. pianista e arranjador. certo? E esse foi o começo de um novo capítulo. co-produtor de sete álbuns e excursionou internacionalmente. nos Estados Unidos. Por 15 anos. Ele me disse calmamente: — A vida é sua. e que me deu em troca a chave do Universo da Música. Contato: jovino@jovisan. Criou um arquivo para documentar e preservar milhares de composições de Hermeto. Em 1993. Só não me venha dizer daqui a seis meses que quer ser biólogo outra vez. See the sound (2010) e Current (2011). trabalhou em tempo integral com Hermeto Pascoal. como pianista. . com 32 músicas de Hermeto Pascoal.

Baeza era un poeta chileno del círculo de Neruda que llegó en 1943 procedente de Cuba a la legación de su país. Se convierte en el más portentoso lector de narraciones criollas. críticas oportunas y puntuales. No escogen como modelos a fulanos o fulanas y las obras estas o las otras. como todos. En el caso de Giovanni. Salvo un novelista que poco o casi nada se comenta en los círculos literarios nacionales como Roberto Marcallé Abreu. Ni siquiera el mayor. gracias a la preocupación de Héctor Incháustegui Cabral. Tiene sus simpatías y sus amuletos. Tanto en un caso como en el otro. tuvo tal penetración en el quehacer literario nuestro.47 | Tres revelaciones acerca de Alberto Baeza Flores MANUEL MORA SERRANO DE ALBERTO BAEZA FLORES A GIOVANNI DI PIETRO. leen. quizás por preocuparse por esas cosas sin importancia que son nuestros versos y nuestras prosas. con su esposa Elsita Pacheco que trajo en el vientre o aquí engendraron a Elsa. como es lógico. que para él es el modelo a imitar por coincidir plenamente con su poética narrativa. Di Pietro es diferente. la cosa es completamente diferente. Cuando críticos y comentaristas “aplatanados” se detienen a leernos y muestran en libros sus lecturas. Mientras el chileno detiene su mirada en la poesía. bilingüe y se convierte en tri entre nosotros. y en esto soy tajante: Ninguno. interrumpió. donde termina de formarse intelectualmente. nace en Italia y las circunstancias políticas y sociales lo traen a Norteamérica. Es. ya lo dijimos. VERSO Y PROSA EN SANTO DOMINGO | De vez en cuando pensamos que los literatos dominicanos somos especie de Donaidas porque nos afanamos cargando cosas en un tonel vacío. Su caso es todavía más dramático que el de Baeza. escudriñan y analizan todo. no es el detalle de lo que nos guste o disguste. un trabajador constante y consistente de la novela. . Aunque. que hace. Vive en USA y en Canadá. No quiere decir que no haga. la reacción general de los escritores ha sido la de aplaudir cuando los exaltan y la de disentir cuando no los toman en cuenta o cuando no son generosos con ellos. lo digo por los. Tanto para Baeza como para Di Pietro no hay vacas sagradas en el sentido de ser las únicas. la cantante internacional. Los volúmenes editados por la entonces UCMM. Las de Baeza son distintas. regularmente los menospreciamos o. “los tenemos al menos”. Nadie nacido fuera de la isla se ha detenido tan morosamente sobre nuestros escritores de diferentes tiempos y estilos. lo destacable es esta preocupación y este esfuerzo continuado. Sin embargo. él se abisma en la prosa. Se trata de alguien que ama desaforadamente toda forma de escritura y que es generoso con todos los escritores. tienen sus simpatías y sus preferencias. Ellos son omnilectores. Aunque. de que estemos de acuerdo o no con los métodos o con los estilos. Pedro Henríquez Ureña. demuestran un desatado amor por la literatura dominicana que sólo la muerte ocurrida en Miami en 1998. en el caso de Baeza. diríamos que peca de exceso de bien mirar: Observa lo que hay de valioso y omite criticar acerbamente lo que no lo es. dicho en criollo. pues. Ninguno de nuestros críticos. muchos libros y el gran silencio alrededor de ellos. su gran amigo. Di Pietro. como Alberto Baeza Flores y Giovanni Di Pietro.

publican tantos libros. hablemos de calco. Recuerdo perfectamente aquellos días. de nuestra cultura. es preciso mencionar a ‘Barrabás’ de Lagerkvist. Y en cuanto al último libro de Giovanni Di Pietro “La novela bíblica y el fin de la era (y otros escritos afines)”. febrero 2010. al detenerse sobre obras y autores menospreciados o sencillamente olvidados y marginados. En 1957 Marcio Veloz Maggiolo había aparecido con un libro de poesía con elogiosas críticas: ‘El sol y las cosas’. Los primores no son los que atrapan a este lector voraz de argumentos y personajes. que entre otras misiones trajo la de darnos a conocer a José Ortega y Gassett y a familiarizarnos con los nuevos teóricos de la literatura encabezados por Carlos Bousoño. precisamente. Respecto a Baeza. aunque devorábamos para el año 60 los libros suyos traducidos al español. Creemos que es bueno que exista un trabajador como él de las letras. en especial El verdugo de 1933. El hecho de que al primero le preocupen unas cosas y otras al segundo. a Ramón Emilio Reyes y a Carlos Esteban Deive. flamante ensayista de la novela moderna que nos hablaba de Robert Musil y otros autores que nos parecían de otras galaxias. la novela que exalta al buen ladrón. no tenía fama de poeta que precedía a Marcio ni su nombre figuraba en los suplementos con la asiduidad que el de éste. que nos asomábamos a la calle El Conde como aquella vitrina de la que habló Pedro Mir. Algunos escritores como Marcio Veloz Maggiolo. bien merece un comentario especial que prometemos a los lectores. Se ha dicho que tanto en ‘El verdugo’. por ejemplo. pero ladrón al fin. Por eso su novela ‘Testimonio’ (1961). Antonio Fernández Spencer. Era el escritor joven de quien más se hablaba. en compañía de un brillante y aureolado ganador del premio Adonais y Subsecretario de Educación. Ramón Emilio Reyes. por ello. precisamente. . porque priman simpatías y juicios banales sobre los textos. no creo que sea lo más relevante. En 1951 Pär Lagerkvist el novelista sueco había ganado el Premio Nobel de Literatura y se decía que había sido por su novela ‘Barrabás’ de 1950. San Juan. sin que. A Baeza le interesan demasiado las expresiones. Para las nuevas generaciones se trata de algo lejano y difuso de lo que a lo mejor han escuchado o se han topado con alguna de ellas. Podremos estar en guardia frente a sus preferencias o sus preocupaciones. De modo que antes de abordar el tema bíblico. que es una novela de trasfondo político. que fue la base del ciclo nuestro. como en ‘Barrabás. Puerto Rico. prometemos escribir algo sobre él en un próximo artículo. Los contemporáneos somos los peores jueces. una especie de crítica al nazismo.48 Tanto el chileno como el italiano son mirados como si estas preocupaciones no fuesen relevantes. sino el hecho mismo de estudiar y analizar nuestros textos. que había sido el compañero del protagonista de la novela del sueco. ver a Marcio. en el italo-canadiense-dominico-boricua. Curiosamente encontré en la calle el ejemplar de ‘Barrabás’ que perteneció a Marcio Veloz Maggiolo y pude ver hasta dónde influyó en él por las frases subrayadas para ‘El buen ladrón’ (1960). el lenguaje y los primores de estilo. Podremos disentir de uno o del otro. el trasfondo moral o político. Editora Unicornio. nos parecía una suerte envidiable y que estaba muy lejos de los simples mortales del interior. no tuvo la misma acogida en su momento. Del mismo modo que consideramos maravilloso que las generaciones futuras tengan en Alberto Baeza Flores y en Giovanni Di Pietro a dos formidables lectores que han comentado autores y obras que olímpicamente hemos despreciado y que ellos señalan lo que para ellos tienen de valioso. LA NOVELA BÍBLICA DOMINICANA SEGÚN GIOVANNI DI PIETRO | Hace mucho tiempo (a pesar de algunas reediciones) que nadie en este país se recordaba del ciclo de novelas bíblicas. Los provincianos como yo. que es difícil seguirlos y tener una idea global de su producción y hasta de su estilo. por encima del estilístico. es donde tenemos que ver la paternidad del ciclo.

febrero 2010. y su visión de la dictadura. Ocurre que en los corrillos literarios capitaleños se hacen estos vaticinios y no importa la calidad de la obra que en el futuro hagan los elegidos. hasta hoy. sino que aparecerá en todos los relatos y en casi todos los poemas que no fueran amorosos. críticas a veces tan directas que asusta pensar que por ellas pudiéramos haber perdido algún talento promisorio como fue el caso de Juan Carlos Jiménez. que ha sido. Marcio tuvo esa suerte. Baeza Flores nos ha dedicado un libro de poemas que fue editado en la Feria del Libro de 1981 por Editora Taller con el título colombino de ‘La tierra más hermosa’. no fueron recibidos por todos de igual forma. estemos de acuerdo o no con Di Pietro. se deslizaron. no sólo en ‘Testimonio’ sino en ‘El cerco‘. Pues bien. Sanz Lajara. No obstante hubo algo en 1961 que atizó la temática. el más grande muestrario del quehacer poético de los criollos en toda su historia. ya están consagrados de antemano. con sus miles de páginas. que ojalá algún día sean recogidos para hacerle el homenaje que su trabajo tesonero y sin descanso. como en la poesía de Alberto Peña Lebrón (‘Órbita Inviolable’. Lo relevante es que un lector voraz como él. porque él penetra agudamente en el siglo XIX. Sin duda alguna. LA MIRADA COMPLACIENTE DE BAEZA FLORES | Lo que entendemos por “crítico” en el sentido real de la palabra. el único volumen poético (118 pp) escrito por criollo o extranjero a nuestro país. merece. llegando a la experimentación. ya que bastaría revisar los suplementos de esos años. un prólogo de Roberto Marcallé Abreu y el epílogo de Carlos X. San Juan. para Giovanni Di Pietro las novelas bíblicas (incluye a ‘Magdalena’ de Carlos Esteban Deive de 1964).49 Los jóvenes escritores que eran Marcio en 1960. sin duda alguna. Además. que es absolutamente independiente en sus juicios. y ‘El sendero’. J. M. para realizar una crítica solapada del régimen trujillista. como en ‘Ángeles de hueso’ y ‘De abril en adelante’. no tanto. sobre todo por su valoración del quehacer de Ramón Emilio Reyes. como en muchos poemas de los poetas de ese tiempo. La labor de Baeza es todavía más intensa. analiza además. Ramón Emilio. ‘La novela bíblica y el fin de la era y otros escritos afines)’. Es más. como una promesa firme de nuestra narrativa. Esos cinco tomos de ‘La Poesía Dominicana en el Siglo XX’ que editó la hoy PCMM. él ha sido un formidable trabajador de nuestra narrativa y no se puede escribir nuestra historia literaria sin incluirlo. Mientras residió aquí colaboró en el periódico La Opinión y se preparaba a recoger esa labor en libros cuando la enfermedad mortal que le aquejó. me parece que le cuadra lo de “cómplice literario” por su mirada complaciente sobre nuestros textos. a otro escritor olvidado injustamente. De modo que este hecho no es algo tan relevante. salvo por la crítica de Spencer en su momento. Nos referimos a la llegada de Juan Bosch y al conocimiento de su tesis sobre ‘Judas Iscariote el calumniado’ que impactó en el ambiente cultural y motivó la continuidad en Marcio. Ardavín Trabanco. que siempre ha sido un escritor avisado de lo que se hace en el mundo. se hablaba de ellos como pupilos de Antonio y dejaban la duda si en las correcciones no estaba la impronta suya. Dispersos en revistas y periódicos hay multitud de ensayos suyos. de Di Pietro. Puerto Rico. no son inocentes relatos. Editora Unicornio. y Ramón Emilio en 1961. sobre todo los dos primeros. 1953) desde el título mismo. Es posible que en el fondo. Trae además. son. etc. Pero esa es la forma en que Giovanni Di Pietro aborda la mayoría de sus lecturas. que está inédita. y la rebelión de Franklin Domínguez en ‘Espigas Maduras’. se haya detenido tan morosamente sobre estas novelas ignoradas por la mayoría de los lectores actuales. no creo que le cabe totalmente a Alberto Baeza Flores. recibido como el futuro novelista nacional. sino medios de los que se valieron. . tronchó esas y otras preocupaciones suyas sobre nuestra literatura. en las malas lenguas literarias de la ciudad. Más bien. No hay cosa más cruel que las críticas de los contemporáneos.

Actualmente mantiene un contrato con ese ministerio para la conclusión de investigaciones./Si no. militante.com./Si no. Trabajó en 2008 en el Ministerio de Cultura como conferencista y compareció a eventos a diversos lugares del país y del exterior. la mayor parte ha sido de sus bolsillos. También es necesario destacar que mientras Di Pietro es medio dominicano./Si no. como Puerto Rico y Miami./este árbol y este trino. Contacto: luisero2004@yahoo. poeta y ensayista. es tan generosa como su padre y autoriza cualquier reedición. eso sí. como dijo Baeza en el libro citado: “Necesitamos esa calle amiga./ y la mano de un niño. estamos perdidos. autor de una Historia de Literatura Dominicana y Americana. ya que está casado con una conciudadana nuestra. que he escuchado. Podemos estar o no de acuerdo con sus métodos o sus conclusiones. Es narrador. dentro de ellas una Historia de los movimientos de vanguardia. Y todo esto lo digo porque. Manuel Mora Serrano (República Dominicana. como sabemos. Nos consta que ninguno de los dos se beneficia económicamente de sus libros. mostrándonos lo que él descubre debajo de las palabras y las pasiones. hay una cosa que notamos: La indiferencia de nuestros intelectuales a esos esfuerzos desinteresados. Si no. para leer ahora sin la inmediatez del autor que ya está en el otro lado.” Necesitamos que Giovanni Di Pietro siga leyendo nuestros narradores y haciendo sus críticas y sus comentarios. estamos perdidos. ya que su única heredera. las denuncias con sordina o con clarines de la opresión y el escarnio al que fue sometido el país durante aquellos 31 años. lo que hemos dicho hermosamente en poesía. es la de considerar la labor de uno y otro como ‘marginal’. Di Pietro ha tenido publicaciones universitarias igual que Baeza. Elsa Baeza Pacheco. Página ilustrada con obras de Unica Zürn (Alemania). Ambos autores se detienen morosamente sobre nuestros textos. la opinión generalizada (sin mencionar partes). esa devoción por nuestro país y su cultura sin haber sido más que un escritor. 1933). Grave error o monumental mal agradecimiento criollo. artista invitada de esta edición de ARC. en ediciones limitadas. Es más.50 Indudablemente. Baeza mantuvo ese amor. Es hora de recoger toda esa labor académica suya y editarla en un volumen con miles de ejemplares. . estamos perdidos. hay coincidencias entre Baeza y Di Pietro al analizar lo que se escribía durante y al final de la Era y son. de Di Pietro. Ojalá alguna institución nacional rescate del aparente olvido a las obras de Baeza. Sin embargo. aunque. de la social democracia.// Necesitamos la fraterna mesa/y un vaso de “bon vino”. y necesitamos reeditar a Alberto Baeza Flores para reconocernos.// El parque. casi hogar de la palabra. pero no hay otras fuentes más potables para saber qué se ha hecho en verso y prosa en los últimos años de vida de Baeza y en los últimos tiempos. y lo mismo decimos sobre Di Pietro. estamos perdidos.

instituida desde su fundación (octubre 1909). Le impulsó. lado a lado. se forjó como meta la democratización de la cultura sociológica. Sus páginas acogieron las incertidumbres plasmadas en las obras de autores tanto . y pese al hecho de que. cuando colaboró en la revista San-Ev-Ank. ante todo. además. A lo largo de su breve existencia (19281931). más bien en una época temprana (1918). en un programa que. se colaba en el proyecto de reconstrucción educacional que puso en práctica al frente de la Secretaría de Educación Pública. Bernardo Ortiz de Montellanos y Enrique González Rojo–. por sus colegas de la Preparatoria. no pretendió escindir política e intelectualidad. como a los integrantes de la segunda formación de los Contemporáneos. la revista del mismo nombre publicó. Encrucijada José Gorostiza compuso su primer libro de poemas –Canciones para cantar en las barcas– el año mismo que Breton publicó el Manifiesto del Surrealismo. verdaderamente. este dolor pegajoso tan lejos del agua limpia! Federico García Lorca.51 | Vida y muerte de las vanguardias poéticas: José Gorostiza MARIA APARECIDA DA SILVA ¡Oh. Xavier Villaurrutia. mientras la vocación arrebatadora de Vasconcelos. La primera. el espíritu crítico. se movió entre los estímulos de la inquietud social invocadora de las fuerzas mesiánicas de las artes –caso de José Vasconcelos– y la gestación de un humanismo de fondo cosmopolita. erigida sobre su sueño de integración racial y cultural. reafirmando la supremacía del impulso vital sobre la filosofía mecanicista. los jóvenes poetas responsables por la fundación de las vanguardias mexicanas hicieron incidir sobre la tradición literaria del país una perspectiva crítica de proporciones jamás cogitadas por ninguna de las dos generaciones del Ateneo de la Juventud. los resquicios de la metafísica bergsoniana aún resonaban en las obras de Reyes. sin embargo. qué dolor el dolor antiguo de la poesía. y la crítica literaria fue. concebida. el inicio de su madurez creadora con el cierre de las vanguardias europeas. la conciencia estética que dio consistencia a las muchas tendencias aisladas del llamado “grupo sin grupo”. El Monitor Republicano. México Moderno. por las contingencias de época. El Maestro. El Heraldo de la Raza y Repertorio Americano. reunida a partir de 1916 bajo el epíteto de “Los Siete Sabios”. La segunda generación. con anhelo renovador. coincidiendo. Jorge Cuesta. para extrañeza de sus maestros. lo completó con textos editados en la Revista Nueva. Cuando el perfil de las primeras vertientes vanguardistas empezó a esbozarse en México. poemas y artículos de variadas índoles. periódicos cuyos títulos reflejan el espíritu de afirmación cultural que se produjo en el México de los años veinte. se le debe ubicar en la primera formación de los Contemporáneos –junto con Jaime Torres Bodet. ambas tendencias como rechazo inmediato a la herencia del positivismo porfirista. El intersticio que va de esta primera manifestación literaria juvenil hasta 1925. desde luego. En aquellos días. La autonomía intelectual de Gorostiza lo aislaría. en la geografía de las vanguardias mexicanas. propiciador de la libertad cultural –caso de Alfonso Reyes–. son innegables los rasgos que lo aproximan a la actitud escéptica característica del segundo grupo: Salvador Novo. por lo tanto. Gilberto Owen y. El Universal Ilustrado. Sus primeros escritos surgieron. mientras la Revolución seguía en efervescencia en el campo y una serenidad tambaleante animaba los círculos políticos e intelectuales de la capital.

en un momento de fertilidad creadora que privilegió. Tampoco compartió Gorostiza la idea de oposición. sobre todo. De constitución más plástica. uniendo la mejor tradición literaria occidental al front consagrado de las vanguardias de la época. que es tierra en nuestra carne. al igual que para los demás Contemporáneos. la dualidad agónica del homme nouveau dadaísta llegaría a México casi simultáneamente al nacimiento del ciclo narrativo de la Revolución. se repite el espejismo en cuanto símbolo del aprisionamiento de la conciencia en su autoimagen suficiente. que perpetuó la relación simbólica entre individuo y cultura. por los dadaístas: “Nosotros exprimimos/ la penumbra de un sueño en nuestro vaso. del de Tzara. se había consumido. abstractamente. Es difícil estimar hasta qué punto la idea de détachment perpetuo defendida por Tzara (véase el Manifiesto de 1918) ejerció influencia sobre los jóvenes poetas Contemporáneos. pues. Seguramente./ Y algo. su dinámica evolutiva. A su vez. el deseo de significación más allá de lo fortuito. el concepto de cristalización periférica que atribuye Tison-Braun a la poesía de Tzara (2) se realiza en la experiencia humana original de Muerte Sin Fin (1939). espejo: el rescate del yo integral es condición inalcanzable porque no existió jamás. pero motivos como la aceptación de la muerte.. cuando éste se vuelve prisionero de su misma rebelde irracionalidad. En Gorostiza. como observa Tison-Braun. Del autor de las Soledades y las Nuevas Canciones.]”). los signos de la condición humana expuestos en la poesía machadiana imprimen consistencia a los dilemas considerados. el reflejo alegórico de la realidad histórica. su otro escindido (3). Gorostiza recoge el cuestionamiento existencial..” (“Del camino”). donde las imágenes de la caída. su capacidad de adaptación y transformación. pero sin duda la concepción del acto creador poético como un estado provisional consciente se encuentra en el cierne del pensamiento de ambos autores. del fuego y del vacío nos revelan el yo –este ojo que se mira a sí mismo– como testigo de su propia lucha interior (Véase TZARA. entre poesía “de sentimientos o ideas” y poesía en cuanto “actividad del espíritu”. especialmente la meditación sobre el tiempo y la honda transformación de la experiencia histórica en reflexión personal presentes en la obra de Antonio Machado. la rebelión futurista resonaba ya en eco lejano. Desde la publicación de los primeros textos poéticos de Gorostiza. sin embargo. de veras. De Machado a Gorostiza. del vértigo.. Así. En Gorostiza. temas vitales de este movimiento. en el sonsonete –como diría Xavier Villaurrutia con sutileza satírica– de “sus sonoros propósitos” (1). son reconocibles en las obras de Gorostiza y Villaurrutia. a la vez. se manifestó con claridad en Gorostiza.. el nosotros libera y justifica al poeta. único ímpetu demoledor que les tocó vivir en la génesis de las vanguardias mexicanas. de tono filosófico. al que se agrega un barroquismo latente. la conciencia dividida y el satanisme joyeux.52 nacionales como foráneos. quedaría patente que el reformismo exacerbado de las vanguardias no encontraría lugar en su proyecto creador. L’Homme Approximatif: “avec un œil un seul tourné à l’intérieur/ une fontaine dans la poitrine et l’inépuisable saveur à l’intérieur/ vers les magiques insolences des paroles qui ne couvrent aucun sens [. separan y unen las manifestaciones artísticas actuales y pretéritas. Para éste. El mito del retorno a la unidad perdida que nos ofrece Gorostiza difiere. Para Gorostiza. Lo que buscó resaltar en las avant-garde fue precisamente aquello que éstas tenían de más auténtico vanguardismo. la conciencia humana es división. . en el grupo. siente/ la humedad del jardín como un halago. innovar no significó jamás rechazar pura y deliberadamente la tradición inmediata. como tema y técnica. y el estridentismo. pulsante en el tratamiento del tema pero despojado de intricaciones formales. características de cierto no exploradas con igual proporción por todas las corrientes reaccionarias de la época. aunque no me parece aventurado concluir que la ascendencia Dada imprimió huellas. sino indagar sobre las débiles fronteras que. propuesta por Tzara (Grains Et Issues). Para Gorostiza. representada en el encuentro del yo con su muerte. ninguna de las dos generaciones veneró el antilogos dadaísta y su horror a la memoria. la tradición poética española. sin meta definida. es decir.

pero este dato no es. le hicieron acercarse y alejarse de quien había sido. como Bernardo Ortiz de Montellano. a quien los Contemporáneos casi sin excepción rindieron homenaje. Esta fina percepción lo llevaría a cuestionar la existencia misma de los Contemporáneos como grupo y a negar la supuesta homogeneidad intelectual y artística de sus integrantes. en determinados aspectos. hasta las vanguardias. afirmando aun que esta contradicción intrínseca se mantuvo. llegó. Censura injusta de los opositores y que estribó más bien en la llamada tendencia extranjerizante imputada a ambas generaciones del grupo. según Villaurrutia. en las letras mexicanas de la época. una humorística alegoría del “ocaso modernista” como introito a la alabanza de Gómez Martínez. de “diferenciar la modalidad expresiva del alma” (4). en efecto.53 En su versión mexicana. Para Gorostiza. Si por un lado este fenómeno le otorgó a la poesía de México un carácter en parte singular. rodeándolo con un halo de luz o de sombra”– y. sin crecimiento ni desarrollo. como lo hizo Neruda en su fase más surrealista. A través de los comentarios de Villaurrutia. Pellicer y Cuesta entre ellos. de por sí. a un tiempo. Uno que otro Contemporáneo. a través de escuelas poéticas aparentemente distintas. simultáneamente dinámico y estático en su condición agónica. pone de manifiesto el deseo de sencillez como respuesta al rigor canónico del discurso al que llegaron a someterse ciertos poetas de las nuevas vanguardias. una cohesión de metas cuyo producto final resultó “una forma poética paralítica”. superior a los embates infructuosos de las facciones literarias. el lugar de Machado lo ocupó Ramón López Velarde. para sus compañeros (Salvador Novo y Xavier Villaurrutia. autor de dicha obra. Gorostiza expresaría por vías indirectas las creencias que. sobre todo). enfatizando su actualidad. En 1923. algunas de sus composiciones oscilaron entre los resquicios de la literatura “cubista” y la exploración semántica de lo humano en la ambigüedad intencional de las palabras. con matices baudelaireanos. a su parecer. llevaba adentro la provincia –“viajaba con él. claramente discutida en su cuidadoso examen de Cripta. mas se puede advertir la preeminencia del Modernismo en esta interpretación de nítida inclinación esteticista. asentado en “una pugna de dos sentimientos opuestos –clasicismo y romanticismo– pero poseídos ambos por la misma obsesión de crear una originalidad mexicana” (“Cauces De La Poesía Mexicana”. sin embargo. se sabe que Gorostiza le dedicó a López Velarde una preciosa conferencia. Son pocas las referencias concretas al poeta zacateco existentes en la obra crítica de Gorostiza. en mayo de 1915. La segunda generación. dentro del entorno cultural cosmopolita. distribuída en el espacio del poema de acuerdo con una idea puramente plástica de la composición” (“La poesía actual de México – Torres Bodet: Cripta”. un artículo de Abel García Calix publicado en El Mundo Ilustrado reprodujo fragmentos de la plática en la cual López Velarde expuso su punto de vista sobre el asunto: ahí define la concepción del poeta en cuanto ser personalísimo y la valoración de la oblicuidad del lenguaje poético contra la sencillez escueta de los “torpes giros sociales”. Seguramente López Velarde no se dio cuenta de ello al publicar “Frente Al Cisne Muerto” (Impresiones y Apuntes De Crítica). un modelo en la juventud. a la opinión de López Velarde acerca de las relaciones entre poesía y estética. 1938). Poeta ”más admirado que leído”. “inmóvil. La poesía velardiana trazó. 1931). suficiente para pensar en algún tipo de influencia efectiva y duradera. a preocuparse por la cuestión de la figuración plástica en poesía. Incluyó a López Velarde en el rol de autores que encarnaron el drama histórico de la poesía mexicana. por el otro le impidió forjarse una genuina expresión poética de validez universal. La actitud de Torres Bodet –añade– contribuyó a la disolución del perfil negativo que les habían trazado los escritores y críticos adversos al grupo: el de un ideal compartido sin restricciones. sobre todo. y un exámen más atento nos permite constatar cómo éste se opuso. buscó rescatar críticamente los rasgos distintivos del quehacer poético velardiano. sin movimiento. la inconformidad de Jaime Torres Bodet. supo verterla en formas poéticas de compleja significación. los . una línea fronteriza entre la aspiración modernista (incorporar las perspectivas de lo eterno al arte) y la acción reductora de la vanguardia (suprimir del arte lo extrínseco a su naturaleza técnica). Para los demás. incapaces.

si consideramos el poema no sólo desde su aspecto temático más evidente –la muerte.. metalingüísticamente. volverse materia viviente encerrada en la transparencia de una forma que la contiene duramente.... por consiguiente. para.... En Muerte Sin Fin se despliega. Delante del Cuadrado blanco sobre fondo blanco. El artículo sobre Torres Bodet constituye. En un primer nivel de lectura. inútil. en el origen de la trayectoria del grupo. como ha señalado Octavio Paz–... la polémica planteada a partir de la cita de Villaurrutia. aquel ya trazado. aunque buscó mantener una postura de aparente alejamiento...... sino esta triste claridad a ciegas. una problemática de doble significación.. sobre la mesa.. ya entonces traducida en las imágenes antagónicas del vaso y del agua. que la mantiene alejada de todo lo exterior a sí misma: VII Pero el vaso en sí mismo no se cumple... antes apenas esbozados en el poema “Espejo No”. ésta.. vemos a la autosuficiencia poética reflejarse en el acto de rebeldía que funda el poema –la ruptura de la conciencia–.... por el contexto literario y cultural mexicano: el rigor crítico evolucionando hacia un ideal de forma... Desesperación y desvarío estéticos característicos tanto del “clasicismo” moderno como de la vanguardia en sus momentos de extremado radicalismo o de agotamiento intelectual. sino esta tentaleante lucidez? Tenedlo ahí... Reflejos.. ciertamente... en Muerte Sin Fin. mas también occidental..) (5) Un año después de la publicación de este artículo.. dispersa. con respirar.. ¿qué incómoda sensación habría abalado a Gorostiza al intentar atinar con la significación de “pureza creadora”. “Cuadro”. Gorostiza reiteraría.. de Malevich. como el retrato aquel a quien el poeta conmina: No respires. que envejecerías..] muerta de una gran muerte. en seguida.... en la vacuidad geométrica de los planos? Gorostiza refutó esta clasificación simplista de los críticos aseverando que la hegemonía de la plasticidad sobre todos los demás elementos constitutivos de la creación artística se vuelve un estorbo que le cierra el paso a la expresión poética.. y todavía desprovistos de relación íntima con los problemas concernientes a la crisis literaria que comenzaba a descollar no solamente en la literatura mexicana.. sólo alcanza ser anti-poesía: [.“).. bajo el yugo de la concretud formal. En su labor crítica de fines de la década de los treinta. (Xavier Villaurrutia... Gorostiza consideró esta situación como hecho atendible.. .. “el de mantener puros los géneros dentro de sus propios límites” (“La poesía actual de México. .. fuente fidedigna e imprescindible en el rescate de los orígenes conceptuales de Muerte Sin Fin. publicado en el número 12 de Contemporáneos (mayo de 1929).. de una muerte organizada con magnificencia dentro de los límites de un bello marco. De tal modo el aire te quiere inundar. Imagen de una deserción nefasta ¿qué esconde en su rigor inhabitado.. ¡ay!. no.. como eclosión simbólica del dilema de la poesía mexicana. sino desde la misma perspectiva crítica del autor.54 problemas relativos a la plasticidad poética siguieron otro rumbo.

(7) Un segundo nivel de lectura del texto de Gorostiza nos revela las imágenes del agua y el cristal como encarnación de los ciclos de la creación poética que no teme contemplarse en la “destrucción” inherente a su desarrollo. reaccionó contra el atavismo romántico. la poesía aspira a un presente ideal./ siempre tres!”– se asemeja a la del poema de Blake en su constitución interactiva. or Flourish. y aunque desvirtuada por el intelecto humano –“-oh inteligencia. en verdad. no esa actitud virginal que cierra el paso a la eclosión de su propia poesía. Voltaire y Rousseau no son. Fetters the Human Race! Nations are Destroy’d. la sensación estética del flujo temporal inexorable. “Wisdom. sin excluir. válgame la paradoja. Los Complementarios). como la dialéctica de Gorostiza. ambas acepciones de la poesía. en un contexto de afirmación de lo nuevo y de la libertad. extendiéndose en el fascinante vislumbre del progreso que. mediante la trascendencia de la poesía y del arte: “Poetry Fetter’d. según Blake. en la imagen de la lucha entre la inocencia primordial del alma y su soberbia antagonista. rige con hosca mano de diamante. en perfecta contraposición. La dialéctica que se establece en Blake a partir de la oposición perenne de estos dos estado (o estadios) del ser humano nació. Hay en todas partes quien no quiere envejecer ni se resigna a morir. el tema de la disensión entre imaginación y razonamiento gana cuerpo en las imágenes de una creación frustrada. La unidad perdida de Muerte Sin Fin –“de mí y de Él y de nosotros tres. amenazándola en su originalidad. in proportion as Their Poetry Painting and Music. que hemos sabido “usarnos” en ellas. Y esto es. mientras muere en la vida de un poema. puesto que la obliga necesariamente a la imitación o al silencio. pues. en cuanto arte. Art and Science” forman la unidad triádica que. (8) Hay que notar cómo. páramo de espejos!”– se la puede rescatar. cuya existencia –explica Gorostiza citando a Thomas Mann–. las referencias a figuras como Bacon. sostuvo “The Primaveral State of Man”. justamente. gratuitas). como un crecimiento de su facultad de andar. además del pensamiento de Mann. Su inicio se ubica en la reacción iluminista (en Blake. Desde su insigne trono faraónico. a la vez. no en el espacio: A estas artes me las imagino nacidas de los pies del hombre. are Destroy’d or Flourish!”. la música y la poesía). sentido primero y último de las artes efímeras (el canto. las lecciones de Antonio Machado hacen eco en esta convicción acerca de la imperiosa temporalidad de la creación poética: la certeza de que. (6) Aunque los epígrafes del poema remiten directamente al tema bíblico de la rebelión adámica. Machado. Creo que Gorostiza habría escrito Muerte Sin Fin independientemente de cualquier proselitismo. magnánima. por qué entre los poetas del “grupo sin grupo” existen. sensación que trata de salvar. constelada de epítetos esdrújulos. transcurre necesariamente en el tiempo. empero. son los versos de William Blake los que asoman. pero el tono ténuamente enjuiciador que recorre el poema parece contradecir . del propio tiempo (Vése A. vivida por un alma fraccionada en su forma cristalina –my Crystal form. que acepta esta muerte sin fin.55 VIII Mas la forma en sí misma no se cumple. Tanto en Jerusalem como en The Four Zoas. en que el hombre vive en la muerte de una estatua. deífica. lo que desean los jóvenes: hallar que hemos muerto un poco en nuestras obras. como en la obra del autor inglés. la sabiduría. Esto explica además. La diferencia entre unas y otras artes está. ya en los albores del siglo XIX. Pero andar es morir.

a su naturaleza. como inteligencia. En su aspecto crítico. La obra maestra de Gorostiza reanuda planteamientos críticos identificables en composiciones como “Vino. un arte al que el cuidado demasiadamente esclarecido puede conducir a un estado casi inhumano (Variété I). según Gorostiza. Sólo mucho más tarde. más allá de sus paredes así adelgazadas. que había momentáneamente opacado los demás ruidos o sumándolos a ella.. bajo los cuales la palabra “se transparenta y deja entrever. en la que dialogan las señas interpretativas del quehacer poético y la crítica al empobrecimiento de la poesía en el contexto literario de la época. Gorostiza reuniría bajo el modesto título Notas Sobre Poesía las impresiones y experiencias que conforman su arte poética: “El poeta tiene ideas acerca de la poesía en las que manifiesta la relación que existe entre él. Una. en la cual la autoevaluación de su trayectoria personal lleva al poeta a cuestionar los propios mecanismos de elaboración estética (lo mismo haría Borges en su “Arte Poética”. A lo largo de la descripción de su método de construcción poética. posee preparación para disfrutar de sus placeres” (“Paréntesis”. en el sentido negativo que le imputaron los atisbos teorizantes de determinadas vanguardias: una tendencia hacia la abstracción desmedida. De las muchas influencias existentes en la poética de Gorostiza. entroncando. Es éste el silencio del que nos habla Octavio Paz. tres.56 los comentarios del autor sobre el origen incierto de este texto.. Mis ojos salen a oscuras de la alcoba. En la obra de Gorostiza. Muerte Sin Fin representa la puesta en práctica de esta intuición creadora.. [. más que en la de sus colegas de grupo. En un brevísimo ensayo de fecha desconocida (probablemente coetáneo de Notas Sobre Poesía). girar bruscamente a la izquierda. como invocación y desahogo. y se mantenía ahí a una distancia de sí misma que era imposible que . También en Ramón Jiménez el “conjuro poético” suena. pausada. para el poeta. ya no lo que dice.. simplemente. en sus encadenamientos. salvando un librero. Aquí se construye. a través del cual continuidad y atavismo se combinan. dos. precisamente bajo la escalera. a la vez. el proceso mismo que se observa en la eterna sucesión de los seres. casi cuarenta años después de su filiación al ultraísmo). “Me gusta pensar en la poesía”. La pienso.] Ahí se construyó pues la imagen. pero esta exterioridad de la condición poética no se atañe tan sólo al objeto. la de Valéry fue. con la antigua cuestión acerca de la esencia de la poesía. tal vez. ante todo. “no como en un suceso que ocurre dentro del hombre y es inherente a él. en su concreción formal. La gota de agua era aquella que se había agigantado en la noche. más que “une liasion momentanée de fonctions miennes” (10): Una gota de agua cae ahora. hacia una belleza siempre más consciente de su génesis. cuatro.] La imagen puede bajar la escalera sin tropezar con una silla. pasan por el corredor seguros de que todo está en su sitio [. más bien. como las demás disciplinas artísticas o científicas de nuestro tiempo. primero. Notas Sobre Poesía) (9). pura”. este vacío semántico donde habitan todas las significaciones cuando ya la poesía ha penetrado la palabra.. sino más bien como en algo que tuviese una existencia propia en el mundo exterior”. en mis oídos. la más expresiva. de Juan Ramón Jiménez (Eternidades). Los problemas de construcción a los que remite Gorostiza tienen poco que ver con experimentaciones formales.. Notas Sobre Poesía). en “objeto de los afanes de una minoría que la crea o que. y llegar al rincón. Se advierte cómo el poeta mexicano adaptó al contexto personal de su obra la convicción de Valéry en un trabajo natural del espíritu creador. y donde la vida literaria reproduce.. la ascendencia de Valéry sobre Gorostiza se da a conocer. Gorostiza nos revela la supremacía de la imaginación sobre la conciencia cuando objeto y acción creadora ya no son. sino lo que calla” (“Definiciones”. afirmó Gorostiza en sus Notas. y la misteriosa substancia que elabora”. convertida. siempre más independiente de todos los sujetos. una insubstancialidad del pensamiento que reduce la vinculación sujeto-objeto al orden esquemático de una ecuación insoluble. en el rechazo a la tendencia del arte hacia una extrema exactitud. la refutación de la tesis de Ortega y Gasset sobre la deshumanización del arte no significó una adhesión irrestricta al ¡arte puro”. la influencia de Valéry se manifiesta de manera inconfundible. a la mitad de los años cincuenta.

“puede desesperarse y confundirse bajo el imperio de la fría claridad del logos filosófico. en la opinión de Valéry. La prueba de que a Valéry no se le ha olvidado el origen griego de la palabra se encuentra en “L’Infini Esthétique”.. aunque definiciones como la anterior parecen más bien acreditar el origen intuitivo del quehacer poético. fundada y dirigida por Octavio Paz.] rendre relatif ce que le sens et le corps présentent comme absolu. según la autora. El texto de la alumna de Ortega y Gasset pudo realmente haber influido sobre Gorostiza. il faut désirer autre chose”. de María Zambrano. reconocimiento y búsqueda. diríamos encarnada”. la unidad realizada. según Valéry.. agregó. La obra de arte resulta. por lo tanto. el poeta “crea una unidad con la palabra. promesa (12). el autor mexicano. escribió Valéry. lo más distinto de cada cosa. Quisiera detenerme brevemente en los siguientes renglones. un intento de reducir esta dualidad del artista a una tendencia uniforme. capaz de lanzar al sujeto creador a un orden de ideas que es. Un método. La estética ha sido siempre. los cuales patentizan la idea central del libro –el logos de la poesía no nació de la violencia de la polémica. proyecto. un arte o un modelo son también deseo. impulsión o excitación nueva. entre otras significaciones análogas. consideraciones que aun hoy perduran en la obra paciana. aunque. comienzo. y aun sentir tentaciones de cobijarse en su recinto. exterior o no. Me refiero al libro Filosofía Y Poesía. sin duda uno de los más lúcidos críticos de las vanguardias hispanoamericanas.”. lo más alado. Seguramente se refirió el poeta francés a la estética en cuanto categoría analítica.. no en cuanto facultad de percepción. de cada instante. en especial sobre su obra maestra. pese al hecho de que el poema ya lo venía componiendo el autor desde hace aproximadamente cinco años cuando de la publicación de la primera parte del trabajo de Zambrano en la revista Taller. Gorostiza creyó firmemente que el poeta no puede aplicar todo el rigor del pensamiento al análisis de la poesía sin ceder su puesto al filósofo. Según Zambrano. El poema es ya la unidad no oculta. Gorostiza insertó el concepto valériano de infinitud estética dentro de un contexto literario que privilegió la finitud absoluta como objetivo máximo de la expresión poética. Recinto que nunca ha podido contenerla ni definirla”: .] (11) “Je vois la chose”. Su poética está colmada de referencias directas al papel que juegan la inteligencia y su pureza escéptica en el arte: “[. “Je la devine faisable – je la parfais en un clin d’œil – je l’ai oubliée – dépréciée – j’ai comme suivi prodigieusement vite le chemin de mes fonctions qui la traverse. sino presente. el poeta actúa sobre el lenguaje –dijo Valéry– y de ahí adviene. cuyo desarrollo emerge de la acción constructora del razonamiento. a la vez. le trazan una zona de libertad en donde su ingenio se puede desenvolver hasta lo infinito”. la posibilidad de que esta acción se convierta en algo artificial: el riesgo existe. Cahiers I). y al poeta le toca someterse o imponerse a la “illusion de la puissance”. como quiere denotar su etimología griega. a su turno. “d’une action dont le but fini est de provoquer chez quelqu’un des développements infinis”. no de su desquiciamiento desagregador. et l’épuise pour moi [.. Se suele citar a Valéry como uno de los mejores ejemplos de rigor técnico y conciencia metodológica en poesía. entonces. La condición méditable de la creación nace. y hay que reconocer cómo toda su obra proclama el imperioso equilibrio entre crítica e inventiva.]” (“Ego”. no obstante el carácter exiguo de su producción ensayística. única forma de garantizar la continuidad reconstructora en literatura. sino que lo inventa frente a su ausencia. El désir de désir no se contenta con buscar al objeto. “Las reglas del ajedrez no oprimen al jugador.. esas palabras que tratan de apresar lo más tenue. de una impresión. profesora exiliada en México durante la Guerra Civil Española. Quizá habría que remitir a un texto sacado a la luz el año mismo de la publicación de Muerte Sin Fin y que sintetiza de modo magnífico esta posición intelectual de Gorostiza.57 ella y su ruido permanecieran ligados.. cuando atribuye al orden estético una característica inexistente en el orden práctico: “Pour pouvoir désirer encore. Había un como desdoblamiento de la gota de agua y su ruido [. Al actuar a través del lenguaje.

éste con su misterioso demonio interior y su clara muerte. [. el demonio poético de Gorostiza se asemeja a aquel Mephistópheles ideado por Valéry. la cosa fantasmagórica y soñada. el dilema se revuelve en su misma –burlona– reformulación constante: ¡Tan-Tan! ¿Quién es? Es es el Diablo. ignoraron la tensión inherente a esta doble “necesidad irrenunciable de poesía y pensamiento” (ZAMBRANO). El problema.58 [. tiene raíces profundas y María Zambrano.] El poeta no teme la nada. pero la realidad poética no es sólo la que hay. [. se dificulta mucho o se interrumpe del todo. como lo hizo notar Gorostiza en su “Discurso de recepción en la Academia de la Lengua” (1955): urgencia en reducir los campos muertos. no se le ha otorgado el don de pronosticar el futuro. la poesía. de cualquier modo. sí. es una espesa fatiga. que se vuelcan. cultural. me acecha.. a un mismo tiempo.. [. anunciaban el nacimiento del pensamiento puro. anda vámonos al diablo! (14) NOTAS (1) “Sería falta de oído y de probidad no dedicar un pequeño juicio al estridentismo que. al igual que a todo diablo. y. que traspasa la frontera del arte. tenaz. mas no entendiendo por cosa esa unidad hecha de sustracciones. lo asevera: mientras Platón y Sócrates. arisca. La cosa del poeta no es jamás la cosa conceptual del pensamiento. sin abstracción ni renuncia alguna. esta muerte viva. abarca el ser y el no ser en admirable justicia caritativa. no sin valor. En su locura maldita. el aislamiento crítico de Gorostiza frente a los Contemporáneos y a su época le ubicó más allá de la estrechez espiritual de aquellos movimientos literarios. con su ojo lánguido. desgarrada. (13) Lejos de caracterizarse como una especie de absentismo. la que es. las zonas impermeables. entretenido con sólo observar el malogro de los esfuerzos inventivos del hombre. el desequilibrado porducto europeo de los ismos: y consiguió ser. la inventada.. temiblemente indiscreta y en rebeldía. a su modo. contra su propio creador. los cuales.. este morir incesante. en consecuencia.. me enamora.. en donde la comunicación intelectual. tal vez. sino la que no es. pues todo. ¡Anda. el jefe y el ejército de su vanguardia.] el poeta quiere una. Quiere un todo desde el cual se posea cada cosa. Para el poeta mexicano éste fue. Pero como a Mephistópheles. al fin y al cabo. todo tiene derecho a ser hasta lo que no ha podido ser jamás. sino la cosa complejísima y real.] ha logrado crear una inconsciencia poética colectiva.] Desde mis ojos insomnes mi muerte me está acechando.. consiguió erizar la superficie adormecida de nuestros lentos procesos poéticos. un ansia de trasponer estas lindes enemigas. la que hubo y la que no habrá jamás. Quiere la realidad. anãde Gorostiza. Manuel Maples Arce supo inyectarse.. cada una de las cosas sin restricción. seguía persiguiendo la multiplicidad desdeñada por la razón. puntilla del rubor helado. un verdadero . afirmando ya el engagement historicista ya la total autonomía estética de la creación literaria. el sentido primero y último de su poesía. Necesidad ineludible.

. sino fuera contrario. “Esquema para desarrollar un poema”.Que mi palabra sea/ la cosa misma./ ¡Intelijencia.. inventeur de l’homme nouveau. p./ [. 553.” En Xavier Villaurrutia.. mencionados a continuación. y tuyo. ed. dame/ el nombre exacto de las cosas!/ . (6) José Gorostiza. 30.. ed. en Muerte sin fin. (5) José Gorostiza.”. FCE (Letras Mexicanas). 1977. établie. Aguilar (Bilbioteca Premios Nobel).. dentro de una penumbra rutinaria que les permita andar sin tropiezo.] Mas busca en tu espejo al otro. FCE (Biblioteca Americana).. Obras. En Ramón LópezVelarde.. El Mundo Ilustrado./ [. Madrid. “Ego”. Paris. 2ª.. Micheline. 22-3. “Galerías”. cit. edición crítica de Edelmira Ramírez (coord. UBC/SEPEHA. 137. (14) José Gorostiza. Ed. présentée et annotée par Judith RobinsonValéry. realmente.). 24ª. a las cosas.. 1996.)..]/ Es tu Narciso/ ya no se ve en el espejo/ porque es el espejo mismo. Gallimard (Bibliothèque de la Pléiade). Muerte sin fin. (4) “La suprema nitidez obliga a las buenas gentes a quedarse en tinieblas. Rio de Janeiro. op. 26 de julio de 1923.. Eternidades. Comm. p. México. Crítica Literaria. han pedido.. p.. ed.. Filosofía y poesía. p. José Luis Martinez (comp.”. a las cosas.. “Cabezas literarias. .59 unanimismo –muy semejante.]/ No es el yo fundamental/ Eso que busca el poeta/ sino el tú esencial./ que por mi vayan todos/ los mismos que las aman./ es ojo porque te ve. “El ojo que ves no es/ ojo porque tú lo veas. op. Éd. “Amor y poesía cada día”. New York: Doubleday/Anchor Books. p. a fin de guardarse la retina sin choques. entre ellos dos versos de Muerte sin fin. 1990. ed. como les ocurriría si en lugar de un foquillo eléctrico. 1989. 1988. que tiene como punto de arranque los epígrafes de esta la novela Carlos Fuentes..” Paul Valéry. (8) José Gorostiza. “Entremés: El Estridentismo”. Librairie A. William. en Poesías completas.. 1997. tuviesen a Sirio a un lado de la cama. (12) “L’idée est ce que tour à tour considère et est considérée. by Harold Bloom. En: The complete poetry & prose of William Blake. 133. 146. mi atención/ está del agua cautiva. México. Ramón López Velarde”. Paris. Manière de voir et puis chose vue.”. pero del agua en la vica/ roca de mi corazón./ [./ creada por mi alma nuevamente. 24 (3) “El alma que no sueña. 4ª. op. Jerusalem. ed. Madrid (Archivos). (2) Micheline Tison-Braun. by David V./ [./ que por mí vayan todos/ los que ya las olvidan. cit. 1979. “Baile”. La Poesía de los jóvenes de México. Y pról. 827. Casi todos los que han pedido claridad literaria en el curso de los siglos. (9) Véase el texto de Ramón Jiménez: “Intelijencia.-G. 2ª./ [.. (7) BLAKE./ que por mi vayan todos/ los que no las conocen.. FCE.. 56.). en Cahiers I. 117./ proyecta nuestra imagen/ con un perfil grotesco./ el enemigo espejo. Madrid. 1995. de las cosas!”. donde los mismos temas son objeto de mi análisis de La muerte de Artemio Cruz. Véase mi libro Formação da simbólica erótica na obra de Carlos Fuentes. cit.. p. p. Erdman.]/ Busca a tu complementario/ que marcha siempre contigo. p. Obras. 3ª. Espasa-Calpe (Austral 33).]/ Como otra vez.. cit. 136. et da capo. una moderación de luz. México. “La poesía actual de México. en Libros de poesía.. Se mantuvo la ortografía original del poema. (13) María Zambrano. 1988. (Literature/Poetry) p. “Proverbios y cantares”. Agustín Caballero (recomp./ al otro que va contigo. op.). 1996. a las cosas. dame/ el nombre exacto. (10) Paul Valéry. y mío. y suele ser tu contrario. Abel García Calix. en Poesía y poética. al que propuso en Francia Jules Romains. p. México. Tristan Tzara. Manuel Alvar (ed. The Emanation of The Giant Albion (1804). p. en Poesía y poética.. Torres Bodet: Cripta”. “La poesía actual de México…”. 78 y 79 respectivamente. p. (11) José Gorostiza./ y suyo. 289-95 respectivamente. Nizet. p. 87-8.

La presente versión fue adaptada del texto publicado en Crítica sin fin: José Gorostiza y sus críticos (selección y prólogo de Álvaro Ruiz Abreu. 2004). México. 1956). 1995) y Espéculo (Madrid.60 María Aparecida da Silva (Brasil. Ensayista y traductora. Página ilustrada con obras de Unica Zürn (Alemania).com. Ensayo publicado en las revistas América Hispânica (Rio de Janeiro. 2000). . Ha publicado Formação da simbólica erótica na obra de Carlos Fuentes (1994). artista invitada de esta edición de ARC. Contacto: masretired@gmail.

veio a São Paulo para cursar a faculdade de Direito e chegou a dividir um quarto de pensão com o conterrâneo Mário Palmério. por razões ideológicas e estéticas. a recusa à militância política cobrada pelos seus pares e as desavenças com os editores levaram Campos de Carvalho a se afastar da literatura. enviando da Europa as crônicas humorísticas que compuseram Os anais de Campos de Carvalho. tendo trabalhado durante toda a vida como advogado e procurador do estado de São Paulo. em 1941. no número 11 da revista Senhor. Vaca de nariz sutil (1961. mas está com a bola toda. com igual sucesso. O último satanista da literatura brasileira (foi assim que ele se definiu certa vez) está virando um ícone contemporâneo. a oposição ao regionalismo de Mário Palmério e Guimarães Rosa. com orelhas de Mário Prata. coletânea de ensaios humorísticos publicada às suas custas. anos de ditadura militar e de guerrilha cultural. foram relançados com sucesso em meados dos anos 90. três admiradores confessos do autor. TRAJETÓRIA TORTA | Walter Campos de Carvalho nasceu em plena Guerra Mundial. em 1º de novembro de 1916. ou seja. A lua vem da Ásia e A chuva imóvel foram traduzidos para o francês e publicados pela editora Albin Michel. seu temperamento iconoclasta e por vezes arredio. Também ficaram de fora desse volume o ótimo conto Os trilhos. às anedotas. Nada mal para esses livros irreverentes e inquietantes. num volume único intitulado Obra reunida. Terminados os primeiros estudos na cidade natal. Apesar disso o livro passou completamente despercebido. Seus principais romances. para publicação. “Campos de Carvalho é um autor que só será descoberto daqui a trinta anos”. e a narrativa Espantalho habitado de pássaros. Por vontade expressa do autor. Seu nome foi citado pouquíssimas vezes nos compêndios de literatura brasileira e . Paulo. e a profecia de fato se realizou. aos boatos. Minas Gerais (se é que Minas Gerais existe mesmo). Em 1938 formou-se pela Faculdade São Francisco. Apesar disso. que não via neles qualidades salientes. prefácio de Jorge Amado e introdução de Carlos Felipe Moisés. Nos anos seguintes ao da publicação d’O púcaro búlgaro. pelo amigo e escritor Aníbal Machado). com quem se desentendeu tempos depois. em Uberaba. publicada em 1995 pela editora José Olympio. A chuva imóvel (1963) e O púcaro búlgaro (1964. com Banda forra. indicado ao editor José Olympio. Um ícone iconoclasta. elogiada na época por Monteiro Lobato. no período de 1968 a 1978 colaborou com O Pasquim. Desse volume fazem parte apenas os quatro romances que se seguiram ao de 54: A lua vem da Ásia (1956. e dois foram recentemente adaptados para o palco. de 1965. às vezes ranzinzas e antipáticos – como dizem que seu autor costumava ser –. Vamos aos fatos. Mais de dez anos depois surgiu seu segundo livro. o romance Tribo (1954). publicado em 1960. escrito no tempo recorde de vinte e dois dias). escrito em quarenta dias). Estreou na literatura aos vinte e cinco anos. depois de muito tempo esquecidos. esses dois trabalhos ficaram de fora da Obra reunida. respectivamente em 1976 e em 1980.61 | Campos de Carvalho & a vingança do ícone iconoclasta NELSON DE OLIVEIRA & SINVALDO JÚNIOR Campos de Carvalho não está mais entre nós. contida na coletânea Os dez mandamentos. e também trabalhou no jornal O Estado de S. disse Ênio Silveira. escritos há mais de quarenta anos. Agora eles voltaram a ser publicados também separadamente.

A lógica da insanidade e o bom-senso do nonsense foram sua marca distintiva: “A loucura em Campos de Carvalho é recurso de composição para a sátira combinada ao lirismo. passo a passo. brutalista. Títulos do derradeiro romance que Campos de Carvalho. por exemplo. da efervescência do fervor ou da originalidade do original. elogio irônico à quebra do discurso racional e às sucessivas metamorfoses de todos os seus narradores pretéritos e futuros. Fotos. assim como a escala diminuta de Lilliput. um cigarro entre os dedos. o título provisório do livro que estaria escrevendo era sempre adiantado ao interlocutor curioso: primeiro foi Pássaro insano em céus do Antigo Egito. O que significava o humor para Campos de Carvalho? Às vésperas do lançamento da Obra reunida. mas logo mudei para Heitor. Devagar. vai despertando o interesse de mestrandos e doutorandos. a situação mudou. o que mais aconteceu? A editora José Olympio publicou as Cartas de viagem e outras crônicas. resenhas e entrevistas com esse romancista “louco. sintetizam à perfeição o procedimento ficcional de Campos de Carvalho: “Aos dezesseis anos matei meu professor de lógica. É um passo à frente de qualquer vanguarda. jamais pôde escrever. tanto pelos que o admiravam quanto pelos que o rejeitavam – foram publicadas em todos os jornais e em todas as revistas importantes. Essa rápida autoentrevista terminava com a seguinte pergunta: “O que significa o humor para você?” E a resposta esclarecedora: “Significa o auge de qualquer ficção ou de qualquer outra arte. Com o lançamento da Obra reunida. ao inefável.62 o autor jamais ganhou um único prêmio literário. ou do mais nebuloso poema de Mallarmé. CONTRA A RAZÃO | As palavras iniciais d’A lua vem da Ásia. Morreu de enfarte aos 82 anos. O que vem por aí? Uma biografia do autor e mais um volume de textos dispersos. com indignação genuína. escreveu a crítica Vilma Arêas. ele já havia feito a entrevista: as perguntas e as respostas. Neste início de século. Campos de Carvalho alinha-se entre os grandes satiristas que. satanista e surrealista” – essa a maneira como Campos foi tratado por praticamente todos os críticos e jornalistas. Invocando a legítima defesa – e qual defesa seria mais legítima? – logrei ser absolvido por cinco votos contra dois e fui morar sob uma ponte do Sena. vergastaram a irracionalidade e os abusos com que o homem vem escrevendo sua História”. depois de mais de trinta anos sem escrever nem publicar outro livro. especulação sem espelho. que deixou de procurá-lo. cujo humor intrínseco sempre nos escapa (tão-me estranho. Campos de Carvalho vai escapando do esquecimento. depois finalmente Astrogildo. Ao chegar. no compasso brasileiro. impedido agora por sérios problemas de saúde. quando me chamo”. que se arrisca ao hermetismo da própria linguagem. Mário Prata foi ao apartamento do autor para entrevistá-lo. depois Maquinação sem máquina. O RETORNO DO MALDITO | Durante as três décadas em que ficou distante da literatura. eleva a mil o ridículo das pompas dos governantes e das dissensões políticas. ao desconhecido. na linha d’O púcaro búlgaro. Chamava-me então Adilson. em seguida Mosaico sem Moisés e finalmente De novo no ovo. Num gesto tipicamente seu. (…) Submetendo a tradição clássica aos ritmos da vanguarda traduzidos também. livrinho cujo título já diz tudo: trata-se da reunião das cartas e das crônicas publicadas no Pasquim nos anos 70. que é como me chamo ainda hoje. depois Ruy Barbo. depois Maravilha no país das Alices. comprei um par de óculos para míope e passava as noites espiando o céu estrelado. Deixei crescer a barba em pensamento. Além disso O púcaro búlgaro e A chuva imóvel foram levados ao teatro. maldito. Campos de Carvalho também ficou longe da imprensa cultural. Quando perguntado a respeito. no sentido de sublimação do sublime. por exemplo. o romancista entregou-lhe um pedaço de papel mal datilografado. mas sem deixar de ser marginal. na SextaFeira Santa de 1998. como não poderia deixar de ser. anarquista. em ótimas adaptações. tão-me intrínseco) por . O gostinho de ser novamente lido depois de tanto tempo fez com que pensasse em retomar seu projeto literário e em dar à luz outro romance de puro nonsense. embora nunca tenha estado em Paris. É o caso de Finnegans wake.

Infelizmente. manda e desmanda em uma maioria de indivíduos realmente individuais…”. que é como ele se chama ainda hoje. o primeiro romance de Campos de Carvalho. Na primeira parte o narrador se encontra (ou julga se encontrar) num campo de concentração que antes imaginara ser um hotel de luxo. o não-saudável. não obstante o discernimento crítico do narrador. Mas tudo indica que no futuro próximo esse delicioso lance de irreverência irá se juntar aos quatro últimos. que nele é apenas o humor verdadeiro e sutil. é o autoconsciente. “as consequências psicológicas da guerra. ele logo toma consciência exatamente da falta de sentido da vida: “Mas você. sendo o narrador um de seus internos. O louco. Por falar em humor… Tribo. Os episódios se desenrolam de maneira desordenada. mas apenas tentando justificar meu total apreço pelo humor como forma de arte. uma vez que a razão humana é a justificativa para várias atitudes não-humanas. é fruto de uma mente complexa e atormentada pela loucura. o passado e o presente se alternam. são evidentes (…). Cosmogonia. juntamente com as impressões e as reflexões do próprio narrador. estão representados desde o triste e sutil humor d’A lua até o protesto artisticamente previsível d’A chuva.” Há a narrativa no presente e há uma série de flashbacks sobre a vida do protagonista anterior à clausura. no qual permanece por longo tempo. meu irmão. o louco nas obras de Campos de Carvalho “não é o psicopata. A LUA DELIRANTE | Surgido no contexto do pós-guerra e paralelo ao Existencialismo na Europa. relata sua vida em liberdade. Nova reviravolta. em oposição ao são.” A lua vem da Ásia é narrado na primeira pessoa. onde me encontro. bem como suas aventuras fantásticas por vários países. o terceiro romance. A segunda parte. A lua vem da Ásia.63 mais que o tentemos desvendar. sem saber determinar sua localização: “Não sei dizer se fica na Europa ou na Ásia ou mesmo na Polinésia. Nesse meio tempo ele exerce inúmeras profissões para sobreviver. Vida Sexual dos Perus e Cosmogonia são as duas partes em que o livro se divide. largamente decantado pelo cinema. já imaginou o romance sensacional que poderemos escrever um dia sobre esta experiência bélica a que estamos sendo submetidos em pleno . é o grande responsável pela loucura e pelo caos do mundo. mesmo partindo de uma pequena experiência como O púcaro búlgaro”. nas personagens de Campos de Carvalho. O enredo. de Giorgio de Chirico. “quando se chama”. É o caso também do extenso poema em prosa Hebdomeros. No entendimento de Siscar. Segundo Marcos Siscar. ironicamente. os horrores do morticínio gratuito. traz em sua trama caótica e fragmentada as discussões acerca dos traumas e das ansiedades da geração que presenciou os horrores da Segunda Guerra Mundial. Mas embora busque sentido em tudo isso. ou irracionais. quando o narrador decide denunciar os abusos sofridos: “Pois o que me ocorre. Note-se que não estou sequer tentando comparar-me a esses luminares da literatura de ontem. mas é justamente aquele que consegue compreender a essência mais íntima da razão humana”. que às vezes se cristaliza na forma da mais pura perplexidade. então. pois se trata na verdade de um hospício. o que muitas vezes redunda em dor e sofrimento. Trata-se de um romance fragmentário. que. que agora podem ser encontrados separadamente nas livrarias. estilhaçado e descontínuo. ainda não foi reeditado. inclusive a de estrela de cinema. reflexo de uma mente e uma alma (a princípio do narrador. como se percebe nesse trecho. inclusive com cadeiras elétricas. são expostos de maneira aparentemente aleatória. e não do autor) igualmente caóticas. é apenas isso que me parece de um absurdo inominável: uma minoria armada até os dentes. e os fatos fantásticos e absurdos. além de várias reflexões que possibilitam ao leitor o contato imediato com as concepções e as posturas extravagantes de Astrogildo. após o relato da fuga nada espetacular de Astrogildo. Nem hotel de luxo nem campo de concentração. cuja facilidade aparente é apenas a maneira que o autor encontrou para melhor se disfarçar e não se expor ao ridículo.

desencantadas e irônicas com o ser humano e a sociedade. mas dessa vez de um ex-combatente de guerra que esteve submerso num universo de morte do qual conseguiu escapar fisicamente (apenas fisicamente) ileso. sua voz mais raivosa: a voz do sangue e da cólera.X. o protagonista de Vaca de nariz sutil é totalmente desencantado com as relações sociais. Esse lirismo se manifesta especialmente quando o narrador trata de sua paixão por Valquíria. Vaca de nariz sutil. Assim. Mas aqui não há nenhum hotel Terminus. lírico e filosófico de Campos de Carvalho. Tanto o primeiro protagonista quanto o segundo refletem. e outros A chuva imóvel. ao mesmo tempo.S. A prosa se reveste agora de tragicidade e. se é que se pode chamar de paz a este estado de angústia permanente e de ódios gratuitos que marca todos os nossos passos. alguns consideram O púcaro búlgaro. Nesse sentido. em cuja relação houve a aceitação mútua.64 tempo de paz. importado do quadro homônimo de Jean Dubuffet. Merde! – André Derain) e as palavras iniciais: “Onde o senhor dorme? No Hotel Terminus. pode enganar à primeira vista. é certamente o mais denso.. como de resto entre todas as feras de uma mesma espécie. É sobre um túmulo que o ex-combatente possui Valquíria. com a comunicação entre os homens. mesmo e sobretudo durante o sono?” No final do romance. antipatriótico. Há controvérsias no que tange à escolha de sua obra-prima: embora a maioria dos leitores e dos críticos considere A lua vem da Ásia. É o que o senhor pensa”. o certo é que o desenlace desse romance é o mais melancólico e claustrofóbico de todos os seus livros: “Levarão séculos para me içar. A CHUVA SUBTERRÂNEA | O livro seguinte. um mundo estraçalhado pela guerra. dada a pouca cordialidade existente entre os homens. um relato confessional. por tudo isso o narrador decide abandoná-lo: “A comunhão dos vivos ainda está por existir e com toda certeza não existirá nunca. mas ao se envolver com uma mulher. com vigor e brutalidade. como as epígrafes (Arrière la choucroute! – Erik Satie. pedófilo e estuprador são algumas de suas características principais.P. Aqui o prosador exercita. desejando informar a todos sobre o seu suicídio. aos poucos se delineia o perfil de nosso anti-herói: questionador.” AS SUTILEZAS DO OLFATO | O título do terceiro romance. que parece ter alguma deficiência mental.Z. A chuva imóvel.U. Após receber as honrarias de seu país. “ex-combatente e assassino” (segundo suas próprias palavras). de alguma forma. como o romance anterior. Sendo ou não sua obra-prima. A força da ironia e do sarcasmo usados contra os seres humanos e a sociedade. “uma moça de quinze ou vinte anos”. no capítulo O. a violência e a destruição da civilização e de seus valores. Afinal. a maioria atribuída pelos outros. ao mesmo tempo.Y. o narrador escreve uma Segunda e definitiva carta ao Times (com vista ao senhor redator da Seção Necrológica). se . agora é visto como criminoso. denso. uma vez que sugere um humor que em raros momentos se mostra no livro.Q. Essa situação acaba instigando nele várias perguntas de fundo moral e ético. Vaca de nariz sutil é. ironicamente se transforma (aos olhos da sociedade) num perigoso criminoso. as duas vozes estão em constante conflito. ora excessivamente amargas. de um lirismo refinado. foi visto como um herói. sendo em seguida surpreendido por uma viúva que o acusa de violentar a filha do zelador em pleno cemitério.T. por ter lutado por seu país e matado outros seres humanos. Como em A lua vem da Ásia. em maior ou menor grau.V. A temática do livro é a morte. porém às vezes desejosas de mudanças. não só o título pode enganar.R. Assim. esquizofrênico. Aliás. um desencanto e uma esperança débil nos rumos da humanidade. desse momento em que se instauraram. o menosprezo explícito pelas normas. esse é um romance sombrio. é possível enxergar nessas obras um perpétuo assombro ante o caos. a posição crítica em relação à realidade circundante e a perplexidade diante deste mundo em que as relações humanas perderam completamente o sentido. sério. Tanto o narrador do primeiro romance quanto o do segundo são frutos do pós-guerra. Ao contrário do que pode parecer. o narrador.

Esse excesso de peripécias em torno da imobilidade – espécie de coito infinito sem orgasmo – é. a melhor representação possível do movimento perpétuo do mundo moderno. a tentativa tantas vezes repetida quanto frustrada de sintonizar com os que o cercam. nas ruas e avenidas próximas. nas dependências do Museu Histórico e Geográfico da Filadélfia. deambula pela cidade. se surpreende com a visão de um púcaro búlgaro –. por quem ele nutre um amor incestuoso. mas está calcado na busca existencial da personagem central. juntamente comigo morrendo. Há muita agitação no apartamento de Hilário. sob o título A partida (apesar dos pesares). eu e não ele – continuarei minuto a minuto a cuspir-lhes do fundo da minha consciência.65 é que estão realmente içando. mas não levam a nada: ao descobrir o púcaro búlgaro no Museu Geográfico ele retorna imediatamente ao Brasil. Mesmo morto continuarei dando meu testemunho de morto. nesta matança dos inocentes. onde Hilário. Oswald de Andrade foi aqui o símbolo. depois se concentra por inteiro no Rio de Janeiro. A história gira em torno de André e de sua irmã gêmea. durante muito tempo. ao que tudo indica. instintivas. Segundo Carlos Felipe Moisés. A ação d’O púcaro búlgaro tem início nos Estados Unidos – para ser mais preciso. apagada da memória desde a sua chegada ao Brasil). mas também do que está dentro dele. jamais justificam o esforço. promove debates e seminários sobre a existência ou não da Bulgária. o protagonista envereda por um caminho sombrio de indagações profundas acerca de si mesmo. todos eles. e a terceira parte. de que. André. cria o MSPDIDRBOPMDB (Movimento Subterrâneo Pró-Descoberta ou Invenção Definitiva do Reino . aos pedaços. Muito esforço é despendido durante meses seguidos na organização de uma expedição que não deslancha. e enquanto dure esta longa ascensão do meu cadáver. enche o apartamento de estranhos. põe-se a redigir um diário sem saber exatamente com que propósito. quando de seu lançamento: “Com O púcaro búlgaro atinge o autor o ponto mais distante em sua caminhada. futuros expedicionários. que termina (antes de começar) numa rodada de pôquer em pleno ponto de partida.” Diante da impossibilidade de se encontrar nesse sufocante mundo de contradições. que jamais ganha o mar. é formada pelo diálogo final entre as três personagens centrais do livro. Andréa. passionais. encontrando como única saída para sua existência o suicídio. O PÚCARO PÍCARO | Sobre o quinto e último romance de Campos de Carvalho escreveu Antônio Olinto. Os prolegômenos.” O romance pode ser dividido em três partes. resulta sempre no oposto do que se espera: na inércia pura e simples. têm praticamente o mesmo teor e poderiam ser considerados um único capítulo. em sinal de protesto e sobretudo de nojo – por mim e por todos esses que morreram nos meus testículos. na sua concepção. menor que as demais. Porém essa movimentação toda. A chuva imóvel “se arma em dois planos conjugados: de um lado há a auto-escavação a que o narrador se submete. caso não tivessem sido fracionados pelo autor. mas cuspindo. de tão selvagens. Mas logo em seguida esquece-se do que pretendia fazer. por conta dos preparativos para a expedição de descoberta da Bulgária. que. angustiado sabe-se lá com o quê (é claro que com a descoberta recalcada. Esta chuva imóvel serei eu que estarei cuspindo. Explicação desnecessária e In memorian. excetuando-se este último (na verdade. deixando no hotel a mulher sem dinheiro sequer para custear as despesas. A narrativa se constrói em diversos episódios transmitidos ainda de forma fragmentária. redigido em forma de diário. apenas uma nota). A primeira parte compreende os quatro primeiros capítulos: Explicação necessária. Daí sua posição de vanguarda. de outro há a observação do mundo exterior. com esta corda no pescoço. que morreram ou que estão morrendo. em que tudo se encaminha mecânica e aceleradamente para determinados fins. As ações e reações de Hilário são tempestuosas. A segunda parte compreende o corpo do romance. E sua solidão. o protagonista. à procura de um sentido para a existência. E finca em nosso chão a bandeira da insatisfação e da insubmissão. É por isso que Campos de Carvalho isola-se na literatura brasileira e constitui caso sem paralelo. o incessante entra-e-sai de tipos os mais curiosos. que. implacável.” O romance não se concentra em temas específicos.

. 2006) e A oficina do escritor (ensaios. | Sinvaldo Júnior (Brasil.br. o susto. Algum lugar em parte alguma (contos. 2008). Autor de A maldição do macho (romance. O tempo da ficção deixa de ser o tempo cronológico. Ensaísta. para que Hilário e Radamés tenham onde se apoiar. A trama do romance é dominada por dois interlocutores: Hilário e Radamés Stepanovicinsky. Radamés e os demais.e. Mesmo quando procura tratar de sua vida íntima percebemos que o narrador nada tem a dizer sobre ela. As outras personagens – Rosa. sem profundidade psicológica e sem nenhum traço de caráter: eles estão aí para servir de escada. e passa a ser o tempo ameaçador dos contos de fada. da maneira as mais estapafúrdias. o espanto. aproximando assim esse romance de Campos de Carvalho das epopeias homéricas. escreveu Anatol Rosenfeld. 1966). também reveste as pessoas e a realidade com certo verniz mítico. pouco se destacando do fundo narrativo. o velho nonagenário e a sua neta. como a mão de Radamés que é. Pernacchio. o narrador. A forma objetiva de narrar. dos relatos grotescos e fantásticos. 2002).com. o professor de bulgarologia.cia@uol. pouco se destacando inclusive uns dos outros. Ivo que viu a uva. Em contrapartida. cada membro do corpo podendo ser outra coisa. privilegia a ação e a descrição. Enquanto na Ilíada e na Odisseia temos a consumação da conquista por parte da aristocracia grega. pois não têm dimensão interior. n’O púcaro búlgaro o mundo dos homens. adia várias vezes a partida e por fim desiste de vez de se lançar à empreitada.br. São todos títeres. esse recurso. como se estivessem sendo vistos e nomeados pela primeira vez. São como marionetes. 1982). em tudo avessa à forma subjetiva do romance psicológico. Choque provocado por tudo o que é mais corriqueiro: nas epopeias homéricas o mundo dos deuses. cada púcaro e cada búlgaro podendo existir ou não. Hilário descreve a si mesmo e aos outros sempre de fora: apreende apenas o seu comportamento exterior e lhes reproduz os diálogos. Contato: oliveira. A representação estilizada do mundo e das pessoas torna ambos estranhos e impenetráveis: “Os seres humanos tendem a tornar-se objetos sem alma entre objetos sem alma”.66 da Bulgária ou Pelo Menos dos Búlgaros). Ficcionista. São eles que comandam os demais. Contato: sinvaldo_adm@yahoo. empregado para deformar a perspectiva do narrador tradicional. mas nesse ponto assemelham-se todos. aqui o seu contrário. o tom satírico – o ponto comum a ambos: o choque.com. Expedito e o psicanalista – ficam sempre em segundo plano. jamais penetrando na sua alma. Todos esses coadjuvantes são representados como se fossem meros objetos. aqui temos o fracasso de semelhante empreitada conduzida pelos anti-heróis da classe média tupiniquim. específico. ou porque ele não a conhece ou porque ela simplesmente não existe. o estranhamento que os seres humanos e os objetos do cotidiano provocam. em que se sucedem os fatos. porque é a antiepopeia das expedições exploratórias. inédito em livro. Lá o tom épico. para todos os efeitos. a expedição à Bulgária. Nelson de Oliveira (Brasil. sendo que as situações cômicas ganham mais intensidade graças a esse fato. Página ilustrada com obras de Unica Zürn (Alemanha). O púcaro búlgaro é a única epopeia possível nos tempos modernos. sua rotina pouco rotineira e sua ética particular. seu gato de estimação. propõem e organizam. artista convidada desta edição de ARC. em maior ou menor grau: os dois protagonistas e os coadjuvantes.

cuando Ludwig estuvo visitándolo en Buenos Aires en 1968. un crítico de arte y poeta que vivía en París. (Yo misma sigo joven. Jaguer lo apoyó y ayudó en su tarea. a estas fechas hace 45 años. pero ya no se me nota. Contó su sueño a Simone. Este sueño de Jaguer. No había entonces Internet ni nada que se le pareciera y no teníamos otra fuente de información para guiarnos sobre qué había hecho Jaguer antes de nosotros conocerlo ni qué planes tenía en esa época. líder del movimiento surrealista argentino. y tampoco ayudaban a que éstas se divulgaran. el poeta. La carta se fue poco antes del fin del año. un especie de órgano interno de los que participaban en el surrealismo de los setentas). y fue ella quien le recordó que ese era el nombre del escritor cuyos poemas habían leído hacía poco. Por mi contacto con él “entré” en el surrealismo. los textos de los poetas surrealistas tanto de Europa como de América Latina. Con unos boletos baratos viajamos en junio hasta Amsterdam. A principios de enero recibimos la respuesta de Edouard Jaguer [1] quien nos contaba que en los días entre Navidad y Año Nuevo (periodo en que descansaba el correo francés) había tenido un sueño en el que veía una enorme cantidad de correspondencia que entraba por la ranura de la puerta de entrada de su departamento y que entre todos los sobres había uno que venía de un tal Ludwig Zeller. es decir. me empuja a seguir adelante y me mantiene en contacto con artistas y escritores jóvenes.) Ludwig Zeller tiene la costumbre de hacer todo cuando se lo dicta alguna motivación interior. cuando él (Pellegrini) estuvo juntando material para su antología de la poesía surrealista. lugar en que conocimos a Frida y Laurens Vancrevel. El esfuerzo de llegar ahí fue de triple característica: intelectual –en nuestro contacto postal en los meses precedentes entendimos que compartíamos mucho con Jaguer–.. ni Ludwig ni yo teníamos una idea clara de quién podía ser Edouard Jaguer. este evento dentro de la más pura tradición del azar objetivo tan caro a los surrealistas. con un buen sueldo. me hice consciente de sus repercusiones. pero que yo misma no había llegado a articular. en traducción francesa de Jean-Louis Bedouin. En diciembre de 1974 me dijo de repente un día que quería escribir una carta a Edouard Jaguer (1924-2006). su compañera. . encontré en el surrealismo la expresión de un modo de vida que intuía. emocional –este fue un viaje histórico para ambos. cosa que se nos hacía factible ya que yo llevaba varios meses trabajando en Sheridan College. Este fue un vuelco en mi destino. De Amsterdam tomamos el tren a París y tras esfuerzos enormes llegamos con nuestro cargamento de publicaciones.67 | Reencuentro con Edouard Jaguer impulsor del Movimiento Phases SUSANA WALD Vivo con Ludwig Zeller desde diciembre de 1966. en el Bulletin de Liaisons Surréalistes (que era una revista de circulación muy restringida. Cuando me dictó la carta. nos decidió a planear nuestro primer viaje a Europa. Vale mencionar que entre los que participaban en el surrealismo en 1974 habían distensiones y los surrealistas que estaban publicando el Bulletin no colaboraban en las actividades que organizaba Jaguer. a París específicamente. El surrealismo me alienta. con quienes estábamos ya en contacto a través de nuestras incipientes publicaciones a cambio de la revista que ellos hacían y que se llamaba Brumes Blondes (esto nos hacía suponer que Frida sería una mujer rubia.. sus postulados. cuya dirección le había sido dada por Aldo Pellegrini. cosa que no era el caso). dibujos y esculturas de cerámica al departamento de los Jaguer. collages. Aldo Pellegrini le había dicho a Ludwig que Jaguer se interesaba en el surrealismo latinoamericano y que.

una buena relación con Breton. 1954). Una de estas es la de Marcel Fleiss. Granell a quien nos ha unido una amistad profunda. Jaguer tenía interés especial en hacer contactos entre surrealistas de lugares muy diversos del planeta. A través de las presentaciones de Edouard Jaguer. los Jaguer estaban por completo comprometidos con sus ideales. La revista se financiaba con la venta a precios elevados de los ejemplares especiales de cada número que incluían obra original. Tenía muy buena relación con varias galerías. Percibíamos que. Además vendía obra de arte a particulares. La hechura de esta elegante revista era obra de Jaguer. así como publicaciones de textos y obra artística del surrealismo internacional en nuestra editorial. repitiendo: Ludwig et son coca. Fue un encuentro que nos pareció inmediatamente de cercanía. que se llama 1900-2000. Rikki Ducornet. el rumano Perahim. como Mayo. A su vez Jaguer nos incluyó en las exposiciones y publicaciones de Phases. Gérard Legrand o Abdul Kader Al Janaby. Oasis Publications (1975-1994) y nuestra revista El Huevo Filosófico. Conocimos ahí la obra del italiano Baj. También fue Edouard Jaguer quien me presentó a Michel Cassé en cuyo taller hice tres litografías. de empatía que cimentó nuestra colaboración con el grupo que rodeaba a Phases y que lidereaba Jaguer. Al incorporar el abstraccionismo en el surrealismo. Esta postura no era aprobada por André Breton quien había excluido al abstraccionismo de su propio movimiento. en 1949– y físico. franceses como Suzanne Besson. con postulados que apoyábamos sus participantes. Georges Goldfayn. Fuera de aliento al límite de la apoplejía caímos en los brazos de los Jaguer quienes nos recibieron con comprensión y mucha calidez. al igual que nosotros. F. humilde. ascendimos las escaleras de la loma llamada les Bûtes Chaumont. españoles y de otros países en galerías de Toronto y sus alrededores. el alemán Richard Oelze. con sus cartas de introducción y llamadas telefónicas.68 Zeller iba a Europa por primera vez y yo volvía ahí por primera vez desde que mis padres emigraran de Hungría. y no . Esto no significaba sin embargo que el joven Jaguer no tuviera. Fue Edouard Jaguer quien nos facilitó nuestro memorable primer encuentro con Arturo Schwarz con quien nos sigue uniendo una amistad duradera. Las comidas se regaban con buen vino. en su momento. subimos seis pisos de escaleras hasta la calle. Fue en el departamento de los Jaguer que conocimos a E. Jean Pierre Vielfaure. Visitábamos anualmente el departamento de los Jaguer. en 1976. Yo Yoshitome y John Digby. Los Jaguer estaban dispuestos a invertir todo lo que tenían en su tarea de impulsar el movimiento. Jaguer tomaba cerveza. Donde los Jaguer respirábamos un ambiente cálido. Roger Galizot. Y lo lograba con su revista Phases. Guy Ducornet. John Schlechter Duvall. él mismo obtenía todos los materiales que ahí se incluían y hacía su diseño gráfico. Era un Movimiento (iniciado en 1952) en todo el sentido de la palabra. el escandinavo Freddie. y produjo que organizáramos exposiciones de surrealistas franceses. y a poetas como Petr Král. Philip West. Marie Carlier. Esto último en alto grado: fuimos con nuestra carga en metro hasta la estación Simon Bolivar. [3] pero absolutamente repleto de una increíble colección de arte. entregados a la tarea de promover la poesía y el arte visual. en cuya cumbre estaba el edificio en que vivían los Jaguer [2] y luego subimos otros cuatro pisos de escaleras para llegar al departamento. Los Jaguer poco viajaban fuera de Francia. Zeller y yo conocimos a personas que luego fueron y son amigos cercanos. Jean Marc Debenedetti. para disminuir su ingesta de alcohol y se burlaba de que a Ludwig le gustaba tomar Coca Cola. Jaguer tenía un negocio que fabricaba hebillas de cinturones. Phases proponía abrir una nueva dimensión dentro éste. Siempre nos esperaban con buena comida (la bonne bouffe. y Guy Roussille y otros que con el tiempo incluso se convirtieron en amigos cercanos. [5] Phases no era tan sólo un revista. generalmente de pequeño formato o grabados de los artistas que se publicaban. decía Jaguer) o con alguna cosilla especial para acompañar el estupendo café que preparaba Simone. Jaguer era poeta y ensayista-crítico y sus artículos sobre artistas de lugares muy diversos se publicaban en libros o en revistas italianas como Terzo Occhio y de otros países. de pequeñas dimensiones. [4] además de la propia revista Phases (primer número.

en Brasil. Tampoco me dieron una dirección exacta. pero no pude obtener una dirección exacta. Simone firmaba su obra visual. Esa fue una aventura gratísima. Vimos la humildad en que había vivido Trotsky. sus cuartos. En esa muestra participaron. junto con artistas mexicanos. Zeller y yo exhibimos varios de nuestros mirages. en la Ciudad de México. Uno de éstos últimos fue el que emprendimos con Simone y Edouard quien pidió que buscáramos la casa de Trotsky en Coyoacán. Contábamos con la buena voluntad del taxista que nos acompañó en esta expedición. Una cocinera experimentada me ayudó a armar la comida con delicias que compramos en el mercado adonde me llevó. había participado con un grupo de Resistencia francesa en contra del nazismo y la invasión de Francia. para cuando nuestra visita. Jaguer. Y nos explicó que el lugar lo estaba cuidando un grupo de trotskistas dedicados que trabajaban completamente voluntarios y sin recursos económicos para mantener apropiadamente el lugar. Fue una comida muy bien regada. organizaba muestras en diversas ciudades de Francia y otros países. con sonrisa siempre a flor de labios. pescado a la veracruzana y no sé qué otras cosas. los así llamados collages revestidos. según él. Quien nos guiaba nos mostró con lujo de detalles cómo había sido el ataque a Trotsky. desde la espalda. Ofrecí. Nuestras cartas fueron siempre respondidas en tiempo muy breve. con el nombre de Anne Ethuin. Compartíamos emociones. desde joven idealista y luchador. Tanto Simone como Edouard mantenían un flujo constante de correspondencia con muchísima gente y escribían cartas extensas. como todas las que tuvimos en los muchos años de nuestros viajes y paseos.. Edouard Jaguer. La casa en es época aún no era museo. Simone. Los cuatro estábamos conmovidos y muy callados. era tolerante con sus entusiasmos por las mujeres más jóvenes que ella. con mucho sentido de humor. que alguien lo tocase. Ahí pregunté de nuevo dónde estaría la casa de Trotsky. Esa visita resultó muy emocionante. la recorrimos con cuidado.. Agradecimos el privilegio de poder recorrer las habitaciones y salimos igual de callados y algo melancólicos para volver al taxi que nos había llevado hacia esa puerta. Indagué dónde estaría. Tras nuestras vueltas a Toronto nos mantenían al tanto de los eventos que se desarrollaban en París y también otros lugares de Europa. Era un hombre buen mozo. Los Jaguer. Sabíamos que tenía que estar cerca. a la casa de Frida Kahlo y Diego Rivera. sin desintegrarse. Hicimos mole poblano. Habíamos dejado obra en su poder y con esas participábamos en esas muestras. Se realizó en el Museo Carrillo Gil. Con el café serví unas obleas de colores . Una de las actividades de Phases nos llevó a nuestra primera visita a México en 1979 para la inauguración de una exposición en honor de Wolfgang Paalen que organizaron Saúl Kaminer y Edouard Jaguer. Era muy sensual y su mujer. salvo cuando Edouard estaba montando alguna exposición de Phases. el director del Museo de Arte de la Universidad de Sao Paulo. Le expliqué que la pareja que venía desde París.69 hacían mayores viajes dentro de Europa. apoyado en la incansable Simone. La planeación de exposiciones y publicaciones fluía en forma continuada. Partimos hacia las calles indicadas y preguntando casa por casa dimos por fin con la que buscábamos. quien nos albergó con mucho cariño en la Colonia Roma. su escritorio rodeado de estantes de libros en que se apilaban principalmente diarios cuyo papel. Fue una visita que nos acercó una vez más a los Jaguer. Estaba cerrada. Ludwig y yo. Decidimos por lo tanto ir los cuatro. estaba tan avejentado que a todas luces no podría soportar. primera experiencia de ese tipo que tuve en México. como Walter Zannini. o la dueña de una galería de Bruselas. en casa de Manuel Perló. con ojos muy brillantes que escudriñaban con mucha intensidad y rapidez. que nosotros que veníamos desde Canadá. la mayoría de los integrantes de Phases. pero sí una vaga idea que quizás la calle tal y tal. una comida en honor de Jaguer y Kaminer con los principales participantes de la exposición. Al departamento de los Jaguer llegaba una gran cantidad de personas. Otro evento memorable en México se dio cuando conocimos por primera vez los refinamientos de la cocina mexicana. pero insistimos en golpear la puerta hasta que asomó un hombre armado. andando casi de puntillas. Nos dejó entrar.

Recuerdo que en alguna oportunidad los invitamos a un restaurante elegante en París en agradecimiento de la hospitalidad impecable que ellos nos brindaron en todo momento. . recorriendo notas de cuadernos de los años en que lo conocí. Era invierno. el pintor checo). Por lo que sé al final de su vida estuvo ciega. Si esto fue verdad o una broma suya. Conversamos mucho. La cálida personalidad de Jaguer y su dedicación total al Movimiento que creó hacen de él una figura singular y un muy importante impulsor del surrealismo. en el tipo de vida que trasciende lo físico y lo efímero. marrons glacés. Sus muchos ensayos presentaron con claridad sus ideales y sus conceptos en libros sobre artistas como Remedios Varo o Jules Perahim. amarillo. un libro único en un grueso papel fino de color celeste pálido que se vendió en París. como Jaguer llamaba la zona al norte de París. Era un juego casi como de adolescentes desobedeciendo los deseos de sus mayores. Entre las muchas cosas que hicimos hay un libro. También publicamos en nuestra editorial poemas de Jaguer traducidos al castellano y al inglés con ilustraciones mías. Visitamos el taller de un artista. por su entusiasmo por el automóvil de marca llamada Jaguar. NOTAS 1. en el “pays de Nerval”. entre ellos Vincent Bounoure. Les assises de la grêle. sino años más tarde. enormes. livianos. Que estas emociones puedan darse es señal de que Edouard Jaguer sigue vivo. pero contra su gusto –porque habíamos decidido no participar en las peleas internas de lugar alguno–. Ese afán controlador de Jaguer nos irritaba levemente y también nos entretenía.70 netamente mexicanos –rosa. Sin embargo no fue entonces que vi a Jaguer por última vez. Pero su visión interior tampoco se vio disminuida.aún muy joven. o sobre asuntos como la fotografía. visitamos a varios surrealistas. con ilustraciones mías en tintas y lápices de color. El apellido de Jaguer es un seudónimo que él adoptó -según me contó. Fue el fin de un periodo de trabajo febril de colaboración con el Movimiento Phases. Nuestra última visita regular a París se dio en 1986 cuando se hizo evidente que los precios europeos eran demasiado onerosos para nuestro presupuesto canadiense. También emprendimos un breve viaje con los Jaguer. en el auto que él manejaba. A Simone y Edouard les gustaba tanto el buen comer como a mí misma. como en muchos lugares. Mi reencuentro con Edouard Jaguer se da mientras escribo estas líneas que me brindan momentos de alegría y cálidas emociones. Ese mismo viaje nos dio ocasión para aventurillas que sólo se puede tener en compañía de quienes conocen bien una región. cuando desde Toronto viajé en auto hasta la Galerie Lumière Noire de Montreal que organizó una exposición de sus dibujos. (que puede traducirse como: “algo con que distraer las fauces”) que me divirtió muchísimo. tiempo de castañas frescas exquisitamente preparadas. no sé. Annie Lebrun y Radovan Ivsic. Viajar con los Jaguer fue muy agradable. Esta es una obra juguetona con la que se entretuvo Jaguer toda su vida. hay constantes distensiones entre surrealistas con diversos puntos de vista. A nuestra vez gozábamos en trabajar con él y para el Movimiento. Muchos nos beneficiamos con su generoso apoyo. Fue en esa ocasión que aprendí de Jaguer la expresión que se les da a las entradas: “amuse gueule”. con pepitas de calabaza en su interior. En los viajes se prueban las amistades. En París. Simone sobrevivió a Edouard varios años. Jean-Louis Bedouin (en cuya casa estaba de visita Martin Stejskal. bocaditos que costaban fortunas. doblados en dos y pegados con azúcar. conformado de un poema de Jaguer. comimos bien en pequeños lugares que ellos conocían. A Jaguer le gustaba controlar celosamente a los que colaboraban con él. verde. en esa oportunidad los amuse-gueles fueron carnes frías y embutidos servidos en un canasto y pan con que nos entretuvimos mientras el chef preparaba nuestros platillos. azul–. de esas que venden en los tianguis y que para los que estaban en el país por primera vez eran el colmo de lo exótico. Fue muy variada nuestra colaboración con los Jaguer.

com. 3. Salamandre. Otras revistas en que aparecían los artículos o poemas de Jaguer: La Main à la Plume. Canadá y México. Canadá. Contacto: susanawald@yahoo.br/BHCAlivro07. La Revolution la Nuit. a pasos de la casa en que había nacido Jaguer. Francia. Venezuela y México. Bélgica. fue artista invitada de Agulha Revista de Cultura # 17: www. 1975.htm. dibujo. En el Proyecto Editorial Banda Hispánica se puede leer su libro Intuiciones y obsesiones (2010): www.jornaldepoesia. pintura y teoría de la creatividad en las artes.jor. Alemania. XXième Siècle. Segunda Serie. Susana Wald (Hungría.revista. Il Gesto. Aparece obra de Zeller y Wald en Phases # 5. La Nef. 1937). Supongo que tenían una de esas camas que durante el día quedan dobladas o escondidas dentro de un muro. Aujourdh'hui.agulha. COBRA.nom. Ha realizado trabajo como docente en Chile. Boa. Diseñadora gráfica. Islandia. 5. artista invitada de esta edición de ARC.pdf. Les Deux Soeurs. Le Surréalisme Révolutionnaire. Página ilustrada con obras de Unica Zürn (Alemania). . La Tour de Feu. 4. traductora literaria y escritora. En octubre de 2001. Ellébore. La Brèche. Nunca pude descubrir dónde dormían Edouard y Simone. EUA.71 2. enseñando principalmente cerámica. Ha realizado exposiciones individuales en Chile. Rixes. En 24 rue Rémy de Gourmont.br/ag17wald.

que ella envuelve e ilumina con el halo de lo maravilloso. perturbadora. . colmada de imágenes alucinadas y situaciones inverosímiles –la suya fue una literatura de imágenes no de palabras–. su vida con el célebre escultor Hans Bellmer –signada por las ininterrumpidas estancias en asilos psiquiátricos–. Unica Zürn Referirme a la vida y obra de Unica Zürn. me supone un doble placer estético: por un lado volver a releer su breve aunque muy singular prosa escrita.72 MARÍA PRADO | Unica Zürn: “mitad mujer. primero a través de su arte. Está delante de una mesa. ninguna puerta. meditando sobre lo inaccesible. luego por intercesión del amor –su convivencia con el hombre jazmín o lo que es igual su alter ego el célebre escultor Hans Bellmer–. multiplicándose hasta el infinito motivos y texturas. mítico. extralimitándose peligrosamente. ese territorio perdido. me la he pasado durmiendo. Y será a esa casa de la infancia. lo que significó su tan difícil e inusual búsqueda. esperando un milagro. a la escasa edad de cincuenta y cuatro años. creando un universo paralelo. No ve a nadie. el resto. y. con marco de caoba. En la mesa hay una tarjeta pequeña y blanca. Pero para estructurar un poco la disertación. La puerta de la casa está abierta. desconcertante. una búsqueda fallida. y su etapa cúlmine de inactividad creativa que acaba fatalmente en suicidio LA “PUERTA–ESPEJO” | “A los seis años una noche un sueño la lleva al otro lado del espejo alto. porque se trataba –como se comprende a partir de la lectura del resto del relato– de la persecución de un ideal imposible. propagándose poco a poco por la suave superficie blanca como las finas ramificaciones de un árbol. Detrás sólo hay pared. figuraciones arborescentes desplegadas sobre la hoja que recuerdan un poco los elanes aditivos y golosos de la naturaleza al crear: un rostro brota de otro rostro. Ella entra y se encuentra ante una escalera que sube al primer piso. quimérico: el retorno al tiempo entrañable y mágico de la infancia. inalcanzable ya para siempre. ejecutados en tinta china con infinita paciencia y minuciosidad. Grunewald 1916–París 1970). El espejo se convierte en una puerta abierta que ella cruza para salir a una larga avenida de álamos que conduce en línea recta a una casa pequeña. Cuando toma la tarjeta para leer el nombre escrito en ella. finalmente. nos sugiere muy acertadamente Menchu Gutiérrez –la prologuista del libro–. un cuerpo de otro cuerpo. cuando su esquizofrenia le revele que ese mundo perdido es irrecuperable. retornar al disfrute de sus muy delicados y esmerados dibujos automáticos. y más precisamente a ese jardín. recurrirá a su autoinmolación arrojándose al vacío desde el balcón de un piso en París. fragmento que tal vez pudiera ilustrar de manera muy plástica y en pocas pinceladas. pintora y escritora alemana (Berlín. espacio idílico donde la realidad y la fantasía confluyen y ya no son contradictorias. se despierta. que nunca obtendrá de él más que efímeros y muy escasos reflejos de ese espejo absoluto –sus alucinaciones y sueños–. desde luego.” Así comienza este prodigioso diario del delirio titulado El hombre jazmín (2006). al que intentará retornar una y otra vez. por otro. que cuelga de la pared de su habitación. La impresión de este sueño es tan fuerte que se levanta y aparta el espejo hacia un lado. me gustaría marcar una distinción entre tres etapas bien claras y diferenciadas en la vida de Unica: su infancia. mitad serpiente” La mayor parte de mi vida.

es insoportable. Cuando la hacen prisionera. Tan dispuesta se muestra a gozar de una surtida selección de jabones de colores. El juego se hace peligroso. los bandidos se convierten en indios que atan a su víctima al poste del martirio y le disparan flechas. se ausenta largos períodos. ella advierte con dulce desconsuelo que el padre casi no para en casa.” ¿PERO CÓMO ERA UNICA DE NIÑA? | En sus cuadernos de infancia. viaja por el Medio Oriente. con largos y desgarradores gemidos. y eso es lo que a ella le gusta. Unica se nos revela como una niña de exquisita y asombrosa sensibilidad. lloran al hijo perdido. a base de alaridos.” En otro pasaje del libro en que el juego se desenvuelve con idéntica pasión y naturalidad pero esta vez con la participación de dos niños. lo que se advierte asimismo en este diario es el ingenio de una niña dotada de una increíble y profusa imaginación. Sube y baja las escaleras.73 “Por enésima vez. Encienden fuego. Ella tira de sus ligaduras y siente con gusto como se le clavan en la carne. Se ponen unos trajes árabes de seda que su padre ha traído de Oriente. casi todo. La vida monótona y protegida de la familia resulta aburrida. “Ella no sabe que hace él durante aquel tiempo.” . tan cerca que su vestido empieza a arder. tragedia inventada por ella. resulta imposible no encontrar aunque sea una frágil “semilla” de lo que sería años más tarde la Unica adulta. capaz de expresar todo el dolor del mundo y que nadie entiende más que ellas. Son una pareja real: padre y madre que. Han dejado la habitación a oscuras. y todo está permitido con tal de mantener la emoción. repetirá hasta la saciedad. sin la desgracia. una orgullosa española. El dolor y el sufrimiento le causan placer. y las dos interpretan la horripilante y dolorosa historia del “hijo perdido”. recorre las doce habitaciones y contempla el fuego en la chimenea del salón. Es un lenguaje sólo de vocales…En todos sus juegos dominan el horror y el peligro. adornados con pasamanería dorada. (…) No ha superado el dolor de tener que dejar aquella casa. Es de noche y están en el desierto. Las niñas han inventado un lenguaje doliente. tan gustosa y propensa a las prácticas masoquistas: “Juegan a los bandidos y la princesa. Ella experimenta la atracción que ejercen los ausentes misteriosos. Le tiran del pelo. perdida en ensueños masoquistas en los que no caben pensamientos de venganza ni desquite. y esto lo descubrimos a través de los muchos juegos que emprende con otros niños de su misma edad en los que prevalece casi siempre el elemento trágico o sadomasoquista: “Aquella tarde viene a verla su amiga Elisa Urquiza. Ellas se entregan sin reservas al drama. La vida. Le vendan los ojos. La pellizcan y la golpean. la obsequia alegremente con souvenirs y otros regalos exóticos que recoge de estos viajes. (…) Es un ejercicio de la memoria que. como a disfrutar de los angustiosos y muy sutiles matices derivados de las numerosas partidas y ausencias de su padre: A medida que crece. desde el día de la subasta en la que todo. La princesa se esconde entre los arbustos para huir de los bandidos. a recrearse con la mirada en los finos encajes de lencería de la criadita Frieda. pasea con el pensamiento por la casa y el jardín de Grünewald. entre lo que ella creció fue vendido. Ella no deja oír ni una queja. Acaricia los muebles asiáticos y árabes que su padre ha traído de sus viajes y convierten la casa no en un museo sino en una cueva encantada en la que la fantasía se exalta.” Aparte de una mirada atenta y sensible muy proclive a los detalles. Sufre en silencio. Primavera sombría (2005).

Está acalorada y despeinada. pero le desprecia porque no es más que un estúpido de dieciséis años. con sus vestidos de seda de colores. decide surcar las distancias que la separan de su amor platónico –aquél joven bañista que ama a los niños y cuyo cuerpo reluce bajo la luz del sol– encaminándose con férrea convicción –sorprendente a tan corta edad– hasta su modesto y desconocido apartamento: “Ella vive en Grunewald. La gente la aturde. como se comprueba en el siguiente párrafo en el que ella.” (Vacances à Maison Blanche. Con la cara impasible y un silencio alarmante. Ella le desprecia porque no es más que un chiquillo. Se encuentra fea y desastrada. La pobreza y la desgracia entran por la puerta grande el día que su hermano la viola. Él se mueve rápidamente arriba y abajo.” Sin embargo. en el interior. llevará esos queridos recuerdos en su interior como una espera preciosa. pero él es más fuerte. Muchas… ¡sí. el retorno a aquél edén añorado: “una infancia que. Podría añadirse a este breve bosquejo. en la que hermosas mujeres. descoincide claramente con la intrépida Unica de posición más o menos acomodada del principio. Sabe lo que va a hacerle. la muchacha sonámbula que se pasea peligrosamente por la viga (“La muchacha que se paseaba . 2006). eterna espera de que el milagro se realice. con la electrizante amenaza de una tormenta en el aire. sentadas en las terrazas de los cafés. Ellas llevan anillos y pulseras. Cuántas veces he deseado que mi hijo sea mi padre. Camina de prisa y con la cabeza baja. su hermano entra sigilosamente en su cuarto y la echa sobre la cama. la mayoría de sus exóticos cuentos que tendrán como protagonistas principales a niños y adolescentes: una humilde costurera que al despertar se ve transfigurada en maniquí (“El encantamiento”). un barrio de chalets de las afueras. Llega a una zona elegante de la ciudad. el ocaso económico se precipita. por ejemplo. Sacan la barra de labios y se pintan. él se desabrocha el pantalón y le enseña aquel objeto que tiene entre las piernas y que ya es muy largo” Ella siente curiosidad y miedo. que mi hija sea mi madre. desde el principio de la novela notamos como el ambiente que se respira en su casa se enrarece tornándose hostil y sombrío. con vestidos caros. tremenda y conmovedora hasta las lágrimas. Le da vergüenza que él haya de verla así. muchas! Ser adulta. vista desde fuera. La Unica del final de Primavera sombría. enseñando zapatos de tacón alto y fino.74 Pero no todo será diversión para la pobre Unica. se ha detenido en el espacio de un segundo y que. mi locura. punto de inflexión en la novela que marca el final de una etapa y el comienzo de los primeros y muy decepcionantes escarceos amorosos: “Una tarde de aquel julio caluroso y pesado. al lado de aquellas señoras de la ciudad. toman pasteles de nata. sin el permiso materno. Ella siente un dolor punzante y nada más. Ella se resiste con furia. eso no lo consigo y no puedo cambiar: yo no puedo cambiar esta espera. Lleva el vestido de verano más viejo que tiene. su casa se subasta. y abren y cierran bolsos relucientes con un chasquido metálico. Ya le está un poco pequeño. El camino es fácil…Ella va cada vez más aprisa y el camino no se acaba. Unica no renunciará jamás a su infancia. Ella lleva las sandalias viejas y rotas y va sin calcetines. puesto que el verdadero deseo que prevalecerá siempre en ella será el regreso. No mira a la gente a la cara. Los coches le dan miedo. no cesa de reinar. a pesar de estos dolorosos comienzos en la adolescencia. Cruzan sus piernas de seda.” Tras la separación. que toda la obra de Unica sumirá sus raíces en la infancia. y en líneas generales. Está avergonzada y defraudada. de la infancia versarán. Es un mundo condenado a la disolución: Sus padres se separan. preciosa aunque con claros sesgos de insatisfacción.

existe realmente o sólo pertenece al mundo de sus fantasías. Hans y ella compran una pequeña . La exposición dura algunas semanas y ella vende algunas obras… Eso la motiva para próximos emprendimientos.” Mucho tiempo después de la pérdida de su casa. Estos preparativos. la encantadora trapecista de malla roja y zapatillas de terciopelo azul que se enamora del pez de plata (“Gina y el pez de plata”). ¿QUIÉN ES EL HOMBRE JAZMÍN? | En un primer momento y según nos relata Unica. Y las plantas que emergen espontáneamente del papel frotado. se encuentra frente al hombre jazmín. Al ver el retrato. con los juegos de la infancia. “Y entonces aparece por primera vez la visión: ¡el hombre jazmín! Infinito consuelo. la cual vale por sí misma para impregnar de clima y de ensoñación todo el resto del relato. la selección de obras y de invitados así como el colgado de las mismas le procuran un gran placer. Así queda reflejado en este delicioso extracto de Vacances à Maison Blanche: “A poco de vivir juntos él decide hacerle un retrato. Aquellos ojos azules son más hermosos que todos los ojos que ella ha visto. Y ella se casa con él. Fascinación que a través de los filtros invisibles del amor no tardaría mucho en germinar para transformarse en productividad. El nacimiento de este cuadro suscita en ella el deseo de aprender la técnica de la pintura a óleo. con la única diferencia de que no está paralítico ni se encuentra en un jardín lleno de jazmín en flor. Aquel hombre se convierte para ella en la imagen del amor. Poco a poco. ¡Es paralítico! ¡Qué suerte! Él nunca abandona el sillón de su jardín donde florece el jazmín incluso en invierno. cuyo vientre es el centro de su vida interior. el escultor Hans Bellmer–. en los que ya se advierte una clara predilección por lo sobrenatural y lo oculto. Man Ray y su mujer Julie. está montado sobre una placa rodante. el pintor Victor Brauner. a partir de aquel día. A la inauguración asisten los filósofos Jean Wahl y Gaston Bachelard.” Unica sentía hacia Bellmer una gran y profunda admiración. ella empieza a perder la razón. Una nueva pasión va a nacer. Es tan fuerte la impresión que le produce el encuentro que no puede superarla. representando varias imágenes a color. si este personaje maravilloso. el hombre jazmín se le aparecerá una vez más –pero ahora ya no como una ilusión sino que encarnado en la figura de una persona real. y busca una nueva técnica para preparar el fondo. sí. el hombre jazmín se le aparece a los seis años como un habitante idílico de su jardín de Grunewald. André Breton acompañado de la joven Joyce Mansour. la pareja de adolescentes que vive feliz en una cabaña del bosque hasta que un atípico pez viene a desgarbar sus vidas (“En el lago negro había un pez negro”)… Son todos éstos cuentos de un gran optimismo y una graciosa espontaneidad. con la fragancia de su infancia. que aparecen una por vez cuando se mueve la placa. regresa para restituirle su mundo: “Días después. Hans le organiza una exposición en la rue Mouffetard para que ella muestre sus dibujos y cuadros. forman el viejo jardín de Grunewald bajo una ardiente puesta de sol. con caderas voluptuosas. ¿Quién le aconsejó crear postales animadas? Probablemente Hans. La galería es pequeña e íntima. toda la leyenda de su vida. La primera carta postal que ella crea representa un cuerpo de mujer sin cabeza. Aquel hombre es idéntico a su visión infantil. Poco importa aquí. el niño retrasado que pasa sus días recluido en un hotel para ganarse la vida (“Botones”). ella experimenta el primer milagro de su vida: en una habitación de París. Con un profundo suspiro se sienta frente a él y le mira. ella reconoce el rostro de su infancia. un poco cansado de la decalcomanía…– Él está habitado por los rasgos de este rostro que lleva en la piel. Lo que sí interesa es la magia que de él deriva.75 por la viga”).

ve el Buda indio del templo de las rocas –el gran dragón chino bordado en oro y plata sobre terciopelo negro–. ella puede distinguir el interior de las habitaciones a través de sus muros. se ve moverse. Todas serán presentadas más tarde.” (Vacances à Maison Blanche) LAS ALUCINACIONES | Pero el hombre jazmín no sólo se constituye como “arquetipo” de hombre ideal. todo va bien. el hombre jazmín habría seguido siendo sólo un sueño hermoso y dulce. en los momentos de mayor necesidad. incomprensible y sospechoso–. por debajo. de hecho fue él quien la incentivó y la arrojó a la escritura de “El hombre jazmín”: “Mientras que ella trabaja. con su aparición empezó la locura. por la ventana abierta de par en par. bañada en una luz verde esmeralda.76 botella de barniz y barnizan ligeramente la postal. quién responde enseguida con un pequeño dibujo a color. entró en su niñez como un gran ejemplo para salvarla del mundo de los mayores. ella decide hacer un pequeño atlas anatómico desplegable: debajo de cada órgano se encuentra escondido otro. que ella llama en secreto “lágrimas negras”. Esta carta será para Jean Arp. son estímulos propicios a la creación. el hombre jazmín –la vieja visión que. Sí. “Ah. Después. como una fata morgana nocturna. la casa de Grunewald en la que ella vivía de niña. son infinitas. una pareja. organizada en la librería del editor Eric Losfeld. Ella trabaja con destreza y precisión. la fe que ella tiene en las dotes sobrenaturales de aquel hombre. sobre el mismo coloca una hoja roja de otoño. ¿Quién es el que. direcciones de fantasía. le hace el obsequio de esta alucinación? ¡Él! La confianza. ¡Qué días más hermosos y qué hermosa promete ser esta noche! Cuando oscurece. si él no hubiera aparecido. en su arte sublime para iluminarla por completo. Naturalmente para Hans. de hombre soñado al cual ella aspira y admira. Sobre un fondo negro.” Los dos artistas se comprenden y se compenetran bien a la hora de crear. y la mujer cuyo imaginario se desarrolla en su vientre. ella fabrica una carta postal erótica. Ella se siente en armonía con ella misma y experimenta felicidad cuando cada uno dibuja sentado a su mesa. lo que le confiere un aspecto precioso y reaviva los colores. también se prefigura como el detonante de un mundo absolutamente irreal y extraordinario que eclosiona asombrosamente en el seno mismo de su realidad cotidiana. inspirada por la minuciosidad que aporta Hans a sus cuadros. él le aconseja insertar un pequeño hilo blanco pegado en el ornamento del dibujo. será para Ernst Schroder. contempla la avenida de los plátanos que luce verde a la luz de las farolas y allá. en los que queda claro que ella responsabiliza al hombre jazmín de estas alucinaciones creyendo concienzudamente que él la hipnotiza en la distancia. para transformarla. con su amor sobrehumano. Ella lo consigue. Ella dibuja las estampillas para cada una de estas cartas e inventa para algunas. la lámpara árabe con su luz dorada. o al menos así se desprende de la lectura de varios pasajes de su novela. cuando se tira de una lengüeta. El rumor ligero de la pluma que se desliza sobre el papel en el silencio. el atlas anatómico para Victor Brauner. disimulada por una puntilla negra. Pero con la aparición del verdadero “hombre blanco” (ella no puede llamarle de otro modo ya que irradia una blancura imponente e irresistible). una pequeña ventana y pinta este recuadro de negro. (¡Qué magníficos regalos le ofrece la locura!) Se alimenta exclusivamente de las frutas más hermosas del otoño: las uvas negras. aparece. Después ella recorta. este cerebro de polluelo no puede resistir mucho…” “Sensación de felicidad. Pero esta . al fondo. Para otra carta postal que ella comienza a elaborar. se hace transparente. en una exposición sobre surrealismo. de ingravidez. infinitas. y el ruido más dulce aún del lápiz. roja y verde.” “¡Qué programa ha imaginado para ella! ¡Qué gran director! ¡Qué maestro de la escenificación de milagros! Esta casa. sin decir palabra.

dotados de una exacerbada irrealidad en los que se aprontaba a explorar los límites de lo maravilloso. adónde puede ir? Tiene que descansar en algún sitio. ocasionándole más de un problema: “Sale a la calle sin saber a dónde ir. La falta de descanso y comida la ha debilitado. recorté al bebé rojo y lo saqué del dibujo del infierno. sospechan que ha perdido la razón. Sólo cuando se haya lavado el cabello. En realidad. Un desequilibrio que acaso ya padeciera en la infancia.” No obstante las dificultades. Las otras dos la miran compasivas.” Cabe señalar. pasiva. sino una mujer sibarita. le será posible volver a encontrar en el espejo su cara infantil. que se mostró la mayor parte de su vida –y siempre que pudo– dispuesta a gozar de esos delirios. Y entonces –renace la esperanza–. qué contenta estaba! Fue la única vez en mi vida que he salvado a alguien… – Es posible que ya estuvieras loca de pequeña –dice la pelirroja–. ¿Qué habrá hecho para que aquella gente se eche a reír? Hasta ahora nunca había conseguido hacer reír a nadie. llaman inmediatamente a la policía. ajena o indiferente al devenir de estas alucinaciones. se constituirían en la materia prima de un rico y personal imaginario que utilizaría luego para la escritura de su prosa. Yo no podía soportar la idea de que un día tuviera que quemarse. Puesto que no la conocen y desconfían. para descansar. privilegiados. En la estación ve una peluquería abierta.77 mirada al interior de la casa es breve. de gustos muy selectos. reconstruyendo mapas. le piden seis marcos y cincuenta peniques. ante estas visiones lisérgicas de una sustancia poética inagotable. aquello es para ella una pequeña fiesta. Camina y camina y se encuentra otra vez delante de la estación Jardín Zoológico. con muchos demonios y brujas. Se titulaba Hans Maravillas. No fue en ese sentido una “loca” prosaica. Ahora se ha quedado triste. y lo tapé con sabanitas blancas. intentando descifrar los hilos que la mueven. Y. a libar de esos momentos mágicos –como una abeja liba el néctar para más tarde fabricar la miel– afín de convertirlos en literatura. Sus alucinaciones. ¿Adónde. Pone a la furiosa dueña de la tienda un gran trozo de algodón en la cabeza. tenían mucho de elección estética: ella las prefería. Era todo rojo. En esos horizontes se podría acotar también que Única explotó su enfermedad como un onironauta explota el universo de sus sueños. en esa dirección. Había un gran dibujo del infierno. palpando objetos. que no siempre se producirán en la tranquilidad de su casa y en la intimidad como bien le hubiera gustado. como siempre. Lo puse en una cáscara de nuez como en una cuna. y al fin. serán más que frecuentes los casos en los que estos brotes psicóticos se desencadenen en inmediaciones públicas. se hace lavar el cabello. las paredes vuelven a cerrarse. con unas tijeras. como se deduce de este breve diálogo con las internas del manicomio de Wittenau: “– Cuando yo era pequeña… –empieza a contar ella a la gorda y a la flaca– …yo tenía un libro lleno de ilustraciones que me gustaba mucho. he oído a un gran poeta recitar una poesía dentro de mi vientre. Delante de la casa aparecen personas que se congregan como para una fiesta y suben lenta y ceremoniosamente la escalera. ¿por qué estás aquí? – Oh –responde ella con aire misterioso–. Cuando. por el lavado de cabello. Entonces Unica escucha a un cliente sugerirle a la dueña que está loca. Unica amaba su enfermedad porque le permitía arribar a esos estados sobrenaturales. ella responde tranquilamente que ha olvidado el dinero. Y. Es la primera vez que ella se planteará seriamente la posibilidad de su desequilibrio mental. asimismo sus escritos tenían . sin un céntimo en el bolsillo. La ha abandonado la energía que le hacía caminar con aquel paso alado. ¡Ah. En medio del fuego había un demonio bebé muy pequeñito. la bendice y la declara “espíritu santo”. quizá entonces aún se celebre la fiesta.

se compone de nueve letras. el médico quiere extirparle su secreto afín de curarlo. A los esmerados vuelos del delirio y la sin razón sobrevendrían arduos períodos de acuciantes crisis depresivas signadas por los continuos internamientos en asilos psiquiátricos. “el lugar de mi infancia. será a causa del 99. creando universos paralelos. La indiferencia sucede a las lágrimas y estoy muy preocupada por mi sucia consciencia. SU OBSESIÓN POR LOS NÚMEROS | Y es también conviviendo con el escultor Hans Bellmer cuando comienza su obsesión por los números. ha sido cumplido…En lo que concierne al 99 –explicar cómo lo he descubierto–.78 mucho de oráculo. De estas incesantes recaídas dan también perfecta cuenta sus estremecedores relatos de Vacances à Maison Blanche: “Cada error termina en el hospital. me revuelve el estómago. como una aspiración reprimida. ya que lo humanamente posible. por otro lado irrealizable. Pero era justamente en esa espera y no en su concreción. mi posible. Desde que un ser humano bascula en la locura. Si yo me vuelvo loca. cansina. tal vez en primavera. cuando el contentamiento y la costumbre comienzan a reinar. estos números surgen ante ella por todas partes. Por aquel entonces. tan idiota como entonces. Su ofuscación por las cifras queda bien retratada en los siguientes fragmentos de Vacances à Maison Blanche: “El 99 es como una inspiración. Ella nombra al 9 número de la vida y al 6 número de la muerte. ¿La cortina a levantarse? ¿La Belleza Terrible va finalmente a hacer su aparición? ¿Y bajo qué forma? ¿Bajo qué forma? Una forma que pruebe que la vida ha sido tan increíblemente maravillosa y que llega a su fin de ahora en más. en una parada del autobús de París. A un mismo tiempo el 99 está relacionado con su infancia. Se ignora lo que seguirá después. estos dos elevadores de puercos. grasientos e insoportables. donde ella se encontraba a veces con lo extraordinario anhelado. se siente dichosa. lo demasiado conocido. De pronto. explorado…no quiero decir nada aquí. Su preocupación por el nueve y el seis se convierte en manía. el día en que. ¿La puerta va por fin a abrirse?. de sentido profético: La niña Unica de Primavera sombría acaba tirándose por la ventana al igual que lo haría la Unica adulta cuarenta y dos años después delante de un atónito Bellmer que curiosamente terminó mudo y paralítico como el hombre jazmín de la ficción. yo no he sido nunca tan feliz como aquí en Ermenonville… pero yo no puedo terminar con el 9 –con el 99–. tengo sed de lo maravilloso. pero no ahora. Lo conocido. insuficiente–. saca del expendedor automático un hermoso 999. Lo que me interesa es mirar el paisaje por la ventana. no ahora. Languidezco. supone indudablemente unos riesgos. Yo creo que aparte de mi infancia. Me vuelvo inactiva. mejor aún. ampliando la geografía existencial para poder convivir con los amorosos espectros del deseo.” “Mientras que me obstino en esperar un acontecimiento. en especial por el número nueve. Grunewald.” DEPRESIÓN–INTERNAMIENTOS | Pero intentar ampliar los límites de la realidad –finita. sucia consciencia porque me repliego demasiado sobre mí misma. Sea cual sea su forma… Ah ¿por qué será? Cuánto terror se esconde detrás de la monotonía –cuando siempre la misma cosa se repite. transfigurándose sus ansias bajo la forma de alucinaciones. se me tuercen los huesos y me quedo como un recién nacido.” .” El 99 simbolizaba para Unica la antesala de lo maravilloso. Será mi secreto. me sube la fiebre. mi salud declina.

El mundo de los psiquiatras le impone la lógica del mundo que es necesario restituir –si desea curarse– demás está decir totalmente opuesta a sus aspiraciones e inquietudes. En algunas partes del libro Unica nos relata. En el mismo momento. Lamenté que el sueño se hubiera terminado. la espera. a través de la poesía.” En efecto. la gente se daba cuenta con espanto. mitad mujer. O a lo mejor. mitad serpiente y sediento de sangre. Más adelante referirá: “Yo estaba todavía penetrada de esta admiración absoluta al despertarme. el corazón y otros órganos por el estilo. Se intentaba preservar su gran belleza embalsamándolo tan hábilmente que daba la impresión de estar vivo. Razón por la cual le extirpaban todos los órganos que podían permitirle hacer el mal. A la criatura le quitan sus órganos vitales y no se dan cuenta que negándole todo la vuelven indestructible. este ser no era otra cosa que yo misma. cayó del techo el escorpión rojo y. adivinamos. podríamos aseverar también que el ser es la personificación onírica de su “locura”. es decir con el hombre jazmín alter ego de Bellmer. “…yo no puedo cambiar esta espera. metamorfoseado en águila blanca. Entonces. por tanto no sería disparatado afirmar que es en esa espera. con todo lujo de detalles.79 Su relación con los médicos que la atienden en estos centros se vuelve cada vez más recelosa. el ser se había vuelto más ardiente. mi locura. abrí a escondidas la puerta de la habitación de los ojos. pero antes de abandonar aquella casa. veía sin ojos. obsesionado por el odio y el deseo de venganza. conservaba una gran fuerza y aunque descerebrado. en actitud repulsiva. que el ser continuaba hablando sin lengua. excluida. Una vez hecho esto. afín de volverlo completamente inofensivo. no es una espera cualquiera. vacío de su sangre. entreveía proyectos. ella cobra fuerza y se venga. donde reside el centro generador de sus visiones. En realidad. es la espera de un imposible. también. la lengua.” Aquí me gustaría señalar que la palabra “espera” adscribe connotaciones mágicas en el imaginario de Unica ya que para ella dicho término está íntimamente ligado a su enfermedad mental. con todas las consecuencias . habitado de una fuerza y una rabia inhumanas…” (Vacances à Maison Blanche) Bella metáfora de su imposibilidad de vivir en un mundo del cual se siente desterrada. más vivo. o bien la imagen de la espera del milagro. entró volando el águila blanca y me abrazó con sus preciosos ojos azules. eterna espera de que el milagro se realice. y vivía sin corazón. Por tanto si su anterior interpretación – la de que el ser es “la espera del milagro”– fuese válida. más inteligente. hasta tal punto lo cree así relacionado. que llega incluso a emplearlo en varias oportunidades como un posible sinónimo de “locura”. Se le arrancaban los ojos. algunos fragmentos de sus sueños: “De nuevo un sueño cuya interpretación engloba la palabra inmortalidad. Habría podido descubrir en tal caso de qué manera este ser me hubiera podido aniquilar. más precisamente en esa intensidad con que se espera. se clavo el aguijón en el corazón. Le dice un cierto doctor Mortimer– Desear es perjudicial para la salud. La noche pasada soñé con un ser muy hermoso. … Ah aquel Mortimer me pareció un estúpido.” Así Unica encuentra en la muerte un lugar propicio para lo maravilloso. Se lo prohíbo. por la ventana abierta. “– Desear está prohibido. toma revancha.

Luego agregaba que Hans habría podido modelar y esculpir la cabeza de la muñeca como una premonición de su reencuentro futuro (con Unica). por qué su primavera se torna bruscamente sombría? ¿No era acaso él el punto de inflexión en su búsqueda. etc. necesaria a la invención de sus cuentos. como si la realización de un sueño marcara decididamente su final y el inicio de su putrefacción. se desviste. enfadándose después con ella por el malogrado resultado. todo absolutamente todo conllevara necesariamente a la consagración de Unica como mujer inmóvil (episodio aquél que aunque tremendamente trágico. el vuelo de la imaginación devienen su pan de cada día. Un objeto inerte comienza a moverse. Padecimiento aquél que le llevó a la muerte cuando no pudo soportar ser retratada por su verdugo como un penoso matambre de rotisería en la revista Le surréalisme même. y a los excesos de un compañero para nada ortodoxo. ese perrito fiel o infiel según se trate. los hilos atando las carnes de Unica. de una infatigable lucha con un Bellmer obsesivo.” ¿Pero por qué al reencontrarse con el hombre jazmín Unica no recupera su paraíso perdido. en muñeca–cadáver. signada en este caso por la estrechez económica. He aquí las razones por las que ella adora su enfermedad.. “Las crisis de locura se parecen a veces a estados alucinógenos: los objetos aparecen y desaparecen. no le ha dicho acaso cuando la esposó: Yo no quiero y no debo destruir tu jardín secreto. Unica amaba a Bellmer. ella representa para Hans el sueño excitante de “la pupée”. Ella se manifestaba así en Vacances à Maison Blanche con respecto a su propia muerte: . y por eso lo padecía. una muñeca que se quiere. André de Mandiargues. me gustaría arriesgar una subjetividad: “No nos enamoramos de la persona que conocemos. que la sometía a peligrosas prácticas sexuales. no puede haberlos. No es difícil entrever que paralelamente a sus alucinaciones. gustoso de las más imposibles e improbables atrocidades: por todos es conocida la leyenda de que retorcía las carnes de Unica como si de las articulaciones de sus muñecas se tratase. Su deseo de vivir el delirio y su pasión por lo extraordinario: ¿y si fueran estas las razones de sus continuas recaídas? La vulgaridad de los días y de los acontecimientos le resulta insoportable. el jardín de su infancia. sino de la que desconocemos en absoluto”. O quizás ello fuera la gota que colmaba el vaso de una larga relación. su estadía en Ermenonville. manchones y borrones de una relación de pareja. y todo esto aderezado o independientemente del amor. jamás se contenta con las minucias de la vida cotidiana. que el rostro de Unica se parecía al de “la pupée”..80 subsiguientes: que hace daño a los demás y que en tanto peligroso para la sociedad es necesario reducir a través de fármacos. Sobre esta afinidad referiría uno de sus viejos amigos. Unka. de internamientos. de todos los desaires e infiernos terrenales? La respuesta a esta pregunta no alcanzaría a alejarse de una mera conjetura. la inmovilidad de Hans a causa de su hemiplejia. y le sobreviene el deseo ardiente de distanciarse de la realidad. Lo que equivaldría a morir para ti. Unica perecería en este intento fatídico transformándose – aunque metafóricamente– en una muñeca. pero también se maltrata y se castiga porque sólo se trata de jugar y no hay límites posibles para la diversión y el ensueño. Resulta sorprendente y significativo el hecho de que una obsesión tan dominante como la fijación por la belleza inmóvil. Quién busca lo maravilloso. no es acaso el amor la culminación de todas las búsquedas. no estaba desprovisto de un inmenso sentido poético). La fantasía. y. el conocimiento profundo de una persona. por ejemplo. No obstante. la excitación y la calma. Unica –al igual que todo el mundo– debía hacer frente a las miserias de su realidad cotidiana. El conocimiento de una persona. se peina. su primer marido. Se escuchan sonidos inhumanos. sádico. LA MUÑECA INMÓVIL | Del mismo modo que Bellmer se configura como un espejismo del jardín de Grunewald. quién tiene sed de absoluto. implica transitar por inevitables caminos de frivolidad y desencanto. con las desprolijidades.

prodigiosa. eso es París.81 “Nuestra vida contemplada desde el mes de agosto entre Ermenonville y París semeja a los viajes entre la vida y la muerte. no puede ser más que la muerte.” Y luego: “Yo amo cada vez menos moverme. ¿no son en su bello mutismo. con el pelo de mohair que se desprende o deshace entre medio de los dedos. la angustiosa muerte.” ¿A qué se debe esta obsesión por la inmovilidad y el silencio? Reformulo la pregunta: ¿a qué se debe el placer resurgido a raíz de la observación de una muñeca? Idéntica obsesión arrastró a Alejandra Pizarnik y a otros surrealistas –entre ellos Bellmer– que encontraron un acopio de fascinación hacia estos personajes siniestros. Porque ¿cómo es posible que estos seres vivan y no vivan a la vez. de una máquina de coser y un paraguas. muñecas y otros tantos personajes de semejante estirpe como maniquíes. etc. Una muerte que no temo. por su erotismo. y después. la caída. con sus ojos fijos a veces de cristal de murano. por la contradicción poética de ser y no ser a una vez. como una telaraña intangible. en el pensamiento de ese guante abandonando para siempre esa mano. una imparable evocación de la muerte?. la renuncia.” Es posible que ya hacia el final de su vida Unica comenzara a prever que esa unidad idílica y perfecta no existe. Ermenonville. tan impunemente. en la cual confío secretamente. –idas y vueltas– En bus se tarda una hora para llegar a París. títeres. unas cuantas noches con las estremecedoras experiencias de la alucinación.” Al igual que el guante. el desengaño. eros y tánatos. de maravillosamente decisivo para mí. Todas aquellas muñecas. ¡París es la vida! Aquí. con sus boquitas pintadas apenas entreabiertas –como en la culminación de un orgasmo–. en su paroxismo más críptico. y para hilar aún más fino y ponerle más morbo al asunto. contradicción esencial a la belleza convulsa tal como la entendería André Breton: “Bello como el encuentro fortuito. hasta necesario. el frío y la tranquilidad. de ahí el desistimiento. y en definitiva. la realidad. una breve euforia. de una muerte enmascarada. la sensación de ser extraordinaria. sobre una mesa de disección.” . la pareja Zürn–Bellmer suscribe toda la adoración por la belleza inmóvil. a advertir su naturaleza inasequible. vacío ya de la mano amante y acariciadora que le infunde el hálito de vida. la muñeca se erige asimismo –por su belleza. cualidad ésta consustancial a los cadáveres. travestida de vida? Al repudio por el movimiento como elemento delator de un tiempo profano. La velocidad me desmoraliza. Unos cuantos días fabulosos. que coexistan en ellos tan alegremente. por el deseo que convoca y en perpetuo contraste con la dureza del cuerpo que contradice todo aquello– como ese punto cúlmine de turbadora exaltación en que convergen asombrosamente esos dos grandes principios enfrentados: vida y muerte. como lo reflejan algunos de sus párrafos posteriores en “El hombre jazmín”: “Pero ella comienza a caer en el abismo de una nueva y profunda depresión. perjudicial en muchos sentidos porque no hay que olvidar que todo devenir del tiempo supone una pérdida –tangible o intangible–. por lo inmóvil eterno. la vida y la nada al mismo tiempo? Esa monstruosa confrontación de unos elementos tan dispares me induce a pensar en la profunda turbación experimentada por André Bretón cuando Lise Deharme acepta dejar uno de sus guantes en la Central Surrealista: “No sé lo que pudo haber en ese momento de espantosa. efímero. como si ésta fuera la ley de su enfermedad. Ante la contemplación de tan escalofriantes criaturas resulta inevitable. el lugar más tranquilo que exista. pensar en cadáveres y en el velo imperceptible. Movimiento y velocidad. todo es inerte: la niebla. estatuas. etéreo y sutil que deja tras de sí. ya que es de ella que espero toda la poesía que espera mi alma romántica.

” La realidad es siempre contrapuesta a las aspiraciones de absoluto. la temeraria niña Unica que. Le parece encantadora y empieza a sentir compasión de sí misma. intentó el mismo emprendimiento desde el balcón de su casa. Artista plástica. tal vez… tal vez podría salir de esta depresión y salvarme. Contacto: rimanube@yahoo. persistió en su ambicioso e irrealizable anhelo hasta el final y cerró el círculo reencontrándose con el fascinante vergel de su niñez: la Unica que se arrojaba desde el balcón de Bellmer en 1970 era en realidad su antecesora. no lo encontró. Cae de cabeza y se desnuca. se sujeta con fuerza a la cuerda de la persiana y ve su oscura silueta en el espejo. Su cuerpecito queda extrañamente doblado sobre la hierba. dice en voz baja. Se sube al alféizar. artista invitada de esta edición de ARC. para morir en el añorado y maravilloso jardín de Grunewald. Ensayo escrito especialmente para nuestra revista. Página ilustrada con obras de Unica Zürn (Alemania). María Prado (Argentina. El animal mete la cabeza entre las piernas de la niña y empieza a lamer. Su residencia actual es en España. y.” (Primavera Sombría). “Ya está casi oscuro en la habitación. “Se acabó”. Ya le es indiferente morir en “suelo extraño” o en su jardín. .82 “Si aquí hubiera una persona que me dijera lo que tengo que hacer y me infundiera paciencia y talento para que pudiera dedicarme intensamente a algo. algo que me gustara. se tiende a su lado llorando suavemente. 1974). con tan sólo 12 años. El primero que la encuentra es el perro. ya se siente muerta.es. antes de que sus pies se separen del alfeizar. Sólo llega a la ventana el resplandor de una farola de la calle. En vista de que no se mueve.

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