Você está na página 1de 5

Changed with the DEMO VERSION of CAD-KAS PDF-Editor (http://www.cadkas.com).

QUI20NOV
EDIÇÃO LISBOA
20 de Novembro de 2003 Ano XIV • N° 4991 €0,80 (IVA incluído)
Director JOSÉ MANUEL FERNANDES Directores adjuntos: NUNO PACHECO e MANUEL CARVALHO e-mail: publico@publico.pt

PUBLICIDADE

www.publico.pt

S É R I E Y H O J E N OVO DV D

SÁBADO COM O PÚBLICO

“Toda a Gente Diz que Te Amo”
de Woody Allen P50
S PENA POR A 8 ,9 € M A IS

Fotobiografia de John Kennedy
TIRAGEM LIMITADA P51
EDIÇÃO ORIGINAL DA PHAIDON, EM INGLÊS

TINTIM
€ 34 Amanhã novo álbum P56
S PENA POR A € 4 M A IS

POPULAÇÃO

Portugal precisaria de 200 mil imigrantes por ano para contrariar envelhecimento
Para que Portugal evitasse o envelhecimento da população dentro dos próximos 18 anos, seria necessário que entrassem no país perto de 200 mil imigrantes por ano. É o que conclui um estudo encomendado pelo Observatório da Imigração, do Alto-Comissariado para a Imigração. P29

AUMENTA IMPOSTO SOBRE COMBUSTÍVEIS PARA FINANCIAR FUNDO FLORESTAL
Meio cêntimo para gasolina sem chumbo e um quarto de cêntimo para o gasóleo
A Assembleia da República recebeu ontem uma proposta da maioria governamental que visa aumentar o imposto que incide sobre os combustíveis (gasolinas sem chumbo e gasóleo colorido) e que afecta a receita adicional gerada ao financiamento do Fundo Florestal Permanente. Pedra-detoque da reforma estrutural do sector, o fundo irá financiar actividades de gestão florestal – que o Governo pretende tornar obrigatórias – e que actualmente escapam à malha dos apoios comunitários. P18

A B U S O S E X UA L

Polícia americana Changed with the DEMO VERSION of CAD-KAS PDF-Editor (http://www.cadkas.com). ordena prisão de Michael Jackson
A polícia norte-americana emitiu um mandado de prisão do cantor Michael Jackson. A decisão está relacionada com acusações de abuso sexual feitas por um rapaz de 12 anos contra o “rei da pop”, de 45. O xerife do município de Santa Barbara apelou ao cantor para que se entregue e deposite o seu passaporte junto das autoridades. P35

Mais de 12 mil detidos já este ano por álcool ao volante
interceptadas com mais de 1,2 gramas por litro de sangue (g/l). Para combater o problema, o Governo está a estudar o aumento do valor das coimas. P28/29

As forças policiais detiveram, até ao final de Outubro, para cima de 12 mil condutores por excesso de álcool, número que deverá permitir bater o recorde de 2002 – ano em que 12.800 pessoas foram

CHRIS HARRIS/AFP

Abertura de novas vagas em Medicina divide opiniões
P31

EURO 2004

INGLESES APOSTAM NA SEGURANÇA E NUMA BOA IMAGEM
Portugal vence Kuwait e Espanha apurada
P2 A 5, 38 E 40

ÍNDICE
BARTOON E OPINIÃO BOLSA E MERCADOS TELEVISÃO CLASSIFICADOS CINEMAS TEMPO E FARMÁCIAS 6A9 24 A 26 54/55 62 A 69 70/71 72

Bush dá conselhos à Europa a partir de Londres

No seu primeiro discurso da visita de quatro dias ao Reino Unido, o Presidente norte-americano começou por sublinhar a relação especial com Londres antes de avançar com alguns conselhos para os líderes europeus: combatam o anti-semitismo, deixem de falar com os interlocutores errados na Palestina e sejam mais realistas quanto

ao seu papel no mundo. O dia ficou marcado por um escândalo de segurança: um jornalista de um tablóide infiltrou-se durante dois meses no Palácio de Buckingham, aquela que deveria ser, neste momento, a casa mais vigiada do mundo porque é lá que Bush está a dormir. Do nosso enviado Paulo Moura, em Londres P13/14

Changed with the DEMO VERSION of CAD-KAS PDF-Editor (http://www.cadkas.com).

Changed withQthe DEMO VERSION of CAD-KAS PDF-Editor (http://www.cadkas.com). 2 D E S TA U E
PÚBLICO•QUINTA-FEIRA, 20 NOV 2003

EURO 2004 E SEGURANÇA NOS ESTÁDIOS

A vinda de milhares de adeptos ingleses a Portugal por ocasião do Euro 2004 é motivo de preocupação e os preparativos já estão a ser feitos. O PÚBLICO falou com autoridades portuguesas e inglesas, que traçam um cenário positivo de antecipação à chegada dos adeptos ingleses

Ingleses apostam na segurança e numa boa imagem para 2004
DANI CARDONA/REUTERS

JOÃO TOMÉ

“A experiência de um dia de jogo envolverá com certeza a passagem por um ‘pub’ [bar], conversar em voz alta e contar anedotas, cantar e, sem dúvida, beber muita cerveja.” Será assim o dia do típico adepto inglês de futebol, descrito por Kevin Miles, responsável da Football Supporters Federation, a federação inglesa de adeptos de futebol, que os portugueses podem esperar encontrar durante a realização do Euro 2004. A reputação de “hooliganismo” associada muitas vezes aos adeptos ingleses é uma imagem que grupos de fãs, Federação Inglesa de Futebol (Football Association) e autoridades Changed queremin- DEMO glesas with the apagar de vez, procurando, através da prevenção, minimizar o risco de violência. Apesar de ser cedo par estimativas p cisas, o Home Office (Ministério inglês da Administração Interna), aponta para um número provisório de 50 mil adeptos que deverão vir a Portugal para verem a sua selecção (estimativa que poderá aumentar consideravelmente) e mais de 200 mil ingleses que estarão nessa altura em Portugal de qualquer forma, sendo que muitos destes poderão também aproveitar para ver a sua selecção em acção. Paul Barber, responsável da Federação Inglesa, defende que “nem todos os adeptos ingleses são ´hooligans` e, por isso mesmo, haverá um esforço para melhorar a imagem de Inglaterra e dos ingleses, porque o que se vai passar em Portugal é um torneio de futebol, e não deve atrair violência”, disse ao PÚBLICO. Este dirigente, que acompanha e costuma ser o porta-voz da selecção inglesa, demonstrou um grande optimismo em relação ao Euro 2004: “Vai ser um evento num país muito popular para os adeptos ingleses, já que é um destino turístico e são muitos os ingleses elegem o Algarve para férias. E com o Euro aproveitarão ainda mais.” Esta aposta em impedir que adeptos problemáticos criem problemas, levou o Ministério

do Interior inglês a coordenar, com a ajuda de autoridades portuguesas, “aqueles que serão os preparativos mais vastos de sempre para a participação da Inglaterra (e possivelmente do País de Gales e Escócia) num torneio europeu”, disse ao PÚBLICO Hannah Gardiner, porta-voz do Home Office. Legislação de prevenção É neste contexto que as autoridades do Reino Unido vão pôr em prática a sua “apertada” legislação para os adeptos de futebol violento — a chamada “banning order” (ver P&R) —, e com esse mecanismo esperam prevenir a entrada de “hooligans” em Portugal. Existem actualmente 1800 indivíduos VERSION of CAD-KAS nidos dos estáios ingleses ao abrigo daquela restrição, e de acordo com o Governo britânico, antes do torneio omeçar terão apresentar-se larmente num departamento policial e de entregar os seus passaportes, de modo a evitar a sua vinda para Portugal. Para as autoridades daquele país, “só assim se pode impedir que os ‘hooligans’ estraguem o evento para a população portuguesa e para os milhares de turistas futebolísticos ingleses e de outros países”. Para isso, durante o torneio estará em Portugal uma equipa experiente da polícia inglesa a ajudar a homóloga portuguesa, quer com os “Spotters”, quer com oficiais no Centro Coordenador de Informação Policial (CCIP). Encontro na embaixada A 15 e 16 de Outubro últimos, na Embaixada Britânica em Portugal, realizou-se um encontro sobre os preparativos para o Euro 2004 tendo em vista o elevado número de adeptos britânicos que se espera que venham a Portugal. Inicialmente houve um encontro consular que envolveu também associações de adeptos e diversas autoridades portuguesas e inglesas. Mas um seminário ali realizado constituiu uma oportunidade para organizações britânicas (associações de adeptos, autoridades policiais, Federação Inglesa de Futebol) e a maioria das

PDF-Editor (http://www.cadkas.com).

autoridades portuguesas envolvidas na preparação do Euro 2004, partilharem experiências e informações sobre os preparativos de segurança para campeonatos internacionais de futebol e as variadas formas de lidar com multidões. Paul Barber, da FA, considera que a etapa de troca de informações “foi muito benéfica, e tendo sido apenas a primeira oportunidade para conhecermos os nossos colegas de Portugal, outras haverão”. Segundo informação da secção de imprensa da embaixada britânica, serão necessários recursos adicionais antes de Junho de 2004. Porém, a próxima fase de preparativos para o Europeu de futebol a nível da representação diplomática dependerá, essencialmente, do resultado do sorteio final. As autoridades portuguesas A partilha de informação e a cooperação com autoridades inglesas tem-se verificado de forma intensa, muito devido à disponibilidade e interesse dos ingleses. A Comissão de Segurança para o Euro 2004 está a fornecer informação específica sobre Portugal e as suas leis, a associações de adeptos e autoridades inglesas. Entretanto, as autoridades inglesas vão facultar as listas e bases de dados já criadas — como é o caso das “banning orders” — às autoridades portuguesas. “Já iniciámos contactos bilaterais que foram particularmente significativos com o Reino Unido, mais pela disponibilidade das autoridades inglesas e pelo interesse que o Euro desperta por lá e também pelos antecedentes de violência que vamos procurar minimizar” explicou o coordenador do CCIP (ver P&R), subintendente Ismael Jorge. Nuno Magalhães, secretário de Estado da Administração Interna, acredita que tudo vai correr bem e considera que existe uma excelente relação com as autoridades inglesas: “Tive oportunidade, numa visita a Inglaterra, em Setembro, de falar com a minha homóloga inglesa, Carolyn Flint, sobre segurança, para além de ter feito múltiplos contactos com todas as forças e serviços de segurança.” ■

A Federação Inglesa de Futebol quer apagar de vez a reputação de hooliganismo

DA D O S As cidades De acordo com o Census de 2001 (INE), são estas as populações residentes nos concelhos das cidades anfitriãs do Euro 2004 Braga – 164.182 residentes Porto – 263.131 Guimarães – 159.577 Aveiro – 73.335 Coimbra – 148.443 Leiria – 119.847 Lisboa – 564.657 Faro – 58.051/Loulé – 59.160 As previsões 1,2 milhões de lugares disponíveis para espectadores, acrescido do número de visitantes, atletas, “staff”, jornalistas e organização. 1400 postos de trabalho criados directamente pela organização 6 milhões de euros de receitas referentes a direitos comerciais 10%) 350 mil adeptos de futebol estrangeiros que virão assistir aos jogos. Esta é uma estimativa da UEFA, antes dos resultados dos “play-off”. O ICEP, que faz a promoção do Euro 2004, pretende conseguir que 500 mil “turistas futebolísticos” venham a Portugal. 4 dias de estadia média, previstos para cada visitante estrangeiro 220 mil adeptos estrangeiros foram ao Euro 2000, que se realizou na Holanda e na Bélgica. A estadia média foi de 1,2 dias por pessoa. A segurança O Orçamento do Estado no apítulo 50 (PIDDAC 3/2004) destinou um valor global de 16,63 milhões de euros que se destina a aquisição de equipamento para as Forças e Serviços de Segurança (FSS). Material a adquirir: cinotecnia (canídeos, canis, etc); protecção e segurança do pessoal (fatos protectores, “sprays” gás pimenta, capacetes e escudos); transporte (viaturas de comando e de cinotecnia)

Changed with the DEMO VERSION of CAD-KAS PDF-Editor (http://www.cadkas.com).

Changed with the DEMO VERSION of CAD-KAS PDF-Editor (http://www.cadkas.com).

Prevenir a violência com cooperação e informação
A forma como a segurança de portugueses e estrangeiros será assegurada é uma preocupação, na medida em que todos os serviços portugueses vão ser, especialmente nas cidades anfitriãs e centros de treino, afectados pela quantidade de adeptos que virão a Portugal. Para a segurança nacional durante o Euro 2004 foram criados mecanismos excepcionais de segurança que procuram, através da cooperação, estar mais bem informados e acima de tudo prevenir. Existe uma Comissão de Segurança para o Euro 2004, que está na dependência do Ministério da Administração Interna, um Centro Coordenador de Informações Policiais (CCIP) e as Células Locais de Informações Policiais (CLIP) — ver Perguntas & Respostas. No que diz respeito ao perímetro interior dos estádios, a segurança é coordenada pela Sociedade Euro 2004 SA e está a cargo de segurança privada, dos assistentes de recintos desportivos (Stewards) e voluntários. “Nem todos são hooligans” Para o secretário executivo da Comissão de Segurança, Paulo Gomes, a grande mensagem inicial é a de que “os adeptos estrangeiros não são todos maus, a grande maioria deles são pessoas ordeiras e civilizadas”. “Os verdadeiros ‘hooligans’ são uma ínfima minoria e não podemos tomar a parte pelo todo, senão vamos ter ainda mais problemas e prejudicar uma mais-valia do Europeu, o turismo”, acrescentou Paulo Gomes. A cooperação policial é prática na Europa em vários domínios e para o secretárioexecutivo o Europeu vai usufruir dessa cooperação: “A segurança do Euro 2004 Changed withrespeito a todas as polícias diz também the DEMO VERSION dos países envolvidos no evento.” A prevenção é assim uma das principais estratégias que as autoridades estão a desenvolver. Mas, e se houver um confronto/ problema? “A polícia está a ser treinada através de acções de formação entre a PSP e a GNR (por vezes em conjunto) e contamos com o apoio de Inglaterra, Holanda, Bélgica e do Cepol [Colégio Europeu de Polícia]”, diz Paulo Gomes. O secretário de Estado da Administração Interna, Nuno Magalhães, contou ao PÚBLICO que a segurança do Euro 2004 “está a ser encarada de forma séria”: “O trabalho que está a ser desenvolvido é no duplo pressuposto: todos os jogos são do mais alto risco, embora existam uns de maior risco do que outros, por exemplo, um Alemanha-Inglaterra), e de todos terem lotação esgotada.” Convenção Schengen Para uma segurança mais eficaz no decorrer do Euro 2004, Paulo Gomes defende que o fundamental é ser o mais preventivo possível e “com duas barreiras, a do país de origem e de chegada [Portugal], existe uma maior prevenção e dissuasão”. Além disso, países como a Inglaterra e a Alemanha têm listas de adeptos com antecedentes violentos, que vão ser entregues às autoridades portuguesas, e é certo que a reintrodução dos controlos fronteiriços nacionais, prevista em casos excepcionais na Convenção de Schengen, permitirá controlar e impedir a entrada desses adeptos violentos em Portugal, e facilitará a sua rápida extradição. De acordo com o disposto no artº 2º, nº 2, da Convenção de Aplicação do Acordo de Schengen, por razões da ordem pública ou de segurança nacional um dos países do espaço Schengen, onde Portugal está incluído, pode decidir pelo restabelecimento de fronteiras. Neste contexto, para o secretário de Estado, Nuno Magalhães essa hipótese é encarada como provável e o Euro 2004 constitui uma forte justificação para se accionar essa cláusula excepcional. O SEF tem quase pronto um documento sobre esta situação que depois será presente aos organismos envolvidos e em última instância ao primeiro-ministro. Coordenação internacional “A Comissão de Segurança, o CCIP [ver Perguntas Respostas], através de uma cooperação policial internacional, vai disponibilizar informação de dados policiais, como movimentos de adeptos e grupos de pessoas no geral”, explicou ao PÚBLICO o coordenador do CCIP, subintendente Ismael Jorge. Este centro nacional de informação policial que envolve a nível operacional a PSP e a GNR, está já em fase de constituição efectiva (já tem sede em Lisboa, perto da Assembleia da República) e em Abril do próximo ano deverá estar a funcionar em pleno, recolhendo e transmitindo informação. “A nossa principal fonte de informação sobre a deslocação dos adeptos são os oficiais de cada um dos países, uns estarão no CCIP outros no terreno [os “spotters”], referiu Ismael Jorge. E acrescentou: “É fundamental na prevenção a actuação dos ‘spotters’,

SEGURANÇA COORDENADA
Na Rua Castilho, em Lisboa, num edifício antigo onde estão alguns escritórios do Ministério da Administração Interna, o gabinete da Comissão de Segurança para o Euro 2004 destoa do resto do edifício, demonstrando boas condições para receber autoridades portuguesas e estrangeiras (não está aberto ao público), tendo em vista a cooperação e a coordenação operacional. O secretário de Estado Nuno Magalhães explicou ao PÚBLICO: “Num plano político existe uma macroestrutura, e depois, num plano mais técnico e operacional existe a Comissão de Segurança, criadas pela mesma resolução do Conselho de Ministros, onde estão representadas todas as forças, servixços e organismos de segurança, bem como as duas sociedades: Portugal 2004 e Euro 2004. A Comissão de Segurança é um órgão que no fundo põe todas as forças a conversarem sobre matérias que cada uma delas no seu interior desenvolverá.” Esta acabará por coordenar a actuação dos diversos organismos e entidades que contribuem para a segurança global do evento, em vertentes distintas como a segurança pública, a segurança privada (a cargo da Euro 2004, SA), a segurança passiva (bombeiros, Protecção Civil e INEM) e a segurança estrutural e tecnológica (a cargo da Portugal 2004 SA). Ao nível do direito internacional, além da Convenção Europeia sobre a Violência dos Espectadores, do Conselho da Europa (ver P&R), a comissão toma também como referência os recentes normativos da UE sobre cooperação policial internacional em matéria de troca de informações sobre futebol. J.T.

D E S TA Q U E

3

PÚBLICO•QUINTA-FEIRA, 20 NOV 2003

“Os verdadeiros ‘hooligans’ são uma ínfima minoria e não podemos tomar a parte pelo todo, senão (...) vamos prejudicar uma mais-valia do Europeu, o turismo” “A segurança do Euro 2004 diz também respeito a todas as polícias dos países envolvidos”
PAULO GOMES secretário executivo da Comissão de Segurança

As iniciativas
Existem outras iniciativas no âmbito da segurança que ou são mais específicas, estão numa fase embrionária, ou constituem meras hipóteses
SEI (Sistema Estratégico de Informação interliga as forças de segurança) O Europeu de futebol constituirá a maior operação concertada entre as polícias portuguesas e as congéneres estrangeiras. Um sistema de comunicações da PSP totalmente novo, designado de Sistema Estratégico de Informação, Gestão e Controlo Operacional (SEI), que vai ter a primeira fase concluída a tempo do Euro 2004. Este sistema vai permitir uma troca de informação em tempo útil com outras forças de segurança, nomeadamente o SEF, a PJ e também GNR, SIS e Polícia Marítima. O SEI permite racionalizar os procedimentos da PSP e facilitar a troca de informação com as outras forças Assim se poderá estandardizar e normalizar a informação policial a nível nacional. Comissão de Segurança em Berlim para trocar informação Secretário executivo da Comissão de Segurança para o Euro 2004, Paulo Gomes esteve desde dia 5 até dia 9 de Novembro em Berlim, para transmitir e recolher informação sobre adeptos alemães e explicar os mecanismos de segurança que Portugal está a usar, para ajudar as autoridades alemãs na preparação do próximo Mundial em 2006, que vai decorrer na Alemanha. Trauma Room enriquece tratamento médico Inserido no Serviço de Urgência do Hospital S. José, o Trauma Room (TR) é o único serviço a sul do rio Douro que está apto para servir como cobertura o Euro 2004. Este serviço tem 24 horas por dia um médico de cirurgia geral, uma enfermeira e dispõe de todas as especialidades médico-cirúrgica necessárias ao tratamento de doentes traumatizados. O TR dispõe de três salas de recepção e reanimação imediata e equipamento adequado, permitindo a execução de todos os tipos de intervenções de extrema emergência. O serviço de TR é destinado, essencialmente, a vitimas politraumatizadas, motivado por quedas, acidentes muito graves e agressões (com armas brancas ou de fogo), afogamentos, queimaduras e outros. Serve na zona de Lisboa, abrangendo partes distintas que vão desde a Lourinhã até Faro. É considerado pelos responsáveis como um espaço indispensável, pela qualidade humana e técnica, que constitui no país e particularmente na zona metropolitana de Lisboa, e por ser uma mais-valia enriquecendo os meios de segurança que irão rodear o Euro 2004. Equipa interministrial para assuntos de saúde A preocupação do Governo com os aspectos da saúde durante o Euro 2004, que inclui questões de protecção contra o bioterrorismo, levou três ministérios — Saúde, da Juventude e Desportos e da Administração Interna — a criar a Comissão de Acompanhamento Saúde Euro 2004, através de um despacho conjunto publicado a 4 de Novembro. Numa primeira fase, esta comissão contará com 16 elementos e será uma espécie de “suporte” às medidas a criar para a área da saúde do Euro 2004. Desta equipa emanará uma mini-comissão executiva de sete elementos que, no terreno, irá acompanhar todas as operações e medidas na área da saúde. O facto de o Europeu de futebol trazer a Portugal largos milhares de visitantes de vários países agudizou as preocupações em matéria de protecção contra eventuais ataques terroristas com agentes biológicos. Por esta razão, de acordo com a agência Lusa, houve um reforço de verbas na Direcção-Geral da Saúde, para aumentar a capacidade laboratorial que está preparada para diagnosticar a varíola. ■ J.T.

DESMOND BOYLAN/REUTERS

of CAD-KAS PDF-Editor (http://www.cadkas.com).

pois têm o conhecimento aprofundado dos adeptos dos seus países.” Em coordenação com o centro nacional vão existir os CLIP, um em cada cidade anfitriã, da responsabilidade dos comandos da PSP e GNR, que recolhem e transmitem informação de e para o centro nacional, não se excluindo nesta cooperação a informação de outros locais, nomeadamente centros de treino. De acordo com o subintendente Ismael Jorge já foram feitos vários contactos com as polícias das selecções apuradas e com as outras dez que discutem o apuramento, e haverá cada vez mais encontros com as autoridades desses países. A segurança em Portugal destinada ao Euro 2004 tem estes mecanismos que procuram fazer da informação e prevenção a principal arma contra a violência. “Contamos com a imprensa para divulgar o tipo de trabalho que está a ser feito, para que as pessoas percebam que existem autoridades a preparar com cuidado a segurança do Euro 2004”, contou ao PÚBLICO o coordenadorgeral da Comissão de Segurança, Leonel de Carvalho. ■ JOÃO TOMÉ

“A Comissão de Segurança, o CCIP, através de uma cooperação policial internacional, vai disponibilizar informação de dados policiais, como movimentos de adeptos e grupos de pessoas no geral”
ISMAEL JORGE subintendente e coordenador do CCIP

Changed with the DEMO VERSION of CAD-KAS PDF-Editor (http://www.cadkas.com).

Changed withQthe DEMO VERSION of CAD-KAS PDF-Editor (http://www.cadkas.com). 4 D E S TA U E
PÚBLICO•QUINTA-FEIRA, 20 NOV 2003

EURO 2004 E SEGURANÇA NOS ESTÁDIOS

P&R

Quais são os mecanismos de auto-regulação, ou “self-policing”, previstos no “Manual Europeu sobre Prevenção da Violência e Desporto”?
colaborando activamente na prevenção e resolução de conflitos e problemas em que os seus adeptos se vejam envolvidos, quer como autores, quer como vítimas. No Euro 2004: associações e federações de adeptos checos, alemães, holandeses, ingleses, individualmente ou em parcerias, com meios próprios ou com apoios comunitários — como é o caso do Programa AGIS, que financia iniciativas de prevenção da delinquência e da criminalidade —, deverão criar este tipo de estrutura em várias cidades portuguesas.
KAI PFAFFENBACH/REUTERS

O que é o “fan coaching”?
Pode ser traduzido genericamente como enquadramento de adeptos, por parte de adeptos mais antigos. Segundo o “Manual do Conselho da Europa”, “fan coaching” é “parte do esforço tendo em vista uma prevenção social e educativa”. Tal só é possível com dois prérequisitos fundamentais: “Promover uma cultura de adeptos positiva e criar condições satisfatórias para a estada de adeptos que visitam o país”. Está especialmente desenvolvido e estruturado, com profissionais

Como actua o “steward”?
Esta figura — que surgiu, pela primeira vez, no início da corrente época desportiva — foi introduzida no futebol português, e no direito interno tem a designação de “assistente de recinto desportivo”. Trata-se de funcionários com o estatuto e formação base de vigilante de segurança privada, que dispõem de formação adicional em matéria de segurança de recintos desportivos. Desempenham funções de vigilância do recinto desportivo e anéis de segurança, fazendo cumprir o regulamento interno; de gestão e controlo de acessos, não só controlando os títulos de ingresso, como detectando e impedindo a introdução de objectos proibidos ou perigosos; e de acompanhamento, acomodação e informação dos espectadores, prevenindo a ocorrência de incidentes.

O PAPEL DOS MAGISTRADOS NOS CONFLITOS
A segurança do Euro 2004 também implica os magistrados, pois caso se verifiquem casos de hooliganismo, a justiça terá de actuar o mais rapidamente possível para evitar mais problemas, isto num país com uma legislação actualmente pouco preparada para a violência associada ao desporto. Neste contexto, em 17 de Outubro, o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa promoveu uma mesa-redonda subordinada ao tema genérico: “A Violência Associada ao Desporto”. Esta acção foi enquadrada numa série de iniciativas realizadas por ocasião do 15º aniversário do DIAP. A escolha da temática por parte da coordenação do DIAP reflecte o interesse e em certa medida a preocupação dos magistrados do Ministério Público com intervenção na área penal, pelos actos de hooliganismo que podem vir a ocorrer no futuro, nomeadamente no Euro 2004. O jurista José Manuel Meirim considera que “o objectivo da iniciativa foi o de proporcionar aos magistrados, diferentes e eventualmente mais próximas leituras desse fenómeno [de hooliganismo]”. Além do jurista, ligado ao direito do desporto, também participaram na mesa-redonda Paulo Gomes, secretário-executivo da Comissão de Segurança para o Euro 2004, e uma socióloga do desporto com vasta experiência neste domínio, Salomé Marivoet. Naquele encontro, foram abordados três factores relativamente à violência associada ao desporto: direito (legislação desportiva), segurança pública (perspectiva mais policial) e sociologia, respectivamente associados a cada um dos oradores. “Procurei dar conta da falência prática da legislação portuguesa, a qual não goza de muita efectividade”, referiu ao PÚBLICO José Manuel Meirim, relativamente aos aspectos jurídicos discutidos na mesa redonda. O jurista, que também é professor auxiliar da Faculdade de Motricidade Humana, considera que “a legislação portuguesa é um morto-vivo nesta matéria [de hooliganismo]” e isso “redobra de importância e urgência a adopção de medidas que possam oferecer resposta minimamente aceitável no quadro de uma competição desportiva internacional desta envergadura”. Nesta iniciativa também foram referidas as vias possíveis de puição dos diferentes actos de violência associada ao desporto, havendo referência a recentes criminalizações de algumas manifestações de violência em outros países. Paulo Gomes deu o exemplo o que acontece em países o Alemanha ou Inglaterra, em que o sistema legal “permite restringir os adeptos com antecedentes violentos, através da apreensão dos passaportes, proibição de entrada nos estádios, entre outras”. A socióloga Salomé Marivoet contribuiu com uma perspectiva mais social da violência associada ao desporto. Acabaram assim por ser expressas várias preocupações sobre o “caso especial” que vai constituir o Euro 2004, isto apesar de ainda não se saber muito bem que alterações legislativas estão a ser pensadas de forma a obter respostas céleres e eficazes para combater os fenómenos de hooliganismo. ■.J.T.

E os “spotters”?
São agentes especializados em informações policiais, que integram as delegações policiais dos vários países e que, acompanhando frequentemente os seus grupos de adeptos nacionais, conhecem os seus hábitos e reacções. Actuando no terreno e, sendo bons fisionomistas, desempenham um papel importante na ligação com as suas delegações policiais e com as autoridades locais, na detecção e identificação de adeptos violentos, na prevenção de actos de violência e na ligação entre os adeptos e as autoridades locais.

O que significa “banning order”?
É uma decisão condenatória (não existente em Portugal), que pode ser de natureza judicial, administrativa ou civil-desportiva (neste caso, aplicada pelo clube, por violação do regulamento interno do estádio), aplicada a adepto que comprovadamente praticou actos de violência associada ao futebol, e que se traduz na sua tempo deter(http://www.cadkas.com). proibição, porde futebol ou minado, de entrar em estádios em recintos desportivos. Em alguns países, como é o caso da Inglaterra ou Alemanha, o adepto pode ser obrigado a apresentar-se em departamento policial à sua escolha, nos dias de jogo da sua equipa, podendo mesmo ser-lhe retido o bilhete de identidade ou passaporte, de modo a impedir a sua saída para o estrangeiro, para assistir a jogos da sua equipa. É o que, para o Euro 2004, previsivelmente, acontecerá nesses dois países, com os adeptos registados como os mais violentos.

Changed with the DEMO VERSION of CAD-KAS PDF-Editor

O que diz a “Convenção Europeia sobre a Violência e os Excessos dos Espectadores por ocasião de Manifestações Desportivas e nomeadamente de Jogos de Futebol”?
Na sequência dos incidentes do Heysel Park, em Bruxelas, em Maio de 1985, o Conselho da Europa aprovou, em Estrasburgo, em 19 de Agosto desse ano, um instrumento de direito internacional contendo medidas concretas e imperativas, sob a forma de convenção, para combater a violência e a insegurança nos estádios de futebol. Portugal foi um dos primeiros Estados-membros do Conselho da Europa a assinar e ratificar esta convenção. Entretanto, foi aprovada a Resolução do Conselho da União Europeia, de 6 de Dezembro de 2001, que veio homologar um manual com recomendações para a cooperação policial internacional e medidas de prevenção e luta contr violência e os distúrbios associados aos jogos de futebol com dimensão internacional em que, pelo menos, um Estado-membro se encontre envolvido. Seguiu-se, em 25 de Abril de 2002, o primeiro documento comunitário com carácter vinculativo, neste domínio: a Decisão do Conselho da União Europeia, relativa à segurança por ocasião de jogos de futebol com dimensão internacional, que vem impor aos Estados-membros a criação de um ponto nacional de informações policiais sobre futebol, de natureza policial, que funcione como ponto de contacto directo e central para o intercâmbio das informações pertinentes e para facilitar a cooperação policial internacional no âmbito de jogos de futebol com dimensão internacional. J.T.

especializados em aspectos sociais e educacionais, na Bélgica, Alemanha, Holanda e Inglaterra. São os líderes das associações de adeptos que costumam coordenar este tipo de actividades. No Euro 2004, estes mecanismos deverão ser utilizados, designadamente, sob a forma de “fan embassies”.

Para que serve o CCIP?
O Centro Coordenador de Informações Policiais funcionará como centro nacional de informações policiais sobre violência associada ao futebol, tendo em vista o Euro 2004. Ficará sediado em Lisboa e incluirá não só oficiais de ligação das forças e serviços de segurança portugueses, como oficiais de ligação de todos os países participantes no torneio. Funcionará como verdadeiro centro nevrálgico de gestão e troca de informações policiais sobre violência no futebol, estando ligado, em permanência, aos centros congéneres nos países europeus, às células locais, instaladas em cada cidade anfitriã, bem como às sedes das várias forças e serviços de segurança portugueses que o integram.

E o que são as “fan embassies”?
São uma forma de pôr em prática o “fan coaching”. Verdadeiro mecanismo concreto e visível de auto-regulação, constituídas pelas organizações de adeptos e um canal de comunicação com as autoridades locais. Estas embaixadas nacionais são, por natureza, itinerantes, podendo consistir em autocarros ou casas pré-fabricadas, que são instalados em zonas centrais das cidades anfitriãs, com o objectivo de prestarem todo o tipo de apoio aos próprios adeptos nacionais, à medida que se deslocam pelo país anfitrião, desde logo, informação turística e desportiva. Têm a vantagem de conhecerem o idioma, os hábitos, a mentalidade e as necessidades dos seus adeptos, constituindo-se, assim, como interlocutores privilegiados com as autarquias locais, as forças de segurança e as embaixadas oficiais dos seus países,

E os CLIP?
Estas são Células Locais de Informações Policiais, que serão oito, uma em cada cidade anfitriã do Euro 2004, e estarão ligadas ao CCIP. Recebem e transmitem, para o centro nacional, toda a informação policial relevante sobre a preparação ou ocorrência de actos violentos perpetrados por adeptos, para que se possa planear e/ou coordenar uma intervenção policial adequada.

Changed with the DEMO VERSION of CAD-KAS PDF-Editor (http://www.cadkas.com).

Changed with the DEMO VERSION PETERCAD-KAS PDF-Editor (http://www.cadkas.com). of MUELLER/REUTERS

D E S TA Q U E

5

PÚBLICO•QUINTA-FEIRA, 20 NOV 2003

ANA admite estacionar aviões na Galiza durante o Euro 2004
A ANA encara a hipótese de utilizar a Base Aérea de Cortegaça ou aeroportos espanhóis, nomeadamente galegos, para fazer a hangaragem de aviões numa situação limite de sobrecarga do Aeroporto Francisco de Sá Carneiro, no Porto, durante o Euro 2004. A empresa que gere os aeroportos comerciais portugueses frisa que o do Porto tem capacidade para assegurar o acréscimo previsto de tráfego aéreo associado à competição, mas prevê o cenário alternativo nem que seja como solução de recurso. De qualquer forma, a medida funcionará apenas para o estacionamento das aeronaves, nunca para o desvio de passageiros. “Estamos em negociações avançadas com a Base Aérea de Cortegaça [em Ovar] e alguns aviões poderão, eventualmente, estacionar em Vigo ou na Corunha, mas todos vão aterrar no Porto”, garantiu ao PÚBLICO o porta-voz da ANA, Rui de Oliveira, que deu como exemplo de uma situação semelhante o deslocamento de aviões de Sevilha para Faro durante a final da última Taça UEFA. O esclarecimento surge na sequência das críticas da Associação Portuguesa de Pilotos de Linha Aérea (APPLA), que voltou ontem a referir que a falta de um corredor paralelo a toda a pista de aterragem no Aeroporto Francisco de Sá Carneiro poderá acarretar problemas de segurança quando combinado com o aumento de tráfego aéreo esperado durante o Euro 2004. Segundo o presidente daquela entidade, Salvador Sottomayor, o facto de o “taxiway” do aeroporto se limitar a metade da pista obriga um avião de maior porte a monopolizar a via durante longos minutos. “Ele terá de ir até ao fim da pista, dar lentamente a volta, regressar até meio e, então, sair para o ‘taxiway’. Entretanto, vários aviões têm de esperar no céu pela sua vez”, declarou o piloto à agência Lusa, para quem a existência de um corredor paralelo ao longo de toda a pista permitiria o encaminhamento instantâneo para fora dela e, de imediato, uma nova aterragem. A crítica, de resto, incide mais no factor segurança, que, segundo a APPLA, poderá estar comprometida pelo perigo de cruzamentos entre os aviões que esperam pela autorização de descolagem na saída do “taxiway”, a meio da pista, e os que se encontram a utilizá-la, “uma situação que piora em dias de nevoeiro, comuns no Porto”. Rui de Oliveira refuta a apreciação dos associação dos pilotos e garante que a segurança está garantida, desde que toda a gente “cumpra os procedimentos”. O representante da ANA referiu ainda será pavimentada “de propósito” uma pista velha que duplicará a actual capacidade de estacionamento (35 lugares) e lembrou que a construção do “taxiway” está prevista e foi anunciada na altura da apresentação do novo projecto para o aeroporto do Porto, actualmente em construção. “O ‘taxiway’ estará pronto em 2007”, prometeu. ■ MANUEL ASSUNÇÃO com Lusa

A polícia procura os “hooligans” e a FSF ajuda os adeptos

Conquistar o coração dos portugueses
Os dois principais grupos de adeptos ingleses consideram que o Euro 2004 vai ser um sucesso e apostam “em grande” na preparação do evento. “Sabemos que temos uma má reputação e queremos conquistar o vosso Changed with thecoração. A DEMO maioria dos adeptos ingleses gosta, acima de tudo, de ver bom futebol, pois são apaixonados pelo desporto e pela sua equipa”, disse o entusiasmado Mark Perrymen, responsável pela organização que pertence à Federação Inglesa de Futebol, England Fans. Esta associação, que contabiliza 17 mil membros, destina-se essencialmente à venda de bilhetes para jogos da selecção inglesa. A Football Supporters Federation (FSF) é uma organização independente das autoridades de futebol e é baseada na filiação, contando com mais de cem mil membros de diversos clubes em Inglaterra e no País de Gales. De acordo com Kevin Miles, coordenador internacional da FSF, é garantido que um grande número de adeptos ingleses irão a Portugal. “A nossa missão é que eles tenham toda a informação necessária para que possam aproveitar o torneio e relaxar.” “É que a maior parte dos ingleses irão a Portugal para umas férias futebolísticas. Devem misturar-se com outros fãs, beber muita cerveja, terão as suas bandeiras e farão muito barulho a apoiar a equipa, deverão ser os adeptos mais barulhentos do Euro 2004”, acrescenta Miles. Para este adepto, essa relação com autoridades portuguesas começou no grupo de trabalho para a Prevenção da Violência no Desporto do Conselho da Europa, do qual fez parte. “Somos uma organização de campanhas, fazemos a campanha dos interesses dos adeptos normais de futebol. Opomo-nos à violência, ao racismo, mas também nos opomos ao preço dos bilhetes ser muito alto, opomo-nos ao mau policiamento e queremos ver bom tratamento aos adeptos”, explicou o responsável da FSF, que deu o exemplo da “brutalidade policial” que houve num jogo realizado este ano na VERSION Eslováquia. Esta organização of CAD-KAS recebe dinheiro do Governo britânico, mas actua de forma independente. Para o responsável da FSF, esta “independência” deve-se à estratégia governamental de “multi-agency”, na qual a polícia procura os “hooligans” e a FSF presta ajuda aos adeptos normais para aproveitarem o torneio, representando-os junto do Governo inglês, de governos estrangeiros e respectivas autoridades. Ainda segundo Kevin Miles, a Football Supportters Federation foi a criadora do serviço de apoio para adeptos, “fan embassy” (ver P&R), que começou no Mundial de Itália de 1990. Depois disso, organizações de adeptos alemães fizeram um serviço semelhante. “Desde aí temos feito esse serviço em todos os grandes torneios e agora fazêmo-lo em todos os jogos de Inglaterra”, referiu . No início do Euro 2004, quando estiver activa a “fan embassy”, a FSF vai produzir uma revista, uma edição para cada jogo que Inglaterra jogue, e que “terá informação sobre toda a cidade, também sobre o jogo, onde ir, onde ficar, como viajar, onde comer e beber, etc”, recisa Miles. Também será fornecida informação sobre as legislação local, que Potugal irá disponibilizar. Haverá uma presença física no local, através de um veículo identificado como “fan embassy”, que de acordo com a FSF estará estacionado permanentemente em cada uma das cidades onde Inglaterra jogue. “Vamos desenvolver um sítio na Internet, com toda a informação útil que vai ser lançado na Primavera”, disse ao PÚBLICO Kevin Miles. ■ J.T.

PDF-Editor (http://www.cadkas.com).

Changed with the DEMO VERSION of CAD-KAS PDF-Editor (http://www.cadkas.com).