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LENIMAR NUNES DE ANDRADE

INTRODUC¸ AO A ` ALGEBRA: ´

˜

˜

QUEST OES COMENTADAS E RESOLVIDAS

1 a edic¸ ao˜ ISBN 978-85-917238-0-5

Joao˜ Pessoa

Edic¸ ao˜ do Autor

2014

Prefacio´

´

Este texto foi elaborado para a disciplina “Introduc¸ ao˜ a` Algebra” que passou a

´

ser ministrada na UAB/ UFPB a partir de 2010. E um complemento de outro texto que contenha o desenvolvimento detalhado da teoria. Dedica-se principalmente a alunos dos cursos de Licenciatura ou Bacharelado em Matem atica,´ F´ısica, Qu´ımica ou Engenha El etrica´ (Telecomunicac¸ oes).˜ No in´ıcio, fazemos um pequeno resumo dos assuntos vistos ao longo do semes- tre: operac¸ oes˜ bin arias,´ grupos, an eis,´ corpos e polin omios.ˆ Depois, iniciamos a resoluc¸ ao˜ de v arios´ exerc´ıcios relacionados com os esses temas para ajudar na fixac¸ ao˜ do conte udo.´ No final, s ao˜ apresentados alguns testes do tipo m ultipla´ esco- lha. ´ E importante observar que os exerc´ıcios foram colocados em ordem crescente de dificuldade. Os que iniciam com “A” (Ex.: A1, A2, etc.) s ao˜ os mais f aceis,´ os que iniciam com “B” (Ex.: B1, B2, etc.) s ao˜ os “m edios”´ e os que iniciam com “C” s ao˜ os mais dif´ıceis.

Jo ao˜ Pessoa, 8 de janeiro de 2014

Lenimar Nunes de Andrade

i

Sumario´

1 Resumo da teoria

 

1

1.1 Operac¸ oes˜ bin arias´

 

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1

1.2 Grupos

 

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4

1.3 Homomorfismo de grupos

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6

1.4 Grupos c´ıclicos

 

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9

1.5 Principais proposic¸ oes˜

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11

1.6

An eis´

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12

1.7 Corpos .

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15

1.8 Homomorfismos de an eis´

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16

1.9 An eis-quocientes´

 

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18

1.10 Polin omiosˆ

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20

1.11 Grau de um polin omioˆ

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21

1.12 Notac¸ ao˜

usual

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22

1.13 Polin omiosˆ

irredut´ıveis

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26

2 Operac¸ oes˜ binarias´

 

28

3 Grupos e subgrupos

38

4 Homomorfismos, isomorfismos, grupos c´ıclicos

 

48

5 Classes laterais, subgrupos normais, grupos-quocientes

 

58

6 An eis,´ suban eis,´ aneis´ de integridade, corpos

 

64

7 Homomorfismos de an eis,´ ideais, an eis-quocientes´

 

74

8 Polinomiosˆ

 

82

9 Exerc´ıcios de revisao˜

 

92

10 Testes

100

10.1 Operac¸ oes˜ bin arias´

 

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100

10.2 Grupos e subgrupos

 

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105

ii

10.3

Homomorfismos, isomorfismos, grupos c´ıclicos

109

10.4 Classes laterais, subgrupos normais, grupos quocientes

 

113

10.5 An eis,´ suban eis,´

an eis´ de integridade, corpos

 

116

10.6 Homomorfismos e isomorfismos de an eis´

 

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119

10.7 Ideais e an eis-quocientes´

 

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122

10.8 Polin omiosˆ

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124

iii

Cap´ıtulo 1 Resumo da teoria

1.1 Operac¸ oes˜ binarias´

(ou simplesmente uma operac¸ ao˜ ) sobre um conjunto

A e´ uma func¸ ao˜ de A × A em A que associa a cada par ( x , y ) A × A um unico´

elemento de A que e´ denotado por x y .

Uma operac¸ ao˜ bin aria´

e´ denotado por x ∗ y . Uma operac¸ ao˜ bin aria´ Comutatividade Uma operac¸ ao˜

Comutatividade

Uma operac¸ ao˜ sobre A comutativa quando

x y = y x , x , y A

Exemplos

A adic¸ ao˜ de inteiros e´ comutativa, ou seja, x + y = y + x , x , y .

A multiplicac¸ ao˜ de inteiros tamb em´ e´ comutativa, ou seja, x · y = y · x , x , y .

A multiplicac¸ ao˜ de matrizes n ao˜ e´ uma operac¸ ao˜ comutativa, isto e,´ existem matrizes A e B tais que AB BA .

1

A composic¸ ao˜ de func¸ oes˜ tamb em´ n ao˜ e´ uma operac¸ ao˜ comutativa, isto e,´ exis- tem func¸ oes˜ f e g tais que f g g f .

Associatividade

Uma operac¸ ao˜ sobre A associativa quando

x ( y z) = ( x y ) z, x , y , z A

Exemplos

A adic¸ ao˜ de n umeros´ x , y , z .

A multiplicac¸ ao˜ de n umeros´ x , y , z .

A subtrac¸ ao˜ de n umeros´

reais e´ associativa, ou seja, x + ( y + z) = ( x + y ) + z,

reais e´ associativa, ou seja, x · (y · z ) = ( x · y ) · z,

reais n ao˜ e´ uma operac¸ ao˜ associativa. Por exemplo,

5

(2 1)

=

5 1

=

4 e (5 2) 1

=

3 1

= 2 de onde temos que

5

(2 1) (5 2) 1.

 

Elemento neutro

Um elemento e A e´ denominado elemento neutro para a operac¸ ao˜ sobre A quando

x e = e x = x , x A

Exemplos

O 0 (zero) e´ o elemento neutro da adic¸ ao˜ de inteiros.

O 1 (um) e´ o elemento neutro da multiplicac¸ ao˜ de inteiros.

A matriz identidade n × n e´ o elemento neutro da operac¸ ao˜ de multiplicac¸ ao˜ de matrizes n × n .

A operac¸ ao˜ de potenciac¸ ao˜ x y = x y definida sobre os inteiros positivos n ao˜ tem elemento neutro.

Elemento inverso

Se uma operac¸ ao˜ sobre A possuir elemento neutro e , ent ao˜ um elemento x A

e´ denominado invert´ıvel (ou simetriz avel)´

quando existir x 1 A tal que

x x 1 = x 1 x = e

2

Exemplos

Todo x possui um inverso com relac¸ ao˜ a` operac¸ ao˜ de adic¸ ao˜ de inteiros: e´ o inteiro x . Por exemplo, o inverso (aditivo) de 3 e´ o 3.

possui um

Na multiplicac¸ ao˜ usual dos n umeros´

inverso (multiplicativo) que e´ o elemento x 1 = q p , com excec¸ ao˜ apenas do 0 (zero) que n ao˜ tem inverso com relac¸ ao˜ a` multiplicac¸ ao.˜

racionais, todo x =

p

q

Distributividade

Sejam e duas operac¸ oes˜

definidas sobre um conjunto A . Dizemos que

distributiva com relac¸ ao˜ a quando

x ( y z) = x y x z , x , y , z A

e

( x y ) z = x z y z, x , y , z A.

Exemplo

No conjunto dos n umeros´ adic¸ ao˜ porque:

( x + y ) · z = x · z + y · z

x · ( y + z) = x · y + x · z

para quaisquer x , y , z .

inteiros, a multiplicac¸ ao˜ e´ distributiva com relac¸ ao˜ a`

Parte fechada

Consideremos um conjunto A , X um subconjunto de A e uma operac¸ ao˜ definida sobre A . Dizemos que X parte fechada de A com relac¸ ao˜ a` operac¸ ao˜

quando

x , y X x y X.

e´ parte fechada de A com relac¸ ao˜ a` operac¸ ao˜ ∗ quando ∀ x ,

3

T abua´ de uma operac¸ ao˜

A t abua´ de uma operac¸ ao˜ definida sobre um conjunto finito A = {a 1 , a 2 , ··· , a n } e´ uma tabela onde o resultado da operac¸ ao˜ a i a j e´ colocado na i - esima´ linha e j - esima´ coluna.

a

1

a

2

a

3

a

4

a

5

a 1

a 1 a 1

a 1 a 2

a 1 a 3

a 1 a 4

a 1 a 5

a 2

a 2 a 1

a 2 a 2

a 2 a 3

a 2 a 4

a 2 a 5

a 3

a 3 a 1

a 3 a 2

a 3 a 3

a 3 a 4

a 3 a 5

a 4

a 4 a 1

a 4 a 2

a 4 a 3

a 4 a 4

a 4 a 5

a 5

a 5 a 1

a 5 a 2

a 5 a 3

a 5 a 4

a 5 a 5

1.2 Grupos

Um grupo e´ um conjunto G no qual est a´ definida uma operac¸ ao˜ que satisfaz as` seguintes propriedades:

• ∗ e´ associativa, ou seja, x ( y z) = ( x y ) z , x , y , z G

• ∗ admite elemento neutro, ou seja, e G tal que x e = e x = x , x G

Para cada elemento x G , x 1 G tal que x x 1 = x 1 x = e

Al em´ disso, se for comutativa, ent ao˜ o grupo G e´ denominado comutativo ou abe- liano .

Exemplos

O conjunto dos inteiros com a adic¸ ao˜ usual e´ um grupo.

O conjunto dos n umeros´ reais n ao˜ nulos com a operac¸ ao˜ de multiplicac¸ ao˜ usual e´ um grupo.

Grupos de permutac¸ oes˜

Sejam E um conjunto n ao˜ vazio e S E o conjunto de todas as func¸ oes˜ bijetoras f : E −→ E . Com a operac¸ ao˜ de composic¸ ao˜ de func¸ oes,˜ ( S E , ) e´ um grupo denominado grupo de permutac¸ oes˜ sobre E .

4

Notac¸ ao˜

Em particular, quando E = { 1, 2, · · · , n} , onde n e´ um inteiro positivo fixado, S E

f

e´ denotado por S n . Se f : E −→ costuma ser denotada na forma

E for tal que

f ( i )

=

a i , para todo i

E , ent ao˜

f

= (

1

2

3

···

a 1 a 2 a 3 ···

n )

n

a

O total de func¸ oes˜ que podem ser constru´ıdas dessa forma e´ de n !.

Exemplo

Sejam E

= {1 , 2 , 3 } e σ, ρ S 3 definidas por σ = (

Ent ao˜

ρ σ = ρσ = (

1

2

2

1

3

3 ) .

1

3

2 1 2 3 ) e ρ = ( 1 1

2 3

3

2 ) .

. 1 3 2 1 2 3 ) e ρ = ( 1 1 2 3

Grupos de classes de restos

, n 1} , onde a¯ = { a + kn | k }, a .

O conjunto n e´ denominado conjunto das classes de restos m odulo´ n. Definindo-se

a seguinte operac¸ ao˜ de adic¸ ao˜ sobre n

Sejam n > 1 um inteiro e n = { 0 , 1 ¯ , · · ·

¯

x¯ + y¯ = x + y ,

entao˜

( n , + ) e´ um grupo abeliano.

5

Exemplo

Escolhendo n = 5, temos que em 5 sao˜

¯

1

¯ + 2 =

¯

¯

3, 2 + 2 = 4, ¯ 0 ¯ + 3 =

¯

¯

3

¯

2, 3 + 3 = 1 ¯

¯

¯

2 + 3 = 0, 4 ¯ + 3 =

¯

¯

¯

¯

¯

v alidas´

as igualdades:

Subgrupos

vazio H G que seja fechado com

relac¸ ao˜ a` operac¸ ao˜ e´ denominado um subgrupo de G quando ( H, ) tamb em´ for um grupo.

Seja (G , ) um grupo. Um subconjunto n ao˜

Exemplos

H = ( , +) e´ um subgrupo de G = ( , +)

O conjunto H dos inteiros pares com a operac¸ ao˜ de adic¸ ao˜ usual e´ um subgrupo de G = ( , + ).

O conjunto H = ( + , ·) dos n umeros´ reais positivos com a operac¸ ao˜ de multiplicac¸ ao˜ usual e´ um subgrupo de G = ( , · )

O conjunto N = ( , ·) dos reais negativos com a multiplicac¸ ao˜

e´ fechado com relac¸ ao˜

n ao˜ e´ subgrupo

de G = ( , ·), porque N nao˜

a` multiplicac¸ ao.˜

1.3 Homomorfismo de grupos

Uma func¸ ao˜ fismo quando

f de um grupo (G , ) em um grupo ( J, ) chama-se um homomor-

f ( x y ) = f ( x ) f ( y ), x , y G .

grupo ( J , ∆ ) chama-se um homomor- f ( x ∗ y ) =

6

Exemplos

Se G

=

J

= ( , + ), ent ao˜

f : G −→ J , f ( x ) =

2 x e´ um homomorfismo de

grupos porque f ( x + y ) = 2( x + y ) = 2 x

+ 2y = f ( x ) + f ( y ), x , y G .

G = ( , · ) e J = ( , · ),

Se

ent ao˜

f : −→ , f ( x ) = x 2 e´ um homomorfismo

de

grupos porque

f ( x · y ) = ( x · y ) 2 = x 2 · y 2 =

f ( x ) · f ( y ), x , y .

Sejam G

=

( a+ c) ( b+ d )

Para

quaisquer ( a , b ), ( c , d ) × , temos que: g ((a, b) + ( c , d )) = g (a + c , b + d ) =

= g (a , b) · g( c , d ) .

2

( × , + ), J

=

( , · ) e g

2 a b

·

: × −→ , g( x , y ) = 2 x y .

2 ( a b) +( c d )

= Logo, g e´ um homomorfismo de G em J .

2 c d

=

N ucleo´

Se f : G J for um homomorfismo de grupos, o n ucleo´ de f , denotado por N ( f ), e´ o conjunto de todos os elementos do dom´ınio G cujas imagens atraves´ de f sao˜ iguais ao elemento neutro de J :

de um homomorfismo

N ( f ) = { x G | f ( x ) = e J }

N ( f ) = { x ∈ G | f ( x ) = e

Exemplos

Vamos determinar o n ucleo´ riores.

de cada um dos homomorfismos dos exemplos ante-

Seja f : ( , + ) −→ ( , + ), f ( x ) = 2 x . O elemento neutro do contradom ´ınio de f e´ o 0 (zero). Se x N ( f ), ent ao˜ f ( x ) = 0 2 x = 0 x = 0. Logo, o n ucleo´ de f e´ formado apenas pelo 0 (zero), isto e,´ N ( f ) = {0 }.

7

Sejam G = ( , · ), J = ( , · ), f : G −→ J , f ( x ) = x 2 . O elemento neutro de J e´ o 1 (um). Se x N ( f ), ent ao˜ devemos ter f ( x ) = 1, ou seja, x 2 = 1 x = ±1. Logo, N ( f ) = {− 1, 1} .

Se

( x , y ) N ( g), entao˜ g( x , y ) = 1 = elemento neutro de J 2 x y = 1 2 x y = 2 0

Sejam G

=

( × , +), J

=

( , · ), g

:

× −→ , g( x , y ) = 2 x y .

x y = 0 x = y . Logo, N (g ) = {( x , y ) × | x = y } = {( x , x ) | x } .

Isomorfismo de grupos

Um isomorfismo de um grupo G em um grupo J e´ um homomorfismo de G em J que tamb em´ e´ uma func¸ ao˜ bijetora. Se existir um isomorfismo de G em J entao˜ dizemos que G e J sao˜ isomorfos e denotamos isso por G J .

Exemplo

A func¸ ao˜

f : + −→ , f ( x ) = log( x ) e´ bijetora;

Para quaisquer x , y + temos:

f ( x ) = log( x ) e´ um isomorfismo de G = ( + , · ) em J = ( , + ) porque:

f ( x · y ) = log( x · y )

= log( x ) + log(y )

=

f ( x ) + f ( y ).

Potenciasˆ

e multiplos´

Em um grupo multiplicativo (G , · ) com elemento neutro e , dados x G e n ,

definimos a pot enciaˆ

x n da seguinte forma:

x n =

 

x n 1 · x , se n 1

se n = 0

se n < 0

    ( x 1 ) n ,

e

,

Pela definic¸ ao,˜

se n < 0.

M ultiplos´

x 0 = e , x n = x · x · x · ··· · x se n > 0 e x n = x 1 · x 1 · x 1 · ··· · x 1

n fatores

( n) fatores

Em um grupo aditivo (G , +) com elemento neutro 0, dados x G e n ,

definimos o m ultiplo´

nx da seguinte forma:

( n 1) x + x , se n 1

 

nx =

0 ,

se n = 0

( n)( x ) ,

se n < 0

8

Pela definic¸ ao,˜

0 x

=

0, nx

=

x + x + x + · · · + x

nx =

( x ) + ( x ) + ( x ) + · · · + ( x ) se n < 0.

n parcelas

( n) parcelas

A definic¸ ao˜ de m ultiplo´

e´ muito parecida com a de pot encia.ˆ

se n

>

0 e

1.4 Grupos c´ıclicos

Grupo gerado por um elemento

Seja x um elemento de um grupo multiplicativo (G , · ). O grupo gerado por x , denotado por [ x ] (ou por x ) e´ o conjunto de todas as pot enciasˆ de expoente inteiro de x :

[ x ] = { x k | k } =

, x 3 , x 2 , x 1 , x , e , x , x 2 , x 3 ,

}

Se ( J, +) for um grupo aditivo e y J , ent ao˜ de y :

[ y ] e´ o conjunto de todos os m ultiplos´

[y ] = { ky | k } =

, 3y , 2y , y, 0 , y , 2y , 3y ,

}

Exemplo

Em G = ( , · ), temos: [2] = {2 k | k } =

,

1

8 ,

1

4 , 1

2 , 1, 2, 4, 8,

}

Grupos c´ıclicos

Um grupo G e´ denominado c´ıclico se existir x G tal que G = [ x ]. Neste caso, todos os elementos de G sao˜ pot enciasˆ (ou m ultiplos)´ de x que e´ denominado um gerador de G .

Exemplos

( , +) e´ um grupo c´ıcliclo porque todo inteiro e´ m ultiplo´ de 1, ou seja, = [1]. Um grupo c´ıclico pode ter mais de um gerador. Note que neste caso temos tambem´ = [ 1].

( 5 , · ) e´ um grupo c´ıclico gerado por 2 porque [ 2] = { 2 ¯ 0 , 2 ¯ 1 , 2 ¯ 2 , 2 ¯ 3 } = { 1 ¯ , 2 , 4 , 3} ¯ =

¯

¯

¯ ¯

.

5

9

O grupo multiplicativo dos reais, ( , ·), n ao˜ e´ um grupo c´ıclico porque n ao˜ existe um n umero´ real x tal que todo n umero´ real seja igual a alguma pot enciaˆ de x .

Classes laterais

Consideremos um grupo (G , ), um subgrupo H G e x G .

A classe lateral a` esquerda , m odulo´ conjunto definido por

H , definida por x , denotada por x H , e´ o

x H = { x h | h

H }

A classe lateral a` direita, m odulo´ conjunto definido por

H , definida por x , denotada por H x , e´ o

H x = {h x | h H }

As classes laterais a` esquerda podem coincidir ou n ao˜ com as classes a` direita. Podemos ter x H = H x ou x H H x , dependendo do x e do H .

Exemplo 1

Sejam G = ( 8 , +) e um subgrupo H = { 0, ¯ 2, ¯ 4, ¯ 6} ¯ .

A classe lateral a` esquerda definida pelo elemento 1 ¯ e:´

¯ + 0, 1

{ 1

¯

¯ + 2, 1

¯

¯ + 4 , 1

¯

¯ + 6} = { 1,

¯

¯

¯ 3, 5, 7} .

¯ ¯

¯

1 ¯ + H

¯

¯ ¯

= 1

¯ + { 0 , 2 , 4 , 6}

¯

¯

¯

¯

¯ ¯

=

A classe lateral a` esquerda definida pelo elemento 2 e:´

2 + H =

2 + { 0 , 2 ¯ , 4 , 6}

=

¯

¯ ¯

¯ ¯

¯ ¯

¯

¯

¯

¯ ¯

{ 2 + 0, 2 + 2, 2 + 4 , 2 + 6} = { 2, 4, 6, 0} .

 

Exemplo 2

 

Consideremos G

=

( , · ) e um subgrupo H

=

{ 3 k | k

} , ou seja, H

=

{· · ·

 

1

9 ,

3 1 , 1, 3, 9, 27 , · · · } . A classe lateral a` direita definida pelo elemento 2 G e:´

,

H ·

2 = { 3 k ·

2 | k } = {· · · , 2

9

´

Indice de H em G

, 2

3

, 2, 3 2, 9 2, 27 2, ···} .

Sejam G um grupo finito e H um subgrupo de G . O ´ındice de H em G e´ o n umero´

de classes laterais distintas m odulo´

H em G e e´ denotado por (G : H ).

10

Exemplo

Sejam G = ( 6 , +) e H = { 0 ¯ , 3 ¯ }. As classes laterais m odulo´

¯

¯

¯

¯

¯

¯

¯

• { 0 + 0, 0 + 3}

0 + H

=

• { 1 ¯ + 0, 1 ¯ + 3}

1 ¯ + H

=

¯

¯

=

=

{ 0, 3}

{ ¯ 4}

1,

¯

¯

¯

¯

¯

¯

¯

¯

2 + H = { 2 + 0, 2 + 4} =

{ 2, 5}

H sao:˜

As outras classes 3 + H = { 3 , 0 }, 4 + H = { 4, 1} ¯ , etc. coincidem com as anteriores.

Dessa forma, temos um total de 3 classes laterais distintas e, consequentemente, (G : H ) = 3.

¯

¯ ¯

¯

¯

Subgrupo normal e grupo quociente

Sendo (G , ) um grupo, um subgrupo N de G e´ denominado normal quando x N = N x para todo x G . Neste caso, denotaremos N normal em G por N G .

Grupo quociente

Consideremos N G . O conjunto de todas as classes laterais m odulo´ grupo com a operac¸ ao˜ definida por

( aN )(bN ) = (ab ) N , a , b G

N e´ um

e e´ denominado grupo quociente de G por N . O grupo quociente de G por N e´ denotado por G /N .

1.5 Principais proposic¸ oes˜

Teorema de Lagrange

Se G for um grupo finito e H um subgrupo de G , ent ao˜ a ordem de H e´ um divisor

da ordem de G e o quociente da divisao˜ e´ igual ao ´ındice de H em G . Em s´ımbolos:

o (G ) = o ( H ) · (G : H ).

Teorema do Homomorfismo

Seja f : G −→ J um homomorfismo de grupos sobrejetor. Se N for o n ucleo´

f , ent ao˜ N G e G /N J .

11

de

1.6 An eis´

Seja A um conjunto com duas operac¸ oes:˜ ( · ). Dizemos que ( A